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I – OBRA

DALFOVO, Michael Samir; LANA, Rogério Adilson; SILVEIRA, Amélia. Métodos


quantitativos e qualitativos: um resgate teórico. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada,
Blumenau, v.2, n.4, p.0113, Sem II. 2008

II – CREDENCIAIS DA AUTORIA

Michael Samir Dalfovo é graduado em Comunicação Social (Fundação Universidade Regional


de Blumenau, FURB, 2003) e em Administração (Instituto Blumenauense de Ensino Superior,
IBES, 2013), possui Mestrado em Administração (Fundação Universidade Regional de
Blumenau, FURB, 2007) e doutorado em Administração e Turismo (Universidade do Vale do
Itajaí, UNIVALI, 2013). Possui também, MBA em Gestão Estratégica Organizacional (Centro
de Ensino Superior de Blumenau, CESB, 2005). Profissionalmente atua como professor
celetista no Instituto Blumenauense de Ensino Superior (IBES), desde o ano de 2005, e na
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), desde o ano de 2014. Suas principais áreas
de atuação são: Administração Estratégica, Tecnologia Educacional e Métodos de Ensino
Superior.

Rogerio Adilson Lana é graduado em Administração (Fundação Educacional de Brusque,


FEBE, 2004), possui mestrado em Administração (Fundação Universidade de Blumenau,
FURB, 2007) e doutorado também em Administração (Universidad Nacional de Misiones,
UNAM, Argentina, 2009). Possui também, duas especializações e um curso de aperfeiçoamento
em áreas específicas da Administração. Atualmente realiza o curso de PHD em Administração
pelo Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração – COPPEAD/UFRJ.
Profissionalmente atua como professor titular da Associação Educacional Vale Itajaí Mirim em
Brusque, Santa Catarina, desde o ano de 2005. Suas principais áreas de atuação são:
Mercadologia, Planejamento Estratégico e Marketing.

Amélia Silveira é graduada em Biblioteconomia (Universidade Federal do Rio Grande do Sul,


UFRGS, 1973), possui mestrado em Administração (Universidade Federal de Santa Catarina,
UFSC, 1980) e doutorado em Ciências da Comunicação (Universidade de São Paulo, USP,
1986). Possui também, dois cursos de pós-doutorado, sendo um realizado na Universidad
Complutense de Madrid, na Espanha (1991), na área de processos de disseminação da
informação e outro realizado na Universidade de São Paulo (1996), na área de Administração.
Sua última atuação profissional (2017) foi como docente na Universidade do Oeste de Santa
Catarina – UNOESC, no Programa de Pós-Graduação em Administração, nível doutorado. Suas
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principais áreas de atuação são: Administração Pública, Administração Universitária e
Empreendedorismo.

III – CONCLUSÕES DA AUTORIA

A temática apresentada pelos autores do artigo resenhado, é fundamentada na discussão


de duas possibilidades de pesquisa para a construção de estudos – a pesquisa quantitativa e a
pesquisa qualitativa. As principais conclusões apontadas pelo estudo, remetem a existência de
um universo destinado a produção do conhecimento. Que é permeado por uma diversidade, sem
fim de autores, definições e classificações em relação aos tipos de conhecimento, aos métodos
e tipos de pesquisa. Nesse contexto a pesquisa quantitativa e qualitativa podem ser encaradas
como uma forma de classificação de uma pesquisa em relação a forma de aboradagem do
problema de pesquisa, ou ainda como estratégias de pesquisa. Em ambas as definições, fica
evidente a relevância do problema de pesquisa na determinação do tipo de abordagem
selecionado para o estudo. Assim a natureza do problema de pesquisa apontará a opção
apropriada para o pesquisador utilizar em seu estudo. Na realização de um estudo, o problema
de pesquisa posiciona-se como o elemento motivador para a realização do mesmo. Vale
ressaltar que a divisão entre quantitativo e qualitativo existe, mas não determina a exclusão de
uma em detrimento da outra. Já que ambas podem interagir em um mesmo estudo.

