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P ORTUGUÊS 12.

O ANO – TESTE DE AVALIAÇÃO

ESCOLA________________________________________________ D ATA ___/ ___/ 20__

NOME________________________________________________ N. O____ TURMA_____

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o poema. Se necessário, consulte as notas de vocabulário.

O DESEJADO

Onde quer que, entre sombras e dizeres,


Jazas, remoto, sente-te sonhado,
E ergue-te do fundo de não-seres
Para teu novo fado!

Vem, Galaaz1 com pátria, erguer de novo,


Mas já no auge da suprema prova,
A alma penitente do teu povo
À Eucaristia Nova.

Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,


Excalibur do Fim, em jeito tal
Que sua Luz ao mundo dividido
Revele o Santo Gral!

Fernando Pessoa, Mensagem (ed. Fernando Cabral Martins), Porto,


Assírio & Alvim, 2012, p. 74.

1
Um dos Cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur e um dos três que conseguiu alcançar o Santo Graal. Era o filho de
Lancelote. Conhecido como o cavaleiro mais puro e, consequentemente, o único a poder sentar-se na Cadeira da Távola
Redonda. Pela sua pureza, Galaaz era considerado uma encarnação de Jesus na forma de cavaleiro.

1. Indique o tema do poema, explicitando o modo como se desenvolve.

2. Justifique a presença do tom exortativo visível no texto.

3. Explicite a simbologia do “gládio”, considerando o conteúdo da última estrofe.

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B

Leia o excerto. Consulte as notas, se necessário.

MADALENA, TELMO, MARIA


MARIA (entrando com umas flores na mão, encontra-se com Telmo, e o faz tornar para a cena) – Bonito! Eu
há mais de meia hora no eirado passeando – e sentada a olhar para o rio a ver as faluas e os
bergantins1 que andam para baixo e para cima – e já aborrecida de esperar... e o senhor Telmo, aqui
posto a conversar com minha mãe, sem se importar de mim! – Que é do romance 2 que me
prometestes? Não é o da batalha, não é o que diz:
Postos estão, frente a frente,
Os dous valorosos campos;
é o outro, é o da ilha encoberta onde está el-rei D. Sebastião, que não morreu e que há de vir um dia
de névoa muito cerrada...3 Que ele não morreu; não é assim, minha mãe?
MADALENA Minha querida filha, tu dizes coisas! Pois não tens ouvido, a teu tio Frei Jorge e a teu tio Lopo
de Sousa, contar tantas vezes como aquilo foi? O povo, coitado, imagina essas quimeras para se
consolar na desgraça.
MARIA Voz do povo, voz de Deus, minha senhora mãe: eles que andam tão crentes nisto, alguma coisa há
de ser. Mas ora o que me dá que pensar é ver que, tirado aqui o meu bom Telmo (chega-se toda
para ele, acarinhando-o), ninguém nesta casa gosta de ouvir falar em que escapasse o nosso bravo
rei, o nosso santo rei D. Sebastião. Meu pai, que é tão bom português, que não pode sofrer estes
castelhanos, e que até às vezes, dizem que é demais o que ele faz e o que ele fala… em ouvindo
duvidar da morte do meu querido rei D. Sebastião... ninguém tal há de dizer, mas põe-se logo outro,
muda de semblante, fica pensativo e carrancudo; parece que o vinha afrontar, se voltasse, o pobre do
rei. – Ó minha mãe, pois ele não é por D. Filipe; não é, não?
MADALENA Minha querida Maria, que tu hás de estar sempre a imaginar nessas coisas que são tão pouco
para a tua idade! Isso é o que nos aflige, a teu pai e a mim; queria-te ver mais alegre, folgar 3 mais, e
com coisas menos...
MARIA Então, minha mãe, então! – Veem, veem?... também minha mãe não gosta. Oh! essa ainda é pior,
que se aflige, chora... ela aí está a chorar (vai-se abraçar com a mãe, que chora). Minha querida mãe,
ora pois então! – Vai-te embora, Telmo, vai-te: não quero mais falar, nem ouvir falar de tal batalha,
nem de tais histórias, nem de coisa nenhuma dessas. – Minha querida mãe!
TELMO E é assim: não se fala mais nisso. E eu vou-me embora. (À parte, e indo- -se depois de lhe tomar
as mãos) Que febre que ela tem hoje, meu Deus! Queimam-lhe as mãos... e aquelas rosetas4 nas
faces... Se o perceberá a pobre da mãe!

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa (dir. Annabela Rita), Porto, Edições Caixotim, 2004 (cena III, ato I).
1 2 3 4
Embarcações pequenas e ligeiras, de dois mastros.; Narrativa de tradição popular.; Divertir, distrair.; Manchas
avermelhadas, características da tuberculose.

