A Etimologia e a História das Palavras na Lexicografia

Hans Peter Wieser (UFC) SUMÁRIO:
1. 2. Introdução As origens da pesquisa etimológica 2.1. A Etimologia na Antigüidade e na Idade Média 2.2. A Lingüística Comparativa 2.3. A abordagem pela Lingüística Histórica 3. 4. 5. Definição da Etimologia e da História das Palavras As exigências que a pesquisa etimológica deve cumprir A comparação de dicionários diacrônicos 5.1. O dicionário histórico-etimológico de Antônio Geraldo da Cunha 5.2. O dicionário histórico de Hermann Paul. 5.3. O dicionário etimológico de Friedrich Kluge 6. Considerações finais

1. Introdução
A Etimologia é o ramo da lingüística que estuda a origem, o significado primitivo e o desenvolvimento formal e semântico dos lexemas de uma língua. Além disso, trata do seu parentesco com as palavras de outras línguas que têm a mesma origem. A pesquisa etimológica, portanto, ocupa-se das relações que uma palavra mantém com outra unidade mais antiga, de que se origina. O etimologista segue a palavra “durante todo o período em que ela faz parte da língua, em todos os sistemas de relações em que ela entra, sem jamais cessar em levantar os problemas que dizem respeito à etimologia propriamente dita” (Dubois, 1998: 252-253). Esclarecido isso, Dubois (id. ibid.) define, como “o estudo da derivação”, o ramo da Etimologia “que se ocupa da formação das palavras e pelo qual se reduzem unidades mais recentes a termos já conhecidos”; e o autor acrescenta que, na Lingüística Histórica, o termo etimologia refere-se “a disciplina que tem por função explicar a evolução das palavras remontando o mais longe possível no passado, muitas vezes além mesmo dos limites do idioma estudado, até uma unidade chamado étimo, de onde se faz derivar a forma moderna” (id. ibid.). Ainda conforme o mesmo autor, a etimologia se apóia, sobretudo, na fonética histórica, “mas, contrariamente a uma prática puramente formal, ela não poderia ignorar a semântica

2

na medida em que o étimo tem um sentido bastante diferente da palavra derivada” (id. ibid.). As explicações de Dubois chamam a atenção para o fato de que há duas maneiras de fazer etimologia: um ramo da disciplina ocupa-se, antes de tudo, com os princípios que regem a formação de palavras, enquanto outro colhe informações pormenorizadas sobre a história das palavras. Não é de se admirar, então, que o estudioso ao tratar da relação entre a Etimologia e a História das Palavras descobrirá, logo, uma imprecisão terminológica. Evidentemente, o termo “etimologia” serve, de um lado, como conceito genérico para qualquer forma de pesquisa lingüístico-histórica que se dirige à origem ou ao desenvolvimento da forma de uma palavra e que inclui, também, a história dessa palavra; do outro lado, contrasta com um conceito que se ocupa da história concreta das palavras e que separa a origem de uma palavra, da sua biografia. Nesse segundo sentido, o especialista em etimologia examina a origem e a derivação de determinados vocábulos sem levar em conta o contexto sócio-histórico, enquanto o cronista das palavras se ocupa da documentação das suas ocorrências históricas. No que se segue, estudaremos alguns detalhes dessa distinção metodológica. Além disso, trataremos dos aspectos teóricos dessa relação que são importantes para a produção de dicionários de caráter lingüístico-histórico. Após uma visão resumida sobre o desenvolvimento histórico da pesquisa etimológica, determinaremos o caráter da abordagem etimológica, de um lado, e da abordagem da história das palavras, do outro. Nessa tarefa, seguiremos a orientação por Untermann (1975 e 1992) cuja concepção examinaremos simultaneamente com outras teorias etimológicas. Depois de uma breve digressão sobre as exigências que a pesquisa etimológica deve cumprir, analisaremos alguns exemplos de obras relevantes (Cunha, 1997; Paul, 2002; Kluge, 2002) para apontar, através de exemplos concretos, de que modo a Lexicografia etimológica apresenta, nos verbetes dos dicionários, a história e a etimologia das palavras. 2. As origens da pesquisa etimológica A Etimologia tem uma fama ambivalente dentro e fora do mundo acadêmico e até dentro e fora das próprias ciências da linguagem. De um lado, ela é vista como divertida e surpreendente, do outro, é evidente que ela não ocupa um papel de destaque na Lingüística (Histórica) atual. Ora, muitos intelectuais lingüistas e não lingüistas – pensam que a Etimologia é uma ocupação que, no fundo, nem pode ser levada a sério. Não se pode negar que a Etimologia tem um caráter surpreendente e divertido. Por exemplo, a palavra portuguesa cabo parece ser um homônimo, ou seja, uma forma comum a duas ou mais palavras que se pronunciam e/ou se escrevem do mesmo modo, sem ter, porém, o mesmo sentido; pois, conforme o Novo Aurélio, cabo significa, entre outras coisas, “militar que detém a posição hierárquica de cabo; comandante, chefe, cabeça“ ou “ponta de terra que entra pelo mar“. Parece que a palavra são representa um caso semelhante: pois, conforme o mesmo dicionário, são significa, entre outras coisas, “santo”. Sabemos, além disso, que a mesma palavra pode representar, também, a forma para o presente indicativo ativo da terceira pessoa plural do verbo ser.

e cabo. sabe-se que a palavra são. derivam ambos do substantivo latim caput (= “cabeça. no ato da denominação. Nessa obra. Do outro lado. chamado Krähen. Convém mencionar. no entanto. O termo “etimologia” se compõe do adjetivo grego étymos. um caso de polissemia. que vale para todas as línguas uniformemente ou será que as denominações representam meras convenções humanas?” (cf. o Crátilo de Platão. na Antigüidade. é a busca da forma autêntica e do significado primitivo que revela a verdadeira natureza das palavras “a partir da idéia de que sua forma corresponde efetivamente. autêntico” e do substantivo logos. 2. o que ele continua a ser no português moderno. baseada na observação que a torneira pode girar como a ave e está sentada no tubo como uma cristã. são homônimos “apenas as formas convergentes da gramática histórica” (id. na Grécia antiga. Sócrates discute. negariam fortemente que um Hahn sabe cantar (em alemão: singen). Os falantes do alemão. a partir do primeiro. pelos filósofos gregos. ibid. quer dizer. e de modo natural. procura o significado que as palavras receberam originalmente. Vejamos. devido a uma transferência metafórica. um exemplo do alemão: nesse idioma. aos objetos que designam” (Dubois.1. Na perspectiva diacrônica. 1998: 251). é originalmente um cantor. O etimologista. No diálogo.3 Visto isso. 1975: 15). com os dois sofistas Crátilo e Hermógenes. capital”) e representam. Essa origem indica que a Etimologia. por isso. afirmando que a ação barulhenta que caracteriza o animal merece um nome próprio.). cujas significações não se consegue associar num campo semântico definido” (Dubois. o lingüista tem que saber distinguir entre a polissemia de uma forma e a homonímia de duas ou mais formas. Em outras palavras. tem sua origem na forma correspondente do latim: sunt. Sabemos que o último significado se formou. “verdadeiro. sobre a questão da relação entre o significante e o significado. como um dos primeiros documentos relevantes para esse tipo de estudo. Nesse último sentido. A Etimologia na Antigüidade e na Idade Média A pergunta pela origem das palavras e seu significado primitivo já foi levantada. Há para isso dois critérios: no ponto de vista sincrônico. quer dizer. apenas no século XV. “acidente geográfico”. . o substantivo Hahn significa tanto “macho da galinha” quanto “torneira”. e a pesquisa etimológica tem como objetivo reconstruir a associação primitiva de significante e significado que motivou a formação de uma unidade sígnica. enquanto a forma verbal são. deriva do latim sanctus. cabo. nessa perspectiva. ainda. “posto militar”. Esse substantivo deriva do verbo krähen que é um cognato de krächzen (grasnar ou rouquejar). homônimos são “formas fonologicamente iguais. o problema do Crátilo é: “Será que as coisas têm um nome próprio. no entanto. O galo. real. de um caso de homonímia. 1998: 327). então. A etimologia do antigo alto-alemão hano (“Hahn”) leva o estudioso para a mesma raiz que deu origem ao verbo latim cano (“canto”). encontramos esboçados aqueles objetivos e métodos que são típicos para a prática etimológica pré-científica que se estende da Antigüidade até a Modernidade. imposto pela natureza. Pisani. de certo. que significa “palavra”. no português: “santo” em próclise. então. Trata-se. aqui. A Etimologia sabe contar milhares dessas histórias.

Por exemplo. no entanto. no entanto. Pressuposto que as palavras tenham uma forma primitiva e um significado natural (phýsei). quando associam essa coisa com um trecho da sua fala. É polêmica. mas verifica em que sentido a posição de Crátilo pode ser defendida razoavelmente. a questão de se essa exatidão é motivada pela natureza do objeto designado. mas há. para todos. A linguagem seria phýsei. seria oportuno dizer que a etimologia representa um método para revelar a essência das coisas. defende convencional. uma certa exatidão dos nomes que é. na escrita. Sócrates assume o papel do moderador. Nessa discussão. No caso afirmativo. seus nomes adequados. entre os gregos. seguir-se-ia que o signo é associado ao designatum por uma relação natural. não aparece o /h/ aspirado do artigo grego. pois. o deus do mar. Essa conjetura explica a importância que o problema de Crátilo tem para a teoria do conhecimento. de modo . a mesma“ (383 b). aos objetos. seria de se pressupor que o signo pertence ao designatum por lei (nómō) ou por uma convenção arbitrária (thései) e não por uma necessidade inerente. ele propõe três etimologias alternativas: Etimologias gregas Nome original posí-desmos Significado original grilhões. é evidente que os nomes são apropriados. para o nome de Poseidon. Hermógenes. as palavras seriam um produto direto das coisas. Durante toda essa busca pela motivação original do significado e pela essência do objeto denotado. Crátilo defende a hipótese da origem natural: “para cada coisa existe uma exatidão natural [phýsei] do nome.4 O grupo está de acordo que houve um ou vários designadores (nomothetes) que deram. que faz vibrar Poseidon provoca terremotos O último exemplo mostra que as etimologias gregas basearam-se na representação escrita das palavras. quer dizer. Platão pressupõe que os sons particulares sejam capazes de imitar e exprimir certas características e que as palavras. assim como entre os bárbaros. Assim sendo. recorre a uma longa série de etimologias. foram pronunciados dois l no lugar de um s p e s foram acrescentados pollà eidōs [h]o seíōn o que agita. No caso negativo. e o nome não é dado convencionalmente por alguns. corrente que prende os condenados quem sabe muito Motivação o mar impede o movimento livre o deus é sábio Assimilação fonética o e (antes do i) foi inserido como enfeite inicialmente. ele acredita na afirmação: a hipótese de uma origem “A exatidão do nome é uma convenção” (384 d).

