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CRIAÇÃO DE EMPRESAS

COMO CRIAR A MINHA EMPRESA

OLGA SILVA

Aluno Nº 21120319

RESUMO: A criação de uma empresa parte sempre de uma ideia inicial, que pode ou
não seguir em frente.
Este documento tem por finalidade dar a conhecer o processo de criação de uma
empresa, desde os requisitos ao percurso a seguir, bem como a constituição legal da
empresa.
Será ainda mencionado informação sobre a iniciativa “Empresa na Hora”, que tem por
finalidade a criação de empresas através da internet, ou nos balções de atendimento
abertos para a função.

INSTITUT0 POLITÉCNICO DE COIMBRA


INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE COIMBRA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

JUNHO DE 2006

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ÍNDICE
1.Introdução………………………..................................................................................3
2.Da ideia à elaboração do projecto..................................................................................3
3.Principais requisitos à criação de empresas...................................................................3
4.Percurso da criação de uma empresa.............................................................................4
5.Constituição legal de uma empresa................................................................................7
6.Centro de formalidades de empresas............................................................................10
7.Empresa na hora...........................................................................................................10
8.Bibliografia...................................................................................................................12

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1. INTRODUÇÃO
A criação de novas empresas é importante para o desenvolvimento da economia. Antes
da sua criação é importante fazer uma recolha de informação através de documentos ou
dados estatísticos actualizados, analisar experiências profissionais semelhantes para não
se cometerem os mesmos erros, identificar os pontos fracos e fortes do negócio, prever
os riscos e procurar alternativas para os reduzir, definir os potenciais clientes e prever o
lucro e crescimento ao longo da vida da empresa.

2. DA IDEIA À ELABORAÇÃO DO PROJECTO


Antes da elaboração de um projecto deve ser feita uma análise da ideia e do promotor.
A ideia de criar uma empresa é de certo modo arriscada, devendo ser cuidadosamente
avaliada antes de a pôr em prática.
Na análise de vários aspectos importantes à criação de uma empresa, o promotor tem
que ter em consideração, os seus objectivos e motivações, as competências e recursos, a
formação e a saúde e disponibilidade. Igualmente importantes para a decisão são, a
situação actual de mercado, tendo em vista a concorrência existente na área em que se
pretende investir, o desenvolvimento do produto, a oportunidade de negócio, a
dimensão do investimento, os recursos financeiros necessários inicialmente e ao longo
da produção.
A ideia deve ser definida tendo em consideração as matérias primas necessárias, os
recursos humanos necessários, os processos e meios tecnológicos, a localização das
instalações, de modo a estas se localizarem em pontos de fácil distribuição e venda do
produto, e ainda prever o volume de facturação.

3. PRINCIPAIS REQUISITOS À CRIAÇÃO DE EMPRESAS


Para a criação de uma empresa têm que ser considerados alguns requisitos.

Esquema 1: Requisitos à criação de empresas [1]

Cultura Cultura de
empresarial empresa

Recursos Criação de Ideia


empresas

Empreendedor

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A criação de uma empresa parte sempre de uma ideia inicial, que pode tornar-se num
negócio, sendo também necessário um empreendedor para a sua criação.
As empresas têm todas que ter recursos tangíveis e intangíveis. Os recursos tangíveis
estão relacionados com os meios físicos, humanos, técnicos e financeiros. Os recursos
intangíveis dizem respeito aos conhecimentos necessários para executar as tarefas
referentes à obtenção do “produto” que a empresa comercializa.
Os outros requisitos são igualmente importantes, sendo estes a cultura da empresa e a
cultura empresarial. Esta última está relacionada com a vantagem que algumas sinergias
e acordos com outras empresas, podem proporcionar ao promotor.

4. PERCURSO DA CRIAÇÃO DE UMA EMPRESA

No percurso da criação de uma empresa podem-se distinguir várias etapas e dentro


destas várias fases.

Esquema 2: Percurso da criação de uma empresa [2]

Etapas Fases

1. Identificar oportunidades
I. Identificar a oportunidade 2. Recolher informações
3. Desenvolver a ideia
4. Analisar experiências similares
5. Definir o conceito de negócio

Procurar outra oportunidade ou rever conceitos


6. Identificar pontos fracos e ameaças
7. Reduzir riscos
Não
Os riscos foram
adequadamente avaliados?
II. Desenvolver o Sim
conceito de negócio
8. Avaliar potencial de lucro e crescimento
Não
O potencial de lucro e
crescimento é satisfatório?

