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PROFESSOR: PAULO LACERDA (Orçamento Público) AULAS

Capitulo 1

1.A P R E S E N T A Ç Ã O
O orçamento público é uma lei que, entre outros aspectos, exprime, em termos financeiros, a alocação, a
distribuição e a estabilização dos recursos públicos.
Trata-se de um instrumento de planejamento que espelha as decisões políticas, estabelecendo as ações
prioritárias para o atendimento das demandas da sociedade, em face da escassez de recursos. Apresenta
múltiplas funções - de planejamento, contábil, financeira e de controle. As receitas e as despesas, para serem
realizadas, têm que estar, respectivamente, previstas e autorizadas na lei orçamentária anual.

1.2 CONCEITOS BÁSICOS


1.2.1 O que é o Orçamento Público?
O Orçamento Geral da União (OGU) prevê todos os recursos e fixa todas as despesas do Governo
Federal, referentes aos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
As despesas fixadas no orçamento são cobertas com o produto da arrecadação dos impostos federais,
como o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), bem como das
contribuições, como o da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, que é calculado
sobre o faturamento mensal das empresas, nas vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de
serviços de qualquer natureza, e bem assim do desconto na folha que o assalariado paga para financiar sua
aposentadoria. Os gastos do governo podem também ser financiados por operações de crédito - que nada
mais são do que o endividamento do Tesouro Nacional junto ao mercado financeiro interno e externo. Este
mecanismo implica o aumento da dívida pública.
As receitas são estimadas pelo governo. Por isso mesmo, elas podem ser maiores ou menores do que foi
inicialmente previsto.
Se a economia crescer durante o ano, mais do que se esperava, a arrecadação com os impostos também
vai aumentar. O movimento inverso também pode ocorrer.
Com base na receita prevista, são fixadas as despesas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Depois que o Orçamento é aprovado pelo Congresso, o governo passa a gastar o que foi autorizado. Se a
receita do ano for superior à previsão inicial, o governo encaminha ao Congresso um projeto de lei pedindo
autorização para incorporar e executar o excesso de arrecadação. Nesse projeto, define as novas despesas que
serão custeadas pelos novos recursos. Se, ao contrário, a receita cair, o governo fica impossibilitado de
executar, em regra, o orçamento na sua totalidade, o que exigirá corte nas despesas programadas.
A inflação crônica, antes do Plano Real, distorcia o orçamento. Quando o governo elaborava a proposta
orçamentária, previa uma taxa anual de inflação, a fim de corrigir as dotações orçamentárias para que elas
mantivessem o valor real. Mas na última década, por causa da inflação crônica e ascendente, essa taxa
estimada quase sempre era menor que a inflação efetivamente ocorrida no ano. Com isso, o processo
inflacionário corroia as dotações orçamentárias.
Por exemplo, se o orçamento previa um determinado valor para a construção de uma estrada federal,
quando o recurso era liberado, o seu valor real (ou seja, descontada a inflação do período) não era mais
suficiente para a execução da obra. Esse problema gerou inúmeras distorções, como a paralisação de projetos
pela metade ou a construção de estradas de péssima qualidade.

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1.3. CICLO ORÇAMENTÁRIO


No Brasil, como na maioria dos países de regime democrático, o processo orçamentário reflete a co-
responsabilidade entre os poderes, caracterizando-se por configurar quatro fases distintas
O ciclo orçamentário, também conhecido como processo orçamentário, pode ser definido como um
processo de caráter contínuo e simultâneo, por meio do qual se Elabora, Aprova, Executa e Controla,
Avalia e Fiscaliza a programação de dispêndios do setor público nos aspectos físico e financeiro. Logo, o
ciclo orçamentário corresponde ao período de tempo (4 anos para o mandato e 2 anos para a Lei
Orçamentária Anual – LOA) em que se processam as atividades típicas do orçamento público, desde sua
concepção até a apreciação final.
Nos próximos capítulos, relataremos o ciclo orçamentário da LOA, pois esta lei é a mais cobrada em
concursos, segundo entendimento majoritário da doutrina.
Capitulo 2
2.1 ELABORAÇÃO
1ª etapa do 1º ANO de ciclo orçamentário
1 - a elaboração e consolidação da proposta são feitas no âmbito do Poder Executivo;
Como é feito o Orçamento?
O Orçamento é elaborado pelos três poderes da República e consolidado pelo Poder Executivo. Ele
precisa ser equilibrado, ou seja, não pode fixar despesas em valores superiores aos recursos disponíveis. Essa
limitação obriga o governo a definir prioridades na aplicação dos recursos estimados. As metas para a
elaboração da proposta orçamentária são definidas pelo Plano Plurianual (PPA) e priorizadas pela Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Por força do disposto no § 5º do artigo 165 a Constituição Federal, a lei orçamentária anual
compreenderá o orçamento fiscal, o de investimentos das empresas estatais e o da seguridade social.
O projeto do Plano Plurianual precisa ser elaborado pelo governo e encaminhado ao Congresso Nacional,
para ser discutido e votado, até o dia 31 de agosto do primeiro ano do mandato de cada presidente, como
determina a Constituição. Depois de aprovado, o PPA é válido para os quatro anos seguintes. O PPA
estabelece as diretrizes, objetivos e metas, de forma regionalizada, da administração pública federal.
O § 1º do artigo 165 da Constituição Federal preceitua que: “a lei que institui o plano plurianual
estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para
as despesas de capital e outras delas de correntes, e para as relativas aos programas de duração
continuada.”
A finalidade do PPA, em termos orçamentários, é a de estabelecer objetivos e metas que comprometam o
Poder Executivo e o Poder Legislativo a dar continuidade aos programas na distribuição dos recursos. O PPA
precisa ser aprovado pelo Congresso até o final do primeiro ano do mandato do presidente eleito. O controle
e a fiscalização da execução do PPA são realizados pelo sistema de controle interno do Poder Executivo e
pelo Tribunal de Contas da União. O acompanhamento e a avaliação são feitos pelo Ministério do
Planejamento e Orçamento.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prioriza as metas do PPA e orienta a elaboração do Orçamento
Geral da União, que terá validade para o ano seguinte. O projeto da LDO é elaborado pelo Poder Executivo,
sob a direção do MPO e a coordenação da Secretaria de Orçamento Federal (SOF), e precisa ser
encaminhado ao Congresso até o dia 15 de abril de cada ano. O projeto da LDO tem como base o PPA e deve
ser apreciado pelo Congresso Nacional até 17 de julho de cada exercício (caso não seja, os parlamentares não
terão o recesso parlamentar). Depois de aprovado, o projeto é sancionado pelo Presidente da República.
“Nos termos do § 2º do artigo 165 da Constituição Federal, "a lei de diretrizes orçamentárias
compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital
para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as
alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais
de fomento.”

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Com base na LDO, a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) elabora a proposta orçamentária para o ano
seguinte, com a participação dos Ministérios (órgãos setoriais) e as unidades orçamentárias dos Poderes
Legislativo e Judiciário. Por determinação constitucional, o governo é obrigado a encaminhar o projeto de lei
do orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. Acompanha a proposta uma
mensagem do Presidente da República, na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e
suas perspectivas, observando os seguintes procedimentos:
1a Etapa: Entre os meses de janeiro e maio, na Secretaria de Orçamento Federal – SOF –, é desenvolvida a
análise da série histórica da execução dos últimos exercícios, para definição dos limites de gastos por unidade
orçamentária da União.
2a Etapa: No mês de junho, os órgãos setoriais apresentam uma proposição detalhada relativa às suas
programações em:
Atividades - envolvendo o montante de recursos necessários para assegurar a manutenção da execução das
ações atualmente desenvolvidas para a prestação de serviços à comunidade;
Despesas Obrigatórias - relativas a despesas com pessoal, ao serviço da dívida, benefícios previdenciários.
3a Etapa: Com a estimativa da Receita a ser arrecadada e o montante de gastos projetados para o exercício
na 2ª Etapa, define um limite adicional e o remete aos órgãos para complementar a sua programação
orçamentária, compreendendo:
Expansão de atividades - os valores necessários para expansão dos serviços;
Projetos - gastos requeridos para aumento da capacidade física de atendimento ou inserção de uma ação nova
nas atribuições dos órgãos.
Para saber mais
Os orçamentos podem se originar do:
 Legislativo – é o orçamento cuja elaboração, votação e aprovação são da competência do poder
legislativo, cabendo ao poder executivo sua execução;
 Executivo – é o orçamento cuja elaboração, aprovação, execução e controle são da competência do
poder executivo;
 Misto – é o orçamento cuja elaboração e execução ocorre no âmbito do poder executivo, cabendo ao
legislativo a aprovação e controle.
Para saber mais
Os orçamentos podem ter os seguintes aspectos:
 Aspecto político – diz respeito a sua característica de plano de governo ou programa de ação do grupo
ou facção partidária que detém o poder;
 Aspecto jurídico – define a lei orçamentária no conjunto de leis do país;
 Aspecto econômico – é o resultado decorrente da evolução das características políticas do orçamento
onde o melhor plano é aquele que resulta em maior produção com menor gasto;
 Aspecto financeiro – é caracterizado como meio efetivo e normal da execução orçamentária pelo
fluxo monetário das entradas das receitas e das saídas das despesas.
 Aspectos administrativos – faz uma referência ao mérito na hora da decisão, no tocante à arrecadação
das receitas e, principalmente, a execução das despesas, parte fundamental da Administração Pública.
2.2 TIPOS DE ORÇAMENTO E NATUREZA JURÍDICA
Conceito de orçamento público.
Tradicionalmente o orçamento é compreendido como uma peça que contém apenas a previsão das
receitas e a fixação das despesas para determinado período, sem preocupação com planos governamentais de
desenvolvimento, tratando-se assim de mera peça contábil - financeira. Tal conceito não pode mais ser
admitido, pois, conforme vimos no módulo anterior, a intervenção estatal na vida da sociedade aumentou de
forma acentuada e com isso o planejamento das ações do Estado é imprescindível.

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Hoje, o orçamento é utilizado como instrumento de planejamento da ação governamental, possuindo um


aspecto dinâmico, ao contrário do orçamento tradicional já superado, que possuía caráter eminentemente
estático.
Para Aliomar Baleeiro, o orçamento público “é o ato pelo qual o Poder Executivo prevê e o Poder
Legislativo autoriza, por certo período de tempo, a execução das despesas destinadas ao funcionamento dos
serviços públicos e outros fins adotados pela política econômica ou geral do país, assim como a arrecadação
das receitas já criadas em lei”.
Natureza jurídica do orçamento.
Apesar de todas as divergências existentes na doutrina, hoje é posição dominante, conforme já decidiu
reiteradas vezes o próprio STF, considerar o orçamento como uma lei formal, que apenas prevê as receitas
públicas e autoriza os gastos, não criando direitos subjetivos nem modificando as leis tributárias e
financeiras.
Sendo uma lei formal, a simples previsão de despesa na lei orçamentária anual não cria direito subjetivo,
não sendo possível se exigir, por via judicial, que uma despesa específica fixada no orçamento seja realizada.
Podemos então dar as seguintes características para a lei orçamentária:
. É uma lei formal – formalmente o orçamento é uma lei, mas, conforme vimos acima, em vários casos
ela não obriga o Poder Público, que pode, por exemplo, deixar de realizar uma despesa autorizada pelo
legislativo. Dizemos assim que o orçamento é uma lei formal, pois diversas vezes deixa de possuir uma
característica essencial das leis: a coercibilidade.
. É uma lei temporária – a lei orçamentária tem vigência limitada (um ano).
. É uma lei ordinária – todas as leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) são leis ordinárias. Os créditos
suplementares e especiais também são aprovados como leis ordinárias.
. É uma lei especial – possui processo legislativo diferenciado e trata de matéria específica.
Ratificando
O orçamento compreende quatro aspectos fundamentais:
a)o jurídico, que envolve a natureza do ato orçamentário quanto aos direitos e obrigações que ele gera
à Administração, aos agentes públicos e aos administrados.
b)o político, que indica para qual direção o poder político está atuando, isto é, qual necessidade
coletiva entendeu ser de interesse público e usará, para sua satisfação, o serviço público mediante seu
critério de gasto.
c)o econômico, quanto às diretrizes econômicas e políticas fiscais adotadas em sua elaboração e que se
tornarão postulados a serem seguidos.
d)o técnico-financeiro, estabelecendo metodologias e procedimentos administrativos e contábeis
adotados à persecução dos fins do instrumento orçamentário.
2.2.1 ORÇAMENTO BASE-ZERO OU ESTRATÉGICO:
O orçamento de baixo para cima, como se o orçamento estivesse sendo preparado pela primeira vez.
Todos os gastos propostos devem ser revistos.
A metodologia do OBZ não é adotada no Brasil, em nenhuma das unidades da Federação.
O orçamento de base zero é uma metodologia orçamentária onde exige que todas as despesas dos órgãos
ou das entidades públicas, programas ou projetos governamentais sejam detalhadamente justificadas a cada
ano, como se cada item de despesa se tratasse de uma nova iniciativa do governo.
A cada novo orçamento, as prioridades são abandonadas;
Novo programa, nova justificação;
Visa a economia de despesa.
O foco principal do orçamento de base zero é o controle das despesas de capital (investimentos), ou seja,
parte-se da premissa do que precisa ser feito e não o que seria bom ser feito. Assim sendo, o orçamento torna-
se o mais próximo possível da realidade.
2.2.2 ORÇAMENTO INCREMENTAL