: 22). Os antigos gramáticos romanos. antes de tudo. no que diz respeito ao método e à terminologia. o caráter convencional dos signos. Dubois. sobressai. mediante a voz. Na Antigüidade grega. Contudo. por si mesmo.]” (Dubois. ‘aquele que dá o vinho’ [. morais e metafísicas inerentes à denominação do objeto (cf. indo nas pegadas dos gregos. também. simbolicamente. Como mostra a tabela seguinte. Pelos critérios da lingüística moderna. enquanto os filósofos gregos usaram as diferenças entre as formas das palavras. por conseguinte. ocupando-se apenas do significante e negligenciando. de outras unidades que têm vagas semelhanças de forma e que revelariam seu sentido exato.5 semelhante aos gestos.a de Crátilo afirmando que os signos sejam completamente arbitrários.. pelos estóicos. Pisani. nos estudos dos romanos. imitem. 1998: 252). é preciso tomar em consideração. interpretavam. essa avaliação negativa vale também para as etimologias que circularam em Roma: . Quando a forma de uma palavra é dotada de um significado que pode indicar a natureza do objeto designado. Sócrates chega à conclusão que é preciso fazer um compromisso: a exatidão natural. que eles tiveram. não é suficiente para explicar a relação entre significante e significado. portanto. os resultados de Platão são quase todos sem valor científico.. a palavra é aproximada. para investigar o seu significado fundamental. Sanders. essa escola defendeu a opinião de que a língua tem sua origem na alma humana e que. por exemplo. uma verdade que corresponde à essência do seu objeto. amplamente. uma semelhante filosofia da linguagem foi representada. a Etimologia ganhou sua má reputação já na Antigüidade grega. 1975: 29). Como vimos. 1975: 22-23). demonstrar que uma palavra é adequada ao objeto denotado e explicar quais são as verdades religiosas. o significado (cf. diferentemente dos trabalhos gregos. cuja combinação seria significativa: assim Platão explica o nome do deus Dionusos por didous ton oinon. cada proposição lingüística. trata-se de uma “palavra raiz” que é considerada “um símbolo sonoro das coisas representadas” (Pisani. Baseando-se nos métodos elaborados por Platão. então é reduzida a sílabas de outras palavras. tem razão quando chega à conclusão que os gramáticos romanos priorizaram a busca da forma original e da relação entre as palavras. a tarefa principal do etimólogo seria. orientaram-se na filosofia grega da linguagem. cit. um interesse formal. que Varão e seus colegas. exprime. primeiramente. ou. Não é de se admirar.1 “Na impossibilidade de poder reduzir a palavra a uma filiação onomatopaica. também. 1977: 11). 1998: 251) Uma vez que ambas as posições extremas são insustentáveis . as questões semânticas. “carne dada aos vermes” (cf. Pisani (1975: 36). a palavra cadaver por ca(ro) da(ta) ver(mibus). então. No ponto de vista dos estóicos. então. e a de Hermógenes acreditando que os signos são perfeitamente motivados -. Caso contrário. trata-se de “um derivado que surgiu pela mistura de várias palavras raízes ou pelas mudanças fonéticas de uma palavra raiz” (op. pelo menos.

560 – 636 d. pela contração: cura: cor urit fenestra quod fert nos extra lepus quia levi-pes vulpes voli-pes caelebs. adições ou substituições de letras. a passagem de uma língua para outra se operava por transposições. aos fiéis.) e o gramático francês Vergílio Muro (cf. conhecida. O que importava para eles. ex negativo: bellum quia non est bellum lucus a non lucendo foedus a non foedo 2. Sanders.C. No ponto de vista moderno. demonstrava-se que o francês vinha do hebraico (considerado muitas vezes como língua-mãe por motivos religiosos). "caelestium uitam ducens". Vittore Pisani (1947/1975) critica a falta de qualquer compreensão histórica e observa que. 2. novamente. o significado hermético da língua que foi inserido e selado em cada criatura. todas as correntes etimológicas mencionadas até agora são insatisfatórias por causa de sérias deficiências na sua fundamentação metodológica e por causa da negligência óbvia das leis fonéticas. . este ao grego e este último ao hebraico. esclarecer. “levando a vida dos celestiais”. todavia. supressões. que Ménage. em seguida. era descobrir o sensus spiritualis que está encerrado em cada palavra e. Convém mencionar. ou seja. estudada sob a forma escrita. o bispo Isidoro de Sevilha (c. fazendo remontar o francês ao latim. pois. os etimologistas medievais tentaram descobrir o sentido alegórico-teológico de cada palavra. porque o /u/ consonantal não pode ser colocado antes de uma consoante (a palavra) guerra (tem sua forma). encontrou um número não negligenciável de etimologias exatas”. Convém assinalar. per b scribitur quod u consonans ante consonantem poni non potest (Priscian inst. porque (a guerra) não é bela (a palavra) bosque (tem sua origem no fato) de (o bosque) não ser luzente (a palavra) aliança (tem sua origem no fato) de (a aliança) não ser feia Significado A etimologia cristã da Idade Média. etimologia é a pesquisa fundada na crença de que todas as línguas podiam provir de uma língua determinada. fez voltar o estudo para o lado semântico. o significado. no momento da criação. 10) inquietação: ela queima o coração (a palavra) janela (é uma abreviação de) 'ela nos leva para fora' lebre porque (tem) um pé leve (a palavra) raposa (vem de) pé volante solteiro. Assim no século XVII ainda. 18. Dubois (1998: 252) resume o período da Idade Média até o surgimento da Lingüística moderna desse modo: “Na Idade Média. como representantes mais importantes dessa escola. recorrendo à Bíblia. 1977: 25).6 Etimologias romanas Original 1. é escrito com <b>.

um abstrato. não se pode negar que os esforços das filosofias antiga e medieval da linguagem lançaram as pedras fundamentais que. Willy Sanders (1977) chama a atenção para o caráter preparativo desse “tempo do advento da lingüística”. das chamadas “equações de palavras” nas quais foram comparados os lexemas de uma língua com as mesmas palavras em outras línguas cognatas. os primeiros estudiosos comparativistas interessaram-se. já que ninguém dispõe de um fundamento metodológico para decidir sobre as suas qualidades [. no indo-europeu. nomeadamente.]. Como ressalta Hermann Lommel (1977). A Lingüística Comparativa As etimologias especulativas dos antigos difamaram a etimologia desde o seu surgimento. Leumann. de um lado. conforme Jost Trier.e. as “etimologias de raízes” que formaram as premissas para tirar conclusões com respeito à possibilidade das línguas germânicas terem. Hoje em dia.7 especialmente na área da fonética. uma unidade artificial que foi derivada por operações teóricas. ser chamada de uma brincadeira intelectual [. é completamente insignificante. Embora seja inevitável concordar com essa sentença impiedosa de Pisani. mas a Etimologia moderna nada tem a ver com os métodos obscuros de seus fundadores. Por essa razão. o material que representa o objeto da sua pesquisa. Nessa fase. naquela época. as diversas fases do desenvolvimento das línguas. no indo-europeu (Lommel. 1977: 125). uma raiz representa. os elementos fonéticos das palavras.]” (Pisani. ninguém conseguiu “perceber a uniformidade das mudanças que ocorreram dentro da mesma tradição e na mesma época” (Pisani. pois ela faz parte de uma lingüística histórica que é controlada.. Ainda que o autor considere os períodos antes de 1800 como sendo “os séculos das trevas da etimologia”. Foi a descoberta do parentesco lingüístico entre as línguas indo-européias pela Lingüística Comparativa do século XIX que gerou as condições prévias para os pesquisadores se darem conta da historicidade e do desenvolvimento contínuo das línguas. foi apenas uma “brincadeira intelectual”: “Visto que. no fim do século XIX. e. op. a raiz dos vocábulos não tem uma existência autônoma na língua básica. primeiramente. a etimologia merece.: 41).. foram plantadas as sementes que “trouxeram uma coleta rica no século XIX” (Sanders. Por essas atividades. na melhor das hipóteses. Assim sendo. Todavia.. surgiram dois métodos de investigação que se tornaram importantes para a pesquisa etimológica dos períodos posteriores. em vez de focalizar. Embora não seja possível associá- .. a tentativa de conceder-lhe uma realidade própria não seria correta. suas palavras básicas em comum (cf. rigidamente. 1975: 34-35). sempre. no fundo. se tornaram importantes para o embasamento teórico-lingüístico da Etimologia. cit. 1975: 35). foram produzidas por numerosos estudos europeus e extra-europeus.. são tratados arbitrariamente e que o valor dos resultados. também não é oportuno ver as raízes como um mero recurso da Lingüística. O mesmo autor afirma que a etimologia pré-lingüística. Todavia. 1977: 158 – 159).2. Trata-se. 2. por conseguinte. antes de tudo. e do outro. por esse motivo. nela. ele reconhece que seus melhores resultados se encontram no levantamento do material lingüístico e na redação das glosas universais que. por critérios científicos. o valor dessas etimologias de raízes é bastante duvidoso. i. pela pesquisa das suas origens e pela derivação dos seus elementos primitivos.

