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DIREITO CONSTITUCIONAL

CP I B
1º PERÍODO 2021
TEMA 09

Tema 09:
A Constituição e o Direito Internacional.
As Cortes Internacionais de Direitos Humanos.

1ª QUESTÃO:
Discorra sobre o papel da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e da
Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) na proteção regional
dos direitos humanos.

RESPOSTA:
“(...) À Comissão Interamericana de Direitos Humanos incumbe a tarefa principal de
responsabilização dos Estados por descumprimento dos direitos civis e políticos
expressos na Carta e na Declaração americana.
(...) A Assembleia Geral da OEA é o órgão político final no procedimento de
responsabilização internacional do Estado diante de descumprimentos do rol de direitos
fundamentais constantes da Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem e
da Carta da OEA. Nesse sentido, estabelece o art. 53, alínea “a” que compete à
Assembleia Geral “decidir as ações e políticas gerais da Organização”, o que pode ser
interpretado como sendo o poder de estabelecer sanções por violação de direitos humanos.
Este órgão, constituído de representantes de todos os Estados signatários, tem cunho
eminentemente político, e analisa os relatórios da Comissão e recomenda a adoção de
medidas reparatórias pelos Estados. No caso do não cumprimento da recomendação da
Assembleia Geral, o Estado fere a Carta da OEA, possibilitando a edição de sanções
coletivas adiante expostas.
(...) a OEA tem demonstrado, em determinadas situações críticas de desrespeito aos
direitos humanos, ter vontade política suficiente para adotar as necessárias sanções aos
Estados infratores (...)”.
RAMOS, André de Carvalho. “Processo Internacional de Direitos Humanos - Análise dos
sistemas de apuração de violações de direitos humanos e a implementação das decisões
no Brasil”. Editora Renovar. 2002, p. 218-222.
DIREITO CONSTITUCIONAL
CP I B
1º PERÍODO 2021
TEMA 10

Tema 10:
Ação declaratória de constitucionalidade. Origem. Legitimados. Efeitos da decisão.

1ª QUESTÃO:
Os Estados podem instituir ação declaratória de constitucionalidade de Lei Estadual em
face da Constituição do Estado?

A decisão cautelar ou definitiva na ação declaratória de constitucionalidade alcança os


processos já findos, com sentença já transitada em julgado materialmente?

RESPOSTA:
Segundo Alexandre de Moraes, "A possibilidade de criação de uma ação declaratória de
constitucionalidade de âmbito estadual divide a doutrina. José Afonso da Silva não admite
tal possibilidade, por ausência de previsão constitucional, enquanto Nagib Slaibi Filho
entende permitida ao Estado-membro, no exercício de sua competência remanescente, a
criação dessa ação na esfera estadual, desde que respeitado o paradigma da Constituição
Federal. Parece-nos que a razão está com Nagib Slaibi Filho, uma vez que é característica
da Federação a autonomia dos Estados-membros, que engloba a capacidade de auto-
organização por meio de suas respectivas Constituições estaduais. Assim, e desde que
seguissem o modelo federal, nada estaria a impedir que o legislador constituinte-
reformador estadual criasse por emenda constitucional uma ação declaratória de
constitucionalidade de lei ou ato normativo estadual, em face da Constituição Estadual, a
ser ajuizada no Tribunal de Justiça e tendo como co-legitimados, em virtude da EC nº.
45/04, os respectivos estaduais, para os co-legitimados do art. 103 da CF, para ação direta
de inconstitucionalidade."