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O orçamento é preparado para um exercício com base no realizado do período anterior, aplicando-se um
percentual de incremento. Constitui-se em mera projeção do realizado para o futuro.
2.2.3 ORÇAMENTO DE DESEMPENHO OU POR REALIZAÇÕES
Uma evolução do orçamento clássico foi o chamado orçamento de desempenho. Neste tipo de
orçamento, o gestor começa a se preocupar com o resultado dos gastos e não apenas com o gasto em si, ou
seja, preocupa-se agora em saber “as coisas que o governo faz e não as coisas que o governo compra”.
Apesar de ser um passo importante, o orçamento de desempenho ainda se encontra desvinculado de um
planejamento central das ações do governo.
Nesse tipo de orçamento, a ênfase era as coisas que o governo fazia, ou seja, o foco era basicamente nos
resultados, com desvinculação entre planejamento orçamento.
Para saber mais
Ênfase no resultado, e não no planejamento;
Evolução do tradicional.
2.2.4 ORÇAMENTO CLÁSSICO OU TRADICIONAL
O orçamento tradicional ou clássico era aquele onde constavam apenas a fixação da despesa e a previsão
da receita, sem nenhuma espécie de planejamento das ações do governo. Era peça meramente contábil –
financeira, um documento de previsão de receita e de autorização de despesas.
Neste tipo de orçamento não havia preocupação com a realização dos programas de trabalho do governo,
preocupando-se apenas com as necessidades dos órgão públicos para realização das suas tarefas, sem se
questionar sobre objetivos e metas.
2.2.5 ORÇAMENTO- PROGRAMA
O orçamento - programa foi introduzido no Brasil através da Lei 4320/64 e do decreto – lei 200/67. O
orçamento–programa pode ser entendido como um plano de trabalho, um instrumento de planejamento da
ação do governo, através da identificação dos seus programas de trabalho, projetos e atividades, além dos
estabelecimento de objetivos e metas a serem implementados, bem como a previsão dos custos relacionados.
A CF/88 implantou definitivamente o orçamento - programa no Brasil, ao estabelecer a normatização da
matéria orçamentária através do PPA, da LDO e da LOA, ficando evidente o extremo zelo do constituinte
para com o planejamento das ações do governo.
2.2.5.1 orçamento tradicional X Orçamento-programa
Do Orçamento Tradicional ao Orçamento Programa Antes do advento da Lei n.º 4.320, de 17/3/64, o tipo
orçamentário utilizado pelo Governo Federal era o chamado orçamento tradicional ou orçamento clássico. O
orçamento clássico se caracterizava por ser um simples documento de previsão de receita e de autorização de
despesas, estas classificadas segundo o objeto de gasto e distribuídas pelos diversos órgãos, para o período de
um ano.
Em sua elaboração não se enfatizava o atendimento das necessidades da coletividade e da Administração;
tampouco se destacavam os objetivos econômicos e sociais a serem alcançados com os gastos.
O orçamento tradicional limitava-se a ser uma relação de despesas cobertas com uma previsão de
receitas, qualquer análise gerencial do papel do Estado ficava bastante prejudicada, a partir dessa
metodologia.
A maior deficiência do orçamento tradicional consistia no fato de que ele não privilegiava um programa
de trabalho ou um conjunto de objetivos a atingir. Apenas dotava um órgão qualquer com as dotações
suficientes para pagamento de pessoal e compra de material de consumo e permanente para o exercício
financeiro, sem maiores preocupações com o objetivo a ser alcançado com o gasto. Os órgãos eram
contemplados no orçamento sobretudo de acordo com o que gastavam no exercício anterior, e não em função
do que se pretendiam realizar (inercialidade).
O orçamento clássico evoluiu para o orçamento de desempenho ou de realizações, onde se buscava saber
“as coisas que o governo faz e não as coisas que o governo compra”. Assim, saber o que a Administração
Pública comprava tornou-se menos relevante do que saber para que se destinava aquela aquisição. O
orçamento de desempenho, embora já ligado aos objetivos, não poderia, ainda, ser considerado um
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orçamento-programa, visto que lhe faltava uma característica essencial, que era a vinculação ao sistema de
planejamento. (ver Quadro 1)
Quadro 1
Orçamento tradicional Orçamento-programa
Dissociado do planejamento É um Elo, do planejamento a programação
Ênfase nos aspectos contábeis Ênfase no planejamento
Classificação do gasto pelas unidades Classificação do gasto funcional-programática
orçamentárias
Não há acompanhamento e medição Há indicadores e padrões de resultados
Visa a aquisição de meios (objeto do gasto) Visa a aquisição de fins (objetivo do gasto)
A adoção do orçamento-programa na esfera federal foi efetivada em 1964, a partir da edição da Lei nº
4.320/64. O Decreto-Lei nº 200, de 23/2/67, menciona o orçamento-programa como plano de ação do
Governo Federal quando, em seu art. 16, determina: “em cada ano será elaborado um orçamento-programa
que pormenorizará a etapa do programa plurianual a ser realizado no exercício seguinte e que servirá de
roteiro à execução coordenada do programa anual”.
O orçamento-programa está intimamente ligado ao Sistema de Planejamento e aos objetivos que o
Governo pretende alcançar, durante um período determinado de tempo.
O orçamento-programa pode ser definido como sendo “um plano de trabalho expresso por um conjunto
de ações a realizar e pela identificação dos recursos necessários à sua execução”. Como se observa, o
orçamento-programa não é apenas documento financeiro, mas, principalmente, instrumento de
operacionalização das ações do governo, viabilizando seus projetos/atividades/operações especiais em
consonância com os planos e diretrizes estabelecidos, oferecendo destaque às seguintes vantagens:
a) melhor planejamento de trabalho;
b) maior precisão na elaboração dos orçamentos;
c) melhor determinação das responsabilidades;
d) maior oportunidade para redução dos custos;
e) maior compreensão do conteúdo orçamentário por parte do Executivo, do Legislativo e do público;
f) facilidade para identificação de duplicação de funções;
g) melhor controle da execução do programa;
h) identificação dos gastos e realizações por programa e sua comparação em termos absolutos e relativos;
i) apresentação dos objetivos e dos recursos da instituição e do inter-relacionamento entre custos e
programas; e
j) ênfase no que a instituição realiza e não no que ela gasta.
2.3 Orçamento público no Brasil.
2.3.1 A Constituição de 1824
Na Constituição Imperial de 1824 surgem as primeiras exigências no sentido da elaboração de
orçamentos formais por parte das instituições imperiais. De acordo com seus termos, só a lei poderia
autorizar o gasto e tal lei deveria ser votada pelo parlamento (Reserva Legal). Era de responsabilidade do
Executivo a elaboração do orçamento, que, depois de pronto, seria encaminhado para aprovação pela
Assembléia Geral (Câmara dos Deputados e Senado). Entretanto, as leis sobre impostos seriam de iniciativa
exclusiva da Câmara dos Deputados.
Em seu artigo 172, a Constituição assim determinava: "O ministro de Estado da Fazenda, havendo
recebido dos outros ministros os orçamentos relativos às despesas de suas repartições, apresentará na Câmara
dos Deputados anualmente, logo que esta estiver reunida, um balanço geral da receita e despesa do Tesouro
Nacional do ano antecedente, e igualmente o orçamento geral de todas as despesas públicas do ano futuro e
da importância de todas as contribuições e rendas públicas."
Entretanto, somente em 1827 foi formulada a primeira lei orçamentária brasileira. Porém, os deficientes
mecanismos arrecadadores a nível de províncias, as dificuldades de comunicação e conflitos com normas
legais, frustraram sua aplicação. O primeiro orçamento brasileiro teria, então, sido aprovado pelo Decreto
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Legislativo de 15-12-1830, que fixava a despesa e orçava a receita das antigas províncias para o exercício de
1831 (de 1.7.1831 a 30.6.1832).
A fiscalização da execução orçamentária foi definida de forma vaga: "... participação da Câmara no
exame da administração passada, e reforma dos abusos nela introduzidos."
2.3.2 A Constituição de 1891
Na Constituição de 1891, que se seguiu à Proclamação da República, houve importante alteração na
distribuição de competências em relação ao orçamento. A elaboração passou a ser privativa do Congresso
Nacional, assim como a tomada de contas dos Executivo (art. 34). Visando auxiliar o Congresso no controle
de gastos, a Constituição Federal instituiu um Tribunal de Contas (art. 39). A iniciativa da lei orçamentária
ficou a cargo da Câmara, mas na realidade "sempre partiu do gabinete do ministro da Fazenda que, mediante
entendimentos reservados e extra-oficiais, orientava a comissão parlamentar de finanças na elaboração da lei
orçamentária".
Com a República, as antigas províncias transformaram-se em Estados regidos por constituições próprias,
o que lhes assegurou grande autonomia, igualmente estendida aos municípios.
Em 1922, por ato do Congresso Nacional, foi aprovado o Código de Contabilidade da União (Decreto
4536/1922), possibilitando o ordenamento dos procedimentos orçamentários, financeiros, contábeis
e patrimoniais da gestão federal. O Código formalizou a prática de o Executivo fornecer ao Legislativo todos
os elementos para que este exercitasse sua atribuição de iniciar a elaboração da lei orçamentária.
No Art. 13 do referido Código lê-se: "O governo enviará à Câmara dos Deputados, até 31 de maio de
cada ano, a proposta de fixação da despesa, como cálculo da receita geral da República, para servir de base à
iniciativa da Lei de Orçamento." Esse artigo deixava claro que a proposta do governo deveria ter a forma de
um projeto de lei acabado, não se assemelhando ao caso americano no qual o Congresso recebia e analisava
as solicitações de dotações por parte dos órgãos.
2.3.3 A Constituição Outorgada de 1934
A Revolução de 1930 representou o rompimento com o passado e a proposta de nova ordem, inclusive
na modernização do aparelho do Estado. A autonomia dos Estados e o federalismo da Constituição Federal
de 1891 cederam lugar à centralização da maior parte das funções públicas na área federal.
A competência para elaboração da proposta orçamentária é atribuída ao Presidente da República. O
Legislativo encarregava-se da votação do orçamento e do julgamento das contas do Presidente, com auxílio
do Tribunal de Contas. A Constituição não colocou limitações ao poder de emendar por parte dos
legisladores, caracterizando-se a co-participação dos dois poderes na elaboração da lei.
2.3.4 A Constituição Decretada de 1937
A Constituição de 1937 foi gerada no regime autoritário do Estado Novo. A proposta orçamentária seria
elaborada por um Departamento Administrativo junto à Presidência da República e votada pela Câmara dos
Deputados e pelo Conselho Federal (uma espécie de Senado com dez membros nomeados pelo Presidente da
República). Na verdade, este último nunca foi instalado e o orçamento sempre foi elaborado e decretado pelo
Executivo.
A competência é do DASP - Depto. Administrativo do Serviço Público. Seu Diretor passou a presidir a
Comissão de Orçamento do Ministério da Fazenda. Após a conclusão do orçamento, este era encaminhado
diretamente ao Presidente para aprovação.
Em 1939 foi instituído o Plano Especial de Obras Públicas e Aparelhamento da Defesa Nacional, cujas
despesas eram cobertas por créditos paralelos ao orçamento geral da União. Em 1943, o Plano Especial foi
transformado em Plano de Obras e Equipamentos, configurando-se, assim, um orçamento paralelo de capital,
ou seja, o Princípio da Unidade foi para o espaço. Observe-se, portanto, que os orçamentos de 1944 e 1945
continham apenas despesas de custeio. Em 1947, com a redução dos recursos provenientes das fontes
especiais, o Plano de Obras foi incorporado ao Orçamento.
2.3.5 A Constituição de 1946
Na Constituição de 1946, com a redemocratização, o orçamento voltou a ser do tipo misto. O Executivo
elaborava o projeto de lei do orçamento e o encaminhava para discussão e votação nas casas legislativas. Os
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legisladores co-participavam com emendas. Entretanto, essa abertura era exagerada, pois as emendas não
exigiam os cancelamentos compensatórios. Como conseqüência, em 1959 o número de emendas foi de 8.572
e, em 1963, alcançou quase 100 mil.
Os dispositivos constitucionais consagraram certos princípios básicos: unidade, universalidade,
exclusividade e especificação, além de evidenciar de forma clara o papel do Tribunal de Contas.
Destaca-se, ainda, que, em 1956, a Presidência da República criou a CEPA - Comissão de Estudos e
Projetos Administrativos - com função de gerar um sistema nacional de planejamento e adequar as
informações orçamentárias a essa finalidade.
A partir de 1964, o Regime Militar, marcadamente autoritário, refletiu novamente no equilíbrio de poder
entre Executivo e Legislativo, especialmente na matéria orçamentária. O quadro de descontrole provocou a
Lei 4.320/64, que impôs sérias restrições à possibilidade de emendar. Veja-se, por exemplo, o art. 33: "Não
se admitirão emendas ao projeto de lei do orçamento que visem a:
o alterar a dotação solicitada para despesa de custeio, salvo quando provada, nesse ponto, a
inexatidão da proposta;
o conceder dotação para o início de obra cujo projeto não esteja aprovado pelos órgãos
competentes;
o conceder dotação para instalação ou funcionamento de serviço que não esteja anteriormente
criado;
o conceder dotação superior aos quantitativos fixados em resolução do Poder Legislativo para
concessão de auxílios e subvenções".
2.3.6 A Constituição de 1967
A Constituição de 1967 terminou por retirar as prerrogativas do Legislativo quanto à iniciativa de leis ou
emendas que criem ou aumentem despesas, inclusive emendas ao projeto de lei do orçamento. Veja-se o teor
do Art. 67: "Não serão de deliberação emendas de que decorram aumentos de despesa global ou de cada
órgão, projeto ou programa, ou que visem modificar o seu montante, natureza e objetivo."
Isso impossibilitava que emendas importantes fossem propostas pelo legislativo. O papel desse Poder
passou a ser de homologar o projeto oriundo do executivo. A Emenda Constitucional nº1 de 1969, mudou
diversos aspectos da Constituição de 67, mantendo, no entanto, os dispositivos sobre orçamento que
limitavam a capacidade de iniciativa do legislativo em leis que gerem despesas e em emendas.
2.3.7 A Constituição de 1988
A Constituição de 1988 trouxe duas novidades na questão orçamentária. Devolveu ao Legislativo a
prerrogativa de propor emendas sobre a despesa no projeto de lei de orçamento e reforçou a concepção que
associa planejamento e orçamento como elos de um mesmo sistema.
A CF/88 determinou que questões como: exercício financeiro, prazos, vigência, elaboração, organização
dos orçamentos, das normas de gestão financeira e patrimonial seja objeto de disciplinamento de Lei
Complementar, até hoje em discussão no CN.
A elaboração de planos plurianuais passou obrigatoriamente a abranger as despesas de capital e demais
programas de duração continuada. Tornou obrigatório também o encaminhamento anual ao Legislativo do
projeto de lei de diretrizes orçamentárias.
Outro aspecto constitucional relevante relaciona-se com os princípios da unidade e da universalidade. A
Constituição de 1988 trouxe melhor entendimento para a questão ao precisar a composição do orçamento
anual que passou a ser integrado pelo orçamento fiscal, orçamento da seguridade social e orçamento de
investimentos das estatais, em função da multiplicidade organizacional e jurídica do setor público,
explicitando quais as receitas e despesas públicas que devem integrar o orçamento público e merecer,
portanto, aprovação legislativa. Este modelo, em linhas gerais segue o princípio da totalidade. A unidade 
orçamentária de todos os órgãos públicos, portanto, deve fundamentar-se segundo uma única política
orçamentária, estruturam-se uniformemente e ajustarem-se a um método único.

Capitulo 3
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2ª etapa do 1º ANO de ciclo orçamentário


3.1 aprovação
A apreciação e votação são feitas pelo Legislativo - no caso do governo federal, o Congresso Nacional
(comissão mista de planos, orçamento público e fiscalização - CMO);
Cuidado: a lei orçamentária anual não passa pelo trâmite normal das leis comuns, visto que a LOA tem
um caráter de lei diferenciada, ou seja, uma lei que tramita por um processo legislativo especial.
Com a estabilização econômica, o orçamento se reveste da maior importância, na medida em que os
valores expressos em termos reais tendem a não ficar defasados, como ocorria no período inflacionário. Em
conseqüência, passa a espelhar, com maior nitidez, a alocação dos recursos, favorecendo o acompanhamento
e a avaliação das ações governamentais, principalmente pelo contribuinte e seus representantes, colaborando
assim, para a construção de um estado moderno, voltado para os interesses da sociedade.
Esta nova realidade demanda a necessidade de difundir amplamente o conteúdo do orçamento, que
expressa o esforço do governo para atender à programação requerida pela sociedade, a qual é financiada com
as contribuições de todos os cidadãos por meio do pagamento de seus tributos, contribuições sociais e tarifas
de serviços públicos.
3.2 planejamento orçamentário: leis orçamentárias:
"É de Competência exclusiva do Poder Executivo iniciar o processo legislativo das matérias pertinentes
ao Plano Plurianual, às Diretrizes Orçamentárias e aos Orçamentos Anuais.
DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
...Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais.
3.2.1 PPA: PLANO PLURIANUAL
A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas
(DOM) da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as
relativas aos programas de duração continuada.
Diretrizes são orientações ou princípios que nortearão a captação, gestão e gastos de recursos durante o
período, com vistas a alcançar os objetivos de Governo no período do Plano.
Objetivos consistem na discriminação dos resultados que se pretende alcançar com a execução das ações
governamentais que permitirão a superação das dificuldades diagnosticadas.
Metas são a tradução quantitativa dos objetivos.
DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
ART 165 § 4º - Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão
elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional.
3.2.2 LDO: LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS
A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal.
DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
Constarão da Lei de Diretrizes Orçamentárias:
– as metas e prioridades da Administração Pública federal, incluindo as despesas de capital para o
exercício subseqüente;
– as orientações a serem seguidas na elaboração do orçamento do exercício subseqüente;
– os limites para elaboração das propostas orçamentárias de cada Poder;
– disposições relativas às despesas com pessoal (art. 169 da CF/88);
– disposições relativas às alterações na legislação tributária;
– política da aplicação das agências financeiras oficiais de fomento;
DISPOSIÇÕES DA LRF
– disposições relativas à administração da dívida pública;
– dispõe sobre o equilíbrio entre receitas e despesas;
9
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– limita as propostas do Poder judiciário e MP;


– regula as transferências de recursos para pessoas físicas e jurídicas;
– Anexo de metas fiscais;
– anexo de riscos fiscais;
A LDO é o instrumento propugnado pela Constituição, para fazer a transição entre o PPA (planejamento
estratégico) e as leis orçamentárias anuais (planejamento operacional).
A LDO tem aspectos:
Constitucionais: arts. 165 a 167;
Legais: Lei de Responsabilidade Fiscal;
Específicos: apresentado pelo seu próprio corpo textual.
3.2.3 LOA: LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL:
DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá:
I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração
direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a
maioria do capital social com direito a voto;
III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da
administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.
§ 6º - O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as
receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira,
tributária e creditícia.
Para saber mais
A loa deve ser enviada contendo:
Mensagem sobre a política econômico-financeira e as dividas consolidada e flutuante;
Dispositivos que autorizam os créditos suplementares e operações de créditos;
Movimentações de recursos (descentralização de créditos e recursos).

3.3 descentralizações de créditos e recursos públicos


Créditos orçamentários: autorização de despesas;
Dotações orçamentárias: limite para a contratação de despesas;
Recurso financeiro: numerário para pgto de despesas;
Cota financeira: limite do numerário disponível;
Destaque: descentralização externa de créditos orçamentários;
Ministério para ministério;
Provisão: descentralização interna de créditos orçamentários;
Unidades orçamentárias para unidades administrativas;
Repasse: descentralização externa de recursos financeiros;
Sub-repasse: descentralização interna de recursos financeiros.

3.4 Princípios Orçamentários


Existem princípios básicos que devem ser seguidos para elaboração e controle do orçamento, que estão
definidas na Constituição, na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, no Plano Plurianual e na Lei de
Diretrizes Orçamentárias.
A Lei nº 4.320/64 estabelece os fundamentos da transparência orçamentária (art. 2o):
"A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa, de forma a evidenciar a política
econômico-financeira e o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios da unidade,
universalidade e anualidade".

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O orçamento público surgiu para atuar como instrumento de controle das atividades financeiras do
governo. Entretanto, para real eficácia desse controle, faz-se mister que a constituição orgânica do orçamento
se vincule a determinadas regras ou princípios orçamentários.
Divergem os escritores na fixação dos princípios e, em conseqüência, torna-se extensa a relação que
apresentam. Entre os principais solicitados pelos tratadistas, destacamos os seguintes:
Anualidade: de conformidade com o princípio da anualidade, também denominado periodicidade, as
previsões de receita e despesa devem referir-se, sempre a um período limitado de tempo. Ao período de
vigência do orçamento denomina-se exercício financeiro. No Brasil, de acordo com o art. 34 da Lei nº
4.320/64, o exercício financeiro coincide com o ano civil: 1º de janeiro a 31 de dezembro;
Unidade: o orçamento deve ser uno, isto é, deve existir apenas um orçamento e não mais que um para
dado exercício financeiro. Visa-se com esse princípio eliminar a existência de orçamentos paralelos;
Universalidade: o orçamento deve conter todas as receitas e todas as despesas referentes aos Poderes da
União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta. (art. 165, § 5º, CF); Princípio pelo
qual o orçamento deve conter todas as receitas e todas as despesas do Estado. Indispensável para o controle
parlamentar, pois possibilita :
a) conhecer a priori todas as receitas e despesas do governo e dar prévia autorização para respectiva
arrecadação e realização;
b) impedir ao Executivo a realização de qualquer operação de receita e de despesa sem prévia
autorização Legislativa;
c) conhecer o exato volume global das despesas projetadas pelo governo, a fim de autorizar a cobrança
de tributos estritamente necessários para atendê-las.
Na Lei 4.320/64, o cumprimento da regra é exigido nos seguintes dispositivos:
  Art.2º A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e da despesa, de forma a evidenciar a
política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios de unidade,
universalidade e anualidade.
 Art.3º A Lei do Orçamento compreenderá todas as receitas, inclusive as operações de crédito
autorizadas em lei.
A Emenda Constitucional n.º 1/69 consagra essa regra de forma peculiar: "O orçamento anual
compreenderá obrigatoriamente as despesas  e receitas relativas a todos os Poderes, órgãos, fundos, tanto
da administração direta quanto da indireta, excluídas apenas as entidades que não recebam subvenções ou
transferências à conta do orçamento”.
Observa-se, claramente, que houve um mau entendimento entre a condição de auto-suficiência ou não da
entidade com a questão, que é fundamental, da utilização ou não de recursos públicos.
Somente a partir de 1988 as operações de crédito foram incluídas no orçamento. Além disso, as empresas
estatais e de economia mista, bem como as agências oficiais de fomento (BNDES, CEF, Banco da Amazônia,
BNB) e os Fundos Constitucionais (FINAM, FINOR, PIN/PROTERRA) não têm a obrigatoriedade de
integrar suas despesas e receitas operacionais ao orçamento público. Esses orçamentos são organizados e
acompanhados com a participação do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG), ou seja, não
são apreciados pelo Legislativo. A inclusão de seus investimentos no Orçamento da União é justificada na
medida que tais aplicações contam com o apoio do orçamento fiscal e até mesmo da seguridade.
Totalidade: Coube à doutrina tratar de reconceituar o princípio da unidade de forma que abrangesse as
novas situações. Surgiu, então, o princípio da totalidade, que possibilitava a coexistência de múltiplos
orçamentos que, entretanto, devem sofrer consolidação, de forma a permitir uma visão geral do conjunto das
finanças públicas.
A Constituição de 1988 trouxe melhor entendimento para a questão ao precisar a composição do
orçamento anual que passará a ser integrado pelas seguintes partes: a) orçamento fiscal; b) orçamento da
seguridade social e c) orçamento de investimentos das estatais. Este modelo, em linhas gerais segue o
princípio da totalidade.

