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Fichamento: BARBIER, Frédéric. A Europa antes de Gutenberg.

O livro a invenção da
modernidade ocidental (XII-XVI). Ed. USP, São Paulo, 2018.

PRIMEIRA PARTE: GUTENBERG ANTES DE GUTENBERG.

As condições de uma nova economia das mídias.


"A Modernidade da idade média apoia-se um espaço privilegiado: das cidades. Se o
progresso da urbanização e da Inovação que ela induzia pressupõe uma profunda mudança
das regiões planas, constitui também o principal fator de mudança no canto do escrito.
Primeiramente uma mudança sócio-política 2 pontos na cidade, são renovadas as estruturas
sociais e as atividades profissionais e os modos de representação.” P. 33
O autor enfatiza a grandeza de algumas cidades no Oriente próximo, na Itália e no
ocidente Itália: no início do século 13 o Oriente próximo tinha três cidades com mais de 50
mil habitantes e 7 cidades com mais de 20 mil habitanteS; na Itália no início do século 13
apenas duas cidades acima de 20 mil habitantes, mas em 1350 4 cidades com mais de 50 mil
e seis cidades com mais 20 mil e no fim do século 15 haviam mais de 14 cidades com mais de
20 mil habitantes e 5 cidades com mais de 50 mil habitantes, enquanto no Oriente próximo
no fim do século 15 existiam 9 cidades com mais de 20 mil habitantes e 3 com mais de 50 mil
habitantes. No resto do Oriente no início do século 13 não havia Nenhuma cidade com mais
de 20 mil habitantes mas em 1350 Existiam 5 com mais de 20.000 habitantes e duas com
mais de 50.000. Ao final do século 15 o ocidente tinha oito cidades com mais de 20 mil
habitantes e 3 com mais de 50.000. dessas cidades em meados do século 14 quatro delas
eram cidades italianas: Veneza Gênova Milão e Florença. em 1500 a Europa tinha 8,390,000
habitantes, enquanto em 1300 tinha 7,560,000 habitantes, e sua taxa de urbanização cresceu
de 10,3% para 11,2%, mesmo que tenha abaixado de 13,6% a 11,2% de 1400 para 1500.
"A característica da sociedade Urbana reside na especialização dos ofícios em face de
uma economia Rural baseada na autossuficiência da Comunidade a cidade, aglomeração de
homens que dependem, para sua alimentação de produtos de fora é muito naturalmente no
centro de invenção de outros modelos de consumo, portanto de vida ponto final" página 36
O autor utiliza Max Weber para apontar uma tipologia das cidades 2 pontos a cidade
dos ofícios a cidade de negócios e a cidade principesca. A primeira é aquela onde se trabalha
o couro e lã, e se concentra nos cursos d'água com subúrbios que se multiplicam fora das
muralhas. A segunda é principalmente o caso da Itália e também bruges, que são rota de lã e
também tem um desenvolvimento das atividades intelectuais e artísticas aumentado por uma
presença de Uma Corte. A terceira é aquela que acolhe ao mesmo tempo uma corte mais ou
menos rica e fastidiosas com serviços administrativos que controlam um determinado
território principalmente na França.
