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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
HIGIENE DO TRABALHO VI - VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

CAMILA PEREIRA OLIVEIRA

JOÃO WELLINGTON AMARAL PERDIGÃO DE SOUZA

NAYARA MARTINÊZ FARO

THAÍS PEREIRA CABRAL

VENTILAÇÃO INDUSTRIAL NA INDÚSTRIA DE MÓVEIS

BELÉM-PA
2020
1. INTRODUÇÃO

A saúde e segurança do trabalhador é um direito fundamental, estabelecida nos


incisos III e IV do 1º artigo da Constituição Federal (SAÚDE, 2013). Em função disto,
existem as Normas Regulamentadoras (NR’s), que estabelecem procedimentos e
responsabilidades (a trabalhadores e empregadores) para assegurar este direito em todos
os aspectos em diversos ambientes.

É de conhecimento geral que a atividade industrial, em seus processos


produtivos, gera resíduos. A indústria, assim, está exposta a diversos agentes, sejam eles
agentes físicos, como altas temperaturas, agentes químicos, como poeiras ou névoa ou
agentes biológicos, como bactérias e fungos.

A ventilação industrial visa deslocar o ar ou retirar ou fornecer ar a um


determinado ambiente, promovendo assim a renovação do ar nesse mesmo local. Essa
renovação proporciona conforto térmico, distribuição do ar e umidade, elimina agentes
poluidores do ambiente (gases, vapores, poeiras, fumos, névoas, microrganismos e
odores), e reduz a níveis baixos as elevadas concentrações de certas substâncias que
podem acarretar problemas a saúde humana.

A indústria de móveis tem como foco a produção de móveis, indo da sua


extração de matéria prima até sua transformação em produto acabado. O Pará é um dos
maiores fornecedores de madeira e produtos oriundos de beneficiamento de madeira
maciça, tendo assim, um destaque nacional na área. Podemos ainda dizer que a
indústria moveleira não foge a regra de geração de resíduos, apresentando componentes
de diversas naturezas, granulometrias e graus de contaminação, necessitando de um
planejamento adequado a fim de promover um bom e saudável ambiente de trabalho
para os seus colaboradores através da sua correta ventilação.

Entretanto, no que diz respeito à Ventilação Industrial, o entendimento das


diretrizes neste âmbito fica confusa, pois este assunto está dispenso entre as NR’s de
forma pouco aprofundada e objetiva. Para fins de cálculos e dimensionamento,
normalmente é necessário recorrer a livros que utilizam equações, ábacos e tabelas de
normas internacionais de higiene do trabalho.

Assim, este trabalho tem por finalidade estabelecer a relação entre a Ventilação
Industrial e as Normas Regulamentadoras no ambiente das indústrias moveleiras. A
partir dos estudos de Schirmer et al (2008) e Lied (2011).
2. VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

