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Autores

Janaina Azevedo Martuscello


Manoel Eduardo Rozalino Santos
Juliana Rodrigues Alves
MARTUSCELLO, J.A.,
SANTOS, M.E.R., ALVES,
J.R. 2020. Formação de
pastagens. São João del-Rei:
UFSJ. E-book. ISBN:978-
65-00-10971-9
FORMAÇÃO DE PASTAGENS
Em qualquer setor da atividade pecuária bovina, quer leiteira ou de
corte, independente do nível tecnológico a ser adotado, o investimento no
estabelecimento ou formação de pastagens deve ser considerado como
uma etapa importante da exploração que influencia o manejo,
produtividade e sustentabilidade do sistema.

Formação ou estabelecimento ou implantação de pastagens é a fase


do empreendimento que inclui o planejamento e projeção da exploração,
análise de solo, correção (calagem e gessagem) e preparo do solo,
adubação, semeadura ou plantio até o início de utilização da pastagem.

Alguns cuidados devem ser observados no estabelecimento de uma


pastagem:
4
PLANEJAMENTO
A decisão de estabelecer, recuperar ou
renovar uma pastagem deve ser
acompanhada de uma análise criteriosa da
finalidade do investimento (uso previsto
para a pastagem), da atividade pecuária a ser
adotada (leite ou corte), da experiência do
produtor na atividade, do nível tecnológico a
ser adotado, das características do solo,
clima e tipo de exploração.
5
ESCOLHA DE ESPÉCIE
A escolha da espécie forrageira deve levar em consideração várias características:

• tolerância à seca; • compatibilidade entre espécies (no caso de pastos

• tolerância à geadas; consorciados);

• tolerância à inundação periódica; • potencial produtivo da espécie forrageira a ser

• tolerância à pragas e doenças; implantada;

• tolerância à acidez do solo; • rapidez de estabelecimento – espécies que apresentam

• capacidade de produzir sementes; crescimento inicial lento deixam o solo descoberto por

• hábito de crescimento – refere-se à morfologia das plantas que um longo período de tempo, consequentemente mais

podem ser cespitosas (formam touceiras com crescimento vulnerável à erosão e à infestação por plantas daninhas;

vertical sobre ao solo) ou estoloníferas (que são rasteiras, com • capacidade de rebrotação – é desejável que a rebrotação

colmos desenvolvendo-se paralelamente ao solo). Estas últimas seja rápida logo após o corte, pastejo ou fogo e;

proporcionam melhor cobertura do solo e, consequentemente, • preferência pelo animal – é a aceitabilidade de uma

reduzem riscos de erosão, sobretudo em área de topografia planta ou parte dela pelo animal em pastejo.

inclinada;
6
RELAÇÃO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS E ALGUMAS DE SUAS CARACTERÍSTICAS

Brachiaria brizantha cv. Marandu Brachiaria brizantha cv. Piatã


Exigência em Fertilidade: Média
Exigência em Fertilidade: Média
Tolerância Frio: Média
Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Média
Tolerância Seca: Média
Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Umidade: Média
Tolerância Cigarrinha: Média
Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Proteção do solo: Média
Proteção do solo: Média
Brachiaria decumbens cv. Basilisk Brachiaria brizantha cv. Xaraés

Exigência em Fertilidade: Média


Exigência em Fertilidade: Baixa
Tolerância Frio: Média
Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Média
Tolerância Seca: Boa
Tolerância Umidade: Média
Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Tolerância Cigarrinha: Susceptível
Proteção do solo: Média
Proteção do solo: Boa
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RELAÇÃO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS E ALGUMAS DE SUAS CARACTERÍSTICAS
Brachiaria humidicola
Exigência em Fertilidade: Baixa
Panicum maximum cv. Mombaça
Tolerância Frio: Baixa
Tolerância Seca: Média Exigência em Fertilidade: Alta
Tolerância Umidade: Boa Tolerância Frio: Média
Tolerância Cigarrinha: Resistente Tolerância Seca: Média
Proteção do solo: Boa Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Cynodon nlemfuensis - Capim- Proteção do solo: Baixa
estrela
Brachiaria brizantha cv. Paiaguás

Exigência em Fertilidade: Média a alta Exigência em Fertilidade: Alta


Tolerância Frio: Baixa Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Boa Tolerância Seca: Média
Tolerância Umidade: Média Tolerância Umidade: Média
Tolerância Cigarrinha: Resistente Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Proteção do solo: Média Proteção do solo: Alta

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RELAÇÃO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS E ALGUMAS DE SUAS CARACTERÍSTICAS

Panicum maximum cv. Quênia


Panicum maximum cv. Zuri
Exigência em Fertilidade: Alta
Exigência em Fertilidade: Alta Tolerância Frio: Média
Tolerância Frio: Média Tolerância Seca: Média
Tolerância Seca: Média Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Umidade: Baixa Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Tolerância Cigarrinha: Tolerante Proteção do solo: Baixa
Proteção do solo: Baixa
Panicum maximum cv. Massai Panicum maximum cv. Tamani

