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REDUÇÃO 5

AS ESPECIFICIDADES DO
TEXTO ACADÊMICO
APRESEN TAÇÃO
Durante o trajeto de nossa vida universitária, somos constantemente
convidados a produzir alguns textos de caráter específico. Eles fazem parte
de nossa rotina como acadêmicos, pois com eles aprimoramos e aplicamos
os conhecimentos construídos ao longo de nosso curso, preparando-nos para
a profissão que escolhemos exercer. Por isso, é importante dedicarmos um
momento neste curso para nos ocuparmos deles. Assim, todo este capítulo
é voltado para o estudo dos textos acadêmicos. Iniciaremos identificando as
características deste tipo de produção, e, na sequência, passaremos a analisar
os textos acadêmicos mais solicitados nas graduações: fichamento, resumo,
resenha e paper. Vamos lá?!

Organização Reitor da Pró-Reitora do EAD Edição Gráfica


Autora
UNIASSELVI e Revisão
Elisabeth Penzlien Prof.ª Francieli Stano
Tafner Prof. Hermínio Kloch Torres Iara de Oliveira
UNIASSELVI
.05
AS ESPECIFICIDADES
DO TEXTO ACADÊMICO
1 INTRODUÇÃO
Durante o trajeto de nossa vida universitária, somos constantemente
convidados a produzir alguns textos de caráter específico. Eles fazem parte
de nossa rotina como acadêmicos, pois com eles aprimoramos e aplicamos
os conhecimentos construídos ao longo de nosso curso, preparando-nos para
a profissão que escolhemos exercer. Por isso, é importante dedicarmos um
momento neste curso para nos ocuparmos deles. Assim, todo este capítulo
é voltado para o estudo dos textos acadêmicos. Iniciaremos identificando as
características deste tipo de produção, e, na sequência, passaremos a analisar
os textos acadêmicos mais solicitados nas graduações: fichamento, resumo,
resenha e paper. Vamos lá?!

2 CARACTERÍSTICAS DO TEXTO ACADÊMICO


Vimos, nos capítulos anteriores, que para cada situação comunicativa
empregamos um determinado gênero textual. Nos ambientes acadêmicos,
além dos textos que envolvem o processo comunicativo de modo geral, são
solicitados alguns gêneros específicos, os quais se adequam ao ambiente
estudantil, aos conteúdos técnico-científicos e aos objetivos traçados durante
o processo de ensino-aprendizagem. Neles predominam as estruturas
expositivo-argumentativas, embora possamos identificar traços das demais
estruturas.

Como os textos acadêmicos são frutos de demandas técnico-científicas,


apresentam alguns traços que lhes são característicos, por isso, é muito
importante prestar atenção a eles na hora da escrita. Em primeiro lugar,
todo texto acadêmico, tal como vimos quando estudamos a linguagem
científica, deve ser claro e objetivo. Cada vez mais as universidades e os
meios de pesquisa em geral vêm solicitando produções curtas, porém com

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profundidade. Isso exige que sejamos diretos e façamos o mínimo de rodeios
para tratar do assunto. Em segundo lugar, esse é um texto que exige olhar
crítico e rigor. No meio acadêmico, lugar por excelência do desenvolvimento
da ciência, não podemos fazer afirmações que não podem ser provadas, que
não tenham consistência argumentativa.

Vale destacar, também, que como se pretende demonstrar objetividade


na escrita de um texto acadêmico, justamente para imprimir-lhe o rigor que
necessita, precisamos fazer uso de alguns recursos, um deles é o uso de 3ª
pessoa. Como estamos lidando com ciência, precisamos deixar claro que
não temos um “envolvimento emocional”, mas sim científico com o objeto
estudado. Desse modo, fazer uso da 3ª pessoa ajuda neste processo de
distanciamento e cientificidade. Veja:

Exemplo 1
A leitura do texto me mostrou que o autor não soube identificar as
características do texto acadêmico. Penso que faltou clareza na sua exposição,
não identifiquei exemplos e senti falta de exercícios que me ajudassem a
compreender as questões apresentadas.

Exemplo 2
A leitura do texto nos mostrou que o autor não soube identificar as
características do texto acadêmico. Pensamos que faltou clareza na sua
exposição, não identificamos exemplos e sentimos falta de exercícios que
nos ajudassem a compreender as questões apresentadas.

Exemplo 3
A leitura do texto mostrou que o autor não soube identificar as
características do texto acadêmico. Faltou clareza em sua exposição, não
houve como identificar exemplos e a ausência de exercícios que impediram
a compreensão das questões apresentadas.

Note que o exemplo 1, escrito em 1ª pessoa do singular (eu), tornou o texto


muito pessoal, o que comprometeu o peso dos argumentos apresentados. O
exemplo 2 fez uso da 1ª pessoa do plural, forma muito encontrada em trabalhos
acadêmicos e científicos. No entanto, embora o plural de certa forma apague
um pouco a pessoalidade, ainda não isenta o texto de uma personificação.
Já o exemplo 3, em 3ª pessoa, gera esse efeito de distanciamento do objeto.
Note que os argumentos apresentados são os mesmos do exemplo 1, no
entanto, em 3ª pessoa eles parecem adquirir mais consistência, mais peso.

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Outra característica do texto acadêmico é a originalidade. Entenda
originalidade não como ineditismo, algo que nunca foi dito antes, mas como
dizer de forma diferente, com consistência e criatividade, fazendo uso de
citações que reforcem os pontos de vista defendidos. Isso evita o uso indevido
dos textos de outros, a que conhecemos comumente por plágio.

Para facilitar nossa compreensão, um texto acadêmico deve apresentar


as seguintes características, visíveis no quadro a seguir:

QUADRO 6 – CARACTERÍSTICAS DO TEXTO ACADÊMICO

Característica Descrição
Evitar ambiguidades que gerem interpretações
inadequadas.
Clareza e objetividade Evitar linguagem rebuscada e termos técnicos
em excesso.
Evitar falta de ordem na sequência das ideias.
Usar palavras que retratem exatamente o que
Precisão
se quer dizer.
Abordar o tema de forma direta e simples.
Desenvolver as ideias de forma lógica e em uma
Comunicabilidade
sequência de continuidade.
Usar adequadamente as estruturas linguísticas.
Apresentar conteúdos apoiados em dados e
provas.
Imparcialidade Evitar opiniões.
Evitar afirmações que não estejam apoiadas em
argumentos consistentes.
Usar, preferencialmente, 3ª pessoa na construção
Impessoalidade
do texto.
Manter um padrão no uso da linguagem, das
Uniformidade
siglas, das abreviaturas, dos termos técnicos.
FONTE: Adaptado de: Medeiros (2008).

