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AULA 05– RESISTÊNCIA AO

CISALHAMENTO
Conceitos Básicos
Disciplina Mecânica dos Solos-II
Professsora: Dra. Gracieli Dienstmann
Tensões no solo
• Em qualquer ponto da massa do solo existem três planos
ortogonais onde as tensões cisalhantes são nulas. Estes planos
são chamados “planos principais de tensões”. Portanto, as
tensões normais recebem o nome de tensões principais, onde a
maior das tensões atuantes é chamada tensão principal maior
(σ1), a menor é chamada tensão principal menor (σ3), e a terceira
é chamada tensão principal intermediária (σ2).

No perfil geotécnico da Figura supondo K0 < 1,


temos:
- σ’v0 = γ . z = σ1 (tensão principal maior)
- σ’h0 = K0 . σ’v0 = σ3 (tensão principal menor)
σ = tensões normais
 = tensões cisalhantes
Tensões no solo
Estado plano de tensões
• A maior parte dos problemas
de Mecânica dos Solos
permitem soluções
considerando um estado de
tensões no plano. Admitindo-se
esta simplificação, trabalha-se
somente com as tensões
atuantes em duas dimensões.
Mais especificamente procura-
se o estado de tensões no
plano que contêm as tensões
principais σ1 e σ3.
Tensões no solo
• Estado plano de tensões
• No estado plano de tensões quando se conhece os planos e
as tensões principais em um ponto, pode-se determinar as
tensões em qualquer plano que passa por esse ponto. O
cálculo é feito pelas equações de equilibrio dos esforços
aplicados a um prisma triangular definido pelos 2 planos
principais e o plano que quer se determinar as tensões, de
acordo com a figura:
y
x

 Fx = 0  . A +  . Asen . cos  =  1. Asen . cos   = ( 1 −  ).sen2


2
 Fy = 0  . A =  1. A. cos  +  3. A. cos   = ( 1 +  ) + ( 1 −  ). cos 2
2 2
Tensões no solo
• O círculo de Mohr
• O estado de tensões em um ponto pode ser
representado graficamente, através do círculo de Mohr.
• O Círculo de Mohr é a representação gráfica do estado
de tensões no entorno de um ponto.

Círculo de Mohr

’1
’3 ’3 
’3
’1

’1
Tensões no solo
• O círculo de Mohr

Tem-se a necessidade de se conhecer as tensões em um


plano qualquer.
Tensões no solo
• O círculo de Mohr


’

 2 

’3

’1
Círculo de Mohr
• Polo é ponto do circulo de Mohr que partindo dele com
uma reta esta intercepta o circulo de Mohr no ponto que
indica as tensões num plano paralelo a esta reta.
Círculo de Mohr
• Dado o estado de tensões traçar o círculo de
Mohr e determinar as tensões no plano AA’.

=60kN/m2
A’

=20kN/m2 =20kN/m2

A 30o

=60kN/m2
Círculo de Mohr e Trajetória de Tensões
• Diagrama p x q – Trajetória de tensões
Tensão média: Tensão cisalhante:
p = (1+3)/2 q = (1-3)/2
Resistência ao cisalhamento
• Solos como outros materiais em engenharia resistem
bem às tensões de compressão, mas tem resistência
limitada a tração e ao cisalhamento.
• Nos solos a ruptura é caracterizada por deslocamentos
relativos entre partículas (cisalhamento), sendo
desprezadas as deformações das partículas e dos fluidos
presentes nos vazios.

Resistência dos solos → Resistência ao cisalhamento


Resistência ao cisalhamento
Conceitos:
➢A resistência ao cisalhamento de um solo é a máxima
tensão cisalhante que o solo pode suportar sem sofrer
ruptura;
➢Ou, a tensão cisalhante no plano onde a ruptura ocorre;
➢Ou ainda a tensão necessária para causar movimento
relativo entre partículas.