2.1. Conceitos Fundamentais


De acordo com Clezar (2009), ventilar é trocar o ar de um recinto fechado.
Chama-se de ventilação natural quando essa troca é realizada por meios naturais; e
quando é induzida por equipamentos mecânicos é denominada ventilação mecânica.
De forma ampla, ventilar significa deslocar o ar. Esse deslocamento tem como
finalidade a retirada ou o fornecimento de ar a um ambiente, isto é, a renovação do ar no
local. Essa renovação, por sua vez, obtém o ar com um grau de pureza e velocidade de
escoamento de acordo com as exigências fisiológicas para saúde e o bem-estar
humanos, além de uma distribuição adequada do mesmo. A renovação do ar também
consegue controlar a temperatura e umidade ambiente, embora com limites, pois o
controle rigoroso, praticamente perfeito, dessas duas grandezas acontece em instalações
de climatizações, onde há o condicionamento de ar.
A ventilação industrial, por si só, é entendida como a operação realizada por
meios mecânicos que tendem a controlar a temperatura, a distribuição de ar, a umidade
e a eliminar agentes poluidores do ambiente, como gases, vapores, poeiras, fumos,
névoas microrganismos e odores, ditos contaminantes ou poluentes. É importante
salientar que substâncias, as quais normalmente compõem o ar normal, quando excedem
determinados teores ou índices de concentração também podem ser consideradas
contaminantes, pois passam a oferecer maior ou menor risco à saúde daqueles que são
submetidos ao ar que as contém.
Depois de captados, é preciso destinar adequadamente os elementos poluidores,
de modo que não contaminem o ar e o ambiente exterior como um todo (lagos, rios e
lagoas, caso tenham sido dissolvidos ou misturados em água) e impedindo também que
o lançamento na atmosfera, através de chaminés e outros recursos, de fumaça, gases,
vapores e outras partículas possam contaminar o ar e a vida de quem estiver nas
proximidades, o que a ventilação industrial objetiva, além de proporcionar condições
favoráveis para aqueles que trabalham no interior de fábricas ou em suas limitações.
[CITATION MAC90 \l 1046]
A ventilação industrial se classifica em três grandes grupos: natural, local
exaustora e geral diluidora. Estas duas últimas utilizam de equipamentos mecânicos
para mover o ar na insuflação e/ou na exaustão. Tratando-se de ventilação forçada, a
ventilação local exaustora, comumente conhecida com a sigla VLE, é aplicada quando
as fontes de poluição são identificadas em pontos específicos do recinto. Quando não é
possível determinar precisamente a fonte de poluição, utiliza-se a ventilação geral
diluidora (VGD). (SILVA, 2009 apud CLEZAR; NOGUEIRA, 1999)
As figuras a seguir ilustram os sistemas de ventilação diluidora e local,
respectivamente, e permitem um melhor entendimento do funcionamento e da aplicação
de cada um.

Figura 1 – Ventilação geral diluidora com insuflação natural e exaustão mecânica.

Fonte: Macintyre (1990).

Esse tipo de ventilação abrange todo (ou quase todo) o ambiente interno, desta
forma permite uma renovação do ar do recinto, auxiliando também no conforto térmico.
Contudo é pouco eficiente para a retirada de poluentes.
Figura 2 – Ventilação local exaustora no processo de galvanoplastia.

Fonte: Sobrinho (1996).

É observado na figura acima que a exaustão é feita bem próxima à fonte de


contaminantes, através de um ou mais captores, já que esta é uma fonte pontual e
conhecida. Neste caso, a retirada de agentes químicos (como névoas e vapores) é muito
eficiente, mas não fornece renovação de ar, sendo necessária a utilização de uma entrada
de ar no ambiente, seja natural ou com insufladores mecânicos. (SILVA, 2009 apud
VIEIRA, 1996)
3. INDÚSTRIA MOVELEIRA

A indústria moveleira que utiliza como principal matéria-prima a madeira, tem como
principal atividade o trabalho de transformar a madeira em um objeto útil (móvel) ou
decoração. Esta atividade evoluiu da carpintaria, a qual possui a mesma finalidade,
porém com esforços integralmente manuais. (COSTA; MARTINS, 2019)

No Brasil, o ramo moveleiro é constituído por cerca de 16.000 empresas, que


geram aproximadamente 200.000 empregos, sendo a maioria micro e pequenas
empresas familiares, tradicionais e de capital nacional. Essas empresas localizam-se, em
sua maioria, na região centro-sul do país. (ABIMOVEL, 2006)

Os processos produtivos da indústria moveleira, em síntese, correspondem à


transformação da madeira, que envolve as seguintes etapas: corte; colagem de borda
(acabamento das laterais da chapa); etapa de furação; etapa de pintura (lixamento,
massa alisadora, aplicação de relevo ou pintura, aplicação de proteção- verniz) etapa de
embalagem. (MARQUES, 2019; RIUL, SILVA & RIBEIRO, 2011)

Os riscos à saúde e segurança do trabalhador durante a fabricação de móveis


envolvem aqueles relacionados à transformação da madeira, devido ao manuseio de
equipamentos e ferramentas cortantes e perigosos e à postura de trabalho. Também
abrangem a exposição aos ruídos das máquinas e ao pó da madeira; o contato da pele e a
inalação de substâncias tóxicas, presentes nos solventes, vernizes, colas, tintas e etc.,
risco biológico que está relacionado à exposição de bactérias, fungos; bem como as
condições de higiene e segurança do ambiente de trabalho. Somam-se ainda os riscos de
incêndio aumentados devido à presença de material inflamável. (COSTA E MARTINS,
2019).

