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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE

DIREITO DA ____ CRIMINAL DA CAPITAL (MT)

NUBYA BEATRIZ GOMES DOS REIS, brasileira, divorciada,


Delegada de Polícia, inscrita no CPF/MF sob o nº 056.912.626-
611, com domicílio profissional na Av. Dante Martins de
Oliveira, s/n, bairro Planalto - Cuiabá / MT (plantão de
atendimento a vítima de violência doméstica e sexual de
Cuiabá), vem, por seus advogados constituídos com mandato
específico2, com fundamento no disposto pelos artigos 100, §
2°, c/c 145, ambos do Código Penal, e artigo 30 do Código de
Processo Penal, e conforme as diretrizes estabelecidas pela
Súmula 714/STF (legitimidade ativa concorrente), oferecer

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QUEIXA-CRIME C/C
MEDIDA CAUTELAR
------------
em desfavor de WELLEN CANDIDO LOPES, brasileira, casada,
advogada3, e-mail wellenadvocacia@hotmail.com, portadora do RG
1285487-5 e do CPF 936.536.201-63, residente e domiciliada na
Avenida dos Florais, nº 875, Condomínio Residencial Village do
Bosque, Quadra 01, Casa 21, Ribeirão do Lipa, Cidade de
Cuiabá/MT, CEP 78048-906, pugnando pela deflagração da
competente AÇÃO PENAL PRIVADA, em razão da prática dos delitos
previstos nos arts. 138 c/c 141, incisos II e III, do Código
Penal, conforme as razões de fato e de direito a seguir
expostas.
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Página

1 Doc. 01
2 Doc. 02
3 Doc. 03
I – FATOS ANTECEDENTES

1. Inicialmente, impõe registrar que a


QUERELADA/OFENSORA, é advogada e patrocina a defesa do
Jornalista LEONARDO HEITOR MIRANDA ARÁUJO, em razão de que,
nos idos de outubro de 2019, um grupo formado por 10 mulheres
procurou a Delegacia da Mulher em Cuiabá, com a finalidade de
registrar Boletins de Ocorrência contra o Sr. Leonardo, para
apuração da prática de diversos crimes, tendo naquela ocasião
sido instaurado alguns procedimentos criminais pela
QUERELANTE/OFENDIDA, porquanto era Autoridade Policial atuante
naquela unidade policial especializada.

2. Ocorre que no dia 03.12.2020, a QUERELANTE foi


surpreendida com mensagens e ligações de parcela da imprensa
local, indagando-a se gostaria de expor a sua versão sobre
nota pública subscrita pela QUERELADA4, onde desfiou ilações
sobre a honra da QUERELANTE.

3. Com efeito, em sua página na rede mundial de


computadores, cujo “print” segue abaixo, o site de notícias
“RDNEWS”, fez veicular a nota pública assinada pela
QUERELADA/OFENSORA, ocasião em que, agindo livre e
conscientemente, achincalhou a pessoa da QUERELANTE/OFENDIDA,
Delegada de Polícia, com afirmações caluniosas de que5:
“Durante as investigações, a douta delegada de polícia recebeu
prints de mensagens de Whatsapp, gravações em áudio e ouviu
testemunhas, como suporte probatório para as investigações. Em
dois casos, em especial, havia indícios que as vítimas
poderiam estar faltando com a verdade. Diante do anseio de
incriminar Leonardo, chega a ser “surreal” que a própria
vítima tenha apresentado elementos de provas, contra si mesma.
Assim, ao ser detectado qualquer tipo de “farsa diante da
autoridade policial”, caberia à mesma, de ofício, instaurar
procedimento investigativo pelo crime de denunciação
caluniosa. Ao silenciar-se diante de tais fatos, poderá ter
incorrido no crime de prevaricação”.
2
Página

4 Doc. 04
5 Doc. 05 e Disponível em
https://www.rdnews.com.br/judiciario/conteudos/137277 - Acesso 16/12/2020.
4. A QUERELADA afirma que a QUERELANTE usou a
“estatística em números de vítimas para inicialmente,
persuadir o Poder Judiciário nos pedidos de prisão preventiva”
e ainda iniciar “linchamento moral de Leonardo diante da
opinião pública”. Diz ainda que houve “prejuízo enorme para
com os cofres públicos vez que o aparelhamento do Estado foi
utilizado de maneira inadequada. Além dos prejuízos
imensuráveis sofridos por Leonardo”.

