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DIREITO DO TRABALHO

Considerações Iniciais
PROFª Cinthia Almeida Lima
cinthialimaadv@hotmail.com

Ementa: Estudo da Natureza Jurídica da


Relação de Trabalho e Contrato de Trabalho

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1º BIMESTRE
1- Evolução Histórica do Direito do
Trabalho
# Origem etimológica:
Do ponto de vista histórico a palavra “trabalho”
tem origem do latim vulgar – tripalium – (tri) três
+ (palus) paus – instrumento de tortura,
inicialmente para os animais, posteriormente para
os escravos – objeto composto de três paus e
pontas de ferro.
• Tripaliare (verbo) – significado de
sofrer, torturar, castigar, dor, sofrimento.
• Lavoro (originário da palavra latina
labor) – Itália
• Work – Estados Unidos da América

HISTÓRICO MUNDIAL DO TRABALHO


• Desde a pré-história (Idade primitiva), o
trabalho já era exercido pelas famílias –
relação trabalhista pelo parentesco,
consanguinidade, crenças e tradições.
Relação marcada pelo regime patriarcal,
principalmente para obtenção de alimentos –
economia apropriativa – instrumentos
rudimentares – caça, pesca e luta.
À medida que o homem vai evoluindo nessas
sociedades primitivas, surgem as primeiras
armas, instrumentos de defesa (Era dos metais),
invento da roda - caminho da humanidade rumo à
civilização.
• Na antiguidade – Sociedade composta
por homens livres e escravos.
A prática escravagista surge com as guerras,
aquele que era derrotado submetia-se a
trabalhos quase desumanos, labor manual,
cultivo da terra, tarefas domésticas,
amamentação, até mesmo favores sexuais.
Dominus (sujeito titular de direitos) e res
(coisa) – relação de direito real – o escravo não
era considerado sujeito de direitos.

• Na Idade Média (feudalismo – séc. I a


XI) – com a libertação dos escravos, estes
começaram a integrar a fase do servilismo.
A maior parte das terras na Europa estava
divida por Feudos (glebas), e a sociedade era
dividida em: aristocratas (senhores dos feudos);
clérigos e monges – dever de rezar; e
camponeses (servos) atrelados a terra para
servir seus senhores – agricultura e pecuária.
- Servo: vinculação perpétua a terra; pagamento
de tributos ao senhor; função transmitida de
geração para geração;
- Senhores feudais: davam proteção militar e
política aos servos.

Acompanhando a fase da servidão,


concomitantemente surge a locação de serviços
– assemelham-se aos trabalhadores autônomos
atualmente conhecidos.

Locatio Conductio: Rei, operarum, Operis

- Locatio Conductio: contrato de arrendamento


ou locação de empreitada – homem livre que se
comprometia a locar suas energias ou resultado
de trabalho em troca de pagamento.
Três diferentes operações:
- locatio rei: aluguel (arrendamento) certo e
determinável de coisas corpóreas, não
consumíveis.
- locatio operarum: locação de serviços manuais
não especializados, de homens livres (é a que
mais se assemelha da relação de trabalho
autônomo atual).
- locatio operis faciendi: locação de obra ou
empreitada – execução de uma obra.
• No final da Idade Média (Século XII a
XVI) surgem as Corporações de Ofício,
sendo resultado do êxodo rural dos
trabalhadores para as grandes cidades e
ativação do movimento comercial – inicia-
se o aparecimento da burguesia.
Organização social: mestres (proprietários das
oficinas), companheiros ou oficiais
(trabalhadores qualificados e recebiam salários
dos mestres) e aprendizes (a partir dos 12 anos
– 5 anos para atingir o patamar de
companheiro).
Para atingir ao patamar de companheiros, os
aprendizes eram submetidos a todos os tipos de
ofício, e seus pais eram capazes de pagar taxas
elevadas para o mestre ensinar seus filhos. Já
para o patamar de mestre, o companheiro
deveria submeter-se a obra mestra, que era
paga, e não é preciso dizer que era quase
impossível a aprovação no teste.
As corporações tiveram grande contribuição
para o surto do moderno capitalismo. A reunião
de companheiros e aprendizes a fim de acirrar a
luta entre mestres e companheiros é o embrião
dos atuais sindicatos.
No entanto, com a Revolução Francesa e o
enfoque no liberalismo econômico, as
corporações foram de pronto suprimidas – Lei de
Le Chapelier (art. 1º) de 17 de junho de 1791.

“1. A destruição de todas espécies de


corporações de cidadãos do mesmo
estado ou profissão sendo uma das
bases fundamentais da constituição
francesa, são proibidas de serem
restabelecidas de fato, sob quaisquer
pretexto e forma que seja.”

• Após a fase das corporações, nasce a


liberdade contratual fazendo-se a lei do
mercado (laissez-faire, laissez-aller,
laissez-passer – deixai fazer, deixai ir,
deixai passar) – ênfase ao capital e não ao
trabalho – Influência da Revolução
Francesa - Séc. XVIII – liberdade, igualdade
e fraternidade. A burguesia, classe
ascendente, começa a ditar as normas do
mercado. Base ideológica para eclosão da
Revolução industrial.