Planos onde as tensões cisalhantes superam a


resistência ao cisalhamento são chamados planos de
ruptura.
Exemplos típicos da influência da resistência ao
cisalhamento dos solos
Exemplos típicos da influência da resistência ao
cisalhamento dos solos
Mecanismo: Atrito e Coesão
• Atrito
• A resistência por atrito pode ser simplesmente
demonstrada pela analogia com o problema de
deslizamento de um corpo sobre uma superfície plana
horizontal.
N

T

T
Ângulo de atrito do
material ()
Quanto maior o valor de
N, maior terá que ser o N
valor de T para que T = N a (onde “a” é a inclinação da reta)
haja deslizamento.
T = N tan
Mecanismo: Atrito e Coesão
• Conceitos Básicos
• A resistência ao cisalhamento é proporcional a força
normal N;
• A resistência ao cisalhamento é independente da área
de contato entre os materiais
• O valor de  depende do tipo de material e para um
dado material depende da densidade, rugosidade, etc..
• Exemplo
•  areia densa >  areia fofa (mesma areia)
Mecanismo: Atrito e Coesão
• Coesão
• A atração química entre as partículas,
principalmente no caso de estruturas floculadas e a
cimentação entre as partículas, podem provocar a
existência de uma coesão real.

• A coesão real se caracteriza por ser uma parcela


da resistência ao cisalhamento independente da
pressão normal atuante no plano
N

T T = C + N tan()
Mecanismo: Atrito e Coesão


T
Ângulo de atrito T = C + N tan ()
do material ()

C
N

• A coesão real deve ser bem distinguida da coesão aparente. A


coesão aparente é uma parcela da resistência ao cisalhamento
dos solos úmidos, não saturadas, devido a tensão capilar da água,
que atai as partículas.
• A coesão aparente em solos saturados é igual a zero.
• Em projetos de engenharia não se considera a coesão aparente.
• Como o fenômeno de cisalhamento é basicamente um fenômeno
de atrito, portanto, a resistência dos solos depende da força
Normal.
Critérios de Ruptura
• Critérios de ruptura são formulações que procuram
refletir as condições em que ocorre a ruptura de
materiais.
Critério de Ruptura de Mohr-Coulomb
• A resistência ao cisalhamento de um determinado solo
é usualmente definido em termos das tensões
desenvolvidas no pico da curva tensão deformação.

1-3 1 1+
Ruptura 
Resistência
ao
3 3 3 3=const.
cisalhamento
máximo

1 1+

1-3 = Tensão desviadora


Critério de Ruptura de Mohr-Coulomb

1+c
1+b
  1+a

Ruptura 3 3=const.

1+a
1+b
1+c
1+b
3 
1+a  +c
1
Critério de Mohr-Coulomb
• Existe um estado de tensões que a resistência do
material é atingida ocorrendo a ruptura.
• O plano de ruptura é aquele que faz um ângulo de 
com a direção do plano principal maior, sendo 2  o
ângulo formado pela normal a curva de resistência no
ponto de contato com o eixo das abscissas. A tangente
a curva no ponto de contato é definida como a
envoltória de resistência de Mohr-Coulomb
Envoltória de resistência


Ruptura
90º

 2
3 (1+3)/2 1

Critério de Mohr-Coulomb
• Na prática a envoltória de resistência é
determinada pela curva tangente aos círculos
de Mohr da ruptura.

3 3 1 1 3 1

Critério de Mohr-Coulomb

 Instável Limite Estável

3 3 1 
3 1 1 

• A envoltória de Mohr-Coulomb define condições limites para (,);


• O ponto que tangencia o circulo de Mohr com a envoltória
representa a tensão no plano de ruptura no instante da ruptura;
• O plano em que ocorre a ruptura não é o plano onde ocorre max.
Critério de Mohr-Coulomb
• Como foi verificado a envoltória de resistência
é uma curva mas para efeitos de cálculo
considera-se linear.
• Coulomb definiu a resistência ao cisalhamento
do solo pela equação:

   = c +  tan()
Ângulo de atrito
do material ()

C  = c’ + ’ tan(’)

Determinação de r – plano de maior fraqueza dos solos:
1

3
3

1 Envoltória de ruptura

 
T Ruptura
90º

r 2r
C 
N
Do triângulo TCN temos: Do triânguloTCN também:
(180°-2r)++90°=180°
sen  =[(1-3)/2]/[c/tan +(1+3)/2]
r=(45°+/2) Se c=0:
sen  =(1-3)/(1+3)
q = (1-3)/2
Critério de ruptura em p x q
p = (1+3)/2
 q (1-3)/2
(1-3)/2
Ruptura Ruptura

3 (1+3)/2 1  (1+3)/2 p, p’
 = c +  tan()

q = d + p tan()  sen () = tan()

d = c. cos ()

d c
(1+3)/2 (1+3)/2 (1+3)/2 
Critério de Ruptura deTresca
• a ruptura ocorre quando a tensão de cisalhamento se
iguala à tensão de cisalhamento máxima (max)
observada em ensaio de tração

 =0
= max

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