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Caderno Científico

Nesta edição: Curso de Prótese Sobreimplante - Final


PEP no 25o CIOSP
Marketing Hoje
Responsabilidade Civil
Responsabilidade Social
Lançamentos: PerioNews e ABI
Eventos
A importância da divulgação
científica ao longo dos tempos

D
Desde os primórdios, a curiosidade e o espírito investigativo do homem se fizeram notar nas
diversas áreas do conhecimento humano. Na saúde, achados de mesopotâmicos e egípcios, da-
tados de 3 mil anos a.C, dão conta da existência de craniotomias em fase de reparação, evidente
demonstração de sucesso na empreitada. Desenhos rupestres dessas intervenções evidenciavam
a perpetuação a gerações futuras.
Ainda na Era Pré-Cristianismo (300–130 a.C.), conhecidos estudiosos (Pitágoras, Aristóteles e
Hipócrates) deixaram registradas suas importantes obras e descobertas.
Ao final da Idade Média, após longo período de obscurantismo devido à ingerência da Igreja,
reconhecidos cientistas como Falópio, Eustachio e, principalmente, Leonardo Da Vinci marcaram
definitivamente o conhecimento na área da saúde, com suas relevantes descrições. Data desta
época a primeira publicação de que se tem notícia: “De Humanis Corporis Fabricca”, tratado
sobre o corpo humano publicado por Andreas Vesalius (1514 – 1564).
Graças a esse espírito investigativo e de divulgação, inerente ao ser humano, é que a ciência alavan-

PONTO DE VISTA
cou conhecimentos em todas as áreas profissionais, chegando ao estado atual de desenvolvimento.
Destarte, as publicações adquiriram lugar de destaque no meio acadêmico e científico, servin-
do, inclusive, como referência à ascensão profissional; some-se a isso, a difusão por meio de
eventos científicos e teremos a forma ideal de difundir e transmitir conhecimentos. Na nossa
Odontologia, o Brasil vem-se destacando neste setor, com publicações especializadas e even-
Luís Ronaldo Picosse
tos científicos internacionais. Hoje, a reconhecida competência e habilidades profissionais dos
cirurgiões-dentistas brasileiros encontram guarida em publicações nacionais, sem nada dever à
literatura internacional, para a divulgação de seus trabalhos.
Gostaria de chamar a atenção dos colegas para publicações em português, dirigidas a brasi-
leiros. Está na hora de nos tornarmos entusiastas das publicações nacionais, pois trabalhos
cientificamente bem embasados valorizam nossas publicações. Nossos periódicos estão, cada
vez mais, se adequando a esta nova realidade, modernizando-se para fazer frente às publicações
internacionais.
Este é o caso da nossa revista ImplantNews que, com estoicismo, seriedade e profissionalismo
ímpar de seu corpo de editores, vai elevando, a cada edição, a qualidade e o aprimoramento
exigíveis no cenário internacional.
Portanto, colegas, mãos à obra na divulgação de seus casos, experimentos ou novas técnicas.
Já pensaram como estaria hoje a Odontologia se o professor Brånemark não tivesse divulgado
seus estudos sobre osseointegração?

Luís Ronaldo Picosse é professor, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial; Mestre e doutor em
Anatomia e Professor da USP.

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Pequenas grandes revoluções
Grandes fatos históricos transformaram a vida no planeta e dividiram eras.
Podemos dizer que, dentre eles, os mais próximos de nós, no tempo, foram
a Revolução Industrial, a invenção do chip e a queda do Muro de Berlim.
Próximos, mas ainda assim há, pelo menos, mais de uma década distantes
do nosso dia-a-dia.
O mais impressionante é que, durante esses quase 20 anos pós-queda do
Muro de Berlim, várias - praticamente incontáveis - pequenas revoluções vêm
transformando o pensamento e a ação humana. A globalização da economia
e o desenvolvimento tecno-científico são causa e efeito de algumas dessas
transformações cotidianas que a humanidade vêm experimentando, e sua
velocidade cresce em ritmo geométrico, obrigando-nos a atitudes, muitas
vezes, contraditórias e paradoxais.
Alguns amam esse novo cenário e se entregam completa-
mente à ação vertiginosa. Outros, simplesmente procuram
ignorar e não se deixam influenciar pelas novidades e suas
conseqüências. Há ainda aqueles que, desesperadamente,

editorial
tentam encontrar um meio termo, um equilíbrio mínimo que permita não
serem engolidos pelo ciclone das mudanças, mas também não os deixe à
margem das conquistas alcançadas ou previstas.
E é nessa ebulição que alguns agentes têm papel fundamental. E é como
agente que a ImplantNews pretende se colocar e seu papel é o de oferecer
ferramentas e informações, visando orientar os profissionais da área nesse
caminho que exige cada vez mais conhecimento e discernimento para
separar o joio do trigo, o que é moda e o que veio para ficar e estabelecer
novos paradigmas. Entre essas ferramentas está o Programa de Excelência
Profissional – Implantodontia, do qual já tratamos aqui e cujo desenvolvi-
mento e expansão você pode conferir em matéria especial nesta edição.
Seguindo este mesmo objetivo, é com muita satisfação que anunciamos
o nascimento da PerioNews, mais um membro da família que terá como
missão fazer pela Periodontia e Cariologia, o que a ImplantNews vem con-
seguindo para com a Implantodontia. O detalhamento deste importante
lançamento você também confere nesta edição.
Mais do que veículos de comunicação, ImplantNews e PerioNews se pro-
põem a ser verdadeiros agentes transformadores, catalizando e difundindo
essas pequenas grandes revoluções que tantos benefícios vêm trazendo à
humanidade. E estes agentes estão ao seu dispor. Aproveite-os.

Boa leitura!

Os Editores

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Prótese Sobreimplantes:
temática imprescindível
à Osseointegração Carlos Eduardo Francischone*

Após o encerramento do bloco de Prótese Sobreim- reabilitação protética e à osseointegração2.


plantes, constante de seis capítulos, pode-se observar pelos Estrategicamente o profissional deverá aplicar alguns
temas abordados, a grande diversidade e complexidade que ou todos os itens do Ado’s Factor durante as diferentes etapas
apresenta a prótese sobreimplantes. Além deles, muitos e tipos de reabilitação protética, e que serão apresentados
outros temas poderiam ou até poderão ser abordados em a seguir:
edições futuras da Revista ImplantNews, contribuindo ainda • Restaurações provisórias com oclusão e contorno ade-
mais para os profissionais interessados nesse assunto. Desde quados.
o tema“Planejamento protético-cirúrgico em Implantologia” • Oclusão mutuamente protegida.
até “Considerações oclusais em prótese sobreimplantes”, • Cúspides baixas (15o de inclinação ou menos).
consideradas verdadeiras chaves para o sucesso e manuten- • Redução da mesa oclusal V-L.
prótese sobreimplante

ção a longo prazo da osseointegração, os demais capítulos • Oclusão lingualizada.


Prótese sobreimplante no seguimento posterior, Estética • Guia anterior com mínima desoclusão posterior.
da região anterior, Reabilitação protética dos desdentados • Desoclusão canina, observando anatomia da concavidade
totais, e a Interdisciplinalidade são necessários para conse- palatina.
guir resultados otimizados nas reabilitações com osseoin- • Maior número de contatos oclusais cêntricos em cada
tegração, trouxeram grandes contribuições à especialidade dente.
Implantologia. • Desnecessário uso de aparatologia sofisticada.
Sabe-se quão importante é ter bons resultados com a • Ajustes oclusais sucessivos à medida que os implantes
osseointegração. Mais importante ainda é manter a osseoin- sejam reconhecidos pelo cérebro.
tegração estável, para que as reabilitações ancoradas por ela, Essa longevidade também estará associada à mo-
apresentem longevidade. tivação do paciente, especialmente relacionada aos bons
A estabilidade e a função oclusal adequada são um hábitos de higienização e visitas periódicas ao profissional
dos itens que mais contribuem para o equilíbrio de todo o para manutenção e controle.
sistema estomatognático. Para tanto, alguns tópicos devem Outro tema de suma importância na determinação do
ser observados durante a reabilitação protética com osseoin- sucesso de um tratamento reabilitador é o bom relaciona-
tegração. Esse conjunto de itens é denominado Ado’s Factor, mento paciente-profissional. O paciente busca o tratamento
que significa: “Adjusting of Dimensionand Distribuition com osseointegração, muitas vezes na expectativa de receber
of Occlusal Stress and Strain” (Ajustando a Dimensão e a resultados estéticos, funcionais e cosméticos, muito além
Distribuição das tensões Oclusais e a dissipação para a in- das possibilidades que o caso oferece. A forma com que, na
terface osseointegrada e tecido ósseo subjacente). Quando primeira consulta, o profissional aborda o problema do des-
aplicados, na maioria das vezes, em conjunto, proporciona dentado total é bem diferente daquele paciente que terá seus
enormes benefícios à reabilitação protética e à osseointegra- dentes preservados através de uma reabilitação protética ou até
ção. As resultantes das forças mastigatórias e outros eventos associada a alguns implantes. A situação é bastante complexa
oclusais deverão ser bem assimilados não só pela interface para a reabilitação das maxilas desdentadas, em especial as
osseointegrada, mas principalmente pelas áreas adjacentes a atróficas. Nestes casos o profissional deverá ter à habilidade
essa interface. Quando isso acontece, o tecido ósseo mostra de mostrar ao paciente as possibilidades reais, verdadeiras de
respostas favoráveis, proporcionando maior longevidade à sua reabilitação, relacionadas principalmente às limitações do

* Professor titular de Implantologia da Universidade do Sagrado Coração - USC/Bauru; Professor titular do Departamento de Dentística da FOB-USP.

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caso em si. Saber convencer e motivar o paciente dentro de esclarecimento, ao paciente, quanto ao tipo de prótese que
fatores reais é uma das chaves para o sucesso final. este irá receber. Isto independe se adotou reconstrução total
A discussão e esclarecimento prévio da necessidade de da maxila com enxerto ósseo autógeno ou técnicas de anco-
compensação protética – quer seja através de gengiva fixa de ragem (implantes inclinados e/ou fixações zigomáticas)3.
resina, dentes alongados ou epítese – deve ser algo rotineiro Muitas vezes técnicas mais simplificadas e menos
entre profissionais e pacientes. Cabe aos primeiros alertarem invasivas podem trazer resultados funcionais e estéticos
os segundos, de maneira franca e clara, sobre as vantagens altamente satisfatórios.
e inconveniências de tal compensação. Criar ou fomentar O conselho final para o paciente deve ser baseado
nos pacientes uma expectativa de que este terá seus futuros no conceito da filosofia básica no tratamento de saúde, de
dentes emergindo do sulco periimplantar como acontece que“menos é mais”, e que o restabelecimento da qualidade
com os dentes naturais em relação ao sulco gengival, ou até de vida do paciente edêntulo não requer necessariamente
mesmo prótese fixa sem gengiva é uma conduta bastante procedimentos clínicos mais cientificamente sofisticados,
arriscada, pois a compensação poderá ser inevitável, trazendo mas sim dar prioridade ao que é mais seguro, simples e pre-
insatisfação para os pacientes ao término do tratamento. visível. A função clínica sem efeitos negativos, documentada
Buscando trazer dados objetivos e alertar os implan- a longo prazo, deve ser a intenção decisiva parra a seleção
tologistas quanto à freqüência da necessidade de compen- do procedimento restaurador. Em muitos casos, o conheci-
sações protéticas, realizou-se na Clínica Francischone, na mento profundo e uma exploração cuidadosa da anatomia
InterClínica – Bauru e nos cursos de Pós-Graduação da óssea local disponível, para ancoragem dos implantes com
USC (Universidade do Sagrado Coração de Bauru) um le- dimensões e em número adequado, revela oportunidades
vantamento de pacientes que tiveram suas maxilas atróficas para a prótese sem recorrer ao enxerto ósseo ou outros

prótese sobreimplante
totalmente reabilitadas com implantes e próteses fixas, a fim procedimentos cirúrgicos mais extensos1.
de traduzir, em parâmetros percentuais, a incidência ou não O conceito de All-on-4 como reporta Malo4 (2005)
de compensações protéticas2. Foram classificadas em três mostra, muito bem, resultados reabilitadores funcionais,
grupos, conforme tabela apresentada a seguir: estéticos e cosméticos altamente satisfatórios utilizando
1. Reconstrução total com enxerto ósseo autógeno. procedimentos cirúrgicos pouco invasivos, possíveis, e com
2. Implantes inclinados. custo-benefício muito bom .
3. Fixações zigomáticas associadas a implantes instalados A Odontologia e a Osseointegração têm evoluído
na pré-maxila. enormemente nos últimos anos nas mais diferentes especiali-
dades. Se por um lado, isso traz benefícios para os tratamen-
Quadro 1 - Avaliação clínica dos tipos de próteses fixas
utilizadas em maxilas atróficas tos odontológicos de uma forma geral, por outro lado traz
Nº de Próteses sem Próteses com dificuldades aos profissionais, pois os investimentos acabam
Alternativa sendo altos e nem todos tem essas possibilidades.
Pacientes Compensação Compensação
Reconstrução com enxerto 40 5 (12,5% ) 35 (87,5% ) O nosso sempre conceituado professor Dioracy Fon-
terrada Vieira dizia que os dois maiores avanços da Odon-
Ancoragem
- IPT Inclinados 52 7 (13,4% ) 46 (86,6% ) tologia no último século foram: a turbina de alta-rotação
- Ancoragem Zigomática 44 2 (5,0% ) 42 (95% ) e o condicionamento ácido do esmalte e que, sem dúvida,
Total 136 14 (10,3% ) 83 (89,7% ) trouxeram grandes mudanças. O professor José Mondelli,
complementa dizendo que o 3o grande avanço foi, sem dú-
Portanto, cabe ao profissional esclarecer previamente, vida, a Osseointegração, pois ela mudou os planejamentos e
mostrar e dar uma previsão do produto final (prótese) que o tratamentos reabilitadores apenas com um item: uma nova
paciente provavelmente irá receber. Quando o paciente vai ao forma de retenção para prótese.
cirurgião-dentista para ser reabilitado com osseointegração, Está claro para todos nós quantas mudanças têm ocor-
a primeira questão que ele quer saber é qual o tipo de prótese rido; e neste início de século a Cirurgia Assistida com auxílio
irá receber e como ele ficará com relação ao ponto de vista da imageologia em 3D têm proporcionado mais um grande
estético e fonético. Alguns nem mencionam a necessidade avanço5, onde, quando bem indicada e planejada, permite
de ganhos mecânicos e funcionais. ao paciente desdentado total, em menos de uma hora, ser
Os valores exibidos na referida tabela demonstram a reabilitado completamente através de procedimentos cirúr-
alta incidência das compensações protético-gengivais, dados gicos e protéticos concominantes e imediatos3. As figuras
importantes e relevantes quando do planejamento prévio e mostradas a seguir representam bem essa situação.

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Figura 1 Figura 2
Planejamento em 3D dos futuros posicionamentos Guia cirúrgico de resina obtido através
dos implantes na maxila do paciente, do planejamento em 3D.
para obtenção do guia cirúrgico.
prótese sobreimplante

Figura 3 Figura 4
Guia cirúrgico em posição na boca com Vista oclusal dos implantes e pilares
anéis localizadores dos implantes. instalados na maxila (técnica All-on-4).

Figura 5
Radiografia panorâmica mostrando os implantes
instalados com o conceito All-on-4 , Nobel Guide.
Figura 6
Vista frontal da prótese fixa total já instalada.
Caso clínico cedido gentilmente pela Malo Clinic,
realizado pelos doutores Paulo Malo e João Borges.

Referências
1. Francischone CE et al - Osseointegração e o Tratamento Multidisciplinar. Brånemark System implants for completely edentolous maxillae: a 1 year
Quintessence; 2006. retrospective clinical study. Clin Implant Dent Relat Res 2005;7(Suppl
2. Francischone CE et al - Osseointegration and the Multidisciplinary tre- 1):88-94.
atament. Quintessence; 2007 (in press). 5. Steenberghe DETAL et al - A computed tomographic scan – derived
3. Francischone CE et al - in Brånemark, P.I. The Osseointegration Book customized surgical template and fixed prosthesis for flapless surgery and
from Calvarium to Calcaneus. Quintessence. Berlim; 2005. p.309-37. immediate loading of implants in fully edentulous maxillae: A prospective
4. Malo P, Rangert B, Nobre M. All-on-4 immediate - function concept with multicenter study. Clin Implant dent Relat Res 2005;7 (Suppl 1 ):111-20.

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Trabalho Original

RM Bridge: uma nova abordagem


protético reabilitadora para o tratamento
dos desdentados totais
RM Bridge: a new rehabilitation prosthetic approach
for the treatment of the completely edentulous patients

Reginaldo Mário Migliorança* Resumo


Ricardo Takeshi Nagahisa** A RM Bridge associada ao sistema All-on-4® é uma modalidade de
Thiago de Mayo*** tratamento para o desdentado que elimina a necessidade de enxertos
Rodrigo Barletta S. Viterbo****
e permite a função imediata do paciente. Este artigo apresenta o pro-
Abílio Ricciardi Coppedê*****
Humberto Oliveira Pinto***** tocolo e as particularidades da RM Bridge empregada na reabilitação
Sérgio Candido Dias****** de desdentados totais.
Gisseli Bertozzi Ávila******* Unitermos - Desdentados; Próteses e implantes; Porcelana dentária;

caderno científico
Dente artificial.

Abstract
The RM Bridge associated with the All-on-4® system is a treatment mo-
dality for the edentulous patients that eliminates the necessity of grafting
procedures, and allows immediate function. This article presents the pro-
tocol and the particularities of the RM Bridge utilized in the rehabilitation
of the completely edentulous patients.
Key Words - Edentulous; Prosthesis and implants; Dental porcelain;
Artifical tooth.

Recebido em: ago/2006


Aprovado em: fev/2007
* Mestre em Implantodontia SLMandic; Consultor científico Nobel Biocare.
** Técnico em Prótese Dentária Senac/SP.
*** Especialista em Implantodontia HRAC-USP/Bauru.
**** Especialização em Implantodontia ABO-Campinas.
***** Mestrando Reabilitação Oral FORP-USP; Professor do curso de Prótese Dentária ABO-Poços de Caldas.
****** Pós-Doutor em Engenharia de Materiais - UFSCar; Professor do Programa de Mestrado em Clínica Odontológica Unincor.
******* Doutoranda em Reabilitação Oral FORP/USP; Coordenadora da Especialização em Implantodontia Uningá/MS.

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Reginaldo M. Migliorança | Ricardo T. Nagahisa | Thiago de Mayo | Rodrigo B. S. Viterbo | Abílio R. Coppedê | Humberto O. Pinto | Sérgio C. Dias | Gisseli B. Ávila

Introdução
Os implantes osseointegráveis trouxeram uma enorme
contribuição para a área da reabilitação oral, ao tornarem pos-
sível o tratamento do desdentado total com próteses fixas2,3,14,
principalmente para os pacientes com maxilares severamente
reabsorvidos, onde o volume ósseo dos rebordos remanes-
centes é incapaz de proporcionar retenção e estabilidade
suficientes para o uso de uma prótese total convencional7,11,15.
As próteses totais fixas implanto-suportadas proporcionam a
estes pacientes uma melhora considerável em sua qualidade Figura 5
de vida1, ao devolver a capacidade de desempenhar uma série Aspecto inicial do
paciente edêntulo.
de funções que seriam impossíveis com a utilização apenas
de próteses convencionais (Figuras 1 a 6).
caderno científico

Figura 1
Aspecto inicial do
paciente edêntulo. Figura 6
Aspecto inicial do
paciente edêntulo.

Segundo os protocolos tradicionais de tratamento


da maxila atrófica2,3,14, alguns procedimentos de enxertos
ósseos são necessários para a colocação de implantes de
comprimento e diâmetro adequados, em número suficiente,
nas posições corretas4,12,17. Enxertos onlay em blocos5,16,27,
Figura 2 levantamentos sinusais e de soalho de fossa nasal27,29 são
Aspecto inicial do
paciente edêntulo. procedimentos prévios de rotina para a execução de reabi-
litações fixas nestes pacientes22.
As próteses fixas implanto-suportadas devem conter
uma barra metálica de reforço em seu interior, sobretudo
devido às extensões distais em cantiléver2. O desenho des-
tas estruturas metálicas foi estabelecido por conveniência,
visando uma maior simplicidade e rapidez em sua obtenção.
No processo de confecção da estrutura, pouca preocupação
Figura 3
Aspecto inicial do é atribuída em relação à otimização de suas propriedades
paciente edêntulo. físicas e mecânicas. Particularmente, nos casos de reabilitação
da maxila severamente atrófica, as barras confeccionadas da
forma convencional ficam muito espessas, consomem grande
quantidade de liga, tornando-se muito pesadas. A barra ori-
ginalmente proposta por Brånemark para reabilitações fixas
maxilares apresenta problemas relativos à estética, fonética
e higiene9. Por outro lado, quando se reduz as dimensões
da barra numa tentativa de minimizar esses problemas,
grande parte da porção acrílica da prótese fica sem suporte,
Figura 4 reduzindo sua resistência e aumentando o risco de fraturas.
Aspecto inicial do
paciente edêntulo. A correta confecção da estrutura metálica cria resistência

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Reginaldo M. Migliorança | Ricardo T. Nagahisa | Thiago de Mayo | Rodrigo B. S. Viterbo | Abílio R. Coppedê | Humberto O. Pinto | Sérgio C. Dias | Gisseli B. Ávila

necessária contra forças laterais e rotacionais que atuam Para a reabilitação definitiva de desdentados totais,
sobre a prótese13. foi desenvolvida uma prótese denominada RM Bridge, que
Os dentes de acrílico preconizados para utilização nas possui características exclusivas que visam ao aprimoramento
reabilitações fixas deixam a desejar tanto por fatores estéticos, de algumas deficiências das próteses totais fixas implanto-
pois são dentes de estoque pré-fabricados e permitem pouca suportadas convencionais. Segue-se o protocolo para a
individualização, quanto por fatores funcionais, pois sofrem confecção de uma prótese do tipo RM Bridge bem como
um desgaste acentuado quando em função, desviando-se suas particularidades.
do padrão oclusal planejado para o caso. Estudo sobre os
mecanismos de desgaste nas áreas de contato oclusal de Descrição da Técnica
dentes de porcelana e dentes de resina acrílica ocluindo com
diferentes materiais demonstrou uma melhor performance A RM Bridge foi desenvolvida para ser utilizada como
dos dentes de porcelana8. a prótese definitiva em casos de reabilitação fixa sobre os
O conceito All-on-4® de tratamento reabilitador para implantes colocados, utilizando-se o conceito All-on-4®,
a maxila atrófica eliminou a necessidade de cirurgias de podendo ser utilizada também sobre os implantes instala-
enxerto18,19 (Figuras 7 a 9). Com o uso desta técnica, torna- dos seguindo o protocolo convencional. O objetivo maior
se possível proporcionar ao paciente uma reabilitação fixa da RM Bridge é proporcionar ao paciente desdentado total
com a colocação de quatro implantes, em carga imediata20. uma reabilitação fixa com o máximo de conforto, estética,
A prótese provisória utilizada neste protocolo de tratamento função e longevidade.
é uma prótese totalmente em acrílico. Quando os implantes são colocados pelo sistema All-
on-4® é possível a instalação de uma prótese provisória fixa
acrílica em carga imediata, que ficará em função durante o
período de cicatrização dos implantes e dos tecidos moles.

caderno científico
Após o período de cicatrização, inicia-se o processo de con-
fecção da RM Bridge.
Inicialmente, realiza-se a moldagem de transferência.
Os análogos dos abutments são devidamente posicionados
no interior do molde. O material para gengiva artificial é
Figura 7 vertido ao redor dos análogos dos abutments, e após a sua
Fixação zigomática
em maxila atrófica. polimerização é vazado gesso especial recobrindo todo o
molde, obtendo-se um modelo de trabalho com os análogos
orientados fielmente de acordo com a sua posição em boca.
Sobre este modelo é confeccionada uma base de prova em
resina acrílica, e sobre esta é posicionado um rodete de cera.
A base é levada em boca e parafusada a dois implantes. Os
registros serão tomados com máxima estabilidade devido
à prévia fixação da base. Registra-se a dimensão vertical e
a posição horizontal intermaxilar do paciente, assim como
Figura 8 todos os demais registros para confecção de uma prótese
Vinte e cinco dias total. A posição da maxila do paciente em relação à base do
após a cirurgia.
Emergência dos im- crânio é registrada com o arco facial, para montagem dos
plantes em posição
protética favorável. modelos em articulador semi-ajustável.
Sobre a base de prova, são montados os dentes de
estoque selecionados e, então, é realizada uma prova estética
e funcional desta montagem. Após aprovação da montagem,
tanto pelo paciente quanto pelo profissional, é feita uma
duplicação desta montagem em resina acrílica melhorada.
Nesta duplicação é iniciado o processo de individualização
dos dentes da prótese. Um a um, por regressão, são confec-
Figura 9
Vinte e cinco dias cionados preparos para coroas totais metalocerâmicas sobre
após a cirurgia.
Emergência dos im- os dentes da prótese duplicada. Após a confecção de todos
plantes em posição os preparos, é realizada a escultura da barra da prótese na
protética favorável.
porção restante da resina, com um desenho conhecido na en-

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genharia como viga I. A escultura finalizada apresenta todos


os preparos unitários e a viga I completa, abrangendo toda
a área das extensões distais em cantiléver (Figuras 10 e 11).
No plano vertical, a viga I abrange desde a região do rebordo
até a base dos preparos unitários. Essa estrutura é seccionada
em duas ou três secções, previamente à fundição.

Figura 14
RM Bridge após
fundição.

A estrutura é testada em boca, onde são novamente


verificados os níveis de ajuste e passividade (Figuras 15 a 17).
Após a aprovação da adaptação da estrutura pelo profissional
Figura 10 é realizado um registro da mordida para rearticulação do mo-
Escultura
da RM Bridge. delo superior. Sobre os preparos individualizados da estrutura,
são encerados os copings para as coroas metalocerâmicas, que
são posteriormente fundidos em liga de Ni-Cr-Ti (Figuras 18
e 19). Sobre estes copings é aplicada a porcelana. A estrutura
é instalada em boca, juntamente com as coroas metalocerâ-
micas, para prova estética e funcional dos dentes. Os ajustes
oclusais necessários são realizados, e as coroas são enviadas
ao laboratório para acabamento e aplicação do glaze.
caderno científico

Figura 11
Escultura
da RM Bridge.

A fundição é realizada utilizando-se uma liga de


Ni-Cr-Ti, e a estrutura fundida é enviada para prova em
boca. Após verificação da perfeita passividade das secções da
estrutura, faz-se a união destas secções com resina acrílica
melhorada. Após a união em boca é realizada a solda a laser Figura 15
Prova da RM
da estrutura. Assim, são obtidos excelentes níveis de adaptação Bridge.
e passividade da estrutura metálica final, eliminando as distor-
ções inerentes do processo de fundição (Figuras 12 a 14).

Figura 12
RM Bridge após
Figura 16 Figura 17
fundição.
Prova da RM Bridge. Prova da RM Bridge.

Figura 18
Figura 13 Coppings
RM Bridge após para coroas
fundição. individualizadas.

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Figura 19
Coppings
para coroas Figura 22
individualizadas. Coroas unitárias
finalizadas.

A gengiva artificial é então encerada, e o teste do


enceramento em boca é realizado para verificação de sua
estética, volume, contorno e suporte dos lábios. A cor da
gengiva natural do paciente é então avaliada e registrada. A
prensagem da gengiva artificial é realizada em resina acrílica,
utilizando-se o sistema Tomaz Gomes de caracterização,
buscando-se a máxima mimetização da gengiva artificial da
prótese em relação à gengiva natural do paciente. É realizada Figura 23
Coroas unitárias
a prova final da prótese em boca, para aprovação da estética finalizadas.
rosa pelo paciente e pelo profissional (Figura 20).
As coroas metalocerâmicas são enviadas ao laboratório
e cimentadas aos preparos individuais com cimento resino-

caderno científico
so dual, sem condicionamento ácido e sem a utilização de
adesivos (Figuras 21 a 23). Desta forma, consegue-se uma
retenção excelente das coroas; porém, é possível sua remoção
sem danificá-las, se for necessário. Apenas as coroas que se
relacionam com os locais de emergência dos parafusos não
Figura 24
são cimentadas neste momento (Figura 24). Coroas unitárias
Após a prótese ser parafusada sobre os implantes são cimentadas.

cimentadas as coroas situadas sobre as emergências dos pa-


rafusos. O paciente é instruído sobre os retornos para ajustes
e manutenção da prótese (Figuras 25 a 30).

Figura 25
RM Bridge
finalizada.

Figura 20
Prova da RM
Bridge com gengiva
caracterizada.