com base nas leis fonéticas. suave” (Cunha. A contribuição mais importante que a Lingüística Comparativa fez na Etimologia do século XIX foi o embasamento teórico das leis fonéticas que deu. De fato. é certo que servem como “portadoras de significado e contribuintes na construção da palavra” cujas formas variadas deixam. com um determinado significado. Por exemplo. há três caminhos que nos podem levar a esse objetivo: 1. com efeito. ela pode. A abordagem pela Lingüística Histórica A Etimologia tem vários objetivos. que exprimem uma qualidade ou característica abstrata. Isso não é pouco. a maioria das características de uma língua tem alguma coisa a ver com o léxico: a saber. Sanders. inequivocamente.8 las. era comum recorrer às semelhanças sonoras mais óbvias. Cada etimologia individual nos ensina alguma coisa sobre a estrutura interna do significado de uma expressão e. na época pré-lingüística. na pesquisa antiga.exprime. pois. as etimologias representam elementos essenciais para a reconstrução das características sistemáticas de uma língua que se relacionam com o morfema ou o lexema. em numerosíssimos derivados das línguas modernas. os pesquisadores conseguiram estabelecer o elo entre lexemas cujo parentesco não pôde ser reconhecido. surgiu. agradável. cada uma representa um exemplo para uma regra de formação das palavras e cada uma integra um campo semântico. mas depende completamente da quantidade e qualidade dos dados etimológicos disponíveis que facilitam ou dificultam as generalizações indutivas. Como disciplina diacrônica. Em princípio. a reconstrução dos sistemas fonológico. . tudo é uma questão de método (científico). O sufixo nominal –dão se documenta em substantivos derivados. 1977: 106). porque. sempre. O que distingue.3. morfológico e lexical de uma língua antiga não se realiza num espaço abstrato. cada etimologia comprova ou falsifica uma hipótese sobre o sistema fonológico. a idéia de negação ou de privação. também. então. explicar os conceitos e os objetos das épocas passadas de uma cultura. 1998: 393). a Etimologia científica da chamada etimologia popular? Como nas outras disciplinas também. Trier. freqüentemente de formação popular. a Etimologia teve a oportunidade de se aproximar das ciências exatas (cf.2 2. O prefixo derivacional in. a resposta da pergunta sobre a origem da palavra ingratidão seria que a forma representa uma derivação do adjetivo português grato que significa “agradecido. perceber um foco semântico em comum (cf. por causa das formas fonéticas bastante divergentes. enquanto. Ora. aos etimologistas. desse modo. pode exercer efeito sobre o uso da língua. A expressão tem uma estrutura que obedece às regras sincrônicas para a formação de palavras. Desse modo. com as leis fonéticas. Em conjunto. 1981: 18). aprazível. 1977: 43 e Kluge. a Etimologia é apenas um de vários métodos para encontrar respostas à pergunta sobre a origem de uma expressão. a possibilidade de deixar para trás a esfera da mera especulação e de estabelecer uma base cientifica para suas investigações sistemáticas. Além disso. a possibilidade de comprovar a derivação de uma etimologia cientificamente.

negação. manter-se afastado“). no português. A resposta da pergunta sobre a origem da palavra ingratidão seria. Esses exemplos mostram que é possível responder muitas perguntas sobre a origem das palavras sem recorrer a Etimologia no sentido restrito. quer em formações vernáculas. Quanto à origem da palavra árabe seria possível fazer as três perguntas novamente. primeiramente no século XVIII (cf. cit. a solução seria indicar a forma mais antiga encontrada no corpus histórico da língua. Cunha. -onis que forma substantivos oriundos de outros substantivos ou de verbos. então. por exemplo. cit. que a palavra foi documentada. O sufixo nominal –ao encontra-se. que essa palavra pertence ao campo derivacional do verbo português abster-se que significa “privar-se de. entre outras coisas. então. Nesse caso. calção”) (op.: 56). O prefixo derivacional do latim in-. evitar” (op.9 Para dar um segundo exemplo. Nomeadamente. onde exprime a negação ou a privação. respectivamente. se documenta em inúmeros vocábulos já formados no próprio latim. cit. Para muitos estudiosos modernos. Apesar de sua grande vitalidade em português. em substantivos provenientes de verbos com noção de “resultado de uma ação“ (op. A expressão sofreu alterações fonológicas ou semânticas durante a história da língua.: 174). esse prefixo não sofreu qualquer evolução quer nos vocábulos eruditos de imediata procedência latina. O prefixo latino absrepresenta a forma que o prefixo ab. a pesquisa diacrônica do vocabulário de uma língua deve se basear numa combinação específica do primeiro e do segundo método.e do germânico un-. 3. O adjetivo ingrato. seria que a forma foi emprestada no século XVI da palavra árabe sarawil (“calça. documentado.: 1). no século XVI. que ela vem do latim abstentio. a primeira vez. separação.: 6). afastamento no tempo e no espaço” (op. A origem latina é o verbo abstinere (”manter a distância. a resposta da pergunta sobre a origem da palavra ceroulas. Isso significa que a análise etimológica de uma palavra deve seguir os seguintes passos: . A expressão representa um empréstimo de uma outra língua. nos séculos XIV e XV. o segundo método não é etimológico (no sentido restrito).toma diante de c e t. -onis e foi documentada. a resposta da pergunta sobre a origem do substantivo abstenção seria. sob a forma jngratidam e emgratidooe. mas histórico. Nesse caso. O sufixo nominal –ão deriva do sufixo latino –o. e caracteriza o ramo da Lingüística Diacrôncia que se ocupa da História das Palavras. deriva do adjetivo latino gratus. primeiramente. 1998: 6). O prefixo ab(s)documenta-se em substantivos eruditos e semi-eruditos que denotam “renúncia. 2. que é cognato do grego a-/an. Voltando ao nosso segundo exemplo: a resposta da pergunta sobre a origem da palavra abstenção seria. cit.

f. g. télico ou terminativo. Depois disso. época na qual se registra. “O sufixo nominal -ado (= it. O prefixo a.10 • • Primeiramente. É possível traduzir essas palavras como “no lado de dentro”. “por causa de mim”.: 13). mais ou menos “lado” ou “causa”. o substantivo feminino Halba (“lado”). “por todos os lados”. egressivo. –ado. Essa forma. krankheitshalber aparece uma raiz fossilizada que não ocorre mais livremente.se documenta em vocábulos eruditos e semi-eruditos que denotam “aproximação no tempo e no espaço. –ade [≥ ingl. 1999 e Cunha. r. allenthalben. Quem investigar a história dessas palavras alemãs descobrirá que a raiz ocorre livremente ainda nos primórdios do alto-alemão moderno. deriva do particípio passivo de afiliar (“agregar(-se) ou juntar(-se) a uma corporação ou sociedade”. ≥ fr. deshalb. A forma é documentada. ingl. Desse modo. Podemos seguir o substantivo Halbe (“lado. à mais antiga forma documentada. os métodos da reconstrução interna e da comparação histórica. direção” (id.de outro verbo do antigo alto-alemão.). a variante affiliado.: 13). ibid. é “trazer até o fim”. obra na qual se encontra. com a finalidade de descobrir o processo que deu origem à palavra e que motivou a associação do significante com o significado original.representa uma redução do prefixo latino ad. que tem o significado “quem se afiliou”. meinethalben. em 1836 no Novo diccionario critico e etymologico da lingua portugueza de Constâncio (Francisco Solano). A palavra latina que deu origem à palavra portuguesa é filius / filia. também. isso significa verificar. unterhalb. A prefixação com ge. como innerhalb. por sua vez. conclusivo. e t. 1998: 357 e supl. nos verbos e em seus particípios adjetivados. que tem o significado “parir. n.pode dar aos verbos alemães um aspecto efetivo. s. ibid. bear). suportar” (cf. cit. Essa raiz significa. Em certas palavras do alto-alemão moderno. nos documentos históricos. p. aplicam-se. –ato. convém esgotar as possibilidades da análise sincrônica. Novo Aurélio. o verbo gerinnen (”coagular”) significa literalmente “correr para o fim” ou “parar de correr”. a primeira vez. “inscrever(-se) como sócio ou membro”). da forma simples beran. como a palavra em análise foi escrita e/ou pronunciada antigamente e o que foi seu significado. deriva do antigo alto-alemã giberan que tem o mesmo significado. A etimologia da palavra alemã gebären. –ade. região”) até o alto-alemão antigo. 44): o adjetivo afiliado. No nórdico antigo e no inglês antigo encontramos as formas correspondentes halfa e healf que significam . “no lado de baixo”. O significado básico de gebären. “por causa disso”. nessa fase. “por causa de uma doença”. = cast. também. oriundos de substantivos ou de adjetivos” (op. Ad. a saber. A etimologia da palavra portuguesa afiliado pode ser feita assim (cf. dar a luz“. Finalmente. -ad]) deriva do sufixo latino –ātŭs que se documenta em adjetivos oriundos dos particípios dos verbos da 1a conjugação” (id. pode ser feita assim: o verbo gebären. que significa “trazer.“que ocorreu. recomenda-se fazer a história da palavra. então. • Seguem-se alguns exemplos. deriva – mediante prefixação . o pesquisador volta no tempo até chegar na mais antiga forma documentada ou reconstruída pela comparação entre línguas cognatas. diante das consoantes c. especialmente das regras para a formação das palavras.

