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Princípios e Medidas Práticas para a Obtenção

de Aterramentos Seguros e Confiáveis por meio


de Eletrodos Cravados
Departamento de Engenharia e Produto e Mercado - Grupo Intelli

Palavras-chaves — Haste de Aterramento, Aterramen- III. PRINCÍPIOS DE ATERRAMENTO


to, Eletrodo, Solo, Resistência Elétrica.
Para assegurar um aterramento de baixa resistência é ne-
cessário mais que boas hastes de terra. A condutância dos
I. INTRODUÇÃO
solos, especialmente dos subsolos é um fator importante na
Quando ocorrem sobre tensões ou perturbações atmosfé- resistência do aterramento e esta condutância pode variar em
ricas nas linhas de transmissão e distribuição de energia, uma escala bem ampla. Os vários fatores que afetam a con-
ligações terra seguras e de baixa resistência elétrica são es- dutância do solo ou a resistência de terra são aqui revistos,
senciais para o restabelecimento das condições normais. pois constituem os princípios básicos a serem considerados
Quanto mais baixa a resistência das ligações terra mais rapi- ao fazermos contato elétrico com a terra.
damente a normalidade retorna.
Bom aterramento, associado a dispositivos de proteção e
ligações apropriadas, garante a continuidade do serviço, III.1. Efeito do Solo na Resistência
danos mínimos aos equipamentos e maior segurança pesso-
al. Não podemos considerar que todas as ligações com a terra
Progressos anteriores e recentes, particularmente no cam- terão as mesmas características porque a condutância elétri-
po de aterramento profundo, trouxeram o aterramento de ca do solo é determinada, em grande parte, pelos ingredien-
baixa resistência a muitas localidades onde altas resistências tes químicos e pelo teor de umidade do solo.
tinha sido previamente aceitas como inevitáveis. Uma série de medições de resistência da terra feita pelo
Este artigo revê os princípios e práticas de aterramento. Bureal of Stardards, nos EUA, está resumida na Tabela 1 e
Relata como e onde usar o aterramento profundo e auxilia ilustra a grande variação de resistência para diferentes tipos
no planejamento de ligações terra seguras e de baixa resis- de solo. Valores variando de 2 ohms até 3.000 ohms foram
tência. obtidos. Mesmo maiores variações são possíveis e ocorrem
freqüentemente, dependendo do tipo de solo, ingredientes
químicos e teor de umidade.
II. HASTES DE TERRA A figura 1 mostra como a resistência da ligação terra de-
pende principalmente do tipo de solo que envolve o eletro-
O eletrodo terra tipo cravado praticamente substituiu to- do. Isto é representado por várias camadas cilíndricas de
dos os outros tipos. É mais econômico na compra, na insta- terra de igual espessura. Supondo-se tratar de um solo de
lação, adequado a boas instalações elétricas e pode ser fa- resistividade uniforme, a maior resistência encontra-se na
cilmente inspecionado e testado. Além disso, presta-se a camada mais adjacente ao eletrodo, que tem a menor seção
diversos métodos eficazes para tornar mais baixa a resistên- de solo normal ao percurso da corrente através do solo.
cia do aterramento; pelo cravamento de eletrodos prolongá-
veis, usando hastes padrão em múltiplo ou usando hastes em
combinação com tratamento de solo.
As hastes são os eletrodos cravados ideais. São prote-
gidos contra a corrosão por uma camada exterior de cobre
permanentemente ligada a uma alma de aço de alta resistên-
cia. O aço dá rigidez para que seja fácil cravar a haste com
um martelo leve, ou com ferramentas de cravação mecânica
para hastes de terra, inclusive martelos pneumáticos.
As hastes de terra são recomendadas para instalações em
linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica, li-
nhas de telecomunicação e sinalização, usinas de força, sub-
estações, prédios, antenas, aterramentos de cercas, na verda-
de, em todos os casos em que haja necessidade de ligações
terra confiáveis.
Figura 1. Resistência de terra que envolve um eletrodo.
Tanto as hastes de terra padrão, as prolongáveis, assim
como seus acessórios, foram aprovados pela Underwriter’s Cada camada subseqüente tem maior seção e portanto
Laboratories, Inc (UL ).
®
menor resistência.
A uma distancia de 2,5 a 3 metros da haste, a área de pas-
sagem é tão grande que a resistência das camadas sucessivas