Figura 21 Figura 26
Coroas unitárias RM Bridge
finalizadas. finalizada.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):131-7 135 |


Reginaldo M. Migliorança | Ricardo T. Nagahisa | Thiago de Mayo | Rodrigo B. S. Viterbo | Abílio R. Coppedê | Humberto O. Pinto | Sérgio C. Dias | Gisseli B. Ávila

lizados por ano23. Pesquisas mostram que aproximadamente


90% dos pacientes usuários de próteses totais relatam pro-
blemas com a utilização de suas próteses10,21. A possibilidade
de se oferecer uma reabilitação fixa a esses pacientes signi-
fica poder devolvê-los a convivência social, a auto-estima,
a capacidade mastigatória e a estética, aumentando a sua
qualidade de vida.
Um dos fatores que causa resistência por parte dos pa-
cientes à terapia com implantes é a necessidade de enxertos
ósseos, principalmente nos casos de reabsorções severas da
Figura 27
maxila e da mandíbula, onde extensas cirurgias de enxertos
RM Bridge podem ser necessárias, com a necessidade de áreas doadoras
finalizada.
extrabucais.
Alguns trabalhos na literatura comprovaram a eficiên-
cia da biomecânica da reabilitação total suportada por quatro
implantes24,25. Nestes trabalhos, evidenciou-se que não há
diferenças significativas na distribuição de forças quando
são utilizados quatro ou cinco implantes, e que a inclinação
dos implantes posteriores melhora a distribuição das forças
independentemente do número de implantes utilizados.
Figura 28
RM Bridge Essas informações consolidam os conceitos biomecânicos
finalizada. utilizados no sistema All-on-4®.
caderno científico

Uma das particularidades da RM Bridge é a viga I. A


viga I é um tipo de viga muito utilizada na engenharia civil.
As vigas I são elementos estruturais em forma de barra que
oferecem uma resistência muito grande a flexão, tração ou
torção. Possuem duas abas paralelas unidas por uma alma
central perpendicular, proporcionando dois eixos de simetria
perpendiculares entre si. Estes eixos distribuem os esforços ao
Figura 29 longo de sua seção, fornecendo resultantes internas (vetores)
RM Bridge
finalizada.
que são absorvidas pela interação entre as abas e a alma. A
viga tem como elemento importante o comprimento, que
é muito maior que as duas outras dimensões. Sua função
é levar as cargas que recebe de um pilar a outro ponto de
apoio. Sendo assim, a viga I torna possível a confecção de
barras metálicas para o reforço da prótese com uma espes-
sura mínima. O comprimento da barra em viga I vai até as
extensões distais, e altura desde o rebordo até a base dos
Figura 30 dentes protéticos. Assim, ela confere grande resistência à
RM Bridge prótese, com volume e peso reduzidos30.
finalizada.
Outra particularidade são os dentes metalocerâmicos
individualizados. Essa característica da RM Bridge propor-
Discussão ciona alto padrão estético e funcional à prótese. A estética é
favorecida, pois os dentes podem ser trabalhados exclusiva-
Nos dias de hoje, cerca de 15% da população dos mente para o biotipo do paciente, situação dificultada com
Estados Unidos acima de 55 anos de idade apresentam os dentes de estoque. O fato dos dentes serem separados,
edentulismo maxilar23. O número de pacientes desdentados além de proporcionar uma reconstrução estética, produz
totais em uma ou ambas as arcadas chega a 30 milhões de ao paciente um benefício psicológico de poder passar o fio
pessoas, representando cerca de 17% de toda a população28. dental entre os dentes de sua prótese. A vantagem funcional
Se quatro implantes fossem utilizados para reabilitar cada dos dentes metalocerâmicos é o menor desgaste apresentado
uma das arcadas edêntulas, seriam necessários 192 milhões por estes, mantendo por mais tempo os padrões oclusais
de implantes; no entanto, apenas 700.000 implantes são uti- planejados para o paciente8.

| 136 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):131-7


Reginaldo M. Migliorança | Ricardo T. Nagahisa | Thiago de Mayo | Rodrigo B. S. Viterbo | Abílio R. Coppedê | Humberto O. Pinto | Sérgio C. Dias | Gisseli B. Ávila

Por fim, uma outra característica da RM Bridge é a sua que possibilita a utilização de apenas quatro fixações, con-
gengiva artificial. A utilização do sistema Tomaz Gomes de vencionais ou zigomáticas, e que elimina a necessidade de
caracterização permite a obtenção de uma gengiva artificial enxertos nos casos de reabilitações em maxilas atróficas.
que se assemelha muito com a gengiva natural do paciente. A prótese RM Bridge é uma prótese projetada para ser
Com isso, a estética rosa da prótese é aprimorada, principal- utilizada como a reabilitação fixa definitiva para pacientes que
mente nas regiões expostas pelo sorriso, como as papilas, exijam o máximo de conforto, estética, função e longevidade
ameias, e também na zona de transição entre a prótese e a de suas próteses.
mucosa alveolar6.
Endereço para correspondência:

Conclusão Reginaldo Migliorança


Av. Orozimbo Maia, 1.057 - Vila Itapura
13023-002 - Campinas - SP
A RM Bridge associada ao sistema All-on-Four® para Telefax: (19) 3232-9822
reabilitação dos desdentados totais é uma alternativa viável, dra.regina@odontologiarm.com.br

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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):131-7 137 |


Trabalho Original

Diagnóstico e tratamento de ausências


dentárias na região maxilar causadas
por agenesia de incisivos laterais
Diagnosis and treatment of missing teeth in the anterior
maxilla caused by lateral incisors agenesis

Fábio Bezerra* Resumo


José Kleber Meireles** O tratamento da ausência de um ou mais dentes na região maxilar anterior
Patrícia Santos Ferreira*** é um grande desafio. As possíveis soluções para estes casos incluem fecha-
Luciano Castellucci****
mento ortodôntico do espaço ou abertura para colocação de prótese fixa ou
implantes unitários. O objetivo deste trabalho foi apresentar as vantagens e
desvantagens de cada uma dessas opções.
Unitermos - Estética; Implantes dentários; Ortodontia; Perda dentária.

caderno científico
Abstract
The treatment of the absence of one or more teeth in the anterior maxilla is a
great challenge. The possible solutions for these cases include orthodontic clo-
sing movement of the space or opening this space for fixed prosthesis or unitary
implants. The aim of this work was to present advantages and disadvantages of
each one of these options.
Key Words - Esthetics; Dental implants; Orthodontics; Tooth loss.

Recebido em: mar/2006


Aprovado em: jan/2007
* Professor do curso de Especialização em Implantodontia da ABO-Bahia.
** Professor do curso de Especialização em Ortodontia da ABO-Bahia.
*** Especialista em Periodontia da ABO-BA; Mestranda em Estomatologia pela FBDC.
****Professor adjunto da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia; Professor dos cursos de Especialização em Prótese e Implantodontia
da ABO-BA; Mestre e doutor em Reabilitação Oral FOB/USP.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):141-5 141 |


Fábio Bezerra | José Kleber Meireles | Patrícia Santos Ferreira | Luciano Castellucci

Introdução e Discussão do outro lado16, maior quantidade de dentes impactados16,


entre outros achados.
A ausência de dentes na região anterior pode ocorrer A resolução clínica de tal ausência é altamente de-
por três razões básicas: a perda por cárie, por trauma ou safiadora, especialmente para o Ortodontista, não por uma
devido à ausência congênita. Apesar de sua alta prevalência dificuldade intrínseca da mecânica ortodôntica que, aliás,
na maioria das comunidades (entre 50% e 99% de pessoas pode ser relativamente simples, mas, principalmente, pe-
atingidas, segundo dados da OMS - 2001), atualmente a los fatores psicossociais associados a este quadro. O apelo
cárie vem sendo cada vez menos relevante na determinação estético de um sorriso perfeito é algo vivamente presente
da perda de dentes anteriores em países com médio e alto na população brasileira, um país de exigências estéticas
nível de desenvolvimento. Os traumatismos a dentes ante- muito grandes. A ausência desses dentes em pacientes em
riores, por sua vez, ocorrem com bastante freqüência. Dados crescimento é verdadeiramente um dilema. Por um lado,
coletados na população americana indicam que aproxima- os pais pressionam para uma resolução rápida e definitiva
damente 25% da população daquele país sofreu em algum para o problema, enquanto os ortodontistas precisam achar
momento um trauma na região dos dentes anteriores, sendo soluções estéticas paliativas para o caso. Como os implantes
que aproximadamente 0,6% dos americanos perderam pelo não podem ser inseridos antes do término do crescimento
menos um dente em decorrência de trauma. facial, algumas considerações devem ser feitas quando do
A agenesia, ausência congênita de pelo menos um tratamento de pacientes em crescimento: primeiramente, é
dente, é a anomalia dental mais freqüentemente encontrada fundamental achar uma solução estética provisória para o
em humanos7, 10. Se excluirmos os terceiros molares, os dentes caso, que pode ser conseguida com prótese adesiva ou com
mais freqüentemente ausentes, tal anomalia acomete entre retentores ortodônticos com dentes de estoque, que serão
2% e 10% da população4, sendo mais frequente em mulheres usadas até o término do crescimento facial.
do que em homens, numa relação entre 2:19 e 3:22. Origina-se A segunda consideração diz respeito à disponibilidade
caderno científico

a partir de um distúrbio no processo de formação durante o óssea na área edêntula, o que é relevante em casos nos quais
início da proliferação do botão dental. É possível encontrar se opta pela abertura de espaço. A espessura alveolar tende
na literatura outras denominações para agenesia como, por a diminuir na ausência do dente correspondente. Assim, tais
exemplo, oligodontia, que seria a ausência de muitos, mas áreas freqüentemente necessitam de enxertos para viabilizar
não todos os dentes. A hipodontia, termo mais raro, é clas- a colocação de implantes. Pensando nisso, vários autores pre-
sificada como a ausência de somente alguns dentes (de um conizaram a estimulação de erupção do canino permanente
a cinco para alguns autores)4. Alguns clínicos denominam próximo do incisivo central, o que pode ser conseguido com a
erroneamente tal situação de anodontia parcial. Por fim, a indicação de extração do incisivo lateral decíduo na época de
anodontia seria a expressão máxima do problema com au- erupção ativa do canino. Posteriormente faz-se a distalização
sência total dos dentes. destes dentes na época adequada para inserção do implante.
Os segundos pré-molares inferiores e os incisivos Tal procedimento mantém uma espessura óssea alveolar na
laterais superiores dividem a segunda posição no ranking de região dos incisivos laterais compatível com a inserção de
dentes mais afetados em casos de agenesia2,12, seguidos dos implantes sem a necessidade de enxertos ósseos prévios5.
segundos pré-molares superiores. Os terceiros molares são Do ponto de vista periodontal, o fechamento de
os dentes que apresentam a mais alta freqüência de ausência espaços de incisivos laterais ausentes com a mesialização
congênita que, dependendo da população estudada, pode de caninos é, provavelmente, muito mais benéfico para o
apresentar números tão diferentes como 25%1, 9% ou 37%2, periodonto do que a substituição desses dentes com próte-
isto para citar apenas alguns estudos. ses, principalmente as removíveis6. Porém, Wilson Jr, Ding15
O tratamento da ausência congênita de dentes perma- (2004) chamam a atenção para o fato de que o preparo
nentes requer um planejamento muito cuidadoso por parte protético, freqüentemente necessário por conta da coloração
dos profissionais envolvidos, uma vez que muitas variáveis e tamanho dos caninos substituindo os laterais, requer um
como a idade do paciente, o tipo e a quantidade de dentes controle gengival eterno.
afetados, o padrão ocluso-facial, dentre outras, pressupõem Robertsson8 (2000), avaliando a satisfação dos pa-
planos de tratamento distintos. cientes em relação ao tipo de conduta clínica adotada em
A agenesia de incisivos laterais superiores acomete casos de agenesia de laterais superiores, percebeu que os
aproximadamente 2% dos indivíduos16. Existem evidências pacientes tratados com fechamento dos espaços apresen-
de que pacientes com agenesia desses dentes exibem maior tavam maior grau de satisfação, anos após o tratamento, do
número de modificações quantitativas e qualitativas em que os pacientes tratados com próteses. Outro fator negativo
outros dentes, como agenesia de outras unidades, redução da prótese de três elementos diz respeito à sua longevidade.
no número de cúspides de molares9, incisivo lateral conóide Segundo Wilson Jr, Ding15 (2004), uma prótese fixa instalada

| 142 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):141-5


Fábio Bezerra | José Kleber Meireles | Patrícia Santos Ferreira | Luciano Castellucci

na adolescência, freqüentemente necessita de procedimentos espaço ou abertura para colocação de prótese fixa, im-
reparadores, com maior preparo dos dentes pilares, quando plantes unitários, além de autotransplante de pré-molares
o paciente encontra-se por volta dos 30 a 40 anos. em desenvolvimento. Cada uma dessas opções apresenta
Zachrisson17 (1975), avaliando as reações histológicas vantagens e desvantagens e são defendidas ou rejeitadas
de curto prazo ocorridas nos caninos, quando estes são por vários autores que, embasados em suas experiências
remodelados para parecerem incisivos laterais, demonstrou clínicas, corroboradas por estudos favoráveis à sua opção,
que este é um procedimento que não traz grandes des- discutem exaustivamente os benefícios e malefícios de cada
confortos para o paciente, além de não ocorrerem reações escolha3,13,15,18. A verdade é que a opção por qualquer das
dentinárias ou pulpares que contra-indiquem o processo. terapias propostas deve ser fundamentada primordialmente
Posteriormente, o autor conduziu um estudo de longo prazo na indicação técnica para o caso e não apenas na preferência
chegando a conclusões similares. Estas dão conta de que, pessoal. Existem situações clínicas que favorecem a abertura
após dez anos do procedimento de desgaste dos caninos, ou manutenção do espaço, enquanto outras contra-indicam
havia boa estabilidade de coloração desses dentes, bem esta alternativa. Os pacientes, de uma forma geral vão tender
como ausência de mobilidade ou sensibilidade à percussão para a opção do fechamento de espaço; porém, esta pode
e à temperatura11. não ser a melhor alternativa nas seguintes situações (Figuras
Avaliando estes aspectos biológicos, as próteses uni- 1a a 1g; 2a a 2d e 3a a 3c):
tárias sobreimplante são uma excelente alternativa para as • Caninos extremamente largos – Podem levar a uma
situações onde os espaços serão mantidos. Além do fato de condição antiestética devido a desarmonia de formas e
manter ou posicionar os caninos em sua posição ideal, não alterações proporcionais.
implicam em desgaste de estrutura dental sadia e, atual- • Ausências unilaterais – A não ser que o canino remanes-
mente, já possuem respaldos clínico e científico para a sua cente tenha formato e tamanho que permitam que a sua
utilização, inclusive em casos de agenesia. remodelação leve a uma condição estética compatível

caderno científico
As soluções possíveis para os casos de ausência com o lateral presente14.
dos incisivos laterais incluem fechamento ortodôntico do • Classe I de molares e pré-molares – Frente a este quadro,

Figura 1a Figura 1b Figura 1c


Paciente jovem apresentando agenesia unilateral O incisivo lateral do hemiarco esquerdo O tratamento ortodôntico (Dra. Celi Moretti)
(unidade 12), dentro de um padrão de Classe I. apresentava-se conóide e foi restaurado visou abrir espaço para a instalação de um implante
com resina composta (Dra. Paula Mathias). Nobel Biocare de diâmetro reduzido (NP)
na região edêntula (Dr. Fábio Bezerra).

Figura 1d Figura 1f
Optou-se pela instalação de um pilar Vista intrabucal da coroa na fase de prova.
tipo UCLA para prótese cimentada.

Figura 1e
Aspecto radiográfico evidenciando
o assentamento do pilar e o corre-
to posicionamento do implante.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):141-5 143 |


Fábio Bezerra | José Kleber Meireles | Patrícia Santos Ferreira | Luciano Castellucci

Figura 2a Figura 2b
Paciente apresentando agenesia bilateral de incisivos laterais. Como no Em função do pequeno espaço mesiodistal, optou-se pela instalação de
caso anterior, a opção de tratamento foi a abertura de espaço para a insta- implantes de diâmetro reduzido (Nobel Biocare MKIII – TiUnite). Ainda
lação de implantes nos espaços edêntulos, uma vez que os fatores oclusais assim, foi necessário instalar os implantes com uma inclinação um
e estéticos faciais favoreciam esta abordagem (Dra. Karla Napoli). pouco mais vestibularizada para fugir da área mais estreita que está
entre as raízes por palatino, em função do menor perímetro do arco
(Dr. Fábio Bezerra). Estas situações precisam ser planejadas
antecipadamente pelo cirurgião e pelo protesista, uma vez que esta
inclinação direciona a restauração protética para uma prótese
cimentada e que o acesso para o parafuso tende a sair na incisal
da coroa, inviabilizando a construção de uma prótese parafusada.
caderno científico

Figura 2c Figura 2d
Vista intrabucal da coroa em cerâmica pura. Aspecto estético obtido com esta modalidade de tratamento
(Dr. Luciano Castellucci).

Figura 3a Figura 3b Figura 3c


Vista intrabucal de uma situação de agenesia Vista intrabucal da porção coronária do implante Vista intrabucal da coroa de cerâmica pura (Procera)
de incisivo lateral onde o espaço mesiodistal, após preparo com finalidade protética. (Dr. Luciano Castellucci).
a despeito do tratamento ortodôntico, estava crítico.
Após discussão do planejamento optou-se pela
instalação de implante Nobel Direct (Nobel Biocare)
de diâmetro estreito - 3 mm (Dr. Fábio Bezerra).

a manutenção ou abertura de espaço na região anterior to na região maxilar anterior, dando maior sustentação
requer um tempo de tratamento muito menor, além de aos lábios.
uma mecânica ortodôntica mais simples. • Padrão facial côncavo (quando a opção terapêutica for a
• Padrão facial reto – Em tal situação, a abertura de espaço compensação dentoalveolar).
para colocação de implantes proverá maior preenchimen- • Agenesia de outros dentes no mesmo segmento.

| 144 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):141-5


Fábio Bezerra | José Kleber Meireles | Patrícia Santos Ferreira | Luciano Castellucci

Dentre as situações clínicas que favorecem o fecha- casos de agenesia freqüentemente requerem a intervenção
mento de espaço podemos citar: de especialistas das áreas de Ortodontia, Prótese, Periodon-
• Discrepância dente-osso negativa. tia, Dentística e Implantodontia. Situações anteriormente
• Sobressaliência aumentada associada à protrusão maxilar. encaradas como limitantes para a terapia ortodôntica, como
• Classe II de molares e pré-molares. casos de ancoragem máxima em adultos, podem ser tratadas
• Padrão facial côncavo (quando o plano de tratamento com maior facilidade devido ao benefício da utilização de
envolver cirurgia ortognática) – Aqui, evita-se a extração implantes como ancoragem. Todavia, atualmente, os recursos
de pré-molares e abrevia-se o tempo de tratamento pré- da Odontologia nos permitem reabilitar os espaços edêntulos
cirúrgico. com próteses sobreimplantes estéticas e funcionais, em tera-
pias de menor tempo e com menor risco estético facial.
Conclusão
Endereço para correspondência:
Fábio Bezerra
Os tratamentos que envolvem a intersecção de várias
Rua Almeida Garret, 57 - Itaigara
especialidades exigem um planejamento criterioso com a 41850-020 - Salvador - BA
participação de todos os profissionais envolvidos. Assim, os Tel.: (71) 3358-2992
fabiobezerra@terra.com.br

caderno científico
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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):141-5 145 |


Trabalho Original

Avaliação clínica de implantes curtos (7 mm) em


mandíbulas. Acompanhamento de dois a 14 anos
Clinica evaluation of short implants (7 mm) in mandible.
Follow-up from two to 14 years

Rachel Mançano Dias Melhado* Resumo


Laércio Wonhrath Vasconcelos** Neste trabalho foi realizado um acompanhamento clínico, por
Carlos Eduardo Francischone*** um período de até 14 anos, de implantes de 7 mm de compri-
Carolina Quinto****
mento instalados na mandíbula. Foram avaliados 198 implantes
Gustavo Petrilli*****
em 99 pacientes. No período de avaliação, obteve-se 96,46%
de sucesso dos implantes.
Unitermos - Odontologia, Mandíbula, Implantes osseointe-
grados.

caderno científico
ABSTRACT
In this study, a clinical follow-up was realized, in a period until 14
years, of 7 mm-long implants installed in mandible. One hundred
and ninety eight implants, in 99 patients were evaluate. In this
evaluation period, 96.46% was the implants success.
Key Words - Dentistry, Mandible, Osseointegrated implants.

Recebido em: set/2006


Aprovado em: fev/2007
* Cirurgiã-Dentista; Especialista em Prótese pela ACDC/ Campinas.
** Diretor do Brånemark Osseointegration Center - São Paulo; Especialista em CTBMF - UERJ/RJ; Doutor em Implantodontia - Unesp/Araçatuba.
*** Professor titular do Departamento de Dentística, Endodontia e Materiais Dentários, Disciplina de Dentística, da Faculdade de Odontologia -
USP/Bauru; Professor titular de Implantologia e Dentística da USC/Bauru; Diretor do Brånemark Osseointegration Center - Bauru.
**** Cirurgiã-Dentista; Membro-Adjunto do Brånemark Osseointegration Center - São Paulo.
***** Membro-Adjunto do Brånemark Osseointegration Center - São Paulo; Mestrando em Ciências da Saúde pelo Departamento de Cabeça e Pescoço
do Hospital Heliópolis/SP.

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Rachel Mançano Dias Melhado | Laércio Wonhrath Vasconcelos | Carlos Eduardo Francischone | Carolina Quinto | Gustavo Petrilli

Introdução e Revisão de Literatura e 65 ao feminino. Sendo que estas fixações foram utilizadas
como suporte de 73 próteses fixas parciais na região posterior
O alto índice de sucesso na utilização de próteses im- de mandíbula, 20 próteses totais e seis próteses unitárias. Dentre
planto-suportadas para reabilitação de pacientes parcial ou as próteses parciais 15 eram suportadas exclusivamente por
totalmente desdentados tem, cada vez mais, proporcionado implantes de 7 mm de comprimento, das quais três utilizavam
ao cirurgião-dentista confiança na aplicabilidade deste tipo implantes do tipo MKIII (diâmetros de 3,75 mm, 4,0 mm e 5,0
de trabalho. Contudo na mandíbula, a perda dental precoce mm) e o restante do tipo Standard, (diâmetros de 3,75 mm e
e a utilização de próteses causam reabsorções ósseas que 4 mm). As 58 próteses parciais restantes apresentavam como
superficializam o nervo alveolar inferior restringindo a suporte implantes de 7 mm de comprimento em conjunto com
utilização de implantes longos, resultando em um índice implantes de comprimentos e diâmetros variados.
menor de sucesso. Gráfico 1 - Variação do diâmetro dos Implantes do tipo
Standard
Na mandíbula atrófica, alternativas como enxertos
ósseos autógenos para solucionar a deficiência em altura
do rebordo alveolar têm apresentado resultados variados e
imprevisíveis10,15. Em função disso, a utilização de implantes
curtos (7 mm) tem solucionado de maneira mais simples e
previsível, tais situações, ainda que, a maior parte dos estudos
sobre falhas na utilização de implantes orais como suporte
de próteses parciais ou totais relatem um índice maior de
perdas com a utilização de implantes de 7 mm, princi-
palmente na maxila1,4,7,9,14. Em contrapartida, a aplicação
desses implantes somente em mandíbula tem apresentado Gráfico 2 - Variação do diâmetro dos implantes
caderno científico

resultados altamente favoráveis, tanto em próteses parciais do tipo MKIII

quanto totais, com índice de sucesso comparado ao de im-


plantes longos5,11.
Os implantes Standard de 7 mm foram introduzidos
pela primeira vez em 1979, sendo utilizados isoladamente
ou em conjunto com implantes longos em reconstruções
protéticas de mandíbulas totalmente desdentadas e, even-
tualmente, eram usados em desdentados parciais. Eles foram
desenvolvidos em função da necessidade de atender um
número cada vez maior de pacientes portadores de mandí-
bulas atrofiadas1,11. Gráfico 3 - Número de implantes (Standard e MKIII)
O presente trabalho analisou a sobrevida dos implan- avaliados no estudo

tes orais curtos de 7 mm instalados na mandíbula e utilizados


como suporte de diferentes tipos de prótese num período
médio de seis/cinco anos (dois-14 anos).

Material e Método
Foram coletados dados da utilização dos implantes
do tipo Standard e MKIII, ambos do Sistema Brånemark,
cilíndricos, de superfície lisa, e de 7 mm de comprimento, por
um período de dois a 14 anos de acompanhamento clínico
(média: seis/cinco anos). Das 20 próteses totais, quatro foram realizadas tendo
No total foram analisadas 198 fixações, sendo que do como suporte somente implantes Standard de 7 mm de
modelo Standard 88 possuíam 3,75 mm de diâmetro e 68 comprimento por 3,75 mm de diâmetro e as demais sobre
possuíam 4,0 mm de diâmetro, do modelo MKIII, 11 possuíam implantes de 7 mm de comprimento de diâmetros variados
3,75 mm de diâmetro, três possuíam 4,0 mm de diâmetro e em conjunto com implantes também de comprimentos
28 possuíam 5,0 mm diâmetro (Gráficos 1 e 3). e diâmetros variados. Além disso, oito próteses totais
Tais fixações foram instaladas em 99 pacientes com idade suportadas não só em implantes de 7,0 mm receberam
média de 60 anos, dos quais 34 pertenciam ao sexo masculino carregamento imediato.

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Rachel Mançano Dias Melhado | Laércio Wonhrath Vasconcelos | Carlos Eduardo Francischone | Carolina Quinto | Gustavo Petrilli

Este levantamento foi realizado até o ano de 2005, que, durante todo o período de acompanhamento apresen-
de forma a possibilitar o acompanhamento clínico de, no taram - Smith, Zarb14 (1989):
mínimo, um ano após a instalação do implante e teve início • Ausência de mobilidade.
em 1990 proporcionando um acompanhamento clínico de, • Nenhuma perda de torque dos parafusos da prótese e dos
no máximo, 14 anos. pilares intermediários.
• Nenhuma imagem radiolúcida sugerindo perda óssea.
Cuidados pré e pós-operatórios • Ausência de dados subjetivos como dor ou desconforto.
• Tecidos periimplantares sem sinal de inflamação.
O planejamento para todos os pacientes consistiu • Posicionamento adequado do implante e próteses com
de consulta inicial e avaliação, tanto do cirurgião quanto aparência satisfatória tanto para o paciente quanto para
do protesista, com o objetivo de investigar as necessidades o cirurgião-dentista.
individuais de cada caso, através de exames clínicos e achados
radiográficos. Resultados
Realizou-se a medição da altura óssea com o auxílio de
radiografias periapicais e panorâmicas, ocorrendo a neces- Dos 198 implantes colocados, sete foram perdidos,
sidade de complementação; tomografias computadorizadas resultando em 96,46% de sucesso (Gráficos 4 e 5).
foram solicitadas ao paciente. Salienta-se que o grupo de
Gráfico 4 - Demonstração do índice de sucesso
estudo foi composto por 83 pacientes não fumantes e 16 dos implantes
fumantes. Estes últimos foram devidamente alertados de
que poderiam apresentar problemas durante todo o período
de tratamento, como também em relação à osseointegração
tendo, como conseqüência, uma maior propensão de perda

caderno científico
dos implantes em comparação aos não fumantes, principal-
mente em se tratando de implantes curtos.
Os pacientes foram previamente moldados e os
modelos de estudo foram montados em articuladores semi-
ajustáveis para planejamento. Todos os problemas apresen-
tados quer sejam periodontais, endodônticos, ortodônticos
ou restauradores foram tratados antecipadamente, em um
preparo pré-cirúrgico da boca de acordo com a filosofia Gráfico 5 - Visualização do índice de sucesso dos implantes
de cada diâmetro e de cada modelo
de clínicas integradas. Estes receberam ainda profilaxia
Diâmetro dos Tipo dos Quantidade Implantes Índice de
antibiótica de rotina.
implantes (mm) implantes de implantes perdidos sucesso (%)
A segunda cirurgia para instalação dos pilares in-
88 Std 3 (Std) 96,96
termediários, quando o procedimento de carga imediata 3,75 99
11 MKIII - -
não foi realizado, foi executada após três meses, segundo 68 Std 1 (Std) 98,59
protocolo modificado de Brånemark. A seleção dos pilares 4,0 71
3 MKIII - -
intermediários foi baseada nos planejamentos de cada pa- 0 Std -
5,0 28
ciente e a prótese assim executada. Retornos periódicos para 28 MKIII 3 (MKIII) 89,28
acompanhamento, após concluídos os trabalhos protéticos, 156 Std 7 (Std) 96,46
TOTAL 198
42 MKIII - -
foram realizados em um período de três e seis meses e,
finalmente, uma vez ao ano. Sendo que, um foi perdido após cinco anos de trata-
mento e participava como suporte de uma prótese parcial
Critérios de avaliação de dois elementos inicialmente, sendo o outro implante de
13 mm e ambos de 3,75 mm de diâmetro. Após a perda,
A avaliação dos implantes se iniciou logo após a insta- este implante foi substituído por outro, também de 7 mm de
lação das próteses. Dados como dor ou desconforto relatados comprimento, tendo sido ainda acrescentado um implante
foram registrados, e os tecidos periimplantares analisados adicional de 7 mm de comprimento. A prótese foi refeita e os
através de exame clínico e sondagem. A quantidade de placa dois implantes instalados para confecção da nova prótese fo-
bacteriana foi avaliada e os pacientes submetidos a programas ram acompanhados por cinco anos, sem nenhuma evidência
preventivos que constavam de profilaxia com instrumentos de perda óssea. A paciente faleceu em dezembro de 2004.
adequados e orientação quanto à manutenção. Outro implante perdido, fazia parte de uma prótese
Foram considerados implantes bem-sucedidos aqueles parcial de três elementos suportada por dois outros implantes