Professor Nagib S. Filho em seu livro Direito Constitucional, ensina que: "(...), embora
tormentosa a questão, dependente de maior aclaramento pelo sistema que lentamente está
se cristalizando no relacionamento entre as esferas governamentais federal, estadual e
municipal, parece permitido ao Estado-membro instituir, em seu texto constitucional, a
ADC de leis e atos normativos estaduais em face da Constituição Estadual, pois: a) a
competência remanescente do Estado-membro está afirmada no art. 25 da Constituição
de 1988; b) se é verdade que não há dispositivo expresso na Emenda Constitucional nº.
3/93 sobre criação da ação pela Constituição do Estado, também é certo que não há
vedação expressa (e o que não é proibido pela Constituição da República, é permitido aos
Estados-membros, os quais somente estão vinculados ao princípio da simetria); c) o
processo da ADC foi criado pelo poder constituinte federal e o Estado-membro está
autorizado a observar os princípios da Constituição de 1988; d) o Estado-membro está
autorizado a legislar supletivamente sobre procedimentos em matéria estadual (art.24,
XI), atendidas as regras processuais postas na Constituição e na Lei nº. 9.868/99; e) a
Constituição do Estado pode definir a competência do Tribunal de Justiça (art.125, §1º),
a quem já cabe processar e julgar a representação de inconstitucionalidade ( art.125, §2º);
e f) a ação declaratória de constitucionalidade, a despeito de constituir poderoso
instrumento normativo, não integra o processo legislativo consoante as modalidades
declaradas no art.59 da Constituição; contudo, o processo legislativo constitui paradigma
federal de princípio extensível aos Estados e aos Municípios, com relevante função na
legitimação e eficácia dos atos genéricos e abstratos, função que não pode ser
escamoteada aos atos estaduais, que não diferem, no aspecto de sua autoridade e
aplicabilidade, dos atos federais."

Com relação às decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal,
nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzirão
eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder
Judiciário e Poder Executivo. Na hipótese de processos findos com sentença transitada
em julgado materialmente, a decisão cautelar ou definitiva não alcançará os mesmos.

2ª QUESTÃO:
Sobre a ação declaratória de constitucionalidade, responda aos seguintes quesitos, com a
indicação da jurisprudência predominante do STF sobre o tema:
a) É admissível o ajuizamento de ação declaratória de constitucionalidade de medida
provisória ainda não convertida em lei?
b) É admissível a concessão de medida liminar no processo instaurado em razão do
exercício da ação declaratória de constitucionalidade?
c) É imprescindível a atuação do Advogado Geral da União no processo instaurado em
virtude do exercício da ação declaratória de constitucionalidade?
RESPOSTA:
a- Ação direta de Inconstitucionalidade. Medida Provisória nº 2.152-2, de 1º de junho de
2001, que cria e instala a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, do Conselho de
Governo, estabelece diretrizes para programas de enfrentamento da crise de energia
elétrica e dá outras providências. Sustentação de incompatibilidade dos dispositivos
impugnados com o disposto nos artigos 5º, incisos XXII, XXXVI, LIV, 62, 146, inciso
III, alínea "a" e 150, inciso IV, da Constituição Federal. Prejudicada a medida cautelar
em face da decisão tomada pela maioria do Tribunal, em 28/06/2001, deferindo cautelar
na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 9, quanto aos arts. 14 e 18, da Medida
Provisória nº 2152-2.4. Indeferida a liminar quanto ao art. 21 e parágrafo único; ao art.
22, II e §1º, ao art. 23 e parágrafo único, todos da MP 2152 (STF, ADIn nº 2468, relator
Min. Néri da Silveira, em 29/06/2001, DJU 14/12/2001 - grifado).

b- "Em Ação Declaratória de Constitucionalidade, pode a Corte conceder medida cautelar


que assegure, temporariamente, tal força e eficácia à futura decisão de mérito. E assim é,
mesmo sem expressa previsão constitucional de medida cautelar na A.D.C., pois o poder
de acautelar é imanente ao de julgar. Precedente do STF." (STF, ADC nº 4, relator Min.
Sydney Sanches, em 11/02/1998, DJU 21/05/1999 - grifado).
Ver também o artigo 21, da Lei 9868/99.

c- "Ação Declaratória de Constitucionalidade. Incidente de Inconstitucionalidade da


Emenda Constitucional nº 03/93, no tocante à instituição dessa ação. Questão de ordem.
Tramitação da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Desnecessidade de
pronunciamento do Advogado Geral da União. Incidente que se julga no sentido da
constitucionalidade da Emenda Constitucional nº 03/93, no tocante à Ação Declaratória
de Constitucionalidade" (STF, ADC nº 1, relator Min. Moreira Alves, em 27/10/1993,
DJU 16/06/1995 - grifado).

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