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NOV-DEZ • 2020

Uma revista para pastores e líderes de igreja


Exemplar avulso: R$ 16,28

HORA DE PLANEJAR
Conheça os passos para desenvolver um planejamento eficaz para a igreja local

Os planos da Igreja Adventista na América do Sul para 2021 + Saiba como ajudar membros da igreja com deficiência
A ‘aqedah de Isaque e o paradigma do amor + Finanças pastorais + Paulo e o paradigma ministerial

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SUMÁRIO
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10
  Do sonho à realidade
Cezar Camacho
Dicas para elaborar um plano de trabalho
relevante para a igreja local

16
10 Mais que sentimento
André Vasconcelos
A ‘aqedah de Isaque e
5 Editorial o paradigma do amor

7 Entrelinhas

20
8 Entrevista Atenção e sensibilidade
Patrick Johnson
31 Lições de vida O que é preciso saber para ajudar
pessoas com deficiência
32 Dicas de leitura
34 Reflexão

23
Os planos de Deus
25 35 Palavra final Erton Köhler
As iniciativas da Igreja Adventista
na América do Sul para 2021

25
O pastor ideal
Clodoaldo Tavares dos Santos
Paulo e o paradigma ministerial

28
Lição da natureza
Jonatán Moreyra
28 A formiga, as finanças e a vida pastoral

Conselho Editorial SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CLIENTE


Lucas Alves; Daniel Montalvan; Adolfo Suarez; Marcos
Uma publicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia Blanco; Walter Steger; Pavel Goia; Jeffrey Brown; Alberto Ligue Grátis: 0800 979 06 06
Ano 92 – Número 552 – Nov/Dez 2020 Carranza; Davi França; David Ayora; Edilson Valiante; Segunda a quinta, das 8h às 20h
Periódico Bimestral – ISSN 2236-7071 Efrain Choque; Elieser Ramos; Everon Donato; Geraldo Sexta, das 7h30 às 15h45
M. Tostes; Levino Oliveira; Henry Mainhard; Ivan Domingo, das 8h30 às 14h
Samojluk; Juan Zuñiga; Raildes Nascimento; Ronivon Site: www.cpb.com.br
Editor Wellington Barbosa Santos; Rubén Montero e Tito Valenzuela E-mail: sac@cpb.com.br
Editor Associado Márcio Nastrini
Revisoras Josiéli Nóbrega; Rose Santos Assinatura: R$ 79,20
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Exemplar Avulso: R$ 16,28
Projeto Gráfico Levi Gruber Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Capa Visual Generation Rodovia SP 127 – km 106 Todos os direitos reservados. Proibida a
Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP reprodução total ou parcial, por quaisquer
Ministério na Internet meios, sejam impressos, eletrônicos,
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www.facebook.com/revistaministerio Diretor Financeiro Uilson Garcia prévia autorização por escrito da editora.
Twitter: @MinisterioBRA Redator-Chefe Marcos De Benedicto
Redação: ministerio@cpb.com.br Chefe de Arte Marcelo de Souza
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EDITO

Contribua para a
A revista Ministério é um periódico internacional editado e publicado bimestralmente pela

S
Casa Publicadora Brasileira, sob supervisão da Associação Ministerial da Divisão Sul-Americana
da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A publicação é dirigida a pastores e líderes cristãos.

Orientações aos escritores


Procuramos contribuições que A Ministério é uma revista peer-review.
representem a diversidade ministerial da Isso significa que os manuscritos, além de
América do Sul. Diante da variedade de nosso serem avaliados pelos editores, poderão ser
público, utilize palavras, ilustrações e conceitos que encaminhados a outros especialistas sobre
possam ser compreendidos de maneira ampla. o tema que seu artigo aborda.

Áreas de interesse
• Crescimento espiritual do ministro. educação contínua, administração da
• Necessidades pessoais do ministro. igreja, cuidado dos membros e assuntos
• Ministério em equipe (pastor-esposa) e relacionados.
relacionamentos. • Estudos teológicos que exploram temas sob
• Necessidades da família pastoral. uma perspectiva bíblica, histórica ou sistemática.
• Habilidades e necessidades pastorais, como • Liturgia e temas relacionados, como música,
administração do tempo, pregação, evangelismo, liderança do culto e planejamento.
crescimento de igreja, treinamento de voluntários, • Assuntos atuais relevantes para a igreja.
aconselhamento, resolução de conflitos,

Tamanho
• Seções de uma página: até 4 mil caracteres • Artigos de três páginas: até 11,5 mil caracteres
com espaço. com espaço.
• Artigos de duas páginas: até 7,5 mil caracteres • Artigos solicitados pela revista poderão ter mais
com espaço. páginas, de acordo com a orientação
dos editores.

Estilo e apresentação
• Certifique-se de que seu artigo se concentra no • Utilize a fonte Arial, tamanho 12,
assunto. Escreva de maneira que o texto possa ser espaço 1,5, justificado.
facilmente lido e entendido, à medida que avança • Informe no cabeçalho: Área do
para a conclusão. conhecimento teológico (Teologia, Ética, Exegese,
• Identifique a versão da Bíblia que você usa e etc.), título do artigo, nome completo, graduação
inclua essa informação no texto. De forma geral, e atividade atual.
recomendamos a versão Nova Almeida Atualizada. • Envie seu texto para: ministerio@cpb.com.br. Não
Foto: Wliilam de Morais

• Ao fazer citações bibliográficas, insira notas de fim de se esqueça de mandar uma foto de perfil em alta
texto (não notas de rodapé) com referência completa. resolução para identificação na matéria. WELLINGT
editor
• Use algarismos arábicos (1, 2, 3).
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EDITORIAL

SEMENTE DO FUTURO
No pastorado, tão ruim quanto
não planejar é planejar e
ignorar a vontade do Senhor

U
ma das características marcantes de um líder
visionário é a capacidade de traçar o caminho para Sua igreja.
entre o sonho e a realidade. Em linguagem mais
objetiva, a habilidade de planejar o futuro e
fazê-lo acontecer. Um dos personagens bíblicos que Poucos versículos adiante, Salomão afirmou:
ilustra essa qualidade é o rei Salomão. “O coração do ser humano traça o seu caminho,
À frente de Israel, ele fez grandes edificações; mas o Senhor lhe dirige os passos” (Pv 16:9). Mais
investiu em infraestrutura, agricultura e pecuária do que entregar nossos planos a Deus, precisamos
(Ec 2:4-6); e foi o responsável pela construção do estar dispostos a executá-los conforme a revelação
majestoso templo de Jerusalém, um projeto que divina. Às vezes, somos tentados a usar estratégias
demorou sete anos para ser concluído (1Rs 6:38). Seria questionáveis para alcançar propósitos relacionados
ingenuidade pensar que todas essas conquistas foram à expansão de Seu reino na Terra. Definitivamente, a
alcançadas sem um detalhado planejamento. ideia de que “os fins justificam os meios” não é
Embora grandes realizações sejam precedidas por uma opção para os ministros cristãos. Precisamos,
planos bem elaborados, infelizmente, muitos líderes portanto, fazer o que deve ser feito da maneira como
cristãos não têm refletido adequadamente sobre esse o Senhor espera.
ponto ao conduzir a igreja na mais importante tarefa Além de entregar os planos a Deus e ser submissos
concedida aos seres humanos. Como consequência, os à Sua vontade, Salomão também destacou a
resultados de seus esforços acabam sendo menores importância de ouvir a opinião de outras pessoas. Ele
do que poderiam ser. disse: “Sem conselhos os projetos fracassam, mas com
A Bíblia não é um manual sobre planejamento, mas muitos conselheiros há sucesso” (Pv 15:22; cf. 20:18).
Salomão, um exímio empreendedor e o mais sábio Alguns líderes, contudo, impõem seu planejamento
rei que já viveu, deixou alguns princípios importantes à igreja, desconsiderando a sabedoria dos membros
sobre o tema nas páginas do Livro Sagrado. Se locais e, porque não dizer, a liberdade de o Espírito
estivermos dispostos a segui-los, certamente Santo conduzir os rumos da missão divina a partir
seremos beneficiados em nosso ministério. desse conhecimento particular. Ainda que alguém
Em Provérbios 16:3 ele ensinou a submeter os esteja convicto de que suas ideias estão em sintonia
planos a Deus. “Entregue as suas obras ao Senhor, e com a vontade divina, jamais deveria ignorar esse
o que você tem planejado se realizará.” No pastorado, princípio inspirado. Afinal, é por meio do diálogo que
tão ruim quanto não planejar é planejar e ignorar revelamos, absorvemos e refinamos os sonhos que
a vontade do Senhor para Sua igreja. Em nossa desejamos concretizar.
condição humana, é muito fácil reproduzir a atitude Depois de ouvir a Deus, estar disposto a fazer
soberba de Nabucodonosor: “Não é esta a grande Sua vontade e compartilhar os planos, é preciso
[igreja] que eu construí?” (Dn 4:30). Iludidos com agir. “Quem planeja bem e trabalha com dedicação
os aplausos humanos diante de nossas limitadas prospera; quem se apressa e toma atalhos fica pobre”
conquistas, se comparadas ao tamanho do desafio (Pv 21:5, NVT). Conforme escreveu John Kitchen, a
Foto: Wliilam de Morais

que temos, corremos o risco de ser reprovados por chave do sucesso é “pensar bem e trabalhar duro”. E
WELLINGTON BARBOSA Deus. Por isso, devemos submeter nossos planos ao certamente, o Senhor abençoará os esforços daqueles
editor da revista
Senhor e alinhá-los ao Seu querer. que se dispuserem a proceder assim!
Foto:

Ministério

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ENTRELINHAS

CONTROLE SEU TEMPO


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O segredo não é priorizar o

A
lguma vez você já se perguntou: “Como que está na sua agenda, e sim
posso organizar melhor meu trabalho?”, “O
que aconteceria se eu pudesse ter uma hora
agendar as suas prioridades.
por dia para ler, fazer exercícios ou estar com
minha família?” Uma boa organização é a chave da virtude, sempre que isso não o impeça de fazer aquilo
eficiência, porque nos permite reduzir os imprevistos que está em seu planejamento. Lembre-se de que a
e estar preparados para realizar aquilo que está sobrecarga é o pior inimigo da planificação.
previsto, dizem os especialistas. Delegue. Em seu livro 15 Secrets Successful People
Toda boa organização requer planejamento. Know About Time Management, Kevin Kruse relata
Poderíamos dizer que o sucesso ou fracasso em sua experiência ao perguntar a 200 empresários:
nosso trabalho depende, em parte, de como “Qual é o segredo para ser produtivo?”. Sem titubear,
organizamos nosso dia a dia e administramos nosso muitos responderam: saber delegar! Você não tem
tempo. Ellen White afirmou: “Alguns poderiam ter se todo o tempo para fazer tudo o que quer; portanto,
tornado obreiros completos se tivessem feito bom conte com a ajuda dos demais.
uso de seu tempo, sentindo que teriam contas a Gostaria ainda de compartilhar quatros citações de
prestar a Deus por seus momentos desperdiçados” Ellen White que também proveem dicas importantes
(Ministério Pastoral, p. 82). para o pastor que deseja planejar efetivamente o uso
Saber planejar o tempo é saber priorizar, ter de seu tempo.
foco, delegar e dizer não, ações essenciais que são Priorize a comunhão com Deus. “Há ministros
destacadas por respeitados estudiosos do tema. que têm trabalhado durante anos, ensinando a
A seguir, compartilho alguns itens importantes verdade a outros, enquanto eles próprios não
apresentados por eles. estão familiarizados com os pontos fortes de nossa
Estabeleça prioridades. Agende tudo aquilo que for doutrina” (Ministério Pastoral, p. 82).
prioritário. Stephen Covey deu um bom conselho: “O Dedique tempo à família. “Coisa alguma pode
segredo não é priorizar o que está na sua agenda, e desculpar o pastor de negligenciar o círculo interior pelo
sim agendar as suas prioridades.” mais amplo círculo externo. O bem-estar espiritual de
Tenha foco. A atenção no cumprimento daquilo sua família vem em primeiro lugar. No dia do final ajuste
que foi planejado faz muita diferença na gestão do de contas, Deus há de perguntar o que fez ele para
tempo. O especialista Daniel Goleman escreveu: atrair para Cristo aqueles que tomou a responsabilidade
“Muito recentemente, a ciência da atenção floresceu de trazer ao mundo” (O Lar Adventista, p. 353, 354).
para muito além da vigilância. Essa ciência diz que Invista na leitura. “Os pastores devem dedicar
nossa capacidade de atenção determina o nível tempo à leitura. [...] Levem um livro consigo
de competência com que realizamos determinada para ler enquanto viajam [...]. Empreguem todo
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tarefa. Se ela é ruim, nos saímos mal. Se é poderosa, momento vago em fazer alguma coisa. Assim se
podemos nos sobressair. [...] Embora a conexão entre fechará, a milhares de tentações, uma porta eficaz”
atenção e excelência permaneça oculta a maior parte (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 412).
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do tempo, ela reverbera em quase tudo que tentamos Saiba como atender à igreja. “Todo o dia [Jesus]
realizar” (Foco, “A habilidade sutil”). ajudava os que a Ele vinham; à tardinha, atendia aos
CQ
Saiba dizer não. Jacques Salomé, psicólogo e escritor que tinham que trabalhar durante o dia pelo sustento
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DANIEL MONTALVAN francês, aconselhou: “Atrever-se a dizer ‘não’ ao outro é da família” (Ministério Pastoral, p. 83).
Marketing
secretário ministerial atrever-se a dizer ‘sim’ a si mesmo.” Não me interprete À luz de todos esses conselhos, seja sábio ao
associado para a Igreja
Adventista na América do Sul mal, mas estar disponível aos demais é uma grande planejar hoje para colher bons resultados amanhã!

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ENTREVISTA

relac

PREGAÇÃO
tamb
emer
nical
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do re

APOCALÍPTICA
Fi
nalis
ge um
uma
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profe
didos
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sair d
por Wellington Barbosa
No período apostólico, a percepção de que o segundo adven- da pa
to de Cristo era iminente teve grande impacto sobre a vida to do
dos fiéis. É possível dizer que a ênfase na escatologia, vis-
ta nesses últimos meses, tem provocado a mesma atitude? Em a
A pandemia e a complexidade dos dias em que es- Alguns líderes e pastores chegaram a conjecturar sões
tamos vivendo intensificaram a pregação a respeito que nos últimos meses, desde março deste ano, a igre- naram
das profecias e da vinda de Jesus. As redes sociais fo- ja teve mais sermões e palestras sobre escatologia e Como
ram inundadas com sermões, vigílias e séries de estu- Apocalipse do que nos últimos 15 anos. De fato, a gran- A
dos bíblicos, especialmente sobre o Apocalipse. Nesta de maioria das lives veiculadas pelas redes sociais tra- uma
entrevista, o pastor Vanderlei Dorneles faz uma bre- taram de temáticas proféticas. A instabilidade social, falso
ve análise desse fenômeno e de suas implicações para política e econômica foi intensificada pelas tensões en- por i
o trabalho pastoral. tre as grandes potências e manifestações antirracistas, lomã
Graduado em Teologia e Jornalismo, com dois dou- bem como pelo sentimento de insegurança e incerte- (Pv 2
torados, um na área de comunicação e linguagem za quanto ao futuro. Isso gera uma expectativa de ter- terpr
(USP) e outro em Novo Testamento (Umesp), Van- ror que clama por interpretações religiosas e proféticas à luz
derlei Dorneles trabalhou por 6 anos como pastor acerca da crise. A situação nos faz lembrar do rei Belsa- não h
distrital, 11 anos como editor na Casa Publicadora Bra- zar, da antiga Babilônia, cujos joelhos tremiam ante a o ret
sileira e, atualmente, é coordenador de pós-graduação misteriosa escrita na parede, a qual ninguém podia in- mun
e professor de Teologia no Unasp, campus Engenheiro terpretar. Entretanto, havia uma suspeita de que tinha profé
Coelho. Escritor prolífico, é autor de diversos artigos que ver com juízo e “fim do mundo”. Nesses momen- to do
e livros, com ênfase nos temas de escatologia e estu- tos de crise com o pressentimento do fim, os profetas ao ce
dos do Apocalipse. e seus intérpretes são chamados para dar o significado a alia
do que está acontecendo. mori

Nesses momentos de crise com o Nessa grande quantidade de mensagens escatológicas O sen
pressentimento do fim, os profetas e transmitidas pelas redes sociais, quais têm sido as ênfa-
ses principais?
nuir a
prega
seus intérpretes são chamados para dar Acredito que a maioria dos religiosos entrou nesse es- peren
o significado do que está acontecendo.
Foto: William de Morais

tado de busca pelas profecias. No meio adventista, os te- Es


mas mais centrais da escatologia estiveram em debate, ocor
principalmente a ascensão de um poder civil perseguidor tais.

