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FACULDADE INTEGRADA DE SANTA MARIA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA


ANNA KAROLINE DA LUZ

ABANDONO AFETIVO: CONSEQUÊNCIAS NO ÂMBITO PSÍQUICO E JURÍDICO


ADVINDAS DA SEPARAÇÃO CONJUGAL

SANTA MARIA,
2019
FACULDADE INTEGRADA DE SANTA MARIA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
ANNA KAROLINE DA LUZ

ABANDONO AFETIVO: CONSEQUÊNCIAS NO ÂMBITO PSÍQUICO E JURÍDICO


ADVINDAS DA SEPARAÇÃO CONJUGAL

Pesquisa apresentada à Faculdade Integrada de Santa


Maria como requisito parcial para conclusão da
disciplina TCC II do 10º semestre do curso de
Psicologia.

SANTA MARIA,
2019
FACULDADE INTEGRADA DE SANTA MARIA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão de


Curso:

ABANDONO AFETIVO: CONSEQUÊNCIAS NO ÂMBITO PSÍQUICO E JURÍDICO


ADVINDAS DA SEPARAÇÃO CONJUGAL

Elaborado por
Anna Karoline da Luz

Aprovado em: ____/____/____

BANCA EXAMINADORA:

_____________________________________
Tatiane Pinto Rodrigues, Profª. Me. (FISMA) Presidente/Orientadora

______________________________________
Cleuber Roggia, Profª. Esp. (FISMA)

______________________________________
Rodrigo Laureano, Profº. Esp. (FISMA)

SANTA MARIA,
2019
Sumário
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 7
2 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 8
3 OBJETIVOS ............................................................................................................. 9
3.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................ 9
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 9
4 REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................... 9
4.1 IMPORTÂNCIA DO AFETO NO DESENVOLVIMENTO DOS SUJEITOS ......... 9
4.2 A RESPONSABILIDADE AFETIVA E LEGAL DA FAMÍLIA ............................. 11
5 METODOLOGIA..................................................................................................... 13
5.1 TIPO DE ESTUDO ........................................................................................... 13
5.2 PROCEDIMENTO ............................................................................................ 14
5.3 COLETAS DE DADOS ..................................................................................... 14
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................... 15
6. 1 A EVOLUÇÃO DO AFETO NOS VÍNCULOS FAMILIARES ........................... 15
6.2 CONCEITUANDO O ABANDONO AFETIVO................................................... 18
6.3 CAUSAS DO ABANDONO AFETIVO E CONSEQUÊNCIAS EM
DECORRÊNCIA DA SEPARAÇÃO CONJUGAL. .................................................. 19
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 24
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 27
RESUMO: A instituição familiar possui uma significativa importância na vida dos
sujeitos, tendo em vista que esta funciona como um alicerce fundamental no
processo de formação da personalidade. Desta forma, é possível, a partir de uma
adequada convivência familiar, que o desenvolvimento psicossocial dos seres
humanos ocorra de maneira saudável, pois é a partir da família que se constituem as
primeiras relações sociais, os primeiros laços afetivos e, também, é o local em que
os principais valores culturais serão transmitidos. No entanto, em decorrência de um
número cada vez mais significativo de separações conjugais, as relações
estabelecidas nem sempre são, de fato, tão harmoniosas como se deseja cujas
maiores vítimas deste contexto evidentemente são os filhos, os quais, em algumas
vezes, acabam sendo privados do sentimento de afeto e, desta forma, originando
possíveis casos de abandono afetivo. Sendo assim, a presente pesquisa tem como
objetivo analisar quais as principais consequências psíquicas e jurídicas do
abandono afetivo advindas da separação conjugal. Para tanto, utilizou-se a revisão
integrativa da literatura como método para o desenvolvimento da pesquisa.
Encontrou-se como resultados, sob a perspectiva do âmbito jurídico, que o
abandono afetivo fere diversos princípios mencionados na legislação brasileira,
desta forma a falta ou frustração do afeto é considerado um ato ilícito capaz de gerar
danos passíveis de reparação civil. Já para a psicologia, a falta de um dos pais e
sua consequente ausência psíquica/afetiva é capaz de causar ao filho graves
implicações de outra ordem que não a material, desta forma prejudicando o
desenvolvimento saudável do sujeito.

Palavras-chave: Abandono afetivo, separação conjugal, consequências.


ABSTRACT: The family institution has a significant importance in the life of the
subjects once it works as the fundamental foundation in the process of a personality
formation. In this way, it is possible, from an adequate family relationship, that the
psychosocial development of human beings occurs in a healthy way, since it is from
the family that constitute the first social relationships, the first affective bonds and,
also is the place in which the main cultural values will be transmitted. However, as a
result of an increasingly significant number of marital separations, the relations
established are not always as harmonious as one wishes and the children are the
greatest victims of this context, and who, in some cases, end up being deprived of
the feeling of affection and, thus, giving rise to possible cases of affective
abandonment. Thus, the present research aims to analyze the main psychic and
legal consequences of the affective abandonment arising from marital separation.
For that, the integrative literature review was used as a method for the development
of the research. As a result, from the perspective of the legal scope, the affective
abandonment violates several principles mentioned in the Brazilian law, in this way
the lack or frustration of affection is considered an unlawful act, capable of
generating civil damages. For the Psychology, the lack of a parent and its
consequent psychic/affective absence is capable of causing the child’s serious
implications of a different order than material, thus impairing the healthy development
of the child.