e em inúmeros outros. é certo que o significado “por causa de”. que aparece no alto-alemão moderno. No caso do numeral acht. é secundário.11 “metade” ou “lado”. quanto a mim”). pelo movimento de vaivém entre a dedução e a indução. a saber. ele surgiu a partir do significado “lado” em colocações como meinethalben (“do meu lado” = “da minha parte. fazer etimologias desse tipo. então. No último exemplo. cada vez mais. Uma vez que a maioria das palavras das línguas neolatinas pode. então. Os etimologistas começaram a preocupar-se mais com o conteúdo das palavras e com o caráter sistemático e estrutural da língua. como já foi dito.-eur. O exemplo mostra. o étimo do numeral alemão acht (“oito”) encontra-se na forma indo-européia *oktō(w). a questão das raízes. da história de uma palavra: “A orientação da pesquisa etimológica deslocou-se fortemente. primeiramente. das épocas primordiais. à influência dos romanistas que tiveram uma compreensão diferente da etimologia. → /a/ al. facilmente. é comum aplicar as leis fonéticas que têm relevância para o caso em destaque e (nos casos mais favoráveis) recorrer às leis da mudança semântica. a lingüística se ocupou. costumaram aprofundar seus estudos até o nível lingüístico de latim. Tal concepção carece de um componente essencial da etimologia que é. não teve a mesma urgência como no comparativismo germânico. por causa de mim”).”. em analogia ao padrão de meinerseits (“do meu lado” = “da minha parte. que cada etimologia individual tem que ser compatível com as generalizações já estabelecidas. seja como for. desse modo. Em vez disso. a vogal inicial /o-/ combina com a forma moderna /a-/ porque há muitas evidências independentes que comprovam a validade da lei fonética “/o/ ind. mas. No início do século XX. além disso. Por exemplo. proto-históricas e pré-históricas. os romanistas focalizaram muito mais “a compreensão da história das palavras” e investigaram especialmente “às implicações semânticas e onomasiológicas no contexto das mudanças sócio-culturais e históricas” (Pfister. que a Etimologia se caracteriza. Na reconstrução do étimo. nas suas ramificações.4 . não foi possível encontrar pistas que permitissem resolver esse enigma. para o destino das palavras e dos grupos de palavras. para o tempo que seguiu ao início da tradição escrita e. essas generalizações se baseiam também em tais etimologias. mas. restringe a pesquisa aos aspectos históricos da formação da palavra. Desse modo. a falta da motivação da forma que pode ser indicada. não se interessaram muito por uma explicação da origem de uma palavra. pensava-se que a etimologia de uma palavra de uma língua indo-européia se faz ao indicar o étimo indo-europeu. A origem mais remota no indo-europeu é incerta. Antigamente. Nessa tarefa. ou seja. Contudo. a lei fonética acima mencionada apóia-se em numerosas correspondências do tipo “/ahto/ no alto-alemão antigo ~ /octo/ no latim“. para a etimologia romanista. quando se descobre a maneira como a associação entre significante e significado se passou. Isso vale também para as outras mudanças observáveis nesse exemplo. como (quase) toda a Lingüística moderna. a palavra primordial que deu origem à palavra moderna. 1980: 21-22). apenas. ser derivada de palavras originais do latim ou do latim tardio. 1977: 202). Vê-se.3 Esse deslocamento da perspectiva deve-se. nos seus entrelaçamentos multiformes e nas suas relações com as outras palavras que pertencem ao mesmo campo associativo” (Drosdowski. Todavia.

: 117). os desenvolvimentos que se passaram nos entrementes. primeiramente. 3. mas toma em consideração. o autor define a Etimologia como: “a investigação e a descrição do processo que. portanto. cit. Untermann (op. com base nos dados disponíveis. para esse tipo de estudo. com exceção das chamadas criações primordiais. Assim sendo. como objeto de pesquisa. Jürgen Untermann (1975) tenta determinar e pormenorizar os traços fundamentais que caracterizam as duas orientações da pesquisa diacrônica das línguas. Além disso. gera. “um saudável caminho do meio” no qual a etimologia não se delimita a indicar o ponto de partida e o estado final de uma forma lexical. é possível indicar uma etimologia para qualquer criação lexical. certamente. em princípio. a palavra primitiva. Conforme o autor. amparar e ratificar os resultados do estudo fonético. inequivocamente. Para Drosdowski 1977: 203).) ressalta que. ou seja. também. Nesse sentido. Nesse âmbito. é de se pressupor que. para uma necessidade emergente. é possível tirar conclusões sobre o étimo. Embora seja polêmica a questão de até que ponto seja possível hierarquizar a Etimologia e a História das Palavras . cit. o objetivo da abordagem pela história da palavra é. pois cada forma lexical mostra apenas o resultado desse processo criativo. apenas se a forma da palavra for identificada no seu “domínio cronológico original”. todas as etimologias se baseiam nas leis da teoria da formação das palavras e do léxico. é mister ver cada etimologia como uma hipótese .12 Conseqüentemente. por exemplo. a partir de um dado vocabulário e servindo-se de determinados recursos gramaticais. o desenvolvimento histórico do vocabulário e que se ocupa. 1975: 105). a investigação exata do significado da palavra e do seu contexto. até os chamados hapax legomena. com a questão de como o conjunto dos significantes e significados de uma língua muda no decorrer da sua história. compreende a Etimologia como uma sub-disciplina da História das Palavras – quase todos os lingüistas com interesses na dimensão diacrônica concordam. antes de tudo. a finalidade principal da História das Palavras na determinação exata da idade de uma forma lexical. Conforme o mesmo autor. por exemplo. defende a opinião de que uma discussão da história do significado de uma palavra pode ser importante. por meio da qual seria possível tirar conclusões sobre as origens do significado de uma palavra (op. Desse modo. não é possível. no decorrer da história de uma língua e dos seus falantes.). Kluge (1977). Definição da Etimologia e da História das Palavras No seu artigo sobre “a Etimologia e a História das Palavras”. independente da questão de que ela seja convencionalizada ou não pela comunidade dos falantes.Reichmann (op. com a afirmação que ambas as direções de pesquisa estão relacionadas intimamente. também. uma nova seqüência de sons e associa com ela um novo conteúdo” (Untermann. Kluge vê. pode fornecer as informações necessárias para confirmar considerações lingüístico-teóricas. identificar. o processo que gerou uma determinada palavra. cit. as formações lúdicas espontâneas têm uma etimologia própria. para a questão meramente etimológica da sua origem. O autor recomenda. Oskar Reichmann (1969) define a História das Palavras numa disciplina que tem.

ou seja. cit: 12). A etimologia. no sentido de Trier. op. no ponto de vista da História das Palavras. Por conseguinte.até os seus primórdios” (Trier. ibid. Na definição do romanista italiano Vittore Pisani (1975). 1975: 106). conforme esse autor. Isso significa que. Untermann. de “uma nova forma a criar”. principalmente.: 107) como se segue: “A História das Palavras registra os passos irreversíveis da mudança semântica. a sua etimologia (cf. das alterações que. a definição que Jost Trier deu à Etimologia focaliza. é definida por Untermann (op. ao lado da forma original e da forma presente. é possível fazer uma História das Palavras sem recorrer. Quando Untermann fala. a Etimologia. Nessa perspectiva. Etimologia. reconstruir a sua história . simultaneamente. no lado do conteúdo de uma forma de expressão. necessariamente. Trier. as possibilidades efetivas do léxico e a tarefa de denominação a cumprir” (Untermann. é importante indicar. devem ser . esses “dispositivos giratórios da história das palavras” são importantes para a história do conteúdo de uma palavra e podem exercer. descrever a idéia que essa pessoa queria exprimir com essa palavra” (Pisani.se for possível . o processo da criação da forma de uma palavra que representa o objeto de estudo da Etimologia. a pesquisa da história das palavras. Na sua opinião. nesse contexto. Conforme Untermannn. op. Max Pfister chega à conclusão que as pesquisas etimológicas e filológicas tomam diferentes rumos e recorrem a diferentes métodos e. a tarefa da Etimologia é determinar “as relações genéticas ascendentes e descendentes de uma determinada forma lingüística” (id. é. é tarefa principal dos etimologistas “determinar o material formal de uma língua que foi usado por aquele falante que primeiramente criou uma palavra e. quando comparados.). cit. dependendo das fontes à disposição. 1981: 11). não é possível determinar essa origem. Conforme Trier. I. é de se pressupor que ele se refere a uma mudança semântica ou morfológica da palavra e não a uma mudança condicionada pelas leis fonéticas. representa apenas uma disciplina auxiliar que fornece aqueles traços que motivaram originalmente o surgimento de uma palavra. por isso. o etimologista russo V. é possível escrever a história das palavras apenas se há textos disponíveis que têm sua origem em diferentes épocas. representa a disciplina lingüística que se ocupa da origem das palavras. uma vez estabelecido o grau de parentesco. uma nova direção. permitem a identificação das diferenças irreversíveis do lado do conteúdo. podem ser observadas sempre quando não se cria uma nova forma para exprimir um conteúdo alterado”.: 107 – 108). Abaev (1977: 177-178) prefere falar das “relações genéticas de uma palavra”. é a tentativa do pesquisador de “esclarecer o parentesco entre as palavras e. Abaev defende uma abordagem que se interessa mais pela proveniência das palavras. uma influência decisiva sobre a forma exterior de uma palavra (cf. e a de uma etimologie-histoire-des-mots que se orienta pela história da palavra. O fundamento empírico da História das Palavras é formado pelos diferentes contextos das épocas que. que se refere à origem da palavra. 1975: 79). freqüentemente. cit. a de uma etimologie-origine. já que. todos os lugares que deram. antes de tudo. Ao contrário disso. A História das Palavras. Contudo.13 “que estabelece a conexão adequada entre as regras lingüísticas para a formação das palavras. As abordagens da Etimologia moderna oscilam entre essas duas concepções. ao desenvolvimento da palavra. também. Desse modo. Nesse trabalho.

Como Max Pfister realça. todavia. 4. conforme Max Pfister. ter uma certa habilidade na consideração de todos os elementos conotativos. Visto que os lexemas devem ser classificados conforme seu contexto sócio-cultural. inclusive os documentos históricos e o material dos mais variados dialetos. O etimologista deve dispor de uma base bastante abrangente de material lingüístico que . 5. precisa de uma boa imaginação para poder estabelecer uma conexão adequada entre a definição da palavra e a realidade extralingüística. as duas correntes devem ser vistas como “unidades superiores” que se condicionam e completam mutuamente. um pesquisador empolgado que tenha uma intuição feliz” (Pfister. 2. exige. muito bem. especialmente. 4. para esse autor. o especialista em etimologia deve conhecer. o especialista em etimologia deve ter um prodigioso conhecimento da língua que está sendo pesquisada e de cada uma das línguas vizinhas ou cognatas das quais possam ser tirados os dados relevantes. desse modo. poderá reconhecer as raízes das palavras. os elementos para a formação das palavras e saberá distinguir as palavras herdadas e os empréstimos. na maioria dos casos. 1980: 34). Conseqüentemente. ela representa “uma ponderação crítica e impiedosa de todos os dados lingüísticos e extralingüísticos à disposição e. num nível superior. ao mesmo tempo. é importante.deve incluir todas as documentações alcançáveis.14 compreendidas como duas diferentes orientações de pesquisa diacrônica. É imprescindível saber fazer um exame atento de todo tipo de documentos antigos. é um enriquecimento da pesquisa etimológica se sua prática conduz a uma simbiose entre a etimologia e a História das Palavras. As exigências que a pesquisa etimológica deve cumprir O êxito de pesquisas etimológicas e a redação bem sucedida de um dicionário etimológico ou filológico dependem. 1980: 33 e 77). de cinco fatores particulares: 1. 3. a pesquisa etimológica é tanto uma ciência quanto uma arte. Para fazer seu trabalho com êxito. o desenvolvimento fonético nas línguas padrão e nos dialetos.5 O conhecimento geral do etimologista deve ser o mais amplo possível e.se for possível . além disso. ele deve dispor de um excelente conhecimento de disciplinas específicas. para extrair qualquer fragmento de informação que eles possam conter a respeito de uma determinada palavra. (cf. além disso. a presença dos conhecimentos gerais e específicos que Pfister menciona no terceiro ponto da sua lista é vista pela maioria dos etimologistas . Pfister. isso vale. também. Além disso. O etimologista hábil precisa de uma certa perspicácia e de fantasia. para os processos metafóricos e a transferência das definições lexicais correspondentes. Particularmente.

