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3/10/2014 Artigos

: ÍNDICE : Proteção à Criança e Artigos


Adolescente : MENOR Pesquisa
INFRATOR: (in) eficácia na
(re)inserção social através das Artigos recentes
medidas sócios Índice de artigos

Thaisa Pamara Sousa Jansen - Estudante


thatazinhajansen@hotmail.com

MENOR INFRATOR: (in) eficácia na (re)inserção social através das Mostrar 10 por página
medidas sócios

Thaisa Pamara Sousa Jansen

Unidade de Ensino Superior Dom Bosco - UNDB

Sumário: 1 Introdução; 2 Evolução histórica da legislação de


menores no Brasil; 3 Criminalização do menor infrator sob a
perspectiva da criminologia crítica; 4 Medidas sócio-
educativas; 5 Finalidade da (re) inserção social; Conclusão;
Referências.

PALAVRAS-CHAVE: Menor Infrator.Criminalização. Medidas


sócio-educativas. (Re) Inserção social.

O Estatuto da Criança e do Adolescente define todas as


medidas sócio-educativas, tratando excepcionalmente a
respeito da condição peculiar de pessoa em desenvolvimento,
com obrigatoriedade de atividades pedagógicas, visando
manter o resgate social do menor infrator.

Assim, as medidas sócio-educativas devem constituir-se em


instrumentos que garantem o acesso do menor as
oportunidades de superação de sua condição de exclusão, bem
como de acesso à formação de valores positivos para uma
convivência social.

Com o estudo desse trabalho objetiva-se levar as pessoas


envolvidas com a criminalização e as medidas sócio-educativas
à um processo de reflexão, e por conseguinte, a uma mudança
de postura e as estratégias de execução das medidas de (re)
inserção social.

Aborda-se o inicialmente o menor infrator com base na sua


Legislação Infanto-Juvenil, demonstrando todas as suas
normas repressivas e discriminatórias, seu assistencialismo e
sua proteção integral.

Adiante será analisado a criminalização do menor infrator,


abordando-a sob a perspectiva da Criminologia Crítica.
Também será estudado as medidas sócio - educativas, dando
ênfase a internação do menor infrator.

E por fim, será examinada a finalidade da (re) inserção social


do menor infrator no sistema brasileiro, objetivando
compreende-lo sobre a perspectiva crítica.

2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA LEGISLAÇÃO DE MENORES NO


BRASIL

A primeira Legislação acerca dos direitos infanto-juvenis foi


instalada na cidade do Rio de Janeiro no período Brasil -
Colônia e do Império, conhecida com a Casa e a Instituição
Roda dos Expostos, definida por Melo da seguinte forma:
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[...] uma grande roda giratória para recolher crianças


abandonadas sem a necessidade dos pais aparecerem e se
exporem destacando-se ainda, como aspecto importante da
Roda: os filhos de escravos ali abandonados eram considerados
libertos [...]. Era praxe as mulheres escravas zelarem e
amamentarem as crianças dos expostos em conformidade com
o acordo entre seus senhores e seu governo .

Esse primeiro dispositivo marcou em nosso sistema o


nascimento de um vasto elenco de normas voltadas para a
defesa e proteção do menor abandonado, em situação de
perigo, na condição de vítima ou autor do delito .

Surge em 1830 o Código Penal promulgado pelo Império,


adotando a Teoria do discernimento, o qual estabelecia que os
menores de 14 anos que tivessem agido com discernimento,
seriam recolhidos a Casa de Correção pelo tempo que o juiz
julgasse necessário, não podendo passar da idade de 17 anos.
E entre 14 e 17 anosos menores estariam sujeitos às penas de
cumprimento equivalente a 2/3 do que cabia ao adulto, e os
maiores de 17 anos e menores de 21 anos gozariam da
atenuante de menoridade .