Para garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e


acidentes de trabalho, o Ministério do Trabalho estabelece através das Normas
Regulamentadoras (NR) obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos por
empregadores e trabalhadores. Em seguida estão listadas as NRs ligadas direta ou
indiretamente à Industria Moveleira:

 NR-4 - Serviços especializados em engenharia de segurança e em


medicina do trabalho
 NR-5 - Comissão interna de prevenção de acidentes
 NR-6 - Equipamento de proteção individual – EPI
 NR-7 - Programa de controle médico de saúde ocupacional
 NR-9 - Programa de prevenção de riscos ambientais
 NR-11 - Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de
materiais
 NR-12 - Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos
 NR-15 - Atividades e operações insalubres
o anexo 3: estabelece limites de tolerância ao calor;
o anexo 11: estabelece limites de tolerância à exposição de agentes
químicos, caracterizando insalubridade quando esses níveis são
atingidos;
 NR-17 – Ergonomia
 NR-23 - Proteção contra incêndios
 NR-25 - Resíduos Industriais
 NR-26 - Sinalização de segurança

Estas obrigações podem variar a depender de cada empresa que está sendo avaliada,
sendo necessário a verificação diante das normas vigentes.

3.1 Ventilação industrial e a indústria moveleira

A ventilação industrial é utilizada na indústria moveleira essencialmente no


controle de poluição do ar, para o controle de riscos químicos. Porém, pode ser utilizada
no combate do risco físico calor, a depender das necessidades físicas de cada empresa.

Na indústria moveleira, o corte, a usinagem e o lixamento geram uma grande


quantidade de poeira, desde poeira visível até poeiras na escala micrométrica, invisível,
suspensa no ambiente. (HINTERHOLZ, 2013). Presentes na poeira de madeira
processada, os componentes de fungicidas, inseticidas, solventes, tintas, vernizes,
resinas e adesivos são aerodispersóides, considerados os principais agentes
desencadeantes de sintomas respiratórios. (PUBLIO, 2008)

A inalação de gases, fumos, vapores e poeiras encontrados em locais de trabalho,


podem promover desde uma irritação aguda das vias aéreas até uma reação pulmonar de
hipersensibilidade, sendo seus efeitos decorrentes da atividade biológica, da substância
envolvida e dos seus contaminantes. Podem ocorrer manifestações clínico-patológicas
variadas e complexas, principalmente se considerar que as exposições nos ambientes de
trabalho raramente são únicas como as reproduzidas experimentalmente descritas em
vários estudos (Gibbs et al., 1984 apud PUBLIO, 2008).
As manifestações patológicas e o risco a saúde estão diretamente relacionados ao
grau de exposição do trabalhador ao agente químico. A NR 15, nos seus anexos 11, 12 e
13, traz os agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e
inspeção no local de trabalho. Desta forma, após analise qualitativa e quantitativa, são
necessárias medidas de prevenção e eliminação dos riscos, visando à preservação da
saúde e da integridade dos trabalhadores.

Diante deste contexto, a ventilação industrial vem se tornando uma ferramenta


essencial no controle da poluição do ar. Um controle adequado inicia-se na escolha
adequada de equipamentos e procedimentos capazes de realizar a captura ou a diluição
destes contaminantes, promovendo a manutenção e o conforto ocupacional.
(SCHIRMER; CORTEZ; KOZAK, 2008)

Um sistema de ventilação neste tipo de indústria, busca minimizar os riscos


ocupacionais relacionados a poluentes dessa natureza; garantir a homogeneidade e
qualidade (não-contaminação) do resíduo (poeira) para posterior reutilização; diminuir o
impacto ambiental causado neste tipo de indústria em relação às comunidades vizinhas à
unidade; reduzir o risco de multas aplicadas e custos para a mitigação de impactos
ambientais. (SCHIRMER; CORTEZ; KOZAK, 2008).

As Figuras 3 e 4 ilustram o uso da ventilação industrial na Industria Moveleira.

Figura 3 – Ventilação aplicada em processo com geração de poeira

Fonte: Publio (2008)


Figura 4– Ventilação aplicada em máquinas que geram poeira.

