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1º Encontro Estadual de
Mulheres dos Colegiados
Territoriais de Pernambuco
Realizado dias 05 e 06 de julho de 2016 sob a coordenação dos
Núcleos de Extensão e Desenvolvimento Territorial – NEDET.

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1º Estadual de Mulheres do Estado de Pernambuco

Realizado dias 05 e 06 de julho de 2016 sob a coordenação dos Núcleos de Extensão e


Desenvolvimento Territorial – NEDET.

Objetivo Geral:
Fortalecer a participação das mulheres no espaço do Colegiado Territorial.

Objetivo Específico:
1. Incentivar as mulheres para uma participação qualificada nos espaços de
empoderamento para o acesso e controle das políticas públicas no Território;
2. Reunir em grupos para debater questões pertinentes à autonomia das mulheres;
3. Discutir e validar em plenária os assuntos abordados nos grupos de discussão.

Tema: (Geral)
Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial

Temas Transversais:
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

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Temas para os grupos de trabalho
Grupo 1: Mulheres nos Espaços de debates das políticas públicas;
Grupo 2: Inclusão Produtiva: a mulher e sua participação no mundo do trabalho e
renda;
Grupo 3: Violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha (11.340) e Lei do Feminicídio
(13.104);
Grupo 4: Mídia como ferramenta de enfraquecimento ou empoderamento da mulher?

Grupo 5: Diversidade feminina: o discurso feminista e a autonomia das mulheres.

Orientação para que cada grupo traga para a Plenária:


Identificar problemas ligados ao tema do grupo (mínimo 5, máximo 10 problemas);
Estratégias de enfrentamento aos problemas citados (até 3 estratégias para cada
problema).

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Toré Feminista

José, José – prepare teu café

João, João – cozinhe teu feijão

Ôh, Zeca! Ôh, Zeca! – Lave tua cueca.

Ernesto, Ernesto – aprenda a fazer sexo

Zequinha, Zequinha – só com camisinha

Tião, Tião – Com violência não. E não, é não.

Simone, Simone – bote a boca no trombone

Cristina, Cristina – olhe tua vagina

Mulher, Mulher – seja O QUE QUISER.

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Responsáveis pelo Evento:

Coordenadores NEDET
Prof. Victor Pereira de Oliveira - UFRPE
Prof. Tarcísio Augusto Alves da Silva- UFRPE
Prof. Gevson Silva Andrade - UPE
Prof. Moacir Cunha Filho - UFRPE
Profª. Lucia Marisy Souza Ribeiro – UNIVASF

Sistematização do Relatório, Diagramação e Fotografias


João Batista de Oliveira - ATGS

Moderadoras/Sistematizadoras dos grupos


Maria Helena Peixoto de Oliveira Gizelia Barbosa Ferreira
Nayra Luiza de Oliveira Souza Normeide Souza Farias
Ivanir Bezerra dos Santos Uedislaine de Santana

Organização
Lusivan Siqueira Lino Alexsandra Bezerra da Silva
Xenusa Pereira Nunes Maria Gorete Nunes Barbosa
Simone Maria da Silva Prof Victor Pereira de Oliveira
Mauricelia Lino da Silva Ane Flávia de Souza Rodrigues
João Batista de Oliveira Karla Patrícia Medeiros de Brito
Patrícia Karla de Oliveira Alysson Paulo dos Santos Godoi
Moema K. Nogueira de Sá Gáudia Maria Costa Leite Pereira
José Barbosa de Freitas

Apoio

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Aleide Correia dos Santos Klecianny Bezerra de Melo
Aline Oliveira Maria Goretti Prohmann
Alysson Paulo dos Santos Godoi Maria Julie Ane Tenório da Silva
Anayra Ferreira de Lima Mariana Machado Cunha
Anne Karoline Batista das Montanhas Matheus Nunes da Silva
Bárbara de Menezes Teixeira Natália do Nascimento Correia
Cíntia Emanuelle Ribeiro Ferreira Pedro Francisco Nunes Neto
Flávia Regina Paes da Rocha Quitéria Iara Nunes doa Santos
Guilhermina Flávia Libório rocha Rafaela Ferreira Silva
Isabelle de Couto Mauricio Vita Raíza Monique da Paixão Carneiro
Ivanir Bezerra dos Santos Sílvio Rômulo Miranda de Freitas Neves
Jaciele Beserra de Lira Mauricelia Lino da Silva
Jadson Vieira de Melo Jadson José da Silva
Jamille de Freitas Batista Alessandro Francisco de Lima
Jose Barbosa de Freitas Maria Beatriz do Nascimento Silva
Jose Rafael Severo Cavalcante Maria Gorete Nunes Barbosa
Joyce Myrelle da Conceição Januário Lígia Anny Alves de Carvalho Farias
Kattylla Maria Ferreira Felix Washington Pedro Barbosa da Silva

Sumário
1. Siglas
2. Apresentação
3. Introdução
4. Programação do Evento

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5. Apresentação de Joana Santos - Assessora da SDT
6. Relação detalhada das Políticas Públicas Específicas
7. Resultado dos Grupos
a. Resultado Grupo 1
b. Resultado Grupo 2
c. Resultado Grupo 3
d. Resultado Grupo 4
e. Resultado Grupo 5
8. Manifestações em Plenária: Destaques, protestos, considerações
9. Considerações finais
10. Anexos
a. Perfil das Educadoras ATGEs
b. Registro Fotográfico

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1. Siglas
AGROAMIGO - Programa de Microfinança Rural do Banco do Nordeste;
AJCS – Associação de Juventude Construindo Sonhos;
ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações;
APP – Software para Celular;
ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural;
ATGEs – Assessoras Territoriais de Gênero;
ATGS - Assessor Territorial para Gestão Social;
CMDRS – Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável;
CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento;
COOPANEMA – Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares Vale do Ipanema e Agreste Meridional;
CNDRSS - Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário;
DAP – Declaração de Aptidão ao PRONAF;
DFDA – Delegacia Federal do Ministério de Desenvolvimento Agrário;
DPMR/MDA - Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais - Ministério Desenvolvimento Agrário;
DPMRQ – Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombola;
FETAPE – Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco;
IADH – Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano;
IFAM – Instituto Federal do Amazonas;
IFSP – Instituto Federal de São Paulo;
INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária;
IPA - Instituto Agronômico de Pernambuco;
LOA – Lei Orçamentária Anual;
MDA – Ministério Desenvolvimento Agrário;
MDS – Ministério do Desenvolvimento Social;
MMTR – Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais;
NEDET – Núcleo de Extensão e Desenvolvimento Territorial;
PAA – Programa de Aquisição de Alimentos;
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PLANAPO - Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica;
PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar;
PNRA – Plano Nacional de Reforma Agrária (para assentamentos);
PROINF - Programa de Apoio à Infraestrutura nos Territórios Rurais;
PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar;
PRONATEC - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego;
PRORURAL - Programa Estadual de Apoio ao Pequeno Produtor Rural;
PROUNI – Programa Universidade Para Todos;
SDT – Secretaria de Desenvolvimento Territorial;
SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas;
SEPPIR – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial;
SIPRA - Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária;
UFFS – Universidade Federal da Fronteira Sul;
UFRPE/UAG – Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Garanhuns
UFRPE/UAST – Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmcia de Serra Talhada;
UGT – Unidade Gestora Territorial do PRORURAL;
UNIFESSPA – Universidade Federal do Sul e Sudoeste do Pará;
UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco;
UNOPAR – Universidade Norte do Paraná;
UPE – Universidade de Pernambuco.

