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UNIVERSIDADE LUSÍADA DO PORTO

VENDA DE BENS ALHEIOS

Catarina Marques Baptista


(21571820)

Porto, 2021
Índice

Índice ............................................................................................................................................. I

Resumo ......................................................................................................................................... II

Palavras-chave ............................................................................................................................. III

Lista de abreviaturas .................................................................................................................... IV

1. Introdução ........................................................................................................................... 1

2. Venda de bens alheios no Direito Civil Português ................................................................ 3

a) Venda de coisa alheia ........................................................................................................... 3

b) Compra e venda de bens alheios no Código Comercial ......................................................... 6

c) Contrato de promessa de compra e venda de bem alheio. ................................................... 8

d) Nulidade da Venda.............................................................................................................. 11
i) Legitimidade para arguir a nulidade.......................................................................... 13
ii) Consequências da nulidade ....................................................................................... 16

e) Convalidação....................................................................................................................... 18

3. Conclusão........................................................................................................................... 21

4. Bibliografia ......................................................................................................................... 23

I
Resumo

O presente trabalho possui como finalidade dar a conhecer o regime da venda dos
bens alheios. Para tal, antes de analisar o contrato de venda de bens alheios é necessário,
primeiramente, fazer um enquadramento geral a nível do contrato de compra e venda.
O contrato de compra e venda é tido, no direito português, como o “rei dos
contratos”, devendo-se tal denominação ao facto de este possui uma importante função
económica no nosso ordenamento, assim como pelo facto de este constituir o padrão para
os outros contratos onerosos, quando tal seja necessário.
A norma do ordenamento jurídico português prende-se com a compra e venda de
bens próprios, uma vez que existe a legitimidade para a disposição dos mesmos. Acontece,
porém, que por vezes possa ser realizada a venda de um bem alheio, sendo a pergunta a
fazer será a mesma válida? Adiantando já aqui a resposta, este tipo de venda não é válida,
sendo considerada pelo Código Civil como nula quando exista (art. 892º CC), com base no
princípio de que ninguém pode dispor de mais direitos do que aqueles que possui (“nemo
plus iuris ad alium transferre potest quam ipse habet”).
Assim, ao longo do presente trabalho vamos expor o regime da venda de bens
alheios no nosso ordenamento jurídico , explicando desta forma o regime presente nos arts.
892º e ss CC, tendo por base a doutrina e jurisprudência portuguesa.
.

II
Palavras-chave

Contrato; Contrato de Compra e Venda; Bens alheios; Venda de bens alheios;


Contrato Promessa Bens Alheios; Nulidade
Lista de abreviaturas

Ac. - Acórdão
Al. - Alínea
Apud - Citação de citação
Art. – Artigo
Arts - Artigos
CC – Código Civil
CCom – Código Comercial
Ed. - Edição
Ex vi - Por força
Ibid. – Na mesma obra
Id. – O mesmo autor
I.é - Isto é
In fine - No fim
Nº - Número
Ob. Cit – Obra Citada
Pág. – Página
Págs – Páginas
Ss - Seguintes
STJ - Supremo Tribunal de Justiça
TRE – Tribunal da Relação de Évora
TRG – Tribunal da Relação de Guimarães
TRL – Tribunal da Relação de Lisboa
TRP –Tribunal da Relação do Porto
Vol. - Volume

IV
1. Introdução
O presente trabalho irá incidir sobre a compra e venda de bens alheios, porém, antes
de explicar o regime da mesma, é necessário fazer uma breve introdução. Sendo que tal
introdução prender-se-á com uma breve noção de contrato e de contrato de compra e
venda, dado que antes de falar sobre um regime específico como o da compra e venda de
bens alheios é necessário perceber o regime geral
Contrato, de acordo com o Dicionário Jurídico, é o negócio jurídico bilateral ou
plurilateral, visto que o mesmo possui duas ou mais declarações negociais que exprimem
vontades convergentes no sentido da realização de um objetivo comum, sendo que tal
justifica a tutela do direito. Assim, as partes fazem uso dos contratos de forma a regular,
modificar ou extinguir relações jurídicas, sempre com base nos seus interesses1.
No direito português, o contrato de compra e venda “constitui talvez o mais
importante contrato regulado no Código”2, tal como nos diz Menezes Leitão. Esta
importância prende-se com o facto do mesmo constituir o paradigma para outros contratos
onerosos3. Significa, então, que o contrato de compra e venda serve de base para todos os
outros contratos, sempre com as respectivas adaptações, tal como podemos perceber
através do art 939º CC4. Estes contratos também possuem uma importante função
económica, já que através deste é possível existir a transmissão da propriedade, quer de
uma coisa quer de um direito, através do pagamento de um preço.
O contrato de compra e venda encontra-se regulado no nosso Código Civil mais
precisamente nos arts 874º e ss CC, e o mesmo é definido, tal como já disse, pela
transmissão da propriedade de uma coisa ou de um direito, mediante o pagamento de um

1
PRATA, Ana, “Contrato” in Dicionário Jurídico, Vol. I, 5ªa ed., Almedina, Abril 2013, pág. 370
2
MENEZES LEITÃO, Luís Manuel Teles, Direito das Obrigações, vol. III, 5ª ed., Almedina, 2008,
pág. 12
3
SANTOS JUSTO, A., Manual de Contratos Civis – Vertentes Romana e Portuguesa, Petrony Editora,
Setembro de 2017, pág. 25
4
“As normas da compra e venda são aplicáveis aos outros contratos onerosos pelos quais se alienam
bens ou se estabeleçam encargos sobre eles, na medida em que sejam conformes com a sua natureza e não
estejam em contradição com as disposições legais respectivas”

1
preço5. Tendo por base esta noção, é percetível que estes contratos possuem dois efeitos
essenciais, o primeiro é o chamado efeito real (uma vez a titularidade do direito ou da coisa
é transmitida que no momento em que o contrato é celebrado, ou seja, basta a mera eficácia
contratual) e o segundo é o efeito obrigacional uma vez que o presente contrato cria
obrigações recíprocas para as partes do mesmo (uma parte tem a obrigação de entregar a
coisa e a outra parte tem a obrigação de pagar o preço) 6, sendo que estes efeitos também se
encontram previstos no nosso Código Civil, mais precisamente no seu art. 879º CC.
É ainda de fazer referência às características do contrato de compra e venda. Este é
um contrato nominado e tipificado (visto ser reconhecido pela lei como categoria jurídica e
possuir um regime jurídico próprio); é consensual (em virtude de a lei prever um acordo
entre as partes); sinalagmático (pois existem obrigações recíprocas entre as partes);
oneroso (pois este possui uma contrapartida pecuniária, para que o contrato seja
considerado como um contrato de compra e venda, caso contrário estaremos perante um
contrato inominado); primordialmente não formal (tendo por base o facto de, por regra o
contrato de compra e venda encontrar-se sujeito ao regime da liberdade de forma – de
forma a agilizar o processo de compra e venda -, presente no art. 219º CC, existem contudo
exceções a esta regra, como é o exemplo da compra e venda de bens imóveis, tal como
presente no art. 875º CC, sendo que caso não seja verificada a forma exigida o contrato
será nulo); possui efeitos reais e obrigacionais, tal como já mencionei, e como se encontra
previsto no art. 879º CC; é comutativo (visto que as atribuições patrimoniais das partes são
certas e conhecidas por ambas as partes); por fim, é de execução instantânea (pois a sua
execução é imediata, nada impede, porém, a existência de uma execução continuada).789

5
Art. 874º CC
6
CUNHA, PAULO OLAVO, Venda de bens alheios, Revista Ordem dos Advogados, 1987, Ano 47, pág
423 e 424 (http://www.oa.pt/upl/%7B2cde8735-6994-4499-962f-0bd75a80e43c%7D.pdf)
7
SANTOS JUSTO, A., ob cit, Setembro de 2017, pág. 17 a 21
8
MENEZES LEITÃO, LUÍS MANUEL TELES, ob cit, 2008, pág. 14 a 19
9
ROMANO MARTINEZ, PEDRO, Direito das Obrigações (parte especial) – Contratos, Vol. III, 2ª ed.,
Almedina, 2014, pág 23 a 66

2
2. Venda de bens alheios no Direito Civil Português

a) Venda de coisa alheia


É necessário, antes, perguntar o que é um bem alheio? O Código Civil não apresenta
um conceito expresso de bem alheio e de venda de bem alheio nos artigos que dedica a
esta matéria (arts 892º a 904º CC). Assim, é considerado um bem alheios, segundo Paulo
Olavo Cunha, aquele que não seja res nullius10 (coisa de ninguém) e que que não
pertença ao credor11.
Falta agora saber o que é, afinal, a venda de bens alheios. Apesar de o Código Civil
não possuir uma definição expressa, o mesmo no seu artigo 892º apresenta um ponto de
partida para delimitarmos aqui esta figura. Assim, o artigo que acabei de mencionar diz
que “é nula a venda de bens alheios sempre que o vendedor careça de legitimidade para a
realizar (…)”. Ora, e tendo por base esta premissa, a venda de coisa alheia é, então, um
negócio que possui como objeto um bem de terceiro e não do vendedor, apesar de este o
transaccionar como próprio12, mediante o pagamento de um preço. Assim, a venda ocorre
sem que o vendedor possua legitimidade para realizar a mesma, visto não possuir direito
para tal13.
De acordo com Paulo Olavo da Cunha, não é tida como uma venda de bens alheios
quando em causa esteja: uma venda de coisas fora do comércio, isto é que são
insusceptíveis de apropriação privada individual (art. 202º nº2 CC 14); a venda de uma

10
Coisa de ninguém, quer pelo facto de nunca ter sido propriedade de ninguém, como por exemplo
um animal selvagem, ou porque foi abandonada pelo seu dono. – “Res nullius”, Merriam-Webster.com
Dictionary, Merriam-Webster, (https://www.merriam-webster.com/dictionary/res%20nullius), acessado a 18
de Novembro
11
CUNHA, PAULO OLAVO, ob cit, 1987, pág, 425
12
Ibid. pág, 425
13
Ac. STJ 16/01/2014
(http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/830346d23389be8780257c63004d8323)
14
“Consideram-se, porém, fora do comércio todas as coisas que não podem ser objecto de direitos
privados, tais como as que se encontram no domínio público e as que são, por sua natureza, insusceptíveis de
apropriação individual.”

3
espécie indeterminada, uma vez que neste caso estamos perante uma nulidade do contrato
pelo facto de o objeto ser indeterminável, tal com dispõe o art. 280º CC15; a venda de coisa
alheia quando o vendedor declare ao comprador que não é o proprietário da coisa, nos
casos de representação legal ou voluntária (a venda é autorizada por conta do vendedor –
art 258º a 269º CC) e nos casos de gestão de negócios representativa (a venda não é
autorizada mas é feito no interesse e em nome do proprietário – art 464º e ss CC); assim
como a venda de coisa alheia como própria, mas no interesse alheio, como acontece nos
casos do mandato sem representação (segundo o qual o vendedor está autorizado pelo dono
da coisa a atuar em nome próprio, mas por conta dele – art. 471º CC em conjunto com os
arts 1180º a 1184º CC) e de gestão de negócios não representativa (o vendedor não está
autorizado e atua em nome próprio, mas no interesse do proprietário –art 471º CC)16.
Desta forma, e tendo por base o disposto no art. 892º CC17, que nos diz que “é nula
a venda de bens alheios sempre o vendedor careça de legitimidade para a realizar”, é
percetível que o presente regime de venda de bens alheios apenas é aplicado nos casos em
que coisa alheia esteja a ser vendida como própria18, tal como nos diz quer a doutrina19

15
“É nulo o negócio jurídico cujo objecto seja física ou legalmente impossível, contrário à lei ou
indeterminável.”
16
CUNHA, PAULO OLAVO, ob cit, 1987, pág, 425
17
Pode-se dizer, assim, que existem dois pressupostos contidos no artigo em causa, para que a venda
seja tida como alheia. O primeiro prende-se com o facto de o vendedor estar de boa-fé através do facto deste
ter garantido ao comprador que iria adquirir o bem em questão no futuro, neste caso estaremos perante uma
venda de coisa alheia como bem futuro, sendo que nestes casos é aplicado um outro regime, presente no art.
893º CC. O segundo pressuposto prende-se com a legitimidade de o vendedor poder vender a coisa, sendo tal
legitimidade apurada nos termos gerais. – MANSO, FRANCISCA, Algumas questões jurídicas da venda de bens
alheios, Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa, Maio 2014, pág. 11
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf) – Consultado a 19/11/2020
18
Art. 904º CC
19
SANTOS JUSTO, A., ob cit Setembro de 2017, pág. 50

4
como a jurisprudência20. Tal deve-se ao facto de poder existir uma venda de bens alheios
como bens futuros, que será tratada posteriormente.
Ora, com base nisto é percetível que a norma do nosso Código Civil que trata destas
situações consagra o princípio romano do “nemo plus iuris ad alium transfere potest, quam
ipse haberet”, traduzindo “ninguém pode traduzir para outrem mais direitos do que aqueles
que o próprio teria”21. Desta forma, tal venda terá como efeito a nulidade da venda,
contudo existe uma possibilidade de a venda deixar de ser nula, através da convalidação do
contrato, tal como diz o art. 895º CC.
O art. 892º CC apenas se destina às situações em que o comprador esteja a agir com
interesse próprio, estando assim a dispor de um direito que não lhe pertence, acontece
porém que o vendedor pode estar a vender a mesma coisa alheia como bem futuro22. Tal
significa que o vendedor possui a intenção de adquirir o bem23 para, assim, posteriormente,
realizar a venda de forma válida. Este regime encontra-se presente no art. 893º CC,
segundo o qual “a venda de bens alheios fica, porém, sujeita, ao regime da venda de bens
futuros,24 se as partes os considerarem nesta qualidade”. Neste tipo de vendas, a

20
Ac. TRL 05/05/2020, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/0ec90e423c806aa880258565004d37b2?op
endocument) – Consultado dia 19/11/2020
21
SANTOS JUSTO, A., ob cit, Setembro de 2017, pág. 52
22
Os bens futuros podem ser absolutamente futuras (ainda não existem na facticidade) ou
relativamente futuras (existem mas ainda não se encontram no património do disponente). - Ibid, Setembro
de 2017, pág. 15
23
Realizando, para isso, todas as diligências necessárias para que o comprador adquira os bens
vendidos. – Ibid., Setembro de 2017, pág. 54
24
Art. 880º CC – Desta forma, o vendedor terá que realizar todas as diligências necessárias para que
o comprador adquira os bens vendidos; caso exista incumprimento da presente obrigação e a culpa seja
imputável ao vendedor, este deve indemnizar o comprador dos danos sofridos (art. 798º e 801º nº1 CC),
sendo que o comprador além da indemnização pode resolver o contratos e exigir a restituição da sua
prestação – caso já a ativer prestado – na sua integra (art. 801º nº2 CC); caso o vendedor tenha agido sem
culpa, a obrigação em causa extingue-se e o comprador tem o direito a pedir a sua prestação, caso já atenha
realizado, nos termos do instituto do enriquecimento sem causa (art. 795º CC). – Ibid., Setembro de 2017,
págs. 43 e 44

5
propriedade dos bens não é transmitida no momento do contrato de compra e venda, posto
que “não se transmite o que ainda não existe”25.
Caso o objeto da venda em causa seja uma coisa indivisa e a venda tenha sido feita,
apenas, por um dos seus titulares, ou seja, num regime de compropriedade, estamos
perante uma venda de coisa alheia, tal como nos diz o art. 1408º nº1 e nº2 CC. Nestes
casos, vistos estarmos perante o regime da venda de bens alheios, a venda será considerada
nula, exceto se existir convalidação. A convalidação26 da venda é feita caso o vendedor
adquira as quotas dos outros comproprietários, passando essa venda a ser válida.
É ainda de falar na possibilidade da venda de bens parcialmente alheios. Nestes
casos a parte da venda que seja de coisa alheia será tida como nula e o restante contrato
poderá continuar a valer, por aplicação do art. 292º CC, ex vi art. 902º CC. Será, então
reduzido o preço estipulado, de forma a existir proporcionalidade. Contudo, e tendo por
base o regime da redução dos negócios jurídicos, e atentado o art 292º in fine CC, é preciso
averiguar o que as partes queriam com aquele negócio e caso tivessem conhecimento da
impossibilidade se se tinham oposto ao mesmo27.
A venda de bem alheio deixa de ser considerada de tal forma caso exista
convalidação28, nos termos do art. 895º CC.

b) Compra e venda de bens alheios no Código Comercial


É necessário fazer menção ao regime da compra e venda de bens alheios do Código
Comercial, por contraposição ao Código Civil. Tal como dito anteriormente, a compra e
venda de bens alheios no Código Civil não é tido como válida, caso aconteça a mesma é
nula (art. 892º CC), contudo a mesma para o Direito Comercial é válida, tal como nos diz o

25
CUNHA, PAULO OLAVO, ob cit, 1987, pág, 461 apud GALVÃO TELLES, INOCÊNCIO, Contratos
Civis, pág. 15
26
Art. 895º CC
27
Ac. STJ 24/06/2008, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/dc0500301c75ec8d802574780045ca8a?Op
enDocument)
28
Tratada na Sub-secção e) do presente trabalho.

6
art 467º CCom, “desde que realizada no exercício do comércio, i. é, praticada por
comerciantes”29
A justificação para a diferença de regimes prende-se com “os interesses subjacentes
à vida mercantil”30. Assim, esta validade da venda de bens alheios baseia-se na celeridade
dos negócios comerciais, visto que existem situações em que os comerciantes possuem
necessidade de vender mercadorias antes de terem adquirido as mesmas, de forma a
conseguirem responder às “reais necessidades do comércio”31. Isto prende-se com o fato de
que uma averiguação prévia da titularidade dos bens criaria um “obstáculo perigoso à
rapidez e desenvolvimento das suas operações e até ferir o próprio interesse dos
comerciantes”32. Como diz ROMANO MARTINEZ, no que toca à compra e venda comercial “não
havia motivos para limitar a validade dos contratos, não existindo à partida, nenhum
impedimento quanto à sua celebração, sendo até frequentes casos em que comerciantes
vendem mercadorias que vão adquiri ou que já adquiriram, mas ainda não lhes foram
entregues e a titularidade não se transmitiu, porque se tratava de coisas indeterminadas”33.
Assim, o vendedor, e comerciante, fica obrigado a adquirir a mercadoria que
vendeu ao comprador, deixando de ser nessa altura um bem alheio devido à aquisição da
mercadoria, pois esta convalida a venda. A transferência da propriedade, nestes casos,
decorre do contrato de compra e venda e não da entrega da coisa ao comprador, pelo
vendedor.34

29
Ac. TRL 12/05/2013, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/db3b78ccab526f9180257b78004fc9aa?Op
enDocument), Consultado a 21/11/2020
30
CUNHA, PAULO OLAVO, ob cit 1987, pág, 462
31
Ac. TRL 12/05/2013, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/db3b78ccab526f9180257b78004fc9aa?Op
enDocument), Consultado a 21/11/2020
32
Ac. TRL 12/05/2013, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/db3b78ccab526f9180257b78004fc9aa?Op
enDocument), Consultado a 21/11/2020
33
ROMANO MARTINEZ, PEDRO, ob cit, Maio 2000, pág. 112
34
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 462

7
Caso tal não aconteça, o vendedor incorrerá em responsabilidade contratual, com
base no art. 467º §. Único CCom3536. Em consequência de a lei não estabelecer nenhum
regime especial, o cumprimento da referida obrigação encontra-se adstrito ao regime geral
do cumprimento contratual37, presente no Código Civil.

c) Contrato de promessa de compra e venda de bem alheio.


Tal como já mencionado, a regra para a compra e venda de bens alheios é a
nulidade, tal como disposto no art. 892º CC. Cabe aqui, apreciar se a nulidade se estende,
também, aos contratos de promessa de compra e venda quando em causa esteja um bem
alheio.
De acordo com o artigo 410º nº1 CC, são aplicáveis ao contrato-promessa as
disposições legais do contrato prometido, sendo apenas ressalvados os preceitos relativos à
forma, com base no princípio da equiparação38. Contudo, aqui em causa encontra-se o
contrato prometido, desta forma o vício que fere o contrato prometido não se comunica ao
contrato-promessa uma vez que parece válida a promessa de venda de coisa alheia39. Tal
prende-se com o facto de o objeto não ser legalmente impossível e o promitente vendedor
poder adquirir o bem, de forma a poder cumprir com o contrato40. Estamos a falar aqui da
existência de um contrato onde existe a promessa da venda de um bem que não é do

35
“No caso do n.° 2.° deste artigo o vendedor ficará obrigado a adquirir por título legítimo a
propriedade da coisa vendida e a fazer a entrega ao comprador, sob pena de responder por perdas e danos.”
36
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 462
37
MANSO FRANCISCA, ob cit Maio 2014, pág. 29
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
38
COSTA, MÁRIO JÚLIO DE ALMEIDA, Contrato-Promessa Uma síntese do Regime Vigente, 9ª ed,
Almedina, Setembro de 2007, pág 22
39
MANSO FRANCISCA, ob cit Maio 2014, pág. 13
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
40
VENTURA, RAUL, Contrato de compra e venda no Código Civil (Venda de bens alheios – Venda
com Expedição), ROA, ano 40, II, pág. 308 (http://www.oa.pt/upl/%7B2cde8735-6994-4499-962f-
0bd75a80e43c%7D.pdf), Consultado a 21/11/2020

8
promitente vendedor, isto é, o mesmo não possui legitimidade para dispor da coisa. Porém,
o contrato-promessa não transfere a propriedade do bem41, cria sim uma obrigação para o
promitente-vendedor, segundo a qual este tem de vender o bem ao promitente-comprador
tendo para isso de realizar todas as diligências necessárias para a sua aquisição. Quando o
promitente-vendedor adquira o bem passa, então, a possuir legitimidade para dispor do
mesmo42. Pode acontecer, contudo, que a aquisição do bem por parte do promitente
vendedor não seja efectivada e nestes casos o promitente vendedor fica impossibilitado43
de realizar tal alienação44.
A opinião generalizada a nível jurisprudencial prende-se com o facto de a nulidade
do contrato de compra e venda de bem alheio não abranger o contrato de promessa de
compra e venda de bem alheio, sendo portanto a mesma válida. O Ac. Do TRE de
15/12/2016 afirma, “embora o art. 410º nº1 CC mande aplicar ao contrato promessa as
disposições legais relativas ao contrato prometido, tal imposição significa que aquele tem
de “definir o conteúdo do contrato prometido nos mesmos termos em que haveria de fazê-
lo se se estivesse a celebrar este” e também, “se se prometer um contrato que atentas as
disposições legais aplicáveis ao caso, for inválido (por uma razão de ordem objetiva e não
apenas respeitante à pessoa do promitente), será nulo o contrato promessa. De tal decorre

41
Ac. TRC 19/09/2018, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/bd46c6e4967ee4c18025833500545f63?O
penDocument&Highlight=0,compra,e,venda,de,bens,alheios) – Consultado a 19/11/2020
42
MANSO FRANCISCA, ob cit Maio 2014, pág. 13
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
43
Esta impossibilidade é meramente subjetiva pelo que não afeta a validade do contrato, uma vez
que nos termos do art. 280º nº1 CC apenas a impossibilidade objetiva afeta a validade do negócio. - Ibid.,
pág. 13
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
44
Ibid., pág. 13
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf) - Consultado a 21/11/2020

9
que deve considerar-se válida a promessa de coisa alheia (total ou parcialmente
considerada) visto que nesta situação o que está em causa é a legitimidade do vendedor
(cfr. Art 892º CC). O promitente não aliena, apenas se obriga a alienar. A alienação é
possível em si, embora não seja para o promitente. Há pois, mera impossibilidade
subjetiva, que não invalida o contrato promessa”45. Como este acórdão, outros vão na
mesma direcção, como por exemplo o Ac. TRL de 29/04/199346, o Ac. STJ 26/05/200947
entre outros.
O regime do contrato-promessa possui a figura da execução específica, presente no
art. 830º CC. Segundo esta, quando não exista cumprimento voluntário da promessa, em
falta de convenção em contrário, a outra parte requer ao tribunal que este profira uma
sentença que produz os mesmos efeitos que o contrato omitido48. Porém, tendo por base
um dado vez que não pode existir “sentença que produza efeitos da declaração negocial do
faltoso, pois neste caso, seriam os efeitos de uma compra e venda nula”, tal como nos diz
Raul Ventura49. Significa tal que o Tribunal não se pode suprir a omissão presente num
contrato-promessa de compra e venda de bens alheios quando o próprio promitente
vendedor não possua legitimidade para realizar a mesma. Assim, e como nos diz o Ac. STJ
11/Novembro/1997, nestes casos a execução específica torna-se inviável50.
Assim, uma vez que existe uma ilegitimidade ao tempo da celebração do contrato-
promessa, apesar da mesma poder ser afastada posteriormente, a execução específica (art.

45
Ac. TRE 15/12/2016, in DGSI,
(http://www.dgsi.pt/jtre.nsf/134973db04f39bf2802579bf005f080b/b644a5ed858436e4802580b90061451b?O
penDocument&Highlight=0,compra,e,venda,de,bens,alheios) – Consultado a 19/11/2020
46
Ac. TRL de 29/Abril/1993, BMJ n.º 426, Maio de 1993, p. 515
47
Ac. STJ 26/05/2009, in BDJUR (http://bdjur.almedina.net/juris.php?field=doc_id&value=96002)
– Consulatdo a 19/11/2020
48
COSTA, MÁRIO JÚLIO DE ALMEIDA, ob cit, Setembro de 2007, pág 56
49
VENTURA, RAUL, ob. cit, ROA, ano 40, II, pág. 309
50
Ac. STJ 11/Novembro/1993, BMJ nº 471, 1997, pág. 304
(http://ses.gddc.pt/search/query/display.jsp?type=file&f_url=%2F%2Fstartrek%2FBdados%2Fbmj%2Fdata
%2F47100753_a.pdf&docid=150460) – Consultado a 21/11/2020

10
830º CC) é impraticável51, tendo por isso de existir uma cláusula a convencionar que não
existirá execução específica.52

d) Nulidade da Venda
No que toca à venda de bens alheios, o Código Civil estabelece que a mesma,
quando exista, é nula (art. 892º 1ª parte CC).
A nulidade destas vendas encontra-se na base do afastamento da garantia romana da
evicção53. A evicção consistia numa garantia que o comprador, que havia adquirido um
bem alheio, possuía caso fosse demandado pelo verdadeiro proprietário. Assim, o
comprador podia chamar o vendedor do bem, à ação de reivindicação. Caso este não
conseguisse provar que a propriedade do bem havia sido outrora sua, era obrigado a pagar
ao comprador o dobro do preço que o mesmo havia pago. Contudo, como o legislador
consagra a nulidade para estas vendas, não se justifica então responsabilidade autónoma do
vendedor.54
Ao decretar a nulidade deste tipo de contratos, o objetivo do legislador era tornar a
situação mais nítida para todas as pessoas, de forma a evitar aparências enganadoras55.
Ora, a coisa é tida como alheia, tal como já mencionado, quando no momento do
contrato a mesma existir e o vendedor não for o seu proprietário. Existem, porém,
situações em que o regime da venda de bens alheios não é aplicado56.

51
De ALMEIDA COSTA, Mário Júlio, Contrato-Promessa – Uma síntese do regime vigente, 9ª ed.,
Almedina, Setembro 2007, pág. 84
52
Paulo Olavo da Cunha diz que “(…) a lei admite a execução específica do contrato-promessa,
desde que não haja convenção em contrário e sempre que a isso não se oponha a natureza da obrigação
assumida (vd. Art. 830.º), o contrato-promessa dever-se-á considerar nulo quando não for feita a convençaõ
em contrário da execução específica, porque a sentença nãopode produzir os efeitos duma compra e venda
nula.” - CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 451
53
Esta encontrava-se presente no art. 1588º nº3 CC de 1867. Atualmente o Código Civil não fala
nesta garantia, exceto no art 903º nº2 CC, uma menção como possível cláusula que os contraentes aceitariam.
- VENTURA, RAUL, ob. cit, ROA, ano 40, II, pág. 328
54
SANTOS JUSTO, A., ob cit, Setembro de 2017, pág. 51
55
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 450 apud GALVÃO TELLES, INOCÊNCIO, Contratos
Civis, págs 18 e 19

11
O regime comum da nulidade encontra-se presente no art. 286º CC57, contudo, e
como veremos nos capítulos que se seguem, o regime da nulidade presente no regime da
venda de bens alheios, nos arts 892º e ss CC, desvia-se o regime geral, sendo por isso
denominada como uma invalidade atípica, por Romano Martinez, visto não ser uma
verdadeira nulidade, sendo de forma mais específica uma nulidade atípica5859. Contudo,
Menezes Leitão vai mais longe e considera a presente nulidade do regime em questão
“questionável”, exatamente por possuir pouco em comum com o regime comum da
nulidade60.
Desta forma, a nulidade da venda de coisa alheia é tida como regime especial de
nulidade, uma vez que afasta as regras gerais no que toca à legitimidade para arguição (art.
286º CC e art. 892º in fine CC), à sanação (art. 286º CC e art. 895º CC) e ao regime da
obrigação da restituição (art 289º CC e art 894º CC). Sendo que para que este regime seja

56
Importa referir três situações aqui. A primeira é quando o comprador de coisa imóvel ou móvel
sujeita a registo não registou a sua aquisição, sendo que tal permitiu ao vendedor (sendo que o bem continua
registado em nome deste apesar de ter sido vendido) vender o mesmo bem a terceiro (sendo esta aquisição a
non domino, art 408º nº 1 CC) e este registou a sua aquisição. Neste caso, como o registo (nestas situações) é
condição legal de eficácia, e dado que o primeiro adquirente não registou o seu direito apenas é oponível
inter partes (isto é, entre ele e o vendedor) e não erga omnes (a terceiros), logo não pode o primeiro
adquirente opor o seu direito ao terceiro, sendo o proprietário o terceiro adquirente (não obstante a existência
de responsabilidade contratual por parte do vendedor para com o primeiro adquirente, visto ter existido um
contrato entre as partes). A segunda situação relaciona-se com a venda de bens da herança por um herdeiro
aparente a terceiro de boa fé (art. 2076º nº2 e nº3 CC). Por fim, a terceira situação é a venda por quem
adquiriu a propriedade através de um negócio jurídico nulo ou anulável a terceiro de boa-fé, nos termos do
art. 291º CC, que registou a sua aquisição antes do registo da ação para obter a declaração de invalidade. -
SANTOS JUSTO, A., ob cit, Setembro de 2017, págs. 53 e 54
57
“A nulidade é invocável a todo o tempo por qualquer interessado e pode ser declarada
oficiosamente pelo Tribunal”
58
Também a jurisprudência trata o regime da nulidade da venda de bens alheios como atípica. – Ac.
TRP 28/01/2020, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/e5a24f1761abd21f80258515004e47d0?op
endocument)
59
ROMANO MARTINEZ, PEDRO, ob cit, Maio 2000, pág. 109
60
MENEZES LEITÃO, LUÍS MANUEL TELLES, ob. cit, 2008, pág. 101

12
aplicado o vendedor tem de realizar a venda como se o bem fosse próprio e não pode
possuir legitimidade para dispor de forma válida e eficaz da coisa.61

i) Legitimidade para arguir a nulidade


Olhando primeiramente para o regime geral da nulidade, presente no art. 286º CC,
este diz que a nulidade pode ser invocada “por qualquer interessado”, significa tal qualquer
pessoa que possa ser afectado pelos efeitos que o negócio jurídico vá produzir, podendo
esta ainda ser declarada oficiosamente pelo Tribunal.
Comparando o que foi dito no parágrafo anterior com o regime próprio da venda de
bens alheios, presente no art. 892º in fine CC, percebemos que, tal como foi mencionado
anteriormente, existe um afastamento do regime geral, pois “o vendedor não pode opor a
nulidade ao comprador de boa-fé62, como não pode opô-la ao vendedor de boa-fé o
comprador doloso”63.64
Começando por mencionar os casos em que tanto o vendedor como o comprador
estão de má fé ou atuam com dolo. Nestes casos, a venda da coisa alheia encontra-se
adstrita de forma total ao regime geral da nulidade para os negócios jurídicos, presente nos
arts 286º e ss CC65, sendo que nestes casos a nulidade pode ser oposta a qualquer uma das
partes por qualquer pessoa66. Tal acontece com base no facto da arguição da nulidade no
regime da venda de bens alheios ser profundamente restringida, com base na moralidade e
justiça de pelo menos um dos contraentes, tendo por isso de existir uma parte que esteja de
boa fé (art. 892º in fine CC)67.

61
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 451
62
Boa fé no sentido subjetivo, isto é “a convicção em que se encontra o sujeito de que o seu
comportamento é conforme ao direito” - PRATA, Ana, “Boa Fé” ob cit, Abril 2013, pág. 214
63
Art. 892º in fine CC
64
MANSO FRANCISCA, ob cit Maio 2014, pág. 30
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
65
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 452
66
VENTURA, RAUL, ob. cit, ROA, ano 40, II, pág. 312
67
MENEZES LEITÃO, LUÍS MANUEL TELLES, ob. cit, 2008, pág. 101

13
No nosso regime, a arguição da nulidade na venda de bens alheios é reduzida visto
que a sua invocação encontra-se proibida à parte quem esteja de má fé contra a parte que se
encontre de boa fé, e no que toca à sua invocação por terceiros, a mesma parece estar
automaticamente fora de questão pois estes não são partes68. A boa fé ou o dolo são
apurados no momento do contratos, pelo que o conhecimento posterior de que o bem
vendido era alheio não afeta toda e qualquer consequência da boa fé inicial69.
Assim, e tendo por base o disposto no art. 892º in fine CC, caso o vendedor esteja
de má fé e o comprador de boa fé, o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador mas
o comprador pode opor a nulidade ao vendedor; caso o vendedor esteja de boa fé e o
comprador de má fé, o vendedor pode opor a nulidade ao comprador, mas o comprador não
pode opor a nulidade ao vendedor. Ao comprador basta a sua boa fé para poder opor a
nulidade ao vendedor, porém, o vendedor necessita tanto da sua boa fé como do dolo do
comprador70.
É necessário mencionar duas situações, a primeira é a situação quando tanto o
vendedor como o comprador estão de boa fé neste tipo de vendas, e a segunda prende-se
com a questão do verdadeiro proprietário ser considerado terceiro nestas situações.
Relativamente à primeira, caso tanto o vendedor como o comprador estejam de boa
fé, diz-nos Raul Ventura que “o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador, mas o
comprador pode opor a nulidade ao vendedor”71. Tal prende-se com o facto de ao
comprador chegar a sua boa fé para tal, contudo o vendedor necessita que o comprador
tenha dolo, o que não acontece neste caso.
Passando para a segunda situação, o verdadeiro proprietário da coisa vendida como
alheia é tido como terceiro, em virtude de não ser parte do contrato72. Tal como nos diz o
Ac. TRL 19/04/2018 “a nulidade da venda de bens alheios reporta-se apenas às relações

68
Ibid., pág. 101
69
VENTURA, RAUL, ob. cit, ROA, ano 40, II, pág. 313
70
MANSO FRANCISCA, ob cit Maio 2014, pág. 31
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
71
VENTURA, RAUL, ob. cit, ROA, ano 40, II, pág. 312
72
Relativamente ao verdadeiro proprietário a venda, como res inter alios, é ineficaz.

14
entre o vendedor e o comprador, pois em relação ao proprietário, a consequência é a
ineficácia desse negócio”73. Assim este não possui legitimidade para invocar a nulidade
(art. 406º nº2 CC), contudo ao mesmo será sempre permitido o exercício da reivindicação
(art. 1311º CC)74. Não é contudo de descuidar o facto de ser possível o verdadeiro
proprietário poder perder o respectivo direito de propriedade caso o adquirente do bem
adquiri-la originariamente, através da usucapião, como nos diz o Ac. TRG 14/09/201775.
No que respeita à faculdade de o tribunal poder declarar oficiosamente a nulidade
deste tipo e vendas, o Código Civil nada diz, revelando-se assim omisso nessa matéria76.
Esta omissão gera uma certa divergência doutrinária. Para certos autores, face ao silêncio
da lei, aplica-se o regime geral da nulidade, pois como nada diz a lei só quis impor as
restrições às partes e não aos Tribunais, logo a nulidade de venda de coisa alheia é passível
de ser declarada oficiosamente. Para outros autores, se o silêncio da lei significasse a
aplicação do regime geral, as restrições que o art. 892º CC impõe perderiam o seu interesse
útil77. Porém, Raul Ventura defende uma solução de compromisso dizendo que “o tribunal
deve declarar oficiosamente a nulidade, para os efeitos que a lei atribui a tal nulidade, não
condenando à entrega da coisa ou do preço, mas sim naquilo em que deva condenar,
conforme os mencionados efeitos”78

73
Ac. TRL 19/04/2018, in DGSI,
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/19a79a85a7561890802582b00038f902?op
endocument&expandsection=1,2,3,4,5,6,7)
74
Neste caso o verdadeiro proprietário não tem que discutir a validade do contrato ou que não
consentiu a venda. - MENEZES LEITÃO, LUÍS MANUEL TELLES, ob. cit, 2008, pág. 102
75
Ac. TRG 14/09/2017, in DGSI,
(http://www.dgsi.pt/jtrg.nsf/86c25a698e4e7cb7802579ec004d3832/3f164a6443024692802581bd002ed907?
OpenDocument&ExpandSection=1,2,3,4,5,6,7)
76
MANSO FRANCISCA, ob cit Maio 2014, pág. 31
(https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16424/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Francisca%20Mans
o.pdf), Consultado a 21/11/2020
77
Ibid. Pág. 31
78
VENTURA, RAUL, ob. cit, ROA, ano 40, II, pág. 314

15
ii) Consequências da nulidade
Uma das consequências da declaração da nulidade é a restituição do preço. Porém,
o regime do art. 289º CC não é aplicável à venda de bens alheios, estando, também, a
restituição do preço sujeita às regras especiais do regime, presentes no art. 894º CC.
Assim, caso o comprador tenha agido de boa fé, segundo o art. 894º nº1 CC, tem o
direito de exigir a restituição integral do preço, independentemente de os bens estarem
deteriorados, perdidos ou tenha havido uma diminuição do seu valor. Desta forma, à
contrario sensu do que a está estipulado na lei, se o comprador agiu de má fé não pode
pedir a restituição nos termos expressos no Código Civil, tendo sim direito a pedir, apenas,
a importância que o vendedor enriqueceu, nos termos do instituto do Enriquecimento sem
Causa7980.
Existirá, contudo, uma redução, no que toca à restituição do preço (e às
indemnizações a que tiver direito), com base nos benefícios que o comprador tinha
adquirido às custas da perda ou diminuição do valor do bem. Tal como nos diz Paulo
Olavo da Cunha, esta redução tem como justificação “evitar o enriquecimento injusto à
custa do alienante”81.
Por sua vez, a coisa deverá ser restituída a quem procedeu à sua entrega, tendo por
base o contrato, agora, nulo.
Outra consequência relacionada com a declaração da nulidade é a obrigação de
indemnizar. Para que exista esta obrigação é necessário que um dos contraentes, pelo
menos, se encontre de boa fé82 (arts. 898º e 899º CC).
Esta é calculada nos termos gerais do art. 564º nº1 CC, ex vi art. 898º CC. Desta
forma, o lesado tem direito a ser indemnizado de forma a indemnizar todos os prejuízos,
que não teriam existido caso o contrato não tivesse sido celebrado (dano do interesse

79
Arts. 473º e ss CC
80
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 453
81
Ibid., pág 453
82
“ O comprador de boa fé tem direito a ser indemnizado, seja qual for o comportamento do
vendeor. (…) Por sua vez, o vendedor só tem direito de indemnização em caso de dolo do comprador” –
Ibid., págs. 454 e 455

16
negativo) ou fosse o contrato válido desde o início (dano do interesse positivo)83. De forma
clara, estes dois critérios não podem ser utilizados cumulativamente, sendo o art. 898º CC
que determina qual o critério a aplicar, “conforme venha ou não a ser sanada a nulidade” 84.
Já a indemnização presente no art. 899º CC abrange todo o prejuízo causado por este
contrato, os chamados danos emergentes, que não resultem de despesas voluptuárias.85
É de fazer menção que “no regime do contrato de compra e venda de bens alheios,
a responsabilidade indemnizatória prevista no artº. 898º, do Cód. Civil acresce (é
cumulativa) ao direito conferido ao comprador, desde que em situação de boa fé, de obter a
restituição integral do preço”, tal como no s diz o Ac. TRL 20/02/2020 86. Sendo o que o
mesmo acontece no caso da indemnização presente no art. 899º CC87.
É necessário, ainda, tecer um último reparo, no que toca aos frutos e às
benfeitorias.
Relativamente aos frutos, o Código Civil nada diz no regime da venda de bens
alheios, como tal torna-se necessário recorrer ao disposto nos arts. 1270º e 1271º CC,
respectivamente frutos na posse de boa fé e frutos na posse de má fé. Caso o comprador se

83
Ibid., pág 455
84
Art. 898º CC
85
“Enquanto que a indemnização prevista no artº. 898º, do Cód. Civil, fundada no dolo, prevê o
ressarcimento do interesse contratual positivo (danos emergentes e lucros cessantes), a ressarcibilidade
prevista no artº. 899º, do mesmo diploma, a onerar apenas o vendedor (ainda que haja sem dolo ou culpa),
apenas prevê a indemnização do interesse contratual negativo (danos emergentes), ainda que de forma
limitada, ou seja, desde que não resulte de despesas voluptuárias.” - Ac. TRL 20/02/2020, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/cefad780afd1ab848025854b003565e6?ope
ndocument )
86
Ac. TRL 20/02/2020, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/cefad780afd1ab848025854b003565e6?ope
ndocument )
87
“Ainda que não existisse dolo na conduta do Réu Recorrente, o que não é o caso, e a
ressarcibilidade fosse enquadrada no transcrito artº. 899º, esta era igualmente cumulável com o direito da
compradora Autora á restituição integral do preço” - Ac. TRL 20/02/2020, in DGSI
(http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/cefad780afd1ab848025854b003565e6?ope
ndocument )

