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Cap 1 - O Tabernáculo

O Tabernáculo e a Graça de Deus

“E me farão um santuário, e habitarei no meio deles”, Ex 25.8

É útil estudar sobre o tabernáculo para aprender mais da pessoa de Cristo. O espírito da
profecia é Cristo (Apocalipse 19.10, “E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele
disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho
de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia.”; I Pedro
1.10,11). O nosso conhecimento de Cristo não é danificado pelo estudo do Velho
Testamento, mas é instruído e fortalecido pelo estudo dele. Por isso convém estudar o
que diz a Bíblia sobre o tabernáculo.

A graça de Deus é inexprimível. Naturalmente conhecemos algo de Deus por umas


testemunhas, uma exterior e a outra é interior. Essas testemunhas se manifestam pela
graça de Deus. A testemunha exterior é a criação (Sl 19.1; Rm 1.19,20). A testemunha
interior é a lei de Deus escrita na consciência (Rm 2.14, 15). As duas testemunhas são
fiéis e manifestam um Deus magnífico, justo e de graça. O homem pecador sente
imundo para com este Deus revelado pela criação e na consciência e freqüentemente
procura O agradar ou apaziguar a Sua ira. Sentem às vezes agraciados por Ele não os
destruírem pelas ações radicais da natureza (terremoto, tsunami, vulcão, furacão, seca),
ou por ter uma colheita abundante, ou etc. Essas testemunhas manifestam vagamente a
graça real do Deus Vivo e Verdadeiro, mesmo que são suficientes para que o homem
fique inescusável diante de Deus no dia de juízo.

A graça de Deus se revela na sua maior glória pelo Filho Unigênito de Deus, Jesus
Cristo e a Sua obra da salvação. Jesus foi dado no lugar dos pecadores rebeldes e
inimigos, para que o pecador arrependido recebesse perdão pleno diante deste Deus
magnífico e justo. Além disso, o pecador arrependido tem as justiças de Jesus Cristo
imputadas a ele. Agora o salvo goza da comunhão com Deus e herança igual do Seu
Filho (Rm 8.15-17). Veja então, como é inefável essa graça de Deus? Hoje, o
Evangelho é declarado abertamente pelo rádio, televisão, jornais, folhetos, livros e
certamente pelas nossas bocas e vidas. Tudo isso pela graça de Deus.

Mesmo que a graça de Deus sempre existiu, nem sempre foi revelada na sua glória. No
Velho Testamento, a graça de Deus foi manifesta por enigmas, símbolos, cerimônias e
profecias (Hb 1.1, “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas
maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”; 10.1,
“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca,
pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os
que a eles se chegam”). Por que Deus fez exatamente assim não é para nos indagar, mas
dizer que nenhum homem mereceu tal graça, e que ninguém buscou tal graça por Jesus
ser verdade (Sl 14.2, 3). Se Deus não Se revelasse pelo Filho, ninguém teria a salvação.
Mas, verdadeiramente, desde o começo do mundo, Deus tem pregado a salvação que
agrada a Ele. Essa mensagem diz: o pecador arrependido confiando pela fé no Seu Filho
Jesus Cristo, tem salvação eterna.

As manifestações da Sua graça são tão evidentes quanto à presença do pecado no


homem. Logo que o homem pecou, Deus manifesta a Sua graça pela promessa do
Salvador, vindo da semente da mulher (Gn 3.15). Depois da profecia de Cristo em Gn
3.15, veio o exemplo em símbolo da graça de Deus. Percebe-se esta graça quando Deus
vestiu os culpados pelo sacrifício do inocente (Gn 3.22). Na primeira geração do
homem na terra, Caim, que mereceu a morte por matar o seu irmão, pela graça de Deus
foi lhe dado uma marca para não ser morto pelos homens (Gn 4.15). Depois destas
manifestações da graça de Deus vieram muitas outras. Poderíamos falar do tempo de
Noé em que todos os homens seguiram a imaginação dos pensamentos dos seus
corações maus. Mas no meio de toda esta impiedade, a graça de Deus se manifesta em
que “Noé achou graça aos olhos do Senhor” (Gn 6.5-8). A arca de Noé manifestava a
justiça de Deus como também a Sua maravilhosa graça. Na escolha de Abrão se percebe
a graça de Deus. Por Deus olhar a todas as nações, nenhuma justa (Sl 14.2, 3), mas
escolheu um homem, e este idólatra (Js 24.15, “aos deuses a quem serviram vossos
pais”; Is 51.1), desejando fazer dele uma nação elegida, predileta, e recebedora de uma
aliança eterna de amor, a graça de Deus revela a Sua maravilhosa graça.

O Tabernáculo também manifesta gloriosamente a graça de Deus. Deus, por ser


onisciente, conhecia os pecados grandes e imundos deste povo que Ele tinha escolhido
em Abraão. Ele soube que o Seu povo escolhido O rejeitaria, O substituindo por um
bezerro de ouro. Ele soube que o Seu povo, a quem tiraria de grande mão do Egito,
murmurariam contra Ele e contra o homem que Ele colocou para os lidarem à terra
prometida. Ele soube que o braço direito de Moisés, Arão, junto com a sua irmã Miriã,
levantariam contra o líder Moisés (Nu 12.1-16). Ele soube que a multidão do Seu povo
faltaria fé (Nu 13.27-14.10, 20 -24). Ele soube da desobediência de Moisés (Nu 20.7-
13). Mas mesmo assim, quis habitar “no meio deles” (Ex 25.8). Essa é uma
manifestação inexplicável da graça de Deus.

