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OS TRÊS BINÁRIOS: liberdade diante das coisas criadas

Indicações para a oração


É importante recordar que a meditação é um
método de oração mais discursivo, no qual se consideram os diferentes
elementos e tenta-se chegar a uma conclusão.
Cada meditação está fundamentada num relato e segue os passos normais da
oração; faz-nos considerar a necessidade de tomar decisões apropriadas,
contando com os múltiplos dons e talentos que nos foram dados, tanto os nossos
próprios como os do cosmos.
1. Oferecimento de mim mesmo
Rogo às Três Pessoas Divinas a graça para que todas as minhas intenções,
ações, operações e sentimentos se dirijam unicamente a seu serviço e louvor.
2. Preâmbulo ao mistério
Nesta meditação dos Três Binários, com a imaginação considero as diferentes
respostas de três pessoas distintas diante de um presente inesperado (uma
grande quantidade de dinheiro).
O dinheiro foi conseguido honradamente e cada uma das pessoas quer tomar
uma decisão responsável sobre o uso que se pode dar ao mesmo.
A meditação contempla três maneiras diferentes de administrar o dinheiro.
3. Disposição de todo o meu ser para o mistério
Coloco-me no lugar de cada uma destas três pessoas e me pergunto o que eu
faria com este dinheiro ou com qualquer outro presente importante que tivesse
recebido.
A decisão de como dispôr de tamanha quantidade de fundos supõe um grande
encargo de consciência para cada uma das três pessoas, já que elas são
conscientes dos ensinamentos de Cristo sobre a pobreza, como se encontra em
Lc. 18,18-26; além disso, cada uma delas conhece muito bem a indigência
dos necessitados em sua cidade, em seu país e em outras partes do mundo.
4. O desejo de meu coração
Faço oração para reconhecer meu apego natural às coisas (inclusive os dons
dados por Deus) e para buscar o verdadeiro sentido de liberdade em minha
oração com Cristo, a fim de que eu possa discernir e escolher o que é mais
conveniente ao verdadeiro crescimento das pessoas e o que melhor sirva às
Três Pessoas Divinas.
5. Pontos de reflexão e consideração
Primeiro ponto: leia esta história de S. Inácio.
Há três pessoas, cada uma das quais recebe, inesperadamente,
uma grande quantida-
de de dinheiro; todas são boas, buscam servir a Deus o melhor
que podem e, saben-do a enorme responsabilidade que traz
consigo a aquisição de tal riqueza, se encon-tram temerosas. As
três se perguntam: “Que me fará este dinheiro? Como afetará a minha
relação com Deus?” Ainda que a pergunta seja a mesma para todas,
suas respostas são radicalmente diferentes.
A primeira pessoa se enamora do dinheiro; ser rica lhe produz uma enorme satisfação.
Desfruta do prestígio e da segurança que a riqueza lhe oferece, mas, ao mesmo tempo, se
dá conta de como o apego ao dinheiro lhe afeta. Preocupa-se mais e mais das rendas que
recebe, das aplicações que faz, e sabe que precisa tomar outro tipo de decisão, mas conti-
nua indecisa até sua morte.
A segunda pessoa também está fascinada com as riquezas que acaba de adquirir, e se
importa muito para que esse apego não frustre sua relação com Deus, pelo qual quer
libertar-se de seu capricho para com o dinheiro. Mas pretende que Deus se faça fácil.
Decide dedicar uma porcentagem da renda que obtém para construir uma nova biblioteca
para a comunidade na qual vive, e insiste para que a biblioteca leve seu nome.
A terceira pessoa também está cheia de inquietações e dúvidas ao receber uma
quantidade tão grande de dinheiro; quer ficar livre desse apego, mas de tal modo que não
sinta nunca inclinação para guardar o dinheiro ou para dispõr dele.
Sua pergunta é: “Qual é o melhor uso que posso fazer deste dom para deixar
transparecer a suprema bondade de Deus?”
Quer fazer com o dinheiro somente o que Deus quer que faça, e o deposita em um fundo
de poupança para que seja utilizado seguindo as moções do Espírito, como fruto do
discernimento.
Acrescenta dentro de si o desejo de servir melhor às Três Pessoas Divinas, e este desejo
vem a ser o fator decisivo de como e quando fazer uso do dinheiro.

Segundo ponto: agora considera a descrição dos três binários.


O primeiro binário deseja usar seus dons e talentos conforme à Vontade de Deus e
deseja o bem para toda a humanidade. No entanto, não pode tomar uma decisão sobre
como usar estes dons até à hora de sua morte.
O segundo binário também deseja usar seus dons segundo a Vontade de Deus e deseja o
bem para toda a humanidade. No entanto, acaba tomando a decisão de usar o dinheiro
para seu engrandecimento pessoal em lugar de procurar o bem de toda a humanidade.
O terceiro binário não quer perder de vista as intenções de Deus. Confronta-se com este
novo presente consagrando um tempo à oração e ao exame particular antes de passar à
ação. Tem o desejo de tomar suas decisões estando completamente livre de falsas idéias
sobre o êxito ou o triunfo, ou de sentimentos de envaidecimento, e assim espera paciente-
mente e em liberdade reconhecer a Vontade de Deus.

Terceiro ponto: o primeiro binário quer atuar de uma maneira libre de ataduras, mas se distrai
com preo-
cupações externas, e assim adia sua decisão;
o segundo binário também quer atuar de uma maneira livre, mas somente em função de
sua própria convicção interior e não da inspiração do Espírito Santo;
o terceiro binário deseja atuar de uma maneira livre e viver em liberdade total, atenden-
do à iniciativa de Deus através da ação do Espírito Santo.

6. Colóquio
Concluir a meditação com um colóquio segundo a nota que segue:
Nota
Quando nos damos conta de que não somos livres com relação às nossas posses ou à nossa posição,
pode ser útil para ganhar liberdade psicológica e espiritual, ainda que seja difícil de fazer,
pedir no tríplice colóquio que Jesus nos ajude a arriscar-nos, dependendo totalmente da bondade das Três
Pessoas Divinas, e dependendo também dos seres humanos, animais e vegetais que compartilham a Terra
conosco. Este deve ser um desejo genuíno, de modo que roguemos e supliquemos liberdade plena para isso,
sempre que seja para serviço e louvor da Trindade e do universo.
A história anterior pode nos ajudar a considerar a importância de nossos dons e buscar um verdadeiro
sentido de liberdade quando trabalhamos com Cristo e com nossos semelhantes
na construção da família humana.