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FUNDAÇÃO COMUNITÁRIA EDUCACIONAL E CULTURAL DE JOÃO

MONLEVADE
M a n t e n e d o r a d e:
FIF – FACULDADES INTEGRADAS FUNCEC
CENTEC - CENTRO TECNOLÓGICO DR. JOSEPH HEIN

RENATA CABRAL
THALES HENRIQUE
VIVIANE APARECIDA
VIVIANE FONSECA

A ARBITRAGEM COMO MEDIAÇÃO NO DIREITO


COLETIVO DO TRABALHO
2

JOÃO MONLEVADE
2010
RENATA CABRAL
THALES HENRIQUE
VIVIANE APARECIDA
VIVIANE FONSECA

A ARBITRAGEM COMO MEDIAÇÃO NO DIREITO


COLETIVO DO TRABALHO

Trabalho de graduação em Administração 5º


Período, apresentado ao Prof. Alexandro
Pastorini, na disciplina Direito do Trabalho, em
maio de 2010.
4

JOÃO MONLEVADE
2010
RENATA CABRAL
THALES HENRIQUE
VIVIANE APARECIDA
VIVIANE FONSECA

A ARBITRAGEM COMO MEDIAÇÃO NO DIREITO


COLETIVO DO TRABALHO

Este trabalho foi avaliado a partir da


aplicação dos seguintes critérios:
Adequação à proposta: _______
Coesão e coerência: _______
Argumentação: _______
Normas culta e da ABNT: _______
TOTAL: ________

João Monlevade, ____ de maio de 2010.

Alexandro Pastorini
Prof. de Direito do Trabalho
5

JOÃO MONLEVADE
2010
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................3
2 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO......................................................................4
3.2.1 Autodefesa......................................................................................................6
3.1.2 Autocomposição.............................................................................................7
4 ARBITRAGEM ........................................................................................................10
4.2 Conceito............................................................................................................11
4.3 Formas de arbitragem.....................................................................................13

1 INTRODUÇÃO

Entre as formas heterocompositivas de solução de conflitos encontra-se a


arbitragem. Embora se trate de instituto milenar, não alcançou aplicação no Brasil,
obtendo pouco desenvolvimento no âmbito das relações comerciais e da política
internacional.
4

Alguns fatores geraram sua redescoberta. Um deles é a globalização, que


desencadeia uma quantidade maiôs de ralações internacionais, principalmente de
origem comercial, mas também civis e trabalhistas. Além disso, a mundialização dos
negócios, aliada ao progresso da técnica e à rapidez das informações, exige a busca
de soluções rápidas. O segundo fator é a situação da via judicial. Trata-se da forma
mais segura de solução das controvérsias e está arraigada na cultura brasileira. Mas
se encontra em fase de superação em razão da lentidão decorrente da demanda
excessiva e da falta de infra-estrutura. O terceiro fator está vinculado à renovação da
legislação sobre a matéria.

Desconhece-se estudo específico acerca da possibilidade legal de utilização do


instituto no que diz respeito aos dissídios individuais trabalhistas.

A existência de conflitos, em todas as áreas do relacionamento humano, é inerente à


vida em sociedade, existindo três modalidades para solução deles: autodefesa,
autocomposição e heterocomposição.

2 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

O Direito Coletivo do Trabalho é um dos segmentos do Direito de Trabalho. Não se


trata de uma disciplina autônoma, pois não tem diferenças específicas em relação
aos demais ramos do Direito do Trabalho, estando inserido, como os demais, em
sua maioria na CLT. O Direito Coletivo do Trabalho não deixa de ser um instrumento
de melhoria nas condições de trabalho de empregado, como ocorre com os demais
5

ramos. Assim, não há autonomia do Direito Coletivo do Trabalho em face do Direito


do Trabalho, mas apenas o primeiro é uma das partes dos segmentos da segunda.