Exigência em Fertilidade: Média Exigência em Fertilidade: alta


Tolerância Frio: Boa Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Média a Boa Tolerância Seca: Média a Boa
Tolerância Umidade: Baixa Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Cigarrinha: Tolerante Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Proteção do solo: Baixa Proteção do solo: Baixa

9
RELAÇÃO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS E ALGUMAS DE SUAS CARACTERÍSTICAS

Pennisetum glaucum –
Pennisetum purpureum -
Milheto
Capim-elefante
Exigência em Fertilidade: Média a
Exigência em Fertilidade: Alta
baixa
Tolerância Frio: Média
Tolerância Frio: Baixa
Tolerância Seca: Baixa
Tolerância Seca: Alta
Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Umidade: Baixa
Tolerância Cigarrinha: Média
Tolerância Cigarrinha: Resistente
Andropogon gayanus cv. Paspalum notatum – Proteção do solo: Baixa
Proteção do solo: Baixa
Baeti Pensacola

Exigência em Fertilidade: Baixa Exigência em Fertilidade: Média a


Tolerância Frio: Alta boa
Tolerância Seca: Alta Tolerância Frio: Boa

Tolerância Umidade: Baixa Tolerância Seca: Boa

Tolerância Cigarrinha: Resistente Tolerância Umidade: Baixa


Tolerância Cigarrinha: Tolerante
Proteção do solo: Média
Proteção do solo: Boa
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Relação de leguminosas forrageiras e algumas de suas características

Calopogonium mucunoides - Calopogônio


Exigência em Fertilidade: Baixa a média
Tolerância Frio: Baixa
Tolerância Seca: Alta
Tolerância Umidade: Média

Estilosantes Campo Grande


Exigência em Fertilidade: Baixa
Tolerância Frio: -
Tolerância Seca: Alta
Tolerância Umidade: -

Leucaena leucocephala- Leucena


Exigência em Fertilidade: Alta
Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Alta
Tolerância Umidade: Baixa
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Relação de leguminosas forrageiras e algumas de suas características

Cajanus cajan- Guandu


Exigência em Fertilidade: Baixa a média
Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Alta
Tolerância Umidade: Baixa

Arachis pintoi- Amendoin forrageiro


Exigência em Fertilidade: Baixa a média
Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Média
Tolerância Umidade: Média a alta

Stizolobium aterrimum - Mucuna-preta


Exigência em Fertilidade: Baixa a média
Tolerância Frio: Média
Tolerância Seca: Alta
Tolerância Umidade: Baixa
12
AMOSTRAGEM E ANÁLISE DO SOLO
Após a definição da área a ser estabelecida com a forrageira ou
mesmo para ser renovada ou recuperada, a amostragem do solo é a
primeira e uma das principais etapas na avaliação da fertilidade do solo.
Em função da análise química da amostra do solo é que se define as doses
de corretivo (calcário e gesso) e adubos a serem aplicados.

A seguir, são relacionados os principais passos a serem seguidos


para uma amostragem correta de solo:

13
1ª Etapa:
Subdividir a área em talhões ou glebas mais homogêneas possível: levar
em consideração a vegetação existente na área, a posição topográfica (topo do
morro, meia encosta, baixada), a cor e textura do solo (argilosa ou arenosa),
condições de drenagem, o histórico da área no que se refere a utilização atual e
anterior, a produtividade, uso de fertilizantes e corretivos, etc.
Após a divisão em glebas homogêneas, nunca superiores a 20 hectares,
amostrar cada área isoladamente. Separar as glebas com a mesma posição
topográfica (solos de morro, meia encosta, baixada etc), cor do solo, textura
(solos argilosos, arenosos), cultura ou vegetação anterior (pastagem, café, milho
etc.) e adubação e calagem anteriores.
14
2ª Etapa:
Em cada gleba ou talhão deve-se colher de 20 a 30 amostras, que são
denominadas de amostras simples. Essas amostras devem ser colhidas
obedecendo aos locais e distribuição de um caminhamento em zigue-zague.

3ª Etapa:
Antes da colheita da amostra de solo, deve-se remover toda a cobertura
vegetal existente sobre o solo, para todos os métodos a serem utilizados,
mantendo-se a mesma profundidade e volume por amostra simples colhida.

15
4ª Etapa:
As 20 a 30 amostras simples retiradas por talhão ou gleba homogênea,
depois de rigorosamente misturadas, constituem amostra denominada de
composta, da qual retira-se 0,5 kg aproximadamente para ser enviada ao
laboratório.

5ª Etapa:
Após a conclusão da colheita das amostras compostas de cada gleba ou
talhões, faz-se a identificação das amostras.

