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SET-OUT • 2020

Uma revista para pastores e líderes de igreja


Exemplar avulso: R$ 16,28

VISITAÇÃO
A arte de se fazer presente

Dicas para aperfeiçoar a transmissão de cultos on-line + Lições de Neemias sobre resolução de conflitos
O jardim do Éden e o tabernáculo israelita + A importância do diaconato + Campo e cidade nos escritos de Ellen White

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SUM

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14

Sua família merece superar os desafios


e viver segundo o coração de Deus
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SUMÁRIO
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10
  Cuide de sua comunidade
Bruno Lopes
A visitação em tempos de pandemia

14

5 Editorial
14 Luz, câmera, sermão
Fábio Bergamo
Dicas para aperfeiçoar a transmissão
de cultos on-line

7 Entrelinhas
8 Entrevista
27 Lições de vida 17 Ministério do serviço
Nerivan Silva
A influência espiritual do diaconato

32 Dicas de leitura

20
34 Reflexão Entre o campo e a cidade
Walter Alaña
Uma análise dessa aparente contradição
10 35 Palavra final nos escritos de Ellen White

24
Fé e ação
Ricardo Norton
Lições da experiência de Neemias
sobre resolução de conflitos

28
Santuários
Ángel Manuel Rodríguez
A relação entre o jardim do Éden
24 e o tabernáculo israelita

Conselho Editorial SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CLIENTE


Lucas Alves; Daniel Montalvan; Adolfo Suarez; Marcos
Uma publicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia Blanco; Walter Steger; Pavel Goia; Jeffrey Brown; Ligue Grátis: 0800 979 06 06
Ano 92 – Número 551 – Set/Out 2020 Alberto Carranza; André Dantas; David Ayora; Edilson Segunda a quinta, das 8h às 20h
Periódico Bimestral – ISSN 2236-7071 Valiante; Efrain Choque; Elieser Ramos; Everon Donato; Sexta, das 7h30 às 15h45
Geraldo M. Tostes; Levino Oliveira; Henry Mainhard; Ivan Domingo, das 8h30 às 14h
Samojluk; Juan Zuñiga; Raildes Nascimento; Ronivon Site: www.cpb.com.br
Editor Wellington Barbosa Santos; Rubén Montero e Tito Valenzuela E-mail: sac@cpb.com.br
Editor Associado Márcio Nastrini
Revisoras Josiéli Nóbrega; Rose Santos Assinatura: R$ 79,20
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Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP reprodução total ou parcial, por quaisquer
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www.facebook.com/revistaministerio Diretor Financeiro Uilson Garcia prévia autorização por escrito da editora.
Twitter: @MinisterioBRA Redator-Chefe Marcos De Benedicto
Redação: ministerio@cpb.com.br Chefe de Arte Marcelo de Souza Tiragem: 5 mil
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EDITO

Contribua para a
A revista Ministério é um periódico internacional editado e publicado bimestralmente pela

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Casa Publicadora Brasileira, sob supervisão da Associação Ministerial da Divisão Sul-Americana
da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A publicação é dirigida a pastores e líderes cristãos.

Orientações aos escritores


Procuramos contribuições que A Ministério é uma revista peer-review.
representem a diversidade ministerial da Isso significa que os manuscritos, além de
América do Sul. Diante da variedade de nosso serem avaliados pelos editores, poderão ser
público, utilize palavras, ilustrações e conceitos que encaminhados a outros especialistas sobre
possam ser compreendidos de maneira ampla. o tema que seu artigo aborda.

Áreas de interesse
• Crescimento espiritual do ministro. educação contínua, administração da
• Necessidades pessoais do ministro. igreja, cuidado dos membros e assuntos
• Ministério em equipe (pastor-esposa) e relacionados.
relacionamentos. • Estudos teológicos que exploram temas sob
• Necessidades da família pastoral. uma perspectiva bíblica, histórica ou sistemática.
• Habilidades e necessidades pastorais, como • Liturgia e temas relacionados, como música,
administração do tempo, pregação, evangelismo, liderança do culto e planejamento.
crescimento de igreja, treinamento de voluntários, • Assuntos atuais relevantes para a igreja.
aconselhamento, resolução de conflitos,

Tamanho
• Seções de uma página: até 4 mil caracteres • Artigos de três páginas: até 11,5 mil caracteres
com espaço. com espaço.
• Artigos de duas páginas: até 7,5 mil caracteres • Artigos solicitados pela revista poderão ter mais
com espaço. páginas, de acordo com a orientação
dos editores.

Estilo e apresentação
• Certifique-se de que seu artigo se concentra no Use algarismos arábicos (1, 2, 3).
assunto. Escreva de maneira que o texto possa ser • Utilize a fonte Arial, tamanho 12,
facilmente lido e entendido, à medida que avança espaço 1,5, justificado.
para a conclusão. • Informe no cabeçalho: Área do conhecimento
• Identifique a versão da Bíblia que você usa e teológico (Teologia, Ética, Exegese, etc.), título
inclua essa informação no texto. De forma geral, do artigo, nome completo, graduação e atividade
recomendamos a versão Almeida Revista e atual.
Foto: Wliilam de Morais

Atualizada, 2ª edição. • Envie seu texto para: ministerio@cpb.com.br. Não


• Ao fazer citações bibliográficas, insira notas de fim de se esqueça de mandar uma foto de perfil em alta WELLINGT
editor
texto (não notas de rodapé) com referência completa. resolução para identificação na matéria.
Foto:

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EDITORIAL

DETALHES Às vezes, o que torna a


visita pastoral inexpressiva

L
embro-me com carinho da primeira visita é a disposição do pastor em
pastoral que recebi. Era uma quarta-feira. Minha
esposa havia acabado de chegar do trabalho,
visitar baseado em sua agenda
e eu me preparava para o culto quando recebi pessoal, sem considerar
a ligação de um departamental da Associação, detalhadamente o contexto
perguntando-nos se poderia nos fazer uma rápida
visita antes de se dirigir à igreja em que ia pregar. das pessoas a quem ele serve.
Poucos minutos depois, o interfone tocou,
anunciando a chegada de nosso visitante. Curioso, compor um belo quadro de como a visita pastoral faz
fui encontrá-lo no portão, enquanto minha esposa a diferença na vida dos membros da igreja.
preparava um lanche para recebê-lo. O que houve Mas a visita pastoral não é marcante somente
a seguir marcou nossa experiência como membros quando as pessoas estão necessitadas. Compartilhar
da igreja. Com simpatia, aquele pastor expressou momentos de alegria com elas também é uma forma
sua atenção para conosco, dizendo palavras muito de influenciá-las espiritualmente. Assim, visitar os
apropriadas para a ocasião e orando em favor do membros da igreja por ocasião de seu aniversário,
nosso recém-iniciado ministério. A visita não durou suas bodas, nascimento de um filho ou neto,
mais do que meia hora, mas ficou registrada em aprovação no vestibular, formatura ou outro motivo
nossa lembrança como uma demonstração do de contentamento é uma oportunidade de direcionar
cuidado de um pastor pelas ovelhas do seu rebanho. seu olhar para as bênçãos de Deus e a presença da
Ao longo do tempo, tenho me deparado com igreja no cotidiano da vida.
pessoas que dizem nunca ter recebido a visita do E por falar em cotidiano, as pessoas também tendem
pastor, quando, de fato, foram visitadas, porém não a guardar na memória a visita do pastor que partilha
se lembram mais. Esse fenômeno deve ser observado com elas uma refeição, ainda que seja simples. Não
mais de perto, especialmente no contexto em que quero incentivar a intemperança, mas destacar que
estamos vivendo. Por isso, é oportuno perguntar: O os membros da igreja se alegram quando seu pastor
que torna marcante a visita pastoral? Refletindo sobre se alimenta com eles. Lembro-me de um casal que me
o tema, cheguei a algumas respostas. Provavelmente relatou a história de um amigo pastor que havia comido
você tenha outras explicações também que, somadas com eles um pedaço de melancia, num contexto em que
a estas, ajudem a compor melhor o diagnóstico e a a família estava de mudança. A simplicidade daquele
solução de um problema que é comum a todos nós. servo de Deus abriu caminhos para que aquele casal
Para muitas pessoas, a visita do pastor se torna tivesse em alta consideração o trabalho ministerial e
inesquecível quando ele é sensível às necessidades fosse engajado nas atividades da igreja.
que elas têm. Diante de uma crise familiar, doença, Seja nos momentos tristes ou alegres ou
luto, fragilidade emocional, dificuldade financeira ou partilhando uma singela refeição, os membros da
luta espiritual, a intervenção pastoral serve como igreja são inclinados a lembrar-se com carinho da visita
bálsamo que traz alívio e cura para corações feridos. do pastor. Em realidade, às vezes, o que torna a visita
Quantas pessoas testificam da presença de pastores pastoral inexpressiva é a disposição do pastor em
que passaram por sua vida e foram fundamentais em visitar baseado em sua agenda pessoal, sem considerar
momentos difíceis! “O pastor me visitou quando me detalhadamente o contexto das pessoas a quem ele
Foto: Wliilam de Morais

senti sozinho.” “Eu não via mais sentido em ir à igreja, serve. Portanto, lembre-se de que visitação pastoral
WELLINGTON BARBOSA mas a iniciativa do pastor em me visitar salvou-me da não se trata de estar na casa das pessoas, mas em se
editor da revista
queda espiritual.” Esses e outros exemplos ajudam a fazer efetivamente presente na vida delas.
Foto:

Ministério

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ENTR

Livros importantes
para entender um
dilema histórico
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d
ENTRELINHAS

O PASTOR E OS ÚLTIMOS DIAS


Jesus se apresenta com força
para os que se sentem fracos,

O
livro do Apocalipse é tanto uma revelação de
Jesus quanto uma revelação sobre Ele. Foi Cristo esperança para os que estão
que tomou a iniciativa de revelar o futuro por
meio de símbolos que representam o grande desesperados, perdão para os que
conflito entre o bem e o mal, alertam para os desafios sofrem com a culpa e segurança
que Seus seguidores iriam enfrentar ao longo dos
séculos e revelam o plano da salvação, a última batalha
para os que temem o futuro.
e a certeza de um final feliz ao lado Dele para sempre.
Cristo é o verdadeiro Herói do livro. Ele Se no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me
apresenta com força para os que se sentem fracos, na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de
esperança para os que estão desesperados, perdão Deus e do testemunho de Jesus” (v. 9). A palavra
para os que sofrem com a culpa e segurança para os “tribulação” significa angústia, aflição. É quando
que temem o futuro. Ele Se apresenta, Ele fala, Ele Se ficamos preocupados o tempo todo, não conseguimos
revela. Toda ação provém Dele. Como disse C. S. Lewis: descansar, dormir ou parar porque estamos
“Quando se trata de conhecer a Deus, toda iniciativa mergulhados na dor. É vivenciar o sofrimento dos
depende Dele. Se Ele não quiser Se revelar, nada do que sofrem. Mas sofrer junto diminui nossa dor. João
que fizermos nos permitirá encontrá-Lo.” Como é estava sendo sensível às provações de outros irmãos
confortador vê-Lo caminhando em nossa direção! quando expressou que ele também estava sofrendo.
Nos três primeiros capítulos do Apocalipse, Jesus
é mencionado cerca de 130 vezes, e em todo o livro é Em segundo lugar, estamos juntos no conforto.
identificado por 38 nomes e títulos. Por exemplo: a “Quando O vi, caí a Seus pés como morto. Porém Ele
Fiel Testemunha (1:5); o Primogênito dos mortos (1:5); pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas;
o Soberano dos reis da Terra (1:5); o Alfa e o Ômega Eu sou o primeiro e o último” (1:17). João contemplou
(1:8); o Senhor (1:8); a Raiz de Davi (3:7); o Leão da Jesus, não mais ferido pelos soldados, torturado e
tribo de Judá (5:5); o Cordeiro (5:5); a Estrela da Manhã pregado na cruz, mas glorificado, vencedor e com
(22:16); e o Rei dos reis e o Senhor dos senhores (19:16). total autoridade e domínio sobre tudo e sobre todos.
Entre esses nomes e títulos há um que chama O Salvador Se aproximou do idoso discípulo, colocou
nossa atenção: Cordeiro. No Apocalipse, ele aparece Sua mão sobre ele e disse: “Não temas”. Os dias que
aproximadamente 27 vezes. Isso significa que nossos João estava enfrentado não eram fáceis. No entanto,
olhos precisam se voltar especialmente para Cristo Ele teve a certeza da presença confortadora e do
como Salvador do mundo. Ellen White declarou: cuidado de Seu Redentor ao lado dele.
“As profecias de Daniel e Apocalipse devem ser
cuidadosamente estudadas e, em ligação com elas, as E finalmente, Cristo está entre Seu povo e Sua
palavras: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do igreja. João viu Jesus entre os castiçais (1:13, 20). Cristo
mundo (Jo 1:29)’” (Obreiros Evangélicos, p. 148). está presente em meio a Seu povo e sustenta Seus
Quais lições podemos extrair do que escreveu o ministros. Ellen White escreveu: “Precisamos confiar
pastor João no primeiro capítulo do Apocalipse? em Jesus cada dia, a cada hora. Ele prometeu que
como são os nossos dias, assim será a nossa força. Por
Foto: Divulgação DSA

LUCAS ALVES Em primeiro lugar, reconhecer que todos Sua graça, podemos levar todos os fardos do presente
secretário ministerial para a estamos juntos no sofrimento. João escreveu: “Eu, e cumprir todos os deveres” (Testemunhos para a
Igreja Adventista na América
do Sul João, irmão vosso e companheiro na tribulação, Igreja, v. 5, p. 200).

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ENTREVISTA

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Por Wellington Barbosa em tempos difíceis. Graduado em Ciências Contábeis, que é
pós-graduado em Administração Financeira e Gestão lidad
de Negócios e mestre em Administração Estratégica, Po
A crise econômica resultante da pandemia da o pastor Edson já trabalhou como tesoureiro respon- tores
Covid-19 inevitavelmente tem refletido na dinâmi- sável pela área de educação da Associação Sul- ser a
ca financeira da igreja. Isso exige do pastor distri- Paranaense, tesoureiro da mesma Associação, diretor mulh
tal sabedoria para administrar os recursos locais a financeiro da Casa Publicadora Brasileira e tesourei- obra
fim de assegurar que não faltem meios para a ma- ro da União Sul-Brasileira. Atualmente, é o tesoureiro sas in
nutenção das atividades regulares da igreja e o da União Central Brasileira. Casado com Zuleica Reis Lhe q
cumprimento da missão. Medeiros, tem dois filhos, Edson e Marcos. man
Nesta entrevista, o pastor Edson Erthal de zem
Medeiros apresenta dicas práticas para ajudar os Qual é a importância de se definir um planejamento finan- (Con
pastores distritais a reestruturar o planejamento fi- ceiro anual?
nanceiro local e salvaguardar os recursos da igreja Apesar da ansiedade em virtude das incertezas que Como
vivemos nos dias atuais, Deus não faz o que é de nossa quaçõ
responsabilidade fazer. Com orientação divina, oração A
O orçamento da igreja sempre deve e fé, planejar o futuro é a melhor maneira de criá-lo. to se

priorizar a missão e adequar a distribuição Sempre que trabalhamos com um planejamento finan-
ceiro pensamos em curto, médio e longo prazo. Pla-
das)
pand
dos valores de acordo com os objetivos
Foto: Gentileza do entrevistado

nejar é traçar o caminho de onde estamos até aonde de. A

a serem alcançados. queremos chegar.