O Direito Coletivo do Trabalho é conformado pela dinâmica interação dos seus


quatro elementos constitutivos: o papel do Estado, a estrutura sindical, a negociação
coletiva e o direito de greve. O contrato coletivo é todo acordo escrito relativo às
condições de trabalho ou emprego, celebrado entre empregador, um grupo de
empregadores ou uma ou várias organizações empregadoras por um lado, e por
outro, uma ou várias organizações representativas de trabalhadores, ou na falta
delas, representantes dos trabalhadores interessados, devidamente eleitos e
autorizados por eles, conforme a Lei.

Devemos lembrar que o uso da denominação Direito Coletivo de Trabalho, com o


fundamento principal de que todo direito é coletivo ou feito para a coletividade opõe-
se ao Direito Individual de Trabalho, pois este trata, em regra geral, do contrato de
trabalho, enquanto aquele versa sobre as relações coletivas de trabalho, mormente
as regras coletivas que serão aplicáveis aos contratos de trabalho. O Direito Coletivo
do Trabalho vai tratar somente das regras coletivas que serão observadas em
função do contrato individual do trabalho e da organização sindical, dos conflitos
coletivos e sua solução e da representação dos trabalhadores, não possuindo
autonomia, daí por se tratar de um segmento do Direito de Trabalho.

3 CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO

3.1 Conceito

No dicionário conflito quer dizer oposição de interesses, sentimentos, idéias, etc., e


no direito coletivo do trabalho não é diferente, na definição de Cabanellas o conflito
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laboral coletivo é toda oposição ocasional de interesse, pretensão ou atitude entre


um patrão ou vários empresários, e um grupo de trabalhadores.

3.2 Formas de Solução

A existência de conflitos, em todas as áreas do relacionamento humano, é inerente à


vida em sociedade, existindo três modalidades para solução deles: autodefesa,
autocomposição e heterocomposição.

A diferenciação entre tais grupos encontra-se nos sujeitos envolvidos e na


sistemática operacional do processo de solução do conflito. É que nas duas
primeiras modalidades (autodefesa e autocomposição), apenas os sujeitos originais
em confronto é que tendem a se relacionar na busca da extinção do conflito, o que
dá origem a uma sistemática de análise e solução de controvérsia autogerida pelas
próprias partes (na autodefesa, na verdade, gerida por uma única das partes).

Na modalidade heterocomposição, verifica-se a intervenção de um agente exterior


aos sujeitos originais na dinâmica da solução de um conflito, o que acaba por
transferir, em maior ou menor grau, para este agente exterior a direção dessa
própria dinâmica, ou seja, a sistemática de análise e solução da controvérsia não é
mais exclusivamente gerida pelas partes, porém transferida para a entidade
interveniente (transferência de gestão que se dá em graus variados, é claro,
segundo modalidade heterocompositiva).

A existência de conflitos, em todas as áreas do relacionamento humano, é inerente à


vida em sociedade, existindo três modalidades para solução deles: autotutela,
autocomposição e heterocomposição.

3.2.1 Autodefesa
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A autodefesa ocorre quando o próprio sujeito busca afirmar, unilateralmente, seu


interesse, impondo-o (e impondo-se) à parte contestante e à própria comunidade
que o cerca. A autodefesa permite de certo modo o exercício da coerção por um
particular, em defesa de seus interesses. Não é por outra razão que a antiga fórmula
da justiça privada correspondia à mais tradicional modalidade de autodefesa.

Contemporaneamente a cultura ocidental tem restringido, ao máximo, as formas de


exercício de autodefesa, transferindo ao aparelho de Estado as diversas e principais
modalidades de exercício de coerção.

Conforme argutamente exposto pela doutrina,


“o extraordinário fortalecimento do Estado, ao qual se aliou a
consciência da sua essencial função pacificadora, conduziu, a partir da já
mencionada evolução do direito romano e ao longo dos séculos, à afirmação da
quase absoluta exclusividade estatal no exercício dela. A autodefesa é definida
como crime, seja quando praticada pelo particular (“exercício arbitrário das próprias
razões”, art. 345, CP) , seja pelo próprio Estado (“exercício arbitrário ou abuso de
poder”, art. 350)”.

