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AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DA INCLUSÃO DE FIBRAS

POLIMÉRICAS NA COMPACTAÇÃO DO SOLO

Camila de Carvalho de Almeida¹


Naiara Rodrigues Alves Silva²
Rafael Marçal³
RESUMO
A expansão da quantidade de lixo aumentou consideravelmente com o crescimento
populacional, principalmente em matérias biodegradáveis. Com o objetivo de elaborar
estratégia para reduzir impactos ambientais, o presente trabalho avaliou os efeitos
provocados na compactação do solo pela inclusão de diferentes porcentagens de fibras de
polietileno tereftalato (PET). O solo utilizado é predominantemente arenoso, típico da região
de Araçatuba. As fibras possuem comprimento de 30 mm e largura de 1,5 mm, estes
adicionados aleatoriamente ao solo em porcentagens de 0,50; 1,00 e 2,00% em relação à
massa seca. Os resultados dos testes indicaram uma máxima compactação no quantitativo
de 0,5% de fibras com 30 mm. Propõe-se ampliar o estudo da inclusão de fibras no solo, a
fim de verificar a influência da inclusão de fibras nos parâmetros de resistência.

Palavras-chave: Sustentabilidade; Fibras no solo; Polietileno tereftalato;


Compactação.

ABSTRACT

Expansion of the amount of waste increased considerably with population growth,


especially in biodegradable materials. With the objective of elaborating a strategy to reduce
environmental impacts, the present study evaluated the effects caused by soil compaction by
the inclusion of different percentages of polyethylene terephthalate (PET) fibers. The soil
used is predominantly sandy, typical of the Araçatuba region. The fibers have a length of
30mm and a width of 1.5mm, which are randomly added to the soil in percentages of 0.50;
1.00 and 2.00% in relation to the dry mass. The results of the tests indicated a maximum
compaction in the quantitative of 0.5% of fibers with 30 mm. It is proposed to expand the
study of the inclusion of fibers in the soil, in order to verify the influence of the inclusion of
fibers in the resistance parameters.

Keywords: Sustainability; Fibers in soil; Polyethylene terephthalate; Compaction.

1
1
Aluna do curso de engenharia civil do Centro Universitário UniToledo.
2
Aluna do curso de engenharia civil do Centro Universitário UniToledo.
3
Doutorando e professor do curso de engenharia civil do Centro Universitário UniToledo.
1. INTRODUÇÃO