8 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
relacionado com Estados Unidos e Europa, não faltando
também aqueles que cogitam a China como um poder
emergente nesse horizonte, assim como o decreto domi-
nical e o tempo de deixar as grandes cidades. Além disso, Um reavivamento com efeitos
também estiveram em foco o tema da sacudidura, a figura permanentes só pode ocorrer quando
do remanescente, reavivamento e iminência das pragas.
Ficamos surpreso com reinterpretações sensacio-
o interesse profético não é despertado
nalistas, especialmente do Apocalipse, nas quais emer- pela chegada do fim do mundo, mas
ge uma tendência chamada de “futurismo adventista”,
uma conjectura equivocada de que, após o relato das
pelo desejo de alimentar-se da viva
mensagens às sete igrejas, tudo mais no livro de João é Palavra de Deus.
profecia para os últimos dias. Também fomos surpreen-
didos com a adesão por parte de pessoas mais simples
e também instruídas à interpretação de que a hora de
sair das grandes cidades finalmente chegou, por causa
dven- da pandemia e não em razão da factualidade do decre- fome, mas isso não seria o fim. O fim só virá quando a
a vida to dominical em nível global, como afirma Ellen White. igreja de Deus completar sua missão de pregar o evan-
, vis- gelho a todo mundo. A sociedade pode não voltar ao
tude? Em alguns círculos adventistas, teólogos sugeriram revi- mesmo estado de antes, mas a maior crise tende a pas-
turar sões acerca de alguns pontos que ao longo do tempo se tor- sar. Depois disso, aqueles cujo interesse nas profecias
igre- naram tradicionais na interpretação escatológica da igreja. se origina de uma expectativa sensacionalista do fim
gia e Como o senhor avalia essas discussões? certamente verão esse interesse arrefecer, com o sen-
gran- A perspectiva escatológica adventista nos oferece timento: “Nós achávamos que seria desta vez que o
s tra- uma clara visão do futuro. Não há motivo para alardes Senhor voltaria!” Um reavivamento com efeitos per-
ocial, falsos a não ser por conta de uma ansiedade causada manentes só pode ocorrer quando o interesse profético
s en- por ignorar as predições proféticas. Mas, como diz Sa- não é despertado pela chegada do fim do mundo, mas
stas, lomão, “não havendo profecia, o povo se corrompe” pelo desejo de alimentar-se da viva Palavra de Deus.
erte- (Pv 29:18). Podemos dizer também: “não havendo in-
e ter- terpretação profética clara, o povo fica perdido”. Tanto Qual é sua percepção sobre o comportamento religioso das
ticas à luz das Escrituras quanto dos escritos de Ellen White, pessoas após a pandemia?
elsa- não há espaço para a emergência da crise final e para No fim do século passado, havia a expectativa de
nte a o retorno da intolerância para com o povo de Deus no que o fim do mundo estava chegando. Houve o tema
ia in- mundo a não ser mediante o cumprimento do papel do “bug do milênio” e a ideia de que “de dois mil anos o
tinha profético dos Estados Unidos com a emissão do decre- mundo não passaria”. Uma forte expectativa escatoló-
men- to dominical. É a retomada desse decreto que vai alçar gica provocou entusiasmo e interesse profético, e mui-
fetas ao centro das atenções no mundo o povo que mantém tos pensavam que, passada aquela época de transição,
cado a aliança com Deus, com a guarda do sábado como me- isso desapareceria. No entanto, o tempo tem mostra-
morial da criação e da redenção. do que não passou. Há um interesse profético que per-
manece, sendo por motivos legítimos ou não. É possível
gicas O senhor acredita que a volta à normalidade tende a dimi- que a expectativa pelo fim do mundo e a busca por in-
ênfa- nuir a frequência com que sermões sobre profecias serão terpretações sensacionalistas das profecias continue
pregados ou a pandemia proporcionou um reavivamento no contexto pós-pandemia. Pois, enfim, o mundo con-
e es- perene da pregação escatológica? tinuará inseguro, incerto e instável. Contudo, fazemos
Foto: William de Morais

os te- Esta pandemia deve passar como as demais que já bem em lembrar que é nosso engajamento na missão
bate, ocorreram ao logo da história, algumas muito mais le- para completar a tarefa do evangelho que possibilita-
uidor tais. Jesus disse que haveria terremotos, epidemias e rá ver o Senhor voltando em glória e majestade.

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CAPA

DO SONHO À
REALIDADE

Dicas para elaborar


um planejamento
relevante para a
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Foto: Jirapong / Adobe Stock

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A
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Foto:

10 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
O
s sonhos fazem parte da vida. deveria ser esquecida: o planejamento. destacar que sem planejamento ministe-
Sonhamos com diversos objeti- Muitas pessoas têm dificuldade em com- rial somos apenas um grupo de pessoas

orar vos que desejamos alcançar. Nós,


pastores, além dos sonhos pes-
preender a importância ou ainda elaborar
um plano executável para seu ministério.
tentando fazer alguma coisa importante
e diferente para Deus, com a ideia de que

to soais, nutrimos propósitos rela-


cionados ao nosso ministério. Desejamos
A partir daquilo que li, de meus estágios
em igrejas norte-americanas e brasilei-
tudo dará certo no fim. Por isso, gosta-
ria de compartilhar algumas ideias sobre
ver nossas igrejas repletas de membros ras e minha experiência ministerial, creio como podemos elaborar um planejamen-
a fiéis, saudáveis espiritualmente, adminis- que a seguinte definição de planejamen- to funcional para nossas igrejas, a fim de
tradas de maneira equilibrada e com uma to seja apropriada: “Planejar nada mais é organizar o trabalho, dar direção à con-
dinâmica vibrante de discipulado que re- do que transformar sonhos em objeti- gregação, gerar engajamento pessoal e
sulte em crescimento espiritual e numé- vos exequíveis por meio de estratégias multiplicar discípulos para o reino do Céu.
rico para o reino de Deus. saudáveis.”
Não importa se você é um pastor que Em realidade, o planejamento funciona Do sonho ao plano
está começando sua trajetória, está no como um GPS. Primeiro é necessário che- Siga a voz de Deus. Um bom planeja-
meio dela ou próximo da jubilação. De gar a um consenso sobre aonde se quer ir mento começa com a submissão de nos-
fato, todos nós desejamos, à semelhança (sonhos), para então calcular uma rota até sa vontade aos propósitos divinos. Nem
de William Carey, realizar grandes coisas o destino (estratégias saudáveis). E isso tudo que sonhamos para nosso ministé-
para Deus. Como podemos, então, tirar os se aplica para pastores de várias igrejas rio é o que o Senhor deseja para Sua igreja.
sonhos de nosso coração e colocá-los em ou de uma só, líderes de igrejas abasta- Portanto, ao conduzir o processo de pla-
Foto: Jirapong / Adobe Stock

prática em nosso ministério? das ou sem recursos, grandes ou peque- nificação, seja fiel aos escritos inspirados
Acredito que exista uma ferramenta nas. O importante é que o planejamento e permita que a vontade de Deus preva-
fundamental nesse processo que jamais seja adequado para a situação. É preciso leça ao longo do trabalho.
Foto:

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Escreva seus sonhos. Seja muito claro, e também o perfil dos membros locais. Isso Envolva os líderes no processo de pla-
simples e objetivo ao colocar seus sonhos dará a você condições de compreender as nejamento. Se você quiser que seus so-
no papel, pois algo que parece complexo necessidades sociais que podem ser supri- nhos se tornem realidade, compartilhe-os
ou confuso pode não ser entendido nem das pela igreja, bem como alocar os mem- com os líderes. Quando isso não é feito,
atrair pessoas. Uma das experiências mais bros certos para ministrar nesse sentido. eles tendem a considerar os planos como Dia
agradáveis ao conduzir a igreja com base Determine os objetivos que pretende al- um “projeto do pastor”, resultando em fal-
em um plano bem estabelecido é ouvir os cançar. Considerando seu público-alvo e os ta de motivação e engajamento. Lembre-
membros dizendo: “Meu pastor sabe para recursos humanos e estruturais que tem à se de que se o planejamento for somente
Visita
onde está levando a igreja!” disposição na igreja, estabeleça os objeti- seu, você terá somente a si mesmo para
da igr
Defina a missão e visão da igreja. A de- vos que deseja alcançar. Cuide para que seja executá-lo.
Prega
claração de missão basicamente expressa algo entre três e quatro metas, pois um nú- Minha sugestão é que você reúna os
cresci
a razão de a igreja existir, ou a responsabili- mero de propósitos maior do que esse pode líderes em um lugar diferente, para um
dade que ela tomou para si no mundo. Essa inviabilizar seu cumprimento. Lembre-se encontro especificamente marcado para Prom
corre
declaração aponta aos membros o seg- também que os objetivos devem ser es- discutir o planejamento. Deixe-os à von- Cristã
mento em que a igreja se encontra e defi- pecíficos, mensuráveis, atingíveis, relevan- tade para analisar todas as ideias pro-
ne sua identidade. A missão não costuma tes e temporais. Metas impossíveis levam postas. Ouça o que eles têm a dizer, pois
mudar ao longo do tempo e ajuda no plane- as pessoas à frustração e a um sentimento a experiência dos membros locais é um
Capac
jamento ao fornecer uma compreensão cla- de derrota por não completá-las. recurso muito importante nesse proces- minis
ra a respeito da atividade da congregação. Avalie como seu distrito pode contribuir so. Não tenha receio em acatar sugestões Capac
Por sua vez, a visão comunica aos mem- para o cumprimento dos objetivos de seu nem em defender pontos sobre os quais igreja
os do
bros o que a igreja deseja ser no futuro. Ela Campo local. É muito importante conhecer você tem mais experiência. Promovendo
Form
é fundamental para formulação do plane- bem o plano de atividades do Campo lo- um ambiente agradável e colaborativo, o missio
jamento estratégico congregacional, pois cal para que seu distrito contribua efetiva- plano resultante será o reflexo da lideran- Prepa
determina, por exemplo, o que deve ou não mente com ele. É fundamental estabelecer ça, não do pastor. Portanto, seja pacien- volun

ser feito para cumprir a missão. A visão aju- um planejamento local que esteja alinhado te, educado e entusiasta. Cheguem a uma Prega
da a tirar a equipe de líderes da igreja da com o programa geral da instância superior. conclusão, para que tudo seja de todos e,
zona de conforto, mantendo a ênfase no Estabeleça as estratégias adequadas assim, todos alcancem tudo. E mesmo que Prom
saúde
crescimento. para alcançar suas metas. Estratégias são você não consiga ver a realização de todos
Infelizmente, muitas declarações de vi- as ferramentas que você usa para alcançar os objetivos, os líderes seguirão adiante Prom
missio
são e missão falham porque são muito ex- os objetivos. Quanto mais claro for o diag- com os sonhos e darão ao próximo pas-
tensas. Uma vez que a igreja define sua nóstico de seu distrito, mais fácil será definir tor um panorama adequado do que está
visão e missão, deve trabalhar para que es- as estratégias. Nunca se esqueça de que elas acontecendo.
sas declarações sejam expressas em frases podem mudar, conforme surgirem diferen- Apresente o planejamento à igreja. Estab
tão curtas e simples de lembrar que facili- tes necessidades. Além disso, no processo de Depois que o planejamento for defini- missio

tem sua memorização e promoção. elaboração, procure responder às seguintes do em conjunto com os líderes, ele deve
Faça um diagnóstico detalhado. Ne- perguntas: Quem? Quando? Onde? Como? ser apresentado à congregação. O ideal é Abrir

nhum plano será adequado se não con- Quanto? Estratégias precisas favorecem um que isso seja realizado em um programa
Atend
siderar a real condição de cada igreja. planejamento bem-sucedido. especial, com a participação dos líderes da TV
Analisar a condição de suas congregações Elabore o orçamento. É muito importan- mais influentes e apaixonados pelo plano
Visita
é um fator de sucesso, pois permite com- te fazer uma estimativa do valor necessá- aprovado. Lembre-se de que pastores so-
afasta
preender as forças e fraquezas, oportuni- rio para cumprir as metas do planejamento. zinhos podem atrair pessoas para segui-lo.
dades e ameaças, e ainda como maximizar Nesse ponto, considere os recursos locais, Mas pastores apoiados por líderes apaixo- Minis
à com
as forças e oportunidades e minimizar as o valor que a igreja tem em caixa e uma nados pelo planejamento podem ajudar a
fraquezas e ameaças. Além disso, ajuda a perspectiva de quanto os membros podem contagiar todas as pessoas da igreja. Uma
evitar o uso das mesmas estratégias que ofertar; a verba do Campo, valores que po- frase popular diz: “Se você não sabe aon-
falharam no passado. dem ser direcionados pela administração de quer ir, qualquer caminho serve.” Eu fa-
Identifique seu público-alvo. Todo pla- regional para seus projetos congregacio- ria a seguinte paráfrase: “Se você não sabe
nejamento deve considerar as característi- nais; e outras doações provenientes de pes- para onde quer ir como pastor, como vai
Avali
cas da comunidade ao redor de cada igreja soas de fora do seu distrito. conduzir pessoas a algum lugar?”
Foto:

Foto:

12 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
Planejamento sugestivo
pla- Missão Ser uma igreja dedicada à salvação dos perdidos.
s so- Visão Transformar membros em verdadeiros discípulos.
e-os Classe média e baixa, grau escolar entre médio e superior, membros pouco comprometidos com a missão, igreja acolhedora, falta de capacitação nos
Diagnóstico da igreja
feito, ministérios, maior parte da congregação composta de conversos com no máximo 15 anos de adventismo.

omo População pertencente à classe média e baixa, grau escolar entre médio e fundamental, áreas de vulnerabilidade social, predominância de casas a
Diagnóstico da comunidade
apartamentos.
m fal-
mbre- Objetivo 1 – Incentivar o crescimento espiritual dos membros

ente Estratégias Quem Quando Como Onde Quanto* Fundos


Visitar 100% dos membros Nas casas dos
para Pastor/anciãos De janeiro a junho Duas visitas semanais – –
da igreja membros
Dois sábados por mês e Séries de sermões, estudo
Pregar sermões sobre
na os Pastor/anciãos e convidados todas as quartas-feiras, de de livros como Serviço Na igreja – –
crescimento espiritual
a um janeiro a dezembro Cristão, etc.

para Promover a compreensão


Pastor/anciãos/convidados/ Fevereiro, junho, setembro, Um fim de semana nos
correta a respeito da Mordomia Na igreja R$2.000,00 Local
von- Cristã
Ministério da Mordomia dezembro meses indicados.

pro-
Objetivo 2 – Aumentar o engajamento missionário dos membros da igreja
pois
Estratégias Quem Quando Como Onde Quanto* Fundos
é um
Capacitar 100% dos líderes de Encontros bimestrais a Seminários e Na igreja e em
oces- ministérios
Pastor/anciãos
partir de fevereiro acompanhamento pessoal visitações
R$1.000,00 Local

stões Capacitar 80% dos membros da


Pastor/anciãos/líderes de Encontros mensais a partir Sermões, seminários,
quais igreja para servir de acordo com
ministérios de março até novembro acompanhamento pessoal
Na igreja e nas casas R$5.000,00 Local/Associação
os dons
endo
Formar 20 PGs de capacitação Pastor/anciãos/Ministério Reuniões semanais e
vo, o missional Pessoal
Entre fevereiro e dezembro
capacitações bimestrais
Na igreja e nas casas R$2.000,00 Local

eran- Preparar 10 evangelistas Encontros mensais entre Seminários e


Pastor/anciãos Na igreja R$2.000,00 Local
cien- voluntários no distrito janeiro e março acompanhamento pessoal

uma Pastor/anciãos/líderes e Temário para séries e


Pregar sermões sobre missão Um sábado por mês Na igreja – –
convidados vigílias missionais
os e,
“Circuito de saúde”, Em praça pública, Local/
o que Promover o projeto “Feira de Pastor/anciãos/Ministério da
Abril, agosto e dezembro explorando os 8 remédios escola, ginásio de R$10.000,00 Associação/
saúde” Saúde
odos naturais esportes Prefeitura

ante Promover o projeto “Chá Pastor/anciãos/Ministério da Fevereiro, junho, setembro,