Em 1890 foi editado o primeiro Código Penal da República, o


qual adotou também a Teoria do discernimento, ficando
declarado a irresponsabilidade de pleno direito dos menores
de 9 anos, o qual ordenava que os menores de 9 a 14 anos que
agissem com discernimento fossem recolhidos a
estabelecimento disciplinar industrial pelo tempo que o juiz
determinasse .

Em 12 de outubro de 1927, o Brasil ganhou grande destaque


com a promulgação do Código de Menores, esse instituto
destinou-se a legislar sobre os menores de 0 a 18 anos, em
situação de abandono, tivessem pais falecidos, ignorados ou
desaparecidos, fossem declarados incapazes, estivessem sido
presos há mais de 2 anos .

Com o advento do novo Código de Menores em 1979,


pouquíssimas alterações foram realizadas, dentre elas
podemos citar a criação de entidades de assistência de
proteção ao menor infrator pelo Poder Público.

Através de vários processos de reivindicações pela melhoria


das condições materiais dos menores no Brasil, foi incorporado
à nova Constituição Brasileira, promulgada em 1988, dois
artigos fundamentais – 204 e 207 – que promoveram um novo
tipo de política social pública para a infância com base nos
Princípios Fundamentais da Convenção Internacional sobre os
Direitos da Criança.

Logo após essas discussões, foi editado no Brasil o Estatuto da


Criança e do Adolescente – Lei n° 8069/90, reproduzindo a
redação do art. 227 da Constituição Federal, os quais
evidenciam as garantias dos direitos infanto-juvenil, passando
a considerar crianças e adolescentes como sujeitos de direito,
devendo ser assegurado pela Família, Estado e Sociedade.

Pode afirmar que a história da Legislação Infanto-Juvenil


Brasileira foi marcada por três períodos: o primeiro (1830-
1927) foi evidenciado por normas e diretrizes meramente
repressivas e discriminatórias: o segundo (1927-1989) adotou
uma política nacional caracterizada pela proteção e amparo
assistencialista; o terceiro (1990) surgiu o Estatuto da Criança
e do Adolescente – ECA com base em uma proteção integral,
responsabilizando penalmente o menor autor de ato
infracional frente às normas, ficando submetido ao
cumprimento de medidas sócio-educativas .

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Nas lições de João Batista Saraiva, sobre o Estatuto da Criança


e do Adolescente – ECA:

[...] é fundamental explicitar que o ECA – Estatuto da Criança


e do Adolescente (Lei n° 8069/90) se estrutura a partir de três
grandes sistemas de garantia: o Sistema Primário, que dá
conta das Políticas Públicas de Atendimento a crianças e
adolescentes (arts. 4° e 87); o Sistema Secundário, que trata
das Medidas de Proteção dirigidas a crianças e adolescentes
em situação de risco pessoal ou social (arts. 98 e 101) e, por
fim, o Sistema Terceário, que trata das medidas
socioeducativas, aplicáveis a adolescentes em conflito com a
Lei, autores de atos infracionais (art. 112) .

3 CRIMINALIZAÇÃO DO MENOR INFRATOR SOB A PERSPECTIVA


DA CRIMINOLOGIA CRÍTICA

O problema do menor tornou-se um problema de classe, que


cada vez mais a sensibiliza e a mobiliza. Se de um lado a
sociedade se percebe ameaçada, de outro, se tem a imagem
do marginal, da criança, e do adolescente que necessitam de
cuidados e atendimentos especializados .

Para entendermos o menor sob a perspectiva da Criminologia


Crítica, no entanto, é necessário conhecermos o significado da
Criminologia Tradicional, que tem a função de legitimar e
auxiliar o sistema penal e a política criminal, partindo do
pressuposto de que há uma qualidade natural de
comportamentos e de sujeitos que possuem uma
característica que os distingue de todos os outros, qual seja, a
criminalidade. Sendo possível investigá-las colocando a ciência
criminológica para combatê-la.