também.. foi demasiadamente excludente. a qual palavra o significado desaparecido foi acrescentado. Berlin. Pfister (1980). Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache. entre a história cultural e a pesquisa etimológica.). Bearbeitet von Elmar Seebold. O autor lembra que a menor alteração num matiz do significado de uma palavra tem seu efeito. Auflage (921 pág. Por isso. Fazendo um balanço do que se discutiu. também. suas ferramentas. conforme Walter von der Wartburg (1977). lembra que há. o autor recorre ao romanista Jud quando afirma: “[. uma participação na História Geral das Idéias que lhe foi concedido unanimemente na época dos irmãos Grimm [.] apenas uma ligação íntima entra a História Cultural e a Etimologia que. um etimologista não pode contentar-se com a observação do desaparecimento ou da aceitação de um significado..: 154). (1243 pág. 1977: 149). 2002. também. mas deve perguntar-se. Trata-se. ao lado semântico e ao contexto situacional e cultural de uma palavra. Além disso. qual é a palavra que perdeu o significado transferido (cf. para os estudos da História das Palavras.). Walter von der Wartburg (1977: 145) chama. também. Hermann. suas idéias religiosas e éticas.15 como uma condição prévia que não pode ser negligenciada. conseguirá garantir. a atenção para o fato de que a pesquisa da língua deve andar de mãos dadas com a pesquisa das coisas: “Quem pretende investigar o vocabulário de um povo deve. Wartburg. cit. Deutsches Wörterbuch.. Tübingen: Niemeyer. A comparação de dicionários diacrónicos Neste capítulo. Desse modo. especialmente. Friedrich. 24. todas as relações que esse conjunto manteve com outros grupos de palavras durante o tempo em que pertence a uma língua. sem desistir da questão da sua etimologia” (Wartburg. nomeadamente de: • PAUL. uma conexão íntima que é importante. à História das Palavras. estudar a vida inteira desse povo. seus métodos de trabalho. 10. então. . respectivamente. até então. überarbeitete und erweiterte Auflage / von Helmut Henne et al. três dicionários diacrônicos serão analisados no intuito de descobrir como essas obras contemplam a Etimologia e a História das Palavras e como os resultados dessas duas abordagens são representados nos verbetes. também. op. 5.. também. 2002. o autor constata: “que é preciso seguir as ramificações múltiplas do grupo de palavras em pesquisa e. sobre a metodologia. suas roupas e as respectivas alterações de moda”. 1980: 76). New York: Walter de Gruyter. convém ficar atento.]” (Pfister. • KLUGE. durante muito tempo. seus costumes e hábitos. sobre todas as palavras adjacentes.

no fundo. trazendo muitos benefícios para os usuários. na história das palavras. fornecer uma lista representativa do vocabulário do português desde a origem do idioma. o método menos científico. usado no presente. Palavras que caíram em desuso. apesar dos esforços heróicos do fundador e dos seus colaboradores. cit. retomam. Ainda assim. Contudo. farei referências apenas às edições mais recentes e não discutirei a questão em que medida as edições anteriores dessas obras tradicionais trataram da Etimologia e da História das Palavras. 1997. prevendo que o “Kluge” privilegia a etimologia. Somos todos pigmeus que se elevam nos ombros de gigantes. Convém mencionar. seguir as palavras do vocabulário alemão. Cunha (op. Explica-se assim. 2a ed. suas paráfrases mais felizes. com razão. no sentido da investigação da origem das palavras. mas que não pode esconder as conseqüências das imperfeições que a carência de uma tradição lexicográfica. Os dois léxicos alemães pretendem. é preciso dizer que tal propósito . quer. teoricamente. em muitos aspectos. “apenas”. enquanto o “Paul” se concentra. eles apresentam explicitamente seu respeito ao eminente trabalho lexicográfico dos lexicólogos alemães do passado. é exata e está sempre à altura da complexidade dos significados. para o trabalho lexicográfico. geralmente. Pigmei Gigantum humeris impositi plusquam ipsi Gigantes vident. A arte de redigir um verbete conciso e significativo adquire-se apenas na prática. a falta de recursos e a necessidade de fontes confiáveis podem facilmente ocasionar. às vezes. um dicionário que se destaca por uma conceituação prudente e uma cuidadosa mão de obra. contribui no aperfeiçoamento das obras. antes de tudo.não pôde ser realizado nas últimas décadas. em homenagem aos precursores. porque separa as famílias de palavras relacionadas e oculta as conexões intralingüísticas. A obra de Antônio Gerardo da Cunha. resultado das possibilidades técnicas do processamento eletrônico de dados. no entanto. como mostraremos mais adiante. No que diz respeito ao Deutsches Wörterbuch de Hermann Paul e ao Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache de Friedrich Kluge. Editora Nova Fronteira. não fazem mais parte desses dicionários. Notase que os autores dos dois dicionários alemães dominam essa prática e conseguiram desenvolver uma semântica “maleável” que.16 • CUNHA. Antônio Geraldo da. Essa clara divisão de trabalho tem implicações fundamentais nas diferentes concepções lexicográficas e. que houve um acordo prévio entre as duas equipes de pesquisadores. Infelizmente. mas surge sempre no contexto do conhecimento disponível em sua época e cultura. no seu prefácio. O indício mais óbvio desse apreço encontra-se na forma clara e sucinta dos verbetes do “Paul” que.: XI) chama. A imagem de Bernhard de Chatres e Diego de Estella vale. revistada e acrescida de 124 páginas. Rio de Janeiro. Tal procedimento representa.devido à influência desfavorável de fatores sócio-econômicos e políticos que determinam a pesquisa científica no Brasil . Todos os dicionários mencionados acima optam pela ordenação alfabética dos lemas. a . apesar da necessária brevidade. especialmente. A pesquisa científica nunca é ahistórica. Dicionário etimológico da língua portuguesa. As novas edições dos dicionários alemães são. A edição atual do “Cunha”. é um reflexo das precárias condições de trabalho que a lexicografia diacrônica experimenta diariamente nesse país. ainda.

Com efeito. certamente. 1998: prefácio do suplemento: V). devido a sua rica e abrangente documentação lexicográfica do português.17 atenção para o fato de que esse método permite um acesso rápido aos lemas e. Logo.:X). Desse modo. 1998: XIV). assim como inúmeros outros de procedência arábica ou indígena. 5. decorridos mais de 20 anos. prosaicamente. Assim sendo.: XIV). nas suas dimensões de 1985.: prefácio do suplemento: pág. o neerlandês. ao consulente. O Dicionário se apresenta como “uma obra de consulta para o grande público” (id. Ainda assim. de proporções bem mais amplas do que a presente obra” (Cunha. de fato. igualmente como os empréstimos do castelhano. “a publicação de um novo Dicionário Etimológico e Histórico da Língua Portuguesa. Infelizmente. Apesar da grande amplitude do registro. não se pode negar que. nomeadamente. vale a pena mencionar as fontes principais de Cunha: • o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa do filólogo português José Pedro Machado. do francês. “o maior número de informações úteis e atualizadas” (op. esse projeto ainda não levou a bom termo. desse modo. no anexo. o especialista em etimologia Antônio Geraldo da Cunha no prefácio do seu Dicionário etimológico. O dicionário histórico-etimológico de Antônio Geraldo da Cunha “A lexicografia histórica portuguesa ainda se encontra numa fase de lamentável atraso” (Cunha. que a publicação do seu livro representasse apenas o primeiro passo para um projeto muito mais ambicioso. cit. publicado primeiramente em 1985. os vocábulos oriundos de idiomas como o alemão. hoje. colocamos. declara. o autor admite. Onde for necessário remetemos a outros trechos citados no anexo. cit. que suas pesquisas etimológicas e históricas tiveram que investir contra uma “carência de fontes de consulta” que não lhe permitiu “assinalar com maior precisão as datas da primeira ocorrência dos milhares de vocábulos aqui estudados” (op. a amplitude do registro inclui milhares de vocábulos “do nosso patrimônio latino”. aos cientistas e leigos. o verbete sobre “pai” ou “Vater”. Para facilitar uma representação comparativa dos três dicionários. ibid. é a obra pioneira que merece um lugar de destaque apesar das inúmeras críticas que se poderiam fazer. . continua representar o único “manual de rápida e proveitosa consulta” que consegue oferecer aos professores e estudantes do português. o russo. do italiano e do inglês. cit. mas aspira a remediar “uma carência de obras similares em nosso mercado livreiro” (op. um caráter provisório. esse livro ocupa uma posição de destaque na lexicografia da língua portuguesa. facilita. V). Não faltam.1. Por esta razão e por causa das inevitáveis imposições econômicas. enfim. o manuseio da obra. o polaco ou o húngaro. e o autor adverte logo que sua obra “não pretende esgotar todo o riquíssimo acervo vocabular da portuguesa” (op.) e. o próprio autor desejou no prefácio do suplemento. cit. o sueco. na introdução. é preciso dizer que o Dicionário etimológico tem. respectivamente. o Dicionário etimológico. há poucas obras lexicográficas portuguesas a disposição dos estudiosos.: X). aos lingüistas e filólogos. apesar de todo o rigor científico.

