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30/04/2019 O enigma de Foucault: a Revolução Iraniana

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O enigma de Foucault: a Revolução


Iraniana
29 DE ABRIL DE 2019 · FRANCISCO CORRÊA

Michel Foucault já se viu no centro de uma enorme controvérsia a respeito de sua


relação com a Revolução Iraniana. Foi acusado de ertar com o obscurantismo e
de ser condescendente com a teocracia dos aiatolás. A publicação de entrevistas
do lósofo sobre o tema, inéditas em português, pode jogar luz sobre a questão.
Francisco Corrêa discute a extensão e os detalhes dessa relação conturbada.

Michel Foucault, O Enigma da Revolta: entrevistas inéditas sobre a Revolução


Iraniana (n-1 editora, 2019).

A
Revolução Iraniana permanece um grande e desconhecido domínio
para o público leitor brasileiro. Comparativamente aos
acontecimentos que ocasionaram o nascimento da República
Iraniana em 1979, há um grande dé cit de escritos a respeito, seja
de autores brasileiros, seja de estrangeiros. Tome-se, por exemplo, Ervand
Abrahamian – não há sequer uma única obra traduzida para o português desse
que é o mais notável historiador iraniano de sua geração. Essa carência de
publicações, juntamente a uma generosa dose de orientalismo, se re ete,
inclusive, entre o público que se supõe mais bem informado sobre o Irã e o assim
chamado “Oriente Médio” (nomeadamente, leitores habituais de periódicos).

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Nesse imaginário coletivo pleno de lacunas, o Irã é o país dos aiatolás, das
ambições nucleares, do discurso virulento anti-Estados Unidos – um construto de
décadas de jornalismo e discurso político que fez com que “xiita” persistisse como
sinônimo particularmente pejorativo (e decerto preconceituoso) de “fanático” ou
“extremista”. Mas, nesse mesmo imaginário, o Irã é também o país das paisagens
das lentes poéticas de Abbas Kiarostami, e de recentes reportagens turísticas que
tentam romper com uma imagem estereotipada do país. Entretanto, costumam
recair no mesmo orientalismo de sempre. Nada se fala para além disso. Quem foi
Ali Shariati, intelectual de esquerda (porém anti-marxista), tido como um dos pais
da de agração do processo revolucionário no país? Ou Mehdi Bazargan, outro
notável e moderado primeiro ministro indicado pelo Aiatolá Khomeini, ndo o
governo do Xá Reza Pahlevi?

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Michel Foucault em frente a protesto em apoio a


trabalhadores imigrantes, Paris, 1973 (Foto original © Gilles
Peress)

Não se deve esperar resposta extensa alguma quanto a essas questões em O


Enigma da Revolta: entrevistas inéditas sobre a Revolução Iraniana, de Michel
Foucault, com organização, tradução e apresentação de Lorena Balbino, e um
extenso ensaio de Christian Laval fazendo as vezes de posfácio. A bem dizer, o
livro não trata propriamente da Revolução Iraniana, mas do engajamento de
Foucault com ela. Mais que isso, consiste em uma resposta do lósofo – bem
como de Laval, em ensaio elogioso em defesa de Foucault – às críticas suscitadas
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sobre seu apoio à revolução. Tais críticas advinham sobretudo de certa esquerda
francesa, parte da qual é alvo de algumas das palavras mais cortantes de
Foucault ao longo de sua obra, e exceção não é feita aqui.

O principal do livro consiste em duas entrevistas inéditas em português: uma


publicada apenas em 2013, em árabe, e outra parcialmente em 2018, em uma
revista francesa. As entrevistas não foram publicadas em Ditos e Escritos (1994),
portanto, e guram aqui em toda sua riqueza de conteúdo. No livro, contamos
com a transcrição inclusive de trechos que Foucault pediu que fossem
suprimidos, pois não estariam su cientemente claros ou bem desenvolvidos
pelos critérios do lósofo: tudo isso apropriadamente indicado, fruto do
excelente trabalho de Lorena Balbino, que também incluiu generosas notas que
muito ajudam àqueles que estiverem pouco familiarizados com o tema.

