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N9 2 1972

Abril

EDITORIAL - A ECIR conversa com vocês . . p.


A palavra do Papa - A santidade é acessível
a todos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 4
Palavra aos Equipistas - Façamos a nossa
Páscoa? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 6
Orientação familiar - Entrevista com Frei
Barruel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 8
Carla de um casal responsável a seus com-
panheiros de Equipe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 13
Oração pelos nossos Padres . . . . . . . . . . . . . . . . p. 15
Encontro Nacional de Casais Responsáveis . . p. 17
Apostolado - As Equipes de Viúvas . . . . . . . p. 22
O catecismo das crianças . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 24
Fraternidade é isso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 26
Ligação, êsse desconhecido . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 27
Notícias dos Setores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 29
Missa Leiga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 31
Oração para a próxima Reunião . . . . . . . . . . . p. 32
Revisão, Publicação e Distribuição pela Secretaria das
Equipes de Nossa Senhora no Brasil.

Rua Dr. Renato Paes de Barros, 33 - ZP 5 - Tel. : 80-4850


04530 - SAO PAULO, SP

- somente para distribuição interna --


EDITORIAL

A ECIR CONVERSA COM VOC~S

Caros amigos.

Muitos de vocês tomaram parte no Encontro dos Responsá-


veis de Setor e de Coordenação ou no Encontro dos Responsá-
veis de Equipe. Levaram sem dúvida a impressão de que as
nossas equipes deveriam desenvolver realmente, êste ano, um
esfôrço suplementar, sério e consciente. É de se esperar que
tenham conseguido transmitir a todos os equipistas a convicção
de que nos encontramos num ponto marcante da vida do Mo-
vimento.
Ponto marcante que vai se desdobrar por todo êste ano, du-
rante o qual precisamos repensar o Movimento, fundamentar a
nossa adesão, rever a autenticidade de nossa vivência de equi-
pistas e preparar assim um nôvo ponto de partida, de onde as
Equipes de Nossa Senhora possam deslanchar com nôvo vigor
e cumprir com redobrada eficiência a sua missão.
tste revigoramento do Movimento requer, evidentemente, o
revigoramento de cada uma das equipes, de cada um de seus
membros. Ora, a condição primeira para uma vivência cristã
autêntica e portanto robusta, é a vivência do Evangelho.
Para viver o Evangelho é preciso conhecê-lo, meditá-lo, e,
assim, impregnar a nossa vida com as palavras e os ensinamen-
tos de Cristo. Através dêle é Cristo que nos fala , como falou
aos discípulos nos três anos de sua pregação através dos cami-
nhos da Palestina. Como falou ao povo, comunicando-lhe a sua
mensagem.
Hoje em dia, o ritmo de nossas ocupações e responsabilida-
des nos rouba todos os minutos do dia, mal nos deixando tempo
de respirar. Se não reagirmos, é evidente que não encontrare-
mos tempo para um contato filial com o Senhor, o tempo indis-

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pensável para dar à nossa alma o alimento capaz de lhe manter
a vida, capaz de revigorá-la.
É para ajudá-los a reagir que o Movimento veio propor aos
casais que tomem sôbre si a obrigação da leitura diária da Pa-
lavra de Deus. Veio nos propor o grande meio de alimentar e
vitalizar o nosso ser espiritual, preservando-o da anemia que,
mais dia menos dia, atinge a alma que deixa de se refazer
diàriamente.


Caros amigos, entreguemo-nos de coração aberto a êste exer-
cício saudável, revigorante, que nos põe em contato direto com
Deus, através de sua Palavra. Mas, principalmente, façamos dos
10 minutos de leitura refletida desta Palavra, um tempo forte
em nosso dia e não a última sobra dentre as nossas outras res-
ponsabilidades.
É evidente que, para aquêles que já têm o hábito da medi-
tação, o Evangelho poderá ser substituído por outros livros das
Escrituras. Mas êstes mesmos sabem por experiência própria
que sempre encontram novas fontes de reflexão quando reabrem
o Livro. São de Santa Terezinha as seguintes palavras, que re-
forçam esta afirmação: "Para mim, não encontro mais nada nos
livros; o Evangelho me basta".
A primeira coisa a fazer é escolher o momento mais favorá-
vel do dia. Geralmente a primeira hora da manhã, antes que
nos envolva o redemoinhar de nossos compromissos. Melhor ain-
da se nos mover a intenção de oferecer ao Senhor a primeira de
nossas atividades.
Em seguida, desligar; fazer silêncio dentro de nós mesmos.
"Quando rezares - nos diz o próprio Cristo - entra em teu
quarto, fecha a tua porta e reza a teu Pai que está presente no
lugar oculto; e teu Pai, que vê a ação oculta, dar-te-á a recom-
pensa" (Mat. 6, 5-6) .
Depois, abramos o Evangelho. Lentamente, respeitosamente.
Com o mesmo respeito de quem se aproximasse de Jesus para
ouvi-lo falar. Escolhido o trecho, disponhamo-nos a ler com o
espírito e o coração inteiramente disponíveis. "Só compreende-
mos o Evangelho, escreve o Pe. Chevignard (A Doutrina Espi-
ritual do Evangelho), quando lhe abrimos totalmente o nosso
coração".
Seja a nossa atitude a de quem reconhece com humildade
o quanto é pequeno diante do Pai que nos fala através de seu
Filho. Com a alma simples e confiante de quem, mesmo não

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tendo, no momento, nenhum impulso de fervor, quer entretanto
oferecer a sua boa vontade. A boa vontade de quem não re-
cusa de antemão o esfôrço necessário para ouvir a Palavra, de
quem aceita nem sempre compreender tudo, mas reza para que
o Senhor lhe abra os olhos e os ouvidos da alma.
A boa vontade daquele publicano que, para ver passar Jesus
na entrada de Jericó, sobe a uma árvore na beira da estrada.
Ao ver o seu gesto, Cristo o interpela: "Zaqueu, desce depressa,
porque hoje vou ficar na tua casa" (Luc. 19, 1-5) .

A ECIR

oOo - -

Por que, ao falarmos de oração, é preciso que logo pensemos "pedir al-
guma coisa a Deus"? Procuramos as boas graças de Deus, como no mundo
se procuram "relações" importantes para alcançar o que desejamos, para
que seja feita a nossa vontade.
A amizade é gratuita. ll: profunda transformação . Cada um se revela
a seu amigo e assim os dois amigos se unem reciprocamente . Só então nada
mais podem recusar um ao outro. No Evangelho, Jesus se dá a conhecer.
Entrega o segrêdo de sua alma. Rezar é, antes de tudo, responder-lhe pura
e simplesmente. Falar com êle, pedir-lhe explicações, admirá-lo, agradecer-
-lhe . ll: também dar-se a conhecer, contando a própria vida, confrontando-à
com a dêle.
(Michel Quoist - "Cristo está vivo")

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A PALAVRA DO PAPA

A SANTIDADE 'É ACESSÍVEL A TODOS OS CRISTÃOS

O Concílio quis recordar que a vida cristã deve ser santa.


A santidade parece, normalmente, um têrmo extremo e super-
lativo, manifestação excepcional e inacessível à maior parte das
pessoas, de perfeição moral e religiosa, não um estado normal
oferecido a todos e exigido de todos; porque habitualmente re-
servamos esta qualificação de santidade às figuras humanas que
realizaram, na medida plena e sublime, o ideal de seguidor de
Cristo - o herói, o mártir, o asceta, o homem-ás que se distin-
gue da multidão e apresenta uma estrutura superior e singular
da personalidade humana, que se tornou gigante não só por
meio de um esfôrço cujo resultado foi positivo na imitação do
Mestre Divino, mas também devido a uma preferencial abun-
dância de dons carismáticos e a uma comunhão mística com a
própria vida de Cristo, pelo que êle, o santo, bem pode dizer:
" ... para mim, o viver é Cristo".
O Concílio retifica esta concepção fenomênica e rara da san-
tidade, fazendo remontar o conceito da mesma às origens his-
tóricas, isto é, quando todos os fiéis cristãos eram chamados
"santos"; e às origens teológicas da santidade conferida ao homem
pelo batismo e pelos outros Sacramentos, por meio dos quais é
infundida em nós aquela misteriosa e operante presença sobre-
natural de Deus santificante a que chamamos graça e que nos
torna santos, filhos de Deus, participantes, em certa medida, da
sua própria natureza, inefável e transcendente.
Daqui concluímos imediatamente que a santidade é um dom;
a santidade é comum e acessível a todos os cristãos; a santidade
é o estado, podemos dizer, normal da vida humana, elevada a
uma dignidade sobrenatural, misteriosa e magnífica. É a novi-
dade oferecida por Cristo à humanidade, remida por :Ele na fé
e na graça.