• Destaque para Adam Smith, Jean-


Jacques Rousseau, John Locke,
Montesquieu e Voltaire (pensadores
liberalistas – contrato social).

• Revolução Industrial (Século XIX),


Liberalismo e causas para o surgimento do
Direito do Trabalho.

Descoberta da máquina a vapor, fiar e tear em


1738 - 1790, e posteriormente a máquina
elétrica, expandiram-se as empresas, indústrias,
passando o trabalho humano a ser substituído
aos poucos pela máquina, e aparecimento em
massa do desemprego.
No entanto, para operar a máquina, o trabalho
do homem ainda era necessário surgindo o
trabalho assalariado. No entanto, mulheres e
crianças passam também a trabalhar
maciçamente nas indústrias, sendo submetidas
a jornadas e condições de trabalho quase
subumanas.

Pontos marcantes da Revolução Industrial:


- Substituição do trabalho humano por
máquinas;
- Trabalho assalariado e surgimento das grandes
fábricas;
-Individualismo: Exploração do mais fraco pelo
mais forte;
- Capitalismo: imposição livre de condições de
trabalho, sem intervenção estatal;
- concentração de riquezas na mão de poucos;
- rebaixamento da dignidade humana;
- Trabalho voltado às crianças e mulheres;
- Jornada de Sol a Sol - 16 horas diárias;
- baixos salários, sem descansos efetivos;
- classe capitalista e classe dos proletariados;
- acidentes de trabalho;
- aumento da criminalidade, indigência, nenhum
uso de EPIs;
- aparecimento de várias doenças:tuberculose,
asma, pneumonia;
-contratos eminentemente verbais, quase
vitalícios;

• Com tantos problemas evidentes


trazidos pela Revolução Industrial,
começam a surgir os primeiros movimentos
socialistas.
Socialismo utópico - sociedade ideal do futuro –
divisão de riquezas. Destaque para Robert Owen
– Trade Unions –correspondente ao sindicato –
Pai do Direito do Trabalho.
Com a difusão dos ideais socialistas, a classe
operária começa a reivindicar seus direitos
através dos sindicados, o Estado começa a
tolerar o direito de associação, pois a situação
de exploração de menores, mulheres e jornadas
excessivas começa a ficar insustentável.

• Lei de Peel (Moral and health Act) – Ano


de 1802 –
Previa: Jornada de trabalho de 12 horas.
Proibição do início do trabalho antes das 6 horas
e término após 21 horas. A partir disso, deveria
haver uma recompensa. Normas de higiene e
educação para os trabalhadores.

• Em 1848 – Karl Marx e Engels publicam


o Manifesto Comunista – que inspirou as
lutas proletárias, o espírito de luta contra o
capitalismo. Lema: “Trabalhadores de
todos os países, uni-vos”.
# É nessa fase que começam a surgir as
primeiras “negociações coletivas”, greves foram
realizadas, o que surte efeito (baixa) na
produção das grandes indústrias.

• A Igreja católica também começa a


manifestar-se a fim de garantir aos
trabalhadores melhores condições de
trabalho.
A encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII,
publicada em 15 de maio de 1891, proclamou a
necessidade de união entre as classes do capital
e do trabalho.
Essa encíclica de Doutrina Social incentiva o
Estado a atuar a legislar sobre normas
trabalhistas – intervencionismo Estatal.

• Com a Primeira Guerra entre Agosto de


1914 a 11 de novembro de 1918, os
homens – massa masculina – foram
forçados a lutar. E para que a produção
sustentasse a Guerra, era necessário
incentivar os trabalhadores.
• Intervenção Estatal – Estado começou
definitivamente a intervir nas relações
trabalhistas – intervencionismo Estatal ou
dirigismo contratual – impondo
efetivamente limites à liberdade de
contratação.

• Constitucionalismo social
Inclusão nos textos constitucionais dos direitos e
garantias fundamentais, inclusive direitos
trabalhistas.

- Constituição do México (1917)


País muito avançado, o México foi o primeiro a
elaborar uma Constituição com previsão de
direitos trabalhistas.
Estabelece: Jornada de 8 horas; Proibição do
trabalho do menor de 12 anos; Limitação da
jornada do menor de 16 anos a seis horas;
Jornada noturna de 7 horas; Descanso Semanal;
Salário mínimo; Proteção à maternidade;
Indenização por dispensa.
- Constituição de Weimar (1919)
Além dos direitos assegurados pela Constituição
Mexicana, acrescentou: Participação nos lucros;
Representação dos empregados na empresa
(Empresa com mais de 200 empregados teria que
receber representação para acompanhar as ações
da diretoria e decidir, principalmente, em relação
aos direitos trabalhistas, o que evitaria processos
na justiça); Seguro social.
- Tratado de Versalhes (1919)
Novidades: Internacionalização das normas
trabalhistas; Criação da OIT (Organização
Internacional do Trabalho, órgão fiscalizador e
negociador dos direitos trabalhistas).