Keywords: Affective abandonment, marital separation, consequences


7

1 INTRODUÇÃO

O homem, desde os primórdios, é considerado um ser de relações sociais,


que incorpora normas, valores presentes na família, em seus pares e na sociedade.
Compreende-se que a família é o primeiro grupo social no qual o sujeito se insere e
vivencia os seus modelos de atividades, papéis e relações interpessoais, cujas
trocas servem como uma estrutura para a formação do mesmo (SIGOLO, 2004). De
acordo com Silva e Dauber (2013) a família pode ser compreendida como a mais
natural das instituições, caracterizada como o núcleo organizador e mediador entre
sujeito e sociedade, onde os principais valores culturais serão transmitidos.
A instituição familiar passou por uma grande mudança social, em que a
formatação contemporânea supera a antiga configuração patriarcal. A partir desta
transformação e esse novo olhar acerca da família, veio à tona um importante
elemento denominado de afeto, o qual revelou ser bastante significativo dentro das
relações familiares. Este elemento pode ser compreendido como o sentimento de
carinho, atenção e amor, além de ser importante para processo de formação do
sujeito (SILVA; DAUBER, 2013).
Entretanto, de acordo com dados publicados pelo IBGE é possível perceber
um aumento no número de separações conjugais, totalizando 344.526 casos em
2016 em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais. Refletindo um crescimento de
4,7% diante dos 328.960 divórcios registrados no ano de 2015. Em decorrência
destes casos, as relações estabelecidas nem sempre são, de fato, tão harmoniosas
como se deseja, cujas maiores vítimas deste contexto evidentemente são os filhos,
os quais, em algumas vezes, acabam sendo privados do sentimento de afeto
(CAMPOS; SILVA, BARREIROS, 2013). Para Dolce (2016), este fenômeno de
privação é denominado de abandono afetivo, o qual fundamenta-se na figura do pai
(ou mãe) que, não convivendo com o outro genitor, abdica-o ostensivamente de sua
convivência, atenção e envolvimento nas questões rotineiras.
No Brasil, a guarda unilateral é a categoria de guarda mais utilizada, o que
pode intensificar o abandono afetivo decorrente do afastamento de um dos genitores
(PRADO; BARROS, 2016). Na expectativa de garantir tal convivência, a Lei do
Divórcio (Lei n. 6.515, de 26.12.1977) prevê a guarda compartilhada de filhos
menores de idade em caso de divórcio. Contudo, somente com a Lei n. 13.058, de
8

22.12.2014, a guarda compartilhada entre os pais passou a ser regra. Esta


modalidade de guarda busca assegurar a convivência entre pais e filhos, e a
consequente preservação do afeto.
Em decorrência do exposto, percebe-se a importância da presença do
elemento afetivo na relação familiar, pois, de acordo com Chalita (2004) a formação
psíquica de um sujeito está fortemente ligada com a família, considerando que é
através do núcleo familiar que se busca por referências, proteção e carinho,
proporcionando a construção do ser. Por esta razão, a seguinte problemática
emerge: Quais as consequências psíquicas e jurídicas resultantes do abandono
afetivo advindas da separação conjugal?

2 JUSTIFICATIVA

Antes vista através de uma perspectiva unicamente patrimonial, com base na


reprodução e criação dos filhos, a família passou a ser vista, nos dias atuais, como
um refúgio afetivo de seus membros. Além disso, apresenta um papel de elevada
importância no processo de formação dos sujeitos já que, é através dos laços
familiares que se apresenta a possibilidade de aquisição e desenvolvimento do
sentimento de afeto, o qual é capaz de garantir uma adequada formação de sua
personalidade.
Cabe ressaltar que foi a partir da implantação da Constituição Federal de
1988 que surgiu um novo conceito de família, ampliando seus princípios e admitindo
novas estruturas familiares. Antes da promulgação da Carta Magna e do
estabelecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, as normas tratavam a
criança e o adolescente apenas como objeto da atenção estatal, em que os menores
recebiam atenção do Estado apenas quando cometiam crimes ou encontravam-se
em situação de abandono. Após este período, as crianças e adolescentes pararam
de ser tratados somente como sujeitos passivos e passaram a serem tratados como
sujeitos de direitos e garantias, com o dever da família, da sociedade e do Estado de
assegurar esses direitos.
Desta forma, o interesse pelo tema está ligado às inquietações particulares da
acadêmica advindas durante as práticas nos campos de estágio. Assim, pode-se
perceber, desde os estágios básicos realizados em escolas e na Delegacia de
9

Proteção à Criança e ao Adolescente, até o estágio em ênfase também praticado em


escola, um alto índice de carência afetiva nas crianças e adolescentes, ocasionada
pela falta de convívio e afeto por parte dos pais ou responsáveis legais. Além disso
compreende-se que o assunto abordado é dotado de uma significativa relevância
social pois, diz respeito a realidade de muitas crianças e jovens brasileiros, os quais
são acometidos pelo abandono afetivo por, pelo menos, um dos pais.
Ademais, o tema em análise merece atenção no meio acadêmico, tratando-se
de um assunto atual no contexto social, em que o debate acerca do abandono
afetivo tem se mostrado bastante presente nos tribunais do nosso País, instigando
diferentes pesquisas no âmbito da Psicologia e do Direito. Deve-se considerar que a
jurisprudência brasileira já reconhece a viabilidade de reparação civil em
consequência deste ato, pois pode ocasionar danos de ordem imaterial à
constituição de seu desenvolvimento e personalidade, sendo digno de proteção
jurídica sob o respaldo da Constituição Federal de 1988, que dispõe como princípio
fundamental a proteção da dignidade da pessoa humana.

3 OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

Analisar quais são as possíveis consequências no âmbito psíquico e jurídico,


em decorrência do abandono afetivo advindas da separação conjugal.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

A) Apresentar a evolução do afeto nos vínculos familiares;


B) Conceituar o abandono afetivo;
C) Identificar quais são as principais causas e consequências do abandono
afetivo.

4 REVISÃO DA LITERATURA

4.1 IMPORTÂNCIA DO AFETO NO DESENVOLVIMENTO DOS SUJEITOS

O sujeito antes mesmo de seu nascimento, já ocupa um lugar na família a


qual possui uma função bastante relevante na transmissão de valores e significados
para aquele ser que está dando início à sua formação física, social e psíquica. Desta
10