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Não é só um dom, mas também um dever. A santidade,
pressupondo o dom divino da graça, que nos consagra santos,
torna-se uma obrigação, torna-se o exercício mais incumbente da
nossa liberdade. Os cristãos, diz o Concílio, udevem, com a ajuda
de Deus, conservar e aperfeiçoar na sua vida a santidade q1,1.e
receberam" (LG 40). A santidade não é passiva; não exime o
homem de um esfôrço moral contínuo, mas nasce como uma vo-
cação impelente da elevação do homem ao grau de filho de Deus:
((Sede perfeitos, ensina Jesus, como é perfeito vosso Pai celeste",
e São Paulo acrescenta: ucomo é próprio dos santos".
Nós cristãos, nós católicos, devemos corrigir a fácil tendên-
cia ao conformismo ideo.lógico e prático da cultura ambiental e
a fraca sugestão de que, para ser moderno, é preciso comportar-
-se ucomo os outros", ou seja, livre não só de formas contingen-
tes e historicamente perecíveis do costume prático, mas também
de exigências irrenunciáveis da fé e da comunhão eclesial. Não
devemos pensar que o Concílio, convidando-nos a relações mais
diretas e fraternas com o mundo contemporâneo, tenha autori-
zado uma interpretação ambígua e cômoda do Evangelho, um
cristianismo fácil, sem dogmas, sem autoridade e sem sacrifícios
virtuosos. A voz de Cristo ressoa atrás de nós: use a vossa
virtude não ultrapassar a dos escribas e fariseus (hoje dir-se-ia
da gente ubem"), não entrareis no reino dos Céus" (Mat. 5, 20).
Cristo não diminui a exigência da lei moral; pelo contrário,
torna-a mais difícil e subtrai-a à pseudo-suficiência de uma sim-
ples observância legal e formal, tornando-a mais interior, mais
pessoa.l e mais vinculante: voltemos a ler o Sermão da Montanha
e veremos em que direção a norma da vida cristã se aperfeiçoa
com exigências mais humanas, mais profundas e mais religiosas,
que encontrarão, no supremo e duplo mandato do amor soberano
a Deus e do amor indistinto ao próximo, a síntese-chave de tôdas
as normas éticas cristãs. A escala moral de Cristo não desce,
sobe; é a escala do umais", não do umenos".
E não nos deve parecer intolerável, nem anacronístico, nem
impossível o destino da perfeição que a vida cristã nos apresen-
ta; uma perfeição que se deve continuadamente alcançar e que
nunca é suficiente, nesta existência no tempo, mas sempre tensa,
sempre viva, sempre disposta a corrigir-se e, portanto, sempre
humilde e amparada pela oração e pela esperança, sempre cor-
respondente ao estímulo e ao auxílio da graça. Sempre bemaven-
turada nesta dolorosa prova presente.
(Audiência geral de U-7-1971)

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PALAVRA AOS EQUIPISTAS

FAÇAMOS A NOSSA PÁSCOA?

Não pense, irmão, que eu o estou convidando para fazer a


sua comunhão anual, conforme aquêle antigo mandamento da
Santa Mãe Igreja: comungar ao menos pela Páscoa da Ressur-
reição. E para todos nós, desde crianças, fazer a páscoa teve
êsse significado.
Pois você percebeu logo, irmão, que seria um absurdo tal
convite dirigido precisamente a você, que participa sempre do
banquete eucarístico, para quem não tem cabimento ir a um
banquete e ficar olhando os outros comerem.
É verdade. O sentido da Páscoa é muito outro, e por isso
mesmo não pode ficar restringido aos tão estreitos limites de
uma comunhão obrigatória.
Você se lembra de Moisés? O grande líder libertador dos
judeus, que conseguiu arrastar o seu povo inteiro para longe e
para fora do Egito, para longe e para fora da escravidão, em
busca da Terra Prometida, em busca da liberdade? Naquela
noite fatídica, em que devia passar o anjo exterminador para
realizar o último prodígio que abalaria o poder do Faraó, em
que os judeus todos poderiam finalmente sair de debaixo das
mãos dos opressores, naquela noite os judeus comeram ·a cor-
deiro com os pães ázimos, de pé, roupas de viagem e bordão de
caminheiros na mão, para não perderem tempo.
E depois, todos os anos, repetiam o mesmo rito, nas mesmas
condições, para relembrarem o grande prodígio que Deus rea-
lizara por êles, e reviverem através dos séculos a ação de graças
pela liberdade a tão duras penas conquistada.
Mas era apenas um cordeiro figurativo aquêle, incapaz de
realizar o que simbolizava; e aquela era também uma liberdade

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figurativa, incompleta e imperfeita. Deveria vir mais tarde o
verdadeiro Cordeiro de Deus, Aquêle que tira o pecado do mundo,
que não tirou apenas, mas tira a cada momento. Aquêle que
realizou primeiro em si a grande passagem do Mar Vermelhe:
através da cruz, do sangue, da morte, passou desta vida - li-
mitada pelo tempo e pelo espaço, pelas imperfeições de nossa
natureza criada - para a outra vida, na plenitude do amor, da
glória, da ressurreição no seio do Pai. E que continua reali-
zando em todos nós, na medida em que soubermos aderir à sua
vida e assimilar à dêle a nossa, a mesma passagem, a mesma
grande libertação.
Esta a nossa páscoa, de cada momento de nossa vida, como
tarefa cotidiana. Passagem também, não mais de um Mar Ver-
melho, mas de uma vida para outra; de uma vida acanhada, bem
enquadrada nas molduras das conveniências, das tradições, dos
costumes, das práticas religiosas, da rotina de cada dia, para uma
outra vida, aberta à grande aventura da fé e de amor, sem aca-
nhamentos, sem limitações. A grande abertura para o infinito,
para a luz, para a liberdade. É a terra prometida de nossa con-
quista.
Através da morte? Também, como Cristo. Porque não há
outro caminho para chegar à Terra Prometida se não o deserto.
O grande deserto da renúncia a si mesmo, do abandono dos pró-
prios pontos de vista quando não estiverem plenamente de acôr-
do com os pontos de vista de Cristo, no grande esfôrço da mu-
dança de eixo em nossa vida: o Cristo e não nós, o amor e não
mais o desamor.
Então, irmão, vamos fazer a nossa Páscoa?

Frei Estevão.

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ORIENTAÇÃO FAMILIAR

ENTREVISTA COM FREI BARRUEL

Com a finalidade de dar a conhecer aos


equipistas os movimentos e organizações cujo
trabalho é promover o desenvolvimento e aper-
feiçoamento da família, a Carta Mensal publica
esta entrevista com Frei Barruel de Lagenest,
O.P., muito conhecido por suas qualidades de
sacerdote, psicólogo e educador, destacando-se,
entte suas atividades, a de superintendente do
I.E.O.F. - Instituto de Estudos e Orientação
Familiar.

C.M. - Frei Barruel, pode o Sr. nos dar uma idéia das origens
do I.E.O.F.?

Frei Barruel - O I.E.O.F. é uma nova entidade de âmbito esta-


dual que foi criada em 1970 - mas suas ativi-
dades vêm se desenvolvendo há muito mais tempo, pois tiveram
origem no IBRAF - Instituto Brasileiro da Família. Entidade
de âmbito nacional, com sede em Belo Horizonte, fundada em
abril de 1970.

C.M. - E quais são as atividades do Instituto?