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Rachel Mançano Dias Melhado | Laércio Wonhrath Vasconcelos | Carlos Eduardo Francischone | Carolina Quinto | Gustavo Petrilli

de 8,5 mm na região do dente 45, 46 e 47, sendo todos de a perda ocorreu 11 meses após sua instalação e este implante
3,75 mm de diâmetro. A prótese foi instalada imediatamente estava colocado na região mais posterior do arco. Outros dois
após a colocação dos implantes que apresentavam mobilidade foram perdidos respectivamente dez meses e cinco anos após,
naquele momento e todos foram perdidos quatro meses após e faziam parte de duas próteses parciais e foram colocados em
a instalação. regiões posteriores. Em ambos os casos, os três implantes per-
Outro insucesso ocorreu em um implante que fazia didos relatados acima, foram colocados em regiões posteriores
parte de uma prótese parcial fixa suportada por mais um em relação à prótese, onde existe maior carga mastigatória,
implante de 8,5 mm; esta perda ocorreu dez meses após a o que contribui para um aumento da possibilidade de perda.
instalação da prótese. Além disso, a possível existência de força de torção imprimiria
Novamente, tivemos perda de um implante instalado carga não axial, danosa às fixações5.
na região do 36 e 37. O paciente perdeu o implante da região Dentre todos os 198 implantes analisados, 28 são
do 37, na cirurgia de reabertura. Paciente não fumante. implantes com 5,0 mm de diâmetro. Destes, três implantes
Houve a perda de um implante instalado na região do foram perdidos e serviam de suporte de próteses parciais fixas.
47, suporte de uma prótese unitária. Havia perda óssea no Esta perda pode ser explicada em função da possibilidade
implante constatada na reabertura. de produção de superaquecimento do nicho ósseo ligado ao
Ocorreu a perda de um implante instalado como diâmetro do implante e qualidade óssea tipo I encontrada na
suporte de uma prótese total imediata com mais cinco im- maioria das mandíbulas atróficas­­4. Em função do número
plantes, todos de 7 mm após 11 meses de instalação. pequeno desses implantes (28) esta perda representa 10,71%
Perdeu-se mais um implante que fazia parte de uma de insucesso. Os resultados deste estudo coincidem com os
prótese parcial com mais três implantes, todos de 7 mm, resultados de Ivanoff et al8 (1999) nos quais é relatado um
sendo que a perda ocorreu três meses após a instalação das aumento do índice de falhas para os implantes de platafor-
fixações. O paciente usava uma prótese parcial removível ma larga em relação aos implantes regulares, num estudo
caderno científico

provisória na região. comparativo da influência dos diferentes diâmetros dos


Foram perdidos cinco implantes do tipo Standard e implantes numa retrospectiva clínica de três a cinco anos.
dois do tipo MKIII. Diferentemente do presente estudo, esses implantes foram
utilizados, com mais freqüência, em substituição àqueles que
Discussão apresentaram falhas, o que, provavelmente, seria a causa do
alto índice de insucesso encontrado no estudo citado.
Observou-se, neste estudo, um índice maior de falha Langer et al2 (1993) recomendam ainda, sobre os im-
prematura (3,01%), correspondendo ao fato de seis implantes plantes de largo diâmetro (5,0 mm) que seria mais indicado a
terem se perdido três, quatro, cinco, dez e onze meses respec- sua utilização na região posterior da mandíbula onde existiria
tivamente após a instalação dos mesmos, tal qual achados de uma aceitável largura e densidade óssea, porém, altura ina-
Friberg et al4 (1991) que relataram falhas precoces em 4.641 dequada. Nesses casos, a altura reduzida seria parcialmente
implantes do Sistema Brånemark de diferentes comprimen- compensada através do aumento do diâmetro do implante
tos tendo o maior índice de falhas ocorrido com implantes propiciando uma área superficial maior de contato ósseo
de 7 mm, tanto na maxila quanto na mandíbula. Os autores com titânio, o que levaria a uma redução no índice de perdas
atribuem a perda na mandíbula ao fato do osso encontrado de implantes curtos nesta região. Os dados encontrados no
normalmente em mandíbulas atróficas ser do tipo I, o que presente estudo confirmam esta afirmação, porém, não de
acarretaria superaquecimento durante a cirurgia de insta- uma maneira absoluta, em função do reduzido número de
lação das fixações, levando à sua perda precoce. Resultado implantes de plataforma larga utilizados.
semelhante foi encontrado por Friberg et al5 (2002) em outro O fato de termos um índice de sucesso de 96,46%
estudo no qual analisaram, por um período de dez anos, um em relação a utilização de implantes curtos em mandíbula,
total de 247 implantes Standard (7 mm x 3,75 mm) e 13 MKII coincide com os dados de Nevins, Langer11 (1993) que em
(6 mm x 5,0 mm) inseridos em 49 pacientes, que apresenta- seu estudo, analisaram o sucesso de implantes na maxila e
vam graus variados, porém severos de atrofia mandibular. As mandíbula na região posterior, sendo utilizados 64 implan-
perdas precoces neste caso acumularam um índice 1,9% e tes de 7 mm e 338 de 10 mm de comprimento. Daqueles
a causa apontada neste novo estudo foi a mesma do estudo que fracassaram, na mandíbula, somente um era de 7 mm
anterior. Este fato constitui uma situação de risco durante a (1,56%) e 12 de 10 mm (3,5%), o que demonstra um índice
preparação do nicho ósseo para a instalação dos implantes, de sucesso maior dos implantes de 7 mm.
o que pode levar a precocidade da perda das fixações. Jemt15 (1991) também encontra um alto índice de su-
Dos sete implantes perdidos, um fazia parte de uma cesso desses implantes em concordância com os dados apre-
prótese total com cinco implantes, todos de 7 mm, sendo que sentados nesse trabalho. O autor analisa falhas e complicações

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Rachel Mançano Dias Melhado | Laércio Wonhrath Vasconcelos | Carlos Eduardo Francischone | Carolina Quinto | Gustavo Petrilli

em 391 próteses suportadas por 2.199 implantes de diversos As reconstruções de mandíbulas atróficas por meio de
comprimentos, e os de 7 mm, utilizados na mandíbula, não enxertos ósseos autógenos têm sido descritas por vários au-
apresentaram nenhum índice de perda durante um ano de tores com resultados variados10, 16, o que seria também uma
acompanhamento. Em contrapartida, esses dados conflitam-se conduta para solucionar a deficiência de altura. Entretanto,
com os de Wyatt, Zarb3 (1’998) que ao analisarem, durante 12 quando analisamos mandíbulas com um mínimo de 5 mm-
anos, 77 pacientes parcialmente desdentados, que receberam 6 mm de altura óssea e acrescentamos alguns fatores como
97 próteses fixas suportadas por 230 implantes, concluíram que idade do paciente e duração do período do tratamento, a
o mais alto índice de falha se deu na utilização de implantes opção de se utilizar implantes curtos, sugerida neste trabalho,
de 7 mm (25%), e citam que não houve uma relação da perda em função da simplicidade do tratamento, com conseqüente
entre maxila e mandíbula dos implantes instalados, concluindo diminuição do custo e índice de sucesso similar aos dos im-
que a qualidade óssea não influi na perda, mas sim a quanti- plantes longos parece configurar-se em uma solução mais
dade de tecido ósseo, ou seja, o comprimento do implante. Por vantajosa4,5.
outro lado, Steemberghe16 et al (1990); Higuchi7 et al (1995)
encontraram uma correlação entre perda de implantes e a má Conclusão
qualidade óssea, mas não em relação à quantidade óssea, em
pacientes parcialmente desdentados. 1. A utilização de implantes curtos (7 mm) em mandíbulas
Pode-se, também, considerar que o alto índice de suces- atróficas apresentou sucesso clínico de 96,46% após
so encontrado no presente estudo está relacionado com o tipo acompanhamento clínico de um a 14 anos.
ósseo e a condição tecidual, bem como com o correto manuseio 2. O sucesso de implantes curtos (7 mm) na mandíbula pode
dos tecidos no ato cirúrgico, o que estaria de acordo com Henry ser comparado ao sucesso de implantes mais longos do
et al6 (1993) que analisaram os resultados da aplicabilidade mesmo sistema, podendo ser recomendados como uma
de implantes osseointegrados em pacientes parcialmente alternativa confiável e previsível para a reabilitação de

caderno científico
desdentados durante três anos, em nove centros clínicos e mandíbulas com alto grau de reabsorção óssea.
concluíram que para que haja osseointegração não podem
ser considerados fatores isolados como o comprimento dos Endereço para correspondência:
Gustavo Petrilli
implantes, pois a osseointegração está baseada em requisitos
Av. Prof. Alfonso Bovero 1201 - 9A
multifatoriais, devendo-se respeitá-los, principalmente em 05019-011 - São Paulo - SP
relação à qualidade do ato cirúrgico. Tel.: (11) 3862-7972 - Cel.: (11) 9802-5638

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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):147-51 151 |


Trabalho Original

Lesão apical do implante. Caso clínico


com etiologia e tratamento alternativo
Apical injury of the implant. Clinical case etilology and alternative treatment

Rogério J. Scarpati* Resumo


Gabriela Traldi Zaffalon** A Odontologia teve um grande impulso com a descoberta da osseoin-
Silvia Maria Anselmo*** tegração há 40 anos tornando a terapia com implantes dentais bastante
Gerson Noro****
segura. Algumas complicações vêm sendo relatadas por alguns autores,
Henrique Smanio Neto*****
dentre elas a lesão apical do implante. Esse caso clínico demonstra
o tratamento por curetagem de toda a lesão, limpeza das espiras
do implante e colocação de enxerto. Não houve remoção de parte
do implante, nem aplicação de ácidos ou outras drogas. Utilizou-se
enxerto de osso autógeno nas espiras e a adição de biomaterial para
regularização do defeito.
Unitermos - Implante; Cisto odontogênico; Enxerto ósseo; Lesão

caderno científico
apical.

Abstract
Dentstry had a great impulse with the discovery of the osseointegration for
40 years making dental implants a very safe therapy. Some complications
been reported for some authors. This clinical trial shows a treatment of a
apical lesion trought scavation of this lesion, espiras cleaners and graft
position, these won no removal of on implant post, nether acids application
or other drugs.
Key Words - Implants; Odontogenic cyst; Bone grafts; Apical injury.

Recebido em: mai/2006


Aprovado em: jan/2007
* Especialista em Implantodontia pela Universidade Camilo Castelo Branco/SP; Mestrando do curso de Implantodontia do CPO São Leopoldo
Mandic.
** Professora assistente mestre do curso de Implantodontia do CPO São Leopoldo Mandic.
*** Professora assistente doutora do curso de Implantodontia do CPO São Leopoldo Mandic.
**** Professor assistente do curso de Implantodontia do CPO São Leopoldo Mandic.
***** Coordenador do curso de Mestrado em Implantodontia do CPO São Leopoldo Mandic.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):153-7 153 |


Rogério J. Scarpati | Gabriela Traldi Zaffalon | Silvia Maria Anselmo | Gerson Noro | Henrique Smanio Neto

Introdução tes de pressão e velocidade excessiva da broca, irrigação


deficiente ou broca sem corte suficiente; força prematura
O sucesso nos procedimentos com implantes osseoin- nos estágios iniciais da cicatrização óssea; cavidade óssea
tegrados torna-os muito seguro, porém se o planejamento residual causada pela colocação de um implante menor que
e sua utilização não forem corretos algumas complicações o alvéolo preparado inicialmente pela broca; lesão residual
podem levar a sua falha. Três importantes possibilidades preexistente, como granuloma ou cistos; partículas residuais
que podem levar ao insucesso são o trauma cirúrgico, a de raiz; reação tipo corpo estranho pela presença de guta-
sobrecarga oclusal e a infecção bacteriana 2. A perda tardia percha, alloy etc; contaminação no processo industrial do
dos implantes osseointegrados parece estar relacionada à implante; contaminação durante o ato cirúrgico pelo con-
infecção bacteriana11. tato com saliva ou tecidos do paciente.
Recentemente um outro tipo de complicação que não A confecção de um retalho e o debridamento do tecido
a periimplantite e a mucosite vêm sendo descrita em relação podem ser necessários para a completa remoção do tecido
à terapia com implantes13. Esta patologia é caracterizada granulomatoso ao redor do ápice do implante. Em alguns
pela infecção localizada no ápice do implante e vem sendo casos é necessário remover parte do implante para executar
denominada como Lesão Apical do Implante. Fatores etio- uma completa limpeza do tecido afetado12.
lógicos podem incluir trauma cirúrgico, superaquecimento Denominou-se a lesão periapical do implante de
do osso ou sobrecarga do implante no primeiro estágio. Esse periimplantite retrógrada e sugeriu-se, após a confecção do
caso clínico propõe um tratamento para lesão periapical do retalho, a remoção do tecido granulomatoso e que a área fos-
implante com limpeza e desinfecção da superfície e correção se desintoxicada por agentes químicos. Podem ser utilizados:
do defeito com enxerto ósseo autógeno diferentemente de ácido cítrico, clorexidina em gel, tetraciclina e/ou peróxido de
alguns autores que sugerem a apicetomia do implante. hidrogênio na desinfecção da superfície do implante. Após o
tratamento cirúrgico a antibioticoterapia sistêmica deve ser
caderno científico

Revisão da Literatura realizada por sete a dez dias3.


Normalmente as lesões periapicais do implante
A Implantodontia está consolidada em uma terapia estabelecem drenagem de material purulento quando apli-
com índice de sucesso acima de 90%, porém existem algumas cada uma pressão gentil no ápice do implante. Antibióticos
complicações que podem levá-la à falha, e três importantes podem ser administrados antes da cirurgia para diminuir a
possibilidades que podem levar ao insucesso como trauma contaminação bacteriana. A completa remoção do tecido gra-
cirúrgico sobrecarga oclusal e infecção bacteriana2 Além da . nulomatoso deve ser realizada, o ápice pode ser seccionado
periimplantite e a mucosite existe outra patologia, caracte- para completa desinfecção da área. O preenchimento ósseo
rizada pela infecção localizada no ápice do implante, deno- do defeito através de enxerto ósseo pode ser realizado, e uma
minada como lesão apical do implante tendo como fatores membrana oclusal reabsorvível aplicada sobre o enxerto. A
etiológicos trauma cirúrgico, superaquecimento do osso ou primeira medida é para eliminar a infecção (retalho e limpeza
sobrecarga do implante no primeiro estágio¹³. da área) e a segunda é para aumentar a probabilidade de
Propôs-se uma classificação das lesões apicais em dois sobrevivência do implante6.
subgrupos: a forma inativa, que é parecida com uma cicatriz
apical, resultado de uma cavidade óssea residual criada pela Caso Clínico
colocação de um implante menor do que a área preparada
pela broca, e a forma infectada que ocorre, na maior parte Paciente sexo masculino, cor parda, 28 anos, prati-
das vezes, quando o implante colocado está contaminado, há cante de Jiu Jitsu compareceu ao consultório queixando-se
presença de restos residuais e/ou lesões contaminadas ou a de “mobilidade e sensibilidade no dente da frente”, que aos
proximidade com dentes endodonticamente problemáticos14. exames clínico e radiográfico evidenciou-se uma fratura por
Necrose óssea causada pelo preparo do leito cirúrgico pode trauma no elemento 12, com fratura oblíqua no terço cervical
ser um fator. O tratamento varia de acordo com a lesão. A da raiz. Indicado ao ortodontista para realizar a extrusão
forma inativa é observada e monitorada. A forma infectada radicular que foi feita em cerca de seis meses, promovendo
requer intervenção cirúrgica, eliminação da infecção, ressec- crescimento ósseo e de tecidos moles ocorrendo uma me-
ção apical do implante ou remoção do mesmo. nor retração gengival. Como o remanescente radicular era
Como se trata de uma entidade patológica descrita curto a exodontia e instalação de implante ST313 3I Implant
recentemente, a lesão periapical nos implantes não possui Innovation Inc., foram realizados e aguardado o período de
ainda uma etiologia completamente definida. Existem osseointegração. No controle radiográfico com 90 dias, o
diversas causas possíveis para explicar a ocorrência de tais implante apresentou mancha radiolúcida no seu ápice com
lesões7, 8, 9, 10, 11, 14: aquecimento e necrose óssea decorren- uma boa delimitação de margens.

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Rogério J. Scarpati | Gabriela Traldi Zaffalon | Silvia Maria Anselmo | Gerson Noro | Henrique Smanio Neto

O controle radiográfico foi feito de 30 em 30 dias e de-


pois de 90 em 90 dias com raios-x periapical milimetrada.
A cirurgia de enucleação da lesão foi planejada com
incisões intra-suculares e duas relaxantes na mesial do dente
11 e distal do dente 13 divulcionando até o ápice do implante
do dente 12 para uma boa visualização (Figura 1). A cureta-
gem foi minuciosa removendo todo tecido granulomatoso,
irrigação com soro fisiológico; nenhum produto químico
como ácidos ou tetraciclina foi usado (Figuras 2, 3 e 7). Figura 5
Remoção de osso au-
tógeno do túber.

Figura 1
Pré-operatório - Dois
anos após a instala- Figura 6
ção do implante. Osso autógeno para
cobrir as espiras do
implante.

caderno científico
Figura 2 Figura 7
Acesso à lesão. Limpeza das espiras.

Realizou-se o enxerto autógeno do túber da maxila do


mesmo lado para cobrir as espiras do implante (Figuras 5 e
6) e complementado com biomaterial, uma hidroxiapatita
bovina mais uma membrana de colágeno, reposicionamento
do retalho e sutura (Figuras 8, 9 e 10).
Controles radiográficos pós-operatórios foram reali-
zados com 30, 60, 90 e 180 dias mostrando o reparo ósseo
Figura 3
Curetagem da lesão. sem sinal de lesão (Figura 12).

Figura 4
Instalação do monta- Figura 8
dor para promover o Enxerto autógeno +
torque. osso bovino.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):153-7 155 |


Rogério J. Scarpati | Gabriela Traldi Zaffalon | Silvia Maria Anselmo | Gerson Noro | Henrique Smanio Neto

proliferação, estágio em que o epitélio mostra-se esponjoso


e muito infiltrado por neutrófilos e macrófagos, de aspecto
claro, por vezes, em considerável número, de linfócitos e
plasmócitos que comparecem na parede fibrosa envolvendo
a estrutura.
Fendas preenchidas por colesterol, muitas vezes, as-
sociadas a células gigantes multinucleadas. O revestimento
Figura 9 do cisto é extremamente variado, de inicio, é um epitélio
Regularização do
defeito com autógeno
pavimentoso estratificado, irregular e espesso, porém, coma
+ biomaterial. maturação torna-se mais delgado e regular diminuindo a
inflamação na parede subjacente.
A natureza exata desses corpos não foi ainda deter-
minada, porém, são provavelmente, produtos de secreção de
epitélio odontogênico.
Apesar de vários autores terem alternativas diferentes
para o tratamento de lesão apical do implante, ainda não está
muito bem definida sua etiologia, porém algumas alterna-
tivas foram propostas para seu tratamento3. Este trabalho
Figura 10 propõe uma discussão sobre a possível origem provocada
Pós-operatório ime-
diato. pelos restos epiteliais de Malassez ou células com potencial
de desenvolvimento de cisto estimuladas pelos movimentos
extrusivos de Ortodontia ou o preparo sem a devida refrige-
caderno científico

ração, a possível contaminação do implante antes, durante


ou pós-operatórios. Também o tratamento com remoção da
lesão por curetagem e limpeza das espiras sem remoção do
ápice do implante, irrigação com soro fisiológico e colocação
de enxerto ósseo autógeno particulado colhido do túber em
contato com o implante e complementado com hidroxiapatita
bovina para regularização do defeito.
O trauma cirúrgico, a sobrecarga oclusal, que nesse
caso não existiu, e a infecção bacteriana podem levar ao
Figura 11 insucesso do implante2. Poderíamos dizer que a patologia no
Lesão apical evidenciado
na reabertura. ápice do implante, nesse caso, deveria ser de resíduos peria-
picais contaminados por bactérias provenientes do conduto
radicular do dente antes de sua extrusão ortodôntica11.
Seguimos o tratamento proposto em que as lesões
periapicais do implante normalmente estabelecem drenagem
de material purulento quando aplicada uma pressão gentil no
ápice do implante6, e que nesse caso não havia esse exsudato.
Mas antibióticos foram administrados antes da cirurgia para
diminuir a contaminação bacteriana, a completa remoção do
tecido granulomatoso foi realizada e o ápice não foi seccio-
nado para completa desinfecção da área, conforme descrito.
O preenchimento ósseo do defeito através de enxerto ósseo
Figura 12 autógeno foi realizado, e uma membrana oclusal reabsorvível
Pós-operatório após seis meses.
aplicada sobre o enxerto, após a regularização do defeito com
mistura de osso autógeno e hidroxiapatita bovina.
Discussão
Conclusão
Classificaríamos essa lesão como um cisto apical que
consiste de um granuloma periapical, com revestimento Notamos que apesar de lesões apicais já serem des-
irregular, de espessura variada, de epitélio odontogênico em critas, vale lembrar que a extrusão ortodôntica previamente

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Rogério J. Scarpati | Gabriela Traldi Zaffalon | Silvia Maria Anselmo | Gerson Noro | Henrique Smanio Neto

ao implante pode deixar resíduos de material com potencial eficiente, porém não é possível saber se obtemos a osseoin-
de gerar infecção cística ou granulomatosa. tegração nessa área.
A apicetomia do implante pode não ser necessária, a A lesão apical do implante tem diversos fatores etio-
conservação de todo corpo do implante é de grande impor- lógicos apesar de não estar bem definida o desenvolvimento
tância para sua estabilidade. dos cistos.
Que a limpeza e desinfecção das espiras devem ser
realizadas, porém ácidos ou outras drogas podem ser dis- Endereço para correspondência:
Rogério J. Scarpati
pensadas.
Rua Capitão José Maria. 1.330 - Centro
Usar enxerto ósseo autógeno sobre as espiras pare- 29900-017 - Linhares - ES
ceu ser importante par tentar uma regeneração óssea mais Tel.: (27) 3264-5131
scarpati@cdlvirtual.com.br

Referências
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their prevention diagnosis and treatment. Clin Oral Implants Res 2000; and Treatment. Compendium Newtown 16(8):768-77.

Tese de Mestrado

Da esquerda para direita.


Israel Chilvarquer, Henrique
Lederman, José Tortorelli
Júnior, Marise Lazaretti
Castro, Luís Ronaldo Picosse.

No dia 8 de março de 2007, o doutor José Tortorelli Júnior, defendeu tese de Mestrado para obtenção
do título de Mestre em Radiologia Clínica na Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina
– Unifesp/EPM, com o título “Avaliação comparativa entre a densidade óptica da mandíbula e o T-score do fêmur
e da coluna vertebral, obtido por meio da densitometria óssea, em pacientes candidatos a implantes dentários”.
A banca examinadora foi composta pelos professores doutores Israel Chilvarquer,
Henrique Lederman (orientador), Marise Lazaretti Castro e Luís Ronaldo Picosse.

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Trabalho Original

Considerações anatômicas relacionadas


à cirurgia do seio maxilar
Anatomic considerations regarding maxillary sinus surgery

José Ricardo Muniz Ferreira* Resumo


Guaracilei Maciel Vidigal Jr** A importância clínica e anatômica do seio maxilar em relação à
Eduardo Seixas Cardoso*** cirurgia para instalação de implantes é considerada neste trabalho,
através de uma revisão de literatura. Os aspectos ditos relevantes
pelos diversos autores, citados para o planejamento e execução do
acesso à cavidade do seio maxilar de maneira previsível e segura são
também enfocados
Unitermos - Seio maxilar; Membrana de Schneider; Anatomia; Face;
Implante dentário.

Abstract

caderno científico
Clinical and anatomic significance of maxillary sinus regarding implant
surgery is taken into account in this study, by means of literature review.
The aspects regarded as relevant by several authors mentioned concer-
ning planning and execution of the access to maxillary sinus cavity in a
predicable and safe way, was also considered.
Key Words - Maxillary sinus; Schneiderian membrane; Anatomy; Face;
Dental implantation.

Recebido em: out/2005


Aprovado em: set/2006
* Cirurgião-Dentista; Especialista em Periodontia pela Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas/SP.
** Coordenador do Programa de Pós-Graduação, Mestrado em Implantodontia da Escola de Odontologia da Universidade do Grande Rio - UniGran-
rio/RJ.
*** Professor do Programa de Pós-Graduação; Mestrado em Implantodontia da Escola de Odontologia da Universidade do Grande Rio - UniGranrio/RJ.

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José Ricardo Muniz Ferreira | Guaracilei Maciel Vidigal Jr | Eduardo Seixas Cardoso

Introdução condições sistêmicas, idade, sexo, desequilíbrio hormonal,


fatores metabólicos e inflamação10.
A freqüência de edentulismo maxilar é 35 vezes maior É propósito deste trabalho apresentar, por meio de
do que a mandibular entre pessoas edêntulas em apenas um uma revisão bibliográfica, considerações sobre a anatomia
dos arcos. Em mais de 20% da população acima de 18 anos de do seio maxilar e sua relação com as estruturas adjacentes
idade há ausência de dentes posteriores superiores em pelo de importância para o planejamento do acesso cirúrgico ao
menos um quadrante completa e parcialmente edêntulos15. antro sinusal.
Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde
(OMS) sobre as condições de saúde, divulgada em maio de Revisão de Literatura
2005, revelou que no Brasil há cerca de trinta milhões de
desdentados, e que somente 10,23% da população da faixa Leonardo da Vinci (1452-1519) desenhou e descreveu
etária entre 65 e 74 anos de idade possuem pelo menos 20 pela primeira vez o “[...] vácuo no osso da bochecha, onde
dentes na boca3. estão as raízes dos dentes” (Figura 3)4. O anatomista Inglês
Segundo alguns autores24, o advento da Implanto- N Highmore, em 1851, posteriormente, descreveu detalhada-
dontia, através do protocolo de Brånemark, abriu um vasto mente a cavidade do seio maxilar. Vários trabalhos clássicos
número de possibilidades para tratamento de pacientes sobre o seio maxilar foram apresentados posteriormente.
edêntulos. Entretanto, são muitas as contra-indicações para Entretanto, esses autores não relataram as possíveis variações
esse tipo de tratamento. Uma delas é a falta de altura óssea morfológicas do assoalho do seio. Poucos seios maxilares
suficiente para instalação de um implante, principalmente correspondem exatamente às apresentações descritas nesses
na região maxilar posterior (Figura 1). A necessidade de textos9,17.
buscar uma solução para conquista dessa região tem unido Sicher e Dubrul5,6,22 descreveram o seio maxilar como
esforços de clínicos e pesquisadores para minimizar os danos a mais ampla das cavidades paranasais (seio frontal, seio
caderno científico

anatômicos: a reabsorção óssea e a pneumatização sinusal14. esfenoidal e células etmoidais). Sua forma lembra uma pi-
Underwood26 (1910) relatou que o cirurgião deve conhecer râmide invertida limitada por quatro paredes ósseas finas,
com tolerável exatidão o tamanho do seio maxilar, o nível do cuja base está voltada para a parede lateral da fossa nasal e
assoalho e a presença e extensão dos septos (Figura 2). o vértice corresponde a apófise zigomática do osso maxilar
Após a perda dentária, o processo alveolar maxilar (Figura 4)9,12.
passa a sofrer reabsorção progressiva e irreversível que resulta Em um trabalho realizado por Kim et al12 (2003) foram
na perda substancial de massa óssea, tanto no sentido vertical apresentados os seguintes percentuais para os limites do seio
quanto horizontal10,16. Além disso, os processos de perda de maxilar: limite anterior – 58% em região de primeiro pré-
densidade e reabsorção óssea podem ser acelerados por molar; 33% em região de canino e 8% em região de segundo

Figura 1
Ilustração de uma
área edêntula com
projeção do seio
maxilar, diminuindo Figura 3
a área óssea Relação dos dentes
disponível para posteriores superiores
implantação. com o seio maxilar.

Figura 4
Figura 2 Ilustração
Peça anatômica evidenciando
ilustrando o seio o seio maxilar
maxilar e sua forma e sua relação
(material gentilmen- a estruturas
te cedido pelo Dr. adjacentes.
Sandro René Daróz). (Fonte: Kiscner,
2005).

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José Ricardo Muniz Ferreira | Guaracilei Maciel Vidigal Jr | Eduardo Seixas Cardoso

pré-molar; limite posterior – 94% em região de terceiro molar O septo sinusal foi primeiramente descrito por Un-
e túber; 6% em região de segundo molar. derwood26 em 1910. Podem variar em número, espessura,
A parede anterior do seio maxilar pode se estender até comprimento e podem dividir o seio em duas ou mais cavi-
a borda piriforme lateral do nariz. Pode servir como acesso dades, dificultando o acesso cirúrgico para enxertia11.
cirúrgico durante os procedimentos de Caldwell-Luc para A forma do seio pode sofrer grandes variações cons-
corrigir complicações sinusais. A parede superior do seio tituindo divertículos (palatino, zigomático, infra-orbitá-
maxilar representa o assoalho orbital. As manipulações rios)22. Importância prática especial tem o prolongamento ou
que incluem a parede superior não são indicadas durante divertículo alveolar, pois facilita a propagação dos processos
procedimento de enxerto sinusal. A parede posterior do seio inflamatórios dos dentes para o interior do seio. Os ápices
maxilar corresponde à região pterigomaxilar. A ausência da dos dentes posteriores podem se localizar, em alguns casos,
parede posterior pode sugerir a presença de tumores ou no interior do seio maxilar (Figura 6)7.
outras doenças. A parede mediana separa o seio maxilar da Várias estratégias foram apresentadas ao longo dos
fossa nasal, estando justaposta aos meatos médio e inferior. anos com o intuito de permitir a restauração da região pos-
O óstio maxilar está localizado na porção mais superior. terior da maxila16: inserir os implantes à frente, para traz,
É a principal abertura pela qual o seio maxilar escoa suas ou no sentido mediano evitando o seio maxilar; inserir os
secreções para o meato médio da cavidade nasal. A redução implantes perfurando o assoalho sinusal; utilizar implantes
da dimensão da estrutura do óstio para menos de 5 mm subperiósteos; executar enxerto ósseo interposicional e
pode criar um ambiente anaeróbio resultando em infecção implantes endósseos; elevar os seios durante a inserção do
sinusal. A parede lateral forma a região posterior da maxila implante; e executar a abordagem da parede lateral, o enxerto
e o processo zigomático. É essa parede que fornece acesso sinusal e a inserção do implante simultânea ou posterior
para o procedimento de enxertia sinusal11. (Figuras 7 – 9b).
A relação horizontal entre a parede inferior do seio

caderno científico
maxilar e as raízes dos molares maxilares foi classificada em:
Tipo 1 – A projeção está localizada do lado vestibular das
raízes vestibulares dos molares (20% das maxilas estudadas);
Tipo 2 – Entre as raízes vestibular e palatina (80% das maxilas
estudadas); Tipo 3 – Em direção ao lado palatino das raízes
palatinas dos molares (0% das maxilas estudadas)13.
Figura 7
O assoalho do seio maxilar é reforçado por septos Implantes
ósseos membranosos, que se unem em sentido oblíquo ou posicionados em
condição SA1 e SA2.
transverso nas paredes mediais e/ou laterais, como teias
desenvolvidas como resultado da transferência da tensão
dentro do osso, sobre as raízes dentárias (Figura 5)11.