Trata-se da forma mais primitiva, em que o conflito é solucionado pela imposição de


uma das partes à outra. Um dos litigantes consente no sacrifício do seu próprio
interesse ou impõe o sacrifício do interesse alheio.

Hoje a autodefesa, em regra, é proibida, sendo substituída pela autoridade do


estado, que define como crime o exercício arbitrário das próprias razões. No
entanto, algumas formas de autodefesa são autorizadas pelo legislador, como é o
caso da legítima defesa e do estado de necessidade previstos nos arts. 23 e 24 do
Código Penal e que constituem excludentes de ilicitude do ato.

3.1.2 Autocomposição
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A autocomposição ocorre quando o conflito é solucionado pelas próprias partes, sem


intervenção de outros agentes no processo de pacificação de controvérsia. A
autocomposição verifica-se seja pelo despojamento unilateral em favor de outrem da
vantagem por este almejada, seja pela aceitação ou resignação de uma das partes
ao interesse da outra, seja, finalmente, pela concessão recíproca por elas efetuada.
Na autocomposição não há, em tese, exercício de coerção pelos sujeitos envolvidos.
Autocomposição é forma não jurisdicional de solução de disputas, em que as partes,
por si mesmas, põem fim a suas pendências. Não há na autocomposição, como
sugere o próprio nome, a intervenção de terceiro mediador. As próprias partes, por
meio de discussões e debates, buscam seus direitos, chegando a com termo.

A pergunta que de início se pode fazer é se a autocomposição seria equivalente


jurisdicional. Poderia, pois o papel da jurisdição estatal é, em poucas palavras, o de
dizer o direito. Tal também ocorre na autocomposição, em que as partes, por si
mesmas, dizem seu direito, encontrando solução adequada e pondo fim ao conflito.

São modalidades de autocomposição a renúncia, a aceitação (ou resignação ou,


ainda, submissão) e a transação.

A Renúncia ocorre quando o titular de um direito dele se despoja, por ato unilateral
seu, em favor de alguém.

A Aceitação verifica-se quando uma das partes reconhece o direito de outra,


passando a conduzir em consonância com esse reconhecimento. A aceitação pode
comportar situações algo diferenciadas, segundo o estado de espírito e conduta da
parte que se refere a aquiescência. Ela envolve aceitação, no sentido estrito, e a
resignação ou submissão – que são a inércia em reagir em face da manifestação do
direito de outrem. A expressão composição pode ser usada também para designar a
aceitação ou reconhecimento do direito de outrem.

A Transação, por sua vez, verifica-se quando as partes que se consideram titulares
do direito solucionam o conflito através da implementação de concessões
recíprocas.
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3.2.3 Heterocomposição

A Heterocomposição ocorre quando o conflito é solucionado através da intervenção


de um agente exterior à relação conflituosa original. Em vez de isoladamente
ajustarem a solução de sua controvérsia, as partes (ou até mesmo unilateralmente
uma delas, no caso de jurisdição) submetem a terceiro seu conflito, em busca de
solução a ser por ele firmada ou, pelo menos, por ele instigada ou favorecida.

Na Heterocomposição também não há exercício de coerção pelos sujeitos


envolvidos. Entretanto pode haver, sim, exercício coercitivo pelo agente exterior ao
conflito original – como se passa no caso de jurisdição. A heterocomposição, em sua
fórmula jurisdicional, distingue-se, pois, da autocomposição pelo fato de comportar
exercício institucionalizado de coerção ao longo do processo de análise de conflito,
assim como no instante de efetivação concreta do resultado final estabelecido.

São modalidades de heterocomposição a jurisdição, a arbitragem, a conciliação e,


também, de certo modo, a mediação.