"A principal mudança que se observa a partir do século 11 no mundo da escrita é a da
abertura. Até então, a escrita fora apanágio da igreja, e sobretudo dos Mosteiros estabelecidos
nos campos dois-pontos doravante irá penetrar na sociedade Global primeiramente no mundo
das cidades, mas também é menor grau nos castelos ou mesmo nos Burgos relativamente
menos importantes ponto final essa mudança é produzida pelo desenvolvimento das
estruturas de ensino, pela racionalização política e pelo avanço das atividades comerciais e da
burguesia Urbana. " página 40
O autor aponta que a cidade se beneficia da escrita principalmente porque aonde
aparece nos primeiros documentos escritos como título de propriedade, peças contábeis,
registros cartoriais e, finalmente livros final os arquivos urbanos são como depósitos de uma
memória burguesa quase sempre em língua vulgar que se antepõe a memória nobiliária
constituída pelos registros cartulários conservados nos castelos e nas casas religiosas.
Os almanaques (calendários) eram colados à parede, como símbolo talvez de um
sistema de medida do tempo ligado a escrita e ao trabalho da escrita: passa-se do tempo
natural das estações e das festas religiosas para o tempo do administrador (e dos impostos) e
do financista ou seja aquele que calcula as rendas e taxas de juro.
"Todos os detalhes são significativos e designam a ruptura entre a Sociedade Rural e
uma modernidade que articula o domínio da coisa escrita, a passagem a uma diferente
percepção do tempo e a invenção de um modelo de verso de trabalho." AQUI o autor se
refere a uma obra chamada “Recenseamento de Belém” feita por Breughel em Flandres e
também é uma obra chamada o advogado dos Camponeses, de 1620. página 41
"A Inovação deriva inicialmente de novas lógicas sociais e políticas: o termo
"burguês" designar a, no sentido etimológico, os habitantes do burgo, depois, por extensão,
aquele que pratica atividades que fogem a tripartição tradicional da sociedade. O burguês
não vive diretamente da terra e não é nenhum Eclesiástico nenhum cavaleiro. " página 42
"A cidade funciona como um sistema de aculturação fundamentado na racionalidade
do signo e da midiatização, e no qual mergulham, muito ou pouco, todos os habitantes. a
dominação necessária do tempo e do espaço decorre da obrigação de utilizar referências fixas
para correspondência e os contratos, mas também para mensurar o próprio trabalho: daí por
exemplo a difusão dos relógios mecânicos na cidade nas regiões mais avançadas:
primeiramente na Itália, e, depois, nos "antigos Países Baixos" no início do século 14. página
44
"A cidade é a escola [...] para a imensa maioria, ensino como tal não existe a
educação se faz no seio da família e da Comunidade - Aldeia, a paróquia - ou ainda, no caso
dos artesãos, por meio do aprendizado ponto final desse mundo geralmente estão ausentes o
livro e a escrita ainda que se note certa tendência à abertura. Guibert de Nogent já pôde
escrever no início do século 12:” p. 46