Figura 5
Exame de tomografia
computadorizada
evidenciando os sep-
tos de Underwood. Figuras 8a e 8b
Implantes instalados em condição SA3.
(Fonte: gentilmente cedida pelo profes-
sor doutor Marcelo Manso).

Figura 6
Ilustração classifi-
cando os diferentes
tipos de projeção do
seio maxilar relacio-
nados às raízes dos
molares superiores.
(Fonte: Kwak et al,
2004).

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):159-63 161 |


José Ricardo Muniz Ferreira | Guaracilei Maciel Vidigal Jr | Eduardo Seixas Cardoso

Outras opções para tratamento com implantes em


áreas próximas ao seio maxilar são16: SA1 – Subantral. In-
serção convencional do implante quando há osso suficiente
em altura (12 mm-16 mm) e espessura (igual ou maior que
5 mm) para inserção de implante; SA2 – Subantral. Elevação
do seio maxilar (fechado), quando há espessura óssea sufi-
ciente, porém com déficit em altura de 2 mm a 4 mm. Nesses
casos é feita uma implosão cirúrgica do assoalho sinusal sem
rompimento da membrana; SA3 – Enxerto sinusal e inserção
Figuras 9a e 9b
Implantes instalados imediata do implante endósseo, quando há um mínimo
em condição SA3.
de altura e espessura para permitir a estabilização inicial
do implante (4 mm a 5 mm)14,20. Misch16 (2000), a partir de
1993, passou a aguardar um período de dois a quatro meses
(cicatrização inicial) após o enxerto sinusal para que os im-
plantes pudessem ser inseridos. Uma revisão de literatura
apresentada pelo autor sobre o índice de sucesso da inserção
simultânea do implante, indicou uma variação entre 75% e
97%; SA4 – Quando não há um mínimo de altura e/ou es-
pessura suficiente para estabilização do implante. Nesse caso,
após a cirurgia para levantamento do seio maxilar deverá ser
aguardado um período que poderá variar entre seis e dez
meses para instalação do implante16.
caderno científico

Uma alternativa para elevação do assoalho seio maxilar


com menor invasão e instalação imediata do implante e do
enxerto foi introduzida por Summers em 1994 (Figuras 10a
e 10b)21. Com auxílio dos osteótomos é criado um alvéolo
implantar e introduzido todo o material para enxertia. Os
osteótomos não devem penetrar do seio maxilar. Os re-
Figuras 10a e 10b sultados observados pelo autor em seu trabalho indicam
Técnica de Summers a necessidade de no mínimo 4 mm de osso residual, para
para instalação
de implantes em garantir a estabilidade primária do implante.
condição SA2.
(Fonte: Rosen et al,
1999). Discussão
A instalação de implantes endósseos na região poste-
rior da maxila tem-se tornado um procedimento comum nos
últimos anos, como resultado de uma melhor compreensão
da morfologia e fisiologia do antro maxilar e das proprie-
dades dos biomateriais de enxerto utilizados na cirurgia de
levantamento do assoalho do seio maxilar20.
Sobre a incidência de perfuração da membrana sinusal
Alguns autores24 propuseram como indicações para foi apontada uma variação entre 10% e 30%; entretanto, não
procedimento de levantamento de seio maxilar, situações identificou-se os fatores de risco relacionados à perfuração
de extremo livre na maxila com altura óssea insuficiente na da membrana18.
área edêntula ou maxilas totalmente edêntulas com altura Ueda et al25 (1992); Quiney et al19 (1990) relataram
óssea insuficiente. casos de sinusite causada por implantes deslocados ou que
São contra-indicações relativas para a cirurgia de penetraram em parte no seio maxilar. Existe relato de risco
levantamento do seio maxilar: convoluções no assoalho do de infecções maxilares com o procedimento de levantamento
seio, presença de septos, inchaço temporário da mucosa do de seio15. Entretanto, Brånemark2 (1985); Weingart28 (1996)
seio e estreitamento do seio. Contra-indicações absolutas relataram após experimento clínico que a penetração do ápice
são: presença de tumores no seio e cirurgias anteriores des- do implante no interior do seio maxilar e/ou cavidade nasal
trutivas (Caldwell-Luc)27. (sem enxertia) não causou maiores complicações ou menor

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José Ricardo Muniz Ferreira | Guaracilei Maciel Vidigal Jr | Eduardo Seixas Cardoso

índice de sucesso quando comparados a áreas implantadas pneumatização do seio maxilar se traduz em dificuldades
sem penetração na cavidade sinusal. Geiger8 (1977) instalou a serem superadas para reabilitação desses pacientes com
implantes cerâmicos que perfuraram o assoalho do seio implantes osseointegráveis. Variantes anatômicas também
maxilar, e após 11 semanas se mostraram cicatrizados, sem foram descritas e suas incidências consideradas para um
irritação e ancorados firmemente. Pacientes com ângulos planejamento de acesso ao antro sinusal mais seguro. Exames
formados no terço inferior do seio maxilar entre as paredes complementares como radiografia panorâmica e tomografia
lateral e medial dos seios maxilares iguais ou inferiores à computadorizada são também indicados com o objetivo de
30o representam maior risco para integridade da membrana tornar o ato cirúrgico mais preciso.
sinusal, durante o deslocamento coronal para instalação de
implantes e colocação de enxertos, exigindo do cirurgião Endereço para correspondência:
José Ricardo Muniz Ferreira
maiores cuidados5.
Rua Eurico de Aguiar, 130 - Sala 512 - Ed. Blue Chip - Praia do Canto
29055-280 - Vitória - ES
Conclusão Tel.: (27) 3345-1320
jrmunizferreira@uol.com.br

A atrofia maxilar ocorrida após a perda dos elementos


dentários superiores posteriores, junto com o processo de

caderno científico
Referências
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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):159-63 163 |


Trabalho Original

Reabilitação oral com implantes em


espaços endêntulos reduzidos – Relato de caso
Oral rehabilitation with implants in shortly edentulous areas case report

Paulo Vicente B. da Rocha* Resumo


Larissa Marques de S. Castro** Ausências de incisivos laterais muitas vezes vêm acompanha-
Luis Rogério Duarte*** das da dificuldade de uso dos implantes convencionais por
Márcio Marchionni****
ocuparem espaços menores que 6 mm. Esse trabalho mostra a
Miguel Setúbal****
Rosa Amoedo***** viabilidade da restauração com fixações cônicas que requerem
um espaço de 5 mm na cervical e de 4 mm na região apical,
através da apresentação de um caso clínico.
Unitermos - Implante dentário; Arcada parcialmente edentada;
Terapia.

caderno científico
Abstract
Most of the time abscences of lateral incisors are tough to restore
by using conventional implants due to their straight diameter. This
paper presents a case report showing the possibility of reconstuction
with conical fixtures wich requers a space of 5 mm and 4 mm in the
cervical and apical areas.
Key Words - Dental implants; Jaw edentulous partially; The-
raphy.

Recebido em: ago/2006


Aprovado em: fev/2007
* Doutor em Reabilitação Oral pela FOB/USP; Professor titular da UEFS/BA.
** Cirurgiã-Dentista, aluna do curso de Pós-Graduação em Cirurgia da EAP-ABO – Bahia.
*** Doutorando em Implantodontia e professor do curso de Implantodontia da FOB/UFBa.
**** Mestres em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial – PUC/RS.
***** Mestre em Prótese Dentária – Unitau/SP; Professora da Unime/BA.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):165-9 165 |


Paulo Vicente B. da Rocha | Larissa Marques de S. Castro | Luis Rogério Duarte | Márcio Marchionni | Miguel Setúbal | Rosa Amoedo

Introdução Este trabalho procura, a partir da execução de um caso


clínico, discutir a indicação, as vantagens e desvantagens
A consolidação dos conceitos de osseointegração e o cirúrgicas e as necessidades protéticas para a obtenção da
aprimoramento das técnicas cirúrgicas e protéticas têm tor- excelência estética dessa nova opção reabilitadora.
nado o tratamento com implantes a melhor alternativa nas
reabilitações totais e parciais da maxila e mandíbula. Porém, Caso Clínico
muitos fatores interferem no sucesso da Implantodontia, tais
como, biocompatibilidade, design e condições da superfície Paciente MSV, 23 anos, branco, gênero masculino,
do implante, estado do leito de recebimento, técnica cirúrgica apresentando boas condições sistêmicas e não fumante,
e condições para a aplicação de carga. apresentou-se à clínica com queixa principal da ausência do
Outro fator limitador nas reabilitações com implantes dente 1.2 e presença do 5.3 (Figura 2).
está no leito receptor que necessita se enquadrar nos padrões
mínimos de quantidade de osso, ou seja, 6 mm de espessura
vestíbulo-lingual e 7 mesiodistal e qualidade do mesmo com
densidade capaz de estabilizar convenientemente uma fixa-
ção. Na ausência desses critérios, recursos como cirurgias de
enxerto ou ortodontia podem adequar a área para a melhor
condição cirúrgica. Entretanto, algumas vezes, ainda que se Figura 2
tenha espessura suficiente e condições para movimentação Antes do tratamento
ortodôntico.
ortodôntica, esse artifício não se aplica pelo impedimento
estético, gerado pela necessidade de simetria (dente do
outro hemiarco) ou mesmo pelo tamanho do conjunto de Após análise radiográfica foi realizada exodontia da
caderno científico

dentes. Esse fato, comum nas reabilitações de incisivos la- unidade 5.3, e o paciente foi submetido a um tratamento
terais superiores e/ou incisivos inferiores impedia o uso dos ortodôntico visando obter um espaço adequado entre o
implantes ou gerava seqüelas indesejáveis provenientes do incisivo central e o canino superior direito. Este deveria ser
uso inadequado das fixações, provocando defeitos estéticos compatível com a largura do dente homólogo e permitir a
difíceis de serem contornados. posterior fixação de um implante na região.
Em função dessa demanda não atendida, novos O espaço adquirido com a ortodontia foi de 5,0 mm
componentes têm sido desenvolvidos com o objetivo de de largura e espessura na cervical, e de 4,0 mm entre as
preencher essa lacuna. Várias empresas já disponibilizam raízes (Figuras 3 e 4). Por apresentarem 3,0 mm de largura,
fixações com diâmetros inferiores aos tradicionais 3,3 mm e requisitarem um espaço edêntulo de 6,0 mm e não serem
com formato cônico, o que busca ser mais um facilitador, visto cônicos, o uso dos implantes convencionais de plataforma
que contempla áreas com reduzido espaço entre as raízes.
O Sistema Nobel DirectTM (Nobel Biocare, São Paulo,
Brasil) apresenta-se como uma das opções disponíveis,
(Figura 1). O componente possui uma filosofia inovadora,
pois além de permitir a instalação em espaços edêntulos
reduzidos, tem a proposta de ser um componente sólido,
impondo a restauração imediata, cimentada.

Figura 3
Espaço de 4 mm entre as raízes.

Figura 1 Figura 4
Nobel DirectTM Espaço cervical
(divulgação da empresa). de 5 mm.

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Paulo Vicente B. da Rocha | Larissa Marques de S. Castro | Luis Rogério Duarte | Márcio Marchionni | Miguel Setúbal | Rosa Amoedo

estreita seria inviável para o caso. Devido a essas limitações implante apresentou-se com boa estabilidade primária, não
optou-se pelo uso do sistema Nobel DirectTM. Trata-se de havendo intercorrências no ato de sua instalação.
uma opção inovadora com proposta diferente dos protocolos Ainda no momento da cirurgia foi conectado ao
convencionais, se apresentando como uma fixação que mais implante um componente plástico que foi adequadamente
se aproxima do dente natural, por ser uma estrutura sólida, preparado para a adaptação do provisório confeccionado com
onde a porção coronária e intra-radicular são integradas. a faceta vestibular de um dente de estoque e resina acrílica
Esse aspecto traz vantagens, mas tem algumas limitações (Figuras 8, 9 e 10).
tais como a excelência de proporcionamento do implante
uma vez que a margem de união é mínima.
Após análise radiográfica, percebeu-se que apesar do
espaço cervical ser adequado, no ápice, as raízes se apresen-
tavam com apenas 4,0 mm o que contra-indicaria o procedi-
mento, mas como a anatomia da fixação é cônica ainda seria
possível; entretanto, exigiria maior habilidade do operador.
O caso foi considerado apto para receber o implante Figura 8
Implante com
selecionado, apesar das limitações, o que exigiu planejamento componente
protético apurado, capaz de nortear a instalação da fixação e temporário.

posteriormente da coroa provisória em condições ótimas.


O procedimento cirúrgico consistiu na criação de um
alvéolo artificial onde foi instalado um implante de titânio
comercialmente puro, cônico, com tratamento de superfície
do tipo TiUnite (Nobel Biocare, Suécia) e de 3 mm x 13 mm

caderno científico
(Nobel Direct, Nobel Biocare, Suécia) (Figuras 5, 6 e 7). Mes-
mo o osso da região sendo classificado como do tipo III, o
Figura 9
Preparação da faceta
para a provisória.

Figura 5
Instalando
o implante.

Figura 10
Faceta em posição.

Após a cirurgia foi observada a conservação das papi-


las, assim como o condicionamento do tecido periimplantar
permitido pela presença do provisório. Este foi adaptado em
Figura 6
Avaliação
infra-oclusão, garantindo funcionalidade e não havendo
com o guia. aplicação de carga sobre o implante (Figuras 11 e 12).

Figura 7
Instalação Figura 11
do implante Provisório em
concluída. infra-oclusão.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):165-9 167 |


Paulo Vicente B. da Rocha | Larissa Marques de S. Castro | Luis Rogério Duarte | Márcio Marchionni | Miguel Setúbal | Rosa Amoedo

te, proporcionando estabilidade inicial e osseointegração


acelerada a longo prazo.
Do ponto de vista cirúrgico, a maior ressalva seria
a execução do procedimento sem incisão, o que exige do
operador habilidade e destreza.
Dentre as vantagens protéticas observadas, o mais
crítico é a ausência de término em chanfro e de análogos.
Figura 12
Vista frontal Quanto ao término, caso não seja feito nenhum desgaste, a
da provisória. possibilidade de presença de sobrecontorno é real, uma vez
que o componente possui geometria em lâmina de faca. O
Após seis meses em função foi confeccionada a prótese desejável seria o preparo e a obtenção de término em chan-
permanente em cerâmica pura (Sistema Procera) sobre o fro; entretanto, isso provoca uma redução da resistência do
implante sendo dispensado o uso de abutment, uma vez que componente e dificuldade maior no processo de moldagem e
o sistema Nobel Direct consiste numa peça única, implante- obtenção do modelo de trabalho, conseqüentemente, maior
abutment (Figuras 13 e 14). dificuldade de ajuste da coroa. Porém, ainda que não se faça
nenhum preparo, sente-se falta do análogo, o que facilitaria
o procedimento laboratorial.
Outro fator dificultador é a inexistência de dispositivo
auxiliar para moldagem, que poderia ser similar ao utilizado
no sistema Easy Abutment ou no Sistema Straumann, ou
seja, uma espécie de casquete de moldagem. Conseqüen-
temente, é inevitável a confecção de uma prótese com leve
Figura 13
caderno científico

Vista lateral sobrecontorno, o que pode causar comprometimento estético


da prótese em
cerâmica pura.
e inflamação gengival.
O mercado já dispõe de outros sistemas para áreas
edêntulas reduzidas, com diâmetro variando de 2 mm a 3 mm,
dentre eles o Unident (SIN - Sistema de Implantes Nacional)
que incorpora a vantagem do término em chanfro e porção co-
ronária, permitindo melhor travamento e estabilidade, além de
possuir um dispositivo de moldagem e análogo (Figura 15).

Figura 14
Vista frontal
do caso concluído.

O paciente foi acompanhado por um período de 12


meses, notando-se a ausência de complicações mecânicas
e/ou biológicas, além da manutenção do nível ósseo periim-
plantar durante o período de observação.

Discussão

As características do implante são de fundamental Figura 15
Unident (SIN-Sistema de
importância para o sucesso do tratamento, sendo que nos Implantes Nacional, SP, Brasil).
casos em que a magnitude máxima de osseointegração é
desejada, implantes com tratamento de superfície devem ser
considerados. No caso relatado foi usado implante cônico Apesar das dificuldades relatadas, os sistemas dis-
rosqueado com superfície tratada (TiUnite – Nobel Bioca- poníveis representam um grande avanço na reabilitação de
re, Suécia). Essa superfície possui poros que formam uma áreas reduzidas, antes impossíveis de serem reabilitadas com
estrutura para integração biológica e mecânica dos tecidos essa tecnologia.
moles e rígidos, conseqüentemente oferece uma maior área A utilização dos sistemas cerâmicos livres de metal
de superfície e resulta em maior contato inicial osso-implan- (Procera ou In-Ceram) agregam qualidade estética ao tra-

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Paulo Vicente B. da Rocha | Larissa Marques de S. Castro | Luis Rogério Duarte | Márcio Marchionni | Miguel Setúbal | Rosa Amoedo

balho, tornando-se, desta forma, viável a sua indicação. Por Conclusão


se tratar de um procedimento ainda inovador, estudos de
longo prazo devem ser implementados para que variáveis Os implantes unitários são uma realidade e podem ser
não perceptíveis in vitro sejam observadas. indicados desde que o cirurgião tenha habilidade e o caso seja
realizado respeitando os requisitos estéticos e funcionais.

Endereço para correspondência:


Paulo Vicente B. da Rocha
Rua Leonor Calmon, 256 - Sala 205 - Cidade Jardim
40290-110 - Salvador - BA

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caderno científico

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):165-9 169 |


Trabalho Original

Associação de prótese parcial removível


com implantes osseointegrados
Association of removable partial denture with supported implant-borne

Sarina Maciel Braga Pereira* Resumo


Sheila Pestana Passos* A associação de prótese parcial removível (PPR) com implantes
Alfredo Mikail Melo Mesquita** osseointegrados surgiu para minimizar o problema do duplo
Renato Sussumu Nishioka***
suporte existente nas PPRs convencionais que favorece a instabi-
lidade da prótese. O objetivo deste trabalho é fazer uma revisão da
literatura a respeito de PPR suportada por implantes, assim como
as características dessa associação e a sua viabilidade, levando em
consideração as exigências funcional e estética do paciente.
Unitermos - Implante dentário; Prótese parcial removível; Bio-
mecânica.

caderno científico
Abstract
Association of removable partial denture (RPD) with supported im-
plant-borne appeared to minimize the problem of the double existing
support in conventional RPD that favors the instability of prosthesis.
The objective of this work was to make a literature revision regar-
ding RPD supported implants, as well as the characteristics of this
association and its viability, considerating functional and esthetic
requirements of the patients.
Key Words - Dental implantation; Denture partial removable;
Biomechanics.

Recebido em: mai/2006


Aprovado em: jan/2007
* Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Odontologia Restauradora - Especialidade Prótese Dentária - Faculdade de Odontologia de São José
dos Campos - Unesp/ SP.
** Doutoranda do programa de Pós-Graduação em Odontologia Restauradora - Especialidade Prótese Dentária - Faculdade de Odontologia de São José
dos Campos - Unesp/SP.
*** Professor assistente do Departamento de Materiais Odontológicos e Prótese - Faculdade de Odontologia de São José dos Campos - Unesp/SP.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):171-5 171 |


Sarina Maciel Braga Pereira | Sheila Pestana Passos | Alfredo Mikail Melo Mesquita | Renato Sussumu Nishioka

Introdução magnitude do potencial das forças oclusais para projetar o


desenho da prótese e utilizar nos casos possíveis um suporte
A Odontologia moderna se depara com a introdução de implante adequado ou alterar o desenho da prótese, o que
de novas tecnologias e alternativas restauradoras, princi- seria conseguido aumentando o seu diâmetro e o número
palmente na área da estética e cirurgia. Entretanto, mesmo de implante.
com esse avanço tecnológico, as perdas dentárias causadas Assim, a associação de implantes osseointegrados
por cárie, problemas periodontais ou por trauma ainda são com PPR tem sido relatada na literatura como uma solução
considerados uma grande preocupação. Assim, principal- promissora na reabilitação oral de pacientes com extremida-
mente as perdas dentárias posteriores mandibulares sempre de livre, permitindo a eliminação do problema de alavanca
foram motivos de muitas pesquisas na área odontológica e da prótese parcial removível de extremidade livre (PPREL),
provavelmente ainda serão nas próximas décadas13,21. um maior conforto, melhor retenção e estabilidade dessas
Dessa forma, existe uma preocupação com a reabili- próteses e, conseqüentemente, melhora na função oral.
tação protética das extremidades livres realizada de forma Portanto, esse trabalho tem como objetivo fazer uma
convencional com a prótese parcial removível (PPR). De- abordagem da associação de PPR com implantes osseointe-
vido ao problema de duplo suporte, dental e mucoso, que grados e como essa associação pode melhorar a estabilidade
possuem resiliências diferentes, reagem de maneira diversa e retenção das PPR convencionais favorecendo a função
quando solicitado pelas cargas mastigatórias, gerando, con- mastigatória dos pacientes que, freqüentemente, encontram-
seqüentemente, um problema de alavanca 22. se insatisfeitos na clínica diária quando da utilização dessas
A extensão distal da PPR está sujeita às forças verti- próteses em extremidade livre.
cais, horizontais e torcionais que podem levar a problemas
durante as atividades funcionais e parafuncionais, afetando Revisão de Literatura
a retenção, estabilidade e suporte da prótese.
caderno científico

Uma das indicações para tentar solucionar esses casos Em uma das primeiras citações acerca de implantes
seria a utilização de prótese parcial fixa (PPF) em cantiléver; em extremidades livres afirmou-se que a utilização de im-
entretanto, esta tem eficácia limitada e discutível, por apre- plantes endósseos poderia originar um suporte aceitável e
sentar um comportamento biomecânico altamente desfavo- uniforme para o rebordo19, além de ser uma opção viável
rável, visto que gera tensões destrutivas para as estruturas do para a preservação de tecidos de suporte8.
periodonto de proteção e sustentação dos dentes suporte13. Alguns autores11 discutiram a associação de implantes
Com o surgimento dos implantes osseointegrados, a e PPR e definiram algumas funções dos implantes nesses
Odontologia ganhou mais uma opção de tratamento para casos: evitar a reabsorção do osso alveolar na área edêntula,
reabilitar pacientes com ausência ou com poucos dentes re- fornecer retenção adicional para a PPR, reduzir as tensões no
manescentes.Vários estudos longitudinais têm mostrado que dente suporte natural, reduzir o número de grampos neces-
os implantes osseointegrados têm funcionado com sucesso. sários para PPR e promover conforto para o paciente.
Dessa forma, eles são considerados uma excelente proposta Entretanto, muitas são as limitações para utilização
para reabilitação protética. de implantes como: reabsorção óssea gerada pelas perdas
Já se imaginava a utilização de implantes endósseos dentais, limitações anatômicas como o posicionamento da
para reabilitação das extremidades livres em substituição à parede inferior do seio maxilar ou do nervo alveolar inferior
PPR19. Dessa forma, os implantes osseointegrados têm sido e o fator financeiro6,20. No entanto, a associação de PPR
associados à PPR com intuito de melhorar a distribuição de com implantes osseointegrados é uma excelente opção na
forças adversas7. reabilitação das extremidades livres em substituição à PPR
Entretanto, o tratamento com implantes osseointegra- convencional, pois pode atenuar o problema de alavanca e
dos possui algumas limitações: idade, condições orgânicas diminuir o custo do tratamento7,11,14,21.
do paciente, altura ou largura óssea insuficiente na região Alguns trabalhos na literatura relataram a variação no
posterior devido à reabsorção óssea gerada pelas perdas tamanho e comprimento do implante7,18. Como a sobrecarga
dentais ou por limitações anatômicas, necessidade de cirur- em implantes atuando apenas como suporte ou mesmo
gias invasivas previamente à colocação dos implantes como retenção de PPR é menor, implantes mais curtos podem
levantamento de seio maxilar, desvio do canal mandibular, ser eficazes11.
técnicas de enxerto ósseo na região. Como fator limitante, Em um relato de um caso clínico em que associou-se
tem-se também o fator financeiro, pois esse tipo de trata- PPR com implante na mandíbula, afirmou-se que a incorpo-
mento eleva o custo quando comparado à reabilitação com ração de implantes no plano de tratamento resultou em uma
PPR convencional. melhora no suporte vertical e estabilidade para o segmento
É importante que o clínico tenha conhecimento da de extensão distal da PPR, pois limitou o movimento da

| 172 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):171-5


Sarina Maciel Braga Pereira | Sheila Pestana Passos | Alfredo Mikail Melo Mesquita | Renato Sussumu Nishioka

prótese quando a oclusão posterior é solicitada 8. devido à deformação geral do osso em resposta à aplicação
Assim, sobredentaduras suportadas por implantes de carga.
osseointegrados podem ser utilizadas para restaurar severas Como o implante colocado na região molar abaixo de
reabsorções alveolares e possuem a vantagem de permitirem uma PPREL irá estabilizar a prótese verticalmente, alguns
a sua remoção para a higiene. autores afirmaram que nessa situação possam ser mais es-
Alguns autores1 relataram uma reabilitação oral com a treitos e curtos do que os necessários para suportar uma PPF.
utilização do suporte dos dentes remanescentes e implantes As funções potenciais dos implantes nessa associação são:
mal posicionados combinados com uma sobredentadura com prevenir a reabsorção óssea abaixo da base da PPR, reduzir
barras. A utilização desse tipo de prótese foi relatada com o estresse sobre o dente suporte natural, reduzir o número
sucesso, pois apresentou características similares à prótese de grampos necessários para a PPR e melhorar o conforto
fixa e é recomendada para pacientes com higiene oral com- do paciente.
prometida ou com implantes mal posicionados. Também ressaltaram que o implante deve se localizar o
Em um estudo foi avaliado o desenho da PPR e afir- mais posterior possível para prover estabilidade máxima11.
mou-se que a situação ideal é a transmissão axial de forças3. Um dispositivo usado para overdenture foi associado
Os movimentos de uma PPR dependem da localização dos a uma PPREL no intuito de otimizar o suporte, pela redução
apoios, que determinam o eixo de rotação; dos grampos, que dos efeitos de forças adversas. Foi utilizado um implante na
de acordo com o eixo de rotação, podem aplicar torque aos região posterior inferior, com encaixe do tipo ERA sobre o
dentes suporte e da oclusão que pode ocasionar movimentos implante, e foi enfatizado que o ideal é localizar o implante
de translação. Assim, em PPREL o dente suporte é subme- mais distalmente possível 7.
tido a várias forças de deslocamento ou pressão durante Em um estudo foi analisado o comportamento biome-
movimentos funcionais, e um dos fatores envolvidos nessa cânico da PPR apoiada sobre um implante na região distal,
movimentação é o desenho do grampo utilizado22. através do método dos elementos finitos bidimensional 13.

caderno científico
Na associação de PPF suportada por dente e implante Os modelos representaram um segmento mandibular de
osseointegrado em extremos livres ocorre a união de dois primeiro pré-molar até papila retromolar com ausência do
elementos que possuem resiliências diferentes: o dente e o segundo pré-molar e dos molares, e com presença de implan-
implante. Essa conexão entre dentes naturais e implantes, te 7,00 mm x 3,75 mm na região do segundo molar. A carga
na associação com PPR, apresenta algumas vantagens como: aplicada nos modelos foi vertical e de 100 N. Foram variadas
controle do estresse pelas fixações e pelos dentes naturais, as conexões entre dente-suporte e a PPR, bem como entre
resistência, controle de placa, estética e melhor prognós- implante e PPR, e observou-se que o encaixe rígido entre
tico em casos com poucos dentes remanescentes. Como dente suporte e PPR, em relação ao semi-rígido, transmite
desvantagens, pelo fato de ser uma prótese removível, a maiores tensões ao dente-suporte e diminui as tensões sobre
complexidade do desenho e custo laboratorial5. a fibromucosa e sobre o implante. Observou-se, também,
Assim sendo, pode existir um comprimento e largura que a vinculação de PPR com implantes diminui o momento
ideais de implante ou, no mínimo, suficientes, para serem fletor transmitido ao implante e aumenta as tensões trans-
utilizados como suporte ou retenção em associação a uma mitidas na fibromucosa e dente suporte e que a fibromucosa
PPREL inferior e que tragam benefícios ao paciente, como será mais solicitada quanto maior a área de contato com a
maior conforto e estabilidade da PPR22. PPR e menos tensões transmitidas para outras estruturas.
Foram avaliados a influência da presença de barra Em um outro estudo foi analisado o comportamento
de conexão entre implantes, o comprimento dos implantes também através do método dos elementos finitos bidimen-
e a altura da mandíbula na distribuição e quantidade de sional 21, através da distribuição das tensões nas estruturas
estresse no osso ao redor de implantes pelo método dos de suporte da PPREL associada a um implante osseointe-
elementos finitos bidimensional16. Simularam uma secção grado de 10 mm x 3,75 mm. Foram criados três modelos que
frontal de uma mandíbula desdentada com dois implantes simularam a associação de implantes com PPR. Concluíram
fixados na região do canino de cada lado. Aplicaram-se que a presença da PPREL proporcionou maiores valores de
forças verticais de 100 N sob várias condições e concluíram tensão para as estruturas de suporte e que a presença do
que a maior concentração de estresse se localizou no osso implante osseointegrado proporcionou suporte para a base
cortical próximo à plataforma do implante, a presença da da PPREL, diminuindo a intrusão desta sobre a fibromucosa,
barra causou um valor de estresse compressivo maior do promovendo menores níveis de tensão na porção posterior
que quando ela não está presente e introduzir extensões do rebordo. E também que a presença do implante não
na barra não melhora a distribuição de estresse. O compri- favoreceu a redução da concentração de tensão no dente
mento dos implantes tem pouca influência na quantidade suporte, adjacente ao espaço protético.
de estresse e a altura da mandíbula tem grande influência Os sistemas de attachment são usados com sucesso

