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MIQUÉIAS LOPES

aquilo que nos


afasta de Deus

Recife, 2020
Copyright © Miquéias Lopes

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reprodu-
zida, por qualquer processo, sem a autorização prévia e expressa do autor.

Capa: Tamyres Siqueira e Thais Siqueira

Projeto gráfico e diagramação: Tamyres Siqueira e Thais Siqueira


Esse livro é o fruto de uma promessa feita por Deus ao meu coração e a
prova material que promessa de Deus existe para ser cumprida, desde que,
estejamos dispostos a botar a mão na terra e cuidar da semente que eles
nos deu.
Gostaria de honrar algumas pessoas que me ajudaram a escrever esse
livro, demonstrando seu amor por mim com palavras e orações.
Juliana, Davi e Letícia, a melhor demonstração do amor de Deus na mi-
nha vida.
Romero Medeiros, um grande amigo que Deus me deu e que por toda
vida vem sendo um verdadeiro irmão.
Nic Bilman e Rachael Bilman e toda equipe da Shores of Grace, vocês
mudaram a minha vida. Amo vocês!
Toda turma do Fornalha 2020 e em especial a Equipe Azul (Azul! Azul!
Azul!), que foram testemunhas de todas as promessas que Deus fez naque-
le janeiro transformador.

Aba Pai!
O QUE VOCÊ PRECISA SABER

Antes de você começar a ler as próximas páginas deste livro, eu queria te


explicar o processo de construção dele e como você deve encarar tudo que
vai ler aqui. Eu tenho me comprometido com Deus a buscá-lo todos os dias
de maneira saudável e madura como nunca havia feito antes. Orei a Deus
pedindo que ele se revelasse a mim através das manifestações do Espírito
Santo e que eu pudesse ser mais um instrumento da sua verdade para le-
vá-la a outras pessoas.
Tomei muito cuidado para que cada palavra escrita neste livro não fos-
sem simplesmente opiniões ou pensamentos meus. Essa é uma preocupa-
ção que todo aquele que se propõe a compartilhar e ensinar a palavra deve
ter. Muitas vezes, em nome de Deus, acabamos colocando nossas vontades
para condicionar os nossos desejos para aqueles que nos ouvem. A vaidade
e a soberba são dois venenos que podem matar qualquer chamado. Sendo
assim, o que você vai ler não são verdades absolutas ou profecias sobre a
sua vida. Eu não tenho e nem quero ter essa pretensão. O que você vai ler
aqui é uma porção do infinito amor de Deus e aquilo que dele chegou até
a mim.
Não posso garantir que tudo que você vai ler fará sentido para sua vida.
Pode ser que não faça sentido agora (algumas coisas que eu li aos 15 anos
só fizeram sentido aos 30), pode ser que algumas coisas sejam reveladores
e transformadoras exatamente agora, pode ser que outras não façam ne-
nhum sentido e está tudo bem. O meu conselho em relação a isso é: Ore!
Ore a Deus e peça a ele que de algum modo, traga a você o que pode ser
extraído do que foi lido. Um dos meus pastores e autores favoritos, Francis
Chan, me ensinou que não devemos nos fechar para ouvir o que o Espírito
Santo tem a nos dizer. Quando somos seletivos demais, perdemos a chance
de ouvir algo realmente valioso porque a nossa avaliação humana quer
selecionar o mensageiro e com isso, perdemos o foco no que realmente
importa, a mensagem. Eu não quero dizer que todos aqueles que falam em
nome de Deus realmente são enviados por Deus, mas é melhor ouvir todos,
e poder discernir o que é ou não da parte de Deus, do que simplesmente
negar a mensagem por causa de uma preferência pessoal.
Então, aproveite cada página que vai ser lida neste livro. Espero de todo
meu coração que Deus possa falar profundamente com você por meio de-
las e principalmente, que você seja um instrumento de transformação de
vidas pelo verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Boa leitura!
Eu gostaria de começar compartilhando com você um trecho o livro Louco
Amor, escrito pelo pastor Francis Chan. Leia com atenção ao que ele diz:

“Você sabia que uma lagarta possui 228 músculos separados e


distintos na cabeça? para um inseto até que é pouco. Um olmo,
árvore muito comum na Europa e na América do Norte, tem em
média seis milhões de folhas. E ao bombear sangue para circular
por todo o corpo o coração humano gera pressão suficiente para
espirrar sangue a uma distância de quase até dez metros (Nunca
fiz esse teste e também não o recomendo). Você já parou para
pensar em como Deus é criativo e diversificado? Ele não era obri-
gado a criar centenas de tipos diferentes de bananas, mas criou.
Não tinha de colocar três mil espécies diferentes de árvores em
um espaço equivalente a uma milha quadrada da floresta ama-
zônica, e mesmo assim ele o fez. Deus não precisava criar tantos
tipos de risadas. Pense a respeito dos diferentes sons de risadas
de seus amigos — alguns deles chiam, outros roncam, riem em si-
lêncio, fazem muito barulho ou produzem ruídos desagradáveis.
Sejam quais forem as razões de Deus para tanta diversidade,
criatividade e sofisticação no universo, na terra e até mesmo em
nosso corpo, o objetivo de tudo isso é a glória do Senhor. A arte
divina fala a respeito de Deus, refletindo quem ele é e como ele é.
“Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama
a obra das suas mãos. um dia fala disso a outro dia; uma noite o
revela a outra noite. Sem discurso nem palavras, não se ouve a
sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra e as suas palavras
até os confins do mundo.” (Salmos 19:1-4)
E por isso que somos chamados a adorar o Senhor. Sua arte, a
obra de suas mãos e sua criação ecoam a mesma verdade: Deus
é glorioso. Não há nenhum outro como ele. É o rei dos reis, o
Início e o Fim, aquele que é, que foi e que há de vir. Sei que você
já ouviu isso antes, mas não quero que deixe essa verdade lhe
escapar.
Às vezes, sinto dificuldade em imaginar a maneira mais apro-
priada de reagir diante da magnitude de Deus em um mundo incli-
nado a ignorá-lo ou no máximo, tolerá-lo. Mas saiba de uma coisa:
Deus não deve ser tolerado. Ele nos orienta a adorá-lo e temê-lo.”