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é quase insignificante, comparada à camada que envolve Isto pode ser visto na Figura 2. Para valores superiores a
diretamente a haste. 20%, a resistividade não é grandemente afetada, mas abaixo
A resistência varia na razão inversa da seção e, dentro de de 20% aumenta rapidamente com um decréscimo no teor
alguns metros de distancia do eletrodo onde a área de passa- de umidade.
gem condutora é menor, a resistividade do solo é um fator O teor normal de umidade varia para diferentes localida-
importante. As medidas mostram que 90% da resistência des mas geralmente é de 10% na estação das secas e cerca
elétrica total em volta o eletrodo situa-se dentro de um raio de 35% em épocas de chuvas com uma média aproximada
de 2 a 3 metros do eletrodo. de 16 a 18%.
Estudos provam que o período de estiagem é seguido por
Terrenos Resistência [Ohms] um aumento acentuado na resistência da ligação terra.
Solo
Testados Med Min Máx Em relação ao teor de umidade, os testes de campo indi-
Aterros e terrenos con- cam que, com um revestimento de terra de 3 metros ou mais,
tendo mais ou menos apoiados por uma plataforma de pedra, as hastes de terra
24 14 3,5 41 cravadas até onde possível na plataforma de rocha, geral-
refugo como cinza, escó-
ria e sais minerais. mente dão bons aterramentos. Acredita-se que isto seja ex-
Argila, xisto, adobe, plicado por serem plataformas de pedra freqüentemente im-
205 terra preta arenosa sem 24 2,0 98 permeáveis e acumularem água, dando assim um alto teor de
pedras ou cascalho. umidade.
Argila, adobe, terra preta
237 pegajosa misturada com 93 6.0 800 III.3. Efeito da Temperatura no Solo
areia, cascalho e pedras.
Areias, pedras, cascalhos
72 com pouca ou nenhuma 554 35 2700
argila ou marga.
Tabela 1. Resistência de diferentes tipos de solo do Bureal
of Standards – Trabalho tecnológico 108.

III.2. Efeito da Umidade no Solo


O teor de umidade no solo é de grande importância. Uma
variação de uns poucos por cento na umidade fará diferença
marcante na eficácia da ligação terra feita com eletrodos de
um determinado tamanho.
Isto é especialmente verdadeiro para teores de umidade
abaixo de 20%. Por exemplo, experiências feitas com solo
de argila vermelha indicaram que, com somente 10% de teor
de umidade, a resistividade era de mais do que 30 vezes a do
mesmo solo com teor de umidade de cerca de 20%.

