Você está na página 1de 16

RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”

CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

DA EXPANSÃO COMERCIAL À EMPRESA AGRÍCOLA


● Ocupação econômica da América em contexto de expansão comercial da Europa
● A Espanha, através do ouro e prata no México e nos Andes, viabilizou
economicamente suas colônias importantes mais depressa que Portugal
● A ameaça de outras nações, como a França, acelerou a colonização do Brasil.
● No Brasil, priorizou-se a exploração agrícola, primeira tentativa séria de praticar a
agricultura comercial nas Américas. Não se havia ainda encontrado metais
preciosos.

FATORES DE ÊXITO DA EMPRESA AGRÍCOLA


● Os portugueses já tinham experiência com a plantação canavieira em suas
possessões atlânticas.
● Com a quebra do monopólio veneziano no refino do açúcar, emergiram concorrentes
na Holanda e Flandres
● Refino e distribuição da produção açucareira no Norte da Europa; holandeses
focados no comércio intra-europeu; contribuíram com o capital necessário para a
instalação de engenhos
● A solução escravagista africana para o problema da mão-de-obra nos canaviais
proporcionou fonte extra de renda para ambas as partes

RAZÕES DO MONOPÓLIO
● O frete na Espanha (pontuando Sevilha) era muito custoso. Trata-se de instalar
sistemas econômicos que produzissem excessos periodicamente transferidos para
a metrópole;
● Crescimento do Estado e do déficit comercial espanhol. Crise espanhola no século
XVII
● A Espanha tinha terras melhores e mais próximas da Europa para produzir açúcar
para concorrer com Portugal (a mais óbvia, Cuba), mas não o fez.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

DESARTICULAÇÃO DO SISTEMA
● União Ibérica. Guerra contra holandeses e flamencos
● Holandeses: hegemonia no comércio marítimo europeu até cerca de 1730
● A distribuição e produção de boa parte dos produtos coloniais portugueses
(notadamente o açúcar) tiveram percalços dado o afastamento dos tradicionais
parceiros nórdicos
● Ocupação holandesa do Nordeste, principal zona produtora. Os holandeses, nesse
período, adquiriram conhecimentos técnicos, posteriormente utilizados em suas
colônias caribenhas e no Suriname
● Queda do preço do açúcar e quebra do Monopólio

AS COLÔNIAS DE POVOAMENTO NO HEMISFÉRIO NORTE

● Crescimento de Holanda, França e Inglaterra no século XVII


● Esses últimos se apossam de Ilhas no Caribe com objetivos militares;
● Inglaterra tinha vantagem no recrutamento de colonos, devido à intolerância política
e religiosa.
● A América do Norte enquanto colônias não foram bem-sucedidas frente às
dificuldades de encontrar bons artigos de exportação
● As Antilhas, em contrapartida, apresentavam artigos promissores: algodão, anil, café
e fumo.

CONSEQUÊNCIAS DA PENETRAÇÃO DO AÇÚCAR NAS ANTILHAS

● Carência de mão de obra europeia nas plantações de fumo caribenhas, que


passaram a importar escravos africanos
● Os holandeses, expulsos do Brasil, instalaram um novo núcleo produtor de açúcar,
com mais investimentos e maior proximidade à Europa
● Fim das colônias de povoamento inglesas e francesas no Caribe. Parte dos colonos
migra para as colônias setentrionais, que exportavam trigo para o Caribe
● As ilhas, por sua vez, destilavam bebidas alcoólicas, exportando-as
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

ENCERRAMENTO DA ETAPA COLONIAL

● Portugal perdeu diversos entrepostos comerciais no Oriente durante a União Ibérica,


tendo alienado, na esteira da retomada de sua autonomia em relação à Espanha,
parte de sua soberania à Inglaterra; torna-se praticamente um vassalo econômico
● Boa parte do ouro achado no Brasil terminou por ser transferido, ainda que
indiretamente, para a Inglaterra,
● Ouro: ensejou a expansão demográfica no Brasil e o financiamento do
desenvolvimento manufatureiro inglês
● Privilégios ingleses em relação a Portugal estenderam-se ao Brasil, quando a família
real para cá se deslocou em 1808
● O esforço diplomático para a consolidação da independência brasileira acarretou
importantes dificuldades econômicas, como no plano das finanças públicas
● O café, mais adiante, facilitou a ampliação de relações com os EUA.