Para ilustrar o que vimos, analisemos o fragmento a seguir, trata-se da


introdução de um artigo científico:

Nos últimos anos diversos programas de treinamento físico têm sido


propostos, principalmente para a maioria da população considerada não
atletas e que procuram praticar atividades físicas de forma regular, agradável
e sem fins competitivos. Segundo Haskell et al. 1 a atividade física regular
bem planejada está associada a uma melhor saúde e qualidade de vida. Além

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disso, o treinamento físico tem sido proposto como método terapêutico
não farmacológico adequado para manutenção e prevenção de doenças
cardiovasculares 2-6.
O treinamento aeróbio não deve ser visto apenas para a preparação de
atletas de alto rendimento (níveis profissionais e semiprofissionais), e embora
os seus desempenhos e padrões físicos tenham se tornado exemplos de saúde
para os atletas amadores e para os não atletas, seus programas de treinamento
não precisam ser completamente copiados, até mesmo porque muita coisa
é intuitiva 7. Atletas têm o foco em competições e desempenhos máximos,
podendo exceder os estímulos do treinamento, tendo como consequência
lesões musculoesqueléticas prejudiciais à saúde.
Há necessidade então de cuidados para o uso de metodologias aplicadas
àquelas pessoas que querem melhorar o seu condicionamento físico para o
seu trabalho e saúde, e as recomendações incluem a dinâmica de treinamento
que envolve a manipulação da carga por meio das variáveis: intensidade,
duração e frequência de estímulos, além do tipo do exercício 1,8-9. Porém,
apesar das discussões da relação exercício e saúde e da necessidade de uma
dose-resposta apropriada, nada em relação à periodização de cargas aeróbias
tem sido sugerido para pessoas saudáveis, não atletas.
Observações empíricas sobre o planejamento e controle das sessões
de treino de atletas possibilitaram identificar que para o aumento de cargas
durante as semanas (periodização) os métodos por degrau, ou seja, com
elevação em forma de escada, e os do tipo ondulatório, ou seja, em forma de
ondas crescentes, são mais eficientes do que os métodos lineares (aumento
contínuo até o máximo e manutenção) e contínuo (sempre a mesma carga) 10-13.
Periodização de treinamento significa a subdivisão do programa sazonal
em períodos menores e ciclos de treinamento 13. A base da teoria tradicional de
periodização de treinamento inclui, entre outras coisas, uma elucidação geral
de carga e de recuperação tendo em vista o conceito de supercompensação.
Assim, uma progressão gradual, como sugerido pelo Colégio Americano de
Medicina Esportiva - ACSM 5 –, não garante que ocorram fases de estímulo e
recuperação nos microciclos (semanas), pois ela pode ser feita de forma linear,
somente com aumento da intensidade, ou permanecendo com a mesma
intensidade e/ou mesmo volume.
Esta preocupação é porque, frequentemente, os programas de atividade
física regular são iniciados sem uma dosagem adequada dos estímulos
aeróbios, não respeitando nem o princípio da sobrecarga (progressão) e
nem as próprias características individuais. Isto pode rapidamente levar a um
estado de "overtraining", ou seja, um estado de fadiga 14, e afastar o praticante
do programa de treinamento precocemente.
Apenas um trabalho foi encontrado, até o momento, em que se
considerou a influência da distribuição das cargas semanais de treinamento
no rendimento aeróbio de não atletas 15.

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A hipótese deste trabalho é que programas regulares de atividades
físicas aeróbias possam mostrar vantagens em seus resultados com uma
organização de cargas periodizadas de forma ondulatória ou crescente, ao
invés de utilizar método linear ou contínuo, potencializando os benefícios
relacionados à saúde.
Assim, o objetivo foi estudar as respostas fisiológicas em homens
saudáveis, submetidos a um programa de treinamento predominantemente
aeróbio, pela caminhada/corrida, com diferentes estruturações (distribuições
e aumentos) de intensidades na periodização, analisando e comparando os
efeitos das periodizações em relação aos parâmetros relacionadas à saúde:
composição corporal, frequência cardíaca (FC), pressão arterial sistólica (PAS)
e pressão arterial diastólica (PAD), e duplo produto (DP), em repouso, esforço
e recuperação, e consumo de oxigênio (VO2) em nível submáximo e máximo.

Obs.: Os números sobrescritos são indicativos das referências utilizadas e, no


texto original, aparecem nas notas de rodapé.

FONTE: PEREZ, Anselmo José. Efeitos de diferentes modelos de periodização do treinamento aeróbio
sobre parâmetros cardiovasculares, metabólicos e composição corporal de bombeiros militares. Rev. bras.
educ. fís. esporte, São Paulo, v. 27, n. 3, p. 363-376, set. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1807-55092013000300004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso: 30 maio 2016.

Como podemos observar, neste fragmento do artigo, identificamos as


características do texto acadêmico. Ele é claro e objetivo, apresenta de forma
pontual os dados que são relevantes para a compreensão do tema abordado,
sem exagerar nos termos técnicos. Há uma sequência adequada, expondo
questões gerais sobre o tema para, em seguida, indicar o foco do trabalho. Faz
uso de 3ª pessoa, mantendo o distanciamento necessário para este gênero
textual. É imparcial, evitando comentários e opiniões. Utiliza adequadamente
as estruturas linguísticas, fazendo uso da norma culta da língua.

Familiarizados com as características do texto acadêmico, podemos, a


partir de agora, dedicar-nos ao estudo de alguns dos textos acadêmicos mais
solicitados em nossas universidades. Iniciemos pelo fichamento.

3 O FICHAMENTO
O fichamento associa-se mais a uma técnica de trabalho individual, do
que propriamente constitui-se em um trabalho acadêmico. Embora muitos
professores o peçam, como forma de certificar-se de que os alunos efetuaram
as leituras necessárias para a compreensão do conteúdo, atribuindo-lhe uma
nota, na maioria das vezes, ele é o primeiro passo para a confecção de um
texto acadêmico. Seu propósito é sintetizar de forma documentada as ideias
mais relevantes de um texto, capítulo de livro ou livro.

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Desse modo, o fichamento, para sua elaboração adequada, exige uma ou
mais leituras atentadas do texto, sua compreensão, a identificação das ideias
principais e o registro conciso, objetivo, de tais informações. Ao ficharmos um
texto, estamos fazendo um excelente exercício de leitura e escrita, que nos
possibilitará produzir textos acadêmicos de maior porte com tranquilidade e
adequação.