Figura 3. Variação de resistividade do solo com a tempera-


tura. Solo com 18,6% de umidade.
A figura 3 mostra a variação na resistividade do solo com
temperatura para solo de barro vermelho tendo um teor de
umidade de 18,6%. Isto é um fator importante nas localida-
des onde os invernos são muito rigorosos e a terra gela até
uma profundidade considerável abaixo da superfície.
Abaixo de 0oC a água no solo congela e isto um causa
aumento enorme do coeficiente de temperatura do solo. Este
coeficiente é negativo e conforme abaixa a temperatura a
resistividade se eleva e a resistência da ligação terra é au-
mentada.
Eletrodos de aterramento que não são cravados abaixo da
linha de congelamento em tais localidades mostraram gran-
de variedade na resistência durante as estações do ano.
Figura 2. Variação de resistividade do solo com o teor de Mesmo quando cravados abaixo da linha de congelamento,
umidade. há alguma variação pois o solo superior, quando congelado,
tem o efeito de diminuir o comprimento útil da haste. Con-
seqüentemente, para aterramentos que precisam funcionar
2
durante o ano todo, a profundidade é importante para que se III.5. Efeito do Tamanho do Eletrodo
obtenha proteção em todas as épocas.
O uso de eletrodos de maior diâmetro resultaria em mu-
III.4. Vantagens da Profundidade dança muito pequena na resistência.
A profundidade do eletrodo de aterramento é um fator
importante no desempenho elétrico. Eletrodos cravados de-
vem ser suficientemente compridos para alcançar um nível
de umidade permanente no solo.
Quando esta umidade não é alcançada, o resultado pode
ser não somente alta resistência de aterramento mas também
pode causar grandes variações na mesma durante as mudan-
ças de estação. O solo raramente tem resistividade uniforme
através das diferentes profundidades.
Geralmente os primeiros poucos metros próximos à su-
perfície tem resistência relativamente alta e estão sujeitos a
serem alternadamente molhados e secados devido às varia-
ções das chuvas. O solo mais profundo é mais estável e me-
nos sujeito a flutuações. Figura 5. Efeito do diâmetro de um eletrodo na resistência
de um aterramento cravado.
Principalmente, é o solo que cerca o eletrodo que deter-
mina a resistência e não o diâmetro.
Cada fonte de testes consultada mostrou que a diferença
de resistência é tão pequena entre eletrodos cravados de to-
dos os diâmetros usados comercialmente, que a questão do
diâmetro é praticamente fator desprezível no que diz respei-
to a resistência elétrica.
Por exemplo na Figura 5, comparando-se hastes de ½
polegada e 1 polegada de diâmetro, que tem duas vezes o
diâmetro e quatro vezes a área e o volume da terra desloca-
da, verifica-se que a resistência diminui somente cerca de
10% para esta última.
Considerando-se as variações em resistência que podem
ocorrer num período de tempo, como resultado de variações
naturais não controladas de condições de tempo e de solo,
pode-se ver que qualquer pequena mudança no diâmetro
seria insignificante. Uma boa regra é escolher um eletrodo
de diâmetro suficientemente grande e forte para ser cravado
no solo sem entortar-se ou danificar-se de qualquer outro
modo.
Figura 4. Relação entre profundidade e resistência para um
solo com umidade constante em todas as profundidades. IV. MEDIDAS DE RESISTÊNCIA
Em condições usuais, na natureza, os solos mais profundos
tem teor mais alto de umidade e a vantagem da profundida- A medição de resistência de uma ligação terra é a única
de é mais acentuada. maneira segura de determinar se o aterramento é satisfatório.
Geralmente não é preciso saber o valor exato da resistência
A Figura 4 mostra o efeito calculado sobre a resistência mas saber, no entanto, se é da ordem de 1 ohm, 100 ohms ou
com eletrodos a várias profundidades. Isto é baseado em 1000 ohms.
solo uniforme em todas as profundidades. Os códigos especificam que a resistência de um eletrodo
A maior redução na resistência foi obtida nos primeiros 2 cravado não deve exceder 25 ohms, mas isto serve princi-
metros de profundidade. Embora a resistência ainda esteja palmente como orientação, já que menores resistências são
diminuindo para o eletrodo de 2,4 metros, a diminuição não desejáveis e mesmo essenciais em muitos casos.
é tão acentuada como para a haste de 1,8 metros de compri- Para ter certeza de bons aterramentos a resistência de cada
mento. aterramento deve ser medida. A condutância dos solos parti-
O comprimento mais usado de um eletrodo cravado é de cularmente a dos sub-solos é o principal fator na resistência
2,4 metros. Hastes mais longas são necessárias algumas ve- de aterramento.
zes, mas, na maioria dos locais, o comprimento de 2,4 me- Medidas nos próprios locais são a única maneira de de-
tros é suficiente para alcançar a umidade permanente. terminar a natureza e a condutância dos solos.
As medidas de resistência tomadas no momento em que a
haste está sendo cravada ajudam a determinar se as hastes
adicionais ou outras medidas corretivas são necessárias.