forma, Baptista, Cardoso e Gomes (2012) compreendem a família como um conjunto


responsável pelo processo de socialização, educação e estabelecimento de
condutas adequadas a seus membros, principalmente crianças e adolescentes.
É a partir do seio familiar que é constituído o núcleo principal de formação do
sujeito, é esta instituição que possibilitará desenvolver as competências
fundamentais que serão passadas de geração em geração. A função da instituição
familiar é tão significativa que, na sua ausência deve-se oferecer à criança ou ao
adolescente uma família substituta, ou instituição que se responsabilize pela
transmissão desses valores familiares, os quais irão oferecer condição para inserção
na vida social (SEBASTIÃO, 2009).
No entanto, cabe salientar que se vive, na contemporaneidade, o
aceleramento da vida com um cotidiano cada vez mais exigente, fazendo com que
as relações humanas fiquem marcadas pelo individualismo, pela insegurança e,
principalmente, pelo afastamento afetivo. Mesmo em lares aonde há uma adequada
divisão das tarefas, cada dia se torna mais difícil realizar a conciliação entre trabalho
e educação dos filhos. Por esta razão, muitos pais sentem-se frustrados e culpados
devido à falta de tempo para estarem junto dos filhos. Desta forma, querendo
justificar sua ausência, os pais tentam compensar a falta de convívio e afeto com
bens materiais (PRADO; SOUZA, 2013).
Percebe-se, então, segundo Sebastião (2009) a existência de uma fragilidade
nas relações afetivas familiares, a qual acaba por sequenciar comportamentos
desviantes que afetam a sociedade como um todo, visto que, o sujeito necessita de
um modelo a ser seguido, que propicie vivências afetivas saudáveis, contribuindo
para um melhor desenvolvimento cognitivo e emocional.
A partir disso, a importância do convívio familiar bem como do afeto possuem
relevância para a adequada formação dos sujeitos que estão no processo de
desenvolvimento psíquico e social. Desta forma, Cegalla (2005) define a afetividade
como um conjunto de fenômenos psíquicos que se apresentam perante a forma de
emoções, paixões e sentimentos, os quais, frequentemente, estão acompanhados
da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou
desagrado.
Segundo Borba (2014) o afeto é uma qualidade própria que emana do sujeito
e se apresenta por meio das relações estabelecidas com as demais pessoas. Para,
11

Antunes (2006) este elemento encontra-se escrito na história genética do ser


humano e deve-se a evolução biológica da espécie. Como o homem nasce
extremamente imaturo, sua sobrevivência requer a necessidade do outro. Sob essa
perspectiva Pessanha (2011) afirma que o afeto não se trata apenas de laço que
rodeia os membros de uma só família, mas sim um laço que reúne pessoas com o
intuito de garantir à felicidade de todas as pessoas pertencentes aquele meio.
Funcionando, assim, como um norte de cada família, tendo em vista que a
afetividade é como um princípio norteador das famílias contemporâneas.
Para Borba (2014) o afeto pode ser considerado um importante aspecto para
a aprendizagem, pois esta se dá através da adaptação ao ambiente, e através da
experiência e interação com o outro. Além disso, este aspecto influencia a
velocidade com que se constrói o conhecimento, pois quando as pessoas se sentem
seguras, aprendem com mais facilidade.
Por conseguinte, este fenômeno pode ser considerado o agente motivador da
atividade cognitiva, pois os sujeitos desenvolvem-se com um maior grau de
segurança e determinação quando são providos de afeto. É através dele que os
sujeitos se tornam capazes de se identificar e relacionarem-se uns com os outros,
por esta razão, um sujeito desprovido de afeição tende a deparar-se com maiores
dificuldades no entrosamento e no relacionamento com os demais, prejudicando-o
no processo de desenvolvimento (REGINATTO, 2013).

4.2 A RESPONSABILIDADE AFETIVA E LEGAL DA FAMÍLIA

A família desempenha a função de fornecer aos seus membros os cuidados


e estímulos fundamentais ao crescimento e desenvolvimento, além de exercer o
papel mediador entre a criança e a sociedade, promovendo a socialização e o afeto,
sendo estes importantes fatores para o desenvolvimento cognitivo dos sujeitos. É
por isso que de acordo com Pereira (2006), a presença física e afetiva dos pais na
vida dos filhos é imprescindível pois, considera-se que é por meio da criação que se
molda a estrutura dos sujeitos no âmbito familiar e social. Nesse sentido, Oliveira
(2002) complementa que:

“ A afetividade, traduzida no respeito de cada um por si e por todos os


membros – a fim de que a família seja respeitada em sua dignidade e
12

honorabilidade perante o corpo social – é, sem dúvida alguma, uma das


maiores características da família atual”.

A instituição familiar está passando por transformações, as quais simbolizam


evoluções e alterações contemporâneas. Desse modo, manifestam-se novas
configurações as quais são diferentes da família nuclear anteriormente dominante,
formada pelo casal e filhos (ANDRADE et. al, 2005). Muitas foram as mudanças
pelas quais a sociedade passou, principalmente no âmbito das relações familiares e
como elas se constituem, nesse sentido, novas concepções de família. Sendo
assim, Rocha (2009) afirma que:

“No Brasil, embora os novos princípios tenham ganhado espaço,


paulatinamente, durante todo o século XX, a Constituição da República de
1988 é o marco dessas transformações, por ter consagrado a igualdade dos
cônjuges e a dos filhos, a primazia dos interesses da criança e do
adolescente, além de ter reconhecido, expressamente, formas de famílias
não fundadas no casamento, às quais estendeu a proteção do Estado”
(ROCHA, 2009).

A Constituição Federal de 1988 expõe precisamente que a família, a


sociedade e o Estado possuem deveres sobre crianças e adolescentes, conforme o
que dispõe o artigo 227 da Carta Magna:

“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar a criança


e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 9
além de colocá-los a salvo de qualquer forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão” (BRASIL, 1988).