Frei Barruel - Atualmente as atividades básicas são:


- Incentivo e divulgação de estudos sôbre a família nas áreas
da sociologia, psicologia, direito, etc.
- Cursos de formação e aperfeiçoamento nestas mesmas áreas
e em diversos níveis.
- Orientação de casais ou, em têrmos mais técnicos, intervenção
psicológica e espiritual junto a casais necessitados.
O I.E.O.F. é uma organismo universitário vinculado às Fa-
culdades Associadas do Ipiranga que, por sua vez, são vincula-

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das à Arquidiocese. Como tal os diplomas do curso superior do
Instituto têm valor de diploma universitário para todos os efeitos.

C.M. - Como começou o Instituto suas atividades?

Frei Barruel - Começou pelo mais fácil: a parte de orientação.


Para isso o Movimento Familiar Cristão empres-
tou duas salas na sua Sede, onde fiquei esperando os eventuais
clientes. Como já conhecia bastante gente, por ter trabalhado
dez anos em São Paulo, e como as notícias espalham ràpidamen-
te - começaram a aparecer casais com problemas de vida fa-
miliar - seja de ajustamento conjugal, seja de educação de
filhos. tsse trabalho iniciou-se em janeiro de 1970 e no fim do
ano o volume já era de 70 a 80 entrevistas de uma hora por
mês. Hoje colabora com êste trabalho uma assistente social es-
pecialista em menores e comissionada pelo Juizado de Menores
para o I.E.O.F.

C.M. - Qual é o tipo de orientação dada? Parece-nos que é


feita uma espécie de psicoterapia com o casal - é isso
certo?

Frei Barruel - É preciso salientar: não é feito qualquer trata-


mento psiquiátrico. Embora eu tenha feito um
curso no Instituto de Psicanálise de Paris e trabalhado lá em
dois hospitais psiquiátricos especializados para o tratamento de
famílias, aqui não faço tratamentos, inclusive porque não tenho
diploma brasileiro que me permita fazê-los. Digamos que o tra-
balho do I.E.O.F. neste setor, seria, quando necessário, preparar
uma pessoa para o tratamento, convencê-la a fazê-lo e, às vêzes,
acompanhar paralelamente o tratamento, sem nunca interferir
nas orientações do médico. Aliás aprendi a distinguir a dife-
rença que existe entre uma relação terapêutica e uma relação
sacerdotal - o que não é fácil.
Mas voltando ao nosso modo de operação: quando um casal
chega a brigar mesmo, os dois são atendidos separadamente e é
o orientador quem decide da oportunidade de serem recebidos
juntos. Nosso trabalho é ajudar a pessoa a refletir, a pensar, a
prever onde vão levar as atitudes que toma. Tôdas as decisões
são tomadas pelas pessoas - nós só ajudamos a ver com maior
objetividade os resultados dos seus atos. Quando há um pro-
blema que nos parece patológico, aconselhamos a visita a um
especialista. O psiquiatra do Instituto poderá orientar se deve
ser feito ou não um tratamento, e que tipo de tratamento deve
ser feito, mas é a pessoa que vai decidir o que fazer. tste é o
nosso sistema de trabalho - trabalho sério, bem feito, sem que

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seja um tratamento. Convém frisar que tôda essa assistência é
dada gratuitamente.

C.M. - Então como o I.E.O.F. se sustenta?

Frei Barruel - As verbas que sustentam o Instituto vêm bàsi-


camente dos cursos, que devem dar uma certa
margem para isso. Complementarmente esperamos receber doa-
ções de entidades diversas, já que somos uma sociedade registra-
da e legal. A contribuição espontânea de casais atendidos apre-
sentou um resultado medíocre.

C.M. - Qual o tipo de casais que buscam orientação no Insti-


tuto - que classe social é mais atendida?

Frei Barruel - Utilizando a classificação habitual da sociedade


em classes A, B, C e D, poderemos dizer que
80 % dos clientes do Instituto são da classe B - de tôdas as faixas

Frei Barruel com os repórteres da Carta Mensal

da classe B - alta, média e baixa. Da classe A ou C - raro e


da classe D - pràticamente nunca. Com isto está enquadrado
o nível cultural médio ou superior.

C.M. - Chegou o momento de falarmos sôbre os cursos já em


funcionamento e planejados. Quais são e como são?

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Frei Barruel - Atualmente temos dois cursos programados:
- O curso superior de Orientação Familiar - na fase inicial
o curso é especial para sacerdotes e ministros de culto, ou seja,
rabinos, pastôres, pouco importando a religião. É condição mí-
nima de entrada ter diploma de quarto ano de teologia ou equi-
valente. O curso é de oitenta aulas, dadas por professôres de
nível universitário; como já dissemos anteriormente, devido ao
nosso convênio com as Faculdades Associadas do Ipiranga, o di-
ploma dêste curso tem valor de diploma universitário. O pró-
ximo curso inicia-se no dia 3 de abril, com pagamento de Cr$
10,00 de matrícula e Cr$ 60,00 por mês.

C.M. - tste é o primeiro curso dêste nível ou já foi formada


alguma turma?

Frei Barruel -Já foi formada uma turma, que iniciou com 46
inscritos e terminou com 39 diplomados. E sei
que terminaram muito satisfeitos com o curso.

C.M. - Existe algum curso programado de nível não univer-


sitário?
Frei Barruel - Sim - existe o curso de "Relações Humanas na
Família" - um curso de cinqüenta aulas, fun-
cionando duas vêzes por semana (têrças e quintas), das 14 às 16
horas. tste curso é aberto a quem quiser e o pagamento é de
Cr$ 10,00 de matrícula e Cr$ 40,00 por mês. tstes cursos são
repetidos todos os semestres: haverá uma turma iniciando no dia
4 de abril.

C.M. - Qual o nível de cultura para fazer êste curso?

Frei Barruel - Para êste curso de "Relações Humanas na Fa-


mília" não temos exigências para a entrada. A
coisa primordial é o bom senso, o equilíbrio psicológico. Sendo
casado ou casada é necessário ter uma vida familiar estabilizada,
li
I
sem problemas agudos. Havendo problemas agudos, é preciso
primeiro superá-los, caso contrário, êles serão inevitàvelmente
transferidos aos futuros clientes.

C.M. - E quais outras atividades do Instituto seria interessante


destacar?

Frei Barruel - Como dissemos, o I.E.O.F. tem como uma de suas


finalidades incentivar e divulgar trabalhos sôbre
a família: estudos, pesquisas, reflexões, etc. Neste sentido, temos

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um projeto, já em fase de execução, de uma enciclopédia da fa-
mília, a ser publicada pela Editôra Vozes, sob forma de fascículos,
não numerados, mas seguindo uma seqüência lógica. Todos os
trabalhos serão originais, feitos no Brasil, e de nível universitário.
Os primeiros fascículos devem sair no fim dêste ano.

C.M. - Se os casais equipistas quisessem ajudar o Instituto, como


poderiam fazê-lo?

Frei Barruel - Poderiam dar sua colaboração na orientação de


famílias. Seria necessário que fizessem uma pre-
paração - isto é - que fizessem o curso de "Relações Humanas
na Família". Conforme a conveniência, poderão ser formadas
turmas de manhã, de tarde ou de noite. ~stes casais assim pre-
parados poderiam iniciar o trabalho de orientação junto a paró-
quias, nos bairros. Achamos muito interessante essa idéia de
descentralização - o atendimento de uma ou duas vêzes por
semana já dariam resultados muito válidos. É evidente que o
casal orientador seria alertado para encaminhar ao próprio Ins-
tituto os casos mais difíceis - executando desta maneira uma
espécie de triagem.

C.M. - Queremos agradecer o tempo que o Sr. nos concedeu.


Sabemos que existem muitos planos para o futuro, mas
para não prolongarmos esta entrevista, deixaremos sua divulga-
ção para uma próxima oportunidade.
É magnífico o trabalho que vem sendo executado pelo Ins-
tituto de Estudos e Orientação Familiar e, por certo, êle repre-
senta uma ótima oportunidade de apostolado para muitos casais
equipistas.
Nota: Frei Barruel atende no I.E.O.F., diàriamente, menos às quar-
tas-feiras, inclusive aos sábados, das 16 às 21 horas. Rua Frederico Abran-
ches, 382, fone 221-0543.