Pela Jurisdição, o Estado declara o direito aplicável e o concretiza, dando solução


ao conflito posto a seu exame. Sendo manifestação do imperium inerente ao Estado,
que se funda diretamente na soberania, outro atributo estatal, a jurisdição tem como
instrumento próprio de agir a coerção, utilizável frente a resistências descabidas a
seu exercício regular.

O resultado da resolução do conflito pela via jurisdicional consuma-se através da


sentença, que é o ato pelo qual o juiz decide a lide entre as partes processuais,
através da aplicação do Direito ao caso concreto posto em exame.

A Arbitragem ocorre quando a fixação da solução de certo conflito entre as partes é


entregue a um terceiro, denominado árbitro, em geral por elas próprias escolhido
(tratando-se de arbitragem obrigatória – que não é o caso brasileiro – essa livre
escolha pode ser restringida pela lei reguladora do sistema). No Direito brasileiro. A
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arbitragem somente será válida quando dirigir-se ao acertamento de direitos


patrimoniais disponíveis (Lei n. 9.307/96, art. 1º).

O resultado da resolução do conflito via da arbitragem consuma-se através do laudo


arbitral, que é o ato pelo qual o árbitro decide o litígio trazido a seu exame.

A Conciliação por sua vez, é o método de solução de conflitos em que as partes


agem na composição, mas dirigidas por um terceiro, destituído do poder decisório
final, que se mantém com os próprios sujeitos originais da relação conflituosa.
Contudo, a força condutora da dinâmica conciliatória por esse terceiro é real, muitas
vezes conseguindo implementar um resultado não imaginado ou querido,
primitivamente, pelas partes.

A Mediação é a conduta, pela qual um terceiro aproxima as partes conflituosas,


auxiliando e até mesmo, instigando sua composição, que há de ser decidida, porém,
pelas próprias partes.

4 ARBITRAGEM

4.1 História

Encontramos as raízes da arbitragem nas Ordenações do Reino de Portugal, do


século XVII, em que se distinguia entre juízes árbitros e arbitradores. Os juízes
árbitros deveriam conhecer não somente das coisas e razões, mas do Direito. Os
arbitradores somente conheciam das coisas, sendo que se houvesse alguma
alegação de Direito deveriam remetê-la aos juízes da terra.

No Brasil, a primeira Constituição Política do Império, de 1824, já admitia o uso da


arbitragem na solução das disputas entre nacionais e estrangeiros. Ademais,
autorizava que a decisão do árbitro restasse irrecorrível, caso as partes
estabelecessem a cláusula sem recurso.
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Mas é a partir da Revolução Industrial, que transmudou a economia então existente


de um mercado primário para um mercado de produção em massa de bens e
serviços, acarretando o surgimento da classe trabalhadora, que se iniciou as
relações entre o capital e o trabalho, dando origem, de forma ainda embrionária, ao
direito do trabalho e também às formas de composição dos conflitos a elas
inerentes.

4.2 Conceito

A arbitragem é o método privado de solução de conflitos consensualmente


estabelecido pelas partes, que delegam a um terceiro ou a um colegiado o poder de
decidir a controvérsia.

Arbitragem, enquanto equivalente jurisdicional, constitui espécie autônoma,


ocorrendo sempre que duas ou mais pessoas submetam suas disputas ao árbitro de
terceiro, não integrante dos quadros do Poder Judiciário.

É espécie autônoma, por não se confundir com autocomposição, em que não há


intervenção de terceiros, como árbitro, nem tampouco com mediação, em que o
terceiro intervém não para decidir a disputa, mas para promover acordo entre as
partes querelantes.

Destaca-se, primeiro, tratar-se de meio alternativo de solução da lide desvinculado


da justiça estatal; segundo, a sua natureza contratual; terceiro, a submissão
voluntária das partes a uma decisão terminativa do conflito.