-Carta del Lavoro de 1927 – Constituição Italiana


de inspiração corporativista, influenciada pelo
sistema sindical Brasileiro, bem como a
organização da Justiça do Trabalho.

- Declaração Universal dos Direitos Humanos


(1948)
Direitos: Férias anuais remuneradas; Limitação
da jornada; lazer.
Curiosidade:
Por que o dia 01 de maio é considerado o dia do
“Trabalho” ou do “Trabalhador”?

História do Dia do Trabalho


“Manifestações e conflitos em Chicago (1886):
origem da data
O Dia do Trabalho é comemorado em 1º de maio.
No Brasil e em vários países do mundo é um
feriado nacional, dedicado a festas,
manifestações, passeatas, exposições e eventos
reivindicatórios.
A História do Dia do Trabalho remonta o ano de
1886 na industrializada cidade de Chicago
(Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano,
milhares de trabalhadores foram às ruas
reivindicar melhores condições de trabalho, entre
elas, a redução da jornada de trabalho de treze
para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu
nos Estados Unidos uma grande greve geral dos
trabalhadores.
Dois dias após os acontecimentos, um conflito
envolvendo policiais e trabalhadores provocou a
morte de alguns manifestantes. Este fato gerou
revolta nos trabalhadores, provocando outros
enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio,
num conflito de rua, manifestantes atiraram uma
bomba nos policiais, provocando a morte de
alguns deles. Foi o estopim para que os policiais
começassem a atirar no grupo de manifestantes.
O resultado foi à morte de vários protestantes e
dezenas de pessoas feridas.
Foram dias marcantes na história da luta dos
trabalhadores por melhores condições de
trabalho. Para homenagear aqueles que morreram
nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista,
ocorrida na capital francesa em 20 de junho de
1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria
comemorado em 1º de maio de cada ano.

Aqui no Brasil existem relatos de que a data é


comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi
somente em setembro de 1925 que esta data
tornou-se oficial, após a criação de um decreto do
então presidente Artur Bernardes.
# Fatos importantes relacionados ao 1º de maio
no Brasil:
- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio
Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria
suprir as necessidades básicas de uma família
(moradia, alimentação, saúde, vestuário,
educação e lazer)
- Em 1º de maio de 1941 foi regulamentada a
Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões
judiciais relacionadas, especificamente, as
relações de trabalho e aos direitos dos
trabalhadores.”

Fontes: Resumo dos livros apontados na


bibliografia e pesquisa em vários sites da
Internet.

Filmes sugeridos:

Quanto Vale ou é por quilo?


http://www.quantovaleoueporquilo.com.br/
Tempos modernos - com Charles Chaplin
Germinal - baseado no romance francês de Émile
Édouard Charles Atoine Zola

DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL


• Ano de 1500 – Descoberta do Brasil –
Escravidão Indígena – Escambo

• Posteriormente, a escravidão de
escravos trazidos da África, objetivavam o
crescimento da economia agrícola no Brasil
colônia.

• “Os fatores internos que mais


influenciaram no surgimento do Direito do
Trabalho no Brasil foram: o movimento
operário do qual participaram imigrantes com
inspirações anarquistas, caracterizado por
inúmeras greves em fins de 1800 e início de
1900; o surto industrial, efeito da Primeira
Guerra Mundial, com a elevação do número de
fábricas e operários; e a política trabalhista de
Getúlio (1930).

O início da formação e consolidação histórica do


Direito do Trabalho no Brasil se deu com a
abolição da escravatura em 1888. Com a
assinatura da Lei Áurea iniciou-se, de certa
forma, a referência histórica do Direito do
Trabalho Brasileiro. Tal lei reuniu pressupostos
para a configuração do novo ramo jurídico
especializado e eliminou o sistema de
escravidão que persistia até o momento,
incompatível com o ramo justrabalhista. Como
conseqüência disso, houve um grande estímulo
da estruturação na relação empregatícia
(empregado x empregador).

Salienta-se que, antes de 1888, havia


experiências de relação de emprego tão
desprezíveis que não abriam espaço
significativo para o florescimento das condições
viabilizadoras do ramo justrabalhista. Por esse
motivo, não mereceram registro importante nas
duas primeiras fases da História do Brasil.

Costuma-se dividir a evolução histórica do


Direito do Trabalho Brasileiro em fases, sendo o
primeiro período considerado significativo para
a evolução do Direito do Trabalho no Brasil.
Intitulado de Manifestações Incipientes ou
Esparsas, desenvolveu-se entre os anos de 1888
até 1930. Caracterizou-se pela presença de
movimentos operários sem grande capacidade
de organização e pressão, seja pelo seu
surgimento e dimensão no quadro econômico-
social da época, ou pela influência anarquista
hegemônica no segmento mais mobilizado de
suas lideranças próprias.