· · ·

Mas de onde veio essa peculiar ligação de Foucault com a Revolução Iraniana?
Michel Foucault esteve no Irã durante dois breves períodos – de 16 a 24 de
setembro de 1978 e de 9 a 15 de novembro do mesmo ano. Durante esse
período, o pensador serviu como repórter do jornal italiano Corriere dela Sera,
especi camente para tratar da crescente revolta que lhe fascinava. Essas duas
breves estadas de Foucault coincidiram com pontos de máxima tensão logo antes
da queda do Xá, em janeiro de 1979, que encerrou 2.500 anos de ordem
monárquica sobre aquele território. No primeiro período, Foucault chegara ao Irã
apenas dois dias após a chamada Sexta-Feira Negra, na qual em torno de 80
manifestantes sucumbiram aos disparos de metralhadora das forças da
monarquia. A primeira entrevista do livro foi feita ao nal de 1978, em data não
indicada, para o periódico Le Nouvel Observateur; a segunda, concedida ao
acadêmico e jornalista libanês Farès Sassine em agosto de 1979, com a Revolução
Iraniana encaminhando-se para sua consolidação. O país era tutelado pelo
aiatolá Khomeini e tinha Mehdi Bazargan como primeiro ministro. Entre as duas
estadas, Foucault conheceu pessoalmente Khomeini, quando o líder iraniano
ainda estava exilado nos arredores de Paris. Logo depois das publicações no
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Corriere dela Sera, o lósofo foi acusado de ser condescendente com os


teocratas e de ertar com o obscurantismo. A posição na qual o intelectual se
encontrava não era das mais confortáveis: tendo se afastado do Partido
Comunista Francês alegando insuportável antissemitismo e homofobia, viu seu
nome relacionado, durante bom tempo, a um regime autoritário que punia (e
pune) com pena capital os homossexuais e cuja aberta oposição ao Estado de
Israel não raro é acompanhada de antissemitismo manifesto. Como Foucault
chegou ao Irã é algo que remonta a acontecimentos no país a partir do ano de
1963.

Nesse ano, o Xá Reza Pahlevi iniciou o que denominara de “Revolução Branca”,


porque presumidamente pací ca. Tratava-se de um processo em marcha forçada
de modernização e ocidentalização – se é que no caso seria possível falar das
duas coisas separadamente. Ao nacionalismo que fazia uso de simbologia persa
em detrimento de referências islâmicas, o Xá conjugou um alinhamento pró-
ocidente especi camente americanó lo. Era uma ditadura atroz, que contava
com uma temida polícia secreta – a SAVAK, de inegável proximidade com a CIA –
para reprimir dissidências políticas: de movimentos em defesa da democracia
liberal a teocratas islâmicos conservadores, passando por diversos matizes de
esquerda.

Encarceramento, tortura e exílios multiplicavam-se sob a monarquia. Ao mesmo


tempo que a economia iraniana crescia, aprofundava-se a desigualdade entre
camponeses despossuídos que migravam para centros urbanos e uma elite cada
vez mais ostensivamente ocidentalizada. Nesse ambiente aparentemente fértil
para a esquerda marxista, intelectuais laicos e religiosos, acadêmicos e clérigos,
começaram a despontar como guras políticas importantes. Um deles era Ali
Shariati, sociólogo professor em Teerã, muçulmano devoto e defensor de uma
interpretação revolucionária do islamismo xiita: à esquerda, porém defendendo
uma sociedade baseada em “valores islâmicos”.

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Shariati era leitor de Frantz Fanon – fora, inclusive, tradutor de diversas de suas
obras para o farsi. Saiu em defesa dos marxistas iranianos por sua preocupação
com a desigualdade – considerava, entretanto, o marxismo uma “falácia
ocidental”, incapaz de responder à altura dos anseios do povo iraniano. Seu
ideário pós-colonialista e anti-imperialista disseminou-se, foi interpretado e
reinterpretado, apropriado e reapropriado em diversos círculos intelectuais e
políticos iranianos, por vezes inadvertidamente. Em 1977, o país vivia um período
de relativa e duradoura prosperidade, e a economia encontrava-se aquecida com
a elevação do preço global do petróleo. Juntamente, o crescimento da in ação
di cultava a vida dos iranianos mais pobres. Uma série de protestos e atos de
desobediência civil de diferentes grupos – incluindo marxistas revolucionários –
começou a se alastrar pelo país, contestando o autoritarismo e a censura do Xá e
pedindo respostas rmes aos crescentes problemas sociais. Shariati estivera
preso duas vezes durante a ditadura de Pahlevi, a última delas por um ano e
meio em solitária. Findo o seu encarceramento, Shariati exilou-se na Inglaterra.
Pouco tempo depois, morreu em Southampton após ataque cardíaco, suscitando
inclusive teorias conspiratórias sobre seu falecimento precoce durante um
período tão conturbado. A repressão e as prisões iranianas já eram conhecidas
por Foucault devido ao seu ativismo na área, e a rápida mudança de ânimos, que
levou en m à revolução, lhe causara fascínio.

A revolta contra e a impopularidade da ditadura de Reza Pahlevi cresceriam


rapidamente na mesma medida da repressão. Em meados de 1979, vendo seu
governo se tornar completamente insustentável, o Xá vai para o exílio. Khomeini,
por sua vez, volta do exílio no início de fevereiro, sendo recebido por 5 milhões
de pessoas em Teerã.