ECONOMIA ESCRAVISTA DE AGRIC. TROPICAL: SÉCULOS XVI E XVII

CAPITALIZAÇÃO E NÍVEL DE RENDA NA COLÔNIA AÇUCAREIRA

● Favores governamentais a quem instalasse engenhos na Colônia


● Mão de obra nativa foi, na primeira etapa, relevante
● Forte concentração de renda nas mãos dos proprietários de engenho

FLUXO DE RENDA E CRESCIMENTO

● Escravo africano substituiu amplamente os nativos, de recrutamento mais incerto e


menos eficientes
● Quase toda a renda monetária advinha de exportações. Os gastos monetários
convergiam para as importações.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

● Diante da vasta extensão de terras, grande potencial de crescimento agrícola

PROJEÇÃO DA ECONOMIA AÇUCAREIRA: PECUÁRIA

● Economia canavieira justificava a existência de outras atividades produtivas, face à


extrema especialização da economia açucareira
● Nova Inglaterra construía seus barcos de pesca, o que favoreceu o acesso ao
mercado das Antilhas
● São Vicente se especializou no complexo exploratório-militar, fator decisivo para a
ocupação de áreas centrais da América do Sul
● Carne era artigo de suma importância, assim como lenha e animais de tração
● Criação de gado era totalmente diferente da plantação de cana: mais interiorizada e
itinerante.

FORMAÇÃO DO COMPLEXO ECONÔMICO NORDESTINO

● Crescimento essencialmente extensivo. Não havia grandes mudanças de


produtividade
● Disparidade na dependência de importações de mão-de-obra e equipamentos
● Couro era a única fonte de renda de muitos criadores de gado
● Renda real no Nordeste caiu constantemente até o século XIX. A população
continuou a crescer graças à oferta estável de alimento.

CONTRAÇÃO ECONÔMICA E EXPANSÃO TERRITORIAL

● Século XVII: dificuldades políticas para a Colônia


● Exportação de cravo, canela, baunilha, cacau e resinas aromáticas da região
amazônica
● Região do Prata representava ameaça aos criadores de gado. A
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

● Colônia do Sacramento RD

POVOAMENTO E ARTICULAÇÃO DAS REGIÕES MERIDIONAIS

● Crise na cana de-açúcar estimulou procura por metais preciosos


● Protagonismo dos paulistas a respeito, que conheciam bem o interior
● Primeira migração espontânea de Portugal para o Brasil.
● Escravos podiam trabalhar por contra própria e alcançar a liberdade
● Maior mobilidade social em relação ao Complexo Nordestino-Açucareiro
● Desenvolvimento da Pecuária no Sul. Feira de muares (Sorocaba)
● Sistema de transporte mais complexo (distância do litoral) –> maior mercado para
animais de carga
● Interdependência com regiões mais ao Sul (São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande
do Sul e Sacramento).

FLUXO DE RENDA

● Base econômica entre Serra da Mantiqueira, Cuiabá e Goiás


● Exportação de ouro atingiu seu ápice em 1760, já experimentando declínio em
seguida
● Mercado maior que na região açucareira
● População mais reunida em núcleos urbanos e semi-urbanos
● Nenhum desenvolvimento manufatureiro
● Portugal, dependente do ouro brasileiro,não desenvolveu manufaturas, comprando-
as da Inglaterra
● Inglaterra passou a conseguir saldar suas dívidas relacionadas a matérias primas no
norte da Europa através da venda de produtos manufaturados
● Bancos Ingleses fortalecem sua posição. Aumentam as reserrvas monetárias,
essenciais nas Guerras Napoleônicas.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

REGRESSÃO E EXPANSÃO DA ÁREA DE SUBSISTÊNCIA

● Não houve tentativas sérias de solucionar a falta de ouro, como aconteceria na


Austrália, um século depois
● Fricções sociais menos graves, devido ao menor grau de dependência do trabalho
do escravo africano
● Adoção do regime de subsistência na região.