16
TOPOGRAFIA DA REGIÃO
São grandes os riscos de erosão durante o
processo de formação e utilização das pastagens
em áreas montanhosas. Entretanto, esses riscos
poderão ser diminuídos, através da adoção de
métodos adequados de preparo de solo, como o
sulcamento ou preparo em faixas alternadas e
em nível, e da escolha de uma espécie forrageira
que, além de apresentar um rápido
estabelecimento, também permita uma boa
cobertura vegetal do solo, protegendo-o, assim,
da erosão.
17
MÉTODOS DE FORMAÇÃO OU
ESTABELECIMENTO DE PASTAGEM

A intensidade de preparo do solo para semeadura (uso de


sementes) ou plantio (uso de mudas) de uma forrageira definirá
a modalidade de formação. Os principais métodos de
estabelecimento de pastagens se resumem em:

18
✓ Formação, recuperação ou renovação de pastagens com preparo total da
área: Este método de estabelecimento se caracteriza, em geral, pela
substituição da vegetação existente na área por espécies introduzidas;

✓ Formação, recuperação ou renovação de pastagens com preparo parcial


da área: O preparo parcial da área pode incluir semeaduras ou plantios em
covas, quando então, a área cultivada é mínima e pode aumentar com o
estabelecimento em sulcos e faixas de preparo do solo;

19
✓ Formação, recuperação ou renovação de pastagens sem preparo do solo:
Pode ser através da semeadura em superfície do solo. Por exemplo, nas regiões
de mata, em geral, faz-se o corte da vegetação, queima-se, e em seguida realiza
a semeadura a lanço na superfície do solo ou em covas. No primeiro período
chuvoso depois da semeadura deixa-se as plantas crescerem até a maturação
das sementes para permitir uma ressemeadura na área e cobertura de espaços
vazios. Outra possível situação de não preparo do solo pode ser, por exemplo, a
semeadura ou plantio de forrageiras numa pastagem nativa que foi apenas
rebaixada por pastejo pesado ou fogo e;

20
✓ Formação, recuperação ou renovação de pastagens em semeadura ou plantio direto: A recuperação
das áreas degradadas por métodos tradicionais de preparo de solo e semeadura da forrageira é muito
onerosa, em especial pela necessidade de correção e fertilização (Portes et al., 2000). Por isso, a estratégia
de recuperação ou renovação e mesmo de formação de pastagem conjuntamente com o consórcio de
culturas de grãos tem se mostrado uma alternativa viável. Segundo Diaz Rossello (1992), a interação
agricultura-pecuária aparece como uma das estratégias mais promissoras para desenvolver sistemas de
produção sustentáveis no tempo. Existem vários trabalhos que mostram o efeito negativo de longo período
com agricultura nas características do solo. O efeito é revertido à medida que aumenta o número de anos
sucessivos com pastagens. O cultivo de plantas forrageiras para pastejo, em áreas antecedidas com plantas
para produção de grãos, integrado num plano de rotação de culturas, visa, no sistema de plantio direto,
recuperar a capacidade produtiva do solo, em especial quanto aos aspectos de reciclagem parcial dos
nutrientes, formação de horizonte superficial orgânico e grumoso e fornecimento de cobertura morta
(palhada) para o cultivo seguinte. Além disso, a rotação de culturas apresenta outros benefícios como
redução da incidência de pragas, doenças e plantas daninhas nas culturas, erosão, lixiviação de nutrientes e
aumento da atividade e diversidade biológica no solo. 21
Na formação ou recuperação de pastagens com agricultura, culturas como a de milho,
sorgo, milheto, arroz, soja e feijão são utilizadas de forma consolidada na integração lavoura-
pecuária, sendo de fácil utilização no consórcio, permitindo a implantação da pastagem, além
de produzir grãos e forragem.
Assim, quando se utiliza, por exemplo, o consórcio do milho com Brachiaria, a
semeadura da forrageira pode ser realizada a lanço, ficando a semente na superfície do solo,
sendo incorporada com a capina ou cultivo do milho. Também se pode realizar a semeadura
juntamente com a do milho, em sistema de plantio direto. Neste último caso, utiliza-se
semeadura da Brachiaria na entrelinha do milho com aproximadamente 2 cm de
profundidade. Para evitar competição da forrageira com o milho, poderão ser utilizadas
subdoses de herbicidas, aplicadas 20 a 30 dias após a emergência do milho, retardando o
desenvolvimento da forrageira e das plantas daninhas.
22
Após o início da senescência do milho, a forrageira retoma o crescimento
sem prejudicar o rendimento e a colheita dos cereais, proporcionando boa
cobertura do solo e pastagem para o gado na época da seca, além de garantir
palhada para o cultivo seguinte (Agnes et al, 2004).

Dentro deste contexto, Silva et al. (2003), avaliando diferentes formas de


semeaduras no consórcio milho e Brachiaria brizantha, observaram que o cultivo
de duas linhas de braquiária na entrelinha do milho proporcionou maior produção
de biomassa da braquiária sem influenciar a produtividade do milho (Tabela 1).

