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Paternidade

Paternidade
EDUARDO NUNES ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Deus é nosso Pai, portanto, não somos mais órfãos. Essa verdade deve motivar todas as nossas atitudes,
pois, quando não a reconhecemos, temos deformações no nosso caráter, lacunas em nossas emoções e uma vida
incompleta. Inclusive, a causa de termos perdido a direção do que é correto aos olhos de Deus, ficando confusos
sobre como administrar nossas vidas, é a falta de conhecimento de Sua paternidade.

Para entender melhor essa ideia, imagine uma pessoa que cresce sem mentoria familiar. A tendência é que
ela tome, desde a infância, decisões que acarretarão prejuízos por toda a vida. Uma vez que entendemos isso,
fica evidente que a paternidade é um grande plano divino que deve ser trabalhado em nosso caráter todos os
dias. E do mesmo modo como uma criança cresce em estatura física e mental com o passar do tempo, quando
temos nosso espírito nascido de novo, também passamos por um processo lento de crescimento, entendendo
quem somos e quem é nosso Pai.

A respeito disso, a própria Palavra revela a grande importância que existe no relacionamento entre pais e filhos:

Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus
pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição. (Malaquias 4.6)

De acordo com esse versículo, notamos que a paternidade é uma medida que Deus nos deixou para livrar
a Terra da maldição do pecado. Com isso, outro ponto que observamos no texto bíblico acima é que, quando
vivemos em orfandade – isto é, com ausência de paternidade –, ficamos expostos à ira de Deus, além de inseguros
em nossa própria sabedoria humana. Ou seja, nós só encontraremos segurança quando nos submetermos à
autoridade paterna do Senhor. Além disso, essa ideia de proteção está relacionada ao significado de “abba”,
palavra correspondente para “pai” na etimologia hebraica, que representa a pessoa responsável pela origem e
sustentação de uma família.

Ainda assim, pode parecer estranho reconhecer nossa filiação de um Criador tão grande, mas temos a
garantia de que essa é a verdade, porque vimos Seu amor apresentado a nós por meio de Jesus. A Palavra deixa
explícito que temos de ter a certeza de que somos filhos de Deus (1 João 3.1) e que, em todas as situações que
enfrentarmos, de alegria ou tristeza, temos um Pai que não nos deixará sozinhos (Salmos 27.10). E isso fica
mais claro ainda quando compreendemos algo que a própria Bíblia também nos mostra: é desejo de Deus que
formemos uma família com Ele.

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou


para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele
seja o primogênito entre muitos irmãos. (Romanos 8.29)

Agora, além de entendermos que Deus preparou para nós uma grande família antes da fundação do mundo,
também percebemos que Jesus é o primogênito. É por meio d’Ele que recebemos o Espírito de adoção:

E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o


Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! (Gálatas 4.6)

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Dentro disso, um trecho-chave para entendermos a paternidade de Deus em relação a Cristo, que, por
consequência, se estende a nós, está no relato do batismo de Jesus:

Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o
Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus,
que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. (Mateus 3.16-17)

Aqui não vemos Deus afirmando que Jesus era o Todo Poderoso, o Ungido nem o Escolhido para realizar sinais
e maravilhas. Embora tudo isso seja verdade, o termo utilizado para definir Sua identidade foi “Filho”. O Pai
estava lançando sobre Cristo uma palavra de afirmação, impulsionando Seu ministério. Logo, antes mesmo que
Seu propósito estivesse concluído, Jesus já tinha sido aprovado pelo Pai. Da mesma forma, também nós fomos
aprovados antes de termos sido concebidos neste mundo. Veja o que o livro de Efésios diz sobre isso:

Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para


sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor. (Efésios 1.4)

Assim, tudo o que fazemos em virtude de uma vida cristã deve fluir da convicção de que já somos escolhidos
n’Ele, mesmo sem termos feito nada:

Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu


livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e
determinado, quando nem um deles havia ainda. (Salmos 139.16)

Dessa maneira, quando somos afirmados no Seu amor, não precisamos de outras aprovações, porque
confiamos na paternidade que está sobre nós. Por isso, é uma ferramenta importante enxergarmos o Senhor
como nosso Pai, Aquele que nos amou de tal maneira que deu Seu Filho, para que vivamos um cristianismo
sustentável.

Como vimos anteriormente, no texto de Efésios 1.4, a palavra “escolheu” vem do grego eklegomai, com o
sentido de separar um para si dentre muitos, mesmo antes da fundação do mundo. Essas palavras confirmam a
realidade de que nossa vida não é um acidente, o Pai já tinha um propósito para Seus filhos desde o princípio de
todas as coisas. Cada um de nós recebeu um chamado específico por meio do amor d’Ele. E reconhecer o senhorio
de Cristo pela fé é tudo de que precisamos fazer para alcançá-lo. O Evangelho de João nos diz:

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos


filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome. (João 1.12)

Partindo desse entendimento, é importante destacar que nada fizemos para sermos aceitos como filhos de
Deus, e que agora só precisamos experimentar Seu amor para uma vida de agrado a Ele.

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1. Qual é a importância de termos a revelação da paternidade de Deus em nossas vidas?

2. Quando não reconhecemos a paternidade divina, vivemos como órfãos. Quais consequências
a orfandade pode atrair?

3. Vimos que não somos um acidente do acaso. O que a Bíblia diz a respeito disso?

Agora que entendemos conceitos bíblicos sobre a paternidade divina, vejamos a seguir algumas características
do nosso Pai.