A ordem da construção do tabernáculo revela a graça de Deus. Por revelar Deus essa
construção tem o nome “tenda do testemunho” (Nu 9.15). Testemunhar de quê? Para
testemunhar o que Deus tem testemunhado desde o princípio, ou seja, a graça de Deus
para com os pecadores por Seu filho Jesus Cristo.

Existem dois relatórios da construção do tabernáculo (Ex 25 - 30; 36 - 39). O primeiro


relatório Deus vem ao Seu povo, ou seja, a graça de Deus em Si compadecer o Seu povo
e declara o meio pelo qual os pecadores podem aproximar-se a Deus. O segundo
relatório o tabernáculo apresenta a adoração do pecador remido a Deus por Cristo por
causa da graça.

No primeiro relatório se vê a graça soberana de Deus para com o pecador. A graça é


notada no começo da explicação da construção do tabernáculo com o lugar santíssimo e
a suas duas peças: a arca da aliança e o propiciatório de ouro. Este lugar manifesta a
glória do Senhor e a beleza da Sua graça. Pela graça Ele pensa no homem (Sl 8.4). Pela
graça Ele ama os Seus (Jr 31.3; Rm 8.35-39). Pela graça Deus escolhe Israel ser Seu
povo (Dt 7.7, 8). Pela graça, Deus decretou que por Jesus salvaria todos que se
arrependem e crê nEle pela fé. A eternidade desta graça se vê pois Jesus é
verdadeiramente o Cordeiro de Deus “morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8) O
Deus santíssimo habitando entre o povo por Seu filho Jesus manifesta a Sua graça de
maneira formosa.

A graça soberana se vê no lugar santo e na suas três peças de móveis também. Nelas se
vê a glória de Jesus, nas suas várias obras e atributos (luz, pão, oração e
acompanhamento do Espírito Santo). O lugar santo prega de Cristo O único mediador
entre o pecador e o Deus.

No pátio com as suas duas peças de móveis se vê a graça de Deus. A lavagem dos
nossos pecados é feita pelo sangue de Jesus e pelo sacrifício feito por Ele no lugar do
pecador. Nisso se aprenda da maravilhosa graça de Deus para com o pecador que se
arrepende e crê nEle.

O tabernáculo está fechado pela cerca das cortinas de linho fino torcido. A beleza e
glória de Deus por dentro. O pecador posto fora. A graça de Deus se apresenta pelo fato
de existir uma porta. Essa porta prega a mediação de Cristo e o Seu sacrifício no lugar
de pecadores arrependidos, separados do povo. Cristo é essa porta. Nessas maneiras
entendem-se a graça de Deus. Deus provém tudo o que é necessário para Ele habitar
com Seu povo. Que manifestação, mesmo em símbolos, da inefável graça de Deus!

No segundo relatório da construção do tabernáculo é descrito como o povo percebe


Deus. A primeira parte do tabernáculo mencionada nesse segundo relatório são as
cobertas e cortinas do tabernáculo. Nisso se manifesta que o povo não vê em Deus nada
formoso. Mas, com a obra da graça nos corações do Seu povo, Cristo é confiado como o
Mediador suficiente e Deus é tido como precioso em justiça e santidade. Que diferença
a graça de Deus traz a um povo na sua relação com O Divino!

A segunda peça relatada nesse relatório é a arca da aliança onde Deus se habita na Sua
terrível glória. A coluna de fogo de noite e a nuvem de dia manifestam ao povo que há
um Deus vivo e santo, um Deus verdadeiro e justo, um fogo consumidor. Manifesta-se a
verdade que se o homem espera chegar a este Deus santo e justo vai ser pela porta e não
sem animal apropriado para ser o sacrifício de um inocente no lugar do culpado. A
necessidade de um mediador, alguém que obedeceu tudo no nosso lugar é necessário.
Cristo é visto como este sacrifício (Jo 1.29). Cristo é apontado O único mediador entre
um povo arrependido e um Deus glorioso (I Tm 20.5, 6). Este Mediador divino-
humano, só pela graça de Deus pois Deus não tinha a obrigação de ser compassivo com
os rebeldes e inimigos dEle. Mas, em graça, deu o Seu Unigênito para que todos e
quaisquer que se arrependam e confiem nEle, tenham a vida eterna (Jo 3.16). Que
maravilhosa graça!

Hoje sabemos que as figuras do Velho Testamento se apontavam a Jesus. Jesus Cristo é
o justo que padeceu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos. Pelo sacrifício de
Cristo, os pecadores arrependidos são levados a Deus (I Pedro 3.18). Cristo é o único
mediador declarado abertamente entre o homem e Deus (I Tm 2.5,6). O tabernáculo
ocultava a declaração aberta da graça de Deus. Hoje essa mensagem da graça de Deus
em Cristo não é oculta. Deus anuncia a todos os homens que se arrependam (At 17.30).
Aquele que se arrepende é apontado a Jesus para ser salvo.

O tabernáculo revela a graça de Deus pois aponta a Cristo por Quem Deus habita com
Seu povo. A mensagem do evangelho é: por Cristo Deus habita no pecador arrependido
ainda hoje. A mensagem da graça inexprimível tem sentido para você?