No tempo que procedeu imediatamente a minha infância e Mesmo durante


ela, a falta de professores era tamanha que era quase impossível encontrá-los
nos Burgos. Mal se podia descobri-los nas cidades. encontrava-se algum por
acaso. Sua ciência era tão limitada que não se podia compará-las sequer à
dos pequenos clérigos errantes de hoje.

O autor aponta que por volta de 1450 a população da Europa Ocidental alcançou
uma taxa de 10% a 15% de indivíduos que sabiam ler e escrever, com distorções maciças de
uma região para outra.

A economia do Livro
Neste capítulo o autor traz a produção de manuscritos na Alemanha entre os séculos
13 e 15. No século oitavo Império alemão produziu 33564 manuscritos enquanto no século
nono a época do renascimento carolíngio, foram produzidos 134 1905 manuscritos, valor que
só será igualado no século 12 e superado no séculos 13,14 e 15 chegando mesmo uma
produção de 910000 manuscritos no último século dito. Na época de Gutenberg na Alemanha
foram produzidas mais manuscritos que em outras épocas, mas a retomada do crescimento é
mais precoce na Itália a França demora um pouco mais a se recuperar. as áreas de Fronteira,
Principalmente as fronteiras espanholas com o mundo árabe ressaltam o privilégio Onde a
troca de todos os tipos são mais numerosas e mais diversas. Na "casa da sabedoria" de Bagdá
em 832, são copiados Aristóteles Ptolomeu, Arquimedes, Euclides, Galeno e Hipócrates para
estudá-los e comentá-los. Entre 961 e 976 Al Hakam II funda mais rica biblioteca do
ocidente, na qual autorizar árabes dizem ter mais de 400 mil títulos. motor aponta que alguns
acontecimentos diversos como a tomada de Constantinopla em 1204, e o progresso da
reconquista da Espanha, juntamente com a política de Frederico segundo, contribuem para
abrir o pensamento ocidental e aproximá-lo da herança platônica e aristotélica ponto final
Platão Levanta a questão de saber como elaborar conhecimentos gerais a partir das vivências
particulares oriundos da experiência: as ideias são atemporais, mas participam do mundo
sensível Aristóteles teorizou o sistema da palavra como signo linguístico: a palavra deve ser
signo de alguma coisa, ligada ao exterior a experiência funciona como uma superposição de
signos encaixados: a experiência sensível (a coisa), a palavra oralizada como signo da coisa e
o escrito com o signo do oral. Esse tipo de pensamento, embasa a partir do século 12 a
reorganização do conhecimento humano: entramos no mundo da mediação e da representação
no qual a reflexão e a manipulação de objetos virtuais (a palavra e o discurso), Estão na base
do conhecimento de suas aplicações práticas.
A reflexão sobre a cartografia, a astronomia ou ainda ciências naturais mostra que as
propriedades do real são doravante percebidas como aparentes, enquanto suas categorias
verdadeiras seriam ao mesmo tempo Racionais e ocultas. Também se constroem modelos
sob uma forma material: lembremo-nos de que o primeiro globo terrestre foi fabricado em
Nuremberg por Martin Behaim, em 1492 o ano da travessia transatlântica do genovês.
Quando Galileu afirma que "a natureza é escrita em linguagem matemática" leva o raciocínio
a seu extremo: o pensamento se organiza na base de representações que permitem fazer com
que o universo sensível funcione a maneira de um sistema de signos neste caso uma
modelização matemática.
"A Escolástica, desenvolve um método de análise do discurso de seus componentes,
apoiada em uma teoria do signo e que permite avançar no raciocínio. Para a Escolástica,
universo é um todo organizado cujos fenômenos funcionam como os signos do mundo
perfeito das ideias - o mundo de Deus. O discurso na condição de um conjunto de signos,
será instrumentalizado como ferramenta de racionalidade cuja força de demanda já é
assaltada por Abelardo [...]” (1142, morte):
meus alunos exigiam razões humanas, queriam explicações inteligíveis
mais do que afirmações. Diziam que é inútil falar se não se oferece o
entendimento do que se fala e que ninguém pode acreditar se não
compreende antes.

Tomás de Aquino, que faleceu em 1274 e os dominicanos a dialética permite


"construir uma teoria inteligível do real", que a igreja coroará com os estudos das escrituras e
da tradição. A razão, a primeira das faculdades humanas, não pode provar o Dogma, mas
mostra sua verossimilhança. Atribuir o papel principal à letra (escrita) e a significação literal
impedirá que alguém se perca em desenvolvimentos mal embasados. essa construção antiga
que é posta em causa, a partir dos séculos 12 e 13 pela concepção do discurso escrito como
um conjunto de signos e pela prática cada vez mais difundida da Leitura silenciosa. A prática
de leitura era extremamente ligada a audição Pois uma pessoa Pedir para que se lesse para ela
ou ela mesma Lia em voz alta Ou baixa, portanto a audição é o sentido dominante.

