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Universidade Federal de Minas Gerais

Engenharia Aeroespacial
Propulsão I

LISTAS DE EXERCÍCIOS 2-1 e 2-2

Arthur Augusto Juventino de Oliveira - 2016021645

19 de dezembro de 2020

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Conteúdo

1 Lista 2-1 - Questão 1 3

2 Lista 2-1 - Questão 2 5

3 Lista 2-1 - Questão 3 6

4 Lista 2-1 - Questão 4 8

5 Lista 2-2 - Questão 1 10

6 Lista 2-2 - Questão 2 12

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1 Lista 2-1 - Questão 1

Um motor elétrico tipo brushless mantém seu torque constante numa ampla faixa de rotações
Qual a melhor estratégia de controle, para uma maior eficiência propulsiva, se for utilizada uma
hélice de passo fixo? Usar um mapa tı́pico de hélice para explicar a estratégia Qual é a variável
de controle do motor? Seria vantajoso usar uma hélice de passo variável com velocidade cons-
tante?

Hélices de passo constante possuem ângulo da pá fixo. Pensando no mapa de hélice, Figura
1, é possı́vel observar que para uma variação de razão de passo (J), relacionado à velocidade da
aeronave, o valor da potência requerida varia o londo das velocidades atingidas, diminuindo com o
aumento da velocidade. Assim, buscando-se atingir os maiores rendimentos, existe uma razão de
avanço ótima relacionada à uma demanda de potência ótima para que a hélice opere com a melhor
eficiência.

Desta forma, pensando-se no motor brushless e na caracterı́stica observada sobre o mapa de


hélice para pás fixas, uma boa estratégia para se controlar e se atingir uma melhor eficiência propulsiva
seria observar a melhor relação entre C P e J de onde seria possı́vel se estabelecer a demanda de torque
e assim ajustar a menor rotação para o atendimento do mesmo requisito de potência. Desta forma, o
motor poderia consumir a menor corrente, variável de controle da rotação do motor, e atingir o melhor
rendimento para o dado ângulo da pá.

Figura 1: Mapa de hélice de passo constante.

As hélices de passo variável, por sua vez, permitem a variação do ângulo das pás, que
alteram a sustentação nas mesmas, devido à variação dos ângulos de ataque de cada pá. Desta forma
é possı́vel manter o requisito de potência das hélices em diferentes momentos do voo (decolagem,
subida, descida, cruzeiro, etc.) como é possı́vel se observar a Figura 2.

Ao variar o ângulo é possı́vel permitir uma variação de J, o que se traduz em variações


da velocidade da aeronave, sem variar tanto o requisito de sustentação, o que, em outras palavras,
permite maiores acelerações à aeronave e maiores eficiências durante o voo sem prejuı́zos ao motor,

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que pode operar em rotações constantes.

Levando em consideração que o motor burshless mantém o seu torque constante, esta
observação de requisição de potência constante exigiria do mesmo um torque contı́nuo, que pode-
ria ser otimizado com a menor rotação, consequentemente menor corrente, necessária para tal feito.

Figura 2: Mapa de hélice de passo variável.

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2 Lista 2-1 - Questão 2

Qual a rotação máxima de uma hélice de 1,8 m de diâmetro, considerando que o número de
Mach máximo na ponta da pá da hélice é de 0,8? Se a ponta da hélice for enflechada de 45º em
relação a linha radial, de quanto é o aumento na rotação máxima?

Para se estabelecer a rotação máxima, pode-se utilizar a relação de Mach dada pela Equação
1, em que n é a rotação, D é o diâmetro da hélice e a é a velocidade do som.

n · (D/2)
M= (1)
a

Substituindo os valores teremos e considerando a = 340 [rad/s], teremos as Equações 2.

n · (D/2)
M= (2a)
a

M·a
n= (2b)
(D/2)

0, 8 · 340
n= (2c)
(1, 8/2)

n = 302, 22 [rad/s] (2d)

Assim, a rotação seria de n = 302, 22 [rad/s].

