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Cinema brasileiro dos anos 1920 e o

Cinema de Humberto Mauro em


Cataguases
Felipe Abramovictz
fabramovictz@uol.com.br
Das origens à “Bela época”
Bela época do cinema brasileiro
• Fase áurea?
• 1907-1911

• “Filmes de enredo” e “naturais”


• Noção de “cavação”
Exibidores
• Os exibidores: Francisco Serrador
• Grandes cadeias de salas: Luiz Severiano
Ribeiro
– Primeiro cinema arrendado em 1909 – Fortaleza
– Domina grandes salas do nordeste
– 1926: parceria com MGM no Odeon no RJ
• Filmes americanos
– Hoje: Kinoplex (3ª do brasil)
• perde para Cinemark (fundada no Texas em 84, BR
desde 97, 3ª do mundo)e Cinepolis (fundada em 1974,
4ª do mundo – maior da Am. Latina, BR desde 2010)
O fim da bela época
• “Em 1912, o interesse do exibidor e do
produtor brasileiro se separam: o cinema
americano organiza-se e já é capaz de
abastecer os cinemas com total regularidade;
o financiamento de filmes nacionais é
abandonado em favor da compra do produto
estrangeiro que entrava com facilidade e
cativava o público com sua técnica mais
aprimorada” (SCHVARZMAN, 2004, p. 6)
Produção entre a “bela época” e a
produção dos anos 1920
• Queda
• Não há demanda
• Chegada do cinema estrangeiro
– momento de consolidação de um star system
– 1ª fase de “grandes produções” (exemplo italiano)
• Mercado exibidor
• Menor possibilidade de “fazer cinema”
• Cinema de “cavação” se mantém
• Poucos filmes de ficção
O cinema brasileiro dos anos 1920
• Foco: 1922-1930, com inícios e términos
variados em cada local de produção.
• descentralização da produção?
• Quais são as características comuns entre as
produções de diferentes cidades no período?
O cinema brasileiro dos anos 1920
• Filmes de enredo surgem em várias regiões do
país
• “Ciclos Regionais”
– Ciclos?
– Regionais?
• Diferenças da “bela época”
– Demanda
– Distribuição
– Temas / enredos
– Quem fazia cinema?
– Descentralização?
O caso de SP
• Gilberto Rossi
– 1911: cavação
– 1919: associa-se a arturo carrari para fazer posados e a
Escola de Artes Cinematográficas Azzurri
– 1919: associa-se a José Medina e funda a Rossi films –
exemplo regenerador
– cria a rossi atualidades –apoio de Washington Luis
– 1924: faz fotografia de “O segredo do Corcunda” (1924) de
alberto traversa
– Anos mais tarde: “Fragmentos da Vida” (com Medina)
• Lulu de Barros
– Carioca, estreia no rio em 14. fase no teatro de revista
– Em Sp, faz Depravação (1926) e sonoro Acabaram-se os
otários (29)
– Maior e mais longeva filmografia, rapidez, produz até 1977.
• José Medina – direção – com produção de
Rossi
– Exemplo regenerador (1919) - exibir
– Fragmentos da Vida (1929) - exibir
• Adalberto Kemeny e Rodolfo Lustig: São Paulo,
Sinfonia da Metrópole (1929)
Extra: Representação do Brasil em
João da Mata e Aitaré da Praia
• João da Mata (1923 – Campinas – luta pela
terra) e Aitaré da Praia (1925 – Recife -
jangadeiros)
• Filmes sobre a realidade brasileira ou
nativistas?
• Outras possibilidades de olhar para o
“nacional”
• Cinema e representação
• E “Fragmentos da Vida”?
Reformas urbanas: ideias higienista,
“progresso”
• Mudança na estrutura urbana das cidades.
• Como é representado nos filmes
– Abertura dos filmes “urbanos” com planos da
cidade “moderna”
• Cultura – ambiente cultural do período e a
estrutura das cidades
• O lugar da cultura na forma de pensar as
cidades
Paralelo: o caso dos teatros – alguns exemplos
• 1878 – teatro da paz
• 1896 – teatro amazonas
• 1909 – inauguração do teatro municipal do rj (construção
1905)
• 1910 – teatro josé de alencar (fortaleza)
• 1911 - inauguração do teatro municipal de sp (construção
1903)
• 1911 – teatro politeama (jundiaí)
• 1917 – teatro são pedro
• Cinemas mais antigos ainda em atividade: Iris (1909 - RJ) e
Olympia (1911 - Belém), por exemplo.
Cinema pernambucano dos anos 1920:
Ciclo do Recife?
Cinema em Recife
• Cinema feito por espectadores - Admiração pelo
cinema americano
• Revistas de cinema
• Aprender na prática
• O que produziu mais longas de ficção (13) – na
época “filmes de enredo”
• 1º italianos: Pernambuco filmes (filme “Veneza
Americana”)
• Representação de aspectos da modernidade de
Recife
• Crise: chegada do cinema falado
• Obs: filme “Almeri Ari Ciclo do Recife e da vida” dir
Fernando Spencer – super-8 – sobre cinema de
Recife dos anos 1920
Jota soares
Retribuição
• 1º longa de ficção de Recife – Aurora Films
• há apenas trechos (exibir trecho 24min)
Os rumos da Aurora Films
• Retribuição
• Jurando Vingar *
• Aitaré da Praia *
• A Filha do Advogado *
Aitaré da Praia
Revistas – anos 1920
• Cinearte (a partir de 1926 até anos 40 –
destaque para sua importância para o cinema
brasileiro até meados dos anos 30)
• Scena muda (1921-1955), com boa parte do
conteúdo traduzido de revistas americanas)

