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INTRODUÇÃO

7 LINHAS CLÁSSICAS DO YOGA


O CAMINHO DO DISCERNIMENTO COM SABEDORIA

INTRODUÇÃO AO JNANA YÓGA

Jnana Yóga ou Gnana Yoga: da raiz (sânscrita jna) literalmente significa


sabedoria. Nascida dentro do Bhagavad Gita e posteriormente adotada no
sistema “vedanta” de não dualismo.
Para um Jnana yogue, EXISTIR há implicações
fatídicas!

1) A tríade (trigunas) do desenvolvimento fenomênico.

2) Assimilação, transformação, transmutação e expressar!

3) As Ilusões promovidas pelos tópicos anteriores.


CAMINHAR PARA UM JNANA

1. Trilhar a espiritualidade.

2. Erradicar a ignorância.

3. Superar os conflitos interiores.

4. Conhecer a verdadeira identidade de tudo!

5. Jivan Mukta (libertadação em vida).


Estruturação do Jnana Yoga

1. O discernimento, (viveka)
2. O desapego, (vairagya)
3. As seis virtudes, (sad-sampat): controle da mente, dos sentidos,
contentamento, força psicoemocional, fé e equilíbrio mental.

4. A autorealização, (mumuksha): libertação


5. A audiência atenta, (sravana): saber ouvir e distinguir os fatos .
6. A reflexão verdadeira, (manana): a convicção por meio
correto do raciocínio
7. A meditação, (nididhyasana)
Obstáculos no caminho da espiritualidade para um Jnana

1. A distração ou falta da concentração:

2. Os apegos e os desejos

3. A preguiça e a sonolência

4. A satisfação por um estado de realização passageiro


Pensamento Jnana

COMO MUDAR ESSAS CONDIÇÕES?


1. (Sadhanas) - Fortalecer –se pelas práticas diárias.

2. (Tapasia) – Esforçar-se constantemente pelo objetivo determinado.


AS QUATRO GRANDES AFIRMAÇÕES DO
JNANA

1. Tu és isso (Tat twan asi): verdade, conhecimento e infinidade.

2. Eu sou o absoluto (Aham Brahmasmi): incondicionado ao ilimitado, sem


começo nem fim.

3. Esse “eu” é o absoluto (Ayam Atma Brahman): felicidade e perfeição não


são atributos do absoluto e sim o próprio absoluto, é a causa e o efeito
sem um fenômeno.

4. O absoluto é consciência (Prajnanam Brahman): inexplicável, imensurável,


sem sentido.
KARMA YOGA

Originária da Raiz verbal “Kri” – literalmente “ação prática”


Em hipótese alguma poderá ser empregada somente para as coisas
que acreditamos serem de características negativas – karma é tudo!
AS TRÊS GRANDES OBRIGAÇÕES CÁRMICAS

1. Devarna - Obrigação para com o Absoluto ou responsabilidades e


respeito para como tudo e todos nesse universo

2. Pirna - Obrigações para com os ascendentes (pais, avós, tataravós e


etc), devido a preservação da espécie.

3. Rishina -Obrigações para com os avatares, sábios e mestres que


dedicam ou dedicaram suas vidas transmitindo o conhecimento e
valores da humanidade.
O KARMA

Karma yóga é um ramo clássico de caráter altamente


prático!
KARMA NA PRÁTICA
VIVÊNCIAR

DISCIPLINAR ASSIMILAR

EXPRESSAR TRANSFORMAR

CONTROLANDO DAS AÇÕES MENTAIS, EMOCIONAIS,


FÍSICAS
O PROGRESSO ESPIRITUAL

• Trabalha em relação
O SAKTA ao mundo

• Trabalha em relação
O YUKTA ao Absoluto
ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO

1. Brahmacharin – Nascimento, infância e juventude ou as fases de

aprendizado e do estudo.

2. Grhastha – Consiste pelo período de crescimento e desenvolvimento

profissional, construção de família, ou seja, a fase adulta produtiva.

3. Vanaprastha - Fase opcional e após ter cumprido com suas obrigações, é o

período do relativo afastamento dos bens comuns e da sociedade

4. Sanyasa – Fase final ou de renúncia total.


Divisão de intensidades dos karmas

1°Agami / Sabedoria pura – Exemplo de um guerreiro em


campo de batalha, onde sua flecha ainda se encontra Fraco
dentro do estojo, caberá ao arqueiro pela sua sabedoria o
momento mais correto para retirá-la.

2° Samcita / Discernimento – Sua flecha já foi


posta no arco, caberá ao arqueiro o livre arbítrio de Médio
soltá-la ou não.

