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DIREITO CONSTITUCIONAL

Repartição de Competências II

REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS II

Com relação à competência privativa da União, é importante saber que a PRIVATIVA pode
ser delegada.
Os assuntos estudados sobre o art. 22, da Constituição Federal (CF), podem ser delega-
dos para os Estados (não para os Municípios), desde que haja uma Lei Complementar, não
podendo versar sobre a matéria genérica, deve ser uma questão específica.
Trânsito e transporte, Direito Civil, trabalho, podem ser delegados para os Estados, sendo
obrigatória uma Lei Complementar versando sobre uma questão específica, não se pode
delegar tudo.

Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões espe-
cíficas das matérias relacionadas neste artigo.

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. CON-


VERSÃO EM JULGAMENTO DE MÉRITO. LEI n. 6.633/2015 DO ESTADO DO PIAUÍ QUE
DISPÕE SOBRE O PISO SALARIAL DOS FISIOTERAUPETAS E TERAPEUTAS OCUPA-
CIONAIS. DIREITO DO TRABALHO. EXTRAPOLAÇÃO DOS LIMITES DA DELEGAÇÃO
DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONFERIDA PELA UNIÃO AOS ESTADOS POR MEIO
DA LEI COMPLEMENTAR n. 103/2000. OFENSA AO ARTIGO 22, I E PARÁGRAFO ÚNICO
DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. PROCEDÊNCIA
DO PEDIDO.
1. A jurisprudência desta Corte firmou–se no sentido de que a extrapolação dos limites da
competência legislativa delegada pela União aos Estados e ao Distrito Federal, nos termos do
art. 22, I e parágrafo único, representa a usurpação de competência legislativa da União para
legislar sobre direito do trabalho e, consequentemente, a inconstitucionalidade formal da lei.
2. Lei estadual de iniciativa parlamentar extrapola os limites da delegação legislativa da
competência legislativa privativa da União conferida aos Estados e ao Distrito Federal por
meio Lei Complementar n. 103/2000, a qual reserva a iniciativa ao Poder Executivo de projeto
de lei que visa instituir piso salarial para os empregados que não tenham piso salarial definido
em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.
3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.
(ADI 5344, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 11/10/2018,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-256 DIVULG 29-11-2018 PUBLIC 30-11-2018).

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Esse Julgado foi importante para mostrar que o piso salarial é uma questão específica,
não envolve todo o Direito do Trabalho.
A jurisprudência da Corte firmou-se no sentido de que a extrapolação dos limites da compe-
tência legislativa delegada pela União para os Estados e para o Distrito Federal (DF), nos termos
do art. 22, I, parágrafo único, representa a usurpação de competência legislativa da União para
legislar sobre Direito do Trabalho e, consequentemente, há inconstitucionalidade formal da Lei
Estadual de iniciativa parlamentar – Lei Complementar n. 103/2000, reserva a iniciativa ao Poder
Executivo de Projeto de Lei que visa instituir piso salarial para os empregados que não tenham
piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.
5m
A inconstitucionalidade não foi pelo piso salarial, que pode ser delegado por se tratar de
uma questão específica, está certo ter sido delegado para o Estado e não para o Município e
teve uma Lei Complementar. O problema é não ter sido respeitada a inciativa que era para ser
do Poder Executivo, porque isso estava previsto na Lei Complementar – quem apresentou foi
um parlamentar.

Constituição Federal (CF)

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I – direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
II – orçamento;
III – juntas comerciais;
IV – custas dos serviços forenses;
V – produção e consumo;
VI – florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII – proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
VIII – responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artís-
tico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX – educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inova-
ção; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 85, de 2015)
X – criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
XI – procedimentos em matéria processual;
XII – previdência social, proteção e defesa da saúde;
XIII – assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV – proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;
XV – proteção à infância e à juventude;
XVI – organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.