Quanto ao curso "Relações Humanas na Família", a ser iniciado no dia


4 de abril, as inscrições podem ser feitas nesse mesmo local, onde será mi-
nistrado dito curso . Maiores informações com Maria Nischikawa, fone
221-0543, das 14 às 21 horas.

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CA RTA D E UM CASAL RESPO NSÁVEL .AOS SEUS
COMPA N HEIROS DE EQUIPE

Queridos irmãos de Equipe

Iniciamos um nôvo ano de atividades em nossa Equipe e


pela primeira vez vamos assumir o cargo de responsáveis. Sen-
timos que nestes sete anos recebemos muito de todos vocês. Tal-
vez, sem falsa modéstia, não tenhamos dado a vocês na mesma
proporção tudo o que devíamos ou podíamos.
Nossa Equipe tem grandes responsabilidades para com os
outros casais de nosso movimento e já atravessa a fase da equipe
vivida, talvez até um pouco sofrida.
A Equipe é como o casamento. Antes de ingressarmos nela
julgávamos que o amor com os anos arrefece ou se acomode, se
torna um hábito ou apenas uma necessidade. Aprendemos, então,
que ao contrário, a caminhada do amor é maravilhosa e que êle
cresce no decorrer dos anos, ganhando em intensidade e profun-
didade. Para isto, entretanto, temos que lutar, temos que alimen-
tar êste amor, lutar contra a monotonia, o fechamento , o egoísmo
e o orgulho. Tudo isto nós vimos fazendo e em nosso último ba-
lanço constatamos com alegria o sentimento de profunda amizade
e confiança que nos une.
E neste mesmo balanço constatamos entretanto que ainda
temos muito a fazer. O amor não pára nunca, êle é dinâmico e
quanto mais cresce mais exige de nós.
Vejam vocês como nos sentimos depois de refletirmos sôbre
tudo isto. Responsabilidade é serviço e nós, com todo o coração,
queremos estar a serviço de cada um de vocês. Servir é estar
disponível, é doar-se, exige tempo e dedicação. O quanto nos
sentimos limitados, pequenos diante da exigência do amor! É
por isto que lhes estamos escrevendo. Conhecemos o papel que

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nos cabe, mas nos sentimos tão incapazes de corresponder como
deveríamos ao que êle nos impõe.
Não sabemos como iremos conciliar todos os trabalhos que
temos pela frente. Apenas vamos depositar em Cristo e em Maria
a nossa vida, o nosso esfôrço, a nossa pobreza e limitação. 1l:le
saberá com sua Mãe ajudar e inspirar a todos nós. Contamos tam-
bém com vocês.
O nosso movimento nos propõe uma série de meios para que
possamos crescer em nossa espiritualidade. Teremos logo um
Mutirão que será o ponto alto do ano. Temos que pensar também
no nosso compromisso que será nada mais do que a reafirmação
de nossa vida de equipistas e de cristãos casados.
Talvez muitas vêzes tenhamos que fazer sacrifícios, tenha-
mos que _abrir mão de outras coisas também importantes pela
nossa equipe.
Queridos irmãos, se da nossa Equipe tanto recebemos, vamos
todos juntos a ela também nos dar, sem reservas, sem cansaço,
sem restrições. Vamos abrir o nosso coração cada vez mais um
ao outro e acolher e compreender as dificuldades e problemas que
cada um encontra em seu caminho. Que a nossa Equipe não seja
jamais motivo de enfado, mas o centro realmente de nossas vidas,
onde vamos nos abastecer, buscar fôrças e amparo para viver um
cristianismo autêntico.
A nós equipistas cabe um papel de grande responsabilidade
neste mundo onde cada vez mais cresce o ateísmo, o egoísmo e o
materialismo.
Nós temos a resposta a tudo isto, que é o Cristo, o Amor.
O difícil é vivê-lo, é testemunhá-lo.
Já caminhamos nesta luta um bom pedaço de nossas vidas e
vimos que valeu a pena.
Que Deus nos ajude a continuar cada vez com mais entusias-
mo a caminhada.
E se nós, que aqui estamos considerando tudo isto por algum
momento, falharmos (e sem dúvida o faremos) contamos com a
sincera correção fraterna de vocês. Será a prova de maior ami-
zade o dia em que, nos esquecendo de tudo o que estamos dizendo
agora, vocês venham a nos lembrar e nos reanimar.
Com sincera e fraterna amizade,

Os seus irmãos em Cristo.

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ORAÇAO PELOS NOSSOS PADRES

No domingo 23 de abril, por recomendação expressa


do Papa Paulo VI, a Igreja inteira estará "pedindo
ao Pai para que envie operários à sua messe". Isto
não quer dizer que nossas orações pelas vocações
se devam limitar ao Dia Mundial de Oração pelas
Vocações, pelo contrário, serv e para lembrar-nos que
naquele domingo deveremos rezar mais que nos
outros dias, agradecendo inclusive os padres que
temos entre nós, pedindo pela firme za de sua vo-
cação e para que, através do seu testemunho, novas
vocações possam desabrochar.

"Antes de tudo, Senhor, eu te agradeço por êsses homens


terem aceitado ser padres e missionários; se tivessem preferido
também os chinelos, uma companheira, um lar, que seria de nós?
E se isso tivesse acontecido em todo o mundo? Por isso, eu te
agradeço, meu Deus, porque lhes deste a coragem do sacrifício;
graças a êles é que somos alimentados com o pão da vida, é que
podemos fundar lares bem sólidos, purificar de vez em quando a
nossa alma, e morrer em paz um dia.
Obrigado, Senhor, pelos defeitos de nossos padres... Os ho-
mens perfeitos suportam mal a fraqueza dos outros; os que estão
sempre com saúde desprezam as naturezas fracas. Tu, Senhor,
viste mais claro que nós.
E agora, Senhor, eu te peço pelo Ministério dos nossos padres,
que êles tenham sucessos, mas não triunfos; e se sofrerem revezes,
não desanimem ! Teu sinal característico não é o sucesso nem o
insucesso mas o amor... Conserva, pois, nossos padres em teu
amor.
Nossos padres são uns fenômenos; de fato , êles têm de ser
mestres para as crianças, psicólogos consumados para a juventu-

-15-
de, eminentes homens de c1encia e expenencia no confessionário,
especialistas em questões conjugais e familiares, em seus contatos
com as pessoas cultas devem estar a par do último romance da
moda: devem também discutir, com os simpatizantes do comunis-
mo, até os mínimos pormenores sôbre o conflito entre o capital e
o trabalho.
Ia-me esquecendo de que êles devem responder, na rua, a
todos os cumprimentos, sem distinção de pessoas; que devem res-
ponder a todos sorrindo, mesmo que o coração esteja sacudido pela
tempestade e o corpo moido pela fadiga.
Ia-me esquecendo, também, de que devem ser, todos os do-
mingos e dias de festa, oradores, cantores, instrutores e, às vêzes,
até organistas.
Senhor, faze que julguemos êstes "especialistas universais"
com a indulgência exigida por seu programa incoerente e de-
sumano.
Senhor, quero pedir-te caridade para com os nossos padres:
em pensamento, e sobretudo, em palavras.
Concede-me, Senhor, a graça de perdoar os erros e os atos de
impaciência de meu vigário; que eu compreenda, enfim, que te-
nho um só vigário a suportar enquanto êle tem às suas costas, os
paroquianos todos!
Faze, ainda, Senhor, que êle tenha a consolação de sentir que
não é cercado apenas de indiferença ou hostilidade. E que eu
continue a rezar pelos sacerdotes.
Será melhor para mim e muito bom para êles. Amém.

(Do livro "Pílulas de ... otimismo", de


Pe. Desmarais O. P. e de D . Marcos
Barbosa OSB) .