Evento social com palestras
Em escolas públicas,
R$3.000,00 Local
missionário” Mulher dezembro salão de festas, etc.
pas-
está Objetivo 3 – Batizar 50 pessoas
Estratégias Quem Quando Como Onde Quanto* Fundos

greja. Estabelecer 50 duplas Pastor/anciãos/Ministério


Escolha das duplas em Sermões, seminários,
Na igreja ou em locais
janeiro e capacitação em encontros trimestrais de R$2.000,00 Local/Associação
efini- missionárias no distrito Pessoal
fevereiro celebração
especiais

deve Classes da igreja, Escola


eal é Abrir 4 classes bíblicas por igreja Líderes/instrutores bíblicos A partir de fevereiro Sabatina, desbravadores, Na igreja R$2.000,00 Local
aventureiros e ASA
rama
Atender 100% dos interessados Visitação, “Espaço NT” na Na igreja e em
deres da TV Novo Tempo
Ministério Pessoal Entre fevereiro e dezembro
igreja visitações
R$2.000,00 Local

plano Duplas missionárias


Visitar 100% dos membros
s so- especialmente capacitadas A partir de maio Visitação pessoal Nas casas – –
afastados
para esse trabalho
ui-lo.
Cursos de culinária Local/
aixo- Ministrar cursos de capacitação
Ação Solidária Adventista A partir de março saudável, panificação, Na igreja R$10.000,00 Associação/
à comunidade
dar a inglês, etc. Prefeitura
Uma Total

aon- Verba local R$25.000,00

u fa- Verba da Associação R$8.000,00

sabe Verba externa R$8.000,00


*Valores meramente ilustrativos
o vai
Avaliação: Um encontro pessoal por bimestre com os líderes das atividades, conduzido pelo pastor ou por anciãos habilitados.
Foto:

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N O V- D E Z • 2020 l MINISTÉRIO 13

P3 42342 – Ministério Nov-Dez’20 Designer Editor(a) Coor. Ped. C. Q. R. F. Custos


Sem planejamento ministerial gostam de ser avaliados, pois seguras para as devidas mudanças, caso

somos apenas um grupo de se sentem desconfortáveis com sejam necessárias. Seguem algumas per-
a realidade muitas vezes des- guntas sugestivas para esse encontro:
pessoas tentando fazer alguma coberta. Contudo, quem não 1. Quais objetivos sob sua responsabili-
avalia regularmente o que está dade foram alcançados? Se ainda não fo-
coisa importante e diferente fazendo, como pode ter certeza ram atingidos, o que aconteceu? Elogie o
de que está certo no que está fa- líder pelo trabalho já realizado e as con-
para Deus, com a ideia de zendo? E como saber se vai alcançar quistas obtidas. Caso alguma meta não
seus objetivos? tenha sido realizada, analise detalhada-
que tudo dará certo A falta de avaliação é um dos princi- mente por que isso não aconteceu e iden-
pais problemas no processo de colocar os tifique se houve algum erro estratégico.
no fim. planos em ação. No papel, tudo parece dar 2. O que precisamos fazer para alcan-
certo, mas muitas vezes isso não ocorre na çar o que não alcançamos? Quais estra-
realidade por falta de avaliação constante. tégias podemos usar para cumprir os
Não existe mágica! Os objetivos são alcan- objetivos estipulados? Estude cuidado-
çados quando são perseguidos com muita samente novas estratégias para atingir
Do plano à realidade dedicação, suor e avaliação. essas metas.
Um planejamento bem elaborado é im- Quando avaliamos com transparência 3. Faltou algum tipo de capacitação ou
portante, mas se os líderes e os membros a execução do planejamento, e recomen- material de apoio para executar as estra-
não se movimentarem para colocá-lo em do que isso seja feito a cada dois meses, tégias estipuladas? Se houve falta de trei-
prática, nada acontece. Para que isso ocor- conseguimos corrigir as rotas equivo- namento ou de material, providencie-os
ra, além de sermões e programas que in- cadas, antes que nos levem ao fracasso. rapidamente.
centivem a ação, é necessário investir em A avaliação deve estar baseada naquilo Ao fim da conversa, agradeça o trabalho
dois processos fundamentais: capacita- que está proposto no plano aprovado. Não realizado para Deus até aquele momen-
ção e avaliação. se pode avaliar o que não foi planejado. to e motive o líder avaliado a continuar
Se você não capacitar os líderes locais, di- Certo ditado diz que é “mais fácil corrigir avançando em busca dos objetivos pro-
ficilmente eles conseguirão executar o pla- o curso do navio enquanto ele ainda não postos. Não se esqueça de que o acom-
nejamento determinado. Por isso, antes de foi muito longe, do que corrigi-lo no fim da panhamento e os feedbacks positivos são
colocar seus planos em ação, treine mui- viagem, quando já chegou a seu destino”. atitudes fundamentais para gerar cadên-
to bem seus colaboradores. Ensine-os, por Ao avaliar, é preciso ter cautela com al- cia de responsabilidade, engajamento e
exemplo, a liderar, aconselhar ou resolver guns detalhes importantes. Em primei- ação em torno das metas existentes em
problemas. Quanto mais tempo você inves- ro lugar, avalie processos, não pessoas. seu planejamento.
tir na capacitação, mais resultados positivos Lembre-se de que, na igreja, geralmente
terá, pois pessoas bem instruídas tendem a todos são voluntários que dedicam tem- Conclusão
cumprir a missão com efetividade. E não te- po, recursos e dons pela causa do evan- O planejamento é uma ferramenta im-
nho receio de dizer: Gaste mais tempo ca- gelho. Outro ponto de destaque é não portantíssima no processo de conduzir a
pacitando do que pregando! O sermão tem permitir que a avaliação se torne motivo igreja no cumprimento dos sonhos de Deus
grande chance de ser esquecido em pouco para confrontos pessoais. para ela. Se você falhou em algum planeja-
tempo. Mas o conhecimento fica gravado Durante o processo avaliativo, prefira mento, não desista. Olhe para frente e co-
na mente e nunca se apaga. Pessoas quali- fazê-lo de forma individual, pois a pessoa loque em prática o que não foi feito. Use os
ficadas servirão a Deus enquanto você for fica mais à vontade para conversar. Quan- erros como experiência para sua vida mi-
pastor delas, e depois de sua partida tam- do a avaliação ocorre em grupo, alguns lí- nisterial, erga a cabeça, confie no Senhor
bém. E é isto que importa na obra de Deus: deres podem se sentir constrangidos ou e avance. Ele conta com você!
transformar membros em discípulos para humilhados por causa das comparações
sempre. que podem, eventualmente, surgir duran-
Outro ponto fundamental no processo te a reunião. Em uma conversa pessoal, CEZAR CAMACHO
Foto: Gentileza do autor

de execução do planejamento é a avaliação. procure fazer perguntas diretas aos líde- pastor em Campo Limpo
Paulista, SP
Essa prática é importante em todos os seg- res sobre as estratégias e os objetivos pro-
mentos da vida. No entanto, muitos não postos, a fim de que encontrem respostas
Foto:

14 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
caso
per-
o:
abili-
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gie o
con-
não
ada-
den-
gico.
can-
stra-
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ingir

ão ou
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trei-
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balho
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pro-
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dên-
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uzir a
Deus
neja-
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se os
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nhor
Foto: Gentileza do autor

Foto:

P3 42342 – Ministério Nov-Dez’20 Designer Editor(a) Coor. Ped. C. Q. R. F. Custos


EXEGESE

MAIS QUE H
SENTIMENTO
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A ‘aqedah de Isaque de 16
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André Vasconcelos salva
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Gustave Doré

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Foto:

16 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
H
á pouco mais de um ano e meio, Também se tornou um símbolo de expia- Esses exemplos são uma pequena
o Brasil ficou perplexo diante de ção. O targum Neofiti, por exemplo, afir- amostra do impacto causado pela his-
um dos episódios mais tristes de ma: “E agora oro por misericórdia diante tória do “sacrifício de Isaque” no pensa-
sua história. No dia 13 de março de Ti, ó Senhor Deus, quando os filhos de mento religioso e filosófico. No entanto,
de 2019, ocorreu um massacre na Isaque vierem a sofrer, lembrai-os da algo chama atenção. Embora muito tenha
escola estadual Professor Raul Brasil, na ci- ‘aqedah de Isaque, seu pai, e libertai-os sido escrito sobre o relato, poucos, como
dade de Suzano, região metropolitana de e perdoai-lhes os pecados” (Gn 22:14). 2 o escritor israelense Meir Shalev, no livro
São Paulo. A tragédia ceifou a vida de cin- O rabi Yishmael chega inclusive a compa- Beginnings: Reflections on the Bible’s Intri-
co alunos, duas funcionárias da escola, os rar o sacrifício de Isaque com a oferta da guing Firsts, se dedicaram a refletir acerca
dois assassinos e o tio de um deles. Páscoa, cujo sangue deveria ser espargido do amor nessa passagem.
Um das vítimas foi Samuel Melchíades, sobre os umbrais das portas: “E quando Eu
de 16 anos. A história do jovem, que era [o Senhor] vir o sangue? […] O que Ele viu? Relato bíblico
membro da Igreja Adventista e integrante O sangue da ligadura de Isaque”.3 A narrativa começa com a ordem divi-
do Clube de Desbravadores, repercutiu na A ideia de expiação está tão presen- na para sacrificar Isaque, levando de uma
imprensa nacional. Isso porque, segundo a te na interpretação judaica de Gênesis 22 vez por todas ao fim a odisseia espiritual
estudante Rafaela Macedo, amiga da víti- que esse texto se tornou parte da litur- de Abraão. O patriarca havia sido subme-
ma e testemunha dos fatos, Samuel teria gia de Rosh Hashanah, o ano-novo judaico. tido a muitas provas severas desde que
salvado uma garota colocando-se na fren- Nesse dia de juízo, além de estudar o capí- começara sua jornada com o chamado
te dela e impedindo-a de receber dois tiros. tulo 22, os judeus oram: “Recorda, ó Eter- de Deus em Harã. Além de deixar tudo
Essa história de amor abnegado ilustra no, nosso Deus, o pacto, a benevolência e o para trás e partir para uma terra estranha
muito bem um acontecimento descrito em juramento que fizeste a Abraão, nosso pai, (Gn 11:31–12:1-3), enfrentou a fome (Gn 12:10),
Gênesis 22: o sacrifício de Isaque. Embo- no monte Moriá, e quando Abraão, nosso a guerra (Gn 14) e a dor de exilar seu filho
ra Abraão tenha oferecido o filho amado pai, amarrou seu filho Isaque em cima do Ismael (Gn 21:8-21).
como oferta ao Senhor, e não se entre- altar […]. Assim, subjuga Tua misericórdia à Entretanto, nenhuma dessas expe-
gado altruisticamente em lugar de ou- Tua cólera, e na Tua grande bondade, afas- riências se igualou à provação narrada em
tra pessoa como o jovem Samuel, ambos ta do Teu povo o furor da ira.”4 Gênesis 22. No capítulo 12, Deus pediu a
os relatos demonstram que o verdadeiro Para os cristãos, a ‘aqedah está alinha- Abraão que deixasse sua terra, casa e fa-
amor envolve sacrifício, resignação e en- da com o conceito de expiação, na medida mília. No capítulo 22, o Senhor lhe pediu
trega. Mas o que a experiência de Abraão em que aponta tipologicamente para o sa- que sacrificasse seu filho amado e abando-
e Isaque no Moriá tem a nos ensinar sobre crifício de Jesus.5 Nesse caso, a prova de nasse a esperança de se tornar pai de uma
o amor? Qual é a relevância desse assunto Abraão e Isaque no monte Moriá é inter- grande nação, já que a promessa de poste-
para nosso tempo? pretada como uma antecipação da expe- ridade estava vinculada à vida de Isaque.
riência que Deus, o Pai, e Jesus, o Filho, O texto diz que Abraão deveria ofe-
Panorama interpretativo vivenciariam no Calvário. Abraão teria sen- recer seu filho como holocausto na terra
O relato de Gênesis 22 tem inspirado tido a angústia de entregar seu único filho de Moriá. A segunda parte dessa ordem
teólogos e pensadores ao longo da história. como sacrifício, ao passo que Isaque teria é similar à de Gênesis 12, na qual o Senhor
Na tradição judaica, o sacrifício de Isaque é experimentado o peso da separação do pai também lhe pediu que fosse a uma ter-
conhecido como ‘aqedat yitzchaq, que sig- (Mt 27:46) e se entregado voluntariamente ra. Essas passagens são unidas pela ex-
nifica literalmente a “ligadura de Isaque”. (ver Lc 23:46), assim como Jesus. pressão “vai-te”, do hebraico lekh-lekha.
Esse nome tem origem no verbo “amarrar”, A influência desse relato também pro- Tal expressão, que funciona como uma
do hebraico ‘aqad, usado em Gênesis 22:9. vocou intensa reflexão filosófica. Pen- moldura narrativa, ocorre somente em
Entre os intérpretes judeus, a ‘aqedah sadores como Immanuel Kant, Søren Gênesis 12:1 e 22:2 que são, respectivamen-
se tornou um exemplo supremo de Kierkegaard, Martin Buber e Emmanuel te, a primeira e a última vez que Deus fa-
lealdade a Deus e à Torá, mesmo dian- Lévinas escreveram sobre o assunto. Kier- lou com o patriarca.
te do autossacrifício. Esse relato, mais kegaard chegou a dedicar uma obra intei- Algo curioso pode ser observado na
do que qualquer outro, encorajou o ra, intitulada Temor e Tremor, para refletir ordenança registrada em Gênesis 22:2.
povo judeu a enfrentar o martírio sobre a experiência de fé perpetuada por O requerimento divino se parece mais com
(kiddush HaShem ) frente às persegui- Abraão, o “cavaleiro da fé”, no monte um pedido do que com um mandamen-
Gustave Doré

ções romanas, cristãs e muçulmanas.1 Moriá. to. Isso porque, no texto hebraico, a ação
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exigida por Deus – “toma teu filho” – é se- Abraão fez os preparativos para a via- Respondeu Abraão: Deus proverá para Si, enxe
guida pela palavra na’, “por favor”. Como gem e seguiu rumo à terra de Moriá. O fato meu filho, o cordeiro para o holocausto; e cia à
Gordon Wenham observou, o uso dessa de Sara não ser citada parece indicar que seguiam ambos juntos” (Gn 22: 7, 8). lação
partícula enclítica é raro nas ordenanças ela desconhecia os planos do marido. Tal- O filho amado abriu o diálogo com as pa- Em
divinas.6 vez Abraão quisesse evitar que ela lançasse lavras “meu pai”, como se fosse um apelo zes q
O pedido de Deus é assustador e apa- dúvidas sobre ele, como no caso da pro- ao sentimento paternal de Abraão. Parece (Gn 2
rentemente cruel. Abraão não deveria sim- messa do filho (ver Gn 16; 18:10-15). que o idoso patriarca correspondeu a essa houv
plesmente sacrificar o filho amado, mas Na sequência, Gênesis 22:3 sugere que expectativa quando disse carinhosamente: le ep
oferecê-lo como holocausto. É importante não houve diálogo durante os três dias “Eis-me aqui, meu filho”. Já a pergunta re- 19. A
relembrar que, nesse tipo de oferta, a víti- de peregrinação. O clima da viagem era ferente ao cordeiro “sugere uma ingenui- servo
ma era esfolada, cortada em pedaços e to- pesado, com um nítido tom de angústia. dade que torna a ‘futura’ morte de Isaque (v. 5),
talmente queimada (Lv 1:1-17). Nahum Sarna constata que, na Bíblia, ainda mais desoladora. Essa impressão é seba
“três dias constituem um segmento sig- reforçada por sua dócil aceitação da res- vos e
nificativo de tempo, particularmente em posta de Abraão, o que mostra que Isaque Is
conexão com viagens”.8 Isso quer dizer confiava inteiramente nas boas intenções em G
que Abraão teve tempo suficiente para do pai. Seria ele perspicaz o bastante para be, p
refletir no pedido de Deus e repensar sua perceber através da resposta enigmática Gn 16
de seu pai que ele estava destinado a ser caliza
o cordeiro sacrificial? […] De qualquer for- o loc
A “ligadura de Isaque” nos ma, nossa apreciação pelo amor confiante dênc
ensina que o amor envolve que existia entre pai e filho é reforçada.”9 que,
Isaque entendeu que ele era o sacrifício mou
resignação, entrega e e se submeteu totalmente à vontade do D
sacrifício; que o sentimento pai. Embora arrasado, Abraão estava dis- mon
posto a cumprir cabalmente a ordem di- Calvá
não deve ser um empecilho vina. Não hesitou ao executar sua missão. ram
para viver em conformidade Tinha fé que, de algum modo, Deus lhe res- lho c

com a Palavra de Deus. tituiria o filho amado.