4. Refira de que modo se evidencia o patriotismo neste excerto.

5. Estabeleça aproximações de conteúdo entre o poema da obra Mensagem (grupo I – A) e o excerto


textual de Frei Luís de Sousa.
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GRUPO II
Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.
Descobrir, ainda, os Descobrimentos

Especialistas de vários países contribuem para uma abordagem completa, e bem arrumada, da expansão
portuguesa, em Dicionário da Expansão Portuguesa, livro de Francisco Contente Domingues.

Para quem está habituado a tomos históricos dominados por descrições amplas, demonstrando
investigação exaustiva, este volume guarda surpresas: abre-se o livro de capa dura e a sua estrutura
5 revela pequenas entradas de texto, ordenadas alfabeticamente, que podem ser consultadas
avulsamente, de forma simples. Fica a sensação de adaptação à realidade atual em que os leitores
comunicam por mensagens curtas e conteúdos sintéticos. A informação está organizada em dois tipos
diferentes: artigos mais curtos com informação específica sobre um certo tipo de navio, uma cidade, a
biografia de uma personagem; e cerca de 50 textos maiores, abordando temas como “a arte, a guerra, a
10 sociedade, a universidade, as moedas, a gastronomia ou a medicina.” Explica Francisco Contente
Domingues, especialista em história marítima, que já participara no  Dicionário de História dos
Descobrimentos Portugueses (lançado em 1994), que “o leitor não encontrará entradas sobre o
astrolábio, o quadrante ou a balestilha, porque o artigo sobre os instrumentos de navegação versa todos
eles”. O estilo é diversificado nas quase 400 entradas escritas por 37 especialistas de nove países. “A
15 História não é consensual no depurar e na interpretação das informações que nos chegam”, lembra, na
introdução, Contente Domingues.
Essa liberdade estende-se ao sacudir de conceções vigentes: na entrada dedicada à Escola de
Sagres, defende-se que é “seguramente o mito mais enraizado e duradouro da expansão ultramarina
portuguesa: a ideia de que o infante D. Henrique teria fundado em Sagres uma academia dedicada aos
20 estudos náuticos, geográficos e astronómicos, na qual se teriam alegadamente instalado os maiores
sábios europeus da época e onde as viagens de exploração do Atlântico teriam sido cientificamente
preparadas e validadas”.
Sílvia Souto Cunha, Visão, edição online de 01.02.2016 (consultado em fevereiro de 2017)

1. O livro a que se refere a jornalista


(A) é da inteira responsabilidade de Francisco Contente Domingues.
(B) é uma compilação de relatos sobre os Descobrimentos.
(C) contou com a colaboração de vários especialistas estrangeiros.
(D) retrata de forma completa a época dos Descobrimentos.

2. A estrutura do livro
(A) assemelha-se à usada em livros de História.
(B) permite uma consulta simples e funcional.
(C) impressiona pelas entradas exaustivas.
(D) revela um enorme trabalho de pesquisa.
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3. Um dos assuntos abordados no livro é


(A) o mito da escola de Sagres, fundada pelo infante D. Henrique.
(B) a unicidade interpretativa dos temas históricos trabalhados.
(C) a convergência de ideias dos 37 especialistas participantes.
(D) a articulação da era dos Descobrimentos com a realidade atual.

4. O sujeito do enunciado “revela pequenas entradas de texto, ordenadas alfabeticamente” (l. 5) é


(A) “o livro de capa dura”.
(B) “este volume”.
(C) “o livro de capa dura e a sua estrutura” .
(D) “a sua estrutura”.

5. O constituinte sublinhado em “que ‘o leitor não encontrará entradas sobre o astrolábio’” (ll. 12-13)
classifica-se, quanto à classe de palavras, como
(A) pronome relativo.
(B) conjunção subordinativa consecutiva.
(C) conjunção subordinativa completiva.
(D) conjunção subordinativa causal.

6. A oração “que nos chegam” (l. 15) classifica-se como subordinada


(A) adjetiva relativa explicativa.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) adverbial causal.
(D) substantiva completiva.

7. O advérbio relativo “onde” (l. 21) refere-se a


(A) “uma academia”.
(B) “em Sagres”.
(C) “estudos náuticos”.
(D) “sábios europeus da época”.

8. Identifique o tempo e modo da forma verbal “teria fundado” (l. 19).

9. Indique o processo de formação da palavra “sacudir” (l. 17).

10. Indique a modalidade configurada no segmento “onde as viagens de exploração do Atlântico teriam
sido cientificamente preparadas e validadas” (ll. 21-22).

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GRUPO III

A expansão portuguesa constituiu o momento áureo da nação e trouxe inúmeros contributos para
o desenvolvimento científico, geográfico, cultural e para o conhecimento em geral. Contudo, aspetos
menos positivos também tiveram origem nesta empresa marítima.

Num texto de 200 a 300 palavras, refira-se às vantagens e às desvantagens decorrentes dos
Descobrimentos, apresentando, no mínimo, dois argumentos e, pelo menos, um exemplo significativo
para cada um deles.