Esse gênero é muito importante para a organização de informações. Dada


a quantidade de leituras que executamos para elaborar um trabalho ou uma
pesquisa, o fichamento permite acessar mais rapidamente as informações
relevantes, evitando que nos percamos em meio a um emaranhado de
informações sobre o tema que nos propomos a estudar. Também permite
assimilar mais facilmente essas informações, estabelecendo as relações
necessárias com outras informações para a construção dos argumentos
textuais.

Assim, a principal utilidade do fichamento é otimizar as leituras


realizadas nos ambientes acadêmicos, permitindo um uso mais adequado
das informações contidas nos textos em novas produções.

De acordo com Henriques e Medeiros (1999, p. 100), o fichamento


objetiva “a) identificar as obras consultadas; b) registrar o conteúdo das obras;
c) registrar as reflexões proporcionadas pelo material de leitura; d) organizar
as informações colhidas”.

Considerando sua importância para o processo de leitura e compreensão de


textos científicos, podemos identificar dois “tipos” de fichamento: a) elaborado
pelo acadêmico com o objetivo de desenvolver habilidades e competências
sobre determinado tema, otimizar a leitura e fixar assuntos de importância
para as disciplinas que solicitam este tipo de produção; b) elaborado pelo
estudante, professor ou pesquisador, quando realiza uma revisão bibliográfica
ou pesquisa, com o objetivo de reunir as informações mais relevantes para o
desenvolvimento da pesquisa. Dessa forma, podemos afirmar que o primeiro
é uma espécie de resumo que, seguindo a lógica estabelecida pelo autor do
texto, as relações por ele definidas e a sequência do conteúdo, destaca as
ideias centrais, facilitando os estudos. Já o segundo, evidencia do texto o que
pode ser relevante na pesquisa que está em desenvolvimento, ou seja, são
destacadas apenas as informações que contribuirão para o desenvolvimento
do trabalho a ser elaborado, deixando, muitas vezes, algumas ideias centrais
em segundo plano.

Em um fichamento, independente de seu propósito, devemos encontrar:


cabeçalho, referência e corpo. No cabeçalho constam informações para
identificação geral do que foi fichado, normalmente um título que permita
retomar o tema. Há casos em que há um subtítulo e, ainda, casos em que
esse título é o mesmo destinado ao texto fichado. A referência, por sua

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vez, constitui-se das informações sobre a obra em si: autor, título, local de
publicação, editora, ano, páginas (se for o caso). Normalmente adotamos o
padrão ABNT, contido na norma NBR 6023:2002, para elaborar essa parte do
fichamento. Por fim, o corpo, no qual está o conteúdo propriamente dito.

Existem vários tipos e formatos de fichamento, no entanto, em virtude


do objetivo deste caderno de estudos, apresentaremos a ficha de leitura, já
que esta é a mais solicitada como trabalho acadêmico.

Existe um tipo de fichamento com o qual temos bastante contato, como


acadêmicos, mas em virtude de não o elaborarmos, não colocamos
como item de estudo, mas deixamos como informação adicional: a ficha
catalográfica. Ela é elemento indispensável no início dos livros e em
bibliotecas porque facilita a localização do livro ou o conhecimento de
seus elementos-chave. Nela encontramos o tema abordado pelo livro e a
área em que se insere, a referência e, no caso das fichas disponíveis nas
bibliotecas, um breve indicativo sobre o conteúdo da obra e sua localização
nas estantes.

Exemplo:

FIGURA 26 – FICHA BIBLIOGRÁFICA (COMUM EM BIBLIOTECAS)

FONTE: Disponível em: <http://www.cpscetec.com.br/adistancia/pesquisa/aula3.htm>.


Acesso em: 27 maio 2016.

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FIGURA 27 – FICHA CATALOGRÁFICA

FONTE: Disponível em: <http://cultura.universia.com.br/tutoriais/


monografias/03_1.jsp>. Acesso em: 27 maio 2016.

3.1 FICHA DE LEITURA


“São assim designadas as fichas em que se registram informações
bibliográficas completas, anotações sobre tópicos da obra, citações diretas,
juízos valorativos a respeito da obra, resumo do texto, comentários” (MEDEIROS,
2008, p. 104), ou seja, seu propósito é sintetizar o conteúdo do texto lido.

Como em todo fichamento, apresentará um cabeçalho, indicando a área


e o tema, por meio de um título; a referência completa e o corpo da ficha.
Nele constará uma espécie de resumo, o qual deverá ser sucinto e objetivo,
respeitar a ordem da apresentação das ideias, usar linguagem clara, direta e
objetiva, apresentar uma sequência coerente de frases e/ou citações diretas
do texto. As orientações dadas por quem solicitou a ficha, na maioria das
vezes o docente, indicarão se no corpo se fará um resumo com as citações,
somente um resumo ou somente as citações.

É importante salientar que deve constar na frase síntese ou na citação


o número da página. Lembre-se de que a ficha também deve ajudar na
localização rápida da informação no texto original, caso seja necessário
voltar a ele.

Também é possível, dependendo da orientação do solicitador da ficha,


acrescentar um comentário sobre a obra ou ideias que foram tidas durante a
leitura. Esse tipo de inclusão permite que quando as informações contidas na
ficha sejam utilizadas na elaboração de novos textos se possa fazer relações
com outros textos e temas.

Veja alguns exemplos:

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FIGURA 28 – FICHA DE LEITURA COM RESUMO

FONTE: Disponível em: <http://www.univali.br/vida-no-campus/biblioteca/Documents/


elaboracao_de_trabalhos_academico-cientificos.pdf>. Acesso em: 27 maio 2016.

Note que no exemplo acima há o cabeçalho, indicando a área e o tema;


a referência, seguindo o padrão da norma NBR 6023:2002; e o corpo da ficha
no qual há um resumo de cada página, ou seja, neste modelo o autor fez uma
condensação das ideias, não utilizando citações.

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FIGURA 29 – FICHA DE LEITURA COM RESUMO, CITAÇÕES E COMENTÁRIOS

FONTE: A autora (2016)

No exemplo anterior podemos verificar que o fichamento nos dá uma


visão global da obra. Há um resumo, as citações mais relevantes, alguns
comentários, permitindo que possamos fazer uso das informações em novas
produções sem que necessariamente tenhamos que voltar ao texto original.
Note como isso facilita muito os estudos e a elaboração de novos trabalhos.
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Além dos fichamentos, um texto acadêmico bastante solicitado é o
resumo, por isso, vamos estudá-lo em detalhes. Vamos lá?!