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):171-5 173 |


Sarina Maciel Braga Pereira | Sheila Pestana Passos | Alfredo Mikail Melo Mesquita | Renato Sussumu Nishioka

para aumentar a retenção em sobredentaduras. Os atta- de sistemas de retenção entre a PPR e coroas adjacentes ao
chments de magneto apresentam algumas desvantagens, espaço protético6,12.
como seu tamanho, pouca resistência a forças laterais e a Notou-se que o implante provê retenção adicional à
possibilidade de corrosão fazendo com que o magneto perca PPR nessa associação, visto que é possível a confecção de
a retenção gradualmente. Uma vantagem da utilização dos PPR com menor quantidade de grampos ou ausência deles.
magnetos em relação aos outros attachments mais estudados Quando os implantes estão localizados na distal de extremi-
ou O-rings é que eles não necessitam de paralelismo, não dades livres extensas deve-se ter o cuidado de confeccionar
apresentam partes que estão sujeitas à fadiga ou fratura e PPRs com grampos para não comprometer a retenção e
não transmitem forças laterais danosas10. estabilidade do conjunto.
A longevidade do tratamento envolvendo PPR supor-
Discussão tada por implante está diretamente relacionada à sobrevida
do implante. Em um estudo não verificou-se reabsorção
Para se avaliar a biomecânica de uma PRR implanto- óssea ao redor do implante após 14 meses9, em um outro,
dentossuportada, pode-se utilizar o método de elementos após três anos20, assim como também nenhum problema
finitos 13,21,22 ou o método da fotoelasticidade 14. Este último na osseointegração do implante foi observada15. Todos os
consiste em uma observação visual das tensões causadas a trabalhos relataram satisfação do paciente e a grande maioria
partir da aplicação de cargas sobre a região correspondente à deles já utilizavam PPR convencional, sendo bastante sig-
localização do implante no modelo confeccionado com resina nificativo o conforto funcional proporcionado pelo segundo
fotoelástica. A confiabilidade deste método irá depender tratamento2,4,6,7,9,11,15.
do tipo de estudo que será feito, visto que tensões do lado
oposto ao da aplicação da força e nos dentes suporte não são Conclusão
visualizadas com a aplicação de cargas de até 10 kg14.
caderno científico

Há uma grande variedade de dimensões de implante A associação de prótese parcial removível com implan-
utilizado nessa associação, visto que uma PPR pode ser su- tes osseointegrados é ainda uma terapêutica inexpressiva em
portada por implantes curtos, diferente do que ocorre nos relação às outras alternativas de tratamento, destacando-se a
casos de prótese fixa implanto-suportada11. Um implante de prótese parcial fixa suportada por implante e a prótese parcial
4,1 mm x 16 mm foi utilizado9 e em outro caso um implante removível convencional. Não estão definidas na literatura as
de 3,3 mm x 8,0 mm 7 foi utilizado. A grande diferença nessas características do implante para atender aos requisitos dessa
dimensões foi justificada pela disponibilidade óssea, pois o associação, como comprimento e diâmetro, presença ou au-
protocolo geralmente seguido é que se utilizem implantes sência de grampos na PPR e as suas indicações. São poucos
de maior comprimento possível. Portanto, dentro dos limites os estudos na literatura envolvendo esse tipo de associação;
fisiológicos, quanto maior o diâmetro e comprimento dos portanto, são necessários mais trabalhos de pesquisa para
implantes, mais favorável será a distribuição do estresse. elucidar algumas questões relacionadas a tal situação, como
Alguns autores 8,11 relataram um caso clínico em os critérios para a conduta clínica e as conseqüências a longo
que uma PPR Classe I de Kennedy foi confeccionada com prazo, visto que os dados da literatura refletem experiências
número reduzido de grampos. É possível a confecção da individuais.
PPR associada a implantes com ausência de grampos como
apresentado num caso Classe III de Kennedy1, assim como Endereço para correspondência:
Sarina Maciel Braga Pereira
em uma PPR de extremidade livre em que os implantes loca-
Rua Coronel Madeira, 177 - apto 44 - Centro
lizavam-se vizinhos aos dentes remanescentes4. A presença 12245 760 - São José dos Campos - SP
ou ausência de grampos na PPR está relacionada ao número Tel.: (12) 3911-1902
e posição dos dentes e dos implantes, assim como a presença sarambp@terra.com.br

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Sarina Maciel Braga Pereira | Sheila Pestana Passos | Alfredo Mikail Melo Mesquita | Renato Sussumu Nishioka

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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):171-5 175 |


Trabalho Original

Avaliação do sucesso de levantamentos de seio


maxilar utilizando osso autógeno particulado e
Gen-ox inorgânico associados em partes iguais (1:1)
Avaliation the success of sinus lifting with autogeno bone
and Gen-ox-inorganico in proportion 1:1

Rafael Manfro* Resumo


Walter Rosa Nascimento Júnior** A técnica do levantamento de seio maxilar permite instalação de
implantes em deficiências de altura na região posterior da maxial.
Os autores apresentam 20 levantamentos de seio maxilar realizados
com associação de osso autógeno e de osso xenógeno inorgânico
bovino (Gen-ox).

caderno científico
Unitermos - Implantes dentários; Levantamento de seio; Osso xe-
nógeno inorgânico bovino.

Abstract
The sinus lifting is the technique more used to allow the installation of
implantations in the posterior region. The authors present a series of 20
cases of sinus lifting to fill with autogeno bone and xenógeno bone anor-
gânico bovine bone(Gen-ox).
Key Words - Dental implant; Sinus lifting; Anorganic bovine bone.

Recebido em: jun/2006


Aprovado em: jan/2007
*Mestre em Implantodontia - Unisa/SP; Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial - UFSC.
**Mestre em Implantodontia - Unisa/SP; Especialista em Periodontia.

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Rafael Manfro | Walter Rosa Nascimento Júnior

Introdução Protocolo pré-operatório

A reabilitação da região posterior da maxila é um Após serem submetidos a uma avaliação pré-ope-
dos maiores desafios da Implantodontia atual. A presença ratória sistêmica, foram solicitados modelos em gesso e
do seio maxilar, algumas vezes, pneumatizados associado radiografias panorâmicas. Após enceramento progressivo
à reabsorção fisiológica do rebordo alveolar edêntulo di- e determinação do posicionamento dos implantes foram
minuem a altura óssea na região, muitas vezes, impossi- medidas a quantidade de osso remanescente na região a ser
bilitando a instalação de implantes osseointegrados pelo instalada. Se a quantidade de osso fosse considerada suficien-
método tradicional. te para obter um travamento inicial mínimo o implante seria
Muitas técnicas são descritas para reabilitar pacientes instalado em um único estágio (Grupo 1), se não houvesse
com a região posterior da maxila atrófica. Implantes zigomá- osso suficiente os implantes seriam instalados cinco meses
ticos, ancorados no processo pterigóide da maxila, inclinados após a enxertia (Grupo 2).
desviando do seio maxilar são algumas das alternativas Os pacientes que fizeram nos dois dias anteriores a
relatadas na literatura2,4,22. cirurgia foram submetidos a inalação com Vicky Vaporubi.
A técnica do levantamento de seio maxilar é o trata- No dia anterior iniciou-se bochechos com Gluconato de
mento mais realizado para maxila posterior atrófica. Apre- Clorexidine a 0,12%. Três horas antes foi ministrado 8 mg de
sentando um sucesso em torno de 95% a 97%5,7,9,17,18,20,21. dexametazona por via oral e uma hora antes 1 g de Cefadro-
Muitos trabalhos apresentam materiais de preen- xil também por via oral. Após a cirurgia os pacientes foram
chimento na cavidade sinusal associados ou não ao osso mantidos com o Cefadroxil por sete dias (dois dias com 1 g
autógeno. Atualmente a busca é por um material que possi- e cinco dias com 500 mg). O controle da dor foi conseguido
bilite a formação de um osso que permita a ancoragem das com Cetaprofeno 100 mg por três dias. No quarto dia de
fixações e que tenha a menor morbidade ao paciente5,7,8,9,10, pós-operatório os pacientes reiniciaram a inalação, sendo
caderno científico

11,12,13,15,16,17,18,20,21,23
. mantida até o sétimo dia de pós-operatório.
Diversos trabalhos na literatura comprovam o suces-
so dos ossos xenógenos inorgânicos bovinos sozinho ou Técnica cirúrgica
associados ao osso autógeno para este tratamento5,7,8,9,12,13,
16,17,18,20,21,23
. A incisão foi realizada dependendo da instalação ime-
O objetivo deste trabalho foi avaliar a quantidade de diata dos implantes ou não. No Grupo 1 a incisão foi feita na
osso formado pela técnica do levantamento de seio maxilar crista alveolar, enquanto que os do Grupo 2 a incisão foi rea-
traumático, quando utilizado como material de preenchi- lizada no fundo de sulco. Após descolamento subperostal foi
mento o osso xenógeno inorgânico bovino (Gen-ox), associa- realizada a osteotomia para acesso ao seio maxilar com broca
do ao osso autógeno removido de corpo/ramo mandibular, e esférica número 8. A osteotomia superior distava 15 mm em
avaliar o sucesso de osseointegração dos implantes instalados relação a crista do rebordo. Um descolamento da membrana
nas áreas enxertadas. foi cuidadosamente realizado expondo a parede lateral da ca-
vidade nasal. Uma membrana de colágeno bovino foi colocada
Materiais e Métodos com o objetivo de delimitar a cavidade a ser preenchida por
osso e tratar possíveis microperfurações da membrana não
Seleção de pacientes observadas. Perfurações pequenas foram tratadas apenas com
a membrana de colágeno bovino (Gem-derm). Perfurações
Entre março de 2004 e junho de 2005 foram seleciona- maiores quando possíveis foram suturadas e recobertadas
dos pacientes que apresentavam perda dos elementos dentais com membrana de colágeno. As que não foram possíveis de
posteriores da maxila com indicação para reabilitação com serem fechadas as cirurgias forma abortadas.
implantes osseointegrados e que necessitavam de levanta- O enxerto foi obtido de corpo e ramo mandibular.
mento de seio maxilar para instalação dos mesmos. Após uma incisão sobre a linha oblíqua externa da mandíbula
Foram descartados pacientes com indicações absolu- foi removido um bloco com brocas de fissuras número 701.
tas para o tratamento. Pacientes fumantes e portadores de Após removido este bloco foi particulado com particulador
sinusite crônica foram incluídos no trabalho. Os fumantes específico (Signus Vince). Este enxerto foi então adicionado
foram aconselhados a diminuir a quantidade cigarros fuma- osso xenógeno inorgânico bovino (Gen-ox inorgânico) numa
dos porém sem nenhum protocolo especial. Os pacientes proporção de 1:1 e misturados com pouca quantidade de
portadores de sinusite foram avaliados inicialmente por um soro fisiológico 0,9%.
especialista em otorrinolaringologia. Essa mistura obtida foi instalada na cavidade previamente
preparada através do levantamento de seio maxilar. No Grupo 1

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Rafael Manfro | Walter Rosa Nascimento Júnior

o implante foi instalado neste estágio enquanto que no Grupo 2 dados fossem reais. A diferença entre a medida 2 e a medida
o seio foi preenchido apenas com a associação de osso autógeno 1 foi considerada o ganho através da técnica de levantamento
e osso xenógeno inorgânico bovino. A janela lateral foi fechada de seio maxilar.
com a mesma membrana de colágeno bovino (Gem-derm) e A osseointegração dos implantes foi avaliada na ci-
as suturas foram realizadas com Vicryl 5-0 (Ethicon). rurgia de segundo estágio e durante os estágios de confecção
Nos pacientes do Grupo 1 as cirurgias de reabertura das próteses sobreimplantes. Se os implantes não falharam
foram realizadas seis meses após a instalação dos implantes. No até a colocação das próteses definitivas em função foram
Grupo 2 os implantes foram instalados cinco meses após a en- considerados osseointegrados.
xertia e colocados em função seis meses após sua instalação.
Resultados
Avaliação dos resultados
No período de março de 2004 a junho de 2005 foram
Os resultados tiveram como objetivo avaliar a quanti- tratados, através da técnica proposta, 13 pacientes com 20
dade de osso formado e a osseointegração do implantes. seios maxilares enxertados e 30 implantes instalados.
Para avaliar a quantidade de osso formado foi realizado Dos seios maxilares dez foram tratados em dois está-
uma superposição da radiografia panorâmica inicial com uma gios e os outros dez foram tratados em um estágio. Em um
segunda radiografia realizada na mesma clínica radiológica. caso específico um dos implantes foi instalado em um estágio
Todas as radiografias apresentavam distorção constante de e um segundo foi instalado em dois estágios.
25%. No Grupo 1 a segunda radiografia foi obtida após seis Durante a cirurgia quatro casos apresentaram per-
meses e no Grupo 2, após cinco meses. furação da membrana sinusal e estas foram tratadas com
A superposição foi realizada em papel acetado e os tra- membrana de colágeno. Um caso de perfuração foi tratado
çado foram realizados com grafite 0,5 mm. Para manter a po- através de sutura da membrana sinusal e membrana de

caderno científico
sição das radiografias durante a superposição foram mantidas colágeno simultaneamente.
constantes as estruturas que não sofreram alterações, como o
Quadro 1 - Casos do Grupo 1 (implantes realizados em um
contorno da tuberosidade maxilar e dentes remanescentes. estágio) com as medidas do rebordo inicial. Rebordo após a
Na região da instalação de cada implante obteve-se enxertia, percentual de aumento e implantes instalados

uma medida inicial, correspondente a altura óssea inicial, da Implantes


Caso rebordo inicial rebordo final % aumento
crista do rebordo até a parede inferior do seio maxilar, e uma Tamanho marca
segunda medida correspondente a altura da crista do rebordo 3,19 13,44 421,31% 13 x 3,75 SIN
até o final do enxerto. As medidas foram realizadas com pa- 01
7,98 14,18 177,69% 13 x 3,75 SIN
químetro digital com duas casas decimais (Figuras 1 e 2). 6,81 15,55 228,34% 13 x 3,75 SIN
Estas medidas foram diminuídas em 25% para que os 02
4,27 14,53 340,28% 11,5 x 3,75 SIN
2,77 14,52 524,18% 13 x 3,75 SIN
03
3,44 13,88 379,23% 8,5 x 3,75 SIN
3,78 14,97 396,03% 11,5 x 3,75 SIN
04
3,66 13,84 378,14% 11,5 x 3,75 SIN
Figura 1
Radiografia pré- 05 4,16 11,86 285,09% 11,5 x 3,75 SIN
operatória à cirurgia
de enxerto. A linha
corresponde a medi- 7,14 13,67 191,45% 11,5 x 3,75 SIN
da inicial tomada na 06
posição da instalação 4,53 14,32 316,11% 11,5 x 3,75 SIN
futura do implante.

07 7,26 14,41 198,48% 11 x 3,5 Ankylos

08 7,43 16,27 218,97% 14 x 3,5 Ankylos

Figura 2
09 5,67 14,44 254,67% 14 x 3,5 Ankylos
Radiografia pós-ope-
ratória a enxertia. A 6,72 16,22 241,36% 14 x 3,5 Ankylos
linha corresponde a 10
medida final também 6,98 17,49 253,47% 11 x 4,5 Ankylos
tomada na posição
da instalação futura média 5,36 14,59 300,3%
do implante.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):177-81 179 |


Rafael Manfro | Walter Rosa Nascimento Júnior

Quadro 2 - Casos do Grupo 2 (implantes realizados em dois 10 mm com exceção do caso número 3 do Grupo 1 em que um
estágios) com as medidas do rebordo inicial. Rebordo após a
enxertia, percentual de aumento e implantes instalados dos implantes foi de 8,5 mm de comprimento (Tabela 3).
Todos os 30 implantes instalados estavam osseointe-
Implantes
Caso rebordo inicial rebordo final % aumento grados durante a cirurgia de reabertura e permaneceram até
Tamanho marca
a instalação das próteses definitivas, resultando em 100% de
01 1,14 14,13 1239,47% 15 x 4,5 SIN osseointegração primária.

02 2,43 14,54 598,35% 15 x 4,5 SIN Discussão


03 4,08 13,34 326,96% 13 x 4,5 Dentoflex
A técnica de levantamento de seio maxilar é uma das
04 3,28 14,13 430,79% 10 x 4,0 Dentoflex técnicas mais utilizadas para o tratamento da maxila posterior
atrófica. Diversos trabalhos apresentam sucessos superiores
05 3,01 10,51 349,16% 10 x 4,0 Dentoflex a 90%5, 7, 9, 17, 18, 20, 21.
2,50 9,90 396% 10 x 4,0 Dentoflex Diversas matérias são descritas na literatura com altos
06 índices de sucesso. O material mais utilizado e pesquisado
3,36 11,25 334,82% 10 x 4,0 Dentoflex
2,61 13,48 516,47% 15 x 3,75 SIN é o osso xenógeno inorgânico de origem bovina, associado
07 2,54 13,61 535,82% 13 x 3,75 SIN ou não ao osso autógeno5, 7, 8, 9, 12, 13, 16, 17, 18, 20, 21, 23.
0,39 6,84 1753,84% 10 x 3,75 SIN McAlilister et al15 (1998) demonstraram que o osso
bovino mantém maior volume e densidade a longo prazo
08 2,60 12,59 484,23% 14 x 3,5 Ankylos que o osso autógeno.
3,51 13,15 374,64% 14 x 3,5 Ankylos Schlegel et al19 (2003) demonstraram que os implantes
09
5,51 14,41 261,52% 14 x 3,5 Ankylos instalados em levantamentos de seio maxilar preenchidos
caderno científico

com osso xenógenos inorgânicos bovinos apresentaram maior


10 1,71 13,99 818,12% 14 x 3,5 Ankylos
contato ósseo que nos enxertados com osso autógeno.
média 2,76 12,56 601,44% Manfro14 (2005); Fonseca6 (2005), em modelos expe-
rimental em coelhos demonstraram o poder osteocondutor
do Gen-ox sozinho ou associado ao osso autógeno.
Quadro 3 - Comprimento dos implantes instalados nos
Grupos 1 e 2 A opção pela associação com o osso autógeno ocorreu
Tamanho dos Quantidade de Implantes por não haver pesquisas suficientes com os biomateriais
implantes Grupo 1 Grupo 2 Total nacionais que nos dêem segurança na sua utilização sem
associação.
8,5 01 - 01
O caso 7 do Grupo 1 e caso 8 do Grupo 2 correspondem
10 - 05 05 ao mesmo levantamento de seio maxilar. A região anterior
apresentava rebordo residual de 7,26 mm, permitindo anco-
11 08 - 08
ragem inicial para o implante, enquanto que na posição mais
13 04 02 06 distal o rebordo residual era de 2,60 mm, insuficiente para ins-
talar o implante. Como foi instalada outra fixação anterior ao
14 03 04 07
seio optou-se pela realização do implante mesial, permitindo
15 - 03 03 a confecção de uma prótese provisória com os dois implantes
anteriores enquanto o posterior osseointegrava.
Total 14 16 30
O percentual de aumento em ambos os grupos foi
significativo. No Grupo 1 (1 estágio) o aumento foi menor
Nenhum dos pacientes apresentou complicações em virtude de maior quantidade de rebordo inicial e menor
pós-operatórias que necessitassem alteração de medicação necessidade de aumento. No Grupo 2 os casos 1 e 7 no
e/ou intervenção pós-operatória após o procedimento de terceiro implante e dez apresentaram os maiores aumentos
enxertia. Um paciente apresentou princípio de sinusite após percentuais, principalmente pela pequena quantidade de osso
a instalação dos implantes. Esta foi tratada com inalação e remanescente no rebordo alveolar. Estes casos eram os de
antibioticoterapia por um maior período. maior dificuldade e os casos 1 e 10 foram instalados implantes
O aumento médio obtido foi de 601,44% no Grupo 2 de 15 mm e 14 mm de comprimento, respectivamente.
e 300,3% no Grupo 1 (Tabelas 1 e 2). Em todos os vinte casos observou-se um aumento no
O aumento da altura óssea alveolar obtida pela técnica volume ósseo suficiente para permitir a reabilitação desejada.
possibilitou a instalação de implantes com tamanho superior a Segundo Bruggenkate et al3 (2005), os implantes na região

| 180 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):177-81


Rafael Manfro | Walter Rosa Nascimento Júnior

posterior da mandíbula devem ter no mínimo 10 mm de com- Todos os implantes estavam osseointegrados após a
primento. Apenas em uma situação foi necessária a instalação cirurgia de reabertura e instalação das próteses provisórias.
de implante menor que 10 mm. No caso 3 do Grupo 1 não Muitos destes casos já apresentam um ano de função e estão
havia espessura suficiente na região determinada para a ins- dentro dos critérios de sucesso propostos por Albrektson et
talação do implante, sendo necessária a expansão alveolar. Por al1 (1986).
tratar-se de um osso tipo III a expansão tornou-se difícil: acima
dos 8,5 mm. Como o mesmo caso apresentava dois implantes Conclusão
instalados anterior a este, e um posterior e todos foram unidos,
acreditamos que o tamanho deste implante não apresentará A associação do osso autógeno com o Gen-ox inor-
problema. O caso 7 do Grupo 2, a altura formada na região do gânico bovino permitiu aumento de volume ósseo em téc-
terceiro implante foi de apenas 7,6 mm. Optou-se pela técnica nicas de levantamento de seio maxilar e todos os implantes
de levantamento atraumático de seio maxilar, permitindo a instalados tiveram osseointegração primária.
instalação de um implante de 10 mm de comprimento.
O uso da inalação pré e pós-operatória apresentou bons Endereço para correpondência:
Rafael Manfro
resultados quanto à prevenção de infecção, já que não ocorreu
Av. XV de Novembro 371 - Sala 1.102
em nenhum dos casos, apenas na instalação dos implantes de 89600-000 - Joaçaba - SC
um caso onde não utilizamos este procedimento. manfrobucomaxilo@hotmail.com

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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):177-81 181 |


Trabalho Original

Avaliação do desajuste de intermediários nacionais


sobre o implante padrão Brånemark
Evaluation of interface fit of brazilian abutment to Brånemark system implants

Frederico Goulart de Oliveira Silva* Resumo


André Lins Correa da Costa** A adaptação passiva das próteses sobreimplantes é um fator fundamental para a obtenção do
Daniel Marques das Neves** sucesso no tratamento com implantes osseointegráveis e a precisão desta adaptação é uma das
Marcelo Lucchesi Teixeira***
etapas mais discutidas, tanto na parte clínica quanto na laboratorial, sendo essencial à correta
Milton Edson Miranda****
distribuição das tensões que acometem os implantes e suas estruturas de suporte durante a
função. Devido ao alto índice de sucesso no tratamento com implantes, diversos sistemas de
implantes estão disponíveis no mercado e muitos desses sistemas alegam ser compatíveis com
o sistema Brånemark, pioneiro e tido como modelo padrão. Assim, o presente trabalho avaliou
a adaptação de intermediários do tipo multi-unit de três sistemas de implantes nacionais em
relação ao implante Brånemark MK3, plataforma regular, do sistema Nobel Biocare®, que
também foi avaliado como grupo controle. Foram avaliados cinco espécimes de cada grupo,
realizando-se medições em quatro pontos ao redor da interface implante/intermediário. A
análise da desadaptação foi realizada com microscópio cirúrgico e câmera digital, totalizando
um aumento analógico de 80 vezes, e quantificada com auxílio de um programa de computador

caderno científico
específico para essa tarefa. Os resultados encontrados foram: Grupo 1 (Neodent®) 11,58 µm;
Grupo 2 (SIN®) 15,41 µm; Grupo 3 (Titanium Fix®) 17,41 µm e Grupo Controle (Nobel Biocare®)
9,58 µm. Concluiu-se que os grupos testados apresentaram uma boa adaptação ao implante
Brånemark, sob o ponto de vista clínico, porém os Grupos 2 e 3 apresentaram diferenças
estatisticamente significantes em relação ao Grupo Controle.
Unitermos - Adaptação passiva; Intermediário; Implante.

ABSTRACT
The passive fit of prosthesis supported by implants is an important factor for the success of treat-
ment with osseointegration implants. The precision of this fit is one of the most discussed subjects
as much as, in clinical studies as in laboratorial ones, being essential to the correct distribution of
tensions that may affet implants and their support structures during the function. Due to the high
index of success in treatment with implants, several implants systems are available for clinicians
and many of those systems are being compatible with the Brånemark system, known as pioneer
and considered as standard model. The present reserch evaluated the interface fit of “multi-unit”
abutment type of three brazilian implant systems in relation to the MK3 regular plataform (RP)
Brånemark implant of the Nobel Biocare® system. Five specimens of each group were evaluated,
and measurements around four points of the interface implant-abutment were carried out. The
analysis of desadaption was accomplished with surgical microscope and photographic camera,
resulting in a real increase of 80 times of the original image and quantified with an aid of a specific
software for this task. The obtained results were: Group 1 (Neodent®) 11,58 µm; Group 2 (SIN®)
15,41 µm; Group 3 (Titanium Fix®) 17,41 µm and Control Group (Nobel Biocare®) 9,58 µm. The
tested groups presented good clinical adaptation to the implant Brånemark, however, groups 2 and
3 presented significant statistical differences in relation to the Control Group.
Key Words - Passive fit; Abutment; Implant.

Recebido em: nov/2005


Aprovado em: dez/2006
* Mestre em Prótese Dentária pelo CPO São Leopoldo Mandic.
** Mestrandos em Odontologia pelo CPO São Leopoldo Mandic.
*** Mestre e doutor em Prótese Dentária pela USP; Professor do curso de Mestrado em Prótese Dentária do CPO São Leopoldo Mandic.
**** Master of Science pela Ohio State University e doutor em Prótese Dentária pela Fousp; Coodenador do curso de Mestrado em Prótese Dentária do
CPO São Leopoldo Mandic.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):183-9 183 |


Frederico Goulart de Oliveira Silva | André Lins Correa da Costa | Daniel Marques das Neves | Marcelo Lucchesi Teixeira | Milton Edson Miranda

Introdução de inflamação; prótese provisória aliviada e reembasada


com material macio; infra-estrutura adaptada aos interme-
Devido ao alto índice de sucesso clínico, os implantes diários sem gerar tensão nas fixações e, prótese definitiva
osseointegráveis tornaram-se cada vez mais populares e in- com espaços para a higiene e devidamente parafusada com
dicados para a reabilitação em diversas áreas da Odontologia torquímetro eletrônico.
restauradora, podendo ser utilizados em próteses unitárias, Skalak40 (1983) publicou um dos primeiros trabalhos
pacientes edentados e parcialmente edentados. Com isso, analisando a biomecânica das próteses sobreimplantes e
diversas empresas brasileiras passaram a fabricar implantes, descreveu que o sucesso da osseointegração dependia da
principalmente componentes para próteses sobreimplantes, íntima aposição do osso ao implante, que permitia a trans-
advogando serem compatíveis com o sistema Brånemark e missão do estresse para o osso. Segundo o autor, deve existir
oferecendo como vantagens custo reduzido e facilidade de uma íntima conexão da prótese ao implante, criando uma
acesso. Entretanto, caso não haja uma boa adaptação da estrutura mais resistente, sendo que, qualquer desajuste da
prótese com o implante, o resultado final da restauração prótese com o implante resulta em estresses no conjunto
pode ser prejudicado. prótese, implante e osso.
Binon et al2 (1994) descreveram que uma pobre Lekholm et al35 (1985) analisando diversos trabalhos
adaptação da prótese sobre o implante pode influenciar multicêntricos observaram que muitas falhas nos tratamentos
no sucesso do tratamento, podendo apresentar problemas com implantes osseointegráveis estavam relacionadas às
como o afrouxamento ou até mesmo a fratura do parafuso próteses e que a fratura do parafuso do intermediário e do
da prótese, além de retenção de placa bacteriana e a perda implante são complicações que podem ocorrer devido à falta
da osseointegração. de adaptação da prótese.
No Brasil, o mercado de implantes e componentes Binon et al1 (1990) avaliaram diversas marcas de im-
protéticos vem crescendo rapidamente e, cada vez mais, plantes ditas compatíveis com o sistema pioneiro Brånemark.
caderno científico

observa-se o aparecimento de novas marcas comerciais. Seus fabricantes consideravam como vantagens o custo
Como a quantidade de empresas é, também, cada vez maior, reduzido, a maior flexibilidade e facilidade protética. Os
torna-se difícil comprovar a qualidade desses componentes, resultados demonstraram que nem todos os componentes
fazendo com que o teste seja feito diretamente nos pacientes, podem ser considerados compatíveis.
o que pode, dessa forma, resultar em trabalhos protéticos Goll18 (1991) salientou a necessidade de se obter
precários. Portanto, as únicas informações que os profis- infra-estruturas bem adaptadas e recomenda: utilização de
sionais têm dessas peças são as que os próprios fabricantes componentes usinados; checagem da adaptação do cilindro
apresentam. de ouro e dos componentes de transferência; cobertura dos
Diversos trabalhos na literatura1,3,23,30 verificaram uma intermediários com capas de proteção, para impedir que
pobre adaptação quando intercambiaram componentes de resíduos se acumulem na superfície dos mesmos; verificação
diferentes sistemas, demonstrando que se deve ter cuidado da precisão do modelo através de um guia de resina acrílica,
ao realizar essa prática. Os autores salientam que desadapta- que deve ser construído um dia antes; utilização de parafusos
ções menores que 20 µm na interface implante/intermediário de laboratório novos; limpeza adequada da superfície de
são bem toleradas clinicamente. contato do cilindro de ouro com solvente de cera antes da
Como o implante Brånemark da empresa Nobel Bio- inclusão; utilização de capas de proteção do cilindro de ouro
care (Gotemburgo, Suécia) é o pioneiro e o modelo padrão
® durante o acabamento e polimento da infra-estrutura e, para
na Implantodontia mundial, viu-se a necessidade de avaliar a fundição de próteses extensas, utilização de cilindros de
a precisão de sua adaptação aos componentes protéticos de ouro de 4 mm.
três grandes empresas nacionais. Sorensen et al41 (1991) verificaram a intercambia-
lidade de diferentes sistemas. Os autores analisaram a
Revisão da Literatura interface do implante/intermediário com microscópio com
unidade de medição e aumento de 200 vezes. Os autores
Em 1969, Brånemark8 publicou um trabalho expe- concluíram que deve haver diferentes níveis de tolerância
rimental realizado em cães, no qual usou implantes para na confecção dos vários componentes de implantes entre
ancoragem protética, e descreveu os seguintes pré-requisitos os fabricantes.
para o sucesso dessa ancoragem: etapa cirúrgica atraumática Weinberg44 (1993) analisou a distribuição de forças
para tecidos duros e moles; implante de material inerte e nas próteses sobreimplantes, quando comparadas com as
limpo química e mecanicamente; retalho gengival bem su- próteses dento-suportadas e ressaltou a importância em se
turado, evitando contato do implante com a cavidade oral; obter uma adaptação passiva. Considerando que o ligamento
boa higiene e fisioterapia oral do paciente para a prevenção periodontal permite movimentos na ordem de até 500 μm