No momento crucial, quando esta-
sepa
tame
va prestes a tirar a vida do próprio filho,
atitude. Mesmo assim, o patriarca se man- o quebrantado patriarca foi providen- Prim
teve resoluto. cialmente impedido pelo Anjo do Senhor To
A parte final do verso 5 revela a espe- (v. 11, 12). Naquele instante, Abraão olhou na a d
rança de Abraão de retornar com Isaque: para trás e “viu” um carneiro preso pelos único
Relevo barroco da prova de Abraão em “voltaremos para junto de vós”, disse o chifres (v. 13); então entendeu que Deus mais
Palermo, Itália
patriarca a seus servos. Abraão acredita- providenciaria um substituto. Por isso cha- sacri
Isso deve ter quebrantado o coração do va que, de alguma forma, Isaque voltaria mou aquele monte de o lugar em que “o bo “a
idoso patriarca. Ele, contudo, se subme- com ele. Hebreus 11:19 confirma essa ideia Senhor proverá”. Existe, porém, um de- pela
teu ao pedido divino e disse: “Eis-me aqui” ao mencionar que Abraão considerou que talhe que passa despercebido na tradução te, es
(Gn 22:1, 11). Kierkegaard retratou mui- Deus era poderoso até para ressuscitar desse verso. O termo hebraico vertido ao ao am
to bem a atitude de Abraão diante des- Isaque dentre os mortos. português como “prover” é ra’ah, que sig- nem
se cenário desolador: “Existiram grandes Pai e filho se afastaram dos servos e nifica literalmente “ver”. Abraão chamou ao am
homens pela sua energia, sabedoria, espe- foram até o monte Moriá. O ponto cen- aquele local de o lugar onde “o Senhor M
rança ou amor – porém Abraão foi o maior tral da narrativa parece ser o diálogo en- verá” porque foi ali que “viu” o carneiro decla
Foto: Renáta Sedmáková / Adobe Stock

de todos: grande pela energia cuja força é tre Abraão e Isaque: “Quando Isaque disse preso pelos chifres. ao n
fraqueza, grande pelo saber cujo segredo a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Jesus fez referência a esse episódio Shale
Foto: William de Moraes

é loucura, pela esperança cuja forma é de- Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou- quando disse que Abraão “alegrou-se por o rel
mência, pelo amor que se resume em ódio lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas ver o Meu dia” (Jo 8:56). Essa observação criad
a si mesmo.”7 onde está o cordeiro para o holocausto? legitima a abordagem judaico-cristã que obra

18 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
ra Si, enxerga no relato da ‘aqedah uma referên- luz de “dia” e as trevas de “noite”, a porção humanidade: “Porque Deus amou o mun-
sto; e cia à expiação e demonstra a solidez da re- seca de “terra” e o ajuntamento das águas do de tal maneira que deu o Seu Filho uni-
lação tipológica entre o Moriá e o Calvário. de “mares”, Ele chamou o sentimento de gênito, para que todo o que Nele crê não
s pa- Embora o texto afirme duas ve- Abraão pelo filho de “amor”. pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).
apelo zes que pai e filho caminharam “juntos” Deus é quem define o que é amor. Para O relato da ‘aqedah, assim como a ex-
arece (Gn 22:6, 8), o narrador parece indicar que Ele, “amor” equivale ao sentimento do pai periência do jovem Samuel, ilustra e exem-
essa houve um cisma entre eles após aque- pelo filho. Isso quer dizer que o Senhor plifica o amor divino demonstrado no
ente: le episódio. Isso fica evidente no verso materializou todo o afeto de Abraão por Calvário. Amar, à luz da cruz de Cristo, é
a re- 19. Abraão foi sozinho ao encontro dos Isaque, o filho que o patriarca tanto havia entregar o melhor; é abrir mão do próprio
enui- servos, contrariando seu desejo anterior almejado e esperado, na palavra “amor”. desejo; é se submeter à vontade de Deus.
aque (v. 5), e retornou “junto” com eles para Ber- Esse é o paradigma do amor nas Escrituras. Como disse o apóstolo João, “nisto consiste
são é seba. Ou seja, Abraão voltou com os ser- Hoje, muitas pessoas confundem o o amor: não em que nós tenhamos amado
res- vos e não com o filho amado. amor verdadeiro com permissividade e a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou
aque Isaque reaparece na história somente complacência. Por um lado, é fato que o Seu Filho como propiciação pelos nossos
ções em Gênesis 24:62, habitando no Negue- amor de Deus, expressão máxima do amor pecados” (1Jo 4:9, 10). Portanto, concluiu
para be, possivelmente em Beer-Laai-Roi (ver genuíno, não está condicionado à obediên- João, “se Deus de tal maneira nos amou,
ática Gn 16:14). O deserto do Neguebe ficava lo- cia (Rm 5:8); por outro, como exemplificado devemos nós também amar uns aos ou-
a ser calizado um pouco mais ao sul de Berseba, no “sacrifício de Isaque”, o amor não deve tros” (v. 11). Isso é o que Ele espera de cada
r for- o local em que Abraão havia fixado resi- ser uma barreira para agir em harmonia um de nós!
ante dência (Gn 22:19). Portanto, o texto sugere com a palavra do Pai Celestial.
Referências
da.”9 que, depois daquele episódio, Abraão to- É cada vez mais comum ouvir cristãos
1
Nahum M. Sarna, The JPS Torah Commentary:
ifício mou uma direção e Isaque outra. influentes rebaixarem a necessidade de
Genesis (Filadélfia, PA: Jewish Publication Society,
e do Dessa maneira, o episódio ocorrido no uma vida pautada pelas Escrituras. Mu- 1989), p. 394.
a dis- monte Moriá é um tipo da experiência do dança de hábitos e transformação de vida 2
Ver Jubileus 17:15 e 49:1.
m di- Calvário. Ambos os montes presencia- são encaradas como imposições arbitrá- 3
M
 ekilhta do Rabbi Yishmael, Êxodo 12:13,
ssão. ram um pai amoroso que entregou o fi- rias de uma religião que se opõe ao “amor” disponível em https://www.sefaria.org/
Mekhilta_d’Rabbi_Yishmael.12.13?lang=bi.
e res- lho como sacrifício, assim como um filho de Deus. Frases como “se a religião te faz
4
Jairo Fridlin e Vitor Fridlin (eds.), Marzor Completo
separado do pai que se submeteu irrestri- mal, ela não pode ser de Deus” ou “Jesus é (São Paulo: Sêfer, 1997), p. 204.
esta- tamente à vontade dele. leve” desconsideram o verdadeiro signifi- 5
Ver Epístola de Barnabé 7:3; Melito de Sardes,
filho, cado do amor na Bíblia. Catena Sobre Gênesis (Alexander Roberts, James
den- Primeiro amor Ao contrário dessa ideia, a “ligadura de Donaldson e A. Cleveland Coxe, The Ante-Nicene
Fathers: Translations of the Writings of the Fathers
nhor Toda a tensão vivenciada no Moriá tor- Isaque” nos ensina que o amor envolve re- Down to A.D. 325 [Oak Harbor: 1997], v. 8, p. 759);
olhou na a declaração de Gênesis 22:2, “toma teu signação, entrega e sacrifício; que o senti- Irineu, Contra Heresias 4.5.4 (Roberts, Donaldson e
Coxe, v. 1, p. 467); Tertuliano, Resposta aos Judeus
pelos único filho, Isaque, a quem amas”, ainda mento não deve ser um empecilho para 10 (Roberts, Donaldson e Coxe, v. 3, p. 164), Contra
Deus mais impressionante. É nesse contexto de viver em conformidade com a Palavra de Marcião 3.18 (Roberts, Donaldson e Coxe, v. 3, p. 336).
cha- sacrifício, entrega e separação que o ver- Deus. Também nos revela que amar, às ve- 6
 ordon J. Wenham, Word Biblical Commentary:
G
Genesis 16-50 (Dallas, TX: Word, 2002), p. 104.
ue “o bo “amar”, no hebraico ’ahav, é empregado zes, pode ser uma experiência dolorosa e
7
Søren Kierkegaard, Temor e Tremor (São Paulo:
m de- pela primeira vez na Bíblia. Curiosamen- angustiante. O conceito bíblico de amor,
Hemus, 2008), p. 12.
ução te, esse termo não é usado para se referir no entanto, não parece agradar aqueles 8
 arna, p. 151. Ver Gn 31:22; 42:18; Êx 3:18; 15:22;
S
do ao ao amor de um homem por uma mulher que buscam uma definição do termo em Nm 10:33; 33:8; Jn 3:3.
e sig- nem ao amor de uma mãe pelos filhos, mas meios puramente seculares e até mesmo 9
Wenham, p. 108.
mou ao amor de um pai por seu filho único. profanos. 10
 eir Shalev, Beginnings: Reflections on the Bible’s
M
nhor Mais interessante ainda é o fato de essa Abraão, por meio de uma ação simbóli- Intriguing Firsts (Nova York: Harmony Books, 2011),
p. 16, 17.
neiro declaração não ser atribuída a Abraão nem ca, vivenciou como ninguém a verdadeira
Foto: Renáta Sedmáková / Adobe Stock

ao narrador, mas ao próprio Deus. Meir e divina experiência de amar incondicio-


ódio Shalev foi muito feliz ao compará-la com nalmente. O amor revelado no Moriá foi
ANDRÉ
VASCONCELOS
Foto: William de Moraes

e por o relato da criação.10 Na prerrogativa de uma antecipação miniaturizada do amor editor na Casa Publicadora
ação criador, o Senhor é quem atribui nome às eternizado no Calvário, que extrapolou Brasileira
que obras de Sua mão. Assim como chamou a a dimensão pai-filho e alcançou toda a

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COMUNIDADE

ATENÇÃO E
SENSIBILI DA
O que é preciso saber para ajudar
pessoas com deficiência
Patrick Johnson “E
nuou
ção m

“N
ão quero mais visitar outras igrejas com você!” pess
Olhei pelo retrovisor e vi Espen no banco de res. O
trás, olhando pela janela com uma feição reso- anim
luta. Com 15 anos de ministério, até aquele mo- lhe d
mento, eu sempre havia tentado levar minha família comigo coloc
em programações de igrejas fora de meu distrito pastoral. por e
Estar na Inglaterra deu-lhe a oportunidade de experimen- conc
tar diferentes culturas congregacionais, o que pensei que nas v
fosse uma boa forma de educação. Por isso, a declaração de afirm
meu filho foi um choque. Es
Inicialmente, achei que fosse a reação normal de um ado- sa vid
lescente inconformado. Mas como ele é o mais velho de sado
meus três filhos, e um referencial para as duas irmãs, per- defic
cebi que não podia permitir que a afirmação dele não fos- Foi o
se considerada. melh
tes e
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tão e
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à igre
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isso p
nalis
Foto: Gaysorn / Adobe Stock

de p
como
igreja
Foto:

20 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
pessoas com deficiência. “Uma das coisas com que ela precisasse de muletas. Ela des-
mais frustrantes acontece quando outras creveu como ficou desapontada por ser in-
pessoas debatem o significado de sua vida tencionalmente excluída de um programa

ILI DADE
sem consultá-lo sobre isso. No entanto, específico de sua igreja.
isso é feito repetidamente com os deficien- “Algumas pessoas foram convidadas a
tes.”1 Para evitar outra “frustração”, gos- contar suas histórias, falar sobre seus de-
taria de permitir que as vozes das pessoas safios, etc. A ideia era as pessoas conta-
com deficiência sejam ouvidas neste arti- rem sobre seu progresso, ou sua cura ou o
go. Em outras palavras, a coisa mais im- que quer que as estivesse mantendo e lhes
portante que um pastor deve fazer é ouvir trazendo conforto. Uma das minhas filhas
o deficiente. ‘adotivas’ da igreja foi perguntar porque
eu não havia sido convidada a participar
Diferentes percepções do programa. Então lhe disseram: ‘Bem,
Minha pesquisa sobre a experiência das não a convidamos porque ela é deficien-
“E por que não?”, perguntei. Ele conti- pessoas com deficiência envolveu entre- te, não pode andar; então não lhe pedi-
nuou descrevendo sua antipatia pela aten- vistas com membros da Igreja Adventista mos para cantar.’ Eu não uso meus pés para
ção muitas vezes bizarra que recebia das do Sétimo Dia que vivem essa condição. cantar. Não uso minhas mãos para cantar.
ocê!” pessoas como cadeirante. Os longos olha- Suas respostas mostraram uma ampla va- De fato, a parte mais forte do meu cor-
o de res. Os afagos na cabeça como se fosse um riedade de sentimentos. po é minha boca, e isso é a única coisa de
eso- animal de estimação. Estranhos querendo Insignificância. Alguns deficientes sen- que necessito para cantar! O engraçado
mo- lhe dar um abraço sem motivo aparente, tem que, como pessoas, não são conside- sobre isso é que oito anos antes de ficar
migo colocando as mãos nele e querendo orar rados membros importantes na vida da doente, eu costumava cantar quase todos
toral. por ele sem sequer pedir. Então, meu filho igreja. Dessa maneira, sentem que têm tão os sábados naquela igreja.”
men- concluiu: “As pessoas não me veem; ape- pouco valor para a comunidade que sua Inclusão. Nunca se deve subestimar o
que nas veem minha cadeira de rodas.” Essa ausência não faria falta. Roberto2 expres- poder da inclusão de pessoas com deficiên-
ão de afirmação me atingiu como um raio! sou essa sensação quando concluiu: “Quer cia nos ministérios da igreja. Ricardo des-
Espen é parte tão fundamental da nos- seja intencional ou não, você se sente um creveu sua experiência: “Houve um tempo
ado- sa vida cotidiana que eu nunca havia pen- estorvo. E acho que parte disso foi feito em que eu não era incluído. Não acho que
o de sado sobre como ele, uma pessoa com para parecer intencional.” tenha havido nada de desagradável nisso.
per- deficiência física, experimentava a igreja. Discriminação. Artur descreveu seu de- Acho que talvez as pessoas não me con-
fos- Foi o estímulo inicial que me fez pensar sapontamento ao encontrar resistência às siderassem porque sou cego. Mas todos
melhor sobre a experiência dos deficien- suas sugestões de mudanças ou adapta- nós temos talentos, todos temos habili-
tes em relação à igreja. O que nos faz ver as ções necessárias para que a igreja pudesse dades diferentes. Eu costumava ir à igreja
pessoas com deficiência com uma atenção atender às suas necessidades como cadei- e depois voltar para casa. Mas desde que
tão especial? Sem dúvida, as teorias sociais rante. “Devo dizer que a discriminação que me tornei diácono, fiquei maravilhado! Es-
e psicológicas explicam isso; mas, e quanto encontrei na igreja é, provavelmente, maior tou feliz, porque sinto que estou envolvido,
à igreja? Devemos esperar uma atitude di- do que outra que encontrei em qualquer sinto que estou oferecendo algo.”
ferente dos cristãos? Como o pastor pode outro lugar. Estou falando especificamente Joana, que é cega, tornou-se ativa
criar um ambiente congregacional natu- sobre minha igreja. Minha experiência nem em sua congregação local como resultado
ralmente inclusivo? sempre foi confortável, e às vezes sentia de sua própria iniciativa. “Quando fui bati-
Primeiro, eu havia pensado em es- que a maneira pela qual se dirigiam a mim zada, houve um grande batismo de cerca
crever uma lista de coisas importantes [...] não era o modo pelo qual uma pessoa de 20 pessoas. Depois, começaram a alo-
para os pastores estarem cientes quan- saudável de 58 anos seria tratada.” O fato car as pessoas em vários departamentos.
do se trata de deficiências. No entanto, de ele pensar que os membros da igreja Eu, porém, não fui designada a nenhum
isso pode nos levar à armadilha do pater- deveriam compreender mais facilmente o lugar. Fui até o ancião e disse: ‘Espere aí,
nalismo, que facilmente se torna a atitu- que é ser discriminado como minoria agra- todo mundo foi colocado em algum lu-
Foto: Gaysorn / Adobe Stock

de padrão nos círculos cristãos. Autores vou sua decepção. gar, e eu?’ A reclamação foi ignorada. En-
como Roy McCloughry lamentam que a Rotulação. Melissa havia desenvolvido tão fui ao pastor, dizendo: ‘Eu preciso ser
igreja frequentemente falhe em ouvir as uma condição debilitante crônica que fazia colocada em algum ministério também’.
Foto:

