Você está na página 1de 3

Acontecimento e Sentido. Ou: o que querem os corpos?!

Em segundo lugar. Ainda que uma idéia só possa ser entendida pela composição, ainda assim,
uma idéia traz as suas forças próprias

Mas o ser deste maço de cigarro é o mesmo [nesses] diferentes agenciamentos. (Eu não sei se
foi bem assim.) ​É o mesmo ser – em agenciamentos diferentes, (certo?) Não importa qual
seja o agenciamento – o ser é o mesmo. Mas são os agenciamentos que vão fazer a
diferença.

[o maço de cigarro] Qual a essência dele? A [sua] potência! Ele tem um significado? Não! Ele
vai ter significado através do agenciamento [composições e associações que ele vai fazer]. ​O
significado é um efeito das potências: não é originário ​– é secundário.

Todo ser tem, o quê? Tem potência! Mas não tem, o quê? Significado! Ele não tem siginificado
– ele tem potência. Agora, quando a potência de um ser entra em contato com a potência de
outro ser, há um efeito – o efeito é o significado.

‘TODO SER TEM POTÊNCIA’

Quem é que trabalha com potência, quem é que trabalha com significado?

Quem trabalha com significado é a linguagem; quem trabalha com potência é a física.

O ser não tem significado – tem potência. Então, a potência de um ser e a potência de
outro ser se encontram… – e produzem um significado.

Então, olhem o que aconteceu aqui. Eu não estou falando que a potência de um ser e a
potência de um outro geram um efeito? O efeito é o significado. Mas eu não falei da
potência dos dois seres? Logo, eu falei na potência de dois seres! O que implica em
dizer, que aqui estão passando DUAS semióticas – uma semiótica da potência e uma
semiótica do significado.

O que é uma essência para Platão? ​Para Platão a essência é o significado​. E a essência para
os estóicos? É uma potência. Logo, tem uma distinção rápida aqui. Rápida. A essência, para o
Platão, é campo lógico e campo da linguagem. ​A essência, para os estóicos, é campo da física
– porque fala em potência, em força…. então é física. Ambos trabalham em essência, mas para
um, que são os estóicos – a essência é campo de força. Para o outro, que é o Platão, a
essência é da ordem linguística – é campo do significado. (Entendeu?)
O que você tem aqui é o mundo dividido em duas metades. A metade do significado e a
metade das potências. Você temdois mundos aqui – da potência e do significado. O campo da
potência e o campo dos significados – DOIS mundos!

A diferença da essência dos estóicos para a essência do ​Aristóteles e do Platão ​– Platão e


Aristóteles – AMBOS – chamam a essência de… ​SIGNIFICADO​. [Enquanto que] os ​estóicos
chamam a essência de…​ POTÊNCIA.

Na aula passada, eu falei que a essência nos estóicos é um germe que visa a expansã o. Isso
que é a essência deles – um germe expansivo.

Agora, para os estóicos, existe o campo do significado, mas o campo do significado não é o
campo das potências. ​É um efeito das potências ((​é o acontecimento produzido pelo
encontro))

a linguagem estóica, o campo das potências [é] o campo dos corpos; o campo do significado
[é] o campo do acontecimento. Então, são dois mundos para os estóicos. O dos corpos – [é] a
física. E o dos acontecimentos – [é] a lógica.

Meu corpo tem algum significado? Não! Ele não tem significado. Ele tem potência. É isso que
ele tem. Agora, quando o meu corpo se encontra com outro corpo, ele produz – junto com o
outro corpo – um efeito. O efeito não é potência. É significado.

LINGUAGEM É USADA PARA PRODUZIR SIGNIFICADOS. //CLASTRES DIRIA QUE


LINGUAGUEM [ESCRITA OU FALADA] É UM LUGAR DE PODER.

O que é semiótica? É a ciência dos signos​. E a semiótica que fala dos efeitos é uma
semiótica do significado; a semiótica que fala dos corpos é uma semiótica energética.
Apareceu alguma coisa nova – uma semiótica que não trabalharia com o campo da
significação. (Eu não sei se foi bem aqui, se deu para entender…) Imediatamente alguma coisa
de nova apareceu. Ou seja: nós temos uma ilusão de que a semiótica é sempre uma semiótica
da significação. Mas, por este exemplo que eu estou passando pra vocês, a semiótica não
precisa ser somente da significação. No caso, ela também pode ser uma semiótica energética.

A semiótica ou os signos que não falam sobre significação!!! rsrsrs que foda !

Mas quem está trabalhando numa semiótica energértica não está procurando significações.
Está procurando o funcionamento. A ele não interessa o que significa aquilo. A ele interessa
como aquilo funciona.

O que ocorre na história – segundo alguns pensadores – é que existiriam diversas semióticas,
e não só essas duas. Eu coloquei duas: semiótica ENERGÉTICA e semiótica do
SIGNIFICADO​. Mas existiria mais do que isso. Existiriam múltiplassemióticas. A nós vão
interessar as duas que os estóicos estão trabalhando: uma, a do significado; outra, a
energética

porque os corpos – literalmente - não significam nada! (É muito duro isso daqui!) Eles não têm
nenhuma significação –​ mas funcionam​. Não são do campo da significação: o campo da
significação é efeito dos corpos.