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Exclusividade: o orçamento deve conter apenas matéria orçamentária e não cuidar de assuntos
estranhos, o que, aliás, está previsto no art. 165, § 8º da Constituição.
O princípio da exclusividade foi introduzido no Direito brasileiro pela reforma constitucional de 1926.
Sua adoção como norma constitucional pôs fim às distorções das famosas “caudas orçamentárias”. Exceção
feita à autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de créditos;
Especificação, Especialização ou Discriminação: este princípio tem por escopo vedar as autorizações
globais, ou seja, as despesas devem ser classificadas com um nível de desagregação tal que facilite a análise
por parte das pessoas. De acordo como art. 15 da Lei nº 4.320, 17/3/64, a discriminação da despesa na lei-de-
meios far-se-á, no mínimo, por elementos (pessoal, material, serviços, obras, etc.). As leis de Diretrizes
Orçamentárias também vêm determinando que o Poder Executivo enviará ao Congresso Nacional os projetos
de lei orçamentária e dos créditos adicionais em meio eletrônico com sua despesa regionalizada e
discriminada, no caso do projeto de lei orçamentária, por elemento de despesa;
EXCEÇÃO
DECRETO 93.872/86
Art . 18. As dotações globais consignadas no Orçamento ou em créditos adicionais classificados como
4.1.3.0 - Investimentos em Regime de Execução Especial estão sujeitas para sua utilização, a plano de
aplicação aprovado pelas autoridades definidas no Art. 71 do Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967
e elaborado segundo modelo da Secretaria de Planejamento da Presidência da República, sendo obrigatória
a publicação do respectivo plano no Diário Oficial da União.
Parágrafo único. Somente serão admitidas dotações globais quando se tratar de projetos ou atividades
novos, sem similares que possibilitem experiências quanto ao desdobramento da despesa em seus
respectivos elementos.
Publicidade: o conteúdo orçamentário deve ser divulgado (publicado) através dos veículos oficiais de
comunicação/divulgação para conhecimento público e para a eficácia de sua validade, que é princípio para
todos os atos oficiais do governo. No caso específico, a publicação deve ser feita no Diário Oficial da União;
Equilíbrio: por equilíbrio se entende que, em cada exercício financeiro, o montante da despesa não deve
ultrapassar a receita prevista para o período. O equilíbrio não é uma regra rígida, embora a idéia de equilibrar
receitas continue ainda sendo perseguida, principalmente a médio ou longo prazo. Uma razão fundamental
para defender esse princípio é a convicção de que ele constitui um meio eficaz de limitar o crescimento dos
gastos governamentais e do conseqüente endividamento público;
Orçamento Bruto: todas as parcelas da receita e da despesa devem aparecer no orçamento em seus
valores brutos, sem qualquer tipo de dedução.
A regra pretende impedir a inclusão, no orçamento, de importâncias líquidas, isto é, a inclusão apenas do
saldo positivo ou negativo resultante do confronto entre as receitas e as despesas de determinado serviço
público.
De acordo com o art. 6º da Lei nº 4.320/64, “todas as despesas constarão da Lei de Orçamento pelo seus
totais, vedadas quaisquer deduções”.
Não-Afetação: este princípio está expresso no inciso IV do art. 167 da Constituição Federal, que
estatui: “É vedada a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do
produto da arrecadação a que se referem os arts. 158 e 159 (FPE, FPM, FCO, FNO, FNE”. "São vedados "a
vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da
arrecadação dos impostos a que se referem os arts., 158 e 159, a destinação de recursos para manutenção e
desenvolvimento do ensino (art. 212), prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de
receita, previstas no art. 165, § 8º".), a destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento de ensino,
como determinado pelo art.212 e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita,
previstas no art. 165, § 8º, bem assim o disposto no § 4º deste artigo (vinculação de receitas próprias para
prestação de garantia à União). (O grifo e as observações são nossos.)
Clareza ou Objetividade: O orçamento público deve ser apresentado em linguagem clara e
compreensível a todas pessoas que, por força do ofício ou interesse, precisam manipulá-lo. Exatidão: De
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acordo com esse princípio as estimativas devem ser tão exatas quanto possível, de forma a garantir à peça
orçamentária um mínimo de consistência para que possa ser empregado como instrumento de programação,
gerência e controle. Indiretamente, os autores especializados em matéria orçamentária apontam os arts. 7º e
16 do Decreto-Lei nº 200/67 como respaldo ao mesmo.
Legalidade: Historicamente, sempre se procurou dar um cunho jurídico ao orçamento, ou seja, para
ser legal, tanto as receitas e as despesas precisam estar previstas a Lei Orçamentária Anual, ou seja, a
aprovação do orçamento deve observar processo legislativo porque trata-se de um dispositivo de grande
interesse da sociedade.

Para saber mais


Princípios orçamentários fundamentais.
Legalidade, periodicidade (anualidade), exclusividade, unidade (totalidade) e universalidade.
Princípios orçamentários funcionais ou operacionais
Provocam um processo orçamentário mais racional e eficiente. Esses princípios funcionais incluem o
do equilíbrio, o da especificação, não-
_

Capitulo 4
1. RECEITAS
BALANÇO PATRIMONIAL
 ATIVO (bens e direitos)  PASSIVO (exigências)
 Bens  Passivo
Imóveis Financiamentos
Dinheiro Impostos a Pagar
Estoques Fornecedores
  Salários para pagar
Direitos Patrimônio Líquido (capital próprio)
Títulos a Receber Capital
Depósitos em Bancos Lucros Acumulado

No balanço patrimonial do Estado, o ingresso Receitas Públicas são todos os ingressos de


de receita que não tenha contraprestação no caráter não devolutivo auferidas pelo poder público,
passivo aumentará o patrimônio líquido (PL) da em qualquer esfera governamental, para alocação e
União. Em contrapartida, o ingresso que tenha cobertura das despesas públicas. Dessa forma, todo o
contraprestação no passivo não aumentará o PL ingresso orçamentário constitui uma receita pública,
do Estado. pois tem como finalidade atender às despesas
Receita Pública é uma derivação do conceito públicas.
contábil de Receita agregando outros conceitos 1.2 Classificação
utilizados pela administração pública em virtude de 1.2.1. Quanto ao ingresso
suas peculiaridades. No entanto, essas peculiaridades a) Receita orçamentária:
não interferem nos resultados contábeis É aquela devidamente discriminada na forma da
regulamentados pelo Conselho Federal de Lei nº 4.320/64 e integra o orçamento público. Sua
Contabilidade – CFC, por meio dos princípios arrecadação depende de autorização legislativa,
Fundamentais, até porque, a macro missão da constante na própria lei do orçamento (Lei
contabilidade é atender a todos os usuários da orçamentária anual) e são realizadas através da
informação contábil, harmonizando conceitos, execução orçamentária.
princípios, normas e procedimentos às Os ingressos orçamentários são aqueles
particularidades de cada entidade. pertencentes ao ente público arrecadados
exclusivamente para aplicação em programas e
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ações governamentais. Estes ingressos são A Receita Pública Não-Efetiva é aquela em que
denominados Receita Pública. os ingressos de disponibilidades de recursos foram
Cuidado: nem todas as receitas orçamentárias, precedidos de registro do reconhecimento do direito,
que ingressam nos cofres públicos, afetam o saldo ou de contraprestação no passivo, e por isto não
patrimonial do Estado. alteram a situação líquida patrimonial. (redação
b) Receita extra-orçamentária alterada conforme retificação do Diário Oficial da
Receitas extra-orçamentárias são aquelas que União – 17.05.2004)
não fazem parte do orçamento público. 1.2.3 quanto à procedência:
Como exemplos temos as cauções, fianças, a) Receitas Originárias: São aquelas que
depósitos para garantia, consignações em folha de provêm do próprio EXERCÍCIOS do Estado. Ex:
pagamento, retenções na fonte, salários não Patrimoniais, Agropecuárias, Industriais, de
reclamados, operações de crédito a curto prazo e Serviços.
outras operações assemelhadas. b) Receitas Derivadas: São aquelas obtidas
Sua arrecadação não depende de autorização pelo Estado mediante sua autoridade COERCITIVA.
legislativa e sua realização não se vincula à Dessa forma, o Estado exige que o particular
execução do orçamento. entregue uma determinada quantia na forma de
Tais receitas também não constituem renda para tributos ou de multas.
o Estado uma vez que este é apenas depositário de 1.2.4 QUANTO À CATEGORIA
tais valores. Contudo tais receitas somam-se às ECONOMICA:
disponibilidades financeiras do Estado, porém têm CODIFICAÇÃO DA NATUREZA DA
em contrapartida um passivo exigível que será RECEITA
resgatado quando da realização da correspondente Na elaboração do orçamento público a
despesa extra-orçamentária. codificação orçamentária da natureza da receita é
Em casos especiais, a receita extra-orçamentária composta dos níveis abaixo:
pode converter-se em receita orçamentária. é o caso 1º Nível – Categoria Econômica
de quando alguém perde, em favor do Estado, o 2º Nível – Origem
valor de uma caução por inadimplência ou quando 3º Nível – Espécie
perde o valor depositado em garantia. O mesmo 4º Nível – Rubrica
acontece quando os restos a pagar têm sua 5º Nível – Alínea
prescrição administrativa decorrida. É importante 6º Nível – Subalínea
frisar que cauções, fianças, e depósitos efetuados em 1º Nível – Categoria Econômica
títulos e assemelhados quando em moeda estrangeira Utilizado para mensurar o impacto das
são registrados em contas de compensação, não decisões do Governo na economia nacional
sendo, portanto considerados receitas extra- (formação de capital, custeio, investimentos etc.). É
orçamentárias. codificada e subdividida da seguinte forma:
Os ingressos extra-orçamentários são aqueles 1 - Receitas Correntes;
pertencentes a terceiros arrecadados pelo ente 2 - Receitas de Capital;
público exclusivamente para fazer face às exigências “7 - Receitas Correntes Intra-Orçamentárias;
contratuais pactuadas para posterior devolução. 8 - Receitas de Capital Intra-Orçamentárias;”
Estes ingressos são denominados recursos de
terceiros. Com a Portaria Interministerial STN/SOF n°
1.2.2 quanto à alteração patrimonial: 338, de 26 de abril de 2006, essas categorias
a) Receita Pública Efetiva: econômicas foram detalhadas em Receitas
A Receita Pública Efetiva é aquela em que os Correntes Intra-orçamentárias e Receitas de
ingressos de disponibilidades de recursos não foram Capital Intra-orçamentárias. As classificações
precedidos de registro de reconhecimento do direito incluídas não constituem novas categorias
e não constituem obrigações correspondentes e por econômicas de receita, mas especificações das
isto alteram a situação líquida patrimonial. categorias econômicas: corrente e capital, que
b) Receita Pública Não-Efetiva
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possuem os seguintes códigos: MANUAL DE são compulsórias (tributos e contribuições),


RECEITA NACIONAL provenientes das atividades em que o Estado atua
7. Receitas Correntes Intra-Orçamentárias; diretamente na produção (agropecuárias, industriais
8. Receitas de Capital Intra-Orçamentárias; ou de prestação de serviços), da exploração do seu
2º Nível – Origem próprio patrimônio (patrimoniais), se provenientes
Identifica a procedência dos recursos públicos, de transferências destinadas ao atendimento de
em relação ao fato gerador dos ingressos das receitas despesas correntes, ou ainda, de outros ingressos. No
(derivada, originária, transferências e outras). É a caso das de capital, distinguem-se as provenientes de
subdivisão das Categorias Econômicas, que tem por operações de crédito, da alienação de bens, da
objetivo identificar a origem das receitas, no amortização dos empréstimos, das transferências
momento em que as mesmas ingressam no destinadas ao atendimento de despesas de capital, ou
patrimônio público. No caso das receitas correntes, ainda, de outros ingressos de capital.
tal classificação serve para identificar se as receitas
O nível Origem se classifica em:
Categoria Econômica 1 – Receitas Correntes
1.1 Receita Tributária
1.1.1 Impostos
1.1.2 Taxas
1.1.3 Contribuição de Melhoria
1.2 Receita de Contribuições
1.3 Receita Patrimonial
1.4 Receita Agropecuária
1.5 Receita Industrial
1.6 Receita de Serviços
1.7 Transferências Correntes
1.9 Outras Receitas Correntes
Categoria Econômica 2 – Receitas de Capital
2.1 Operações de Crédito
2.2 Alienação de Bens
2.3 Amortização de Empréstimos
Codificação da receita:
2.4 Transferências de capital
2.5 Outras Receitas de capital
Os demais níveis são específicos para cada receita, conforme veremos mais adiante.
1- Receitas Correntes independente de qualquer atividade estatal específica
Iniciada com o código 1, as receitas correntes relativa ao contribuinte.
são os ingressos de recursos financeiros oriundos das Taxas - as taxas cobradas pela União, pelos
atividades operacionais, para aplicação em despesas Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, no
correspondentes, também em atividades âmbito de suas respectivas atribuições, têm como
operacionais, que não decorre de uma mutação fato gerador o exercício regular do poder de polícia,
patrimonial, ou seja, são receitas efetivas. ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço
1.1 - Receita Tributária - São os ingressos público específico e divisível, prestado ao
provenientes da arrecadação de Impostos, Taxas e contribuinte ou posto à sua disposição, independente
Contribuições de Melhoria. Dessa forma, é uma ou não, da utilização do serviço pelo contribuinte.
receita privativa das entidades investidas do poder Contribuição de Melhoria - a contribuição
de tributar: União, Estados, Distrito Federal e os de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo
Municípios. Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de
Impostos - Imposto é o tributo cuja suas respectivas atribuições, é instituída para fazer
obrigação tem por fato gerador uma situação face ao custo de obras públicas que decorra
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valorização imobiliária, tendo como limite total a qualquer exigência, desde que o objetivo seja a
despesa realizada e como limite individual o aplicação em despesas correntes.
acréscimo de valor que da obra resultar para cada Segue abaixo exemplos de Transferências
imóvel beneficiado. constitucionais passadas pela união e pelos estados
1.2 - Receitas de Contribuições - É o ingresso aos Municípios.
proveniente de contribuições sociais, de intervenção Fundo de Participação dos
no domínio econômico e de interesse das categorias Municípios - FPM
profissionais ou econômicas, como instrumento de O Fundo de Participação dos Municípios é uma
intervenção nas respectivas áreas. As receitas de transferência constitucional (CF, Art. 159, I, b),
contribuições, podem ser definidas da seguinte composto de 22,5% da arrecadação do Imposto de
forma: Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados.
Contribuições Sociais – destinadas ao A distribuição dos recursos aos Municípios é feita de
custeio da seguridade social, que compreende a acordo o número de habitantes.
previdência social, a saúde e a assistência social; São fixadas faixas populacionais, cabendo a
Contribuições de Intervenção no Domínio cada uma delas um coeficiente individual. A Lei
Econômico – derivam da contraprestação à atuação Complementar 62/89 determina que os recursos do
estatal exercida em favor de determinado grupo ou FPM serão transferidos nos dia 10, 20 e 30 de cada
coletividade. mês sempre sobre a arrecadação do IR e IPI do
1.3 – Receita Patrimonial - É o ingresso decêndio anterior ao repasse.
proveniente de rendimentos sobre investimentos do Cota – Parte do ITR - Imposto Territorial
ativo permanente, ou seja, da utilização de bens Rural
pertencentes ao estado, como, aluguéis, Recurso recebido pelos municípios decorrente
arrendamentos, foros, laudêmio, juros, participações da participação na arrecadação do tributo federal
e dividendos. sobre a propriedade territorial (Imposto sobre a
1.4 – Receita Agropecuária - É o ingresso Propriedade Territorial Rural-ITR) incidente sobre
proveniente da atividade ou da exploração os imóveis rurais neles situados.
agropecuária de origem vegetal ou animal. Incluem- 1.9 – Outras Receitas Correntes – São os
se nessa classificação as receitas advindas da ingressos correntes provenientes de outras origens
exploração da agricultura (cultivo do solo), da não classificáveis nas anteriores. Podemos citar
pecuária (criação, recriação ou engorda de gado e de como exemplo destas receitas, as multas e juros de
animais de pequeno porte) e das atividades de mora cobrados sobre os impostos, a receita da
beneficiamento ou transformação de produtos Dívida Ativa, Multas e Juro de mora sobre a
agropecuários em instalações existentes nos próprios arrecadação da dívida Ativa, entre outras receitas.
estabelecimentos. 2 – Receitas de Capital
1.5 – Receita Industrial - É o ingresso Iniciada com o código 2, são receitas que se
proveniente da atividade industrial de extração destinam á cobertura de despesas de capital e
mineral, de transformação, de construção e outras. somente com estas despesas podem ser aplicadas. As
1.6 – Receita de Serviços - É o ingresso receitas de capital são denominadas receita de
proveniente da prestação de serviços de transporte, capital porque são derivados da obtenção de recursos
saúde, comunicação, portuário, armazenagem, de mediante a constituição de dívidas, amortização de
inspeção e fiscalização, judiciário, processamento de empréstimos e financiamentos ou alienação de
dados, vendas de mercadorias e produtos inerentes à componentes do ativo permanente, constituindo-se
atividade da entidade e outros serviços. em meios para atingir a finalidade.
1.7 – Transferências Correntes - É o ingresso 2.1 – Operações de Crédito – São fontes
proveniente de outros entes ou entidades, referente a oriundas da realização de recursos financeiros
recursos pertencentes ao ente ou entidade recebedora advindos da constituição de dívidas, por meio de
ou ao ente ou entidade transferidora, efetivado empréstimos e financiamento, que podem ser
mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem internas ou externas.