Em Lucas 14:28 a 30, Jesus nos orienta a plane-
parti
tas e
jar antes de começar qualquer empreendimento. prese

8 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
Nesse sentido, Suas palavras tratam especificamente
do planejamento financeiro: “Qual de vocês, se quiser
construir uma torre, primeiro não se assenta e calcu-
la o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para
completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz Orçamento não existe para ficar
de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo:
‘Este homem começou a construir e não foi capaz de na gaveta, ou apenas numa ata de
terminar.’” Muito antes de os autores e acadêmicos mo- comissão. Cada mês os líderes e
dernos escreverem livros sobre planejamento financei-
ro, o Senhor já nos deu esta orientação clara: antes de responsáveis pelas finanças da igreja
fazer, planeje o que será feito e avalie o custo. devem considerar as informações
Quais são as principais dificuldades para se estabelecer o sobre o que foi orçado e realizado e
orçamento local? corrigir qualquer descompasso o mais
Uma das principais dificuldades ao se fazer um or-
çamento/planejamento financeiro é não ter objetivos
rapidamente possível.
claros do que se deseja alcançar. Outra questão impor-
tante é que o orçamento, depois de feito, deve ser se-
guido, e isso exige controle. Não ter disciplina financeira
é um dos grandes inimigos da execução orçamentária. O orçamento da igreja sempre deve priorizar a mis-
Além disso, a maioria das igrejas, organizações e pes- são e adequar a distribuição dos valores de acordo com
soas tem dificuldade de identificar com clareza o que é os objetivos a serem alcançados. Cada comissão finan-
imprescindível, o que é urgente, o que é necessário e o ceira e a comissão da igreja local devem avaliar se o or-
beis, que é desejo. Sobre nós, líderes, repousa a responsabi- çamento reflete sua prioridade missionária. Em alguns
stão lidade de ajudar nossas igrejas a planejar e orçar. momentos, uma parte dos recursos precisa ser dire-
gica, Por orientação divina, Ellen White escreveu: “Os dire- cionada para ampliações e reformas. Isso é importante,
pon- tores que são negligentes, que não sabem gerir, devem mas devemos nos lembrar de que a expansão da es-
Sul- ser afastados da obra. Contratem o serviço de homens e trutura não pode se sobrepor à ampliação do reino de
retor mulheres que saibam ater-se ao orçamento, para que a Deus. Em minha experiência no ministério das finanças,
urei- obra não se desfaça. Todos os que estão ligados às nos- pude observar que, quando uma igreja tem foco missio-
reiro sas instituições humilhem-se diante de Deus. Peçam- nário, nunca faltam recursos para a expansão estrutural.
Reis Lhe que os ajude a planejar com tanta sabedoria, de
maneira tão econômica, que as instituições se enraí- Quais são as melhores práticas para manter o equilíbrio
zem firmemente e deem fruto para a glória de Deus” entre o controle de gastos e os investimentos necessários
finan- (Conselhos Sobre Mordomia, p. 274). para a manutenção da igreja e cumprimento da missão?
Orçamento não existe para ficar na gaveta, ou ape-
s que Como avaliar o orçamento da igreja a fim de propor reade- nas numa ata de comissão. Cada mês os líderes e res-
ossa quações percentuais? ponsáveis pelas finanças da igreja devem considerar as
ação As práticas mais comuns sugerem que o orçamen- informações sobre o que foi orçado e realizado e corri-
á-lo. to seja feito com base no histórico das receitas (entra- gir qualquer descompasso o mais rapidamente possível.
nan- das) e despesas (saídas). Considerando o contexto da Segundo o Manual da Igreja, “o método mais satisfa-
Pla- pandemia, o passado pode não refletir a nova realida- tório de prover para os gastos é o plano de orçamento”
Foto: Gentileza do entrevistado

onde de. Assim, o ideal é que os orçamentos sejam feitos a (p. 143). Conhecer as informações e saber com precisão
partir do zero. É necessário, portanto, avaliar as recei- a realidade financeira da igreja é fundamental para que
ane- tas e despesas atuais e planejar o futuro com os dados a gestão dos recursos seja feita com eficiência e produ-
ento. presentes, não os históricos. za resultados eficazes para a missão.

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CUIDE DE SUA
COMUNIDADE
A visitação
em tempos
de pandemia
Ainda que essa orientação seja novida- que o Espírito Santo também escolhe
de para a maior parte da população, as Es- para visitar e pastorear o rebanho a ele
Bruno Lopes crituras deixam claro que esse cuidado é confiado (Atos 20:28). Portanto, visitação
responsabilidade de todo ministro. Isso fica é mais do que apenas um elemento im-
evidente na maneira com que os líderes da portante do ministério; ela praticamen-

“P astor, é muito triste o que es-


tamos vivendo”, contava-me
uma irmã da igreja enquanto
enxugava as lágrimas e tenta-
igreja atendiam às necessidades dos mem-
bros durante o período apostólico.
Além de presbíteros, os responsáveis
pelas congregações também eram chama-
te define o que é ser pastor.
O próprio Deus Se engajou nesse cui-
dado. Em sua primeira carta, Pedro apre-
sentou Cristo como sendo o Episkopos
va manter a câmera do celular filmando dos de bispos. Esse segundo termo signi- da igreja (1Pe 2:25), e Lucas descreveu
seu rosto. Em poucos dias, sua vida havia fica supervisor, mas o Novo Testamento Deus visitando Seu povo para redimi-
mudado completamente. Ela não mais po- usa essa palavra referindo-se a quem cuida lo (Lc 1:68). O Antigo Testamento fala
dia receber a visita dos netos, participar das necessidades físicas e espirituais da co- do Senhor visitando Seu povo por di-
das atividades da igreja, tampouco ver sua munidade de fé.3 versas razões. Ele visitou o povo para
mãe. Os maiores medos de quem chega à Mas, qual era a maneira pela qual eles ouvir seus clamores (Êx 3:16); cumprir
terceira idade, mesmo dos que pertencem cuidavam da igreja? Provavelmente, por Suas promessas (Gn 21:1); livrar (Jr 29:10);
a uma família amorosa, tornaram-se ainda meio da visitação. Evidência disso é que a atender às suas necessidades (Sl 65:9);
mais intensos diante do isolamento social palavra episkopos advém do termo epis- punir (Is 26:20 e 21) e também salvar
e da possibilidade da morte. keptomai, expressão neotestamentária (Sl 106:4).
O mundo caminha para uma crise de para “visitar”.4 Também encontramos si- Aliás, a Bíblia mostra que visitar é um
saúde mental sem precedentes. Segundo nais disso em 1 Timóteo 3:1 e 2 e 1 Pedro 5:1 dever de todo cristão. Tiago 1:27 afirma
pesquisadores, há um crescimento alar- e 2. Nesses textos, a obra do presbítero é que a prática é o que constitui a verda-
mante nos números de suicídios, crises de descrita pelas expressões episkope e epis- deira religião, e em Mateus 25:36 a 46 ve-
ansiedade, depressão e outras enfermida- kopeo, palavras do mesmo grupo léxico de mos que visitar os enfermos e prisioneiros
des mentais.1 Nesse contexto, o Centro de episkopos e que são associadas à visitação.5 é um dos critérios do juízo escatológico. O
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Controle e Prevenção de Doenças dos Es- Dessa forma, vemos uma forte ligação verdadeiro discípulo segue o exemplo de
tados Unidos faz uma recomendação con- entre episkopos e a prática da visitação. Cristo e sempre está pronto para cuidar
tundente: cuide de sua comunidade.2 Ou seja, o líder da congregação é aquele do próximo. Com isso em mente, surge a
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Deus nos escolheu para Inicialmente, ele usou a es-
trutura de comunicação já exis-
em situação preocupante. Alguns irmãos
contaminados não podiam sair de casa
O
reun

cuidar de Sua igreja nesses tente em sua igreja para dividir a


congregação em grupos de ora-
para comprar comida, outros não tinham
recursos para se manter e os serviços es-
tégia
Esco

dias de doença e aflição. ção. Cada líder local supervisiona


um grupo, ajuda nas visitas remo-
senciais estavam inacessíveis em alguns
lugares do distrito. Era hora de agir de ma-
vel p
auxil

Ele nos chamou para tas e encaminha ao pastor as ne-


cessidades mais urgentes. Miguel
neira diferente. Por isso ele começou a ar-
recadar alimentos e itens essenciais para
ção a
cipal

visitar os membros. também estabeleceu um plano sis-


temático de visitação para alcançar
levar com seu carro de tração 4x4 às re-
giões mais afastadas.
qualq
a dis
todos os membros. Ele já havia cadas- Algo semelhante aconteceu com o pas- tões
trado as famílias da igreja e, tão logo o tor peruano Daniel Gordillo, de Lima, Peru. In
isolamento começou, teve início o esfor- Depois de ter se recuperado da Covid-19, pelo
ço para que todas elas fossem atendidas. ele se dedicou mais intensamente às ne- dora
Dessa maneira, garantu que todos rece- cessidades essenciais do rebanho. Ele se atua
bessem apoio, priorizando o atendimen- engajou na arrecadação de alimentos e o clim
to às emergências. conseguiu um caminhão para distribuí- tens
pergunta: se a Palavra de Deus nos diz que O pastor Brandon Campos, de La Paz, los. Contudo, em algumas áreas estava do e
cuidar uns dos outros é papel dos verda- aderiu às visitas virtuais por outra razão. proibido o trânsito de pessoas e veículos. disso
deiros cristãos, o que dizer de um pastor Seu distrito foi muito afetado pela Covid-19, Para não deixar os membros desampara- dos
que não visita? chegando a ter igrejas com mais de 10% dos dos nessas regiões, Daniel conseguiu uma caus
De acordo com Ellen White, a visitação membros infectados. Dessa forma, o con- autorização especial das autoridades e le- va se
é o trabalho mais proveitoso que o pastor tato remoto foi o meio seguro para garan- vou os alimentos pessoalmente. vida
pode fazer, sendo intransferível e insubs- tir que essas famílias fossem pastoreadas. Daniel segue mantendo o distancia- A
tituível. Ela também diz que quem negli- Além de garantir que todos recebessem mento, garantindo que suas visitas trans- para
gencia esse trabalho é “infiel e está sob a cuidado espiritual, também foi importan- mitam somente as bênçãos de Deus. Por versa
repreensão de Deus”, sendo que “seu tra- te assegurar que ninguém estivesse pas- essa mesma razão, parte dos atendimen- gras
balho não está nem metade feito”.6 Em sando por necessidades. Por isso, todo tos de Altino acontece junto às porteiras de m
outro texto ela foi ainda mais incisiva, di- começo de mês o pastor e o ancionato dos sítios. Ali, à distância, ele deixa cestas tazes
zendo que o ministro que não visita não organizam uma escala de visitação. Dessa básicas e mensagens de esperança. cant
está apto para o ministério, porque planta maneira, cada ancião pode ajudar o pastor da re
igrejas doentes e leva mais pessoas à per- prestando auxílio a cinco famílias. Grupos especiais ção p
dição do que para Cristo.7 Segundo os pastores, lembrar que Deus Ainda que todos tenhamos sido afeta- visita
cuida de Seu povo em meio às crises tem dos pela pandemia, algumas pessoas ti- que e
Visitas remotas um efeito poderoso. Ainda que remota- veram a vida completamente mudada e O
Mas afinal, como visitar em tempos de mente, essas visitas têm trazido alívio e precisam de atenção diferenciada. Foi ao notá
isolamento social? Apesar das restrições ajudado a manter o foco das congregações. cuidado desses grupos que os pastores tem
legais e riscos à saúde, o pastor ainda tem Paulo Alvarenga, do Mato Grosso do Sul, moti
o dever de cuidar do seu rebanho. Foi essa Atenção às necessidades essenciais e Albert Azevedo, do Tocantins, se dedica- quen
inquietude que levou dois pastores, um de No entanto, alguns membros não têm ram de maneira especial. do a
Brasília e outro de La Paz, Bolívia, a em- acesso a essa tecnologia nem a itens bá- Logo que as reuniões públicas reco- com
preender visitas virtuais. sicos de subsistência. Foi essa a realidade meçaram em sua cidade, Paulo percebeu
Miguel Pinheiro é pastor em Brasília. que o pastor Altino Araújo precisou en- que os idosos precisavam de cuidado pe- Nova
Como faz parte do grupo de risco, ele pre- frentar no Amazonas, uma das regiões culiar. Eles eram resistentes à necessidade Gr
cisava de uma forma de cuidar de sua igre- mais afetadas pela pandemia. de isolamento social e tinham menos aces- apre
ja sem se expor a uma pandemia que tem Apesar dos cuidados, Altino foi con- so aos cultos virtuais. Assim, eles se sen- pela
Foto: Gentileza do autor

ceifado muitas vidas. Ele se valeu de sua taminado pelo novo coronavírus. Sua tiram abandonados e esquecidos quando Dani
experiência pastoral para atender o reba- recuperação foi tranquila, mas logo ele não puderam retornar aos cultos, por se- ram
nho por chamadas de vídeo. percebeu que suas congregações estavam rem do grupo de risco. opor
Foto:

12 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
mãos Observando essa situação, o pastor Quando as reuniões públicas foram liderança para ajudar no processo de visi-
casa reuniu a liderança e formulou uma estra- proibidas no interior do Paraná, o pas- tação e cuidado dos membros; (4) tomar
nham tégia de visitação, usando a estrutura da tor Daniel ficou preocupado. Em seu pri- precauções sanitárias para não se tornar
s es- Escola Sabatina. Cada ancião é responsá- meiro ano nesse distrito, ele precisava de vetor de transmissão do vírus; e (5) man-
guns vel por supervisionar algumas classes. Eles uma forma eficaz para guiar o rebanho. Por ter um plano sistemático para visitar to-
ma- auxiliam o pastor no cuidado e na visita- isso, decidiu que a visitação seria priorida- dos os membros.
a ar- ção aos membros, tendo como foco prin- de. Como os cultos estavam sendo trans- Contudo, o mais importante é o que não
para cipal atender os mais idosos. Para evitar mitidos pela Associação, Daniel concentrou mudou: o chamado do pastor para cuidar
s re- qualquer risco, eles oram e leem a Bíblia seus esforços na visitação aos membros de sua comunidade por meio da visitação.
a distância com esses membros, nos por- do seu distrito de maneira segura. Ele se Cristo nos chamou para ser pastores.
pas- tões das casas. dirigia às casas sempre usando máscara e Hoje estamos passando por tempos de
Peru. Iniciativa semelhante foi realizada conversava com os membros em um am- pandemia. Milhares viveram seu ministé-
d-19, pelo pastor Albert ao visitar a orienta- biente externo por cerca de 20 minutos. rio sem passar por algo parecido, mas Deus
s ne- dora educacional da escola em que ele Todos os membros foram visitados três nos escolheu para cuidar de Sua igreja nes-
le se atua como capelão. Na época dessa visita, meses antes do planejado, e o pastor notou ses dias de doença e aflição. Ele nos cha-
tos e o clima da equipe escolar era de medo e grande crescimento espiritual. Além disso, mou para visitar os membros durante essa
ibuí- tensão. Pessoas próximas haviam faleci- essas visitas ajudaram na retomada das re- crise. Fomos escolhidos para atuar como
tava do e outras estavam contaminadas. Além uniões públicas. Logo no primeiro culto os episkopos em tempos de isolamento so-
ulos. disso, os professores estavam estressa- templos do distrito alcançaram a capaci- cial. Ainda que seja um grande desafio, o
para- dos com a mudança drástica de rotina dade máxima permitida pelas leis munici- Espírito Santo nos capacitará. Portanto,
uma causada pelo home office. Algo precisa- pais, algo incomum na região. cabe aqui relembrar: Cuidem de sua co-
e le- va ser feito para lembrar a todos que a Já em Tucumán, Argentina, o pastor munidade!
vida prosseguia. Frederico percebeu como Deus tem to-
Referências
ncia- Albert aproveitou o fim do lockdown cado os corações durante essa crise que
1
 astro de Araújo, Luís Fernando Silva e Daiane
C
rans- para retomar o hábito de celebrar os ani- assola o mundo. Enquanto atendia alguns
Borges Machado, “Impact of COVID-19 on mental
. Por versariantes do mês. Respeitando as re- membros, ele se sentiu impressionado ao health in a low and middle-income country”, Ciência
men- gras de distanciamento exigidas, munidos passar pela casa de um irmão que não es- & Saúde Coletiva (on-line), v. 25, supl. 1, junho de
2020, p. 2457-2460.
eiras de máscaras, álcool em gel, balões e car- tava frequentando a igreja havia algum
2
 enter for Disease Control and Prevention, “Coping
C
estas tazes, ele e alguns funcionários da escola tempo. Ao chegar, foi recebido com muita with Stress”, disponível em <bit.ly/2CISLdf>, acesso
cantaram parabéns e oraram no portão alegria. Aquele irmão havia assistido a um em 21/7/2020.
da residência da orientadora. Vendo a rea- sermão gravado e decidido não somente 3
Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-
English Lexicon of the New Testament: Based on
ção positiva, o pastor continuou fazendo retornar à igreja, mas também devolver
Semantic Domains, 2ª ed. eletrônica (Nova York, NY:
feta- visitas nos portões, transmitindo paz aos a Deus seus dízimos atrasados. Segundo United Bible Societies, 1996), p. 541.
as ti- que estão passando por tanto estresse. Frederico, o Senhor tem usado toda essa 4
Ibid., p. 462; Gerhard Kittel, Geoffrey William
ada e Os resultados dessas visitas têm sido situação para chamar de volta Seus filhos. Bromiley e Gerhard Friedrich, Theological Dictionary
of the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans,
oi ao notáveis. Paulo disse que os idosos se sen- 1964), seção episkopos.
tores tem abraçados e os anciãos ficam mais Adaptações a uma nova realidade 5
Ibid., p. 724; Dicionário Internacional de Teologia do
o Sul, motivados. Já Albert percebe que esses pe- Aqui apresentamos pastores de dife- Novo Testamento, 2ª ed. (São Paulo, SP: Vida Nova,
2000), p. 295-297.
dica- quenos atos de afeto e cuidado têm ajuda- rentes regiões, funções e perfis que adap-
6
 llen G. White, Evangelismo (Tatuí, SP: Casa
E
do a equipe escolar a enfrentar os desafios taram a visitação à sua realidade. Fizeram e
Publicadora Brasileira, 1997), p. 440.
eco- com mais ânimo e tranquilidade. continuam a fazer o melhor dentro do que 7
 llen G. White, “Appeal and Suggestions to
E
ebeu é seguro e permitido. Esses exemplos nos Conference Officers” (Silver Spring, MD: Ellen G.
o pe- Novas oportunidades ajudam a perceber elementos que devem White Estate, 1893), p. 17-19.