4 O RESUMO
Durante nossa trajetória no meio acadêmico lemos muitos textos
técnico-científicos e como cada um deles traz uma série de dados, exemplos,
comparações, comentários etc., não é possível retermos cada palavra do
que dizem. Por isso, constantemente fazemos uso de nossas capacidades de
análise e síntese para guardar do que lemos aquilo que é essencial, o mais
importante. Esse ato consiste em identificar aquelas que são as ideias centrais
ou primárias do texto e separá-las daquelas que são informações secundárias.
A isso chamamos de resumir. Resumir é, portanto, fazer “uma redução do texto
original procurando captar suas essenciais, na progressão e no encadeamento
em que aparecem no texto” (PLATÃO; FIORIN, 2008, p. 420).

Segundo Medeiros (2008, p. 128), “resumo é uma apresentação sintética e


seletiva das ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação delas.
Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto”. Isso significa que
ao resumir um texto não podemos fazer comentários ou incluir ideias nossas
na produção. Temos que seguir fielmente as ideias do autor, na ordem como
as apresenta e mantendo as mesmas relações nelas contidas.

Para realizar esse processo, a primeira condição é que, após a leitura,


tenhamos uma compreensão total do texto a ser resumido. Somente após
a leitura cuidadosa, a compreensão plena e a análise do texto, será possível
identificar as informações as quais manteremos durante a trajetória de redução
do texto original.

Medeiros (2008, p. 128) também indica como deve ser o resumo:

Em sua elaboração, devem-se destacar quanto ao conteúdo:


• o assunto do texto;
• o objetivo do texto;
• a articulação das ideias;
• as conclusões do autor do texto objeto do resumo.
Formalmente, o redator do resumo deve atentar para alguns procedimentos:
• ser redigido em linguagem objetiva;
• evitar a repetição de frases inteiras do original;
• respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são apresentados.
Finalmente, o resumo:
• não deve apresentar juízo valorativo ou crítico (que pertencem a outro tipo
de texto, a resenha);
• deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dispensar a consulta ao original.

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Como não podemos fazer uma síntese ao mesmo tempo em que lemos
pela primeira vez o texto, o melhor é seguir alguns passos que garantem a
eficiência e eficácia do resumo. Esses procedimentos, indicados por Platão e
Fiorin (2008, p. 421), obedecem à seguinte sequência:

1. Ler uma vez o texto ininterruptamente, do começo ao fim. [...] Essa primeira
leitura deve ser feita com a preocupação de responder genericamente à
seguinte pergunta: do que trata o texto?
2. Uma segunda leitura é sempre necessária. Mas esta, com interrupções, com
o lápis na mão, para compreender melhor o significado de palavras difíceis
(se preciso, recorra ao dicionário) e para captar o sentido das frases mais
complexas (longa, com inversões, com elementos ocultos). Nessa leitura,
deve-se ter a preocupação de compreender bem o sentido das palavras
relacionais, responsáveis pelo estabelecimento das conexões (assim, isto,
isso, aquilo, aqui, lá, daí, seu, sua, ele, ela etc.)
3. Num terceiro momento, tentar fazer uma segmentação do texto em blocos
de ideias que tenham alguma unidade de significação. Ao resumir um texto
pequeno, pode-se adotar como primeiro critério de segmentação a divisão
em parágrafos. Pode ser que se encontre uma segmentação mais ajustada
que a dos parágrafos, mas como início de trabalho, o parágrafo pode ser um
bom indicador.
4. Quando se trata de um texto maior (o capítulo de um livro, por exemplo)
é conveniente adotar um critério de segmentação mais funcional, o que vai
depender de cada texto (as oposições entre os personagens, oposições de
espaço, de tempo).
5. Em seguida, com palavras abstratas e mais abrangentes, tentando-se resumir
a ideia ou as ideias centrais de cada fragmento. Dar a redação final com suas
palavras, procurando não só condensar os segmentos, mas encadeá-los na
progressão em que se sucedem no texto e estabelecer as relações entre eles.

Lembre-se de que no resumo se apresentam apenas as ideias do autor,


por isso, é importante deixar claro de quem é a autoria, fazendo uso de
expressões como: “segundo o autor”, “o autor afirma”, “de acordo com o
autor”. Como afirmam Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (2008a, p. 47),
“Um resumo é um texto sobre outro texto, de outro autor, e isso deve ficar
sempre claro, mencionando-se frequentemente o seu autor, para evitar
que o leitor tome como sendo nossas as ideias que, de fato, são do autor
do texto resumido”.

Desse modo, o resumo é um novo texto, gerado a partir do primeiro.


Sendo um novo texto, é dotado de coesão e coerência, construído com base
em uma paráfrase, ou seja, o escritor do resumo, apresenta com suas palavras
as ideias que estavam no original.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) dedica uma norma.


NBR 6028 (ABNT, 2003) para tratar do resumo. Nela o resumo é definido
como “apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento” (ABNT,
2003, p. 1) e são apresentadas três variações dele ou três tipos de resumo:
indicativo, informativo e crítico.
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a) R esumo indicativo: neste tipo de resumo há a indicação dos pontos
principais do texto original, no entanto, não constam dados quantitativos
ou qualitativos. Como ele é bastante abrangente, há a necessidade de voltar
ao texto original para obter mais informações consideradas principais.
Esses resumos são aqueles que aparecem no início de trabalhos técnico-
científicos como artigos, papers, monografias, dissertações e teses ou em
anais de eventos.

Vejamos um exemplo:

MARTINS, Olívia Maria Dourados et al. O marketing social e a promoção


de mudanças estruturais no aleitamento materno. RAE. São Paulo, n. 4, v. 54,
p. 370-380, jul-ago 2014.

RESUMO
Para avaliar as implicações práticas em relação ao comportamento do
aleitamento materno, relativamente à dimensão dos problemas estruturais no
âmbito do marketing social (1), foi desenvolvida uma investigação qualitativa
exploratória, fundamentada na perspectiva do Modelo Ecológico Social (Social
Ecological Model – SEM), por meio de entrevistas em profundidade com
consultoras e conselheiras de lactação em Portugal (2). O conteúdo dessas
entrevistas revelou algumas das principais barreiras ao aleitamento materno,
no que respeita aos problemas estruturais e no âmbito do marketing social (3).
PALAVRAS- CHAVE: Marketing social. Comportamento do aleitamento
materno. Barreiras. Modelo ecológico social. Mudanças estruturais.

Note que há uma sequência de informações que nos permite determinar


sobre o que trata o texto original. No entanto, se quisermos obter mais dados,
teremos que recorrer ao original. Este tipo de resumo, segundo a Norma 6028
(ABNT, 2003), deve apresentar o objetivo do trabalho, identificado em (1); o
método, constante em (2); e os resultados, visíveis em (3). A norma também
impõe a extensão desse tipo de resumo, indicando que deve ter:

a) de 150 a 500 palavras os de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e


outros) e relatórios técnico-científicos;
b) de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos;
c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves (ABNT, 2003, p. 2).

b) R esumo informativo: este tipo de resumo apresenta todas as ideias


principais do texto, dispensando, desse modo, a volta ao texto original. É
um tipo de resumo bastante solicitado nos ambientes acadêmicos com a
finalidade de sintetizar as leituras realizadas.