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2.2 – Alienação de Bens – São fontes das classificação substitui a anterior com relação aos
Receitas de Capital, captadas por meio da venda de itens Y e Z, em que esses eram classificados como
bens patrimoniais móveis e imóveis. fonte e subfonte, respectivamente.
2.3 – Amortização de Empréstimos – Quanto à categoria econômica, a classificação
Recebimentos de valores dados anteriormente por é a mesma da Lei nº 4320/1964, cabendo destacar a
empréstimos a outras entidades de direito público. distinção entre Receita de Capital e Receita
2.4 – Transferências de Capital – São outras Financeira. O conceito de Receita Financeira surgiu
fontes de recursos recebidas de outras entidades de com a adoção pelo Brasil da metodologia de
direito público ou privado, destinadas a atender apuração do resultado primário, oriundo de acordos
despesas classificáveis em Despesas de Capital. com o Fundo Monetário Internacional - FMI. Desse
Pode ser usado como um exemplo de Transferências modo, passou-se a denominar como Receitas
de Capital, os recursos transferidos do Sistema Financeiras aquelas receitas que não são
Único de Saúde – SUS com o objetivo de atender consideradas na apuração do resultado primário,
despesas classificadas como despesas de capital. como as derivadas de aplicações no mercado
2.5 – Outras Receitas de Capital – São financeiro ou da rolagem e emissão de títulos
destinadas a arrecadar outras receitas de capital que públicos, assim como as provenientes
constituirão uma classificação genérica não Quadro 2
enquadrável nas fontes anteriores. de privatizações, entre outras. Não há um dígito
Receitas Correntes e Receitas de Capital Intra– específico para distinguir as despesas financeiras,
Orçamentárias. mas somente um parâmetro inserido nas rubricas
Considerando que o orçamento deve ser orçamentárias.
consolidado, integrando todas as operações dos A origem refere-se ao detalhamento da
órgãos e entidades da administração direta e indireta, classificação econômica das receitas, ou seja, ao
na estimativa da receita deverão estar contempladas detalhamento das receitas correntes e de capital de
as chamadas Receitas Correntes e Receitas de acordo com a Lei no 4.320, de 1964. Segundo o
Capital ‘Intra–Orçamentárias’, conforme dispõe a MTO-02 2006, a mudança da atual nomenclatura (de
Portaria Interministerial Nº 338, de 26 de Abril de “fonte” para “origem”) deveu-se à imprecisão do
2006, das secretarias do Tesouro Nacional. Segundo conceito existente entre a fonte a que se refere esse
o que dispõe o artigo 1º desta Portaria classificador de receitas e a fonte relacionada com o
Interministerial, são definidas como intra- financiamento das despesas constantes da
orçamentárias as operações que resultem de programação orçamentária. Até 2006, a “fonte”
despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, constante da rubrica das receitas era chamada de
empresas estatais dependentes e outras entidades “fonte originária” para que não fosse confundida
integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade com a classificação por fonte de recursos.
social decorrentes da aquisição de matérias, bens e Os códigos da origem para as receitas correntes
serviços, pagamento de impostos, taxas e e de capital são respectivamente:
contribuições, quando o recebedor dos recursos Receitas Correntes Receitas de Capital
também for órgão, fundo, autarquia, fundação, 1. Receita Tributária 1. Operações de Crédito
empresa estatal dependente ou outra entidade 2. Receita de 2. Alienação de Bens
constante desses orçamentos, no âmbito da mesma Contribuições 3. Amortização de
esfera de governo. Ainda nos termos desta Portaria 3. Receita Patrimonial Empréstimos
Interministerial, a classificação dessas operações na 4. Receita Agropecuária 4. Transferências de
codificação da receita, serão identificadas pela 5. Receita Industrial Capital
substituição dos dígitos relativos ao 1º nível das 6. Receita de Serviços 5. Outras Receitas de
categorias econômicas (1 e 2) pelos dígitos 7, em se 7. Transferências Capital
tratando de receita intra-orçamentária corrente, ou 8, Correntes
em se tratando de receita intra-orçamentária de 9. Outras Receitas
capital, mantendo – se os demais dígitos da Correntes
codificação da receita. Observa-se que esta atual
17
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A espécie constitui um maior detalhamento da Importação, Receita de Outorga de Serviços de


categoria anterior (origem). Essa classificação não Telecomunicações etc.
está relacionada à Lei nº 4.320, de 1964, mas sim à A subalínea constitui o nível mais analítico da
classificação adotada pela SOF/STN (classificação receita, o qual recebe o registro de valor, pela
discricionária). No caso dos tributos, a “espécie” entrada do recurso financeiro, quando houver
relaciona os tipos de tributos previstos na necessidade de maior detalhamento da alínea. Ex.:
Constituição Federal. Segundo o MTO-02 2006, a Receita do Principal da COFINS, Receita do REFIS
mudança da atual nomenclatura (de “subfonte” para da COFINS.
“espécie”) deveu-se também à imprecisão daquele Vamos ver, no quadro 2, um exemplo de uma
conceito, uma vez que alguns entendiam que se classificação de receitas por categoria econômica:
tratava de especificação das fontes de recursos
relacionadas ao financiamento das despesas
constantes da programação orçamentária. Ex.:
Receitas de Impostos, Receitas Imobiliárias, Multas
e Juros de Mora etc.
A rubrica é o nível que detalha a espécie com
maior precisão, especificando a origem dos recursos
financeiros. Agrega determinadas receitas com
características próprias e semelhantes entre si. Ex.:
Impostos sobre o Comércio Exterior, Aluguéis,
Multas e Juros de Mora dos Tributos etc.
A alínea é o nível que apresenta o nome da
receita propriamente dita e que recebe o registro pela
entrada de recursos financeiros. Ex.: Imposto sobre a
Categoria Origem Espécie Rubrica Alínea Subalinea
Corrente Tributaria Impostos Impostos Imposto sobre a xxxxxxxxxxxxxxx
sobre o Importação.
Comércio
Exterior
De capital Transferências Transferências Transferências xxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxx
de Capital Intragovernamentais da União

(ANEXO 3 DA LEI No 4.320, DE 17 DE MARÇO DE 1964)


CÓDIGO ESPECIFICAÇÃO
1000.00.00 Receitas Correntes (categoria econômica)
1100.00.00 Receita Tributária (origem)
1110.00.00 Impostos (espécie)
1111.00.00 Impostos sobre o Comércio Exterior (rubrica)
1111.01.00 Imposto sobre a Importação (alínea)
1111.02.00 Imposto sobre a Exportação
1112.00.00 Impostos sobre o Patrimônio e a Renda
1112.01.00 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural
1112.02.00 Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana
1112.04.00 Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza e Adicional
1112.04.01 Pessoas Físicas (Subalínea)
1112.04.02 Pessoas Jurídicas
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1112.04.03 Retido nas Fontes


1112.04.04 Adicional do Imposto sobre a Renda - Pessoas Físicas
1112.04.05 Adicional do Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas
1112.05.00 Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores
1112.07.00 Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e Doação de Bens e
Direitos
1112.08.00 Imposto sobre Transmissão "Inter Vivos" de Bens Imóveis e de Direitos Reais
sobre Imóveis
1113.00.00 Impostos sobre a Produção e a Circulação
1113.01.00 Imposto sobre Produtos Industrializados
1113.02.00 Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre
Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de
Comunicação
1113.03.00 Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos
ou Valores Mobiliários
1113.04.00 Imposto Provisório sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de
Créditos e Direitos de Natureza Financeira
1113.05.00 Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
1113.07.00 Imposto sobre Vendas a Varejo de Combustíveis Líquidos e
Gasosos
1115.00.00 Impostos Extraordinários
1120.00.00 Taxas
1121.00.00 Taxas pelo Exercício do Poder de Polícia
1122.00.00 Taxas pela Prestação de Serviços
1130.00.00 Contribuição de Melhoria
1200.00.00 Receita de Contribuições
1210.00.00 Contribuições Sociais
1220.00.00 Contribuições Econômicas
1300.00.00 Receita Patrimonial
1310.00.00 Receitas Imobiliárias
1320.00.00 Receitas de Valores Mobiliários
1390.00.00 Outras Receitas Patrimoniais

1400.00.00 Receita Agropecuária


1410.00.00 Receita da Produção Vegetal
1420.00.00 Receita da Produção Animal e Derivados
1490.00.00 Outras Receitas Agropecuárias
1500.00.00 Receita Industrial
1510.00.00 Receita da Indústria Extrativa Mineral
1520.00.00 Receita da Indústria de Transformação
1530.00.00 Receita da Indústria de Construção
1540.00.00 Receita de Serviços Industriais de Utilidade Pública
1600.00.00 Receita de Serviços
1700.00.00 Transferências Correntes
1710.00.00 Transferências Intragovernamentais
1711.00.00 Transferências da União
1712.00.00 Transferências dos Estados
1713.00.00 Transferências dos Municípios
1720.00.00 Transferências Intergovernamentais
19
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1721.00.00 Transferências da União


1721.01.00 Participação na Receita da União
1721.01.01 Cota-Parte do Fundo de Participação dos Estados e do
Distrito Federal
1721.01.02 Cota-Parte do Fundo de Participação dos Municípios
1721.01.04 Transferência do Imposto sobre a Renda Retido nas Fontes (arts. 157, I e
158, I da Constituição)
1721.01.05 Cota-Parte do Imposto sobre a Propriedade Territorial
Rural
1721.01.12 Cota-Parte do Imposto sobre Produtos Industrializados - Estados
Exportadores de Produtos Industrializados
1721.01.30 Cota-Parte da Contribuição do Salário-Educação
1721.01.32 Cota-Parte do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou
Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - Comercialização do Ouro
1721.09.00 Outras Transferências da União
1721.09.01 Transferência Financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios - Lei Complementar no 87/96
1721.09.99 Demais Transferências da União
1722.00.00 Transferências dos Estados
1722.01.00 Participação na Receita dos Estados
1722.09.00 Outras Transferências dos Estados
1723.00.00 Transferências dos Municípios
1730.00.00 Transferências de Instituições Privadas
1740.00.00 Transferências do Exterior
1750.00.00 Transferências de Pessoas
1900.00.00 Outras Receitas Correntes
1910.00.00 Multas e Juros de Mora
1920.00.00 Indenizações e Restituições
1921.00.00 Indenizações
1921.01.00 Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos
1921.02.00 Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais
1921.03.00 Compensação Financeira pela Extração do Óleo Bruto, Xisto Betuminoso e Gás
1921.09.00 Outras Indenizações
1922.00.00 Restituições
1930.00.00 Receita da Dívida Ativa
1931.00.00 Receita da Dívida Ativa Tributária
1932.00.00 Receita da Dívida Ativa não Tributária
1990.00.00 Receitas Diversas
2000.00.00 Receitas de Capital (categoria econômica)
2100.00.00 Operações de Crédito(origem)
2110.00.00 Operações de Crédito Internas(espécie)
2120.00.00 Operações de Crédito Externas
2200.00.00 Alienação de Bens
2210.00.00 Alienação de Bens Móveis
2220.00.00 Alienação de Bens Imóveis
2300.00.00 Amortização de Empréstimos
2400.00.00 Transferências de Capital
2410.00.00 Transferências Intragovernamentais
2411.00.00 Transferências da União
20
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2412.00.00 Transferências dos Estados


2413.00.00 Transferências dos Municípios
2420.00.00 Transferências Intergovernamentais
2421.00.00 Transferências da União
2421.01.00 Participação na Receita da União
2421.09.00 Outras Transferências da União
2421.09.01 Transferência Financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios - Lei Complementar no 87/96
2421.09.99 Demais Transferências da União
2422.00.00 Transferências dos Estados
2422.01.00 Participação na Receita dos Estados
2422.09.00 Outras Transferências dos Estados
2423.00.00 Transferências dos Municípios
2430.00.00 Transferências de Instituições Privadas
2440.00.00 Transferências do Exterior
2450.00.00 Transferências de Pessoas
2500.00.00 Outras Receitas de Capital
2520.00.00 Integralização do Capital Social
2590.00.00 Outras Receitas

É a inscrição, no rol dos devedores, do agente


1.3. ESTÁGIOS DA RECEITA passivo, bem como o crédito fiscal correspondente
O ingresso de recursos na receita possui etapas (importância a ser paga).
ou operações para que sejam cumpridas as normas e É a verificação se há um fato gerador da
os ditames legais pertinentes a matéria. São quatro contribuição.
estágios: Pode ser:
1. Previsão; a)Lançamento direto: cabe ao fisco;
2. Lançamento; “Quando realizado unilateralmente pela
3. Arrecadação; autoridade administrativa, ou seja, sem intervenção
4. Recolhimento. do contribuinte. Exemplos: IPTU, IPVA;”
A seguir, veremos detalhadamente cada estágio de b)Lançamento por homologação: cabe ao
Arrecadação. contribuinte com a homologação do fisco;
1.3.1 Previsão “Quando informado pelo próprio contribuinte e,
São estimativas de Receitas, discutidas e posteriormente, homologado pela autoridade
incorporadas no orçamento, com base em estudos, administrativa. Exemplos: ISS, ICMS.
comparações e planejamento. A previsão da receita Ainda sobre esse tema, cabe mencionar a
deve obedecer normais legais, conforme Lei definição apresentada no Regulamento Geral de
4.320/64, LRF, Portaria Conjunta Nº 2 da STN, Contabilidade Pública, que, por ser mais explícito
entre outras. Os valores das previsões das receitas com referência a este tópico, complementa o
geralmente são previstos com base na variação do assunto ao discriminar como passíveis de
índice de preços/inflação, crescimento econômico; lançamento:
efeitos das alterações na legislação, ampliação da a) os impostos diretos e outras receitas com
base de cálculo; ou qualquer outro fato relevante. vencimentos determinados em leis especiais,
1.3.2 Lançamento regulamentos ou contratos, mediante relações
É o ato administrativo que o poder Executivo nominais dos contribuintes;
utiliza, visando notificar e individualizar o b) os aluguéis, arrendamentos, foros e qualquer
contribuinte ou o devedor e os respectivos valores, outra prestação periódica de serviço pelos bens
espécies e vencimentos. patrimoniais da União;

21
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c) os serviços industriais do Estado, a débito de I - as receitas nele arrecadadas;


outras administrações ou de terceiros, quando não II - as despesas nele legalmente
imediatamente indenizados; empenhadas”.
d) todas as outras rendas, taxas ou proventos 1.3.4 Recolhimento
que decorrerem de direitos pré-existentes do É a transferência, pelos agentes
Estado, contra terceiros ou que se possam originar arrecadadores, desses recursos aos cofres públicos
de direito novo prescrito em lei, regulamento ou competentes, efetivamente, ficando disponíveis para
contrato aprovado ou concluído no decurso do utilização pelos gestores financeiros.
exercício financeiro.” O recolhimento compreende a entrega do
c)Lançamento por declaração: cabe ao produto da arrecadação pelas referidas repartições e
fisco com base em informações prestadas pelo estabelecimentos bancários ao Banco do Brasil para
contribuinte. crédito da Conta Única do Tesouro, referente à
“Quando efetuado pela autoridade Receita da União no Tesouro Nacional (ou bancos
administrativa com a colaboração do próprio estaduais para crédito da Conta Receita Estadual do
contribuinte ou de uma terceira pessoa, obrigada Tesouro Estadual ou da Conta Receita Municipal do
por lei a prestar informações sobre a matéria de Tesouro Municipal, conforme o caso). O
fato indispensável à sua efetivação. Exemplo: recolhimento da receita far-se-á em estrita
Imposto de Renda - IR; observância ao princípio da unidade de caixa, sendo
Para saber mais proibida a criação de caixas especiais (art. 56 da Lei
“O lançamento é um fato contábil, pelo novo no 4.320/64).
entendimento do Conselho Federal de
Contabilidade – CFC, visto que não há entrada de
recurso, mas há o reconhecimento da receita,
contemplando, assim, o regime de competência.”
“Alguns receitas não passam por este estágio, a
exemplo do Imposto de Renda Retido na Fonte
(IRRF).”
1.3.3 Arrecadação
A arrecadação ocorre no instante em que o
contribuinte comparece perante as repartições
públicas ou agentes arrecadadores para pagamento
ou transferência por depósito, geralmente da rede
bancária, das guias de arrecadação.
Precariamente, alguns tributos não percorrem
mais este estágio, pois já são recolhidos diretamente
(art. 52 da lei 4320/64).
Nota: As normas que regem o
reconhecimento dos resultados no Brasil são
bastante precárias e estão consubstanciadas na Lei
4.320/64 que estabelece, no art. 35, como regra
básica desse reconhecimento que:
Nota: apesar da importância não estar ainda
nos cofres públicos, esta já é da união, visto que o
contribuinte já liquidou sua obrigação para com o
Estado.
Nota: segundo a lei 4.320, de 17 de março
de 1964:
“Art. 35 - Pertencem ao exercício
financeiro:
22
PROFESSOR: PAULO LACERDA (Orçamento Público) AULAS