5. Na nota, a QUERELADA assevera também que: “É


inadmissível que práticas abusivas, a exemplo do “PERP WALK”
(prisão show), ainda sejam utilizadas por autoridades
policiais, correspondendo grave violação ao princípio da
dignidade humana e do direito a imagem”.

3
Página
6. Em uma consulta rápida na rede mundial de
computadores é de ver que referida nota também foi repercutida
nos sites de notícias “OLHARDIRETO”6 e “ESPORTESENOTICIAS”7.

7. Frise-se, por relevante, que essas afirmações foram


emitidas sem qualquer elemento que pudesse respaldá-las. A
certeza da impunidade levou a QUERELADA, Wellen Candido Lopes,
a fazer afirmações de tamanha agressividade e potencial
ofensivo contra a QUERELANTE sem querer preocupar-se em
indicar os elementos que disporia para tanto. Tudo é afirmado
como se fosse uma verdade absoluta, embora não passe de –
indevidos – juízos de valor expressados pela QUERELADA.

8. Ademais, ressai indene de dúvidas a intenção de a


QUERELADA macular a imagem da QUERELANTE, quando se vê que o
próprio investigado, Sr. Leonardo, em 02.10.2019, emitiu
“NOTA” com pedido de desculpas pelo ocorrido, senão vejamos o
quanto disposto no teor da nota divulgada no site
“OLHARDIRETO” :
8

6 Disponível em
https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=479498&noticia=jornal
ista-acusado-de-crimes-sexuais-pede-abertura-de-pad-contra-delegada-que-
nega-qualquer-omissao&edicao=1 – Acesso 16/12/2020.
7 Disponível em https://esportesenoticias.com.br/defesa-de-leonardo-

miranda-acusa-delegada-de-fazer-prisao-show-pra-ganhar-midia/ - Acesso
4

17/12/2020.
Página

8 Disponível em

https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=462701&noticia=grupo-
de-dez-jornalistas-denuncia-assessor-parlamentar-por-assedio-e-
importunacao-sexual&edicao=4 – Acesso 17/12/2020.
9. A verdade é que a QUERELANTE possui mais de 8 (oito)
de vida na segurança pública do Estado de Mato Grosso;
participou e auxiliou em várias operações relevantes para
segurança da mulher e jamais teve uma mácula no seu
comportamento que pudesse justificar as afirmações expostas.

10. Nesse contexto, verifica-se que a QUERELADA, passou


longe de qualquer imunidade profissional, e imputou, como já
dito, a prática de condutas criminosas à QUERELANTE, mormente,
em relação àqueles procedimentos em que presidia, onde
5

figurava como investigado o Sr. Leonardo, cliente da


Página

QUERELADA, tudo com o exclusivo objetivo de denegrir sua


imagem, reputação e dignidade.
11. Assim, o conjunto probatório é robusto a demonstrar
a específica vontade (“dolo específico”) da QUERELADA em
caluniar a QUERELANTE. Daí a presente queixa-crime, pois,
ocorrente, na espécie, o delito previsto no art. 138 c/c art.
141, incisos II e III, ambos do Código Penal. Além disso, o
crime foi cometido por meio que facilitou a ampla divulgação
da grave acusação.

II – FUNDAMENTOS JURÍDICOS

12. De início, convém pontuar que a imunidade material


dos advogados não abrange a calúnia. A exclusão do crime
contra a honra alcança somente a injúria e a difamação (art.
142, inciso I, do Código Penal) (STJ – AgRg no RHC 106.978/RJ,
Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 17/12/2019,
DJe 03/02/2020).