etc. Cunha consultou o monumental Glossário luso-asiático de Sebastião Rodolfo Dalgado. o autor valeu-se também das 16. op. no tocante do vocabulário dos séculos XVII a XX. na nota introdutória do suplemento na qual o autor admite que a primeira edição “não conseguiu convencer a todos os consulentes” (op. quanto ao vocabulário do século XVI. contentaram-se “em atribuir ao século XX a data de sua provável introdução no nosso idioma” (Cunha. para o leigo. . cit.: VI). Cunha recorreu ao precioso trabalho do filólogo galego Ramón Lorenzo Sobre cronologia do vocabulário Galego-Português e ao seu monumental glossário La Traduccion gallega de la Crónica General y de la Crónica de Castilla. para as palavras portuguesas de origem asiática. O dicionário de Cunha baseia-se numa concepção lexicográfica uniforme que é apresentado por escrito na introdução da obra. refere-se a indicação da sigla e da data do textofonte que documenta o vocábulo. Todavia. esse suplemento é bem-vindo. um dia. 1858). Cunha aproveitou parte do Dicionário da Língua Portuguesa do século XVI que se baseia em 140 obras quinhentistas e cuja publicação é planejada pelo Instituto Nacional do Livro. além disso. será editada.000 fichas do Vocabulário históricocronológico do português medieval que.: XVII).: VIII) porque lhes pareceu indispensável “indicar. do supl. o autor decidiu acrescentar um suplemento que contém novos vocábulos. Cunha consultou uma coleção de dicionários editadas no século XIX.: nota introd. não encontraram um lexema dicionarizado em nenhum dos dicionários mencionados e em nenhum documento pesquisado. (cf. Aulete (1881) e Figueiredo (1899). pela fundação Casa de Rui Barbosa – órgão do Ministério de Educação e Cultura. Quando. • • • • Claro que o autor e sua equipe realizaram. A ausência dessas referências aos verbetes da primeira edição do Dicionário representa uma lamentável lacuna que o suplemento consegue suprir apenas parcialmente. 1844. apesar de todos os esforços. ficou evidente. em conseqüência. seu inevitável encarecimento. a apresentação de duas listas alfabéticas de verbetes é uma fonte de aborrecimento contínuo. 1998: XV). Para um usuário do ramo. muitas pesquisas próprias. ao lado das datas de primeira ocorrência dos vocábulos. e. talvez. Para evitar uma refundição total da obra. cit. que tanto o conceito lexicográfico quanto o conteúdo dos verbetes necessitaram de aprimoramentos. recolhidos posteriormente.18 • para o vocabulário medieval. A mais importante alteração conceitual.: nota introd. do supl. como Morais (1813. cit. Vieira (1871 – 1874). também. já na publicação da segunda edição. retrodatações para a introdução no português de milhares de vocábulos e correções etimológicas e sematológicas. Essa falha é reconhecida. para as palavras de procedência tupi e eslávica serviu-se do seu Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem tupi e do material que reuniu na sua obra Influências eslávicas na língua portuguesa. os nomes dos autores e/ou dos títulos das obras a que elas se referem” (op.

na medida em que são apresentados. lingüísticos e tipográficos permite uma segmentação funcional e posicional do conjunto de informações concretas que constituem a microestrutura dos verbetes. Foi reunido. Na nona reimpressão da segunda edição do livro. -ado. Em nosso verbete para “pai” (vide anexo). os prefixos e os sufixos ganharam um tratamento especial. Enfim. ainda. compostos e cognatos do vocábulo em epígrafe.: XIX). por exemplo. e. o sistema rigoroso de remissão permite comparar entre si numerosos verbetes “que apresentam algumas correlações de natureza etimológica e/ou de interesse histórico” (op. -inh-.. pátria. -log-. patriarca e patrício. a data provável da primeira ocorrência de cada uma das suas diferentes variantes. -dade. b) segue-se a indicação de sua classe gramatical (ou a indicação de que se trata de um elemento de composição. e -ia. contendo as obras “clássicas” mais relevantes para a lexicografia diacrônica. Após 20 anos sem revisão. ou do prefixo. como lemas. e de língua portuguesa. a falta de atualizações não pode mais passar despercebida. infixos e sufixos: a-. -fobo. Além disso. -eiro. em geral. -inho. que também não há verbetes que registrem os desenvolvimentos lingüísticos que caracterizaram o fim do século XX. uma lista de abreviaturas e de sinais convencionais. à definição e à etimologia dos derivados e compostos. por exemplo. c) o terceiro elemento de caracterização é a definição do vocábulo. e) segue-se a determinação do étimo imediato (e. As informações sobre cada vocábulo são condensadas e ordenadas hierarquicamente conforme o esquema de uma microestrutura abstrata que inclui as seguintes categorias morfossintáticas.. Parece que o “lamentável atraso da lexicografia histórica portuguesa” ainda não pôde ser superado. em particular.19 À macro-estrutura do Dicionário pertence.XIII). -eco. nas áreas das mídias. um maior número de vocábulos. num único verbete. muitas vezes reduzida a uma simples identificação semântica. ou do sufixo) [. é muito evidente que a bibliografia. é importante destacar que os elementos de composição. assim como uma lista de símbolos e valores fonéticos. das ciências e tecnologias ou de uma política cada vez mais globalizada. naqueles em que intitula o verbete. publicada em 1998.]” (Cunha. além das duas listas alfabéticas de lemas. os seus derivados. bem assim. com bastante freqüência. entre os quais se encontram os principais derivados. .. A metodologia adotada no Dicionário permite elucidar o consulente no tocante às correlações etimológicas entre vocábulos de mesma origem remota. compostos e cognatos. -o.].. 1998: XII . por exemplo. carece de registros de qualquer trabalho publicado depois de 1980. também dos étimos remotos) do vocábulo que intitula o verbete. Claro. -local. há palavras cognatas que remetem aos seguintes prefixos. semânticas e etimológico-históricas: “a) o verbete abre com o registro do vocábulo (ou do elemento de composição. Em outras palavras: o princípio da apresentação dos lemas em ordem alfabética foi relaxado onde a formação de sub-lemas e nichos semânticos (semantic niching) facilita a exibição de relações morfossemânticas entre as palavras. cit. patrão. pois tais informações seriam muitas vezes redundantes [. ar. omitiram-se ou reduziram-se ao mínimo as informações relativas à classe gramatical. O uso de elementos simbólicos. a seguir. Além disso. todos os seus compostos. o consulente pode aproveitar uma remissão às palavras padrão. em ordem alfabética na lista dos verbetes. d) registra-se. uma lista para as siglas dos textos fontes das datações no suplemento e uma pequena bibliografia. um prefixo ou um sufixo).

cada verbete indica. Desse modo. Cunha recorreu. Apesar das insuficiências mencionadas. A primeira edição do “Paul” já foi lançada em 1897 pela editora Max Niemeyer em Tübingen. o húngaro. O Deutsches Wörterbuch do ilustre professor Hermann Paul (1846 – 1921). para usar uma expressão dos irmãos Grimm. O dicionário histórico de Hermann Paul. Nessa tarefa. destaca-se que a lista não inclui documentos. folhetos. Conforme Ingrid Kuhn (1994: 7 – 8). o russo. de modo bem sucinto. Quando foi necessário. Nesse acréscimo. o neerlandês. a datação da sua primeira ocorrência. Além disso. assim como às obras especiais sobre os idiomas asiáticos e indígenas. o polaco. o desenvolvimento diacrônico dos seus significados. cuja edição mais recente desconsidera a reforma ortográfica do alemão ao seguir a ortografia tradicional. 1854: XVII). foram usados. é certo que a História das Palavras e a Etimologia são elementos fundamentais do Dicionário. sentir falta de informações fonológicas ou lingüístico-geográficas. 1998: XVIII). Contudo. Grimm. etc. chegamos à conclusão que a representação das informações é sucinta. sistemática e compreensível e que o leitor pode aproveitar o Dicionário. revistas. o corpus não pode ser visto como representativo para a linguagem corrente. a etimologia de cada um dos vocábulos estudados: “Nossa preocupação maior foi a de assinalar o étimo imediato do vocábulo português. o dicionário. a tarefa principal dos dicionários históricos é seguir o desenvolvimento das palavras nas diferentes fases da história de uma língua e representar a origem e a mudança dos seus significados. arranjado em ordem alfabética. estabelecer as suas principais vias de penetração” (Cunha. Quando dispusemos de informações mais completas.2. A estruturação diacrônica dos significados delimita-se a indicação ocasional de acepções diferentes. 5. também. bem assim. que contenham gêneros textuais não literários. Por causa dessa restrição. especialmente.20 Apesar das restrições feitas acima com respeito ao caráter provisório da obra de Cunha. como o alemão. é precedido de um registro sinóptico de categorias que reúnem . a indicação dos textos fontes ocorre apenas no suplemento da segunda edição. O objetivo da obra é oferecer ao consulente uma visão pormenorizada da estrutura semântica do alemão. O foco dos verbetes é a história das palavras. o leitor pode. “o sal e o condimento do dicionário. aos dicionários etimológicos de outras línguas. os dicionários e tratados de etimologistas da língua portuguesa e os das demais línguas românicas. Como já foi dito. quando tem perguntas sobre as palavras mais antigas. também. sem os quais sua refeição ficaria sem sabor” (cf. também aspira a uma representação sistemática da história dos significados do vocabulário alemão. bem como os do latim e do grego. especialmente. pertence. Para isso. O Dicionário focaliza a documentação do desenvolvimento cronológico das formas das palavras. a Etimologia. publicada em 2002 pela mesma editora. a décima edição. certamente. mencionamos também os étimos remotos e procuramos determinar as condições de natureza histórica que propiciaram a adoção do vocábulo em português e. além disso. a esse tipo de dicionários. as variantes morfológicas e gráficas. tem um papel importante nesse manual e representa. o sueco. a polissemia das suas formas morfológicas e as diferentes acepções com que um vocábulo se documenta na língua portuguesa. Igualmente como essa versão histórica. o búlgaro.

