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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO KALANDULA DE ANGOLA

LICENÇA DE SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PENITENCIÁRIO

 ADMINISTRAÇÃO JURISDICIONAIS
 E REINTEGRAÇÃO SOCIAL

Docente

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Luanda/2021

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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO KALANDULA DE ANGOLA

LICENÇA DE SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PENITENCIÁRIO

 ADMINISTRAÇÃO JURISDICIONAIS
 E REINTEGRAÇÃO SOCIAL

Integrantes

 Lídia Cassule
 Elizanela Ferreira
 Crístel da Silva
 Ana Paulo
 Lídia da Costa
 Engracia Esculga
 Claudia António

Docente

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................04

LICENÇA DE SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PENITENCIÁRIO................05


 Permissão de saída................................................................................06 
 Saída temporária...................................................................................07 

ADMINISTRAÇÃO JURISDICIONAIS E REINTEGRAÇÃO SOCIAL..............09

CONCLUSÃO................................................................................................................10

BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................11

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INTRODUÇÃO

No presente trabalho debruçarei sobre a licença de saída do estabelecimento


penitenciário e sobre a reintegração social, visto que a Lei de Execução Penal,
disciplinando a execução das penas privativas de liberdade, contempla a possibilidade
de serem deferidas ao sentenciado autorizações de saída, que, em linhas gerais,
consistem em benefícios que podem ser concedidos aos apenados dos regimes fechado
ou semiaberto.

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LICENÇA DE SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PENITENCIÁRIO

A autorização de saída temporária é ato de competência privativa do juiz da


execução (art. 66, IV, c/c o art. 123, caput, da LEP), a ser concedida ou negada de forma
motivada, impondo-se a prévia oitiva do Ministério Público

A Lei de Execução Penal, disciplinando a execução das penas privativas de


liberdade, contempla a possibilidade de serem deferidas ao sentenciado autorizações de
saída, que, em linhas gerais, consistem em benefícios que podem ser concedidos aos
apenados dos regimes fechado ou semiaberto. Tais autorizações classificam-se em
permissões de saída e saídas temporárias.

A autorização de saída temporária é ato de competência privativa do juiz da


execução (art. 66, IV, c/c o art. 123, caput, da LEP), a ser concedida ou negada de
forma motivada, impondo-se a prévia oitiva do Ministério Público e da administração
penitenciária.

 À luz do disposto no art. 124 da Lei de Execução Penal, atendidos os requisitos


legais, a autorização de saída temporária será concedida por prazo não superior a sete
dias, podendo ser renovada por mais quatro vezes durante o ano.

 No total o preso poderá obter até cinco autorizações de saída temporária a cada
ano, não podendo cada uma delas exceder a sete dias. A concessão de cada autorização
deve ser precedida da análise dos requisitos legais; uma a cada vez.

 É condenável a conduta do juízo das execuções criminais que de uma única vez,
em uma só decisão, já defere o benefício de saída temporária por mais de uma vez ao
longo do ano, sem se preocupar com a apreciação do mérito do executado ao tempo de
cada saída. É evidente que o encarcerado poderá apresentar comportamento adequado
(art. 123, l, da LEP) ao tempo da apreciação de um primeiro pedido e não contar com o
mesmo requisito em tempo futuro.

  Não há compensação de dias. Não se trata de direito adquirido a estar fora do


ambiente carcerário por 35 dias a cada ano. Sendo assim, se uma saída for autorizada
por prazo inferior a sete dias não haverá como computar a diferença até este total para
crédito em outra saída. 

Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino


médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das

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atividades discentes, cabendo ao postulante provar o tempo pelo qual se faz necessária a
saída temporária. 

Nos demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com
prazo mínimo de quarenta e cinco dias de intervalo entre urna e outra.

Permissão de saída 

Nos precisos termos do art. 120, da Lei de Execução Penal, os condenados que
cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão obter
permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos
seguintes fatos:

I - Falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente,


descendente ou irmão;

II - Necessidade de tratamento médico.