23
Tabela 1 - Biomassa de plantas daninhas aos 60 dias após a emergência do milho, rendimento do capim Brachiaria
brizantha, em matéria seca (MS), e de grãos de milho nos diferentes arranjos de semeadura e com uso de herbicidas
aplicados em pós-emergência

Plantas daninhas B. brizantha Milho


Arranjo de semeadura
(g/cm2) Kg/ha de MS Kg/ha de grãs
Duas linhas de Brachiaria na
48 2.664 5.030
entrelinha do milho
Uma linha de Brachiaria na entrelinha
81 1.154 5.771
do milho
Uma linha de Brachiaria na linha do
80 715 5.550
milho

Brachiaria à lanço na linha do milho 57 450 5.772

Braquiária solteira 84 7.664 --------


Milho solteiro 75 -------- 5.912
Herbicidas
Atrazine 107 2.802 5.269
Atrazine + Nicossulfuron 34 2.245 5.865
Adaptado de Silva et al. (2003) 24
CORREÇÃO DO SOLO PARA
FORMAÇÃO DE PASTAGENS
A grande maioria dos solos brasileiros apresenta, em geral,
elevada acidez, altos teores de alumínio trocável e deficiência de
nutrientes, principalmente fósforo, cálcio, magnésio. A correção
dessas características químicas inadequadas possibilitará o
estabelecimento e manutenção de pastagens mais produtivas.

25
A necessidade de calagem é a quantidade de corretivo (calcário) para
diminuir a acidez do solo, de uma condição inicial até um nível desejado. Um pH
em torno de 6 pode proporcionar às plantas maior disponibilidade de nutrientes
desejáveis (por exemplo nitrogênio, potássio e cálcio) para o maior crescimento
das plantas forrageiras e reduzindo os indesejáveis (por exemplo alumínio e
ferro).
Para estimar a necessidade de calagem (NC), ou seja, a dose de calcário a
ser recomendada, são utilizados métodos baseados nos resultados das análises
de solo, de suas características, bem como as das forrageiras e os níveis
tecnológicos a serem adotados.

26
ADUBAÇÃO PARA A FORMAÇÃO
DE PASTAGENS
A adubação deverá propiciar rápido crescimento da planta forrageira,
com formação da pastagem com elevada produção inicial. O primeiro e decisivo
passo para a definição dos nutrientes e doses a serem aplicados é o
conhecimento da fertilidade do solo por meio de uma correta amostragem de
solo e o encaminhamento da amostra para análise em laboratório idôneo.
As doses de adubo serão definidas com base no resultado da análise do
solo, levando em consideração o nível tecnológico, que inclui a espécie e
cultivar da forrageira ou intensidade de uso do sistema de produção (Tabela 2).
27
FÓSFORO (P)
Quanto à adubação fosfatada para estabelecimento de pastagens, as doses são
recomendadas de acordo com o sistema de produção, que são caracterizados pelo nível
tecnológico e a exigência das espécies forrageiras (Tabela 2), e também em função da
disponibilidade do nutriente no solo (Tabela 3).
A fonte de fósforo recomendada em geral é a solúvel (por exemplo, superfosfato
simples, superfosfato triplo), devendo, para maior eficiência, ser aplicado de forma
localizada, próxima à semente ou muda, sugerindo-se, portanto, a semeadura ou plantio
em sulco ou em cova. No caso de semeadura a lanço ou da aplicação do adubo fosfatado a
lanço, o fertilizante deverá ser distribuído na superfície do solo com leve incorporação
(mais ou menos 10 cm de profundidade).
28
Tabela 2 - Relação de algumas espécies forrageiras tropicais e suas exigências em fósforo (P)

FORRAGEIRA EXIGÊNCIA EM P
Nome científico Nome comum Baixa Média Alta
Brachiaria humidicola Quicuio-da-amazônia x
Andropogon gayanus Andropogon x
Melinis minutiflora Capim-gordura x
Brachiaria decumbens Decumbens x
Panicum maximum Mombaça, Tanzânia x
Pennisetum purpureum Capim-elefante x
Hyparrhenia hufa Jaraguá x
Stylosanthes captata Etilosantes x
Centrosema pubescens Centrosema x
Stylosanthes guianensis Estilosantes x
Galactia striata Galáxia x
Cajanus cajan Guandu x
Neonotomia wightii Soja Perene x
29
Na tabela 3 está, como exemplo, a relação de doses de fósforo recomendadas para solos arenosos e
argilosos em função da disponibilidade do nutriente nesses solos. Observa-se que as doses para esses
solos com as disponibilidades apresentadas na camada de 0 a 20 cm de profundidade variaram de 40 a
120 kg/ha de P2O5.

Tabela 3 - Doses de fósforo recomendadas para formação de pastagens em função da


disponibilidade no solo
CARACTERÍSTICA DO DISPONIBILIDADE DE P DOSE RECOMENDADA
SOLO (Mehlich-1 – mg/dm3) (kg/ha de P2 05)

Argiloso < 4 120


Arenoso < 10 120
Argiloso < 8 80
Arenoso < 20 80
Argiloso < 12 40
Arenoso < 30 40 30
POTÁSSIO (K)
Em geral os solos ácidos e arenosos são pobres em potássio disponível, por causa
da excessiva lixiviação desse nutriente. As doses de potássio recomendadas também levam
em conta a disponibilidade desse nutriente no solo e o nível tecnológico a ser adotado
(Tabela 4). É importante lembrar que mesmo na fase de estabelecimento da pastagem, em
solos de textura média a arenosas, a adubação potássica deve ser realizada em cobertura,
quando a forrageira estiver cobrindo 50 a 70% do solo. Isto possibilitará maior
aproveitamento do potássio aplicado e consequentemente menores perdas do nutriente
por lixiviação.