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Competência Privativa x Competência concorrente

Quanto à Competência Privativa da União, há o mnemônico: CAPACETE DE PM (Direito


Civil, Agrário, Penal, Aeronáutico, Comercial, Eleitoral, Trabalho, Espacial, Desapropriação,
Processual e Marítimo).
10m
Quanto à Competência Concorrente da União, há o mnemônico: PUTOFE (Penitenciário,
Urbanístico, Tributário, Orçamento, Financeiro e Econômico).
Além desses, a Seguridade Social é competência privativa da União. A Seguridade Social
não pode ser confundida com a Previdência Social, que é concorrente.
O Direito Comercial é privativo, mas Juntas Comerciais configura-se matéria concorrente.
Enquanto o Direito Processual é privativo da União, o procedimento em matéria proces-
sual é concorrente.
Trânsito e Transporte, Consórcios e Sorteio, inclusive Bingos e Loterias, Telecomunica-
ções, Águas, Energia, Informática são de competência privativa.
Competência concorrente: União, os Estados e o Distrito Federal (DF). Municípios
NÃO ENTRAM.
Legislar sobre Infância e Juventude, Juizados de Pequenas Causas, Educação, Cultura,
Ensino, Proteção e Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência são de competência
concorrente.
15m
A competência privativa pode ser delegada para os Estados através de uma Lei Comple-
mentar sobre questões específicas.
A competência concorrente é da União, dos Estados e do DF. A União limitar-se-á a esta-
belecer normas gerais de Direito Tributário, de Orçamento etc.

Um Estado poderia suplementar sem precisar de lei alguma, delegando, por exem-
plo, por meio de Lei Complementar?
Sim, pode.
Não existindo norma geral sobre o tema, os Estados legislarão de forma plena.
Se porventura aparecer uma norma geral depois de o Estado ter legislado de forma plena,
a nova norma suspende naquilo que for contrário, não revoga.

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Constituição Federal (CF)

Art. 24. (...)


§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer nor-
mas gerais. (Vide Lei n. 13.874, de 2019)
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplemen-
tar dos Estados. (Vide Lei n. 13.874, de 2019)
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades. (Vide Lei n. 13.874, de 2019)
§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que
lhe for contrário. (Vide Lei n. 13.874, de 2019).
20m

SÚMULAS

SÚMULA VINCULANTE N. 2

É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas
de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

SÚMULA VINCULANTE N. 38

É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento


comercial.

Obs.: é competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento


comercial porque é local. Já o horário de funcionamento bancário é da competência
da União, segundo a Súmula n.19 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As medidas de conforto (tempo máximo de espera nas filas, portas giratórias, instalações
sanitárias) dentro do estabelecimento bancário são da competência do Município, é uma com-
petência local.

SÚMULA VINCULANTE N. 39

Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias
civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.

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SÚMULA VINCULANTE N. 46

A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas


de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.

SÚMULA VINCULANTE N. 49

Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de esta-
belecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.
25m

JULGADOS

1) É constitucional lei estadual que proíbe que as empresas concessionárias façam o


corte do fornecimento de água e luz por falta de pagamento, em determinados dias.
Por exemplo: lei do Estado do Paraná proíbe concessionárias de serviços públicos de
água e luz de cortarem o fornecimento residencial de seus serviços por falta de pagamento de
contas às sextas-feiras, sábados, domingos, feriados e no último dia útil anterior ao feriado.
Também estabelece que o consumidor que tiver suspenso o fornecimento nesses dias passa
a ter o direito de acionar juridicamente a concessionária por perdas e danos, além de ficar
desobrigado do pagamento do débito que originou o corte.
STF. Plenário. ADI 5961/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco
Aurélio, julgado em 19/12/2018 (Info 928).
Esse assunto relaciona-se ao Direito do Consumidor e é de competência concorrente e,
sendo de competência concorrente, o Estado pode legislar.

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional lei estadual que veda o corte do forneci-
mento de água e luz, em determinados dias, pelas empresas concessionárias, por falta de paga-
mento. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.
br/jurisprudencia/detalhes/1fdc0ee9d95c71d73df82ac8f0721459>. Acesso em: 27/10/2019

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pela professora Ana Paula Blazute.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.

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