13. Ainda, de acordo com o entendimento do Superior


Tribunal de Justiça, a imunidade prevista no § 2º, art. 7º do
Estatuo da OAB se aplica apenas aos delitos de difamação e
injúria (RHC 100.494/PE, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 12/02/2019, DJe 07/03/2019).

14. Nesse passo, é de ver que a presente queixa-crime


está fundada na existência de crime contra a honra, na
modalidade de calúnia, não havendo que se falar da imunidade
profissional.

15. Por sua vez, a calúnia é a imputação falsa a alguém


de fato definido como crime9. Essa figura típica possui como
bem jurídico protegido a honra, de modo que nessa proteção,
disciplina CEZAR ROBERTO BITENCOURT, o Direito Penal não
distingue honra comum da honra profissional: a primeira
refere-se à pessoa humana enquanto ser social; a segunda
relaciona-se diretamente à atividade exercida pelo indivíduo,
seus princípios ético-profissionais, a representatividade e o
respeito profissional que a sociedade lhe reconhece e lhe
atribui10.
6
Página

9 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: Parte Especial – Dos


Crimes Contra a Pessoa, vol. II, 13ª Ed., São Paulo: Saraiva, 2013, p. 333.
10 Idem, p. 329.
16. Conforme exposto no pórtico dessa petição, as
afirmações da QUERELADA foram subscritas em “NOTA PÚBLICA”, e
estão lastreadas em elementos repugnantes, ofensivos e
mendazes – que caracterizam verdadeira afronta à honra e a
imagem da QUERELANTE.

17. Podem ser identificadas, da leitura da nota pública


as seguintes afirmações extremamente ofensivas à honra da
QUERELANTE e – sublinhe-se desde logo – desprovidas de
qualquer elemento de sustentação:

“Durante as investigações, a douta delegada de


polícia recebeu prints de mensagens de Whatsapp,
gravações em áudio e ouviu testemunhas, como suporte
probatório para as investigações. Em dois casos, em
especial, havia indícios que as vítimas poderiam
estar faltando com a verdade. Diante do anseio de
incriminar Leonardo, chega a ser “surreal” que a
própria vítima tenha apresentado elementos de provas,
contra si mesma. Assim, ao ser detectado qualquer
tipo de “farsa diante da autoridade policial”,
caberia à mesma, de ofício, instaurar procedimento
investigativo pelo crime de denunciação caluniosa
(art. 339 do CP). Ao silenciar-se diante de tais
fatos, poderá ter incorrido no crime de
prevaricação”.
-----------------------------------------------------
“A frente das investigações policiais, a referida
autoridade apropriou-se da estatística em números de
vítimas para inicialmente, persuadir o Poder
Judiciário nos pedidos de prisão preventiva. E mais,
iniciar um linchamento moral de Leonardo diante da
opinião pública (...)”.
-----------------------------------------------------
“É inadmissível que práticas abusivas, a exemplo do
“PERP WALK” (prisão show), ainda sejam utilizadas por
autoridades policiais, correspondendo grave violação
ao princípio da dignidade humana e do direito a
imagem”.
-----------------------------------------------------
“Um prejuízo enorme para com os cofres públicos vez
que o aparelhamento do Estado foi utilizado de
maneira inadequada. Além dos prejuízos imensuráveis
7

sofridos por Leonardo”.


Página
18. Nesses trechos verifica-se que a QUERELADA sustentou
que a QUERELANTE teria anseio de incriminar Leonardo com a
promoção de seu linchamento moral diante da opinião pública,
imputando assim a prática do delito de prevaricação, previsto
no artigo 319 do Código Penal.

19. A QUERELADA, também, sustentou que a QUERELANTE


teria se apropriado de dados estatísticos para persuadir o
Poder Judiciário nos pedidos de prisão preventiva, a imputar,
portanto, a prática dos delitos de fraude processual, previsto
no artigo 347, parágrafo único e de peculato desvio, previsto
no art. 312, caput, 2ª parte, ambos do Código Penal.

