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Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais


PMT 3401 – Laboratório de Processos Metalúrgicos

REDUÇÃO CARBOTÉRMICA DO ÓXIDO DE COBRE

Arthur da Rocha Albertini 9835856


Bruna Minelli Martines 9347448
Bruno Castro 9042595
Carlotta Zago 10216490
Fábio Waisenberg Dicezare 8552115
Isabella Perini 9042553
Paula Arantes Ribeiro 8584302
Rodrigo Takacs 8990880

Prof. Dr. Eduardo Monlevade


Turma 01

São Paulo
Agosto - 2017
1. Introdução teórica
É possível se obter um metal puro através da redução do óxido metálico com
um agente redutor. Para isso, o agente deve ter maior afinidade pelo oxigênio do
que o metal a ser reduzido, além de realizar a redução em condições
termodinâmicas favoráveis.
O agente redutor pode ser gasoso ou sólido. Um exemplo de agente redutor
gasoso é o monóxido de carbono, enquanto sólido é o próprio carvão (carbono). Em
alguns casos, pode-se utilizar um metal cuja afinidade com o oxigênio seja maior do
que a do metal que se deseja reduzir. Os agentes redutores mais utilizados
industrialmente e de maior importância econômica são o monóxido de carbono, o
hidrogênio e o próprio carbono, estes podem ser obtidos de matérias primas como
carvão, gás natural e petróleo.
O cobre pode ser encontrado na natureza como sulfetos e óxidos, além de
outras formas menos comuns. Os depósitos minerais de cobre, no entanto,
apresentam maior proporção de óxidos do que de sulfetos. É possível produzir
cobre metálico pela redução de seu óxido, geralmente usando o carbono como
redutor. A reação abaixo retrata essa redução (reação global):

C uO + C ↔ Cu + CO/CO2

O minério que contém cobre é levado ao forno para que ocorra a redução do
cobre. Enquanto isso ocorre, o restante do minério (geralmente também composto
por óxidos) não reage com a atmosfera redutora, porém funde, formando a escória.
Essa fusão é promovida pela adição de fundentes ao minério, para abaixar o ponto
de fusão de seus óxidos. A fase metal e escória se separam em duas camadas, por
ação da gravidade, devido à imiscibilidade e à diferença de densidade. A escória
sobrenadante deve ter uma baixa viscosidade para permitir que as gotas de metal
líquido produzidas tenham a possibilidade de atravessá-la.
O diagrama de Ellingham é uma representação gráfica de várias reações de
oxidação em função de temperatura e ΔGº. Quanto menor for o ΔGº da reação
maior será a estabilidade do óxido formado, portanto as reações que se apresentam
acima de determinada reação irão ocorrer no sentido contrário ao de oxidação,
portanto, realizarão a reação de redução do óxido. O diagrama é fundamental para
entender quais elementos podem ser utilizados como agentes redutores em
determinados processos. A Figura 1 exemplifica o diagrama para algumas reações
de oxidação.
Portanto, quanto menor o ​∆Gº  da  reação,  mais  termodinamicamente 
favorável  é  esta.  De  acordo  com  o  Diagrama  de  Elligham,  pode-se  afirmar  que  o 
cobre  é  reduzido  pelo  monóxido  de  carbono  em  basicamente  qualquer  temperatura 
(acima  de  cerca  de  90°C).  Porém,  quanto  maior  a  temperatura,  mais  favorável  é  a 
redução  do  óxido.  Além  disso  a  difusão  de  gases  em  sólidos  só  possui  velocidade 
significante em temperaturas elevadas. 
Sabe-se também que o ponto de fusão do cobre puro é de aproximadamente
1.085°C, porém uma liga contém impurezas, o que diminui um pouco esse valor.
Por isso, foi estabelecida a temperatura de 900°C como sendo a temperatura do
forno, a maior temperatura possível sem correr risco de fundir parte da amostra.

Figura 1:​ Diagrama de Elligham


2. Objetivos
A experiência consiste na redução carbotérmica de óxido de cobre com
objetivo fazermos duas comparações. A primeira, entre a quantidade de minério
reduzido em diferentes intervalos de tempo quando é utilizado carvão vegetal no
processo. E a segunda, entre a quantidade de minério reduzido utilizando coque ou
carvão vegetal.

3. Roteiro Experimental

Inicialmente, foi separado e medido aproximadamente 50g de óxido de cobre


em quatro recipientes diferentes. Posteriormente, cada um dos recipientes recebeu
uma dose de 5% em massa de água e que foi incorporada ao minério durante
alguns minutos até que a solução se tornasse homogênea .
As misturas foram então compactadas em uma prensa cuja pressão aplicada
foi de 10 toneladas, formando pequenos cilindros, cujas alturas, diâmetros e pesos
foram medidos e anotados.

Tabela 1 - ​Condições iniciais das amostras pré e pós prensagem.