Vejamos um exemplo. Primeiro apresentamos o texto original, na


sequência, o resumo informativo realizado a partir do original.

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Definindo teoria

A palavra “teoria” vem aparecendo bastante na mídia, em parte devido


ao debate entre criacionismo e ciência. Existem usos diferentes do termo,
que acabam criando confusão. No seu uso popular, o termo descreve um
corpo de ideias ainda incerto, baseado em especulações não demonstradas.
Teoria, para muitos, significa um corpo de hipóteses esperando ainda por
confirmação. Às vezes, o uso popular do termo distancia-se ainda mais do
científico, significando ideias que são meio absurdas, fora da realidade: “Ah,
esse cara sempre foi um inventor de teorias, não sabe do que está falando”,
ou “isso aí não passa de uma teoria, provavelmente é besteira”.

Teoria em ciência significa algo completamente diferente. O termo


mais apropriado para uma ideia de caráter especulativo é hipótese, e não
teoria. Uma hipótese é justamente uma suposição ainda não provada, aceita
provisoriamente como base para investigações futuras. Por exemplo, a
panspermia é uma hipótese que sugere que a vida na Terra veio de outras
partes do cosmo. Não sabemos se está certa ou errada, mas podemos tentar
comprová-la ou refutá-la. Já uma teoria consiste na formulação de relações
ou princípios descrevendo fenômenos observados que já foi verificada, ao
menos em parte, ou seja, uma teoria não é mais uma mera hipótese, tendo
já passado por testes que confirmam suas premissas.

Quando cientistas falam de uma teoria, falam de um corpo de ideias


aceito pela comunidade científica como descrição adequada para fenômenos
observados. A confirmação é por meio de observações e experimentos, o que
cientistas chamam de método de validação empírica. Quanto mais sucesso
tem uma teoria, maior o número de fenômenos que pode descrever. Quanto
mais elegante, mais simples é.

Uma teoria de enorme sucesso em física é a teoria da gravitação universal


de Newton. Ao propor que objetos com massa exercem uma força de atração
mútua cuja intensidade cai com o inverso do quadrado da distância entre
as massas, Newton e seus sucessores foram capazes de explicar as órbitas
planetárias em torno do sol, o fenômeno das marés, a forma oblata da Terra
(achatada nos polos), o movimento de projéteis na Terra e no espaço etc.
Quando a NASA lança um foguete da Terra ou o faz colidir com um cometa,
a teoria usada no planejamento das missões é a de Newton. Testes em
laboratórios e observações astronômicas mostram que a teoria funciona
extremamente bem em distâncias que variam de décimos de milímetros
até milhões de trilhões de quilômetros, a escala em que galáxias formam
aglomerados atraídas por sua gravidade mútua.

Isso não significa que a teoria (ou qualquer outra) seja perfeita. Sabemos
que ela deixa de ser válida quando objetos estão muito próximos de estrelas
como o sol. Correções são necessárias, no caso fornecidas pela teoria da

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relatividade geral de Einstein, que, em 1916, generalizou a teoria de Newton. O
fato de teorias não serem perfeitas é fundamental para o progresso da ciência.
Caso contrário, não nos restaria nada a fazer. E é justamente aqui o lugar da
hipótese em ciência, tentando, através de ideias ainda não demonstradas,
alavancar o conhecimento, desenvolver ainda mais nossas teorias. Para
construir a teoria da relatividade, Einstein supôs que a velocidade da luz é
sempre constante e que a matéria curva o espaço. Quando isso foi confirmado,
a formulação ganhou o título de teoria. A pesquisa agora gira em torno dos
limites dessa teoria e de como pode ser melhorada.

FONTE: GLEISER, Marcelo. Folha de S. Paulo, Mais!, 2 out. 2005. Disponível em: <http://www.cursoacesso.
com.br/wp-content/uploads/LABORATORIO_REDACAO_8.pdf>. Acesso em: 30 maio 2016.

Resumo de Definindo Teoria

No texto “Definindo Teoria”, publicado na Folha de S. Paulo, Marcelo


Gleiser discutiu a popularização da palavra teoria, a qual tem o seu significado
distorcido. Pois, popularmente, o termo implicaria em hipóteses não
confirmadas, sendo basicamente ideias sem base sólida e distantes do real.
Entretanto, para a ciência, o termo adequado para uma ideia especulativa é
hipótese. Essa, segundo o autor, é uma suposição que pode ser questionada
representando uma base para estudos posteriores. Um exemplo de hipótese é
a panspermia. Para Gleiser, uma teoria apresenta princípios sobre fenômenos
confirmados já observados por cientistas formando um conjunto de ideias
aceitas cientificamente através do método de validação empírica, que as
comprovam por meio de experimentos. Uma teoria de grande êxito é a
teoria da gravitação universal de Newton, que, através de testes e estudos
astronômicos, tem comprovado a sua utilidade. Embora tenha funcionado
bem, isso não quer dizer que uma teoria não apresente falhas. Portanto, para
o autor, esse fato funciona como uma alavanca para o progresso científico
e é exatamente aí que a hipótese entra em cena, aperfeiçoando as teorias
através de novos questionamentos.

FONTE: Disponível em: <http://www.cursoacesso.com.br/wp-content/uploads/LABORATORIO_


REDACAO_8.pdf>. Acesso em: 30 maio 2016.

Observe como o resumo faz referência ao texto original, deixando claro


que as ideias são do autor do texto, não de quem redigiu o resumo. Por isso, há
expressões ao longo do resumo como “Gleiser discutiu”, “segundo o autor”, “para
Gleiser”, “para o autor”, deixando evidente de quem é a autoria das informações.
Também notamos que o resumista segue a mesma sequência de apresentação
das ideias do autor do texto. Há o questionamento da definição popular de
teoria, a apresentação de uma definição mais consistente, diferenciando teoria
de hipótese e o fechamento em que aponta para a perspectiva de que as falhas
nas teorias científicas impulsionam a ciência. Igualmente, o resumo não está

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composto por frases recortadas do original. O resumista foi parafraseando,
condensando, sintetizando. Apenas para exemplificar, no original temos “Isso
não significa que a teoria (ou qualquer outra) seja perfeita” (último parágrafo)
e no resumo a mesma ideia é apresentada como “Embora tenha funcionado
bem, isso não quer dizer que uma teoria não apresente falhas”.