Afim de complementar, o artigo 229 da Magna Carta ressalta que “os pais têm
o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever
de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade”. Nesse sentido, de
acordo com Andrade et. al (2005) os filhos possuem um elo com o poder familiar,
sendo assim, enquanto menores, os pais ou responsáveis legais possuem a
responsabilidade de promover os cuidados fundamentais para o pleno
desenvolvimento psíquico e físico dos sujeitos.
Em concordância com a Constituição Federal de 1988, a base da instituição
familiar deve concentrar-se na dignidade da pessoa humana e na solidariedade
social. A proibição da distinção entre os filhos e a aceitação da paternidade
socioafetiva evidenciam a atenção para com os filhos, como sujeitos de direito. Na
13

admissão de seus papéis de pais, os genitores não têm de restringir suas


responsabilidades ao aspecto material e ao sustento, devendo, então, alimentar o
corpo, mas também cuidar da moral e da psique (PEREIRA, 2006).
Ainda, com o intuito de seguir o progresso da sociedade e garantir a proteção
integral da criança e do adolescente, instituiu-se em 1990 o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA). De acordo com Oliveira (2011), encontram-se neste estatuto o
reflexo dos Princípios Constitucionais no que se refere a importância da convivência
familiar, não necessariamente diária, mas essencial para garantir subsídios de
ordem física, moral, mental, social e psicológica, sendo estes fundamentais para o
desenvolvimento digno desta criança ou adolescente à vida adulta.
Embora a lei não fale diretamente acerca dos laços afetivos, seus enunciados
são fundamentados em princípios da convivência familiar. Nesse sentido, ao mesmo
tempo que a norma é uma obrigação dos pais, ela garante a figura do filho proteção
e cuidado, tornando a sociedade e o Estado encarregados por assegurar o dever de
uma paternidade responsável, competindo aos filhos o direito de possuir a
companhia e a convivência dos pais. A negação destes direitos acarreta em um
quadro de abandono afetivo, o qual é proveniente da negligência paternal capaz de
provocar uma violência física, psíquica e moral, abalando as garantias individuais
das crianças de serem acolhidas em um ambiente familiar e resguardadas em suas
diversas necessidades (OLIVEIRA, 2011).

5 METODOLOGIA

5.1 TIPO DE ESTUDO

A metodologia de uma pesquisa é considerada o primeiro passo para a


construção do conhecimento científico, tendo em vista que é a partir desse processo
que novas teorias podem ser elaboradas, bem como podem ser identificadas
brechas e oportunidades para a emergência de novas pesquisas num assunto
especifico. No presente estudo, a revisão integrativa da literatura será utilizada como
método para o desenvolvimento da revisão da literatura, esta refere-se a análise de
pesquisas significativas que possibilitam a síntese do estado do conhecimento de
um determinado tema, além de apontar lacunas que podem ser preenchidas com a
realização de novos estudos e pesquisas (MENDES; SILVEIRA; GALVAO, 2008).
14

De acordo com Cunha (2014) essa estratégia de pesquisa visa delinear uma
análise acerca de um conhecimento já construído em estudos anteriores sobre
determinado assunto. Nesse sentido, a revisão integrativa oportuniza a reunião de
diversas pesquisas publicadas, possibilitando a construção de novos
conhecimentos, guiados através dos resultados obtidos.

5.2 PROCEDIMENTO

Para realizar uma revisão integrativa, segundo Mendes et. al (2008) é


relevante seguir alguns passos. O primeiro refere-se ao estabelecimento do
problema de revisão, o qual irá guiar a pesquisa. O segundo passo diz respeito ao
estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão, em que é realizada, nas bases
de dados, uma busca obedecendo tais critérios. A seguir, é realizada a identificação
dos estudos pré-selecionados e selecionados, em que é feito uma leitura criteriosa
de títulos, resumos e palavras chaves visando verificar sua adequação aos critérios
de inclusão do estudo. O quarto passo refere-se à categorização dos estudos, o qual
permite sumarizar e documentar as informações extraídas encontrados nas fases
anteriores. O quinto passo, diz respeito a análise e interpretação dos resultados,
onde a partir da interpretação e síntese dos resultados, comparam-se os dados
evidenciados na análise dos artigos ao referencial teórico. A última etapa refere-se
à apresentação da revisão, devendo conter informações pertinentes e detalhadas,
baseadas em metodologias contextualizadas, sem omitir qualquer evidência
relacionada.

5.3 COLETAS DE DADOS

Neste estudo, a coleta de dados será realizada através de pesquisas nas


plataformas de pesquisas ScIELO ( Scientific Eletronic Library OnLine), PePSIC
(Periódicos Eletrônicos em Psicologia), e Âmbito Jurídico, além de dissertações,
teses, monografias e livros que abordem o tema proposto. Ademais, serão utilizados
os seguintes critérios de inclusão: texto em português, textos completos e
disponíveis de forma online e gratuita, textos escritos a partir de 2006. Serão
excluídos aqueles que não corresponderem aos objetivos do estudo.
15

6 RESULTADOS E DISCUSSÕES

6. 1 A EVOLUÇÃO DO AFETO NOS VÍNCULOS FAMILIARES

O interesse pelo estudo dos sentimentos e das emoções tem relação direta
com a admiração dos pensadores e cientistas desde a Grécia até a Idade Moderna,
em que já havia relatos da influência do mundo subjetivo sobre o funcionamento dos
seres humanos, refletindo a importância de se entender a natureza subjetiva dos
sujeitos, considerando que a vivência sentimental provoca no ser psicológico uma
representação simbólica ou psíquica (PINTO, 2007).
Desta forma, através do viés filosófico, o afeto é compreendido, em seu
senso comum, como as emoções positivas referentes aos sujeitos. Ao passo que as
emoções podem estar relacionadas a pessoas e coisas, os afetos são emoções que
acompanham algumas relações interpessoais (CORRÊA, 2001; PINTO, 2007). Para
a psicologia, a afetividade diz respeito a uma grande organização de significados e
de conteúdos psicológicos, tais como a tristeza, o amor, a paixão, a inveja, a
desesperança entre outros, podendo ser compreendida como um conjunto de
sentimentos e emoções que reúne tanto uma reação do corpo, quanto uma reação
subjetiva. O afeto é um elemento característico e próprio do se humano, o qual é
capaz de atribuir significado a sua existência, tratando-se de um aspecto essencial
no convívio com as demais pessoas em sociedade (PINTO, 2005; CUNHA, 2011;
CANTO, 2018).
Já para o direito, o afeto é dotado de uma significativa importância no
estabelecimento das relações interpessoais, representando um aspecto do exercício
do direito garantido pela Constituição Federal. Desta forma, o elemento da
afetividade não é indiferente na área do direito, tendo em vista a sua capacidade de
aproximar as pessoas dando origem aos relacionamentos que geram relações
jurídicas, fazendo jus ao status de família, sendo esta merecedora de proteção pelo
Direito de Família (VECCHIATTI, 2008; PESSANHA, 2011).
A partir destas perspectivas, o auxílio moral e afetivo é
bastante relevante para o desenvolvimento apropriado dos sujeitos, pois é a partir da
convivência sadia que surgem os verdadeiros sentimentos de amor e carinho. Desta
forma, a base familiar não é capaz de ser sustentada apenas com a ligação
biológica ou genética, em que o respeito, o afeto e a vontade de permanecerem
16

juntos vêm se tornando o principal elo entre seus componentes. De acordo com
Oliveira (2002):

“A afetividade, traduzida no respeito de cada um por si e por todos os


membros – a fim de que a família seja respeitada em sua dignidade e
honorabilidade perante o corpo social – é, sem dúvida alguma, uma
das maiores características da família atual”.