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Amostra 4

Massa CuO (g) 50.06 50.01 50.07 50.02

Massa H​₂O (g) 2.5 2.5 2.5 2.5

Agente Redutor Carvão Veg. Carvão Veg. Carvão Veg. Coque

Altura (mm) 19.72 21.46 22.26 22.32

Diâmetro (mm) 30.91 30.78 30.30 30.38


Massa Briquete (g) 45.81 49.33 49.94 51.27

Os cilindros de minério foram numerados. Os


briquetes 1, 2 e 3 foram depositados em cadinhos com
carvão vegetal e o 4, em um cadinho contendo coque.
Todos os quatro foram fechados com uma tampa de
metal e selados com argila. Os quatros recipientes foram, então, levados a um forno
a 900 graus Celsius (1173 Kelvin). Com a adição dos recipientes, o forno teve uma
queda em sua temperatura, chegando a 736°C. O forno levou 25 minutos para
retomar sua temperatura de 900°C (1173 Kelvin), conforme apresentado na tabela
abaixo:

Tempo (min) Temperatura (°C)


0 736
5 763
10 815
15 849
20 877
25 901

Após a estabilização da temperatura, passou-se a cronometrar o tempo para


efetivar a retirada dos cadinhos. Cada um foi retirado em intervalos de tempo
diferentes (a cada 15 minutos), com exceção dos cadinhos 3 e 4, que foram
retirados ao mesmo tempo do forno.
Após retirar cada um dos recipientes e extrair o minério que nele estava,
resfriou-se rapidamente a amostra em água, que posteriormente foi pesada e teve
suas novas medidas de diâmetro e altura anotadas. Em seguida foi cortada ao meio
para que fosse possível sua análise visual internamente.
Além da análise a olho nu, foi utilizada uma lupa digital, com a qual
realizou-se medidas de cada camada. Também houve a tentativa de uma análise
micrográfica, porém durante a preparação as amostras esfarelaram,
impossibilitando a observação com microscópio óptico. Os resultados obtidos serão
discutidos a seguir.
4. Resultados e discussão

Abaixo, temos as medidas de cada briquete após a redução carbotérmica:

Tabela 2 - ​Resultados após redução carbotérmica das amostras.

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Amostra 4


Tempo no 15 minutos 30 minutos 45 minutos 45 minutos
Forno a 900°C

Altura (mm) 16.18 17.96 17.26 20.78

Diâmetro (mm) 24.40 24.22 23.80 27.34

Massa (g) 36.94 38.99 39.09 45.03

Após análise visual dos briquetes, foi possível verificar a existência de três
diferentes fases/cores. Com essa observação, conclui-se que a reação ocorre de
fora para dentro. A parte exterior do briquete está em contato com a atmosfera
redutora (rica em CO) e a redução da parte mais interior da amostra depende da
difusão do CO através das partículas do briquete, o que demanda mais tempo no
forno.
Uma fração mais interna se permanece
negra, mostrando que não houve alteração
em sua composição. A porção mais externa
se tornou mais clara e brilhante, indicando a
formação de cobre metálico no envoltório da
amostra (equação II). Houve também a
formação de uma porção avermelhada no intermédio, que indica o óxido de cobre
parcialmente reduzido (equação I).

2 CuO + CO = Cu​₂​O + CO​₂​ (I)


Cu​₂​O + CO = 2 Cu + CO​₂​ (II)
CO​₂​ + C = 2 CO (III)

As reações anteriores resultam em uma equação global representada pelo


equilíbrio não balanceado mostrado em IV:

CuO + C ↔ Cu + CO/CO​₂​ (IV)


5. Fotografias do processo experimental
Utilização da prensa para confecção dos
Briquetes .

Vedação térmica dos cadinhos com argila.

Briquetes após retirada da prensa.

Retirada dos cadinhos e resfriamento das


amostra.

Realização de medições dos Briquetes com


paquímetro e balança.
6. Tabelas e gráficos comparativos entre os resultados dos experimentos

A partir dos dados coletados, montou-se a tabela abaixo:


Tabela 3 - ​Cálculo da redução de dimensões dos briquetes

Amostra 1 2 3 4
Agente Redutor Carvão Vegetal Carvão Vegetal Carvão Vegetal Coque
Tempo de Retirada 15 30 45 45
Altura Antes 19,72 21,46 22,26 22,32
Altura Depois 16,18 17,96 17,26 20,78
Redução Altura (%) 17,95 16,3 22,46 6,9
Diâmetro Antes (mm) 30,91 30,91 30,3 30,38
Diâmetro Depois (mm) 24,4 24,22 23,8 27,34
Redução Diâmetro (%) 21,06 21,64 21,45 10,01
Massa Óxido de Cobre (g) 43,31 46,83 47,44 48,77
Massa Briquete (g) 45,81 49,33 49,94 51,27
Massa Depois (g) 36,94 38,99 39,09 45,03
Redução Massa (%) 19,36 20,96 21,73 12,17
Volume Antes (mm³) 14797,28 16102,93 16050,46 16178,82
Volume Depois (mm³) 7565,46 8274,31 7678,42 12198,87
Redução de Volume (%) 48,87 48,62 52,16 24,6