31
Tabela 4 - Doses de potássio recomendadas em função da disponibilidade no solo e do nível
tecnológico

Disponibilidade de K no solo (mg/dm3)


Nível Tecnológico
Baixa (< 40) Média (41-70) Alta (>71)

Baixo 20 0 0

Médio 40 20 0

Alto 60 30 0

Adaptado de Cantarutti et al. (1999)

Vale destacar que no caso de pastagens consorciadas de gramíneas e leguminosas a


adubação potássica ou pelo menos parte da dose recomendada deva ser adicionada
por ocasião da semeadura.
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NITROGÊNIO (N)
No que concerne à adubação nitrogenada para o estabelecimento de pastagem, nos
sistemas de baixo nível tecnológicos (menos de 1 UA/ha.ano) a demanda de nitrogênio
pode ser atendida pela mineralização da matéria orgânica do solo, que é estimulada pelo
preparo do solo, pela aplicação de calcário e pela adubação fosfatada, bem como pela
reserva de carboidratos presentes no colmo ou nas sementes da forrageira a serem
estabelecidas na área.
Em relação à escolha da fonte ou adubo nitrogenado, recomenda-se especial
atenção. Por exemplo, o sulfato de amônio é o mais recomendado para aplicações a lanço,
em cobertura. Já o emprego da ureia é possível, desde que sejam observadas condições que
reduzam as perdas por volatilização.
33
ENXOFRE (S)
Além dos nutrientes mencionados, também merece destaque o enxofre. Esse passa
assumir grande importância, na medida em que fontes de outros nutrientes que contém
enxofre, como é o caso do sulfato de amônio, superfosfato simples ou sulfato de potássio,
são substituídas por fontes mais concentradas, que não contém esse nutriente. Nesses
casos, para solos com comprovada deficiência de enxofre, recomenda-se aplicar de 20 a 40
kg/ha de S, utilizando gesso agrícola ou sulfato de potássio como fonte.

34
MICRONUTRIENTES
Em regiões de comprovada deficiência de micronutrientes, especialmente
zinco, cobre e boro, recomenda-se sua aplicação por ocasião da semeadura ou plantio.
As deficiências de zinco são comuns em áreas de cerrado, havendo necessidade de
adubação com 2 kg/ha de Zn, equivalente a 10 kg/ha de sulfato de zinco, juntamente
com a adubação fosfatada por ocasião da semeadura.
De forma geral, os micronutrientes têm sido aplicados em pastagens por meio
do emprego de FTE (Fritted Trace Elements) nas formulações BR - 10 (contendo 2,5 %
de B; 0,1 % de Mo; 1,0 % de Cu; 4,0 % de Fe; 4,0 % de Mn; 0,1 % de Mo; 7,0 % de Zn)
ou BR - 16 (contendo 1,5 % de B; 3,5 % de Cu; 0,4 % de Mo; 4,0 % de Zn). Recomenda-
se 30 a 50 kg/ha de uma dessas fórmulas (BR - 10 ou BR - 16) juntamente com a
adubação fosfatada na semeadura ou plantio. 35
GESSAGEM
A tomada de decisão sobre o uso do gesso agrícola deve sempre ser feita com
base no conhecimento de algumas características químicas e na textura das camadas
subsuperficiais do solo (20 a 40 cm e 30 a 60 cm). Haverá maior probabilidade de
resposta ao gesso quando a saturação por Al3+ for maior que 30 % (m > 30%) ou o
teor de Ca menor que 0,4 cmolc/dm3 de solo.
Uma vez identificadas aquelas características, as quantidades sugeridas
segundo Alvares et al. (1999) são:
a. solos de textura arenosa (< 15 % de argila) = 0 a 0,4 t/ha;
b. solos de textura média (15 a 35 % de argila) = 0,4 a 0,8 t/ha;
c. solos argilosos (36 a 60 % de argila) = 0,8 a 1,2 t/ha;
d. solos muito argilosos (> 60 % de argila) = 1,2 a 1,6 t/ha. 36
QUALIDADE DA SEMENTE
A semente é um fator de fundamental importância na formação de pastagens.
Frequentemente as sementes têm baixa qualidade devido aos diferentes processos de
colheita e às diversas origens. É comum encontrar sementes com excesso de resíduos
vegetais, solo ou ainda mistura de sementes de outras forrageiras ou invasoras.
Para superar esse problema, o próprio pecuarista deve-se adquirir sementes de
boa procedência e com garantia de qualidade. Quando possível, recomenda-se enviar uma
amostra das sementes adquiridas para análise laboratorial, antes da semeadura. Uma
alternativa a este teste laboratorial e com boa aproximação é uma análise simplificada da
semente de certas espécies. O procedimento consiste em retirar diversas amostras em
diferentes sacos de uma partida de sementes, misturar (homogeneizar) e pesar 100 g de
onde, manualmente, pode ser feita a separação de impurezas e sementes, obtendo-se
assim a percentagem de sementes puras. 37
A partir das sementes puras pode ser feito o teste de germinação,
semeando-se 100 sementes em uma caixa contendo solo ou areia ou mesmo
utilizando algodão umedecido em um prato ou bandeja. Em um período de
quinze dias, para gramíneas e, sete a dez dias para as leguminosas, obtendo-se
uma razoável avaliação da percentagem de germinação, pela contagem das
sementes germinadas.
Para as gramíneas, este teste pode apresentar problemas, pois certas
espécies apresentam dormência.