dade Grande parte dos pastores têm estado ser considerados no contexto atual. Entre
aces- apreensiva com as restrições provocadas eles, podemos destacar que é importante
sen- pela pandemia. No entanto, os pastores (1) ter uma linha de comunicação eficien-
BRUNO LOPES
Foto: Gentileza do autor

ando Daniel Budal e Frederico Silva percebe- te para atender casos que exijam atenção pastor em Planaltina, DF
r se- ram que, além das restrições, também há imediata; (2) visitar mais os grupos com
oportunidades. necessidades recorrentes; (3) mobilizar a
Foto:

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EVANGELISMO

LUZ, CÂMERA, SERMÃODicas para aperfeiçoar a


transmissão de cultos on-line

Foto: Microgen | Adobe Stock

Foto:

14 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
Fábio Bergamo

O
a tecnologia que usávamos, e também os resultados
que obtínhamos. Na época, tínhamos mais de 30 mil ins-

U
m dos comportamentos mais impactados na pan- critos em nosso canal, e uma audiência média de 1500
demia da Covid-19 foi a forma de nos relacionarmos pessoas por culto. Atualmente, temos quase 70 mil ins-
com a internet e o ciberespaço. O distanciamento critos,5 e uma audiência que chega a 10 mil pessoas por
social, a necessidade de ficar em casa, o medo do transmissão.
contágio e as consequências psicológicas resultantes des-
Ponto de partida
ar a sa condição fizeram com que a internet se transformasse
em um tipo de válvula de escape para tudo. De educação Diante desse exemplo, talvez um dos maiores da Igreja
line a entretenimento, passando por alimentação e relações Adventista em todo o mundo, várias perguntas surgem
humanas. Segundo reportagem do The New York Times,1 a fim de entender o que nossa igreja tem feito para con-
o acesso a plataformas virtuais de entretenimento, comu- quistar tamanha audiência. Começo com algo que consi-
nicação, jogos e notícias teve um aumento exponencial dero um axioma: a transmissão on-line não visa criar uma
de acessos, motivado pelas pessoas que buscaram solu- igreja digital, mas levar o digital para a igreja. Ou seja, a
ções para atenuar os efeitos do seu estado de isolamento. transmissão de um culto deve ser um complemento do
Essa relação de dependência da rede que, de fato, já que já existe na igreja, e não a criação de uma nova igre-
existia, foi alçada a um status superior. Parece que esta- ja, em uma modalidade não presencial.
mos vendo acontecer o que Manuel Castells destacou no Por que considero importante esse pensamento? Por
início da década passada, quando disse que a internet era dois motivos. Primeiro, uma transmissão de culto, Es-
“o tecido de nossas vidas”.2 A pandemia fez com que esse cola Sabatina ou estudo bíblico deve refletir a realida-
tecido se enrijecesse e chegasse com muita força aos “ór- de do que a igreja local já fazia antes da pandemia. Se
gãos” da sociedade que ainda engatinhavam no uso das antes já havia engajamento dos membros nos cultos,
ferramentas do ciberespaço. Entre eles, a igreja. ministérios e eventos da igreja, o engajamento também
A incerteza causada pela doença e, posteriormen- acontecerá nessa nova realidade. Segundo, há o perigo
te, pelos decretos governamentais que impediram as de se planejar um culto distinto para o formato digital.
reuniões públicas, forçou as comunidades locais a uma No entanto, não devemos tratar como algo separado.
adaptação para a qual, na maioria dos casos, não esta- A igreja é uma só, seja na internet ou no templo.
vam preparadas. Nesse sentido, muitas se tornaram Partindo desses pressupostos, entendo que os lí-
retransmissoras da programação produzida pela sede deres estão prontos para o desafio de levar o digital
sul-americana da Igreja Adventista, por sedes regio- para sua igreja. Nesse processo, muitas vezes a tare-
nais, ou ainda pela TV Novo Tempo, resolvendo, assim, fa se torna ainda mais complexa devido à diferença de
o desafio do culto sabático. Contudo, isso não minimi- gerações. David Kinnaman alerta para a necessidade
zou os obstáculos que surgiram relacionados ao víncu- de se responder à seguinte pergunta: “Como podemos
lo dos membros com a igreja local. seguir Jesus – e ajudar os jovens a segui-Lo fielmente –,
A primeira ideia que muitas igrejas tiveram foi a de em uma cultura em drástica e constante transforma-
transmitir seus cultos. A Life.Church, plataforma interna- ção?”6 Quando a igreja decide digitalizar algumas de suas
cional gratuita de transmissão de cultos, teve um aumen- atividades, usar as mídias sociais para dar suporte ao
to de mais de 400% nas suas transmissões no período da seu trabalho e praticar certo tipo de media training, po-
pandemia. No Brasil, a busca por cultos on-line também dem acontecer conflitos geracionais entre jovens e líderes
teve um aumento significativo.3 mais idosos. É preciso, no entanto, encontrar o equilíbrio
Acompanhando a tendência, diversas igrejas adven- para que as programações alcancem o público de manei-
tistas investiram tempo e recursos nessas transmissões. ra correta e cumpram seus objetivos.
Algumas utilizando-se de equipamentos simples; outras Em relação ao media training, uma transmissão on-
com equipamentos sofisticados que eram usados an- line demanda preparação especial daqueles que estarão
tes da pandemia. No final de 2019, fui entrevistado pela em evidência. Por isso, os participantes devem não so-
revista Comunhão em uma matéria que considerava a
Foto: Microgen | Adobe Stock

mente ter cuidado com a aparência, mas também com


Igreja do Unasp, campus São Paulo, uma das referên- a forma de se portar diante dos equipamentos. É neces-
cias em transmissões de cultos no país.4 O foco do artigo sário se dirigir aos espectadores olhando sempre para
era mostrar o que nos motivava a realizar a transmissão, as câmeras, demonstrando a importância dada a eles.
Foto:

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IGREJ

Dicas práticas postagens em apoio às programações que resultado das transmissões. A grande

M
Após as primeiras considerações, a igre- acontecerão on-line. Esse planejamento quantidade de interessados em aprender
ja deve partir para a ação. Alguns passos deve incluir o agendamento prévio dos mais sobre a Bíblia e se firmar na igre-
devem ser dados. São eles: eventos, tanto no Youtube quanto no Fa- ja motivou, por exemplo, a realização de
Tecnologia. Câmera de boa qualidade, cebook, pois estes ficarão em evidência classes bíblicas por videoconferência e
conexão banda larga e iluminação apro- para os seguidores. Não se esqueça de que também uma série de sermões nos cultos
priada são fundamentais, por mais simples tudo deve seguir os padrões de identida- de quarta-feira com ênfase nas doutrinas
que seja a transmissão. Sem esses elemen- de visual. Uma sugestão é que as mídias adventistas.
tos, minha dica é não realizá-la. tenham postagens diárias que culminem Finalmente, por mais que haja a neces-
Cenário. O ambiente deve ser preparado nos cultos transmitidos. Portanto, escolha sidade de uma preparação diferente do
para a transmissão. O visual da igreja para temas para cada dia e crie um calendário culto presencial, não se deve considerar
uma transmissão on-line tem as suas pe- dessas postagens. Por exemplo, men- o culto transmitido como algo diferente.
culiaridades. Pense, portanto, no plano de sagem pastoral na segunda-feira, verso Não temos que criar uma igreja versão di-
fundo, nas cores e, mais uma vez, na me- bíblico na terça, mensagem de algum mi- gital. Um culto on-line deve ser uma apre-
lhor posição para iluminação. nistério na quarta, lembranças de eventos sentação adaptada para a internet do que
Plataformas. É imprescindível que seja antigos na quinta e mensagem de pre- a igreja já fazia, porém com engajamen-
escolhida uma plataforma de transmissão paração na sexta. Faça seu próprio ca- to e alcance muito maior. Uma boa trans-
aberta ao público. Nesse caso, o YouTube lendário de postagens de acordo com a missão reflete uma igreja viva, atuante e
é a primeira opção. Além disso, o Facebook realidade de sua igreja. fiel ao chamado de pregar o evangelho, al-
também é uma ótima opção pelo nível de Os itens mencionados são muito impor- cançando, de fato, os confins da Terra!
presença das pessoas. Embora o número tantes. Mas nada é tão importante quanto
Referências
de usuários do Instagram tenha crescido o conteúdo. Na internet existe um jargão:
1
Ella Koeze e Nathaniel Popper, “The Virus Changed
durante a pandemia, esse aplicativo não é a “o conteúdo é rei”. Mas, o que seria um
the Way We Internet”, The New York Times,
melhor opção para a transmissão de even- bom conteúdo para um culto? Já não te- disponível em <nyti.ms/32f0s59>, acesso em
tos. Existem soft wares que gerenciam a mos uma mensagem importante? 14/7/2020.

transmissão em múltiplas plataformas. In- Um culto, ou qualquer outro evento ecle- 2


Manuel Castells, A Galáxia da Internet: Reflexões
sobre a internet, os negócios e a sociedade (Rio de
felizmente, porém, as melhores ferramen- siástico transmitido, deve primar pela qua- Janeiro: Zahar, 2003), p. 7.
tas não são gratuitas. Portanto, verifique lidade. O tema do sermão, a mensagem 3
Segundo o Google Trends, as buscas por cultos on-
as condições financeiras de sua igreja antes musical e a pregação devem ser bem esco- line tiveram um aumento repentino no início da
pandemia de mais de 3300%. O relatório com mais
de planejar uma transmissão em mais de lhidos e apresentados. A programação pode-
detalhes da busca pelo termo nos últimos 12 meses
uma plataforma simultaneamente. rá ter um grande alcance se for realizada com pode ser acessado em <bit.ly/32d4FXb>, acesso em
Identidade visual. Crie ou evidencie a excelência, mas pode ter uma repercussão 14/7/2020.
R. Ramos, “Igrejas Antenadas na Rede”, Comunhão,
Neriv
identidade visual da igreja tanto nas trans- negativa se tiver erros importantes.
4

N
ed. 266, p. 28-31.
missões quanto na divulgação dos even- Na Igreja do Unasp-SP, Gilson Grüdt-
5
O objetivo do departamento de marketing e
tos. Escolha uma paleta de cores adequada ner, pastor titular, Robson Góes e Renato comunicação da igreja do Unasp-SP é chegar a
e um design padrão para as postagens que Prandi, pastores auxiliares, têm apresenta- 100 mil inscritos no canal do YouTube até o fim de
outubro de 2020.
deve ser replicada na transmissão tam- do conteúdos relevantes tanto nos cultos
6
David Kinnaman, Geração Perdida: Por que os
bém. Isso dará um senso de profissiona- quanto nas classes bíblicas que a igreja tem verso
jovens estão abandonando a igreja e repensando a
lismo ao trabalho. mantido durante este período. A escolha fé (Pompeia, SP: Universidade da Família, 2014). um o
Apoio nas mídias sociais. A busca por uma de temas escatológicos foi estratégica e 7
O sermão “O Abalo das Potestades do Céu no no M
transmissão de sucesso de audiência e com chamou atenção do público para assun- Final do Sexto Selo”, pregado pelo pastor Gilson diaco
Grüdtner, foi visto por mais de 548 mil pessoas,
engajamento deve ser apoiada pelas mídias tos de interesse relacionados ao momento sendo o vídeo mais acessado do canal da Igreja dos d
sociais da igreja. Faça uma campanha prévia pelo qual o mundo está passando. Para se do Unasp-SP. Está disponível em <youtu.be/ tritas
vRs6YkqowHs>.
para que os membros da congregação se ter uma ideia, algumas programações rea- tas e
tornem seguidores das mídias da igreja, bem lizadas pela igreja já tiveram mais de meio FÁBIO BERGAMO Ceia.
Foto: Andrey Popov | Adobe Stock

como compartilhadores dos conteúdos. milhão de visualizações!7 professor universitário e algué


Foto: Gentileza do autor

Planejamento de postagens. As mí- Conteúdo relevante, bem preparado diretor do departamento de go, é
Comunicação da Igreja do
dias sociais devem ser geridas seguin- e apresentado move as pessoas a tomar Unasp-SP
lugar
do um rígido padrão de planejamento de decisões. Pessoas foram batizadas como ção à

16 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
IGREJA

ande

MINISTÉRIO DO
nder
gre-

SERVIÇO
o de
cia e
ultos A influência
rinas
espiritual do
eces-
e do diaconato
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o di-
apre-
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men-
rans-
nte e
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a!

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es
o de

s on-
a
mais
meses
o em

nhão,
Nerivan Silva

N
o início do último trimestre do ano, questões: O que é o diaconato? Quem é a função tiveram a aprovação da igreja de
nas igrejas adventistas, forma-se a o diácono? que eram pessoas de profunda experiên-
de comissão de nomeações. Sua atri- O livro de Atos registra a nomeação cia espiritual.
buição é indicar pessoas para os di- dos primeiros diáconos na igreja apostó-

do a
versos departamentos por um período de lica. “Então, os doze convocaram a comu- Estêvão
). um ou dois anos, conforme estabelecido nidade dos discípulos e disseram: Não é Entre os sete nomeados para o diacona-
no Manual da Igreja. Entre estes, está o razoável que nós abandonemos a palavra to encontrava-se Estêvão. Seu nome signi-
n diaconato. Em muitos lugares, as funções de Deus para servirmos às mesas. Mas, ir- fica “coroa”, “grinalda” e “louros da vitória”.1
,
a dos diáconos e das diaconisas ficaram res- mãos, escolhei dentre vós sete homens de Ele é descrito como um “homem cheio de fé
tritas ao recolhimento dos dízimos e ofer- boa reputação, cheios do Espírito e de sa- e do Espírito Santo” (At 6:5). Além disso, era
tas e aos preparativos e serviço da Santa bedoria, aos quais encarregaremos deste “judeu de nascimento, falava a língua grega
Ceia. Além disso, algumas vezes, quando serviço” (At 6:2, 3). e estava familiarizado com os usos e costu-
Foto: Andrey Popov | Adobe Stock

alguém, por alguma razão, fica sem car- Na igreja apostólica, três aspectos fo- mes dos gregos.”2 Para o desempenho de
Foto: Gentileza do autor

go, é sugerido que essa pessoa ocupe um ram fundamentais na nomeação dos diá- suas tarefas, os diáconos receberam a im-
lugar no diaconato. Essa postura em rela- conos: boa reputação, dotação do Espírito posição das mãos (At 6:6). Isso indica que
ção à importância do cargo levanta duas Santo e sabedoria (v. 3). Os indicados para o diaconato abrange aspectos espirituais.