20. Há, ainda, da leitura dos trechos que a QUERELADA


afirmou ter havido o cometimento do crime de abuso de
autoridade em decorrência da ocorrência da famigerada “PERP
WALK” – Prisão Show, imputando assim o crime do art. 13, I da
Lei 13.869/2019.

21. Dito isso, vê-se claramente no presente caso, o


inarredável propósito da QUERELADA de caluniar a QUERELANTE
(animus caluniandi), extrapolando qualquer possibilidade de
animus narrandi.

22. Ora, não é preciso qualquer atilamento intelectual


para se aferir o caráter extremamente ofensivo das imputações
em destaque nos excertos acima transcritos, mormente quando se
percebe que as expressões contumeliosas, não foram proferidas
em momento de exaltação, tampouco em peça jurídica posta em
juízo, pelo contrário, em nota pública endereçada à mídia com
o único propósito de abalar a honra da QUERELANTE.

23. Importa, também, ressaltar que quanto ao delito de


calúnia, a imputação dos crimes não necessita ser minuciosa,
conforme bem coloca BITTENCOURT (Tratado de Direito Penal,
vol. 2, 2012, p. 299):

“É indispensável individualizar as circunstâncias


identificadoras do fato, embora não sejam necessários
detalhes minuciosos que, muitas vezes, somente a
8
Página

própria investigação pode conseguir. Não é


indispensável que se afirme categoricamente a
imputação do fato, pois se pode caluniar colocando em
dúvida a sua autoria, questionar a sua existência,
supô-lo duvidoso ou até mesmo negar-lhe a existência
(calúnia equívoca ou implícita); essas também são
formas de caluniar alguém, ainda que simulada ou até
dissimuladamente, frases requintadas de habilidades
retóricas, de ironias equívocas ou antíteses
afirmativas” (grifamos)

24. Consigne-se, ainda, que o crime de calúnia consuma-


se com o fato de um terceiro informar-se sobre a imputação
dirigida ao ofendido, independentemente de qualquer resultado
naturalístico. Vale dizer, “havendo imputação ao querelante da
prática de fato típico, tem-se por consumado o crime de
calúnia” (STF, Inq 2.503, Rel. Ministro EROS GRAU, DJe de
21.05.2010).

25. Por isso, as ilações da QUERELADA configuram o crime


de calúnia sendo certo, de qualquer forma, que “o réu se
defende dos fatos narrados na proemial acusatória, e não da
capitulação atribuída à sua conduta” (AgRg no AREsp
1032869/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA,
julgado em 13/06/2017, DJe 23/06/2017).

26. Ademais, o magistrado, pode, diante do contexto


fático apresentado, entender definido outro delito, pois não
esta vinculado ao tipo penal indicado pela parte (art. 383 do
CPP).

27. Destarte, extrapolar bruscamente a técnica jurídica,


atacando aspectos subjetivos de cidadãos de bem, com ofensas
ou leviandades, ainda que arvorado no ânimo de defender
avidamente seu cliente, maleficia a um só tempo o prestígio do
profissional e o jurisdicionado em si, que nele depositou sua
confiança.

28. Outrossim, a QUERELADA parece desconhecer da


autonomia que o Delegado de Polícia possui para análise dos
fatos e formação de sua convicção técnica e jurídica, conforme
disposto claramente na Lei nº 12.830/2013.

29. Portanto, qualquer insurgência da QUERELADA,


9

relativa a forma de condução do inquérito levada a efeito


Página

pela QUERELANTE, deveria ter sido tomada no campo jurídico e


não na exposição indevida da atuação da autoridade policial
que somente agiu no exercício regular de um direito.
30. Em arremate, é certo que em seu art. 6º, parágrafo
único, a Lei nº 8.906/90 (Estatuto da OAB), garante que “As
autoridades, os servidores públicos e os serventuários da
justiça devem dispensar ao advogado, no exercício da
profissão, tratamento compatível com a dignidade da advocacia
e condições adequadas a seu desempenho”, todavia, é mais certo
ainda que, o art. 3º, da Lei nº 12.830/2013, assegura também
que “O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em
Direito, devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento
protocolar que recebem os magistrados, os membros da
Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados”.