Imediatamente após seu retorno, Khomeini aponta Mehdi Bazargan como


Primeiro-Ministro do governo interino. Bazargan era um engenheiro de
formação, muçulmano devoto, e um dos intelectuais mais respeitados do Irã.
Preso diversas vezes por seu ativismo político durante o período ditatorial
precedente, Bazargan foi, durante toda a sua participação na política, defensor de

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uma democracia liberal com valores islâmicos. No primeiro dia de abril de 1979,
95% dos eleitores iranianos votaram em referendo a favor de substituir a
monarquia por uma república islâmica. Mehdi Bazargan permaneceu primeiro-
ministro até pouco depois da entrevista de Foucault a Farès Sassine: sua renúncia
se deu logo após a tomada da embaixada dos EUA por um grupo de estudantes
universitários apoiadores de Khomeini, episódio que acabou durando 444 dias e
que contribuiu em muito para a visão que a maior parte do ocidente e da
imprensa tem do Irã hoje. Mesmo decepcionado com os rumos da Revolução e
incapaz de contornar a crise, Bazargan continuou ativo na política e, sem
renunciar às suas posições, permaneceu um respeitado membro do parlamento
até 1985. Em 1980, temendo um levante similar no Iraque – único outro país de
maioria xiita, porém majoritariamente árabe –, Saddam Hussein invade o Irã. Os
oito anos de con ito causaram a morte de entre 200 mil e 1 milhão de
combatentes e ao menos 200 mil civis, deixando um legado até hoje bastante
conhecido. No nal das contas, os intelectualmente in uentes Shariati e Bazargan
não viram seus ideais constituir a maior parte da República Islâmica, cuja
arquitetura foi obra de clérigos conservadores.

O Aiatolá Khomeini entre Akbar Hashemi Rafsanjani, à esquerda, e Mehdi Bazargan, à


direita (Foto original © IICHS.ir)

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Nas entrevistas, Foucault se vê (e de fato foi, em grande medida) injustamente


acusado de apoiar irrestritamente o regime teocrático dos aiatolás – que contou,
no entanto, com vasto respaldo popular – e afrontado por acusações de simpatia
pelo obscurantismo, pelo irracionalismo e pelo vitalismo em seu pensamento,
sobretudo por falar de uma noção de espiritualidade na política e por sua
concepção de revolta.

O centro gravitacional das entrevistas está nas tentativas de esclarecer e debater


o conjunto de ideias sobre espiritualidade e revolta, às vezes incipientes, frente
àqueles que Foucault tem como detratores (não raro dando nome aos bois). Esse
caráter ainda experimental, de ideias nascentes, cai muito bem ao formato de
conversa das entrevistas. Em vez de múltiplos vaticínios – como zeram tanto
vários de seus críticos quanto o próprio Foucault –, o leitor encontrará uma
conversa percolada de provocações e questionamentos. Nem tudo está bem
delineado – registros de oralidade, repetidas tentativas de de nição de uma
mesma coisa, sentenças com cortes abruptos no raciocínio: assim se desenrolam
as conversas com Foucault, levando o leitor a especular juntamente do
entrevistado, a questioná-lo e a e questionar-se, tal como faz a boa loso a.

Foucault defende que, na maioria das revoltas, sublevações e revoluções no


ocidente, viu-se a presença de certa espiritualidade em sua condução. Essa
espiritualidade teria relação com a ideia de que, para transformar o mundo, para
que o mundo novo venha, há de se transformar a si e imbuir-se de vontade e
fervor necessários, e mesmo (e, sobretudo) dispor-se à morte por tal
transformação vindoura.

Como o próprio lósofo aponta, não se trata de novidade alguma na história da


cristandade. De valdenses a utraquistas, quakers e anabatistas, aos movimentos
messiânicos no cristianismo ocidental (e devemos lembrar-nos de Canudos, com
todas as suas peculiaridades): eis os exemplos mais fáceis de mencionar. Essa
espiritualidade tomara parte até mesmo durante a Revolução Russa, para então,
justamente a partir de seu desenrolar, ser veementemente negada em nome de

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algum materialismo da loso a. Seria justamente essa noção de espiritualidade,


esquecida nos levantes ocidentais (mas outrora tão presente), que Foucault viu
resgatada na Revolução Iraniana. Poderíamos ainda lembrar a Teologia da
Libertação na América Latina, que, entretanto, parece passar ao largo de
Foucault.