Toda investigação criminal é em torno do deliquente,


objetivando descobrir uma explicação sobre as causas do
crime e porque se pratica o crime.

A esse respeito, Baratta, nos ensina:

[...] seguindo o modelo da Escola Positivista ainda hoje


amplamente difundida, a tarefa da criminologia é reduzida à
explicação causal do comportamento criminoso, e da
diferença fundamental entre indivíduos criminosos e não
criminosos.

Na Criminologia Crítica ou paradigma da reação social, ou


doutrina interacionista, ou ainda, labelling approach, limita a
sua definição, com o julgamento e punição do criminoso
isolado, explicando o crime por relações psicológicas,
vinculando o fenômeno criminoso à estrutura de relações
sociais.

Nas palavras de Batista, “a Criminologia Crítica, portanto, não


se autodelimita pelas definições legais de crime
(comportamentos delituosos), interessando-se igualmente por
comportamentos que implicam forte desaprovação social
desviantes ”.

Como preceitua Baratta,

o Direito Penal tende a privilegiar os interesses das classe


dominantes, e a imunizar do processo de criminalização
comportamentos socialmente danosos típicos dos indivíduos a
elas pertencentes, e ligados funcionalmente à existência de
acumulação capitalista, e tende a dirigir o processo de
criminalização, principalmente, para formas de desvios típicos
das classes subalternas .

Desta forma, a criminalização de condutas e a execução das


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penas geram um processo estigmatizante para o menor


(interno). A pena ou as medidas penais como são aplicadas no
Brasil, atuam como um aumento de desigualdade.

A situação do menor no Brasil é agravada pelo processo de


marginalização, com a exclusão dos adolescentes do meio
social, do sistema escolar e do mundo de trabalho,
evidenciando, nas relações sociais a desigualdade e a
violência.

4 MEDIDAS SÓCIO – EDUCATIVAS

As medidas sócio-educativas são aplicáveis a menores autores


de ato infracional, que praticam essa conduta como crime ou
contravenção penal . A conduta praticada pelo menor tem
definição dada pela Delegada de Polícia da 2ª Vara da Infância
e Juventude da Comarca de São Luis do Maranhão, Dra.
Uthânia Vanderlene Gonçalves “não se pode confundir a
conduta praticada por um menor, denominada de ato
infracional, com a conduta praticada por um maior,
denominada de crime. O menor infrator ainda nos termos
técnicos, quando é capturado pelo Polícia ele foi apreendido
pela e o maior foi preso ”.

Como lembra Paulo Afonso, citado por Mário Fernandes:

a expressão “sócio-educativa” revela a preocupação do


legislador concernente às finalidades das sanções: meio de
defesa social, tanto que prevê a possibilidade de privação de
liberdade (internação) e instrumento educativo de
intervenção no desenvolvimento do adolescente, de sorte a
revelar ou desenvolver recursos pessoais

básicos necessários ao enfretamento das adversidades próprias


da vida, sem utilização de soluções violentas ou ilegais.

As medidas sócio-educativas são previstas no Estatuto da


Criança e do Adolescente com a finalidade de ressocialização,
para a convivência social de forma livre e responsável.

Quando for verificada a prática de ato infracional, a


autoridade competente poderá aplicar algumas medidas aos
adolescentes infratores como: advertência; obrigação de
reparar o dano; prestação de serviços à comunidade;
liberdade assistida; inserção em regime de semiliberdade;
internação em estabelecimento educacional (art. 112 da Lei n
° 8.069/90).

De acordo com o Tribunal Paulista,

[...] é certo que as medidas sócio-educativas buscam, antes


de mais nada, a ressocialização do adolescente infrator. Mas
não se pode olvidar que guardam elas, também, certo
conteúdo retributivo, a fim de criar no adolescente a
consciência da ilegitimidade da prática de atos infracionais.
Bem por isso, a medida sócio-educativa deve conter relação
com a gravidade do fato praticado. Da mesma forma que não
se pode imaginar a imposição de internação ao adolescente,
v.g, que tenha sido surpreendido pilotando uma mobilete,
também fere o senso comum a aplicação de mera advertência
aquele que cometeu, v.g. um estupro. (TJSP, Acv. 17.381-0
Rel. Dês. Dirceu de Mello) .