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1. Deus, o Pai da primeira família no universo
Deus é um Pai Criador, não apenas do nosso corpo, mas da nossa alma e do nosso espírito também:

Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas
o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. (Gênesis 2.7)

Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela


viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem
e sua mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor
Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? (Gênesis 3.8-9)

Em Gênesis 2.7, lemos o processo em que Deus cria o Homem. No capítulo seguinte, vemos que o mesmo Deus
criador também andava pelo Jardim do Éden procurando ter relacionamento com sua criação. Isso deixa claro
que o Senhor nunca nos quis distantes. No instante em que Adão foi formado, o plano da adoção já existia.

Para isso, além de Criador, Ele também se mostra um Pai provedor das nossas necessidades:

Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam


em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura,
não valeis vós muito mais do que as aves? (Mateus 6.25-26)

1. Dê exemplos bíblicos que mostram o quanto o Pai quer se relacionar conosco.

2. Em quais áreas da sua vida você consegue identificar o cuidado específico do Pai?

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Da mesma maneira como o Pai ia ao encontro do homem no Jardim do Éden, Ele também busca se relacionar
conosco. No entanto, um relacionamento dependente da iniciativa das duas partes.

1. Sabendo disso, o que você pode fazer para se aproximar mais do Pai?

2. Um Pai amoroso corrige


Corrigir é um ato de amor! Quando Deus nos corrige, somos levados ao Seu plano original para nós. É
justamente por esse motivo que o Senhor repreende a quem se relaciona com Ele, pois é em um contexto
de intimidade e confiança que sabemos que a correção vem por amor. Este é um ensino de grande sabedoria,
encontrado no livro de Provérbios:

Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da


sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim
como o pai, ao filho a quem quer bem. (Provérbios 3.11-12)

Se rejeitamos a correção de Deus, nos tornamos filhos ilegítimos; mas quando somos obedientes, construímos
uma ponte de relacionamento com Ele.

1. Qual é a importância de nos submetermos à correção do Pai?

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2. Você entende as correções de Deus como um ato de amor?
Então, como você age diante das delas? Por quê?

A verdade é que, quanto mais resistimos à correção e demoramos a nos arrepender, mais colocamos obstáculos
em nosso relacionamento com Deus. No entanto, Seu real objetivo é nos aprimorar para que possamos estar
mais próximos d’Ele.

1. Com isso em mente, como você pode reagir a uma correção de


forma que facilite seu processo de crescimento com Deus?

3. O Pai de um filho pródigo

E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o
avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. (Lucas 15.20)

Contada pelo próprio Jesus, essa parábola relata a história de um filho que pediu a herança ao seu pai
antes do falecimento deste. Com um ato de desprezo pelo pai, o filho pródigo partiu para uma terra distante,
esbanjando em muitos prazeres tudo o que havia recebido. Percebendo que a pobreza o havia atingido, decidiu
voltar para sua casa como servo, visto que já havia recebido seus direitos de filho.

No contexto dessa parábola, o que gostaríamos de destacar nesta aula é a reação que o pai teve ao ver de
longe seu filho voltando para casa. Quebrando muitos paradigmas, o pai deixou sua posição para correr até o
filho que se aproximava. Naquela época, um homem maduro jamais correria em direção a alguém, isso seria
humilhante para ele. Ainda assim, o pai não se importou com a vergonha (Hebreus 12.2), abraçando e beijando

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seu filho. Foi isso que Deus fez por nós. Enquanto estávamos perdidos e sem Sua paternidade, Ele veio a este
mundo nos encontrar, morrendo em nosso lugar para sermos alcançados como Seus filhos.

1. Como você se sente quando está distante do Pai?

2. Qual é a importância de entender que Ele está sempre de braços


abertos para você voltar, não importa o que tenha feito?

4. O Pai deseja uma família


Quando o Pai olha para a humanidade, não nos enxerga apenas como ferramentas usadas para cumprir Sua
vontade à força. Pelo contrário, Ele deseja que, por meio do Seu amor derramado em nós, sejamos unidos como
família, vivendo com alegria os Seus planos. Em Salmos 127.3, lemos que Deus considera os filhos como galardão
de uma herança.

Então, para que esse sonho de Deus se concretizasse, ele enviou Jesus, por meio do qual faríamos parte
dessa família. Assim, aprendemos com o Filho Primogênito a ver nosso Senhor como Pai. E se andarmos em
relacionamento com Ele, estaremos também desenvolvendo nossa intimidade com o Criador. Jesus é a porta
pela qual somos capazes de nos achegar ao Pai, o único caminho para Ele. Prova disso é este diálogo do Mestre
com um de Seus discípulos:

Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe


Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem
me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (João 14.7-9)

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Desse modo, à medida que conhecermos o Filho, participaremos de níveis mais profundos de relacionamento
com o Pai. Consequentemente, as pessoas ao nosso redor também verão a paternidade de Deus refletida em
nossas vidas, e isso acontecerá de maneira espontânea.

1. De que forma você pode se achegar a Deus para viver como Seu filho?

2. Saber que fazemos parte da família de Deus impacta sua vida de que maneira?

3. O que você pode fazer para ter mais prazer em obedecer à vontade do Pai?

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4. Quais passos práticos podem ser tomados para que você se enxergue mais como filho?

Assim como nosso Pai celestial, precisamos enxergar as pessoas das quais cuidamos como filhos. Então,
elas serão quem Deus diz que são, se as liderarmos com os princípios da paternidade.

1. Liste atitudes que você pode adotar para que as pessoas à sua volta
enxerguem a paternidade de Deus por meio da sua vida.

DESAFIO PESSOAL: Tire um tempo de oração e peça para que Deus


revele a você uma nova faceta de Sua paternidade.

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