Para Foucault, essa espiritualidade é distinta da religiosidade porque teria um


fervor espiritual que não guarda estreita relação com a religiosidade em si. Esta,
organizada, codi cada, operando em hierarquias, está fora dos interesses
políticos de Foucault, que preza por um caráter que considera espontâneo,
horizontal e de massas, contrastante em motivações com as explicações
tradicionais das revoltas que certo marxismo vulgar (e, à época, o cial) ofereceria,
o qual reduziria tudo a interesses materiais e luta de classes. Foucault chega a
a rmar que a única revolução ocidental que lograra sem esse acento na ideia de
espiritualidade teria sido a Revolução Francesa. Decerto, um julgamento bastante
difícil de aceitar para quem, ao contrário de Foucault, pensa dialeticamente. Para
o lósofo francês, a própria Revolução Iraniana estaria aí para atestar o que
ocorreria quando tanto a esquerda tradicional como as forças do “progresso”
ocidentalizador descuram-se de dar respostas satisfatórias às questões da
espiritualidade das massas.

Foucault aparenta a todo o momento buscar se desvencilhar de uma


aproximação com algum vitalismo ou alguma loso a do ser, com insistência que
traz ruídos de fundo. Aponta, por exemplo, que teriam sido as leituras de Ernst
Bloch que lhe impeliram a lançar um olhar sobre a Revolução Iraniana. Se por um
lado Bloch é considerado um autor marxista, não se pode tê-lo como dentre os
mais convencionais sob essa rubrica: seu conhecido livro sobre a revolta
conduzida pelo líder anabatista e camponês Thomas Müntzer como um “teólogo
da revolução” não se encaixa confortavelmente dentro das leituras marxistas
outrora o ciais. Daí resulta que, por mais que Foucault em muitos momentos
pareça conseguir enfraquecer essa aproximação com loso as do ser, parece
resistir algum vínculo. De fato, a incipiência de muitas das ideias não auxilia na

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questão; o posfácio, ao reiterar as “disposições revolucionárias do corpo utópico”,


tampouco dá a entender, ao menos em um primeiro exame, o distanciamento
pretendido.

Se, por um lado, a argumentação de Foucault sobre a impropriedade de uma


vinculação necessária entre espiritualidade e religião convence, por outro, seria
ainda mais interessante – ainda que a tarefa não seja a proposta das entrevistas,
nem das contribuições de Foucault ao Corriere dela Sera – uma tal ideia de
espiritualidade melhor delineada e confrontada com o plano histórico no caso
iraniano. Isto é – em que medida as separações entre espiritualidade e religião,
religiosidade e espiritualidade, entre a religião organizada e o movimento
espontâneo das massas, ocorreram realmente na Revolução Iraniana.
Dialeticamente – e daí fora do registro foucaultiano – poderia se perguntar: quais
as intersecções entre essas categorias, e quais as contradições que as articulam,
especialmente quando expostas ao caso particular?

Nenhuma dessas tarefas poderia ser cobrada de Laval – que cumpre dignamente
o propósito de um ensaio: questionar e questionar-se –, nem de Foucault;
falecido em 1984, não teria tempo de lançar seu agudo olhar histórico sobre os
desdobramentos da Revolução. Segundo seu amigo Paul Veyne, disse-lhe
Foucault, após encontrar-se com Khomeini em Neauphle-Le-Château, que se o
deveras fascinante aiatolá tomasse o poder e aplicasse o seu programa de
1
governo, “seria de uma idiotice de fazer chorar”. A Revolução Iraniana,
juntamente de uma nova ideia de subjetivação política, trouxe consigo um
projeto de poder também regional. À in uência dos Estados Unidos (o Grande
Satã, para Khomeini) e da União Soviética (o Pequeno Satã), o Irã se contrapôs
fazendo da paranoia do inimigo externo uma política de Estado. A nova forma de
subjetivação política, segundo Foucault (e de fato), escapa a muito do aparato
conceitual ocidental, e por isso exige do intérprete do acontecimento categorias e
conceitos novos e próprios. Essa subjetivação, conforme pontua Farès Sassine,
abriu uma entrada inédita do Islã à política moderna: o legado de Shariati ou de
Bazargan, e de outros em todo o mundo muçulmano que buscam e buscaram

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conjugar o islã com a modernidade política. Por isso mesmo, compreender a


Revolução Iraniana – um enigma a nós, tal como no título do livro – pode provar-
se fundamental para interpretar essa periferia do mundo que hoje convulsiona,
cujas ondas de choque chegam e são sentidas no ocidente, ocasionando
múltiplos estranhamentos em uma época na qual as crises são regra, e não
exceção.

· · ·

Francisco López Toledo Corrêa é bacharel em Relações Internacionais,


posteriormente mestre e doutorando em Filoso a na UNIFESP, onde se dedica à
obra de Theodor Adorno.

Notas
1. ↑ Paul Veyne, Foucault: seu pensamento, sua pessoa (Civilização Brasileira,
2011), p. 221

©  Revista Porto Alegre  · 2018


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