Outras:
• O fan (do Chaplin Club – poucas publicações)
• Paratodos (com poucas colunas de cinema)
Extra: Chaplin Club e revista O Fan
• Chaplin Club (RJ) - Otávio de Faria e Plínio
Sussekind - debate sobre a linguagem
cinematográfica no Rio de Janeiro - publicavam
o jornal O Fan (1928-1930-31) - cinema deveria
prescindir da palavra
• Noção de cineclubismo (“clube de fans”)
• Cinema alugado
• “Preocupação teórica” – qual teoria?
• Só haveria outro “clube de cinema” depois de
1940
Cinearte
Cinearte e Adhemar Gonzaga (1901-1978)
• Adhemar Gonzaga:
– 1920 (crítico da Placos e Telas)
– 1923 (crítico da Paratodos)
– 1926 (surgimento da Cinearte)
– 1927 (visita a Hollywood)
– 1929 – “ponta” como ator em Sangue Mineiro (H
Mauro)
– 1929 – direção de Barro humano (muitas internas)
– 1930 – fundação da Cinédia (1º filme é “Lábios sem
beijos”, direção de Mauro e roteiro dele), construção dos
estúdios.
Cinearte
• “Filmagem brasileira”
• “Um pouco de técnica”
• Diálogo com quem produzia cinema no BR
• Leitura trecho “Gonzaga por ele mesmo”
• Cinearte, 1926