Ainda junto dessa insipiência na atuação


coletiva dos trabalhadores, também inexistiu
uma dinâmica legislativa intensa e contínua por
parte do Estado em face da chamada questão
social.

No Brasil preponderava nesta época, o


liberalismo, que propunha a não intervenção
estatal na economia, inibindo a atuação
normativa heterônoma no mercado de trabalho.
Além disso, esse liberalismo estaria associado
ao pacto de descentralização política regional
(típico da República Velha), que restringia a
possibilidade de surgimento de uma legislação
heterônoma federal trabalhista significativa.

Neste período, destacou-se o surgimento ainda


assistemático e disperso de várias normas
justrabalhistas, associadas a outras normas
relacionadas à questão social.

São elas:
1- Decreto n.439/1890, que estabelecia as
bases para organização da assistência à infância
desvalida;

2- Decreto n.843/1890, que concedia


vantagens ao Banco dos Operários;

3- Decreto n.1162/1890, que derrogou a


tipificação da greve como ilícito penal,
mantendo como crime apenas os atos de
violência praticados no desenrolar do
movimento;

4- Decreto n.221/1890, que estabeleceu a


concessão de férias de 15 dias aos ferroviários e
ainda suas aposentadorias;

5- Decreto Legislativo n.1150/1904, que


concedeu facilidades para o pagamento de
dívidas de trabalhadores rurais, benefício
estendido posteriormente aos trabalhadores
urbanos;
6- Decreto Legislativo n.1637/1907, que
facultou a criação de sindicatos profissionais e
sociedades cooperativas.

Em 1919, surgiu a legislação acidentária do


trabalho, acolhendo o princípio do risco
profissional, embora tenha tido inúmeras
limitações (lei n.3724/1919). Foi criada, em
1923, a lei n.4682/1923 chamada de Lei Elói
Chaves, instituindo as Caixas de Aposentadorias
e Pensões para os ferroviários. Ainda nesse
mesmo ano, foi instituído o Conselho Nacional
do Trabalho pelo Decreto n.16027/1923.

Em 1925, devido a Lei n.4982/1925 foi concedida


férias de 15 dias úteis aos empregados de
estabelecimentos comerciais, industriais e
bancários. Dois anos mais tarde, em 1927, foi
promulgado o Código de Menores pelo Decreto
n. 17934-A que estabelecia a idade mínima de
12 anos para o trabalho, a proibição do trabalho
noturno e em minas, além de outros preceitos.

Em 1928, o trabalho dos artistas foi objeto de


regulamentação através do Decreto n.
5492/1928. E finalmente, em 1929, alterou-se a
lei de falências, conferindo-se estatuto de
privilégios aos créditos de prepostos,
empregados e operários pelo Decreto n.
5746/1929.

O segundo período dessa evolução histórica é a


fase da Institucionalização (ou oficialização) do
Direito do Trabalho, que se iniciou em 1930,
tendo seu fim em 1945, juntamente com o
término da ditadura de Getúlio Vargas. Nos
primeiros treze anos, ou seja, até 1943, essa
fase se caracterizou por uma intensa atividade
administrativa e legislativa do Estado, em
consonância com o novo padrão de gestão
sóciopolítico que se instaura no país com a
derrocada, em 1930, da hegemonia exclusivista
do segmento agroexportador de café.

O Estado, nessa época, forte e intervencionista,


ampliou sua atuação, também, à área da
chamada questão social, implementando
diversificadas ações combinadas. Por um lado,
Getúlio era rigoroso e reprimia qualquer
manifestação operária e, para contrabalançar,
instaurou um novo modelo de organização do
sistema justrabalhista, através de minuciosa
legislação.
Com a Constituição de 1934, voltou a prosperar
maior liberdade e autonomia sindicais. O
governo federal, todavia, retomou, de imediato,
o controle completo sobre as ações trabalhistas,
através do estado de sítio de 1935, dirigido
preferencialmente às lideranças políticas e
operárias adversárias da gestão fiscal. Com essa
medida, continuada pela ditadura aberta de
1937, o objetivo do governo de eliminar
qualquer foco de resistência à sua estratégia
político-jurídico foi alcançado.

O modelo justrabalhista surgiu em função de


políticas integradas, dirigidas,
administrativamente, em pelo menos seis
direções.

A primeira área contemplada pela ação


governamental seria a própria administração
federal, de modo a viabilizar a coordenação das
ações institucionais a serem desenvolvidas nos
anos seguintes.
Criou-se o Ministério do Trabalho, Indústria e
Comércio, pelo Decreto n.19443/30 e, meses
após, instituiu-se o Departamento Nacional do
Trabalho pelo Decreto n.19671-A.