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Geralmente estas leituras iniciais indicam o desempenho
do aterramento, embora leituras subseqüentes possam ser
um pouco mais baixas, pois são afetadas pela compactação
do solo e pelas variações de umidade sazonais. Para indica-
ções precisas da eficácia dos aterramentos, medidas periódi-
cas são vantajosas.
Os testes são feitos mais adequadamente com instrumen-
tos completos, de leitura direta. Testar todos os aterramentos
é a melhor garantia de proteção positiva do aterramento.
A análise do aterramento indica, cada vez mais, que cada
aterramento necessita de atenção individual. Os requisitos
gerais para um aterramento são relativamente simples, mas
testar cada aterramento é essencial para garantir aterramen-
tos adequados.

Figura 6. Terrenos mais profundos tem menor resistividade.


IV.1. Métodos para Melhorar a Resistência
O gráfico mostra a relação entre o tipo de solo e a resistên-
O melhor método para diminuir a resistência das ligações cia do eletrodo cravado a profundidades crescentes.
terra não é o mesmo para cada aterramento. As condições di
A haste prolongável ilustrada na Figura 7 é feita em
solo variam grandemente, não só em localidades diferentes
comprimentos de 1,5; 2,4 e 3,0 metros, e de vários diâme-
mas também dentro de uma localidade determinada. Um
tros, rosqueadas em ambas as extremidades.
método que seja mais apropriado para melhorar aterramen-
Na prática, a primeira seção é cravada usando-se uma lu-
tos em uma localização pode não ser aplicável para o ater-
va rosqueada e um parafuso de cravamento na extremidade
ramento na área seguinte. Vários métodos estão sujeitos à
superior. Quando esta seção é cravada até a linha do terreno,
nossa disposição para alcançar resultados desejáveis.
uma segunda seção é acoplada à primeira e o cravamento
prossegue. Desta maneira, hastes longas são manuseadas tão
facilmente como hastes de comprimento comum. Além dis-
1) Aterramentos Cravados Profundamente
so seções adicionais podem ser acrescentadas e o cravamen-
to pode prosseguir até que a resistência desejada seja obtida.
Aterramentos cravados profundamente se tornou o méto-
do mais popular e mais econômico para obter melhores liga-
ções terra.
Esse tipo metodologia oferece um método simples para
alcançar estratos de solo de melhor condutância que, muitas
vezes, acham-se a uma profundidade considerada abaixo da
superfície. Este tipo de aterramento é especialmente aplicá-
vel em áreas onde é difícil obter ligações terra de baixa re-
sistência por meio de hastes isoladas de 2,4 a 3,0 metros de
comprimento, e freqüentemente é mais conveniente e eficaz
que hastes múltiplas ou tratamento do solo.
A Figura 6 mostra a teoria do aterramento profundo e
porque ele é eficaz. Está baseada em testes reais nos quais
perfurações de teste foram feitas para determinar porque
hastes mais compridas alcançam seu propósito. Nesta locali-
zação, os primeiros 3 metros da haste penetram apenas a
leve e arenosa superfície do solo e a resistência foi de 250
ohms ou mais.
O 1,5 metro seguinte da haste começou a penetrar os so-
los de melhor condutância mas ainda não era suficientemen-
te profunda para assegurar uma boa ligação terra. Entretan-
to, com 4,6 metros adicionais de haste ou 6 metros ao todo,
a ligação terra tornou-se uma ligação com bom nível de se-
gurança e uniformidade o ano inteiro.
Para aterramentos necessitando eletrodos de 4,6 a 6,1 me-
tros de comprimento é possível usar hastes de um único
comprimento contínuo. Entretanto o manuseio e o crava-
mento destas hastes longas são um problema, e haste pro-
Figura 7. Instalação de hastes prolongáveis.
longáveis possibilitam uma solução prática e conveniente
para se conseguir aterramentos profundos.