Cinearte e Adhemar Gonzaga (1901-1978)
• Adhemar Gonzaga (além de Pedro Lima – que vinha da
revista Selecta)
• "Os críticos de Cinearte chamam a atenção para as
manifestações nacionais, formatando-as ao gosto do
espectador de cinema de então, mimetizando o star
system americano”
• Campanha a favor do posado (filmes de enredo) e
contra o “natural”
• “se deve a Adhemar Gonzaga e seus pares a ação de
instaurar o cinema como preocupação nacional”
• Contra influência do teatro e da literatura –
especificidade do cinema
Cataguases e Humberto Mauro
Cataguases
• Zona da Mata Mineira (Cataguases-Volta Grande-Juiz
de Fora ....) – distante dos grandes centros
• Marcada pela produção de café, mas estagnada
economicamente nos anos 20.
• Humberto Mauro (1897-1983) – Volta Grande
– Começou estudo de engenharia (interrompido); instalações
elétricas em Cataguases
– 23: interesse pela fotografia – figura de Pedro Comello
– 25 – 1º experimento com cinema (Valadião, o cratera -
perdido) e fundação da Phebo Sul América
– durante sua trajetória, exerceu várias funções, direção,
roteiro, câmera, montagem, atuação, trilha sonora.
Filmografia - Cataguases
• 1926 - Na Primavera da Vida – fotografia de
Pedro Comello – com Eva Nill - perdido
• 1927 - Thesouro Perdido – fotografia de Pedro
Comello
• 1928 - Brasa Dormida – fotografia de Edgar
Brasil (com Nita Ney)
• 1929 - Sangue Mineiro – fotografia de Edgar
Brasil – último filme da Phebo
*Edgar Brazil foi também o fotógrafo de Limite
(1931, de Mário Peixoto).
Eva Nill (Eva Comello)
• Cataguases: modernidade
– Movimento Verde – modernista
– Arquitetura moderna anos 1940
– Anos 60: vanguarda
• Cinema volta com “O Anunciador” de Paulo Bastos
Martins
• Patrocínio de comerciantes
• Extra: Eva Nill, cem anos sem filmes (2009)
Cataguases nos anos 20
• Revista Verde:
– 1927-29: Henrique de Resende (diretor), Antônio
Martins Mendes e Rosário Fusco, Ascânio Lopes,
Francisco Inácio Peixoto e colaboradores como
Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade,
Alcântara Machado, Sérgio Milliet, Ribeiro Couto,
Prudente de Morais, João Alphonsus e
interlocução com Humberto Mauro
Cataguases
• Antigo cine-teatro Recreio – nenhum filme
brasileiro em Cataguases exibido antes de
Mauro
• Volta Grande – fase final da carreira
Resumo – produção da Phebo
• 1926 - Na Primavera da Vida – fotografia de
Pedro Comello – com Eva Nill - perdido
• 1927 - Thesouro Perdido – fotografia de Pedro
Comello
• 1928 - Brasa Dormida – fotografia de Edgar
Brasil (com Nita Ney)
• 1929 - Sangue Mineiro – fotografia de Edgar
Brasil – último filme da Phebo
*Edgar Brazil foi também o fotógrafo de Limite
(1931, de Mário Peixoto).
Tesouro Perdido (1927) - Mauro
Tesouro Perdido (1927)
• Caça ao “tesouro”
• Inspirado em filme de King Vidor?
• Prêmio da Cinearte
Brasa Dormida (1928) - Mauro
• 1º com direção de fotografia de Edgar Brazil
• Abertura – “Cidade”
• Campo x cidade
• Moral x erotismo e sensualidade
• Natureza: idílico x risco (perigos)
• Água / cachoeira
• Bom lançamento
Sangue Mineiro (1929) - Mauro
• Dificuldade de lançamento
• Análise das cenas

• Em seguida: convite para ir ao RJ feito pro


Adhemar Gonzaga (inicio da Cinédia).
“cinema é cachoeira” (Humberto
Mauro)
Texto “Humberto Mauro e a
constituição da memória do cinema
brasileiro” - Sheila Schvarzman
• Mito de origem do cinema brasileiro
• Produziu de 1925 e 1974, com 12 filmes de longa
metragem e 357 filmes educativos curtos
• Revisitado por Viany e depois Paulo Emílio Salles Gomes
• Rural / progresso – tensão
• Glauber (Cartas ao Mundo): “O cinema novo é um
movimento cultural estruturado por vínculos de amizade ao
cinema, tribalista, patriarcalista, Historificado: H.Mauro (o
avô) – Paulo Emílio (o pai) – o cinema novo= netos e filhos.
A mãe rejeitada é Roliude”
• Segundo Paulo Emílio houve em Mauro “perda de sua
autenticidade nacional encoberta pelas regras importadas
e colonizadas de Cinearte” – discutir / questionar.
• Schvarzman discute a problemática da oposição Gonzaga /
Mauro como duas formas de ver o cinema.
1978
• Comentar / questionar

1978
Humberto Mauro e as Imagens do
Brasil
• (SCHVARZMAN, 2004)
• Representação do Brasil no cinema ?
• “Qual é a imagem do Brasil, ou que imagem
do Brasil se deve ou se deseja projetar no
cinema?”
Texto de H. Mauro em 1932