A elaboração de obras na construção civil se incumbi de transformar um ambiente


natural em um ambiente construtivo, sendo imprescindível um comportamento satisfatório
do solo. Assim, observa-se a necessidade do homem trabalhar com o solo desde a
antiguidade, prática tão arcaica quanto à civilização. Inevitavelmente, conforme assevera
Caputo (1988), as dificuldades com as obras de terra surgiram desde antes de Cristo.
Os primeiros trabalhos relevantes sobre comportamentos dos solos foram
desenvolvidos no século XVII, quando a tecnologia era tida como base do design estrutural
e o desenvolvimento surgia com novos métodos, soluções, padrões e formas. Dentre os
pesquisadores que se debruçaram sobre esses trabalhos, destacam-se os clássicos Vauban
(1687), Coulomb (1773), Rankine (1856) e Darcy (1856) (CAPUTO, 1988; PINTO, 2006).
Segundo Caputo (1988), os solos se originam da decomposição das rochas por meio
do intemperismo ou meteorização, sendo essa desintegração decorrente de agentes físicos e
químicos. Sua classificação baseia-se inicialmente nos tamanhos das partículas que os
compõe, podendo ser pedregulhos e areias (solo de partículas grossas), siltes (partículas
intermediárias) e as argilas (partículas finas). Dessa forma, “O solo[...] geralmente tem baixa
tensão e cisalhamento. A força e suas características podem depender fortemente das
condições do meio ambiente[...]’’ (LING; LESHCHINSKY; TATSUOKA, 2003 apud
HEJAZI et al., 2012).
Consequentemente, o reforço é introduzido para melhorar as propriedades mecânicas
do solo por meio de fibras solúveis (naturais ou sintéticas).
O princípio de reforço foi desenvolvido inicialmente por Vidal, que demostrou um
melhoramento da resistência de cisalhamento por meio da inclusão de elementos na massa
dos solos (VITAL, 1969 apud AKBULUT; ARASAN; KALKAN, 2007).
No entanto, um número crescente de estudos experimentais e numéricos
sobre o assunto foram conduzidos por vários pesquisadores nas últimas décadas
(por exemplo, Hoare, 1979; Gray e Ohashi, 1983; Freitag, 1986; Gray e Al-Refeai,
1986; Maher e Gray, 1990; Ranjan et al., 1996; Bauer e Oancea, 1996;
Michalowski e Zhao, 1996; Wasti e Butun, 1996; Consoli et al., 1998; Kumar et
al., 1999; Santoni et al., 2001; Kaniraj e Havanagi, 2001), (YETIMOGLU;
SALBAS, 2003).
Consoli, Prietto e Ulbrich (1998) mudaram o comportamento de um solo arenoso
cimentado frágil para dúctil após adicionar fibras de vidro distribuídas aleatoriamente ao
2
solo e, por meio de 12 testes de compressão triaxial sobre saturação completa, observaram
melhorias nas propriedades mecânicas do compósito, como o aumento do pico de resistência
que, com a inclusão de 3% de fibra e 1% cimento Portland, reduziu a fragilidade de 2,6%
para 0,6%, evitando fissuras por tensão .
Posteriormente, Consoli et al. (2002) utilizaram fibras de polietileno tereftalato em
areia cimentada para avaliarem respostas mecânicas e, após os testes, observaram redução
na fragilidade e o aumento da capacidade de absorção de energia de até 50%.
Miller e Rifai (2004) relataram que a inclusão de fibras de polipropileno aumenta a
condutividade hidráulica e reduz, em alcance de 90 %, o nível de rachaduras na massa de
um solo argiloso compactado, demostrando alterações na resistência à tração no solo.
Ranjan, Vasan e Charan (1996) investigaram o comportamento de solos sem coesão
reforçados com fibras e os resultados mostram maior resistência residual, como o aumento
no pico de cisalhamento, ganho de força e redução na força pós pico.
Os estudos realizados por Tang et al. (2007) analisaram a influência das fibras de
polipropileno sobre o comportamento de um solo argiloso não cimentado e cimentado. Três
porcentagens de fibra foram usadas (0,05, 0,15 e 0,25% em peso solo e comprimento de
12 mm) e duas proporções de cimento Portland comum (5% e 8%). Testes de compressão
não confinados, cisalhamento direto e microscopia eletrônica de varredura foram realizados,
indicando que a inclusão combinatória de fibra e cimento mostram melhores resultados do
que usados individualmente e apresentam aumento na força residual, força da interface,
coesão, ângulo de fricção interna, resistência ao cisalhamento. Além disso, a inclusão de
fibras ajuda os grãos a formar uma matriz coerente, suportando esforços de tração e
produzindo um efeito de vínculo ou ‘’ponte’’ capaz de impedir o desenvolvimento de um
provável ponto de fragilidade.
Akbulut, Arasan e Kalkan (2007) investigaram os efeitos de três tipos de fibras,
borracha de pneu (seu comprimento variando de 2 a 5 mm, de 5 a 10 mm e de 10 a 15 mm
com 1, 2, 3, 4 e 5% pelo peso total), polietileno (com espessura de 0,25 mm, largura de
2,5 mm, comprimento de 15, 30, 40, 60 mm e conteúdo de 0,1 0,2 0,3 0,4 e 0,5% pelo peso
total) e polipropileno (apresentando diâmetro de 1 mm, comprimento selecionado com 5, 10,
15, 30, 40 e 60 mm e conteúdo de 0,1 0,2 0,3 0,4 e 0,5% pelo peso total) sobre
comportamento dinâmico dos solos argilosos com alta plasticidade. Testes de frequência de
ressonância, compressão não confinada (UCS) e de cisalhamento foram realizados para solo
reforçado e não reforçado. Os resultados obtidos mostram melhora na taxa de
3
amortecimento, módulo de cisalhamento, valores de UCS (correlacionado a fibra de
borracha de pneu, obteve-se um valor máximo de 94 kPa para 185 kPa, utilizando o ideal de
10 mm de comprimento e 2% de teor de fibra. Já nas amostras de polietileno e polipropileno,
o que apresentou melhor resultado foi o teor de 0,2% e 15 mm, alcançando valores máximos,
respectivamente, de 94 kPa para 165 kPa e 94 kPa para 215 kPa), o que evidencia o
aumento no ângulo de fricção interna e valores de coesão.
Freitag (1986) investigou os efeitos de fibras sintéticas (nylon e polipropileno) no
comportamento de solo calcário residual, classificado como argila arenosa. As fibras
variaram respectivamente entre 0,20, 0,10 e 20 mm. Testes de compressão não confinadas
foram realizados e os resultados indicaram maior força e resistência capazes de absorver
mais energia. Vale ressaltar que o ganho de força foi mais aparente em amostras com o teor
maior de umidade ótima, cerca de 25%.
Kanchi, Neeraja e Sivakumar Badu (2014) utilizaram fibras em solo homogêneo e
isotrópico sob efeitos anisotrópicos e observaram que quanto menor o grau de inclinação da
fibra mais resistência ela confere ao solo, ou seja, fibras horizontais são mais eficazes, visto
que estão sujeitas à plena extensão, logo as fibras verticais não induzem melhoria
significativa ao solo.
Botero et al (2015) realizaram testes para investigar os efeitos de fibras de PET no
comportamento de um solo sedimentado. As fibras foram distribuídas (com um
comprimento de 50 mm e diâmetro de 15 mm) aleatoriamente com teores de 0,0% e 1,0%
do peso do solo. Os resultados mostram alterações no desempenho mecânico do material e
a obtenção de um menor ângulo de atrito, maior coesão e melhoramento na resistência de
cisalhamento proveniente da maior resistência a tração.
O trabalho de Jiang, Cai e Liu (2010) indica que o uso de fibras de polipropileno em
testes com solo argiloso é capaz de melhorar a ligação entre as partículas do solo, aumentar
o ângulo de atrito interno, força, estabilidade e impedir a propagação de rachaduras. Para o
experimento foram utilizados quatro tipos de comprimentos e porcentagem de fibras,
variando respectivamente de 10 mm a 25 mm e 0,1% e 0,4%. O recomendado para melhores
resultados foram de 15 mm e 0,3% do peso de solo.
Observações importantes foram realizadas por Yetimoglu e Saltas (2003) em solo
arenoso reforçado com fibras de polipropileno. Dispostos a determinar os parâmetros de
resistência ao cisalhamento, concluíram que o ângulo de resistência propende a ser