Paul viu. rigidamente. destaca-se que o usuário. são inseridas em diferentes verbetes. explicitamente. satisfatoriamente. consideradas. aliás. se for possível. “na consciência coletiva de um povo”. num único verbete. o “Paul“ se propõe a representar. Desse modo. nesse princípio. ao consulente.6 As palavras que não são ligadas semanticamente. apenas se as formas das palavras não são tratadas isoladamente (cf. pois os lemas nem sempre são listados.). pormenorizadamente. compete ao dicionário “representar. A obra é conceituada como um dicionário histórico que se ocupa da documentação dos significados. no discurso lexicográfico dos verbetes. um grande número de conexões com o lema principal. 1990: 185). as relações de hiponímia e heteronímia entre as palavras. não encontrará apenas as definições dos significados. Assim sendo. cit. 1990: 188). Kämper-Jensen. aos outros hipônimos relevantes (crf. Em outras palavras: o objetivo principal do dicionário é elucidar.: 196 – 199). mas são marcadas por uma seta e. o entrelaçamento múltiplo das palavras alcança. conforme o autor. um número maior de palavras derivadas. compostas e cognatas que ampliam o lema na margem direita ou esquerda. cit. Desse modo. Kämper-Jensen. além da origem da palavra e das regras da sua formação morfológica. na sua opinião. um nível extraordinário se o comparamos com outros dicionários diacrônicos. É justamente essa intenção que a estrutura dos verbetes leva em conta. Kämper-Jensen. imediatamente no início de um verbete. que o autor criticou. as múltiplas conexões que podem ser estabelecidas nos níveis micro e macro-estrutural do vocabulário. mas cujos significados são ligados etimologicamente. no primeiro plano da concepção do seu dicionário.: 186) que. o significado de uma palavra“ (op. explicitamente. Na maioria dos verbetes. ao contrário de outros dicionários históricos. mas também inúmeros exemplos concretos do uso das palavras em orações originais. os desenvolvimentos históricos da palavra pesquisada que se passaram. o que acontece. desse modo. op. mas que são aparentadas etimologicamente. na obra de Paul. ibid. por meio de conceitos gerais. Uma . uma vez que o “Paul” segue o princípio de reunir. foram. A concepção lexicográfica de Hermann Paul é resultado das suas considerações teóricas sobre as tarefas que a pesquisa de palavras tem que cumprir. esse tipo de informação é apresentado sucintamente e indica. Além disso. o motivo que levou a sua denominação.21 as palavras individuais. Não é de se admirar.cit. no inconsciente dos falantes (cf. não consiga representar. Nos verbetes do “Paul”. é comum que o verbete de um hiperônimo inclui remissões a todo o campo semântico em destaque. mas “são produtos de seres sociais que se influenciam mutuamente no decorrer de um processo histórico” (id. enquanto os verbetes dos hipônimos correspondentes fazem remissões justamente a esse hiperônimo e. a mudança semântica do vocabulário alemão. O autor sempre ressaltou que as palavras não se desenvolvem em isolação.). os processos intralingüísticos de mudança. as relações lingüísticas” que constituem. “um arranjo meramente aleatório” (KämperJensen. podem ser ligadas indiretamente. Com base nessa pressuposição. Essa impressão é confirmada quando lemos nosso verbete exemplar (vide anexo) que inclui muitas palavras derivadas e fornece. toda lexicografia diacrônica que insiste em apresentar os verbetes rigidamente conforme a ordem alfabética dos lemas. conforme a ordem alfabética. então. Paul acreditou que a pesquisa de palavras pode cumprir seu dever adequadamente. Paul coloca. desse modo. Nessa perspectiva sócio-histórica. em diferentes classes. As informações etimológicas são dadas. nos níveis fonético. no famoso dicionário histórico dos irmãos Grimm. morfossintático e semântico. op.

2002: X). depois de 1989. Aqui. já as documentações. Seu único aspecto negativo encontra-se. em itálico. visivelmente. os significados das palavras numa perspectiva histórica através de uma documentação literária que inclui. mas. a documentação de Paul baseia-se no uso literário das palavras. Com essas qualidades. Quanto às formas de palavras mais antigas. O corpus de textos-fontes deveria ter sido selecionado em conformidade com esse objetivo. há. As novidades mais importantes da edição mais recente incluem um alargamento do registro por estrangeirismos e internacionalismos. Além disso. O “guia do vocabulário” foi revistado completamente. Para poder explicar os diferentes significados de um vocábulo. Devido a sua perspectiva histórica. Em suma. pelos vocábulos da extinta República Democrática das Alemanha (RDA) e pelas palavras que surgiram na época da reunificação dos dois Estados alemães. o “Paul” facilita tanto a compreensão da literatura mais antiga. Significados que são ligados. . o arranjo tipográfico do “Paul” que é extremamente claro: os lemas principais e os sublemas são impressos em negrito. particularmente do Classicismo e do Romantismo. mas servem. intimamente. o dicionário se dirige. o significado geral antecede os significados que são específicos a certos domínios técnicos ou grupos sociais. o “Paul” deixa a impressão de uma obra completa e útil. num só volume. no fato de que as documentações levam em consideração. são marcados através de uma pontuação específica. também. também. pois os trechos citados não documentam apenas a forma em destaque. a literatura depois da Segunda Guerra Mundial.22 datação explícita dos lemas é realizada apenas a partir do século XIV. Os diferentes significados dos lemas são listados conforme a ordem cronológica. como um complemento da paráfrase semântica do vocábulo (op. especialmente. especialmente nos domínios das linguagens técnicas e científicas e na área das mídias e do uso público da palavra. mas como uma obra que pretende exaurir todas as correntes do léxico alemão e apresentar todo o acervo atual dessa língua. assim como o quadro sinóptico de categorias que precede a lista dos lemas e que classifica o vocabulário conforme critérios históricosemânticos e didáticos. foi feita uma atualização do acervo vocabular. o uso literário da palavra. se mostra mais uma vez o cuidado que os autores tiveram com a redação dos verbetes e a escolha dos exemplos. O dicionário de Hermann Paul é o único dicionário alemão que desenvolve. a partir dos primórdios do alto-alemão moderno. quanto promove uma reflexão mais profunda sobre as estruturas e as tendências do uso presente do alemão. talvez. aos professores e estudantes de língua e literatura alemãs. cit. ou seja. mas também distingue. Paul dá importância à representação do desenvolvimento que levou aos diferentes significados lexicais. a parte da documentação e a parte explicativa. onde foi possível. com o fim de elucidar as condições de natureza histórica que propiciaram o processo da formação morfológica das palavras (Paul.: XI). Muito agradável também. nos verbetes relevantes. No que diz respeito à história das palavras. conforme as novas tendências do vocabulário alemão. Tal procedimento causa uma certa parcialidade porque o Deutsches Wörterbuch não se apresenta como um dicionário da linguagem literária. Tal procedimento não facilita apenas a busca dos verbetes. “apenas”. apenas uma indicação da fase na história lingüística e a datação dos textos fontes que podem informar sobre o surgimento histórico de um determinado vocábulo.

como Cd-rom. com o conhecido rigor científico. porque muitos verbetes são divididos numa parte principal com letras em fonte . sobre a origem e a história das palavras alemãs. mas focalizam. ele representa o único dicionário histórico ou etimológico do alemão que apresenta rigorosamente. também. às vezes. especialmente. A obra clássica. Conseqüentemente. O “Kluge”. numa esquematização mais rígida da microestrutura dos verbetes. Essa oferta garante que as informações dos verbetes possam ser verificadas. para todos os lemas. Além disso. o que facilita ainda mais o seu manuseio. Os textos dos verbetes do “Kluge” caracterizam-se por um estilo sucinto que evita acumulações de materiais e sintagmas compridos e que distingue. Em comparação com edições anteriores. É verdade que esse estilo conciso pode tornar os textos. Outra vantagem desse conceito lexicográfico é que o “Kluge” se transforma em uma bibliografia resumida de trabalhos etimológicos sobre numerosos vocábulos.23 5. Essa qualidade extraordinária do dicionário sobressai ainda mais. A edição mais recente está disponível. uma data provável da sua primeira ocorrência na língua alemã. muitas formas comparativas e paralelas tanto no indo-europeu quanto nas outras línguas germânicas pré-modernas e modernas (cf. bastante incompreensíveis para os leigos8. podemos afirmar que os dicionários etimológicos pertencem ao conjunto dos dicionários históricos. Se seguirmos Ingrid Kuhn (1994). a representação da origem e da história das palavras. o novo “Kluge” desiste completamente de uma discussão de problemas que dizem respeito à história das palavras e remete o consulente no prefácio para o dicionário alemão de Hermann Paul. nas cerca de 1000 páginas da sua edição mais recente. o que aumenta ainda mais a credibilidade da obra. 2002: IX).000 verbetes. O “Kluge” volta para o tempo anterior ao médio alto-alemão até os mais antigos estados do germânico e do indo-europeu e seus verbetes oferecem.3. assim como o seu parentesco com outras línguas. então. as indicações das fontes e as explicações científicas que comprovam a etimologia de um verbete. publicada primeiramente por Friedrich Kluge em 1883. no sentido de ‘a origem das palavras’” (Kluge. claramente. Elmar Seebold. também. às principais informações etimológicas. agora. o que é certo do que é duvidoso. Além de um dicionário com cerca de 13. A diferença se encontra. suas qualidades extraordinárias se desenvolvem justamente nessa área da lexicografia diacrônica. quer ser compreendido como um manual conceituado e dedicado puramente para “a etimologia. mas produz simultaneamente uma clareza lógica que permite um acesso rápido às informações procuradas. o “Kluge” contém uma introdução à terminologia da pesquisa histórico-etimológica e uma bibliografia sobre a etimologia de língua alemã. O dicionário etimológico de Friedrich Kluge "Quem veio primeiro: a galinha ou o ovo?” – Com essa pergunta. informa seus usuários.7 Muito úteis são. antes de tudo. Essas informações têm um valor ainda maior em todos os casos nos quais a derivação etimológica de um vocábulo não é um ponto pacífico entre os especialistas de etimologia. A 24a edição do “Kluge” é resultado de uma revisão completa e uma ampliação da 21a/22a edição dessa obra. assim como numa condensação dos verbetes centrais que se delimitam. a editora Walter de Gruyter faz propaganda para a 24a edição do Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache (2002). Munske. 1990: 457). também. o organizador do dicionário etimológico ressalta que o “Kluge” está comprometido exatamente com esse objetivo.