(SCHVARZMAN, 2004)
Cinema Novo e as leituras de
Humberto Mauro
• Exibição trecho “Mauro, Humberto” de David
Neves
• Exibição trecho entrevista com Mauro em
1977 por Alex Viany e David Neves
– Referência:
• “Introdução ao cinema brasileiro” (1959) de Alex Viany
• “Revisão Crítica do Cinema Brasileiro (1963) de Glauber
Rocha
• "Humberto Mauro, Cataguases, cinearte" de Paulo
Emílio Sales Gomes (1974)
Humberto Mauro por Glauber
• Humberto Mauro por Glauber em “Revisão
Crítica do Cinema Brasileiro (1963) de Glauber
Rocha

(ROCHA, 2003)
Humberto Mauro por Glauber Rocha

(ROCHA, 2003)
Humberto Mauro por Glauber Rocha

(ROCHA, 2003)
Para próxima aula:
H. mauro no RJ - Produção de
Adhemar Gonzaga / Cinédia
• 1930 - Lábios sem Beijos – 1º filme da Cinédia
– RJ – roteiro de Adhemar Gonzaga
• 1933 - A Voz do Carnaval - perdido
• 1933 - Ganga Bruta – fotografia de Edgar Brasil
• 1935 - Favela dos Meus Amores – perdido -
externas

– Carreira posterior
• 1936-1964 – INCE (Instituto Nacional de Cinema
Educativo).
“Lábios sem Beijos” (1930) – 1º filme da Cinédia –
RJ – roteiro de Adhemar Gonzaga
“Lábios sem Beijos” (1930) – 1º filme da Cinédia –
RJ – roteiro de Adhemar Gonzaga
Bibliografia - Documentários sobre
Humberto Mauro
• https://www.youtube.com/watch?v=yv1yKmn
gFac (Mauro, Humberto – David Neves – 1975)
• https://www.youtube.com/watch?v=EJpK7_2Z
xMg (Humberto Mauro entrevistado por David
Neves e Alex Viany - 1977)
• https://www.youtube.com/watch?v=aO_ZhFK
kzgw (Jurandyr Passos Noronha – 1970).
Bibliografia – Humberto Mauro
• SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e as Imagens do Brasil.
Unesp, 2004.
• BOSI, Alfredo. Paulo Emílio Salles Gomes: Cataguases e Cinearte na
Formação de Humberto Mauro.
https://www.revistas.usp.br/discurso/article/view/37833/40560.
• ROCHA, Glauber. Revisão critica do cinema brasileiro. São Paulo:
Cosac Naify, 2003.
https://cinemaeliteraturaufsc.files.wordpress.com/2012/03/rocha-
glauber-revisc3a3o-crc3adtica-do-cinema-brasileiro.pdf
• GOMES, Paulo Emílio Salles. Cinema: trajetória no
subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
• GOMES, Paulo Emílio Salles. Humberto Mauro, Cataguases,
Cinearte. São Paulo: Perspectiva, 1974.
• VIANY, Alex. Introdução ao Cinema Brasileiro. Rio de Janeiro:
Instituto Nacional do Livro, 1959.
• SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e a constituição da
memória do cinema brasileiro”. Sheila Schvarzman – Memocine
Limite (1931, direção de Mário
Peixoto) e Ganga Bruta (1933,
direção de Humberto Mauro)
aula 23.08.18
Limite (1931, direção de Mário
Peixoto)
Mário Peixoto
Mário Peixoto
Mário Peixoto
– nasce em 1908; avô foi grande cafeicultor; estudos
no exterior, onde vê muitos filmes.
– Tornou-se próximo do pessoal do Chaplin Club,
frequentou pouco, tendo poucas relações com o
meio cinematográfico.
– Visita a Europa em 1929 e imagem da revista “VU”
o inspira para pensar “Limite”.
Mário Peixoto
• 1929: inicia projeto de “Limite”
• 1931: estréia de “Limite” – único filme lançado
• Inicia projeto de “Onde a Terra Acaba (1931-32) –
interrompido após rompimento com Carmen
Santos. Edgar Brazil também estava envolvido
• Vários projetos inacabados durante a vida. Em
1966 vai para o “Sítio do Morcego” e retoma
carreia literária
• 1991: falecimento
• Doc – “O Homem do Morcego” (1980) – trecho
Sítio do Morcego – Ilha Grande (RJ)
Limite (1931)
“Limite” (1931) – Mário Peixoto
• Projeto tem início em 1929 e é finalizado em 1931.
• Direção de fotografia de Edgar Brazil – havia
colaborado com H. Mauro em “Brasa Dormida” e
“Sangue Mineiro”.
• Inacessível por décadas
• Pouco visto em 1931 – não entrou em circuito
comercial – estréia em sessão promovida juto ao
Chaplin Club
• 1959-1971: longo processo de restauro – Saulo
Pereira de Mello é o responsável
• Filmagem em Mangaratiba (RJ).
• Adhemar Gonzaga o ajudou com indicação de
atrizes, câmera e facilita encontro com Edgar Brazil.
O “mito” Limite
“Limite” por Glauber em “Revisão Crítica do
Cinema Brasileiro” (1963)