Fonte: Bremm (2015)

4. ESTUDO DE CASO

Neste capítulo, serão apresentados dois tipos de casos como aplicação da


ventilação industrial, em indústrias moveleiras, baseados na pesquisa de Schirmer et al
(2008) e Lied (2011).

4.1 Schirmer et al (2008)


No trabalho de Schirmer et al (2008), foi proposto um sistema de ventilação
industrial em pontos de geração de material particulado e gases distribuídos no processo
de manufatura de móveis de uma marcenaria de pequeno porte do município de Irati
(PR), utilizando a ventilação local exaustora (VLE).

A referida marcenaria trata-se de uma empresa familiar, a qual fabrica móveis


sob medida, e emprega 25 funcionários. Serragem e sobras de material (madeira,
compensado, MDF e fórmica) são, basicamente, os resíduos sólidos da empresa, além
de cola, silicone, lixa e adesivos, também utilizados na fabricação dos móveis. Já como
resíduos líquidos, existem os solventes orgânicos, como “thinner”, tinta, catalisador,
removedor, tingidor e laca, cuja aplicação se dá no processo de colagem e pintura. A
madeira possui a maior geração de resíduos sólidos encontrados na fábrica, como pó,
cepilhos e aparas de painéis. O prédio da empresa possui duas portas grandes, sendo
uma na frente e uma na lateral, e duas janelas em um dos lados, o que propicia uma
ventilação natural do recinto. Além disso, são utilizados exaustores em alguns
equipamentos que ajudam no controle de poeiras e serragens provenientes do
beneficiamento da madeira, embora apresente baixa eficiência.
A Figura 5 mostra o fluxograma do processo produtivo.

Figura 5 - Fluxograma do processo produtivo da empresa do trabalho de Schirmer et al


(2008)

Fonte: Schirmer et al (2008).

Schirmer et al (2008) identificou que entre os poluentes atmosféricos mais


encontrados, há grande quantidade de poeiras e vapores orgânicos, advindos do
processo de pintura, colagem de bordo e do processo de montagem dos móveis. Após o
dimensionamento, constatou-se a eficiência do sistema ao garantir a qualidade de outros
processos, devido à redução significativa de poeira e serragem no ambiente, assim como
uma maior qualidade e resíduos mais homogêneos, possibilitando sua reutilização após
a implementação do projeto. O sistema também influenciou positivamente na dispersão
dos contaminantes, diminuindo os riscos associados aos poluentes, contribuindo
diretamente na saúde e no bem-estar dos trabalhadores.

4.2 Lied (2011)

Lied (2011) elabora um dimensionamento de ventilação local exaustora em uma


indústria moveleira em Santa Terezinha de Itaipú-PR, na qual trabalham oito
funcionários, sendo classificada como microempresa. A área total do prédio é de 700
m2, com 2 portas grandes (para entrada e saída) e 1 porta média na lateral, também
possiu janelas em todas as paredes, o prédio já dispõe de exaustores no teto e nas
paredes laterais. Ainda segundo o autor, esta combinação de ventilação geral diluidora e
de ventilação natural é pouco suficiente.
O fluxograma do processo produtivo desta indústria de pequeno porte é
mostrada na Figura 6.

Figura 6 - Fluxograma do processo produtivo da empresa do trabalho de Lied (2011)

Fonte: Lied (2011)

Deste processo, podemos destacar quatro máquinas com grande emissão de


poluentes no ambiente fabril: a serra circular, a lixadeira, a plaina e a serra de fita.
Sendo estes os equipamentos que receberão, individualmente, um sistema de captação
de ar poluído para compor o sistema de ventilação local exautora deste trabalho.