A disputa é elemento essencial para que se dê a arbitragem. Não qualquer disputa,


mas disputa que diga respeito a direitos disponíveis. Há matérias, que por tratarem
de direitos indisponíveis, não se sujeitam jamais à arbitragem. Tal é o caso do
Direito de Família, em geral. A não ser nos casos de separação de patrimônio, ou
até mesmo guarda de filhos, não se admitem o juízo arbitral. Seria intolerável a idéia
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mesma de arbitragem para solucionar questões relativas à perda ou à manutenção


do pátrio poder, por exemplo.

Quando a continuidade do diálogo entre os atores sociais se mostra inviável, a


prática negocial seqüência, como regra geral, os passos seguintes: mediação e
arbitragem. Esta pode ser extrajudicial, através de árbitros privados, ou institucional,
protagonizada pela Justiça do Trabalho por meio de processo de dissídio coletivo.
Essa disposição natural dos institutos não significa rigidez de etapas. As partes
elegem o tipo compositivo que lhes afigure mais adequado à especialidade do
conflito. A única limitação a esse leque de opções é o dissídio coletivo, que não
pode ser ajuizado sem a prévia e real tentativa de negociação coletiva.

No sistema brasileiro, até mesmo a instauração do processo de dissídio coletivo,


fecho aparente das alternativas de solução do conflito, não obsta que as partes
convertam o procedimento judicial em juízo arbitral ou ainda, que dele desistam para
resolver o conflito por mediador ou árbitro eleito com posteridade à ativação do
Judiciário.

Outra observação importante refere-se à natureza da disputa. Esta será


normalmente de Direito Privado. Não que o Direito Administrativo não possa ter
acesso a ela. Questões referentes a contratos administrativos, por exemplo,
poderiam perfeitamente ser solucionadas por árbitros privados. Acontece que na
esfera do Direito Público entra fator que, como regra, tolhe recurso a juízo arbitral: é
o interesse público. Inconcebível seria a arbitragem para decidir a perda ou
manutenção de mandamento eletivo, ou mesmo perda de cargo público, ou ainda no
Direito Penal, condenação ou absolvição de homicídio ou qualquer outro crime, a
princípio.

A via arbitral é marcadamente facultativa. Requer mútuo assentimento das partes


não só para a sua efetivação, mas de igual modo, para a escolha do árbitro e dos
procedimentos que a regerão. O perito é uma pessoa física alheia à disputa,
independente em relação às partes e em quem estas confiam e reconhecem
capacidade para, inteirando-se do processo negocial e das razões do impasse,
equacionar adequadamente o conflito que afeta uma coletividade. A via arbitral de
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solução de conflito é decisória e não meramente sugestiva ou indutora, como a


mediação. E mais, embora também seja impulsionada pela vontade de ambas as
partes, o desfecho da arbitragem, consubstanciado em um laudo do expert, é de
cumprimento forçoso,diferentemente da mediação.

São várias as definições de arbitragem encontradas. Amauri Mascaro Nascimento 1


conceitua a arbitragem como:
“uma forma de composição extrajudicial dos conflitos, por alguns
doutrinadores considerada um equivalente jurisdicional. A questão é
decidida não por um juiz, mas por uma pessoa ou órgão não investido de
poderes jurisdicionais.”

Para Sérgio Pinto Martins2, arbitragem “é uma forma de solução de um conflito, feita
pos um terceiro, estranho à relação das partes, que é escolhido por estas, impondo
a solução”. Sérgio ainda explica que a arbitragem é uma forma voluntária de
terminar certo conflito e que não é uma forma obrigatória.