ECONOMIA DE TRANSIÇÃO PARA O TRABALHO ASSALARIADO

O MARANHÃO E A FALSA EUFORIA DA ÉPOCA COLONIAL

● Baixíssima renda per capita


● Maranhão e Pará isolados dos outros sistemas macroeconômicos
● Pará: sistema extrativista florestal
● Maranhão: alguma articulação pecuarista ao Nordeste. Sucesso no final do século
XVIII (algodão em substituição ao do sul dos EUA)
● Companhia de Comércio (Marquês de Pombal)
● Guerra de Independência dos EUA reduziu oferta de algodão
● Transtornos nas produções tropicais de colônias (Ex: açúcar e café no Haiti)
● Guerras Napoleônicas e desarticulação do Império Espanhol
● Crescimento do uso do algodão na indústria têxtil britânica;
● Prosperidade da pecuária até a independência.

PASSIVO COLONIAL, CRISE FINANCEIRA E INSTABILIDADE

● Contatos diretos com a maioria dos mercados


● Tratados com a Grã Bretanha em 1810 – Limitação à autonomia brasileira, posição
reforçada com novos tratados em 1827
● Assme parte da dívida externa portuguesa
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

● Classe comerciante incipiente (e principalmente lusitana) frente a agroexportadores


● Agroexportadores pressionam por livre mercado
● Britânicos não se abriram aos produtos brasileiros, concorrentes de suas Antilhas
● Fortes tensões com os ingleses no tocante ao trafico atlantico de africanos
● Redução da autoridade central, problemas econômicos na Bahia, em Pernambuco e
Maranhão, com queda substancial da renda per capita. Tensões refletidas em
rebeliões armadas de Norte a Sul;
● Surge o café (década de 1830). Solidez financeira nas proximidades da capital,
atuando como força agregadora;
● Parco aparelho fiscal trouxe dificuldades para o Governo. Guerra no Uruguai trouxe
mais um problema de natureza fiscal
● Contendas urbanas em relação aos comerciantes portugueses.D

CONFRONTO COM O DESENVOLVIMENTO DOS EUA

● Pressão sobre a taxa de câmbio


● Não era possível adotar a política protecionista dos EUA (base econômica interna
consolidada)
● Nos EUA, a cena era dominada por pequenos agricultores e grandes comerciantes
urbanos
● Alexander Hamilton (Protecionista) X Visconde de Cairu (Liberal)
● Indústrias que não competissem com as inglesas eram fomentadas desde o período
colonial
● Produção de ferro nos EUA para redução da dependência dos países do Báltico
● Consciência independente desde cedo. Construção naval local desde muito cedo
(período colonial). Guerra de Independência só estimulou ainda mais o
desenvolvimento dessas características;
● Transtornos napoleônicos ajudaram ainda mais (necessidade da Grã-Bretanha de
achar novos mercados)
● Experiência técnica + lucidez dos dirigentes (founding fathers);
● Grandes plantações de algodão (primazia dos têxteis na primeira Revolução
Industrial)
● Abertura do meio-oeste, abrindo espaço para a imigração europeia massificada
● Balança comercial inicialmente deficitária, mas com o tempo equilibrada
● Dívidas de longo prazo através de bônus federais e estaduais
● Construção da infraestrutura e estímulo a atividades básicas.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

DECLÍNIO A LONGO PRAZO DO NÍVEL DE RENDA NA PRIMEIRA METADE DO


SÉCULO XIX

● Iniciativas siderúrgicas falharam por falta de mercado consumidor


● Pequeno consumo em declínio, decadência do artesanato têxtil
● Impossibilidade de estabelecimento de cotas de importação e importação de
maquinário
● Estancamento das exportações
● Baixa de 40% no preço das exportações. Importações da Grã-Bretanha com preço
estável.
● Não houve aumento da taxa de urbanização.

GESTAÇÃO DA ECONOMIA CAFEEIRA

● Não era possível desenvolvimento com base no mercado interno, faltavam capitais
externos para promover uma economia estagnada
● Mercado do açúcar nada promissor (concorrência de Cuba e do açúcar de beterraba
europeu)
● Algodão também estagnado (EUA – com exceção do período da Guerra de
secessão- e Índia)
● Fumos, couros, cacau e arroz eram mercados menores
● Café era o produto ideal. Já havia produção local desde o início do século XVIII
(chegou em Belém do Pará)
● Concentração perto do RJ, beneficiada pela (relativa) desagregação da economia
mineira
● Grau de capitalização mais baixo do que o da indústria açucareiro;
● Nova classe empresária decisiva para o futuro desenvolvimento do país.
● Criação de um mercado razoável na Capital.