Divida Ativa:
A Dívida Ativa, regulamentada a partir da legislação pertinente, abrange os créditos a favor da
Fazenda Pública, cuja certeza e liquidez foram apuradas, por não terem sido efetivamente recebidos nas datas
aprazadas. É, portanto, uma fonte potencial de fluxos de caixa, com impacto positivo pela recuperação de
valores, espelhando créditos a receber, sendo contabilmente alocada no Ativo. Não se confunde com a Dívida
Passiva, que representa as obrigações do Ente Público para com terceiros, e que é contabilmente registrada no
Passivo e denominada de Dívida Pública.
Para saber mais Dívida Ativa não Tributária são os
“Ter se esgotado todos os prazos fixados para o demais créditos da Fazenda Pública,
seu pagamento pela lei ou por decisão final tais como os provenientes de
prolatada em processo regular.” empréstimos compulsórios,
A Dívida Ativa é uma espécie de crédito contribuições estabelecidas em lei,
público, cuja matéria é definida desde a Lei 4320/64, multa de qualquer origem ou natureza,
sendo sua gestão econômica, orçamentária e exceto as tributárias, foros, laudêmios,
financeira resultante de uma conjugação de critérios alugueis ou taxas de ocupação, custas
estabelecidos em diversos outros textos legais. O processuais, preços de serviços
texto legal referido, que versa sobre normas gerais prestados por estabelecimentos
de direito financeiro e finanças públicas, institui os públicos, indenizações, reposições,
fundamentos deste expediente jurídico-financeiro, restituições, alcances dos responsáveis
conforme seu artigo 39: definitivamente julgados, bem assim os
créditos decorrentes de obrigações em
“Art. 39. Os créditos da Fazenda moeda estrangeira, de sub-rogação de
Pública, de natureza tributária ou não hipoteca, fiança, aval ou outra
tributária, serão escriturados como garantia, de contratos em geral ou de
receita do exercício em que forem outras obrigações legais. (Parágrafo
arrecadados, nas respectivas rubricas incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de
orçamentárias. (Redação dada pelo 20.12.1979).
Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 3º - O valor do crédito da Fazenda
§ 1º - Os créditos de que trata este Nacional em moeda estrangeira será
artigo, exigíveis pelo transcurso do convertido ao correspondente valor na
prazo para pagamento, serão inscritos, moeda nacional à taxa cambial oficial,
na forma da legislação própria, como para compra, na data da notificação ou
Dívida Ativa, em registro próprio, após intimação do devedor, pela autoridade
apurada a sua liquidez e certeza, e a administrativa, ou, à sua falta, na data
respectiva receita será escriturada a da inscrição da Dívida Ativa, incidindo,
esse título. (Parágrafo incluído pelo a partir da conversão, a atualização
Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). monetária e os juros de mora, de
§ 2º - Dívida Ativa Tributária é o acordo com preceitos legais pertinentes
crédito da Fazenda Pública dessa aos débitos tributários. (Parágrafo
natureza, proveniente de obrigação incluído pelo decreto Lei nº 1.735, de
legal relativa a tributos e respectivos 20.12.1979).
adicionais e multas, e § 4º - A receita da Dívida Ativa abrange
os créditos mencionados nos
23
PROFESSOR: PAULO LACERDA (Orçamento Público) AULAS

parágrafos anteriores, bem como os I - apurar a liquidez e certeza da dívida


valores correspondentes à respectiva da União de natureza tributária,
atualização monetária, à multa e juros inscrevendo-a para fins de cobrança,
de mora e ao encargo de que tratam o amigável ou judicial;
art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de II - representar privativamente a União,
outubro de 1969, e o art. 3º do Decreto- na execução de sua dívida ativa de
lei nº 1.645, de 11 de dezembro de caráter tributário.
1978.(Parágrafo incluído pelo Decreto Capítulo IX
Lei nº 1.735, de 20.12.1979). Dos Órgãos Vinculados
§ 5º - A Dívida Ativa da União será Art. 17. Aos órgãos jurídicos das
apurada e inscrita na Procuradoria da autarquias e das fundações públicas
Fazenda Nacional. (Parágrafo incluído compete:
pelo Decreto Lei nº 1.735, de I - a sua representação judicial e
20.12.1979).” extrajudicial;
A Dívida Ativa, regulamentada a partir da II - as respectivas atividades de
legislação pertinente, abrange os créditos a favor da consultoria e assessoramento jurídicos;
Fazenda Pública, cuja certeza e liquidez foram III - a apuração da liquidez e certeza
apuradas, por não terem sido efetivamente recebidos dos créditos, de qualquer natureza,
nas datas aprazadas. É, portanto, uma fonte potencial inerentes às suas atividades,
de fluxos de caixa, com impacto positivo pela inscrevendo-os em dívida ativa, para
recuperação de valores, espelhando créditos a fins de cobrança amigável ou judicial.”
receber, sendo contabilmente alocada no Ativo.
Não se confunde com a Dívida Passiva, que As receitas não arrecadadas e não lançadas
representa as obrigações do Ente Público para com constituirão receita própria do exercício em que
terceiros, e que é contabilmente registrada no forem realizadas. Já a receita lançada e não
Passivo e denominada de Dívida Pública. arrecadada tem seu valor perfeitamente definido: é
Para o caso da União, a Constituição Federal, saldo da conta receita lançada. É esse saldo que
em seu artigo 131, § 3º, atribui expressamente a constitui os resíduos do ativo ou restos a arrecadar.
representação da Dívida Ativa de natureza tributária No Brasil, não se adota o regime de competência
da União à para as receitas (no sistema orçamentário). O saldo,
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN. A portanto, não arrecadado da receita lançada não é
Lei Complementar nº 73 estabelece uma nova apropriado ao exercício ao qual pertence. Entretanto,
situação quando, além de atribuir competência à o valor conhecido dos restos a arrecadar é
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN incorporado ao patrimônio, no ativo permanente,
para apuração da liquidez e certeza da dívida ativa como componente da dívida ativa.
tributária e representação da União em sua Para saber mais
execução, delega as mesmas atribuições às A dívida ativa será inscrita no ativo, seguindo o
autarquias e fundações, em seus artigos nº 12 e nº regime de competência. Assim,
17: As Dívidas Ativas são créditos oriundos da
fazenda pública, podendo ser de origem Tributária
“Capítulo VII ou Não Tributária, que, quando não quitados
Da Procuradoria-Geral da tempestivamente e no seu tempo de acordo com a
Fazenda Nacional legislação própria, devem ser objeto de inscrição
Art. 12. À Procuradoria-Geral da em livros de registros e escriturada no patrimonial
Fazenda Nacional, órgão da entidade como um direito a receber da entidade.
administrativamente subordinado ao Tipos de Dívida Ativa
titular do Ministério da Fazenda, 1. Dívida Ativa tributária
compete especialmente: Entende-se por Dívida Ativa Tributária créditos
da fazenda pública referentes às obrigações legais
24
PROFESSOR: PAULO LACERDA (Orçamento Público) AULAS

relativas a tributos pagos por parte dos contribuintes contabilizada como anulação de receita. Se
do município e respectivos adicionais e multas afins. autorizada e não reclamada até 31 de dezembro, a
2. Dívida Ativa Não Tributária importância será classificada com “ Restituições a
São os demais créditos, muito bem definidos pagar”.
pelo § 2º do art. 39 da Lei Federal Nº 4,320/64, tais As restituições aprovadas em exercícios
como: seguintes, ao qual se refere o tributo, processar-se-ão
Empréstimos compulsórios, contribuições, regulamente como despesas orçamentárias, onerando
contribuições estabelecidas em Lei, multas de dotação própria de restituições e indenizações. Não
qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, sendo pago até 31 de dezembro, o valor será
foros, laudêmios, aluguéis ou taxas de ocupação, transferido para a conta restos a pagar.
custas processuais, preços de serviços prestados por Para saber mais:
estabelecimento públicos, indenizações, reposições,
restituições, alcances dos responsáveis Lei Complementar 101/2000 (LRF)
definitivamente julgados, bem assim os créditos “Art. 14. A concessão ou ampliação de
decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de incentivo ou benefício de natureza
sub-rogação de hipoteca e outras obrigações legais. tributária da qual decorra renúncia de
Inscrição da Dívida Ativa receita deverá estar acompanhada de
A inscrição em divida ativa é o ato estimativa do impacto orçamentário -
administrativo que, depois de verificada a legalidade financeiro no exercício em que deva
da constituição do crédito pelo lançamento, assim iniciar sua vigência e nos dois
como da certeza do objeto e dos valores constituídos seguintes, atender ao disposto na lei de
e apontados na notificação do lançamento que diretrizes orçamentárias e a pelo menos
usualmente ocorre na emissão da cobrança, uma das seguintes condições:
promovendo a transcrição dos créditos I - demonstração pelo proponente de
inadimplentes para registros próprios, ficando a que a renúncia foi considerada na
fazenda pública, assim apta a promover a execução estimativa de receita da lei
fiscal dos inadimplentes. orçamentária, na forma do art. 12, e de
A inscrição da divida ativa não é uma receita e que não afetará as metas de resultados
sim um registro de direito ativo do ente público. O fiscais previstas no anexo próprio da lei
pagamento, por parte do contribuinte inadimplente de diretrizes orçamentárias;
aos cofres públicos, é que será reconhecido como II - estar acompanhada de medidas de
uma receita. compensação, no período mencionado
1.4 RESTITUIÇÕES DA RECEITA no caput, por meio do aumento de
É de iniciativa do contribuinte, através, de receita, proveniente da elevação de
requerimento, solicitar restituição dos valores pagos alíquotas, ampliação da base de
a mais ou indevidamente. Se houver restituição no cálculo, majoração ou criação de
mesmo exercício ao qual se refere o tributo, será tributo ou contribuição.”

25
PROFESSOR: PAULO LACERDA

EXERCÍCIOS a) misto, ou seja, receitas arrecadadas (regime de


1. (TST) Com relação às receitas, julgue os caixa) e despesas empenhadas (regime de
seguintes itens. competência).
__ As chamadas renúncias de receitas, apesar de b) competência, ou seja, receitas e despesas
não representarem dispêndios de recursos, devem orçadas.
ser objeto de estimativa que acompanha o projeto c) caixa, ou seja, receitas recebidas e despesas
de lei orçamentária, de forma a se evidenciarem os pagas.
seus efeitos segundo critério de distribuição d) misto, ou seja, receitas arrecadadas (regime de
regional dessas renúncias. caixa) e despesas orçadas (regime orçamentário).
__ Os recursos correspondentes às dotações e) orçamentário, ou seja, receitas e despesas
orçamentárias destinadas ao Poder Judiciário ser- orçadas e legalmente empenhadas.
lhe-ão entregues até o dia 20 de cada mês, na 5. (TCM SP 2006) No âmbito da Administração
proporção das liberações efetuadas pelo Poder Pública, os estágios da receita pública são,
Executivo às suas próprias unidades respectivamente,
orçamentárias. a) a previsão (estimativa), o empenho (inclusão no
__ A receita extra-orçamentária é representada no orçamento) e a arrecadação (pelo pagamento do
balanço patrimonial como passivo financeiro, por contribuinte).
se tratar de recursos de terceiros que transitam b) o empenho (inclusão no orçamento), a
pelos cofres públicos. arrecadação (pelo pagamento do contribuinte) e a
__ Os empréstimos compulsórios são considerados realização (pelo recebimento da receita).
de natureza tributária, estando o produto de sua c) a previsão (estimativa), a arrecadação (pelo
arrecadação vinculado à despesa que lhe pagamento do contribuinte) e o recolhimento (pelo
fundamentou a instituição. Dependendo de sua crédito na conta de receita proveniente da entrega
modalidade, estarão ou não sujeitos ao princípio do produto da arrecadação).
da anterioridade. d) a dotação (estimativa), a arrecadação (pelo
__ Constituem receitas de capital as receitas pagamento do contribuinte) e o empenho (baixa na
imobiliárias e as intergovernamentais das quais dotação orçamentária pelo recebimento efetivo da
não decorra exigência de contraprestação por parte receita arrecadada).
do beneficiário dos recursos. e) a previsão (estimativa), o recolhimento dos
2. (MESQUITA/RJ) As receitas de concessões e pagamentos dos contribuintes (pelas repartições
permissões são classificadas como: fiscais ou rede bancária) e a realização (pelo
(A) de serviços; (B) patrimoniais; (C) de recebimento da receita).
contribuições; (D)tributárias; (E) 6. (FNDE) As receitas são classificadas quanto à
mobiliárias. afetação patrimonial em efetivas e mutações.
3. (MESQUITA/RJ) Não são classificadas como Assinale a alternativa que apresente,
receitas extra-orçamentárias: respectivamente, uma receita efetiva e uma por
(A) inscrições de despesas empenhadas e não mutação.
pagas em restos a pagar; a) aluguel ativo e empréstimo contraído.
(B) operações de crédito por antecipação de receita b)pessoal ativo e aquisição de bens.
orçamentária; c) alienação de bens e ISS arrecadado. d) IPTU
(C) consignações retidas na folha de pagamento arrecadado e multa arrecadada.
para a previdência geral; e) amortização de empréstimos contraídos e
(D) cauções em dinheiro recebidas para garantia empréstimos concedidos
de execução contratual; 7. (FNDE) O valor das Receitas de Capital com base no
(E) rendimentos de aplicações financeiras em quadro a seguir é:
instituições bancárias. Receita Prev Arreca Recolhi
4. (TCM SP 2006) Identifique a alternativa que s isão dação mento
corresponde ao regime contábil para a apuração Alienaç
2.00
dos resultados na contabilidade pública ão de 1.500 0
0
brasileira, no que tange às receitas e despesas. bens
Dividen 5.00 4.500 4.000
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dos acordo com a programação financeira


recebid 0 estabelecida.
os 11. (SENADO) No que concerne à dívida ativa, é
Emprés correto afirmar que
timos 3.00 __ a mesma passa a gozar de presunção relativa
2.500 2.500 (juris tantum) de certeza e liquidez após a sua
contraíd 0
os regular inscrição.
4.00 __ passa a não mais admitir prova em contrário, já
Multas 3.500 3.500 que, ao Estado, não é mais necessário apresentar
0
14.0 prova para a afirmação de seu crédito.
Total 12.000 10.000 __ a maioria dos autores defende que a
00
a) 2.500. b) 8.500. c) 4.000. d) 10.000. correspondente receita será apropriada no
e) 8.000. exercício em que ocorrer a inscrição.
8. (FNDE) A da Dívida Ativa a ser inscrita __ é constituída dos créditos da Fazenda Pública,
conforme as informações abaixo é: somente de natureza tributária, que deixaram de
tas Previsão Lançamento Arrecadação ser pagos no vencimento, após serem apuradas sua
Recolhimento
al 20.000 18.000 15.000 liquidez e sua certeza, de acordo com a legislação
a) 3.000. b)2.000. c) 5.000. d) 8.000. específica.
e)10.000. __ demanda a utilização de registros próprios, nos
9. (FNDE) As receitas que afetam o resultado quais ficarão assinalados o nome do devedor, seu
econômico do governo apurado na domicílio ou residência, a quantia devida, a origem
Demonstração das Variações Patrimoniais são: e a natureza do crédito, entre outros requisitos
a) todas as de mutação. b) todas as efetivas. c) essenciais.
12. (CGU) Considere os seguintes dados de receitas e
todas as correntes. despesas constantes da proposta orçamentária de um
d)todas as de capital. e) todas as receitas, sejam determinado ente da federação (valores em mil):
correntes ou de capital. Previsão de
10.(SENADO) No que diz respeito aos estágios Receitas
Arrecadação
da receita pública, julgue os itens seguintes. Receitas de Serviços 2.000
__ O artigo 139 do Regulamento de Contabilidade Receitas de Alienação de Bens 3.400
Pública (Decreto Federal n°. 15.783/22), que Receitas de Juros 2.300
regulamentou o Código de Contabilidade Pública Receitas Tributárias 15.300
(Decreto Legislativo n°. 4.536/22), dispõe que a Receitas de Operações de
receita percorrerá os seguintes estágios: fixação, 15.500
Crédito - Contratual
lançamento, arrecadação e recolhimento.
Receitas de Contribuições 12.500
__ A fixação correspondente ao processo de
Receitas de Operações de
estimativas de receitas que se originam de
Crédito – Refinanciamento da 20.000
previsões processadas com elevado grau de
Dívida
segurança e confiabilidade. Nela, fica determinado
Receitas de Dívida Ativa 2.000
o montante máximo a ser obtido junto à sociedade.
__ Lançamento é o ato da repartição competente Despesas Dotação
que verifica a procedência do crédito fiscal e a Despesa de Pessoal 21.000
pessoa que lhe é devedora, inscrevendo-lhe o Despesa de Inversão
13.000
débito. Financeira
__ Arrecadação de receitas públicas pode ocorrer, Despesa de Juros 2.500
muitas vezes, mediante o pagamento de Despesa de Investimentos 7.500
compromissos por meio de depositários, quando Despesa de Amortização 20.000
estes retêm ou descontam de outras pessoas Outras Despesas Correntes 9.000
tributos e contribuições devidos. Com base nos dados apresentados, julgue os
__ Somente após o recolhimento, pode-se dizer itens
que os recursos estão efetivamente disponíveis
para a utilização pelos gestores financeiros, de
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__ A proposta respeita o princípio orçamentário do caráter recorrente das primeiras e esporádico das
equilíbrio, mas apresenta um déficit no orçamento últimas. Do mesmo modo, entre as receitas
corrente. próprias e as receitas de transferências: as
__ O ente ainda poderá incorporar na proposta primeiras são livres, e as últimas, vinculadas.
orçamentária, novas operações de crédito com a __ Receitas imobiliárias e de valores mobiliários
finalidade de realizar despesas correntes, até o constituem receita patrimonial, que se classifica
montante de 5.000, sem desrespeitar a regra de como receita corrente, para qualquer esfera da
ouro estabelecida na Constituição Federal. administração.
__ O superávit do orçamento de capital foi de 1CECC 2B 3 4 5C
1.600. E E A
__ O ente poderá destinar a totalidade da Receita 6A 7C 8 9 10EEC
de Alienação de Bens para pagamento de juros da A B CC
dívida. 11CEE 12EC 1
13.(STF) julgue EC EE 3
__ Uma diferença que usualmente se estabelece E
entre receitas correntes e receitas de capital é o C

2 DESPESA PÚBLICA
Conceito: Conceitua-se como despesa pública o conjunto de dispêndios do Estado ou de outra pessoa de
direito público a qualquer título, a fim de saldar gastos fixados na lei do orçamento ou em lei especial, visando
à realização e ao funcionamento dos serviços públicos. Nesse sentido, a despesa é parte do orçamento, ou seja,
aquela em que se encontram classificadas todas as autorizações para gastos com as várias atribuições e funções
governamentais. Em outras palavras, as despesas públicas formam o complexo da distribuição e emprego das
receitas para custeio e investimento em diferentes setores da administração governamental.
2.1. DIVIDE-SE EM:
a) Despesa Orçamentária: é aquela fixada no orçamento público, logo, para sua realização depende de
autorização legislativa.
b) Despesa Extra-Orçamentária: são aquelas não previstas no orçamento. Sua execução independe de
autorização legislativa. Correspondem à restituição ou entrega de valores arrecadados sob o título de
receita extra-orçamentária. Ex.: devolução de fianças e cauções; recolhimento de imposto de renda
retido na fonte, etc.

2.2. ESTÁGIOS DA DESPESA


Os estágios da despesa são: fixação, programação, empenho, liquidação e pagamento.
a) Fixação: é o montante da despesa autorizada na LOA;
b) Programação: é o cronograma de desembolso e a programação financeira;
c) Empenho: é o ato emanado de autoridade competente que cria para o estado obrigação de pagamento,
pendente ou não de implemento de condição;
d) Liquidação: é a verificação do implemento de condição, ou seja, verificação objetiva do cumprimento
contratual;

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e) Pagamento: é a emissão do cheque ou ordem bancária em favor do credor.