2. Apresentação

Esse relatório traz os principais elementos tratados no 1º Encontro de Mulheres dos


Colegiados Territoriais do Estado de Pernambuco. O Encontro foi promovido pelos
Núcleos de Extensão e Desenvolvimento Territorial – NEDET vinculados a universidades

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públicas nos Territórios de Pernambuco: Mata Sul, Mata Norte, Agreste Central, Agreste
Setentrional, Agreste Meridional, Sertão São Francisco, Sertão Pajeú e Itaparica-BA.

A abertura foi dia 05/07/2016 à noite, quando foi composta uma mesa com os
coordenadores/as do NEDET, representantes de mulheres e a reitora da UFRPE, que
declarou aberto o Encontro.

Dia 06/07/2016, durante todo o dia, pela manhã trabalhos em grupos e à tarde
apresentação em Plenária dos resultados dos grupos.

No corpo desse documento, são apresentados a programação do encontro, a


apresentação das Políticas Públicas para as Mulheres e os resultados dos grupos, bem
como posições durante a Plenária, relativas à atual situação política do Brasil e o perfil das
educadoras – Assessoras Territoriais de Gênero – ATGEs.

Para o Evento se inscreveram 321 pessoas, incluindo aí a equipe de apoio (lista acima).

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3. Introdução

O tema de Gênero é urgente e vem sendo tratado com uma disposição muito positiva por
vários setores da sociedade, embora ainda insuficiente. O grande interesse pelo debate
pode-se verificar no grande número de pessoas desejosas em participar de um encontro
desse porte, há um grande anseio e vontade de contribuir, com presença de importantes
lideranças feministas de diferentes lugares sociais como sindicatos de trabalhadoras
rurais, movimentos feministas e universidades (estudantes e professoras).
O mesmo tema visto por vários aspectos enriquece e dá sentido à causa que transcende
agrupamentos particulares e se torna universal. Essa perspectiva universalista não só não
neutraliza anseios e necessidades particulares, mas ao contrário, os agudizam ao colocar
foco e luzes sobre situações de cada mulher, no seu contexto, que mereçam reflexões e
tomadas de decisões gerais. Exemplo: em relação à Violência, leis que atendam e
protejam; sobre a Exclusão social, Políticas Públicas que atendam situações particulares;
quanto à renda, crédito específico e compra direta...
Os temas transversais do Encontro: Mulheres do Meio Rural, Acesso às Políticas Públicas
nos Territórios, Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina evidenciam o caráter
ambicioso do Encontro em formular diretrizes que norteiem as ações concretas para as
mulheres, desde seu lugar social onde vive a família, perpassando pelas políticas públicas
já existentes e seus impactos reais para a mudança na qualidade de vida das mulheres,
bem como aponta uma análise da situação atual do Brasil e que lugar estará reservado às
mulheres nesse futuro que se vislumbra.
Nas discussões feitas nos grupos, as mulheres trouxeram respostas diretas e
apresentaram soluções que esperam ver implantadas pelos governos, como também

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esperam de si mesmas maior capacidade de articulação e proposição; querem ver as
políticas públicas efetivamente implementadas e ao alcance das mulheres; que tais
políticas sejam cada vez mais específica e tenham maior abrangência; e que novas formas
de relação social sejam construídas nas escolas, famílias, comunidades... de modo que as
mulheres consigam maior liberdade e autonomia.
Numa análise rápida do conteúdo resultante dos grupos, percebemos os principais
gargalos apontados como impeditivos para que as mulheres consigam mais autonomia e
empoderamento e se sintam mais livres e autoconfiantes para lidar com as injustiças
arraigadas que as oprimem. Alguns termos apareceram várias vezes nos grupos e essa
recorrência aponta rumos e pode servir de indicadores para a formulação de estratégias
que sejam de fato eficientes. Por ordem decrescente, segue enumerada as vezes em que
apareceram algumas expressões: dificuldade de acesso às Políticas Públicas/burocracia/
falta de informação e divulgação/ desconhecimento – 50 vezes; ausência dos temas
gênero, feminismo, sexualidade, direitos, saúde e violência contra a mulher na sociedade
- 37 vezes; educação/ formação inadequadas/ falta de assistência técnica – 27 vezes;
mulheres rurais (mais abandonadas) - 18 vezes; necessidade de empoderamento e
autonomia – 8 vezes.

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4. Programação do Evento

DIA 05/07/2016 – ABERTURA

18:00 – Grupo artístico


18:30 – Abertura – Mestre Cerimônia
18:40 - Contextualização do evento
19:00 - Composição da Mesa e falas iniciais
19:30 – Apresentação dos Temas pelas assessoras
20:30 – Jantar.

DIA 06/07/2016 – DISCUSSÕES E PRODUÇÃO

8:30 – Resgate da contextualização e seu significado para as mulheres de Pernambuco e


para o Colegiado Territorial;
8:50 – Informações operacionais, logística e apresentação das equipes de apoio, ATGEs e
assessoria;
9:00 – Temas e Metodologia de trabalho:
Divisão das participantes em cinco grupos com os seguintes temas:
Grupo 1: Mulheres nos Espaços de debates das políticas públicas;
Grupo 2: Inclusão Produtiva: a mulher e sua participação no mundo do trabalho e renda;
Grupo 3: Violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha (11.340) e Lei do Feminicídio
(13.104);
Grupo 4: Mídia como ferramenta de enfraquecimento ou empoderamento da mulher?;
Grupo 5: Diversidade feminina: o discurso feminista e a autonomia das mulheres.

Orientação para que cada grupo traga para a Plenária:

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Identificar problemas ligados ao tema do grupo (mínimo 5, máximo 10 problemas);
Estratégias de enfrentamento aos problemas citados (até 3 estratégias para cada
problema).

