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“ESPERANDO CONTRA TODA ESPERANÇA” (Rom 4,l8)

“Esperar vale mais que entender” (Guimarães Rosa)

“Neste momento de morte das utopias, vive-se profundo ceticismo diante das grandes palavras, das
causas maiores, dos projetos englobantes, dos pretensos líderes, das ideologias onipotentes.
Prefere-se a espontaneidade livre à hierarquia, o jogo aos projetos e estruturas, a descontração à
construção, a liberdade individual aos valores coletivos, o divertimento à militância, a novidade sem
compromisso ao empenho construtivo, o lúdico à eficácia, o predomínio do efêmero, do instintivo ao
racional planejado, a busca do exótico e do excepcional ao uniforme e rotineiro, a estética e a experiência
religiosa pessoal aos dogmas, o presente usufruído ao futuro prometido, o pensamento débil à razão
totalizante, as estórias à história, a dúvida e a pergunta às certezas definidas, os pequenos prazeres
vulgares às grandes paixões, o cinismo calculista ao entusiasmo idealista, os consensos frágeis aos
compromissos definitivos, o fragmento à totalidade, a diferença à uniformidade, o realismo de um
presente sem encantos às utopias” (Libânio).

Como se vê, esse clima esvazia a possibilidade de utopias, de alimentar


esperanças...
Não basta analisar e entender o momento atual. Cabe esperar, criando utopias.
E, nessa tarefa, o “importante é aprender a esperar” (E.Bloch).
Pois o “desaparecimento da utopia leva a uma estagnação em que o próprio homem se
transforma em coisa” (K.Mannheim), como está acontecendo na nossa sociedade.
“Pela esperança, o AMOR mede as possibilidades que lhe foram abertas na história.
Pelo amor, a ESPERANÇA tudo encaminha para as promessas de Deus”. (J. Moltmann)
Para isso, “o cristianismo anuncia o absoluto futuro, Deus, como mistério inefável que será
sempre futuro, porque jamais deixará de ser mistério” (L.Boff).
Esse absoluto vai acontecendo antecipadamente em nossos projetos humanos,
mesmo que, em dado momento, pareçam impossíveis.
“A prova de ter fé está em esperar de Deus o impossível. O impossível do
homem é o possível de Deus” (P. Kolvenbach).

Em duas situações extremas a esperança não pode acontecer:


* quando todos os desejos são plenamente satisfeitos,
* quando eles deixam de existir.
Ter esperança não é permanecer como os anacoretas, contemplando o que é,
querendo-o de outra forma bem melhor. É, essencialmente, busca incessante,
luta por aquilo que não tem lugar agora, mas, acredita-se, terá um dia.
O sentinela
- ”Permaneci toda minha vida esperando a visita de Deus e morrerei sem havê-lo visto” - exclamou
com dor o sentinela. Mas, justo neste momento, ouviu uma voz a seu lado:
- “Você ainda não me conhece?”
Assustado, o sentinela virou-se e intuiu que Deus havia chegado. Cheio de alegria disse:
- “Oh! já está aqui! O Senhor fez-me esperar tanto...! Por onde veio que eu não lhe vi?”
- “Sempre estive perto de você - replicou Deus com doçura -, desde o dia em que você
decidiu esperar por mim. Sempre estive aqui, a seu lado, dentro de você.
Foi preciso muito tempo para você dar-se conta, mas agora já sabe.
Esse é o meu segrêdo. Só os que esperam podem ver-me”.

Na oração:

+ adote a atitude do sentinela, que vive alerta, atento, à escuta da Palavra de Deus.
+ a oração é um ato de atenção e consentimento a Deus que não cessa de rondar
em volta do seu coração; a oração é como a amizade, é uma alegria gratuita.
Você não deve procurá-la por si mesma, mas estar à espera, pobre e despojado,
para ser digno de recebê-la. ORAR é da ordem da graça.

+ Texto bíblico: Rom 8,l8-30


“Só faz sentido para mim o que for sentido por mim” (Beltrami)
* quais foram os sentimentos predominantes na oração?