Sim

9. Elaborar plano de negócios

O negócio é viável? Não


III. Implementar o
empreendimento

Sim
10. Operacionalização do negócio

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As três etapas são a identificação da oportunidade, o desenvolvimento do conceito de
negócio e a implementação do empreendimento.

Identificar as oportunidades

Não existe nenhuma maneira pré-definida para descobrir uma boa oportunidade de
negócio. O possível promotor deve fazer um estudo de mercado, recorrendo se
pretender a empresas especializadas nessa área, e juntamente com conhecimentos
adquiridos e experiência profissional encontrar opções de negócio.

Recolher informações

Depois de seleccionada a ideia de negócio é necessário desenvolvê-la. O passo seguinte


é recolher toda a informação disponível e dados estatísticos, que podem ser obtidos
através de pesquisas de documentos ou contactos pessoais, e sistematizar toda a
informação recolhida, de forma a tornar mais fácil a estruturação do negócio.
Com os dados recolhidos é possível avaliar os pontos fortes e os pontos fracos, sendo
mais fácil tomar uma decisão.
Para obter mais informações sobre oportunidades de investimento, pode-se recorrer a
entidades como o IAPMEI, IEFP, associações profissionais entre outras [2].

Desenvolver a ideia

Nesta fase o empreendedor tem que caracterizar o produto, estipular o seu custo e as
condições de recebimento, bem como definir o público a que se destina o produto e os
reais ou potenciais concorrentes.

Analisar experiências similares

Nem todos os negócios têm futuro. Alguns empresários obtêm sucesso, mas outros não
conseguem o sucesso pretendido. É importante que os empreendedores contactem com
associações profissionais, empresários, técnicos e outros contactos pessoais para terem
melhor conhecimento do mercado e aperceberem-se dos erros cometidos, de modo a
não fazerem o mesmo.
Quanto maior for o risco do negócio, mais importante é a análise da informação
adquirida através de outras experiências.

Definir o conceito de negócio

Depois de definida a ideia, desenvolve-se o conceito de negócio. Nesta fase


estabelecem-se os objectivos comerciais, o posicionamento da empresa no mercado, os
produtos ou serviços que irão ser comercializados e o público a que se destina. Tem que
se identificar a concorrência e estipular os preços e condições de vendas.

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Identificar pontos fracos e ameaças

Definido o conceito do negócio, há que analisar os pontos fracos e fortes do


empreendimento, bem como as ameaças e oportunidades que estão subjacentes. Os
pontos fracos e os pontos fortes estão relacionados com o negócio em causa, enquanto
que as ameaças e as oportunidades estão relacionadas com factores que não são
possíveis de controlar.
Há que ponderar se o projecto deve ou não avançar tendo noção dos constrangimentos
que daí poderão surgir.

Reduzir riscos

Quando o empreendedor toma a decisão de criar um negócio tem que estar preparado
para os possíveis riscos. Estes podem estar associados a novos produtos colocados no
mercado, falta de pessoal qualificado para a sua produção, etc.
Convém que o empreendedor tenha sempre um plano alternativo ao inicial no caso de
surgir alguma eventualidade, de forma a contrariar surpresas desagradáveis.

Avaliar o potencial de lucro e crescimento

Antes de colocar a ideia em prática o empreendedor deve prever os custos de exploração


e o lucro. Para isso tem que obter informação sobre a previsão das vendas, as
instalações necessárias, os recursos humanos e a tecnologia utilizada.
O empreendedor só deve avançar com a ideia se a avaliação do lucro e do crescimento
garantir um negócio seguro.

Elaborar plano de negócios

Tomada a decisão de concretizar o negócio, deve ser elaborado um plano de negócios,


que contém informação sobre a actividade da empresa, os objectivos pretendidos, o
lucro, o crescimento do negócio e ainda as estratégias competitivas.
Este documento deve ser objectivo, claro, conciso e convincente, e revisto
periodicamente de modo a ser modificado de acordo com a realidade actual.

Operacionalização do negócio

Nesta fase o empreendedor constitui legalmente a empresa, tendo que escolher a forma
jurídica da empresa. Está também incluído o requerimento de benefícios e incentivos, a
escolha da localização, a escolha de equipamentos, a requisição da licença da
actividade, o recrutamento e formação de pessoal e o arranque do empreendimento.