38
Com as leguminosas deve-se observar a percentagem de sementes duras
(que durante o teste não germinaram) que continuam com aspecto normal após
o teste. Para fazer esta observação, basta peneirar a mistura areia e semente e
separá-las, ou observá-las diretamente na camada de algodão, se for o caso. Se
houver um grande número de sementes duras, é necessária a escarificação das
mesmas.
Este teste de germinação e pureza das sementes é muito simples e deve ser feito
antes da semeadura para corrigir a quantidade de sementes a ser empregada,
pois dá uma estimativa razoável do valor cultural (VC) da semente que é
calculado pela seguinte fórmula:
VC semente = % Pureza x % Germinação
100 39
ÉPOCA DE SEMEADURA
A época de semeadura ou plantio para a implantação de
pastagens tropicais é bastante ampla podendo, na maioria das
regiões brasileiras ir desde o início do período chuvoso
(setembro/outubro) até o mês de março. Salienta-se, entretanto que
a semeadura ao final do período chuvoso acarreta riscos na
implantação da pastagem.
A época de semeadura é importante e deve ser considerada
para uma boa germinação da semente e rápida formação da
pastagem. Dessa forma, ocorrem menores perdas de solo por erosão
e utilização mais rápida da pastagem. Outra medida que pode ser
usada para reduzir e erosão é a semeadura no final do período das
chuvas, obtendo-se apenas um crescimento inicial da forrageira, que
completará a sua formação no início da estação chuvosa seguinte,
cobrindo rapidamente o solo e evitando assim erosão.
40
TAXA E PROFUNDIDADE DE
SEMEADURA
A quantidade de semente utilizada por unidade de área tem sido outro fator
limitante na formação de pastagens. Poucos são os trabalhos experimentais feitos no sentido
de determinar qual a quantidade adequada de sementes para cada espécie e também qual o
número ideal de plantas por unidade de área para que se obtenha uma boa cobertura do
solo.
Mas, de um modo geral, estima-se para gramíneas tropicais 10 a 20 plantas/m2 como
um bom número, dependendo da forma de crescimento da espécie. A germinação das
sementes viáveis varia muito em função das condições climáticas e também em função da
espécie, podendo parte das sementes viáveis não germinar em decorrência de condições
climáticas desfavoráveis no campo ou até mesmo devido ao consumo por pássaros ou pragas.
41
Tendo em vista estes fatores, é recomendável aumentar a taxa de
semeadura para corrigir estas deficiências. Sementes pequenas normalmente
apresentam mais perdas que sementes maiores, ou seja, espécies de sementes
pequenas necessitam-se de um maior número de sementes viáveis por m2 para
obter o mesmo número de plantas com espécies de sementes maiores. Na Tabela
5 é apresentada a relação de forrageiras com respectivas taxas de semeadura,
em função do tamanho da semente.

42
Tabela 5 - Taxa de semeadura mínima de sementes (kg/ha), valor cultura (VC) e número de sementes viáveis
por m2 de gramíneas e de leguminosas

FORRAGEIRAS SEMENTES* (kg / ha ) SEMENTES (Nº/kg) VC mínimo (%) SEMENTES VIÁVEIS


(Nº / m2)

Setária 3-5 1.800.000 6 32 – 54

Green panic 2-4 2.000.000 14 56 – 112

Braquiária 2-4 270.000 5 3–5

Siratro 2-3 80.000 68 11- 16

Centrosema 3-4 40.000 47 6–8

Estilosantes 2–4 350.000 39 27 - 54

Tanzânia 1,6 960.000 - -

Tobiatã 2,5 680.000 - -

Colonião 1,6 780.000 - -

Fonte: Agroceres (1974);


* = Sementes puras e viáveis.
43
Também pode se determinar taxa de semeadura (kg/ha de sementes) pela divisão dos pontos de VC
recomendado (Tabela 6, Tabela 7 ou Tabela 8) pelo VC da semente (número de pontos de VC mínimo
recomendados (Tabela 6) ou pelo VC da semente adquirida).