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Estêvão deixou sua marca na histó- Diáconos e diaconisas Casa do Senhor. No entanto, seu papel O pa
ria da igreja apostólica como um defen- No Antigo Testamento, Deus designou também implica liderança espiritual. Isso Co
sor fervoroso e inflexível da fé cristã. os levitas como os responsáveis pela estru- demanda comunhão com Deus e Sua Pa- pel im
“Levantaram-se, porém, alguns dos que tura e manutenção dos serviços do san- lavra. Por isso no dia a dia da igreja, eles apoio
eram da sinagoga chamada dos Libertos, tuário (Nm 1:50-53; 1Cr 15:1, 2). Sua função devem ser vistos como referência de da ig
dos cireneus, dos alexandrinos e dos da estava ligada à vida espiritual desses ofi- espiritualidade. diaco
Cilícia e Ásia, e discutiam com Estêvão; ciais. Eles trabalhavam em contato com o De fato, antes do “fazer”, diáconos nisté
e não podiam resistir à sabedoria e ao sagrado, isto é, manuseavam os móveis e e diaconisas devem “ser”, isto é, suas ati- ção, o
Espírito, pelo qual ele falava” (At 6:9, 10). vasos sagrados do templo. vidades na igreja devem refletir espiritua- da ig
Isso implica conhecimento da história de Em se tratando do funcionamento da lidade autêntica. Homens e mulheres que O
Israel e das profecias messiânicas. igreja, os diáconos têm atividades seme- mantêm comunhão diária com Deus de- sua i
Lucas, em seu relato, deixou claro que lhantes às dos levitas. Portanto, “a igre- sempenharão suas atividades com crité- vo em
Estêvão foi além de servir às mesas na ja deve escolher para o diaconato pessoas rios nobres, sabedoria, compromisso e que e
igreja. Como diácono, ele foi um evan- espiritualmente qualificadas e profunda- excelência. A vida deles será um padrão tado
gelista e desenvolveu forte liderança mente comprometidas com o ministério de boas obras. tério
espiritual. Consequentemente, também do serviço. Por isso, a seleção de diáconos dime
Ministério espiritual N
Cristo disse à mulher samaritana: men

Diáconos e diaconisas “Quem beber desta água tornará a ter


sede; aquele, porém, que beber da água
cona
tamb

são oficiais que exercem que Eu lhe der nunca mais terá sede;
pelo contrário, a água que Eu lhe der
alime
e atr
influência na comunidade, será nele uma fonte a jorrar para a vida Os d
eterna” (Jo 4:13, 14). Para que um cristão po tê
ajudando-a a ter uma exerça influência espiritual sobre outras mem
pessoas, ele deve estar ligado à fonte. o em
experiência genuína de Nesse caso, Jesus Cristo. Ninguém dá o sofre

reavivamento espiritual. que não tem.


Ao longo do ano, a igreja tem várias
lizad
e fina
atividades que fazem parte do calendá- duçã
rio eclesiástico: cultos, semanas de oração, a figu
se tornou o primeiro mártir da igreja e diaconisas é uma das mais importantes cerimônias, programações e eventos, en- nhar
apostólica (At 7:58, 59). Ellen White es- incumbências da igreja.”4 tre outras. Diáconos e diaconisas podem essa
creveu: “O martírio de Estêvão causou Embora Lucas e Paulo tenham en- auxiliar os ministérios da igreja nessas di- do pa
profunda impressão em todos os que o fatizado o trabalho dos diáconos (ver versas atividades. Por exemplo, durante N
presenciaram. A lembrança da aprovação At 6:1-6; 1Tm 3:8-13), o cristianismo apos- uma semana de oração, o diaconato pode uma
de Deus em seu rosto e suas palavras que tólico também deu testemunho de mu- ajudar na visitação aos membros da igreja te do
tocaram o coração dos que as ouviram lheres que praticaram a diakonia em favor e também aos interessados que estão as- o ens
permaneceram na mente dos espectado- de suas comunidades (Fp 4:2, 3; Rm 16:1, sistindo à programação. Além disso, pode espir
res e testificaram da verdade que ele havia 2). É provável que Paulo tenha enviado prestar assistência aos enfermos e idosos. At 15
proclamado. Sua morte foi uma dura pro- sua carta aos Romanos por intermédio Em uma série evangelística, estudos cisam
va para a igreja, mas resultou na convicção da irmã Febe, que estava indo de viagem bíblicos podem ser ministrados por diá- espir
de Saulo, que não conseguiu apagar de para Roma. conos e diaconisas. Pessoas podem se citad
sua memória a fé e a firmeza do mártir e A função dos diáconos e diaconisas é tornar membros da igreja pela ação mis- na ob
a glória que resplandeceu em seu rosto.”3 muito importante na igreja. Suas atribui- sionária do diaconato. Mas tudo isso está O
Foto: Andrey Popov | Adobe Stock

De fato, o homem que servia às me- ções no serviço de adoração (ofertório, vinculado à vida espiritual desses oficiais sos d
Foto: William de Moraes

sas se demonstrou um líder na igreja cuja organização), nas cerimônias (batismo, da igreja. Assim, eles ocupam um espaço ser e
marca principal foi sua profunda comu- Santa Ceia) e em outras ocasiões são re- que vai além das atividades que conven- creve
nhão com Deus. levantes para o bom funcionamento da cionalmente têm feito. edific

18 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
papel O pastor e o diaconato trabalho de obreiros sábios para discer- distribuídas ao longo de uma área geo-
Isso Como líder principal, o pastor tem pa- nir e desenvolver talentos na igreja – ta- gráfica mais ampla. Cada igreja tem suas
a Pa- pel importantíssimo a desempenhar no lentos que possam ser preparados para o peculiaridades que envolvem pessoas, ne-
eles apoio e acompanhamento aos ministérios uso do Mestre. [...] São necessárias instru- cessidades específicas e questões admi-
a de da igreja. As atividades e atribuições do ção e educação. [...] nistrativas. Por isso, é fundamental que
diaconato estão muito próximas do mi- “Muitos teriam boa vontade de tra- haja uma equipe de líderes que dê apoio
onos nistério pastoral. Por exemplo, a visita- balhar, se lhes ensinassem a começar. Es- ao ministério do seu pastor. Tais líderes de-
s ati- ção, o serviço de adoração e as cerimônias ses necessitam ser instruídos e animados. vem ter essa consciência, pois “a ideia de
itua- da igreja. Toda igreja deve ser uma escola missioná- que o pastor deve levar toda a carga e fa-
s que O pastor deve fortalecer o diaconato em ria para obreiros cristãos. Seus membros zer todo o trabalho é um grande engano”.8
s de- sua igreja por meio de um ministério ati- devem ser instruídos em dar estudos bíbli- A liderança da igreja, em Jerusalém, teve
crité- vo em favor desses líderes. Isso pressupõe cos, em dirigir e ensinar classes da Escola essa visão.
so e que esse grupo precisa ser visitado e orien- Sabatina, na melhor maneira de auxiliar os Portanto, a função do diaconato não
drão tado pelo líder maior. No apoio aos minis- pobres e cuidar dos doentes e de trabalhar está restrita somente ao recolhimento dos
térios da igreja, o papel do pastor tem uma pelos não convertidos.”5 dízimos e das ofertas. Tampouco se res-
dimensão dupla: espiritual e pedagógica. Nessa declaração de Ellen White, algu- tringe aos cuidados com a ordem e os as-
Na primeira, ele apascenta. Os ho- mas atividades diretamente relacionadas pectos físicos da igreja. Trata-se de uma
ana: mens e as mulheres que compõem o dia- ao diaconato estão inclusas. “Os diáconos e função altamente espiritual. Tanto é as-
a ter conato exercem influência espiritual e diaconisas são encarregados de auxiliar os sim que o exercício dela requer o ato da
água também são ovelhas que carecem de doentes, pobres e infelizes e devem man- ordenação (At 6:6). O apóstolo Paulo, ao
ede; alimento espiritual. Eles têm necessidades ter a igreja informada de suas necessida- descrever as qualificações dos líderes da
e der e atravessam crises pessoais e familiares. des e obter o apoio dos membros.”6 O Guia igreja, uniu o ancionato e o diaconato no
vida Os dias difíceis que marcam nosso tem- para Diáconos & Diaconisas, no capítulo 8, mesmo bloco (1Tm 3:1-13). Diáconos e dia-
stão po têm atingido de forma contundente os contém uma exposição metódica, inclusi- conisas são oficiais que exercem influên-
utras membros da igreja. Muitos deles perderam ve com sugestões, de como essas ativida- cia na comunidade, ajudando-a a ter uma
onte. o emprego, vivenciam conflitos conjugais, des podem ser realizadas. experiência genuína de reavivamento
dá o sofrem o drama de relacionamentos fragi- Na dimensão pedagógica, o pastor espiritual.
lizados ou lidam com questões econômicas cumpre um papel fundamental. Por meio
Referências
árias e financeiras. Portanto, necessitam de con- de seminários de capacitação e da visita-
1
 rancis D. Nichol (ed.), Comentário Bíblico Adventista
F
ndá- dução espiritual. É nesse cenário que entra ção aos membros em companhia de diá-
do Sétimo Dia (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
ação, a figura do pastor para orientar e acompa- conos e diaconisas, o pastor pode formar 2016), v. 6, p. 184.
, en- nhar o rebanho (Sl 23:4). Apascentar toda um diaconato eficiente que será de gran- 2
 llen G. White, Atos dos Apóstolos (Tatuí, SP: Casa
E
dem essa gente deve ser a função prioritária de apoio ao seu ministério. Publicadora Brasileira, 2014), p. 97.

as di- do pastor. 3
Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 101.

ante Na segunda dimensão, o pastor cumpre Conclusão 4


Divisão Sul-Americana da IASD, Guia para Diáconos
& Diaconisas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
pode uma tarefa pedagógica. O ensino faz par- Liderança compartilhada é um princí- 2019), p. 26.
greja te do ministério pastoral. Em toda a Bíblia, pio bíblico de ação. “Solenes são as res- 5
 llen G. White, Serviço Cristão (Tatuí, SP: Casa
E
o as- o ensino era uma das funções dos líderes ponsabilidades que pesam sobre os que Publicadora Brasileira, 2015), p. 58, 59.
pode espirituais (Êx 18:19, 20; Dt 24:8; 2Rs 17:27; são chamados a atuar como líderes da igre- 6
A ssociação Geral da IASD, Manual da Igreja (Tatuí,
osos. At 15:35; 1Tm 3:2; Tt 2:7, 8). As pessoas pre- ja de Deus na Terra. Nos dias da Teocracia, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016), p. 81.

udos cisam ser ensinadas quanto aos princípios quando Moisés estava procurando levar
7
Divisão Sul-Americana da IASD, Guia para Diáconos
& Diaconisas, p. 20.
diá- espirituais, mas também devem ser capa- sozinho fardos tão pesados que logo su- 8
Ellen G. White, Serviço Cristão, p. 68.
m se citadas para desempenhar suas funções cumbiria sob o peso deles, foi aconselha-
mis- na obra de Deus. do por Jetro a fazer planos para uma sábia
está Os membros da igreja, com seus diver- distribuição de responsabilidades.”7 NERIVAN SILVA
Foto: Andrey Popov | Adobe Stock

ficiais sos dons (1Co 12:4-11; Ef 4:11, 12), necessitam A atuação do diaconato na igreja é um editor da Revista do Ancião,
Foto: William de Moraes

paço ser ensinados a trabalhar. Ellen White es- suporte indispensável para o ministério na Casa Publicadora
Brasileira
ven- creveu: “O que agora se necessita para a pastoral. O ministro precisa supervisio-
edificação de nossas igrejas é do aprazível nar um conjunto de igrejas, muitas vezes,

S E T- O U T • 2 0 2 0 l MINISTÉRIO 19

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ESCATOLOGIA

ENTRE O Uma análise dessa

CAMPO
aparente contradição nos
escritos de Ellen White

EA
CIDADE
Cont
À
Walter Alaña cont
Whit
um c

A
o estudar os escritos de Ellen White, prom
é possível dizer que existe contra- outro
dição entre a instrução para deixar quais
as cidades e a exortação para em- com
preender uma evangelização urbana mais intensiva? É necessá- A
rio ter cautela para lidar com esse tema e considerar as orientações o ide
dentro de seu contexto original. Ela relaciona o término da proclama- viva
ção da terceira mensagem angélica com o fechamento da porta da graça, Por i
indicando que, quando o povo de Deus concluir a pregação do evangelho sob tros u
o poder da chuva serôdia, será capaz de resistir ao teste final. Em O Grande Conflito, eaa
Ellen White declarou: “Quando se encerrar a mensagem do terceiro anjo, a misericór- pest
dia não mais pleiteará em favor dos culpados habitantes da Terra. O povo de Deus terá Para
cumprido sua obra. Recebeu a ‘chuva serôdia’, o ‘refrigério pela presença do Senhor’, e ideal
está preparado para a hora probante que está diante dele.”1 o am
À luz dessa declaração, pode-se dizer que a melhor preparação para enfrentar a última de au
crise é estar capacitado para participar da proclamação final. A pregação do evangelho é vime
Jacob Lund | Adobe Stock

o único sinal do tempo do fim no qual o povo de Deus tem participação direta (Mt 24:14). pode
Continuamente, Ellen White incentivou os diferentes níveis eclesiásticos e as várias serve
Foto: Lassedesignen | Adobe Stock

instituições da igreja a manter esse foco missionário, a fim de cumprir fielmente seu pa- juízo
pel no cenário do tempo do fim. Suas diversas declarações sobre o estilo de vida dos Co
adventistas do sétimo dia devem ser lidas e compreendidas dentro desse contexto. sécu
zar a
Foto:

20 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
a
s
e

Contradição aparente mensagem angélica nas grandes cidades Solução divina


À primeira vista, parece haver uma de seu tempo, uma ênfase que ela man- Ao revisar os escritos de Ellen White,
contradição entre as declarações de Ellen teve até o fim de seu ministério. Por mais encontramos um conceito que parece
White sobre as cidades.2 Por um lado, há de 20 anos, a líder destacou que a mis- nos ajudar a articular as mensagens em
um conjunto de declarações em que ela são urbana ocupa um lugar especial na es- que ela aconselha deixar as cidades e seus
hite, promove a vida no campo como ideal; por tratégia divina para evangelizar o mundo: chamados para realizar evangelismo ur-
ntra- outro lado, existem várias referências nas “A mensagem que me é ordenado dar ao bano intensivo. Os “centros” ou “postos
eixar quais ela expressa grande preocupação nosso povo neste tempo é: Evangelizem avançados” surgem como uma solução
em- com a evangelização dos centros urbanos. as cidades sem demora, porque o tem- divina para essa aparente contradição.
essá- A autora declarava repetidamente que po é curto.”8 Ela afirmou: “Devemos elaborar sábios
ções o ideal de Deus para Seu povo é que ele Assim, Ellen White considerava essa planos para advertir as cidades e, ao mes-
ama- viva em contato direto com a natureza. obra prioritária e urgente. Em 1910, num mo tempo, morar onde possamos pro-
raça, Por isso, aconselhava-o a deixar os cen- discurso feito em Mountain View, Cali- teger nossos filhos e a nós mesmos das
sob tros urbanos, a mudar-se para áreas rurais fórnia, ela reafirmou a importância dessa influências contaminadoras e corruptoras
flito, e a aproveitar os benefícios da vida cam- questão. “Poucos ministros estão reali- que nelas tanto prevalecem.”10 Nesse sen-
icór- pestre. E quais seriam esses benefícios? zando um trabalho intensivo nesses cen- tido, propôs a seguinte estratégia: “Deve-
terá Para ela, o campo proporciona o ambiente tros maiores, onde milhares de pessoas se fazer o trabalho nas cidades partindo
or’, e ideal para a educação dos filhos,3 promove precisam das verdades salvadoras que te- dos postos avançados. Disse o mensageiro
o amadurecimento de uma espiritualida- mos que proclamar. Os meios que deve- de Deus: ‘Não serão advertidas as cidades?
tima de autêntica,4 contribui para o desenvol- riam ser usados para levar a mensagem Sim; não porque o povo de Deus resi-
lho é vimento integral de todas as faculdades,5 às cidades parecem ter sido levados e usa- de nelas, mas ao visitá-las para adverti-
4:14). pode ser uma solução para a pobreza6 e dos onde talvez não devessem estar. Mas las do que está para sobrevir à Terra.’”11
árias serve como medida de proteção contra os onde é vista uma preocupação em favor Quanto às instituições adventistas,
Foto: Lassedesignen | Adobe Stock

u pa- juízos divinos que cairão sobre as cidades.7 dessas cidades que há muito são apon- Ellen White ressaltou: “Repetidamente
dos Contudo, a partir da última década do tadas como locais que devem ser traba- nos vem o Senhor instruindo que deve-
o. século 19, Ellen White começou a enfati- lhados sem demora? Quem assumirá a mos fazer o trabalho nas cidades partin-
zar a importância de proclamar a tríplice responsabilidade dessa obra?”9 do de centros avançados. Nessas cidades,
Foto:

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devemos ter casas de culto, como memo- a se estabelecer em cidades (towns) ou vilas Além disso, Ellen White sugeriu uma todo
riais de Deus, mas as instituições para a (villages). Isso é evidenciado na seguinte de- possível distância que deveria existir en- to e o
publicação de nossa literatura, para a cura claração: “Irmãos que desejem mudar de lu- tre a localização dos centros avançados de D
dos enfermos e para o preparo de obrei- gar, e que tenham em vista a glória de Deus, e a cidade a ser alcançada com o evan-
ros devem ser estabelecidas fora das ci- e sintam que pesa sobre eles uma responsa- gelho. Em 1902, ela aconselhou: “Dessa Hora
dades. É especialmente importante que bilidade individual de fazer bem aos outros, forma, embora estejamos distantes das ci- El
nossos jovens sejam protegidos das ten- beneficiando e salvando pessoas por quem dades [cities ] trinta ou quarenta quilôme- deixa
tações da vida urbana.”12 Cristo não poupou Sua preciosa vida, devem tros, seremos capazes de alcançar o povo ser p
Observe que, geralmente, as diferentes mudar-se para cidades pequenas [towns] e [...] Deus realizará maravilhas por nós se, deve
instituições da igreja na área de educação, vilas [villages] onde exista pequena ou ne- com fé, cooperarmos com Ele.”20 des m
saúde e publicações deveriam ser postos nhuma luz, e possam ser de real utilidade, Observando essas orientações de ma- ra sa
avançados localizados fora das cidades. beneficiando outros com seu labor e sua ex- neira equilibrada, podemos concluir que Senh
Mesmo as famílias adventistas deve- periência. Necessitam-se missionários que ela não estabelece regras sobre locais povo
riam viver distantes dos grandes centros, vão a cidades [towns] e vilas [villages] er- de residência para famílias adventistas. [citie
visitando-os para alertar seus moradores guendo aí a bandeira da verdade.”17 Também é importante destacar que sua cultiv
do perigo iminente. Outro ponto interes- Nesse ponto, é necessário esclarecer definição de campo não era específica. futur
sante é que essas famílias deveriam gerar que Ellen White usava três termos para O que é campo para uma família não é ne- será
empreendimentos que beneficiassem a si se referir às cidades: (1) Município/cidade cessariamente para outra. Fatores como aten
mesmos e aos outros.13 (city ), geralmente se refere a um espaço antecedentes familiares, necessidades te no
Parece razoável crer que a aparente urbano com alta densidade populacional, educacionais das crianças, disponibilidade [citie
contradição entre a orientação divina de no qual predominam o comércio, a indús- de emprego e oportunidades para cumprir não s
viver no campo e a relacionada à evan- tria e os serviços. (2) Cidade (town ), indica a missão devem ser considerados. rão li
gelização das cidades é resolvida quando uma população menor, mas com limites Deve-se notar ainda que ela não acon- El
os membros da igreja entendem que de- claramente estabelecidos e prefeitura selha os movimentos rápidos nem a con- men
vem procurar fixar sua residência fora das local. (3) Vila (village ), denota uma peque- centração de muitos adventistas em um só centr
grandes cidades, mas, ao mesmo tempo, na comunidade em área rural.18 lugar,21 mas insiste na importância de cada opor
desenvolver estratégias para pregar-lhes Ao ler seus escritos, é importante con- família gastar tempo buscando a direção quan
o evangelho, assim como fez Enoque.14 siderar essa distinção para entender que, de Deus e segui-la, ao dizer: “Nenhuma Estad
A importância de evangelizar as cida- desde o início, o chamado para deixar as mudança deve ser feita sem que tal pas- cerco
des fica evidente nas muitas orientações de cidades incluía um claro foco evangelísti- so e tudo o que ele implica sejam cuidado- era o
Ellen White. Monte Sahlin revisou 107 ar- co, conforme observado nesta declaração samente considerados – tudo pesado. [...] assim
tigos de periódicos nos quais ela se refere de 1891: “Há ao nosso redor cidades [cities ] A todo homem é dada sua obra segundo a Unid
às cidades, dos quais 24 enfatizam a impor- e vilas [towns ] onde não se está fazendo sua variada aptidão. Então, que ele não se gatór
tância de deixar áreas urbanas, 75 aconse- esforço nenhum para salvar pessoas. Por mude hesitantemente, mas com firmeza, vertê
lham a mobilização para o evangelismo nas que não haveriam de se estabelecer nes- confiando humildemente em Deus. Pode deixa
cidades e 8 criticam as condições de vida ses lugares famílias conhecedoras da ver- haver indivíduos que façam tudo precipi- rio ao
nos grandes centros.15 dade presente para ali hastear a bandeira tadamente e entrem em algum negócio em lu
de Cristo, trabalhando com humildade, de que nada sabem. Deus não exige isso. Foto: Travelview | Adobe Stock
Po
Definição de “campo”16 não à sua maneira, mas segundo a maneira Pensem com simplicidade, de maneira pie- xar o
Foto: Gentileza do autor
O chamado inicial para deixar as cidades de Deus, para proporcionar a luz àqueles dosa, estudando a Palavra de Deus com
não é ir a lugares distantes e isolados. Em que dela não têm conhecimento?”19
vez disso, os adventistas são aconselhados

22 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
uma todo o cuidado e devoção, tendo o espíri- remotas e pouco povoadas. Os adven- 3
Ellen G. White, Vida no Campo (Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2015), p. 20, 21.
r en- to e o coração despertos para ouvir a voz tistas reconhecerão que esse momento
4
Ellen G. White, Mensagens Escolhidas (Tatuí, SP:
ados de Deus.”22 chegou quando um decreto de morte for
Casa Publicadora Brasileira, 2015), v. 2, p. 356.
van- emitido contra eles. “Quando o decreto 5
 llen G. White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí, SP:
E
essa Hora de partir promulgado pelos vários governantes da Casa Publicadora Brasileira, 2014), v. 4, p. 136.
as ci- Ellen White exorta o povo de Deus a cristandade contra os observadores dos 6
 llen G. White, A Ciência do Bom Viver (Tatuí, SP:
E
ôme- deixar as cidades, mas essa partida deve mandamentos lhes retirar a proteção do Casa Publicadora Brasileira, 2015), p. 190.

povo ser progressiva. A princípio, a mudança governo, abandonando-os aos que lhes 7
Ellen G. White, Vida no Campo , p. 45, 46.

ós se, deve ser de grandes centros para cida- desejam a destruição, o povo de Deus fu- 8
Ellen G. White, Ministério Para as Cidades (Tatuí, SP:
Casa Publicadora Brasileira, 2015), p. 23.
des menores. Em relação a essa primei- girá das cidades e vilas e se reunirá em gru-
9
Manuscrito 9, 27 de janeiro de 1910.
ma- ra saída, ela adverte: “Repetidas vezes o pos, habitando nos lugares mais desertos
10
Ellen G. White, Vida no Campo , p. 46.
que Senhor tem dado instruções de que nosso e solitários.”25
11
Ibid., p. 44.
ocais povo deve tirar suas famílias das cidades
Ibid., p. 45.
Conclusão
12
stas. [cities ] para o campo, onde poderão
13
 llen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 183, 184,
E
e sua cultivar seu próprio mantimento; pois no Ao considerar essas orientações, pode-
193, 194.
ífica. futuro o problema de comprar e vender mos afirmar que há conselhos suficientes 14
Ellen G. White, Vida no Campo, p. 44, 45.
é ne- será bem sério. Devemos começar, agora, a para tomar decisões sábias. Ellen White 15
 onte Sahlin, Mission in Metropolis: The Adventist
M
omo atender às instruções que frequentemen- diz: “É a própria essência de toda fé correta Movement in an Urban World (Lincoln, NE: Center
ades te nos têm sido dadas: ‘Saiam das cidades fazer a coisa certa na hora certa.”26 Che- for Creative Ministry, 2007), p. 16.

dade [cities ] para as zonas rurais, onde as casas gou, portanto, a hora de deixar as cidades? 16
 lgumas ideias dessa seção foram extraídas de
A
Arthur L. White e E. A. Sutherland, Da Cidade Para
mprir não são aglomeradas, e onde vocês esta- Chegou a hora de dar passos de fé em di- o Campo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
rão livres da interferência dos inimigos.’”23 reção ao ideal de Deus. 2019), p. 5-63.
con- Ela também indica que chegará o mo- A Bíblia ensina que toda vez que um fi- 17
 llen G. White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí,
E
SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015), v. 2, p. 115.
con- mento de fugir. Primeiro, dos grandes lho de Deus decide dar passos de fé em
18
 er Shundalyn Allen, “City, Town, and Village –
V
m só centros às cidades menores. A última obediência à direção divina, experimenta
What’s the Difference?”, <bit.ly/2NXorh7>, acesso
cada oportunidade de fazer essa mudança será o cumprimento das promessas do Senhor em 24/5/2020.
eção quando a lei dominical for promulgada nos (Js 21:43-45). Isso contribui para o pleno 19
Ellen G. White, Ministério Para as Cidades, p. 92, 93.
uma Estados Unidos. Em suas palavras, “Como o desenvolvimento de seu caráter (santi- 20
 llen G. White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí,
E
pas- cerco de Jerusalém pelos exércitos romanos dade); enquanto cresce progressivamen- SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010), v. 7, p. 79.

ado- era o sinal de fuga para os cristãos judeus, te na capacidade de proclamar a tríplice 21
Ellen G. White, Conselhos Para a Igreja (Tatuí, SP:
Casa Publicadora Brasileira, 2010), p. 61.
o. [...] assim o apropriar-se nossa nação [Estados mensagem angélica (missão), aspectos que
22
Ellen G. White, Vida no Campo, p. 38, 39.
ndo a Unidos] o poder no decreto que torna obri- constituem a preparação essencial para o
23
Ibid., p. 15.
ão se gatório o dia de repouso papal será uma ad- breve encontro com Jesus.
24
Ibid., p. 47.
meza, vertência para nós. Será então tempo de
Referências 25
Ellen G. White, O Grande Conflito , p. 626.
Pode deixar as grandes cidades, passo preparató-
1
 llen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa
E 26
 llen G. White, Notas Biográficas de Elena G. de
E
ecipi- rio ao sair das menores para lares retirados
Publicadora Brasileira, 2014), p. 613. White (Buenos Aires: Aces, 2014), p. 366.
gócio em lugares solitários entre as montanhas.”24 2
 er Allan Novaes e Wendel Lima, “Country Versus
V
isso. Posteriormente, os fiéis terão que dei- City Tension: Historical and Socio-religious Context
Foto: Travelview | Adobe Stock

a pie- xar os centros menores e fugir para áreas of the Development of Adventist Understanding of WALTER ALAÑA
Foto: Gentileza do autor

Urban Mission”, Journal of Adventist Mission Studies diretor da Faculdade de


com 15, n. 1 (2019): 52-71. Teologia da Universidade
Peruana União

S E T- O U T • 2 0 2 0 l MINISTÉRIO 23

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ADMINISTRAÇÃO

FÉ E
AÇÃO
Lições da experiência de Neemias sobre resolução de conflitos

Ricardo Norton

O
conflito é um intruso que passou a ameaças de seus inimigos. Sua história O líder autocrático lidera por si mesmo e respo
fazer parte do planeta algum tem- nos apresenta lições úteis para encarar toma decisões sem consultar. O líder auto- ciona
po depois da semana da criação. O com sucesso os conflitos atuais. ritativo lidera com base na autoridade rece- de de
mundo era perfeito e harmonio- bida pelo povo, depois que este verifica sua músi
so, até que Satanás, enganando nossos Enfrentando conflitos eficiência e seu desejo de buscar o bem- most
primeiros pais, semeou decepções, inimi- Dependência de Deus. Em alguns as- estar de todos. nal d
zades e contendas. Hoje, tanto a história pectos, a reação de Neemias ao conflito Na maioria dos desafios relatados em
quanto as ciências biológicas, políticas e foi semelhante à de Esdras, seu contem- seu livro, Neemias é conhecido por ter O res
sociais testemunham a natureza confli- porâneo. Como sacerdote, Neemias, vendo exercido liderança autoritativa; pois o Re
tuosa do mundo em que vivemos. A pre- a difícil situação do povo, também chorou, povo o ouvia e lhe obedecia voluntaria- cord
valência de conflitos em nosso cotidiano jejuou e orou (Ne 1:4; 2:2, 4; 4:4). No entan- mente. Contudo, no caso dos casamen- ros d
fez com que fossem considerados algo to, em outros aspectos, ele era muito di- tos mistos, fica claro que ele foi autoritário, de su
“natural, inevitável, necessário e normal”.1 ferente de Esdras. Diante da destruição de devido à persistência dos judeus em come- te, co
As consequências negativas do conflito Jerusalém e do afastamento do povo em ter esse pecado. ra e e
são inegáveis. Nosso desafio é enfrentá- relação aos princípios divinos, o sacerdote Organização detalhada. A desorganiza- os m
las. Este artigo analisa como Neemias arrancou os cabelos e a barba. Por sua vez, ção tem o potencial de agravar os conflitos. realiz
superou as dificuldades que envolviam Neemias começou a arrancar os cabelos e a A capacidade organizacional de Neemias tante
os judeus em Jerusalém durante os dias barba dos desobedientes! Nos tempos bí- pode ser vista desde o início do livro. Con- se op
do império persa. Ele enfrentou simul- blicos, esse ato expressava raiva, insulto e siderando as circunstâncias que enfrentaria Essa
taneamente vários problemas: a gran- desprezo (2Sm 10:4; Is 50:6). durante sua missão, ele pediu ao rei cartas mias
de quantidade de judeus casados com Liderança autoritativa. Uma análise da que o autorizassem a atravessar territó- mais
mulheres pagãs; a restauração dos mu- linguagem de Neemias o apresenta como rios de outros governadores do império e tame
ros de Jerusalém, com suas respectivas um líder que dava ordens diretas (por lhe dessem madeira para a restauração da Ab
Foto: Jozefmicic | Adobe Stock

portas; a transgressão do sábado por exemplo, Ne 7:3; 13:25). Deve-se notar que, cidade de Jerusalém. povo
parte dos comerciantes; a injustiça so- apesar de vir da mesma raiz etimológica, Depois de concluir o trabalho de re- nanc
cial, opressão dos pobres e ganância; a as palavras autoritativa e autoritária ex- edificação dos muros e portões, o gover- pobr
paralisação do serviço do templo e as pressam diferentes posturas de liderança.2 nador passou a nomear líderes e delegar mias
Foto:

24 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
mo e responsabilidades específicas para o fun- decisões drásticas para aliviar a fome e as intimamente relacionados com a observân-
auto- cionamento eficaz da cidade. A maneira necessidades das pessoas. Ele instou os cia do sábado, que era semanalmente trans-
rece- de dedicar o muro, organizada, com coros, credores a renunciar aos juros de emprés- gredida pelo comércio entre habitantes
a sua música e sacrifícios de animais, também timos que haviam concedido, o que eles fi- locais e estrangeiros, que traziam seus pro-
bem- mostra a grande capacidade organizacio- zeram imediatamente. dutos em animais para vendê-los na cidade.
nal de Neemias. Reformas religiosas. Concluída a recons- A solução prescrita por Neemias foi fechar
s em trução do muro, Neemias concentrou-se no as portas antes do pôr do sol na sexta-
r ter O resultado desenvolvimento de reformas religiosas, a feira até depois do pôr do sol no sábado.
ois o Restauração dos muros em tempo re- fim de levar os israelitas à comunhão com Para garantir que não houvesse co-
aria- corde. Concluir a reconstrução dos mu- Deus e aos princípios que o Criador esta- mércio no sétimo dia, ele colocou alguns
men- ros de Jerusalém em 52 dias, após 70 anos beleceu nas Escrituras Sagradas. Um dos de seus homens de confiança para vigiar
tário, de sua destruição, foi algo surpreenden- primeiros passos foi organizar um serviço as portas. Como os comerciantes acampa-
ome- te, considerando seu comprimento, altu- religioso para a dedicação do muro.5 ram do lado de fora dos portões fechados,
ra e espessura.3 Além da rapidez com que Esse serviço exigia a participação de le- tentando os habitantes a fazer negócios,
niza- os muros foram refeitos, o trabalho foi vitas e cantores que haviam sido obriga- Neemias os advertiu, possivelmente do
flitos. realizado com voluntários e sob a cons- dos a deixar o templo e voltar para suas alto do muro, e os ameaçou dizendo que
mias tante ameaça de inimigos armados que casas. Neemias os trouxe de volta a Jeru- se fizessem isso de novo, eles seriam pre-
Con- se opunham à sua restauração (Ne 6:15). salém para organizar coros e fazer par- sos (Ne 13:19-21).6
ntaria Essa conquista administrativa deu a Nee- te da cerimônia de dedicação, que incluía Dissolução dos casamentos com mu-
artas mias a reputação de ser um dos líderes o sacrifício de animais (Ed 12). Além disso, o lheres estrangeiras. Diante do problema
ritó- mais destacados e hábeis do Antigo Tes- governador expulsou Tobias do santuário, crônico que era o jugo desigual, Neemias
ério e tamento na administração de conflitos.4 jogando fora todos os seus bens e restau- repreendeu, amaldiçoou e feriu alguns ju-
ão da Abolição da usura. Ouvindo o clamor do rando a fidelidade nos dízimos, para que deus, provavelmente os mais relutantes
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povo (Ne 5:1) e conhecendo os abusos fi- os levitas fossem restabelecidos em suas em obedecer (Ne 13:25). Suas ações drás-
e re- nanceiros cometidos contra os membros funções religiosas (Ne 13:1-13). ticas foram planejadas para impedir que
over- pobres da mesma família espiritual, Nee- Observância do sábado. O serviço do o problema se repetisse, como aconteceu
egar mias ficou furioso e foi obrigado a tomar santuário e a adoração a Deus estavam com Esdras. Deve-se notar que separar o
Foto:

S E T- O U T • 2 0 2 0 l MINISTÉRIO 25

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LIÇÕE

P
esposo da esposa, os pais dos filhos, é algo
realmente traumático; por isso, muitos vol-
tavam para sua família.

Lições de liderança
Neemias teve que lidar com os mesmos
problemas anos depois não é necessaria-
mente verdadeira. Quando um servo de
Deus prega fielmente a mensagem bíblica
e as pessoas a rejeitam, o fracasso é delas,
É importante destacar que a Bíblia regis-
tra as ações positivas e negativas dos he-
róis da fé, e isso se aplica a Neemias. No
entanto, certamente sua história provê re-
flexões úteis que nos ajudarão a lidar com
F
diplo
na]; m
Cada líder enfrenta os conflitos de não do pregador. Algo semelhante acon- os conflitos atuais. da id
maneira diferente, influenciado por sua teceu com o próprio Neemias. Após ficar ciona
Referências
personalidade e visão. Sendo contem- distante por um tempo, ele teve que en- nort
1
Bernard Mayer, The Dynamics of Conflict Resolution:
porâneos,7 Esdras e Neemias administra- frentar novamente várias questões que les q
A practitioners guide (San Francisco, CA: Jossey-
ram os mesmos problemas dependendo já havia corrigido em seu primeiro perío- Bass, 2000), p. 3. tário
de Deus, mas enfrentando-os de manei- do em Jerusalém (Ne 13:4-31).8 2
A raiz etimológica dessas palavras vem do eles
ra distinta. Mais do que diversidade es- Coragem para pedir. Neemias não ti- termo grego autokrateía, que significa “poder acon
independente”, “poder autossustentável”.
tratégica, a diferença entre esses dois nha autoridade civil nem recursos huma- mese
3
Dimensões da muralha em metros: comprimento,
líderes foi marcada por suas personali- nos e financeiros para reconstruir o muro. 4.018; altura, 12; largura, 2,5.
de cin
dades singulares. Os parágrafos a seguir Ele precisava de ajuda! Por isso, pediu auxílio 4
A fama de Neemias como líder pode ser vista na
fazer
apresentam algumas lições objetivas que às personalidades mais poderosas que co- quantidade de livros, artigos, teses de doutorado e O
sermões sobre sua liderança.
podemos aprender com Neemias para re- nhecia: Deus, que prometeu ajudar Seu povo ção,
5
Esse serviço religioso para a dedicação de um muro é
solver conflitos. em todos os momentos (Ne 1:8-11); e o rei Ar- a cha
o único registrado nas Escrituras.
Decisões impopulares. O pecado sem- taxerxes, que apreciava sua dedicação. Sem bei d
6
Essa expressão implica o uso da força física, que
pre resulta em consequências negativas e dúvida, Deus respondeu à oração de Nee- Neemias estava disposto a usar, quando colocou norte
muitas vezes nos coloca em situações im- mias e deu-lhe graça aos olhos do rei, que o pessoas armadas com espadas, lanças e arcos para mãos
proteger a construção das muralhas e confrontou
possíveis de ser resolvidas sem sofrimen- nomeou, imediatamente, como governador os judeus casados com mulheres estrangeiras
de e
to. A estratégia de Esdras de permitir que da Judeia, dando-lhe autoridade e os meios (Ne 4:13-18; 13:25). Isso f
os homens livremente deixassem espo- para reparar os muros de Jerusalém. 7
É evidente que o trabalho de Neemias como na pr
governador e o de Esdras como sacerdote
sas e filhos não funcionou porque exigia Estilo de liderança. A maneira violenta lias d
convergiram, pois ambos aparecem juntos exercendo
a renúncia da condição familiar. Sabendo com que Neemias tratou os homens casa- suas responsabilidades civis e religiosas em favor do uma
disso, Neemias foi além, proibindo poste- dos com mulheres estrangeiras tem sido povo de Deus (Ne 8:9; 12:26-36). cham
riores matrimônios mistos. O casamento alvo de muitas críticas. Alguns o conside-
8
Em seu diálogo com o rei e a rainha, Neemias te bo
estabeleceu um tempo para retornar ao serviço
com pessoas de outras crenças religiosas ram um líder cruel e antiético, um homem do palácio. Depois de 12 anos como governador ja ma
é muito comum atualmente; mas essas “raivoso, despótico e sem tato”.9 Apesar de da Judeia, ele voltou a Susã para servir ao rei Es
(Ne 5:14). Ao ouvir que o povo havia retornado aos
uniões frequentemente enfraquecem a seu caráter impetuoso, não se pode negar uma
seus maus caminhos, ele pediu permissão para
fé e, às vezes, levam à apostasia. É im- que Neemias teve sucesso em enfrentar o voltar a Jerusalém (Ne 13: 6-7). aque
portante alertar o povo de Deus sobre as conflito e era temente a Deus, benevolen- 9
Esses defeitos de Neemias foram considerados simp
consequências negativas do jugo desigual te e altruísta. Um líder apegado aos man- por Pfeiffer como “suas melhores qualidades”, muit
ver George Buttrick (org.), The Interpreter’s Bible
(2Co 6:14). Frequentemente, o líder é obri- damentos estabelecidos nas Sagradas Commentary (Nashville, TN: Abingdon, 1978), v. 3, come
Fotos: Foto: Pixelheadphoto | Adobe Stock e Arquivo DSA

gado a se posicionar em questões difíceis, Escrituras (Ne 1:7), que orava frequente- p. 808, 809. pude
e seu parecer poderá ser muito criticado. mente (Ne 1:4, 6, 11; 2:4; 4:9) e tinha com- Mais
No entanto, críticas que não têm funda- paixão de seu povo (Ne 1:4). RICARDO NORTON lugar
mento bíblico nem moral não devem ser Em suma, a paciência, mesmo do lí- diretor do programa Ame
Foto: Gentileza do autor

levadas em consideração. der mais devoto, tem limites. Certamen- hispano de doutorado em do. T
Ministério na Universidade
Pregação e fracasso. A ideia de que te, isso não deveria nos tornar violentos. Andrews
dias
Esdras falhou em sua reforma porque Nesse caso, aprendemos por contraste. visita

26 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
LIÇÕES DE VIDA

PROMESSA CUMPRIDA
F
az algum tempo desde que escrevi à
egis- Review. O silêncio, no entanto, não
s he- é sinônimo de inatividade. Passei al-
s. No gum tempo tentando revalidar meu
ê re- diploma de medicina neste país [Argenti-
com na]; mas, por enquanto, tive que desistir
da ideia de receber reconhecimento na-
cional por causa do preconceito contra os
norte-americanos, especialmente aque-
ution:
les que são profissionais. Um dos secre-
y-
tários me disse que era inútil tentar, pois
eles não me aprovariam. Isso, porém, só
aconteceu depois que se passaram três
meses e de eu visitar os escritórios mais
to,
de cinquenta vezes para obter o direito de
a
fazer o exame. primeira parte do mês passado, esses mes- em breve. Foi organizada uma Escola Sa-
do e O resultado final foi uma grande decep- mos dois irmãos voltaram e passaram vá- batina de cerca de trinta membros, e os
ção, mas não me desanimou. Isso me deu rios dias na cidade, dando estudos bíblicos batizados se uniram a uma igreja do outro
muro é
a chance de sair a campo novamente. Aca- e fazendo visitas de casa em casa. Assim, lado do rio, na qual os dois irmãos mencio-
bei de voltar de uma viagem pela região o interesse foi aprofundado e alguns co- nados anteriormente são ancião e diácono.
e
ou norte da Argentina, onde visitei alguns ir- meçaram formalmente a deixar de traba- É inspirador ver a prontidão com que
para mãos que tive o privilégio de levar à verda- lhar no sábado. muitas dessas pessoas católicas recebem
ou
de e batizar cerca de dezoito meses atrás. Os dois irmãos haviam lhes prometido a verdade para este tempo. Certamente o
Isso foi próximo da cidade de Empedrado, que um ministro os visitaria, e eles estavam Senhor tem muitas joias entre os milhões
na província de Corrientes. Uma das famí- esperando ansiosamente que a promessa de católicos de fala hispana; mas onde es-
lias desceu o rio Paraná e se mudou para fosse cumprida. Então, quando cheguei, tão os obreiros que devem alcançá-las? Es-
cendo
or do uma cidade próxima na mesma província, estavam tão prontos para ouvir quanto a tamos orando para que o Senhor da seara
chamada Bella Vista. O lugar é realmen- casa de Cornélio quando Pedro chegou. Fiz envie trabalhadores para Sua seara. Alguns
te bonito, pois grandes pomares de laran- visitas de casa em casa, tratando os doen- jovens fortes que podem ler este relato
o
r ja margeiam o rio por alguns quilômetros. tes e ministrando estudos bíblicos. Todas não se oferecerão para nos ajudar? Exis-
Essa família, apesar de incapaz de ler as noites realizávamos uma reunião públi- tem nesses campos milhões de pessoas a
aos
uma palavra, começou a trabalhar por ca, apresentando as profecias e as verda- mais do que missionários para levar-lhes a
aqueles a quem conheceu e, de maneira des especiais para este tempo. O Senhor Palavra. Que o Senhor ponha sobre nós o
simples, dizer a verdade. Alguns ficaram abençoou grandemente o trabalho, e o in- fardo da mensagem!
muito interessados e, ao adquirir Bíblias, teresse era muito maior quando eu parti do
le Referência
v. 3, começaram a ler, embora o professor não que quando cheguei.
Fotos: Foto: Pixelheadphoto | Adobe Stock e Arquivo DSA

pudesse citar-lhes um único texto bíblico. O padre fez advertências contra nós na Extraído de “Argentina, South America”, Review and
Herald, 6 de dezembro de 1906, p. 15.
Mais tarde, alguns irmãos passaram pelo escola pública, mas a influência da Palavra
lugar a caminho do encontro da União Sul- continuou aumentando. De modo espe-
Americana, no Paraná, em março passa- cial, meu trabalho com os doentes abriu as ROBERT HABENICHT
Foto: Gentileza do autor

do. Tendo que esperar o barco por dois portas em muitos lugares. Antes de partir, pioneiro adventista
na Argentina
dias nesse local, aproveitaram o tempo tive o privilégio de batizar quinze pessoas,
visitando aqueles interessados. Durante a e há outras dez que esperam ser batizadas

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TEOLOGIA

SANTUÁRIOS
A relação entre o jardim do
Éden e o tabernáculo israelita

Ángel Manuel Rodríguez

O
texto de Gênesis 2:4 a 3:24 contém terminologia e
conceitos associados no Antigo Testamento à teo-
logia do santuário. Isso levou alguns a sugerir que
o Éden fosse “um tipo de arquétipo do santuário”.1
Embora o jardim não fosse um santuário no sentido em que
o tabernáculo israelita era, encontramos nessa perícope os
primórdios da teologia do santuário. A seguir, resumiremos
importantes estudos exegéticos e teológicos sobre o assun-
to por teólogos não adventistas e exploraremos como suas
ideias podem contribuir para uma compreensão melhor da
doutrina do santuário.