O professor Marcão (2015, p. 201) esclarece que: 

A permissão de saída, regulada nos arts. 120 e 121 da Lei de Execução Penal,
funda-se basicamente em razões humanitárias e tem por finalidade permitir aos
condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e aos presos
provisórios sair do estabelecimento, mediante escolta, em caso de falecimento ou
doença grave do cônjuge, companheira ou companheiro, ascendente, descendente,
irmão ou irmã, ou em caso de necessidade de tratamento médico. Aduz ainda o autor
que: “Pela própria natureza do instituto, reafirmada pelas hipóteses autorizadoras, vê-se
que a permissão de saída destina-se a breves ausências do estabelecimento penal, nas
situações taxativamente previstas, sempre mediante escolta.

  Já o mestre Avena (2014, p. 275) assevera que:

  O benefício destina-se aos condenados que cumprem pena em regime fechado


ou semiaberto, bem como aos presos provisórios, assim considerados aqueles em
relação aos quais ainda não há sentença condenatória transitada em julgado. Não é
prevista a sua concessão para os presos do regime aberto, mesmo porque estes se
recolhem à casa do albergado apenas no período noturno e nos dias de folga. Sem
embargo, deve-se lembrar que, se o executado estiver no regime aberto, o acometimento
de doença grave poderá ensejar prisão domiciliar, conforme se infere do art. 117, II, da
LEP.

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  A competência para autorização de permissão de saída é do Diretor do
estabelecimento prisional. Contudo, em vista do princípio da jurisdicionalização da
execução penal, eventuais demandas daí decorrentes podem e devem ser conhecidos
pelo Juízo da execução. Nesse sentido:

Permissão de saída para tratamento médico. Pedido para saída de preso a fim de
submeter-se a tratamento médico. Competência do Diretor do Presídio (LEP
(LGL\1984\14), art. 120, par. ún.). Writ não concedido” (STJ, 6.ª T.; HC 2.090-1,
Goiás; j. 24.08.1993, v. u., Rel. Adhemar Maciel; DJU 13.09.1993, p. 18.597; apud
TORON, Alberto Zacharias; DELMANTO JÚNIOR, Roberto; Ementário de
Jurisprudência; Revista Brasileira de Ciências Criminais; São Paulo, Revista dos
Tribunais; ano 1, n. 4, out.-dez. 1993; p. 183).  

Ressalte-se, entretanto, que essas permissões não caracterizam direito subjetivo


do reeducando à obtenção da benesse, devendo ser avaliadas, em cada caso concreto, a
pertinência e a razoabilidade em deferir a pretensão.

  Saída temporária 

Nos precisos termos do art. 122 da Lei de Execução Penal, os condenados que
cumprem pena em regime semiaberto poderão obter autorização para saída temporária
do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos: I - visita a família; II -
frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do segundo grau
ou superior, na comarca do juízo da execução: Ill - participação em atividades que
concorram para o retorno ao convívio social. 

Para Marcão (2015, p. 207): 

Visa-se com tal benefício o fortalecimento de valores ético-sociais, de


sentimentos nobres, o estreitamento dos laces afetivos e de convívio social harmônico
pautado por responsabilidade, imprescindíveis para a (res)socialização do sentenciado,
bem como o surgimento de contra estímulos ao crime. 

Já os mestres Moraes e Smanio (2015, p. 180-181): afirmam que: 

Os destinatários da previsão legal são, em princípio, somente os presos que se


encontram em regime semiaberto. Entretanto, apesar da especificidade legal se referir
somente aos sentenciados em regime semiaberto, concordamos como Ministro Celso de
Mello, quando afirma que 'as saídas temporárias - não obstante as peculiaridades do

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regime penal aberto - revelam-se acessíveis aos condenados que se acham cumprindo a
pena em prisão-albergue, pois, o instituto da autorização de saída constitui instrumento
essencial, enquanto estágio necessário que é, do sistema progressivo de execução das
penas privativas de liberdade. Mais do que isso, impõe-se não desconsiderar o fato de
que a recusa desse benefício ao preso albergado constituirá verdadeira contradictio in
terminis, pois conduziria a uma absurda situação paradoxal, eis que o que cumpre pena
em regime mais grave (semiaberto) teria direito a um benefício legal negado ao que,
precisamente por estar em regime aberto, demonstrou possuir condições pessoais mais
favoráveis de reintegração a vida comunitária. 