9:30 – Divisão dos grupos


9:40 – Apresentação das assessorias dos respectivos grupos e locais onde irão se reunir.
10:00 – Lanche e ida para os grupos;
12:30 – Almoço
a) Intervalo de visitação às barracas de produtos típicos regionais.
14:30 – Plenária – (20 min para cada grupo) = 10 min para apresentação das propostas e
10 min para apresentação de uma experiência exitosa de algum membro do
grupo;
16:30 – Lanche e autógrafos do livro doado pela trabalhadora rural e escritora dona Ilda
Pereira, do MMTR
17:00 – Validação das apresentações dos grupos – 15 min para cada grupo;
17:30 – Evento cultural
18:00 – Entrega do kit de sementes crioulas - Moema
19:00 – Evento Cultural
20:00 – Jantar.
_________________________

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Roteiro de orientação para MODERADORAS e SISTEMATIZADORAS dos Grupos

Tema: (Geral)
Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial

Temas Transversais:
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

Temas para cada grupo:


Grupo 1: Mulheres nos Espaços de debates das políticas públicas;
Grupo 2: Inclusão Produtiva: a mulher e sua participação no mundo do trabalho
e renda;
Grupo 3: Violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha (11.340) e Lei do
Feminicídio (13.104);
Grupo 4: Mídia como ferramenta de enfraquecimento ou empoderamento da
mulher?
Grupo 5: Diversidade feminina: o discurso feminista e a autonomia das mulheres.

Governança do tempo:

10:40 – Boas vindas e apresentação da equipe: moderadora, sistematizadora e


apoio. Apresentação das participantes;
10:50​ – Apresentação e problematização do TEMA;
11:00 – Rodada de falas considerando: Avanços, Desafios e Perspectivas sobre o
tema do grupo;
11:30​ – Seleção de 5 a 10 problemas (desafios) dentre os mencionados;
11:50 – Levantamento de Estratégias de Solução, (sendo no máximo 3 para cada
problema);

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12:20 – ​Identificar uma experiência de vida entre as participantes de cada grupo,
para ser apresentado na plenária da tarde.
12:30​ – Encerramento e segue para Almoço

Apresentar na Plenária:

1. Problema 1:
1.1. Primeira Estratégia de Solução
1.2. Segunda Estratégia de Solução
1.3. Terceira Estratégia de Solução

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5. Apresentação de Joana Santos - Assessora da SDT

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6. Relação detalhada das Políticas Públicas
Específicas

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO


Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas - DPMRQ
Ed. Palácio da Agricultura. SBN Quadra 1, Bloco F, 9º andar. Brasília - DF. CEP: 70.040-908

Fone: (61) 2020-0400

Políticas Públicas para as Mulheres Rurais

Política/Programa Como acessar?


Titulação Conjunta da Terra (Portaria Lotes já titulados - ​procurar a Superintendência
nº981/2003 do INCRA) – os lotes de Regional do INCRA para solicitar a inclusão do nome
assentamento passam a ter o nome do da mulher no Sistema de Informações de Projetos de
homem e da mulher e em caso de Reforma Agrária (SIPRA) e no processo
separação e quando a mulher tem a administrativo do lote. Apresentar os documentos
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guarda dos filhos ela tem o direito de pessoais do casal (CPF, RG, Certidão de Nascimento,
permanece no lote; Título de Eleitor) e os de regularização fundiária do
assentamento.
Titulação em curso – ​procurara Superintendência
Regional do INCRA e requerer a inclusão do nome da
mulher na titularidade do lote, no processo
administrativo e no Sistema de Informações de
Projetos de Reforma Agrária (SIPRA) apresentando
os documentos que comprovem a união entre
ambos.
Programa de Organização Produtiva de O MDA através da Diretoria de Políticas para as
Mulheres Rurais – ​financia projetos para Mulheres lança ​Chamadas Públicas​ para seleção de
desenvolver ações de apoio a grupos projetos.
produtivos e redes de mulheres,
realização de feiras e mostras de
economia feminista e solidária, formação Podem participar entidades e instituições públicas
em políticas públicas, intercâmbios e ou privadas sem fins lucrativos. (Organizações Não
trocas de experiências, etc.; Governamentais, Associações, Prefeituras,
Organizações de mulheres).

http://www.mda.gov.br/sitemda/chamadas-publicas
/chamamento-p%C3%BAblico-de-apoio-organiza%C3
%A7%C3%A3o-produtiva-de-mulheres-rurais-n%C2%
BA001-2014

Programa Nacional de Documentação Procurar informações junto à Delegacia do MDA,


da Trabalhadora Rural – criado em 2004 Superintendência do INCRA e/ou Prefeitura do seu
emite documentação gratuita (RG, CPF,

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Carteira de Trabalho, Bloco de Notas, município sobre a realização de mutirões no seu
etc.) através da realização de Mutirões município ou região.
nos assentamentos e comunidades
rurais de todo o país.
Programa Terra Forte (INCRA)​: oferece O INCRA realiza Chamadas Públicas para seleção
apoio à agregação de valor da produção dos projetos a serem atendidos ​pelo Programa.
da reforma agrária (atende cooperativas
e associações);
Devem-se buscar informações junto a
Superintendência do INCRA e/ou entidades de
assistência técnica.
Programa Terra Sol (INCRA): ​oferece O INCRA realiza Chamadas Públicas para seleção
apoio à comercialização e agregação de dos projetos a serem atendidos ​pelo Programa.
valor da produção da reforma agrária
(projetos individuais). Em 2014 o INCRA
e Diretoria de Políticas para Mulheres Deve-se procurar informações junto a Divisão de
Rurais realizou uma Chamada Pública Desenvolvimento da Superintendência Regional do
para apoiar projetos específicos para INCRA e das cooperativas e associações.
mulheres;
PROINF: apoia a implantação de O MDA através da SDT lança Chamada Pública para
infraestruturas produtivas, de seleção de projetos. Podem apresentar projetos
abastecimento e escoamento da entidades privadas sem fins lucrativos que elaboram
produção nos Territórios da Cidadania e a proposta e inserem no SICONV.
Territórios Rurais. A partir de 2014 foi
determinado que 40% dos recursos
seriam destinados a metas específicas Existem metas específicas para mulheres.
para atender mulheres, jovens e povos
tradicionais; Devem-se informar junto aos Colegiados Territoriais,
Delegacias do MDA, entidades de assistência técnica,
associações, cooperativas ou na própria SDT.