31. Pelo exposto, é fácil constatar que a conduta


narrada e sustentada foge ao limite do razoável e expôs a
QUERELANTE a situação que ultrapassa o exercício profissional
e a liberdade de manifestação.

II.I – CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

32. Afora tudo o que foi exposto, pede-se vênia para


salientar a existência de causas de aumento de pena no caso
concreto, pois o crime aqui tratado foi praticado “contra
funcionário público, em razão de suas funções” (CP, art. 141,
inciso II), e “por meio que facilite a divulgação da calúnia”
(CP, art. 141, inciso III).

33. Realmente, não há dúvida de que as afirmações


lançadas pela QUERELADA com disponibilização integral na
Internet foi realizada por meio que facilitou a divulgação das
falsas acusações.

34. Assim, no caso sob análise, incide a causa de


aumento prevista nos incisos II e III do artigo 141, do Código
Penal, que determina que as penas dos delitos acima referidos
devam ser aumentadas de 1/3 (um terço).

II.II – DA MEDIDA CAUTELAR


10

35. Como se sabe, no tocante a medida cautelar, é certo


que são requisitos da medida: fumus boni iuris (fumaça do bom
Página

direito) e periculum in mora (perigo da demora).


36. Desse modo, ao examinar os argumentos expostos pela
QUERELANTE, bem como o print da matéria que reproduziu a “NOTA
PÚBLICA” subscrita pela QUERELADA, constata-se o preenchimento
de todos os requisitos exigidos pela lei para a concessão.

37. Com efeito, verifica-se, por meio da documentação


carreada aos autos, que a “NOTA” foi redigida em condições
afrontosas à honra da QUERELANTE, notadamente diante do seu
conteúdo com várias imputações que não estão estribadas em
qualquer indício de provas, mas tão somente em suposta ilação
pessoal.

38. Além disso, o perigo da demora está caracterizado na


própria natureza do veículo de informação, o qual propaga
informações com enorme facilidade e rapidez. Deveras, enquanto
a “NOTA PÚBLICA” permanecer disponível aos internautas,
qualquer pessoa poderá ter acesso, que, inegavelmente causa
transtornos de toda sorte à QUERELANTE pela replicação diária
e poder de difusão que a internet possui.

39. Assim, dado os efeitos nefastos decorrentes da


exposição da “NOTA”, é de ser suspensa sua exibição.

40. Sobre a possibilidade de concessão de cautelar em


hipótese como a presente, confira-se o seguinte aresto:

“PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME CONTRA HONRA.


CALÚNIA. DIVULGAÇÃO DE NOTÍCIA VIA INTERNET.
MEDIDA ASSECURATÓRIA. RETIRADA DE CONTEÚDO
OFENSIVO DA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES.
DECISÃO REFORMADA. APELAÇÃO PROVIDA.
[...].
2. "A internet é o espaço por excelência da
liberdade, o que não significa dizer que seja
um universo sem lei e infenso à
responsabilidade pelos abusos que lá venham a
ocorrer" (STJ, REsp 1117633/RO, Rel. Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado por
unanimidade em 09/03/2010, DJe 26/03/2010).
3. Uma vez que, a teor do noticiado pelo d.
Ministério Público Federal, a notícia que se
11