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IGRE

Eles nunca me alocaram em lugar algum. respondeu: “Longe disso! Sinto-me total- Paraolímpicos”: “Devo ser excepcional para
Erton
Então, quando começaram a anunciar mente incluída.” Participar ativamente de ser aceito?” Apesar disso, Samanta conti-

D
coisas diferentes, como o ministério nos um pequeno grupo fez com que ela tives- nuou descrevendo os membros da igreja
presídios, coloquei meu nome na lista. Te- se bons amigos na igreja e lhe deu um for- da seguinte maneira: “Eles realmente são
lefonei para o responsável, perguntando te senso de pertencimento. incríveis. [...] Acho que, de modo geral, to-
o que precisava fazer para participar. Você Ela passou a explicar que não dá muita dos são compreensivos e estão 100% dis-
tem que acompanhar as coisas. Então, fi- importância às suas limitações, e isso pa- poníveis para mim quando preciso de algo.” conv
nalmente, as pessoas perceberam: ‘Oh, ela rece influenciar toda sua vivência na igreja. Ela explicou que eles estavam cientes de sobre
pode fazer algo’. A partir de então, fui con- “Eu faço o que posso e as pessoas pare- suas necessidades e mais do que dispostos exat
vidada a me envolver mais.” cem saber disso. Elas aceitam e eu aceito, a fazer adaptações para atendê-las. forte
Insensibilidade. Joana também experi- e nós rimos da situação. Às vezes, pergun- rém s
mentou a insensibilidade de algumas pes- tam: ‘Como você está?’ E eu respondo ‘Está Conclusão uma
soas. Uma vez, enquanto estava sentada muito difícil, mas... tento viver o presente!’” Foi gratificante descobrir que uma de to
na igreja, ouviu uma mulher algumas fi- Assim, ter espaço para ser ela mesma e sa- grande parte das pessoas que entrevis- não a
leiras atrás dela comentando sobre sua ber que é aceita fez com que sua experiên- tei expressou satisfação com seu nível de rou c
cegueira e família. “Como ela conseguiu cia fosse muito proveitosa. inclusão e participação na igreja e a proa- disso
encontrar um marido e ter filhos? Eu nem A participação obviamente tem um im- tividade de sua congregação em tentar passa
consigo arrumar um esposo!” A avaliação pacto muito positivo nas pessoas com de- atender suas necessidades. Tiago expres- Mas,
de Joana mostra sua mágoa: ficiência física. No entanto, também pode sou isso da seguinte maneira: “Eles eram pass
“Essas coisas podem realmente ma- ter aspectos negativos. Margarete estava muito bons. Se eu precisasse de algo, vi- A
chucar, se você não for uma pessoa forte. muito feliz por estar envolvida na igreja, nham e me perguntavam. E não de uma Yuva
Durante os últimos cinco anos, fiquei tão mas expressou uma preocupação: “Às ve- forma condescendente, porque obviamen- “crise
desanimada que disse que não voltaria à zes, as pessoas pressionam a fazer tantas te posso ter algumas necessidades adicio- perta
igreja. Mas então, novamente, recordei-me coisas, esperam que se faça tanto, mas se nais que outras pessoas não têm. Se eu dade
de que Deus me chamou e não estou aqui esquecem de que você está doente.” Ela quisesse, eles apenas perguntavam de tona
por eles. A deficiência em si é fácil de li- parece expressar um tipo de “pressão de uma forma aberta e resolviam as coisas, Ta
dar, em comparação com a forma pela herói” que a impele a ter um desempenho para que eu pudesse participar. Mas se eu med
qual as pessoas me consideram. Às vezes, além do normal para alguém que tem cer- não quisesse, tudo bem.” incre
quando elas abrem a boca, fico me ques- tas limitações. Mais uma vez, dar espaço para que a so, tê
tionando: ‘Elas pensam que eu não tenho Samanta teve a seguinte percepção: pessoa esteja envolvida o quanto quiser vida
sentimentos?’” “Às vezes, as atitudes das pessoas podem ajuda muito a tornar a igreja uma experiên- vras
ser bastante frustrantes, especialmente cia agradável. Portanto, deixe-me compar- “Terr
O que podemos aprender? quando elas querem ver você como uma tilhar com você o que consideraria uma das tãos,
Espero que você consiga ouvir essas inspiração. Sinto isso especialmente na co- maiores lições que aprendi como pai: a de- tores
vozes sem adotar uma atitude defensiva. munidade da igreja. [...] Há uma pessoa em ficiência não define Espen. Por isso, o defi- Co
Lembre-se de que a coisa mais importan- particular que habitualmente se aproxima ciente deve ser tratado sem preconceitos, do as
te que um pastor deve fazer é ouvir o de- de mim dizendo: ‘Você está bem, certo?’ com a mesma dignidade e respeito que to- e do
ficiente. Ao dedicar tempo para fazer isso, E sempre acho que isso está me dizen- das as pessoas merecem. do pl
você encontrará experiências positivas: a do que tenho que estar bem. Não tenho poss
Referências
inclusão nos ministérios, a proatividade permissão para estar de outra maneira. grar
1
 oy McCloughry, The Enabled Life: Christianity in a
R
para fazer as adaptações necessárias a fim Às vezes, isso não é verdade. Obviamen- balha
disabling world (Londres: SPCK, 2013), p. 19.
de atender às necessidades deles, a acei- te, as pessoas que estão mais próximas de nece
2
Todos os nomes são pseudônimos.
tação de vários níveis de envolvimento e a mim aceitam, mas outras querem me ver fissio
existência de amigos que dão ao deficiente quase como uma heroína, conseguindo li- em n
a sensação de estar socialmente incluído. dar com toda a carga que está sobre mim. Te
Alice, por exemplo, expressou como es- E nem sempre consigo fazer isso.”
PATRICK JOHNSON niões
Foto: 1xpert / Adobe stock
Foto: Gentileza do autor

secretário ministerial para a


tava feliz por ser organista em sua congre- Margarete e Samanta ilustram uma Igreja Adventista na Divisão açõe
gação. Quando questionada se ela já havia questão identificada por alguns comen- Transeuropeia linha
se sentido excluída da comunhão da igreja, taristas como a “armadilha dos Jogos busc

22 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
IGREJA

para
Erton Köhler OS PLANOS DE
DEUS
onti-

D
greja esde o início de 2020, quando a
e são pandemia do novo Coronavírus al-
l, to- cançou também a América do Sul,
% dis- a sociedade e a igreja passaram a As iniciativas da Igreja
algo.” conviver com muitas incertezas. Ouvimos
es de sobre um novo normal, mas ninguém sabe
Adventista na América
ostos exatamente como ele será. Fala-se de um do Sul para 2021
forte impacto nas finanças globais, po-
rém seus efeitos reais são incalculáveis. Há
uma busca permanente pela imunização
uma de todas as pessoas, contudo isso ainda
evis- não aconteceu. A crise sanitária se mistu-
el de rou com posições políticas, e os resultados
proa- disso são imprevisíveis. Os meios virtuais
entar passaram a dominar todas as áreas da vida.
pres- Mas, até onde o mundo deixará o toque e
eram passará a ser tech ?
o, vi- A situação é tão grave que, segundo
uma Yuval Noah Harari, historiador israelense,
men- “crises como a do Coronavírus podem des-
dicio- pertar os demônios interiores da humani-
e eu dade”. Em outras palavras, podem trazer à
m de tona o que os seres humanos têm de pior.
oisas, Tantas incertezas têm alimentado o
se eu medo, a ansiedade, o sensacionalismo, a
incredulidade, mas também a fé. Além dis-
que a so, têm tornado muito mais desafiadora a
uiser vida dos pastores, confirmando as pala-
riên- vras de Ellen White, quando disse que a
mpar- “Terra não é o lugar de repouso dos cris-
a das tãos, e muito menos dos escolhidos pas-
a de- tores de Deus.”1 uso dos recursos financeiros, incentivamos Nossas previsões são limitadas, nossa cria-
defi- Como igreja, continuamos administran- o desenvolvimento de pessoas por meio do tividade é restrita, nossa força é frágil e
eitos, do as consequências da longa quarentena discipulado, fortalecemos a pregação pro- nossos planos não passam de boas inten-
e to- e do isolamento social, estamos elaboran- fética dentro de uma moldura de esperan- ções. Se tentarmos avançar sozinhos, va-
do planos e projetos com base apenas em ça e trabalhamos com todo nosso empenho mos andar em círculos, ser consumidos
possibilidades, buscamos formas de inte- para manter a igreja viva, ativa e com foco pelo medo, paralisados pela pandemia e
grar estratégias pessoais e virtuais e tra- missionário. Tudo isso sem saber exata- acuados por outras ameaças. Precisamos
in a
balhamos para oferecer solidariedade às mente os rumos que o planeta tomará. dobrar os joelhos e buscar os planos do
necessidades imediatas (emocionais, pro- Em que podemos encontrar, então, for- Senhor. Apenas nas mãos Dele o dano apa-
fissionais e alimentares) sem perder o foco ças para seguir avante diante de tantas rente será transformado em prosperidade
em nossa missão de salvar. incertezas? Na promessa do Senhor, regis- permanente. “O Senhor pode tirar vitória
Temos dedicado tempo ao diálogo, reu- trada em Jeremias 29:11: “‘Porque sou Eu daquilo que, para nós, pode parecer frus-
niões, planejamento e oração. Entre outras que conheço os planos que tenho para vo- tração e derrota. Corremos o perigo de nos
Foto: 1xpert / Adobe stock
Foto: Gentileza do autor

ações, procuramos estar em sintonia com a cês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los pros- esquecermos de Deus e olhar para as coi-
linha de frente e atender suas necessidades, perar e não de lhes causar dano, planos sas que se veem, em vez de contemplar pe-
buscamos ser ainda mais cuidadosos com o de dar-lhes esperança e um futuro’” (NVI). los olhos da fé as que não se veem.”2

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LIDE

DATA CELEBRAÇÃO
o desenvolvimento pastoral. Acreditando

O
numa frase que li tempos atrás: “Coisas
10 Dias de Oração, com o tema boas chegam para quem acredita, coisas
Famílias Fiéis até o Fim e o chamado melhores chegam para quem é paciente,
18 a 27 de fevereiro
para orar pela conversão de nossos e as melhores coisas vêm para quem não
familiares. desiste.”
Conto com você na execução do Pro-
Evangelismo de Semana Santa, enfatizando semeadura jeto de Ação Integrada para 2021. Abrace
27 de março a 3 de abril
e colheita. essas iniciativas como sendo o plano divi-
no para aprofundar a unidade e fortalecer
Impacto Esperança, com a entrega do o discipulado.
livro Esperança Além da Crise, escrito pelo Sem dúvida, os desafios continuarão
1º de maio pastor Mark Finley. Diferentes instituições
da igreja se uniram para patrocinar os livros,
diante de nós, pois as mudanças no mun-
do foram profundas e muito maiores que
Pau
que chegarão gratuitamente aos membros. uma pandemia. Ellen White afirmou que
“a obra que está perante nós é daquelas Clodo
Evangelismo da Semana da Primavera, que deve reforçar
18 a 25 de setembro que põem em tensão toda faculdade do
o ciclo permanente de semeadura e colheita.
ser humano. Isso exigirá o exercício de vi-
Projeto Reencontro, uma semana de evangelismo voltado gorosa fé e vigilância constante. Por vezes
para ex-adventistas, transmitido pela TV, rádio e internet. as dificuldades que teremos de enfrentar
20 a 26 de novembro
O reencontro presencial, nas igrejas, deverá ocorrer no dia serão muito desencorajadoras. A própria
27 ou 28 de novembro. grandeza da tarefa nos aterrará.”6 Mas
ela também nos assegurou que “com o
Não podemos negar os efeitos da cri- Movidos pela esperança, seremos capazes auxílio de Deus, Seus servos finalmente
se. Quantas pessoas perderam familiares de encarar o futuro, pois Ele trará nosso triunfarão. […] Jesus estará conosco; Ele
na pandemia? Ficaram sem trabalho? En- mais esperado presente, a volta de Jesus! irá adiante de nós por intermédio de Seu
frentaram conflitos espirituais? A situa- Podemos confiar que “logo a batalha es- Espírito Santo, preparando o caminho; e
ção é realmente grave, mas o legado do tará terminada, e a vitória, ganha. Breve Ele será nosso ajudador em toda emer-
Senhor é outro. Ele promete prosperidade veremos Aquele em quem se têm centrali- gência.” 7
em meio à adversidade. E já começou a dar zado nossas esperanças de vida eterna. Em
Referências
algumas amostras. Você observou quan- Sua presença as provas e sofrimentos des-
ta gente fortaleceu a vida devocional? Es- ta vida parecerão como se nada fossem.”5 1
Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja (Tatuí, SP:
Casa Publicadora Brasileira, 2014), v. 1, p. 371.
tudou mais as profecias? Voltou para os Mas, enquanto esse dia não chega, preci-
2
Ellen G. White, Atos dos Apóstolos (Tatuí, SP: Casa
braços do Pai? Abriu o coração para as samos continuar buscando sintonia com
Publicadora Brasileira, 2014), p. 481.
questões espirituais? Compartilhou con- os planos do Senhor. Sempre lembran- 3
Ellen G. White, História da Redenção (Tatuí, SP: Casa
tatos missionários usando os meios vir- do que, muitas vezes, Ele envia as melho- Publicadora Brasileira, 2015), p. 293.
tuais? Foi uma pequena demonstração de res oportunidades por meio das maiores 4
Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações
que “os limites humanos são a oportuni- dificuldades. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014), p. 362.

dade de Deus.”3 Em 2021, vamos trabalhar com as me- 5


Ellen G. White, Visões do Céu (Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2009), p. 109.
O Senhor nos conclama hoje a dobrar lhores possibilidades que Deus tem co-
6
Ellen G. White, Mensagens Escolhidas (Tatuí, SP:
os joelhos com fé, motivar a igreja a cla- locado em nossas mãos. Vamos priorizar Casa Publicadora Brasileira, 2015), v. 2, p. 407, 408.
mar pelo batismo do Espírito Santo e bus- a unidade da igreja; o fortalecimento de 7
Ibid., p. 408.
car conhecer intensamente Seus planos. nossa identidade bíblica; a visão do disci-
Afinal, “somente o trabalho realizado com pulado com ênfase na comunhão, no rela-
muita oração e santificado pelos méritos cionamento e na missão; e a implantação
Foto: Thomas Mucha / Adobe Stock

de Cristo mostrará, no final das contas, ter das competências ministeriais. Assim po-
ERTON KÖHLER
presidente da Igreja
Foto: Divuldação DSA

sido eficaz.”4 deremos enfrentar esses tempos tão com- Adventista para a América
Os planos do Senhor ficarão mais claros, plexos, trabalhando integrados, com foco do Sul
mesmo que a crise seja ainda mais forte. claro e criando as melhores condições para