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Esquema 3: Percurso da criação de uma empresa

Reunir os
meios
financeiros

Constituir Escolha da
legalmente a localização
empresa

Requerer Escolha dos


benefícios e equipamentos Licenciamento
incentivos

Passar à Projectos de
realização engenharia
física

Organização Recrutamento
administrativa e formação de
e comercial pessoal

Construção,
montagem e Seguros
arranque

Laboração/
Vistoria

5. CONSTITUIÇÃO LEGAL DE UMA EMPRESA

Escolha do tipo de sociedade

Consiste na actividade que os sócios propõem que a sociedade venha a exercer, e


consoante o número de sócios e capital social a investir por cada um deles.

Pedido do certificado de admissibilidade e obtenção do cartão de identificação


provisório

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Para obtenção do cartão de identificação é necessária a apresentação no Registo
Nacional de Pessoas Colectivas, do certificado de admissibilidade. Só assim a entidade
em causa consegue assegurar a exclusividade da firma.

Elaboração dos estatutos

Depois de escolhido o tipo de sociedade, é feita a elaboração de estatutos, recorrendo-se


para isso a um especialista. De salientar que os mesmos podem ser alterados durante a
existência da empresa [3].
Em primeiro lugar o empreendedor tem que decidir se pretende desenvolver o negócio
sozinho ou com outras pessoas. Depois tem que optar pelo estatuto que melhor se
adapta à empresa, e ao momento da criação da mesma.
Nas diversas formas jurídicas têm que se respeitar o número de sócios, o capital social
mínimo obrigatório e o tipo de responsabilidade. No site www.cfe.iapmei.pt podem ser
consultadas as características a respeitar pelas diferentes formas jurídicas e a
documentação necessária para a constituição da sociedade.

Esquema 4: Forma jurídica de empresa

Empresário
em nome
individual

E.I.R.L.
EMPRESA Ente
singular
Sociedade
unipessoal
Sociedade por quotas
por quotas
Sociedade
comercial Sociedade
por quotas
Sociedade plural
anónima

Sociedade Ente
em nome colectivo
colectivo

Sociedade
em
comandita

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Depósito do capital social

O capital social mínimo obrigatório deve ser depositado na Caixa Geral de Depósitos.

Escritura pública da constituição da sociedade

Para a realização da escritura tem que ser apresentados vários elementos, dos quais, o
certificado de admissibilidade da firma, o certificado do depósito do capital social e o
bilhete de identidade dos sócios.
O contrato de qualquer tipo de sociedade deve conter, os nomes ou firmas de todos os
sócios fundadores, o tipo de sociedade, a firma da sociedade, o objecto da sociedade, a
sede da sociedade, o capital social, etc.

Declaração de inicio de actividade

Antes de iniciar a actividade e no prazo de 90 dias após a emissão do cartão provisório


de pessoa colectiva, é entregue a declaração de início de actividade, tendo que ser
apresentados os dados relativos ao técnico oficial de contas, o cartão provisório de
identificação de pessoa colectiva, fotocópia da escritura pública e fotocópia do bilhete
de identidade e dos números de identificação fiscal dos sócios e dos técnicos de contas.

Registo comercial e inscrição no registo nacional de pessoas colectivas

O registo comercial destina-se a dar conhecimento da situação jurídica das sociedades, e


é requerido nos 90 dias que sucedem a escritura pública.
Podem ser efectuados na conservatória do registo comercial, o pedido de registo
comercial de constituição de sociedade, o pedido de inscrição no R.N.P.C. e o pedido de
emissão do cartão definitivo de identificação de pessoa colectiva.

Cartão de contribuinte definitivo

È obrigatória a inscrição de todas as pessoas singulares e colectivas, com rendimentos


sujeitos a imposto, nas Repartições de Finanças.
A lei exige o número fiscal do contribuinte em todos os requerimentos, petições,
exposições, reclamações, impugnações, recursos, declarações, entre outros.

Publicação da escritura

A escritura tem que ser publicada em Diário da República no caso de sociedades por
quotas, anónimas ou comandita por acções. Em sociedades por quotas ou anónimas a
publicação é feita no jornal da localidade da sede ou da respectiva região.