O texto
"A abertura do livro supõe também mudar de lógica Econômica: enquanto, no
escritório monástico, a questão do custo de fabricação Não intervém realmente, o mesmo não
ocorre quando passamos para a sociedade Global. O desejo de reduzir os custos se manifesta
na troca de um suporte caro (O pergaminho) por outros mais acessível (o papel), enquanto a
densidade da página é aumentada até o triplo em alguns casos então final outro método de
facilitar o acesso ao livro reside na criação de bibliotecas, Principalmente dentro das
Universidades e dos colégios". p. 82
Num plano bem diferente, o desenvolvimento do método escolástico influenciou não
apenas a concepção e orientação dos textos mas também à disposição das páginas e a forma
material dos volumes induzindo a um novo uso destes. Na Escolástica a divisibilidade
progressiva de todas as coisas permite a sua análise e sua compreensão, tanto que na escrita
há Uma hierarquia na ordem do que está escrito, que é o mesmo caso do que acontece na
arquitetura gótica. No séculos 12 e 13 a gótica de suma (rotunda), muito bem trabalhada,
destina-se aos tratados científicos, enquanto a textura (letra de forma), é empregada sobretudo
para livros da igreja e será tomada por Gutenberg para os caracteres da sua Bíblia de 42
linhas em 1455 . Finalmente, a bastarda, ligeiramente inclinada, é usada sobretudo para cópia
dos manuscritos em língua vulgar as formas mais cursivas são as mais comuns em
documentos notariais ou em certos manuscritos universitários. Nos manuscritos carolíngios,
Geralmente as palavras não eram separadas umas das outras, o que impunha uma leitura
oralizada. Pouco a pouco, a autonomização do texto se articula com o desenvolvimento,
sobretudo entre os eruditos, da prática de leitura silenciosa. Até mesmo as escrituras sagradas
se tornam diferentes por um tratamento especial para identificarmos como partes de um
discurso diferente, enquanto a principal inovação surgirá em seguida nos meios humanistas
italianos, onde são utilizados progressivamente o ponto de exclamação e os parênteses
(aproximadamente 1400). Com o tempo, procedimentos e divisões e ordens alfabéticas se
tornam recorrentes, principalmente no campo das sagradas escrituras. Por outro lado quando
se traduz Aristóteles Nicolau de oresme completa seu trabalho com um "índice de notáveis"
em ordem alfabética: trata-se de uma lista dos grandes temas abordados, com remissões aos
livros e Capítulos do texto principal. a estrutura do ensino medieval e o sistema de
comentários fazem com que o texto se torne inseparável de um aparato de comentários tão
importantes quanto o texto ponto final o texto principal será copiado em módulo maior e a
glosa (o comentário) dado em relação as passagens correspondentes em módulo menor nas
margens, como é o caso da glosa Marginal.

A imagem
O livro passa a ser também um distintivo social, as grandes cópias monumentais e
decoradas eram parte dos itens dos Nobres, enquanto os pequenos livres e manuseados eram
para os leitores de menor qualidade. As horas que não são livros litúrgicos para mente ditos
devem antes de tudo ser manuseáveis: são pequenos manuscritos bem cuidados, como os que
Eustache Deschamps cantará no final do século 14:

Eu quero livro de Horas de Nossa Senhora, como convém a mulher, de


Nobre Nascimento, que sejam de Bela confecção de ouro e de lazuli, ricos e
ornamentados, bem ornamentados e bem pintados no tecido de ouro muito
bem cobertores e quando forem abertos, dois fechos de ouro que fecharam,
que aqueles que os virem, possam dizer e contar por toda parte que outros
mais belos não existem.
O desaparecimento da perspectiva nas pinturas da Alta Idade Média remete a
reviravolta operada pelo cristianismo: o mundo é a materialização da palavra de Deus ele
forma, portanto uma continuidade entre o artista e o mundo, em que a representação é
simples em superfícies planas e pelo jogo de linhas e cores
“A idade média acreditou que tudo estava em deus. não havia distância entre as
coisas, pois elas eram apenas a manifestação de uma essência única ponto daí decorre a
representação dos espaços pelos valores, atributos de significação moral.”, Como disse Pierre
francastel, p. 90
Finalmente, no plano das práticas, a leitura possível de um determinado texto é
condicionado pela forma material da do livro, Passagem do livro em rolo para o livro de
cadernos torna possível uma prática diferente leitura na qual a invenção da minúscula
constitui a condição preliminar indispensável à leitura rápida, pois o leitor moderno está
acostumado a consultar diversos livros, enquanto o medieval aposta na memorização dos
conteúdos.
SEGUNDA PARTE: O TEMPO DAS START-UPS
Desenvolvimentos e lógicas da Inovação
O autor retrata que todas as invenções acabam por acontecer em espécie de etapas.
Algo novo surge, como a imprensa, nela está o novo, o caractere metálico e sua reprodução.
Com essa inovação, tende-se a surgirem nossas necessidades que a acompanhem, como a
maior produção do papel, melhor organização dos espaços de produção, aumento dos
consumidores, num cenário em que as “empresas” do século XV são como as start-ups dos
anos 2000.
O papel é uma invenção chinesa que data do século II a.c. e seu material base variou,
de cânhamo, palha de arroz, amoreira e principalmente bambu. O papel pode ser percebido na
coreia, em 600, no japão a partir de 610 e na Índia, no século VII. Alguns documentos
indicam a existência do papel no mediterrâneo a partir da dominação muçulmana, chegando
ao uso mais amplo a partir do século XI na Europa. Na Idade média é a Itália o local por onde
o papel se espalha, contendo folhas feitas de linho e trapos de tecido não tingido, com mais
ou menos 30x42cms. O documento mais Antigo de papel encontrado na Europa é um Tirol
datado de 1299 na Alemanha, sendo um livro de contas. Outros papéis mais baratos eram
produzidos para embalagens, mas colados, podiam se tornar o cartão, feito para baralhos,
amplamente consumidos ao longo dos últimos séculos da Idade Média. Eles contêm imagens
graças a xilogravura, técnica conhecida no Oriente, mas que se iniciou com o uso de uma
pedra. O primeiro documento conhecido é “Inscrição das Fontes Quentes”, encontrado em
Lishan (china) antes de 653. Desde o início do século XV, conhece-se a técnica de gravura
em cobre, que data de 1446 nos Países Baixos, mas que ela já era uma técnica conhecida,
porém, sem poder ser utilizada com a tipografia. Em 1481, a gravura em cobre era colada
após a obra ter ficado pronta.

A imagem e o texto
 combinar uma imagem um texto quase sempre muito curto, não é certamente uma
coisa nova: que observamos esse na China, bem como no acidente com as "obras falantes",
pinturas Moraes, miniaturas, ou mesmo esculturas em que a representação figurada vem
acompanhada de uma legenda. A imagem não pode ser considerada "o livro do pobre" ou
daquele que não sabe ler dois pontos de um lado, quando Gregório Magno em 1604 sugere
que as imagens são "livros dos Leigos" enuncia apenas um fato observado em uma época, o
século sexto que o livro é quase exclusivamente coisa da igreja e dos clássicos. De outro lado,
a leitura das imagens, que permite a identificação das personagens e a compreensão de suas
relações tanto quanto da cena representada pressupõe da parte do espectador uma formação
por vezes avançada. As vezes algumas obras visuais carregam esse fragmento de folhetos que
mostram o alfabeto e servem de apoio ao ensino mas esses são exemplos relativamente tarde
já no século 15. Os textos livros xilografados a partir do século 15 aparecem em latim ou em
vernáculo o que denuncia a existência de dois mercados diferentes da qual a oposição letrado
versus iletrado dá uma ideia apenas parcial. 