A decisão do perito não pode estar em distonia com as circunstâncias que estejam a
arbitragem. O laudo arbitral é confeccionado sob medida para aquela determinada
situação. Afinal, a arbitragem é balizada pelas informações ministradas pelas partes,
pelas razões motivadoras das reivindicações, pelas justificativas para a
contraproposta, por depoimentos e análises técnicas, pelo sentimento de
razoabilidade e justeza, enfim, fatores que imprimem pertinência à decisão
4.3 Formas de arbitragem

Analisando a arbitragem nos Estados Unidos, Amauri Mascaro Nascimento 3 (apud


SÜSSEKIND, 2000 p.1199) constata as seguintes formas de arbitragem:

a) Convencional, a preferida dos árbitros uma vez que eles têm pela liberdade
para resolver as questões, tirar médias ou impor outras situações;

1
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito Processual do Trabalho. São Paulo: Saraiva,
1999, p. 16.
2
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito Processual do Trabalho. São Paulo: Editora Atlas, 2003.
3
NASCIMENTO, Amauri mascaro. Direito do Trabalho na Constituição de 1988
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b) Final offer, na qual o árbitro ficará limitado a colher ou a oferta de uma parte
ou a oferta de outra parte, tal qual foram apresentadas;
c) Package ou arbitragem por pacote. O árbitro adotará como decisão o pacote
total das ofertas do empregador sobre todos os itens da negociação, ou
pacote global das pretensões do sindicato sobre todos os itens da
negociação. Não decidirá alguns temas segundo a pretensão do sindicato e
outros de acordo com a proposta do empregador;
d) Méd-arb. Que é a arbitragem na qual o árbitro pode atuar como mediador

4.4 Denominação

Arbitragem e arbitramento muitas vezes se confundem. As palavras são derivadas


da mesma raiz etimológica, do latim arbiter, que tem o significado de juiz louvado e
árbitro.

O nome dado ao instituto em estudo é arbitragem e não arbitramento. O


arbitramento é uma forma de liquidação de sentença (art. 879 da CLT), sendo que é
feita quando: determinada pela sentença ou convencionada pelas partes; o exigir a
natureza do objeto da liquidação (art. 606 do CPC).

4.5 Distinção

Distingue-se a arbitragem da mediação, pois nesta o mediador apenas faz propostas


para a solução do conflito, enquanto o árbitro decide, impõe a solução ao caso que
lhe é submetido.

Difere a arbitragem da jurisdição, pois nesta o juiz está investido de jurisdição como
órgão do Estado, podendo dizer o direito nas hipóteses concretas que são
submetidas, tendo força coercitiva sua decisão, que, se não cumprida, pode ser
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executada. Na arbitragem, o arbitro é um particular, não tendo relação alguma com o


Estado, sendo escolhido pelas partes para a solução do conflito e tendo o poder de
decidir as questões que lhe foram apresentadas, porém não pode impor sanções.

A arbitragem pode ser nacional e internacional. Na arbitragem nacional os conflitos


são analisados com base nas formas de um único sistema jurídico, em que não haja
nenhum conflito de jurisdição, seja interno ou internacional. Na arbitragem
internacional, cada elemento será regido por uma lei diversa, como da capacidade
das partes, da competência dos árbitros, do procedimento arbitral ou da lei material,
que será aplicável à solução do litígio.

4.6 Natureza jurídica

Tem a arbitragem natureza de justiça privada, pois o árbitro não é funcionário do


Estado, nem está investido por este de jurisdição, como acontece com o juiz. É uma
forma de heterocomposição, pois não são as próprias partes que resolvem o conflito,
como ocorre na autocomposição, mas um terceiro é chamado para decidir o litígio.
Poderia ser enquadrada como forma de autocomposição se entendêssemos que as
próprias partes escolhem um terceiro para solucionar o conflito, sem se socorrer do
Judiciário.

Na verdade, a natureza jurídica da arbitragem é mista, envolvendo o contrato e a


jurisdição, em que as partes contratam com um terceiro para dizer quem deles tem o
direito.

4.7 Compromisso

A cláusula compromissória distingue-se do compromisso. A primeira encerra a


possibilidade de um conflito eventual ou futuro ser resolvido por meio de arbitragem,
conflito, este, que pode ou não ocorrer. Ela estaria incluída nos acordos, convenções
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ou contratos coletivos. Já, o compromisso diz respeito à solução por meio da


arbitragem de um litígio atual, existente, surgindo no momento da controvérsia, em
que as partes preferem não se socorrer de mecanismos de autodefesa.