4
aumentado pela adição do reforço, restringindo a fragilidade do solo e, consequentemente,
influenciando na perda pós pico.
Da análise do comportamento do solo reforçado com fibras, depreende-se que “[...]
a resistência ao cisalhamento do solo reforçado com fibras tem os seguintes componentes: a
resistência ao cisalhamento da matriz do solo e a resistência induzida pela fibra.”
(ZORNBERG et al 2002 apud LI; ZORNBERG, 2013)
Nos últimos anos, com o crescimento populacional, ocorreu uma expansão da
quantidade de lixos domésticos e industriais, o que ocasionou problemas de cunho
ambiental. Nesta perspectiva, os não biodegradáveis, como, por exemplo, os plásticos e
polímeros,
[...] contribuem bastante para esses problemas, pelo fato de possuírem elevada
resistência a degradação demorando anos para se decompor. Portanto,
pesquisadores e indústria vêm buscando alternativas para minimizar os impactos
ambientais causados pelo descarte inadequado de produtos fabricados com
plásticos. Dentre as alternativas estão o reaproveitamento e a reciclagem, práticas
que vêm aumentando com o tempo. A concientização de um descarte e destino
adequados também é de fundamental importância[...] (SILVA, 2009).

Essa conscientização a que se refere Silva (2009) constitui-se a base de propostas


sustentáveis, como a concepção ao avaliar a influência de fibras poliméricas no solo, pois
“Resíduos classificados e reciclados de PET são imprescindíveis para economizar recursos
e reduzir plásticos que causam problemas ambientais. O PET tem vantagens como alta
tenacidade, boa durabilidade e qualidade de luz” (TAM et al 2007; FERNANDO et al 2008
apud YAO, ZHANYONG et al., 2014).
Dessa forma, o presente trabalho visa contribuir para uma melhor interpretação e
compreensão do comportamento do solo reforçado com fibras de polietileno tereftalato
(PET), o que pode potencializar o uso de misturas solo-fibra em obras de engenharia e
ampliar os estudos sobre o reforço de solos. O objetivo do trabalho será avaliar os efeitos
provocados na compactação do solo típico de Araçatuba (SP) pela inclusão de diferentes
tamanhos e percentagens em peso de fibras de polietileno tereftalato, permitindo, assim, a
análise sobre o uso sustentável do PET.

5
2. OBJETIVO

O objetivo desta pesquisa é avaliar os efeitos provocados na compactação do solo


típico de Araçatuba (SP) pela inclusão de diferentes percentagens em peso de fibras de
Polietileno Tereftalato.

3. METODOLOGIA

A metodologia do trabalho dá-se da seguinte forma:


• coleta e classificação do solo;
• mistura e homogeneização das fibras nos percentuais especificados de 0,50; 1,0; e
2,0%;
• ensaios de compactação (Proctor Normal) e determinação dos parâmetros ótimos
dos solos (solo com e sem fibras) e
• avaliação dos resultados obtidos pelos ensaios.
Para o desenvolvimento da pesquisa, será utilizado solo típico da região de
Araçatuba (SP). As fibras a serem utilizadas são de polietileno tereftalato (PET) com
comprimento de 30 mm e largura de 1,5 mm. Estas serão adicionadas aleatoriamente ao solo
em percentuais pré-determinados de 0,50; 1,0 e 2,0% em relação à massa seca, a escolha
envolve revisões bibiograficas presentes na introdução.
Os cálculos para a determinação da umidade ótima do solo são realizados seguindo
os seguintes passos:
• diâmetro do molde (D);
• altura do Molde (H);
• volume do Molde (V): . D²/4. H
• mssa do solo e molde (M’);
• massa Específica Natural (): (Massa do solo e molde) – (Massa do molde)/
Volume;
• umidade (w): (Massa da cápsula e do solo úmido) – (Massa da cápsula e do solo
seco)/ (Massa do solo seco);
• massa específica seca (d): +w

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Os valores obtidos em laboratório, como massa do solo e do molde, massa da
cápsula e do solo úmido, massa da cápsula, w umidade (%), Wmedia (%), d (massa
específica seca), serão anotados em tabelas, conforme representado na tabela 1.

Tabela 1. Resumo do ensaio


Diâm etro do Molde (cm ):
Altura do Molde (cm ):
Massa do m olde (g):
Massa do Massa da Massa da Massa
Massa da Um idade
Am ostras solo e cápsula e do cápsula e do Um idade (%) específica seca
cápsula (g) Média (%)
m olde (g) solo úm ido (g) solo seco (g) (g/cm ³)

Am ostra 1

Am ostra 2

Am ostra 3

Am ostra 4

Am ostra 5

Fonte: próprio autor.

Assim será possível traçar as curvas de compactação e verificar a influência da


adição de fibras poliméricas na compactação do solo.

4. RESULTADOS

4.1 Ensaio de Granulometria

A estrutura granulométrica do solo é caracterizada por intermédio do diagrama


designado curva de distribuição granulométrica, que expõe a correlação entre a quantidade
e dimensões das partículas presentes no solo, podendo ser determinada por meio do ensaio
de peneiramento normatizado conforme NBR6502 (ABNT, 1995).

7
Os resultados obtidos no ensaio de granulometria estão apresentados na tabela 2 e
figuras 1 e 2:

Tabela 2. Dados coletados no ensaio de granulometria

Abertura Massa Retida Massa Porcentage Porcentagem Porcentage


Número da
(mm) da (g) que m que passa retida m retida
peneira
malha passa acumulada
d M Mp (%) (%) (%)

4 4,750 0 1048,96 100,00 0 0


8 2,000 0 1048,96 100,00 0 0
16 0,850 0,21 1048,75 99,98 0,02 0,02
30 0,500 28 1020,75 97,31 2,67 2,69
50 0,250 44 976,75 93,12 4,19 6,88
100 0,150 457,29 519,46 49,52 43,59 50,47
200 0,075 426,47 92,99 8,86 40,66 91,13
recipiente
8,87 100
(fundo) 92,99
Massa Total Mtotal = 1048,96g

Fonte: próprio autor.