Rumo à Europa: a conexão mongólica


 A China pratica desde o século 18 a reprodução de textos, pela gravura em madeira,
quer por ideogramas móveis gravados em Terracota ou em madeira já no século 11.
Levantou-se, portanto, a hipótese de que a invenção da Imprensa teria sido transmitida ou
inspirado no ocidente por realizações chinesas ou uigures.  a partir do século 13,1 o ocidente
entrou em uma fase decisiva de expansão geográfica como foi o caso da Alemanha que
avançou para o leste em 1283. nessa mesma época os Mongóis de Gengis Khan tomam
Pequim em 1215 Moscou em 1238 e Kiev em 1240, chegando a Alemanha e a Hungria em
1241.  o interessante porém é que esta paz mongólica estabelecida por todo o continente no
século 14 permitiu a intensificação de trocas pela rota da seda e pelo oásis de Turfã. 
Na primeira metade do século 15, está "no ar" a invenção decisiva. no Vale do Reno
no sul da Alemanha e na Holanda grupos de inventores e de empreendedores se ocupam de
problemas técnicos de todos os tipos dos pontos fabricação de papel, confecção de espelhos,
polimento de pedras preciosas, técnicas as armas de fogo aperfeiçoamento da estampagem
das encadernações e busca de um novo método para multiplicar texto. Prokop Waldvogel de
Braganciis descendente de uma família de metalúrgicos estabelecida em praga desde a década
de 1360 em 4 de julho de 1444, ele vende a um estudante originário de DAX,  um conjunto
de ferramentas utilizadas para a “escrita mecânica": de Aço duas formas de Ferro, um
parafuso de metal, 48 formas de estanho e outras formas diversas, "referentes a arte de
escrever".
 Constatamos também o aparecimento de técnicas prototipográficas nos "antigos
Países Baixos". a tradição atribui sua invenção a Laurent Janszoon Coster, de Haarlem, mas
cabe citar, sobretudo, os livros "feitos em forma", de que fazem menção os memoriais de
Jean le Robert, abade, em 1446 de Sanit-aubert de Cambrai.
Já em meados do século 18, Prosper Marchand adotava um esquema clássico de
filiação técnica: "essas primeiras impressões... Que eram fabricadas apenas com ajuda de
tábuas de madeira Tais quais acabo de descrever, eram muito menos verdadeiras impressões
que simples gravuras muito semelhante Às nossas imagens talhadas em madeira ou, melhor
ainda, as famosas impressões da China e do Japão. Como só pode servir para uma nova
impressão da mesma obra e atravanca inutilmente oficinas inteiras, logo se tornavam motivo
de embaraço por seu grande número, e como eram impressas apenas de um lado do Papel, era
preciso depois colar As Duas Faces brancas uma na outra a fim de esconder esse defeito;
exigiu necessariamente trabalho duplo e despesa dupla para produzir, no final, uma obra
bastante em perfeita"
 “No total a tipografia em caracteres móveis constitui uma invenção absolutamente
original pela articulação entre o trabalho do Metal, a decomposição do texto em caracteres
móveis e a utilização da prensa de imprimir. as reconstituições de filiações, notadamente da
xilografia a tipografia em caracteres móveis, não explicaram o próprio processo de invenção.
Isso não quer dizer que, entre as técnicas prototipográficas que possam ter existido, a
xilografia não desempenhou seu papel.” p. 157

Gutenberg e a invenção da Imprensa.