A solicitação era de que o texto original fosse resumindo em no máximo


12 linhas, no entanto, textos de maior fôlego, como livros ou capítulos de
livros, terão resumos maiores. Alguns autores sugerem que o resumo equivalha
a 30% do tamanho do texto original. Dessa forma, um texto de 10 páginas
teria seu resumo em no máximo 3. No entanto, as dimensões do resumo são
normalmente definidas pelo proponente da atividade.

Diferentemente da fichamento, o resumo deve apresentar coesão e


coerência. Ele não é apenas um esboço, com frases representativas, mas
um todo dotado de sequência.

b) R esumo crítico: este último tipo de resumo contém, em sua estrutura, uma
análise crítica do texto original. Ele é conhecido como resenha e esse é o
tema de nosso próximo tópico. Vamos a ele!

5 A RESENHA
Muitas vezes, no ambiente acadêmico, somos convidados não apenas
a resumir um texto, mas fazer uma análise fundamentada dele, comparando
o que nele está apresentado com os conhecimentos que fomos construindo
e com outras leituras já feitas sobre o assunto. Essa produção textual na
qual fazemos uma síntese do texto original e apresentamos uma análise,
atribuindo-lhe um juízo valorativo, chamamos de resenha. Nas palavras de
Medeiros (2008, 146-147):

Re s e n h a é , p o r ta n to, u m re l a to m i n u c i o s o d a s p ro p r i e d a d e s d e u m
objeto, ou de suas partes constitutivas; é um tipo de redação técnica que
inclui variadas modalidades de texto: descrição, narração, dissertação.
Estruturalmente, descreve as propriedades da obra (descrição física da obra),
relata as credenciais do autor, resumo da obra, apresenta suas conclusões
e metodologia empregada, bem como expõe um quadro de referências em
que o autor se apoiou (narração) e, finalmente, apresenta uma avaliação da
obra e diz a quem a obra se destina (dissertação).

Como ficou evidente nas afirmações de Medeiros (2008), a resenha se


constitui por apresentar, de modo geral:

a) Identificação da obra (normalmente no formato da ABNT, NBR 6023:2002,

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mas pode estar como parte integrante do texto).
b) I dentificação do autor (pequena biografia intelectual).
c) R esumo da obra (ideias centrais do texto resenhado).
d) A preciação do resenhista (argumentos com os quais o resenhista faz um
parecer sobre o conteúdo do texto).

Lakatos e Marconi (1991, p. 245-246) apresentam uma estrutura de


resenha em que aparecem mais algumas questões pertinentes a este gênero
textual:

1. Informação Bibliográfica:
• Referência bibliográfica completa do texto (conforme normas da ABNT –
NBR 6023 vigente).
2. Dados sobre o(s) autor(es):
• Perfil básico (formação acadêmica e profissional).
• Principais livros publicados na área (menção da data de publicação original
da obra resenhada).
• A que corrente de pensamento o autor se filia? Que teoria apoia seu estudo?
3. Dados sobre a obra:
• Para quem é dirigida e como é organizada (requer conhecimento prévio?).
• Resumo (pontos básicos abordados, descrevendo as ideias centrais do texto.
De preferência, com as suas palavras e/ou citações indiretas);
4. Posicionamento crítico (as questões apresentadas a seguir têm o papel de
orientar a escrita):
• Valeu a pena ter lido o texto? Por quê?
• Quais as principais contribuições da obra?
• O conteúdo do texto ajuda no aprofundamento do assunto de interesse?
• Como se compara a abordagem do tema com o assunto da forma que é
apresentada pelos gramáticos? Se for o caso, podem ser feitas correlações
com as ideias/conteúdos de outros textos/autores.
• O texto alcança o que se propõe de maneira adequada?
• O texto é conciso, objetivo e claro?
• Recomendaria a leitura do livro para outros colegas? Por quê?
• O texto ajuda a entender melhor o conteúdo da disciplina?

Para que compreendamos melhor essas definições e caracterizações,


vejamos um exemplo de resenha.

Estadista de mitra

Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc


dá ênfase à atuação política do papa

Ivan Ângelo

1 Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único
não italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista?
Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há
dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as

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questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a
perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a
opção da igreja pelos pobres; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos
com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da
mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social,
especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das
figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos
80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra
o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas
da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?
2 O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução
de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa;
Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos
com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente
internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu
com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou
dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil,
datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira
(não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano
em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o
viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus
colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com frequência aqueles ganchos
e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu
objetivo como um míssil e atinge o alvo.
3 Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso,
autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem
uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que
prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco...
Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de
aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".
4 O pus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo
II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente
e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava
os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento,
descreve sua brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância,
aos seus tempos de goleiro no time do ginásio "um mau goleiro", dirá mais
tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu
ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência
de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II
daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e
cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse
primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas
posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades
eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação
na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com

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sua luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo
mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo
contraceptivo" dos EUA e da ONU.
5 Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um
assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-
sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de
favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia
um prato desses.
6 Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que
João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou
a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a
Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador,
monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o
direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos
Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano),
reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida,
apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade.
Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev,
abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev
reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos
teria sido impossível sem a presença deste papa".
7 Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões
cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração,
na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano
chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno
religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja.
Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o
desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores,
tem-se uma tese.
8 O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso.
Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados,
devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e
que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.

FONTE: Disponível em: <http://pucrs.br/gpt/resenha.php>. Acesso em: 30 maio 2016.

Observe que o parágrafo 1 se dedica a fazer uma breve introdução,


chamando a atenção para a temática que será desenvolvida no texto original
e na avaliação do resenhista. O parágrafo 2 apresenta uma identificação de
obra e do seu autor. O parágrafo 3 já traz alguns comentários do resenhista
sobre o ponto de vista adotado pelo autor do livro. O 4 faz um resumo da
obra. Os parágrafos de 5 a 8 tecem uma apreciação da obra, mostrando o
julgamento do resenhista.

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Vale destacar que a resenha também tem um apelo mercadológico, uma
vez que pode ser utilizada para influenciar as pessoas a comprarem ou
não o objeto resenhado.