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Frederico Goulart de Oliveira Silva | André Lins Correa da Costa | Daniel Marques das Neves | Marcelo Lucchesi Teixeira | Milton Edson Miranda

e que a parte mais flexível do sistema de implantes permite reabilitações sobreimplantes, bem como à resistência dos
uma deformação de até 100 μm, a distribuição de forças parafusos de retenção da prótese.
entre os implantes é bem menor que em dentes naturais. Dinato et al17 (2004) destacaram que a ausência de
Com isso, uma pobre adaptação dos componentes da pró- adaptação passiva pode gerar problemas biológicos, como
tese sobreimplante pode gerar mais tensão que o parafuso acúmulo de bactérias, reação tecidual, mucosite, periimplan-
pode suportar. tite e, até mesmo, a perda da osseointegração. Citaram que os
Waskewickz et al43 (1994) confirmaram, por meio de riscos de desadaptação de componentes pré-fabricados vêm
análise fotoelástica, o que muitos trabalhos vinham publi- aumentando, na medida em que o mercado disponibiliza
cando sobre adaptação passiva, no que diz respeito à íntima uma série de componentes de diversos sistemas, denomina-
relação entre o componente protético e o intermediário, dos compatíveis entre si e recomendaram usar componentes
sem a geração de estresse para o sistema de implantes e os novos e do mesmo sistema nas fases laboratoriais.
tecidos circunvizinhos. Os autores concluíram que, devido à Kunavisarut et al34 (2002) investigaram, por meio do
presença de força estática, quando uma prótese sem adapta- método tridimensional dos elementos finitos, o efeito de pró-
ção passiva é parafusada, recomenda-se que as peças sejam teses sobreimplantes sem adaptação passiva, com a presença
seccionadas e soldadas para obter uma adaptação o mais de cantiléver e sob diferentes forças oclusais na distribuição
passiva possível. de estresse nas próteses, componentes e ao redor do osso. Os
Gyllenran22 (1994) descreveu que qualquer desadap- autores concluíram que a desadaptação influencia a magni-
tação gera forças estáticas que atuam sobre todo o conjunto tude da distribuição do estresse nas próteses, componentes
e esses efeitos negativos serão acentuados quando forças e ao redor do osso e que a presença do cantiléver ou maior
dinâmicas da mastigação atuam. O autor relatou três tipos de força oclusal aumentam o efeito da desadaptação.
desadaptação: vertical, horizontal e angular, destacando que
um erro vertical leva a uma desadaptação que é proporcional Proposição

caderno científico
ao erro.Verificou-se que nem todos os sistemas de implantes
são iguais, devido às diferenças funcionais fundamentais. O presente trabalho teve como finalidade avaliar o
Binon3 (1995) avaliou a precisão da usinagem com desajuste vertical de intermediários do tipo Multi-unit de
sistema de hexágono externo de 13 empresas. O autor mediu três marcas comerciais de fabricação nacional (Neodent, SIN
a tolerância encontrada entre os componentes, verificando a e Titanium Fix) em relação ao implante Brånemark MK3 do
liberdade existente entre os implantes e componentes proté- sistema Nobel Biocare.
ticos e sugeriu um índice de composição para a determinação
da precisão do sistema, no qual quanto menor o valor, maior Material e Método
a precisão. Ele observou uma grande variação na tolerância
de precisão de componentes usinados, o que o levou a con- Na realização desta pesquisa foram selecionadas
cluir que se deve ter cuidado ao realizar o intercâmbio de empresas nacionais cujos componentes protéticos são con-
componentes de diferentes sistemas para não prejudicar a siderados compatíveis com o sistema Nobel Biocare e que
precisão final do trabalho. possuem um componente protético equivalente ao compo-
Dellow et al16 (1997) avaliaram a interface inter- nente Multi-unit da empresa Nobel Biocare, a saber: Nobel
mediário/implante de quatro sistemas de implantes ditos Biocare, Neodent, SIN (Sistema de Implante Nacional) e
intercambiáveis, por meio de microscopia eletrônica de Titanium Fix.
varredura. Segundo os autores, a união imprecisa de com- Foram utilizados cinco componentes protéticos se-
ponentes pode resultar em implicações clínicas como perda melhantes ao componente“Multi-unit”de cada uma dessas
freqüente de parafusos, fratura de parafusos, grande retenção empresas: Mini-pilar cônico (Neodent), Mini-Abutment
de placa, resposta adversa dos tecidos moles e até perda da (SIN) e Micro-Unit (Titanium Fix). Também foram utilizados
osseointegração. Eles constataram que não houve diferen- cinco pilares Multi-unit e cinco implantes Mk III (Nobel
ças significantes nas microfendas encontradas, quando se Biocare) com plataforma regular.
intercambiava os componentes, e que os sistemas testados Foram confeccionados cinco corpos de prova fixando
podem ser considerados compatíveis. os implantes numa base de plástico com resina acrílica
Binon5 (2000A) destacou que se deve ter cuidados e utilizando um delineador tendo o cuidado de deixar a
clínicos e laboratoriais com os componentes das próteses porção do pescoço do implante exposta. Para a análise dos
sobreimplantes para se conseguir boa estabilidade nas co- corpos de prova, eles foram posicionados numa outra base
nexões. O autor salienta que desadaptações de até 20 µm na quadrada onde era possível o posicionamento da interface
interface implante/intermediário são bem toleradas, devido perpendicular ao feixe de luz do microscópio e em quatro
à tolerância biológica e distribuição de cargas existentes nas diferentes posições.

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Cada cilindro foi fotografado em quatro posições


determinadas pelo paralelepípedo do corpo de prova. Após
a realização das fotografias dos intermediários de cada em-
presa, os componentes eram soltos e os componentes de
outra empresa eram posicionados e parafusados sobre os
implantes, para que as novas fotografias fossem feitas. As
fotos obedeceram a seguinte ordem: primeiro Nobel Biocare,
segundo SIN, terceiro Titanium Fix e quarto Neodent.
Figura 1 Essas imagens foram analisadas com o software
Posicionamento
do implante. UTHSCSA ImageTool 3.0 (Universidade do Texas – Centro
de Saúde e Ciências em Santo Antônio) para medir a desa-
daptação vertical dos componentes.
Para a comparação dos dados, utilizou-se a análise
de variância a um critério, modelo fixo (Zar45, 1996). Para as
comparações múltiplas entre os grupos, utilizou-se o teste
de Tukey (Zar45,1996). Em todos os casos, foi adotado um
nível de significância de 1%.
Figura 2
Base para
posicionamento Resultados
do corpo de prova.

A Tabela 1 mostra os valores médios da desadaptação


Os conjuntos (implantes/intermediários) foram divi- para cada intermediário de cada fabricante, além da média e
caderno científico

didos em quatro grupos: Grupo 1 – implante Nobel Biocare do desvio-padrão dos cinco intermediários de cada grupo.
e intermediário Neodent; Grupo 2 – implante Nobel Biocare O Gráfico 1 mostra os valores médios da desadaptação
e intermediário SIN; Grupo 3 – implante Nobel Biocare e nos quatro grupos estudados.
intermediário Titanium Fix e Grupo Controle – implante
Nobel Biocare e intermediário Nobel Biocare. TABELA 1 - VALORES DA DESADAPTAÇÃO DE CADA INTERMEDIÁRIO,
EM M, E RESPECTIVAS MÉDIAS E DESVIOS-PADRÃO PARA CADA GRUPO
Para a análise da interface implante/intermediário (I/I),
seguiu-se o seguinte protocolo: cada implante recebia apenas Intermediário Nobel Neodent SIN Titanium Fix
um intermediário de cada empresa, que era posicionado 1 8,97 13,76 14,69 16,77
aleatoriamente e parafusado com um torque de 20N cm com 2 9,32 9,76 17,41 19,31
a chave para torque do intermediário utilizado. 3 10,61 10,09 15,2 16,43
O corpo de prova foi posicionado de forma que o 4 9,16 11,37 13,8 16,44
conjunto implante/intermediário ficasse perpendicular ao 5 9,83 11,4 15,95 18,12
feixe de luz do microscópio cirúrgico para que as fotos fossem Média 9,58 11,28 15,41 17,41
feitas a uma distância focal ortoscópica. Desvio Padrão 0,66 1,57 1,36 1,27

GRÁFICO 1 - MÉDIA DA DESADAPTAÇÃO, EM M, DOS GRUPOS


ANALISADOS

Figura 3
Corpo de prova
posicionado.

Para a análise da interface implante/intermediário (I/I)


foi utilizado um microscópio cirúrgico DFVasconcelos com
aumento de 20 vezes, e uma câmera digital Nikon Coolpix
4500, na função macro e com zoom óptico de quatro vezes,
totalizando um aumento fotográfico real de 80 vezes.

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Para a comparação dos grupos pesquisados, utilizou-se


a análise de variância a um critério (Tabela 2), modelo fixo,
e essa mostrou diferença estatisticamente significante entre
os grupos. O Teste de Tukey (Tabela 3) foi utilizado para as
comparações múltiplas entre os grupos, para verificar em
quais deles se encontrava a diferença.

TABELA 2 - ANÁLISE DE VARIÂNCIA A UM CRITÉRIO, MODELO FIXO,


PARA COMPARAÇÃO DOS GRUPOS PESQUISADOS
Figura 6
Fonte de Variação G. L S.Q.D Q. M F Implante Nobel
Biocare/intermediário
Tratamentos 3 196,3492 65,45 41,05** Titanium Fix.

Resíduo 16 25,5099 1,59


Total 19 221,8591
GL: Graus de liberdade.
SQD: Soma dos quadrados dos desvios.
QM: Quadrado médio.
F : Teste F de Fisher.

TABELA 3 - RESULTADO DO TESTE DE TUKEY PARA COMPARAÇÕES


MÚLTIPLAS Figura 7
Implante/
Grupos Média Grupos Homogêneos intermediário
Nobel Biocare.
Grupo Controle (Nobel Biocare) 9,58 A
Grupo 1 (Neodent) 11,28 A

caderno científico
Grupo 2 (SIN) 15,41 B
Grupo 3 (Titanium Fix) 17,41 B Discussão
p< 0,01 – Diferença estatisticamente significante.
A reposição de um dente ausente devolvendo função,
Para ilustrar as desadaptações, as imagens, a seguir, estética e fonética, tem sido um desafio constante para o ci-
foram inseridas para a visualização dos corpos de prova rurgião-dentista e o tratamento com implantes osseointegra-
testados. dos é uma das maiores inovações da Odontologia moderna,
pois há mais de 30 anos vêm sendo utilizados com alto índice
de sucesso (Cox, Zarb15 , 1987; Kallus, Bessing29 1994).
A precisão na adaptação da prótese sobre os inter-
mediários é uma das etapas mais discutidas pelos profis-
sionais envolvidos na reabilitação de áreas desdentadas
com implantes e muitos autores relacionam o sucesso dos
implantes a uma boa adaptação dos componentes (Bråne-
mark8, 1969; Skalak40, 1983; Lekhol et al35, 1985; Cox, Zarb15,
1987; Jemt28, 1991; Goll18, 1991; Weinberg44, 1993; Kohavi33,
Figura 4 1993; Waskewickz et al43, 1994; Kallus, Bessing29, 1994; Carl-
Implante Nobel
Biocare/ son, Carlsson11, 1994; Gyllenran22, 1994; Binon2, 1994; Isa,
intermediário SIN.
Hobkirk24, 1995; Jemt, Book27, 1995 ; Binon2 1994; Mchugh4,
1996; Binon2, 1994; Renouard, Rangert38, 2001; Dinato et al17,
2004. Deve haver uma íntima conexão do componente ao
implante, para criar uma estrutura mais resistente e qualquer
desajuste dessa conexão resultará em estresse no conjunto
prótese, implante e osso.
Este trabalho limitou-se a avaliar a desadaptação
vertical entre implante e intermediários pré-fabricados, não
analisando as medidas do diâmetro da cabeça do implante,
Figura 5
Implante Neodent largura e altura do hexágono do implante e do intermediário.
intermediário.
Para isso, os intermediários foram parafusados sobre os im-

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plantes, foi aplicado um torque de 20 N/cm, como recomen- patíveis são iguais. Isso ocorre pela grande variação de tole-
dado pelos fabricantes, sendo a desadaptação observada com rância no torneamento e usinagem dos fabricantes. Apesar
um microscópio cirúrgico (DFVasconcelos) e com a câmera desta tolerância ser vista como uma desadaptação, pode-se
digital Nikon Coolpix 4500. Essa metodologia foi escolhida conseguir uma passividade no assentamento da infra-estru-
devido a sua viabilidade clínica. Como o acesso a esse tipo tura, sem a introdução de estresse ao sistema, se a alteração
de equipamento é viável por parte dos clínicos, a análise da for menor que a encontrada entre os componentes usinados
precisão dessa adaptação de componentes protéticos, como do mesmo sistema, como os observados por Hagiwara et al23
intermediários, transferentes de moldagem, análogos e cilin- (1997), Silva Jr39 (2001), que encontraram melhores resultados
dros, é possível ser realizada pelos profissionais. quando variaram o intermediário e conseguiram um bom
No presente trabalho, utilizando-se microscópio assentamento no implante Nobel Biocare.
cirúrgico e máquina fotográfica digital para a visualização Binon6 (2000), baseado em diversos trabalhos de pes-
da interface implante/intermediário, encontrou-se uma quisa e estudos longitudinais, relatou que desadaptações
desadaptação de 9,58 µm para o Grupo Controle (implan- menores que 20 µm na interface implante/intermediário são
te/intermediário Nobel Biocare), resultado menor que o bem toleradas pelo sistema. No presente trabalho, todos os
observado por Binon et al1 (1990), Sorensen et al41 (1991), sistemas pesquisados obtiveram uma desadaptação menor
Hagiwara et al23 (1997) , Silva Jr39 (2001); entretanto, maior que 20 µm (Gráfico 1), quando utilizados sobre implantes
que o obtido por Dellow et al16 (1997). Ressalta-se que estes Nobel Biocare.
autores utilizaram microscópio óptico para realizar as me- Apesar de o intercâmbio de componentes de diferen-
dições, enquanto Hagiwara et al23 (1997), trabalharam com tes sistemas ser desaconselhado por diversos autores (Binon
microscópio de varredura a laser, e Dellow et al16 (1997) et al1, 1990; Binon3, 1995; Dellow et al16, 1997; Hagiwara et
usaram microscópio eletrônico de varredura. Esse desajuste al23, 1997 ; Kano31, 1998), os resultados obtidos neste traba-
encontrado por Binon et al1 (1990), Sorensen et al41 (1991), lho demonstraram que a utilização dos componentes dos
caderno científico

e Hagiwara et al23 (1997) foi significativamente maior que o sistemas pesquisados sobre implantes Nobel Biocare apre-
observado neste trabalho. Isso pode ser atribuído à grande sentaram um desajuste aceitável do ponto de vista clínico
diferença cronológica entre esses trabalhos e a atualidade, (Binon6, 2000).
considerando que a precisão dos tornos atuais são maiores,
produzindo peças mais precisas que as produzidas antiga- Conclusão
mente. Outros fatores, como a diferença de metodologia
aplicada, diferente desenho dos implantes e componentes, Em vista dos resultados obtidos e da análise conforme
também podem ser considerados causadores dessa discre- os critérios estabelecidos neste trabalho, pode-se concluir
pância. Os resultados encontrados por Silva Jr39 (2001) apesar que:
de maiores, não foram estatisticamente significantes. • Todos os sistemas avaliados mostraram resultados satis-
Quando houve intercâmbio do intermediário, a de- fatórios de desajuste vertical na interface implante/inter-
sadaptação do sistema Neodent (11,28 µm) não foi estatis- mediário.
ticamente significante, da mesma forma que nos trabalhos • O Grupo 1 (Neodent - 11,28 µm) apresentou desajuste
desenvolvidos por Dellow et al16 (1997), Hagiwara et al23 semelhante ao Grupo Controle; (Nobel Biocare - 9,58
(1997), e Carvalho et al13 (2002), que não encontraram dife- µm).
renças de desajuste quando intercambiaram componentes • Não foram encontradas diferenças significantes entre os
de diferentes empresas. Porém, os sistemas SIN (15,41 µm) Grupos 2 (SIN - 15,41 µm) e 3 (Titanium Fix - 17,41 µm);
e Titanium Fix (17,41 µm), que não apresentaram diferenças porém, esses grupos apresentaram um desajuste esta-
entre si, mas apresentaram em relação ao sistema Nobel Bio- tisticamente significante em relação ao Grupo Controle
care. Esses resultados foram semelhantes, no que diz respeito (Nobel Biocare).
ao intercâmbio de componentes, aos encontrados por Binon
et al1 (1990), Binon3 (1995), Hagiwara et al23 (1997), e Silva Jr39 Endereço para correspondência:
Frederico Goulart de Oliveira Silva
(2001), que também obtiveram resultados estatisticamente
SCLN, 405 - Bloco D - Salas 111/112/113
diferentes quando utilizaram componentes de diferentes 70846-540 - Brasília - DF
empresas, comprovando que nem todos sistemas ditos com-

| 188 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):183-9


Frederico Goulart de Oliveira Silva | André Lins Correa da Costa | Daniel Marques das Neves | Marcelo Lucchesi Teixeira | Milton Edson Miranda

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REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):183-9 189 |


Trabalho Original

Prótese parafusada versus prótese cimentada


Screw-retained versus cemented-retained implant prosthesis

Cleuber Alves Oliveira* Resumo


Isac Batista Vieira* Visando uma reabilitação que procure associar os fatores estéticos e funcionais
Hiron Andreaza** da melhor forma possível, muitos profissionais têm-se questionado em relação a
Roberto Machado Cruz***
confecção de próteses implanto-suportadas parafusadas ou cimentadas. Até que
ponto a indicação deve recair sobre uma ou outra? Quais indicações e contra-
indicações para cada uma delas?
O presente trabalho se propõe a fazer uma revisão de literatura existente sobre
este tópico, tecendo comparações entre os dois tipos de prótese, com ênfase
nas restrições, indicações, além das diferenças no planejamento e execução de
cada uma delas. Foi possível se observar que uma tênue linha separa estas duas
técnicas de reabilitação protética sobre os implantes e que, de uma maneira ou
outra, fatores como preferência pessoal do profissional e relação custo-benefício

caderno científico
também têm sido levadas em consideração.
Unitermos - Prótese sobreimplante; Prótese cimentada; Prótese parafusada.

Abstract
When functional and aesthetic factors are considered in oral rehabilitation, many points
maybe raised in order to obtain the best results. Many clinicians have questioned wich
would be the best indications for the two implant-prothesis retentions systems they
can be screwed or cmented and ther indication can vary according to each case.
The purpose of this study was to make a revision of the present literature which
concerns to indications, advantages and disadvantages and treatment plan as well
as the detailed execution of each of them. It was possible be observe that a faint line
separates these two techniques of rehabilitation with implants and that factors like
personal preferences of the clinicians and relation between costs and benefits must
be taken in consideration.
Key Words - Prosthesis over implant; Prosthesis cemented; Prosthesis screwed.

Recebido em: abr/2006


Aprovado em: jan/2007
* Aluno do curso de Especialização em Implantodontia ABO-Anápolis/GO.
** Mestre em Implantodontia.
*** Mestre e doutor em Ciências da Saúde - área de concentração em Implantodontia.

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Cleuber Alves Oliveira | Isac Batista Vieira | Hiron Andreaza | Roberto Machado Cruz

Introdução necessidade de uma linha mínima de cimentação por ser


fator de irritação periimplantar.
A consolidação das técnicas de reabilitação com im- Felton2 (1999) dá pouca importância à reversibilidade
plantes osseointegrados trouxe, dentre outras novidades, o da prótese parafusada, tendo em vista o grande número de
principio da reversibilidade das próteses parafusadas, o que desvantagens desta.
de certa maneira, contribuiu bastante para o sucesso das Para Johnson2 (1999) a melhor opção esta ligada aos
reabilitações com implantes. Reflexo disto é o grande número objetivos do protesista, aos atributos do sistema de implantes
de opções de intermediários no mercado para este tipo de utilizado e a filosofia de quem está executando o trabalho.
prótese, independentemente do sistema de implantes. Com Sullivan2 (1999) sugere que o centro das discussões
a evolução no design das fixações (conexões internas como deva ser a estabilidade do intermediário das próteses pa-
exemplo), melhorias consideráveis também têm ocorrido rafusadas e cimentadas, e em longo prazo a estabilidade de
na retenção dos parafusos dos intermediários e das coroas, redução de micromovimentos nas próteses cimentadas.
proporcionando, ainda, maior segurança para que estes não Yoshida14 (2001) avaliando alguns aspectos biome-
se afrouxem tão freqüentemente com o passar do tempo. cânicos relacionados às próteses cimentadas e parafusadas,
A reversibilidade tem sido considerada por alguns concluiu que os níveis de tensão das parafusadas é menor
autores como vantajosa quando aspectos relacionados à que as cimentadas.
manutenção e higiene das próteses são levados em conside- Martins, Aoki8 (2002)observaram, através de trabalho
ração; porém, tal argumento não se justifica, segundo outros realizado, na determinação de área ocupada pelo parafuso
pesquisadores, tendo em vista a possibilidade de execução de de retenção das próteses parafusadas, que estas podem ser
próteses cimentadas de alta qualidade, possibilitando ao pa- efetivamente utilizadas sem qualquer prejuízo para masti-
ciente essa manutenção e higiene sem qualquer dificuldade. gação ou qualquer atividade maxilomandibular.
Além disso, os defensores da idéia de que as próteses Torrado et al13 (2004) sugeriram que as próteses me-
caderno científico

cimentadas são mais vantajosas, ainda citam o fato de que a talocerãmicas parafusadas apresentam maior possibilidade
área oclusal ocupada pela emergência do parafuso de reten- de fratura da porcelana quando comparadas com as próteses
ção da prótese, que não chega a ocupar 30% da mesa oclusal cimentadas.
da maioria dos dentes, se constituiria em um problema de
natureza biomecânica. Discussão
Nesta breve explanação inicial percebe-se que existem
motivos suficientes para que tal discussão não esteja restrita A osseointegração em si foi a primeira preocupação
somente a argumentos, indicações e contra-indicações, mas dos profissionais que desejavam oferecer aos seus pacien-
também a preferências, facilidade de execução pelos clínicos tes uma alternativa de tratamento reabilitador para dentes
e como estão localizados os implantes que aparecem na perdidos.
clínica diária e outros. Com a consolidação desta técnica, com altos índices de
sucesso, as atenções começaram a se voltar para a melhoria
Revisão de Literatura dos aspectos estéticos relacionados às próteses implanto-su-
portadas que, de início, não apresentavam esta característica
Silva, Carvalho11 (1995) avaliaram 276 próteses cimen- (década de 80).
tadas sobre 565 implantes do sistema TF (Tissue Functional) Dentre as mudanças ocorridas, a forma e tipo de co-
por cinco anos e entre outras conclusões, afirmam não haver nexão, o desenvolvimento dos implantes de conexão interna,
diferenças clínicas e radiográficas entre próteses cimentadas dando maior segurança para o uso de próteses unitárias
e parafusadas. cimentadas, além de outras alterações como o desenho da
Kenneth, Gajjar7 (1997) consideram importante a porção cervical, também vieram contribuir para a melhora
reversibilidade das próteses parafusadas; porém, o sacrifício dos aspectos estéticos.
da estética e oclusão diminue a chance de indicação. Sendo Dentre as dúvidas ainda existentes, está a idéia de se
que a escolha do tipo da prótese influência no desenho final cimentar ou parafusar a restauração sobre o implante. Todas
da mesma afetando diretamente a força transmitida para o as indicações e contra-indicações, assim como vantagens e
componente e interface osso/implante. desvantagens passam por questões como: uso de sistema
Chee2 (1999) destaca a reversibilidade da prótese para- anti-rotacional, micromovimentação, adaptação, estética e
fusada, porém ressalta o prejuízo da estética e passividade de outros. Analisando-se a literatura pode-se perceber a influência
assentamento. Com relação às próteses cimentadas destaca pessoal dos clínicos na decisão do tipo de prótese a ser uti-
a estética, a compensação de discrepâncias dimensionais, lizada. Mais que uma escolha individual, o clínico deve ter
compensadas pelo cimento, como vantagens e destaca a em mente as vantagens e desvantagens de cada uma destas

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Cleuber Alves Oliveira | Isac Batista Vieira | Hiron Andreaza | Roberto Machado Cruz

opções protéticas na hora de selecionar os componentes em média 20,83% em pré-molares e 16,03% em molares a
adequados para solucionar os seus casos clínicos. mesa oclusal, não interferindo na mastigação ou em qualquer
Ao mesmo tempo em que é comum aos autores a ar- função maxilomandibular.
gumentação de que a reversibilidade da prótese parafusada é
sua principal vantagem, também existem trabalhos sugerindo
que isto não seria tão primordial assim.
Silva, Carvalho11 (1995) afirmam não haver neces-
sidade de remoção destas próteses, desde que as mesmas
sejam executadas de maneira a permitir ao paciente a higiene
adequada.
Martins, Aoki8 (2002) afirmam ser a prótese parafusada,
opção adequada em reabilitação quando executadas seguindo
os padrões biodinâmicos, principalmente em trabalhos am-
Figura 1a Figura 2a
plos, onde a reversibilidade é uma necessidade constante. Cimentada molar/parafusada pré. Cimentada pré/parafusada molar.
Mesmo detectadas as preferências pessoais, fatores
como estética, oclusão, estabilidade, retenção, resistência à Estabilidade
fratura da porcelana, passividade de assentamento, biome-
cânica, variação dos componentes, localização dos implan- Para Sullivan2 (1999) o principal aspecto da biomecâ-
tes, custo de fabricação, facilidade de execução, preferência nica a ser considerado seria a estabilidade do conjunto ou
do clínico, indicação específica para o caso, expectativa do da junção do intermediário ao implante.
paciente, sistema de implantes utilizado e outros fatores Kenneth, Gajjar7 (1997) destacam a importância do
percebidos durante a execução do caso clínico deverão ser torque preconizado pelo fabricante nos parafusos que retém

caderno científico
considerados, e jamais deixados de lado ao indicar uma a prótese sobre o implante e a prótese sobre o intermediário.
prótese cimentada ou parafusada. Com o surgimento dos implantes de segunda geração ou
conexão interna, com uma considerável melhoria na junção
Estética intermediário/implante, trouxe segurança ao uso de ambas
as próteses.
Prejudicada em próteses parafusadas, pela emergência
dos parafusos de retenção (Figura 2),principal vantagem da Retenção
prótese cimentada (Figura 1).
A importância do sistema de implantes é destaque
em ambas as situações, pois o planejamento correto, ins-
talação de implantes de forma correta e um correto ajuste
na oclusão levarão a uma correta distribuição na tensão
exercida sobre o parafuso e adaptação dos componentes
protéticos, dando ao clínico a confiabilidade necessária
para escolher que tipo de prótese utilizar. A prótese cimen-
tada ganhou força com o surgimento da conexão interna,
porque este sistema com um aumento na superfície de
contato de 0,7 mm em hexágono externo para 2 mm a
Figura 1 Figura 2 4 mm em conexão interna, diminuiu consideravelmente
Prótese cimentada. Prótese parafusada.
o maior problema enfrentado por aqueles que fazem do
implante um instrumento importante na reabilitação de
Oclusão seus pacientes.

Kenneth, Gajjar7 (1997) afirmam que a emergência Resistência


do parafuso de retenção das próteses parafusadas leva a
uma diminuição da mesa oclusal de molares e pré-molares Torrado et al12 (2004) demonstraram que a resistên-
podendo chegar a 50% de redução. cia à fratura, em coroas de porcelana parafusadas sobre os
Martins, Aoki7 (2002) afirmam que em próteses para- implante, diminui consideravelmente quando comparadas
fusadas realizadas dentro dos princípios biodinâmicos essa às cimentadas, devido a presença do orifício de acesso ao
diminuição não deve ser considerada pois, não ultrapassa parafuso de retenção destas próteses.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):193-7 195 |


Cleuber Alves Oliveira | Isac Batista Vieira | Hiron Andreaza | Roberto Machado Cruz

Figura 4
Prótese
cimentada 23.
Prótese parafusada. Prótese cimentada.

Passividade de assentamento

Jemt6 (1991), define adaptação passiva como nível de


adaptação que não causa complicações clínicas ao longo do
tempo e aceita desajustes próximos de 150 micrômetros, citan-
do Klinemberg, Murray (1985) que sugerem 30 micrômetros
Figura 5
como ideal para remodelação e maturação óssea em resposta Prótese
cimentada 23.
às forças oclusais; porém, Chechire, Hobkirk (1996), conforme
citato por Yoshida14 (2001), relatam que discrepâncias de até
140 micrometros são imperceptíveis ao exame clínico. As Sistema de implantes
próteses parafusadas, neste aspecto, apresentam desvantagens
Felton2 (1999) afirma ser o primeiro passo na deter-
caderno científico

e dificuldade de execução de sua estrutura de maneira a se


atingir um assentamento passivo, enquanto que as cimenta- minação do tipo de prótese a ser utilizado destacando-se os
das possuem a capacidade de compensar estas discrepâncias, implantes de conexão interna (Figura 7), que apresentam
levando assim vantagem neste item. diversas vantagens sobre os implantes de conexão externa
(Figura 6).
Variação de componentes

Neste item, as próteses parafusadas apresentam uma
grande variedade de opções, o que se constitui vantagem
em algumas situações clínicas, como por exemplo, espaço
interoclusal reduzido. Por outro lado as próteses cimentadas
não apresentam tantas opções protéticas, sendo de mais
simples confecção, como se observa na Figura 3 .