Outra área que também se subordinou a


normatização federal foi a sindical, através do
Decreto n. 19770/31, que instituiu uma
estrutura sindical oficial, baseada no sindicato
único, até então não obrigatório, que se
submetia ao reconhecimento pelo Estado e era
tido como um órgão colaborador dele. Foi então
que, através da Constituição de 1937 e do
Decreto n.1402/39, que o modelo sindical oficial
corporativista se aprofundou. Por essa ocasião
já havia se tornado juridicamente explícito a
inviabilidade de coexistência de qualquer outro
sindicato com o sindicalismo oficial.

Foi criado um sistema de solução judicial de


conflitos trabalhistas, como terceira área de
desenvolvimento da política trabalhista oficial,
inaugurado com a criação das Comissões Mistas
de Conciliação e Julgamento, através do Decreto
n. 21396/32, no qual somente poderiam
demandar os empregados integrantes do
sindicalismo oficial (Decreto n. 22132/32).
A Constituição de 1937, que mencionou em seu
texto a Justiça do Trabalho, induziu ao
aperfeiçoamento do sistema à proporção em que
elevava seu patamar institucional. Com o
Decreto n. 1237/39, a Justiça do Trabalho foi
efetivamente regulamentada.

O sistema previdenciário (4ª área), também de


formação corporativista, assim como outras
instituições do modelo justrabalhista, começou a
se estruturar logo após 1930. Essa estruturação
se operou a partir da ampliação e reformulação
das Caixas de Aposentadoria e Pensões, ainda
organizadas essencialmente por empresas. Com
o Decreto n 20465/31, foi promovida, pelo
governo, a primeira reforma ampliativa do
anterior sistema previdenciário, firmando,
entretanto, a categoria profissional como
parâmetro. Os pontos principais desse novo
sistema, já reformulado e ampliado, foram os
vários Institutos de Aposentadorias e Pensões,
que abrangia categorias específicas e tinha
âmbito nacional. Com essa nova denominação, o
primeiro desses órgãos a ser instaurado foi o
Instituto de Aposentadoria e Pensões dos
Marítimos (IAMP), através do Decreto n.
22872/33. Muitos outros órgãos semelhantes
seguiram nos anos seguintes.

Como mais uma área de atuação da política


justrabalhista do governo, destacou-se a
legislação profissional e protetiva que surgiu
nessa época. Para exemplificar, podem ser
citados: Decreto n. 21471/32, regulamentando o
trabalho feminino; Decreto n. 21186/32, fixando
a jornada de oito horas para os comerciários,
que seria, em seguida, estendido aos
industriários (Decreto n. 21364/32); Decreto n.
21175/32, criando as carteiras profissionais;
Decreto n. 23103/33, estabelecendo férias para
os bancários e vários outros diplomas que se
sucederam ao longo da década de 30 até 1943.

A última das direções traduzia-se nas variadas


ações voltadas para abafar manifestações
políticas ou operárias autonomistas ou
simplesmente contrárias à estratégia oficial
montada. O primeiro marco das ações
combinadas foi a Lei de Nacionalização do
Trabalho, reduzindo a participação de
imigrantes no segmento obreiro do país
(Decreto n. 19482/30, estabelecendo um mínimo
de 2/3 de trabalhadores nacionais no conjunto
de assalariados de cada empresa).

A essa medida estrutural seguiram-se os


diversos incentivos ao sindicalismo oficial
(monopólio de ação junto às Comissões Mistas
de Conciliação; exclusivismo de participação nos
Institutos de Aposentadorias e Pensões),
incentivos que seriam transformados, logo após,
em expresso monopólio jurídico de organização,
atuação e representação sindical. Finalmente,
por quase todo o período getulista, uma
contínua e perseverante repressão estatal sobre
as lideranças e organizações autonomistas ou
adversas obreiras.

Alguns anos após, o modelo justrabalhista foi


estruturado e reunido em um único diploma
normativo, denominado CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho), através do Decreto n.
5452/43.

CLT
A Consolidação das Leis do Trabalho (1943) é a
sistematização das leis esparsas existentes na
época, acrescidas de novos institutos criados
pelos juristas que a elaboraram.

A Consolidação não é um código, segundo


Amauri Mascaro Nascimento, pois, sua principal
função foi a de reunião das leis já existentes e
não a criação, como num código de leis novas.

Trata-se da primeira lei geral, aplicável a todos


os empregados sem distinção da natureza do
trabalho técnico, manual ou intelectual. Vale
lembrar, no entanto, que já existiram outras
leis: Lei n. 62/35, aplicável a industriários e
comerciários e outros vários decretos
específicos de cada profissão.

A CLT teve importância fundamental na história


do direito trabalhista no Brasil, todavia, com o
passar do tempo, foi se tornando ultrapassada,
obsoleta. Não correspondia mais às novas
idéias. Por isso, fez-se necessário o surgimento
de muitas outras leis posteriores a ela: Lei n.
605/49 sobre repouso semanal; Lei n. 4090/62
sobre gratificação natalina e 13º salário (ambas
em vigor) e outras já alteradas como: a Lei de
Greve de 1964, a Lei do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço de 1966, substituídas por leis
posteriores.