Com esses dados, foi possível plotar gráficos sobre as variações de massa
dos briquetes. Percebe-se que quanto maior o tempo no forno, maior a porcentagem
de redução de massa. Isso ocorre pela perda de oxigênio (presente no óxido), o
que deixa os briquetes relativamente mais leves. O gráfico que apresenta a massa
final dos briquetes mostra um leve aumento na massa das amostras, porém isto se
deve à massa inicial dos briquetes, que é crescente da amostra 1 para a 4. O
briquete que foi reduzido com coque mostrou uma menor porcentagem de redução
de massa, logo, uma maior massa final.
Amostra 1 Amostra 2

Amostra 3 Amostra 4
Medidas:

Foi possível notar que a quantidade de Cu convertido está diretamente


relacionada ao tempo em que a amostra permaneceu no forno. Quanto maior o
tempo maior foi a quantidade convertida. Esse fato era esperado, já que quanto
maior o tempo dentro do forno maior o tempo para que ocorra difusão e a reação de
redução do Cu seja realizada. O ponto mais interessante de se analisar foi comparar
as amostras que foram reduzidas utilizando coque e carvão vegetal e que
permaneceram no forno pelo mesmo período de tempo. A amostra que foi reduzida
com a utilização de coque mostrou uma quantidade de Cu produzido menor do que
a amostra que foi reduzida com a utilização de carvão vegetal, porém percebemos
que o Cu formado apresentava uma estrutura mais uniforme, ou seja, a redução
com o coque ocorreu de forma mais devagar porém mais constante do que a
redução com o carvão vegetal. Isso indica que o coque é menos reativo do que o
carvão vegetal. As imagens acima não retratam isso tão bem, elas servem apenas
como referência para mostrar como as medidas foram feitas.
O que pode-se notar é a deformação da camada interna na amostra 2. Esse
fenômeno pode ser explicado pela formação de trincas, que criam um caminho de
permeabilidade para os gases, acelerando a reação nessas regiões. Assim, pode-se
concluir que a trinca foi formada antes da amostra ser serrada, possivelmente por
causa de algum defeito na prensagem, uma vez que seu formato influenciou o
formato das camadas internas.
Para estimar a massa de cada camada formada, é necessário aplicar
estequiometria. Assume-se que toda a massa que sai do sistema representa a
evaporação da água e o desprendimento do oxigênio em forma de CO ou CO2.
Para efeito de cálculo, consideraremos que toda a massa perdida do briquete
corresponde a átomos de oxigênio. Pela equação global ​CuO + C ↔ Cu + CO/CO​₂,
pode-se calcular a massa de cobre que assumiu sua forma metálica, tomando a
massa perdida como o oxigênio correspondente ao CuO.​ Assim, temos que:
16 g O - 63,5 g Cu
massa perdida - ? g Cu
Tabela 4​ - Massas (g) utilizadas na estequiometria

Massa de cobre
Amostra Massa CuO antes Massa depois Massa perdida metálico
1 43.31 36.94 6.37 25.280938
2 46.83 38.99 7.84 31.115000
3 47.44 39.09 8.35 33.139063
4 48.77 45.03 3.74 14.843125

Percebe-se um aumento na massa de Cu metálico conforme o aumento do


tempo de forno, o que está de acordo com o esperado, pois mais tempo de forno
significa maior tempo de reação e maior difusão dos átomos de monóxido de
carbono através do sólido. Como também era esperado, o coque permitiu uma
menor redução do óxido de cobre ao cobre metálico.

7. Conclusões

O principal agente redutor do meio é o CO. As reações de redução que


ocorrem formam óxido de cobre (I) (Cu​2​O) e cobre metálico (Cu) a partir de óxido de
cobre (II). Sendo que quanto maior a quantidade de tempo que a amostra
permaneceu no forno maior foi a difusão e, portanto, maior a quantidade de Cu
formado. Além disso foi possível concluir que o carvão vegetal é mais reativo do que
o coque. Essa interpretação faz sentido se pensarmos que em um alto forno o
coque é responsável por suportar grandes cargas, o que não seria possível se ele
fosse mais reativo, já que sua taxa de transformação seria maior fazendo com que
sua resistência mecânica diminuísse com velocidade mais elevada.

8. Referências

● ROSENQVIST, T. “Principles of extractive metallurgy”, McGraw-Hill, capítulo


9

● HECK, N. C. Metalurgia Extrativa dos Metais Não-Ferrosos II-A – Redução


Carbotérmica.

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