Figura 3 Figura 6 Figura 7


A maioria dos sistemas de Conexão externa. Conexão interna.
implantes apresentam uma
variedade de componentes
parafusados e cimentados.
Nesta figura observa-se
os pilares (componentes)
do sistema 3i Biomet. Apresentadas estas variáveis, pode-se então esta-
belecer algumas vantagens e desvantagens das próteses
Localização dos implantes parafusadas e cimentadas.
• Vantagens das próteses parafusadas: reversibilidade, es-
Planejamento sempre é, e será, indispensável na paços interoclusais reduzidos, disponibilidade e variação
execução dos trabalhos sobre os implantes; porém, a maior de componentes, implantes múltiplos, supra-estruturas
versatilidade das próteses cimentadas (Figuras 4 e 5) permite com cantiléver, maior follow-up e melhor adaptação dos
a solução de situações onde a instalação dos implantes não componentes, pois são pré-fabricados.
ocorreu no local proteticamente ideal, o que não ocorre nas • Desvantagens das próteses parafusadas: dificuldade de as-
parafusadas. sentamento passivo, estética, menor versatilidade, limita-

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Cleuber Alves Oliveira | Isac Batista Vieira | Hiron Andreaza | Roberto Machado Cruz

ção pelo posicionamento dos implantes, menor resistência próprio paciente.


a fratura da porcelana, maior custo de fabricação, presença 2. O princípio da reversibilidade ainda pode ser aplicado
de microgap, maior possibilidade de afrouxamento de em implantes múltiplos, supra-estruturas e próteses em
parafusos - são dois. cantiléver.
• Vantagens e indicações das próteses cimentadas: melhor 3. As próteses cimentadas são mais estéticas e promovem
assentamento passivo, melhor direcionamento de forças melhor assentamento passivo.
axiais, menor custo de produção, menor complexidade em 4. O sistema de implantes escolhido interfere diretamente
componentes, maior retenção, maior resistência à fratura na escolha do tipo de prótese a ser realizada.
de porcelana, maior versatilidade na correção de implantes 5. A evolução dos implantes trouxe mais segurança aos
mal posicionados, melhor estética e maior proximidade clínicos no uso de próteses cimentadas.
com os dentes naturais, maior indicação para dentes an- Dentro do que foi proposto, levantamos filosofias,
teriores e coroas unitárias vantagens, desvantagens, indicações e contra-indicações.
• Vantagens e contra-indicações das próteses cimentadas: Porém, nota-se que o bom planejamento na execução dos
menor variação no número de componentes protéticos, procedimentos reabilitadores, a começar da seleção e colo-
presença de linha de cimentação, maior possibilidade de cação dos implantes, é determinante no resultado final, não
falha na adaptação por ser confeccionado em laboratório, importando a filosofia de quem irá executá-lo. E, dentro
limitação em espaço interoclusal reduzido e menor pos- deste planejamento, um bom assentamento passivo, um
sibilidade de reversibilidade. bom ajuste oclusal e uma prótese que favoreça a higiene
são requisitos fundamentais a longevidade dos implantes
Conclusão osseointegrados.

1. A principal vantagem da prótese parafusada que é a re- Endereço para correspondência:


Cleuber Alves Oliveira

caderno científico
versibilidade, não se justifica quando as próteses são bem
Rua T-39, 239 - Setor Bueno
planejadas e elaboradas favorecendo a boa higiene pelo 74210-120 - Goiânia - GO

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Maxillofac Implants,Chicago,v.6,n.3,p.270-276,1991.) of Prosthetics Dentistry 2004June;91(6):532-7.
7. Kenneth SH, Gajjar RC. Cemented-retained versus screw-retained 14. Yoshida H. Estudo comparativo das tensões induzidas por dois tipos de
implant restorations: Achieving optimal occlusion and esthetics in prótese sobre implante-Prótese retida por cimento e Prótese retida por
implant dentistry. The Journal of Prosthetic Dentistry. Rochester: NY parafuso – utilizando o método da fotoelasticidade.[Tese de doutorado].
1997;77(1):28-35. São Paulo: Faculdade de odontologia de São Paulo;2001.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):193-7 197 |


Determinação da largura
dos dentes ântero-superiores
na harmonia estética
da composição dentária Ana Carolina Francischone*
José Mondelli**

Na sociedade moderna, a Odontologia tornou-se um grande aliado, não só no restabelecimento


da função e do bem-estar do paciente, mas também na busca por um sorriso bonito e harmonioso
com proporções equilibradas. No entanto, o sucesso desses tratamentos depende não só da sensibilidade
do cirurgião-dentista, mas também de uma prática embasada em teoria consistente e fundamentada
em investigação científica, para auxiliar o profissional a tornar mais agradável o sorriso dos pacientes.

A beleza é normalmente definida como uma harmonia o sorriso dos pacientes. Estes devem ser fundamentados por
tecnologia aplicada

de proporção, em relações numéricas ou geométricas. Por meio de investigações cientificas.


isso, relações proporcionais agradáveis, que apelem para Considerando a preocupação atual com a estética e
nossa sensibilidade visual e mental, somente podem ser o aumento da procura por um “sorriso perfeito” ou “ideal”,
obtidas pela aplicação de leis6. ainda hoje é pequeno o número de trabalhos científicos que
A proporção origina-se da noção de relacionamento, fornecem dados sobre proporções, como também medidas
porcentagem ou medida na sua determinação numérica e biométricas de coroas clínicas dos dentes anteriores supe-
implica na quantificação de normas que podem ser aplicadas riores. Porém, já existem algumas fórmulas que podem ser
a cada realidade física. A idéia da aplicação desta linguagem aplicadas para auxiliar o cirurgião-dentista a estabelecer um
às artes e à arquitetura como um critério objetivo de avaliação, sorriso harmonioso aos pacientes.
enfocou a atenção de gerações de filósofos, matemáticos, Para a determinação da largura do incisivo central,
artistas, arquitetos e outros estudiosos, desejos de provar pode-se utilizar, dentre outras, as fórmulas desenvolvidas
a hipótese de que a beleza também poderia ser expressa por Albers1 (1992); Mondelli13 (2003), que são utilizadas para
matematicamente ou quantificada. determinar a largura do incisivo central e a partir desses os
Sempre, antes de padronizar o belo, deve-se lembrar outros dentes anteriores.
do que Lerman, em 1942, definiu:“A beleza ideal não é aquela Mondelli 13 (2003) apresentou um capítulo sobre
que se deve sempre procurar, porque, desde que haja uma Proporção Áurea, no livro“Estética & Cosmética em Clínica
beleza ideal, há também beleza real; assim como existe um Integrada” e que tem como finalidade o seu entendimento
bom gosto que as discerne e um mau gosto que as ignore”. e sua aplicação nas reabilitações estéticas desde as unitárias
É este bom gosto que deve ser desenvolvido pelo cirurgião- até as totais, independente do material ou técnicas adota-
dentista e pelo técnico em prótese dentária, a fim de que das. Além disso, descreve de forma pormenorizada algumas
possam sempre, não criar beleza plástica, mas harmonizar regras elaboradas por diversos autores que relacionam a
as diversas partes do rosto com as características de um in- proporção áurea encontrada nos dentes e como aplicá-las nos
divíduo, em que se modelam uma região muito importante procedimentos restauradores. O próprio Mondelli descreve
da face8,11,12 . de forma explicativa suas regras e fórmulas para encontrar a
Certas normas, princípios ou parâmetros são neces- proporcionalidade que deve existir entre os dentes naturais
sários para auxiliar os profissionais a tornar mais agradável anteriores superiores e poder aplicá-las nas reabilitações

* Doutorando em Dentística pela Faculdade de Bauru - FOB/USP.


** Professor titular da Faculdade de Odontologia de Bauru - FOB/USP.

| 200 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):200-1


dentárias. Através da medida da largura e comprimento em proporção áurea com a largura do sorriso.
dos incisivos centrais superiores e aplicando sobre eles duas Em sorrisos harmônicos, a perspectiva pode ser
fórmulas, pode-se encontrar a largura e a altura dos incisivos percebida objetivamente numa vista frontal pela relação
laterais e caninos superiores em proporção áurea com os proporcional áurea existente entre a largura do sorriso, o
incisivos centrais. A fórmula mais simples desenvolvida por segmento dentário anterior e o corredor bucal. Através da
Mondelli é: LC = 0,155 x LS, onde LC é a largura do incisivo fórmula desenvolvida por Mondelli (LC= 0,155 x LS), mul-
central, 0,155 é uma constante, e LS é a largura do sorriso. tiplicando a largura do sorriso por 0,155 obtém-se a largura
Assim, por meio dessa fórmula pode-se encontrar a largura do incisivo central; esse valor encontrado multiplicado por
do incisivo central. A partir daí obtém-se a largura e a altura 0,618 obtém-se a largura do incisivo lateral e depois do ca-
dos dentes anteriores superiores, bastando para isso aplicar nino da mesma forma (Figura 1). Multiplicando-se a metade
os valores da proporção áurea (grade de Levin, cujo número da largura do sorriso por 0,618 obtém-se o valor aparente do
proporcional é 1,618). segmento dentário anterior do incisivo central ao canino; o
Em 2005 Francischone4 fez uma pesquisa biométrica valor do segmento dentário anterior multiplicado por 0,618
para avaliar a precisão desse método para cálculo da largura estabelece a largura do corredor bucal (Figura 2).
dos incisivos centrais superiores, comparando-o com a lar- Na verdade, essas fórmulas existem para auxiliar
gura real do incisivo medida em pacientes. Também avaliou os profissionais a devolverem o sorriso ao paciente tanto
a proporção estética real (relação largura/altura) dos dentes desdentado total quanto com ausência de alguns dentes
anteriores superiores e, por fim, o percentual de arcos e ou. até mesmo, nas correções e adequações estéticas dos
hemiarcos, que apresentam os dentes anteriores superiores dentes naturais.

tecnologia aplicada
Figura 1
Demonstração da montagem da grade de Levin e como determinar o tamanho
dos dentes anteriores superiores através da fórmula LC = 0,155 x LS.

Figura 2
Relação proporcional do segmento anterior e do corredor bucal.

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):200-1 201 |


Programação Científica foi o ponto alto do 25O Ciosp

Fotos: Luciola Okamoto


especial 25o ciosp

Congressão comemorou
Jubileu de Ouro com uma
grade científica que
contemplou todas as áreas
da Odontologia, como
a Implantodontia. Por Cecilia Felippe Nery

| 202 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):202-4


Considerado como um dos maiores e mais impor- A reconstrução com enxerto ósseo ilíaco, metodologia
tantes eventos na área odontológica no mundo, o Ciosp de tratamento das severas atrofias do rebordo alveolar e de-
– Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo feitos ósseos, também foi abordada no Fórum. Falando sobre
chegou a sua 25a edição, reunindo mais de 72 mil pessoas, Enxertos ósseos autógenos da crista ilíaca, José Massayoshi
sendo 46.505 só de congressistas. O evento, que aconteceu Miyagusko, cirurgião-dentista, especialista em Cirurgia e
de 27 a 31 de janeiro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Traumatologia Bucomaxilofacial, mostrou que a técnica tem
em São Paulo, e contou com a presença de 250 empresas a finalidade de permitir a instalação dos implantes na posição
nacionais e 45 estrangeiras, teve ainda um atrativo a mais: a ideal e com dimensões adequadas, em busca de uma reabi-
comemoração dos 50 anos do Congresso. litação estética e funcional. No entanto, ele lembrou que as
Para marcar a data, a comissão organizadora elaborou indicações de enxertos no futuro estarão restritas em face das
uma programação científica de alto nível, bastante abrangen- novas tecnologias que estão surgindo no mercado.“Dentre elas
te e de grande interesse aos cirurgiões-dentistas. Foram mais podemos destacar o desenvolvimento de tomografias com-
de 10 mil horas de atualização científica, distribuídas, em putadorizadas, a evolução dos softwares para planejamento
grande parte, pelos auditórios do Anhembi. Com a progra- e execução de cirurgias guiadas tipo NobelGuideTM, além dos
mação ampla, alguns cursos tiveram de ser ministrados em novos conceitos relacionados aos implantes zigomáticos e
salas do Hotel Holiday Inn e na própria sede da Associação inclinados e conceito All-on-4”, enumera.
Paulista de Cirurgiões Dentistas - APCD.
Na área da Implantodontia, o Fórum de Implan-
tes suscitou importantes debates entre os participantes,
sobretudo com relação às técnicas de enxerto ósseo. No
caso de reconstrução de maxila atrófica, Paulo Sérgio

especial 25o ciosp


Perri de Carvalho, professor titular da Faculdade de
Odontologia de Araçatuba – Unesp e da FO de Bauru
– USP, defendeu a utilização de enxertos obtidos em calota
craniana, abordando o tema Enxertos ósseos autógenos da
crista calvária.

José Massayoshi Miyagusko

O Fórum de Implantes teve ainda a participação de


Carlos Eduardo de Almeida Ferreira, que falou sobre Seio
maxilar: enxerto simples e previsível; Marcos Martins Curi
(Bifosfonatos e osteonecrose: um alerta aos implantodontistas);
Silvio Castelo Branco de Luca (Novo método de confecção de
conexões personalizadas em titânio, utilizando uma frezadora
CNC no local); e Fábio José Bezerra (Ancoragem ortodôntica
esquelética com miniimplantes de titânio).
Paulo Sérgio Perri de Carvalho
Conceito All-on-4
Segundo ele, embora esta seja uma técnica que exista
há bastante tempo para reconstruir maxilas, ela não é muito Apresentada como uma das grandes revoluções na
utilizada, pois requer equipe multidisciplinar, com neuroci- Implantodontia, a técnica All-on-4, também foi amplamente
rurgião e outros especialistas. Além disso, os profissionais discutida no megacurso Reabilitando maxila atrófica sem en-
alegam dificuldade em convencer o paciente a se submeter xerto ósseo: All-on-four standard, híbrido e zigoma. Paulo Malo,
a essa técnica”, informa Perri.“No entanto, as vantagens são especialista em casos complexos de reabilitação oral, CEO da
muitas como pós-operatório com pouco desconforto, peque- Clínica Malo e descobridor da técnica, abordou o All-on-4
na remodelação óssea durante a incorporação do enxerto e – Reabilitação do Desdentado Total com o Conceito All-on-4.
qualidade óssea. É mais uma opção que o cirurgião-dentista Ele demonstrou, por meio de teoria e de cirurgia ao vivo, em
tem para reconstruir maxila”, acrescenta. parceria com Jan Peter Ilg, mestre e doutor em Clínica Odon-

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):202-4 203 |


tológica – Área de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial porque podemos mostrar aquilo que vem sendo estudado
– Unicamp, que pacientes idosos, com maxila atrófica, podem para proporcionar uma maior previsibilidade nos resultados
ter sua função mastigatória e estética reabilitada em poucas dos trabalhos”, ressaltou.
horas, sem recorrer a enxerto ósseo.
“A nossa responsabilidade é muito grande, pois exis-
tem hoje 400 milhões de desdentados no mundo. Porém, é
preciso aprender bem a técnica cirúrgica, seguir os protocolos
e utilizar produtos certos para ter resultados satisfatórias”,
explicou Paulo Malo.“O All-on-4 é uma revolução completa
na reabilitação do desdentado total. É uma tecnologia rela-
tivamente nova e, por isso, encontrou alguma resistência,
sobretudo nos países europeus. O Brasil, por ser um país mais
aberto, acredito que a técnica será melhor assimilada. O fato
de termos apresentado a técnica num evento do porte do
Ciosp significa que conseguimos passar o novo conceito de
reabilitação oral para um grande número de profissionais”, Fernando Pereira Pastor

completou.
Dentro desse mesmo conceito, Glécio Vaz de Campos,
No megacurso, Reginaldo Migliorança, mestre em Im-
especialista em Periodontia e Prótese Dental e introdutor,
plantodontia pela CPO São Leopoldo Mandic e coordenador do
no Brasil, da técnica de microcirurgia periodontal, ministrou
curso de Especialização em Implantodontia da ABO-Campinas
palestra sobre o tema Como criar papila com enxerto conjun-
– Famosp, falou sobre o All-on-4 híbrido e zigomático. Segundo
tivo, com ênfase para a microcirurgia. De acordo com ele, a
especial 25o ciosp

Paulo Malo, a cirurgia zigomática deverá ser mais uma grande


microscopia vem otimizando as técnicas estabelecidas porque
revolução prevista para acontecer em 2008.
agrega precisão aos passos técnicos, tem ergonomia adequada,
iluminação melhor e favorece a aceitação dos pacientes nos
procedimentos cirúrgicos. “Embora apresente todas essas
vantagens, a técnica é pouco utilizada no país. A dificuldade
inicial para implantar os equipamentos, demanda treinamento
maior, além de recursos financeiros. Isso, contudo, vem sendo
contornado pelos fabricantes nacionais, que tornam o inves-
timento uma operação viável”, afirmou Glécio.

Reginaldo Migliorança

Jornada de Implantodontia
Temas da atualidade e de grande interesse dos implan-
todontistas foram abordados na Jornada de Implantodontia.
Fernando Pereira Pastor, mestre em Implantodontia pela
Unesp/Araçatuba e especialista em Prótese Dentária, falou
Glécio Vaz de Campos
sobre Função imediata em implantes unitários: quando e como
fazer. “O objetivo foi mostrar ao clínico as tendências atuais Participaram ainda da Jornada de Implantodontia,
da instalação de implantes unitários, a melhor indicação Marcos Lourenço, que apresentou o tema Excelência em so-
para pilares estéticos, os tipos de cerâmica para resultados e luções estéticas sobreimplantes, Maurício Carlos Motta e Ney
a excelência estética em áreas anteriores. O importante nessa Tamotsu Anabuki (O conceito All-on-4) e Francisco Fernando
jornada é diminuir a distância entre o pesquisador e o clínico, Todescan (Aplicações clínicas do NobelGuideTM).

| 204 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):202-4


Brasileiros têm oportunidade
de aperfeiçoamento no exterior
Seja em Lisboa ou Gotemburgo, os profissionais brasileiros terão, pelo menos,
duas grandes oportunidades de aperfeiçoamento no exterior.

A Malo-Education, empresa do O valor do curso é de 1.150 euros, ao vivo, ministrado pelo professor
Grupo Malo e um dos maiores centros mas assinantes da ImplantNews terão Karl-Erik Kahnberg e equipe. O curso
educacionais em Reabilitação Oral e desconto e pagarão 950 euros. acontecerá em Gotemburgo, na Suécia,
Implantes no mundo, irá realizar, em O curso de Residência Clínica, por ser este o berço da Implantodontia
Lisboa-Portugal, dois tipos de cursos que acontecerá de 3 a 7 de setembro, Osseointegrada e o local onde são rea-
no segundo semestre de 2007, espe- trata-se de um programa de observa- lizadas pesquisas de ponta na área.
cialmente voltados para participantes ção em que os participantes seguem o “Nes-
da América Latina: All-on-4 – Nobel- trabalho clínico e a agenda cirúrgica de se curso, o
GuideTM e Função Imediata e Programa Paulo Malo e de médicos assistentes. Os participante
de Residência Clínica. participantes são“integrados”na equipe terá a chance
Duran- clínica, podendo assistir a qualquer ci- de conhecer
te dois dias (3 rurgia e tratamento ou, caso prefiram, a Faculdade
e 4 de agosto seguir os procedimentos clínicos numa de Odonto-
próximos), o das salas de formação, via CCTV. logia da Uni-
doutor Paulo O programa inclui All-on-4, fun- versidade de
eventos

Malo, inven- ção imediata unitária e parcial, Malo- Gotemburgo,


tor da técnica Bridge e vários outros tratamentos na poderá interagir e aprender com os pro-
All-on-4 (pro- área da Prótese Fixa, assim como outros fessores do Departamento de Cirurgia
cedimento ci- procedimentos das várias especialida- da instituição e atuará como auxiliar de
rúrgico para a des da Dentística. cirurgias com esses mestres”, destaca
reabilitação de desdentados totais), e sua O valor desse programa de três Thomaz Wassall, coordenador de Pós-
equipe clínica, mostrará como é possível ou cinco dias é de 3.000 e 5.000 euros. Graduação e pró-reitor de Ensino e De-
proporcionar a todos esses pacientes uma Assinantes da ImplantNews pagam senvolvimento da SLMandic, que está
reabilitação oral com excelente estética, 2.600 e 4.600 euros). liderando o intercâmbio. Segundo ele,
utilizando técnicas de função imediata, Fazendo a inscrição até 18 de assinantes da ImplantNews também
recorrendo a um número limitado de maio, os participantes terão ainda poderão participar, tendo os mesmos
implantes e sem a necessidade de reali- 15% de desconto na taxa de adesão benefícios concedidos aos alunos da
zar cirurgia de reconstrução maxilar com dos cursos. SLMandic.
enxerto ósseo. Durante o curso haverá tradução
O curso focará ainda as vanta- Mais informações acesse o site simultânea e serão emitidos certificados
www.professionals-clinicamalo.com
gens da utilização da função imediata ou envie e-mail para da Universidade de Gotemburgo - De-
em casos unitários e pequenas pontes e education@maloclinics.com partamento de Cirurgia. A saída está
os procedimentos e protocolos clínicos prevista para o dia 8 de junho, em São
a seguir, de forma a alcançar o melhor Curso de Implantodontia na Suécia Paulo, com chegada à Suécia no dia 9
resultado estético e funcional. Destaque de junho. O retorno será no dia 16 de
também para o conceito NobelGui- Os implantodontistas terão uma junho, podendo a volta ficar em aberto
deTM e sua utilização com a técnica excelente oportunidade para reciclar por opção do participante.
All-on-4 que serão abordados através seus conhecimentos sobre cirurgias O valor do curso com hospeda-
da apresentação de casos clínicos. Os avançadas. Num intercâmbio entre a gem é de US$ 2.076.
participantes poderão ver, em detalhes, São Leopoldo Mandic e a Universidade Reservas e informações:
o plano de tratamento e o planejamento de Gotemburgo será realizado, de 11 RRCW Turismo
da cirurgia NobelGuideTM, realizada ao a 15 de junho próximos, o Curso Teó- Tel.: (19) 3239-0922
vivo durante o curso. rico de Implantodontia, com cirurgia rrcwturismo@slmandic.com.br

| 206 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):206


Periodontia e Cariologia ganham nova revista
PerioNews chega ao mercado para ser o mais completo veículo de divulgação
de produtos e serviços junto ao universo da especialidade.

– FOP – Unicamp e diretor científico da


Fotos: Luciola Okamoto

revista. “Dessa forma, a PerioNews foi


criada para atender à necessidade de
atualização de novos paradigmas con-
ceituais de doença, assim como bioma-
teriais, técnicas e evidências científicas
que norteiam a prática odontológica”,
acrescenta.
A primeira iniciativa ligada à re-
vista foi a realização de uma Mesa-Re-
donda sobre Periodontia e Cariologia:
ontem, hoje e amanhã, realizada em

lançamento
São Paulo, no dia 27 de fevereiro últi-
mo, para discutir importantes tópicos
na área da Periodontia e Cariologia.
Mesa-Redonda marcou o nascimento oficial da PerioNews. Para participar das discussões foram
convidados Carlos Alberto Dotto,
Eduardo Saba Chujfi, Enilson Antonio
A crescente demanda na área da to por trabalhos inéditos (teses, casos Sallum, Euloir Passanezi, Francisco
Periodontia e da Cariologia exige cada clínicos, artigos e revisões de literatura) Pustiglione, José Hildebrando Todes-
vez mais profissionais atualizados e ca- sobre Periodontia, caderno especial fixo can, José Roberto Cortelli, Rui Vicente
pacitados. Assim, visando oferecer um sobre Cariologia, reportagem especial Oppermann, Sonia Groisman e Wilson
espaço diferenciado para a publicação com enfoque informativo-analítico e Roberto Sendyk.
de trabalhos científicos e informações seções especiais. Para junho deste ano, a direção
que contribuam para aprimorar a prá- “A inter-relação da Periodon- da revista realizará o 1o PerioNews –
tica clínica dos cirurgiões-dentistas, tia com outras áreas da Odontologia Encontro Internacional de Atualização
a VMCom está lançando a trouxe a necessidade de uma Clínica em Periodontia e Cariologia
revista PerioNews, publi- revista que atenda ao clínico (veja programação na página seguinte).
cação dirigida a especialis- especialista assim como o clí- O tema do encontro será a Periodontia
tas em Periodontia, clínicos nico geral, visando ampliar as Contemporânea e dentro das atividades
que fazem Periodontia e possibilidades de cooperação programadas haverá o Curso master
especialistas interessados em mútua de informações para Periodontia, que será ministrado por
Cariologia. atingir resultados de sucesso. Dimitris N. Tatakis, diretor do Programa
Planejada como pu- Além disso, fica bastante claro, de Pós-Graduação em Periodontia da
blicação trimestral e com hoje, que não se pode estru- Universidade de Ohio, EUA.
uma tiragem inicial de 5.000 turar, muito menos executar Nesse curso, o professor Dimitris
exemplares, a PerioNews um tratamento odontológico abordará a Cirurgia Plástica, uma área
trará informações fundamentais para em um paciente, sem os conhecimentos que vem sendo bastante valorizada
a prática diária da Odontologia. No periodontais”, destaca Antonio Wilson dentro da Odontologia. “A busca pela
conteúdo, caderno científico compos- Sallum, professor titular de Periodontia estética é uma das principais metas tan-

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):209-10 209 |


to de pacientes quanto de profissionais Brasil, composto por professores douto- táquio da Costa, José Roberto Cortelli,
da saúde bucal. Assim, o curso deverá res e especialistas de renome das mais Luís Antonio P. Alves de Lima, Magda
despertar grande interesse, sobretudo expressivas universidades. A diversifica- Feres, Marcio Zaffalon Casati, Renato de
pela experiência do professor Dimitris, ção de formações e escolas traz para a Vasconcelos Alves, Ricardo Guimarães
que tem grande atividade nessa área, PerioNews a universalidade do conhe- Fischer, Roberto Fraga Moreira Lotufo,
inclusive com trabalhos em cimento, sem barreiras e com Rui Vicente Oppermann, Sérgio Luís da
Cirurgia Plástica Periodontal total isenção de interesses. Silva Pereira, Sonia Groisman, Urbino
e Regenerativa”, informa São eles: Álvaro Francisco da Rocha Tures, Valdir Gouveia Garcia,
Enilson Antonio Sallum, Bosco, Arthur Belém Nova- Wilson Roberto Sendyk e Wilson Tre-
professor titular de Periodon- es Júnior, Benedicto Egbert visan Jr.
tia - FOP-Unicamp.“Trata-se Corrêa de Toledo, Cassiano “Acredito que, assim como a
de um profissional bastante Kuchenbecker Rösing, Carlos ImplantNews, a revista PerioNews se
respeitado pelo Programa Alberto Dotto, Daiane Cristi- transformará em uma fonte inesgotável
de Pós-Doutorado na Uni- na Peruzzo, Eduardo Muniz de informação e conhecimento, total-
versidade de Ohio e pelas Barretto Tinoco, Eduardo mente adequada ao processo de edu-
pesquisas que realiza, trazendo sempre Saba Chujfi, Elcio Marcantonio Jr., cação continuada. Sinto-me privilegiado
contribuições baseadas em evidências Enilson Antonio Sallum, Euloir Passa- por estar na direção científica, pois tenho
científicas”, completa. nezi, Fernanda Vieira Ribeiro, Francisco certeza de que junto com o Conselho
Convém destacar que a revista Humberto Nocit Jr., Getúlio da Rocha Científico, alcançaremos uma somatória
PerioNews reúne um dos melhores Nogueira Filho, Henrique Cruz Pereira, altamente positiva para a Odontologia
Conselhos Científicos já formado no José Eduardo Cezar Sampaio, José Eus- brasileira”, conclui Wilson Sallum.

