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Comodidade Ambiental

(d)O corpo no Espaço


&
Fenomenologia
do espaço e o sujeito no espaço
COMODIDADE AMBIENTAL

FATORES DE LOCALIZAÇÃO:

O ambiente escolhido pelo grupo possui as seguintes características espaciais e locais:

• Ocupação urbana: Área urbana (2 a 3 pavimentos)


• Área verde: área urbanizada (algumas árvores no passeio ou no interior dos
lotes).
• Processo: auto-construção (Não foi feita por arquiteto)
• Declividade: 11° a 25° (de acordo com mapeamento da PBH)
• Cobertura de solo: área urbana de baixa densidade
• Área permeável: 20% permeável do terreno (aprox. 45 m² de 226m²)
• Configuração da área escolhida para o trabalho: cômodo de uso mais público.

FATORES DO MEIO AMBIENTE NATURAL:

SOL:
Um problema nesse espaço é a questão da disponibilidade de sol. A quantidade de sol
que entra no terraço, no inverno, é de apenas 3h/dia (7h às 10h da manhã); no verão é
um pouco mais (até próximo ao meio-dia).
VENTO:
No terraço venta muito o ano todo. A hora que mais venta é à noite. Fato confirmado
empiricamente e através dos dados da CEMIG. Essa grande percepção do vento à noite,
aliada à uma iluminação insuficiente, inviabiliza o uso noturno do terraço. A frente do
terraço não está posicionada na direção do vento, mesmo assim, pela localização do
imóvel na configuração espacial do bairro e da região, esse cômodo recebe uma
agradável ventilação ao longo do dia.

CHUVA:
As chuvas mais fortes, quando não está ventando muito, caem um pouco dentro do
terraço, e quando está ventando muito, cai um pouco mais, mas não chega a ser muita
chuva no interior do ambiente.

PAISAGEM: (falta fotos panorâmicas da paisagem... )


Não houve nenhuma alteração da paisagem ou das construções do entorno do terraço.

FATORES DO AMBIENTE CONSTRUÍDO:

CONSTRUÇÃO:
O terraço está sendo construído ao longo do tempo (cinco anos). Os materiais usados
na construção e revestimento foram escolhidos por sua utilidade e viabilidade
econômica, não trazendo em si marcas mais evidentes de memórias. Não há produtos
artesanais, nem feitos pelos próprios moradores.

PISO E TELHADO:
O piso é cerâmico, com um ralo no canto da parede. Ele é antiderrapante. O telhado
atualmente não apresenta problema, mas já teve defeito.

ACESSIBILIDADE:
O grau de acessibilidade lá é baixo. O piso é antiderrapante, contudo, o acesso é difícil
(feito por uma escada alta), sem rampa de acesso, e dentro do ambiente não se
encontram barras de apoio, etc. Também não há saídas de emergência, ou maiores
proteções no parapeito.

FATORES CONDICIONANTES DA PERCEBÇÃO DO AMBIENTE:

AGRADABILIDADE
Em geral os moradores gostam do lugar, pois é um bom local para almoçar, é possível
sentir um vento agradável e admirar a vista, que é muito bonita. O lugar é marcado por
bons momentos, e nunca ocorreu alguma eventualidade traumática ou ruim. Fatores
externos também nunca exerceram grande influência a ponto de influenciar ou alterar
a ocorrência de um evento ou momento em família.
HIERARQUIA DE ESPAÇOS
O terraço fica no pavimento menos usado, possuindo importância apenas nas épocas
ou datas festivas, e em momentos recreativos do verão (quando é usado quase todos
os dias). Ele é considerado uma área mais pública, em relação aos outros cômodos da
casa.

ENTORNO:
O terraço é alto (3º andar?) e não é possível vê-lo com clareza do ponto de vista da rua..
Porém, do terraço se vê com clareza a rua.

ILUMINAÇÃO
É um fator que precisa ser bem trabalhado. No período diurno, ela é deficitária por não
receber muita luz do sol. À noite, a iluminação instalada não é suficiente, o que
inviabiliza o uso.

FENOMENOLOGIA E A CONSCIÊNCIA DO SUJEITO NO


ESPAÇO CONSTRUÍDO

A fenomenologia

Estamos acostumados a perceber a realidade de acordo com um “ponto de vista


natural”. Dentro desse ponto de vista, vivemos em experiências cotidianas tais como
andar, se alimentar, trabalhar, estudar, construir, e analisar os materiais de uma casa
para a aula de arquitetura. Acreditamos que, ao descrevermos a aspereza de um
concreto, ou a textura de um porcelanato, o cheiro de uma porta de madeira, a cor de
uma tinta, estamos extraindo informações “objetivas” de materiais construtivos, e que
nessa descrição nada de subjetivo há. Para a fenomenologia, nem a realidade existe por
si só, nem o sujeito existe por si. O sujeito é sempre uma consciência que apreende o
fenômeno. E consciência é sempre uma consciência de alguma coisa (um objeto). O
objeto não é apenas algo externo a nós, ele é o fenômeno percebido pelo sujeito.
Somos nós que constituímos os atributos aos objetos, embora cada coisa seja uma fonte
de indicações sobre o que ela é para o sujeito que o percebe. Sendo assim uma superfície
de porcelanato é uma fonte de indicações diferente de uma superfície de concreto,
contudo, dizer sobre a aspereza, sobre a beleza, a viabilidade, a utilidade, etc, está muito
mais no campo do das atribuições do sujeito que percebe essa superfície. Para uma
arquitetura fenomenológica, é necessário voltarmos às coisas, purificando a relação
entre o sujeito e o objeto. Os atributos dos objetos, bem como suas características,
provêm da relação entre o sujeito e objeto. A rugosidade ou a translucidez de um
material ou outro, a sensação de calor ou frio, ou quantidade de vento de um ambiente
dependerá da história de vida da pessoa que se relaciona com o espaço arquitetônico e
seus objetos aí dispostos.
O terraço