Figura1. Frações granulométrica retidas em cada peneira


Fonte: próprio autor.

8
PENEIRAS (ASTM)
20 DIÂMETRO DE GRAOS ( mm)
0
10
20
PORCENTAGEM RETIDA (%)

30
40
50
60
70
80
90
100
0,075
0,01 0,1 1 10 100
Areia
Areia Pedregulho
Areia Fina

Figura 2. Curva granulométrica do solo estudado


Fonte: próprio autor.
4.2 Limite de Liquidez

Com o designo de encontrar o teor de umidade que delimita a modificação do


estado líquido para plástico de solo, é determinado o limite de liquidez. O ensaio
fundamenta-se em utilizar a energia de resistência ao cisalhamento ao aproximar uma
ranhura com 25 golpes em determinado teor de umidade, normatizado pela NBR 6459
(ABNT, 2016).
A figura 3 representa o ensaio de limite de liquidez para o solo em estudo.

Figura 3. Ensaio Arthur Casagrande


Fonte: próprio autor.

9
A Figura 4 representa o resultado do ensaio de limite de liquidez.
23

22
Teor de Umidade (%)

21

20

19

18

17
1 10 100
Número de Golpes

Figura 4. Limite de Liquidez


Fonte: próprio autor.

4.3 Preparação das fibras

As fibras utilizadas na pesquisa são de polietileno tereftalato (PET). A coleta foi


cautelosa quanto às marcas e modelos, para que não houvesse variação de espessura e
composição. Foram descartados rótulos, tampas, fundos e qualquer parte com espessura
diferente da padronizada. Após a coleta, garrafas de PET foram recortadas com largura de
1,5 mm e comprimento de 30 mm, e estas fibras foram armazenadas separadamente.
A figura 5 representa o preparo das fibras.

Figura 5. Execução de espessura e comprimento das fibras.


Fonte: próprio autor.

10
4.4 Ensaio de Compactação Proctor Normal

Com o propósito de avaliar a suscetibilidade do solo em estudo é realizado o ensaio


de compactação (Proctor Normal), conforme NBR 7182 (ABNT, 2016).
A figura 6 ilustra os ensaios com teor de umidade de 16%, sendo as figuras (a) sem
inclusão de fibras, (b) com 0,50% de inclusão, (c) com 1,00% e (d) com 2,00%.

Figura 6. Execução do Ensaio de Compactação.


Fonte: próprio autor.

A figura 7 representa a coleta de amostras inseridas em cápsulas para determinação


dos teores de umidade obtidos por meio do método da estufa, a fim de que se possa obter os
teores de umidades reais das amostras durante os ensaios de compactação.

11
Figura 7. Cápsulas e amostras de solo para obtenção do teor de umidade.
Fonte: próprio autor.

A seguir, são apresentadas as curvas de compactação obtidas na pesquisa.


A figura 8 representa a curva de compactação para o solo sem a inclusão de PET.

1,98
1,96
Massa Específica Seca (g/cm³)

1,94
1,92
1,9
1,88
1,86
1,84
1,82
1,8
6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00

Teor de Umidade (%)

Figura 8. Curva de compactação sem inclusão de PET


Fonte: próprio autor.

12
A figura 9 representa a curva de compactação para o solo com a inclusão de 0,5% de
PET.

2,08

2,06
Massa Específica Seca (g/cm³)

2,04

2,02

1,98

1,96

1,94

1,92
6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00

Teor de Umidade (%)


Figura 9. Curva de compactação com a inclusão de 0,5% PET
Fonte: próprio autor.

A figura 10 representa a curva de compactação para o solo com a inclusão de 1,0% de PET.
2,06

2,04
Massa Específica Seca (g/cm³)

2,02

1,98

1,96

1,94

1,92

1,9
6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00

Teor de Umidade (%)


Figura 10. Curva de compactação com a inclusão de 1,0% de PET
Fonte: próprio autor.
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A figura 11 representa a curva de compactação para o solo com a inclusão de 2,0%
de PET.

2,02
2
Massa Específica Seca (g/cm³)

1,98
1,96
1,94
1,92
1,9
1,88
1,86
1,84
1,82
6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 20,00

Teor de Umidade (%)

Figura 11. Curva de compactação com a inclusão de 2,0% de PET


Fonte: próprio autor.