Para a ponta da hélice enflechada de 45º em relação à linha radial, pode-se calcular o au-
mento da rotação máxima atualizando-se o valor do diâmetro para D45o = D·cos(45o ) = 1, 273 [rad/s].
Assim, têm-se as Equações 3

M·a
n= (3a)
(D/2)

0, 8 · 340
n= (3b)
(1, 273/2)

n = 427, 34 [rad/s] (3c)

Assim, a rotação para a ponta da hélice enflechada de 45º seria de n45o = 427, 34 [rad/s].

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3 Lista 2-1 - Questão 3

Com os dados da hélice bipá do CESSNA 172 P de 1986 mostrados abaixo, calcular o fator de
atividade da pá e o fator total de atividade da hélice. Calcular também a solidez da pá a 0,75 do
raio da hélice

Figura 3: Dados da hélice bipá do CESSNA 172P de 1986.

Uma vez que o fator de atividade da pá é dado pela Equação 4, torna-se possı́vel calcular o
fator de atividade com os valores apresentados nos dados da hélice, Figura 3.

R
105
Z
AF = cr3 dr (4)
32 · R5 0,2R

Resolvendo-se a integral com os limites de 0,2R e 0,96R, por meio do método trapezoidal,
obtém-se que AF ≈ 78, 87, como apresenta a Equação 5:

AF ≈ 78, 87 (5)

O fator de atividade total da hélice, T AF pode ser obtido pelas Equações 6, em que B é
o número de pás, neste caso igual a 2., que apresentam o fator de atividade total da hélice como
T AF = 157, 68.

6
T AF = B · AF (6a)

T AF = 2 · 78, 87 (6b)

T AF = 157, 68 (6c)

Para o cálculo da solidez da pá 0,75 do raio, foi preciso se interpolar o valor de c partindo
dos valores apresentados na Figura 3, no qual c = 121, 25. Desta forma, pelas Equações 7 é possı́vel
se determinar a solidez da hélice.

B · c(r)
S olidez0,75R = (7a)
2π · r

2 · 121, 25
S olidez0,75R = (7b)
2π · (0, 75 · 0, 953)

S olidez0,75R ≈ 0, 054 (7c)

A solidez então foi igual a: S olidez0,75R ≈ 0, 054.

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4 Lista 2-1 - Questão 4

Qual a possı́vel velocidade da aeronave cujo motor desenvolve um coeficiente de potência de 0,1
na rotação de 1500 rpm, com uma hélice com ângulo nominal de 30º e diâmetro de 1,8m ? Qual
a eficiência da hélice? Qual a potência requerida ao motor? Usar o mapa da hélice ao lado.
Considere nı́vel do mar.

Figura 4: Mapa da hélice NACA WR 286.

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Observado-se o Mapa da Hélice, Figura 4, para a hélice com ângulo nominal (β) de 30° e
um coeficiente de potência (C P ) de 0,1 a razão de avanço é aproximadamente, J ≈ 0, 97.

Assim, partindo-se da equação de J, é possı́vel se obter a velocidade V pelas Equações 8,


em que n é a rotação, por unidade de tempo, e D o diâmetro da hélice. A rotação pode ser escrita
como n = 1500 rpm = 25 rps .
   

V
J= (8a)
n·D

V = J·n·D (8b)

V = 0, 97 · 25 · 1, 8 (8c)

V = 43, 65 [m/s] (8d)

Pela Figura 4 o valor da sua eficiência é: η p ≈ 0, 82.


h i
Nas condições padrões a nı́vel do mar, a densidade é: ρ = 1, 225 kg/m3 . Assim, é possı́vel
determinar a potência requeria ao motor pelas Equações 9.

P = C P · ρ · n3 · D5 (9a)

P = 0, 1 · 1, 225 · 253 · 1, 85 (9b)

P = 36671, 58 [W] (9c)

A potência requerida é então: P = 36, 8 [kW].