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Programa de Aquisição de Alimentos O acesso pode ser individual ou coletivo, por meio
(PAA): Em 2012 foi definido que 5% do de associações e cooperativas.
recurso do PAA seriam destinados a
financiar projetos específicos de grupo
produtivos de mulheres rurais. Pode-se buscar informação junto a CONAB, INCRA,
Delegacias do MDA, Prefeituras, associações e
cooperativas, organizações de mulheres do seu
Também foram estabelecidas cotas município e/ou estado e entidades que prestam
mínimas para participação das mulheres assistência técnica.
rurais como fornecedoras nas
modalidades Compra com Doação
Simultânea e Compra Direta Local a cota
mínima é de 40% de mulheres e nas
modalidades Formação de Estoque e
PAA Leite a cota mínima é de 30% de
mulheres;
Pronaf Mulher – ​linha de crédito de
acesso exclusivo das mulheres rurais. A
É necessário ter a Declaração de Aptidão ao Pronaf
partir de 2014 a linha do Pronaf Mulher
(DAP). O projeto técnico, individual ou coletivo, deve
aumentou seu valor para até R$
ser encaminhado para análise do banco ou
30.000,00 (trinta mil reais), será operada
cooperativa de crédito.
pela metodologia do ​Microcrédito
Produtivo Orientado​ em todo o Brasil.

Fomento Mulher (antigo Apoio Mulher)​: Grupos produtivos compostos de, no mínimo, três
voltado à implantação de projeto (3) mulheres. Não há necessidade de formalização
produtivo sob responsabilidade da do grupo. O projeto técnico, elaborado por equipes
mulher titular do lote, no ​valor de até R$ de Assistência Técnica e Extensão Rural (antiga ATES)
3 mil, em operação única​, por família e/ou por servidores (as) das Superintendências
assentada. Regionais do INCRA, deve ser encaminhado à
Superintendência Regionais do INCRA para análise.

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Ater Mulheres: assistência técnica As entidades prestadoras de serviços e credenciadas
especifica para atender mulheres rurais; devem se candidatar às Chamadas Públicas lançadas
pela DPMR/MDA.
O MDA e INCRA contratam entidades para
prestar serviços de assistência técnica às
mulheres. ATER Mulher Agroecologia
Atende Agricultoras familiares, http://www.mda.gov.br/sitemda/chamadas-publicas
extrativistas, quilombolas, mulheres /chamada-p%C3%BAblica-n%C2%BA-012014-ater-m
indígenas, pescadoras artesanais, ulheres-agroecologia
aquicultoras e ribeirinhas.

ATER Mulher Semiárido


Plano Safra 2015-2016: ATER para as
Mulheres http://www.mda.gov.br/sitemda/chamadas-publicas
/chamada-p%C3%BAblica-n%C2%BA-022014dpmrq
mda-ater-mulheres-semi%C3%A1rido
• 50% de mulheres atendidas em todas
as chamadas públicas de ATER
Quilombolas
• 30% dos recursos de assistência
técnica para atividades específicas http://www.mda.gov.br/sitemda/chamadas-publicas
/chamada-quilombola-0062014

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7. Resultado dos Grupos

a. Resultado Grupo 1

Tema Geral do Encontro


Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial.

Tema do Grupo 1:
Mulheres nos Espaços de debates das políticas públicas;

Temas Transversais:
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

Problemas Identificados e Soluções Estratégicas:

Problemas Soluções/Estratégias

Dificuldade de acesso as políticas Mais organização, na base, das pessoas que


públicas de pessoas tanto que fazem fazem as políticas públicas, tem que afinar o
01
parte de grupos específicos ou não que está no papel com o vai ser executado.
(quilombolas, pescadores e outros).

Acesso das políticas públicas por


02 pessoas descomprometidas com as
causas/as associações.

29
Burocracia no processo de
03 documentação para acessar as
políticas públicas.

04 Custeio para acessar os programas.

Falta de divulgação de algumas


05 políticas públicas (população sem
conhecimento).

06 Difícil acessar as políticas de ATER. Criar programas de ATER permanentes.

Estabelecer metas para ampliar o número


07 Problemas com o PAA e PNAE.
de produtores da agricultura familiar.

Falta de incentivo para organização


08
das associações.

Recursos para a política nas mãos de Desburocratização desses processos para


políticos descomprometidos e que os agricultores tenham acesso direto as
corruptos (para receber alguns bens políticas públicas.
09
tem que ser no nome das
prefeituras, por que não pode vir
diretamente para as associações?).

Discutir orçamento público nos Curso do Tribunal de Contas sobre


10 municípios e o acompanhar na Transparências.
execução.

Falta de autonomia nos orçamentos


11
participativos.

30
Falta de autonomia dos organismos Criação de câmaras específicas de mulheres
12
de mulheres. nos Territórios

1. Parceria com entidades públicas e civis;


Pouco orçamento para discutir 2. Formação no campo (sobre os caminhos)
dentro dos Territórios. (Espaço de acesso às políticas públicas;
14
privilegiado para discutir e formular 3. Envolver a juventude nos processos nas
Políticas Públicas) comunidades com capacitação em novas
tecnologias.

15 Insuficiência de ATER. Fazer ATER continuada

Criar condições para mulheres


16 Escoamento de Produção.
comercializarem seus produtos

17 Falta de parceria.

A ausência de políticas relativas a Criar tais Políticas


saúde das mulheres trabalhadoras
18
rurais/do campo e da população
negra no campo.

Educação no campo e para o campo Escolas e currículos contextualizados


19
abandonada.

Modificação da Legislação no que se Buscar o legislativo para modificar a lei


20
refere ao PROINF; existente.

Dificuldades de acesso aos 1. Melhorar o acesso das mulheres as


21
programas (PRONAF/Mulher, Terra políticas e ao comércio;

31
Pronta, Cisternas, PNAE, PAA, DAP, 2. Modificação da Legislação no que se
PNRA e outros). refere ao PROINF, buscar poio do
legislativo;
3. Capacitação para elaboração de projetos
para facilitar o acesso;
4. Ampliar os órgãos para emissão de DAP,
além do IPA;
5. Divulgar as políticas públicas/programas
no Território;
6. Estabelecer metas para ampliar o
número de produtores da agricultura
familiar atendidos.

Formação para elaboração de projetos e


22 Dificuldades para elaborar projetos.
captação de recursos.

Dificuldade da população
Quilombola em acessar o Minha
25
Casa, Minha Vida Rural (por causa da
DAP).