3° Prarabdha / Irrevogável – A flecha é


arremessada, nesse momento você não mais
poderá pará-la ou desviá-la do seu alvo. Outro Forte
exemplo de karma irrevogável é sua raça, seu
sexo ou seu parentesco.
KARMA É: AUTODOMÍNIO ABSOLUTO SOBRE

Desejos
Paixões
VERDADES PARA UM KARMA YOGUE

 Insegurança nasce da falta de visão.


 O medo, pela falta de conhecimento.
 A ignorância advém pela ilusão da matéria e por acreditar
que tudo é pessoal.
PORTANTO O KARMA

 Serve para ensinar o homem a todo instante que nada neste mundo
existencial é arbitrário.

 E que, deixamos de temer uma tempestade quando passamos a


conhecer as leis de sua natureza, ou seja, quando conhecemos a nós
mesmo não devemos temer a nada nesse mundo, tudo é passageiro.

Um verdadeiro Karma yogue nunca mais ficará a mercê


da sorte ou do acaso
OBJETIVANDO

O ser humano deve cumprir suas obrigações e deveres


sem jamais se preocupar com as críticas, aceitações dos outros ou até
mesmo por agradecimentos, não deve ter medo ou temores, pois
estes são condenáveis e demonstram debilidades emocionais,
mentais e físicas. A verdade, a coragem, a honra e a honestidade
caminham lado a lado. Tenha em mente que cada um é grande em
seu próprio meio.
BHAKTI YOGA

O caminho da devoção a Krishna


Dentre as sete linhas clássicas, o Bhakti é a mais sublime, cristalina e
auspiciosa, pois através de suas práticas , o yogue poderá trabalhar o

AMOR E A DEVOÇÃO
DEVOÇÃO: é de fundamental importância que o devoto não perca tempo
e busque o mais rápido possível libertar-se do prazer, do tormento, do desejo e
de qualquer outro tipo de sentimento que desvie dos verdadeiros caminhos.

a) Pela glorificação dos atributos divinos pela escuta (sravana)


b) Pelos cânticos (Kirtans);
c) Contemplação da beleza divina (todas as formas);
d) Realizar as práticas devocionais (pujas);
e) Devotar todas as ações diárias ao absoluto ou ao senhor supremo.
f) Lembrar-se constantemente da presença da realidade absoluta
g) Sentir o vazio da solidão extrema esquecendo-se até do próprio absoluto
(paradoxo da eternidade)
TIPOS DE DEVOÇÃO

1. Devoção primária – entrega impessoal ao absoluto.

2. Devoção secundária (3 tipos) – entrega pessoal, ainda ligada aos

motivos pessoais e, objetivos, as vezes, ainda ocultos pelo próprio

ego, isso conforme as características das trigunas mentais.


FORMAS DE DEVOÇÃO

a) Dasya-bhava-bhakti: servo para com seu amo (desde que pura e verdadeira) jamais

em servidão, medo, covardia ou submissão.

b) Sakhya-bhava-bhakti: entre amigos ou companheiros (não deve jamais degenera-se

em familiaridade.

c) Santa-bhava-bhakti: de um pai ou mãe para com seus filhos ou vice-versa (jamais

transformar-se em sentimentalismo fútil)

d) Kanta-bhava-bhakti: entre amante e amado (jamais torna-se domesticidade).

e) Madhura-bhava-bhakti: amor verdadeiro pelo ser amado (jamais transformar-se em

puro sensualismo).
Bhakti yóga, portanto, pode-se considerar como a evolução

espiritual através do desenvolvimento superior do amor e da devoção

em todos os planos em, gênero, numero e grau.

ATITUDES

Mentais Amorosas
1° - (GAUNI) Preparatório 2° (PARA) Amor e devoção
Iniciantes e iniciados Raríssimos (identifica-se)

 Sravanan, (escutar) 1. Estando no mesmo mundo


que a divindade suprema.
 Kirtanam, (cantar)
 Smaranam, (meditar)
2. Estando junto à divindade
 Pada sevanam, (adorar aos pés) suprema.
 Arcanam, (venerar)
3. Tendo a mesma forma da
 Vandanam, (prosternar)
divindade suprema.
 Dasyam, (devotar-se)
 Sakhyam, (amizade) 4. Tornando-se uno com a
 Atmanivedam (dar-se, doar-se) divindade suprema.

SEUS ESTÁGIOS PRÁTICOS


Fé cega um fenômeno patológico que ocorre quando atingimos o ápice da
nossa miopia intelectual.