17
encontre de boa fé, e aplicando analogamente o art. 1270º nº1 CC, este faz seus os frutos
naturais e civis até ao momento em que tiver conhecimento que a sua posse está a lesar o
direito de outra pessoa. Se o comprador estiver de má fé, tendo por base a aplicação
analógica do art. 1271º CC, deve este restituir os frutos que a coisa produziu até ao termo
da posse88.
No que toca às benfeitorias, o possuidor de boa fé tem direito a ser indemnizado das
benfeitorias necessárias que realizou, assim como tem direito a levantar as benfeitorias
úteis, desde que tal levantamento não cause detrimento à coisa, tal como nos diz o art.
1273º nº1 CC89. Caso o possuidor se encontre de má fé este tem direito à indemnização
pelas benfeitorias necessárias que realizou, assim como tem direito ao levantamento das
benfeitorias úteis, desde que tal não cause deterioramento da coisa em questão, da mesma
forma que o comprador de boa fé o pode fazer, nos termos do art. 1273º nº1 CC90. A
diferença encontra-se, porém, nas benfeitorias voluptuárias, um vez que o possuidor de boa
fé tem direito ao levantamento das mesmas, caso não exista detrimento da coisa, enquanto
o possuidor de má fé perde, em qualquer caso, estas benfeitorias, tal como presente no art.
1275º nº1 e nº2 CC, respectivamente.
Caso as benfeitorias necessárias e úteis não possam ser levantadas, e o proprietário
fique obrigado a indemnizar o possuidor pelas mesmas, como presente no art. 1274º CC o
vendedor possui uma posição de garante do seu pagamento, independentemente da culpa
do vendedor.

e) Convalidação
A nulidade do presente regime da venda de bens alheios é sanável91, significa tal
que o negócio pode ser nulo e posteriormente validar-se92. Para tal temos a figura da
convalidação, presente no art. 895º CC93.

88
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, págs, 455 e 456
89
SANTOS JUSTO, A., ob cit, Setembro de 2017, pág. 61
90
Ibid., pág. 61
91
Contrariamente ao regime geral da nulidade, no qual a mesma não é sanável (art. 286º CC)
92
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 450

18
Assim, quando o vendedor adquira por qualquer modo94 a propriedade do bem em
causa na venda de bens alheios o contrato torna-se válido. Quando tal aconteça o direito
em causa na venda de bem alheio transfere-se para o comprador, “por mero efeito das
manifestações da vontade de compra e venda” como nos diz Paulo Olavo da Cunha 95,
tendo por base o art. 895º CC, desde que não tenha ocorrido, entretanto, um facto
impeditivo à convalidação96.
A convalidação não é nada mais do que a lei a tentar salvar o contrato de compra e
venda que se encontra na base da venda de bem alheio. Assim, sempre que o comprador se
encontre de boa fé, o vendedor é obrigado a realizar todas as diligências para adquirir a
propriedade da coisa e assim convalidar o contrato, sanando a nulidade97. Sempre o
vendedor se encontre obrigado a convalidar o contrato, nos termos do art 897º nº1 CC, o
comprador pode solicitar judicialmente a declaração de nulidade do contrato a título
subsidiário para a hipótese de o vendedor não convalidar o mesmo no prazo que lhe seja
fixado pelo Tribunal (art. 897º nº2 CC)98. Caso o vendedor possua esta obrigação de
convalidar o contrato e não o faça, este passa a estar a obrigado a indemnizar o comprador
nos termos do art. 900º CC99.
Acontece, porém, que por vezes que o contrato não se convalida. Tal acontece
sempre que uma das situações presentes no art. 896º CC 100ocorra. Desta forma, caso exista
um pedido judicial de declaração de nulidade do contrato formulado por um dos
contraentes (al. a)); a restituição do preço ou pagamento de uma indemnização (al. b));
transacção entre os contraentes, na qual se conheça a nulidade do contrato (al.c));

93
“Logo que o vendedor adquira por algum modo a propriedade da coisa ou do direito vendido, o
contrato torna-se válido e a dita propriedade ou direito transfere-se para o comprador.”
94
Negócio entre vivos; sucessão por morte, usucapião, acessão, …
95
CUNHA, PAULO OLAVO, ob. cit 1987, pág, 458
96
Art. 896º CC
97
Art. 897º nº1 CC
98
MENEZES LEITÃO, LUÍS MANUEL TELLES, ob. cit, 2008, pág 106
99
Esta indemnização é distinta e autónoma das indemnizações presentes nos arts. 898º e 899º CC, já
que em causa está o não cumprimento de um dever legal de sanar o vício. -
100
O elenco deste artigo é taxativo, por oposição a um elenco exemplificativo.

19
declaração escrita de uma das partes que não quer que o contrato deixe de ser declarado
nulo (al. d)).
A convalidação do contrato, tal como nos diz Santos Justo, “está em sintonia com a
norma que disciplina a coisa futura”.101

101
SANTOS JUSTO, A., ob cit, Setembro de 2017, pág. 57

20
3. Conclusão

Concluindo, assim, o trabalho em apreço é percetível que a doutrina portuguesa não


permite a venda de bens alheios, quando estes sejam tidos como próprios, sendo que nestes
casos a venda é considerada nula. Diferente é a solução no caso da venda de bens alheios
como bens futuros, tal como presente no art. 893º CC.
Porém, desde que uma das partes esteja de boa fé, e contrariamente ao regime geral
da nulidade, esta pode ser sanável através da convalidação do negócio, desde que as partes
assim o queiram. Caso tal convalidação não aconteça passa a existir uma obrigação de
indemnização e restituição do preço.
É, ainda, de referir que estes contratos de compra e venda de bens alheios são tidos
como res inter alios, como tal são ineficazes relativamente ao verdadeiro proprietário do
bem em causa.

21
22
4. Bibliografia

Ac. TRC 19/09/2018, in DGSI


(http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/bd46c6e4967ee4c1802
5833500545f63?OpenDocument&Highlight=0,compra,e,venda,de,bens,alheios

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