Notamos, também, ao observar o exemplo, que há a voz do resenhista,


evidenciada nos parágrafos em que ocorre a apreciação da obra (3, 5, 6, 7, 8),
mas também a voz do autor do livro, que se faz presente principalmente no
parágrafo 4. Esses dois momentos são visíveis e claros no texto, fazendo o leitor
identificar de forma transparente quem fala o quê no texto. Tal procedimento
é de extrema importância na resenha e necessita ser realizado com cuidado
e atenção. Sobre isso afirmam Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (2008b, p.
55):

Como no caso do resumo, a resenha é um texto sobre outro texto, de outro


autor. Assim, é natural que haja menções ao texto original, o que, no caso da
resenha, vem acompanhado de comentários feitos pelo resenhista. Porém,
deve-se tomar cuidado ao fazer essas menções para que o que foi dito pelo
resenhista e o que foi dito pelo autor do texto original fiquem absolutamente
claros para o leitor.

Já vimos, até o momento, o fichamento, o resumo e a resenha. Resta-


nos conhecer um pouco mais sobre o paper, outro texto bastante solicitado
nos ambientes acadêmicos. Em frente!

6 O PAPER
O paper também é denominado de Position Paper ou Posicionamento
Pessoal e pode ser considerado como um pequeno artigo no qual se discute
um assunto pré-determinado e de relevância acadêmica.

Sua elaboração consiste na discussão e divulgação de ideias, fatos, situações,


métodos, técnicas, processos ou resultados de pesquisas científicas
(bibliográfica, documental, experimental ou de campo), relacionadas a
assuntos pertinentes a uma área de estudo (QUEIROZ, 2014, p. 21).

No ambiente acadêmico, o paper objetiva possibilitar o aprofundamento


de um tema, fazendo uso da linguagem técnico-científica e da estrutura
própria a este gênero textual. Essa produção também desenvolve a capacidade
crítico-analítica. Desse modo, é uma poderosa ferramenta para a construção
dos conhecimentos técnico-científico-profissionais.

Sua elaboração exige que se observem aspectos estruturais e de conteúdo.

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Antes de começar a escrever o artigo, é preciso que o autor primeiro reúna as
informações e conhecimentos necessários por meio de livros, revistas, artigos
e outros documentos de valor científico. Em seguida, deve-se organizar um
esqueleto ou roteiro básico das ideias, iniciando com a apresentação geral
do assunto e dos propósitos do artigo, seguidos da indicação das partes
principais do tema e suas subdivisões e, por fim, destacando os aspectos a
serem enfatizados no trabalho (QUEIROZ, 2014, p. 22).

O autor destaca, portanto, que é preciso fazer leituras, de variadas fontes,


que permitam ter uma visão consistente do assunto a ser abordado. Além
disso, é muito importante planejar o paper, criar uma espécie de roteiro ou
esquema que indique quais ideias serão expostas e a melhor sequência para
sua apresentação.

Já, no que tange à estrutura, por tratar-se de um artigo em menores


proporções, observa a estrutura deste. Dessa forma, o paper apresenta:

a) T ítulo: identificação clara do assunto abordado.


b) I dentificação do autor (nome e formação acadêmica).
c) R esumo: síntese contendo objetivo geral, método e principais resultados.
d) P alavras-chave: 3 a 5 termos que identifiquem o trabalho desenvolvido.
e) Introdução: apresentação do tema, justificativa e relevância do estudo,
objetivo geral, metodologia empregada.
f) Desenvolvimento: texto propriamente dito, apresentando as ideias, os
argumentos, os exemplos, as comparações, as relações etc., fazendo uso
de citações diretas e/ou indiretas quando for necessário.
g) C onsiderações finais: retomada das informações de maior destaque no
texto, fechamento.
h) R eferências: obras utilizadas no processo de elaboração do texto.

Note que a diferença entre paper e artigo está nas dimensões menores
do primeiro (menos páginas). Também há a perspectiva de que o artigo aborda
com mais fôlego o tema, trazendo mais referências e dados. No entanto, em
termos estruturais seguem os mesmos princípios.

Todos os gêneros mencionados neste capítulo são frequentes no


ambiente acadêmico e são excelentes auxiliares para a compreensão dos
textos científicos lidos e para a construção de nossos conhecimentos. Por
isso, é importante atentarmos para sua elaboração, respeitando a estrutura e
a finalidade de cada um deles.

Por fim, esperamos que as informações contidas neste caderno tenham-


no ajudado a aprimorar suas habilidades e competências de leitura e escrita,
contribuindo, desse modo, para sua formação científica, profissional e pessoal.
Sucesso!

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RESUMO
Neste capítulo vimos:

• O texto acadêmico apresenta como características:


 Objetividade.
 Clareza.
 Precisão.
 Imparcialidade.
 Impessoalidade.
 Uniformidade.
• Em ambientes acadêmicos, são comuns as produções de:
 Fichamento: síntese das ideias centrais de um texto. Normalmente
apresenta cabeçalho, referência e corpo.
 Resumo: apresentação das ideias principais de um texto, obedecendo à
sequência e às relações entre informações estabelecidas nele.
 A ABNT apresenta três tipos de resumo:
• Indicativo: exposição de pontos-chave de um texto, havendo a necessidade
de retomar o texto original para obter mais informações. Apresenta,
normalmente, objetivo geral, método, resultados.
• Informativo: apresentação das ideias principais de um texto, não havendo
necessidade de retomar o original.
• Crítico: síntese de um texto com uma apreciação sobre ele. Também
chamado de resenha.
ᵒ Resenha: texto no qual há uma síntese do texto original e uma apreciação
dele, uma avaliação sobre ele. Apresenta identificação da obra, identificação
do autor da obra, resumo e apreciação realizada pelo resenhista.
 Paper: artigo em proporções reduzidas que aborda e discute um tema
pré-estabelecido e de relevância acadêmica.

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AUTOATIVIDADE
1 O resumo é um exercício que combina a capacidade de síntese e a
objetividade. É um texto que apresenta as ideias ou fatos essenciais
desenvolvidos num outro texto, expondo-os de um modo abreviado e
respeitando a ordem pela qual surgem. Resumir um texto é condensar as
ideias principais, respeitando o sentido, a estrutura e o tipo de enunciação,
isto é, os tempos e as pessoas, com ajuda do vocabulário de cada um. É,
assim, apresentar um raciocínio objetivamente, escolher o essencial dos
dados de um problema, as características de uma situação, as conclusões
de uma análise, sem nenhum comentário.

FONTE: Disponível em: <http://portuguesonline.no.sapo.pt/resumo.htm>. Acesso em: 30 maio 2016.

Levando em consideração o texto acima, observe as seguintes afirmações:


I. O resumo de textos é entendido como a reprodução, sob forma de paráfrase,
das ideias ou dados essenciais contidos em determinado texto.
II. O resumo apresenta as ideias centrais do texto, na ordem escolhida pelo
resumista, sem a preocupação de observar as regras de coesão e coerência.
III. O resumo é uma síntese objetiva dos elementos essenciais e nunca uma
reprodução ou colagem de frases ou partes de frases do texto original.