IV – DIGESTO

A primeira seção do texto denominada de “Conhecimento”, apresenta as principais


formas ou tipos de conhecimentos vivenciados pela humanidade. Conforme retratado pelos
autores o conhecimento representa uma necessidade inerente a existência dos indivíduos. Foram
enumerados cinco tipos de conhecimento: o conhecimento filosófico (entendido como o
conhecimento basilar para a construção dos demais saberes humanos), o conhecimento
teológico (conhecimento criado pela necessidade do homem em explicar situações não
alcançadas por outras formas de conhecimento e que busca justificação na ação do sobrenatural
– Deus), o conhecimento empírico (conhecimento derivado da experiência, experimentação e
das práticas cotidianas), o conhecimento científico (produto de um processo de investigação
que segue um rigor metodológico) e o conhecimento tecnológico (conhecimento de suporte as
demais formas de conhecimento).

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A segunda seção discute a temática do método de pesquisa. A principal questão tratada,
é sem dúvida, a motivação para a realização de uma pesquisa, que reside na existência de um
problema a ser discutido. A luz de um emaranhado de princípios, com vista a gerar novos dados
e novas informações. O método de pesquisa foi retratado como um processo sistemático de
construção do conhecimento. Registrou-se ainda, a importância de considerar e utilizar estudos
teóricos e pesquisas anteriores já construídas e socializadas.
Na terceira seção é feita uma vasta enumeração dos tipos de pesquisas, que podem ser
atribuídas a diferentes pontos de vista de cada autor. Para Ander-Egg (1978) uma pesquisa pode
ser fundamental (pesquisa alicerçada no saber científico) ou aplicada (pesquisa alicerçada no
fazer prático). Já para Hymann (1967) a pesquisa pode ser descritiva (baseada na narrativa de
um fenômeno) ou experimental (baseada no acompanhamento de determinados fatores).
Enquanto para Best (1977) uma pesquisa pode ser do tipo histórica (baseada na revisão de
literatura pertinente). Representando um coletivo de pesquisadores Pardinas (1977) e Abramo
(1979), classificam as pesquisas como monodisciplinares, interdisciplinares e
multidisciplinares.
Segundo Boente e Braga (2004) uma pesquisa pode ser considerada acadêmica ou uma
pesquisa de ponta. Para esses teóricos ainda é possível caracterizar a pesquisa em relação a suas
fases. É possível classificar as pesquisas em relação aos seus objetivos, em relação aos
procedimentos de coleta e por fim em relação a fonte das informações. Apesar da aparente
divisão natural das fases de uma pesquisa, se faz necessário considera-las em conjunto. Em
relação aos objetivos uma pesquisa pode ser definida como descritiva (baseado no levantamento
de dados e justificação dos mesmos), exploratória (baseada na investigação de algo pouco
explorado) e explicativa (baseada na contextualização de algum fenômeno).
Em relação aos procedimentos de coletas, surgem segundo Boente e Braga (2004), seis
possíveis classificações. A primeira, pesquisa experimental, é definida pela execução de algum
experimento passível de ser controlado e que foi definido por aspectos metodológicos e
científicos. A segunda classificação, pesquisa ex post facto, envolve a realização de um
experimento que não é passível de controle, como é observado na pesquisa experimental. A
terceira classificação, pesquisa de levantamentos, é orientada para atingir o objeto de estudo. A
quarta, pesquisa-participante, apresenta como diretriz, a necessidade de considerar os
participantes como um dos problemas de pesquisa, ou seja, são elementos motivadores para a
realização do estudo. A penúltima classificação, pesquisa estudo de caso, avalia os aspectos
específicos de um objeto de estudo e suas principais características. E por fim, a pesquisa

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bibliográfica e documental, sinônimos de revisão da literatura e requisito obrigatório para
qualquer estudo de caráter científico.
A última classificação, considerando algumas fases de uma pesquisa, segundo Boente e
Braga (2004), retrata as fontes de informação. Surgem nesse estágio oito classificações. São
elas: pesquisa de campo (realiza levantamento de informações com base na observação de um
fenômeno, onde o mesmo ocorre); pesquisa de laboratório (levantamento realizado em
condições controláveis artificialmente); pesquisa qualitativa e quantitativa (levantamento
realizado com base nas características essenciais do problema de pesquisa); pesquisa social
(levantamento efetivado por meio da ponderação de um grupo social específico); pesquisa
histórica (levantamento possibilitado pelo resgate temporal de fatos e memórias); pesquisa
teórica (levantamento implementado para revisão das abordagens e teorias já existentes e
socializadas); pesquisa aplicada (levantamento realizado com o objetivo de resolver
determinada situação-problema) e por último pesquisa intervencionista (levantamento proposto
para modificar determinado contexto de um fenômeno).
As últimas contribuições teóricas da terceira seção são oferecidas por Ramos, Ramos e
Busnello (2005), que acrescentam mais duas formas de classificar a pesquisa. Uma em relação
a natureza e outra em relação a abordagem do problema de pesquisa. Em relação a natureza,
uma pesquisa pode ser entendida como uma pesquisa básica (destinada a gerar novos
conhecimentos para a ciência) ou uma pesquisa aplicada (destinada a gerar novos
conhecimentos para a prática). Já em relação a abordagem do problema as opções de
classificação apresentadas são: pesquisa quantitativa (busca métricas) e pesquisa qualitativa
(busca interpretações e análises).
É possível considerar ainda, segundo alguns autores, que a pesquisa qualitativa e a
pesquisa quantitativa são estratégias de abordagem que serão selecionadas a partir do caráter
do problema de pesquisa. Fica evidente que a pesquisa quantitativa, por utilizar métricas e
ferramentas estatísticas, contribui para a construção de pesquisas com maior exatidão na
descrição do fenômeno estudado. Enquanto a pesquisa qualitativa, por fazer uso de recursos
mais subjetivos, aborda o problema de pesquisa de forma mais complexa, porém menos precisa,
se comparada a abordagem quantitativa.
A quarta seção do artigo, detalha a essência de uma pesquisa quantitativa. Uma pesquisa
dessa natureza é baseada, como toda pesquisa, em um arcabouço teórico. Mas, por ser
quantitativa, a pesquisa servirá como meio de ilustrar, avaliar e testar, com o auxílio dos
números, ferramentas estatística e matemáticas, os argumentos apresentados pelas teorias. Com
vista conhecer o fenômeno estudado pelo viés numérico. São possiblidades dos estudos
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quantitativos o firmamento de hipóteses e a busca por conhecer o relacionamento de variáveis
consideradas no estudo.
As pesquisas quantitativas são apropriadas para estudos de natureza descritiva. São tipos
de estudos quantitativos: estudos de correlação de variáveis ou estudos descritivos, os estudos
comparativos causais e os estudos experimentais. Já que o elemento central das pesquisas
quantitativas são os dados de natureza numérica ou ainda dados que podem ser representados
em forma de números, é necessário destacar a importância da coleta de dados. Os principais
métodos de coletas são a aplicação de questionários e entrevistas.
A quinta e última seção do artigo apresenta os principais delineamentos de uma pesquisa
qualitativa. Cabe destacar que o principal elemento diferenciador entre uma perspectiva
quantitativa e qualitativa, é a não obrigação da segunda em utilizar recursos numéricos e a busca
por apresentar métricas do fenômeno estudado. A pesquisa qualitativa também faz uso de
dados. Porém, dados qualitativos, ou seja, textos de linguagem verbal e não verbal. Registros
numéricos podem, sem dúvida, aparecer em uma pesquisa qualitativa, mas com importância
secundária e acessória.
A pesquisa qualitativa é apropriada e não exclusividade, dos estudos de caso e das áreas
de conhecimento como Administração e demais Ciências Sociais Aplicadas. Em termos de
mecanismo de coleta de dados as principais ferramentas são: entrevista aberta, observação
participante, análise documental, estudo de caso entre outros. Pode-se listar como palavras de
ordenamento de uma pesquisa qualitativa os seguintes termos e expressões: interpretação,
subjetividade, flexibilidade, orientação no processo, preocupação com o contexto, impacto da
pesquisa, importância dos sujeitos e interação pesquisador-pesquisado.
Por fim, os apontamentos gerais da última seção convergem para a ideia de que a
pesquisa quantitativa e a qualitativa podem e se relacionam, no processo de construção do
conhecimento, logo na produção de estudos. Cada qual com o seu mérito, alcance e
principalmente compatível a formulação do problema de pesquisa.