2.3. PODEM SER CLASSIFICADAS:


a) QUANTO A SUA SAÍDA:
Despesa Orçamentária é aquela que depende de autorização legislativa para ser realizada e que não
pode ser efetivada sem a existência de crédito orçamentário que a corresponda suficientemente.
Despesa extra-orçamentária Constituem despesa extra-orçamentária os pagamentos que não
dependem de autorização legislativa, ou seja, não integram o orçamento público. Resumem-se a devolução de
valores arrecadados sob título de receitas extra-orçamentárias.
b) QUANTO À NATUREZA:
Para classificar uma despesa quanto à sua natureza deve-se considerar a categoria econômica, o grupo a
que pertence, a modalidade da aplicação e o elemento.
O código da classificação da natureza da despesa é constituído por seis algarismos, onde:
1º : indica a categoria econômica da despesa;
2º : indica o grupo da despesa;
3º/4º : indicam a modalidade da aplicação; e
5º/6º : indicam o elemento da despesa (objeto de gasto).
Ex.:
X X XX XX
3. 3. 90. 30

categoria econômica (corrente);qual o efeito econômico da despesa


natureza da despesa (outras d. correntes) ; qual classe será o gasto
modalidade (aplicações diretas) ; qual estratégia
elemento (material de consumo) ; quais insumos serão adquiridos
CLASSIFICAÇÃO ECONÔMICA (Art. 12 da Lei 4.320/64): procura fornecer informações para
análise de caráter econômico. Sua ênfase está no efeito dos gastos sobre a economia e na natureza da despesa.
Divide a despesa em:
a) Despesas Correntes: são os gastos de natureza operacional, realizados pela administração pública,
para a manutenção e o funcionamento dos seus órgãos. Não alteram os bens patrimoniais. Não vai
constituir um bem. Ex.: pagamento de pessoal, material de consumo, etc..
b) Despesas de Capital: são gastos efetuados pelo poder público com o objetivo de criar novos bens de
capital, ou mesmo adquirir bens de capital já em uso, por exemplo, execução de obras, compra de
instalações, equipamentos, material permanente dentre outros. Vai alterar os bens patrimoniais.
Desse modo temos:
Despesas Correntes
Despesas de Custeio
Transferências Correntes
Despesas de Capital
Investimentos
Inversões Financeiras
Transferências de Capital”

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A despesa por natureza responde à indagação “o que” será adquirido e “qual” o efeito econômico da
realização da despesa?
3. DESPESAS CORRENTES
DESPESAS DE CUSTEIO
Despesas para manter serviços anteriormente criados, bem como o pagamento de pessoal,
material e contratação de terceiros;
TRANSFERÊNCIAS CORRENTES
Despesas as quais não correspondam contraprestação direta de bens e serviços (cobre as de
custeio).
4. DESPESAS DE CAPITAL
INVESTIMENTOS
Despesa para o planejamento e a execução de obras, inclusive para a aquisição de imóveis ou a
que aumente o capital público.
4.2INVERSÕES FINANCEIRAS
Despesas para a aquisição de bens já em utilização;
Despesas para a aquisição de título de capital de empresas quando a operação não resultar
aumento de capital.
4.3TRANSFERENCIAS DE CAPITAL
Despesas para cobrir as de investimentos e inversões financeiras.

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A modalidade de aplicação destina-se a indicar se os recursos serão aplicados mediante transferência


para outras esferas de Governo, seus órgãos ou entidades, para entidades privadas sem fins lucrativos, outras
instituições ou ao exterior; ou, então, diretamente pela unidade detentora do crédito orçamentário, bem como
outro órgão ou entidade no âmbito do mesmo nível de Governo.
A modalidade de aplicação objetiva, principalmente, eliminar a dupla contagem dos recursos
transferidos.

01. Aposentadorias e Reformas


03. Pensões
04. Contratação por Tempo Determinado - Pessoal Civil
05. Outros Benefícios Previdenciários
06. Benefício Mensal ao Deficiente e ao Idoso
07. Contribuição a Entidades Fechadas de Previdência
08. Outros Benefícios Assistenciais
09. Salário-Família
10. Outros Benefícios de Natureza Social
11. Vencimentos e Vantagens Fixas - Pessoal Civil
12. Vencimentos e Vantagens Fixas - Pessoal Militar
13. Obrigações Patronais
14. Diárias - Civil (1)
15. Diárias - Militar (1)
16. Outras Despesas Variáveis - Pessoal Civil
17. Outras Despesas Variáveis - Pessoal Militar
18. Auxílio Financeiro a Estudantes
19. Auxílio-Fardamento
20. Auxílio Financeiro a Pesquisadores (2)
21. Juros Sobre a Dívida por Contrato
22. Outros Encargos Sobre a Dívida por Contrato
23. Juros, Deságios e Descontos da Dívida Mobiliária
24. Outros Encargos Sobre a Dívida Mobiliária
25. Encargos Sobre Operações de Crédito por Antecipação da Receita
30. Material de Consumo

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32. Material de Distribuição Gratuita


33. Passagens e Despesas com Locomoção
35. Serviços de Consultoria
36. Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física
37. Locação de Mão-de-Obra
38. Arrendamento Mercantil
39. Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica
41. Contribuições
42. Auxílios
43. Subvenções Sociais
44. Subvenções Econômicas
45. Equalização de Preços e Taxas
46. Auxílio-Alimentação (4)
47. obrigações tributárias e contributivas
48. outros auxílios financeiros a pessoas físicas
49. auxílio-transporte
51. Obras e Instalações
52. Equipamentos e Material Permanente
61. Aquisição de Imóveis
62. Aquisição de Bens Para Revenda
63. Aquisição de Títulos de Crédito
64. Aquisição de Títulos Representativos de Capital já integralizado
65. Constituição ou Aumento de Capital de Empresas
66. Concessão de Empréstimos
67. Depósitos Compulsórios
71. Principal da Dívida por Contrato
72. Principal da Dívida Mobiliária Resgatada (3)
73. Correção Monetária e Cambial da Dívida por Contrato
74. Correção Monetária e Cambial da Dívida Mobiliária Resgatada (3)
75. Correção Monetária de Operações de Crédito por Antecipação da Receita
76. Principal da Dívida Mobiliária Refinanciada (3)
77. principal da dívida contratual refinanciado
91. Sentenças Judiciais
92. Despesas de Exercícios Anteriores
93. Indenizações e Restituições
94. indenizações e restituições trabalhistas
95. indenização pelo trabalho de campo
96 ressarcimento de despesas de pessoal requisitado
98 - Investimentos – Orçamento de Investimentos
99 - A Classificar

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Para saber mais


CLASSIFICAÇÃO POR GRUPOS DE NATUREZA DA DESPESA
Classifica as despesas nos seguintes grupos:
1. Pessoal e Encargos;
2. Juros e Encargos da Dívida;
3. Outras Despesas Correntes;
4. Investimentos;
5. Inversões Financeiras;
6. Amortização da Dívida;
7. Outras Despesas de Capital.

Combinação dos Grupos de Despesas e Elementos de Despesa:


GRUPOS EXEMPLOS DE ELEMENTOS
1 - Pessoal e Encargos Sociais 01 - Aposentadorias e Reformas
03 - Pensões
04 - Contratação por Tempo Determinado
05 - Outros Benefícios Previdenciários
11 – Vencimentos e Vantagens Fixas – Pess. Civil
13 – Obrigações Patronais
16 - Outras Despesas Variáveis - Pessoal Civil
17 - Outras Despesas Variáveis - Pessoal Militar
2 - Juros e Encargos da Dívida 21 - Juros sobre a Dívida por Contrato
22 - Outros Encargos sobre a Dívida por Contrato
23 - Juros, Deságios e Descontos da Dív. Mobiliária
24 - Outros Encargos sobre a Dívida Mobiliária
3 - Outras Despesas Correntes 30 - Material de Consumo
32 - Material de Distribuição Gratuita
33 - Passagens e Despesas com Locomoção
35 - Serviços de Consultoria
36 - Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física
37 - Locação de Mão-de-Obra
38 - Arrendamento Mercantil
39 - Outros Serviços de Terceiros – Pess. Jurídica
4 – Investimentos 51 – Obras e Instalações
52 – Equipamentos e Material Permanente
61 – Aquisição de Imóveis
92 – Despesas de Exercícios Anteriores
5 – Inversões Financeiras 61 – Aquisição de Imóveis

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63 - Aquisição de Títulos de Crédito


64 – Aquis. Títulos Repr. Capital já Integralizado

6 – Amortização da Dívida 71 – Principal da Dívida Contratual Resgatado


72 – Principal da Dívida Mobiliária Resgatado
73 – Correção Monetária ou Cambial da Dívida Contratual Resgatada

Para saber mais

c) CLASSIFICAÇÃO INSTITUCIONAL
Classificação Institucional - responde à indagação “quem” é o responsável pela programação?
CLASSIFICAÇÃO INSTITUCIONAL: Esta classificação identifica as instituições (os órgãos e as
unidades) orçamentárias detentoras dos recursos. Sua ênfase é na responsabilidade pelo gasto (o que o órgão
pode gastar e quanto pode gastar).
Ex.: 09 - CHEFIA DO PODER EXECUTIVO
09.01 - GABINETE DO SECRETÁRIO - CASA CIVIL
No caso do Governo Federal, o código da classificação institucional compõe-se de cinco dígitos, sendo
os dois primeiros reservados à identificação do órgão e os demais à unidade orçamentária.
1º 2º 3º 4º 5º
Órgão Unidade Orçamentária
Orçamentário
Exemplos de Órgão Orçamentário e Unidade Orçamentária do Governo Federal:
ÓRGÃO UNIDADE ORÇAMENTÁRIA
26242 Universidade Federal de Pernambuco
Ministério da 26277 Fundação Universidade Federal de Ouro
26000
Educação Preto
26321 Escola Agrotécnica Federal de Manaus
30000 Ministério da Justiça 30107 Departamento de Polícia Rodoviária
Federal
30109 Defensoria Pública da União

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30911 Fundo Nacional de Segurança Pública


39250 Agência Nacional de Transportes
Ministério dos Terrestres - ANTT
39000
Transportes Departamento Nacional de Infra-Estrutura
39252
de Transportes - DNIT

Cabe ressaltar que uma unidade orçamentária não do então Ministério do Orçamento e Gestão e é
corresponde necessariamente a uma estrutura composta de um rol de funções e subfunções
administrativa, como ocorre, por exemplo, com prefixadas, que servem como agregador dos gastos
alguns fundos especiais e com as Unidades públicos por área de ação governamental nas três
Orçamentárias “Transferências a Estados, Distrito esferas de Governo. Trata-se de uma classificação
Federal e Municípios”, “Encargos Financeiros da independente dos programas. Por ser de aplicação
União”, “Operações Oficiais de Crédito”,comum e obrigatória no âmbito dos Municípios, dos
“Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Estados, do Distrito Federal e da União, a
Federal” e “Reserva de Contingência”. classificação funcional permitirá a consolidação
Essa classificação responderá: em qual órgão nacional dos gastos do setor público.
será o gasto A classificação funcional é composta por 5
Reflete a estrutura organizacional e dígitos numéricos: XX.XXX Os dois primeiros
administrativa pública e está estruturada em dois indicam a função, Os três últimos indicam a
níveis: subfunção
a) órgãos setoriais: 1º e 2º dígitos Função: A função representa o maior nível de
Presidência da república agregação das diversas áreas de despesa que
b) unidades orçamentárias: 3º, 4º e 5º competem ao setor público.
dígitos Subfunção: A subfunção representa uma partição
- Gabinete do Presidente da função, visando agregar determinado subconjunto
- Gabinete do Vice-Presidente de despesas e identificar a natureza básica das ações
- Gabinete Civil que se aglutinam em torno das funções. Subfunções
Corresponde aos órgãos e às unidades poderão ser combinadas com funções diferentes
orçamentárias que constituem o agrupamento de daquelas a que estão relacionadas na Portaria no 42,
serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição de 1999. As ações estarão sempre conectadas às
a que serão consignadas dotações próprias. subfunções que representam sua área específica.
Sua vantagem está em permitir a identificação do Haverá possibilidade de matricialidade na conexão
responsável pela execução de determinado programa entre função e subfunção - combinar qualquer função
ou ação governamental. com qualquer subfunção -, mas não na relação entre
ação e subfunção. Deve-se adotar como função
d) CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL aquela que é típica ou principal do órgão. Assim, a
Classificação Funcional - responde à indagação programação de um órgão, via de regra será
“em que área” de ação governamental a despesa será classificada em uma única função, ao passo que a
realizada? A atual classificação funcional foi subfunção será escolhida de acordo com a
instituída pela Portaria no 42, de 14 de abril de 1999, especificidade de cada ação.
Exemplo:

FUNÇÕES SUBFUNÇÕES

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031 - Ação Legislativa


01 - Legislativa
032 - Controle Externo
061 - Ação Judiciária
02 - Judiciária
062 - Defesa do Interesse Público no Processo Judiciário
03 - Essencial à 091 - Defesa da Ordem Jurídica
Justiça 092 - Representação Judicial e Extrajudicial
121 - Planejamento e Orçamento
122 - Administração Geral
123 - Administração Financeira
124 - Controle Interno
125 - Normatização e Fiscalização
04 - Administração 126 - Tecnologia da Informação
127 - Ordenamento Territorial
128 - Formação de Recursos Humanos
129 - Administração de Receitas
130 - Administração de Concessões
131 - Comunicação Social
151 - Defesa Área
05 - Defesa Nacional 152 - Defesa Naval
153 - Defesa Terrestre
181 - Policiamento
06 - Segurança
182 - Defesa Civil
Pública
183 - Informação e Inteligência
07 - Relações 211 - Relações Diplomáticas
Exteriores 212 - Cooperação Internacional
241 - Assistência ao Idoso
08 - Assistência 242 - Assistência ao Portador  de Deficiência
Social 243 - Assistência à Criança e ao Adolescente
244 - Assistência Comunitária
271 - Previdência Básica
09 - Previdência 272 - Previdência do Regime Estatutário
Social 273 - Previdência Complementar
274 - Previdência Especial
301 - Atenção Básica
302 - Assistência Hospitalar e Ambulatorial
303 - Suporte Profilático e Terapêutico
10 - Saúde
304 - Vigilância Sanitária
305 - Vigilância Epidemiológica
306 - Alimentação e Nutrição
331 - Proteção e Benefícios ao Trabalhador
332 - Relações de Trabalho
11 - Trabalho
333 - Empregabilidade
334 - Fomento ao Trabalho
12 - Educação 361 - Ensino Fundamental
362 - Ensino Médio
363 - Ensino Profissional
364 - Ensino Superior
365 - Educação Infantil

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PROFESSOR: PAULO LACERDA

366 - Educação de Jovens e Adultos


367 - Educação Especial
391 - Patrimônio Histórico, Artístico e Arqueológico
13 - Cultura
392 - Difusão Cultural
421 - Custódia e Reintegração Social
14 - Direitos da
422 - Direitos Individuais, Coletivos e Difusos
Cidadania
423 - Assistência  aos Povos Indígenas
451 - Infra-Estrutura Urbana
15 - Urbanismo 452 - Serviços Urbanos
453 - Transportes Coletivos Urbanos
481 - Habitação Rural
16 - Habitação
482 - Habitação Urbana
511 - Saneamento  Básico Rural
17 - Saneamento
512 - Saneamento Básico Urbano
541 - Preservação e Conservação Ambiental
542 - Controle Ambiental
18 - Gestão Ambiental 543 - Recuperação de Áreas Degradadas
544 - Recursos Hídricos
545 - Meteorologia
571 - Desenvolvimento Científico
19 - Ciência e
572 - Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia
Tecnologia
573 - Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico
601 - Promoção da Produção Vegetal
602 - Promoção da Produção Animal
603 - Defesa Sanitária Vegetal
20 - Agricultura 604 - Defesa Sanitária Animal
605 - Abastecimento
606 - Extensão Rural
607 - Irrigação
21 - Organização 631 - Reforma Agrária
Agrária 632 - Colonização
661 - Promoção Industrial
662 - Produção Industrial
22 - Indústria 663 - Mineração
664 - Propriedade Industrial
665 - Normalização e Qualidade
691 - Promoção Comercial
692 - Comercialização
23 - Comércio e
693 - Comércio Exterior
Serviços
694 - Serviços Financeiros
695 - Turismo
721 - Comunicações Postais
24 - Comunicações
722 - Telecomunicações
751 - Conservação de Energia
752 - Energia Elétrica
25 - Energia
753 - Petróleo
754 - Álcool

Dúvidas, sugestões e críticas: pjlacerda@hotmail.com 37


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781 - Transporte Aéreo


782 - Transporte Rodoviário
26 - Transporte 783 - Transporte Ferroviário
784 - Transporte Hidroviário
785 - Transportes Especiais
811 - Desporto de Rendimento
27 - Desporto e Lazer 812 - Desporto Comunitário
813 - Lazer
841 - Refinanciamento da Dívida Interna
842 - Refinanciamento da Dívida Externa
28 - Encargos 843 - Serviço da Dívida Interna
Especiais 844 - Serviço da Dívida Externa
845 - Transferências
846 - Outros Encargos Especiais

e) CLASSIFICAÇÃO PROGRAMÁTICA
Estrutura Programática - responde à indagação “para que” os recursos são alocados? (finalidade). Formada
por 12 (doze) dígitos, separadas de quatro em quatro. (XXXX.XXXX.XXXX.)
Os quatro primeiros dígitos são numéricos e indicam o programa.
Os quatro seguintes indicam a ação. A ação é identificada por um código alfanumérico de 4 dígitos:
1o/2o dígitos numéricos;
3o/4o dígitos alfanuméricos.
Quando o 1o dígito for:
· 1, 3, 5 ou 7, a ação corresponde a um projeto;
· 2, 4, 6 ou 8, trata-se de uma atividade;
· 0, refere-se a uma operação especial;
· 9, corresponderá a uma ação não orçamentária, isto é, ação sem dotação nos orçamentos da União, mas que
participa dos programas do PPA.
Os quatro últimos indicam o subtítulo ou localizador do gasto (subtítulo).