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A Tabela 2 mostra algumas leituras de resistência típicas
obtidas com hastes prolongáveis e ilustra boas aplicações
para o aterramento profundo.
No segundo exemplo, uma haste de 4,9 m tem uma resis-
tência de 230 ohms. Prolongando-se a profundidade para 7,3
metros, a resistência cai para 48 ohms indicando que a haste
tinha penetrado no solo de melhor condutância. Com uma
haste de 14,6 metros a resistência do solo foi ainda reduzida
para 6 ohms.
Em alguns casos, as hastes foram cravadas até 30 metros
ou mais antes de penetrarem em solo e menor resistência.

Prof Resistência medida a cada seção instalada [ohm]


[m] A B C D E F G H
2,4 29 270 140 75 50 200 45 200
4,9 14 230 45 45 23 22 30 55
7,3 8 48 15 21 18 11 9 40
9,8 4,5 13 5,5 8 8,5 9 2 33 Figura 8. Resistência comparada de eletrodos múltiplos.
12,2 3 10 4 5,5 16
Para o espaçamento usual, a média de resultados usando
14,6 3 6 2,5
hastes múltiplas são mostrados na Figura 9. Duas hastes tem
17,1 3
aproximadamente 60% da resistência de uma haste, três has-
19,5 3
tes, 40% e quatro hastes cerca de 33%.
Arg- Arg- Arg- Arg- Arg- Are- Arg- Are- Hastes múltiplas são muito convenientes para melhorar
ila ila gil ila ila ia ila ia instalações já existentes. Quando a resistência de uma única
Tabela 2. Leituras típicas de resistências obtidas com eletro- haste é conhecida, pode ser calculado o número aproximado
dos profundos. de hastes necessárias para dar a resistência desejada.

2) Eletrodos Múltiplos

Outro método para melhorar a resistência dos aterramen-


tos é o uso de hastes múltiplas.
Quando duas ou mais hastes cravadas estão bem separa-
das uma da outra, elas estabelecem passagens paralelas para
terra. Elas tornam-se na realidade, resistências em paralelo e
tendem a seguir a lei das resistências metálicas em paralelo.
Por exemplo duas hastes múltiplas tendem a ter 1/2 da resis-
tência de haste, três hastes, 1/3 da resistência, etc.
Entretanto, essa relação recíproca direta não chega a ser
alcançada na prática porque o espaçamento das hastes é ne-
cessariamente limitado e as passagens condutoras ou cilin-
dros de terra envolvendo as hastes tendem a sobrepor-se até
certo ponto. Por exemplo, como mostrado Figura 8, duas
hastes espaçadas uma da outra de 30 metros teriam resistên-
cia de 50% da de uma haste.
Espaçamentos desta ordem obviamente não são práticos.
Também a resistência e a reatância de ligações longas dimi-
nuíram a eficácia de hastes múltiplas.

Figura 9. Resultados médios obtidos com hastes múltiplas.

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3) Tratamentos Químico dos Aterramentos Os materiais de tratamento devem ser colocados de prefe-
rência numa vala em volta da haste mas não devem ficar em
O tratamento químico do solo que envolve uma haste cra- contato direto com ela. Isso possibilita a melhor distribuição
vada é útil para melhorar a resistência de um aterramento do material de tratamento e o menor efeito corrosivo.
onde não é exeqüível um aterramento profundo devido a Sulfato de magnésio, sulfato de cobre, sal-gema comum e
pedras adjacentes. bentonita, são todos usados como materiais de tratamento. O
O tratamento diminui resistividade do solo adjacente à sulfato de magnésio e a bentonita são especialmente indica-
haste, proporcionando uma passagem condutora, bastante dos por serem menos corrosivos.
boa até o ponto onde a área do cilindro da terra envolvendo O tratamento do solo não é permanente porque os produ-
a haste é relativamente grande. tos químicos são levados pela chuva e pela drenagem natural
A Figura 10 mostra a redução de resistência de um de- através do solo. O material de tratamento pode ser substituí-
terminado aterramento após tratamento químico do solo que do depois de um período de vários anos, dependendo da
o envolve. A porcentagem de redução de resistência é alta porosidade do solo e das chuvas. Dessa maneira este método
neste caso e é típica de resultados obtidos em circunstâncias de melhoria de resistência só é usado quando aterramentos
onde a resistência do solo é extremamente alta. profundos ou eletrodos múltiplos não são práticos.
Aterramentos de resistência mais baixa podem ser melho-
rados por tratamentos mas não na mesma proporção. O tra-
tamento químico do solo é também benéfico para reduzir as
variações sazonais da resistência de um aterramento devido
a ficar o solo periodicamente molhado e seco em seguida.

