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Albert Camus – O mito de Sísifo (Clube de Leitura)

1) Um pensamento que se centra na análise do absurdo, da absurdidade


que emerge da relação do ser no mundo, como “doença do espírito”
(não metafísica) com sua implicação moral: o suicídio (a vida vale a
pena ser vivida?);
2) Busca de saída diante do sem sentido da existência, por meio de uma
rebeldia trágica que parte da percepção lúcida de que o ser humano
está em conflito consigo mesmo (identidade), com os demais homens (a
relação entre liberdade e justiça) e com o mundo (conhecimento);
3) Como interpretar os dois métodos de pensamento: La Palisse (cinismo,
tautologia oriunda da busca por acabar com as ilusões) e Dom Quijote
(com suas ilusões, idealismo, ao ponto de colocar a própria vida em
risco);
4) O suicídio como algo que se origina no coração do homem (individual).
Comentar o trecho “A sociedade não tem muito a ver com esses
começos” p. 8);
5) “Matar-se é, como no melodrama, confessar”: que foi ultrapassado pela
vida, que não se tem como compreender a razão profunda da existência:
“um mundo que se pode explicar é um mundo familiar, enquanto em um
mundo privado de luzes e ilusões, o homem se sente um estrangeiro”;
6) A Absurdidade é justamente esse divórcio entre o homem e sua vida,
entre o ator e seu cenário (p. 9).
7) Um homem que se depara com isso, caso não trapaceie a si mesmo, se
mata. Ao mesmo tempo, afirma que a maioria já se deparou com o
absurdo e já pensou em se matar. Por que não o fez? Cita a esperança
como um jogo em que o ser escapa, seja de uma outra vida mais
meritória seja de uma vida em função de uma ideia que a ultrapasse.
8) Propõe uma espécie de “método” (não de conhecimento) mas de análise
da absurdidade, reconhecendo os seus limites: a partir da observação
dos atos, das práticas, dos comportamentos dos indivíduos (os
sentimentos inacessíveis podem ser traídos pelos atos que os anima),
parece fazer uma etnografia do absurdo, reconhecendo que todo
verdadeiro conhecimento é impossível: só se pode enumerar as
aparências e se fazer sentir o clima;
9) Há um clima de absurdidade, um estado de espírito, que pode ser
apreendido pela inteligência e pela arte.
10) Em sua busca apreende o absurdo na cotidianidade (pegar o bonde...).
Quando perguntam o que você tem e você diz “nada”, pode ser uma
convenção; mas quando essa resposta é sincera, quando o vazio
representa um estado da alma, quando pela primeira vez se pergunta
“POR QUE?”, então há o primeiro sinal da absurdidade (lembrar pinturas
de Edward Hopper) p. 14.
11) A consciência do tempo que nos carrega, da espessura e da estranheza
do mundo (mesmo o natural), a consciência da finitude, do inumano que
há em nossos hábitos maquínicos, tudo isso é o absurdo;
12) Pontua: a nostalgia da unidade do homem, isto é, o seu desejo de
compreender o mundo e reduzi-lo ao humano; o homem é mortal e
incapaz de conhecer totalmente (inclusive a si mesmo) (p. 16, 17, 18):
“Mas o que é absurdo é o confronto entre esse irracional (do mundo) e
esse desejo apaixonado de clareza cujo apelo ressoa no mais profundo
do homem. O absurdo depende tanto do homem quanto do mundo. É,
no momento, o único laço entre os dois. Colados um ao outro como só o
ódio pode fundir os seres.
13) Cita toda uma tradição de pensamento que ressalta os limites da razão
(Kierkegaard, Jaspers, Heidegger, Scheler, Nietzsche, Husserl) e que
compartilhar o que chama de “clima de pensamento”.
14) Parte da constatação do absurdo que nasce da confrontação entre a
nostalgia humana pela unidade (por meio do conhecimento) e o mundo
inapreensível. A questão agora é: qual a consequência da consciência
da absurdidade?
15) A primeira consequência pode ser a fuga (caráter religioso), a busca por
um sentido supra-humano da vida (Jaspers, Kierkegaard e Chestov).
Camus chama de “salto”, de suicídio filosófico. Camus critica essa noção
do absurdo como uma demissão, um trampolim para a eternidade, um
subterfúgio. Afirma que se há absurdo, é no universo do homem. “Para
Chestov, a razão é vã, mas existe algo mais além da razão. Para um
espírito absurdo, a razão é vã e nada existe além da razão. Camus não
quer construir nada em cima do incompreensível (p. 28).
16) A segunda consequência é confrontar o absurdo com a razão, isto é, de
que ela pode ser princípio e explicação do mundo. Faz uma crítica à
Husserl e sua fenomenologia, constatando a insuficiência mesmo da sua
concepção de razão para dar conta do mundo.
17) “Que outra verdade posso reconhecer sem mentir, sem fazer intervir
uma esperança que não tenho e que nada significa nos limites da minha
condição?” p. 34.
18) “Viver é fazer viver o absurdo. Fazê-lo viver é, antes de tudo, encará-lo.
Ao contrário de Eurídice, o absurdo só morre quando alguém se desvia
dele. Assim, uma das únicas posições filosóficas coerentes é a revolta.
Ela é um confronto permanente do homem com sua própria
obscuridade. É exigência de uma impossível transparência. E, a cada
segundo, questiona o mundo de novo’.
19) O suicídio é aceitação, viver é revoltar-se, garantindo a grandeza da
vida, onde assumimos o peso de nossa própria existência. Assumir a
liberdade individual, sem questionar a liberdade em si do ser humano (p.
36).