O resumo dos resultados obtidos no ensaio de compactação estão apresentados na


tabela 3.

Tabela 3. Resumo do ensaio de compactação

Fonte: próprio autor.

14
5. DISCUSSÃO

A compactação de um solo é a sua densificação por meio de equipamento mecânico.


Quando se compacta com umidade baixa, o atrito entre as partículas é muito alto e não se
consegue uma significativa redução dos vazios do solo. Para umidades mais elevadas, a água
passa a absorver também o efeito da tensão de compactação. Na compactação, as
quantidades de partículas e de água permanecem constantes; o aumento da massa específica
corresponde à eliminação de ar dos vazios. A saída de ar é facilitada porque, quando a
umidade não é muito elevada, o ar se encontra na forma de pequenos canais
intercomunicados. A partir de um certo teor de umidade, entretanto, a compactação não
consegue mais expulsar o ar dos vazios, pois o grau de saturação já é elevado e o ar está
ocluso (envolto por água). Há, portanto, para a energia aplicada, um certo teor de umidade,
denominado umidade ótima, que conduz a uma massa específica seca máxima (
PINTO,2006).
No que se refere à caracterização do solo, nota-se, por meio da figura 2, que o solo é
predominantemente arenoso, com limite de liquidez de 19,8% e índice de plasticidade não
definido, por ser o solo predominantemente arenoso.
Observando o ensaio de compactação sem inclusão de fibras, obteve-se um teor de
umidade ótima de 10,64% e massa específica aparente seca máxima de 1,978 g/cm³. Com a
inclusão de 0,5; 1,00 e 2,00% de fibra, tais resultados mudaram respectivamente para teor
de umidade ótima de 10,88 ; 12,50 e 12,75% e massa especifica aparente seca máxima para
2,074; 2,042; 2,008g/cm³, consequentemente apresentando variação em relação ao teor de
umidade sem inclusão de fibras de 0,24; 1,86 e 2,11% e em relação à massa específica de
4,85%, 3,24% e 1,49%.
A percentagem de fibras mostrou-se fator preponderante nos resultados dos ensaios
de compactação, bem como homogeneidade e umidade da mistura. O ensaio que resultou na
máxima compactação foi o que possuía um quantitativo de 0,5% de fibras . O solo sem fibra
apresentou um peso específico aparente seco máximo e teor de umidade ótimo de 1,978
g/cm³ e 10,64%, enquanto o solo com 0,5% fibra, 2,074 g/cm³ e 10,88%.

15
6. CONCLUSÃO

Este trabalho avaliou os efeitos provocados na inclusão de diferentes porcentagens


em peso de fibras de polietileno tereftalato (PET) na compactação do solo.
Com base nos resultados dos ensaios realizados, determinou-se que o quantitativo
ótimos de fibras de polietileno tereftalato para o solo foram, respectivamente, de 0,5%. Dessa
forma, comparando esse resultado ótimo com o de um solo sem fibra, é possível verificar o
aumento da massa específica seca máxima de 1,978g/cm³ para 2,074g/cm³ e pouca variação
no teor de umidade ótimo, de 10,64% para 10,88%. A medida que se aumentou o teor de
fibra no solo, notou-se queda na massa específica seca máxima e aumento no teor de umidade
ótima.
Esse trabalho demonstrou a relevância em encontrar novos usos ao PET, destacando
a importância em desenvolver tecnologias necessárias a novos processos para estes resíduos
e aproveitar esses processos para reduzir impactos ambientais em obras de engenharia.
Como sugestão para trabalhos futuros, sugere-se ampliar o estudo da inclusão de
fibras no solo para ensaios de resistência à compressão simples e ensaios triaxiais, a fim de
verificar a influência da inclusão de fibras nos parâmetros de resistência do solo – coesão e
ângulo de atrito interno, possibilitando a utilização sustentável do PET.

REFERÊNCIAS:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6502 - Análise granulométrica de solos.


Rio de Janeiro, 1995.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6459- Determinação do limite de liquidez.


Rio de Janeiro, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7182: Solo - Ensaio de compactação. Rio
de Janeiro, 2016.

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