O PROBLEMA DA MÃO-DE-OBRA – OFERTA INTERNA POTENCIAL

● Inelasticidade da oferta de trabalho


RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

● População escrava não tinha crescimento vegetativo no Brasil. Condições de vida


precárias
● Tráfico interno estimulado, especialmente das regiões algodoeira e de subsistência
● Também vieram para as plantações alguns escravos urbanos
● Pensou-se em importar mão-de-obra asiática (chinesa), mas Mauá propôs a
imigração europeia (fator racista também determinante).

O PROBLEMA DA MÃO DE OBRA – A IMIGRAÇÃO EUROPEIA

● Exemplo dos EUA


● Colônias iniciais não deram certo, pois os europeus não eram acostumados ao
sistema plantation
● Muitos foram para os EUA pelo baixo preço das passagens e, especialmente, pela
expansão de seu mercado
● Ideia de Vergueiro de ligar colonos a produtos já importantes começou a solucionar
o problema, mas semiescravidão trouxe outros, inclusive de política externa (com os
países de origem);
● Governo Imperial passou a incumbir-se dos gastos de viagem dos imigrantes;
● Regime de trabalho menos servil
● Crise na Itália pós-unificação ajudou na oferta
● Base da expansão cafeeira ao Oeste Paulista.

O PROBLEMA DA MÃO DE OBRA – TRANSUMÂNCIA AMAZÔNICA

● Muitos nordestinos deslocam-se para a Amazônia


● Base da economia local formada por especiarias, como o cacau
● Surgimento da borracha, ligada à crescente indústria de motores (segunda metade
do século XIX)
● Produção inicialmente extrativa, rápido aumento da demanda
● Preços altos graças à pouca oferta até a Primeira Guerra Mundial
● Nordestinos: alternativa à imigração europeia.
● População continuava crescendo na região açucareira devido à boa oferta de
alimento;Mão-de-obra pouco exigente. Enorme desgaste humano nos seringais.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

MÃO DE OBRA – ELIMINAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO

● Estabilidade estrutural. Seu fim gerou hecatombe social


● Não constitui per se destruição nem criação de riqueza
● Mudança enorme no fator organizacional. Não há mera transformação de escravos
em assalariados
● Diferentes soluções no Nordeste e no Sudeste
● Recuperação temporária do açúcar brasileiro. Redução na procura de mão-de-obra
● Mais oportunidades no Sul, mas incapacidade dos ex-escravos em responder a
estímulos econômicos
● Escravo vislumbraria o ócio, só trabalharia o suficiente para viver;
● Segregação
● “Escravidão era um entorpecimento ao desenvolvimento econômico do país”.

NÍVEL DE RENDA E RITMO DE CRESCIMENTO NA SEGUNDA METADE DO


SÉCULO XIX

● Alto crescimento econômico durante o período. Exportações aumentaram em 214%


● Açúcar e algodão tiveram menores aumentos relativos na exportação, sendo o
Nordeste, logo, menos favorecido pelo crescimento;
● Houve certa baixa na renda per capita nordestina;
● Alguns setores de subsistência, como o da erva mate no Paraná, experimentaram
crescimento vigoroso;
● O Rio Grande do Sul deu impulso à pecuária para o mercado interno, além de
produzir vinho e porcos, dos quais se aproveitava especialmente a banha;
● Forte aumento populacional no Sul, também com aumento da produtividade;
● Região do café cresceu mais que o Nordeste, mas menos que o Sul, com grandes
movimentos demográficos internos, na direção de SP e RS;
● Bom crescimento a renda per capita na região cafeeira (nisso melhor que o Sul);
● Bahia – cacau surge como alternativa à cana e fumo goza de grande mercado na
Europa;
● Pouco crescimento populacional e na renda per capita, no entanto;
● Amazônia – borracha teve grande importância, inclusive nacional, no final do século
XIX (15% das exportações brasileiras);
● Crescimento acentuado da renda per capita na região, assim como das importações;
● Crescimento de renda maior que o da Europa Ocidental, mas menor que o dos EUA.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