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5 Lista 2-2 - Questão 1

Calcular a razão entre velocidade de exaustão e a velocidade do escoamento na entrada do tubo


da hélice para o motor OS 0 61 usado nas competições do Aerodesign. Calcular também a
eficiência propulsiva e a potência requerida pela hélice. Considerar uma hélice de 13 polegadas
de diâmetro e o empuxo estático (a 0,03 Mach) de 4,5 kgf

Convertendo os dados para o SI temos que:

Diâmetro: D = 13 polegadas = 0, 3302 [m]


 

Empuxo: T = 4, 5 kg f = 44, 1299 [N]


 

Velocidade da aeronave: V0 = 0, 3 ∗ 340 = 10, 2m/s [m/s]

Calculando:

Tem-se que a tração do motor é dada pela Equação 10:

T = ρ0 · V0 · A0 · (Ve − V0 ) (10)

A0 pode ser obtido pela Equação 11:

ApVp
A0 = (11)
V0

V p pela Equação 12:

(Ve + V0 )
Vp = (12)
2

Ao substituir a Equação 12 em Equação 11 é possı́vel obter a Equação 13:

A p (Ve + V0 )
A0 = (13)
2V0

Ao substituir a Equação 13 em Equação 10 é possı́vel chegar a Equação 14:

!1/2
2T
Ve = + V0 2 (14)
ρ0 A p

10
Mas a área A p pode ser dada por:

 D 2
Ap = π · (15)
2

Com isso é possı́vel calcular a velocidade de exaustão, que é igual a, considerando-se ρ =


h i
1, 225 kg/m3 :

!1/2
2 · 44, 1299
Ve = + (10, 2)2 =⇒ Ve ≈ 30, 8 m/s
1, 225 · π · (0, 3302/2)2

Assim, podemos ter que a razão entre a velocidade de exaustão (Ve ) e a velocidade do
escoamento na entrada (V0 ) será:

Ve 30, 8
= ≈3
V0 10, 2

A eficiência propulsiva é dada pelas Equações 16:

2
η∗p = ! (16a)
Ve
1+
V0

2
η∗p = (16b)
(1 + 3)

η∗p = 0, 5 (16c)

Por fim, a potência requerida pela hélice é dada pelas Equações 17:

T · V0
P= (17a)
ηp∗

44, 1299 · 10, 2


P= (17b)
0, 5

P ≈ 0, 91 [kW] (17c)

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6 Lista 2-2 - Questão 2

Na manobra acrobática de Tailslide com o Super Tucano, a aeronave deve permanecer parada
no ar o maior tempo possı́vel com o motor a plena potência. Calcular usando a teoria do disco
atuador, qual a potência necessária para manter a aeronave parada verticalmente no ar? Com-
parar com a potência disponı́vel. Dados: Hélice de 2,38m de diâmetro e 2000rpm; Potência
máxima do motor 1600hp; Altitude da manobra 2000ft; Peso da aeronave 4000kg; Considere o
Mach de voo como 0,03.

Convertendo os dados para o SI temos que:

Diâmetro: D = 13 polegadas = 0, 3302 [m]


 

Empuxo: T = 4000 kg f = 39240 [N]


 

Velocidade da aeronave: V0 = 0, 3 ∗ 340 = 10, 2m/s [m/s]

Calculando:

A tração do motor precisa ser igual ao peso da aeronave para a mesma se mantenha parada
no ar. As Equações 18:

T =m·g (18a)

T = 4000 · 9, 80665 (18b)

T = 39240 [N] (18c)

Pela Equação 14 chega-se ao valor da velocidade de exaustão:


!1/2
2 · 39240
Ve = + (10, 2)2 =⇒ Ve ≈ 120, 44 m/s
1, 225 · π · (2, 38/2)2

A razão entre a velocidade de exaustão (Ve ) e a velocidade do escoamento na entrada (V0 ),


então, será:

Ve 120, 44
= ≈ 11, 80
V0 10, 2

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A eficiência propulsiva é dada pelas Equações 19:

2
η∗p = ! (19a)
Ve
1+
V0

2
η∗p = (19b)
(1 + 11, 8)

η∗p = 0, 15625 (19c)

Por fim, a potência requerida pela hélice é dada pelas Equações 20:

T · V0
P= (20a)
ηp∗

39240 · 10, 2
P= (20b)
0, 15625

P ≈ 2.561, 6 [kW] (20c)

Nota-se, portanto, que a manobra não pode ser executada pelo avião, pois a potência máxima
do motor do Super Tucano, PS uperT ucano ≈ 1193, 12 [kW], inferior àquela requerida pelo movimento,
P ≈ 2.561, 6 [kW].

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