aponta como ofensiva continua sendo veiculada


em sítios da internet, impõe-se seja
Página

determinado aos provedores, sites de busca e,


ao Comitê Gestor da Internet no Brasil que
cessem a veiculação da notícia que ora se
aponta como ofensiva e criminosa.
4. Não há de se falar, outrossim, que tal
determinação poderia vir a implicar em afronta
ao princípio da liberdade de expressão, pois o
egrégio Supremo Tribunal Federal, por ocasião
do julgamento da ADPF nº 130, reconheceu a
supremacia da liberdade de informação
jornalística, como expressão da liberdade de
imprensa. Porém, como mecanismo constitucional
à calibração de tal princípio, reconheceu a
aplicabilidade dos seguintes incisos do art.
5º da Constituição Federal: vedação do
anonimato; direito de resposta; direito a
indenização por dano material ou moral à
intimidade, à vida privada, à honra e à imagem
das pessoas; livre exercício de qualquer
trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei
estabelecer; direito ao resguardo do sigilo da
fonte informação, quando necessário ao
exercício profissional.
5. Apelação provida.”
(TRF-1 - ACR: 49872 DF 0049872-
52.2010.4.01.3400, Relator: DESEMBARGADOR
FEDERAL I'TALO FIORAVANTI SABO MENDES, Data de
Julgamento: 20/09/2011, QUARTA TURMA, Data de
Publicação: e-DJF1 p.315 de 14/10/2011 -
destacamos)

41. Por tais razões, a determinação liminar para que os


provedores, sites de busca e, ao Comitê Gestor da Internet no
Brasil cessem a veiculação da notícia que ora se aponta como
ofensiva e criminosa, de conteúdo ofensivo ou pejorativo em
relação a QUERELANTE, no prazo de 48 horas, é medida de rigor,
advertindo-o de que o não cumprimento da decisão judicial,
acarretará em expedição de mandado de prisão, nos termos dos §
4º e 5º do artigo 282 do CPP.

III – PEDIDOS

42. A vista do exposto, a determinação liminar para que


os provedores, sites de busca e, ao Comitê Gestor da Internet
12

no Brasil cessem a veiculação da notícia que ora se aponta


Página

como ofensiva e criminosa, de conteúdo ofensivo ou pejorativo


em relação a QUERELANTE, no prazo de 48 horas, é medida de
rigor, advertindo-o de que o não cumprimento da decisão
judicial, acarretará em expedição de mandado de prisão, nos
termos dos § 4º e 5º do artigo 282 do CPP.

43. Requer, ainda, que, após a citação para defesa


preliminar, seja a presente queixa recebida, cumprindo-se os
demais termos do processo até final julgamento, quanto então
deverá a QUERELADA ser condenada como incurso nas penas da lei
(arts. 138 c/c art. 141, II e III, ambos do Código Penal).

44. Condenar a QUERELADA, ainda, a promover retratação


pública, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa (CP,
art. 143, parágrafo único).

45. Protesta provar o alegado por todas os meios de


prova em direito admitidos, além dos documentos que já
acompanham esta peça e, se necessário for, pela oitiva da
vítima e das testemunhas abaixo arroladas, que são
imprescindíveis.

46. Pugna-se, por fim, que as publicações e intimações


sejam realizadas em nome do advogado RICARDO MORAES DE
OLIVEIRA, inscrito na OAB/MT sob o nº 12.913, com endereço
indicado no rodapé desta.

Dá à causa o valor meramente estimativo e apenas para


cálculo das custas processuais de R$ 1.000,00 (hum mil reais).

Termos em que pede e espera deferimento.

Cuiabá/MT, 17 de dezembro de 2020.

RICARDO MORAES DE OLIVEIRA NUBYA BEATRIZ GOMES DOS REIS


OAB/MT 12.913 QUERELANTE
13
Página
ROL DE TESTEMUNHAS:

1) Wesley Santiago – podendo ser localizado na R. dos


Girassóis, 60 - Jardim Cuiabá, Cuiabá - MT, 78043-132.

2) Mikhail Favalessa – podendo ser localizado na Rua Manoel


da Cruz Pinto de Figueiredo, 86 - Porto, Cuiabá - MT, 78025-
579.

3) Laércio de Oliveira – podendo ser localizado na Rua


Benjamim Pedroso da Silva, Qd 34, nº 03, CPA II, Cuiabá – MT.

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Página