COTAÇÕES
GRUPO ITEM
(Cotação em pontos)
I 1. a 5. (5 itens x 20 pontos) 100
II 1. a 10. (10 itens x 5 pontos) 50
III Item único (50 pontos) 50
TOTAL 200

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MATRIZ

GRUPOS
Domínios
e
Conteúdos I II III

LEITURA EXPRESSÃO
LEITURA ESCRITA
e COTAÇÃO
GRAMÁTICA
COMPREENSÃO Texto
expositivo-
Tempos verbais
Item A argumentativo
Classe de palavras
Poema de Mensagem
Formação de palavras
Funções sintáticas
Item B
Subordinação
Excerto de Frei Luís de
Referente
Tipologia de Sousa – Almeida Garrett
Modalidade
itens

1a7
Escolha múltipla (7 itens x 5 pontos) 35

8, 9 e 10
Resposta curta (3 itens x 5 pontos) 15

Resposta restrita Item A

1a3 100

(3 itens x 20 pontos)

Item B

4e5

(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa 30 + 20 pontos

Tema e
tipologia (15)

Estrutura e
coesão (10)

Léxico e 50
adequação do
discurso (5)

Correção
linguística (20)

COTAÇÃO 100 60 40 200

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PROPOSTA DE CORREÇÃO
I–A

1. O poema tem como tema o apelo feito ao Mestre da Paz para que venha reerguer a pátria. A temática desenvolve-se
de forma linear:
− a primeira estrofe funciona como introdução, onde se endereça o pedido àquele que, no momento, jaz
adormecido, inconsciente do destino que lhe está reservado;
− o apelo prolonga-se na segunda estrofe, desvendando-se, agora, as razões que estão subjacentes: a pátria
espera que “ele” a venha erguer, isto é, o povo sofredor exige dele a “suprema prova”, que o fará atingir a
“Eucaristia Nova”, ou seja, a glória de outrora, a projeção da nação;
− na última estrofe, a exortação ao “Mestre da Paz” prossegue, sendo percetível a recompensa reservada ao
“Galaaz” que usou a espada ungida, cuja “luz” permitirá à nação revelar-se.

2. O tom exortativo estende-se por todo o poema, traduzindo a angústia e a aflição do sujeito poético que, através das
apóstrofes e do imperativo, reclama a presença do predestinado (D. Sebastião), de modo a que a glória do povo
português possa ser restabelecida e a nação saia do estado de inércia em que se encontra. De facto, o estado
decadente da nação leva a que o povo português deposite a sua fé, a sua esperança, em D. Sebastião, vendo nele
o salvador, o redentor da pátria adormecida, apenas envolta em glórias antigas que urgia recuperar.

3. De acordo com a última estrofe, o “gládio”, espada que seria empunhada pelo “Desejado”, não é um símbolo de
guerra, mas um sinal de força e de energia. Revelará ao mundo, através do brilho que imana, um novo império, não
material, mas de luz e de esperança. Desta forma, “o mundo dividido” conhecerá uma nova era de paz e de
conhecimento, isto é, nascerá “o Quinto Império”.

I−B

4. O patriotismo evidencia-se particularmente na personagem Maria e nas referências que faz a Camões e a
D. Sebastião. Com efeito, ambos partiram para Alcácer Quibir com o objetivo de defender e afirmar a pátria através
do domínio dos mouros. Além disso, na segunda réplica da personagem, Maria destaca o patriotismo do pai quando
afirma: “Meu pai, que é tão bom português, que não pode sofrer estes castelhanos…”. Assim, e perante o domínio
filipino, tanto Manuel de Sousa como Maria e Telmo manifestam o seu desagrado e, simultaneamente, o seu
patriotismo.

5. Em ambos os textos se assiste à evocação de D. Sebastião, sendo alvo de mitificação. No poema “O Desejado”,
surge como uma espécie de prolongamento ou confirmação de que o rei não teria morrido, ainda que neste poema
sobressaia o valor simbólico do rei desaparecido. Sendo assim, pode afirmar-se que ambos os textos apresentam
como tema central o sebastianismo.

II

1 – (C); 2 – (B); 3 – (A); 4 – (D); 5 – (C); 6 – (B); 7 – (A)


8. Condicional composto.
9. Conversão.
10. Modalidade epistémica com valor de probabilidade.

III

Introdução – A expansão e o desenvolvimento económico, científico e cultural

Desenvolvimento: 1.º argumento – novas aprendizagens e o desenvolvimento tenológico


Exemplo: cartografia e instrumentos de navegação
2.º argumento – despovoamento do território nacional e mortes
Exemplo: os ataques dos corsários, os naufrágios
Conclusão – Opinião pessoal relativamente aos aspetos positivos e/ ou negativos decorrentes das descobertas

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