No entanto, a entrada do afeto na pauta dos elementos de interesse jurídico é


resultante de uma longa evolução no contexto social (PEREIRA, 2011). A família
matrimonial do início do século passado era tutelada pelo código civil de 1916, o
qual tinha uma visão discriminatória em relação à família.
O casamento era considerado algo indissolúvel, em que a única forma de
resolver um matrimônio que não havia dado certo era o desquite, além disso, havia
distinção entre papel exercido entre seus membros e uma discriminação em relação
aos sujeitos unidos sem os laços matrimoniais e aos filhos provenientes destas
uniões (MARIANO, 2015). A figura paterna exercia um papel importante, em que a
esposa e os filhos estavam sob o poder do marido, o qual era incumbido pela
condução familiar e exercia um papel de autoridade responsável por orientar e
cuidar os membros da família. No entanto, salienta-se que estes poderes se
limitavam à família matrimonial, nesse sentido, os filhos ilegítimos não faziam parte
da unidade familiar (PEREIRA, 2012).
Nas últimas décadas, novas concepções de família surgiram através de
transformações sociais que afetaram diretamente a instituição familiar, não sendo
mais comparadas ao modelo tradicional patriarcal. Através da Constituição Federal
de 1988, houve o reconhecimento da existência de outras estruturas de convívio,
bem como a admissão de filhos nascidos fora do casamento. Além
disso, proporcionou o reconhecimento do afeto como valor e elemento do direito de
família, em que há a aceitação de famílias estruturadas nas relações de
autenticidade, amor, diálogo e igualdade, fazendo com que o afeto se torne um fator
social que gera direitos e obrigações (BARROS, 2000).Sob esta perspectiva, Pereira
e Silva (2006) explicam que:

“Conforme proposto pela Constituição Federal de 1988, a base da


família deve centrar-se na dignidade da pessoa humana e na
17

solidariedade social, sendo que a relação paterno-filial assume


destaque nas disposições sobre a temática da família. A proibição da
discriminação entre os filhos, a previsão da
paternidade socioafetiva deixam claro a preocupação com os filhos,
como verdadeiros sujeitos de direito”.

A entidade familiar deixou de ser vista como uma instituição que visava a
procriação e passou a ter como objetivo fundamental a realização afetiva, desta
maneira, a família constitui-se não só por laços de sangue, mas também, pelo afeto
e solidariedade recíproca (VIANNA, 2011). Sendo assim, com as novas concepções
de família as quais tendem a proteger o elemento afetivo, está se configurando
como um aspecto fundamental para o estabelecimento de uma união saudável entre
os sujeitos. Nesse segmento, Madaleno (2015) complementa que:
“No caso dos filhos, uma vez que o determinismo biológico não é mais
suficiente para definir o conceito de família ou filiação, o que irá determinar
a condição de filho ou de pai(s), é o afeto construído ao longo do tempo
entre os indivíduos que compõem determinada família, como no caso dos
filhos adotados ou da posse de estado de filho em relação a pai
socioafetivo, ficando excluída a caracterização de filiação unicamente pelos
laços sanguíneos.” 

Para Velozo (1997) o elemento da afetividade ganha uma maior relevância,


pois a filiação socioafetiva, representada pela posse do estado de filho, se
estabelece na crença de uma condição fundada essencialmente em laços de afeto.
Por esta razão Pereira e Silva (2206) mencionam a importância do elemento afetivo
para a criança em formação:  
“Consideramos, aqui, a diversidade de formas de famílias, pois para o
sujeito interessa a inserção em um núcleo familiar, onde possa
receber e dar amor, afeto, segurança e amparo”. Para a criança, a
segurança está vinculada à certeza do amor, à sua aceitação
constante, ao acolhimento. A aceitação incondicional por parte dos
pais é um elemento importante do amor”.

Sendo assim, é perceptível que as diferentes formas de família, que se


apresentam atualmente na sociedade, sofreram modificações ao longo dos tempos a
fim de alcançar a admissão incondicional do ser humano considerando suas
necessidades, possibilidades e preferência. Essas mudanças tiveram como objetivo
maior o desenvolvimento da personalidade e das potencialidades dos sujeitos,
promovendo a felicidade e o bem-estar social. Desta forma, Pereira (2004) elucida
que uma família que possui a convivência do afeto, da liberdade, da veracidade, da
responsabilidade mútua, haverá de propiciar um grupo orientado para as angústias e
problemas de todos os componentes deste grupo.
18

Assim, Lobo (2011) afirma que a família contemporânea está fundamentada


na afetividade, sendo assim, enquanto houver afeto haverá família, unida por laços
de liberdade e responsabilidade. No entanto, devido ao aumento exponencial nos
índices de separações e divórcios, é perceptível que casos de abandono afetivo por,
pelo menos, um dos pais, estão ganhando força no atual contexto social.