Reduzir o tempo burocrático de acesso a


26 Dificuldade de acesso ao PNRA
política.

Saúde da população negra no campo


27
(doenças específicas);

32
b. Resultado Grupo 2

Tema Geral do Encontro


Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial

Tema do Grupo 2:
Inclusão Produtiva: a mulher e sua participação no mundo do trabalho e renda;

Temas Transversais:
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

Problemas Identificados e Soluções Estratégicas:

Problemas Soluções/Estratégias

1. Aumentar a participação das agricultoras nos espaços


de tomada de decisão (colegiados, instituições
públicas e privadas);
2. Construir espaços de formação na área de
processamento e beneficiamento de matéria prima;
01 Comercialização
3. Formação diversificada: refletir sobre o papel da
mulher, meio ambiente, Agroecologia e outros temas;
4. Criação das secretarias de mulheres nos municípios
que ainda não possuem e fortalecer as secretarias
existentes, construindo as políticas, programas e

33
projetos em conjunto com outras secretarias
(Agricultura, saúde, meio ambiente, social e outras):
5. Fortalecer e expandir o programa chapéu de palha
mulher em todos os municípios

1. Dar publicidade às políticas públicas (PAA e PNAE),


cobrar dos prefeitos, CONAB e estado;
Falta de acesso as
02 2. Na Lei Orçamentária Anual - LOA já destinar um
políticas públicas
recurso para o Garantia Safra;
3. Construir e fortalecer políticas públicas para a mulher.

1. Ampliação do quadro efetivo de extensionistas na


prestação de serviços de ATER;
2. Ampliar as Chamadas Públicas para mulheres com
Falta de Assistência
3 foco na Agroecologia;
Técnica
3. Garantir o que está previsto na lei de ATER;
4. Fomentar que as extensionista tenham formação em
Agroecologia; “Sem feminismo não há Agroecologia”.

1. Criar espaços de formação para empoderamento das


Violência e mulheres;
4 Desigualdade de 2. Criar e utilizar cartilhas na educação do campo e para
Gênero o campo;
3. Criar espaços para denúncia dentro dos municípios.

34
c. Resultado Grupo 3

Tema Geral do Encontro


Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial

Tema do Grupo 3:
Violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha (11.340) e Lei do Feminicídio (13.104);

Temas Transversais:
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

Problemas Soluções/Estratégias

1. Policiais e agentes femininas para fazer o atendimento


nas delegacias que não são específicas no
atendimento às mulheres;
2. Treinamento para todos os policiais, delegados e
agentes penitenciários;
Violência contra as 3. Delegacia aberta 24 horas;
01 mulheres: avanço – Lei 4. Aumento do número de delegacias especializadas no
Maria da Penha atendimento às mulheres;
5. Fortalecimentos das campanhas pontuais sobre
gênero, realizadas pelas secretárias estaduais nos
municípios;
6. Discussão nos grupos de mulheres, associações,
Grupos de mulheres evangélicas, Católicas;

35
7. Mais rigidez na Lei e o fim da fiança.

1. Fortalecimento da Lei do Feminicídio;


Aumento dos casos de
2. Utilização dos meios de comunicação para divulgação
feminicídio: avanço –
02 das Leis Maria da Penha e da Lei do Feminicídio;
aumento do número de
3. Formação continuada, sobretudo nas comunidades
notificações
rurais.

1. Inserção nas grades curriculares, das escolas, a


igualdade de gênero, raça e etnia;
2. Melhor divulgação das Leis Maria da Penha e da Lei do
Feminicídio;
Falta de informação dos
03 3. Divulgação dos direitos e das Leis que envolvem
direitos das mulheres
gênero com as mulheres rurais;
4. Ampliar a formação dos núcleos de gêneros nas
escolas.

d. Resultado Grupo 4

Tema Geral do Encontro


Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial

Tema do Grupo 4:
Mídia como ferramenta de enfraquecimento ou empoderamento da mulher?

Temas Transversais:

36
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

Problemas Soluções/Estratégias

1. Primeira Estratégia de Solução: Capacitação profissional


dos educadores focando o uso de mídias educacionais;
2. Segunda Estratégia de Solução: Contextualização
Dificuldade do especifica sobre mídia para os educadores do campo –
agente educador no Precisamos que o profissional da educação seja um
01 uso de mídias e comunicador/facilitador e não um mero repassador de
novas mídias na informação;
educação. 3. Terceira Estratégia de Solução: Maior acesso de recursos
educacionais (material educacional) – Equipamentos de
produção e difusão de informação/conhecimento

1. Primeira Estratégia de Solução: Políticas públicas que


permitam a ampliação da distribuição de antenas
(ANATEL) que permitam maior alcance no uso de mídias;
Falta de acesso da 2. Capacitação contextualizada especifica para o campo
02
mídia no campo sobre mídia;
3. Terceira Estratégia de Solução: Adequar a estratégia de
educação midiática a situação do sócio econômica do
aluno.

37
1. Primeira Estratégia de Solução: Politicas de
conscientização de formação do cidadão (cidadão e mídia);
A mídia na
2. Segunda Estratégia de Solução: Conscientização no uso de
03 formação de
mídias focado no meio rural.
cidadãos robóticos
3. Terceira Estratégia de Solução: União dos atores
educacionais na descentralização da mídia.

1. Espaço obrigatório e garantido nas rádios comunitárias


para o agricultor através do ministério da comunicação;
Descaracterização
2. Desburocratização para facilitar outorgas de novas rádios
da mídia (rádios
04 comunitárias;
comunitárias no
3. Facilitar a compra e instalação dos materiais utilizados nos
campo)
circuitos fechados de rádios para o campo (sindicatos,
associações, etc.).

1. Criar uma ferramenta (APP) para facilitar o acesso. (UAG


Dificuldade do se propôs a criar o aplicativo);
acesso da mulher as 2. Segunda Estratégia de Solução: Ampliar a comunicação
05
políticas públicas dos territórios para as mulheres do campo;
através das mídias. 3. Terceira Estratégia de Solução: Conscientização das
pessoas na divulgação de mídias.

1. Primeira Estratégia de Solução: Debates e discussões


Como a mídia
desmitificando o termo. Entender feminismo como um
apresenta o tema
sentimento, sentimento de que temos direito e podemos
06 “feminismo” para
SER;
as mulheres da
2. Segunda Estratégia de Solução: Uso de espaços
zona rural
(associações) para a discussão do tema.

38
3. Terceira Estratégia de Solução: Fortalecer os discursos
sobre o feminismo por meio das mídias existentes no
campo.

1. Divulgar a lei do Marco da Internet de forma maciça e


Enfraquecimento ampla;
07 da mulher através 2. Conscientização do uso da imagem da mulher;
da mídia 3. Maior rigor e severidade no julgamento de racismo,
feminicídio e todos os tipos de violência contra mulher.