(Louco Amor, Francis Chan)

Duas coisas ficam muito claras quando lemos esse trecho: A capacidade
criativa de Deus e como não há outra opção para que nós, diante de toda
essa criatividade, sejamos servos adoradores desse Deus tão criativo.
Pare um pouco e pense na diversidade de fauna e flora de um país como
o Brasil. No nordeste temos lindas praias, uma vida marinha incrível e uma
rica vegetação que atrai turistas de várias partes do mundo. No extremo
sul, encontramos o frio e um clima extremamente charmoso e convidativo
para quem gosta de aproveitar baixas temperaturas e apreciar um bom
vinho daquela região.
Perceba que eu usei apenas dois simples exemplos de um país para que
você perceba o quanto Deus é capaz de construir um mundo completamen-
te único e decidiu colocar você dentro dele.
Abra um pouco mais a mente e reflita sobre como os países são diferen-
tes, como o posicionamento geográfico foi capaz de determinar onde seria
um imenso deserto e onde seria um profundo oceano.
Talvez você devesse ficar algumas semanas assistindo o Discovery
Channel até que conseguisse entender o quão criativo é o nosso Deus.
Acredito que devido a nossa vida cheia de obrigações e problemas, percor-
rendo o mesmo trajeto todos os dias, nós deixamos de ter essa percepção.
Conseguimos recuperar isso quando viajamos para um local novo e aí nos
maravilhamos com toda a criatividade que Deus pode nos proporcionar.
De toda forma, gostaria de te passar dez dados relevantes sobre o poder
criativo de Deus acerca de toda a vida que existe na terra:

1. Um atum pode nadar até 64 quilômetros em um só dia;


2. Alguns anfíbios saltam distâncias que correspondem a 100 vezes o
seu tamanho;
3. Ratos também sentem cócegas;
4. Galinhas com glóbulos vermelhos da orelha põem ovos castanhos,
já as com os glóbulos brancos põem ovos brancos;
5. O pica-pau pode dar 100 bicadas por minuto em uma árvore;
6. As formigas são equipadas com cinco narizes diferentes;
7. Ursos adultos podem correr tão rápido quanto os cavalos;
8. Beija-flores podem voar de frente, de costas e até mesmo de
ponta-cabeça;
9. Ursos polares não emitem calor detectável;
10. Ostras mudam de sexo, dependendo do que é vantajoso para o
acasalamento.

Você pode estar se perguntando o que eu quero dizer exatamente com


isso tudo, e posso entender o seu questionamento. Mas, antes de te falar
exatamente o que você precisa saber, deixe-me te falar sobre outro aspecto
da criatividade de Deus. o aspecto circunstancial e para isso, quero te con-
tar uma história que aconteceu comigo.
Quando meu primeiro filho nasceu, ele precisou ser internado na UTI
Neonatal porque ele havia nascido maior do que a idade gestacional previa.
Agora imagine como eu, pai de primeira viagem, me senti naquele mo-
mento, sem muitas informações dadas pelos médicos, vendo meu filho ser
levado para UTI e tendo que voltar ao quarto e dar essa notícia para minha
esposa. Cada passo que eu dava em direção ao quarto era aterrador.
Lembro-me que orava a Deus enquanto andava, pedindo para que eu
conseguisse explicar a Juliana o que estava acontecendo mesmo sem en-
tender direito. Eu precisaria mantê-la calma e tranquila.
Mas, a criatividade de Deus entrou em ação mais uma vez. Quando eu
estava indo em direção ao quarto, cruzo na porta de acesso com Romero
e Suellen, um casal de amigos que hoje junto com Gabriel, formam uma
família. Conheci Romero ainda na infância e de lá para cá Deus tem aben-
çoado nossa amizade e as nossas famílias. Suellen é uma obstetra extre-
mamente competente e ninguém melhor do que ela para me explicar tudo
que estava acontecendo.
Depois de conversarmos ela me tranquilizou e juntos explicamos para
Juliana o que estava ocorrendo e porque o Davi iria ficar na UTI por alguns
dias. Não era nada grave, mas, era um procedimento necessário naquele
momento. Claro que Juliana queria ficar com o nosso filho nos braços, mas,
ela entendeu que naquele momento, o melhor para a segurança dele era
ficar alguns dias na UTI. No final, deu tudo certo. A incredulidade vai fazer
você achar que isso é coincidência, mas eu posso te garantir que é a criati-
vidade de Deus em ação.
Ele fez com que eu Romero fossemos amigos, para que Romero pudesse
se casar com Suellen, para que ela se formasse em medicina e se tornasse
obstetra, para que no dia no nascimento do meu filho tudo isso fizesse
sentido na minha vida e eu pudesse contar esses testemunho para você.
Uau! São muitas coincidências para ser só coincidência.Pare alguns minu-
tos agora e reflita sobre a criatividade de Deus na sua vida. Quantas vezes
coisas improváveis já aconteceram e por mais que você tentasse achar jus-
tificativa lógica, nenhuma foi encontrada?
O pastor Alexandre Ximenes, em seus maravilhosos sermões, gosta
sempre de dizer que o importante é que as coisas aconteçam na nossa
vida de maneira tão absurda que a única justificativa possível vai ser você
admitir que foi obra de Deus e nada mais. Agora, sabe o que mais impres-
sionante disso tudo? O mesmo Deus que usou da sua total criatividade
para mudar a vida de Noé, Moisés, Davi, Jonas e Paulo, é o mesmo Deus que
ainda se revela para nós todos os dias. O problema, e é aqui onde eu queria
chegar, é que estamos limitando a capacidade criativa desse Deus.
Não sei se você sabe, mas, segundo o IBGE, nos próximos anos a comu-
nidade evangélica será a maior comunidade religiosa do Brasil. Ou seja, os
evangélicos estão fazendo aquilo que se propõe a fazer, levar a palavra a
toda criatura e buscar vidas para serem convertidas em Jesus Cristo.
Acompanhando esse crescimento “populacional”, o número de deno-
minações cresce no mesmo ritmo. Os dados do IBGE mostram que existem
mais de 50 denominações evangélicas no Brasil e esse número tende a au-
mentar com as novas igrejas que surgem a cada ano.
O grande problema disso é que, quanto mais denominações, mais inter-
pretações surgem sobre quem é Deus, o que ele pode fazer e principalmen-
te, como ele pode fazer.
A igreja é um elemento fundamental na vida do cristão. Fomos criados
para sermos igreja, cuidar uns dos outros e em amor, conviver e aprender
mais de Deus. Porém, as dificuldades começam quando a igreja não nos
mostra como amar a Deus acima todas as coisas e sim como amar a Deus
do jeito que a igreja quer que eu ame, e esse jeito pode não ser o jeito que
a Bíblia nos ensina.
Quando isso acontece, começamos a formatar o jeito de Deus agir de
acordo com o jeito que a igreja diz que ele age.
Eu não estou querendo que você comece a questionar todas as igrejas,
duvidando de tudo e todos. O meu objetivo aqui é fazer você não se fechar
para as inúmeras possibilidades que o nosso Deus tem de trabalhar na sua
vida.
Por muito tempo eu acreditei que Deus falava apenas com um tipo de
pessoa e esse tipo de pessoa tinha um jeito específico de se vestir, de falar,
de se comportar e de se comprometer com a igreja. Parecia que quem esta-
va fora daquele formato não estava de acordo com os padrões exigidos por
Deus para ser abençoado. Mesmo que fosse de outra igreja, se não seguisse
aquele padrão, estava fora do alcance divino.
Com certeza você já deve ter visto ou passado por isso, esse desloca-
mento religioso, onde o individuo é tolhido da possibilidade da graça de
Deus por que não se encaixa com o padrão estético da comunidade de fé
que faz parte. A busca por esse padrão estético, nunca me fez chegar mais
próximo do amor de Deus, muito pelo contrário, parecia me distanciar cada
vez mais.
Se cremos na Bíblia como devemos crer, sabemos que Deus foi capaz de
inundar toda a terra e preservar a família de Noé para sua glória. Foi capaz
de abrir o mar para que seu povo passasse em segurança, escapando das
mãos do Faraó. Fez Jonas ir por lugares que ele não desejou, até mesmo no
ventre de um peixe, para que a sua vontade fosse realizada e a sua glória
reconhecida mais uma vez. Transformou a vida de Saulo, fez nascer Paulo e
junto com ele um dos maiores responsáveis pela propagação do evangelho
no mundo todo. De fato, se você crê nesse Deus, não pode duvidar daquilo
que ele é capaz de fazer.
Não existe modelo, forma ou padrão sobre como Deus influencia a nos-
sa vida. É algo muito além da nossa compreensão humana tentar imaginar
como Deus pretende trabalhar na nossa vida e na vida das pessoas que nos
cercam. Agora, de que modo podemos ser mais íntimos de Deus no que
diz respeito a sua capacidade de fazer alguma coisa por nós? Entendendo
quem está no controle! Imagine que você está dirigindo um carro indo para
uma direção e de repente você encontra Deus na estrada e oferece uma
carona a ele.
Agora me responda, você deixaria Deus ser o passageiro da sua viagem
ou o motorista? Bem, a única resposta possível é deixar Deus ser o condu-
tor principal da sua viagem, chamada vida.
Garanto que você não vai encontrar na Bíblia nenhum homem ou mu-
lher que disse a Deus o que fazer. Todos aqueles que tinham real intimi-
dade com Deus eram conduzidos, orientados e levados pela criatividade
divina do pai.
Por mais que o mundo ande em uma direção onde devemos ser cada vez
mais protagonistas das nossas vidas, com Deus essa relação não funciona.
Você precisa entender a sua posição de servo fiel incondicional, cujo o seu
principal objetivo é servir e adorar ao rei dos reis.
Não estou dizendo que você não deva ter atitude. O que eu quero dizer
aqui é que você não deve colocar a sua atitude como primeiro plano para
a solução dos problemas e quando nada mais dá certo, em última instân-
cia, apelar para Deus como uma cartada final em busca de uma solução. A
primeira atitude é depender de Deus e em seguida, cooperar para que essa
dependência gere frutos.
Gostaria de terminar pedindo a você que antes de continuar, faça uma
oração pedindo a Deus que ele faça você entender quem é o condutor da
sua vida. Que por mais que você esteja em busca de soluções para todos os
seus problemas, nada pode superar a criatividade de Deus agindo na sua
vida. O meu avô costumava dizer que a mais alta posição que alguém pode
ter no corpo de Cristo é a posição de servo. Aproveite essa chance, sinta-se
honrado por servir a um Deus tão criativo e que adora nos surpreender.
No século IV a.c., o filós ofo Platão escreveu uma de suas mais conhecidas
obras, A República. Dentro dessa obra existe uma lenda chamada “O anel de
Giges”, ela será o ponto de partida para o assunto deste capítulo.

“Giges era um bom pastor, que só fazia boas ações e trabalhava


para o soberano da Lídia. Até o momento em que, devido a uma
grande tempestade e tremor de terra, o solo rasgou-se e abriu-se
uma fenda no local onde ele pastoreava o rebanho. Admirado ao
ver tal coisa, desceu por lá e contemplou (entre outras maravi-
lhas que ali estava) um cavalo de bronze oco com umas abertu-
ras. Espreitando através delas viu lá dentro um cadáver aparente-
mente maior do que um homem e que não tinha nenhuma veste,
senão, um anel de ouro na mão. Tirou o anel da mão do cadáver
e saiu.Ora, assim como os pastores que estivessem reunidos da
maneira habitual para comunicarem ao rei todos os meses o que
dizia respeito aos rebanhos, Giges foi lá também com o seu anel.
Estando ele sentado no meio dos outros, deu por acaso uma
volta ao engaste do anel para dentro, em direção a parte inter-
na da mão e ao fazer isso, tornou-se invisível para os que esta-
vam ao redor, os quais falavam dele como se tivesse ido embora.
Admirado, passou de novo a mão pelo anel e virou para fora o
engaste. Assim que o fez, tornou-se visível. Tendo observado es-
tes fatos, ele experimentou ver se o anel tinha aquele poder e ve-
rificou que se voltasse o engaste para dentro tornava-se invisível
e se o voltasse para fora visível. Assim, senhor de si, logo fez com
que fosse um dos delegados que iam juntos do rei. Chegando
lá, seduziu a mulher do soberano e com o auxílio dela o matou.
Dessa maneira tomou o poder.”

(O anel de Giges, Platão)

Agora pense comigo, o personagem dessa história, o pastor Giges, en-


contra por acaso uma caverna onde havia um cadáver que usava um anel.
Quando ele coloca o anel no próprio dedo, descobre que esse anel o torna
invisível. Sem ninguém para monitorar seu comportamento, passa a prati-
car más ações - seduz a rainha, mata o rei e assim por diante. Essa história
levanta uma grande indagação moral: algum homem seria capaz de resistir
à tentação de fazer tudo que vem a sua mente se soubesse que seus atos
não seriam testemunhados?
É com essa indagação que eu quero dar sequência a esse capítulo. Uma
das proezas do diabo (não se engane achando que são poucas), não é fazer
você acreditar que ele não existe, é fazer você acreditar que Deus não existe.
Porque se não temos a certeza que existe um Deus no céu cuidando de
nós e ao mesmo tempo, sendo justo para nos corrigir se assim for preciso,
tudo nos seria permitido. Fomos ensinados a entender a lei dos dez man-
damentos como as regras impostas por Deus para uma boa convivência e
uma vida de acordo com as suas ordens. Não há nada de errado com a lei,
o problema é que ela serve muito mais como conduta social do que como
prova moral.
Vou explicar, o nono mandamento diz “não cobiçar a mulher do próxi-
mo”, ora, não existe ser humano no mundo que não consiga entender isso.
E mais, seguindo essa regra, socialmente você está vivendo de acordo com
o que a lei diz e se apenas isso bastasse, estaria vivendo de acordo com a
vontade de Deus, logo, estaria sendo um bom filho longe do pecado.
Mas, será que realmente apenas isso é suficiente para nos certificar que
somos livres do pecado? Será que o simples fato de parecermos puros na
frente das outras pessoas nos torna realmente puros?
O escritor Maquiavel tem uma frase que diz muito sobre isso e sobre a
sociedade que vivemos: “Mais importante do que ser, é parecer ser”.
Vivemos uma vida de aparências, de status, uma vida de parecer. A nos-
sa preocupação maior é mostrar para o mundo a nossa vida perfeita em de-
trimento de realmente ter uma vida segundos os ensinamentos bíblicos. Se
socialmente eu sou aceito pelas coisas que pareço fazer, mas não pelas coi-
sas que realmente faço, acabo ganhando uma “carta de alforria” para con-
tinuar mentindo para os outros e para mim mesmo. Esse é um retrato da
sociedade de maneira geral. O que importa é a aparência e não a essência.
Mas se apenas esse fosse o problema, a solução seria simples, boa edu-
cação e uma lista de princípios seriam suficientes para formar uma geração
que buscasse a honestidade e a integridade. Infelizmente, não é tão sim-
ples assim.
A raiz do problema mora em uma caverna onde ninguém além de você
consegue chegar e essa caverna é o seu coração. É ali, no centro da sua
alma, onde nenhuma outra pessoa consegue chegar, que você se vê como
é de verdade.
Nossos desejos mais profundos, nossas perversões, nossas raivas, nos-
sas tentações, nossas vontades mais secretas estão ali, onde só você sabe
como chegar.
Chegamos aqui ao ponto central deste capítulo: quem é você quando
ninguém mais consegue te ver? E não falo aqui de ver fisicamente. Existem
pessoas que mesmo no ambiente de trabalho, na escola, na rua ou no ban-
co da igreja, estão fisicamente ali, mas a seu coração está aonde elas real-
mente queriam estar. São esses pensamentos que mostram de fato, quem
você é.
O primeiro passo, para se libertar de você mesmo é admitir que sim,
existe um Deus que está observando você em todos os momentos e lite-
ralmente, monitorando os seus pensamentos. Isso pode parecer um velho
truque usado pela sua mãe para limitar a sua rica imaginação infantil, mas
na verdade, é a palavra de Deus citada em vários momentos da Bíblia, não
para nos amedrontar, mas, para nos fazer entender que existe um Deus que
cuida de você e esse cuidado também envolve direitos e deveres dos filhos
por amor ao pai.
Reflita um pouco sobre esses versículos e perceba que somos observa-
dos o tempo todo:
“Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atenta-
mente os maus e os bons.“ (Provérbios 15:3)

“Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo


está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem ha-
vemos de prestar contas.“ (Hebreus 4:13)

“Os olhos do Senhor voltam-se para os justos e os seus ouvidos


estão atentos ao seu grito de socorro;” (Salmos 34:15)

“Pois Deus vê o caminho dos homens; ele enxerga cada um dos


seus passos.” (Jó 34:21)

“ ‘Poderá alguém esconder-se sem que eu o veja?’,


pergunta o Senhor.
‘Não sou eu aquele que enche os céus e a terra?’,
pergunta o Senhor.” (Jeremias 23:24)

“Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus e tivéssemos


estendido as nossas mãos a um deus estrangeiro, Deus não o te-
ria descoberto? Pois ele conhece os segredos do coração!” (Salmos
44:20-21)

Não há dúvidas que Deus está nos observando o tempo todo. O pro-
blema é que queremos ser observados por ele nas nossas necessidades e
esquecidos por ele nos nossos pecados. Esse tipo de pensamento demons-
tra uma certa fraqueza no que diz respeito ao nosso relacionamento com
Deus. A preocupação de Deus sobre isso já era sabida. Jesus Cristo, conhe-
cendo bem a nossa natureza humana, foi cirúrgico na sua recomendação:

“Vocês ouviram o que foi dito: “Não adulterarás.”


Mas eu lhes digo: “qualquer um que olhar para uma mulher para
desejá-la já cometeu adultério com ela no seu coração.” (Mateus
5:27,28)
Ou seja, não adianta que diante de todos você seja um marido ou uma
esposa fiel. Que você seja conselheiro no encontro de casais da sua igreja,
ou que em todo aniversário de casamento você prepare um belíssimo jan-
tar de comemoração, se dentro do seu coração existe o desejo por outra
pessoa.
Dentro de nós habita um Giges com um anel da invisibilidade fazendo
coisas que não devemos fazer, achando que ninguém está vendo e que nin-
guém nunca saberá. O desejo de matar alguém que você não gosta, de ter o
dinheiro do seu chefe, de ter relações sexuais com a mulher do seu vizinho,
de ter um marido bem sucedido como o da sua amiga, tudo isso é pecado.
E pior, pecado diante dos olhos de Deus.
Talvez eu não esteja sendo claro, por isso, irei ilustrar algumas situações
para você:

• Quando você é casado e se masturba pensando na colega de trabalho


ou na nova capa da revista masculina, é pecado;
• Quando você assiste pornografia infantil trancado no banheiro do
trabalho, é pecado;
• Quando você pensa em matar o seu chefe porque ele é exigente de-
mais com você, é pecado;
• Quando você sonega para evitar o pagamento de mais impostos, é
pecado;
• Quando você suborna o guarda de trânsito porque seria multado por
falar no celular enquanto dirige, é pecado;
• Quando você bate na sua mulher e no domingo ora de joelhos ao
lado dela no culto é, pecado;
• Quando você recebe troco a mais na padaria e não devolve, é pecado;
• Quando você é filho de Deus na presença de todos e filho do diabo na
ausência de todos é, pecado.

Não se engane. A graça e o amor de Deus não nos dá o direito de pecar


em secreto, apoiado na muleta do perdão infinito de Deus.
Esse perdão de fato é infinito. Eu acredito em um Deus capaz de per-
doar quantas vezes forem necessárias sem perguntar uma vírgula do seu
passado. Porém, só existe perdão firmado em arrependimento. Se não exis-
te arrependimento, não existe perdão. É simples, não subverta ou reinter-
prete isso. É assim, queira você ou não.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos


perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9)

Eu espero que até agora você tenha entendido que o pecado começa
dentro de nós. Muito antes do julgamento social, o julgamento moral deve
ser feito no nosso coração.
A partir de agora crie um compromisso de dedicar a Deus uma oração
sincera e despida de qualquer tipo de pudor. Fale abertamente sobre os pe-
cados que apenas você e ele sabem. Que apenas você sabe como eles têm
sido um espinho na carne e que tem doído tanto ao ponto que viver tem
sido uma árdua tarefa.
Confesse a ele aquele pecado que seria motivo de escárnio social, que
colocaria seu nome, sua reputação, sua família e sua vida na lama. Que se
fosse estampado em um grande outdoor nas ruas da cidade, seu nome se-
ria assunto por dias e dias na sua cidade.
Não seja hipócrita e nem melindroso, não seja tímido. Deus quer ouvir
a sua voz sincera, seu coração aberto, confessando aquele pecado que você
comete e ninguém sabe (ainda).
Agostinho antes de ser Santo Agostinho, no auge de um relacionamento
amoroso com uma mulher casada, tomado pela dor do pecado e da incapa-
cidade humana de se livrar daquele relacionamento, orou a Deus dizendo:
“Meus Deus, livra-me dessa mulher porque se depender de mim não a dei-
xarei nunca”.
Que essa seja a nossa oração, recorrendo e correndo para os braços de
Deus em busca do perdão de revigora que nos dá a vitória sobre o pecado.
Permita-me começar este capítulo fazendo uma pergunta a você: você já
orou hoje?
Se a sua resposta foi não, você não é a exceção da regra. Uma pesquisa
realizada com cristãos do mundo todo mostra que boa parte deles ora ape-
nas quando estão no culto ou quando têm alguma necessidade específica
como a cura de uma doença, a busca por um novo emprego, ou uma situa-
ção que foge da capacidade humana de encontrar a solução.
É incrível a quantidade de pessoas que desprezam a oração e ignoram o
fato que é através dela que melhor conseguimos falar com Deus.
Eu não sei o que você entende por oração, mas, antes de falar a minha
opinião sobre ela e como você deve se comprometer com uma vida de ora-
ção eu gostaria que você lesse alguns versículos e entendesse a real capa-
cidade que a oração tem.

“Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que
não chovesse e não choveu sobre a terra durante três anos e meio.
Orou outra vez e o céu enviou chuva e a terra produziu os seus
frutos.” (Tiago 5:17,18)

“E eu farei o que vocês pedirem em meu nome para que o Pai seja
glorificado no Filho.
O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.”(João 14:13,14)
“Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns
pelos outros para serem curados. A oração de um justo é podero-
sa e eficaz.” (Tiago 5:16)

“Jesus respondeu: “Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé e


não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à fi-
gueira, mas também dizer a este monte: “Levante-se e atire-se no
mar”, e assim será feito.
E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão.”
(Mateus 21:21,22)

“Peçam e lhes será dado; busquem e encontrarão; batam e a por-


ta lhes será aberta.
Pois, todo que pede, recebe; o que busca, encontra; e aquele que
bate, a porta será aberta.“ (Mateus 7:7,8)

Bem, isso é apenas uma fagulha do que a Bíblia nos ensina sobre a im-
portância da oração e acho que depois disso não resta dúvida sobre a sua
capacidade transformadora nas nossas vidas.
Segundo os psicólogos, todo bom relacionamento tem como base o diá-
logo. Quando nos relacionamos com alguém, medimos o nosso nível de in-
timidade de acordo com a nossa capacidade de contar nossos segredos. Ou
seja, os seus melhores amigos são aqueles que mais sabem sobre a sua vida.
Quanto mais conversamos com uma pessoa, mais profundo fica o nosso
relacionamento com ela e esse processo acontece sem que você perceba.
As crianças são um exemplo excelente de como a confiança anda de mãos
dadas com a intimidade, vou te explicar o porquê.
Eu tenho um filho de seis anos, o Davi. Sempre que algo bom acontece
com ele, ele vem correndo me contar e isso é em tudo, tudo mesmo. Seja
quando ele consegue terminar a lição de casa, arrumar os brinquedos ou
vencer alguma fase no videogame. Como eu disse, qualquer coisa mesmo.
Isso acontece porque na cabeça dele a prioridade em dividir aquele mo-
mento de felicidade e realização é comigo e com a mãe dele. É como se algu-
ma coisa lembrasse a ele que nada é mais importante do que compartilhar
aquele sentimento com as pessoas que ele mais ama e que mais se impor-
tam com ele.
Do mesmo modo é quando algo ruim acontece. Quando ele se machuca,
perde em algum jogo no videogame ou tem um pesadelo, os primeiros no-
mes que vem à mente são o meu e o de Juliana, é automático. É como se um
comando fosse ativado na cabeça dele e dissesse que o local de segurança
para ele é com o seu pai e com a sua mãe.
Com os nossos melhores amigos não é diferente. Criamos essa relação
afetiva a vida toda e conforme vamos crescendo, selecionamos as pessoas
que merecem dividir conosco as nossas alegrias e ser o nosso porto segu-
ro quando as coisas não vão bem. Casamentos saudáveis partilham desse
mesmo sentimento, essa é a verdadeira intimidade que todo casal precisa
ter, se quiser realmente viver uma vida feliz.
Agora pense um pouco comigo, será que não deveríamos ter esse mes-
mo tipo de relação com Deus?
Por que ao invés de o encararmos como um último recurso para resol-
ver os nossos problemas, não temos com ele uma relação de pai para filho
assim como o Davi tem comigo?
A resposta para esse distanciamento é a falta de oração. E digo mais, a
falta de uma rotina saudável de oração.
Quero levantar aqui alguns pontos que te impedem de ter essa rotina
saudável de oração:

1. E N TEN DER DE U S E R R AD O

É incrível como algumas pessoas utilizam Deus para anular o poder


dele. Um dos principais argumentos para uma vida sem oração é dizer que
Deus já nos ouve e nos olha sempre e por isso não precisamos orar, já que
ele sabe de tudo. Esse mesmo tido de pessoa dia que a sua capacidade de
nos conhecer e saber aquilo que precisamos já aniquila qualquer necessi-
dade de manter uma vida de oração frequente.
É engraçado, porque, se nós formos olhar por esse ponto de vista, nin-
guém na história do cristianismo, nem mesmo o próprio Cristo, precisaria
fazer sequer uma oração.
O poder de Deus e a sua capacidade de saber tudo em todo tempo não
deve ser o motivo para não orarmos. Muito pelo contrário, é justamente por
isso que devemos orar ainda mais.
Estar com o coração quebrantado ao ponto que esse poder esteja ha-
bitando em nós é o que justifica a nossa oração diariamente. A nossa fé é
fortalecida por meio da oração. Quando oramos estamos dialogando com
Deus, ouvindo-o falar e sendo ouvidos. Podemos ser sinceros e honestos
como nunca seremos com outro ser humano. É ali, no momento de oração
que o poder de Deus se revela em toda sua plenitude nas nossas vidas.

2. A NECESSIDA D E D E S E R O C E N T R O DAS ATE N ÇÕ E S

Você conhece alguém que adora ser o centro das atenções? Aquele tipo de
pessoa que tem a necessidade de falar o tempo todo? Todos nós conhe-
cemos alguém assim. Pode ser até que essa pessoa seja você. Esse tipo de
pessoa tem uma extrema dificuldade de ter uma vida de oração.
Essas pessoas desprezam a oração no secreto porque sentem falta da
plateia. Quando oramos sozinhos, a única pessoa que está ali nos vendo é
Deus e pode parecer assustador, mas, muitas pessoas acham que ter Deus
como o único expectador da sua oração, não vale a pena.
Talvez por isso, algumas pessoas são as primeiras a encabeçar grandes
correntes de oração, mas, são incapazes de orar diariamente, ajoelhas no
seu quarto.
Parece que o interesse maior é mostrar para os outros o quanto a sua
oração é poderosa. O ego, a fama e a necessidade de ser o centro das aten-
ções afastam muitos cristãos daquilo que Deus tem planejado para suas
vidas.
Não podemos negar a capacidade de grandes homens e mulheres de fé
em serem instrumentos de Deus por meio das suas orações em público, po-
rém, se o único objetivo de nossas orações for ser o centro das atenções por
onde formos, estaremos fadados a nos perder e inverter os papéis na nossa
relação com Deus colocando ele a nossa disposição e não ao contrário.
3. D UVIDA R DOS R E S U LTAD O S Q U E A O R AÇÃO PO DE TR AZ E R

Todo mundo, inclusive eu e você, vivemos diariamente em busca de mila-


gres. Queremos contemplar e sentir aquilo que Deus pode fazer o tempo
todo, todos os dias das nossas vidas. Isso soa como aquele combustível a
mais que nos dá um impulso maior para continuarmos a nossa jornada da
fé. Mas, a realidade é que nem sempre é assim.
Existem momentos (e não são poucos esses momentos), em que Deus
age em silêncio nas nossas vidas. Ficamos buscando respostas ou sinais e
quando eles não vêm, a fé começa a perder espaço para a dúvida e com isso
a oração acaba cedendo lugar para um sentimento de dúvida.
Eu já pedi muitas coisas em minhas orações e olhando para trás, en-
tendi que a melhor maneira de Deus responder a todos esses pedidos foi
não fazer com que eles se tornarem realidade. Isso me ajudou a entender
que a oração não é um momento aonde vamos com uma lista de desejos
e ficamos fazendo um checklist com Deus de tudo que ele já fez ou não. Na
oração rendemos glórias a Deus e fortalecemos a nossa fé.
Vivemos em uma sociedade de consumo desenfreado e valores comple-
tamente invertidos. Muitas pessoas valorizam futilidades, fazem questão
de pedir a Deus aquilo que menos precisam e não entendem que o silêncio
de Deus é a resposta mais delicada que ele poderia dar.
Uma oração bem direcionada tem o poder de mudar sociedades, de
transformar vidas e de restaurar situações destruídas.

Nessas horas precisamos lembras das palavras no livro de Tiago e


repensar para que lado estamos conduzindo das nossas orações:
“Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados,
para gastar em seus prazeres.” (Tiago 4:3)

Antes de duvidar se uma oração pode ou não mudar algo ou alguma


circunstância é preciso entender o porquê oramos, como oramos e quando
oramos.
Tempos atrás ouvi uma pregação do pastor John Piper que mudou a
minha relação com a oração. Algumas dicas simples melhoraram muito
o meu relacionamento com Deus e gostaria de compartilhá-las aqui com
você.

I. Determine um horário para orar todos os dias e não abra mão disso

O pastor John Piper diz que não é o mal que nos impede de orar, são as coi-
sas boas que nos impedem. A nossa inconsistência cristã está diretamente
ligada a uma vida de oração irregular e relapsa. Oramos quando precisa-
mos e nunca quando devemos. Acorde uma hora mais cedo e utilize esse
tempo para orar. É o que eu faço. Esqueça o Instagram, Facebook ou qualquer
outra irrelevância que hoje é sua prioridade ao acordar. Antes mesmo de
ver as mensagens do WhatsApp, dedique esse tempo para orar a Deus e se
comprometa com ele todos os dias.

II. Misture oração com leitura bíblica

Intercale oração e leitura da palavra. Comece pelo livro de Salmos. Depois


de ler alguns versículos volte a orar sobre o que você leu, pedindo a Deus
entendimento para compreender a sua palavra e como aplicá-la de manei-
ra prática na sua vida e na vida das pessoas que você convive. Com isso
você estará dando direção a sua oração com base nos ensinamentos da
palavra e não nas suas próprias ideias.

III. Comece de dentro para fora

Comece falando sobre você. Seus pecados, seus defeitos, seus erros, suas
quedas, suas tristezas, suas dores, suas culpas, seus sonhos, seus anseios,
seus desejos e suas vontades. Por mais que Deus conheça a fundo seu cora-
ção, nada alegra mais um pai do que ouvir da boca do seu filho o que o seu
coração está carregado para despejar. Em seguida ore pela sua família, ami-
gos e sociedade. Dedique um tempo para orar por pessoas que você vê no
dia a dia. Mesmo que não seja possível demonstrar esse amor de maneira
fácil, orar por elas é a maior prova de amor que você pode dar. Creia nisso.
Repita essa rotina exaustivamente até que se torne um hábito e por fim,
que seja um prazer necessário para sua vida. Se você quiser ter o direito de
ouvir Deus falar, precisa estar pronto para cumprir o dever de falar com ele.
Se alguém te perguntasse como você definiria sua relação com Deus qual
seria sua resposta?
Essa pergunta é importante porque a maneira como nos relacionamos
com Deus fala muito sobre a nossa fé. Dentro de cada um de nós existem
duas coisas que determinam nosso relacionamento com ele, são elas: fé e
crença.
A fé é aquilo que é gerada no nosso interior conforme vamos mergu-
lhando nas escrituras, em uma vida de oração e de intimidade com Deus.
A crença por sua vez, é aquilo que achamos ser Deus, baseado apenas nos
nossos achismos e entendimentos sem fundamento bíblico.
Disso parte a nossa relação com Deus. Quando não temos fé e somos
repletos de crenças vivemos com um Deus que não é o Deus real, vivemos
a sombra de ídolo, uma projeção a partir das crenças que vamos juntando
ao longo da vida.
Quando falamos que Deus é Pai como isso ressoa dentro da sua cabeça?
Será que você se sente protegido, amado, reconhecido e honrado por ter
um pai que é capaz de fazer tudo por você ou você simplesmente repete
que Deus é o seu Pai porque foi assim que você aprendeu ao longo da vida?
A verdade é que muitos de nós projetamos os nossos pais biológicos na
figura de Deus e com isso não conseguimos vê-lo como nosso verdadeiro
pai. Isso gera um sentimento de orfandade. Retira uma referência neces-
sária que precisamos ter nas nossas vidas de um pai amoroso e ao mesmo
tempo justo, que nos faz entender que por amor, ele faz tudo para que se-
jamos os filhos que ele nos criou para ser.
Esse sentimento de orfandade, além de tirar a referência de Deus como
pai, mata a nossa própria referência como filhos. Deixamos de ser coer-
deiros do reino, irmãos de Jesus Cristo, o motivo pelo qual Deus sacrificou
o seu primeiro filho como cordeiro para nos livrar da condenação eterna.
Essa relação familiar não pode ser esquecida e muito menos adaptada.
Se Deus é o nosso pai e Jesus Cristo é o nosso irmão, então, somos a prova
viva das promessas feita por Cristo aos seus discípulos.
Leia o que diz João 14 e reflita um pouco sobre isso:

“Digo-lhes a verdade: aquele que crê em mim fará também as


obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que es-
tas porque eu estou indo para o Pai.
E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai
seja glorificado no Filho.
O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.” (João 14:12-14)

No versículo que antecede as palavras de Cristo, Felipe pede para que Jesus
mostre o Pai e isso já “bastava” para ele. Talvez para Felipe isso era o suficiente,
mas, Jesus mostrou que ainda tinha algo maior reservado para ele e para to-
dos nós. Como filho, ele não teria apenas o direito de ver, mas sim, participar
ativamente e diretamente do banquete que o pai prepara para os seus filhos.
Nesse momento Felipe aprende uma lição valiosa e essa lição nós pre-
cisamos aprender também.
O que Jesus está ensinando a Felipe é que ele também é filho e por
isso, compartilha do mesmo direito de realizar as mesmas coisas (ou ainda
maiores), que o próprio Jesus fez.
O nosso pai deseja e se alegra em ser glorificado através dos nossos
feitos e se pedimos a ele como uma família, ele se alegra em nos dar con-
dições de realizar todas essas coisas. Ou seja, Felipe achava que apenas ver
o pai era o ápice do relacionamento que ele poderia chegar, porém, Jesus
mostrou que tinha algo muito maior preparado para todos nós.
Deus tem muito mais para nos entregar. Ele não quer ser um ídolo que é
adorado a distância como um quadro da Mona lisa que fica exposto em um
museu, podendo ser visto de longe e não tocado.
Ele quer dividir o pão. Quer nos fazer parte do processo de transforma-
ção do mundo e nos fazer instrumentos dos milagres, sinais e maravilhas
que ele pode realizar.
Se eu fosse Felipe, depois dessas palavras, a primeira coisa que eu gos-
taria de fazer seria curar algum cego e ver a glória de Deus sendo derrama-
da por meio da minha oração.
Falando um pouco mais sobre o sentimento de orfandade, existem algu-
mas características muito claras que demonstram isso. Pode ser que você
ainda não tenha percebido ou entendido elas, por isso, leia atentamente os
pontos a seguir e veja se existe algo desses pontos em você.

• ORGULHO

Filhos órfãos são muito orgulhosos para admitir que estão erra-
dos ou que precisam pedir perdão. Estão sempre na defensiva,
querem estar sempre certos e têm extrema dificuldade de ouvir
os outros. De tão orgulhosos, acabam achando que são melhores
que os outros, acreditam que tem uma predileção de Deus em
relação aos outros e se sentem superiores por conta disso.

• SERVIR POR OBRIGAÇÃO

Filhos órfãos servem ao Pai não por amor, mas, pela obrigação de
estar fazendo algo o tempo todo. Preferem se ocupar tanto com
as coisas do reino que não conseguem perceber se todo esse tra-
balho tem gerado frutos que agradam ao Pai. Adoram a produti-
vidade, os números e os resultados humanos, mas não entendem
que o Pai busca a frutificação das sua obras e não a produção
capitalista das suas ações.

• VÁRIAS PERSONALIDADES

Filhos órfãos têm uma grave crise de identidade. Não conseguem


ser quem o Pai deseja que eles fossem. Comumente tem uma
postura na igreja, outra na família, outra no trabalho, outra en-
tre os amigos e por aí vai. Vivem com o fardo de precisar ser um
personagem por onde vão e não conseguem viver com a leveza
de ter liberdade em Deus e poder ser aquilo que Deus se alegraria
que eles fossem.

• LEGALISTA

Filhos órfãos vivem pela lei. Não entendem que apesar da impor-
tância da lei, viver exclusivamente por ela não nos torna mais
parecidos com Cristo. Nos torna mais religiosos e a religiosidade
mata. Mata quem nós precisamos ser, mata como nós devemos
nos relacionar e mata nosso entendimento sobre como o amor
de Cristo se relaciona com a nossa vida.

Talvez alguns desses pontos ou todos eles estejam presentes em você.


isso é mais comum do que você imagina, por isso, ore a Deus pedindo uma
redefinição sobre esses sentimentos dentro de você. Às vezes achamos que
matar o velho homem é deixar de fazer alguma coisa ou de não frequentar
um determinado lugar, mas na maioria das vezes, o velho homem vive den-
tro de nós, sempre se escondendo para tentar sobreviver.
Eu queria terminar esse livro despertando uma reflexão em você. Muitas
vezes, nossa relação com Deus é baseada em experiências de outras pes-
soas que falam em nome dele. Muitas mágoas, muitas tristezas e muitas
feridas são causadas por pessoas que se dizem filhos de Deus. Mas, ao invés
de promover o amor, promovem um julgamento pesado sobre aqueles que
não seguem as mesmas regras impostas por eles.
Em primeiro lugar eu queria pedir desculpas por todas essas pessoas
que causaram isso em você. Elas são ainda mais órfãs do que podem imagi-
nar. Elas não servem a Deus, servem a um capataz que deram o apelido de
deus. São escravas de uma ideologia religiosa e por medo ou ignorância não
conseguem sair dela. Mas eu quero te falar como filho de Deus, reconhecido
por ele e como participante do seu reino, que ele ama muito você.
Existem duas mentiras contadas sobre Deus que nos deixam perdidos.
A primeira é que Deus é só amor e perdão, porém, quando algo ruim acon-
tece vemos que isso não é verdade, e a segunda é que Deus é apenas ira e
vingança, mas, quando vemos seu amor libertando e transformando vidas,
também percebemos que isso não é verdade.
Deus é Pai. Um pai equilibrado que ama você de uma maneira tão inex-
plicável que deu um dos seus filhos (o mais significativo deles) para morrer
por você numa cruz e perdoar todos os nossos pecados nos dando chance
de salvação. Ele é um pai rigoroso, não quer filhos mimados. Vai fazer você
passar por enormes desertos e pelo vale da sombra da morte com o obje-
tivo de fazer você ser um filho melhor, um filho maduro e capaz de ajudar
seus irmãos a serem igualmente maduros.
Eu não tenho uma receita pronta de como você pode retomar seu re-
lacionamento de intimidade com Deus. Cada um percorre a sua jornada
e ninguém pode entender o relacionamento de Deus com o outro, é real-
mente algo único e individual. Mas, se eu puder dar um conselho a você,
se derrame em oração sem parar. Abra o coração, sente no colo do seu Pai
e encoste a sua cabeça no peito dele e chore, chore ao ponto de que cada
lágrima seja um pedido de desculpas e uma declaração de amor em busca
dessa reconciliação. Sinta ele te abraçando, te acalentando e dizendo que
você ainda é um filho amado, um filho querido e que em nenhum momento
o seu local na mesa foi perdido. Deixe que ele te fale de como em todos es-
ses anos ele esteve sempre presente, mesmo quando você achou que havia
algum tipo de briga ou rancor, o amor dele continuou presente permitindo
que você crescesse e pudesse aprender a depender dele. Que ele mostre
como havia irmãos preocupados, orando por você e com saudades de ter
você novamente no convívio familiar, fazendo parte e celebrando a ale-
gria de está todos os dias repousando na presença do Pai. Ouça-o falando
a palavra “FILHO”, várias vezes e deixe que essa palavra massageie o seu
coração, que apague o passado e mostre que ainda existe futuro, que ainda
existe muita coisa a ser vivida e dividida na mesa do Pai.
Não se esqueça, ainda que você tenha gasto toda a sua herança com o que
não devia e chegou ao ponto de comer a comida que era negada aos porcos,
sempre haverá um abraço de amor do seu Pai quando você resolver voltar para
casa. Nunca é tarde demais para retomar o seu relacionamento com Deus!
Aquele que estava assentado no trono disse: “Estou fazendo no-
vas todas as coisas!” E acrescentou: “Escreva isto, pois estas pa-
lavras são verdadeiras e dignas de confiança”. (Apocalipse 21:5)
AFINAL, QUEM É MIQUÉIAS LOPES?

Meu nome é Miquéias Lopes, nasci em Recife no ano de 1986. Sou casado
com Juliana, juntos temos dois filhos, Davi e Letícia. Fui criado em uma
família evangélica, por isso, desde as minhas lembranças mais antigas a
igreja sempre fez parte delas.
Meu pai veio de uma família humilde e foi criado pela minha avó, que
após a morte do marido, teve que criar seus três filhos em uma época que
as mulheres negras sofriam todos os tipos de preconceitos que você possa
imaginar.
Minha avó paterna é uma mulher que tem uma grande intimidade com
Deus. Só de conversar com ela você sente a presença do Espírito Santo
fluindo. Não é a toa que ela tem sido usada por Deus todos esses anos como
instrumento de bênçãos e libertação na vida de tantas pessoas. Mesmo
na sua simplicidade e humildade, Deus tem honrado ela grandemente por
todos esses anos. Ela é uma grande fonte de inspiração pra mim e com cer-
teza não estaria escrevendo este livro se Deus não a tivesse usado tantas
vezes para falar comigo.
A minha mãe foi criada junto com outros nove irmãos pelos meus avós
e desse lado da família veio um dos grandes responsáveis pela nossa vida
cristã, o meu avô, Gedeão Rosa. Além de um maravilhoso e amoroso pastor,
ele também era excelente músico. Era um homem realmente inspirador.
Foi através das pregações do meu avô que eu comecei a me interessar pelo
evangelho.
Lembro-me bem que na minha adolescência, durante os cultos, a par-
te que mais me interessava era o momento da pregação. De algum modo,
mesmo sem entender bem, eu sabia que o evangelismo estava diretamente
ligado ao que Deus iria me chamar para fazer.
Ao contrário do que você possa imaginar, eu nunca me engajei em ativi-
dades de evangelismo na igreja, não pregava nos cultos da juventude e nem
estava em busca de cursos de teologia.
Na verdade, eu era o cristão morno, o famoso “domingueiro”. Por mais
que eu gostasse de ouvir as pregações, eu tinha uma visão muito limitada
sobre quem era Deus e o que ele poderia fazer por mim e por isso eu vivia
meus dias fazendo apenas o mínimo para ele. Houve uma época que eu
cantei no coral, participei do grupo jovem, toquei em uma banda e sim, foi
realmente um tempo muito legal, mas, eu sabia lá dentro que não era para
isso que eu tinha nascido.
Minha formação é em análise de sistemas e sou pós-graduado em ges-
tão de projetos. Sempre fui apaixonado por tecnologia e cultura nerd, por
isso, minha vida profissional foi toda voltada para a área de tecnologia, seja
trabalhando em multinacionais ou em startups.
A grande virada da minha vida aconteceu quando eu (por acaso) me
tornei professor universitário. Nilson, um grande amigo meu, havia sido
chamado para lecionar em uma das maiores universidades de tecnologia
do Brasil, porém, ele não tinha interesse na carreira de professor e então
resolveu me indicar a vaga. Recebi a ligação do diretor, fiz o teste e fui
aprovado. Depois disso, foram quatro anos como professor sendo um dos
mais bem avaliados pelos alunos semestre após semestre. E foi aí que en-
tão descobri o que eu precisava fazer: ensinar o Evangelho de Cristo para
outras pessoas. Ora, se eu conseguia ensinar alunos a criar softwares de
computador totalmente do zero, por que não conseguiria ensinar a palavra
de Deus para outras pessoas?
A partir dessa revelação, o Senhor foi me guiando passo após passo,
situação após situação até esse momento que estamos hoje. Nessa jornada
eu aprendi que muito mais do que emoção e sentimentos, a vida cristã é
uma vida de conhecimento e aprendizado.
De nada adianta dizer que somos cheios do Espírito Santo se não sa-
bemos quem ele é e como ele opera na nossa vida. Não faz sentido dizer
que somos discípulos de Jesus se negamos o fato que devemos levar a sua
palavra por onde formos. Ou ainda, viver um evangelho de autoajuda ou de
“toma lá, dá cá”, se a palavra de Deus é acima de tudo redenção, renúncia
e salvação.
Tenho dedicado meu tempo orando e estudando muito sobre a palavra
de Deus. Com certeza não sou um especialista em teologia, mas, não posso
abrir mão da missão que fui chamado para cumprir. Da última vez que fiz
isso o Senhor usou um desconhecido para falar duramente comigo e isso
mudou minha vida (em outro momento conto em detalhes isso para você).
Agora, minha missão de vida é fazer com que a palavra de Deus chegue
ao máximo de pessoas possível. Sempre tendo com base a Bíblia, apren-
dendo e ensinando o evangelho puro e simples do mesmo jeito que Cristo
ensinou e queria que nós praticássemos. Considero-me apenas mais um
discípulo do único e soberano mestre, chamado para formar mais e mais
discípulos até o fim dos meus dias.
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