O que deve ser levado em consideração na aplicação dessas


medidas é a capacidade do adolescente em cumpri-las, a
gravidade do ato infracional e as suas circunstâncias (art. 112,
§1°), bem como as necessidades pedagógicas, voltadas para o
fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários (art.
100), não esquecendo sempre do seu objetivo principal, a
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ressocialização .

Será importante destacar, destacar cada uma das medidas


sócio-educativas que será explanado a seguir.

I – Advertência

A advertência consiste em admoestação, ou seja, leitura do


ato cometido e o comprometimento de que a situação não se
repetirá, sendo reduzida a termo e assinada .

Nas lições de Mário Fernandes,

têm aplicado a medida sócio-educativa de advertência aos


adolescentes primários, autores de atos análogos a
contravenções penais ou crimes de natureza leve, que não
importem em violência ou grave ameaça a pessoa, e
preferencialmente, aos infratores que estejam integrados no
seio familiar. Este último aspecto é por demais importante,
pois, não havendo uma mínima garantia da assistência
familiar, de nada adianta a admoestação verbal, haja vista
uma maior possibilidade do cometimento de novas infrações .

II – Obrigação de reparar o dano

A obrigação de reparar o dano é uma medida sócio-educativa


que pode ser aplicada ao adolescente autor de ato infracional,
e por via de conseqüência, ao seu responsável legal.

No art. 116, § único, a Lei ressalva que, somente poderá


deixar de ser aplicada quando houver manifesta
impossibilidade, com a pobreza, por exemplo. Ficando nesse
caso o ressarcimento do dano substituída por outra medida .

III – Prestação de serviços à comunidade

A medida de prestação de serviços à comunidade é a


realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período
não superior a seis meses. (art. 117)

Jurisprudência sobre o assunto:

Porte de maconha. Plena comprovação do ato infracional.


Medida sócio-educativa de prestação de serviços à
comunidade. Apelo negado. Cuidando-se de reincidente
contumaz, a prestação de serviços terá efeito terapêutico e
educacional, além de não prejudicar a freqüência escolar.
Medida hábil à tentativa ou ressocialização do infrator, que
vivendo no ócio impuro, se deixa facilmente expor à deletéria
influência de más companhias e, implacavelmente, segundo
experiência comum, tornará a errar. (TJSP, Acv. 16771-0/0.
Rel. Ney Almada)

IV – Da liberdade assistida

A medida de liberdade assistida tem prazo fixado em seis


meses, admitindo prorrogação. É cumprida em regime aberto,
permanecendo o menor com seus pais ou responsáveis, sob
assistência de pessoa incumbida do acompanhamento,
orientação ou auxílio.

No mesmo sentido,

Juízo da Infância e da Juventude. Recurso do MP. Ato


Infracional análogo ao furto, praticado pelo Juízo
especializado. Manutenção da sentença, que aplica ao
adolescente a medida de semiliberdade assistida, com
prestação de serviços a comunidade, matrícula na rede oficial
de ensino, com curso profissionalizante e acompanhamento

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psicológico. (CM/RJ, Processo n° 304/94, Rel. Des. Áurea


Pimentel) .

V – Semiliberdade

A medida de semiliberdade é a mais restritiva da liberdade


pessoal depois da internação. Todo adolescente que é
submetido ao regime de semiliberdade, deve permanecer só a
noite na Instituição, e durante todo o dia, deve freqüentar
atividades externas, sendo obrigatória a escolarização e
profissionalização, questões consideradas importantes para a
reavaliação da medida.