24 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
LIDERANÇA

ando

O PASTOR
oisas
oisas
ente,

IDEAL
m não

Pro-
brace
divi-
lecer

arão
mun-
s que
Paulo e o paradigma ministerial
que
uelas Clodoaldo Tavares dos Santos
e do
de vi-
vezes
entar
ópria
Mas
om o
ente
o; Ele
e Seu
ho; e
mer-

í, SP:

asa

Casa

362.

igreja pudesse triunfar diante das neces-

O
sidades. Basta considerar o conteúdo de
P:
08.
nome do apóstolo Paulo certa- suas 14 epístolas para se certificar disso.
mente se destaca entre os pri- De fato, Ellen White afirma que Paulo
meiros líderes da igreja cristã. “foi uma pessoa designada por Cristo para
Convertido ao cristianismo de uma importantíssima obra, alguém que
maneira impressionante, o per- devia ser ‘um vaso escolhido’”.1 Por sua
Foto: Thomas Mucha / Adobe Stock

seguidor passou a ser perseguido, e todos vez, Udo Schnelle lembra que o apóstolo
Foto: Divuldação DSA

os seus esforços passaram a se concen- “foi, sem dúvida, o missionário e pensa-


trar na pregação das boas-novas da sal- dor teológico proeminente do cristianis-
vação em Jesus e contribuição para que a mo primitivo”.2

N O V- D E Z • 2020 l MINISTÉRIO 25

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Diante desse currículo, é interessante De fato, Paulo deixou claro em alguns mim diariamente a preocupação [meri- Obse
pensar nas seguintes perguntas: Pode- textos que seu ministério estava entrela- mna] com todas as igrejas.” William Mac- A mo
mos estabelecer um paradigma ministe- çado com a evangelização: “Pois não me Donald afirma que “Paulo levava a cada bem
rial a partir do exemplo de Paulo? Até que envergonho do evangelho, porque é o po- dia a carga constante das igrejas cristãs neira
ponto podemos considerar o paradigma der de Deus para a salvação de todo aque- em seu coração. Quão significativo que A prá
paulino como parâmetro para o ministé- le que crê, primeiro do judeu e também do isto seja a culminação de todas suas ou- plo, e
rio pastoral adventista contemporâneo? grego” (Rm 1:16). Em 1 Coríntios 9:16 ele tras provas”.7 Tão importante quanto sua tios 1
afirmou: “Pois, se anuncio o evangelho, preocupação com as igrejas, estava seu Po
O evangelista não tenho de que me gloriar, porque me cuidado com as pessoas. “Pois não estou de se
O primeiro aspecto a ser considerado é é imposta essa obrigação; e ai de mim, se interessado nos bens de vocês, e sim em ment
o trabalho de Paulo como evangelista, con- não anunciar o evangelho!” (ACF). O ter- vocês mesmos” (2Co 12:14). der fi
forme se encontra no livro de Atos e nas mo grego traduzido por “imposta” é um Ao longo da história, um dos grandes pe- suntu
epístolas paulinas. Mauro Pesce conside- verbo médio/passivo depoente. Ou seja, rigos enfrentados pelos pastores tem sido espir
ra o evangelismo “como atividade primá- é um verbo que possui voz média ou pas- alimentar motivos escusos em seu ministé- dos m
ria do apóstolo, consistindo no anúncio (o siva, porém, com significado ativo. Sua for- rio. O exemplo apostólico torna-se referên- preg
querigma) e na fundação de novas igrejas”.3 ma de voz é diferente de sua função de voz. cia quando observamos o amor que Paulo a igre
A ideia missiológica que transparece Paulo realiza a ação por “obrigação”, pala- nutria pelo povo de Deus, a ponto de decla- nha g
nos relatos é que Paulo, no cumprimento vra que pode ser traduzida também como rar: “Eu de boa vontade gastarei e me dei- no em
da missão, utilizava estratégias adequa- “necessidade”. Ou seja, algo interior o im- xarei gastar em favor de vocês” (2Co 12:15).
das à realidade em que estava inserido. pulsionava fortemente a realizar esta ação, William MacDonald comenta: “Aqui temos O teó
Em alguns momentos, sua proclamação que brota de uma necessidade intrínseca um belo vislumbre da inesgotável busca do O
e seu ensino ocorriam em ambientes pú- do apóstolo. apóstolo Paulo pelo bem-estar do povo de como
blicos (At 13:14-43; 14:14-18; 17:19; 20:17- Segundo A. T. Robertson, a frase “por- Deus em Corinto. Ele estava felizmente dis- tas n
38; 22:1-21; 23:1-10; 24:10-21; 26:1-32). Em que me é imposta essa obrigação” poderia posto a se entregar em serviço incansável statu
outros, no contexto privativo, das casas ser traduzida como “porque esta necessi- e em sacrifício por suas almas, isto é, por gos c
(Rm 16:15; Cl 4:15; Fm 2; At 2:46; 1Co 16:19). dade me está imposta”.5 Dessa maneira, seu bem-estar espiritual.”8 como
Em síntese, ele se envolvia em evange- Paulo reconhecia que a pregação do evan- Nas cartas, outro detalhe que chama na” o
lismo público e pessoal, à semelhança de gelho era uma necessidade pessoal. Em atenção é a maneira pela qual Paulo con- a gra
Jesus. Os evangelhos mostram Cristo sua percepção, não havia possibilidade de cluía suas mensagens. O fato de saudar cristi
em ação, fazendo evangelismo público ele fazer outra coisa nem de receber re- nominalmente os fiéis das comunidades U
(Mt 7:28; 9:36; Mc 7:31; 10:1; Lc 5:17; 12:54; compensa alguma por fazê-lo. Em suma, a cristãs evidencia o tipo de relação inter- pauli
Jo 8:2) e pessoal (Mt 9:6; 12:10, 15; Mc 1:29; construção do verso evidencia que o pró- pessoal que ele tinha com os membros das exem
2:14, 15; Lc 8:51; 19:5; Jo 3; 4). Dessa manei- prio evangelho é o elemento motivador de igrejas. Por exemplo, em Romanos 16, Paulo teoló
ra, o apóstolo não hesitou ao colocar em Paulo para seu compromisso com a missão. enviou saudações diretas para pessoas os es
prática os métodos do Mestre.4 que ele chamava de cooperadores (16:3, 21), tante
Além disso, Paulo não participou da O pastor amigo (16:8) e até “mãe” (16:13). Ao concluir clusõ
missão de maneira individual. Ele atuava O segundo aspecto do paradigma mi- 1 Coríntios, expressou seu sentimento ge- Teólo
em parceria com a igreja local e também nisterial de Paulo está relacionado com sua nuíno dizendo: “O meu amor esteja com dolf B
com uma equipe missionária. Atos mos- atividade pastoral. Esse trabalho era carac- todos vocês, em Cristo Jesus” (1Co 16:24). pens
tra que o apóstolo costumava viajar com terizado pelas visitas do apóstolo às igrejas Em Atos 20:28, preocupado com a espiri- sões
vários colaboradores. As epístolas confir- fundadas, pelos colaboradores que eram tualidade da liderança da igreja, admoes- dos e
mam essa prática. Em Filipos, por exemplo, enviados por ele às congregações, por seus tou: “Cuidem de vocês mesmos e de todo ainda
ele chegou com uma equipe que parece conselhos diretos aos líderes das comu- o rebanho.” tudio
Jacob Lund | Adobe Stock

ter sido composta por Timóteo, Lucas nidades e também pelo envio de cartas.6 Outra atividade importante na dinâ- A
e Silas (At 16). Tempos depois, quando Aliás, suas cartas demonstram o cui- mica pastoral de Paulo era a visitação. suas
Paulo escreveu aos filipenses, mencio- dado pastoral que ele tinha com a igreja. Em Atos 15:36, o apóstolo convidou Bar- te re
Foto: Gentileza do autor

nou como seus colaboradores Timóteo e O uso do termo merimna sintetiza essa nabé para visitar os irmãos que haviam ele ti
Epafrodito (Fp 2:16-30), e ainda Evódia, ideia. Em 2 Coríntios 11:28, Paulo diz: “Além se convertido nas campanhas evange- lise e
Síntique e Clemente (Fp 4:2, 3). das coisas exteriores, ainda pesa sobre lísticas da primeira viagem missionária. sua t
Foto:

26 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
meri- Observe que não era uma visita impensada. de retroalimentação sistêmica com a igre- para responder as perguntas apresenta-
Mac- A motivação era a preocupação com o ja. Isso é evidenciado pelas situações teo- das na introdução deste artigo, é preciso
cada bem-estar integral dos cristãos e, de ma- lógicas abordadas. elaborar outros três questionamentos. Há
istãs neira especial, dos recém-convertidos. Diante de um método de interpretação necessidade atual de evangelização? A so-
que A prática ainda é evidenciada, por exem- enraizado na cultura judaica da época e da ciedade, sobretudo a família da fé, precisa
s ou- plo, em textos como Gálatas 1:18, 1 Corín- influência de correntes filosóficas variadas, de pastoreio marcado pelo cuidado e pela
o sua tios 16:5 e 2 Coríntios 12:14. Paulo é encontrado no desafio de desen- visitação? Precisamos de teólogos com
a seu Portanto, para o apóstolo, a relevância volver um pensamento que sistematize o conhecimento amplo e profundo? Se as
stou de seu ministério não se resumia simples- escopo teológico-doutrinário cristão que respostas forem positivas, então, fica evi-
m em mente ao “crescimento numérico ou o po- prevaleça ante os sistemas concorrentes dente que o paradigma paulino de minis-
der financeiro ou a construção de templos e discursos cultural-religiosos predomi- tério pastoral, marcado pela evangelização,
s pe- suntuosos”,9 mas estava relacionada à saúde nantes,14 preservando sua fundamenta- pelo pastoreio e preparo teológico, são vá-
sido espiritual da comunidade da fé, ao cuidado ção bíblica. lidos contemporaneamente.
nisté- dos membros e envolvimento de todos na Seu conhecimento teológico é vasto,
erên- Referências
pregação do evangelho. Ele era zeloso com comprovado pela sua abordagem ampla e
Paulo a igreja, a doutrina e a evangelização, mas ti- profunda. Isso sem falar de sua compreen- 1
 llen G. White, Atos dos Apóstolos (Tatuí, SP: Casa
E
Publicadora Brasileira, 2007), p. 120.
ecla- nha grande preocupação com o ser huma- são a respeito das correntes de pensamen-
2
Udo Schnelle, Teologia do Novo Testamento (Santo
e dei- no em suas fragilidades, anseios e temores. tos filosóficos de seu tempo. Por exemplo,
André, SP: Academia Cristã, 2010), p. 256.
2:15). em Atos 17, além de dialogar com represen- 3
 auro Pesce, As Duas Fases da Pregação de Paulo
M
emos O teólogo tantes do pensamento epicureu e estoi- (São Paulo: Loyola, 1996), p. 15.
ca do O terceiro aspecto é a imagem de Paulo co, Paulo citou intertextualmente Aratu, 4
 llen G. White, A Ciência do Bom Viver (Tatuí, SP:
E
vo de como teólogo. A importância de suas car- Cleandro e Epimênides. Casa Publicadora Brasileira, 2015), p. 143.

e dis- tas no Novo Testamento lhe confere um O apóstolo jamais permitiu que a teolo- 5
A . T. Robertson, Comentario al Texto Griego del
Nuevo Testamento (Barcelona: Clie, 2003), p. 443.
sável status diferenciado, que ofusca os teólo- gia o afastasse de seus irmãos. Afinal, “ser
6
Pesce, As Duas Fases da Pregação de Paulo, p. 15.
, por gos cristãos que o seguiram.10 Expressões teólogo não significava afastar-se do povo,
7
 illiam MacDonald, Comentário Bíblico de
W
como “corpus paulino”, “teologia pauli- mas comprometer-se com ele”.15 A aborda-
William MacDonald: Antiguo Testamento y Nuevo
hama na” ou “pensamento paulino” evidenciam gem teológica paulina estabelecia uma au- Testamento (Barcelona: Clie, 2004), p. 843.
con- a grandeza desse preeminente líder do têntica convergência entre preceitos da fé 8
MacDonald, Comentário Bíblico, p. 845.
udar cristianismo. cristã como meios para a compreensão in- 9
 homas W. Hill, Roberto Fricke, Edgar Baldeón,
T
ades Uma análise histórica da influência dividual para a salvação humana, interfe- Gustavo Sánchez, Comentario Bíblico Mundo
Hispano: 1 y 2 Corintios (El Paso, TX: Mundo
nter- paulina na teologia é reveladora. Por rindo assim em seu contexto existencial. Hispano, 2003), p. 315.
s das exemplo, Agostinho elaborou suas ideias Segundo Derek Tidball, o objetivo do en- 10
James Dunn, A Teologia do Apóstolo Paulo (São
Paulo teológicas a partir de suas reflexões sobre sino teológico de Paulo era “fortalecer os Paulo: Paulus, 2008), p. 27.

soas os escritos de Paulo.11 A Reforma Protes- crentes, dar-lhes mais conhecimentos so- 11
Aurélio Agostinho, Confissões (São Paulo: Folha de
São Paulo, 2010), p. 106.
3, 21), tante teve sua origem relacionada às con- bre a identidade e salvação deles, dar-lhes
12
Dunn, A Teologia do Apóstolo Paulo, p. 28.
ncluir clusões extraídas das cartas do apóstolo. um grande apreço e confiança em Cristo e
13
Ibid., p. 37.
o ge- Teólogos influentes como Karl Barth, Ru- Sua obra, incentivar a sua unidade como
14
Schnelle, Teologia do Novo Testamento, p. 257.
com dolf Bultmann e Emil Brunner se tornaram um reflexo do evangelho de reconciliação
15
 evin J. Vanhoozer e Owen Strachan, O Pastor como
K
6:24). pensadores reconhecidos por suas incur- e instruí-los na vida ética”.16
Teólogo Público: Recuperando uma visão perdida
spiri- sões nas epístolas paulinas.12 A influência (São Paulo: Vida Nova, 2016), p. 159.
moes- dos escritos de Paulo para o cristianismo Conclusão 16
Derek Tidball, Ministério Segundo o Novo
todo ainda desperta o interesse de muitos es- Conforme a experiência de Paulo, o mi- Testamento (São Paulo: Cultura Cristã, 2011), p. 139.

tudiosos contemporâneos. nistério pastoral está centrado no evan-


dinâ- A teologia paulina é apresentada em gelho e tem origem nele. É verdade que
ação. suas epístolas e está inseparavelmen- qualquer anacronismo entre o contexto do CLODOALDO TAVARES
Bar- te relacionada ao caráter do diálogo que ministério paulino e o atual desconstruiria DOS SANTOS
Foto: Gentileza do autor

viam ele tinha com seus destinatários e à aná- um dos grandes princípios paradigmáticos professor de Teologia na
Faculdade Adventista da
nge- lise e contextualização histórica.13 Ou seja, ensinado pelo próprio apóstolo, o da con- Amazônia
nária. sua teologia participava de uma estrutura textualização (1Co 9:20-22). Entretanto,
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FINANÇAS

Eu

A
o estudar mais detidamente o livro é obr
de Provérbios, comecei a entender fim d

LIÇÃO DA
a deferência do sábio autor a uma tarde
qualidade a qual eu não havia aten- latino

NATUREZA
tado antes. Faz alguns meses, a Associa- poup
ção Geral da Igreja Adventista solicitou aos ferên
pastores distritais que respondessem uma nal, p
pesquisa. Uma das questões me fez refle- na ap
tir. A pergunta era se tínhamos uma re- finan
serva econômica menor ou maior do que apos
o salário de todo um ano. Sinceramente, algué
não entendi o motivo da pergunta e se isso com
A formiga, as finanças e a vida pastoral correspondia a alguma medida internacio- da, d
nal, ou apenas norte-americana, para sa- tes v
Jonatán Moreyra ber se uma pessoa está apta para contrair anos
crédito. Talvez eu achasse que orientações 40, R
para poupar dinheiro fossem algo básico, é bom
então, procurei estudar sobre o assunto. tiva q
cas g
como
Vo
bre o
men

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Foto:

28 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
Eu descobri que nos países em que não Morando atualmente na Argentina, co- reflita nos caminhos dela e seja sábio!
livro é obrigatório contribuir para o governo a nheço poucos colegas de ministério que Ela não tem nem chefe, nem supervisor,
nder fim de receber uma aposentadoria mais têm esse valor em investido. E aqueles nem governante, e ainda assim armazena
uma tarde, como é o caso de alguns países que o têm, pouparam para outros objeti- as suas provisões no verão e na época da co-
aten- latino-americanos, você é aconselhado a vos: como trocar o carro, adquirir um ter- lheita ajunta o seu alimento” (Pv 6:6-8, NVI).
ocia- poupar certo valor por vários anos, de pre- reno ou casa ou tirar férias. Ao observar essa repreensão dirigida à
u aos ferência, durante toda a sua vida profissio- Em tempos de turbulência econômica pessoa preguiçosa, nossa primeira reação
uma nal, para depois usufruir dessa poupança no mundo, e mesmo nos de bonança, é im- é desconsiderá-la. Talvez esse adjetivo nos
efle- na aposentadoria. Bancos e instituições prescindível conhecer um pouco sobre pla- incomode, ou simplesmente achamos que
a re- financeiras oferecem diversos planos de nejamento financeiro. O pastor recebe um não fazemos parte desse grupo. Afinal, te-
o que aposentadoria privada. Por exemplo, se salário razoável, e se não souber administrá- mos sobrecarga de trabalho! No entanto, a
ente, alguém quiser se aposentar aos 65 anos lo terá sérios problemas para sustentar a fa- intenção de Salomão ao usar o termo não
e isso com 1 milhão de reais na previdência priva- mília e ser um ministro segundo o plano de foi atacar, mas contrapor o perfil e o modo
acio- da, deve investir mensalmente os seguin- Deus. Muitos não têm reservas equivalen- de vida do preguiçoso com o da pessoa sá-
a sa- tes valores: Começando a poupar aos 20 tes a um ano de salário (inclusive eu), nem bia: “O preguiçoso considera-se mais sábio
ntrair anos, R$ 1.075,18; aos 30, R$ 1.571,41; aos mesmo o equivalente a um mês de salário. do que sete homens que respondem com
ções 40, R$ 2.490,73; aos 50, R$ 4.680,66.1 Mas, Vivemos apertados, com prestações e bom senso” (Pv 26:16, NVI).
ásico, é bom esclarecer que essa é uma estima- contas a pagar, para ver se chegamos ao É também uma forma de descrever a
nto. tiva que considera as condições econômi- fim do mês. A consequência disso pode ser mente dominada por ideias irracionais e
cas gerais, sem levar em conta imprevistos estresse, um precursor da ansiedade e de- medos irreais: “O preguiçoso diz: ‘Um leão
como a pandemia. pressão. Como o pastor pode levar confor- está no caminho! Um leão está no meio
Volto agora à pergunta da pesquisa so- to e tranquilidade às pessoas se ele mesmo da rua!’” (Pv 22:13). Ele é o exemplo de al-
bre o pastor ter uma poupança com valor não os possui? Obviamente, o medo de guém cheio de planos e sonhos, mas que
menor ou maior que o salário de um ano. perder o emprego, do desequilíbrio finan- não consegue mudar sua situação: “A alma
ceiro e de não ficar livre das dívidas são coi- do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma al-
sas que se administram no decorrer dos cança” (Pv 13:4, ARC). Como consequência,
anos de experiência. Contudo, ainda as- sua vida se torna totalmente complicada:
sim, a incerteza é algo que nunca vai em- “O caminho do preguiçoso é cercado de es-
bora, precisamente porque este mundo é pinhos, mas a vereda dos retos é bem apla-
tudo, menos estável. nada” (Pv 15:19, ACF). Trata-se claramente
Algumas semanas atrás, precisei fazer de um problema sério, porque a conse-
várias viagens longas para levar um mem- quência de não ouvir a instrução é que “a
bro enfermo de nossa igreja que não tem pobreza o assaltará como um bandido; a
nenhum familiar. Seu plano de saúde assis- escassez o atacará como um ladrão arma-
tencial não autorizou as consultas e exa- do” (Pv 6:11, NVT).
mes, e eu tive que ajudá-lo com os custos. Jacques Doukhan apresenta um exce-
O município em que ele reside está em cri- lente comentário sobre os três princípios
se com a saúde e não conta com médicos fundamentais destacados por Salomão no
especialistas. Em casos assim, você tem exemplo da formiga (Pv 6:6-8).2
que se colocar à disposição. O problema
é quando chega o fim do mês. Você se vê Aprender
em apuros, e triste porque nenhum mem- O primeiro princípio está no versículo 6.
bro da igreja teve condições de ajudar o ir- Ele nos exorta a “olhar ou ver” a formiga e
mão necessitado. Eu chego à conclusão de ser sábio. É um eco ao convite do verso 3:
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que nossos membros precisam ser educa- “humilhe-se”.


dos no que diz respeito à vida financeira. O problema é achar que sabemos tudo,
Uma de minhas passagens bíblicas favo- porém temos que aprender com esse pe-
ritas desde a infância lança luz sobre esse quenino inseto porque ainda não aprende-
assunto: “Observe a formiga, preguiçoso, mos o básico.3 É preciso observar o trabalho,
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LIÇÕE

a administração e a política econômica des- atenção para a formiga. Ela trabalha em co- chegar. Se não houver um plano não haverá

N
sa minúscula criatura. Podem ser princípios munidade e não o faz para desperdiçar seus vislumbre do futuro, e o medo e a ansieda-
diferentes dos seus ou dos promovidos pela recursos, mas para seu sustento. Ela não de ocuparão seu lugar. Decisões e atitudes
sociedade, mas são mais sábios. consome rapidamente tudo o que conse- sábias no ministério dificilmente surgirão de
Precisamos reconhecer que não nasce- guiu, mas se ocupa em poupar e armazenar. um pastor estressado, sufocado pelas dívi-
mos sabendo tudo. Por isso, com humilda- Precisamos aprender a trabalhar sem das e abalado financeiramente. Cada pastor

A
de, precisamos nos sentar e aprender com temer falta de alimento ou de recursos. deve sentar com sua família e estabelecer
a formiga. No fim de Provérbios, Salomão a Jesus disse que os pagãos é que sentem te- quanto podem poupar como parte fixa do
considera como um dos quatro seres mais mor e angústia quanto ao futuro, porque seu orçamento. Isso deve ser uma determi-
sábios da Terra. Ninguém gosta de ouvir o servem primeiro ao mundo e não ao reino nação, e não uma opção. Significa garantir o
que deve fazer com seu dinheiro. Todo pas- de Deus.5 Trabalhe sem se preocupar, como sustento enquanto “o inverno” não chega. terio
tor que administra sua casa se sente con- a formiga, e Deus cuidará do seu sustento. Como seria maravilhoso ver nossos ir- do ri
fiante de que está fazendo a coisa certa e o mãos crescerem na fé e em estabilidade do d
melhor, mesmo que não esteja. Muitos não Garantir financeira em seus lares por meio de uma Janei
foram instruídos sobre economia nem so- O terceiro princípio está no versículo 8: administração adequada! Quão sábio se- distâ
bre a correta administração dos recursos. “[Ela] armazena as suas provisões no verão ria nosso ministério sem os fantasmas do 1.00
Geralmente, copiamos o que nossos pais fi- e na época da colheita ajunta seu alimen- medo d o futuro! mos
zeram. Por teimosia ou vergonha, não ve- to”. Resumindo, aprenda a provisionar para Depois de observar a formiga, deixo cont
mos outra maneira de agir. o futuro. Assim como a formiga ajunta no como apelo final o conselho bíblico: pro- local
Se vivemos em constante endivida- verão para enfrentar o rigor e a miséria do curemos poupar durante o inverno para coma
mento, isso pode nos trazer angústia, inverno, aprenda a se prevenir contra uma termos no verão, ou vamos nos esforçar gar d
medo e a impossibilidade de ajudar os crise potencial e se preparar para ela. Isso um pouco mais para acumular uma reser- dias
outros. Reconhecer nossas limitações na nos lembra da provisão de José para os sete va de um verão a outro. Assim, poderemos apre
gestão financeira não é simples, mas é ne- anos de escassez no Egito (Gn 41:34-36). dizer: “Talvez o Santo, bendito seja Ele, me atrav
cessário. Olhe para a formiga, humilhe-se O verbo “armazenar”, no hebraico, é decrete mais vida e terei grãos para comer.” porq
e aprenda com ela. a palavra kwn’y que está no modo hiphil a trip
e pode ser traduzido como “preparar” Referências espe
Trabalhar (Sl 147:8), “estar preparado” (Jr 46:14), “dirigir 1
Juliana Elias, “Quer ter quanto para aposentar? Veja gum
quanto poupar na previdência privada”, disponível
O segundo princípio está no verso 7: os passos” (Pv 16:9), “confirmar” (2Sm 5:12), a Bo
em <tinyurl.com/y5bv238c>, acesso em 5/10/2020.
“Ela não tem nem chefe, nem supervisor, e “predispor, dispor” (Sl 119:133; 1Sm 7:3).6 pora
2
Jaques Doukhan, El Libro de Proverbios: El temor
nem governante”, contudo, decide fazer o A prevenção é sabedoria. Não é desconfian- de Dios es el principio de la sabiduría (Buenos Aires: pass
trabalho por si mesma, sem instruções ou ça de Deus nem falta de fé. Pelo contrário, Aces, 2014). uma
ordens. Se como pastores trabalhamos di- na falta dela surge a dúvida, a incerteza e 3
 atthew Henry e Francisco Lacueva, Comentário
M da 17
Bíblico de Matthew Henry (Barcelona: Clie, 1999),
reito e fazemos a coisa certa apenas porque até a falta de fé. “Economia” ou “poupan- p. 669, 670.
rio a
nos ordenam fazê-lo, não estamos fazendo ça” é outra forma de se referir à prevenção. 4
L embra-me a comunidade celestial, na qual todos
ante
porque é nosso dever, mas por temer àque- Poupar exige determinação e disposição os seres trabalham em perfeito amor para com os Novo
demais.
les que nos mandam. Por outro lado, se fa- para agir. A formiga armazena seu alimen- Es
5
Mateus 6:24-34.
zemos isso somente por causa do salário, to nas estações próprias, morde a ponta do que
nos tornamos súditos de Mamom. grão para evitar que germine e o guarda
6
 oisés Chávez, Diccionario de Hebreo Bíblico (El
M pode
Paso, TX: Editorial Mundo Hispano, 1992), p. 277.
Aqui, Salomão apresenta um princípio nos cubículos do formigueiro até que pre- quat
7
E
 l Tesoro del Conocimiento Bíblico: Referencias
muito interessante. O trabalho faz parte da cise dele.7 Um rabino, comentando sobre bíblicas y pasajes paralelos (Bellingham, WA: Logos, a si m
vida e é bom. O propósito do trabalho não a vida curta da formiga, disse: “Em toda a 2011), Provérbios 6:6. à cas
é o dinheiro, mas o trabalho em si concede sua vida ela necessita apenas de um grão e 8
M
 idrash, Devarim Rabbah 5:2. ma n
a bênção de prover o alimento. O trabalho meio, mas ainda assim ajunta tantos grãos. assis
realizado em verdadeira união não promo- Por que faz isso? Porque diz: Talvez o Santo, tras p
Foto: Arquivo de Uilton Mendes

ve a desconfiança do dirigente.4 bendito seja Ele, decretará mais vida para JONATÁN MOREYRA As re
Foto: Gentileza do autor

Em nossa sociedade, muitas pessoas tra- mim, e eu terei grãos prontos para comer.”8 pastor em Jardín América, to bo
Argentina
balham apenas para obter maiores ganhos Não é simplesmente se tenho poupa- Não p
pessoais. No entanto, Deus chama nossa do certa quantia ou não, mas onde desejo um s

30 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
LIÇÕES DE VIDA

averá

NO INTERIOR DA BAHIA
eda-
udes
ão de
dívi-
astor

A
lecer companhado do irmão [Claren-
xa do ce] Rentfro, iniciei no dia 18 de ju-
ermi- nho [de 1920] uma viagem a fim
ntir o de visitar um lugar distante no in-
hega. terior, próximo do rio Corrente, afluente
os ir- do rio São Francisco, que nasce no Esta-
dade do de Goiás. Fizemos a viagem do Rio de
uma Janeiro até Pirapora em pouco tempo. A
o se- distância entre essas duas cidades é de
as do 1.006 quilômetros. De Pirapora, pude-
mos já, no dia 22 de junho, por via fluvial,
deixo continuar a viagem a Bom Jesus da Lapa,
pro- localidade em que, segundo nos disse o
para comandante do navio, havíamos de che-
orçar gar dentro de cinco dias. Embora esses
eser- dias tenham sido agradáveis e tenhamos
emos apreciado muito as belas paisagens que
Foto histórica da cidade de Porto Novo do Corrente, Bahia
e, me atravessamos, foi uma viagem tediosa,
mer.” porque tínhamos um alvo, ao passo que lugares diferentes. Na semana seguinte, vi- Isso não deveria servir de lição a muitos
a tripulação do navio parecia não tê-lo, sitei os crentes residentes em Santana dos dos nossos irmãos? Há quem julgue não
especialmente quando atracavam em al- Brejos e realizei ali diversas reuniões, en- poder passar um sábado sem a presen-
Veja gum porto fluvial. Chegando finalmente quanto o irmão Rentfro seguiu para San- ça de um ministro. Provavelmente aque-
vel
a Bom Jesus da Lapa, que dista de Pira- ta Maria da Vitória. les irmãos não poderão ser visitados por
20.
pora apenas 621 quilômetros, já haviam Na volta, falou do interesse que ali reina um ministro sem que tenha passado ou-
or
Aires: passado, ao todo, oito dias. Arranjamos ali e das boas reuniões por ele conduzidas. E os tro ano, mas eles resolveram trabalhar, e
uma pequena embarcação e fomos ain- irmãos de modo algum estiveram inativos. esperamos que lancem a semente da ver-
rio da 17 léguas mais adiante, sendo 15 léguas Diversas pessoas haviam sido ganhas para dade em muitos lugares e tenham suces-
9),
rio acima. Sexta-feira, 2 de julho, pouco a verdade, de sorte que, no sábado, 10 de so em seu trabalho. E, irmãos, é assim que
dos
antes do pôr do sol, chegamos a Porto julho, cinco pessoas foram batizadas, sen- deve ser, porque se as igrejas e os grupos
os Novo do Corrente. do mais duas recebidas na igreja por voto. quiserem ter para si os poucos obreiros que
Estávamos muito ansiosos por saber o Isso prova quão verdadeiro é o texto de nossa denominação tem, quanto tempo le-
que encontraríamos ali, porque, o que se João 15:5. Estando nós verdadeiramente li- vará para consumar essa obra mundial? [...]
El pode esperar de crentes que por espaço de gados à videira, não somos desamparados Queira o Senhor abençoar ricamente Sua
7.
quatro longos anos se acharam entregues nem infrutíferos, mas se isso não ocorrer obra na grande Missão Baiana!
ogos, a si mesmos? Em pouco tempo chegamos conosco, de nada adianta a ajuda de todos
à casa do dirigente do grupo e, na mes- os ministros. Depois de madura reflexão, Referência

ma noite, realizamos um culto edificante, resolvemos dar ainda outro passo. Sen- Extraído de Henry Meyer, “No interior da Bahia”,
Revista Mensal, dezembro de 1920, p. 8, 9.
assistido pelos irmãos e por algumas ou- do que encontramos todos os irmãos bem
tras pessoas que tinham sido convidadas. fundamentados na verdade e vivendo em
Foto: Arquivo de Uilton Mendes

As reuniões que se seguiram foram mui- harmonia com todos os pontos da nossa HENRY MEYER
Foto: Gentileza do autor

to boas, sendo igualmente bem assistidas. mensagem, e havendo também irmãos ca- foi missionário e primeiro presidente da antiga União
Este Brasileira
Não podíamos, porém, limitar as reuniões a pazes para os diversos cargos, sentimo-nos
um só lugar, porque os irmãos residem em no dever de organizar uma igreja.