No mesmo sentido Avena (2014, p. 278) esclarece que: 

Em termos legais, dirigem-se as saídas temporárias apenas aos condenados do


regime semiaberto. Apesar dessa limitação, parcela expressiva da doutrina e da
jurisprudência admite sua concessão também aos presos do regime aberto, a um porque,
destinando-se o benefício ao retorno gradual do apenado à sociedade, não há motivos
para excluir de sua concessão aquele que se encontra nesse regime, possibilitando-lhe,
por exemplo, permanecer determinado número de dias sem regresso à casa do albergado
após o cumprimento da jornada de trabalho. 

Diferentemente da permissão de saída a competência para autorização da saída


temporária recai diretamente sobre o Juízo da execução, podendo ser beneficiário o
preso que se encontre formalmente sob o regime semiaberto, ainda que indevidamente
recolhido em estabelecimento de regime fechado. Da mesma forma, é admissível a saída
temporária em questão ao preso que se encontre em regime aberto, na versão de prisão
albergue domiciliar.

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ADMINISTRAÇÃO JURISDICIONAIS E REINTEGRAÇÃO SOCIAL

Sistema administrativo jurisdicionais é o regime adotado pelo Estado para


controlar os atos administrativos ilegais ou ilegítimos praticados pelo Poder Público,
sobre o tema, a doutrina majoritária trata de dois sistemas administrativos, quais sejam:
o sistema inglês e o francês. O sistema francês é aquele no qual, as questões privadas e
administrativas se submetem a controles distintos, a jurisdição, portanto, é exercida nos
dois âmbitos sendo vedado que um interfira nas decisões do outro:

O sistema francês, ou de dualidade de jurisdição, ou sistema do contencioso


administrativo é aquele em que se veda o conhecimento pelo poder judiciário de atos da
administração pública, ficando estes sujeitos à chamada jurisdição especial do
contencioso administrativo, formada por tribunais de índole administrativa. Nesse
sistema há, portanto, uma dualidade de jurisdição: a jurisdição administrativa (formada
pelos tribunais de natureza administrativa, com plena jurisdição na matéria
administrativa) e a jurisdição comum (formada pelos órgãos do poder judiciário com
competência de resolver os demais litígios) (ALEXANDRINO; PAULO, 2012, p. 7).

A reitegração social Incumbe ao Estado o dever de garantir a paz social. Quando


algum indivíduo perturba a ordem, cabe à essa estrutura utilizar-se da prisão, tanto para
punir, como para reintegrar o marginal à sociedade, visto que em algum momento ele
retornará ao convívio social. Dentro desse pressuposto, não adianta apenas castigar o
condenado, mas fornecer as condições necessárias para que ele consiga se ressocializar.
A situação, porém, é desafiadora, pois o que temos é um sistema carcerário superlotado
e sem condições mínimas de ajudar na recuperação de alguém, sendo considerado um
sistema falido e ameaçador à segurança da coletividade. Este Artigo tem o intuito de
denunciar as situações desumanas dentro de um instituto prisional, e também, de
provocar o leitor a enxergar a ausência de um Estado Democrático de Direito, no âmbito
garantidor dos direitos fundamentais dos presos, assim como, incentivar maiores
investimentos em educação e trabalho, métodos eficazes e capazes de possibilitar a real
transformação de alguém.

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CONCLUSÃO

No decurso da investigação, foi possível apreender que a visão manifestada


pelos técnicos sobre este fenómeno, sobretudo quanto a licença de saida, Desde
logo, parece crucial que os técnicos criem o distanciamento daquilo o que é a
distorção da opinião pública e daquilo que é a confiança no seu trabalho
desenvolvido em meio prisional, junto do recluso. Além disso, visto que a opinião
pública pode condicionar o acolhimento e prejudicar a reinserção social dos
reclusos, apela-se ao bom senso dos meios de comunicação no sentido de não
negligenciar a componente positiva da licença temáticas alusivas aos sistemas de
justiça e prisional. A desmistificação destas realidades poderá passar pela
divulgação de estudos que vão sendo conduzidos neste meio e envolver a
comunidade nas actividades desenvolvidas em meio prisional.

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BIBLIOGRAFIA

Adhemar Maciel; DJU 13.09.1993, p. 18.597; apud TORON, Alberto Zacharias;


DELMANTO JÚNIOR,

Art. 66, IV, c/c o art. 123, caput, da LEP

https://jus.com.br/artigos/75457/das-autorizacoes-de-saida

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