5. A VENTILAÇÃO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA MOVELEIRA PRESENTE


NAS NR’S

A fim de garantir a saúde e segurança do trabalhador, várias normas se aplicam à


indústria moveleira, conforme mencionado anteriormente. Porém, quando nos
concentramos na ventilação industrial neste setor, apenas algumas delas são aplicadas,
entre elas a NR-9 e a NR-15.
5.1 NR-9

Os riscos a serem eliminados ou minimizados pela ventilação industrial estão


dispersos no ar circundante aos trabalhadores. Sendo assim, esta área de estudo,
primeiramente, remete ao ambiente de trabalho, que é objeto da NR 9 - Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

Nesta norma, com aplicação em ventilação industrial e seus riscos correlatos,


temos apenas os itens 9.3.5.2 e 9.3.5.3, os quais versam sobre medidas de proteção
coletiva. Onde temos:

9.3.5.2 O estudo, desenvolvimento e implantação de medidas de proteção


coletiva deverá obedecer à seguinte hierarquia:

a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes


prejudiciais à saúde;

b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no


ambiente de trabalho;

c) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no ambiente


de trabalho.

9.3.5.3 A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser acompanhada de


treinamento dos trabalhadores quanto os procedimentos que assegurem a sua eficiência
e de informação sobre as eventuais limitações de proteção que ofereçam.

Desta forma, os sistemas de proteção por ventilação são medidas prioritárias


visto que eliminar a produção de agente poluidores é inviável em muitos processos
industriais, inclusive em movelarias. Portanto, os sistemas de VGD atuam na
disseminação desses agentes, e os de VLE reduzem a concentração.

Quanto ao item 9.3.5.3, é imprescindível aos trabalhadores ter conhecimento de


princípio de funcionamento e de operação dos sistemas de ventilação, para sua
adequada utilização, bem como para a compreensão de que os sistemas são limitados,
portanto não dispensam o uso de EPI’s.

5.2 NR-15

Outra norma bastante aplicada em ventilação industrial é a NR 15 – Atividades e


Operações insalubres, na qual apenas os anexos 3 e 11 são de interesse na indústria
moveleira. Outros anexos desta norma podem interessar aos profissionais de ventilação
industrial, como os anexos 12, 13 e 14, mas para outras atividades industriais, bem
como a norma NR-33 que trata de trabalhos em espaços confinados.

Por abordar o trabalho em temperaturas elevadas, o anexo 3 da NR-15, o


projetista de ventilação deve estar atento para que o sistema de ventilação do ambiente
contemple os requisitos exigidos neste anexo, caso haja um laudo que caracterize a
insalubridade por exposição ao calor. Caso não exista a exposição respaldada por laudo,
a temperatura ambiente continua sendo uma preocupação pois o rendimento e o bem-
estar dos trabalhadores está relacionada ao conforto térmico, iluminação e renovação de
ar do ambiente em que trabalham.

Para que os limites de tolerância estabelecidos no anexo 11 sejam respeitados,


faz-se necessária a avaliação da exposição dos trabalhadores aos agentes químicos
presentes no setor de pintura das industrias moveleiras. Sendo constatada a
insalubridade, um sistema de VGD pode ser aplicado a fim de atenuar a exposição aos
hidrocarbonetos, como o já existente na indústria estudada por Lied (2011).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O traballho desenvolvido buscou criar um panorama geral sobre a ventilação


industrial no contexto das industrias de móveis brasileiras, exemplificando através dos
dois estudos de casos analisados e fornecendo as NR's e seus anexos mais relevantes
envolvendo a área.
Sendo assim, foi possível observar que a industria moveleira é uma grande
geradora de residuos (diversos tipos de agentes, com diversos graus de contaminação),
que podem gerar algum tipo de malefício a saúde dos trabalhadores, principalmente no
trato respiratório. Portanto, a ventilação industrial vem como solução para permitir que
o ambiente de trabalho possa ser seguro (renovação de ar) e confortável (ventilação
natural e permanente) aos colaboradores.
Foi possível ainda perceber que a ventilação industrial é essencial para qualquer
industria e que o engenheiro de segurança do trabalho deve estar atendo no controle de
qualidade de ar e no funcionamento dos equipamentos de exaustão utilizados, além de
se manter sempre atualizado nas resoluções e normas acerca do assunto, a fim de está
em conformidade com os regulamentos exigidos.
Com isso, conclui-se que a ventilação industrial, quando em conformidade com
as normas regulamentadoras, bem aplicada e acompanhada por um engenheiro de
segurança de trabalho responsável, propricia um ambiente de trabalho seguro em
industrias com a de movelaria e qualidade de vida para os trabalhadores.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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