Figura 12. Variação da resistência a terra com o tempo de


eletrodos adjacentes em solo tratado e não tratado.

A Figura 12 mostra a variação da resistência em relação


ao tempo para hastes tratadas não tratadas em um local. Re-
pare que os efeitos do tratamento químico gradualmente
desaparecem e depois de um período de cerca de 5 anos, os
Figura 10. Resistência do solo reduzida por tratamento de dois aterramentos tem a mesma resistência.
solo.

V. APROFUNDANDO NO ATERRAMENTO PROFUNDO


Aterramento profundo com hastes prolongáveis é um mé-
todo simples e eficaz de se obter melhores ligações terra.
Com estas hastes é possível penetrar profundamente na terra
para alcançar solos melhor condutores que podem ficar a
uma profundidade considerável abaixo da superfície.
Para aterramentos profundos são usados hastes prolongá-
veis em comprimentos de 1,5; 2,4 ou 3,0 metros. São unidas,
extremidade com extremidade, por meio de luvas de bronze
e são cravadas do mesmo modo que as hastes comuns, isto
é, a primeira seção é cravada no solo no seu comprimento
Figura 11. Tratamento de solo diminui variações sazonais. total, depois, a segunda seção é acoplada e o cravamento
A Figura 11 mostra os resultados de testes feitos em ater- prossegue.
ramentos tratados e não tratados na mesma localidade. Os Tantas hastes quantas forem necessárias podem ser acres-
aterramentos não tratados mostram uma grande variação de centadas para alcançar a profundidade requerida ou a resis-
resistência. tência desejada.
A resistência foi alta durante os meses secos de verão, O último, é o método usual para determinar o número de
exatamente na época em que uma baixa resistência seria seções necessárias, pois a resistência pode ser aferida com
especificamente desejável para a proteção contra raios. O um instrumento de teste de aterramentos depois que cada
aterramento tratado mostra apenas um pequeno aumento seção é cravada.
durante a estação das secas. Mas não tão acentuado como
para a haste não tratada.

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V.1. Resistência Calculada e Real A experiência demonstrou que cabos de terra ligados a a-
As condições do solo variam grandemente e não é possí- terramentos de baixa resistência nas estruturas de sustenta-
vel predizer quantas seções de hastes serão necessárias para ção, reduzem consideravelmente o numero de desligamentos
uma dada resistência ou quão profundamente a haste precisa em tais linhas. Em outras palavras, aterramentos de baixa
ser cravada para alcançar solos melhor condutores. resistência e melhoria de desempenho andam passo a passo.
Cada aterramento precisa ser tratado como caso individu- Em muitos casos, a resistência de aterramento ao longo de
al. Se o solo fosse todo de natureza homogênea e tivesse a uma linha de transmissão tende a ser muito alta e pode ser
mesma resistividade em todas as profundidades, seria possí- necessário o uso de vários métodos para reduzir as resistên-
vel predizer, com razoável precisão, o comprimento da haste cias dos pés de torre.
que teria que ser cravada para dar a resistência desejada.
Isto pode ser visto no gráfico da Figura 13, que mostra
curvas de resistência calculadas para vários comprimentos
de hastes, supondo-se um solo homogêneo, com três valores
diferentes de resistividade. Por exemplo, em um solo, tendo
uma resistividade de 10.000 ohms por centímetro cúbico,
seria necessário uma haste de 27 metros para dar resistência
de 5 ohms.
Este gráfico mostra que, teoricamente, resistências mais
baixas podem ser obtidas pelo uso de hastes mais compridas
cravadas profundamente no solo. Isto também acontece na
prática. Além disto a melhoria na prática é quase sempre
maior que na teoria, porque solos mais profundos tendem a
ter resistividade menor que o solo da superfície.