39
e. Resultado Grupo 5

Tema Geral do Encontro


Mulher, Autonomia e Desenvolvimento Territorial

Tema do Grupo 5:
Diversidade feminina: o discurso feminista e a autonomia das mulheres.

Temas Transversais:
1)​ ​Mulheres do Meio Rural
2)​ ​Acesso às Políticas Públicas nos Territórios;
3)​ ​Contexto Político Atual na Perspectiva Feminina

Problemas Soluções/estratégias

1. Tirar as delegacias de defesa as mulheres do


papel e criar logo as mesmas nos
Segurança das mulheres rurais municípios;
01 pensando no contexto geral: 2. Criação dos conselhos de defesa dos direitos
crianças, jovens e idosas. das mulheres municipais;
3. Incluir o tema combate a violência a mulher
nos espaços educacionais.

1. Levar para a zona rural as unidades móveis de


Divulgação das políticas públicas
saúde;
02 para as mulheres e como podem
2. Assegurar as políticas públicas, já
ter acesso as mesmas.
conquistadas, nem um direito a menos;

40
3. Cobrar dos governos o acesso das mulheres a
terra, ao credito e a assistência técnica
diferenciada na perspectiva agroecológica;
4. Garantir acesso à terra às jovens mulheres, ao
PRONAF mulher e jovem.

1. Que os municípios executem assistência


social na pratica, saindo dos discursos.
Combater a violência a pessoa
2. Promover acompanhamento permanente das
idosa, visando a questão de
pessoas idosas em especial mulheres;
filhos e netos que usam de
3. Se inteirar e apoiar para ajudar os
violência para fazer uso indevido
movimentos sociais nas práticas exercidas
de suas aposentadorias.
nos municípios voltados para as mulheres,
tais como as ouvidorias e acompanhamentos.

1. Priorizar para as assistências técnicas as


Assegurar o acompanhamento e companheiras já formadas nos municípios,
levantamento da produção das para valorização de suas formações;
mulheres, identificando a 2. Promover e incentivar mulheres e jovens a
potencialidade para o real estarem nas formações técnicas de
envolvimento da agroecologia. agroecologia e outros que podem contribuir
para o seu empoderamento das mesmas.

Não aceitar a política de preço 1. Respeitar a tabela de preço local;


atual da CONAB com relação ao 2. Assegurar este e outros projetos como PNAE,
projeto do programa de já que os mesmos são grande fonte de renda
aquisição de alimentos (PAA) para agricultura familiar.

Quando for ocupar os espaços 1. Formação política já;


políticos não visar o dinheiro,

41
nem a cadeira por nome apenas 2. Mulheres dos movimentos se desafiar a
(laranja), mas se empoderar para ocupar cargos políticos, buscar parcerias com
desenvolver, o trabalho para o as lideranças regionais;
bem de todos em especial 3. Ocupar os espaços políticos para debater e
contribuindo na luta das mostrar o papel da mulher na sociedade,
mulheres. estimulando a participação na vida
institucional.

1. Formação feminista para a base sendo esta


continuada, já que os espaços de debates
Esclarecimento da luta feminista estão em constante renovações;
e do que é feminismo 2. Propor nos espaços territoriais e conselhos
municipais formações para as mulheres e
homens nos diversos temas.

1. Garantir o acesso das mesmas ao credito


fundiário;
2. Aprimorar a divulgação dos projetos que vem,
Como promover a mulher jovem
já que as vezes as mesmas não tomam
a ter sua autonomia e gerar sua
conhecimento, e unir forças sem visar faixa
própria renda no meio rural?
etária.
3. Financiamentos para projetos de grupos de
mulheres.

1. Colocar a educação para o campo no campo


2. Não deixar a mesma ser extinta da sala de
Incluir a educação do campo nas
aula, assim como diversos temas importantes
grades curriculares
que estão sendo ameaçados, tais como
gênero e sexualidade.

42
43
8. Manifestações em Plenária: Destaques,
protestos, considerações

Solicitação de que sejam feitas algumas moções:

1. Contra as perdas dos direitos das mulheres nesse governo golpista;


2. Pela perda de valor dos produtos da Agricultura Familiar na nova tabela da
CONAB;
3. Moção pela Educação do Campo, que está sendo negligenciada ou mesmo
destruída, escolas sendo fechadas;
4. Contra extinção dos Ministérios da Mulher e Igualdade Racial e MDA

Destaques:

1. As Políticas públicas são conquistas da sociedade civil e as mulheres precisam


estar atentas, conscientes e atuantes para frear as perdas de direitos e conquistas
de mais espaços de participação na sociedade e na política;
2. A maioria dos(as) eleitores(as) são mulheres, mas não temos essa representação
nos espaços de poder. Votamos em partidos “golpistas” que tiram direitos das
mulheres. Hoje, período de eleição, são procuradas pelos candidatos. Como
faremos?

44
3. Vamos sair daqui com o compromisso de não votar nos homens. Vamos, nós
mulheres, conquistar o poder. São as mulheres que irão transformar essas leis.

Avanços:

Atualmente, existem várias Políticas Públicas e Programas que, em sendo bem


implementados, contribuem efetivamente para a melhoria da qualidade de vida das
mulheres: PRONAF Mulher, Um Milhão de Cisternas, ATER/Mulher, Agroamigo, PROUNI,
SEPPIR, BANCO DE SEMENTES, GARANTIA SAFRA, PAA, PENAE, PRONATEC, FOMENTO
MULHER, BIO DIGESTOR.

45
9. Considerações finais

Considerando o Objetivo Geral do Encontro: ​Fortalecer a participação das mulheres no


espaço do Colegiado Territorial​, é possível perceber, a partir dos resultados desse
encontro, avanços significativos que ajudarão na formulação de estratégias para que a
inclusão das mulheres tanto nos debates, como também como beneficiárias das Políticas
Públicas, seja incrementada.
Os debates também levantaram algumas questões: por que as Políticas Públicas não
chegam, a contento, até as beneficiárias? Por que, nos processos de educação e
formação, esses temas - gênero, feminismo, sexualidade, violência -, são relegados? Por
que os canais de informação/comunicação sobre as Políticas Públicas não funcionam
bem? Por que a burocracia (que deveria facilitar e dar as condições necessárias) funciona
como uma trava para o acesso às Políticas Públicas? Por que os serviços de ATER
negligenciam as mulheres?
Ao adentrar a esse debate, os NEDETs pretendem contribuir, principalmente com as
dinâmicas territoriais, fortalecendo os setores que compõem o Colegiado Territorial e que
a partir desse espaço se consiga qualificar os debates, levantar com clareza as demandas,
propor ações e monitorar suas execuções. Entretanto, os resultados apresentados aqui
poderão compor ao debate sobre gênero para além do espaço do Território em questão,
pois foram trazidas questões de relevância estadual e nacional.
Por exemplo, ao identificar os motivos que impedem uma Política Pública, tida como boa
pelas próprias mulheres, chegar até às beneficiárias, cujo acesso é negado por diferentes
fatores, isto precisa ser enfrentado e corrigido. Pois, se um público alvo de uma Política
Pública não acha meios para acessa-la, então ela é estéril e o erro não está em quem não
consegue alcança-la, mas em quem formulou os critérios dificultadores de acesso.