-16-
O ENCONTRO NACIONAL DE CASAIS RESPONSAVEIS

Nos dias 11 e 12 de março, São Paulo foi sede


do Encontro Nacional dos Casais Responsáveis de
Equipe. Um dos Casais Responsáveis presentes
fêz para a Carta Mensal um apanhado dêsse
Encontro.

Durante êsses dois dias, 310 casais e 50 Conselheiros Espiri-


tuais, representando quase tôdas as equipes do Brasil, estiveram
dialogando, trocando experiências, traçando as linhas da sua
atuação para o presente ano. Como foi gostoso, como foi emo-
cionante e como foi importante para nós verificarmos que os

Flagrante do Plenário

nossos irmãos de todo o território nacional não medem sacrifícios,


não colocam obstáculos, não arrumam desculpas e comparecem
em m assa, buscando as linhas do Movimento, para poder levá-las
aos seus companheiros de equipe.

-17
O Encontro iniciou-se no sábado, pela manhã, com comovente
Meditação do Neuradir, colocando logo de início o papel do Casal
Responsável na perspectiva do amor fraterno. ~le deve ser aquê-
le que ouve, compreende, conhece e sobretudo serve aos seus
irmãos. Depois de uma apresentação dos presentes por cidade
de origem, no melhor estilo do Nicolau, ouvimos Miguel Orofino,
de Florianópolis, falar-nos sôbre "A contribuição do Casal Res-
ponsável para o aperfeiçoamento da equipe". Lembrou-nos que
a finalidade da equipe é ajudarmo-nos mutuamente a integrar na
nossa vida as exigências do Evangelho, a aprender a ver o Cristo
no outro. Quanto aos meios de aperfeiçoamento, só se tornam
pesados quando perdemos de vista o seu objetivo: só têm sentido
se aceitos como instrumentos oferecidos pelo Movimento para fa-
zer-nos crescer para o Pai. Meio de crescimento de primeira

Ba.te-pa.po no pátio

grandeza, lembrou o conferencista, é o diálogo, melhor, o dever


de sentar-se feito junto com os filhos; remédio de comprovada
eficácia contra a rotina familiar e conjugal. Nem sempre é fácil
de se conseguir, porque é sempre mais fácil sair pelo caminho
da omissão e do silêncio.
Após o almôço, tivemos encontros dos casais responsáveis das
diversas cidades com seus respectivos regionais, e a seguir outra
conferência, "O Casal Responsável face à comunidade", feita por
Maria Tereza e Luís Sérgio Widgerowitz, da Guanabara. Desta
palestra chegamos à conclusão que uma equipe que tenha: um
objetivo comum, assumido e conscientizado; uma organização, com

- 8-
O Encontro iniciou-se no sábado, pela manhã, com comovente
Meditação do Neuradir, colocando logo de início o papel do Casal
Responsável na perspectiva do amor fraterno. tle deve ser aquê-
le que ouve, compreende, conhece e sobretudo serve aos seus
irmãos. Depois de uma apresentação dos presentes por cidade
de origem, no melhor estilo do Nicolau, ouvimos Miguel Orofino,
de Florianópolis, falar-nos sôbre "A contribuição do Casal Res-
ponsável para o aperfeiçoamento da equipe". Lembrou-nos que
a finalidade da equipe é ajudarmo-nos mutuamente a integrar na
nossa vida as exigências do Evangelho, a aprender a ver o Cristo
no outro. Quanto aos meios de aperfeiçoamento, só se tornam
pesados quando perdemos de vista o seu objetivo: só têm sentido
se aceitos como instrumentos oferecidos pelo Movimento para fa-
zer-nos crescer para o Pai. Meio de crescimento de primeira

Bate-papo no pátio

grandeza, lembrou o conferencista, é o diálogo, melhor, o dever


de sentar-se feito junto com os filhos; remédio de comprovada
eficácia contra a rotina familiar e conjugal. Nem sempre é fácil
de se conseguir, porque é sempre mais fácil sair pelo caminho
da omissão e do silêncio.
Após o almôço, tivemos encontros dos casais responsáveis das
diversas cidades com seus respectivos regionais, e a seguir outra
conferência, "O Casal Responsável face à comunidade", feita por
Maria Tereza e Luís Sérgio Widgerowitz, da Guanabara. Desta
palestra chegamos à conclusão que uma equipe que tenha: um
objetivo comum, assumido e conscientizado; uma organização, com

-18-
disciplina, estrutura e uma distribuição de tarefas; uma escala de
valôres, baseada na humildade, na aceitação do outro como êle é
e na colocação dos interêsses do grupo acima dos interêsses pes-
soais e imediatos - esta equipe terá chances de se tornar uma
comunidade. Para que esta equipe - que é sistema - possa
transformar-se em comunidade - que é vida, o Casal Respon-
sável deverá ter: caridade, exigência, liderança e presença. Para
estar realmente presente à equipe, o Casal Responsável deverá
li assumir o seu passado, participar de maneira viva e atuante no
seu presente e ter esperança no seu futuro. Do Casal Responsá-
li vel depende que a sua comunidade seja um sinal de Cristo para
o mundo. "Responsável" é aquêle que responde. No fim do ano,
é a Deus que teremos que responder: "Senhor, que fizemos da
nossa equipe, que nos confiastes para apascentar?"
I'
Ainda no sábado à tarde, houve um Grupo de Trabalho, que
tratou da contribuição concreta que cada casal deveria levar para
sua equipe para o aperfeiçoamento da mesma.
A noite, após a Missa concelebrada, houve uma "reunião de
equipe", com os mesmos casais que participaram dos grupos de
trabalho, cujo tema foi "A Partilha como meio de aperfeiçoamen-
to cristão".
O domingo começou com uma Missa concelebrada, presidida
pelo Sr. Arcebispo Metropolitano de São Paulo, D. Paulo Eva-
risto Arns, que falou aos equipistas sôbre o seu papel na pastoral
familiar. Como no sábado, participaram da concelebração nada
menos que 30 sacerdotes.
Após a Missa, um jovem, George Vittório, colocou para nós
"O que os fi.lhos esperam dos pais equipistas". Foi ótima a con-
ferência, principalmente pela experiência que o George Vittório
transmitiu, pois, além de lidar com jovens como Coordenador do
T.L.C. em Santa Catarina, é filho de Elza e Ludovic, da ECIR.
Desta conferência nós pudemos tirar uma conclusão importante:
o movimento das Equipes é realmente muito válido, pois com todo
o engajamento que os companheiros Elza e Ludovic tiveram e
têm, êles não deixaram de lado ou esqueceram os filhos, e vimos
como a influência que os "meios de aperfeiçoamento" que o Mo-
vimento oferece tiveram na formação espiritual dos seus filhos
t~· foi importante. Nós começamos a pensar quantos George Vittório
virão para engrossar as nossas fileiras ...
Finalmente, Esther e Marcello transmitiram-nos a ((Orienta-
ção do ano" para tôdas as equipes do Brasil com mais de dois
anos de existência. Realmente, não se admite que um movimento
de casais que visa um aperfeiçoamento espiritual não aconselhe
a leitura diária da "Palavra de Deus". Face à atual realidade que
o mundo nos apresenta, é indispensável que procuremos subsídios
nos Evangelhos para conseguirmos ser cristãos autênticos. Ainda

-19-
dentro da "orientação do ano", além da leitura da "Palavra do
Pai", iremos estudar o "Espírito e as Grandes Linhas do Movi-
mento". Assim, além de procurarmos uma espiritualidade mais
concreta e conhecermos melhor a finalidade do Movimento, tere-
mos a possibilidade de verificar se é realmente nas Equipes de
Nossa Senhora que está a nossa vocação. No final de 1972, sere-
mos convidados a optar ou não em têrmos do Movimento. É fun-
damental que aquêles que optarem assumam conscientemente a
responsabilidade que o Movimento nos pede. Como conseqüência
desta opção, para aquêles que responderem com um "sim" ao Mo-
vimento, serão adotados dois novos meios de aperfeiçoamento:

Pe . Aquino, Marcello e Ludovic durante


o Plenário de Encerramento

meditação diária e ascese, entendendo-se ascese como esfôrço de


crescimento espiritual colocado dentro da prática da vida, tão ne-
cessário para se dar um passo à frente no "caminho para o Pai''.
Após o almôço, trocamos idéias nos Grupos de Trabalho sôbre
como levar a orientação do ano para nossas equipes.
Terminado o Grupo de Trabalho, foi com tristeza que nos
dirigimos ao plenário para a reunião de encerramento. Coube ao
Padre Aquino, ao Marcello e ao Ludovic responderem às dúvidas
surgidas nos Grupos de Trabalho e, em nome da ECIR, encerrarem
o Encontro.
Queremos aqui deixar uma palavra de agradecimento aos
padres salesianos, que tão bem nos receberam no Liceu Coração
de Jesus. Mais do que agradecimento, reconhecimento mesmo,
queremos transmitir à Comissão organizadora, que soube pensar
em tudo para que nós pudéssemos estar à vontade para escutar-
mos e discutirmos os temas dêsse Encontro.
Foi importantíssimo para nós termos participado do Encon-
tro. O enriquecimento espiritual, a convivência com casais mais
experientes, o conhecimento de novos casais, a vivência de dois
dias com os responsáveis de equipes de todo o Brasil foi uma
experiência que jamais esqueceremos. Sempre ouvimos falar que
''ser Casal Responsável é uma dádiva divina" - não entendía-
mos, mas aceitávamos. Hoje, após a nossa participação nesse
Encontro, passamos a compreender que essas palavras são pro-
fundamente verdadeiras. Participar do Encontro dos Casais Res-
ponsáveis de Equipe de todo o Brasil é realmente um a "dádiva
divina".
Ana Lúcia e Arthur Wolff
Equipe n. 0 85
Setor B/São Paulo

-21-
APOSTOLADO

AS EQUIPES DE VIÚVAS

Maria Conceição B. Dias, da Equipe n. 0 3


de Marília, conta como deu início às primei'l'as
Equipes de Viúvas do Brasil. Transcrevemos
do Boletim do Setor de Marília.

O Setor de Marília é talvez o primeiro a tomar iniciativa no


sentido de organizar as Equipes de Viúvas. Trata-se portanto
de uma experiência nova no Brasil.
A iniciativa brotou do desejo manifestado por senhoras viúvas
de terem também um meio pelo qual pudessem encontrar o apoio
fraternal de pessoas ligadas pelos mesmos problemas e pelas
mesmas dificuldades.
Diante disso, me dispus a organizar o Grupo entre as senho-
ras conhecidas e demos início à primeira equipe de viúvas, pas-
sando a funcionar nos moldes das equipes de viúvas da França,
noticiados em antiga Carta Mensal das Equipes de Nossa Se-
nhora.
A primeira equipe de viúvas de Marília é composta atual-
mente de 12 elementos que se reúnem nos mesmos moldes das
Equipes de Casais, uma vez por mês. A reunião mensal consta
também da co-participação, orações pessoais, meditação, partilha
e tema de estudos. A equipe é bastante ligada pela caridade
fraterna e pelo auxílio mútuo. As "obrigações" - ou meios de
aperfeiçoamento - são os mesmos das equipes de casais, com
exceção do Dever de sentar-se.
Esta equipe j,á tem dois anos de existência, a sua atual res-
ponsável é Maria Francisca de Lara Leite, e o Conselheiro Es-
piritual o Pe. Alberto Boissinot, Conselheiro Espiritual do Setor.
Acompanhei essa equipe durante seu primeiro ano de exis-
tência até que seus elementos tivessem real confiança nas técni-
cas de funcionamento e estivessem bem conscientes do seu papel
dentro da equipe e dentro da comunidade.

?.2
Atualmente, está sendo formada a 2.a equipe e já conta com
8 elementos. Tenho acompanhado a equipe e procurado dar a
ela o sentido da vida comunitária, de entre-ajuda e de cooperação.
Ambas as equipes estão recebendo orientações para uma
vida cristã inserida no mundo atual; dêsse modo, já têm partido
para o apostolado. Vários trabalhos já foram feitos neste sen-
tido e ultimamente foi fundada a 1.a Conferência Vicentina Fe-
minina de Marília, composta de elementos das duas equipes de
viúvas.
O apostolado dessas equipes será primordialmente com as
famílias pobres, não somente no campo assistencial mas princi-
palmente no campo da promoção humana das pessoas assistidas.
O testemunho da vida de equipe é bastante positivo e a vi-
vência evangélica tem sido o ponto alto das aspirações das equi-
pistas.
Essas mulheres, antes fechadas sôbre seu isolamento e suas
angústias, tornaram-se hoje cheias daquela alegria temperada da
esperança que é a virtude que não pode faltar à vida de um cristão
e sobretudo à vida da pessoa que perde seu companheiro.

As que estiverem interessadas em formar equipes de viúvas em


sua cidade poderão escrever para Maria Conceição no seguinte
enderêço: rua Sergipe, 275 - Marília (SP)
ou dirigir-se à sede do movimento na França :
"Groupement Spirituel des Veuves",
49, rue de la Glaciêre,
Paris, 13ême
Existe também uma revista, "Message aux Veuves", que pode
ser assinada no mesmo enderêço do G. S . V.

PEREGRINAÇAO INTERNACIONAL DE VIúVAS A LOURDES

Uma peregrinação internacional de viúvas a Lourdes, orga-


nizada pelo "Groupement Spirituel des Veuves" - movimento
fundado e animado pelo Cgo. Caffarel, com ramificações na Itá-
lia, Suíça, Espanha, Portugal e agora no Brasil - será realizada
por ocasião da festa de Pentecostes, de 20 a 22 de maio. Du-
rante os três dias serão dadas conferências pelo Cgo. Caffarel
e pelo Pe. Loew e haverá uma vigília de orações sob a orienta-
ção do Pe. Carré. Em grupos de trabalho serão estudados pro-
blemas que afetam as viúvas, como solidão, educação dos filhos,
viúvas sem filhos, etc.

-23-
O CATECISMO DAS CRIANÇAS

Você dá aulas de catecismo? Não dá?


Veja o que você está perdendo . ..
(Texto de Dick van Dyke, transcrito
de "0 EQUIPISTA" de Ribeirão Prêto)

Minhas expenencias e as de meus colegas professôres mos-


tram as maravilhosas percepções das crianças quando se deparam
pela primeira vez com os mistérios da fé.
As crianças têm uma faculdade fantástica de reduzir o inex-
plicável aos têrmos delas. Vejam a criança explicando como
Deus cria as pessoas: "Primeiro êle nos desenha e depois êle
nos recorta". Ou a criança descrevendo o que é um halo: "Os
santos têm aquela rodinha em cima da cabeça e sempre procuram
andar com cuidado para ficarem sempre debaixo dela. A rodi-
nha acende". As vêzes, não é possível dizer as coisas com mais
precisão, como no caso da criança descrevendo a diferença entre
protestantes, católicos e judeus: "São apenas maneiras diferen-
tes de votar em Deus".
Uma lógica clara e irrefutável é o privilégio das crianças.
Vejam o guri a quem perguntaram o que é preciso fazer antes
de se obter o perdão do pecado; respondeu êle: "Pecar". Ou a
criança que ouviu a história do Filho Pródigo pela primeira vez.
"No meio de tôdas as comemorações pela volta do Filho Pródigo-
disse o professor - havia uma pessoa para quem a festa não trazia
alegria alguma, só amargura. Sabem me dizer quem foi?" "O
novilho gordo?", sugeriu uma vozinha triste.
Uma lógica inversa parece aplicar-se no caso de uma criança
que tinha acabado de ouvir a história do Bom Samaritano. "O
que é que isso te ensina?", perguntaram-lhe. "Que quando estou
em apuros, alguém deve me ajudar". Logicamente, também, as
crianças relacionam as alusões bíblicas com o mundo em que
vivem. Se não sabem a resposta a uma pergunta, logo sua ima-
ginação borbulhante lhes fornece uma. - Quando perguntaram
a um menino por que não havia mais oferendas de incenso a
Deus, sugeriu: "Poluição do ar". Uma de minhas preferidas é
a história de um professor mostrando um quadro de Cristo a uma
criança. "Não é realmente Jesus", explicou êle, "e sim a con-