Inscrição na segurança social

Por último procede-se à inscrição na Segurança Social, tendo que ser apresentados a
identificação do contribuinte, o cartão provisório de identificação de pessoa colectiva, a
fotocópia da escritura pública e a declaração de início de actividade.

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6. CENTRO DE FORMALIDADES DE EMPRESAS

Os centros de formalidades de empresas são locais de atendimento que têm como por
finalidade facilitar os processos de constituição, alteração ou extinção de empresas.
Estes centros permitem a constituição de qualquer tipo de sociedade, com a realização
de todas as etapas necessárias a este processo, sem ter portanto que se dirigir a outras
entidades.
Os centros de formalidades de empresas têm competência para iniciar os seguintes
processos [4]:
- Sociedades por quotas
- Sociedades unipessoais por quotas
- Sociedades anónimas
- Sociedades em nome colectivo
- Sociedades em comandita
- Alteração ao pacto social
- Extinção de sociedades

Têm ainda que ser respeitados alguns princípios básicos:


-Pode-se iniciar um processo num CFE e ser concluído noutro;
-Todos os processos que se iniciem nos CFE têm aí que ser concluídos;
-Em alguns CFE podem constituir-se sociedades através do regime especial de
constituição imediata de sociedades;
-As alterações feitas ao pacto social de sociedades comerciais podem ser efectuadas nos
CFE, desde que seja efectuado um dos seguintes actos: pedido de certificado de
admissibilidade e/ou escritura pública;
-Cada cliente só pode iniciar um processo de cada vez;
-O número de processos possíveis de abrir diariamente na rede nacional de CFE é
determinado pelo adjunto do gestor. Esta informação deve estar fixada em local público;
-No caso de o utente estar impossibilitado de comparecer, deve comunicar com 48 horas
de antecedência.
-As alterações feitas à minuta escolhida têm que ser apresentadas até 48 horas antes da
realização da escritura.

7. EMPRESA NA HORA

Os locais “empresa na hora” podem constituir uma sociedade unipessoal, por quotas ou
anónima no momento e num só balcão. Este processo de constituição pode ser
esquematizado da seguinte forma:

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Escolher uma firma e
um pacto social pré-
aprovados

Constituir a sociedade
em qualquer balcão
“Empresa na hora”

Depositar o capital em Entregar declaração de início


qualquer instituição bancária de actividade no balcão
“Empresa na hora” ou na
Repartição de Finanças

Para a constituição de uma sociedade tem que se começar pela escolha de uma firma
que se encontra numa lista de firmas pré-aprovadas. Esta lista pode ser consultada em
www.empresanahora.pt ou nos balcões de atendimento “Empresa na hora”. A firma
escolhida só é reservada no momento em que se inicia a constituição da sociedade,
tendo para isso que se dirigir ao balcão de atendimento.
A escolha do pacto social pré-aprovado pode ser feita no site “Empresa na hora” ou
num dos balcões de atendimento. Depois de ser feito o pacto social é efectuado o registo
comercial, podendo de seguida receber a certidão de registo comercial, o cartão de
pessoa colectiva e o número de segurança social da empresa.
Depois de constituída a sociedade deverá ser entregue a declaração de início de
actividade, podendo ser entregue até um prazo máximo de 15 dias após a constituição
da sociedade.
O depósito do capital social tem que ser depositado em nome da sociedade, no prazo
máximo de 5 dias úteis após a constituição da sociedade.
Para a constituição de uma sociedade os sócios tem que se fazer acompanhar dos
seguintes documentos [5]:

Pessoa singular : - Documento de identificação


- Cartão de contribuinte
- Cartão de beneficiário da segurança social

Pessoa colectiva : - Cartão de contribuinte de pessoa colectiva ou cartão de identifi-


cação de pessoa colectiva
- Certidão da conservatória de registo comercial
- Acta da assembleia geral

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8. BIBLIOGRAFIA

[1] “A criação de empresas, a ideia e o empreendedor”, Revista Pequena e Média


Empresa, 1999, n.º 26, 68 p.

[2] “Criar uma empresa”, Dirigir, separata

[3] Prudente, J; Gomez, V, “Obrigações legais”, Criação de Empresas, 1992, pp. 26-34
[4] http://www.cfe.iapmei.pt, “O que são os CFE”, 2006
[5] http://www.empresanahora.pt, “A sua empresa na hora”, 2006

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