que a obra não explica o significado e o processo de formação desses derivados e compostos. é possível separar. Em suma. Um motivo de insatisfação encontra-se na consideração dos campos semânticos e da apresentação das conexões íntimas entre os vocábulos. por exemplo. 6. No nível conceitual. é bem provável que os consulentes das três obras. na parte das remissões. Considerações finais Essa comparação de três dicionários demonstra que a Etimologia e a História das Palavras dificilmente podem ser separadas uma da outra. todas as suas qualidades boas. já merece nosso maior apreço. mesmo que o “Paul” é bem adequado para questões históricas e o “Kluge” para questões etimológicas do alemão. mas especialmente quando de trata de palavras raras ou de uma etimologia incerta. as informações destinadas ao usuário com amplo conhecimento filológico não sobrecarregam a parte principal. também. mas. diante do “lamentável atraso” da etimologia de língua portuguesa. Essa estratégia previdente não aumenta apenas a clareza. é muito importante fornecer. apenas. o “Paul” e o “Kluge” cumprem seu dever adequadamente porque decidiram. impressa com letras menores. na concepção de um dicionário diacrônico.24 grande e numa parte de remissões. o dicionário de Kluge faz essa distinção com êxito. destaca-se que esse dicionário é muito econômico quanto à indicação de derivações e de relações de parentesco. Nesse sentido. também. Desse modo. não poderão evitar a busca em outros dicionários. não pode se comparar com o “Paul” e nem com o “Kluge”. determinar os pontos principais da obra. certamente. quanto ao amadurecimento da concepção lexicográfica. em muitos casos. os compostos e derivados do lema e que. não se constitui apenas por especialistas. facilmente. 1998: XX). chama a atenção do consulente para palavras etimologicamente ou semanticamente aparentadas. mas consegue isso. . cada um. nota-se que os dicionários os quais se orientam mais na história das palavras. para a análise diacrônica dos diferentes significados e da mudança semântica do lema. uma descrição da origem. mas é inegável. nesse domínio. é evidente que faz sentido. Nota-se que o “Kluge” indica. Cunha tenta progredir “no caminho do meio”. Do outro lado. mas corresponde também às necessidades do público alvo que. não podem prescindir completamente de informações etimológicas. quis satisfazer as necessidades mais urgentes do seu público. a indicação dos textos fontes e/ou as palavras cognatas nas modernas línguas germânicas. também. Além disso. Esse esforço. Ainda que o “Cunha” resolva muitos problemas no dia-a-dia do leitor brasileiro. a seguir rigorosamente uma das orientações possíveis e desenvolver. pois sua utilidade sempre depende da pergunta para a qual o usuário está procurando uma resposta. Não há dúvida que um mestre de etimologia como Antônio Geraldo da Cunha conhece muito bem o caráter provisório da sua obra “que ainda necessita de muitas emendas” (Cunha. das informações adicionais que fornecem. no fim da parte principal. a informação essencial. Em resumo. pois. mas. por si mesmo. à confiabilidade das datações e a utilidade para o consulente. porque nem tenta responder àquelas perguntas sobre a história das palavras que se impõem ao consulente durante a leitura dos verbetes. Não há um dicionário histórico-etimológico ideal.

Tübingen: Niemeyer. In: KIRKNESS et al. Hermann. Die Prinzipien etymologischer Forschung. 1980. Dicionário de Lingüística. Hermann Pauls Wörterbuch. 10a ed.) Etymologie. KLUGE. Alan et al. Rüdiger. Friedrich. Band 1. New York: Walter de Gruyter. Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache. Eckhard. Tübingen: Niemeyer. 1991. KÜHN. Auflage (921 pág. 1998. Etymologie und Wortverwandtschaft. (ed. 1994. 120 134.129. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft.) Etymologie. 10. (ed. 1977. Zur Einführung: Von der philologischen zur metalexikographischen Beschreibung und Beurteilung des Deutschen Wörterbuches. pág. EGGERS. Rüdiger. Hermann. Aufgabe und Methode der etymologischen Forschung. pág. Berlin. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. Ingrid. 2004. Einführung in die romanische Etymologie. KIRKNESS. Indogermanische Forschungen. LEUMANN. pág. In: SCHMITT. 2002. In: SCHMITT. Manu. (ed. 177 – 199. (ed. São Paulo: Cultrix. Lexikologie: Eine Einführung. KLUGE. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. Helmut et al. DROSDOWSKI Günther. 25: 167 – 199. Jean et al.167. vii – xi. Citado conforme versão eletrônica editada por Hans-Werner Bartz et al. Tübingen: Niemeyer. Deutsches Wörterbuch. überarbeitete und erweiterte Auflage / von Helmut Henne et al.) Etymologie. LOMMEL. 92: 338 – 347. GRIMM.) Etymologie. Etymologiosches Wörterbuch des Deutschen. Rüdiger. Grundsätzliches zur etymologischen Forschung. 1977. pág. 156 . Zur etymologischen Forschung. pág. Deutsches Wörterbuch. V.). 1854. Heidrun. Frankfurt am Main: Verlag Zweitausendeins.. Zeitschrift für germanistische Linguistik. ZGL.) Studien zum Deutschen Wörterbuch von Jacob Grimm und Wilhelm Grimm. 24. DUBOIS. Friedrich. 200 – 212. Max. (eds. 1997. 1977. Jacob und Wilhelm. (ed.). Der digitale Grimm. PFISTER. 2002. 18: 185 – 200. KÄMPER-JENSEN. ZGL. Rüdiger. Zeitschrift für germanistische Linguistik. .) Etymologie. PAUL.25 Referências bibliográficas ABAEV. Bearbeitet von Elmar Seebold. Semantische Strukturen im Wortschatz – Wortfelder und Verweissystem im neuen „Paul“. HENNE. I. In: SCHMITT. In: SCHMITT. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. 1997. Rüdiger. Bedeutungsgeschichte und Aufbau unseres Wortschatzes. pág. Leipzig: Hirzel. 1977. In: SCHMITT. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. 103 . 1977. (1243 pág. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. 1990.

portanto. No ponto de vista moderno. 1977. Tradução alemã de Irene Riemer da segunda edição revistada e ampliada do original italiano. Alfred. THURNEYSEN. (ed. Elmar. Etymologisches Wörterbuch des Deutschen. In: SEILER. 261 – 276. In: SCHMITT. WARTBURG. Vittore. SCHMITT. pág. (ed. Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache.) Etymologie. Além disso.73. München: Fink. Friedrich Kluge. Wolfgang Pfeifer. nessas mudanças fonéticas. Geschichte – Fragen – Methoden. pág. Jürgen. Nach der hinterlassenen Druckvorlage mit einem Nachwort hrsg. 2 Na etimologia. Rezension: Friedrich Kluge. Wolfgang. 50 . München: DTV. 244: 297 – 310. Jürgen. Jost. München: Fink Verlag (= Structura. UNTERMANN. partículas. 1997. 1975. várias possibilidades interpretativas. Phillip. 1969. POTTHOFF-KNOTH. 1992. TRIER. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. pág. como preposições. Rudolf: Die Ertymologie: Eine akademische Rede. Oskar. Hansjakob. 93 – 116. (ed. 1977.von Hans Schwarz. 9). é preciso avaliar aqueles trabalhos etimológicos como produtos de mera especulação (cf. Sanders. de intervenções subjetivas na estrutura fonética da palavra. (ed. Willy. 1981. para cada vocábulo. 1977: 10-11). Auflage.) Etymologie. Deutsche Wortforschung. 1975. Wege der Etymologie.155. REICHMANN. Walther von. Schmitt Verlag. Besprechung: Etymologisches Wörterbuch des Deutschen. In: BAMMESBERGER. 1977. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. Anne. 7 . Grundfragen der etymologischen Forschung. Especialmente as palavras muito freqüentes.49. foi costume indicar. 1983. UNTERMANN. In: SCHMITT. durchgesehene Ausgabe der 5. Etymologie und Wortgeschichte. PFEIFER. Linguistic Workshop III. (ed. Göttingische Gelehrte Anzeigen.). Beiträge zur Geschichte der deutschen Sprache und Literatur. Ungekürzte. Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache. Zeitschrift für Dialektologie und Linguistik. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart: Metzler Verlag. (ed. Grundzüge und Wandlungen der Etymologie. Regensburg: Pustet. SEEBOLD. Arbeiten des Kölner Universalienprojekts 1974. pág.). Notas de fim 1 Trata-se. 1992. 135 . 2000. porque a mudança fonética não tem um caráter contínuo e sempre permite exceções. Rüdiger. 1977. Rüdiger. Berlin: E.26 MARTHE. Etymologien und Wortzusammenstellungen. (1665 pág. pág. Die Etymologie. In: SCHMITT. Rüdiger. 114: 116 – 132. Rüdiger.) Etymologie. verbos com um significado muito . SANDERS.) Etymologie. não se recomenda aplicar as leis fonéticas rigidamente. Das etymologische Wörterbuch: Fragen der Konzeption und Gestaltung. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft. 64/3: 350 – 353.). PISANI.

geralmente. é preciso prestar atenção. 8 Essa é a conclusão de Jürgen Untermann (1992: 116 . 1977: 201 – 202). Thurneysen.27 geral. como tarefas principais da pesquisa semasiológica. fornecem a chave para a etimologia certa (cf. aumentou a importância da semasiologia que se estabeleceu como uma disciplina auxiliar da etimologia. 4 De uma maneira geral. muitas vezes. estão sujeito. 1977: 50 – 73. Drowsdowski indica. (cf. para o conhecimento das variações dialetais que. .132) na sua resenha dos dicionários etimológicos de Kluge e Pfeifer. Drosdowski. Desse modo. antes de tudo. etc. 1980: 21 – 22). a classificação da mudança semântica conforme diferentes critérios e a derivação de regularidades no processo da mudança semântica. Drosdowski. a processos de mudança fonética que ultrapassam as leis gerais e que não podem ser sistematizadas. 5 Conforme Drosdowski. 7 Os outros dicionários alemães desistem de uma datação das palavras do médio alto alemão com uma referência ao estado catastrófico da lexicografia dessa época. Pfister. expressões idiomáticas.) 3 Nessa fase da pesquisa etimológica. a esperança de ter encontrado na aplicação das leis fonéticas uma prova segura para a derivação etimológica não se realizou (cf. 1977: 192). 6 O problema do arranjo não cronológico dos sub-lemas que trazem acréscimos na margem esquerda do lema principal é resolvido através de um registro alfabético de remissões que inclui as composições e derivações com acréscimos na margem esquerda e que se encontra no anexo do dicionário. a explicação das causas e dos tipos de mudança semântica. são os estudiosos das línguas germânicas e do indo-europeu que se encarregam desse tipo de trabalho (cf.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful