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ANÁLISE E CONSIDERAÇÕES SOBRE A IMPORTÂNCIA DA IMPLEMENTAÇÃO

DOS PLANOS DE DRENAGEM URBANA.

Anderson H. S. da Rocha1 – UniToledo


Claudio Junio Alexandre2 – UniToledo
Gustavo Henrique de Oliveira3 – UniToledo

RESUMO

O aumento de casos de enchentes e inundações em pequenas e grandes cidades, está diretamente


ligada com a impermeabilização do solo por consequência do crescimento populacional. Por
conta da urbanização acelerada, o ciclo hidrológico natural é impedido, assim diminuindo a
infiltração da água no solo e aumentando o escoamento superficial. O Plano de Diretor de
Drenagem urbana (PDDRu) vem para ajudar a diminuir e evitar o número de enchentes e
inundações, através de um estudo sobre bacia hidrográfica da cidade que está sofrendo com
esses impactos. Neste artigo é feito uma comparação entre uma cidade que tem um PDDRu e
outra que não tem, analisando obras de drenagem em pontos críticos em cada cidade e
mostrando a importância de se ter um PDDRu.

Palavras-chave: Plano de Drenagem Urbana; Impermeabilização do solo; Enchentes.

ABSTRACT

The increase in cases of floods in small and big cities is directly related with the waterproofing
of the soil due to the population growth. Due to the accelerated urbanization the hydrological
cycle is impeded, and it makes the infiltrations of water in the soil decrease and increase the
outflow.The Urban Drainage Director Plan, in Portuguese Plano de Diretor de Drenagem
urbana (PDDRu) was created to help decreasing the cases of flood based on a study about the
watershed in the cities that has this problem. In this article is made a comparison between a city
which has the PDDRu and one that doesn’t have this plan after analyzing drainage constructions
in critical points in each city and showing the importance of the Urban Drainage Director Plan.

Key words: Urban Drainage Plan; Waterproofing of soil; Flood.

¹ Graduando do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Toledo – UNITOLEDO


² Graduando do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Toledo – UNITOLEDO
³ Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS e Docente no curso de
Engenharia Civil do Cetro Universitário Toledo - UNITOLEDO
INTRODUÇÃO

Estudos e pesquisas tem se mostrado cada vez mais eficazes na geração de


conhecimento, para a noção do planejamento e gestão de recursos hídricos, que revelam cada
vez mais, a grande importância de se saber a fundo as condições de uso e ocupação dos recursos
naturais em seu espaço físico e de seus integrantes. Cada bacia hidrográfica é dotada de
características particulares, as quais constituem um diagnóstico básico para a definição e
implantação de políticas de gestão e desenvolvimento, que assegurem a sustentabilidade da
vida. Para tanto faz-se necessário a avaliação da ocupação dos recursos naturais do meio físico
e o passivo gerado pela ação antrópica.
A preocupação com a drenagem e destino das águas de uma cidade não é recente e tem
se tornado contemporaneamente tema de muita discussão nas sociedades. Há registros
históricos de cerca de 5000 anos atrás da constituição dos primeiros sistemas de drenagem
(MATOS, 2003).
No Brasil nota-se que após a década de 60, com um aumento populacional acelerado e
baixos investimentos com transporte e tratamento de esgotos, abastecimento de água e
drenagem pluvial ficaram defasados em muitos locais do pais até os dias atuais.

“O Brasil apresentou, ao longo das últimas décadas, um crescimento


significativo da população urbana, criando-se as chamadas regiões
metropolitanas. A taxa de população urbana brasileira é de 80%,
próxima à saturação. O processo de urbanização acelerado ocorreu
depois da década de 60, gerando uma população urbana praticamente
sem infraestrutura, principalmente na década de 80, quando os
investimentos foram reduzidos.” (TUCCI, 2007 pag. 01)

Com o aumento da impermeabilização do solo nas cidades o número de casos de


alagamentos, enchentes e inundações vem crescendo constantemente, e, em consequência
danos matérias, sociais e ambientais prejudicam assim a população local. Ainda de acordo com
Tucci (1997) esse aumento de áreas impermeáveis deve-se ao crescimento populacional urbano,
que interfere dessa forma drasticamente na velocidade de escoamento.
Com a evolução humana, nasceu a necessidade de sistemas de distribuição de água,
coleta de esgoto, e coleta da água da chuva, mais sofisticados. E com isso o planejamento de
como receber essa água e como distribuir de maneira correta, teve que sofrer alterações ao
decorrer dessa evolução, se adaptando ao seu problema característico.
A temática que trata as drenagens de águas pluviais, é um assunto em comum para todas
cidades, que sofre com enchentes, cada dia ganhando mais lugar, antes pouco levado em
2
consideração. Em toda cidade existe um ponto que está localizado nas cotas mais baixas, e são
esses pontos que precisam de atenção especial, pois são para eles que o escoamento se
direciona.
Precisamos de soluções pontuais para resolver esse problema, sem gerar outros, seja
ele uma medida não estrutural, que ataque diretamente as causas das enchentes, ou uma grande
obra de infraestrutura. O maior desafio é propor uma alternativa que atenda as especificações
técnicas e a expectativa da população. Já existem algumas soluções estruturais como a
implantação de cisternas nas casas que já ajudaria e muito segurando a água da chuva em pontos
estratégicos da cidade. Muito tem se ouvido falar de sistemas permeáveis, soluções que surgem
no momento para um reparo de algo mal planejado, ou um caso não estudado, ou até mesmo de
negligencia de alguns. Estudos de engenharia já vem abordando esse tema para melhorar a vida
da população, contribuindo para um bem comum.
Um fator preponderante para que esse caso ocorra é a alta taxa impermeável dos
municípios levando assim a infiltração a quase 0 (zero). Ao se iniciar um novo loteamento,
deve-se olhar além daquele loteamento, ter uma visão ampla de possíveis problemas gerados,
ou até de soluções sobre problemas já existentes naquela região, um estudo de prevenção para
possíveis pontos de futuros alagamentos, rurais ou urbanos.

2. Objetivo

O trabalho vem ressaltar a importância de se estudar e pesquisar sobre a temática da


drenagem pluvial urbana a partir da observação e análise de casos que foram realizados na
cidade de Porto Alegre - RS e compara-los com a cidade de Birigui – SP que ainda não possui
o Plano Diretor de Drenagem Urbana e dessa forma contribuir para o desenvolvimento da
cidade de Birigui para os casos que serão aplicadas in loco.
A proposta é ajudar a solucionar o problema como um todo, implantando um sistema
que funcione para futuros bairros, sem transferir o problema de lugar, levando em consideração
uma melhoria ao longo da construção e evolução da cidade, interligando um sistema no outro,
de maneira que eles se completem ao ponto de favorecer futuros empreendimento.

3. Metodologia

A metodologia utilizada para a realização do trabalho consiste em análises de


ocorrências de eventos de enchentes, inundações e alagamentos em duas cidades, Porto Alegre

3
- RS e Birigui - SP. O trabalho além de apresentar os planos e métodos de drenagem visa fazer
uma comparação entre os municípios citados.
O critério que nos ajudou a escolher a cidade de Porto Alegre - RS para ser comparada
com Birigui, foi o fato de ser uma das poucas cidades do Brasil a terem um plano de
macrodrenagem urbana.

3.2 Enchentes, inundações e alagamentos.

Para entender melhor os casos devemos saber distinguir a diferença entre enchente,
inundação e alagamento. (Figura 01). Faz-se necessário ainda uma preocupação maior, por
parte da sociedade e administração urbana, com a gestão de recursos hídricos e gestão das
cidades.

Figura 01 – Perfil Esquemático de enchente, inundação e alagamento.


Fonte: Adaptado de Defesa Civil de São Bernardo do Campo/SP, (2011)

De acordo com a Defesa Civil de São Bernardo do Campo/SP (2011), as enchentes são
caracterizadas pela elevação do nível da água no canal de drenagem e ocorre por conta do
aumento da vazão, alcançando assim a cota máxima do canal, enquanto que a inundação é a
invasão de águas (das chuvas ou de rios que transbordam) a um determinado local, e por fim o
alagamento é a água empoçada em um local no qual a mesma não tem por onde sair ou tem
algo que a atrapalhe de fazer o escoamento.
A impermeabilização dos solos tem um grande impacto sobre o aumento do escoamento
superficial das águas das chuvas e sobre a redução do tempo de infiltração da água com o solo,
ou seja, o tempo que a área que sofre precipitação consiga contribuir com a infiltração da água
no solo varia de acordo o índice de impermeabilização.
A figura 02 apresenta um modelo esquemático onde é representado o destino das águas
pluviais, nesse modelo nota-se que quanto maior a área impermeável de um determinado local,
4
menor será sua infiltração natural ao solo, e sua evapotranspiração, dois fatores muito
importantes que ajudam a evitar o aumento do escoamento superficial.

Figura 02 – Ciclo hidrológico no meio urbano.


Fonte: Adaptado de EPA (1998)

Segundo Tucci (2000) um habitante contribuiria com um valor de 49m² sobre a área
impermeabilizada de uma bacia, e com o aumento de 10% referente a área impermeável, isso
elevaria o coeficiente de escoamento de cheia e volume de escoamento superficial em 100%. A
figura 03 demonstra através de blocos diagramas a situação referida de acordo com o aumento
da impermeabilização.

Figura 03 – Aumento da impermeabilização do Solo.


Fonte: Ribeiro (2015)

3.3 Plano Diretor de Drenagem.


5
O Instituto de Pesquisas Hidráulicas Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005)
afirma que o objetivo do plano diretor de drenagem urbana é criar maneiras de melhorar a gestão
da infraestrutura local, com base no escoamento superficial das águas pluviais, dos rios e arroios
em áreas urbanas, dentre outras diretrizes.
Diz ainda que o Plano visa evitar perdas econômicas, melhorar o saneamento e meio
ambiente, dentro de condutas econômicas, sociais e ambientais estabelecidas pelo PDDU. Essa
regulamentação se dá a decretos e leis municipais que cobre os critérios básicos para o
desenvolvimento da drenagem para novos empreendimentos na cidade.
Tucci (1997) conta que no Plano Diretor de Drenagem se dá ênfase no controle das
inundações com medidas estruturais e não estruturais.

3.4 Medidas de controle.

Canholi (2014) afirma que de acordo com o cenário encontrado, medidas estruturais e
não estruturais correspondem como uma medida de correção e/ou prevenção com o intuito de
prevenir que ocorra danos das inundações.

3.4.1 Medidas estruturais

São obras que estão ligadas diretamente a mudança no meio físico, que podem ser
separadas em medidas extensivas e intensivas.
Medidas extensivas representam os pequenos armazenamentos distribuídos ao longo do
trecho da bacia, seja para recompor a cobertura vegetal ou controlar a erosão do solo. Enquanto
que medidas intensivas dependendo do seu objetivo, podem acelerar o escoamento, desviar ou
retardar o fluxo. Os reservatórios de detenção a céu aberto ou fechado (Figuras 04 e 05), são
utilizados para reter água e diminuir sua velocidade de escoamento.

3.4.2 Medidas não estruturais

De acordo com Canholi (2014) medidas não estruturais buscam educar a população
sobre o comportamento perante o consumo, sobre a ocupação territorial e atividades
econômicas.

6
Figura 04 – Reservatório de detenção a céu aberto. Figura 05 – Reservatório de detenção fechado.
Fonte: Prefeitura São Paulo (2011) Fonte: Reprodução/ TV Gazeta (2015)
Podem ser separadas, em ações de regulamentação do uso e ocupação do solo; educação
ambiental com o intuito de controlar a poluição difusa, erosão e lixo; seguro – enchentes; e
sistema que alertam a população sobre inundações.
Em comparação com a medida estrutural, a não estrutural é mais econômica pois não
visa o gasto com obras e sim de conscientizar a população.

4. Resultados

A cidade de Porto Alegre, localizada no estado Rio Grande do Sul às margens do Lago
Guaíba (Figura 06), tem uma área de 496,70 km² e uma população de 1.409.351 habitantes. Em
relação aos seus domicílios, 93% apresentam esgotamento sanitário adequado, enquanto que os
domicílios urbanos em vias públicas com arborização são 82.7% e 69.4% com urbanização
adequada para os domicílios urbanos em vias públicas (presença de bueiro, calçada,
pavimentação e meio-fio). (IBGE, 2010).

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Figura 06 – Localização da cidade de Porto Alegre no estado de Rio Grande do Sul.
Fonte: Infoescola, (2018)

4.1. Porto Alegre

Através de informações disponibilizadas pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre


(2011), foram dispostos os seguintes resultando, sobre as enchentes e obras executadas para
mitigação dos problemas ocorridos.
A enchente que a cidade de Porte Alegre sofreu em 1941 foi resultado de uma
precipitação de 791 milímetros na cidade, as águas atingiram uma altura de 4.76 metros, esse
fenômeno deixou 70 mil habitantes desabrigados. Em 1967 com 22 dias de chuvas intensas, a
cidade voltou a sofre com enchentes, com águas chegando na altura de 3,13 metros, 1984 com
2.50 metro e em 2002 atingiu uma conta de 2.46 metros. Por conta de todos esses casos a
prefeitura de Porto Alegre investiu nos últimos anos no Programa de Recuperação do Sistema
de Proteção Contra as cheias (PRSPCC) o valor de R$14,6 milhões. O motivo de se investir
tanto nesse programa, é de prevenir que ocorra novamente enchentes e inundações na cidade.
O Muro de Mauá foi construído de 1971 a 1974, e faz parte do PRSPCC, com 3,00m de
altura acima do solo e 3,00m abaixo, o muro ajuda a evitar que novos casos de enchentes
venham a surgir, o PRSPCC conta também com 68 quilômetros de diques, 14 comportas e 19
casas de bombas bem distribuídas pela cidade. (Figura 07)

8
Figura 07 – Muro de Mauá, Porto Alegre RS.
Fonte: Bela (2013)

Diante de tudo que a cidade passou referente as enchentes, e com o objetivo de se criar
um sistema de drenagem para a cidade, foi elaborado um Plano Diretor de Drenagem Urbana
(PDDrU) que ajudou a mapear 27 bacias hidrográficas e com isso separando 6 para ser feito
uma análise mais criteriosa e cuidadosa. O PDDrU defende a ideia de se recuperar a infiltração
natural do solo, a detenção ou retenção das águas pluviais, e a não transferência do volume de
água para outro ponto da cidade.
As medidas não estruturais utilizadas, foram, revitalizar a vegetação local, para
aumentar as áreas de infiltração natural, e limpeza das bocas de lobo, e conscientização da
população do problema que a cidade sofre e dos impactos que a conscientização geral contribui
para manter a limpeza da cidade.
ABCP (2013) informa que fatalidades ocorridas por conta das inundações, foi o
critério que ajudou o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) a decidir que na Bacia do Arroio
da Areia se iniciaria a implantação das medidas propostas pelo PDDrU. Até o ano de 2011
foram construídos três reservatórios de detenção, um deles foi na Praça Celso Luft.
Na Praça Celso Luft, a obra proposta no Plano Diretor de Drenagem urbana de Porto
Alegre (PDDRu), teve início em maio de 2009 e término em setembro de 2010. Foi construído
um reservatório de detenção fechado, embaixo da praça, com a capacidade de volume 6.000 m³
(Figuras 08 e 09). Para o aproveitamento da área da praça que está localizada sob o reservatório,
foram construídas 2 quadras poliesportivas (Figura 10).

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Figura 08 – Execução do projeto do reservatório de detenção fechado.
Fonte: BRUXEL (2009)

Figura 09 – Execução do projeto do reservatório de detenção fechado.


Fonte: Arquivo/PMPA (2009)

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Figura 10 – Execução do projeto da quadra poliesportiva na laje do reservatório.
Fonte: Cunha (2013)

O reservatório construído tem como principal função reduzir os impactos das


inundações daquela região, porém, a chuva não traz apenas água, junto com ela vem impurezas,
tais como lixo, objetos, terra, etc., por isso foi reservado um espaço com laje removível no canto
da praça (Figura 11), que através de uma rampa, pequenos caminhões e escavadeiras
conseguem ter acesso.

Figura 11 – Entrada dos caminhões ao reservatório.


Fonte: Acervo Pessoal de Daniela Bemfica/DEP-PMPA

11
4.2. Birigui

A cidade de Birigui, localizada no estado de São Paulo (Figura 12), tem uma área de
204,79 km² e uma população de 108.728 habitantes. Em relação aos seus domicílios, 97.6%
apresentam esgotamento sanitário adequado, enquanto que os domicílios urbanos em vias
públicas com arborização são 94.8% e 12.9% com urbanização adequada para os domicílios
urbanos em vias públicas (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). (IBGE,
2010).

Figura 12 – Localização da cidade de Birigui no estado de São Paulo.


Fonte: Câmara Municipal de Birigui, (2018)

Na cidade de Birigui SP, existe uma deficiência quanto ao plano de drenagem urbana, e
com isso vem sofrendo com enchentes e alagamentos. A Prefeitura Municipal de Birigui (2018)
vem realizando uma obra de limpeza do córrego Parpineli que visa minimizar os impactos que
ocorrem no local. A obra de limpeza teve início no trecho atrás do Corpo de Bombeiros, no
bairro Santo Antônio onde fica localizado a foz do Córrego Parpinelli (Figura 13).