Para saber mais


CLASIFICAÇÃO FUNCIONAL-PROGRAMÁTICA
CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL-PROGRAMÁTICA DA DESPESA –
DETALHADA
DISCRIMINAÇÃO CÓDIGO ESPECIFICAÇÃO
ORÇAMENTÁRIO
01 – FUNÇÃO 01 LEGISLATIVA
SUBFUNÇÃO
01 – PROGRAMA 01.01 PROCESSO LEGISLATIVO
001 – SUBPROGRAMA 01.01.001 Ação Legislativa
1.001 – PROJETO 01.01.001.1.001 Conclusão e Ampliação do
Prédio
2.001 - ATIVIDADE 01.01.001.2001 Elaboração Legislativa
XX XXX XXX XXXX XXXX
AA BBB CCCC DDDD EEEE

função
subfunção
programas

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ações
S subtítulo
CODIFICAÇÃO COMPLETA
ESTADO ESFERA ÓRGÃO UNIDADE FUNÇÃO SUBFUNÇÃO PROGRAMA P/A
SUBTÍTULO IDOC
01 10 22 101 04 015 0087 2154
0001 9999

2.4. RESTOS A PAGAR dezembro, não canceladas pelo processo de análise e


2.4.1 CONCEITO depuração e, que atendam os requisitos previstos em
A Contabilidade Pública cumpre uma função legislação específica, devem ser inscritas em Restos
ordinária, comum à contabilidade empresarial a Pagar, pois se referem a encargos incorridos no
(controle patrimonial e evidenciação da situação próprio exercício.”
financeira, dos resultados do exercício, dos fluxos 2.4.2 CLASSIFICAÇÃO
que alteram a situação financeira e das modificações Entende-se, como Restos a Pagar Processados,
no patrimônio líquido), e outra extraordinária as despesas legalmente empenhadas cujo objeto do
(demonstra a situação das receitas orçamentárias e empenho já foi recebido, ou seja, aquelas cujo
despesas orçamentárias: previsão/fixação, segundo estágio da despesa (liquidação) já ocorreu,
arrecadação, despesas liquidadas, despesas a liquidar, caracterizando-se como os compromisso do Poder
despesas pagas, restos a pagar e resultado Público de efetuar os pagamento aos
orçamentário). No entanto, a função extraordinária é fornecedores.EX.:
mais antiga e, mesmo hoje, é o objeto de maiores EMPENHO: 10/10/2007
preocupações por parte das pessoas e órgãos que OBRIGAÇÃO: fazer uma obra até 31/12/2007
procedem aos registros contábeis, daqueles que SITUAÇÃO ATUAL: liquidada em
prestam contas da aplicação dos recursos e dos que 12/12/2007
examinam essas prestações de contas. VERIFICAÇÃO: 31/12/2007
“Os restos a pagar constituem compromissos  Atitude por parte da administração:
financeiros exigíveis que compõem a dívida flutuante Restos a Pagar Processados, pois o
e podem ser caracterizados como as despesas credor liquidou sua parte faltando
empenhadas, mas não pagas até o dia 31 de apenas o pagamento por parte do estado.
dezembro de cada exercício financeiro. A Inscrição Despesas empenhadas e liquidadas até o fim do
em Restos a Pagar decorre da observância do exercício financeiro.
Regime de Competência para as despesas. Portanto, Define-se, como Restos a Pagar Não
as despesas empenhadas, não pagas até o dia 31 de Processados, as despesas legalmente empenhadas que

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não foram liquidadas e nem pagas até 31 de 3.8 - A liquidação, concomitante ou não com o
dezembro do mesmo exercício, ou seja, verifica que pagamento de Restos a Pagar, será efetuada no
não ocorreu o recebimento de bens e serviços no recebimento do material, na execução de obra ou na
exercício de emissão do empenho. Entretanto, pelo prestação de serviço, independente de requerimento
entendimento da Lei nº 4;.320/64, os restos a pagar de credor, sendo utilizado para registro os eventos
não processados devem ser escriturados como da classe 61.0.XXX, de acordo com a especificação
obrigação. Com esse procedimento a Contabilidade da despesa.
Pública respeita a referida lei, mas fere o Princípio da 3.9 - Após o cancelamento da inscrição da
Competência, o qual define que a despesa só deve despesa em Restos a Pagar, o pagamento que vier a
afetar o resultado do exercício no momento em que ser reclamado será efetuado mediante emissão de
ocorreu o seu fato gerador.EX.: novo empenho, no exercício corrente, a conta de
EMPENHO: 10/10/2007 dotação própria, no elemento de despesas de
OBRIGAÇÃO: fazer uma obra até 31/01/2008 exercícios anteriores.
SITUAÇÃO ATUAL: não liquidada 3.10 - Caso a Unidade tenha dotação e recursos
VERIFICAÇÃO: 31/12/2007 para o pagamento das obrigações inscritas na conta
 Atitude por parte da administração: 2.1.2.1.1.04.00 - Fornecedores por Insuficiência de
Restos a Pagar Não Processados, pois o Créditos/Recursos, utilizar o evento 54.0.378 para a
credor não liquidou sua parte, mas com baixa dessas;
tempo de liquidá-la.
3.4 - As despesas caracterizadas como Restos a
Pagar se distinguem em processadas (liquidadas) e
não processadas (não liquidadas):
3.4.1 - as liquidadas se referem a créditos
empenhados onde o credor já cumpriu todas as
formalidades legais de habilitação do pagamento,
estando representados contabilmente pelas contas do
grupo OBRIGAÇÕES EM CIRCULAÇÃO;
  3.4.2 - as não liquidadas são os empenhos ainda
pendentes e que se encontram em plena execução,
não existindo ainda o direito líquido e certo de
pagamento, sendo representados na contabilidade
pela conta 2.1.2.1.6.02.02 - NÃO PROCESSADOS A
LIQUIDAR.
3.5 - A conta 2.1.2.1.6.02.02 - NÃO
PROCESSADOS A LIQUIDAR, conterá os saldos
remanescentes de Restos a Pagar do exercício
anterior não cancelados pela UG, por meio da
transação NE, que indicará, no campo "ESPÉCIE", a
opção "4". Caso isto não ocorra, serão baixados
automaticamente pelo Sistema por meio do evento
54.1.722.
3.6 - A inscrição em Restos a Pagar será
realizada através do evento 54.1.468, registrando os
valores das despesas orçamentárias.
3.7 - A inscrição das despesas em Restos a Pagar
e efetuada no encerramento de cada exercício de
emissão da respectiva Nota de Empenho e cancelada
ao final do exercício subsequente, permanecendo em
vigor, no entanto, o direito do credor por cinco anos
a partir da inscrição, quando então prescreverá.

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2.4.3 - CANCELAMENTO Em seguida, determina, ao titular de Poder ou


Se a mesma não for paga no exercício seguinte, órgão, que qualquer despesa empenhada nos últimos
deveria ter sua inscrição cancelada. Esse oito meses de seu mandato deve ser totalmente paga
procedimento é admitido nos arts. 69 e 70 do Decreto no exercício, vedando-se, portanto, sua inscrição ou
nº 93.872/86, in verbis: parte dela em Restos a Pagar, a não ser que haja
“Art. 69. Após o cancelamento da inscrição da suficiente disponibilidade de caixa para viabilizar seu
despesa como Restos a Pagar, o pagamento que vier correspondente pagamento.
a ser reclamado poderá ser atendido à conta de “Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão
dotação destinada a despesas de exercícios referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres
anteriores. do seu mandato, contrair obrigação de despesa que
Art. 70. Prescreve em cinco anos a dívida não possa ser cumprida integralmente dentro dele,
passiva relativa aos Restos a Pagar." ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício
A maioria dos entes da federação adotam o seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de
procedimento de cancelar os saldos remanescentes caixa para este efeito.”
dos Restos a Pagar no final do exercício seguinte ao A Lei de Responsabilidade Fiscal não entra no
da sua inscrição. Alguns entes da federação cancelam mérito do que pode ou não ser inscrito em Restos a
somente os Não Processados, enquanto que outros Pagar, mas sim veda a inscrição em Restos a Pagar no
cancelam os Processados e os Não Processados. último ano do mandato do governante sem a
Cabendo lembrar que os Restos a Pagar Processados respectiva cobertura financeira, eliminando de vez as
representam dívidas reais do ente, necessitando, que heranças fiscais do passado. Objetiva-se, ao adotar a
os mesmos sejam registrados no passivo permanente competência para a despesa, o enxugamento das
para compor a dívida fundada do ente. inscrições de restos a pagar no final de cada exercício
2.4.4 - LEI DE RESPONSABILIDADE financeiro.
FISCAL Observe-se, a propósito, que a Lei de Diretrizes
A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Orçamentárias (LDO) define que se considera
Complementar nº 101/2000), em seu art. 1º, identifica contraída a obrigação no momento da formalização
a obediência aos limites e condições da inscrição de do contrato administrativo ou instrumento congênere.
Restos a Pagar como um pressuposto de Assim, essa nova regra se aplica aos restos a pagar
responsabilidade fiscal. In litteris: previstos no art. 36 da Lei nº 4.320/64. O art. 50
“Art. 1º, § 1o A responsabilidade na gestão retoma o princípio da transparência – essencial para o
fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em controle e a fiscalização dos atos públicos, e
que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de determina que as inscrições em Restos a Pagar devem
afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante ... a ser feitas de forma a proporcionar a devida
obediência a limites e condições no que tange ... à transparência das obrigações contraídas:
inscrição em Restos a Pagar."

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“Art. 50. Além de obedecer às demais normas de atender às suas peculiaridades, desde que, é evidente,
contabilidade pública, a escrituração das contas observe os limites traçados pelo Diploma Legal.
públicas observará as seguintes: As DEA’s correspondem a autorizações dadas
V - ... as inscrições em Restos a Pagar ... na lei orçamentária, destinadas a atender a
deverão ser escrituradas de modo a evidenciar o compromissos gerados, conforme o título aduz, em
montante e a variação da dívida pública no período, exercícios anteriores. Foram criadas a fim de se
detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo de desestimular o administrador público a solicitar
credor;” autorizações para a abertura de créditos especiais cujo
O art. 53, que se refere ao Relatório Resumido, objeto contemplasse despesas dessa natureza. Isto
inclui, entre os demonstrativos que o constituem, o porque nem toda despesa empenhada em cada ano
relativo aos Restos a Pagar por Poder ou órgão necessariamente foi nele gerada ou constituída.
mencionado no art. 20 da LRF: Assim, é possível que um dado empenho contemple
“Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido despesas cuja entrega do bem, obra ou serviço tenha
demonstrativos relativos a: ocorrido em anos anteriores. Mas em que hipóteses o
V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e administrador público recorrerá ao empenho à conta
órgão referido no art. 20, os valores inscritos, os de Despesas de Exercícios Anteriores?
pagamentos realizados e o montante a pagar.” A resposta é dada pelo dispositivo referenciado:
Já o art. 55 dispõe que o Relatório de Gestão dispondo que:
Fiscal de cada Poder ou órgão mencionado no art. 20 “As despesas de exercícios encerrados, para as
da LRF deverá conter informações sobre a inscrição quais o orçamento respectivo consignava crédito
de Restos a Pagar: próprio, com saldo suficiente para atendê-las, que se
“Art. 55. O relatório conterá: tenham processado na época própria, bem como os
b) da inscrição em Restos a Pagar, das Restos a Pagar com prescrição interrompida e os
despesas: compromissos reconhecidos após o encerramento do
1) liquidadas; exercício correspondente poderão ser pagos à conta
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por de dotação específica consignada no orçamento,
atenderem a uma das condições do inciso II do art. discriminada por elementos (Ver Anexo da Portaria
41; nº 163/2001), obedecida, sempre que possível, a
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o ordem cronológica.”
limite do saldo da disponibilidade de caixa; Assim três são as hipóteses:
4) não inscritas por falta de disponibilidade de a) despesas com saldo suficiente para atendê-las
caixa e cujos empenhos foram cancelados;” e não processadas no mesmo exercício financeiro: ao
Finalmente, o art. 59 destaca a importância do longo de todo o ano, o Poder Público procede ao
acompanhamento e da fiscalização, pelo Poder empenho de suas despesas, comprometendo-o com
Legislativo, do cumprimento das normas constantes um determinado fornecedor. Ao final do exercício,
da Lei de Responsabilidade Fiscal em relação à conta entretanto, é possível que este fornecedor, por
de Restos a Pagar: motivos diversos, não realize a prestação que se
“Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou obrigou: não entregue o bem, não preste o serviço ou
com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema não realize a obra ou sua etapa. Em outras palavras,
de controle interno de cada Poder e do Ministério tais despesas não se processaram. Nessas situações,
Público, fiscalizarão o cumprimento das normas as alternativas à disposição do administrador público
desta Lei Complementar, com ênfase no que se refere são apenas duas: ou ele mantém o valor empenhado
a: inscrevendo seu beneficiário em restos a pagar; ou
II - limites e condições para ... a inscrição em procede à anulação do empenho correspondente. Na
Restos a Pagar;” hipótese de ele optar por esta última alternativa, o
2.4.5 DESPESAS DE EXERCÍCIOS pagamento que vier a ser reclamado em exercícios
ANTERIORES (DEA’s) futuros (pelo fornecedor) poderá ser empenhada
As DEA’s estão disciplinadas pelo art. 37 da Lei novamente, só que à conta de Despesas de Exercícios
nº 4.320/64. Além desse dispositivo, cada ente da Anteriores.
Federação poderá regulamentar a matéria visando b) restos a pagar com inscrição interrompida:
retomando a situação descrita no item precedente, na
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hipótese de o administrador público, entretanto, optar que reconhecer a dívida, oportunidade em que
por manter o empenho correspondente, inscrevendo-o discriminará, pelo menos, os seguintes elementos:
em restos a pagar, também é possível, por razões • Importância a pagar;
diversas, que o fornecedor não implemente a • Nome, CPF ou CNPJ e endereço do credor;
prestação que se obrigou durante todo o transcorrer • Data do vencimento do compromisso;
do exercício seguinte. Nessa hipótese, o • Causa da inexistência do empenho, no elemento
administrador público poderá cancelar o valor próprio, à conta do orçamento vigente.
inscrito. Se assim ocorrer, o valor que vier a ser Mencione-se ainda que, conforme orienta o
reclamado no futuro pelo fornecedor, também poderá dispositivo em comento, os pagamentos das dívidas
ser reempenhado à conta de Despesas de Exercícios assim reconhecidas deverão obedecer, sempre que
Anteriores. possível, a ordem cronológica.
c) compromissos reconhecidos após o 2.4.5.1 Despesas de Exercícios Anteriores
encerramento do exercício correspondente: em dadas versus Lei de Responsabilidade Fiscal
situações, alguns compromissos são reconhecidos O caput do art. 42 da LC nº 101/2000 assim
pelo administrador público após o término do dispõe:
exercício em que foram gerados. Um bom exemplo “É vedado ao titular de Poder ou órgão referido
dessas situações é o caso de um servidor público cujo no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu
filho tenha nascido em dezembro de um ano qualquer mandato, contrair obrigação de despesa que não possa
mas que somente veio a solicitar o benefício do ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha
salário-família em janeiro do ano subseqüente. Para parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que
proceder ao pagamento das despesas relativas ao mês haja suficiente disponibilidade de caixa para este
de dezembro, é preciso, primeiramente, reconhecê-las efeito”
e, após, empenhá-las à conta de Despesas de 2.5. CRÉDITOS ADICIONAIS
Exercícios Anteriores. Tais despesas, portanto, “SÃO MECANISMOS RETIFICADORES
sofrem o empenho pela primeira vez, diferentemente DE ORÇAMENTO”!
das outras duas situações apontadas, cujos objetos já 5.1 CONCEITO São chamadas de créditos
sofreram empenhos no passado. Quanto às despesas adicionais as alterações qualitativas e quantitativas
relativas ao mês de janeiro e seguintes, serão feitas no orçamento, com três finalidades principais:
empenhadas no elemento de despesa correspondente a) reforçar (aumentar, suplementar) uma dotação
(elemento “09”, de acordo com o Anexo II da existente;
Portaria Interministerial nº 163/2001). b) criar um crédito orçamentário para atender a
Ao proceder o reconhecimento dos despesas não previstas no orçamento;
compromissos, o administrador público ordenará o c) Atender a despesas imprevisíveis e urgentes.
correspondente pagamento, no mesmo processo em

Os créditos adicionais são classificados de acordo com a sua finalidade - em:


a) suplementares: são os destinados a reforço de dotação orçamentária;
b) especiais: são os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária
específica; e

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c) extraordinários: são os destinados a despesas urgentes e imprevisíveis, como as em caso de


guerra, comoção interna ou calamidade pública.
Para saber mais
Importante! A abertura se dá por decreto EXECUTIVO e não por decreto legislativo!
Segue um quadro resumo que ajudará o concursando a identificar as principais características dos créditos adicionais:
Créditos suplementares Créditos especiais Créditos extraordinários
Reforçar (aumentar, Criar crédito para atender Atender a despesas imprevisíveis
suplementar) dotação despesas não fixadas no e urgentes, em decorrência de
Objetivo
orçamentária existente. orçamento. guerra, comoção interna ou
calamidade pública.
Necessária antes da abertura Necessária antes da abertura Independe de autorização
do crédito, podendo constar do crédito, devendo constar legislativa prévia. Quando a
na própria LOA - quando o em lei específica. abertura se der por meio de
legislativo autoriza decreto do Poder executivo, este
Autorização previamente o poder comunicará imediatamente ao
legislativa executivo, através da legislativo.
determinação de um
percentual do orçamento que
poderá ser suplementado –
ou em lei específica.
Autorizados por lei. Autorizados por lei. Na União, por meio de Medida
Abertura Provisória. Nos demais entes,
através de Decreto do Executivo.
O Superávit financeiro; o O Superávit financeiro; o Não é necessária a indicação de
Excesso de arrecadação; o Excesso de arrecadação; o recursos para a abertura de
Anulação total ou parcial de Anulação total ou parcial de créditos extraordinários.
dotação orçamentária ou dotação orçamentária ou
crédito adicional; o crédito adicional; o
Operações de crédito Operações de crédito
Origem de autorizadas e viáveis autorizadas e viáveis
recursos juridicamente; o Recursos juridicamente; o Recursos
que, em decorrência de veto, que, em decorrência de veto,
emenda ou rejeição do emenda ou rejeição do
projeto de Lei orçamentária, projeto de Lei orçamentária,
ficaram sem despesas ficaram sem despesas
correspondentes e a reserva correspondentes e a reserva
de contingência. de contingência.
Desde a sua abertura até o Desde a sua abertura até o
término do exercício término do exercício financeiro.
financeiro. Contudo, se a Contudo, se a autorização for
autorização for promulgada promulgada nos últimos quatro
Desde a sua abertura até o
nos últimos quatro meses meses daquele exercício, poderão
Vigência término do exercício
daquele exercício, poderão ser reabertos no limite dos seus
financeiro.
ser reabertos no limite dos saldos e incorporados ao
seus saldos e incorporados ao orçamento do exercício
orçamento do exercício subseqüente.
subseqüente.