6.2 CONCEITUANDO O ABANDONO AFETIVO



É notável que o afeto possui grande relevância no desenvolvimento dos
sujeitos pois, é através dele que, segundo Lomeu (2009), se constituem as relações
interpessoais estabelecidas através da convivência familiar, por essa razão o
elemento da afetividade está ganhando maior atenção na área jurídica possuindo
valor jurídico na esfera das relações familiares. Cabe salientar que o afeto não é
mencionado na Constituição Federal de 1988, no entanto, este termo veio a ser
introduzido no Código Civil apenas com as mudanças decorrentes da Lei da Guarda
Compartilhada, que legitimou o afeto como elemento merecedor de tutela judicial
para o deferimento da guarda, consagrando, assim, o sujeito como ser sentimental,
desvinculando-se da visão legalista e objetiva do homem como bem material. 
Com o crescente número de divórcios e separações, a incidência de abandono é
ainda maior em casos de estabelecimento da guarda unilateral, em que o genitor
não detentor da guarda só possui contato com o filho nos dias acordados para a
visita. Diante disso, o distanciamento entre pais e filhos, e a consequente negação
de afeto para o sujeito que, sob autoridade familiar, deixa de receber o cuidado e a
atenção necessária do genitor, de acordo com a doutrina e jurisprudência brasileira,
enquadra-se em um caso de abandono, denominado de abandono afetivo (DOLCE,
2016). Sob essa lógica, Hironaka (2007) esclarece que:

“O abandono afetivo configura-se pela omissão dos pais ou de um


deles, pelo menos relativamente ao dever de educação, entendido
este na sua concepção mais ampla, permeada de afeto, carinho,
atenção e desvelo. É inquestionavelmente, um direito personalíssimo.
[...] os pais devem assim, desempenhar as funções de educadores e
de autoridades familiares para que a criança possa se formar
enquanto pessoa humana”.
                            
A negação do elemento afetivo apresenta-se como um ato ilícito cometido
pelo genitor que abandona, e é capaz de gerar ao filho as consequências de um
descaso. Desta forma, reconhecendo a importância do afeto, entende-se
19

que a supressão dessa função é capaz de causar ao filho, especialmente na


infância, prejuízos psíquicos, morais e afetivos. O abandono afetivo também ocorre
quando o pai ou a mãe, mesmo adimplente com as suas obrigações alimentares,
deixa de praticar a sua parcela de poder familiar e de conviver com o menor
abandonado (BRAGA; FUKS, 2018).
Venosa (2006), complementa dizendo que o abandono não se restringe
somente ao ato de deixar o filho sem assistência material, mas também a falta de
apoio intelectual e psicológico, podendo ocasionar, sob certas condições,
responsabilidade civil passível de indenização. Por essa razão Chaves (2008) afirma
que:

“A falta de convívio dos pais com os filhos, em face do rompimento do elo


de afetividade, pode gerar severas sequelas psicológicas e comprometer o
desenvolvimento saudável da prole. (...) A omissão do genitor em cumprir os
encargos decorrentes do poder familiar, deixando de atender ao dever de
ter o filho em sua companhia, produz danos emocionais merecedores de
reparação. Se lhe faltar essa referência, o filho estará sendo prejudicado,
talvez de forma permanente, para o resto de sua vida. Assim, a falta da
figura do pai desestrutura os filhos, tira-lhes o rumo de vida e debita-lhes a
vontade de assumir um projeto de vida. Tornam-se pessoas inseguras,
infelizes”.

 Isto posto, de acordo com a cláusula geral de responsabilidade civil do direito


brasileiro, aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
causar dano a outra pessoa ou violar direto, comete ato ilícito (art. 186 do Código
Civil). Esta omissão de um dos pais é prejudicial ao desenvolvimento emocional e
psicológico do sujeito e contrária ao direito à convivência familiar, assegurado às
crianças e adolescentes pelo artigo 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o
qual alega que “é direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio
de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência
familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral”.

6.3 CAUSAS DO ABANDONO AFETIVO E CONSEQUÊNCIAS EM


DECORRÊNCIA DA SEPARAÇÃO CONJUGAL.

Não é novidade que os pais possuem uma significativa influência no
desenvolvimento geral da criança, seja ele emocional, físico, escolar, no dia a dia,
ou até mesmo no desenvolvimento psíquico.  Este núcleo de proteção e
compreensão tem o objetivo de auxiliar na estruturação do progresso psíquico do
20

sujeito, preparando-o para possíveis situações demandadas pela vida em sociedade


(FREITAS, 2017). 
 Na contemporaneidade, as famílias dispõem de deveres para com seus
membros, principalmente no que diz respeito à figura dos filhos, tendo o
compromisso de cuidar para que todos os integrantes se sintam bem, em benefício
da felicidade em comum, proporcionando a união e a atenção mútua. No entanto, em
alguns casos, o vínculo afetivo encontra-se gravemente prejudicado. As causas são
as mais diversas possíveis: cotidiano atarefado dos pais, crianças cada vez mais
tempo nas escolas e, principalmente, a separação e o divórcio dos pais (SANTOS,
2017).
Por um lado, o processo de separação ou divórcio pode ocorrer de forma
amigável em que os pais, sentindo a ausência dos filhos, demonstram o desejo de
preservar a convivência, o cuidado, a educação e o amor. Por outro lado, estes
processos podem ocorrer de maneira bastante conturbada, em que o rompimento se
dá através de brigas e discussões sendo este um fator de grande preocupação em
relação às crianças que ficam no meio dessa “guerra” entre os genitores (SANTOS
2017).  
Quanto à separação Hironaka(2007) discorre: 

“Muitos pais, durante e após a separação, travam uma terrível batalha em


que não se conhecem vencedores. Pior que isso, atiram sua prole no meio
do fogo cruzado, seja por atitudes vingativas, seja pelo reflexo da própria
contenda. Infelizmente, na maioria das vezes, são os filhos os maiores
prejudicados pelas inconsequências dos atos dos genitores.”

 Por meio dessa difícil dissolução conjugal, muitos genitores rompem o


relacionamento não só com a mãe, mas também com os filhos, dessa forma
afastam-se definitivamente da criança, ocasionando na perda total do vínculo afetivo
e presencial do pai. Para Santos (2015): 
“O abandono é a ausência da presença. Como regra, é o homem que deixa
de dar atenção ao filho. Seja no casamento frustrado pelo divórcio em que
ele deixa o lar conjugal, seja com a existência de filho com a parceira ou
convivente e ocorre a ruptura da vida em comum, o homem sai de casa, por
vezes cumpre a obrigação de pagar a pensão alimentícia e desaparece. Os
filhos nunca mais o veem ou tal ocorre de forma espaçada ou demorada.
Por descuido, desleixo ou raiva porque ocorreu a separação, o pai se afasta
gradativamente até a ausência completa e total.” 