(ROCHA, 2003, p. 59)

(ROCHA, 2003, p. 58)


O “mito” Limite
“Limite” por Alberto Cavalcanti em “Filme e
Realidade” (1976)

(CAVALCANTI, 1976, p. 47)


TEXTO “panorama do cinema brasileiro” (1951)
O “mito” Limite: adjetivos / descrições
• Alex Viany:

• Saulo Pereira de Mello:


Cenas de “Limite”
• Recepção - Crítica de Otávio de Faria (1931) –
foi fundador do Chaplin Club
• Inacessível durante muito anos
(principalmente no período do seu restauro –
entre 1959 e o inicio dos anos 70), foi objeto
de muitas discussões críticas, mesmo sem ter
sido visto por muitos comentadores do filme
na época.
• Alguns nomes do Cinema Novo trazem uma
leitura negativa de muitos aspectos do filme
(ex: Glauber Rocha), enquanto autores como
Júlio Bressane reivindicam um papel central
para o filme.
Exemplo:
“Limite” por Glauber em “Revisão Crítica do
Cinema Brasileiro (1963)
Exemplo:
“Limite” por Glauber em “Revisão Crítica do
Cinema Brasileiro (1963)

Enquanto isso, o autor reivindica o papel de Humberto Mauro como a figura


central que dialoga com a sua forma de fazer cinema
Limite e a experimentação
• “Limite” visto como um precursor de uma cinema
que se permite experimentar, inventivo e livre.
• “A ideia de experimental está para sempre ligada a
um momento específico, isolado, na história da
cinematografia brasileira, com o filme Limite, de
Mário Peixoto, em 1930” (RAMOS, 2014, P. 144) – Guiomar Ramos
Disponível em: http://aim.org.pt/atas/pdfs/Atas-IIIEncontroAnualAIM-10.pdf

• Ex: filme é citado em “O Insigne Ficante” (1980), de


Jairo Ferreira, “O Cinema Falado” (1986), de
Caetano Veloso, por Bressane.... (ex: “A agonia”, de
1978).
Limite e a experimentação
• “Quando se agitou o campo da experimentação, em
1968-69, havia a referência de Limite (1930-31), de
Mário Peixoto, filme então inacessível”.
http://revistaalceu.com.puc- (XAVIER, 2006, p. 8) – Ismail Xavier
rio.br/media/alceu_n12_Xavier.pdf

• “Mário Peixoto se faz presente, mesmo em filmes


em que não parece estar”, “pois o diálogo com os
focos de afinidade eletiva se dá de forma
deslocada.” (XAVIER, 2006, p. 8) - procuram dialogar com
“Limite” como um ponto central de uma forma de
pensar o cinema.
Limite e a experimentação

(ADRIANO, 2007, p. 16)


Filmes sobre Mário Peixoto
• O homem do Morcego (1980 – Ruy Solberg)
• Onde a terra acaba (2001 – de Sérgio
Machado)
• O Mar de Mário (2010 – Reginaldo Gontijo)