Depois de 1945, com a chamada


redemocratização do país, o modelo de
organização sindical que parecia ter sido uma
imposição artificial da ditadura varguista não
sofreu alterações que afetassem sua essência.
Na verdade, o conjunto do modelo justrabalhista
oriundo do período entre 1930 e 1945 é que se
manteve quase intocado. À exceção do sistema
previdenciário que, na década de 60, foi
afastado da estrutura corporativa sindical e
dissociado desse tradicional modelo
justrabalhista, não se assiste, quer na fase
democrático-populista de 1945-1964, quer na
fase do regime militar implantado em 1964, à
implementação de modificações substantivas no
velho modelo justrabalhista autoritário-
corporativo imperante no país.

A partir de 1964, o Estado promulgou leis de


política salarial continuamente modificadas,
visando o controle da inflação e a melhoria dos
salários, objetivos não alcançáveis até 1993,
quando começou a crescer as idéias da livre
negociação através do contrato coletivo de
trabalho.

CRISE E TRANSIÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO

Maurício Godinho entende que essa seria a


terceira fase da evolução do Direito do Trabalho
no Brasil. É com a Constituição de 1988 que o
modelo justrabalhista tradicional brasileiro
sofreu seu primeiro substancial
questionamento.

Pela força com que surgiu e se propagou esse


questionamento é que tal autor entende essa,
como sendo mais uma fase do Direito do
Trabalho: uma fase de superação democrática
das linhas centrais do antigo modelo autoritário-
corporativo de décadas atrás.

Tal Constituição, por um lado, rompe um pilar do


antigo modelo: o controle político-
administrativo do Estado sobre a estrutura
sindical. Em contrapartida, no entanto, preserva
institutos autoritário-corporativos do velho
modelo justrabalhista.
Entende-se, então, que no presente momento, o
Brasil vive um período de transição, pois ainda
não foram instaurados e consolidados muitos
dos institutos democráticos do sistema
justrabalhista trazidos pela Constituição de
1988.

COMENTÁRIOS ÀS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

Um breve exame das Constituições Federais e


seu conteúdo, direta ou indiretamente
relacionado com o trabalho e os trabalhadores:

CONSTITUIÇÃO DE 1824

Segundo Süssekind, a Constituição de 1824,


primeira do Brasil, não tratou diretamente da
questão trabalhista, apenas aboliu as
corporações de ofício. Tal período, todavia,
segundo Augusto Cezar de Baraúna, foi marcado
pela falta de associações profissionais, pela
inexistência de proletariado e de lutas. O que,
nesse período, causava inquietação às classes
intelectualizadas era a questão da abolição da
escravatura.

CONSTITUIÇÃO DE 1891

Em seguida à Constituição de 1824, foi


promulgada a Constituição de 1891, liberal e
individualista, preparada sob influência das
idéias dominantes na América do Norte,
conforme ensinamentos do Professor José César
de Oliveira. Segundo Süssekind, ela foi baseada
no laissez-faire, na crença de que a atividade
própria do Governo se reduz à manutenção da
segurança pessoal, da propriedade privada e
das obrigações nascidas dos contratos e, que o
bem-estar social atinge seu ponto culminante à
medida que os indivíduos realizam de maneira
razoável todos os seus interesses privados.
Nela, nenhum princípio foi estabelecido quanto
à proteção ao trabalho e ao trabalhador, apenas
firmava-se na concepção da soberania da
vontade individual, cabendo ao trabalhador a
defesa de seus interesses, sendo admitida a
intervenção do Estado quando os interesses
individuais pudessem entrar em choque com os
coletivos.
Conforme os ensinamentos de Süssekind, nem
mesmo após a Guerra de 1914, quando se
começou a cogitar da reforma constitucional,
nenhum dos programas revisionistas, quer
civilista, quer federalista, cogitou da questão
social em qualquer dos seus aspectos,
pleiteando a corrente democrática apenas a
necessidade de incluir na reforma dispositivos
tendentes a promover o povoamento do solo,
sem recorrer ao aliciamento ou à paga; mas
pelas facilidades oferecidas ao colono, nacional
ou estrangeiro, pelo barateamento da vida, pela
construção de boas estradas e pela certeza da
justiça.

Depois de longos debates foi substituído o n. 29


do art. 34 pelo seguinte, como competência do
congresso: Legislar sobre o trabalho.

Augusto Cezar de Baraúna salienta que nos


primeiros anos da República, as greves foram
esporádicas, ocorrendo, em 1890, apenas uma
em São Paulo. No ano seguinte duas e em 1893
quatro greves eclodiram em São Paulo. A partir
de 1900, várias outras ocorreram em todo o
Brasil.
Em 1906, aconteceu o 1º Congresso Operário, no
qual prevaleceu as idéias anarquistas, que
propagava a resistência ao patronato e a
oposição ao mutualismo e ao corporativismo.
Até 1920 os trabalhadores eram influenciados
pelos anarquistas, que emigraram da Itália,
Espanha e Portugal.