Tabela 6 - Pontos de valor cultura (VC) recomendados para que as seguintes taxas possibilitam
estabelecimento satisfatório das pastagens, quando a semeadura é feita de outubro a dezembro, em solo
que recebeu um mínimo de preparo
Pontos de Valor Cultural
Gramíneas, Leguminosas Recomendado
Andropogon gayanus (Andropogon) 250
Brachiaria brizantha (Capim-braquiarão, Marandu) 280
Brachiaria decumbens (Capim-braquiária) 180
Brachiaria humidicola (Quicuio-da-Amazônia) 250
Panicum maximum (Capim-colonião) 180
Panicum maximum (Capim-Tanzânia) 240
Panicum maximum (Capim-Mombaça) 240-340
Panicum maximum (Capim-Massai) 340
Calopogonium mucunoides (Calopogônio); Pueraria phaseoloides (Puero, kudzu
tropical); Stylozanthes guianensis (cv. Mineirão); Neonotonia whitii (Soja perene) 800
44
A profundidade de semeadura está condicionada a três fatores importantes para
uma boa germinação das sementes: ar, umidade e temperatura. As sementes dever ser
colocadas a uma profundidade que possibilite bom contato com o solo úmido. Em solos
leves, arenoso, a semeadura deve ser mais profunda, para que as sementes aproveitem
melhor a umidade das camadas inferiores do solo. Já em solos mais pesados, argilosos
as sementes devem ser colocadas mais superficialmente, pois maiores profundidades
poderão prejudicar a germinação e emergência das plântulas.
A profundidade de semeadura determina a situação em que as raízes primárias
irão se desenvolver. Essas raízes, entretanto, que surgem das sementes, são
temporárias; as permanentes saem do colmo, logo abaixo da superfície do solo e se
estabelecem praticamente à mesma profundidade, não importando a profundidade de
semeadura.
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Tabela 7 - Profundidade de semeadura e pontos de valor cultural (VC) em função das condições de semeadura
de algumas gramíneas forrageiras

Pontos de VC/ha
Profundidade
GRAMÍNEAS Condições de semeadura*
semeadura (cm)
Ótima Média Ruim
Brachiaria brizantha cv. Marandu 2-4 280 400 500
Brachiaria decumbens cv. Basilisk 2-4 180 280 380
Brachiaria dictyoneura 1-3 250 350 450
Brachiaria humidicula 1-3 250 350 450
Panicum maximum cv. Mombaça 0,5-2,5 160 300 400
Panicum maximum cv. Tanzânia 0,5-2,5 160 300 400
Panicum maximum cv. Massai 0,5-2,5 160 300 400
Paspalum atratum cv. Pojuca 1-3 200 300 400
Andropogon gayanus cv. Baeti 0,5-1 250 350 450
linha: 12 kg/ha; linha: 16 kg/ha; linha: 20 kg/ha;
Pennisetum glaucum - Milheto 1-4 lanço: 20 kg/ha lanço: 24 kg/ha
lanço: 16 kg/ha
Paspalum notatum – Pensacola 0,5-2 1.600 1.900 2.000

*Condições de semeadura: Referente ao preparo de solo, potencial de invasoras, equipamento a ser utilizado, época de semeadura, condições climáticas,
topografia (susceptibilidade à erosão) e formas de utilização da forragem. 46
Tabela 8 - Profundidade de semeadura e pontos de valor cultural (VC) em função das condições
de semeadura de algumas leguminosas forrageiras

kg/ha de semente (90% VC)


Profundidade
para semeadura Condições de semeadura
LEGUMINOSA (em cm) (kg/ha)*
Condições ideais Ótima Média Ruim

Calopogonium mucunoides - Calopogônio 1,0 - 3,0 2 3 4

Stylosanthes guianensis - Estilosantes, Campo Grande 0,5 - 2,0 2 3 4

Leucaena leucocephala - Leucena 1,0 - 4,0 32 35 40


Cajanus cajan - Guandu 2,0 - 4,0 25 35 40
Arachis pintoi - Amendoin forrageiro 2,0 - 4,0 8 9 10
Stizolobium aterrimum - Mucuna-preta 3,0 - 5,0 50 60 70
*Condições de semeadura: Referente a preparo de solo, potencial de invasoras, equipamento a ser utilizado, época de semeadura,
condições climáticas, topografia (susceptibilidade à erosão) e formas de utilização da forragem.

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TIPO DE SEMEADURA
O tipo de semeadura refere-se à forma com que a semente é distribuída na área,
podendo ser em sulcos, covas ou a lanço, manualmente ou por semeadora ou avião, podendo
ser posteriormente compactadas com rolo.

Semeadura a lanço: A distribuição das sementes pode ser realizada a lanço sobre o solo
devidamente preparado e com uma grade leve, parcial ou totalmente fechada, pode-se
incorporar as sementes de 0,5 a 4 cm de profundidade. Outra alternativa para incorporação
das sementes é logo após a última gradagem (grade niveladora), distribuir as sementes e
passar um rolo compactador de ferro ou pneu, com maior peso no solo arenoso; médio, no
misto, e leve, no argiloso.
É importante lembrar que não se deve utilizar o rolo em solos com excesso de
umidade, para evitar excesso de compactação e a aderência de solo no rolo. 48
Semeadura mecanizada: Observar as mesmas exigências da semeadura a lanço,
com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm, dependendo do equipamento e
espécie forrageira, com profundidade de 0,5 a 4 cm, podendo-se realizar na
mesma operação a adubação ou consórcio com outras espécies. Se a semeadora
não possuir sistema de compactação, usar o rolo compactador.

