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Módulo 2

Princípios básicos de Licitação

1. Conceito de Licitação Pública

Licitação e procedimento administrativo formal em que a Administração Publica


convoca, por meio de condições estabelecidas em ato próprio (edital ou
convite), empresas interessadas na apresentação de propostas para o
oferecimento de bens e serviços.

Em linguagem bem simples: licitação é a forma do governo fazer suas compras


para garantir o desenvolvimento econômico, social e cultural da sociedade.

CURIOSIDADE: Em razão de seu gigantismo, o poder público, nas esferas


federal, estaduais e municipais, é o maior comprador de bens, serviços e obras
do país. É necessário rigoroso atendimento à legislação para que esse grande
volume de recursos seja aplicado com eficiência e economicidade.

2. Por quê licitar?

Porque ao contrário do que ocorre com a iniciativa privada, que utiliza seu
próprios recursos quando efetua compras ou contrata obras ou serviços, a
Administração Pública utiliza-se de recursos públicos, devendo seguir um
formalismo especial – a Licitação – necessitando prestar contas, demonstrar
que aplicou corretamente os recursos públicos, que buscou o melhor resultado,
que observou o rigor legal, dentre os quais o procedimento licitatório previsto
no Art. 37, inciso XXI, na Lei 8.666/93 (Estatuto Geral de Licitações) e Lei
10.520/2002 (Lei do Pregão).

3. O quê licitar?

Bens, obras e serviços indispensáveis ao cumprimento das obrigações do


Estado.

4. Quem deve licitar

Os entes federativos, União, Estados, Municípios e Distrito Federal, são


obrigados a licitar.

5. Como licitar

Para que ocorra a licitação os atos de preparação desta devem desenvolver-se


em sequência lógica, a partir da existência de determinada necessidade
pública a ser atendida. O procedimento tem início com o planejamento e
prossegue até a assinatura do respectivo contrato ou a emissão de documento
correspondente, em duas fases distintas:

• Fase Interna ou Preparatória: Delimita e determina as condições do ato


convocatório antes de trazê-las ao conhecimento público. Durante a fase
interna da Licitação, a Administração terá a oportunidade de corrigir falhas que
porventura que forem verificadas no procedimento, sem precisar anular atos
praticados. Exemplos: inobservância de dispositivos legais, estabelecimento de
condições restritivas, ausência de informações necessárias, entre outras faltas.

• Fase Externa ou Executória: Inicia-se com a publicação do edital ou com a


entrega do convite e termina com a contratação do fornecimento do bem, da
execução da obra ou da prestação do serviço. Ao contrário da fase interna que
são possíveis as devidas correções, na fase externa, após a publicação do
edital, qualquer falha ou irregularidade constatada, se insanável, levará a
anulação do procedimento.

6. Legislação

A Lei nº 8.666/93, também conhecida como Lei Geral das Licitações,


regulamento o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, o qual afirma:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer


dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as
obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure igualdade
de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que
estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições
efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente
permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

Assim, a Lei nº 8.666/93, estabeleceu normas gerais sobre licitações e


contratos administrativos pertinentes a compras, obras, serviços, inclusive de
publicidade, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

De acordo com essa Lei, a celebração de contratos com terceiros na


Administração Pública deve ser necessariamente precedida de licitação,
ressalvadas as hipóteses de dispensa e de inexigibilidade de licitação.

Importante frisar que a Lei nº 8.666/93 é a lei que regula as licitações de forma
geral, mas que cada ente da Federação tem competência para legislar sobre o
tema no seu Estado. Além disso, temos outros dispositivos legais que
completam a lista da legislação referente ao tema Licitação. Mas como iremos
focar aqui em Pregão eletrônico, as principais são:

 Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993


 Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002
 Decreto nº 5.450, de 31 de maio de 2005

Nós vamos falar muito sobre o Registro de Preços, então devemos acrescentar
à nossa lista:
 Decreto nº 7.892, de 23 de janeiro de 2013.

E como estamos falando de empresas, vamos colocar também a legislação


sobre as ME e EPP, assim como trocar uma ideia sobre as MEIs:

 Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006


 Decreto nº 8.538, de 6 de outubro de 2015

7. Princípios norteadores de um processo licitatório

Normas que disciplinam as licitações públicas devem ser interpretadas em


favor da ampliação da disputa entre os interessados, desde que não
comprometam o interesse da Administração, o princípio da isonomia, a
finalidade e a segurança da contratação.