Paralelos
Localização oriental. O jardim estava localizado na se-
ção oriental do Éden (Gn 2:8) e, aparentemente, sua entrada
também ficava para o leste (Gn 3:24).2 A entrada do santuá-
rio israelita também era voltada para o oriente (Êx 27:13-16).3
Em certo sentido, o portão do jardim funcionava mais como
uma saída do que uma entrada, enquanto o portão do san- ident
tuário era uma entrada, um retorno do leste. lo da
Fonte de água. O Éden era uma fonte de água abundante asso
(Gn 2:10). A água era usada no santuário para mantê-lo lim- Á
po e para a purificação dos sacerdotes. Havia uma pia perto re da
Ilustração: Atelier Sommerland | Adobe Stock

de sua entrada (Êx 38:8). Tinha


Uma corrente de água às vezes é associada ao templo is- amên
raelita (Sl 46:4). No Salmo 36:8 a 10, o santuário é descrito de te
como “um lugar de refúgio da dureza da vida [...] Observe a imp
Ilustração: Jo Card

que a palavra traduzida por ‘delícias’ (cadnêk) é simples- são e


mente o plural de Éden. A corrente das delícias [de Deus] é estav

28 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
Ouro e pedras preciosas. A narrativa do Éden menciona
ouro e pedras preciosas (Gn 2:12). Os móveis do tabernáculo
eram cobertos de ouro e uma das vestes do sacerdote era
decorada com pedras preciosas (Êx 25:7, 13, 18, 24). Alguns
encontram aqui elementos comuns compartilhados pelo jar-
dim e pelo santuário.9 O termo “ônix” é usado em Gênesis e
no contexto do santuário (Êx 28:9-12). A associação termino-
lógica é válida e apoia a visão de que o jardim e o santuário
compartilham algumas concepções fundamentais.
Querubins. Os querubins são mencionados pela primeira
vez em Gênesis 3:24. Figuras de querubins foram usadas para
decorar as cortinas internas do tabernáculo (Êx 26:1, 31), e duas
delas faziam parte da arca da aliança (Êx 25:17-22).10 Eles esta-
vam ali, como no Éden, como servos de Deus. Os querubins
que ficavam na entrada do jardim eram um lembrete de que
o Senhor ainda estava acessível às pessoas.
Guardando a entrada. A função dos querubins era “guar-
dar [shamar ] o caminho da árvore da vida” (Gn 3:24); isto é,
proteger a santidade do jardim e o acesso ao símbolo da vida.
Os levitas foram colocados ao redor do santuário para ter
“o cuidado da guarda [shamar ] do tabernáculo do testemu-
nho (Nm 1:53, ACF). Eles eram responsáveis por proteger o
tabernáculo contra qualquer pessoa que quisesse invadi-lo.11
Trabalho de Adão. Os seres humanos deveriam “cultivar
[cabad ] e guardar [shamar ]” o jardim (Gn 2:15). Esses verbos
também são usados juntos em Números 3:7 e 8; 8:26; 18:5 e
6 para descrever os deveres dos levitas em trabalhar, minis-
trar e guardar o santuário.12 Adão estava fazendo no jardim
uma tarefa que mais tarde foi designada aos levitas.
Vestes de Adão e Eva. Após a queda, Deus providenciou
vestes para Adão e Eva com a pele de animais (Gn 3:21). Nos
serviços do santuário, a pele dos animais sacrificados, o cou-
ro, era dada aos sacerdotes oficiantes (Lv 7:8).
Dois outros termos usados no relato do jardim também
são encontrados no contexto do tabernáculo. O verbo ha-
bitar [shakan ] é usado em Gênesis 3:24 e Êxodo 25:8 (Deus
identificada com a ‘fonte da vida’”.4 Assim, a água se torna um símbo- queria habitar [shakan ] entre os israelitas).13 Gênesis 3:8 diz
lo da vida e das bênçãos de Deus.5 Ezequiel tomou essa imagem e a que o Senhor “andava no jardim” (hithallek , “andar de um
associou ao templo escatológico do Senhor (Ez 47:1-12).6 lado para o outro”; do verbo halak , “andar”). O mesmo ver-
Árvore da vida (Gn 2:9; 3:24). É geralmente reconhecido que a árvo- bo é usado em Levítico 26:12 e Deuteronômio 23:14 para des-
re da vida foi representada dentro do santuário pelo castiçal de ouro. crever a presença divina no santuário. “O Senhor andava no
Ilustração: Atelier Sommerland | Adobe Stock

Tinha sete ramos, e os cálices de cada ramo tinham a forma de flor de Éden, assim como posteriormente andou no tabernáculo.”14
amêndoa, decoradas com pétalas e botões (Êx 25:31-36). “A presença
de termos botânicos, e a forma básica de um eixo mais seis ramos dão Ligações teológicas
a impressão de um objeto em forma de árvore.”7 Se essa compreen- Local de encontro entre Deus e a humanidade. De uma
Ilustração: Jo Card

são estiver correta, então o jardim e o santuário eram lugares em que perspectiva teológica, o jardim do Éden era onde Deus e
estava localizada a fonte da vida.8 os seres humanos se encontravam em um relacionamento

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No santuário israelita, Deus atuava como como
Juiz de Seu povo e do mundo. De acordo Eles
com Deuteronômio 17:8 a 13, a “suprema porq
O que é sugerido corte”’ de Israel se reunia no tabernáculo em v
em Gênesis 3 se torna um corpo e consistia em sacerdotes e um juiz. Deus se fo
confiou a eles Sua autoridade judiciária. serem
teológico consistente no sistema sacrifical israelita. D
O plano da redenção revelado feccio
harmonioso. O jardim não era a morada de descobriram em Gênesis 3:11 a 20 “um jul- Deus Se revelou no Éden não apenas peles
Deus,15 mas um lugar criado por Ele para os gamento”,18 um processo legal,19 uma cena como Juiz, mas também como Redentor. que o
seres humanos, no qual eles deveriam mo- de juízo.20 Nessa cena, Deus age como pro- A morte de Adão e Eva deveria ter ocor- 43). N
rar (2: 8, 15).16 motor, investigando o crime cometido pelo rido imediatamente (Gn 2:17).29 A pena de cessã
Encontramos ideias semelhantes no ce- casal.21 A história “segue passo a passo o morte não se esgotou quando Deus dis- Êx 28
nário do tabernáculo israelita. O santuário procedimento de uma ação legal”.22 Há se a Adão: “tu és pó e ao pó tornarás” A
era onde Deus e os humanos se reuniam. uma descoberta (v. 8-10), um interroga- (Gn 3:19). Essa morte, sem dúvida, pertence Eva d
Mas quando examinamos as similaridades tório e defesa (v. 11-13) e, finalmente, uma à penalidade do pecado; mas Gênesis 2:17 cond
entre o jardim e o santuário como locais de sentença (v. 14-19). descreve algo além disso. A advertência Deus
encontro, esses paralelos não são exatos. O Senhor faz perguntas e investiga a divina “não foi ‘naquele dia você se torna- um p
O jardim foi criado por Deus. Os seres natureza e a razão do crime cometido. rá mortal’, mas ‘você morrerá’. Porém isso dido.
humanos habitavam nele. O Senhor os visi- Temos nessa história um juízo investiga- não aconteceu”.30 A vida de Adão e Eva foi a me
tava, e havia perfeita harmonia nesse rela- tivo no qual Deus procura e analisa as evi- prolongada porque “Deus permitiu que a futur
cionamento. O tabernáculo foi construído dências. Duas perguntas surgem nesse graça prevalecesse”.31 talm
por seres humanos. Deus habitava nele. contexto: Ele já sabia sobre o pecado do Essa expressão de graça está encapsu- A
As pessoas iam até o santuário para se en- casal? Se sabia, por que a investigação foi lada em Gênesis 3:15, que oferece garantia vesti
contrarem com Ele, e o objetivo da visita necessária? de uma nova vida. O fato de a serpente ser afirm
era restaurar ou preservar a relação entre Umberto Cassuto levantou essas ques- aqui um símbolo do mal e de que sua ca- um a
elas e o Senhor. tões e sugeriu que “uma vez que a nar- beça deve ser “esmagada” pelo Descen- ser c
A razão para essa diferença é que o jar- rativa subsequente retrata Deus como dente da mulher sugere que haverá uma dicar
dim retrata a relação entre Deus e os seres onipotente, é lógico que Ele não seja re- vitória final sobre o mal e a morte.32 Para pare
humanos em um contexto livre de pecado tratado aqui como Alguém que não tem a comunidade cristã, esse triunfo se tor- crifíc
e morte. O tabernáculo retrata a mesma conhecimento do que está ao Seu redor”.23 nou realidade em Cristo Jesus (cf. Rm 16:20; Q
relação no contexto do pecado e da mor- Ele acrescenta que “o Juiz de toda a terra Hb 2:14; Ap 12). A morte final de Adão e Eva seu c
te. Agora, Deus era quem habitava com chama o homem a fim de exigir dele um não foi efetivada porque Cristo é o “Cor- ta do
a humanidade, porque a humanidade ha- relato de sua conduta”.24 Segundo outros deiro que foi morto desde a fundação do de sa
via rejeitado a morada que o Senhor criou autores, o objetivo das perguntas é (1) es- mundo” (Ap 13:8). rado
para ela. tabelecer os fatos e “deixar claro para o Gênesis 3:21 também poderia estar mort
Os humanos são descritos como que homem e a mulher o que fizeram”;25 ou apontando, de maneira pictórica, para essa les fo
retornando ao leste. Na Bíblia, o “oriente” (2) permitir que “o próprio homem reco- promessa de salvação: “Fez o Senhor Deus cont
pode ser um símbolo do bem ou do mal.17 É nheça seu crime”;26 (3) ou melhor ainda, vestimenta de peles para Adão e sua mu- sacri
um lugar de escravidão, opressão (Ez 25:4) levar o culpado “a confessar sua culpa”.27 lher e os vestiu.” Nudez e vestimentas são a pen
e idolatria (Ez 8:16). O retorno do oriente era Esse é o primeiro julgamento registra- temas importantes nas narrativas da cria- N
um símbolo de submissão a Deus. Sempre do nas Escrituras e inclui uma investigação ção e da queda. é um
que os israelitas iam ao santuário, estavam seguida por uma sentença e sua execução. Antes da queda, a nudez era a condi- forne
retornando à experiência original de harmo- Durante a apuração, Adão e Eva foram in- ção natural de Adão e Eva (Gn 2:21). Eles resta
nia e unidade entre Deus e os seres huma- terrogados pelo Senhor, mas surpreenden- eram livres para se aproximarem de Deus mort
nos que prevalecia no jardim do Éden. De temente a serpente não foi questionada; e interagirem entre si e com o restante da para
Foto: Gentileza do autor

fato, era um ato de redenção, uma recriação. ela não foi julgada da mesma forma que criação sem ter que mediar sua presen- Fi
Ilustração: Jo Card

Atividade judiciária de Deus. No Éden, o casal. O inimigo foi apenas condenado; ça através da roupa. Após a queda, a nu- roup
Deus atuou como Juiz. Os estudiosos uma sentença foi pronunciada contra ele.28 dez se tornou antinatural, permanecendo por e

30 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
omo como símbolo de sua alienação de Deus. por si mesmos. Ele estava graciosamente 8
Wenham, Genesis 1-15, p. 62; Frank B. Holbrook,
“The Israelite Sanctuary” em Frank B. Holbrook (ed.),
ordo Eles não podiam se aproximar do Senhor habilitando-os a se aproximarem Dele.
The Sanctuary and the Atonement (Silver Spring,
rema porque sua natureza havia sido alterada Esses conceitos pertencem à teologia do MD: Biblical Research Institute, 1989), p. 31.
áculo em virtude da rebelião. Uma metamorfo- santuário e de seus serviços no Antigo Tes- 9
 assuto, Genesis, p. 119, 120; Chilton, Paradise, p. 32-
C
Deus se foi necessária, simbolizada pelo ato de tamento. De fato, o que é embrionário ou 34; Wenham, Gênesis 1-5, p. 65.

ria. serem vestidos. sugerido em Gênesis 3 se torna um corpo 10


Wenham, Genesis, p. 86.

Deus rejeitou as vestes com folhas con- teológico consistente no sistema sacrifi- 11
Victor P. Hamilton, The Book of Genesis Chapters
1-17 (Grand Rapids: Eerdmans, 1990), p. 210.
feccionadas por Adão e Eva e os cobriu com cal israelita.
12
Wenham, “Sanctuary Symbolism”, p. 21.
enas peles de animais. O Senhor provê meios para
13
Wenham, Genesis, p. 86.
ntor. que o casal se aproxime Dele (cf. Êx 28:42, Conclusão
14
Wenham, “Sanctuary Symbolism”, p. 20.
ocor- 43). Na Bíblia, vestir alguém sinaliza a con- O relato do Éden fornece alguns dos
15
Howard N. Wallace, Eden Narrative, p. 70-85; Idem.,
na de cessão de um novo status (cf. Gn 41:42; elementos mais importantes para o de-
“Garden of God”, em Anchor Bible Dictionary, v. 2,
s dis- Êx 28:40, 41; Lv 8: 7, 13; Nm 20:26).33 senvolvimento de uma teologia do santuá- p. 907.
arás” Assim, a atitude divina elevou Adão e rio e seus serviços no sistema de adoração 16
Gerhard von Rad, Genesis (Filadélfia: Westminster,
ence Eva de um estado de alienação para uma israelita. As ligações linguísticas, bem como 1972), p. 78.

s 2:17 condição em que eles podiam interagir com o uso de imagens similares, apontam para a
17
L eland Ryken, James C. Wihoit e Tremper Longman
III (eds.), “East”, em Dictionary of Biblical Imagery
ência Deus. O Senhor lhes estava restaurando estreita conexão entre os dois. Esse vínculo (Downers Grove, IL: lnterVarsity, 1998), p. 225, 226.
orna- um pouco da dignidade que haviam per- é ainda mais forte em nível teológico. 18
Von Rad, Genesis, p. 91; Walter Brueggemann,
m isso dido.34 Obviamente, a interação não seria O jardim e o santuário são um centro Genesis (Atlanta: Knox, 1982), p. 49.

va foi a mesma, mas apontava para um tempo da vida porque o Senhor está presente em 19
Claus Westermann, Genesis 1-11: A Commentary
(Mineápolis, MN: Augsburgh, 1984), p. 253.
que a futuro em que o relacionamento será to- ambos. São lugares em que Deus e os seres
20
Sailhamer, “Genesis”, p. 52.
talmente restaurado. humanos podem se unir para estabelecer
21
Hamilton, Genesis, p. 194.
psu- Ao afirmar que Adão e Eva estavam comunhão. Nos dois lugares, Deus julga o
22
Westermann, Genesis, p. 252.
antia vestidos com peles de animais, o texto pecado de Seu povo e lhe promete reden-
23
Cassuto, Genesis (parte 1), p. 155.
e ser afirma implicitamente que pelo menos ção. De fato, o Senhor prefigura a natureza
a ca- um animal foi morto. O fato de isso não dessa salvação, concedendo-a simbolica-
24
Ibid.

cen- ser claramente indicado não deve preju- mente através da morte de uma vítima sa-
25
Westermann, Genesis 1-11, p. 254, 255.

uma dicar sua importância. A narrativa bíblica crifical. O santuário israelita parecia apontar
26
Hamilton, Genesis 1-17, p. 194.

Para parece estar “antecipando a noção de sa- para a harmonia original que existia entre
27
Wenham, Genesis 1-5, p. 77.

tor- crifício na matança de animais”.35 Deus e os seres humanos e, finalmente,


28
Ver Westermann, Genesis 1-11, p. 255.

6:20; Quando consideramos Gênesis 3:21 em para a restauração de todas as coisas. 29


Wenham, Genesis 1-15, p. 68.

e Eva seu contexto teológico, a morte implíci- 30


Von Rad, Genesis, p. 95.
Referências
“Cor- ta do animal se torna realmente um ato 31
Ibid.
1
 ordon J. Wenham, “Sanctuary Symbolism in the
G
o do de sacrifício. Em primeiro lugar, era espe- 32
Wenham, Genesis 1-17, p. 80.
Garden of Eden”, Proceedings of the World Congress
rado que Adão e Eva experimentassem a of Jewish Studies 9 (1981), p. 19; Idem., Genesis 1-15
33
 obert Oden, The Bible Without Theology: The
R
(Waco, TX: Word, 1987), p. 86. theological tradition and alternatives to it (San
estar morte final (Gn 2:17). Contudo, a vida de- Francisco: Harper and Row, 1987), p. 100, 101.
essa les foi preservada. É justamente nesse 2
 mberto Cassuto, A Commentary on the Book of
U
Genesis: Genesis I-VI 8 (Jerusalém: Magnes Press,
34
 er J. Gamberoni, “Labesh”, em G. Johannes
V
Deus contexto de risco de morte que ocorre o 1961), p. 174; Nahum M. Sarna, Genesis (Filadélfia: Botterweck, Helmer Ringgren, Heinz-Josef Fabry
mu- sacrifício de um animal. Eles não sofrem Jewish Publication Society, 1989), p. 30. (eds.), Theological Dictionary of the Old Testament ,
(Grand Rapids: Eerdmans, 1995), v. 7, p. 462.35.
s são a pena de morte, mas um animal morre. 3
 avid Chilton, Paradise Restored: A Biblical theology
D
of dominion (Tyler, TX: Reconstruction Press, 1985),
35
Sailhamer, “Genesis”, p. 58.
cria- Na sequência, a morte do animal não
p. 29; Wenham, “Sanctuary Symbolism”, p. 20. Nota: Texto publicado originalmente no site do
é um detalhe acidental na narrativa; mas Instituto de Pesquisa Bíblica. Usado com permissão.
4
L evenson, Sinai & Zion: An Entry into the Jewish
ondi- fornece o que Adão e Eva precisavam para Bible (Mineápolis, MN: Winston Press, 1985), p. 132.
Eles restaurar o relacionamento com Deus. Da 5
Wenham, “Sanctuary Symbolism”, p. 22; Idem.,
Deus morte vem a esperança e a restauração Genesis 1-15 (Waco, TX: Word, 1987), p. 65.

te da para eles. 6
 oward N. Wallace, The Eden Narrative (Atlanta:
H ÁNGEL MANUEL
RODRÍGUEZ
Foto: Gentileza do autor

Scholars Press, 1985), p. 77, 78.


sen- Finalmente, o fato de que Deus fez as ex-diretor do Instituto de
Ilustração: Jo Card

7
 arol Meyers, “Lampstand”, em David Noel
C
a nu- roupas e os vestiu sugere que o Senhor fez Freedman (ed.), Anchor Bible Dictionary (Nova York:
Pesquisa Bíblica
endo por eles o que foram incapazes de fazer Doubleday, 1992), v. 4, p. 142.