Condição ótima para semeadura ou plantio: Solo bem preparado, com boa
umidade, baixa incidência de invasoras, pragas ou outras forrageiras, deve-se
realizar a semeadura no período de novembro a janeiro, utilizando equipamento
adequado, na profundidade da semeadura recomendada, e rolo compactador.

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Semeadura ou plantio direto: Requer as mesmas condições da semeadura
direta para grãos, isto é, com boa cobertura do solo e com palhada uniforme,
sem limitações químicas e físicas, sem erosão, compactação, trilheiros, cupins,
tocos, invasoras não controladas por herbicidas e outros. A utilização de
semeadura direta de forrageiras em fazendas que possuem máquinas e
equipamentos adequados, após avaliação e orientação por um técnico treinado,
pode ser após a dessecação da vegetação existente, em linhas espaçadas de 13 a
40 cm, com 10 % a 20 % a mais de sementes do que o sistema tradicional.

50
CONTROLE DE PLANTAS INVASORAS
Em áreas com infestação de plantas invasoras anuais e, ou, perenes deve-se adotar,
sempre que possível, os controles manual, mecânico, cultural e químico e, ou, integração
desses para reduzir a competição com as plantas forrageiras.

✓ Controle cultural – adoção de técnicas de manejo que favoreçam o


estabelecimento da forrageira, como adubação e condições adequadas de
semeadura.
✓ Controle manual – aplicação de práticas como arranquio e roçada manuais.
✓ Controle mecanizado – roçadas com utilização de máquinas e equipamentos.
✓ Controle químico – usando herbicidas; solicitar orientações técnicas para
avaliar a recomendação do tipo de herbicida e doses adequadas para minimizar
os danos ao meio ambiente. 51
As vantagens do controle das plantas invasoras antes e durante a
implantação da forrageira são: a) condições favoráveis para melhor formação das
pastagens; b) libera a pastagem aos animais em aproximadamente 90 dias após a
semeadura; c) antecipa o uso da pastagem pelos animais, o que cobre os custos
com a aplicação do controle; d) acelera o processo de estabelecimento da
forrageira na área; e) proporciona maior número de plantas forrageiras por m2;
f) reduz a necessidade de gastos com controle das plantas daninhas nos anos
seguintes; g) maior perfilhamento das gramíneas, com touceiras mais vigorosas.

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MANEJO PARA FORMAÇÃO DE
PASTAGENS
Esse manejo, também chamado de pastejo de
uniformização, tem como objetivo contribuir para completar a
formação da pastagem. Em geral, pode-se iniciar o pastejo aos
60 a 100 dias após a emergência da forrageira, ou antes da
emissão da inflorescência (sementeira), desde que a semeadura
seja realizada na época recomendada para cada região. Devem-
se utilizar, de preferência, animais jovens em alta taxa de lotação
animal, por curto período de tempo (10 a 30 dias). As vantagens
desse manejo são:
53
✓ Evitar o acamamento das plantas forrageiras;

✓ Eliminar a maior parte das gemas apicais, reduzindo assim a produção


de semente e translocação de nutrientes para estas, estimulando a
emissão de novos perfilhos e raízes;

✓ Antecipar a utilização da forragem produzida, aproveitando o alto valor


nutritivo, com boa produção por animal e por área;

✓ Proporcionar mais rápida e completa cobertura de solo.

54
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
AGNES, E. L.; FREITAS, F. C. L.; FERREIRA, L. R. Situação atual da integração agricultura pecuária em Minas Gerais e na Zona da
Mata Mineira. In: ZAMBOLIM, L.; FERREIRA, A. A.; AGNES, E. L. Manejo integrado: integração agricultura-pecuária. Viçosa-MG,
2004. p. 251-267.

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capim-elefante. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.26, p. 1731-1736, 1992.

CANTARUTTI, R.B.; MARTINS, C.E.; CARVALHO, M.M. de; FONSECA, D.M.de; ARRUDA, M.L.; VILELA, H. OLIVEIRA, F.T.T. de.
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CARAMBULA, M. Pasturas naturaless mejoradas. Ed. Hemisfério Sur. 524p. 1999(?).

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Abstracts 38(3): 167-176, 1968.

DIAZ ROSSELO, R. Evolucion del nitrogeno total en rotaciones con pasturas. R. Inves. Agron., 1:27-35, 1992.

LEAL, J.A. Utilização intensiva de pastagem para a produção de leite. Teresina: EMBRAPA Meio Norte, 1997. 27p
(EMBRAPA Meio Norte. Subprojeto 06.0.94.203.10). Relatório Final.

55
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
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(Hyparrhenia rufa) e pangola de Taiwan A-24 (Digitaria pentzii). Piracicaba: ESALQ, 1972. 117p. Tese de Doutorado. Escola
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