MUDHA-BHAKTI
1. Aceita sem verificar
2. Leva, 99% das vezes ao
fanatismo
3. Cedo ou tarde, desmorona!
OBSTÁCULOS

1. Familiaridade
2. Apegos e Paixões
3. Possessividade
4. Sentimentalismo
5. Pena
6. Autopiedade
7. Compaixão
8. Ajuda e etc.
1. Tradicional (vaidhi-bhakti) representada pelas práticas (64) diárias adotadas – realizado
pelo amor intenso. (ainda repleta de conceitos e religiosidade)

2. Amorosa (raga-nuga-bhakti), resultante da prática sincera, aspiração intensa e contínua


em direção do adorado. Não faz busca, não critica nem analisa o objeto adorado. Na
realidade, a grande particularidade deste bhakti é, não relacionar a grandeza e o poder
da realidade divina, considerando somente a intimidade e a relação com essa realidade.
I. O modo da bondade: aquele conhecimento com o qual se percebe uma só
natureza espiritual em todas as entidades vivas, embora elas se apresentem
sob inúmeras formas.

II. O modo da paixão: aquele conhecimento com o qual se vê em cada corpo


um diferente tipo de entidade viva.

III. O modo da ignorância: aquele conhecimento pelo qual alguém se apega a


um tipo específico de trabalho sem ter a compreensão da verdade.
1) Ahinsa – Não violência: (prasadam) – modo ignorância...

2) Tapas –Austeridade: vícios (todos) drogas, cigarros, álcool

(ilusão) – modo ignorância.

3) Satya – Veracidade: a não verdade é modo de ignorância.

4) Sauchan – Pureza em todos os sentidos


RAJA YOGA E OS ESCRAVOS DA MENTE
Presos pela ignorância
EU
EU
EU
MEU
MEU
MEU
EU FIZ, FIZ....
EU TENHO
EU QUERO!
A DOR LATENTE
MEDOS QUE ATORMENTAM
Duhkham eva sarvam vivekinah – Sutra II-15
Tudo é sofrimento para o sábio
Tudo é dor, tudo é efêmero (Gautama Sidhartha).

A experiência humana de qualquer natureza


que seja, engendra o sofrimento
(Sankhya sutra II, 1)
A temporalidade (O TEMPO) é que torna possível todos
os condicionamentos, em última instância, faz do homem um
ser condicionado, uma série indefinida e evanescente de
“condições”, isso é a causa da sua imagem e sua
historicidade.

Mircea Eliade em Yoga e Imortalidade (pag. 11, 2004)


“O fenômeno é gerado pela potencialidade das Gunas”
Psíquicos – emocionais - físicos
Yoga Sutra II, 15, 19)

Toda a experiência psíquica é um simples processo material.


Pureza, bondade não são qualidades do espírito, mas, purificação da matéria sutil
representada pela consciência.

Homem e cosmos; duas entidades penetradas pela mesma dor da existência!


Portanto, a diferença entre cosmo e o homem não é senão uma diferença de grau, não
de essência.
Sutra 2 de Patanjali – Yóga é controlar ou cessar os padrões (turbilhões)
mentais

YOGA É CHITTAVRITTINIRODHA
Yoga é “união”.

No conceito de Patanjali a tônica está no esforço do homem (em colocar-se

sob jugo – autojulgamento ou autoreflexão) através da autodisciplina , graças a qual

ele poderá obter a concentração no espírito (eu superior), antes mesmo de solicitar a

ajuda a qualquer divindade.

a) Abolir a dispersão e os automatismo – Características da consciência profana.

b) O que caracteriza o yoga não é só seu lado prático, mas o iniciativo.

Mircea Eliade em Yoga e Imortalidade (2004)


OS 4 CAMINHOS DO RAJA YÓGA

1. Samadhi-padaḥ – Trata da definição de yoga, da mente, dos diferentes níveis profundos de

meditação e de termos fundamentais no Yoga como Purusha e Prakṛti.

2. Sadhana-padaḥ – Trata do caminho do yoga e da prática frequente e nos esclarece que o

sofrimento que ainda não ocorreu deve ser evitado. Aqui Patanjali sita as 8 etapas práticas do

Raja Yóga

3. Vibhuti-padah– apresenta os resultados reais da prática de yoga (siddhis- poderes) e o

relacionamento profundo e completo com o objeto de meditação (samadhi).

4. Kaivalya-padaḥ – Esclarece como o yoga pode ser de grande utilidade para mudar a mente e

como essa mente mais lúcida e serena poderá influenciar outras mentes positivamente.
AS OITO ETAPAS PRÁTICAS DO RAJA

1. Yamas e nyamas
2. Asanas
3. Pranayamas
4. Prathiahara
5. Dharana
6. Dhiana
7. Samadhi
RESUMINDO

Para o Raja Yóga de Patanjali a iluminação ou a

autotranscedencia se da através das experiências práticas

vivenciadas, percebidas e experimentadas nos três planos