1O PerioNews
lançamento

Periodontia Contemporânea
Programação
22 de Junho de 2007 14h00 - Periodontia médica: pers- 23 de Junho de 2007
9h - Tratamento das recessões gen- pectivas atuais - Ricardo Guimarães 9h - Por que é difícil a Regeneração
givais: aspectos clínicos e biológicos Fischer Periodontal? - Carlos Alberto Dotto
- Álvaro Francisco Bosco 14h30 - Fator de risco no diagnóstico 9h30 - Doença periodontal x Doença
9h15 - Efeito da terapia periodontal do paciente periodontal - Rui Vicente periimplantar - Wilson Roberto Sendyk
no controle da Diabetes Mellitus Oppermann 10h - Antibioticoterapia no trata-
- Arthur Belém Novaes Jr. 15h - Cirurgias plásticas periodontais mento da periodontite - Magda Feres
9h45 - Relação entre Periodontia e a - Eduardo Saba Chujfi Figueiredo
Endodontia - Benedito Egbert Correa 15h30 - Intervalo para o café 10h30 - Intervalo para o café
Toledo 16h - Uso do laser para diagnóstico 11h - Relação da Periodontia com
10h15 - Intervalo para o café precoce de cárie - Fátima Antonia Ortodontia - Elcio Marcantonio Jr.
10h45 - Diagnóstico salivar para doen- Aparecida Zanin 11h30 - As opções na busca de re-
ças sistêmica - Sonia Groisman 16h30 - Antimicrobianos locais em construção estética e funcional do
11h15 - Correção cirúrgica estética Periodontia - Estado atual - Roberto periodonto - Enilson Antonio Sallum
das assimetrias gengivais - Cesário Fraga Moreira Lotufo 12h - Almoço
Antonio Duarte 17h - Recursos disponíveis e futuros 14h - Curso Master Periodontia -
11h45 - Diagnóstico periodontal: para regeneração periodontal - Euloir Dimitris N. Tatakis - Diretor do Progra-
parâmetros clínicos, radiográficos, Passanezi ma de Pós-Graduação em Periodontia
microbianos, imunológicos e gené- 17h30 - Diagnóstico e tratamento das da Universidade de Ohio, EUA
ticos - José Roberto Cortelli periodontites agressivas - Cassiano
12h15 - Intervalo para almoço Kuchenbecker Rösing 18h - Encerramento
18h - Jantar

| 210 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):209-10


Fundada em janeiro de 2007, durante dendo receber inscrições de outras
o 25o Ciosp, a ABI – Associação Bra- entidades afins, nacionais e interna-
sileira de Implantodontia já nasceu cionais que promovam a Implanto-
forte. Contando com os maiores nomes dontia. As Regionais são entidades
da Implantodontia nacional como odontológicas componentes da ABI,
seus sócios-fundadores, a entidade com autonomia jurídica, patrimonial
terá como primeiro presidente Luiz e administrativa, representativas dos
Antonio Gomes, conhecido no meio implantodontistas de sua área de

Implantodontistas odontológico como o idealizador e co-


ordenador do Congresso Internacional
de Osseointegração da APCD, diretor
abrangência.
IN - De imediato, o que se pretende
fazer?

criam do Departamento de Implantodontia


da APCD-Central, professor coorde-
Gomes - Claro que o primeiro passo
é providenciar os registros necessá-

associação
nador dos cursos de Especialização rios, já em andamento, pois existe
em Implantodontia da APCD-Central todo um trâmite burocrático para a
e São Leopoldo Mandic – Campinas, existência legal de uma entidade.

para fortalecer diretor científico da ImplantNews e


coordenador científico dos Encontros
Como estratégia de divulgação, pro-
curaremos participar de congressos
IN 2006 e 2007. Para saber um pouco para divulgar e aumentar o número
a classe mais sobre a ABI, a ImplantNews en-
trevistou o presidente da entidade:
de sócios. Também estamos fechando
parcerias com empresas de implantes
e materiais afins para proporcionar
IN - Como surgiu a idéia de fundar uma maiores benefícios aos nossos só-
lançamento

nova entidade ? cios, como descontos, entre outros.


Luiz Antonio Gomes - Foi uma conse- Na área científica teremos uma forte
qüência natural do amadurecimento de programação para os associados, pois
nossas atividades associativas e cientí- os mais conceituados professores da
ficas de muitos anos. Nós, professores Implantodontia brasileira são os fun-
e especialistas da área sentíamos há dadores da entidade, ficando fácil de
muito a necessidade de se criar uma programar boas atividades.
associação de abrangência nacional IN - Como funciona a categoria de sócio
Luiz Antonio Gomes que expressasse a união da categoria, que inclui as empresas na ABI?
Presidente da
recém-criada ABI
pensando nos seus mais diversos inte- Gomes - É a categoria sócio-empresa.
resses comuns. Ao idealizarmos a ABI, imaginávamos
IN - Quais são os principais objetivos fazê-la de maneira mais abrangente
da ABI ? possível, tratando da Implantodontia
Gomes - Trabalhar no sentido de nos seus mais diversos aspectos. As-
congregar a totalidade dos implanto- sim, as empresas de implantes não
dontistas e cirurgiões-dentistas inte- poderiam ficar de fora e foi criada essa
ressados na especialidade, buscando categoria.
o mais amplo aprimoramento cientí- IN - Para encerrar, o que podemos
fico-profissional de seus associados, esperar da ABI?
colaborando, assim, com o progresso Gomes - Muito. E afirmo isso com
da Implantodontia. Procuraremos, bastante segurança, pois existe uma
também, incentivar o relacionamento vontade coletiva de união dos im-
social, cultural, esportivo e de lazer de plantodontistas, conscientes que são,
seus associados. da importância do aprimoramento
IN - Como a ABI estará estruturada? científico e profissional, objetivando
Gomes - A ABI é constituída pela melhorar o atendimento em benefício
Central e por Secções Regionais, po- dos pacientes.

| 212 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):212


Plínio Augusto Rehse Tomaz
Cirurgião-Dentista, pós-graduado em
marketing e especialista em administra-
ção hospitalar e em saúde pública. Só-
cio-Diretor e consultor sênior da Tomaz
Marketing Solutions e autor dos livros
“Marketing para Dentistas”, “Consultó-
rio-Empresa” e “Alcançando o Alvo!!!”.

Investindo estrategicamente
Ao lermos os bons livros de fazendo com que se sintam especiais. Não investir no seu próprio
marketing que o mundo produz É preciso superar suas expectativas e negócio possui um custo muito maior,
podemos concluir que, dentre os proporcionar um ambiente completo que é o de perder clientes ou de não
diversos itens chave para o sucesso onde tudo e todos o têm como foco conquistá-los tanto quanto poderia.
de uma empresa (em nossa caso, de atenção. Não investir em comunicação pode
consultório ou clínica), merecem Você tem feito isso? Tem cer- significar, por exemplo, ser esquecido
especial destaque: teza? por clientes e parceiros comerciais.
marketing hoje

• Experiência de compra do cliente O cliente-rei precisa, de fato, Segundo Carlos Hilsdorf, “os maiores
precisa ser fantástico!!! estar no centro das atenções de toda custos de um negócio são os decorren-
• Relacionamento com o cliente a sua equipe em qualquer momento e tes de erros estratégicos”.
precisa ser contínuo, sincero circunstância. O cliente quer e precisa Observe que são muitos os co-
e empático. sentir-se bem-vindo e querido, tendo legas e clínicas que estão fracassando
• Encantamento do cliente precisa, uma experiência marcante durante a apenas por não adotarem uma estraté-
constantemente, superar suas expec- compra e a utilização do serviço-trata- gia clara, coerente e atual, tornando-se
tativas. mento. E não pode ser esquecido depois alvos fáceis aos concorrentes mais
No fundo, tudo isso reflete uma disto também. agressivos (comercialmente falando) e
mesma coisa: o cliente mudou, influen- Para uns, isso pode parecer apenas um número a mais diante das
ciado pelo Código de Defesa do Con- excessivamente simples, para outros, inúmeras opções dos clientes.
sumidor (1991) e pela economia estável excessivamente complexo e difícil. O Se você quer resultados reais
proporcionada pelo Plano Real (1994), fato é simples, mas a aplicação eficaz e práticos, mais clientes, melhores
tonando-o mais exigente, consciente e destes conceitos nem tanto. retornos financeiros ou mesmo re-
volúvel, com muitas alternativas para Como podemos colocar isso conhecimento profissional, precisa
lhe oferecer serviços similares. O novo em prática? É preciso investir sério e urgentemente adotar uma estratégia
cliente precisa ser paparicado, encan- conscientemente em treinamento e capaz de colocar o cliente no centro de
tado e receber continuamente ótimos capacitação de todos em sua equipe sua vida profissional e surpreendê-lo
motivos para continuar sendo cliente para que tenham esta visão. E isso, positivamente a cada dia, tornando-se
de um determinado profissional ou impreterivelmente, precisa começar inesquecível para ele.
estabelecimento. por você. Para isso, precisará investir em
Assim, os gurus de marketing são Agora preste atenção nisso: você e em sua equipe, entendendo que
praticamente unânimes em afirmar que investimento não é custo!! Se bem isso é essencial a seu negócio, mesmo que
a forma de conquistar e manter mais aplicado traz resultados e retorno, nem ainda não tenha conseguido enxergar
clientes neste mundo pós-moderno é que seja a médio ou longo prazo. Não que o mundo mudou e as coisas não são
conhecê-los profundamente em suas investir no negócio (neste caso, na mais como nossos professores e colegas e
necessidades e desejos, relacionar-se equipe, tecnologia ou conhecimento gerações anteriores nos contaram.
constantemente com eles, respeitan- de como encantar o cliente), é investir Invista em seu futuro e não no
do-os e considerando-os diferentes e no concorrente! do seu concorrente.

| 214 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):214


Projeto “Dentista do Bem” tem
reconhecimento internacional
Criado pela ONG Turma do Bem, do cirurgião-dentista Fábio Bibancos, o projeto “Dentista do Bem”
foi apresentado no fórum internacional de empreendedores sociais, em Zurique, um evento paralelo
ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Eleito Empreendedor existe muito trabalho a fazer;


Social de 2006 no Brasil pela assim que possível torna-
Fundação Schwab, Fábio remos público esses novos
Bibancos, cirurgião-dentista, caminhos”, comenta.
criador e presidente da ONG
Turma do Bem, participou da Reconhecimento
Cúpula Mundial de Empreen- internacional
dedores Sociais, que aconte-
ceu de 25 a 30 de janeiro, em Depois do reconheci-
responsabilidade social

Zurique, na Suíça. Ao lado de mento em âmbito interna-


cerca de 90 empreendedo- cional, o projeto “Dentista
res, de 35 países, das áreas do Bem” será mostrado por
de Educação, Energia, Meio Bibancos em outros eventos
Ambiente, Agricultura, entre Fábio Bibancos: presença da Odontologia na de alcance mundial, como o
Cúpula Mundial de Empreendedores Sociais.
outras, Bibancos foi o pri- Fórum Econômico da Amé-
meiro cirurgião-dentista do rica Latina, em abril deste
adolescentes de baixa renda com gra-
mundo a receber a distinção ano, no Chile, e no Fórum
ves problemas bucais até completarem
da Fundação, desde que esse prêmio Econômico Mundial de Davos, na Suíça,
18 anos. “Pela primeira vez os grandes
internacional surgiu em 1970. em janeiro de 2008.
capitalistas reconheceram que sem
“Mais que representar o Brasil, De volta ao Brasil, Bibancos sou-
cirurgião-dentista o mundo não fica
a Odontologia, pela primeira vez, be que as adesões ao projeto cresceram
equilibrado”, destaca Bibancos.
esteve presente no Fórum da Cúpula no país durante a realização do 25 O
Durante o encontro, ele falou
Mundial de Empreendedores Sociais. Congresso Internacional de Odontolo-
ainda da ampliação das atividades do
Foi uma alegria muito grande ganhar gia de São Paulo – Ciosp, que aconteceu
“Dentista do Bem”, com a produção
esse prêmio e ter a oportunidade de em São Paulo. Só para se ter uma idéia,
de um longa metragem infantil sobre
participar de um Fórum tão impor- em cinco dias cerca de 550 profissionais
Saúde Bucal, um documentário sobre
tante como esse”, afirmou Bibancos. da área se inscreveram para trabalhar
este problema no Brasil e o estabele-
Ele considera que sua participação foi voluntariamente para a causa odonto-
cimento de um programa de micro-
positiva, uma vez que todos os empreen- lógica. Agora são 1.300 “Dentistas do
crédito para pacientes que necessitam
dedores e financiadores mostraram-se Bem”credenciados. Desde a sua criação,
de atendimento urgente. ”Fiz contatos
interessados em conhecer o projeto o projeto já atendeu cerca de 1.500
com grandes empreendedores, pude
brasileiro para poder reproduzi-lo em menores nos consultórios particulares
trocar experiências com pessoas dos
outros países. de 650 cirurgiões-dentistas, espalhados
mais diversos países e com realidades
A ONG Turma do Bem foi criada por 163 cidades brasileiras. A rede é
muito semelhantes ou muito distintas
em 2002 e tem como principal objetivo completada ainda por 400 voluntários
das que encontramos no Brasil. Isso
o Projeto “Dentista do Bem”, uma responsáveis pela comunicação, divul-
enriqueceu muito o nosso projeto. Os
rede de profissionais de Odontologia gação e triagem – mais de 8 mil jovens
acordos foram firmados, mas ainda
que atende gratuitamente crianças e já foram triados no País.

| 216 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):216


Excelência Profissional em Implantodontia
é sucesso no 25o CIOSP
Lançado em ja- implantnews.com.br), previsto para o
neiro, durante o 25 o início de abril, o PEP será expandido
Ciosp – Congresso In- para todo o País, visando abranger,
ternacional de Odon- sobretudo, os assinantes da revista, que
tologia de São Paulo, o terão condições especiais para fazer a
Programa de Excelên- adesão. Esta é válida por um ano e dá
cia Profissional – PEP, direito a seis números da ImplantNews,
apresentado a todos os participação no IN 2007 (II Encontro In-
visitantes do estande da ternacional de Leitores ImplantNews),
revista ImplantNews, recebimento do Livro do Ano e acesso
também foi mostrado exclusivo ao portal eletrônico da revista,
a aproximadamente onde o integrante poderá consultar to-
400 congressistas que participaram do das as edições publicadas por seção.
Ciclo de Conferências com renomados No portal, o membro do PEP terá
O Programa já conta implantodontistas. Na ocasião, esses ainda, à disposição, consultoria técnica
especialistas demostraram casos de 24 horas com os especialistas: Luís R.
com várias adesões de excelência clínica em Implantodontia. Picosse, Paulo Sérgio Perri de Carvalho
PEP

Nas Conferências, denominadas e Wilson R. Sendyk, em Cirurgia; Cláu-


especialistas com “Bate-Bola”, os congressistas puderam dio Sendyk, César Arita e Ivete Sartori,

comprometimento para debater os avanços da moderna Im-


plantodontia com especialistas como
em Prótese; e Antonio Wilson Sallum,
Francisco F. Todescan e Arthur Belém
uma Implantodontia Mário Groisman, Fernando Pastor,
Samy Tunchel, Élcio Marcantonio Jr.,
Novaes, em Periodontia.
Vale lembrar que a coordenação
de alta qualidade. Rogério Margonar, Fábio Bezerra, César científica do Programa está a cargo
Arita, Marco Antonio Bottino, Frede- dos implantodontistas Luiz Antonio
rico Nigro, Fernando Cauduro, José Gomes, diretor responsável da Im-
Cícero Dinato, Carlos E. Francischone, plantNews, e Paulo Sérgio Perri de
José Flávio Torezan, Ricardo Curcio, Carvalho, relator do Conselho Cien-
Guilherme Perin, Paulo Sérgio Perri de tífico da revista. Na gestão executiva a
Carvalho, Carlos Araújo, Milton Miran- responsabilidade é de Aluizio Canto,
da, Francisco Todescan, Ivete Sartori e gerente de Marketing da ImplantNews,
Luiz Fernando Akaki Borges. e a coordenação de logística e realização
são da VM Comunicações.
Equipe de ouro
Os congressistas que fizeram
a adesão ao Programa tornaram-se
Portal ImplantNews
membros do Gold Standard Team, As adesões ao Programa de
ao lado dos membros do Conselho Excelência Profissional – PEP
Científico da ImplantNews. Esse grupo poderão ser feitas no novo portal
tem como compromisso atuar para ser da revista ImplantNews
uma referência de qualidade para toda (www.implantnews.com.br) ou ainda
a Implantodontia brasileira. na Central de Relacionamento
Com o lançamento do novo com o Assinante.
Portal da revista ImplantNews (www. Tel.: (11) 2168-3400.

| 218 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):218


ITI Brasil tem novo chairman
A seção Bra- internacionais de peso. Assim, queremos passar
sil do ITI – Inter- aos clínicos que trabalham com a Implantodontia
national Team for e suas áreas afins, uma visão de segurança clínica,
Implantology está baseada em comprovações”, afirma.
sob novo comando. Para colocar em prática a plataforma de
Em novembro de 2006, os fellows elegeram o trabalho e, dessa forma, sedimentar a filosofia do
chairman e o educational delegate, Waldemar ITI no Brasil, Polido e Januário querem promover
Polido e Alessandro Januário, respectivamente, inúmeros encontros (grupos de estudo, cursos
para o período 2007/2008, em substituição a rápidos, cursos longos e eventos regionais), fo-
Pedro Tortamano e Luiz Alves de Lima. Os cando na educação para o tratamento clínico dos
novos líderes terão como atribuição trabalhar, Polido: novo chairman do ITI Brasil. pacientes com técnicas baseadas em evidências
em conjunto com todos os membros, em prol científicas.
dos objetivos e da missão do ITI. Criada em 2004, a seção Brasil do ITI apresenta um
Segundo Polido, que é doutor em Cirurgia e Traumato- dos maiores crescimentos entre as seções mundiais. São 17
logia Bucomaxilofacial e coordenador do curso de Especiali- fellows e cerca de 250 membros, em quase todos os Estados
zação em Implantodontia da ABO-RS, no Brasil, há um sem brasileiros.“Para o ITI Internacional é importante esse cres-
número de cursos e congressos, e uma disputa acirrada entre cimento em número de fellows e membros qualificados, já
diversas empresas de implantes. “Nosso trabalho será o de que a Implantodontia brasileira é reconhecidamente uma das
sedimentar a filosofia de planejamento e tratamento, que pode melhores do mundo”, informa Polido.“O Brasil é uma das na-
ser aplicada a diversas situações clínicas, independente do sis- ções onde mais se fazem implantes, apesar das dificuldades
mercado in

tema de implantes usado. Os conceitos e formas de tratamento socioeconômicas existentes no País. Com um mercado cada
são sempre baseados em evidências científicas e biológicas, vez mais concorrido, a função do ITI de educar, pesquisar e
discutidos em reuniões de consensos, e publicados em revistas desenvolver é cada vez mais importante”, conclui.

Bicon promove cursos em vários Estados do Brasil


A Bicon, empresa construída sob 20 anos de sucesso clínico e 35 de pesquisa
e desenvolvimento, disponibiliza seus cursos em vários Estados do Brasil. Confira:
São Paulo/Capital Belo Horizonte
Cordenadores: Marcelo Affonso, Paulo Floriano, Paulo Coordenadores: Bicon
Matsuda Local: Instituto José Gama de Odontologia – Rua Conde de
Local: Clínica Bruno Pato – Rua Borges Lagoa, 280 – Vila Linhares, 809 – Centro – Tel.: (31) 3296-5448
Clementino – Tel.: (11) 5542-2920 Módulos cirúrgicos e Protéticos Hands-on 2007: 9 e 10/3
Módulos cirúrgicos 2007: 16/3 - 20/4 - 18/5 - 15/6 - 20/7 - 13 e 14/4 - 4 e 5/5 - 6 e 7/7 - 10 e 11/8 - 9 e 10/11
- 17/8 - 21/9 - 26/10 - 23/11
Módulos Protéticos 2007: 17/3 - 19/5 - 18/8 - 27/10 Curitiba
- 24/11 Coordenador: João César Zielak
Local: Faculdade de Odontologia da Unicenp - Rua Prof.
Florianópolis Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 - Campo Comprido
Coordenadores: Nilo Freire, Wilson Andriani Junior Tel.: (41) 3317-3000
Local: Clínica Arte Dental – Rua Cristovão Nunes Pereira, Módulos cirúrgicos e/ou Protéticos 2007: Todas as terças-
100 - sala 801 - Centro – Tel.: (48) 3028-9940 feira/4 horas semanais
Módulos cirúrgicos 2007: 24/3 - 12/5 - 13/6 - 15/9 -
17/11 Outras informações: (11) 5542-2920/5042-1835 /
0800-7701985 ou pelo e-mail: bicon@bicon.com.br
Módulos Protéticos 2007: 25/3 - 13/5 - 14/6 - 16/9 -
18/11

| 220 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):220-3


Bioparts lança software 3D
O software Den- cirúrgicas, por tecnologias de pro-
talSlice da Bioparts, em- totipagem rápida, que direcionam
presa especializada em tanto as brocas quanto a colocação
prototipagem biomédica dos implantes durante a cirurgia,
é uma ferramenta de pla- permitindo transferir de maneira
nejamento implantodôntico pré-operatório, desenhada para precisa a posição dos implantes
oferecer auxílio cirúrgico-protético com alto nível de precisão da tela do computador para o
e aumentar a margem de segurança do ato operatório. paciente
Com o auxílio do software, o cirurgião-dentista abre Além de proporcionar
imagem em 3D e “navega” como num videogame, criando maior previsibilidade e segurança
simulações realistas de planos de tratamento levando em nos planejamentos, o DentalSlice
Imagem em 3D: planejamento
consideração tanto a quantidade de suporte ósseo quanto tem ainda a vantagem de promo- do implante e colocação da guia.
os requisitos protéticos. Nessas simulações, os implantes são ver a comunicação entre a equipe
inseridos e posicionados de maneira rápida e ágil e qualquer cirúrgica e o paciente.
plano de tratamento pode ser modificado por meio de ferra-
mentas de exclusão e alteração dos implantes.
Outras informações:
Baseado neste planejamento, a Bioparts produz guias www.bioparts.com.br e www.dentalslice.com.br

Cursos da Kulzer no Ciosp atraíram o público

mercado in
A Heraeus apresentar ao público o que havia de mais atual nas tecno-
Kulzer promoveu logias disponíveis para as áreas de Estética, Restauração e
47 cursos gra- Reabilitação.
tuitos durante o Além dos cursos gratuitos, que foram realizados no
25 O Congresso estande da empresa, a Heraeus Kulzer também marcou
Internacional de presença na grade oficial do Congresso patrocinando um
Odontologia de seminário ministrado pelo doutor Newton Fahl Junior, dois
São Paulo - Ciosp, workshops de Estética e uma jornada de especialidades
que aconteceu em Prótese.
entre dos dias 27
e 31 de janeiro, em São Paulo. Mais de mil pessoas parti-
Informações sobre a empresa:
ciparam da programação, que incluiu atividades teóricas
www.heraeus-kulzer.com.br
e práticas nas áreas de Dentística e Prótese. O objetivo foi

Conferência 2007 da Nobel Biocare acontece em maio


A edição 2007 da Conferên- própria conferência e terá a oportunidade de conhecer os
cia Mundial da Nobel Biocare, que maiores especialistas mundiais, por meio de debates globais
reúne mais de 6.000 participantes, e assuntos do dia-a-dia, workshops, programas hands-on,
acontecerá de 20 a 24 de maio pró- fóruns, tratamentos transmitidos ao vivo, seminários, sessões
ximo, em Las Vegas. O evento é voltado para profissionais de práticas e painéis, entre outras atividades.
todas as áreas da Odontologia e contará com a participação
de Per-Ingvar Brånemark, o descobridor do princípio da Mais informações sobre
Nobel Biocare Conferência 2007 Mundial
Osseointegração. acesse o endereço
Nesse evento, o participante poderá estruturar sua www.nobelbiocare.com/worldconference

REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):220-3 223 |


Nilcéa N. Baldacci
Mestre em Deontologia e Odontologia
Legal pela Fousp; Diretora do Ibreas.

As várias faces É comum em países que passa-


ram por regimes políticos repressivos
ocorrer uma liberalização e, conseqüen-
formações acerca de alguém pode entrar
em conflito com outros direitos indivi-
duais protegidos pela Constituição, que

do direito temente, uma fase de euforia quando


tudo que era proibido passa a ser
são os direitos da personalidade – honra
e privacidade, entre outros.

à informação
permitido. Assim aconteceu no Brasil, No que diz respeito ao direito à
quando após alguns anos de repressão informação é imprescindível fazer uma
a sociedade buscou formas de restabe- reflexão sobre as diferenças que existem
lecer a democracia no País. entre esta expressão e o direito/dever
Com a Constituição editada em de informar.
1988, os direitos individuais passaram a Em um primeiro momento pode
ser amplamente protegidos como forma parecer apenas jogo de palavras, sem
responsabilidade civil

de se preservar a dignidade humana con- grande significado, mas numa análise


tra qualquer tipo de arbítrio. Entre esses menos superficial fica evidente a impor-
direitos individuais, o direito à informação tância dessa diferenciação conceitual
tem adquirido grande relevância. com reflexos concretos na vida social
Com base nesse direito constitu- e profissional.
cional foi possível a muitas pessoas terem Exemplificando para o caso da
acesso a informações pessoais constantes Odontologia, o paciente tem o direito
de cadastros e relatórios até então priva- de receber todas as informações sobre o
tivos das esferas governamentais, alguns estado de sua saúde bucal, sobre os riscos
até com detalhes inverídicos, o que resul- e benefícios do que lhe está sendo ofe-
tou em vários casos de ações judiciais com recido, e outras informações relativas ao
o pagamento de indenizações aos lesa- negócio contratual que pretende realizar.
dos. Exemplos são os arquivos do antigo O cirurgião-dentista também tem o direi-
SNI, o Serviço Nacional de Informação, to de receber todas as informações sobre
do Governo Federal, que atuou nos o paciente, que possam vir a interferir no
anos do regime de exceção. Da mesma tratamento proposto, o que se transforma,
forma, o cidadão também tem o direito para o paciente, em dever de informar.
de conhecer as informações constantes A partir desse duplo pólo gerado
dos cadastros, bancários e outros, que são pelo direito/dever podem surgir situações
intercambiadas no mercado. geradoras de conflitos, uma vez que, por
Se, por um lado, o direito à vezes, aquele a quem devem ser transmi-
informação deve ser respeitado, por tidas as informações é um terceiro, o que
outro, existem situações em que o de- pode vir a chocar-se com os direitos pro-
tentor da informação deve prestá-las tegidos pelos direitos de personalidade,
a outrem, às vezes até por imposição como aquele referente à privacidade dos
legal – dever de informar - como é o dados pessoais e de saúde do paciente,
caso das notificações sobre doenças quando então, o caso concreto deve ser
infecto-contagiosas ou em virtude de analisado para que não sejam feridos
exigências contratuais. – nem um e nem outro –, o que será tema
Nesses casos o dever de prestar in- da matéria do próximo número.

| 224 REVISTA IMPLANTNEWS 2007;4(2):224


– Sauvignon Blanc, Chablis. Car-
paccio de carne – branco seco ou
tinto médio. Saladas sem vinagre
com limão – branco seco leve. Caviar
– Champagne, Cava.
• Queijos: Gorgonzola, Roquefort
Irênio de Oliveira Filho
– branco de sobremesa, Porto colhei-
Especialista em Prótese
e Implantodontia. ta de 10, 20, 30 anos ou Vintage. Par-
mesão, Gruyére,

Harmonização: vinho e cozinha Emmental – tin-


to pesado ou
Jerez fino. Ca-
A relação do vinho com a co- gados são equilibrados com vinhos de membert, Brie
zinha é conhecida há muito tempo. acidez elevada; vinhos tintos secos com – branco seco,
Nenhuma outra bebida apresenta a queijos cobertos por geléias; vinhos tinto médio ou
gama de aromas, sabores e texturas do fortificados doces com queijos salgados, tinto frutado.
que o vinho. Assim, harmonizar vinho e assim por diante. • Carnes: Churrasco – tintos jovens.
e comida, é uma das melhores diversões A harmonização se faz levando-se Estrogonofe – Malbec, Merlot. Bis-
que um apaixonado ou simplesmente em conta os componentes, os aromas e teca grelhada – Chiant, Beaujolais-
apreciador de vinhos pode encontrar. a textura. Os componentes são as sensa- Villages. Cabrito – Rioja reserva,
Mas é preciso ter um mínimo de conhe- ções primárias que percebemos por meio Borgonha tinto maduro, outros Pinot
cimento e deixar de lado os preconcei- das percepções gustativas (doce, salgado, Noir. Carneiro – tintos envelhecidos.
qualidade de vida

tos, sejam eles quais forem. acidez, amargor) e dos térmico-táteis Carneiro assado – Cabernet Sauvig-
Embora seja difícil conseguir a (álcool e taninos), que normalmente non do novo mundo ou boas safras
harmonia perfeita, felizes são os que prevalecem sobre aromas e textura. de Bordeau. Coelho – Rioja, Bor-
entendem que a busca pela informação Os aromas são melhores combi- gonha, Beaujolais-Villages. Frango
é mais importante do que o resultado. nados por similaridade (aromas florais, – vinhos de todas as cores e estilos,
Reconhecemos tanto no vinho quanto na frutados ou animais no vinho e na dependendo da receita. Leitão
comida elementos que podem ser identi- comida), uma vez que é difícil definir o assado – tinto jovem de Cabernet
ficados e individualizados, estabelecendo que seria a oposição de aromas. Estes, Sauvignon ou bons Espumantes.
ligações entre os dois. Neste caso, quanto geralmente, não são os elementos-chave • Frutos do mar: Lagosta, Lagostin,
mais intensa e numerosa forem as cone- de uma combinação, mas sim comple- Camarões – Cava, Champagne,
xões, melhor será a harmonização. Esses mentos que transformam harmoniza- brancos Chardonay, Sauvignon
elementos podem se relacionar de duas ções simples em momentos especiais. Blanc ou tintos leves se for com
formas: similaridade e oposição. As texturas estão ligadas às sensa- molho vermelho. Lulas – branco seco
Similaridade é a mais habitual ções táteis, que ampliam muito as pos- médio. Paella – branco de qualquer
e consiste no relacionamento entre os sibilidades de utilização, podendo variar origem ou rosés.
elementos semelhantes do vinho e da desde o mais simples, leve ou pesado, • Culinária chinesa: vinho rosé seco ou
cozinha, que podem ser misturados até as sensações complexas como as de meio seco, espumantes secos, Sau-
entre si para criar um vínculo. É o caso untuosidade, aveludado, maciez, rugo- vignon Blanc ou Gewurztraminer.
dos vinhos doces utilizados para com- sidade e temperatura. O peso do prato • Risotos: branco ou tinto médio de-
binações com sobremesas, dos molhos pode determinar o peso do vinho. pendendo da receita.
ácidos que pedem vinhos com maior Algumas combinações são clássi- • Massas: com molho à base de carne,
acidez ou das refeições com condimen- cas em revistas e livros, porém são simples todos os tintos italianos. Para molhos
tos, saboreadas com vinhos com aroma sugestões para tentar facilitar uma esco- brancos, com peixes ou mariscos,
de pimenta, entre outros. lha entre vinho e comida, mas o principal vinhos brancos.
Já a oposição é outra forma de é o gosto e a experiência pessoal. Não tenha dúvida que fazer essas
relacionar os elementos do vinho e da tentativas de erros e acertos lhe dará
comida. Talvez esta seja a mais insti- Sugestões: uma experiência ímpar e fascinante,
gante por criar um monoequilíbrio de • Entradas: Melão com presunto isso porque em vinho e cozinha conta
sabores, aromas e texturas. Pratos sal- – vinho branco seco médio. Ostras o gosto de cada indivíduo.

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