2.6. SUPRIMENTO DE FUNDOS Suprimento de fundos é um adiantamento,


2.6.1conceito colocado à disposição de um servidor, a fim de dar
condições à sua unidade de realizar despesas que, por
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sua natureza ou urgência, não possam aguardar o se recolhidas após o encerramento do


processamento normal. exercício.
Entendem-se, pelas normas reguladoras do § 2º O servidor que receber suprimento de
adiantamento, artigos 65 e 68 da Lei nº 4.320/64, que fundos, na forma deste artigo, é obrigado a
para se adotar esse regime de pagamento devem ser prestar contas de sua aplicação, procedendo-
observadas as seguintes condições: se, automaticamente, à tomada de contas se
a) deve ser utilizado em casos excepcionais; e não o fizer no prazo assinalado pelo
b) que a natureza da despesa ou a sua urgência ordenador da despesa, sem prejuízo das
não permitam o processamento normal da aplicação, providências administrativas para a apuração
ou seja, passagem por todos os estágios da despesa das responsabilidades e imposição, das
como licitação, dispensa ou inexigibilidade, penalidades cabíveis (Decreto-lei nº 200/67,
empenho, liquidação e pagamento. Portanto, o parágrafo único do art. 81 e § 3º do art. 80).
adiantamento deve ser utilizado nos casos em que          § 3º Não se concederá suprimento
realmente se fizer necessário, devendo haver muito de fundos:
cuidado e muita prudência na sua utilização, a fim de a) a responsável por dois suprimentos;
não generalizar o seu uso. O adiantamento não é regra b) a servidor que tenha a seu cargo e
e sim exceção. guarda ou a utilização do material a adquirir,
O que diz a legislação? salvo quando não houver na repartição outro
O artigo 45 do Decreto nº 93.872/86, alterado servidor;
pelo Decreto nº 2.289/97 diz o seguinte: c) a responsável por suprimento de fundos
SEÇÃO V que, esgotado o prazo, não tenha prestado
Pagamento de Despesas por meio de contas de sua aplicação; e
Suprimento de Fundos d) a servidor declarado em alcance.
 Art. 45. Excepcionalmente, a critério do § 4º Os valores limites para concessão de
ordenador de despesa e sob sua inteira suprimento de fundos, bem como o limite
responsabilidade, poderá ser concedido máximo para despesas de pequeno vulto de
suprimento de fundos a servidor, sempre que trata este artigo, serão fixados em portaria
precedido do empenho na dotação própria às do Ministro de Estado da Fazenda. (Parágrafo
despesas a realizar, e que não possam incluído pelo Decreto nº 1.672, de 11.10.1995)
subordinar-se ao processo normal de Art. 46. Cabe aos detentores de
aplicação, nos seguintes casos (Lei nº suprimentos de fundos fornecer indicação
4.320/64, art. 68 e Decreto-lei nº 200/67, § 3º precisa dos saldos em seu poder em 31 de
do art. 74): dezembro, para efeito de contabilização e
I - para atender despesas eventuais, reinscrição da respectiva responsabilidade
inclusive em viagem e com serviços especiais, pela sua aplicação em data posterior,
que exijam pronto pagamento em espécie. observados os prazos assinalados pelo
(Redação dada pelo Decreto nº 2.289, de ordenador da despesa (Decreto-lei nº 200/67,
4.8.1997) art. 83).
Il - quando a despesa deva ser feita em Parágrafo único. A importância aplicada
caráter sigiloso, conforme se classificar em até 31 de dezembro será comprovada até 15 de
regulamento; e janeiro seguinte.
III - para atender despesas de pequeno Art. 47.   A concessão e aplicação de
vulto, assim entendidas aquelas cujo valor, em suprimento de fundos, ou adiantamentos, para
cada caso, não ultrapassar limite estabelecido atender a peculiaridades da Presidência e da
em Portaria do Ministro da Fazenda. Vice-Presidência da República, do Ministério
§ 1º O suprimento de fundos será da Fazenda, do Ministério da Saúde, do
contabilizado e incluído nas contas do Departamento de Polícia Federal do
ordenador como despesa realizada; as Ministério da Justiça, das repartições do
restituições, por falta de aplicação, parcial ou Ministério das Relações Exteriores no exterior,
total, ou aplicação indevida, constituirão bem assim de militares e de inteligência,
anulação de despesa, ou receita orçamentária, obedecerão ao Regime Especial de Execução
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estabelecido em instruções aprovadas pelos § 1o A Unidade Gestora somente poderá autorizar a


respectivos Ministros de Estado, pelo Chefe da abertura de novas contas correntes para a
Casa Civil e pelo Chefe do Gabinete de movimentação de suprimento de fundos nos casos em
Segurança Institucional da Presidência da que, comprovadamente, não se possa utilizar o
República, vedada a delegação de Cartão Corporativo.
competência. (Redação dada pelo Decreto § 2o O ordenador de despesa é a autoridade
5.026, de 2004) responsável pelo uso do Cartão Corporativo, pela
Parágrafo único.   A concessão e definição e pelo controle dos limites de utilização,
aplicação de suprimento de fundos de que sendo vedado o seu uso em finalidade diversa
trata o caput deste artigo, com relação ao daquela prevista na legislação.
Ministério da Saúde, restringe-se a atender às § 3o O Ordenador de Despesa definirá o limite de
especificidades decorrentes da assistência à crédito a ser concedido e os tipos de gastos para
saúde indígena. (Redação dada pelo Decreto cada um dos portadores de Cartão por ele
5.026, de 2004) autorizado.
2.6.2 Cartão de Pagamento do Governo § 4o É vedada a utilização de Cartão Corporativo
Federal (CPGF ). quando não houver saldo suficiente para o
É um Instrumento de pagamento, atendimento da despesa na correspondente nota de
integrante do Programa de Modernização do empenho.
Governo Federal, emitido em nome da unidade § 5o A abertura e movimentação de contas de que
gestora, com características de cartão trata o art. 9o, § 1o, inciso VI, desta Instrução
corporativo, operacionalizado por instituição Normativa, bem como as despesas referentes a
financeira autorizada, utilizado exclusivamente suprimento de fundos, por meio do Cartão
pelo portador nele identificado, nos casos Corporativo deverão ser realizadas em conformidade
indicados em ato próprio da autoridade com as normas estabelecidas na macrofunção
competente. específica do Manual SIAFI.
Casos de utilização do CPGF: Art. 14. As operações efetuadas por meio eletrônico,
 suprimento de fundos; inclusive saques no Cartão Corporativo, terão sua
 pagamento de passagens aéreas; validade aceita pelo Governo Federal com a
 pagamento de diária de viagem a impostação de código secreto (senha) do portador,
servidor. quando de sua utilização.
ASPECTOS GERAIS DO CPGF: Art. 15. O limite de crédito total da Unidade Gestora
• O detentor do cartão poderá utilizá-lo para nunca poderá ser maior do que o limite de saque
saque e pagamento da fatura mensal; autorizado à Conta Única do Tesouro Nacional em
• A fatura vencerá sempre no dia 28 de cada mês; vinculação de pagamento específica definida pelo
• O Banco do Brasil disponibilizará a fatura até o Órgão Central do Sistema de Administração
dia 23; Financeira.
• O pagamento da fatura será efetuado por meio Art. 16. Os saques efetuados com o Cartão
de OBD (OB Fatura); Corporativo serão debitados diretamente à conta
• Não será admitida cobrança de anuidade ou única e terão a contabilização automática dos
taxas para utilização do cartão. registros da operação no SIAFI, após o recebimento
Para saber mais do arquivo magnético do agente financeiro, por meio
Instrução Normativa nº 04, de 30 de agosto de 2004 de Ordem Bancária
Art.13. As despesas referentes a suprimento de Saque Cartão.
fundos, conforme estabelecido na legislação vigente,
serão efetivadas por meio do Cartão Corporativo do
Governo Federal.

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CARTÃO DE PAGAMENTO DO GOVERNO FEDERAL – CPGF - DECRETO nº 5.355, de 25/01/2005


Art. 2 º, § 1º. Ato conjunto dos Ministros de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão amento Gestão e da Fazenda
o poder poderá autorizar a utiliza utilização do CPGF, como forma de o pagamento de outras despesas, bem como estabelecer
casos em que os pagamentos dever deverão ser efetuados o obrigatoriamente mediante o uso do cartão.

EXERCÍCIOS 2. (CENSIPAM) O processo de elaboração e


1. (TCU-AUDITOR) No programa do orçamento, é execução orçamentária do setor público no Brasil é
articulado um conjunto de ações que concorrem demarcado por um grupo de normas, princípios,
para um objetivo comum preestabelecido, técnicas e institutos que estabelecem a amplitude e a
mensurado por indicadores fixados no PPA, forma dos procedimentos a serem adotados. Acerca
visando à solução de um problema ou ao desse assunto, julgue os itens a segui.
atendimento de uma necessidade ou demanda da __ Para empenhar contratos de valores pagáveis em
sociedade. De acordo com a sua finalidade, os parcelas e não previamente conhecidos no momento
programas compreendem quatro modalidades: do empenho, deve ser utilizado o empenho global.
programas finalísticos, programas de gestão de __ No âmbito da classificação da despesa por
políticas públicas, programas de serviços ao Estado elementos, inexiste item específico para classificar os
e programas de apoio administrativo. Quanto às pagamentos das despesas com sentenças judiciais.
características que cercam os programas __ O ato emanado de autoridade competente que cria
finalísticos, julgue o item a seguir. para o Estado obrigação de pagamento pendente ou
___ Os programas finalísticos abrangem as ações de não de implemento de condição é a liquidação da
governo relacionadas à formulação, coordenação, despesa.
supervisão e avaliação de políticas públicas. __ A remuneração das disponibilidades do tesouro
Como parte do orçamento, a despesa compreende as nacional deverá ser classificada como receitas
autorizações para gastos com as várias atribuições e correntes.
funções governamentais, tendo a sua classificação __ Denomina-se empenho estimativa a modalidade de
complementada pela informação gerencial empenho utilizada em contratos de valores não
denominada de modalidade de aplicação. Com previamente conhecidos no momento do empenho e
relação a modalidade de aplicação, julgue o item a pagável em parcelas.
seguir. 3. (INMETRO) julgue
___ A modalidade de aplicação tem por finalidade __Cada ação orçamentária do INMETRO, entendida
identificar os objetos de gasto de que a administração como a atividade, o projeto ou a operação especial,
pública se serve para a consecução dos seus fins. deve identificar a função e a subfunção às quais se
A classificação funcional da despesa é composta de vincula. Nesse sentido, a operação especial refere-se
um rol de funções e subfunções prefixadas. A às despesas do órgão diretamente relacionadas ao
subfunção representa uma partição da função, com aperfeiçoamento das ações do governo federal.
o objetivo de agregar determinado subconjunto de __ A despesa orçamentária é classificada pelas
despesa no setor público. Acerca da relação entre as categorias econômicas, função e subfunção.
funções e subfunções, julgue o item seguinte. __ O estágio da liquidação só pode ser efetuado após
___ As subfunções não poderão ser combinadas com o regular pagamento da despesa.
funções diferentes daquelas às quais estejam Sobre os critérios para classificação da despesa e
vinculadas. alocação dos créditos orçamentários, julgue os itens
O empenho da despesa é o instrumento de utilização a seguir.
de créditos orçamentários. O empenho ordinário __ Na lei orçamentária, a discriminação da despesa
__ é destinado a atender a despesas cujo valor não se quanto à sua natureza deverá ser feita, no mínimo,
possa determinar previamente, de base não- por categoria econômica, grupo de natureza de
homogênea, podendo ser feito o reforço do empenho. despesa e modalidade de aplicação.

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__ Entende-se por grupo de categoria econômica a __A única hipótese de autorização para abertura de
agregação de elementos de despesa que apresentam créditos ilimitados decorre de delegação feita pelo
as mesmas características quanto ao objeto de gasto. Congresso Nacional ao presidente da República, sob
4. (TCDFT) Acerca da organização e da a forma de resolução, que fixará prazo para essa
classificação da despesa nas leis orçamentárias, delegação.
julgue os seguintes itens. Os créditos adicionais são autorizações de despesa
__ Corrigindo deficiências quanto à classificação não computada ou insuficientemente dotada na Lei
funcional-programática, a nova estrutura de Orçamento, classificando-se, entre eles, os
programática estabelecida pela Portaria n.o 42/99 créditos especiais. Esses créditos
passa a ser um instrumento para a adoção do ___ têm por finalidade atender a despesas
orçamento-programa no Brasil. imprevisíveis e urgentes e exigem tramitação diversa
__ Enquanto a Lei n.o 4.320/1964 estabelece que na da aplicada aos demais créditos adicionais.
lei de orçamento a discriminação da despesa far-se-á, RESTOS A PAGAR E DEA
no mínimo, por elementos, a Portaria Interministerial 6.(CENSIPAM) julgue
n.o 163/01 dispensa a obrigatoriedade de os __ As despesas de exercícios encerrados, que não
elementos constarem da lei orçamentária. tenham sido processadas na época própria e para as
__ Nas leis orçamentárias, a classificação quais o orçamento respectivo consignava crédito
institucional é constituída por órgão, unidade próprio, com saldo suficiente para atendê-las, bem
orçamentária e unidade gestora. A Lei n.o 4.320/1964 como os restos a pagar com prescrição interrompida e
define esta última como o agrupamento de serviços a os compromissos reconhecidos após o encerramento
que serão consignadas dotações próprias. do exercício correspondente, podem ser pagas à conta
__ Na estrutura programática da despesa, classificam- de dotação específica consignada no orçamento,
se como operações especiais as operações limitadas discriminada por elemento, obedecida, sempre que
no tempo que concorrem para a expansão da ação possível, a ordem cronológica.
governamental, enquanto as operações de __ A existência de regras acerca de restos a pagar e
manutenção e conservação são classificadas como de despesas de exercícios anteriores tem fulcro na
atividades. adoção do regime de apropriação da despesa pública
__ As leis orçamentárias da União e do DF pela competência do exercício na contabilidade
apresentam na estrutura programática o subtítulo. A pública.
utilização desse instrumento de programação __ O pagamento de despesas pelas modalidades
orçamentária não é obrigatória para todos os entes da restos a pagar e despesas de exercícios anteriores é
Federação. sempre considerado extra-orçamentário.
CRÉDITOS __ São restos a pagar processados as despesas em que
5. (TCU-AUDITOR) Acerca dos tipos de créditos o credor já tenha cumprido suas obrigações,
orçamentários, julgue os itens seguintes. entregado o material, prestado os serviços ou
__ Suponha que, pouco antes do final do exercício, executado a etapa da obra, dentro do exercício, tendo
seja necessário abrir um crédito adicional em um ente ele, portanto, direito líquido e certo, estando em
que apresentou os seguintes dados: condições de pagamento imediato. Os restos a pagar
• a receita arrecadada ficou R$ 500.000,00 inferior à processados representam os casos de despesas já
prevista, mas R$ 250.000,00 superior à despesa liquidadas, faltando apenas o pagamento.
realizada; __ O pagamento de despesas inscritas em restos a
• foram abertos R$ 120.000,00 em créditos pagar é automático, tal como ocorre com o
extraordinários mediante cancelamento de dotações; pagamento de qualquer despesa pública, exigindo-se,
• foram reabertos R$ 135.000,00 de créditos apenas, a verificação do empenho e da liquidação,
adicionais não utilizados no exercício anterior; independentemente de requerimento do credor. Após
• o superávit financeiro do balanço patrimonial do o cancelamento da inscrição da despesa como restos a
exercício anterior foi de R$ 245.000,00. pagar, a reclamação acerca do pagamento poderá ser
Nessas condições, é correto concluir que seria atendida mediante reinscrição do empenho em restos
possível abrir crédito suplementar ou especial de até a pagar, apenas ao final do exercício financeiro em
R$ 110.000,00. que ocorrer a solicitação do pagamento.

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__ Despesas de exercícios anteriores são as dívidas a utilização deste em finalidade diversa da prevista
resultantes de compromissos gerados em exercícios inicialmente.
financeiros anteriores àqueles em que devam ocorrer 9.(AFC/CGU) A Administração Pública necessita,
os pagamentos e que não estejam inscritos em restos em determinadas situações, utilizar-se de
a pagar, no caso de se referirem ao exercício sistemática especial, conhecida como Suprimento de
imediatamente anterior. Fundos, para realizar despesas que, por sua
7.(TCU-ANALISTA) Ao final do exercício X1, natureza ou urgência, não possam aguardar o
verificou-se que, em determinado ente, processamento normal da execução orçamentária.
• foram empenhadas e liquidadas despesas no total de No que diz respeito a esse assunto, julgue os itens
R$ 150 mil, do qual R$ 20 mil foram despesas que se seguem
inscritas em restos a pagar; __ O servidor que receber suprimento de fundos fica
• foram pagos, no mesmo exercício X1, R$ 15 mil de obrigado a prestar contas de sua aplicação
despesas inscritas em restos a pagar no exercício procedendo-se, automaticamente, a tomada de contas
anterior — X0; se não o fizer no prazo assinalado.
• foram pagas, no exercício subseqüente — X2 —, as __ Poderá ser concedido suprimento de fundos nos
despesas inscritas em restos a pagar em X1. casos em que a despesa deva ser feita em caráter
Com base nessa situação hipotética e considerando sigiloso, conforme se classificar em regulamento.
a apuração dos resultados e a composição das __ Não é permitida a concessão de suprimento de
receitas e despesas no balanço financeiro, julgue os fundos para servidor que tenha a seu cargo a guarda
itens a seguir. ou utilização do material a adquirir, salvo quando não
__ Desconsiderando-se outras transações, no houver na repartição outro servidor.
exercício X0, houve despesas extra-orçamentárias de __ A autorização para concessão de suprimento de
R$ 15 mil e, no exercício X1, de R$ 20 mil. fundos cabe ao Ministro de Estado ou autoridade
__ As despesas efetivamente pagas no exercício X1 equivalente.
totalizaram R$ 145 mil. __ Na execução da despesa por meio de suprimento
SUPRIMENTOS DE FUNDOS de fundos, o empenho é emitido após a prestação de
8. (ABIN) julgue contas do suprido, pois nesse momento tem-se a
_ As compras de materiais e serviços enquadradas identificação da despesa realizada.
como suprimento de fundos poderão ser pagas com a
utilização do cartão de crédito corporativo, vedadas 1EE 2EEE 3EEE 4CCEEC 5C 6CCEC
as demais formas de pagamento previstas na EE EC CE EEC EE EC
legislação. Cabe ao ordenador de despesa a 7EC 8E 9CCC
responsabilidade pelo uso do cartão e ao encarregado EE
do controle interno a responsabilidade pela definição
e pelos controles dos limites de uso do cartão, vedada

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PROFESSOR : PAULO LACERDA PLÊIADE DE AFO E CONTABILIDADE PÚBLICA

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