O FLUXO DE RENDA NA ECON. DO TRABALHO ASSALARIADO

● Estrutura muito distinta e menos estável que a escravidão


● Assalariados gastam boa parte de sua renda em consumos proprietários retêm parte
de sua renda para aumento de capital
● Aumento de impulso externo melhora o uso de fatores de produção internos
● Como salários, ainda que estáveis, eram superiores aos de outros setores da
economia, muita gente vinha para a região
● Crescimento da importância relativa dos assalariados.

A TENDÊNCIA AO DESEQUILÍBRIO EXTERNO

● Impossibilidade de adaptar-se às regras do padrão-ouro;


● Intercâmbio per capita maior que tenda monetária per capita;
● Economia sujeita a oscilações bastante agudas;
● Ouro como “moeda internacional”;
● Quando procura monetária supera as exportações, passamos a ter
desequilíbrio. Usar reservas metálicas fez-se necessário;
● Crise em países dependentes -> queda no valor das exportações. Lenta
queda nos preços de mercadorias importadas = crise.
● Achava-se, erroneamente, que as finanças brasileiras funcionavam como as
europeias.

A DEFESA DO NÍVEL DE EMPREGO E A CONCENTRAÇÃO DE RENDA

● Elevação de salário médio refletia aumento na produtividade;


● Para os aumentos ocorrerem, eram necessários aumentos dos investimentos em
capital
● Não havia grandes pressões por aumentos nos salários, fazendo com que aumentos
de capital na renda dos proprietários
● Grande oferta de terras levou à produção extensiva.
● Pouco estímulo para aumento da produtividade;
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

● Flutuação dos preços: expansões e contrações na renda dos proprietários;


● Mudanças cambiais mudam o poder aquisitivo externo da moeda nacional;
● Socialização das perdas e concentração dos lucros do café no início do século XX;
● Crises tinham decorrências mais graves em países dependentes;
● Manutenção de nível de exportações = manutenção no nível de emprego.

A DESCENTRALIZAÇÃO REPUBLICANA E A FORMAÇÃO DE NOVOS GRUPOS DE


PRESSÃO

● Salário real das populações urbanas era particularmente afetado por variações
cambiais;
● Imposto de importação era cobrado a taxa fixa de câmbio
● Boa parte do ouro ia para o serviço da dívida externa, emitindo-se moeda para
manutenção de serviços públicos básicos
● Muitos empréstimos externos para manutenção da taxa de câmbio;
● Adstringência de meios de circulação na transição Império-República, devido ao
crescimento do comércio exterior e ao fim da escravidão
● Aumento de divergências e ao fim do período imperial: grande X pequena
propriedade
● Maior demanda por serviços públicos no sul do país
● Revolução de 1889 prega a autonomia regional
● Permissão da emissão de moeda aos bancos regionais -> expansão do crédito
● Depreciação cambial;
● Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda de Campos Salles (1898-1902) adotou base
mais crítica em sua política econômica;
● Deflação e aumento das exportações de borracha = equilíbrio externo;
● Grupos industriais não gostam da depreciação cambial, pois dificulta a aquisição de
fatores produtivos importados (aparelhos e algumas matérias-primas);
● Tensão entre Governo Federal e Governos Estaduais nos primeiros decênios do
século XX.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

ECONOMIA DE TRANSIÇÃO PARA UM SISTEMA INDUSTRIAL

A CRISE DA ECONOMIA CAFEEIRA

● Imigração era feita basicamente através do Estado de São Paulo (descentralização)


● Muito e fácil crédito
● Grande crescimento na oferta de café brasileiro (75% da produção mundial)
● Contração artificial da oferta
● Queda dos preços na última década do século XIX
● Estoques se avolumaram
● Convênio de Taubaté -> valorização artificial do café
● -> Governo compraria excedentes
● -> Financiamentos de empréstimos estrangeiros
● -> Novo imposto
● -> Desencorajamento de expansão das plantações existentes
● Pressões de vários grupos, devido à socialização de perdas
● Falta de alternativas ao café – aumento da produtividade (grande vantagem relativa)
● Crise Mundial derrubou de vez o valor do café (1929)
● Desequilíbrio estrutural entre oferta e procura
● Pressão inflacionária
● Crise = fim de reservas metálicas e fuga de capitais

