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UNIVERSIDADE

FEDERAL DO RIO DE JANEIRO


Curso de Licenciatura em Música
DIDÁTICA DA MÚSICA I - PROF. RODRIGO S. BATALHA

Por que e para que o ensino de música?
Citações selecionadas

“Por que a música é importante? Por que toda criança deveria estudar música na escola? Quase
todos que têm contribuído para o pensamento educacional, desde Platão, concordam que a música
deveria ser parte integral da educação básica de todas as pessoas. Então, por que nós ainda estamos
tentando responder a essas questões? É porque algumas pessoas veem a música não como um
objeto sério de estudo, mas meramente uma forma de entretenimento. Alguns outros acreditam
que ela pode ser aprendida bem o suficiente fora da escola. Ainda, há quem perceba valor na
música, mas simplesmente não a considera como uma prioridade” (LEHMAN, 2003, s/p).
LEHMAN, P. Why study music in school? In: The Argonaut: An arts education, advocacy database for teachers,
parents, students and business. 2003. (Trad.: Batalha, R.). Disponível em
<http://www.oocities.org/theargonautca/whystudymusicinschool> Acesso: 04/04/2008

“A falta de compreensão sobre o que é educação musical, o quê ela aborda e como o faz, é uma
das principais causas da dificuldade que se tem em justificar sua presença na educação formal
básica do indivíduo” (COUTO; SANTOS, 2009, p. 111, grifo no original).
COUTO, Ana Carolina Nunes; SANTOS, Israel Rodrigues Souza. Por que vamos ensinar Música na escola? Reflexões
sobre conceitos, funções e valores da Educação Musical Escolar. Opus, Goiânia, v. 15, n. 1, p. 110-125, jun. 2009.

“... a música pode acentuar o perfil de uma escola, faculdade ou outra organização. A música pode
ser agradável, pode manter as pessoas afastadas das ruas, pode gerar empregos, pode engrandecer
eventos sociais. Mas, por si só, essas razões não são suficientes para justificar a música no sistema
educacional” (SWANWICK, 2003, p. 18).

“A utilização da música apenas como apoio a determinadas funções sociais não propicia o seu
desenvolvimento enquanto linguagem simbólica” (SWANWICK, 2003, p. 54).

SWANWICK, K. (1999). Ensinando música musicalmente (Teaching music musically). Tradução: A. Oliveira e C.
Tourinho. São Paulo: Moderna, 2003.

“Por um lado, predomina a idéia de que a arte, seja na sua criação ou no seu consumo, é uma
atividade aristocrática, portanto fora das possibilidades da multidão que precisa trabalhar para
viver; por outro, o acesso aos valores estéticos obedece a leis misteriosas e quase sagradas,
baseadas no dom gratuito, inato, fortuito. Eis uma dupla razão para que a escola atribua ao trabalho
artístico uma importância apenas secundária ou indireta” (PORCHER, 1982 apud LOUREIRO,
2001, p. 117).
LOUREIRO, A. O ensino da música na escola fundamental: um estudo exploratório. Dissertação (Mestrado em
Educação – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) Belo Horizonte, 2001.
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Curso de Licenciatura em Música
DIDÁTICA DA MÚSICA I - PROF. RODRIGO S. BATALHA

“[T]rês professoras foram solicitadas a responder por que consideravam importante ensinar música
nas escolas ou, em outras palavras, a justificar a presença da música nos currículos escolares. Foi
comum o argumento de que a música favorece o desenvolvimento de uma série de aspectos da
vida dos alunos, como a sensibilidade e os sentimentos, a personalidade, a motricidade e aspectos
físicos, o raciocínio e a vida psíquica. [...] O favorecimento ou desenvolvimento de todos os
aspectos mencionados não parece ser algo a ser realizado somente pela música, já que eles não se
referem a quaisquer peculiaridades da música como domínio especializado” (DEL BEN;
HENTSCHKE, 2003, p. 183).
DEL BEN, L; HENTSCHKE, L. Ensino de música: propostas para pensar e agir em sala de aula. São Paulo:
Moderna, 2003.

“Um dos motivos que pode estar fundamentando as justificativas das professoras é a idéia de que
a educação musical escolar deveria servir a algum fim que não ela própria. Dito de outra forma, as
atividades educativo- musicais deveriam conduzir ao desenvolvimento de algo diferente da própria
música; deveriam ser meio e não fim (Sparshott, 1980, p. 58).” (SOUZA et al., 2002, p. 70).
SOUZA, J.; HENTSCHKE, L.; OLIVEIRA, A.; DEL BEN, L.; MATEIRO, T. O que faz a música na escola?:
concepções e vivências de professores do ensino fundamental. Porto Alegre: Programa de Pós-Graduação em
Música, 2002. (Série Estudos n. 6).

“A música pode ajudar a promover, por exemplo, a sociabilidade, a graça, o êxtase, o fervor
político ou religioso, ou ainda a sexualidade. Porém, em si mesma, a música é fundamentalmente
amoral. Não é boa nem ruim e também não existem evidências conclusivas, relacionando o caráter
humano a preferências estéticas” (SCHAFER, 1991, p. 294).
SCHAFER, R. M. O ouvido pensante. São Paulo: Ed. UNESP, 1991.