V – MÉTODO UTILIZADO PELA AUTORIA

O artigo considerado foi elaborado com base na revisão de literatura, utilizando autores
nacionais e internacionais, especialmente de livros de metodologia científica. O método de
abordagem utilizado foi o método dedutivo. Dado que são apresentadas premissas gerais, acerca
da construção da metodologia científica, para o posterior confronto com questões particulares,
nesse caso elaboração de estudos específicos sobre temas diversos.

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VI – CRÍTICA DO RESENHISTA

O artigo, conforme indicação do título, possui como escopo a discussão a respeito da


pesquisa quantitativa e qualitativa. Contudo as opções feitas ao longo do estudo, privigeliaram
mais, outros aspectos do que a discussão propriamente dita sobre pesquisa quantitativa e
qualitativa. Fica claro o esforço realizado pelos autores, para apresentar aos leitores uma série
de classificações de métodos e tipos de pesquisa. Com o objetivo de apontar a gênese da
discussão sobre pesquisa quantitativa e qualitativa, todavia a discussão do escopo do texto ficou
aparentemente surficial.
Enquanto um trabalho acadêmico, a obra possui seu valor científico. Porém não
apresenta um grande avanço nos estudos e na produção de conhecimento da área de
metodologia científica. Dado que o artigo reproduziu o cenário que muitos autores já
apresentaram, ou seja, um cenário de multiplas possibilidades de definições a respeito de
métodos e tipos de pesquisa, sem mapear de forma clara e concisa os elementos que um
pesquisador, seja iniciante ou mais experiente, precisa para desenvolver um estudo sólido e com
rigor científico e metodológico. Não houve originalidade na obra, apenas uma revisão da
literatura, valiosa, mas já observado em estudos semelhantes.
Por se tratar de um texto a respeito da construção metodológica de estudos acadêmicos,
a questão do método de pesquisa empregado pelos autores, que deveria ficar em evidência e
devidamente caracteizado, ficou descrito nas entrelinhas do estudo, de forma subjetiva. A
redação do texto atendeu os parâmetros acadêmicos, apesar do excesso de enumerações ao
longo do texto, com pouca descrição critíca dos tópicos. O texto não apresentou a seção
denominada de considerações finais.
VII – QUESTIONAMENTO ELABORADO PELO RESENHISTA

A discussão sobre a construção de estudo acadêmicos, independente do tema abordado


ou da área do saber, perpassa pela complexa discussão dos métodos, técnicas e tipos de
pesquisa. Conforme observado no artigo resenhado, grande parte das bases conceituais vigentes
são datadas de algumas décadas atrás. Dado o estágio atual da ciência e o desejo de conhecer
novos fenômenos, as antigas bases conceituais, ainda possuem aderência as pesquisas
atualmente realziadas? Não seria o momento de simplificar as opções metodológicas e torná-
las acessíveis, em especial, para os pesquisadores iniciantes?