4.8 Admissibilidade

A arbitragem não impede o acesso aos tribunais, pois a lei não poderá excluir da
apreciação do Judiciário qualquer lesão ou ameaça de direito (art. 5º, XXXV, da CF).
Ressalte-se que o controle jurisdicional pode ser feito quanto à execução do laudo
arbitral. O árbitro, entretanto, não se constitui em tribunal ou juízo de exceção, sendo
que não se irá atrair a hipótese contida no inciso XXXVII do art. 5º da Lei Maior.

4.9 Procedimentos

O arbitro é juiz de fato e de direito. A arbitragem que julgará por eqüidade (art. 2º da
Lei nº 9.307/96). A arbitragem que julgará por eqüidade será realizada no sentido de
fazer justiça. Poderão as partes escolher livremente as regras de Direito que serão
aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem
pública.
Poderão as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos
princípios gerais de Direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de
comércio.

A sentença arbitral não fica sujeita a recursos ou a homologação pelo Poder


Judiciário (art. 18 da Lei nº 9.307/96).

A sentença arbitral tem a eficácia de título executivo judicial (art. 584, III, do CPC),
podendo, assim, ser executada, se não cumprida.
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5 A IMPORTÂNCIA DA ARBITRAGEM PARA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

Graças a Lei nº 9.307, instituída em 23 de setembro de 1996, a Lei de Arbitragem


vigora como forma alternativa de solução aos conflitos de idéias ou interesses para
tentar ajudar o Poder Judiciário, que hoje se encontra demasiadamente frágil e
burocrático.

Infelizmente temos no Brasil um aumento considerável no volume de processos em


andamento junto ao Poder Judiciário, com a conseqüente fragilidade na prestação
jurisdicional. A arbitragem como forma de solução de conflitos tende a ser mais
rápida, moderna e eficaz.

De acordo com Süssekind, existem muitas críticas doutrinárias à arbitragem, essas


indicações demonstram a pouca credibilidade atribuída à arbitragem em questões
laborais no Brasil, mas, nem por isso, deve ser afastada a sua aplicação, tanto
porque consagrada na Constituição, como porque recomendada pela Organização
Internacional do Trabalho. Ademais, a Justiça do Trabalho vem se tornando frágil,
fragilidade decorrente dos novos encargos que lhe foram atribuídos pela Carta em
vigor, e não pela criação de novos órgãos jurisdicionais. E salvo, por fim, a reforma
da legislação vigente para assegurar ao árbitro maior liberdade, sem ficar
necessariamente ligado aos parâmetros fixados pelo Estado intervencionista,
sobretudo na mais polêmica das questões, a salarial.
Enfim, respeitados os fatores culturais e a natureza peculiar das relações coletivas
de trabalho, a arbitragem assim estruturada pode apresentar bons resultados e
contribuir para a significativa redução do número de dissídios coletivos que
assoberbam a Justiça do Trabalho.
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REFERÊNCIA

SÜSSEKIND, Arnaldo; et al. Instituições de Direito do Trabalho. 19ª ed.atual. por


Arnaldo Sussekind e João de Lima Teixeira São Paulo: LTR, 2000.

YOSHIDA, Márcio; et al. Arbitragem Trabalhista. Editora Ltda. Por Márcio Yoshida
São Paulo: LTR, 2006.

PACHECO, Iara Alves Cordeiro; et al. Os Direitos Trabalhistas e a Arbitragem.


Editora Ltda. Por Iara Alves Cordeiro Pacheco São Paulo: LTR, 2003

DELGADO, Maurício Godinho; et al. Curso de Direito de Trabalho. 6ª ed. Por


Maurício Godinho Delgado São Paulo: LTR, 2007.
19

MARTINS, Sérgio Pinto; et al. Direito do Trabalho. 9ª ed. Atual. Por Sérgio Pinto
Martins São Paulo: Editora Atlas, 1999.