CONSTITUIÇÃO DE 1934

No governo de Getúlio Vargas, em 1930,


instaurou-se o período do enquadramento
sindical, o qual tinha como filosofia a integração
da classe trabalhadora e do empresariado, pois,
nessa época, eclodiu um grande número de
greves e houve a diminuição da influência
estrangeira, de acordo com Augusto de Baraúna.

Em 16 de julho de 1934 é promulgada a segunda


Constituição Republicana do Brasil. Conservando
a estrutura da República Federativa, inúmeras
foram as inovações quanto à ordem econômica,
à independência dos poderes e aos problemas
morais. Esta Constituição não é liberal-
democrática como a anterior, e, sim, social-
democrática. Instituiu a Justiça do Trabalho,
salário mínimo, limitação de lucros,
nacionalização de empresas, direta intervenção
do Estado para normalizar, utilizar ou orientar
as forças produtoras e organização sindical.

A representação profissional foi a principal


inovação na Constituição de 1934. Esta
assegurava autonomia sindical, dava a todos o
direito de prover à própria subsistência e à de
sua família mediante trabalho honesto;
determinava que a lei promovesse o amparo à
produção e estabelecesse as condições do
trabalho tendo em vista a proteção social dos
trabalhadores e os interesses econômicos do
País; estatuía a proibição de diferença de salário
para o mesmo trabalho por motivo de idade,
sexo, nacionalidade ou estado civil; determinava
a fixação de salário mínimo; proibia o trabalho
dos menores de 14 anos, o trabalho noturno dos
menores de 16, o trabalho nas indústrias
insalubres por mulheres e menores de 18 anos;
assegurava a indenização ao trabalhador
injustamente dispensado, a assistência médica e
sanitária ao trabalhador e à gestante e, também
para ela, o descanso antes e depois do parto
sem prejuízo do salário. Fixava o dever da União
em amparar o trabalhador inválido ou
envelhecido, dando ela uma contribuição para
as instituições de previdência social, igual
àquela a que são obrigados empregadores e
empregados, e, por fim, criava a Justiça do
Trabalho. Para seu funcionamento, o sindicato
precisava de autorização do Estado, com
estatutos padronizados e apresentação de
relatório. Dessa forma, conclui-se que houve
uma perda de autonomia por parte desses
sindicatos.

Desaparecia, assim, com a Constituição de 1934,


a democracia igualitária, individualista, não
intervencionista, que permitia ao livre
capitalismo a exploração do trabalho em
benefício exclusivo de alguns sob os olhares
complacentes de um Estado proibido de intervir.
Não era admitida a propaganda ideológica.

Passaram-se três anos e um golpe de Estado


dissolvia o Congresso derrogando a atual
Constituição e criando a Carta de 1937.

CONSTITUIÇÃO DE 1937
A Constituição de 1937 se acentuou pelo seu
caráter revolucionário, especialmente
legitimando a intervenção do Estado no domínio
econômico. De cunho corporativista, a carta de
1937 alterou profundamente a textura da ordem
econômica e social do país: fixou as diretrizes da
legislação do trabalho, repouso semanal, a
indenização por cessação das relações de
trabalho sem que o empregado a ela tenha dado
causa, as férias remuneradas, o salário mínimo,
o trabalho máximo de oito horas, a proteção à
mulher e ao menor, o seguro social, a
assistência médica e higiênica etc, conforme
apontamentos de José Cesar. Por outro lado,
contudo, proibiu o exercício do direito de greve
e o lockout, tidos como manifestações anti-
sociais e incompatíveis com os interesses
nacionais. Além dessas medidas, a nova carta
previu a criação e sindicato único e instituiu o
imposto sindical, atrelando, dessa forma, os
órgãos corporativos ao Estado. A Justiça do
Trabalho foi mantida, mas ainda era considerada
como um órgão administrativo.

Em 29 de outubro de 1945, verificava-se novo


golpe militar no País, assumindo a chefia do
Governo o Presidente do Supremo Tribunal
Federal. Realizadas eleições gerais, instalou-se
a Assembléia Nacional Constituinte, que
elaborou e promulgou nova Constituição.

CONSTITUIÇÃO DE 1946

Conforme o ensinamento de Süssekind, a


Constituição de 1946 encerrava um conteúdo
social que a colocava entre as mais completas
do mundo. Quanto a esse aspecto, faltava a
muitos de seus dispositivos um caráter mais
imperativo, já que, pela redação que receberam,
eram, principalmente, recomendações. Tinha,
portanto, um caráter social-democrático,
mantendo os mesmos princípios fascistas da
Constituição de 1934.