21

Desta maneira, devido ao crescimento no número de dissoluções conjugais, a


principal causa de abandono afetivo é o distanciamento natural da criança por
aquele que não possui a sua guarda. Tendo em vista que a convivência familiar é
imprescindível para o desenvolvimento saudável do filho menor, este fator pode
desencadear uma série de danos de cunho moral e psíquico. Dias (2007) expõe
que: 

“A convivência dos filhos com os pais não é direito do pai, mas do filho. Com
isso, quem não detém a guarda tem o dever de conviver com ele. Não é
direito de visitá-lo, é obrigação de visitá-lo. O distanciamento entre pais e
filhos produz sequelas de ordem emocional e reflexos no seu
desenvolvimento. O sentimento de dor e de abandono pode deixar reflexos
permanentes em sua vida.” 

Na atualidade, as demandas de abandono afetivo estão sendo discutidas no
âmbito jurídico desde o ano de 2003, em que há o julgamento de diversas ações
perante o Sistema Judiciário Brasileiro em busca de indenização por dano morais e
materiais, possivelmente causados pelo abandono afetivo (BRAGA; FRUCKS,
2013). Diante do ponto de vista do direito, a convivência dos pais com o filho,
fundada na praticabilidade de vínculos afetivos, é considerada um bem jurídico,
tutelada e protegida pelo Estado. Mediante este fato, o abandono afetivo fere
diversos princípios mencionados na legislação brasileira, desta forma a falta ou
frustração do afeto é considerada um ato ilícito capaz de gerar danos passíveis
de reparação civil (BRAGA; FUCKS, 2013; SANTOS, 2017).
Os processos de indenização por abandono afetivo possuem respaldo no
princípio da dignidade da pessoa humana que, refere-se à garantia de respeito e
proteção da probidade física e psíquica das pessoas em geral, não podendo ser
aceito qualquer ação ou omissão que afronte o homem em sua honra e
dignidade. Frente ao exposto, a má execução do poder familiar é um dano ao direito
da personalidade do filho, isto é, o abandono afetivo é capaz de gerar clara dor
psíquica e consequente dano à formação da criança (ARAUJO, 2015; SANTOS
2017).
Assim sendo, o prejuízo gerado em razão da violação à dignidade humana da
figura do filho é passível de reparação, por dano ao direito da própria personalidade,
tendo potencial de condenar a mãe ou o pai omisso a indenizar o filho pela lesão
22

que lhe causou ao desprezar sua existência (VIEGAS, 2016). Em consonância,


Hinoraka (2011) afirma que:
“O dano causado pelo abandono afetivo é antes de tudo um dano à
personalidade do indivíduo. Macula o ser humano enquanto pessoa, dotada
de personalidade, sendo certo que esta personalidade existe e se manifesta
por meio do grupo familiar, responsável que é por incutir na criança o
sentimento de responsabilidade social, por meio do cumprimento das
prescrições, de forma a que ela possa, no futuro, assumir a sua plena
capacidade de forma juridicamente aceita e socialmente aprovada”.

Ferraz (2010) afirma que não é possível obrigar alguém a amar e a sentir
afeto por outra pessoa, isso acarretaria apenas um amor dissimulado. Desta forma,
o que é plausível de ser exigido é a participação dos genitores na criação dos filhos,
assegurando lazer, educação e um bom convívio. Conforme dispõe o artigo 22 da
Lei 8.069/90 “Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos
menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer
cumprir as determinações judiciais". Caso contrário, deverá ao genitor ser
culpabilizado por ferir os deveres intitulados pela legislação brasileira.
Destaca-se que a reparação pretendida deve atentar as premissas de nexo de
causalidade entre o dano sofrido pelo filho e a conduta omissiva e voluntária do pai
no cumprimento do dever de convivência familiar, de forma a não penalizar
inadequadamente aquele que não deu causa a tal fato danoso. Deste modo, a
indenização por danos morais necessitará verificar a quantia necessária
compensatória à vítima e aquela em que o pai, poderá pagar (FERRAZ, 2010;
MARINGOLO, 2016; VIEGAS 2016).
Atenta-se ao fato de que o valor pecuniário não possui a competência de
eliminar a agressão moral sofrida. No entanto, servirá como um conforto no sentido
de aliviar o dano resultante do abandono. Podendo ele ser usado para custear um
tratamento psicológico, por exemplo. E também mostrar aos pais negligentes que
este ato é visto como inadequado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Salienta-se
que não existe uma tabela de preços para este tipo de sofrimento, o dano é
incalculável, sendo a sua função meramente de caráter satisfatório (MARINGOLO,
2016)
É possível observar que á há a presença de casos de abandono no sistema
judiciário. Em 2012, por exemplo, um pai foi condenado pelo STJ a pagar um valor
de R$ 200 mil por abandono afetivo. Para legitimar que a vítima sofreu um dano
quase que irreversível, o autor supracitado afirma que é necessário aos juízes que
23

irão realizar o julgamento destes casos analisem minuciosamente todos os laudos


psicológicos e assistência social tanto quanto os boletins escolares,
fotografias, provas testemunhais e também o próprio testemunho da vítima de
abandono.
Do ponto de vista da psicologia, as vivências afetivas desenvolvida no
ambiente familiar originam marcas que os sujeitos levam para a vida toda,
influenciando no modo de ser e agir frente a sociedade. Além disso, estende-se por
muitos anos e repetidamente projeta-se nas famílias formadas posteriormente
(SZYMANSKI apud PAIVA, 2008).  
Desta forma, a ausência de um dos pais e sua consequente falta
psíquica/afetiva é capaz de causar ao filho graves implicações de outra ordem que
não a material, desta forma prejudicando o desenvolvimento saudável do
filho. Igualmente, o distanciamento de um dos pais que, já teve uma convivência
com o filho, pode influenciar no aparecimento de sintomas e
comportamentos problemáticos decorrentes do sentimento de abandono (SILVA,
2005; FERMENTÃO; LOPES, 2009). Sobre a percepção desses sintomas, Silva
(2005) afirma que:

“São crianças que, por exemplo, sempre foram ótimas alunas e


repentinamente, ante a ausência do pai ou da mãe, têm queda na produção
escolar, muitas vezes levando a reprovação; outras que passam a ter
insônia; outras que ficam ansiosas, agressivas, deprimidas, enfim,
marcadas por algum sofrimento”

Isso porque, afirma Santos (2017) a criança se desenvolve com uma crença
de que não possui pai ou mãe. Na escola, entre vizinhos e até no trabalho, é
vista com o estigma de quem não foi reconhecido. Dessa forma, compreende-se que
as questões relacionadas à ausência de um dos pais que tem início na infância,
permanecem trazendo dificuldades quando os sujeitos chegam à idade adulta.
O prejuízo causado por esta falta de afeto é consequência de lesão à
personalidade do sujeito, originando um desfecho adverso à sua individualidade e
vida pessoal do lesado. À vista disso, no momento em que há a ruptura desses
vínculos afetivos, as consequências podem ser significativamente desagradáveis
para os sujeitos, abalando a sua autoestima e a forma com que se relacionam com
os outros. (HIRONAKA, 2007; WEISSHAUPT; SARTORI, 2014).
A fim de complementar, Weishaupt e Sartori (2014) asseguram que:
24

“As crianças e/ou adolescentes com pais ausentes (caracterizando o


abandono afetivo) enfrentam mais dificuldades na vida escolar e deparam-
se com problemas relacionados à baixa autoestima e falta de confiança.
Dessa forma, fazem-se necessárias a presença e a convivência com ambos
os genitores para que o desenvolvimento do filho seja o menos traumático
possível”.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa, na qual foi realizada através de uma pesquisa


integrativa, teve como objetivo identificar as possíveis consequências psíquicas e
jurídicas ocasionadas pelo abandono afetivo. Além disso, procurou-se apresentar a
evolução do afeto nos vínculos familiares, bem como conceituar o abandono afetivo
e quais as suas principais causas.
Desta maneira, depois de todas as considerações realizadas neste trabalho,
finalmente é possível elaborar uma análise sobre as possíveis consequências
psíquicas e jurídicas em crianças e adolescentes vítimas de abandono afetivo. A
partir dos resultados encontrados, constatou-se que os objetivos propostos foram
alcançados. Sendo assim, evidenciou-se que a instituição familiar se apresenta
como o primeiro grupo social no qual o sujeito se insere, tornando-se uma esfera de
grande importância para a saudável formação do sujeito.
Ressalta-se que, através das grandes mudanças sociais ocorridas,
principalmente o declínio do patriarcalismo e a instituição da Constituição Federal de
1988, legitimou-se a admissão de novas concepções de família tendo como escopo
o elemento afetivo. Desta forma, a convivência afetiva da família é de suma
importância para a formação dos sujeitos, considerando o reconhecimento e a
valorização das relações familiares afetivas como requisito de manutenção familiar.
Sendo assim, a Constituição Federal de 1988 dispõe no artigo 227 que a
família possui responsabilidades e deveres sobre as crianças e adolescentes que
devem ser cumpridos, a fim de executar os cuidados essenciais para o pleno
desenvolvimento psíquico e físico dos sujeitos. Além disso, o Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA), também traz a tona elementos que preconizam a
importância da convivência familiar, sendo fundamental para o pleno
desenvolvimento da criança ou adolescente à vida adulta.
25

No entanto, em decorrência de números cada vez mais significativos de


divórcios, casos de abandono afetivo, isto é, a omissão dos pais ou um de deles de
promover os deveres garantidos por lei, são cada vez mais evidentes no atual
contexto social. Para o campo do direito, este ato de omissão, negligência ou
imprudência, o qual é capaz de gerar dano à outra pessoa ou violar seus direitos
é considerado um ato ilícito, sendo merecedor de reparação, por representar uma
lesão ao direito da própria personalidade, sendo capaz de condenar o ausente a
indenizar o filho pelo dano gerado em decorrência de sua falta.
Já para a psicologia, as mudanças de fato são capazes de ocasionar
prejuízos, desta forma, o afastamento de um dos pais pode ter influência negativa na
vida dos filhos, sendo capaz de ocasionar consequências no desenvolvimento
emocional e psicológico.
Mediante o exposto, os sintomas que as crianças apresentam podem ser
a queda no rendimento escolar, baixa autoestima, insônia, ansiedade, depressão,
agressividade, dentre outros. Estas mudanças comportamentais das
crianças/adolescentes possuem relação direta com um ou ambos os pais, sendo
estes relacionados a falta de presença e/ou investimento afetivo, podendo não estar
necessariamente ligados à separação e sim a presença afetiva (SILVA, 2005;
FERMENTÃO; LOPES, 2009; WEISSHAUPT; SARTORI, 2014)
Desta forma, é fundamental que a convivência familiar e as relações entre
pais e filhos sejam conservadas, para minimizar os sintomas e possíveis
consequências decorrentes de uma separação conjugal. É de grande importância,
nesses casos, o acompanhamento psicológico destas crianças e, também dos pais,
a fim de refletirem acerca da importância de ambos participarem da vida dos filhos,
para que seus desentendimentos não alcancem diretamente e de forma negativa, as
crianças. Para o sujeito em desenvolvimento, é bastante relevante sentir-se
desejado pelos pais, e poder conviver com ambos. Desta forma, receber
investimento afetivo parental é fundamental na estruturação psíquica (SILVA, 2005).
Por fim, o abandono afetivo é um tema bastante atual em nosso contexto
social, tendo em vista que muitas crianças e adolescentes, mesmo não sendo
submetidas ao abandono material, se veem em situação de abandono afetivo. Vale
ressaltar que durante a elaboração deste trabalho, foi possível encontrar no campo
da psicologia uma lacuna acerca deste assunto, já que durante as buscas em
26

duas plataformas de pesquisas específicas do campo da


psicologia foram encontrados apenas 2 artigos referentes ao tema em questão,
enquanto que no campo direito encontrou-se 28 artigos.
Desta forma, fica evidente que o direito possui mais pesquisas relacionadas
ao tema de abandono afetivo. Sendo assim, surge a necessidade no campo da
psicologia, de criar novos estudos e fazer uma maior investigação acerca das
consequências deste ato de omissão no desenvolvimento e na estruturação dos
sujeitos.
27

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