-24
cepção que o artista tem dêle". "É, mas parece-se demais com
êle", disse uma criança.
Quem já ouviu criancinhas rezando sabe que êsses momentos
são cheios de surprêsas, resenhas familiares e vislumbres do que
se passa na cabeça da criança. Um garotinho, sentido com um
castigo, acabou suas orações com as bençãos costumeiras para
todos os membros da família menos um. Então, virando-se para
o pai, disse: "Acho que você reparou que não estava na minha
oração". As orações das crianças têm uma intimidade e fran-
queza espantosas. Uma criança quando teve permissão da mãe
para ir a um piquenique que ela havia vetado anteriormente,
disse: "É tarde, mamãe. Já rezei para que chovesse".
Professôres de catecisco deparam com perguntas que há sé-
culos vêm fazendo doutores em Teologia arrancarem os cabelos,
tais como: "Se Deus nos criou todos à sua imagem, porque alguns
são feios e maus?" A pergunta: "Porque só existe um Deus?"
uma criança respondeu: "Porque Deus enche todos os espaços
e não há lugar para outro".
A fé das crianças tem uma inocência - uma confiança e
franqueza - que reflete o verdadeiro sentido da bíblia quando
diz: "Aquêle que não receber o reino de Deus como menino de
modo algum entrará nêle".

"Muitos pensam que as crianças não sabem


nada e que os grandes é que sabem alguma
coisa: afirmo-lhes que é justamente o contrá-
rio, as pessoas grandes não sabem nada e as
crianças sabem tudo porque elas conhecem a
inocência primeira que é tudo. Na criança ou
na infância há uma graça única, uma integri-
dade, um comêço total, uma origem, um se-
grêdo, uma fonte, um ponto de origem, um
início, por assim dizer, absoluto".
Charles Péguy

-25-
FRATERNIDADE É ISSO

Transcrito de "0 SAO PAULO", 26-2-'72 .


Eu vou lhe contar o que aconteceu numa capela, aqui do li-
toral. Por aqui cada paróquia tem um punhado de bairros que
o padre visita quando pode. Mas em muitas delas há o Capelão,
ou Animador, ou qualquer outro nome: é um líder do bairro que
aprende a dirigir o culto dominical, aquela "Missa sem padre"
que inventaram não faz muito tempo. Numa dessas capelas,
antes de começar o culto, Zelão (vamos chamá-lo assim) diri-
giu-se à turma que lotava o recinto para as orações ao Senhor: -
"Nóis semo cristão ou nóis é palhaço?"
Você vai concordar comigo que o português do Zelão, como
aliás o da maioria dos capelães da redondeza, não se pode com-
parar com o castiço idioma de Eça ou Coelho Neto. Mas a turma
de lá os entende muito bem.
- "Se nóis é cristão mesmo, não podemos continuar dizendo
'Pai Nosso' aqui na igreja sem fazer nada praquela gente que
está morando debaixo da ponte ... "
Ah! que péssimo estilista que eu sou. Esqueci de dizer a
você que perto da Capela havia uma ponte e, como quase sempre
acontece aqui no interior, por debaixo da ponte passava um
riacho há muito tempo. Mas, ultimamente, além do riacho, ins-
talara-se ali uma família inteira, cujo casebre ruíra numa tem-
pestade. Sendo pobre, o caboclo, sem recurso para reconstruir
sua palhoça, mudou simplesmente para debaixo da ponte.
Zelão falou e disse. E naquela ensolarada manhã de domin-
go, antes de rezarem o "Pai Nosso" na capela, todo mundo saiu
da igrejinha. Interromperam o culto, fazendo eco, quase, àquela
passagem do Evangelho que diz: "Se estás para fazer a tua
oferta e te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa tua
oferta no altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão". O
culto ficou interrompido até às quatro horas da tarde.
Quando voltaram, Zelão e sua turma, a oração recomeçou.
Na hor a do "Pai Nosso", de mãos dadas, dava para sentir em
cada mão ainda um resto de suor e até de barro . . . A turma es-
tava cansada. Mas de coração feliz. Porque deu para recons-
truir todo o barraco da família que morava debaixo da ponte.
Agora, após a oração com Zelão, poderia voltar para uma casa,
como todos os filhos de Deus.
Cada vez que vejo um cartaz da Campanha da Fraternidade
(e já vi tantos!), eu me lembro do Zelão. Do Zelão que não
sabe português. Do Zelão que vai perguntando de sopetão "se
nóis é cristão ou palhaço". Do Zelão, porém, que sabe uma coisa
muito importante. Sabe o que é fraternidade.

-26-
LIGAÇÃO, ESSE DESCONHECIDO

Do boletim mensal do Setor B da Guanabara


reproduzimos o artigo seguinte, que aborda assunto
muito importante e geralmente mal com preendido
pelas equipes.

Vocês sabem que os Ligações existiam antes dos Setores?


É sim. ~les precederam a formação dos setores porque, desde
o início de nosso Movimento, nos idos tempos de 1947, êles já
eram o sangue que levava o oxigênio, a vida do Movimento, às
equipes e traziam de volta os anseios dessas mesmas equipes. É
talvez o cargo mais difícil, mais delicado das ENS. Para exer-
cê-lo bem, é necessário que o Ligação seja um apóstolo, com es-
pírito pastoral antes de tudo, para animar a equipe, fazer com
que os casais subam sempre no caminho de sua espiritualidade
própria, a de casados.
"As almas, tal como as velas, acendem-se uma nas outras",
e as ENS são um exemplo disso, pois tudo nelas é feito de pessoa
a pessoa, em qualquer nível. Não é possível que o Responsável
do Setor atinja diretamente, pessoalmente, cada casal. Isso é
então feito pelo Ligação. É êle uma espécie de irmão m ais velho,
tratando carinhosamente os casos particulares, sem paternalismo
e guardando confidencialmente o que acontece nas equipes por
êle ligadas. Diríamos que é o Conselheiro leigo da equipe. ~le
está bastante dentro da equipe para conhecer e amar os casais
que o Movimento lhes confiou, mas também está bastante fora
da equipe para ter a calma e a lucidez de quem vê as coisas do
alto, não se envolvendo diretamente nelas.
Para isso o Ligação precisa ter Fé viva e forte para poder
transmiti-las aos irmãos. Ter competência: conhecer os fins , a
mística e os métodos do Movimento e acreditar nêles. Ter uma
Caridade que seja exigente (cf. Rom. 15, 14-15) mas seja também
um serviço prestado alegremente (cf. II Cor. 9, 7). Ter clarivi-
dência em seus conselhos, não "doutrinar" mas, com o S. Paulo,

-27-
interessar-se por tudo. Ter devotamento à sua m1ssao, tratando
sua equipe ligada, não como um todo mas conhecendo cada casal
e, como S. Paulo (cf. Rom. I, 8-13), amando-os um por um.
E agora vocês vão perguntar: como conseguir tudo isso?
Primeiro, pela oração; depois vivendo melhor o Movimento
dentro de sua própria equipe; pela ajuda das ENS e suas estru-
turas; e finalmente pela receptividade aberta a ser dada à equipe
que êle liga.
Que nós saibamos pois tornar menos árdua a tarefa do nosso
Ligação, através da abertura do nosso coração e da nossa ami-
zade.

-28-
NOTÍCIAS DOS SETORES

Cariocas em Brasília
Dois casais da Equipe 18 da Guanabara transferiram-se com
armas e bagagens para a Capital Federal. Maria Coeli e Ro-
berto Wagner, que fizeram a Sessão de Formação de Itaici em
1970, partiram com a incumbência de lá instalar o Movimento.
Que Deus os abençoe na execução dessa tarefa.