Com a Constituição de 1946, a Justiça do


Trabalho foi inserida no âmbito do Poder
Judiciário e outras mudanças também
importantes ocorreram: a carta dispunha sobre
a organização e definição da competência da
Justiça do Trabalho, atribuindo à mesma um
poder normativo; houve a inclusão do Ministério
Público do Trabalho ao Ministério Público da
União; previsão do salário mínimo familiar;
previsão de participação pelo empregado nos
lucros da empresa; repouso semanal
remunerado; normas de higiene e segurança do
trabalho; proibição do trabalho noturno para
menores de idade e, também, foi instituído o
direito de greve. Nesse período, foi promulgada
a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) pelo
decreto lei nº 5.452/43. A constituição de 1946
manteve os mesmos princípios fascistas da
CF/34, num regime democrático.

Em 31 de março de 1964, ocorreu uma revolução


militar e o Congresso Nacional assumiu poderes
constituintes, aprovando, em 24 de janeiro de
1967, uma nova Constituição.

CONSTITUIÇÃO DE 1967

Nessa constituição ficou estabelecido que a


legislação trabalhista se aplica aos servidores
admitidos temporariamente para obras ou
contratos para funções de natureza técnica ou
especializada. Estabeleceu, também, a
valorização do trabalho como condição da
dignidade humana. Proibiu a greve nos serviços
públicos e atividades essenciais definidas em
lei. Continua proibindo a diferença de salários e
de critério de admissões por motivos de sexo,
cor e estado civil. Não alterou o inciso que fixa a
existência de salário de trabalho noturno
superior ao diurno, conforme Süssekind.

Já quanto à participação do trabalhador nos


lucros, a redação do inciso V dá o sentido legal,
dizendo que visa à integração do trabalhador na
vida e no desenvolvimento da empresa, com
participação nos lucros, e, excepcionalmente, na
gestão, nos casos e condições que forem
estabelecidos.

O descanso remunerado não ficou subordinado


ao limite das exigências técnicas das empresas
como estabelecia o inciso VI do art. 157 da
Constituição de 1946.

A idade mínima para o trabalho foi fixada em 12


anos com proibição de trabalho noturno, sem
mais a faculdade de exceção prevista em leis
ordinárias ou admitida pelo juiz competente,
como era na Constituição anterior.
Continua garantindo à gestante o direito de
descanso, antes e depois do parto, sem prejuízo
do emprego e do salário. Também não houve
alteração quanto ao reconhecimento das
convenções coletivas, mantido o princípio da de
1946.

Já no que diz respeito à proteção da previdência


social, a nova Constituição incluiu o direito ao
seguro-desemprego, mas somente em 1986 tal
seguro foi criado.

Duas disposições novas foram incluídas, quais


sejam as colônias de férias e clínicas de
repouso, recuperação e convalescença,
mantidas pela União, conforme dispuser a lei; e
a aposentadoria para a mulher aos trinta anos
de trabalho, com salário integral.

A Constituição regulou, também, a composição


do Tribunal Superior do Trabalho e dos Tribunais
Regionais do Trabalho, bem como a nomeação
dos seus integrantes. Fez previsão do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da
contribuição sindical e voto sindical obrigatório.
A intervenção estatal na vida do sindicalismo
continuou marcante. Ainda como um aspecto da
nacionalização do trabalho, somente a
brasileiros natos caberá a responsabilidade, a
orientação intelectual e administrativa das
empresas jornalísticas de qualquer espécie.

A Constituição de 1967 foi alterada pela Emenda


Constitucional, outorgada em 17 de outubro de
1969, e, conforme Süssekind, outras posteriores
não modificaram os princípios que nortearam os
capítulos referentes ao problema social. Deve-se
registrar, entretanto, que duas disposições
ferem princípios internacionalmente
consagrados: a que reduz o limite de idade do
trabalho para 12 anos e a que proíbe a greve
nos serviços públicos e nas atividades
consideradas essenciais pela lei.
A Assembléia Nacional Constituinte promulgou
no dia 5 de outubro de 1988 a Constituição da
República Federativa do Brasil.

CONSTITUIÇÃO 1988
Esse diploma trouxe o mais relevante impulso
na evolução jurídica brasileira a um eventual
modelo mais democrático de administração dos
conflitos sociais. A nova carta teve a clara
intenção de criar condições favoráveis à mais
ampla participação dos grupos sociais na
geração de normas jurídicas a comporem o
universo normativo do país, comenta Baraúna.
A Carta Magna refere-se à proteção contra a
despedida arbitrária, ou sem justa causa, nos
termos da Lei Complementar, que ainda não foi
aprovada, a qual deverá prever indenização
compensatória; manda criar o seguro-
desemprego, que, aliás, já existe; mantém o
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; salário
mínimo com muito mais amplitude do que o
vigente atualmente; 13º salário normal; licença
à gestante, sem prejuízo do emprego e do
salário, com a duração de 120 dias.
É certo que expressivas conquistas ficaram
consagradas com a promulgação na nova Carta,
tais como: relação de emprego protegida contra
dispensa arbitrária ou sem justa causa; piso
salarial proporcional à extensão e à
complexidade do trabalho prestado;
irredutibilidade salarial; participação nos lucros
e, excepcionalmente, na gestão da empresa
limitação da jornada de trabalho para 8 horas
diárias e 44 semanais;”