OS MECANISMOS DE DEFESA E A CRISE DE 1929


● Socialização de perdas
● Depreciação cambial
● Retenção de estoque, expansão do crédito
● Procura inelástica do café no mercado internacional
● Programa de fomento da renda nacional e manutenção do emprego
● Brasil superou a crise já em 1933 (EUA o fizeram apenas em 1934, parcialmente).
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

DESLOCAMENTO DO CENTRO DINÂMICO

● Desequilíbrio externo -> elevação do preço de artigos importados;


● Diminuição das importações
● Situação inédita: preponderância do setor ligado ao mercado interno no processo de
formação de capital
● Migração de capital para outros setores
● Indústria e agricultura superam rapidamente os efeitos da crise;
● Atividades ligadas ao mercado interno recebiam novos investimentos,
aproveitamento mais intenso da capacidade instalada;
● Compra de equipamentos de segunda mão de empresas quebradas pela crise no
exterior
● Crescimento da procura por bens de capital
● Capacidade de importação não se recuperou nos anos 30
● Crescimento de 50% na produção industrial entre 1929 e 1937
● Substituição de importações
● Produtores para o setor interno x exportadores.

O DESEQULÍBRIO EXTERNO E SUA PROPAGAÇÃO

● Barateamento de produtos de produção interna


● Taxa cambial ganhou mais importância
● Valorização cambial = problemas de competitividade do setor industrial.
● Pressão por rebaixamento da taxa cambial graças a sucessivos saldos positivos na
balança de pagamentos
● Na Segunda Guerra, houve fixação da taxa cambial
● Capacidade produtiva e exportações em crescimento
● Redução de renda per capita de 10% entre 1937 e 1942
● Dificuldades de transporte para importação e exportação
● “Sobreesforço de guerra”
● Aumento de despesas militares, diminuição de subsídios;
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

● Baixa geral da produtividade


● Começo da Guerra: desemprego, capacidade produtiva não utilizada em diversos
países
● Inflação
● Favorecimento aos exportadores
● Preços das importações crescem com menor rapidez
● Revalorização da moeda brasileira.

REAJUSTAMENTO DO COEFICIENTE DE IMPORTAÇÕES

● Volta ao nível de gastos em importações de 1929


● Controles seletivos de importações. Intensificação do processo de industrialização
do país
● Redução relativa de manufaturas acabadas de consumo, em benefício de bens de
capital e matérias-primas
● Intensificação do processo de crescimento do pós-guerra;
● Baixa relativa de preços devida ao aumento da produtividade beneficiou a população
em geral
● Desvalorização cambial seria péssima para a indústria, mas boa para importadores
e exportadores. Seria recuperado o equilíbrio oferta-procura de produtos importados
● Houve também crescimento do mercado e isso ajudou
● Não houve uma simples transferência do setor exportador para o setor interno
● Setor industrial era o maior absorvedor de divisas geradas.

OS DOIS LADOS DO PROCESSO INFLACIONÁRIO


● Aumento da eficácia marginal das inversões nas indústrias;
● Declínio do crescimento a partir de 1953;
● Inflação neutra -> sem efeitos reais
● Guerra da Coreia -> pressão inflacionária
● Mecanismo de ampliação dos desequilíbrios provenientes do exterior – setor
primário.
RESUMO DE “FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL”
CELSO FURTADO, 1ª EDIÇÃO, 1959

PROF. FLAVIO MIGOWSKI

PERSPECTIVA DOS “PRÓXIMOS DECÊNIOS”

● Transferência do centro dinâmico para o mercado interno (acerto parcial)


● Modificação do papel do comércio exterior (acerto)
● Argentina: grande crescimento entre 1900 e 1929 continuaria
● Sul torna-se um mercado mais importante para o Nordeste que o exterior (acerto
parcial)
● Fluxo de mão-de-obra do lugar menos produtivo (Nordeste) para o mais produtivo
(Sudeste)
● Monocultura prejudica a produtividade do Nordeste