12
Figura 13 – Obra na Foz do Córrego Parpinelli.
Fonte: Mariano (2018)

As obras estão sendo feitas em pontos dos córregos onde há maiores impactos das
enchentes, sem qualquer estudo aprofundado do local. Tais estudos proporcionariam uma visão
aprimorada do problema, o que ajudaria na tomada de decisões mais precisas como por exemplo
medidas corretivas que resolveriam não só um problema pontual, mas ao longo de seu curso
todo.
Segundo o secretário do meio ambiente de Birigui, vão fazer a limpeza dos bueiros,
desassoreamento do córrego biriguizinho, e foi licenciado a reconstrução de uma ponte próximo
ao parque do povo (MIDIA INTERIOR, 2018).

5. Discussão dos resultados

Segundo Associação Brasileira De Cimento Portland Programa Soluções Para Cidades


(ABCP, 2013), até 2012 mesmo com o reservatório concluído não estava com sua total
capacidade de operação, pois para obter a Licença de Instalação e assim ficar totalmente
operante, era preciso que estivesse implantada em toda a área uma rede que separe o esgoto das
águas pluviais, porém houve uma redução de inundações e alagamentos próximos ao
reservatório. A Figura 14 vem mostrar como a praça ficou após a finalização das obras.

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Figura 14 – Praça Celso Luft finalizada.
Fonte: Arquivo/PMPA (2011)

A figura 15 mostra o mapa de Birigui dando enfoque aos cursos d’água e áreas sujeitas
a inundação ou enchentes. Através de uma análise, percebe-se que o ponto que sofre mais com
as enchentes e inundações é o córrego Biriguizinho pois se encontra na cota mais baixa da
cidade e recebe a maior parte das águas das micro bacias que compõe Birigui.

Figura 15 - Áreas sujeitas a inundação ou enchentes Birigui SP


Fonte: Adaptado de Gomes (2018)

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A obra no córrego Parpinelli, teve como objetivo o alargamento e desassoreamento do
canal, resolvendo temporariamente o problema para o local, porém sem grandes resultados pois
estava sendo feita sem o estudo da bacia, que mostraria quais impactos a obra traria.
Através de informações obtidas pela Mídia Interior (2018), no final mês de outubro
houve uma chuva forte em na cidade, que somou 62 milímetros, precipitação essa que
sobrecarregou o Biriguizinho (Figura 16), inundando ruas, avenidas e comércios próximos ao
local do córrego. Moradores informaram que a obra feita no córrego do Parpinelli não suportou
a chuva e foi completamente destruída.

Figura 16 – Córrego do Biriguizinho após chuva de 62 milímetro.


Fonte: Divulgação/Mídia Interior (2018)

Com falta de um Plano de Macrodrenagem em Birigui, não se tem um estudo da bacia


hidrográfica e consequentemente não tendo um direcionamento correto para qual obra tem que
ser feita e assim evitando novas enchentes.

6. Conclusão

Os estudos de soluções nas áreas hidráulica e hidrológica são de grande importância,


pois podemos salvar vidas, e trazer benefícios para uma cidade, estado e país onde vivemos.
Nesse estudo, podemos observar a grande importância de um engenheiro civil saber
dimensionar da maneira correta cada parte desse plano de macrodrenagem.
O estudo de macrodrenagem deve ser uma das primeiras medidas a ser tomada, se não
a primeira antes de ser planejado e decidido como serão dados os primeiros passos para
realização de uma pequena ou grande obra de drenagem em qualquer cidade.
15
A importância de se saber onde fazer e como fazer gera o desenvolvimento das
civilizações, e traz muitas benfeitorias para a cidade que realizam as obras com o plano de
macrodrenagem, estando assim sempre um passo à frente das demais cidades. Porto Alegre por
sua vez já está a algum tempo confrontando com essa realidade todos os dias, começaram bem,
com o plano mostrando as 27 bacias, e dar o ponta pé inicial pelo ponto mais crítico, facilitando
assim, os outros pontos pois parte da água que iria para a próxima bacia foi retida pelas obras
realizadas.
Birigui por outro lado ainda não contempla esse plano de macrodrenagem, levando
assim mais tempo para se resolver os seus problemas com drenagem eficiente, percebemos que
sem esse plano até pode ser feito obras paliativas, porém sem muito resultado, onerando cada
vez mais o orçamento de gastos com o município que poderia ser minimizado com a certeza de
cada obra.
Uma solução para a cidade de Birigui é de providenciar o plano de macrodrenagem,
para poder assim começar a planejar os próximos passos e resolver de fato cada ponto de
enchente na cidade, possivelmente no caso do córrego Parpinelli, refazer as obras de limpeza e
novamente os taludes, e chegando na praça do povo abrir ali uma bacia de retenção com laje,
para não perder a área de lazer que já existe.

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