VI – Internação

O Estatuto da Criança e do Adolescente, no seu art. 121,


define a medida sócio-educativa de internação, como medida
privativa de liberdade, sujeita aos princípios de Brevidade,
Excepcionalidade e Respeito à condição peculiar de pessoa em
desenvolvimento. A medida de internação é a mais grave
dentre as sócio-educativas.

A internação tem seu parâmetro na legislação penal


correspondente ao regime fechado, que é destinando aos
condenados considerados perigosos e que tenham praticados
crimes punidos com pena de reclusão superior a oito anos.
(Código Penal, art. 33, §2° “a”) .

No mesmo sentindo, Márcio Fernandes preceitua,

A internação, ainda que medida sócio-educativa constitui


privação de liberdade em regime fechado, como forma de
ressocialização e punição do ato análogo ao crime praticado.
A Lei determinada ainda que a internação deve ser cumprida
em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto
daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação
por critérios de idade, compleição física e gravidade da
infração.

As medidas privativas de liberdade (semi-liberdade e


internação) são somente aplicáveis diante de circunstancias
efetivamente graves, seja para a segurança social, seja para a
segurança do próprio menor infrator, observando-se o rigor o
estabelecido nos incisos I a III do art. 122, reservando-se
especialmente para os casos de ato infracional praticado com
violência à pessoa ou grave ameaça ou reiteração de atos
infracionais graves .

A finalidade maior do processo de internação deve ser a


formação para a cidadania e para uma melhor inserção social
do menor infrator. Ao efetuar a contenção e a segurança dos
infratores, os executores dessa medida não poderão, de forma
alguma, praticar abusos ou submetê-los a qualquer vexame.

5 FINALIDADE DA INSERÇÃO SOCIAL

As medidas sócio-educativas objetivam ressocializar o menor


infrator para a convivência social, desejando que cumpra
satisfatoriamente as medidas, inserindo-o na sociedade com
novos ideais e perspectivas, de modo a se tornar um adulto
habilitado para conviver de maneira produtiva em seu meio
sócio-familiar.

A ressocialização que se pretende conseguir através das


medidas sócio-educativas visa a integração do menor ao
mundo social, familiar e escolar, por outro lado, não se deve
esquecer que muitas vezes, quem produz a criminalidade é a
própria sociedade.

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Nas lições de Baratta,

Antes de falar em educação e de reinserção social é


necessário, portanto, fazer um exame do sistema de valores e
dos modelos de comportamentos presente na sociedade em
que se quer inserir o preso. Um tal exame não pode senão
levar à conclusão de que a verdadeira reedução deveria
começar pela sociedade, antes que pelo condenado. Antes de
querer modificar os excluídos, é preciso modificar a sociedade
excludente, atingindo, assim a raiz do mecanismo de
exclusão.

O principal objetivo do processo sócio-educativo deve


constituir-se em condição que garanta o acesso do menor as
oportunidades de superação de sua condição de exclusão e
participação na vida social.

O doutrinador Gomes afirma que,

O paradigma ressocializar propugna, portanto, pela


neutralização, na medida do possível, dos efeitos nocivos
inerentes ao castigo, por meio de uma melhora substancial do
seu regime de cumprimento e de execução, e, sobretudo,
sugere uma intervenção positiva no condenado que, longe de
estigmatizá-lo com uma marca indelével, o habilite para se
integrar e participar da sociedade, de forma digna e atuar,
sem traumas ou condições especiais .

Portanto, na reintegração social, a sociedade tem um papel


fundamental, pois é nesse retorno ao meio social que aqueles
que cometeram uma infração e foram afastados do convívio
comum vai se reinserir.

A criminologia consegue revelar que a prisão, a pena em que


gera o sistema punitivo, não só produz efeitos de
dessocialização como também cria problemas e dificuldades
ao regresso do recluso à comunidade.