S E T- O U T • 2 0 2 0 l MINISTÉRIO 31

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w

DICAS DE LEITURA

“El A
Martinho Lutero inter
Lyndal Roper, Objetiva, 2020, 568 p. A
(h
Historiadora renomada, Lyndal Roper apresenta o novo mundo que a Reforma criou e dese-
nha um retrato multifacetado de Martinho Lutero. Quando ele pregou suas 95 teses na porta da N
igreja de uma pequena cidade universitária, em 31 de outubro de 1517, iniciou-se um processo que ao lo
mudaria para sempre o mundo ocidental. Seu ataque à Igreja Romana logo convulsionou a Ale- gia, e
manha, dividiu a Europa e polarizou as crenças, desencadeando perseguições religiosas, agitação princ
social e rompimento com o domínio da religião em todos os âmbitos da vida. Este livro não trata mais
das questões doutrinárias nem de suas interpretações. A autora apresenta a figura de um Lutero lógic
de carne e osso, com todas as suas nuances, e revela como um pequeno ato de protesto se con- todo
verteu em uma luta que transformaria a igreja e o mundo. histó
lógic

A Vida de C. S. Lewis “Cou


Alister McGrath, Mundo Cristão, 2019, 424 p. Adve
A
Clive Staples Lewis (1898-1963) foi professor, escritor, poeta, crítico literário, ensaísta, apolo- (h
geta e teólogo irlandês. Em sua carreira acadêmica, trabalhou como professor nas Universidades
de Oxford e Cambridge. Lewis foi ateu até 31 anos de idade, quando então se converteu e se tor- N
nou membro da Igreja Anglicana. Entre seus escritos, destacam-se: Cristianismo Puro e Simples; tênc
As Crônicas de Nárnia; Os Quatro Amores; e O Problema do Sofrimento. ficat
Neste livro, Alister McGrath revela de maneira fascinante a vida e o pensamento de Lewis e dos e
seu impacto sobre a cultura ocidental. McGrath, um dos principais eruditos cristãos da atualida- cidad
de, conta a história da formação e da expressão da mente de Lewis a partir dos escritos do autor. são a
McGrath promove uma análise dos temas e interesses mais profundos presentes no que Lewis da n
escreveu ao longo de sua trajetória literária, proporcionando ao leitor uma experiência de infor- num
mação e aprendizado.

15 Coisas Que o Seminário Não Pôde Me Ensinar “A He


Collin Hansen e Jeff Robinson, eds., Vida Nova, 2020, 176 p. Is
(h
Algumas lições não podem ser aprendidas em sala de aula. A educação formal em um semi-
nário é imensamente valiosa: oferece preparação teológica, desenvolvimento espiritual e orien- O
tação para a vida. Contudo, muitos pastores recém-formados se sentem desencorajados quando (TUG
as realidades do seu chamado não condizem com a expectativa gerada pelas leituras e debates terpr
em sala de aula. (1) pr
Neste livro, pastores e líderes experientes no ministério cobrem essa lacuna entre o seminário G. W
e o trabalho na igreja, oferecendo conselhos, orientações e encorajamento relacionados a uma equiv
série de questões do mundo real, tais como liderar congregações em meio a períodos de sofri- mas
mento, lidar com conflitos e aceitar o chamado, entre outras. Se a
te fu
ção d
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32 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
“El Armagedón en el Adventismo: Principios de interpretación escatológica y predominio de la
interpretación cristocéntrica”
Alberto Peña Salvatierra – Revista Hermenêutica, v. 14, nº 1, 2014, p. 9-31
(http://www.seer-adventista.com.br/ojs/index.php/hermeneutica/issue/view/41/8)
ese-
ta da Na escatologia adventista, o tema do Armagedom é uma questão que tem chamado atenção
que ao longo de toda a sua história. Apesar das variações de certos critérios específicos da escatolo-
Ale- gia, existe um consenso sobre a interpretação cristocêntrica do tema. No entanto, se seguirmos
ação princípios corretos de interpretação das profecias apocalípticas, podemos chegar a conclusões
trata mais sólidas. Neste artigo, o autor analisa quatro aspectos relacionados à hermenêutica escato-
utero lógica. Primeiramente, ele relembra a experiência do grande desapontamento de 1844 e o mé-
con- todo historicista de interpretação. No segundo, ele considera a interpretação do Armagedon na
história adventista. O terceiro aspecto apresenta princípios básicos para a interpretação escato-
lógica. No último, o autor faz uma breve interpretação do Armagedom.

“Country Versus City Tension: Historical and socio-religious context of the development of
Adventist understanding of urban mission”
Allan Novaes e Wendel Lima – Journal of Adventist Mission Studies 15, nº 1, 2019, p. 52-71
polo- (https://digitalcommons.andrews.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1423&context=jams)
ades
tor- Na maior parte do século 20, predominou no adventismo uma mentalidade de crítica e resis-
ples; tência às cidades, apesar de, nesse mesmo período, a IASD ter se desenvolvido de modo signi-
ficativo no contexto urbano. Essa visão antiurbana foi alimentada por uma leitura incompleta
wis e dos escritos de Ellen White sobre o assunto. Este artigo procura descrever a tensão campo-
lida- cidade no adventismo, o contexto histórico e social desse dilema nos Estados Unidos, a vi-
utor. são ambivalente de Ellen White a respeito do tema e como essa tensão tem sido ameniza-
ewis da na última década por meio de uma mudança do discurso institucional e do investimento
nfor- numa visão mais abrangente para a evangelização urbana.

“A Hermenêutica da ‘Teologia da Última Geração’”


Isaac Malheiros Meira Junior – Revista Kerygma, v. 11, nº 2, 2015, p. 137-164
(https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/769/712)
emi-
rien- O objetivo do artigo é avaliar criticamente a hermenêutica da “Teologia da Última Geração”
ando (TUG). O foco é a hermenêutica, o modo pelo qual a Bíblia e os escritos de Ellen G. White são in-
ates terpretados. Para isso, é dada atenção especial ao modo com que a hermenêutica da TUG revela
(1) problemas nas justificativas bíblicas apresentadas; (2) uma leitura seletiva dos escritos de Ellen
nário G. White; (3) a utilização do método texto-prova; (4) a apresentação de temas em perspectivas
uma equivocadas; (5) problemas semânticos; (6) o reducionismo de temas mais amplos; e (7) proble-
ofri- mas de lógica argumentativa. O autor utiliza em sua pesquisa o método da revisão bibliográfica.
Se a TUG pretende ser um ensino bíblico, é urgente que seus conceitos sejam bíblica e plenamen-
te fundamentados e esclarecidos, em consonância com os princípios adventistas de interpreta-
ção das Escrituras.
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S E T- O U T • 2 0 2 0 l MINISTÉRIO 33

P3 41959 – Ministério Set-Out’20 Designer Editor(a) Coor. Ped. C. Q. R. F. Custos


REFLEXÃO PALA

UNIDADE E MISSÃO
O
s gadarenos desejaram que Cristo
Se afastasse deles. Os de Cafar-
naum O receberam, e entre eles
Jesus realizou maravilhosos mila-
gres. Cristo tem todo o poder no Céu e na
Terra. É o Grande Médico, a quem temos
que invocar quando estivermos a padecer
enfermidade física ou espiritual. Sobre os para auxílio aos pobres e necessitados que
ventos e as ondas e sobre homens possuí- encontram em seu trabalho. A beneficên-
dos de demônios, Ele demonstrou absolu- cia que manifestam para com os pobres co- As orações e ofertas dos crentes são
to domínio. Foram-Lhe dadas as chaves da munica influência a seus esforços quanto à aliadas a esforços abnegados e fervoro-
morte e do inferno. Foram-Lhe sujeitas as proclamação da verdade. Sua boa vontade sos, e eles são na verdade um espetáculo
potestades e potências, mesmo durante o para ajudar os necessitados granjeia-lhes ao mundo, aos anjos e aos homens. As pes-
tempo de Sua humilhação. [...] o reconhecimento daqueles a quem auxi- soas são novamente convertidas. A mão
Por que não exercemos maior fé no Mé- liam e a aprovação do Céu. que anteriormente buscava apegar-se à re-
dico divino? Como Ele atuou pelo homem Esses fiéis obreiros devem ter a solidarie- compensa em maiores ganhos, tornou-se a
atacado de paralisia, assim fará hoje pe- dade da igreja. O Senhor ouvirá as súplicas mão ajudadora de Deus. Os crentes são uni-
los que a Ele vão em busca de cura. Somos em favor deles. E a igreja não deve deixar de dos por um só interesse: o desejo de fazer
grandemente necessitados de mais fé. Fico mostrar interesse prático em seu trabalho. centros da verdade onde Deus seja exalta-
alarmada ao ver a falta de fé entre nosso Ninguém vive para si. Na obra de Deus do. Cristo Se une a eles em santos laços de
povo. Precisamos chegar diretamente à é designado a cada um seu posto de dever. união e amor, laços de irresistível poder. [...]
presença de Cristo, crendo que Ele curará A união de todos robustece a obra de Deus apela aos que se encontram meio
nossas enfermidades de corpo e de espírito. cada um. À medida que a fé e o amor e acordados para despertarem e se empe-
Somos demasiadamente sem fé. Oh! a unidade da igreja se fortalecem mais, nharem no labor diligente, orando a Ele por
Como desejaria poder levar nosso povo a o círculo de influência é ampliado, e eles forças para o serviço. Necessitam-se obrei-
ter fé em Deus! As pessoas não necessi- devem alcançar o mais abrangente limite ros. Não é preciso seguirem-se regras de ri-
tam achar que, para exercer fé, precisam dessa influência, estendendo constante- gorosa precisão. Recebam o Espírito Santo,
agitar-se a elevado estado de êxtase. Tudo mente os triunfos da cruz. e seus esforços serão bem-sucedidos.
que precisam fazer é crer na Palavra de Deus nos chama a romper os laços de A presença de Cristo, eis o que dá poder.
Deus, da mesma forma que acreditam nosso serviço formal dentro de casa. A Cesse toda dissensão e contenda. Preva-
na palavra uns dos outros. Se Ele o disse, mensagem do evangelho deve ser leva- leça o amor e a unidade. Movam-se todos
cumprirá Sua Palavra. Confiem tranquila- da às cidades e fora das cidades. Devemos sob a direção do Espírito Santo. Caso o povo
mente em Sua promessa [...]. Digam: Ele convidar todos a se reunirem em torno da de Deus se entregue inteiramente a Ele, o
me disse isto em Sua Palavra e cumprirá bandeira da cruz. Quando essa obra for fei- Senhor lhes restaurará o poder que per-
toda promessa que fez. Não fiquem inquie- ta como deve ser, quando trabalharmos deram pela divisão. Que Deus ajude todos
tos. Sejam confiantes. A Palavra de Deus é com zelo divino para acrescentar conver- nós a compreender que desunião é fraque-
fiel. Procedam como sendo seu Pai celes- sos à verdade, o mundo verá que a mensa- za e que união é força!
tial digno de confiança. [...] gem da verdade é acompanhada de poder.
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Homens são designados para procla- A unidade dos crentes dá testemunho do


Texto extraído de Mensagens WALTER
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mar a verdade em novos lugares. Esses poder da verdade que pode levar à per-
homens precisam ter recursos para seu feita harmonia homens de disposições di-
Escolhidas, v. 1, p. 83-85. editor a
Ministéri
sustento. Precisam também ter recursos versas, fazendo de seus interesses um só. esp

34 MINISTÉRIO l S E T- O U T • 2 0 2 0
PALAVRA FINAL

PRÁTICA INDISPENSÁVEL
A visitação proverá força neste
momento em que o mundo
está prestes a desmoronar

A
visitação nunca foi tão importante como
agora. Seja virtual ou pessoalmente, onde as
e segurança nesta época em
circunstâncias e os protocolos permitirem, que não sabemos o que o dia
a pandemia da Covid-19 demonstrou a
necessidade de visitação e acompanhamento pastoral
seguinte poderá trazer.
às famílias da igreja.
s são Em geral, a preparação recebida em seminários
oro- ou faculdades teológicas se concentra mais em como do pastoreio é essencial. Isso inclui apoio e orientação
áculo fazer exegese, pregar e administrar a igreja; sem espiritual e emocional, a fim de fortalecer a fé e a
pes- dúvida, áreas cruciais no ministério. No entanto, confiança em Deus, resultando em maior disposição
mão não devemos subestimar a visitação pastoral. Os para realizar Sua vontade.
à re- seguintes benefícios destacam sua importância: Mordomia. Não há melhor motivação para a
-se a Crescimento espiritual. A preparação espiritual é fidelidade a Deus do que o fato de o pastor dispensar
o uni- fundamental. Todo pastor rapidamente perceberá cuidado e atenção a seus membros. Nesse sentido, as
fazer que, sem uma profunda experiência espiritual com visitas pastorais são fundamentais para comunicar a
alta- Deus, a visitação se tornará simplesmente em reunião relevância da mordomia. O membro que percebe essa
os de social. As interações entre pastor e membros devem dedicação em seu pastor estará mais disposto a ser
er. [...] motivar maior espiritualidade por parte de todos os fiel a Deus no uso de seu tempo, dons e talentos, bem
meio envolvidos. como em relação a seu dinheiro e recursos.
mpe- Relacionamento. Visitas pastorais fortalecem Crescimento pessoal. Visitar permite que o
e por o relacionamento entre o pastor e os membros pastor descubra suas próprias falhas e necessidades.
brei- da igreja. Elas não somente permitem que ele Muitos não entendem completamente as fraquezas
de ri- conheça melhor as ovelhas do seu rebanho e suas e necessidades de seu próprio ser. Assim, optam
anto, necessidades, mas também ajudam a irmandade por escondê-las ou ignorá-las. Outros se sentem
idos. a conhecer melhor seu pastor. Além disso, líderes inseguros sobre sua identidade, vocação e habilidades.
oder. e membros estarão mais motivados a visitar e É preciso se redescobrir perguntando: “Quem sou
eva- fortalecer uns aos outros se virem o exemplo de seu eu e o que significa ser pastor?” A visitação pode ser
odos pastor. A visitação promove a unidade e é essencial de grande auxílio para responder a essa pergunta.
povo para fazer com que uma congregação se torne Além disso, ao tentar ajudar os irmãos a superar suas
Ele, o calorosa e receptiva. inseguranças, deficiências e necessidades, o pastor
per- Pregação. A visitação possibilita que o pastor poderá identificar suas próprias e, com a ajuda divina,
odos tenha uma imagem mais ampla a respeito da vida dos superá-las também.
que- membros. Isso o ajudará a pregar temas de acordo Portanto, a visitação pastoral não é um fenômeno
com as necessidades da igreja, e sobre interesses e periférico nem incidental. É uma parte essencial
perguntas que os membros manifestam na visitação. do ministério, seguindo nos passos do Senhor
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Nutrição e fortalecimento. As palavras de que nos visitou primeiro. A visitação proverá força
ens WALTER STEGER
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editor associado da
despedida de Jesus a Pedro o exortaram a apascentar neste momento em que o mundo está prestes a
Ministério, edição em e cuidar de Suas ovelhas (Jo 21:15-19). Alcançar desmoronar e segurança nesta época em que não
espanhol crescimento e amadurecimento espirituais por meio sabemos o que o dia seguinte poderá trazer.

S E T- O U T • 2 0 2 0 l MINISTÉRIO 35

P3 41959 – Ministério Set-Out’20 Designer Editor(a) Coor. Ped. C. Q. R. F. Custos


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ATENDIMENTO DIA 20/10
CPB Livrarias
das 9h às 17h
0800-9790606 ou 15 98100-5073
das 8h às 20h (horário de Brasília)

DE 1O DE SETEMBRO
A 18 DE OUTUBRO
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