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Psicologia/Hipnopsicoterapia Clínica

Dr. Octávio Escolástico/Tel. 967 986 671


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FARO - LOULÉ - LISBOA

Clínica do Carmo
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Web Site: www.omneclinic.net

Autor:
Octávio Escolástico
saude@omneclinic.net

Terapêutica psiquiátrica
A utilização dos psicofármacos tem crescido de forma galopante nas últimas décadas.
Este crescimento é atribuído ao aumento da frequência dos diagnósticos dos transtornos
psiquiátricos na população, como também resulta da introdução de novos psicofármacos
no mercado e das novas indicações terapêuticas respeitantes aos medicamentos já
existentes. Contudo, os psicofármacos não são panaceias, esta medicação psiquiátrica
deveria ser entendida como um recurso de primeira ordem em muitos casos,
complementares em outros e, sem dúvida, totalmente inúteis em outros. É preciso
conhecê-los, assim como aos demais procedimentos terapêuticos que têm demonstrado
ou vêm demonstrando uma eficácia relativa e seus riscos e efeitos secundários – porque
todos os têm. Por outro lado, dever-se-ia explicar mais cuidadosamente que esta é uma
medicação sintomática, que não vai resolver os problemas de base, mas, sim, dar
alguma melhoria na qualidade de vida dos doentes por breves períodos.

Com base nos conhecimentos recentes, o uso concomitante destes medicamentos tem
gerado crescentes preocupações tanto pela possibilidade de diminuírem a acção das
drogas envolvidas, quanto pelo potencial de causarem toxicidade e dependência.

Vejamos como actuam os fármacos antidepressivos. De forma genérica, eles têm a


função específica de regular a transmissão nervosa do cérebro, mais concretamente,
sobre os neurotransmissores serotonina e noradrenalina, que estão directamente
envolvidos no que se julga ser a origem da depressão. O princípio que está na base do
seu funcionamento é o de aumentarem o nível destes transmissores, potenciando os seus
efeitos a nível cerebral e reequilibrando, no tempo, os mecanismos neuronais alterados
pela doença. Na prática, estes fármacos impedem que a serotonina e/ou a noradrenalina
sejam reclamados pelos neurónios que as produzem, de modo a poderem chegar ao
destino, designadamente aos neurónios que devem recebê-la. Isto faz com que os dois
neurotransmissores consigam desempenhar correctamente a sua função, que consiste em
transportarem mensagens electroquímicas entre os neurónios.

Para além da relativa eficácia no tempo, porque a cura nunca existe, os antidepressivos
diferenciam-se entre si pelos efeitos secundários indesejáveis que geralmente provocam,
e não vou deter-me em considerandos face aos efeitos secundários mais comuns, mas
referir aqueles que são considerados mais graves, tais como: aumento ou perda de peso,
insónia, inquietação, cefaleias, perturbações urinárias, perturbações cardiovasculares,
perturbações sexuais (desinteresse e impotência sexual), etc.

Para além da aplicação terapêutica da medicação, e quando o transtorno depressivo


evolui de forma drástica para uma psicose maníaco-depressiva já irreversível, com risco
de suicídio, e quando não exista uma resposta à terapêutica farmacológica, a solução
passa pela chamada “Terapia Electroconvulsiva”. Este processo que é designado por
“terapêutico”, consiste na administração de choques eléctricos ao doente durante alguns
décimos de segundo através dos lobos do cérebro. No entanto, discute-se muito o uso
desta técnica, sobretudo pelos problemas éticos que ela envolve, mas não deixa de ser
ainda hoje utilizada como último recurso, nos períodos de internamento.

Para concluir, volto a sublinhar que a medicação não cura qualquer transtorno psíquico,
não existe um único caso clínico onde a medicação psiquiátrica tenha posto
definitivamente cobro a estas doenças, porque os psicofármacos actuam unicamente
sobre os sintomas e não eliminam os factores psíquicos inconscientes que estão na sua
origem. Para que o doente se restabeleça do transtorno psíquico é sempre necessário que
ele liberte as memórias traumáticas que se encontram aninhadas na mente
subconsciente, pois esta é a verdadeira causa das psicopatologias, com origens no
passado, na infância e adolescência. Mas, não resulta uma psicoterapia superficial
desenvolvida em estado consciente, torna-se imperioso que o processo clínico seja
conduzido sob hipnose profunda para que a catarse seja eficiente.