Figura 13. Decréscimo de resistência com a profundidade


calculada, em solo uniforme.

Um estudo foi realizado com resultados de teste obtidos


com instalações reais de hastes longas cravadas em diferen-
tes regiões dos Estados Unidos. Os dados foram obtidos
medindo-se a resistência depois de cada seção de haste ter
sido cravada.
Os dados mostraram a resistência em várias profundida-
des. Em todos os casos, enquanto as hastes estavam sendo
cravadas, a taxa real de diminuição da resistência foi maior
que a teórica. Isto prova que o solo melhor condutor fica em
níveis mais profundos. Em algumas localizações foi neces-
sário cravar hastes até uma profundidade considerável para
alcançar solos de menor resistência enquanto em outros,
hastes mais curtas foram suficientes para garantir um ater-
ramento seguro.
Centenas de instalações deste tipo foram em feitas prati-
camente todas as regiões do Leste, Centro-Oeste e Sul e, em
geral, as curvas de profundidade-resistência mostram a
mesma tendência.
Uma das muitas aplicações de aterramento profundo é
melhorar o desempenho de linhas de transmissão de alta
tensão. As estatísticas mostram que aproximadamente 65%
de todos os desligamentos em linhas de transmissão operan- Figura 14. Hastes prolongáveis para aterramento de pés de
do na tensão de 100 kV e acima, são devido a raios. torre.