Apesar de tudo que foi dito, o principal responsável pela invenção da tipografia em
caracteres móveis pode, com justiça, ser identificado como mogunciano Johann Genfleish zur
Laden, chamado Gutemberg, devido ao nome onde nasceu o que significa Bela montanha, na
Mongúcia   entre 1394 e 1400. Essa cidade foi fundada em 38 antes de Cristo pelos Romanos
no Reno dos territórios germânicos. No século 13 Essa cidade é uma das principais da
Alemanha: a única a compartilhar com uma a denominação de "Santa Sé", ela é a cabeça de
ouro e o Diadema do sacro império. por volta de 1300 a cidade tinha aproximadamente 25
mil habitantes, e em 1500 contará com apenas de cinco a dez mil. a cidade passa por grandes
crises e em 1428 uma revolta contra patriciado termina com a escolha, pelas corporações, de
um conselho que promove reformas radicais antes de ser forçado a transigir com os patrícios,
principal capitalista da cidade. Todavia, uma parte destes abandonou a cidade, entre os quais
Gutemberg, então instalado em estrasburgo. Gutenberg fazia parte da família que há quase
dois séculos eram membros da Casa da Moeda, e com sua política de casamentos puderam se
unir a outras grandes famílias da cidade ponto final são todos os negociantes abastados que
possuem propriedades rurais do privilégio do comércio de tecidos e ocupam cargos de
decisão na administração Municipal ou no serviço do arcebispo. Quase nada sabemos da
infância nem da formação de Gutenberg ponto final na primeira metade do século 15 a sua
cidade dispõe de boas estruturas de informações escolar para ler e escrever. É possível que o
jovem tenha sido um aprendiz de ourives, mas não se encontram traços de seu nome nas listas
das corporações de sua cidade e, mais tarde, ele mesmo empregou Ourives porque
Possivelmente não dominava completamente as técnicas. O conselho da cidade queria taxar
patrícios a fim de reduzir a dívida Municipal e os proibiu de deixar a cidade durante 10 anos,
ainda assim alguns deixaram o local, entre os tais Gutenberg Sem dúvida depois de 1428.
Berg se estabeleceram em Estrasburgo, onde ficará como sócio da corporação de ourives em
1444. Estrasburgo se impõe como Polo de negócio de finanças, e também como centro de
notável dinamismo intelectual e artístico. Gutemberg trabalha então com a técnica de
lapidação das Pedras Preciosas. Gutemberg tenta alguns negócios em cidades próximas as
obrigações de espelhos com outros ossos, mas acaba por voltar para sua cidade em 1448. A
sua situação financeira Era bastante favorável. O trabalho com a Bíblia de 42 linhas começa
em 1451 e exigirá 4 anos, e muito investimento um sócio seu investiu 800 florins mas dois
anos depois precisou investir mais 800. 
“Portanto, na medida em que podemos reconstituir os fatos, Gutemberg teria
começado a imprimir em Mogúncia a partir de 1449, mas o "primeiro grande livro europeu”
continua sendo a Bíblia de 42 linhas de 1455. No intervalo, ele e seus sócios conseguem
recursos com a impressão de pequenos textos cuja tipologia pode ser rapidamente
determinada, mas a cronologia continue certa. Identificamos por seus caracteres tipográficos,
sendo os mais antigos os góticos de módulo Grosso. Sempre peças pequenas: “Juízo
Final", foi impresso, alto parece, em 1452 Sem dúvida por Gutenberg. " p. 176
Em outubro de 1454, Gutenberg e Fust, seu sócio, se encontram na feira de Frankfurt
onde divulgam os primeiros cadernos como amostra. Seu sócio, em 1455 afirma que
emprestou 1600 Florense para Gutenberg, mas exige o reembolso de 2020 Florence
correspondente ao capital e aos juros, alegando que o tem Berg teria empregado uma parte
dessa soma em outros empreendimentos alheios a sociedade. Mesmo que a sentença tenha
sido equilibrada, ainda assim o inventor teve de pagar 1200 Florence e provavelmente
devolver a seu amigo uma parte do material e algumas obras em andamento. Gutemberg
então rompeu com seu parceiro, mas conseguiu reembolsar a quantia com sua parte dos
lucros da Bíblia de 42 linhas para continuar explorando sozinho oficina. Seja como for, a
Bíblia de 42 linhas em dois volumes, sai provavelmente 1455: estabeleceu-se que a sua
impressão exigiria 4 prensas ao mesmo tempo, com seis compositores e 12 operadores
trabalhando na oficina. A tiragem seria de 180 exemplares, 50 dos quais em pergaminho. No
final da década de 1450, Gutenberg enfrenta uma situação financeira difícil, porque o
material tipográfico que Gutenberg utiliza, exige investimentos muito grandes para
aperfeiçoamento dessa técnica dificílima que talvez tem essa de seus meios. Gutemberg Volta
para sua cidade como membro da Confraria em 1468 e é sepultado na igreja dos franciscanos
que foi destruída em 1742. 