O terraço da casa da Paloma é um ambiente inacabado. Não só no sentido de sua


construção material, que se iniciou há cinco anos e vai sendo aprimorado ao longo do
tempo. Mas também no sentido da sua significação pessoal e comunitária (familiar). É
um ambiente que não teve um planejamento arquitetônico, mas foi construído através
dos desejos, necessidades e viabilidade familiar. Os materiais foram escolhidos
conforme o gosto dos moradores, e traduzem a história de vida que cada um desses
moradores já teve com os materiais utilizados.
É um espaço marcado pela convivência, pela boa e saudável aglomeração humana,
pelas experiências festivas, pelos infindáveis dias de verão (em que todos brincam na
ducha o dia inteiro) e nos agradáveis almoços de família, quando o vento leve refresca
as tardes quentes do verão. A transição das experiências espaciais é bem percebida
quando se sai dos andares inferiores da casa e se acessa ao terraço. Além de se sentir
sinestesicamente que se está em um lugar “superior”, essa área da casa revela aos
sentidos uma paisagem ampla, uma certa circulação de ar que não se sente no nível da
rua, uma visibilidade maior da vizinhança. Isso tudo se soma com as camadas de
experiências positivas aí vividas (festas, comemorações, churrascos, brincadeiras de
verão, relaxantes almoços entre familiares, etc).
Infelizmente, nos períodos noturnos, ou dias muito chuvosos ou demasiados frios, essas
experiências coletivas são tornadas inviáveis, quando não impossíveis. Em dias
chuvosos, em razão da frente do terraço ser aberta sem nenhuma parede ou janela ou
proteção, caem respingos de água dentro do terraço. Contudo, até hoje nunca se
necessitou parar uma festa, ou interromper um momento coletivo em razão dos
fenômenos atmosféricos.
Já a iluminação desse ambiente é uma questão que interfere em vários aspectos. Em
razão dos materiais e do desenho da planta do terraço, a iluminação solar penetra o
espaço por apenas algumas horas da manhã (no inverno chega a ser apenas três horas
– de 7h às 10h da manhã), sendo que durante o resto do dia o ambiente sofre pela
insuficiência da luminosidade solar. No terraço não há nem nas paredes laterais ou do
fundo, nem no teto, materiais que permitam o uso da iluminação natural além do
horário matutino dito acima. Em dias mais cinzento e à noite, faz-se necessária a
iluminação artificial, o que, nesse cômodo, é precária, pois existe apenas uma lâmpada
para todo o ambiente. Fica evidente que, pequenas medidas que viabilizem uma maior
luminosidade natural durante o dia, e um sistema eficiente e ecológico de iluminação
artificial para noite ampliarão em muito os novos usos e potencialidades já latentes
desse terraço.
A fenomenologia do espaço do terraço e dos sujeitos moradores

Viver o momento de uma manhã nesse terraço é, certamente, algo bem diferente do
que experienciá-lo no período noturno. Pela manhã, a pessoa que adentrar nesse
ambiente poderá ter uma experiência marcada pelo fenômeno solar. Os objetos e
superfícies estarão aquecidas, e o sujeito perceberá as características dos materiais
através da iluminação solar que revelará cores e tonalidades distintas daquelas
evidenciadas pela iluminação artificial. Os sentidos da visão e do tato estarão mais
sensibilizados pela luz e o calor solar; já o olfato será acionado caso algum dos materiais
ou objetos instalados ou deixados no terraço tenha sido aquecido pelo sol, e a audição
provavelmente escutará o roçar dos leves ventos em arvores próximas ou nos materiais
de dentro do ambiente. À noite, o ambiente se torna inóspito e até mesmo perigoso
para certas atividades. A pouca e precária iluminação artificial criará um desconforto
visual (ou mesmo uma impossibilidade de se enxergar certos objetos) que dificultará a
vivência de bons momentos. Os ventos mais fortes que sopram à noite nessa região da
cidade, adentram ao terraço pela frente e por vezes, trazem uma sensação desagradável
de frio. Não que o frio em si seja desagradável, ou agradável. Os atributos do vento frio
só terão significado e sentido para o sujeito que o percebe em sua pele. Para Paloma e
seus familiares, os ventos noturnos percebidos no terraço trazem uma sensação
desagradável a ponto de desestimularem a permanência dos moradores nesse local. A
fenomenologia do espaço se torna evidente nessa situação.

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