46
Com tempo insuficiente para aprofundar, no próprio evento, as várias questões
levantadas, fica o desafio premente de que essa temática é relevante, motivadora,
urgente e exige que a sociedade a leve em conta, que os pesquisadores coloquem luzes
para facilitar os entendimentos, que o sistema de educação a considere em suas grades
de conteúdos, que os canais de comunicação incluem e divulguem informações
pertinentes e que as associações e organizações afins, bem como o poder público local,
estejam mais atentos e capazes para implementar políticas públicas específicas.
Enfim, as mulheres organizadas do Estado de Pernambuco colocaram aqui suas
experiências e anseios. Mostraram-se dispostas a seguir adiante nessa construção que,
aliás, já está bem adiantada. Há um histórico de lideranças heroínas, muito simbolismo e
muita construção objetiva.
Há aqui, pois, um esforço de síntese dos pensamentos atuais sobre gênero, colocados
pelas próprias mulheres e que exigem atenção especial para que haja avanços efetivos
sobre essa temática.

47
10. Anexos

a. Perfil das Educadoras ATGEs

Xenusa Pereira Nunes 

Comecei a atuar como ATGE em 2014, através


de um convite da Professora Dra. Lúcia Marisy,
Pró-Reitora de Extensão da UNIVASF. A cada
dia aprendo mais com as mulheres do nosso
Território, é uma troca de experiências
bastante prazerosa e rica em aprendizado.
É muito gratificante poder contribuir com o
desenvolvimento local, principalmente com a
identidade de gênero, fortalecendo cada vez
mais a participação das mulheres e
enaltecendo sua importância no
desenvolvimento das comunidades em que atuam, bem como poder transmitir um pouco de
meus conhecimentos como nutricionista, abordando temas importantes que contribuem para
uma vida saudável.

48
As mulheres do Território São Francisco estão de parabéns, pois cada vez mais se esforçam em
querer mudar as situações que aparentemente são aceitas como normais, adotando um novo
jeito de pensar a vida, a família e a sociedade, através de uma postura mais politizada e
participante nas ações que envolvem gênero.

49
Alexsandra Bezerra da Silva 

Licenciada em História, pela Faculdade de


Formação de Professores da Mata Sul (2005),
32 anos, especialista em Gestão de Projetos
Sociais, pelo Instituto Aleixo (2008) e
Pós-Graduanda em Gestão Pública (não
concluída), pela Faculdade Joaquim Nabuco e
cursando Serviço Social UNOPAR. Militante da
Articulação de Mulheres da Zona da Mata Sul,
Fórum de Mulheres de Pernambuco, Centro
das Mulheres de Joaquim Nabuco e de outras
organizações populares e sociais. Atualmente
está enquanto Coordenadora do ProRural UGT Palmares e ATGE NEDET Mata Sul. Com
experiência e conhecimento nas áreas de: movimentos sociais rurais, com foco em mulheres,
juventude e assentados rurais, garantindo o fortalecimento da fala pública e da intervenção
social. “Sou apaixonada pelo meu trabalho, através dele consigo empoderar as mulheres e
homens desse território, desenvolvendo um trabalho com ética, dedicação e solidariedade. A
realização deste trabalho de assessoria as mulheres rurais junto a UFRPE e as instancias
territoriais tem proporcionado no/ao Território da Mata Sul novas possibilidades, novas escolhas,
novo caminhar, estamos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo em uma só linguagem”.

50
51
Maria Gorete Nunes Barbosa 

Sou Maria Gorete Nunes Barbosa, moro na


comunidade Sítio São José de Pilotos,
município de Santa Cruz da baixa Verde - PE,
Sertão do Pajeú, sou formada em Engenharia
Agronômica pela UFRPE - UAST. Faço parte da
Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, com
sede em Afogados da Ingazeira a qual é
composta por grupos de mulheres de vários
municípios. Através dessa associação e outras
instituições parceiras houve a formação do
grupo de mulheres. Desenvolvo um trabalho
como coordenadora há 10 anos. O grupo Doce Esperança é formado por 20 mulheres, as
atividades desenvolvidas são artesanato (crochê, bordados, etc.) e a produção agrícola (hortas,
frutíferas, etc.), sendo esta produção comercializada na Feira Agroecológica de Serra Talhada.
Apesar das dificuldades encontradas, o grupo continua na tentativa de fortalecimento das
mulheres. O que me motiva realizar esse trabalho é ver a satisfação das mulheres ao fazer algo
que realmente gostam e a experiência que possuem, há uma troca de conhecimentos e isso é
gratificante. Por isso, há a necessidade de Assistência Técnica para dar suporte ao trabalho dessas
mulheres tornando-as mais fortes e empoderadas.

52
53
Mauricélia Lino

Sou Mauricélia Lino, mãe de dois filhos


(Dhouglas Felipe com 20 anos e a pequena
Maria Eduarda com 11 anos). Pedagoga
com Especialização em Psicopedagogia
pela UPE Campus – Mata Norte. Edifiquei
minha vida profissional a partir do
movimento feminista, planejando,
avaliando, elaborando projetos,
articulando parceiros, participando de
fortalecimentos temáticos e conhecimento
na área do desenvolvimento humano.
Este conjunto de experiências me proporcionou oportunidades de compreender e
fazer-me presente em mudanças e comportamentos no universo feminino (crianças,
adolescentes e mulheres adultas) onde convivemos numa sociedade culturalmente
machista.
Nos meus 26 anos de trabalho social, construí através do aprendizado com as
mulheres, a ser uma mulher com confiança sobre minha vida. Aprendi que para termos

54
atitudes, precisamos quebrar tabus, ergue a cabeça e sobre tudo buscar em outra pessoa,
forças positivas e humanas.
Falar do SER HUMANO, é falar do projeto, mais perfeito que Deus criou... E esta é
minha missão enquanto conscientemente, vida eu tiver.
Hoje, faço parte do NEDET – Recife, como Assessora Territorial de Gênero da Mata
Norte