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w

DICAS DE LEITURA

“Pur
Os Métodos Missionários de Paulo e um Estudo da Expansão da Igreja R
Roland Allen, Vida Nova, 2020, 368 p. (h

Dois clássicos reunidos em único volume. Em Os Métodos Missionários de Paulo, Roland Allen A
nos convida a examinar a obra missionária de Paulo, a qual o autor afirma ser o paradigma para purifi
toda obra missionária, uma vez que, tanto no livro de Atos quanto nas cartas paulinas, vemos o va. A
apóstolo lidar com diversos problemas e tratar de assuntos como treinamento, discipulado, fi- purifi
nanças e disciplina. go an
Os Métodos Missionários de Paulo e sua continuação, Um Estudo da Expansão da Igreja, são A
clássicos que ainda hoje nos desafiam a avaliar a atuação das igrejas e das missões à luz da Bíblia é feit
e a submeter nossos esforços ao poder e à ação do Espírito Santo. seçõ
em t

A Criança Digital: Ensinando seu filho a encontrar equilíbrio no mundo virtual “El k
Gary Chapman e Arlene Pellicane, Mundo Cristão, 2020, 256 p. A
(h
A criança de hoje nasce digital. Se é verdade que a tecnologia apresenta muitas vanta-
gens, é igualmente verdadeiro que o mau uso ou o uso excessivamente precoce traz diversas Em
preocupações para os pais. A boa notícia é que existem maneiras de equilibrar tecnologia, famí- ção e
lia e sociabilidade. Descubra como por meio das sugestões de dois renomados especialistas em ques
relacionamentos familiares. xico
Quanto mais tempo uma criança passa diante das telas, menos tempo ela tem para interagir gera
com os pais, irmãos e amigos. A tecnologia está desunindo sua família? Quais são suas preocupa- dolog
ções em relação ao tempo que seu filho passa diante das telas? Qual a idade ideal para uma criança palav
ter contato com celular, tablet ou computador? Devemos estabelecer regras para o uso de apare- O
lhos eletrônicos? Como ensinar aos filhos a diferença entre conteúdo próprio e impróprio? Se uma rigm
ou mais dessas questões o preocupa, este livro foi escrito pensando em você. bora
confi

Cristianismo Pós-Pandemia: Impacto e oportunidades “Inte


Neriel Lopez, org., Vida, 2020, 176 p. Em
(h
Esse livro traz diversos temas que auxiliarão pastores e igrejas a repensar a nova realidade.
Em cada capítulo, há um artigo independente sobre um assunto específico, com uma aborda- D
gem prática para aplicação no dia a dia. A obra procura oferecer sugestões para viver o cristianis- pirad
mo neste novo tempo da humanidade. De fato, uma nova igreja está surgindo. Mais abrangente meio
e com maior alcance. N
Selecionados e organizados pelo jornalista Neriel Lopez, os autores apresentam reflexões so- a ess
bre confinamento, comunicação, técnicas para transmissão ao vivo, novos rumos da pregação, ta um
cuidado com a imagem, virtualização do sagrado, entre outros temas. Recurso indispensável para nos P
estudo e orientação, a obra fala sobre o futuro e também a respeito de como a tecnologia pode N
ser útil na propagação da mensagem do evangelho. grou
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32 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
“Purificação no Céu? Uma breve análise das interpretações de Daniel 8:14 e Hebreus 9:23”
Rafael Fonseca Krüger e Adriani Milli Rodrigues – Revista Kerygma, v. 13, nº 2, 2017, p. 61-79
(https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/1075/978)

Allen Alguns comentaristas têm interpretado Daniel 8:14 e/ou Hebreus 9:23 como referências a uma
para purificação ocorrendo no Céu. Muitos estudiosos, contudo, não concordam com essa perspecti-
mos o va. Além de razões exegéticas, um motivo para tal posição está na dificuldade em conceber uma
o, fi- purificação acontecendo no Céu. Afinal, purificação pressupõe contaminação e impureza. O arti-
go analisa essa problemática.
, são As primeiras duas seções tratam de interpretações do texto veterotestamentário. A pesquisa
Bíblia é feita tendo como referência o período milerita e dos pioneiros adventistas. A terceira e a quarta
seções analisam o texto neotestamentário. Ela aponta a dificuldade de comentaristas recentes
em tratar com a impureza no Céu e apresenta uma resposta a esse obstáculo.

“El kerygma de C. H. Dodd ochenta y cinco años después: Síntesis y evaluación”


Andrés Messmer – Revista DavarLogos, v. XIX, nº 1, 2020, p. 45-77
(http://publicaciones.uap.edu.ar/index.php/davarlogos)
nta-
ersas Embora outros eruditos antes de Dodd tenham tentado apresentar uma descrição da prega-
amí- ção encontrada no Novo Testamento, foi ele, em realidade, quem arduamente trabalhou com a
s em questão e dispôs os temas para ser discutidos. Para Dodd, o kerygma não se limita ao seu uso lé-
xico no Novo Testamento, mas também funciona como um “bordão teológico” para o conceito
ragir geral de pregação. Podemos ou não concordar com sua forma de proceder, mas essa foi a meto-
upa- dologia dele. Ele estudou o Novo Testamento pesquisando exemplos de “pregação”, nos quais as
ança palavras kerygma ou kerysso teriam sido usadas.
pare- O artigo apresenta uma síntese e avaliação do ensaio programático de C. H. Dodd sobre o ke-
uma rigma em o Novo Testamento e das principais interações que ele recebeu nos últimos 85 anos. Em-
bora a tese de Dodd tenha sido modificada em alguns aspectos secundários, os estudiosos têm
confirmado a maioria de suas conclusões.

“Intertextualidad: El uso de Éxodo 34:6-7 en el Antiguo Testamento”


Emmer Chacón – Revista Theologika, v. 34, nº 2, 2019, p. 4-17
(https://revistas.upeu.edu.pe/index.php/r_theologika/article/view/1329)
dade.
rda- Durante anos tem-se estudado o uso que autores bíblicos posteriores fizeram de textos ins-
anis- pirados anteriores. Esse fenômeno é denominado intertextualidade. Existem diversos níveis por
ente meio dos quais se pode verificar o uso de um texto por um autor posterior.
Neste artigo, o autor analisa, após séria revisão bibliográfica, as tendências contemporâneas
s so- a esse respeito, como no caso da fórmula da graça em Êxodo 34:6 e 7. Inicialmente ele apresen-
ação, ta um estudo do contexto dessa passagem. Depois, seu uso no Pentateuco, no livro de Salmos e
para nos Profetas Menores, onde se verifica sua integração com a teologia desse grupo.
pode Nota-se que em cada uso o autor posterior respeitou o contexto inicial da passagem e o inte-
grou ao seu argumento, contextualizando-o à sua nova realidade.
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N O V- D E Z • 2020 l MINISTÉRIO 33

P3 42342 – Ministério Nov-Dez’20 Designer Editor(a) Coor. Ped. C. Q. R. F. Custos


REFLEXÃO PALA

NOSSO MODELO
A
queles que têm genuíno amor a
Deus manifestarão um intenso
desejo de conhecer Sua vontade
e executá-la. Diz o apóstolo João,
cujas epístolas tratam tão cabalmente do
amor: “Este é o amor de Deus: que guar- Muitos se esquivam de uma vida como Ele como nossa força e nosso Redentor.
demos os Seus mandamentos” (1Jo 5:3). a que viveu nosso Salvador. Sentem que Não temos poder em nós mesmos para
A criança que ama aos pais mostrará esse requer muito sacrifício imitar o Modelo, purificar o templo da alma de sua con-
amor por voluntária obediência; mas a produzir frutos em boas obras e, então, pa- taminação; mas ao nos arrependermos
criança egoísta, ingrata, procura fazer tão cientemente suportar a poda divina, para de nossos pecados contra Deus e procu-
pouco quanto lhe seja possível por seus que possam produzir mais fruto. Mas quan- rarmos perdão mediante os méritos de
pais, enquanto, ao mesmo tempo, deseja do o cristão se considera apenas um hu- Cristo, Ele comunicará aquela fé que ope-
desfrutar todos os privilégios assegura- milde instrumento nas mãos de Cristo e se ra por amor e purifica o coração. Pela fé
dos ao obediente e fiel. A mesma diferen- esforça por cumprir fielmente todo dever, em Cristo e obediência à lei de Deus, po-
ça é vista entre os que dizem ser filhos confiando no auxílio prometido por Deus, demos ser santificados e assim obter
de Deus. Muitos que sabem ser o objeto de então tomará o jugo de Cristo e achará fácil aptidão para a sociedade com os santos
Seu amor e cuidado, e desejam receber Sua fazê-lo; então assumirá responsabilidades anjos e os remidos vestidos de branco no
bênção, não têm nenhum deleite em fa- por Cristo e dirá serem agradáveis. Ele po- reino da glória.
zer Sua vontade. Consideram as exigências derá olhar para cima com ânimo e confiança Não é somente o privilégio, mas o dever
de Deus como uma desagradável restri- e dizer: “Sei em quem tenho crido e estou de todo cristão manter uma íntima união
ção, Seus mandamentos um danoso jugo. certo de que Ele é poderoso para guardar com Cristo e ter uma rica experiência nas
Mas aquele que está verdadeiramente pro- aquilo que me foi confiado até aquele dia” coisas de Deus. Então sua vida será fru-
curando a santidade de coração e de vida (2Tm 1:12). tífera em boas obras. Disse Cristo: “Nis-
deleita-se na lei de Deus e lamenta unica- Se encontramos obstáculos em nos- to é glorificado Meu Pai: que deis muito
mente o fato de que fica muito aquém de so caminho e fielmente os vencemos; se fruto” (Jo 15:8, ARC). Quando lemos a vida
satisfazer a suas reivindicações. deparamos com oposição e descrédito e, de homens que foram eminentes por sua
É-nos ordenado amar-nos mutuamente, em nome de Cristo, ganhamos a vitória; piedade, muitas vezes consideramos suas
como Cristo nos amou. Ele manifestou se temos responsabilidades e nos desem- experiências e realizações como muito
Seu amor, dando Sua vida para remir-nos. penhamos em nossos deveres no espírito além de nosso alcance. Mas esse não é o
O discípulo amado diz que devemos estar de nosso Mestre – então, de fato, alcança- caso. Cristo morreu por todos; e é-nos as-
dispostos a dar a vida pelos irmãos. Porque mos um precioso conhecimento de Sua fi- segurado em Sua Palavra que Ele está mais
“todo aquele que ama ao que O gerou tam- delidade e poder. Não mais dependeremos pronto a dar Seu Santo Espírito àqueles
bém ama ao que Dele é nascido” (1Jo 5:1, da experiência de outros, porque temos o que Lho pedirem do que os pais terrenos a
ARA). Se amamos a Cristo, amaremos tam- testemunho em nós mesmos. Como os sa- dar boas dádivas a seus filhos. Os profetas
bém àqueles que a Ele se assemelham na maritanos da antiguidade, podemos dizer: e apóstolos não aperfeiçoaram o caráter
vida e no caráter. E não somente isso, mas “Nós mesmos O temos ouvido e sabemos cristão por milagre. Eles usaram os meios
havemos de amar àqueles que estão sem que Este é verdadeiramente o Cristo, o Sal- colocados por Deus ao seu alcance; e to-
“esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2:12). vador do mundo” (Jo 4:42, ARC). dos os que fizerem o mesmo esforço hão
Foi para salvar os pecadores que Cristo dei- Quanto mais contemplarmos o caráter de conseguir os mesmos resultados.
xou Seu lar no Céu e veio à Terra para sofrer de Cristo e quanto mais experimentar-
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e morrer. Por isso Ele Se fatigou, agoniou- mos de Seu poder salvador, com tan-
Texto extraído de MARCIO
Foto: William de Moraes

Se e orou, até o ponto de, com o coração to maior perspicácia reconheceremos


partido e abandonado por aqueles a quem nossa própria fraqueza e imperfeição,
Santificação, p. 81-84. editor assoc
Min
veio salvar, derramar Sua vida no Calvário. e mais fervorosamente olharemos para

34 MINISTÉRIO l N O V- D E Z • 2020
PALAVRA FINAL

TEMPOS DIFÍCEIS
Para preencher o vazio
existencial, os pós-modernos

S
er pastor no século 21 está sendo um grande
desafio. As demandas estão se tornando cada têm recorrido à intuição e ao
ntor.
para
vez mais complexas. As pessoas estão ávidas
por ouvir reflexões sobre o sentido da vida
sentimento em lugar da fé
con- e obter respostas para suas inquietações. Por isso, racional na Palavra de Deus.
mos sentem-se infelizes e insatisfeitas. Há uma carência
ocu- do divino, do transcendente, para resolver o enigma. Nesse duelo religioso, muitas denominações cristãs
os de Diante disso, como a religião pode fazer a diferença? têm tentado se ajustar, inclusive abrindo mão de
ope- A resposta é entender que a mensagem do evangelho princípios bíblicos. O papa Francisco declarou que “a
ela fé tem poder para transformar nossa cosmovisão, ou evolução não é incompatível com a criação no Gênesis,
, po- seja, o modo de interpretar e dar significado a tudo. pois a evolução exige a criação de seres que evoluem,
bter O mundo tem múltiplas cosmovisões que disputam e o Big Bang exige uma intervenção criadora”. Sua
ntos a adesão das pessoas na busca pela verdade. Cada fala é um esforço para conciliar doutrinas bíblicas com
co no um quer definir por si mesmo o certo e o errado, e o teorias científicas. Porém, atitudes assim privilegiam
tradicional tem perdido a validade. Os pós-modernos pessoas como Stephen Hawking, físico e ateu falecido,
dever se curvam diante da crença de um “universo” sem que passou a vida defendendo a teoria da “partícula
união Deus, sem esperança, nem significado. O resultado fugitiva” de um buraco negro no Universo que deu
a nas tem sido a descrença em uma verdade absoluta e origem a tudo!
fru- a veneração das verdades relativas, tendo como Como se não bastasse, ainda há os que se
“Nis- ideologias o relativismo e o desconstrutivismo. Para desencantam com as instituições religiosas. Dizem
muito preencher o vazio existencial, os pós-modernos têm amar a Jesus, mas não a igreja. Assim, exercitam
vida recorrido à intuição e ao sentimento em lugar da fé a fé de maneira privada porque a espiritualidade
r sua racional na Palavra de Deus. independe da comunidade. Protestantes e
suas O termo “pós-verdade” também tem ganhado evangélicos têm abandonado suas igrejas e
muito espaço entre os filósofos do pós-modernismo. Não engrossado o movimento dos “desigrejados”. Na
oéo se trata da mesma coisa que mentira. Ele deriva de contramão, tem havido um aumento espantoso dos
s as- pensadores como o francês Jean-François Lyotard, que se filiam às chamadas igrejas emergentes. Estes
mais para quem “não há fatos, apenas interpretações”; buscam “uma igreja para quem não gosta de ‘igreja’”,
ueles ou do russo Alexander Dugin: “Verdade é questão voltada “para pessoas de quem a ‘igreja’ não gosta”,
nos a de crença”. Assim, fatos não importam, percepção como definiu um de seus líderes.
fetas é tudo. A verdade mais profunda é emocional, Penso que estamos enfrentando uma época
ráter subjetiva e prescinde dos fatos. Desiludidos com semelhante à dos juízes para o povo israelita, quando
meios tudo isso, muitos se dizem religiosos, mas sem “não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava
e to- religião. Para eles, religiosidade é um sentimento, mais certo” (Jz 17:6). No entanto, como ministros do
o hão uma tendência de reverenciar a existência. Religião é Senhor precisamos, à exemplo dos filhos de Issacar,
formalizar a religiosidade juntando-a em um credo e “que sabiam discernir o tempo” (1Cr 12:32), revitalizar
uma estrutura, o que eles abominam. Infelizmente, e renovar nosso ministério. Deus nos ajude a conduzir
Foto: Photosebia / Adobe Stock

pessoas assim ainda não entenderam que as emoções Seu rebanho por caminhos certos a fim de evitar que
MARCIO NASTRINI
Foto: William de Moraes

editor associado da revista


e a razão, à parte da fé na revelação de Deus nas os ácidos dos tempos contemporâneos corroam as
Ministério Escrituras, não podem entender a loucura da cruz com estruturas da igreja de Deus, coluna e baluarte da
todas as suas implicações (1Co 1:18-25). verdade (1Tm 3:15).

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