No mesmo sentido o Promotor de Justiça Raimundo


Cavalcante de São Luis – MA, esclarece que:

A ressocialização é algo muito difícil, ou quase impossível, e


isso não é só no Maranhão. Hoje possuímos várias medidas
sócio-educativas elencadas no ECA, mas quase nenhuma
conseguem chegar a sua finalidade de reinserção do menor ao
meio social. Por exemplo, temos a unidade de Internação
provisória no Vinhais, é a melhor com condições mínimas dada
pelo Estado, o menor fica lá por um período de 45 dias e
depois é transferido para a Unidade de internação definitiva
na Maiobinha, que não tem condições alguma de receber
menores, imagina com a finalidade de ressocialização. As
medidas de privação de liberdade são hoje as piores opções
para se tentar combater a criminalidade entre os menores em
nosso país.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Estatuto da Criança e do Adolescente concebe todas as


medidas sócio-educativas a partir de uma perspectiva de
ressocialização do adolescente infrator, que com base na lei,
que são sujeitos de direitos. Desta forma, as entidades que
executam as medidas sócio-educativas devem
obrigatoriamente observar o que dispõe a Lei. 8.069/90.

As medidas sócio-educativas, especificamente semiliberdade e


internação, reforçam ainda mais a exclusão social e a
manutenção de valores para uma conduta desviada. É por
todas essas razões que se conclui que essas medidas têm uma
eficácia invertida, produzindo um aumento da reincidência
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criminal.

Desta forma, acredita-se que dificilmente se chegará a (re)


inserção social do menor infrator em ambientes em que são
submetidos hoje, sem oportunizar propostas pedagógicas e
trabalhistas ao menor infrator, considerando enfim, que não
se chegará a despertá-los para novas perspectivas de vida.

REFERÊNCIAS

BARATTA, Alessandro. Criminologia Crítica e Crítica do Direito


Penal: Introdução à Sociologia do Direito Penal. Tradução
Juarez Cirino dos Santos. 3 ed. Rio de Janeiro: Revan, 2002.

BATISTA, Nilo. Introdução Crítica ao Direito Penal Brasileiro. 5


ed. Rio de Janeiro: Revan, 2001.

CAVALCANTE, Raimundo Nonato Sousa. O menor Infrator, as


medidas sócio-educativas e a sua reinserção social em São Luís
- MA. Entrevistadores: Ana Letícia Nepomuceno Léda e Thaisa
Pamara Sousa Jansen. 2ª Vara da Infância e Juventude. São
Luís, 2009.

FERNANDES, Márcio Mothé. Ação sócio-educativa pública –


inovação do Estatuto da Criança e do Adolescente. 2 ed. rev.
ampl. atual. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2002.

GONÇALVES, Uthânia Vanderlene. O menor Infrator em São


Luís. Entrevistadores: Ana Letícia Nepomuceno Léda e Thaisa
Pamara Sousa Jansen. 2ª Vara da Infância e Juventude. São
Luís, 2009.

ISHIDA, Váter Kenji. Estatuto da Criança e do Adolescente –


doutrina e jurisprudência. 6 ed. São Paulo: Altlas, 2005.

LEAL, César Barros. Prisão: Crepúsculo de uma era. 2 ed. Belo


Horizonte: Del Rey, 2001.

LIBERATI, Wilson Donizeti. Comentários ao Estatuto da Criança


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MELO, Floro de Araújo. A história da história do menor no


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MOLINA, García-Pablos de; GOMES, Luiz Flávio Gomes.


Criminologia. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000.

PASSETTI, Edson; IZIQUE, Maria Claudia P.; Arruda, Rinaldo S.


V. e outros. Org.: José J. Queiroz. O mundo do menor
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PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da Criança e do Adolescente:


uma proposta interdisciplinar. Rio de Janeiro: Renovar, 1996.

SARAIVA, João Batista Costa. Direito Penal Juvenil:


adolescente e ato infracional – garantias processuais e
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Livraria do Advogado, 2002.

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Cortez. 1997.

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