7
Com resistência de pé de torre variando de 400 a 1400 tinha uma resistência muito abaixo da obtida por outros mé-
ohms, aterramentos cravados profundamente, ligados aos todos.
pés das torres, reduziram as resistências em cerca de 5 a 15 Alguns dos dados obtidos destes testes sobre o aterramen-
ohms por estrutura. to profundo individual demonstram que uma tendência ou
Para certo trecho dessa linha foram usadas hastes de 12 a padrão bem definidos existe com respeito ao comprimento
49 metros de comprimento e, em algumas posições, duas da haste e às resistências; isto é, começando nos estados
hastes compridas ligadas em paralelo, para diminuir a resis- Leste e movendo-se em direção Oeste dos Estados Unidos
tência da base até o valor desejado. uma diminuição da resistência foi constatada.
A operação experimental dessa linha mostrou que os ater- Desta forma, pode-se constatar que aterramentos profun-
ramentos cravados mais profundamente foram mais eficazes dos possibilitam meios simples e eficazes de melhorar a
que os fios contrapeso, para dissipar as correntes dos raios. resistência das ligações de aterramentos cravados.
A superfície do solo era arenosa, com uma resistência muito
alta e como os cabos contrapeso foram instalados a pequena
distância abaixo da superfície, a resistência obtida com eles VI. CONCLUSÃO
tendia a ser muito alta. Por outro lado, os aterramentos cra-
Os dados deste artigo foram desenvolvidos do ponto de
vados profundamente penetraram no solo melhor condutor e
vista de aterramento de linhas aéreas porque muito trabalho
puderam dissipar correntes e raios mais rapidamente e com
pioneiro em proteção terra tem sido feito neste campo. En-
menos perigo de descargas e conseqüentes desligamentos,
tretanto, os princípios aplicam-se a uma grande variedade de
do que os cabos contrapeso, nestes solos de superfície muito
usos onde aterramentos adequados protegerão pessoas e
resistente.
propriedades dos riscos com raios e fogo.
Cravando hastes individuais a até mesmo 30 metros e
Como engenheiros especializados em segurança demons-
colocando em paralelo hastes razoavelmente profundas em
grupos de duas a quatro, as resistências foram reduzidas em traram, atualmente bons aterramentos afetam tantas pessoas
aproximadamente 400 quilômetros de linha para a ordem de que há uma necessidade de maior compreensão de sua im-
portância, garantindo uma passagem a terra de baixa resis-
5 a 7 ohms por estrutura.
tência.
Estes aterramentos de baixa resistência foram vantajosos
O proprietário de uma casa, particularmente em áreas su-
para minorar o efeito de raios nestas linhas, os desligamen-
burbanas ou rurais tem probabilidades de ter diversos ater-
tos sendo reduzidos de cerca 12 a 15 para um ou menos por
ramentos em sua propriedade. Suas linhas de eletricidade e
160 km de linha por ano.
de telefone podem ter aterramento, assim como sua antena
Para sistemas de distribuição, aterramentos cavados pro-
de televisão e seus equipamentos eletro/eletrônicos como
fundamente são também muito eficazes para melhor desem-
geladeiras, televisores, microcomputadores entre outros.
penho operacional do equipamento nestas linhas. Por exem-
Se o mesmo estiver em uma localidade exposta, ele pode
plo, em um caso real, os registros de operações em um perí-
ter aterramentos para raios em seu prédio ou em uma árvore
odo de anos, mostrou uma redução substancial nas interrup-
ções depois que aterramentos profundos foram instalados. especialmente apreciada, ou inclusive na cerca elétrica de
Interrupções devidas a raios, a cada 100 transformadores, sua residência ou fazenda.
Estabelecimentos industriais e comerciais devem ter ater-
foram reduzidas de cerca de 10 ou 11 por ano para cerca de
ramento não apenas para riscos usuais de raios, mas também
1,5 por ano. Também danos aos equipamentos dos clientes
para evitar faíscas produzidas por eletricidade estática onde
foram reduzidos.
materiais inflamáveis são manuseados.
Os sistemas de telecomunicação e sinalização emprega-
Detalhes sobre dispositivos de proteção estão fora do es-
dos por companhias telefônicas, ferrovias, oleodutos, e ou-
copo deste artigo. Entretanto proteção de aterramento é um
tras, também necessitam de aterramentos de baixa resistên-
assunto de grande interesse e todos os sistemas de proteção
cia.
precisam ser ligados a aterramentos confiáveis e seguros.
Eles são necessários para o funcionamento apropriado dos
Para todas estas aplicações as hastes de aterramento são
pára-raios, relés de aterramento, blocos, fusíveis e outros
dispositivos de proteção durante tempestade de raios, conta- disponíveis e largamente utilizadas
tos acidentais com condutores de eletricidade e outros ris-
cos. Aterramentos profundos, propiciam meios eficazes para VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
garantir aterramentos de baixa resistência necessários para
minimizar interrupções devidas a falhas nas linhas, cabos e [1] Special Reprint 7 from Electrical Engineering. Ground
equipamentos e para proteção da vida e da propriedade. Principles and Practice, 1945.
Em demonstrações de aterramento profundo através de [2] J.G. HEMSTEET, W.W. LEWIS and C.M. FOUST.
todo o Leste, Centro-Oeste e Sul dos Estados Unidos foram “Study of Driven Rods and Counterpoise Wires in High-
colhidos dados abundantes sobre resistências de aterramen- Resistance Soil on Consumers Power Company 140kV”,
tos profundo, pois a resistência foi medida depois do crava- Electrical Engineer Transaction, vol. 61, 1942.
mento de cada seção. [3] R.M. SCHAHFER and W.H. KNUTZ. “Charts Show
Em alguns casos foram cravadas hastes numa localização Ground Rod Depth for Any Resistance in Advance”, Electri-
específica onde considerável dificuldade tinha sido experi- cal World, 1940.
mentada em obter-se bom aterramento. Praticamente em [4] R.C. STEVENSON. “Thorough Grounding Pays Divi-
todos estes casos, o aterramento cravado profundamente dends in Service”, Jr. Electrical Word, 1947.

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