55
Patrícia Karla de Oliveira

Meu nome é Patrícia Karla de Oliveira,


tenho 43 anos, sou técnica em
agroecologia, estou como coordenadora
do CMDRS de Sanharó, estou cursando 8º
período de Pedagogia, tenho dois filhos
lindos que amo mais que tudo, morei em
São Paulo por 10 anos, voltando para
minha cidade natal ingressei em uma
associação de moradores, em seguida
fundamos a Associação das Mulheres
Artesãs e Agricultoras de Mulungu-Sanharó-PE - “ASMUSAS”, da qual fui presidente por
dois mandatos, decidimos nos dedicar aos trabalhos com mulheres devido a falta de
assistência para com as mesmas, por termos uma grande quantidade de rendeiras na
nossa comunidade e as mesma se submetiam a trabalhar para os chamados
atravessadores, vendendo seus produtos por um preço abaixo do mercado e com isso

56
desvalorizando seus trabalhos tão preciosos: Devido a necessidade da devida valorização
para com as Mulheres.

57
Karla Patrícia Medeiros de Brito

Olá, Chamo-me Karla Patrícia Medeiros de Brito, m 2002


um amigo de infância convidou-me para participar de
uma experiência até no momento para mim
desconhecida que era o movimento social, através de
um fórum. O Fórum “Engenho de Sonhos” era um
projeto inovador que tinha como eixo à união de várias
instituições não governamental, Universidade Federal e
o patrocínio da Fundação internacional “Kellogg”, tendo
como objetivo quebrar do ciclo da pobreza na região
Oeste de Natal através de formação sócio política,
oficinas culturais e esportivas, intercâmbio e geração de renda. Durante 3 anos atuou em
cinco bairro da mesma, no final de 2005 tivemos uma última reunião com a equipe
Kellogg no qual recebíamos a notícia que o nosso patrocínio seria suspenso. Decidimos
que continuaríamos os trabalhos e no dia 16 de setembro de 2005 nascia a “Associação
de Juventudes Construindo Sonhos” - AJCS, que tinha o objetivo de dar continuidade ao
trabalho iniciado pelo Fórum Engenho de Sonhos, mas com uma visão totalmente

58
diferente, de agora em diante as lideranças seriam pessoas nascidas e criadas nas
comunidades que sabe e sente na pele as necessidades de um povo cheio de talento.
A AJCS, de início, atuava em 5 bairros tendo depois de 2 anos e meio aumentado esse
nº para 10, buscando trabalhar em forma de parcerias com as escolas estaduais,
municipais, postos de saúde, etc., desenvolvendo nos jovens o protagonismo através de
oficinas de esporte, cultura, lazer e formação sociopolítica. Foi através dessas duas
experiências que tive meu trabalho como finalista do Prêmio Itaú Unicef 2007 “Todos
pela educação”. A minha visão de transformação é casar o social com a área
empreendedora, através da educação alcançar a transformação para a cidadania.
Tenho experiência como alfabetizadora, sou educadora desde os 15 anos de idade.
Sou formada em Recursos Humanos e técnica em Agroecologia e atuo como educadora
agroecológica desde 2008. Acredito que minha contribuição para a sociedade seja
expandir todo o conhecimento que tenho adquirido, mas a maior de todas será ajudar no
crescimento enquanto ser humano, que a pessoa se torne mais participativa e
protagonista de um processo de mudanças sociais que quebre o ciclo de pobreza.

Simone Maria da Silva

Eu me chamo Simone Maria da Silva, tenho 40


anos moro na cidade de Tacaimbó, sou casada,

59
tenho um casal de filhos, sou professora formada em geografia com especialização
também em geografia sou técnica agroecológica, minha trajetória começou na
adolescência quando comecei a participar das CEBS depois que me casei continuei na luta
para ajudar a pessoas das comunidades rurais fui voluntaria da pastoral da criança, fui
coordenadora do MEB Movimento de Educação de Base, fui professora de jovens e
adultos, fundei junto com uma amiga uma associação de agricultores onde compramos
uma fazenda pelo credito fundiário e assentamos vinte famílias onde estão produzindo na
sua terra e sobrevivendo de lá depois fundei mais outra associação, atualmente estou
como a coordenadora do conselho municipal de desenvolvimento atuo também como
técnica de campo de uma cooperativa mais continuo executando vários trabalhos junto
as famílias da zona rural e urbana do município.

60
Gáudia Maria Costa Leite Pereira

Eu sou Gáudia Maria Costa Leite Pereira,


olindense, criada, com ​muito amor, em
Garanhuns. Moro em Belo Jardim e por
necessidade do ​trabalho, passo a maior parte
do tempo em Garanhuns. Sou casada e tenho
um marido maravilhoso, que me apoia e
incentiva. Sou Zootecnista e Licenciada em
Ciências Agrícolas pela UFRPE.
Desde estudante atuo na ​área de extensão
rural, trabalhei muito, para muita gente, até
que tive ​coragem de montar minha própria empresa de elaboração de projetos,
ATER e consultoria, atuando com Desenvolvimento Sustentável. ​Tenho vasta experiência
em assessorias, consultorias, capacitações,​ ​mediações e negociações de conflitos.
Desde dezembro de 2013, atuo como Assessora Territorial de Inclusão ​Produtiva em
convênio da COOPANEMA/IADH/MDA. A partir de ​fevereiro de 2014, passei a atuar
também como Assessora Territorial de ​Gênero do NEDET para o Agreste Meridional.
Nunca tinha trabalhado especificamente com o tema de Gênero, ​sempre

61
trabalhando com mulheres, mas não com um trabalho voltado para ​elas. Aceitei o desafio
e venho me envolvendo e adquirido uma sensação de ​que os trabalhos de Gênero não
são apenas necessários, mas também são ​urgentes. As mulheres precisam de assessoria
qualificada, de apoio e de​ ​políticas públicas voltadas para elas.
O trabalho com o Território me abriu os olhos para novos ​horizontes, me
colocou em contato com novas pessoas – como o Prof. ​Victor, nosso Coordenador que
acredita em nós e nos apoia, inclusive nos ​motivou e proporcionou sonhar com novos
estudos, como agora, estou ​tentando uma vaga para fazer Mestrado em
Desenvolvimento Territorial na​ ​UNIVASF, em Juazeiro-BA.
Quero poder continuar somando na busca de um verdadeiro ​Desenvolvimento
Territorial, um desenvolvimento que respeita a todas e a ​todos, que respeita suas
histórias, seus anseios, suas esperanças. Um​ ​desenvolvimento humano.

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b. Registro Fotográfico

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