A INOVAÇÃO 
Na invenção de Gutenberg, a Inovação fundamental está ligada a prática da impressão
dois-pontos trata-se de compor um texto mediante a junção de prismas que trazem, cada um,
uma letra gravada em relevo. a invenção decisiva tem relação com o uso do Metal, e suas
etapas sucessivas podem pressupor a intervenção de vários técnicos: Gutenberg na concepção
de conjunto e na criação da prensa, Johann Fust e Peter Schoeffer nas técnicas metalúrgicas, e
mesmo o francês Nicolas Jenson. 
 O componente central da invenção é constituído pelos caracteres tipográficos (os
tipos alfabéticos) desenhados ao contrário e fundidos em espelho em múltiplos exemplares
graças a máquina de fundir. Na tipografia em caracteres móveis, o desenho do caractere é
primeiramente gravado em relevo e ao contrário, sobre a forma de punção, uma ferramenta
conhecida dos Ourives: "função era usado durante o Baixo Império para gravar em encavo o
engaste dos Anéis que serviam de Sinete". Da mesma forma, a antiguidade conhecia o uso da
Matriz para fundir o Sinete, assim como das cunhas destinadas a fabricar as moedas e
medalhas, ou mesmo certas placas de encadernação. Os antigos dominavam também a técnica
da Fundição de metal em um molde para fundição de moedas ponto final essas técnicas, que
parecem ter se perdido durante quase toda a idade média serão redescobertas a partir do
século 13. No que se refere a imprensa a ideia é associar punção e fundição: o punção é
cunhado a martelo em uma matriz de cobre, depois este é colocado em uma máquina de
fundir, que permite a produção em grande número de tipos padronizados, isto é, alinhados em
um mesmo plano e com mesma altura. "O alfabeto só se tornou verdadeiramente alfabeto
quando a Europa ocidental aprendeu a reproduzir as formas das Letras graças a caracteres
móveis" (Eric Havelock). A tinta utilizada é composta de uma mistura de terebintina, óleo de
nozes e fumo negro reduzido por cozimento: é uma tinta gorda que não escorre sobre a
forma. O princípio da Imprensa é conhecido desde a antiguidade com as presenças de azeite
de frutas e sobretudo, de uvas. É possível que a prensa tenha sido utilizada para decoração
dos tecidos medievais; e vimos que as primeiras prensas de papel apareceram no rio Pegnitz
em Nuremberg por volta de 1390. Parece certo que a prensa de Gutenberg representava uma
etapa intermediária antes do aprimoramento da prensa de dois tiros o que ocorreu Sem dúvida
em Roma nos anos de 1470. Apesar das inúmeras melhorias pontuais, essa técnica continuará
sendo utilizada até o início da Revolução Industrial, aproximadamente 1800. Os primeiros
impressores preocupam se de todos os modos em preservar o segredo dos processos, pois não
havia nenhuma proteção por algum sistema de patentes. 
Composição é a operação que consiste em, a partir do texto, alinhar os caracteres e
construir as formas tipográficas para impressão. Os operários que executam este trabalho são
os compositores. Uma vez estabelecido o texto, é necessário medi-lo com precisão para
determinar o comprimento da cópia da madeira a prever o número exato de páginas final. 
Um bom exemplo é o do manuscrito da Cidade de Deus copiado por volta de 1460.
Primeiramente, copiou-se o texto, em seguida fez-se uma revisão fisiológica. A cópia da
Cidade de Deus prosseguiu em uma única presença, todos os dias exceto aos domingos, até
12 de junho de 1467, portanto, 7 anos de duração. O processo de composição era tão difícil,
que o compositor, de pé em frente aos caixotes, selecionava  as letras e compunha a frase,
mas mesmo assim as imperfeições ou mesmo os erros decomposição continuaram frequentes,
sobretudo nos primeiros anos ou nas oficinas menos equipadas, quando se precisava trabalhar
mais depressa ou não havia uma pessoa disponível para fazer uma correção precisa do texto.

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