Devem ser observados principalmente os seguintes princípios básicos


norteadores dos procedimentos licitatórios públicos:

• Princípio da Legalidade
Nos procedimentos de licitação, esse princípio vincula os licitantes e a
Administração Pública às regras estabelecidas nas normas e princípios em
vigor.

• Princípio da Isonomia
Significa dar tratamento igual a todos os interessados. É condição essencial
para
garantir competição em todos os procedimentos licitatórios.

• Princípio da Impessoalidade
Esse princípio obriga a Administração a observar nas decisões critérios
objetivos previamente estabelecidos, afastando a discricionariedade e o
subjetivismo na condução dos procedimentos de licitação.

• Princípio da Moralidade e da Probidade Administrativa


A conduta dos licitantes e dos agentes públicos tem de ser, além de lícita,
compatível com a moral, a ética, os bons costumes e as regras da boa
administração.

• Princípio da Publicidade
Qualquer interessado pode ter acesso às licitações públicas e ao respectivo
controle, mediante divulgação dos atos praticados pelos administradores em
todo procedimento de licitação.

CURIOSIDADE: Em obediência aos princípios da transparência e da


publicidade, permite-se aos interessados o conhecimento das condições
licitatórias, em qualquer momento do processo licitatório, por ser público, de
modo a evitar a prática de irregularidades nos respectivos procedimentos e de
contratações sigilosas, danosas ao Erário.
• Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório
Obriga a Administração e o licitante a observarem as normas e condições
estabelecidas no ato convocatório. Nada poderá ser criado ou feito sem que
haja previsão no instrumento de convocação.

• Princípio do Julgamento Objetivo


Esse princípio significa que o administrador deve observar critérios objetivos
definidos no ato convocatório para julgamento da documentação e das
propostas.
Afasta a possibilidade de o julgador utilizar-se de fatores subjetivos ou de
critérios não previstos no instrumento de convocação, ainda que em benefício
da própria Administração.

• Princípio da Celeridade
O princípio da celeridade, consagrado como uma das diretrizes a ser
observada em licitações na modalidade pregão, busca simplificar
procedimentos de rigorismos excessivos e de formalidades desnecessárias. As
decisões, sempre que possível, devem ser tomadas no momento da sessão.

• Princípio da Competição
Nos certames de licitação, esse princípio conduz o gestor a buscar sempre o
maior número de competidores interessados no objeto licitado. Nesse sentido,
a Lei de Licitações veda estabelecer, nos atos convocatórios, exigências que
possam, de alguma forma, admitir, prever ou tolerar, condições que
comprometam, restrinjam ou frustrem o caráter competitivo da licitação.

Além desses princípios, a Administração Pública deve obediência ainda, dentre


outros, aos princípios da finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse
público e eficiência.

14. Princípio da Culpabilidade

Do Sigilo das Propostas


Quando falamos em pregão eletrônico, pensamos em algo transparente e público,
onde a publicidade dos atos é um dos principais princípios que norteia essa
modalidade de licitação. Talvez por essa razão muitas pessoas tem a ideia de que
nos pregões eletrônicos tudo fica muito acessível e consequentemente fácil de se
burlar.
Uma das principais perguntas que tenho na consultoria é se tem como eu saber
quais são as empresas que estrão em determinado certame antes de sua abertura,
e a resposta é: não temos como saber. Por mais que o legislador queira reforçar o
princípio da publicidade, precisamos saber que ele não é absoluto, pois a proposta
do licitante, até a abertura do pregão, é considerada sigilosa, como ordena o § 3°
de art. 3° da Lei 8.666/1993:
§ 3° A licitação não será sigilosa, sendo públicos e
acessíveis ao público os atos de seu procedimento, salvo
quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva
abertura.

Quebrar o sigilo da proposta de uma licitação é crime, tal qual rege o art. 94 da Lei
8.666/1993, com pena prevista de detenção de dois a três anos, e multa.
Importante destacar que o sigilo da proposta só existe até a data de sua regular
abertura. Na abertura da fase de disputa dos pregões eletrônicos, já conseguimos
saber quantas empresas irão participar do certame, e quais os valores de suas
propostas. Mas não temos como identificar o proponente daquela proposta até o
encerramento da licitação.
Então após a abertura da proposta no pregão eletrônico, o seu conteúdo passa a
receber, como todo o restante do processo, o tratamento de ampla publicidade,
devendo ser divulgado a qualquer interessado.
Importante esclarecer que nos casos de violação das propostas, mesmo em que a
violação da proposta não for intencional, está configura a quebra do sigilo da
proposta e o certame fica comprometido.

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