Ainda a Guanabara
Os dois setores da Guanabara realizaram no fim de 1971 a
operação "Inter-Equipes" - que alhures se usa chamar mais pro-
sàicamente de "reuniões de equipes mistas". Foram 17 grupos,
131 casais, ou seja, quase 80% dos integrantes das equipes da
Guanabara. A participação foi assim: 66 casais do Setor A, 50
do Setor B, 4 de Niterói. Fizeram-se presentes os equipistas de
Petrópolis, por intermédio de 9 casais, e compareceram ainda dois
casais de São Paulo. Foi um sucesso, em têrmos de coparticipa-
ção, de amor e de espiritualidade.

São Carlos e Marília prontos para mais uma forma de apostolado


Dois casais de Marília e o Conselheiro Espiritual do Setor,
mais 4 casais de São Carlos, vieram até São Paulo para parti-
cipar do Encontro de Casais com Cristo, idealizado pelo Pe. Pas-
tare (cf. C.M. de Agôsto). Voltaram cheios de entusiasmo e
decididos a lançar a experiência em suas respectivas cidades.

De Marília a Aparecida
Associando-se às comemorações pelos 150 anos de indepen-
dência da nossa Pátria, as equipes de Marília resolveram, êste
ano de 1972, que será um ano marcado por celebrações especiais
no Santuário N acionai de Aparecida, externar o seu amor e con-
fiança em Nossa Senhora organizando uma peregrinação, que
será realizada nos dias 1.0 , 2 e 3 de julho. Será uma romaria de
reflexão, oração e confraternização.

Novas passagens de cargos nos Setores


O Setor A de São Paulo tem nôvo Casal Responsável, Lour-
dinha e J osé Eduardo Dias Soares, e conta novamente com
o Cgo. Constantino Van Veghel, o. praem., como Conselheiro
Espiri tua!.

-29-
Em Campinas, Lalá (Maria Laura para os que não sabem)
e Dráusio Lopes Camargo substituiram Lília e Sérgio. Embora
ainda bem brotinhos, são veteranos no Movimento, pois perten-
cem à Equipe n. 0 3. Conselheiro Espiritual do Setor é o Pe.
José Antonio Buch.
Hilda e Oscar também se "aposentaram" do Setor B de São
Paulo, passando a responsabilidade a Maria Luíza e Constantino
Esper Neto.
Tendo Mônica e Plínio sido transferidos de Florianópolis,
passaram o Setor a Eda e Aldo Brito. Continua como sempre
a postos o Pe. Bianchini.
Nôvo Casal Regional em São Paulo
Theresinha e Ronaldo Wimmer, da Equipe n. 0 34, Setor A,
antigos pioneiros de Jundiaí, substituem agora Marialba e Ma-
riano na Região São Paulo-Capital.

Novas Equipes
Tivemos conhecimento de que ingressaram no Movimento
mais as seguintes equipes:
A caçula do Setor A, de n. 0 86, por contar com vários casais
lusitanos, escolheu a invocação de "Na. Sra. da Cova da Iria".
Foi pilotada por L alá e José de Castro Monteiro. O Casal Res-
ponsável é Maria Elise e José Écio Pereira da Costa e o Conse-
lheiro Espiritual, o Cgo. Constantino Van Veghel.
Em J aú, ao mesmo tempo em que está sendo reestruturada
a Equipe 1, a 6, repilotada, a 7 já tem seu primeiro Casal Res-
ponsável, Maria Eunice e Leon Hipólito de Menezes. O Conse-
lheiro Espiritual é o Cgo. Gastão Oliboni, o. praem.

Deus chamou a Si
No dia 24 de janeiro, nosso irmão Manoel Olímpio de Almei-
da Carneiro, da Equipe 23, Setor B da Guanabara. Sufragando
a sua alma, rezemos ao Pai também pelo confôrto de sua espôsa
Iracema.

NOTICIAS INTERNACIONAIS
Novos Setores: Estados Unidos: Nova York/Nassau
Nova York/Suffolk
França: Tolosa, B
Portugal: Aveiro, Guarda
Novas Equipes: Bélgica: 4; Espanha: 30; França: 28; In-
glaterra: 1; Irlanda: 1; Itália: 3; Líbano:
1; Portugal: 2.

-30-
MISSA LEIGA

Está em cartaz em São Paulo, e obtendo merecido sucesso,


a peça teatral de autoria de Chico de Assis, com músicas de
Cláudio Petráglia, intitulada MISSA LEIGA. Não pretendemos
fazer aqui nenhum juízo crítico, primeiro porque não é o caso,
segundo porque não é de nossa competência; os críticos teatrais
já se pronunciaram suficientemente através dos órgãos de im-
prensa. Só queremos dizer o seguinte: é uma senhora peça;
impressionante, acho que é o adjetivo que mais lhe convém. Di-
ficilmente pode haver um meio mais eficaz para levar-nos a to-
mar consciência da atualidade, da presença da nossa Missa em
nossa vida; vale por muito mais do que uma pregação. O que
disseram certos jornalistas, em determinados jornais, sôbre a
"Missa leiga", chamando-a inclusive de sacrílega, só pode ser
fruto de preconceitos e má fé; o jornalista que a chamou assim,
certamente não assistiu à peça, ou, se assistiu, não quis entender
a mensagem clara, meridiana, que o autor quis e os artistas con-
seguiram transmitir.
Só temos um conselho a dar aos equipistas da Capital e aos
de outras cidades que porventura vierem a São Paulo: antes que
saia de cartaz, não deixem de assistir a essa peça. Será também
um bom assunto para co-participação, e mesmo debates em grupos.

RETIROS

Não haverá retiros, em São Paulo, no primeiro semestre.


As datas reservadas para o 29 semestre são as seguintes:

11 de Agôsto - em Valinhos
25 a 27 de Agôsto em Barueri
22 a 24 de Setembro - em Valinhos
29 de Setembro a 19 de Outubro - em Barueri
6 a 8 de Outubro em Valinhos
27 a 29 de Outubro em Barueri
17 a 19 de Novembro em Valinhos

-31-
ORAÇÃO PARA A PRÓXIMA REUNIÃO

Páscoa, tempo de renascimento (na


água e no Espírito) pelo batismo, tempo
de transformação do homem ve.lho no
homem nôvo. Nosso irmão primogênito,
Cristo, na luz de sua ressurreição gloriosa,
nos aponta o caminho, que nos levará à
plenitude final da nossa ressurreição tam-
bém, na luz eterna do Pai.

Texto de Meditação: (Rom. 12, 1-2)

"Recomendo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que


ofereçais os vossos corpos como hóstia viva, santa, agradável a
Deus, à maneira de um culto espiritual. E não vos amoldeis a
êste mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para discenirdes a vontade de Deus: O que é bom, o que Lhe
é agradável, o que é perfeito".

Oração Litúrgica: Hino a Cristo


Senhor, tu fizeste surgir da treva
o mundo na sua primeira manhã;
Fazes brilhar na nossa noite
O conhecimento da tua glória.
És a imagem do pai Celeste
e o esplendor da sua beleza,
Sôbre o Teu rosto, ó Jesus Cristo,
brilha para sempre a alegria do mundo.
Tu próprio és a luz
que brilha ao fundo de tôda a escuridão.
Tu és a lâmpada dos nossos passos
A guiar no caminho de trevas.
Quando tudo se dilui, tu permaneces,
quando tudo se apaga, tu continuas;
A noite desce, e tu resplandeces
no coração das tuas criaturas.
E quando a aurora que já se anuncia
se erguer sôbre o universo,
Tu reinarás na cidade dos homens,
E as trevas hão-de desaparecer.

-32-
Oremos: ó Deus, que iluminas a noite
e fazes brilhar a luz após as trevas,
faze com que passemos esta noite
defendidos dos ataques do inimigo,
para que amanhã, com alegrfa ·
Te demos graças na Tua presença.
Por Jesus Cristo, Teu Filho, Nosso Senhor.
Que o Senhor nos abençoe,
nos guarde de todo o mal
e nos conduza à vida eterna.
AMÉM.
EQUIPES NOTRE DAME
49 Rue de la Glaciêre
Paris XIII

EQUIPES DE NOSSA SENHORA


Rua Dr . Renato Paes de Barros, 33 - ZP 5 - Tel. : 80-4850
04530 - São Paulo, SP

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