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27 de dezembro. 2020.

Enquanto descansava depois de fazer provas, passei a refletir sobre assuntos que nunca
parei para pensar antes.

Na data atual em que escrevo essa dissertação, o mundo vive uma crise. O Covid assola o
mundo, ceifando mais e mais vidas. E muitas outras são ceifadas por outras razões. Mais
do que nunca, a morte está presente no mundo.

Mas ao pensar nisso, outro pensamento me veio a mente: Será que quando morremos,
simplesmente é o fim? O ponto final de uma existência complexa como da vida humana?
Que nossa alma simplesmente parte para o pós vida, seja ele o Paraíso ou o Inferno?

Não existe uma forma de superar a Morte e se tornar imortal nesse mundo físico nosso?

Foi com esses pensamentos que cheguei a conclusão: Talvez tenha.

Quando morremos, nossa alma deixa nosso corpo. Nosso corpo fica na terra e
simplesmente é deixado pra trás. Essa é a primeira morte.

A segunda morte é quando deixamos de existir no pensamento das pessoas. Quando


somos esquecidos e eventualmente morremos de suas memórias. Essa é a nossa segunda
morte.

As pessoas conseguem sobreviver a morte das mais diversas formas. Seja tomando
remédios para evitar ou curar uma doença. Sendo hospitalizado depois de ter quase ter
morrido em um tiroteio. Ou até mesmo simplesmente porque teve uma apêndicite e teve
que se operar.

Mas existe uma forma de superar a Morte. De ser imortal. De um indivíduo se tornar muitos.

Quando uma pessoa morre, enquanto pelo menos uma pessoa se lembrar dela e guardar
na memória quem era essa pessoa ou que ela representava, ela nunca estará totalmente
morta. Na verdade, ela estará mais viva do que nunca. Porque ela sempre estará marcada
na memória de uma ou mais pessoas, e se ela foi amada ou admirada, ela também estará
marcada no coração delas.

Júlio César, foi um dos mais conhecidos imperadores de Roma. Seu feitos ficaram
conhecidos e para o bem ou para o mal, ele ficou lembrado. Apesar de ter morrido, milhares
e milhares e milhares e milhares de anos depois, as pessoas ainda se lembram dele, seja
por seus feitos, lendas, histórias, defeitos, qualidades ou iapenas pelo nome. Ele se tornou
imortal na memória de todos.

E coloco no mesmo patamar de imortalidade meu avô, José Cândido do Nascimento.


Mesmo que ele já tenha partido desse mundo, seus ensinamentos e coisas que fez ficaram
aqui. Sua memória ficou em mim, na minha mãe Verônica Cândido, na minha segunda mãe
Sheila Lima, na minha irmã Priscila Lima, no meu cunhado Henrick (desculpe Henrick não
sei seu sobrenome), na família que ficou, em parte do meu sobrinho Rau. E todos os
amigos que o respeitaram e o amaram também.

E...enquanto escrevo essas palavras, sinto algo diferente depois dessa epifania. Ainda me
sinto triste pela partida dele mas...quando percebo que ele ainda vive dentro de mim e em
cada pessoa que passou na vida dele, me sinto inundado por uma alegria do qual é difícil
de se colocar em palavras. E que vez ou outra nesses últimos versos em que dígito, uma ou
outra lágrima escapa dos meus olhos.

Mas dessa vez não são lágrimas de tristeza, mas sim lágrimas de alegria, por ter finalmente
ter achado uma resposta dessas para mim.

De uma certa maneira, meu avô deixou de ser um indivíduo, e se tornou parte de vários
outros.

Essa é a minha concepção de como superar a Morte e ser imortal. Cada um tem um modo
de enxergar isso. Qual é o seu?

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