(exibir trechos)
Ganga Bruta (1933, direção de
Humberto Mauro)
Aula anterior – produção da Phebo em
Cataguases
• 1926 - Na Primavera da Vida – fotografia de Pedro
Comello – com Eva Nill - perdido
• 1927 - Thesouro Perdido – fotografia de Pedro
Comello
• 1928 - Brasa Dormida – fotografia de Edgar Brasil
(com Nita Ney)
• 1929 - Sangue Mineiro – fotografia de Edgar Brasil –
último filme da Phebo
• Em seguida, Humberto Mauro vai ao RJ e em 1930
realiza o 1º filme na Cinédia, estúdio de Adhemar
Gonzaga.
Humberto Mauro no RJ - Produção de
Adhemar Gonzaga / Cinédia
• 1930 - Lábios sem Beijos – 1º filme da Cinédia
– RJ – roteiro de Adhemar Gonzaga
• 1933 - A Voz do Carnaval - perdido
• 1933 - Ganga Bruta – fotografia de Edgar Brasil
Ganga Bruta (1933)
• Direção de Humberto Mauro
• Produção da Cinédia (Adhemar Gonzaga) no
Rio de Janeiro
• a 1ª produção de Mauro com a Cinédia foi
“Lábios sem Beijos” (1930).
Cinédia
• Adhemar Gonzaga
• 1º filme realizado em 1930
• Estúdios – outro modelo de produção
• Pretensão técnica/industrial
• RJ – estúdios construídos em São Cristovão.
• “modelo americano” – ex: tentativa de manter
técnicos fixos no estúdio.
Texto de Alice Gonzaga (filha)
“Pelas páginas da Cinearte, Adhemar Gonzaga sempre
defendeu a necessidade de se criar uma verdadeira
indústria cinematográfica no Brasil. (...) Mas o passo
decisivo veio mesmo quando ele fundou em 15 de
março de 1930 o primeiro estúdio cinematográfico
brasileiro, organizado em moldes rigorosamente
industriais”. (GONZAGA, 1989, p. 49).
Texto de Adhemar Gonzaga para a Cena Muda (posterior, de 1942)

(GONZAGA, 1989, p. 102).

(discutir – abordagem anula outras camadas já discutidas de Adhemar Gonzaga )


Ganga Bruta (1933), direção de
Humberto Mauro
Ganga Bruta (1933, direção de Humberto
Mauro)
• Lançado em 1933, quando o cinema falado já
estava estabelecido em muitas salas.
• Produção da Cinédia
• Enredo / representação das personagens
femininas
• Dificuldade de lançamento
• Edgar Brazil também colabora (câmera)
• Observar marcas do cinema sonoro e a
oscilação entre legendas e diálogos – com
enquadramentos para facilitar a sincronização.
“Ganga Bruta” e a crítica
• Recepção crítica negativa em 1933 – Adhemar Gonzaga retira de Mauro
o papel de diretor mais importante da Cinédia e é demitido
• “Freud de Cascadura”
• Depois revisto como uma das grandes obras de Mauro – ex: Glauber
EX: “Ganga Bruta” por Glauber Rocha em
“Revisão Crítica do Cinema Brasileiro” (1963)

(ROCHA, 2004, p. 50)


Humberto Mauro após Ganga Bruta
• 1936-1964 – INCE (Instituto Nacional de Cinema Educativo).
– Criado por Roquette-Pinto (período Vargas / Estado Novo) –
financiado pelo Estado.
– Em 1937, pelo INCE dirige “O descobrimento do Brasil”
– Extensa produção – ex: Carro de Bois, Engenhos e Usinas, Velha a
Fiar,, .... – destaque para as “Brasilianas”

• Colaboração com Carmen Santos (ex: Argila – 1940) na Brazil


Vita Filmes (empresa de Carmen Santos)
– 1935 - Favela dos Meus Amores – perdido – destaque p/ externas,
“subiu o morro”.
– 1936 – Cidade-Mulher
– 1940 – Argila
Imagem de “Ganga Bruta”