Está(ão) CORRETA(S):
a) ( ) Apenas I e II.
b) ( ) Apenas II e III.
c) ( ) Apenas I.
d) ( ) Apenas I e III.
e) ( ) I, II, III.

2 R esenha é, segundo o dicionário (FERREIRA, 1996), uma "apreciação breve


de um livro ou de um escrito". A definição do dicionário pode ser dividida
em três partes, que devem servir de orientação para que se possa entender
o que é uma resenha. A primeira parte está representada pela palavra
"apreciação"; a segunda parte é a que concerne ao adjetivo "breve"; e a
terceira e última parte diz respeito ao sintagma "de um livro ou de um
escrito". O primeiro elemento a ser destacado nas resenhas é o fato de
que tratam, todas elas, de uma apreciação. O segundo elemento presente
na definição é o adjetivo "breve". A resenha é um texto rápido, pequeno.
Por fim, a definição apresenta um terceiro elemento, a expressão "de um
livro ou de um escrito". Este é um ponto controverso, porque o uso normal
das resenhas ultrapassa muito o texto escrito. É extremamente comum
encontrarmos hoje nos jornais resenhas de discos e filmes. O objeto da
resenha não é, portanto, apenas um texto escrito. Em princípio, qualquer
objeto é passível de uma apreciação nos moldes de uma resenha.

FONTE: Disponível em: <http://www.unifra.br/professores/SIBILA/RESENHA.doc.>. Acesso em: 30 maio 2016.

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Com base no que foi apresentado, observe as afirmações:
I. Toda resenha deve conter uma síntese, um resumo do texto resenhado,
com a apresentação das principais ideias do autor.
II. Toda resenha deve conter uma análise aprofundada de pelo menos um
ponto relevante do texto, escolhido pelo resenhista.
III. Toda resenha deve conter um julgamento do texto, feito a partir da análise
empreendida pelo resenhista de um ou mais pontos relevantes do texto.

Está(ão) CORRETA(S):
a) ( ) Apenas I e II.
b) ( ) Apenas II e III.
c) ( ) Apenas I e III.
d) ( ) Apenas II.
e) ( ) I, II, III.

3 Ainda com base na breve exposição da questão 2, pode-se afirmar que a


finalidade da resenha é:

a) ( ) Apresentar uma dada obra, avaliando sua qualidade e sua relevância.


b) ( ) Resumir uma obra, expondo as ideias gerais na sequência em que
aparecem no original.
c) ( ) Apresentar uma dada obra sem emitir qualquer posicionamento.
d) ( ) Apresentar uma obra sem influenciar o leitor quanto à qualidade do
texto.
e) ( ) Destacar o autor e sua trajetória acadêmico-intelectual.

4 L eia o texto que segue:

Um amigo me disse:
– Não guarde nada para uma ocasião especial. Cada dia que se vive é
uma ocasião especial.
Ainda estou pensando nestas palavras... já mudaram minha vida. Agora
estou lendo mais e limpando menos. Sento-me no terraço e admiro a vista sem
preocupar-me com as pragas. Passo mais tempo com minha família e menos
tempo no trabalho. Compreendi que a vida deve ser uma fonte de experiência
a desfrutar, não para sobreviver. Já não guardo nada. Uso meus copos de cristal
todos os dias. Coloco uma roupa nova para ir ao supermercado, se me der
vontade. Já não guardo meu melhor perfume para ocasiões especiais, uso-o
quando tenho vontade. (mensagem distribuída por e-mail).

Indique a alternativa que apresenta o melhor resumo do texto:


a) ( ) O autor fala que um amigo lhe disse que é importante aproveitar bem
a vida e conta também que faz tudo diferente pensando nas palavras do
amigo. Agora ele não guarda perfumes nem roupas para ocasiões especiais.

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b) ( ) O autor relata o que um amigo lhe disse e mostra como as palavras
deste influenciaram sua vida, enumerando diversas ações de seu cotidiano
que ele realiza de forma diferente.
c) ( ) Um amigo disse que não se deve guardar nada e isso mudou minha
vida, pois estou lendo mais, sento-me no terraço, passo mais tempo com
minha família e já não guardo nada. Uso meus copos de cristal, coloco uma
roupa nova, já não guardo meu melhor perfume.
d) ( ) Um amigo disse que cada dia é uma ocasião especial, por isso agora
estou lendo mais, sento-me no terraço e admiro a vista sem preocupar-
me com as pragas, passo mais tempo com minha família e menos tempo
no trabalho. Compreendi que a vida deve ser uma fonte de experiência a
desfrutar, não para sobreviver.
e) ( ) Um amigo afirma que se deve aproveitar a vida ao máximo, conselho
que venho seguindo, uma vez que o realmente importante são as amizades
e o bem que distribuímos aos que estão a nossa volta. Entendi que é preciso
dar o bem se quisermos receber o bem.

5 Sobre o fichamento, observe as seguintes afirmações, indicando se são


verdadeiras ou falsas:

( ) É um texto, portanto, deve apresentar coesão e coerência.


( ) Pode apresentar um resumo ou apenas citações.
( ) Deve apresentar a referência da obra fichada.
( ) Deve conter uma breve biografia do autor da obra fichada.

A sequência correta é:
a) ( ) V, F, F, V.
b) ( ) F, V, F, F.
c) ( ) F, V, V, F.
d) ( ) V, F, V, F.
e) ( ) F, V, F, V.

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REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6028:
informação e documentação: resumo: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

HENRIQUES, A.; MEDEIROS, J.B. Metodologia e técnicas de pesquisa, da


escolha do assunto à apresentação gráfica. Trabalho de conclusão
de curso. Monografia no curso de Direito. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de


metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1991.

MACHADO, Anna Rachel (Coord.); LOUSADA, Eliane; ABREU-TARDELLI,


Lília Santos. Resumo. 6. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2008a. (Leitura e
produção de textos técnicos e acadêmicos, 1).

_____. Resenha. 5. reimp. São Paulo: Parábola Editorial, 2008b. (Leitura e


produção de textos técnicos e acadêmicos, 2).

MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos,


resumos, resenhas. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

PLATÃO, Francisco S.; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e
redação. 17. ed. São Paulo: Ática, 2008.

QUEIROZ, Francisco Alves de. Dicas para se fazer resumos, fichamentos,


seminários, resenhas e papers. Feira de Santana, 2014. Disponível em:
<http://franciscoqueiroz.com.br/portal/phocadownload/manual%20
metodologico.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2016.

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GABARITO
1D

2E

3A

4B

5C

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