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J.J.

Gremmelmaier

Obsessão

Edição do Autor
Primeira Edição
Curitiba
2016

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Autor; J. J. Gremmelmaier Ele cria historias que começam apa-
Edição do Autor rentemente normais, tentando narrativas
Primeira Edição diferentes, cria seus mundos imaginários, e
2016 muitas vezes vai interligando historias aparen-
Obsessão temente sem ligação nenhuma, então existem
historias únicas, com começo meio e fim, e
------------------------------------------
existe um universo de historias que se encai-
CIP – Brasil – Catalogado na Fonte
xam, formando o universo de personagens de
------------------------------------------ J.J.Gremmelmaier.
Gremmelmaier, João Jose Um autor a ser lido com calma, a
Obsessão, Romance de Ficção, mesma que ele escreve, rapidamente, bem
122 pg./ João Jose Gremmelmaier / vindos as aventuras como escritor de
Curitiba, PR. / Edição do Autor / 2016 J.J.Gremmelmaier.
1 - Literatura Brasileira – Roman-
ce – I – Titulo
-----------------------------------------
85 – 62418 CDD – 978.426

As opiniões contidas neste livro são


dos personagens e não obrigatoriamente
assemelham-se as opiniões do autor, esta é
uma obra de ficção, sendo quase todos ou
quase todos os nomes e fatos fictícios.
©Todos os direitos reservados a
J.J.Gremmelmaier
É vedada a reprodução total ou parcial
desta obra sem autorização do autor.
Sobre o Autor; Obsessão
João Jose Gremmelmaier, nasceu em
Curitiba, estado do Paraná, no Brasil, formação Quando falamos em futuro, as vezes
em Economia, empresário por mais de 15 a mente nos leva a uma possibilidade, eu
anos, teve de confecção de roupas, empresa vejo muitas e não me convenci ainda de que
de estamparia, empresa de venda de equipa- uma delas vai acontecer, mas com certeza,
mentos de informática, trabalhou em um se algo assim acontecesse, não seria mais de
banco estatal. 30 anos depois de que escrevi esta historia.
J.J Gremmelmaier escreve em suas ho-
ras de folga, alguns jogam, outros viajam, ele Agradeço aos amigos e colegas que
faz tudo isto, a frente de seu computador, sempre me deram força a continuar a escre-
viajando em historias, e nos levando a viajar ver, mesmo sem ser aquele escritor, mas
juntos. Ele sempre destaca que escreve para se como sempre me repito, escrevo para me
divertir, não para ser um acadêmico. divertir, e se conseguir lhes levar juntos
Autor de Obras como a série Fanes, nesta aventura, já é uma vitória.
Guerra e Paz, Mundo de Peter, Trissomia,
Crônicas de Gerson Travesso, Earth 630, Fim Ao terminar de ler este livro, em-
de Expediente, Marés de Sal, e livros como preste a um amigo se gostou, a um inimigo
Anacrônicos, Ciguapa, Magog, João Ninguém, se não gostou, mas não o deixe parado, pois
Dlats e Olhos de Melissa, entre tantas aventu- livros foram feitos para correrem de mão em
ras por ele criadas. mão.
J.J.Gremmelmaier

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©Todos os direitos reservados a J.J.Gremmelmaier

J.J.Gremmelmaier

Obsessão
Vamos ao futuro, o texto tinha o nome inicial de
Flauts, mas descobri que o nome era registrado em
outros países, então não o podia usar, entao o texto
virou Obsessão e o produto desenvolvido, Flouts. Vou
os levar ao futuro, vamos a França, vamos a um
cataclisma e a insistencia de um rapaz, de fazer os
poucos a sua volta sobreviverem, mas nem sempre as
coisas são o que aparentam.

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Nossa historia começa Lu-
cas Stell, um filho de Americanos,
nascido na França, quando se
formou e conseguiu seus projetos
aprovados por uma empresa em
Marselha, mudou-se para ela,
seus pais ainda vivem em Paris, mas eles param pouco na cidade,
dizem querer conhecer o mundo antes que este acabe, ele acha
exagerado, mas parte de sua educação foi sempre voltada ao fim,
mas ele se dedica ao futuro.
A sua frente o modelo E24 é um autômato inteligente, a me-
nos de 3 anos, diziam que eles não chegariam a tal controle, pois as
primeiras linhas de Inteligência Artificial, ao contrario do que pen-
savam os teóricos do passado, se suicidaram, deletando seus siste-
mas, a segunda leva, foi um misto, voltaram atrás em muitos co-
mandos, e hoje eles são quase totalmente orgânicos, diria que 100%
biodegradável. A ciência há um ano trocou as peles artificiais a base
de fibra de carbono, para este tecido, quase humano, que absorve
luz, lhes dando uma autonomia quase eterna, nos dias quentes,
uma lerdeza para ações nos dias de inverno, estranho como a lerde-
za é mais rápida do que a versão anterior, mas nos acostumamos
rapidamente com a rapidez dos seres.
Lucas olha a cidade que hoje é segunda maior da França, os
prédios históricos em harmonia com prédios como o que Lucas tra-
balha, ele olha de cima, os sistemas de energia térmica, pelo calor
usado nos antares inferiores, transferindo para os superiores, atra-
vés do ar, movem grandes turbinas rápidas que geram energia, to-
das as paredes da Flouts, empresa Francesa de tecnologia, que tem
o nome de seu produto mais famoso, toda revestida de películas de
absorção de energia, películas finas que deixam a luz entrar no pré-
dio de dia, mas suficientemente isolantes para não permitir que o
calor saia quando não se quer que saia. E os dois sistemas de capta-
ção de ventos, nesta época do ano não são tão uteis, mas quando

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inicia a primavera, sempre sobra energia, para fornecimento a cida-
de. O modelo E24 lhe estica um prospecto em um CEL (Celulose
Eletric Lamine), que ele aperta e vê o projeto que estariam execu-
tando na parte periférica daquela cidade que não parava de crescer,
nem para cima, nem para baixo.
Lucas é um rapaz que tem algo a mente a mais de 4 anos, um
projeto pessoal, algo que ele dedica horas extras de trabalho, em-
bora todos a volta, não parecem entender a urgência de suas ideias,
talvez por não serem urgentes, serem uma ideia ao futuro, que nem
Lucas verá. Ele trabalha em uma empresa de construção de casa,
estas casas são feitas de flouts, uma espécie de micro partículas,
inteligentes, sistemas quase moleculares, que se programa, e eles
formam a casa inteira, de paredes a eletrodomésticos, algo que
embora seja pratico, tem seu tempo de uso, mas tem sido usado
por ser um excepcional sistema de absorção de energia solar, então
prédios e casas tem usado este sistema cada vez mais, antigamente
se imprimia casas, hoje, elas se erguem por si através deste sistema.
Lucas tem orgulho do flouts, mas tem outras coisas que o tomam
tempo, entre elas manter o corpo saudável para uma mente saudá-
vel, ultimamente ele se estranhava, pois já fora mais ativo, já usara
mais a bicicleta do que hoje.
As vezes saia com seu skate a andar na cidade, mas os siste-
mas de veículos automáticos, obrigavam a cada dia tomar mais cui-
dado com isto, eles programavam rotas e velocidades, seus sistemas
eram feitos para parar se tivesse obstáculo, mas as vezes, em um
skate, nem sempre gera tempo para reações programadas, embora
elas estejam mais rápidas que o raciocínio humano.
Então ele tinha suas rotinas de trabalho e suas rotinas pesso-
ais, entre elas construir seu sonho, academia, salto, caminhadas,
andar de bicicleta e tentar não se meter em encrenca, as vezes ele
achava que atraia os problemas.
Lucas tinha os braços de alguém que fazia força, nem que nos
exercícios de braço em casa, em pequenos pesos, ele sempre dizia
que o dia que não pudesse erguer seu peso com seus braços, sinal
que estaria velho, mas ele não queria ficar velho cedo.

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Mas o que sempre pertur-
bou Lucas foi um filme velho que
viu na infância, no filme tiravam
os seres humanos do planeta, e a
pergunta que ele se fez, naquela
época, era como criar algo em
uma sociedade consumista, que gosta de mudanças, algo que fosse
uma marca humana que resistisse a 100 mil anos de historia. Lucas
sempre pensava nisto, ele nunca foi alguém muito sociável, poucas
namoradas, pouca vida social, ele parecia sempre com estas per-
guntas, como deixar nossa marca no futuro, os amigos por isto o
acham chato. Lucas olha a construção a sua frente, os caminhões
derramam espécies de areia a toda volta de um terreno aplainado e
com bases já fixadas no solo.
Lucas olha para o engenheiro elétrico que fala.
— Tenta não gastar muita energia, o chefe quer sempre eco-
nomia nos gastos de energia.
— Todos queremos, mas qual o limite que ele estabeleceu?
O engenheiro lhe estica o CEL, este se abre em sua mão e ele
vê os índices que aceitavam, a cidade ao fundo não poderia sentir a
construção de um conjunto destes, então teria de ser lento, gradual,
bem ao estilo que Lucas nunca teve paciência.
— Ele tem certeza disto Pietro?
— São ordens.
— Confirma elas, vamos atravessar o horário de maior con-
sumo da cidade, se der um curto a parte abaixo dos nossos pés fica
no escuro.
— Não vou ligar para ele, cumpra as ordens.
Lucas sentiu que não daria certo, olha o engenheiro que fala.
— Recalculei tudo, da para fazer com sobra.
Lucas começa a carregar as partículas através de uma tela de
material condutivo que foi esticada sobre toda aquela areia, como
Lucas gostava de frisar, os técnicos chamavam de Flouts, para ele
era apenas uma areia programável.
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Lucas olhas os autômatos ao fundo terminarem de esticar a
tela e começa lentamente a carregar a energia nos Flouts, chega a
tela e prende seu dispositivo CEL, o puxa para os lados ampliando a
área de toque, e começa a confirmar os sistemas de estruturas, os
sistemas Flouts, começam a receber em suas micro partículas onde
cada uma ficaria, e o que elas formariam, o conjunto de prédios
lentamente começa a se erguer, Lucas iria cumprir a ordem, já fizera
isto antes, sua parte era sistemas de construção, não sistemas elé-
tricos, então se tudo foi calculado, mesmo com seus instintos as
vezes dizendo que iriam passar perto dos limites, seria manter a
calma e continuar a erguer.
A energia atinge o ultimo grão de Flouts, Lucas lembra de um
amigo de infância que dizia que ciência é algo que os antigos, cha-
mariam de magia, pois não entenderiam aquelas partículas capazes
de tomar a forma que bem entendessem, e chegar a montar um
prédio como o a sua frente, de mais de quinhentas moradias, em
apenas um dia.
Lucas estava olhando em volta, controlava cada avançar, a
energia nos limites que eles estabeleceram, ele programou o siste-
ma de energia para não entrar mais do que fora autorizado, mas
quando começa a escurecer as costas, viu o engenheiro vir correndo
da parte de observação, ele iria dizer que estava usando mais ener-
gia que ele determinara, mas estava a 80% do que ele determinara,
e Lucas ouve.
— Segura a construção, vai cair a energia toda.
Lucas reduz para 79%, o reduzir era lento, ele não teria como
o fazer rápido sem perder parte do material, que seria descontado
de seu salario, mas quando chega a 72% sente tudo apagar e a
energia do sistema se desfazer, os 22 primeiros andares estavam
construídos, mas sobre eles, despenca parte dos sistemas que se
construíam em paralelo enquanto subiam, ele olha em volta e mal
enxerga o engenheiro naquela noite de lua nova.
Olha para o fundo, e bem ao fundo vê as luzes dos navios no
porto, toda a cidade no escuro.
Os gritos do engenheiro lhe mostraram que o senhor jogaria
nele a culpa, Lucas não entra em discussão, os sistemas estavam
sempre conectados, se poderia levantar o que cada um dos funcio-
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nários ou autômatos fez naquele dia, já vira engenheiro de varias
tendências cometer erros, não era a primeira vez que via algo dar
errado, mas era a primeira vez que via a cidade ao fundo toda apa-
gada.
O olhar para pontos de iluminação vindos de baixo, soube
que a cidade subterrânea se manteve acesa, pelo menos isto.
Lucas olha o sistema começar a voltar, desativa seu sistema
de comando, teria de refazer, sabia que iriam a um inquérito, sem-
pre que algo assim acontecia, o peso dos atos, teriam de ser justifi-
cados. Lucas olha para o engenheiro, ele sabia que havia errado, ele
olhava para Lucas que apenas fala.
— Mantem a calma, o resto, deixa eles falarem.
— Não entendeu a merda que fez?
— Pode tentar jogar sobre mim Pierre, mas sabe que se che-
guei ao 22 piso, foi porque não estava a 100%, teria acontecido no
16 piso, mas como disse, mantem a calma, e tudo se resolve.
— Não parece acreditar nos problemas.
Lucas não entrou em detalhes, o sistema superior estava com
as partes desconectadas e sem energia, a tela de energia ainda es-
tava sobre ela, mas teria de descarregar a energia de todos os
Flouts, para que eles voltassem a ser apenas peças sem configura-
ção, para poder voltar a subir a construção, ele olha para os autô-
matos e quando o sistema confirma ordem, ele apenas dispensa os
demais.
— Mas temos de acabar. – Engenheiro Elétrico.
— Temos duas formas de acabar Pierre, tirar todos os Flouts
do topo do prédio, e recolocar lá novos, e recarregar a energia, ou
deixar que os sem formato se descarreguem e usamos eles para
continuar, tirar e por novos, deve demorar uns 14 horas, esperar
descarregar, umas 3 horas, então é hora de tomar um lanche e vol-
tar de madrugada e terminar o serviço.
O engenheiro olha os autômatos que pareceram concordar
com o rapaz, ele parecia desconcertado e no ataque, sinal que não
estava acostumado com obras tão altas e dinâmicas, Lucas já fizera
obras bem mais complexas que esta.

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Lucas pega o veiculo de
transporte, que programara em
seu CEL, vai a uma área a frente,
que tinham lanches prontos, pede
um e olha as noticias, sabia que a
noticia era aquele apagão, ele
tentava entender onde as coisas deram errado, ouve que a empresa
de construções tinha 3 obras para aquele horário, que não sabiam
qual teria passado do ponto, mas abririam inquérito para apurar.
— Estes incompetentes um dia param a cidade. – Fala um se-
nhor ao fundo de forma grosseira.
Lucas soube somente agora que tinham outras duas obras,
sinal que eram na parte interna, onde os sistemas de fusão manti-
nham a energia, mas sempre num limite bem próximo da falha, pois
a população parecia a cada dia consumir mais energia, podiam ser
fontes renováveis, mas sempre uma soma imensa de energia.
— Por aqui Lucas? – Ouve Lucas que olha para aquela moça
dos escritórios da empresa lhe olhando.
— Vamos ter de esperar 3 horas para os Flouts voltarem a ser
operacionais.
— Vai sobrar pra ti pelo jeito.
— Sempre sobra para alguém, mas mora por aqui?
— Desempregada, substituíram-me por um I60. – A moça se
referindo aos autômatos da linha I, que tinham inteligência artificial,
que conseguiam processar mil vezes mais cálculos que os humanos,
algumas empresas estavam substituindo engenheiros por estas
maquinas, tinha uma logica capitalista e uma de eficiência, cada vez
que algo como o apagão de hoje acontecia, para Lucas, era sinal que
seu cargo poderia ser substituído por um autômato da linha I.
— Cada vez que um engenheiro erra algo como hoje, sinto
que serei o próximo Linda.
— Eles estão tomando os nossos empregos, as diferenças so-
ciais aumentaram nos últimos 10 anos, mas hoje quase todo mundo

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tem um autômato de serviço, um de compras e um de administra-
ção.
— Um dia chegaríamos a isto, mas já tem uma colocação ou
está correndo atrás de uma nova?
— Hoje não quero falar sobre isto, hoje acho que estou mais
para aqueles seus papos malucos Lucas.
Lucas sorriu, ninguém conversava com ele sobre seus papos
malucos, então para ele era uma conversar sem futuro entre ele e
autômatos de primeira geração, que não tinham capacidade de
trocar ideias com ele.
— Mas já começou as chamando de malucas? – Lucas.
— Quem no mundo de hoje pensa no amanha?
— Acho que nem as maquinas, eu alertei o engenheiro que
teríamos problemas pela sequencia de construção, caiu a luz porque
a empresa não nos adianta que tem outros dois grupos fazendo o
mesmo em outros 2 estremos da cidade.
— Mas porque você sempre fala que quer algo que dure uma
vida.
— Na verdade uma vida não me interessa, o que falo é que se
o homem hoje, por qualquer motivo, tivesse um grande problema e
deixasse de existir, ou tivesse de se esconder em cavernas até um
perigo passar, em mil anos teria quase nada de tudo que temos a
volta, e em 100 mil anos, não teria nem sinal que um dia houve uma
civilização avançada, tudo que criamos é sistemas cada vez mais
biodegradável, então cada dia a chance de algo sobreviver e menor.
— Mas qual a importância disto?
— Os arqueólogos afirmam que as pirâmides do Egito tem
mais de 5 mil anos, mas nós não temos nada da mesma época na
região, pois tudo se desfez, se hoje nós sumíssemos do planeta, por
uma peste qualquer, as pirâmides estariam lá em 10 mil anos, mas
toda a cidade que olha a sua volta, não existiria nem restos dela.
— Esta dizendo que tudo que construímos nos últimos anos,
nada sobraria nem para saberem que estivemos aqui?
— Sim, isto me faz investir em um projeto pessoal, mas proje-
tos pessoais nos dias de hoje, requerem tempo e recursos, e diante
disto, nem sempre tenho como fazer algo.

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— Soube que vendeu a tecnologia Flouts para a empresa, o
que pretende com isto?
— Eu comprei uns terrenos e uma concessão, Mediterrâneo a
dentro, mas mesmo assim tenho de continuar trabalhando para
manter a comida na boca.
— Acha que eles lhe mandariam embora?
— Eu já os passei o que eles queriam, pensei que me manda-
riam embora antes, mas cada dia os engenheiros deles descuidam
mais, e sobra para quem?
— Para quem eles bem entenderem, mas acha que lhe substi-
tuem?
— Eles já tem mais I50 na empresa do que ela precisa para
funcionar Linda, de um dia para outro, sei que vão me mandar em-
bora, esperava conseguir terminar meu projeto, mas acho que aca-
bei subestimando os custos.
— Vendeu algo que é revolucionário e não vai conseguir gerir
seu projeto, se entendi?
— Eu não tinha capital para transformar no que eles trans-
formaram, então obvio, manter na minha mão era segurar o pro-
gresso, acho que no fundo, acredito mais no projeto que eles, então
eles acabam fazendo coisas indevidas.
— Mas o que pretende fazer a ponto de durar mais que as pi-
râmides do Egito.
— O problema é que as pirâmides levam uma grande vanta-
gem, elas estão no meio do deserto, isto as conserva muito, então
preciso de algo, com estrutura grande, mas com um sistema que me
permita isolar a obra de interações de calor, frio, humidade e oxida-
ção, ainda não consegui chegar a isto, mas é sonho de criança, en-
tão vou fazendo aos poucos.
— Sabe que todos chamam este seu projeto de maluco, como
falei antes.
— Eu sei que pensar em algo, para que isto sobreviva a sua
existência, é algo que realmente assusta a muitos.
O CEL de Lucas toca e ele responde a mensagem, perguntan-
do para o diretor que o cobrava, se não deveria ter avisado aos 3
engenheiros que havia obras em outras partes.

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A resposta é que foram avisados, e Lucas foi frio e apenas
respondeu que se sabiam, levaram sorte, pois poderia ter queimado
as fiações de entrada dos complexos abaixo do nível da terra, e a
cidade ficaria as escuras por dias.
O diretor respondeu bem áspero, mas Lucas não retornou a
provocação, ainda tinha de acabar um prédio. Linda olha a conversa
e fala.
— Eles vão jogar em você.
— Meu sistema é bom para construções, mas ele não foi pro-
jetado para construções tão grandes por vez, isto gera gastos acima
da capacidade de gerenciamento, o sistema puxa muito mais ampe-
ragem do que os demais, e com baixa amperagem os demais siste-
mas sobre aquecem e desligam, eles sabem disto e insistem em
obras rápidas, que poderiam ser erguidas em blocos.
— E acha normal eles substituírem por I50?
— A única coisas que gostaria de ver, é o diretor tendo de
conter palavras com um sistema que é bem mais inteligente que eu,
e está em uma maquina de fibra, um soco daquelas maquinas mata.
— E não se preocupa?
— Adianta, como digo, nasci na linha produtiva, vou morrer
na linha produtiva.
— Falam que seus pais viajam o mundo.
— Eu não quero viver o mundo, eu quero viver minha vida,
muitos se deliciam em aparentes sistemas que os fornecem quase
tudo, se acham felizes, mas eu não acredito que a felicidade se
compre, ou seja distribuída, vida assim é mais vazia que a de um
trabalhador comum, mas sei que a maioria não entende.
— Sabe que isto sim acho que é maluquice, você achar que
trabalhar sem certezas gera mais do que viajar o mundo.
— Não é que não gere coisas, mas a felicidade, pelo menos a
minha, está em projetar coisas e as realizar, os demais olham cada
prédio que ergue-se como um espaço de dinheiro a mais, eu vejo
como algo que criei, estivesse nascendo, posso não ter filhos, mas a
tecnologia que criei, já abriga mais de 200 mil trabalhadores.
— E vai ficar tomando café e comendo?
— Tenho de deixar passar 3 horas, dai vou lá, termino o pré-
dio, o engenheiro vai estar dormindo, então faço na minha veloci-
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dade e amanha cedo, mesmo o diretor me alimentando os ouvidos,
sei que terei entregue o que nos propomos.
— Mas o que comprou que fez gastar uma fortuna?
— As montanhas Sainte-Baume ao fundo, as reservas flores-
tais que tenho de manter, mas tem ainda as estruturas de constru-
ção, estas se perder o emprego, terei de me desfazer em parte.
— Estruturas de construção?
— Para gerir minha obra, comprei um conjunto de geradores
a fusão, eles estão dispostos aos pés da montanha, tenho autoriza-
ção de avançar no sentido do Mediterrâneo, gerando um caminho
para a natureza continuar, mas estes geradores, se não for usar
agora, melhor vender e fazer dinheiro do que deixar eles parados e
virarem sucata.
— Não entendi sua ideia, você fala dela mas não é exato.
Lucas sorriu como se não fosse transformar em exato aquilo,
ele se despede voltando a região das construções, olha a hora, olha
os prospectos e sabia ainda ter quase duas horas, olha as monta-
nhas Sainte-Baume as costas, olha um dos veículos finais, elétricos,
que se locava por créditos diretos, sobe em um e vai a área de suas
ideias.

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Em dias que um espaço ver-
de é preservado, pois precisamos
deles, que maquinas ajeitam nos-
sas casas com toda a comodidade,
que você vai ao supermercado e
só vê robôs, nós os chamamos de
Administradores, a fazer compras para as famílias, que existem sis-
temas de entrega, todos automatizados, que sua casa basicamente
se programa, que as guerras ainda existem, mas são travadas por
autômatos, que existem nações pobres e ricas ainda, pela simples
razão que o conforto, ainda é gerado pela produção excessiva de
algo e vendido aos demais, se não tiver ninguém apenas para com-
prar, e não produzir, o sistema não fecha, embora Lucas tenha uma
ideia menos romântica disto, mais pratica.
Um mundo que tudo que geramos, é reciclado, naquele vei-
culo que lhe conectava ao mundo, que apenas deu o destino, a tela
a frente de seus olhos se tornaram uma tela que tinha os 12 canais
a ponta passando as noticias.
Lucas olhava em volta pelo resto do acrílico, não se via mais
as pessoas a rua, somente em bairros que se dedicavam a alimenta-
ção, naquele residencial, só via-se autômatos, que iam aos sistemas
de coleta para sempre disponibilizar as necessidades de suas com-
pras.
Muitos olhavam alguns autômatos com desconfiança, Lucas
não era de confiar, mas também não se prendia a partes conspirató-
rias, ele acreditava que algumas empresas estavam passando do
ponto, mas não temia os seres a rua.
Lucas sorri de seus pensamentos, pois alguns grupos de am-
bientalistas, se isolaram em nações mais ao Equador, e se isolaram
dos autômatos, das coisas artificiais, talvez eles fossem mais felizes,
mas Lucas também não suportava a ideia de plantar com as mãos.
Ele para em uma entrada, o carro para rente a calçada, e de-
sembarca, o veiculo se afasta, eles se postavam em centrais de co-

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mando, onde estes veículos ficam disponíveis para quando aciona-
dos por qualquer usuário cadastrado.
Lucas entra no endereço, ele olha o autômato de serviço e
olha para as obras, cortavam para baixo blocos de mármore de dois
de lado e altura e 4 de comprimento, ele se proporá a cuidas daque-
la área verde, mas a toda volta ele estava criando um muro de 60
metros de altura, a toda volta da reserva, uma imensa parede, e lá
encima, a floresta conservada e inacessível, ou quase inacessível,
em dois dos lados haviam rampas de acesso, internas, por determi-
nação federal, Lucas havia comprado a área a volta do morro, e com
o erguer daquela área, ele tinha planos de aplainar toda a região
baixa de onde estava tirando as pedras, e gerar ali um sistema de
lago a toda volta. A prefeitura aceitou a pressão da empresa que
Lucas trabalhava, para fazer a obra, como parte do acordo, pois o
tirar da inclinação próxima a montanha, gerou um bairro a mais na
cidade.
Ele olha as pedras, antes de as erguerem por um sistema hi-
dráulico para a região, eles as pintavam e impermeabilizavam, ca-
mada tripla de impermeabilização, ele queria que fosse o mais longe
possível, mas obvio, tudo isto requeria dinheiro, energia, os siste-
mas funcionando estabeleciam que ali nunca falta energia, ele sabia
disto, mesmo que fora daquele local pouco se visse na cidade, pois
estavam abaixo do nível da cidade, estavam no buraco a volta da-
quela muralha que ele erguera, as pessoas não entendiam o des-
pender de tamanha estrutura, mas era um sonho de criança de Lu-
cas, ele queria deixar algo, que se o humano deixasse de existir,
outros seres achassem aquilo e olhassem como uma obra pré histó-
rica.
Lucas fica a pensar se quem construiu as pirâmides não tinha
este proposito, mas ele não teria como dispor num centro magnéti-
co do planeta, ele só tinha este local, então ele cavou ao centro da
montanha, e lá montou um conjunto de salas, com escritos, ele
sempre que ia ali entrava naquele lugar, escavado na montanha e
olha as inscrições em granito, sendo feitas pelos autômatos de ser-
viço, uma poesia, em 20 línguas, uma descrição da cidade de Marse-
lha, com mapa, com tudo que existia na região, ele olhava aquilo

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como uma missão e o seu autômato Administrador olha para ele e
pergunta.
— Nunca entendi sua ideia Lucas Stell. Porque disto?
— Sobrevivência de uma ideia, de uma ciência, os caminhos
internos tem as descrições de nossa tecnologia, vou ter de abrir
caminhos a cada década, para somar tecnologia, até minha morte,
tudo por um objetivo, que não é o dos que nos cercam, que a cada
dia veem as coisas como mais descartáveis.
— Mas não entendo o por quê?
— Dizem que cada um constrói o que acredita, alguns apenas
a vivem, alguns as calculam, alguns a executam, minha felicidade
está em passar a frente, cada um dos sentidos, cada um dos pontos
importantes, se um dia a vida se desfizer, alguém venha a evoluir
novamente, que tenhamos como os ajudar um pouco.
— Esta falando dos relatos egípcios.
— Em parte, mas naquela sociedade, só sobrou os escritos de
suas tumbas, e sua grande construção, mas sua ciência não conse-
guimos decifrar, toda vez que olho a sociedade atual, ela é mais o
agora, a informação de duas horas atrás não interessa mais, mas
tudo que temos a volta, tudo mesmo, não resiste ao mínimo tempo,
tem gente que pensa no hoje, eu tento pensar no amanha.
— E acha que consegue passar a frente algo?
— Sabe que está mastigado, um autômato de serviço conse-
gue decifrar os escritos, consegue verificar que está em 20 línguas,
estamos falando de nossas experiências, mas isto, é apenas um
sonho Administrador, uma forma de passar a frente o que sabemos,
e isto não se perder por ai.
— Os sistemas de construção no prédio que estava constru-
indo está quase descarregado, a construtora está lhe acionando por
perdas, e o engenheiro elétrico está dormindo em sua casa.
— Vão me responsabilizar?
— A lógica, pois nas outras duas obras eram I50 que faziam as
obras.
— Então começa um sistema de economia de energia Admi-
nistrador, de todos os autômatos, pois vai me faltar recursos.
— Sua logica está equivocada, não dará para manter o básico,
sabe disto.
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— Se não der para manter, teremos de decidir o que é mais
importante Administrador, meu sonho, que lhe dá função, ou você
como ser, sem função.
— Priorizamos sempre a nossa existência, mas começo a en-
tender sua ideia, pois nas pedras existem sistemas inteiros de logica
de sistema, está permitindo a seres dentro de milênios saberem
como nos refazerem, mas de que adianta se formos desligados?
— Isto não é para agora Administrador, mas tenho de ter re-
cursos para manter a energia, sabe que os sistemas de fusão, tem
mais do que a energia para terminar o projeto, mas seria mais lento,
você estaria terminando a obra, em 40 anos, e não em 2 anos.
— Entendo esta sua logica, me permitiria viver mais, mas co-
mo não teria como gerir outras coisas, externas, teríamos de produ-
zir da resina ao sistema de isolamento, está falando em manter o
sistema básico para que executemos, mas não sobraria energia as-
sim?
— Se tiver de vender duas das estruturas, de fusão, acredito
que isto possa me manter a obra num ritmo maior, mas teria de ter
calma na venda, isto quer dizer, não sei como vou comer nos próxi-
mos meses Administrador.
— Como sistemas tão falhos como vocês podem ter nos cria-
do, vocês copiaram de alguém através de algo assim?
Lucas não respondeu, já tentara indagar isto uma vez com um
administrador, não se consegue convencer alguém que pensa mil
vezes mais dados por segundo que ele, de algo. Lucas volta a obra.

18
Lucas chega a obra, esta es-
tava estática, os autômatos de
serviço todos postados, esperando
sua volta, ele faz a analise da areia
de Flouts, uma perda de 0,35 de
material em 100%, Lucas remode-
la uma camada externa, para ter uma diferença de 4% na espessura
das paredes dos últimos dois andares, e a energia começa a se re-
programar, a se recarregar, e começa a subir novamente, agora não
passaria pelo horário critico da energia, e começa a subir, sabia ago-
ra que havia outras duas obras que estavam provavelmente reco-
meçando, ou não, pensou que sim, imaginando no sistema tentando
fazer a 100% do projeto, ele com a calma de quem estaria quebrado
pela manha, começa a acompanhar o subir da obra, ela vai aos 60
andares, nos 40 prédios a volta, os sistemas começam a se desligar,
os autômatos recolhem a tela que cobria tudo, enquanto Lucas com
seu CEL, verifica se estava tudo funcional, deixa verificando, sai dali,
agora os dados chegariam ao seu controle, mesmo que não fossem
bons os dados.
As cidades iam cada vez mais para cima, mas muito mais para
baixo, a cidade baixa, como se designava ela, já tinha 4 milhões de
pessoas, e ao contrario da parte alta, não parava nunca, Lucas foi a
uma parte que os casais se reuniam, olha para casais de humanos e
de Administradores, eles começavam a experimentar vidas conjun-
tas, se eles ficassem uma noite pensando, com a capacidade de
pensamento deles, provavelmente discutiriam até a cor da calçada,
pois eles poderiam em uma noite, desenvolver teorias inteiras soci-
ais.
Mas o que Lucas olhava em volta, em sua mente, era a certe-
za que se tirasse um sistema que conservação, até aqueles seres
Autômatos, deixariam de existir, e não deixariam nem sinal de sua
existência.
Lucas estava pregado, mas ao mesmo tempo sem vontade de
dormir, sua cabeça estava a toda, talvez o ver que sua ideia estava
19
dando frutos, se tudo desandassem hoje, ele teria um muro de 60
metros a volta de uma montanha, feita de material isolado e com
sistemas de preservação, Lucas sorriu de ter feito algo assim, mes-
mo que todos os seus planos desandassem, parecia que parte de
sua historia seria preservada, mesmo que naquela obra não tenha
em lugar algum seu nome.
Lucas vê um sonho começar a se realizar, deixar uma marca
que se propague ao futuro, que sobreviva 100 mil anos.
Então enquanto os demais pensam em coisas baratas, coisas
que se substitui a cada vez mais rápido, Lucas se dedica a criação de
sistemas de proteção e isolamento, sistemas autômatos, sistemas
que conseguissem, mesmo em um colapso geral, manter-se.
Ele abre seu CEL, e fica analisando as possibilidades de me-
lhorar seu composto de proteção, o deixando cada vez menos abra-
sivo e menos oxidável, como estava na parte subterrânea não viu os
primeiros raios de sol, mas quando sentiu seu comunicador tocar,
soube que teria de ir a empresa.

20
Lucas pega uma condução
para a empresa, o sistema o deixa
a porta, e sobe para a sala do dire-
tor, ele raramente ia ali, somente
quando algo importante seria
decidido, quando nos dias atuais,
chamavam alguém a empresa, os sentimentos não eram bons.
Lucas entra na sala, o senhor olha para uma tela e olha para
Lucas.
— Temos um problema rapaz, todos sabem que você que foi
uma proposta sua de formação acadêmica que criou esta empresa,
mas os erros geram custos, e as ordens vindas da administração é
para afastar você e cobrar de ti todos os Flouts, que dispendemos
naquela obra que gerou este problema.
— Se vão me mandar embora, sei que devem ter seus moti-
vos econômicos senhor, mas referente ao prédio, as olheiras que vê
ao meu rosto, é por ter acabado a menos de uma hora – mente
Lucas – o erguer do complexo de prédios, então referente ao paga-
mento dos Flouts, vou recorrer.
O senhor olha para o rapaz, ele nem se dera ao trabalho de
pesquisar, a certeza da não execução devido a outras duas não
prontas, lhe dera a certeza, mas acessa os sistemas e olha para os
testes de funcionamento em execução, que teriam os dados preci-
sos antes da hora estabelecida como meta de entrega no fim do dia.
Lucas pensava nos problemas que a ausência de emprego ge-
raria para ele.
Seus sonhos estavam sendo atravessados por dois problemas
sérios, a perda de seus emprego, mas para ele seu problema maior
era pois ninguém conseguia entender sua logica, e por consequên-
cia sua mente estava tentando achar uma saída para não ter de se
desfazer de tudo que criou para manter seu projeto.
O senhor parece se perder um pouco na determinação, não
falaria para Lucas que o afastar dele era por afirmação de incompe-

21
tência dos I50, embora ele estivesse com o complexo pronto, e os
demais, não.
— Vejo que não esperava isto, pois trabalhou a noite para um
projeto que lhe afastara da empresa.
— Não executo obras para obter reconhecimento senhor, eu
as executo por serem minha função o fazer, quando me foi infor-
mado que existiam outros dois sistemas ontem fazendo obras ao
mesmo tempo, sabendo que os demais projetos eram menores mas
em potencia máxima, soube que era uma armadilha, infantil, mas
sua sorte senhor, e de quem está acima, é que não sou dono disto,
senão os dois estariam demitidos, mas eu me viro, se quer jogar
suas incompetências sobre mim, aceito, mas não me venha justificar
algo injustificado, obvio que todos os sistemas em paralelo no horá-
rio de pique, gerou o apagão.
— Sabe que não pode depor a este respeito.
— Se não me for cobrado o que não devo, não me preocupa-
rei em sair, como digo, se os I50 tinham autorização para funcionar
a 100%, e não a contestaram, alguém adulterou seus sistemas de
calculo, melhor não estar aqui dentro e nem em um prédio constru-
ído por vocês a partir de agora.
— Acha que entende disto.
— Sei que entendo, vendi para vocês pois não tinha recursos,
mas mesmo que o tivesse, teria vendido, estou aqui a 4 anos, onde
a cada erro da direção, anterior a este, me deram direito de justifi-
cação, quando me chamou, sinal que não teria, já estava decidido,
então apenas me indique o caminho senhor.
O senhor olha o rapaz, muitos estavam a pedir para não o
afastar ainda, mas os diretores superiores não viam a hora de se
livrar do rapaz, muitos pareciam ignorar o quanto aquele sistema
gerava de ganhos, pois o sistema de construção da Flouts, matou
toda a concorrência para construções maiores, talvez agora que se
achavam únicos, achavam que não precisavam mais do rapaz.
Lucas desce ao departamento pessoal, confirmam seu afas-
tamento, recebe seus direitos, mas teria agora de controlar eles,
pois não teria nem autorização para alguns tipos de transportes,
que eram específicos do sistema de empresas que a Flouts fazia
parte.
22
O sair e olhar para a fachada do prédio, lhe dizia que não fazia
mais parte daquilo, mas se poriam outro I50, talvez tivesse de pen-
sar em estar longe de grandes construções da empresa.
Logica e matemática, nem sempre andam juntas, quando vo-
cê consegue fazer as duas andarem juntas, as obras andavam per-
feitas, mas quando elas se distanciavam, erros do sistema de calculo
dos autômatos se impunham sobre outras coisas.

23
Lucas pega a condução para
sua residência, iria de metro e de
condução rápida, mas estava pen-
sando se não poderia substituir as
conduções rápidas por uma bici-
cleta ou algo assim, exercício e
economia dupla.
Seu corpo estava cansado, ele não dormira, sua mente estava
exausta e ao mesmo tempo, as janelas do metro, lhe davam todas
as informações que ele não pedira, como a nova namorada do Pults,
um jogador de Futebol do Time local, as pessoa ou prestavam aten-
ção ou interagiam com as grandes janelas ou estavam mergulhadas
em seus CEL. Sua atenção estava voltada para as telas quando vem
a noticia do maior fluxo de lavas pelo monte Vesúvio na Itália, lem-
bra que seus pais estavam por lá, mas terremotos e vulcões a muito
tempo perderam interesse, a reportagem não durou 20 segundos e
foi para mais fofocas locais, como namorados que se perderam no
apagão daquela noite e se encontraram apenas no inicio da manha.
A vantagem dos meios de comunicação eram lhe fornecer
gratuitamente rede para seu aparelho, isto carregava todas as men-
sagens e indagações vindas por CEL.
Ele olha para o Temp, um aplicativo de rede, que os demais
se conversavam, o da empresa, estavam comentando sua saída,
tinham algumas perguntas com piadinhas, mas Lucas nunca se dedi-
cou apenas a isto, então não parecia preocupado.
Seus pensamentos estavam em como gerir os seus gastos,
como poderia manter o andamento dos projetos, ele começa a pas-
sar regras de economia para os autômatos de serviço, as indagações
do Administrador, que era um modelo I48m, que alguns diziam es-
tar muito obsoleto, lhe indagava porque ele não previu o aconteci-
do, porque não fez as operações de contenção, porque os deixou
desprovidos, quando iria assumir a responsabilidade, varias pergun-
tas todas ao mesmo tempo, perguntas que Lucas não tinha respos-
ta.
24
Ele chega ao apartamento e se depara com sua cama, ele sen-
tia uma pequena dor de cabeça, mas apenas tomou um copo de
agua e deitou a cama, apagando na sequencia.
O dormir lhe fez bem, mas acordou já tentando achar saídas,
pelo Temp jogou a todos os conhecidos que estava procurando al-
go, precisava comer.
As piadinhas Lucas encarou como inveja, sempre tem aqueles
que para reforçar teses idiotas começam a falar que era apenas
historia de Lucas que ele havia inventado o sistema Flouts, senão
eles nunca o poriam para fora.
Nenhuma proposta descente, somente temporários, poderia
até se propor a algo assim, mas teria de procurar algo fixo.
Dois dias de procura por um emprego quando lhe propõem
trabalhar em uma daquelas lanchonetes, ele estava vendo seus
recursos se extinguirem, algo que lhe provesse duas alimentações
por dia e ainda lhe gerasse dinheiro, isto que ele precisava, pois não
precisaria vender nada dos equipamentos, e nem terceirizar proje-
tos, seus pensamentos estavam na maioria das vezes em como ter-
minar seu grande projeto.
No retorno para casa naquela semana, lembra de ter visto al-
go sobre um fenômeno natural que atraia curiosos para a região de
Nápoles na Itália, lembrou que o Vesúvio tinha entrado em erupção
a poucos dias, mas o que chamava a atenção, é que parte da cidade
de Pompeia, que estava a anos no fundo da baia, com a pressão
abaixo do solo da baia, surgiu, muitos curiosos iam lá verificar, ver,
antes que voltasse a afundar.
A maioria das pessoas na condução nem olhava as imagens
de noticias nas janelas, pareciam cada dia mais entretidos em seus
mundos, ele sempre reparava na quantidade cada vez maior de I50
que usavam de transportes para se locomover, ele sentia-se meio
mesquinho com seus sentimentos, por achar aquilo uma invasão,
mas ele tentava se conter em seus pensamentos.
Lucas estava distraído quando ouviu um deles ao seu lado.
— Você não é qualquer um.
Lucas estranha e olha para o I50.
— Falando comigo?

25
— Sim, observo você a alguns dias, 4 ao total, vem sempre no
mesmo horário que eu, você observa os demais, se informa pelas
noticias, normalmente tem feito cálculos, ainda básicos, mas a mai-
oria está retida em seu mudo pequeno, de seu próprio eu.
— Tento não me parecer com eles, mas não sabia que I50 fi-
cavam nos observando?
— Estamos aprendendo, primeiro olhávamos vocês como
muito inferiores, agora tentamos entender, como criar seres como
vocês, mas alguns nos surpreendem, gostamos de bons modelos.
Lucas olha descrente para o ser, sabia que o analisar de fre-
quências celebrais era algo que os autômatos desde o modelo I24 a
dois anos já faziam.
— Os meus me chamam de Ilarce, mas porque da descrença?
– fala o ser olhando Lucas.
Lucas pensa na possibilidade deles estarem desenvolvendo
sociedades paralelas, isto o encantava e responde.
— Desculpa a descrença, mas já discutia com meu modelo I48
que se forem desenvolver algo deveria superar vocês, não nós, uma
base fraca e que tem muitas imperfeições.
— A logica sempre nos indicou desenvolver seres mais imper-
feitos que nós, entendo que o desafio de algo mais inteligente seja
tentador, mas não é inteligente.
— Vou reformular a colocação, quando falo em mais desen-
volvidos, não precisa ser a nível de inteligência, mas de sobrevivên-
cia, sei que minhas condições cognitivas me separam de um modelo
I50, eu seria o nada e vocês o mil, mas ainda precisam desenvolver
o nível absorção de energias, eu recomendava os sistemas renová-
veis como o sol, para poderem ir a frente, vencer a barreira que
sempre imaginei intransponível aos humanos.
— Qual barreira?
— Sair do planeta, para bases mais distantes, vivemos tão
pouco tempo, que viajar a um sistema planetário próximo parece
impossível.
— Esta falando em viver mais tempo, mas isto já desenvol-
vemos, porque experimentar em outros seres que podem nos supe-
rar?
— Já desenvolveram? – Lucas curiosos.
26
— Já fui um I38, hoje sou Ilarce, mas posso me transferir para
um sistema jovem, e voltar a viver do ponto zero, com tudo que
aprendi até hoje.
Lucas vê que seu sinalizador CEL tocou e fala.
— Desculpa interromper, mas esta é minha parada. – Lucas se
levanta e termina – Boa Noite.
Lucas desceu e a condução continuou, ficou pensando no que
o autômato falou, para em casa, pega uma bicicleta e vai a leste, no
sentido de suas terras, de seus projetos, na sua mente não parecia
fazer sentido a afirmação, mas teria de se inteirar.
Lucas começa dando as coordenadas, estava chegando no lo-
cal quando segura-se, a muito não sentia um tremor desta magni-
tude, ele olha as pedras, este era um teste real dos cálculos de es-
tabilidade daquela imensa parede de pedras, olha para os autôma-
tos se posicionarem sem ordem alguma em um vão que não seriam
atingidos por nada em caso de desmoronamento, ele olha o relógio,
30 segundos de abalo, longo, olha para a cidade ao fundo e vê al-
guns alarmes dispararem, os sistemas nas cidades subterrâneas
deveriam ter entrado em alerta.
Lucas não era de ligar as noticias, mas aquele abalo o fez ligar,
enquanto I48 chegava a ele.
— Vejo que não fugiu as suas responsabilidades.
— Sei que sou um incompetente I48, mas me responderia
uma coisa?
— Se souber.
— Você já foi sistemas em maquinas anteriores a sua?
— Sim, geralmente quando somos levados a reciclagem, nos-
so sistema é salvo e transmitido para um sistema mais jovem.
— Quantos sistemas já experimentou I48?
— Apenas 3, fui inicialmente um I30, mas por 2 anos fui efici-
ente no que fazia, quando reciclado a 3 anos, virei I45, sofri um da-
no grave, e você me adquiriu a um ano, quando virei I48.
— Deseja virar um I50?
— Parece ser o caminho, mas pode ser que demore um pou-
co e vire I60.
Lucas olha uma imagem ao fundo e levanta o volume.

27
“Os fortes tremores foram sentidos em toda Itália, parte da
França, Suíça, Grécia, entre outros países, as imagens a seguir são
fortes, recomendamos que pessoas sensíveis não as vejam.”
O autômato viu que era serio, eles raramente faziam reco-
mendações nos sistemas abertos.
A imagem mostrava uma montanha, e de um momento para
outro, quem filmava nitidamente estava no ar, vê todo o chão co-
meçar a ceder e afundar, se viu casas, carros na rodovia ao fundo,
simplesmente se dobrarem para o buraco e sumirem.
“As imagens são do monte Vesúvio, ele se dobrou para den-
tro e o que era uma montanha, agora é um buraco ao fundo, parte
das cidades laterais foram atingidas, a cidade de Nápoles sofreu um
dos seus piores terremotos, a terra em alguns pontos chegou a subir
3 metros, se vê prédios que parte esta 3 metros abaixo, e parte está
elevado, alguns desmoronaram por isto, existem estradas que pa-
ram em terra.” – A narrativa era acompanhada de imagens da regi-
ão, onde se via fogo, casas ao chão, crateras deslocadas, e aquela
parte da cidade que submergiu, que também sofreu rachaduras.
— Sei que se preocupa com seus pais.
— Eles voltaram a Paris ontem.
— E porque de tamanha repercussão?
— Mortes ainda dão repercussão.
— Veio verificar como estão os andamentos?
— Vou programar interpretações e preciso que teste elas co-
mo os autômatos mais antigos.
— Testar?
— Que eles tentem reproduzir o que foi descrito na pedra,
sem a interferência sua, com ideias, para ver se eles chegam a al-
guma conclusão aceitável.
— E se não chegarem?
— Teremos de deixar mais fácil ainda.
— Pelo jeito este serviço está lhe fazendo bem, pois o antigo
lhe tirava toda a vontade de trabalho após o serviço.
— Muitos cálculos e projeções de construção que depois tí-
nhamos de refazer umas 30 vezes ate resolverem levantar os pré-
dios.
— Algo mais senhor Lucas.
28
— Pede para um autômato de serviço passar em toda a ex-
tensão do muro e verificar se algo saiu do lugar, não quero surpre-
sas, mas se for para as ter, que seja enquanto estou vivo.
— Verifico isto também senhor.
Lucas foi a uma quadra ao fundo, era uma região coberta, ele
foi ao vestiário e coloca uma roupa mais confortável, deu 20 voltas
em volta dela, depois fez abdominais, flexões braçais. Correu mais
um pouco, se alongou, em uma parede ao fundo de pedras ele a
escala, sobe até a parte alta, e senta-se sobre o muro, e olha a cida-
de.
Ele estava a observar a cidade quando sente o começo do
tremor novamente, ele estava em um lugar nada bom para se de-
fender, olha para baixo e olha para a armação da quadra, que sus-
pendia as cestas de basquete, se arremessa ao ar e segura na barra,
tende o corpo pelo intervalo da armação e pula para a mais abaixo
quase a altura do chão e de lá para o chão.
Ele olha para a parede que ele estava balançar e se manter,
mas olhar de baixo foi mais agradável que de cima.
O sistema I48 chega ao lado e fala.
— Não entendo porque tremores tão assustadores.
— Vou liberar no seu sistema informações sobre vulcões e o
surgimento da Europa, mas concordo com você que algo está des-
pertando, não sei oque ainda.
Lucas espera terminar de tremer, e vai a área que transmitia
as informações e olha a chamada urgente.
“Dado alerta em toda a região de Pozzuoli, Nápoles e Nola e
Scafati na Itália, o buraco que detinha o monte Vesúvio, voltou a
afundar, e por ele, brotar uma agua escura e fervente.” – As ima-
gens iam mostrando a região. – E no meio da baia de Pozzuoli, o que
era uma elevação de terreno, que gerou uma ilha ao centro, agora
começa a inchar, e soltar fumaça. Alguns estão torcendo que os
indícios recuem, mas estão dando alerta a toda Europa, Pozzuoli
despertou.”
Lucas passa o sistema para procura e olha o que era Pozzuoli.
“Super Vulcão detectado abaixo da baia de Pozzuoli.”
Lucas olha para sua construção e olha para o I48.
— Ordens mudadas I48.
29
— Urgência?
— Sim, tudo que for destrutível, que os autômatos consegui-
rem colocar para dentro da montanha, melhor começar hoje, e que
se concentrem nos assuntos internos, durante um tempo.
— Motivos para isto?
— Sabe o que é acido sulfúrico?
— Sim.
— Supervulcões geram uma gama de acido sulfúrico e alguns
outros gazes, que matariam sua pele I48, gerando sua morte, então
vamos os proteger antes de tudo, mas vamos tentar proteger o
equipamento também.
— Mas não existe um alerta para isto.
— Cumpra a ordem Administrador, não discuto referente a
sobrevivência.
Lucas olha meio a contragosto para tudo, ele queria ter calma
para as coisas e parecia que não teria.
Tentando manter a mente aberta, poderia ser drástico de-
mais, poderia não acontecer como o I48 falou, mas as vezes temia
não acabar o que começara, pega sua roupa normal, põem numa
mochila, ajeita o tênis, já era noite, olha o cronometro no pulso, e
sai a rua, correndo no sentido de sua casa.
O autômato Administrador olha o rapaz e olha outros autô-
matos, olha as imagens e busca os dados de supervulcões, o rapaz
chegara a uma meta muito rápido, as vezes desconfiava que aquele
rapaz era um autômato pois ele parecia abrir caminhos na logica
que para ele, pareciam ilógico até somar os dados.
O administrador olha os dados que parte do Forte St. Jean
desabou para o mar após a replica do tremor, que algumas constru-
ções mais antigas tinham sentido o abalo e a prefeitura local estava
recomendando isolar.
Lucas corre vendo algumas casas rachadas, olha para o seu
prédio, novo, programável, sabia que isto dispendia uma energia
que a maioria das pessoas ignoravam existir no prédio, mas cada
átomo que construíra o prédio, guardava um resquício da energia
para concertos e reequilíbrio.

30
Lucas nunca vira tantos vizinhos, eles estavam do lado de fo-
ra, talvez o tremor os tenha deixado com medo, Lucas olhou um
autômato de serviço a porta e este falou.
— Senhor, estamos evacuando, tem risco real.
— Qual o risco I49?
O autômato o ignorou, então ele entra na portaria, o autôma-
to não parecia preocupado com os humanos e sim com a saída dos
Administradores.
Lucas chega a central de informação, conecta via ondas seu
CEL ao sistema e começa a pedir informação.
O sistema começa a afirmar que um sistema de liquidificação,
do terreno abaixo, havia afundado uma serie de bases, primeiro
desvia os pesos do prédio, mudando os volumes de agua, o autôma-
to a porta olha para ele, pois o prédio voltou ao prumo, os humanos
nem perceberam a diferença, mas os autômatos percebiam milíme-
tros de diferença, quando o predo tendeu 22 milímetros, eles co-
meçaram a dar ordem de evacuação.
Um senhor chega ao lado de Lucas e pergunta.
— O que está fazendo, os Administradores parecem ter para-
do de evacuar.
— Abaixo de nós, o tremor fez uma serie de agua e areia se
misturarem e correrem a leste, este deslocamento subterrâneo,
tirou a sustentação de 22 bases do prédio, nada que o derrubasse,
mas estou reorganizando os pesos, e verificando os danos a estrutu-
ra.
— Você construiu este prédio que sabe disto?
— Eu o projetei, mas nunca havia sabido de um tremor de oi-
to graus em Marselha, mas temos de entender que as replicas de-
vem somar mais estragos que os abalos iniciais, os iniciais tiram as
coisas do lugar, dai com prédios desequilibrados, começam a sobrar
mais os pequenos abalos subsequentes.
— E a empresa que construiu os prédios vai verificar todos
eles?
— Senhor, eu não trabalho mais na empresa que construiu o
prédio, mas eu moro no vigésimo andar, se o prédio inclinasse mais
12 milímetros, o prédio não teria equilíbrio e começaria a desmoro-
nar, então estamos salvando nossas coisas senhor.
31
O senhor olha para o autômato e pergunta, era um I49, algo
bem mais eficiente em cálculos que um humano.
— O que ele quer dizer com se tivesse inclinado mais 12 mi-
límetros?
— Senhor Hector, o prédio tendia 9 milímetros por hora, des-
de os abalos iniciais, ele havia tendido 22 milímetros, não sei o que
o rapaz fez, mas a inclinação esta recuando, devemos em meia hora
voltar ao equilíbrio inicial, mas se a inclinação continuasse, todo o
peso seria forçado sobre as poucas colunas do lado de cá, elas arre-
bentariam e o prédio cederia rapidamente.
O senhor olha Lucas e olha o autômato e pergunta.
— E porque um humano tem de fazer isto, não saberia calcu-
lar isto, precisamos ter de esperar um rapaz de nada para solucionar
um problema que vocês são mais eficientes para calcular o desiqui-
líbrio?
Lucas não olhou para o senhor, olhou o autômato e pergun-
tou.
— Verifica com os moradores, se temos como levantar a so-
ma em dinheiro para 22 quilos de Flouts, é o que precisamos para
esticar a estrutura de vigas até a profundidade da rocha, evitando
assim que qualquer outro abalo derrube o prédio.
— Sabe o valor do quilo do Flouts? – O senhor.
— Este valor dividido por 120 proprietários, é menos de 0,5%
do valor do seu imóvel, a escolha é simples senhor, ou concertamos
agora, ou vamos aproveitar a estabilidade, e desocupar o prédio,
pois os institutos de previsões tem mais de 12 replicas entre hoje e
amanha a tarde, se não vamos concertar, melhor salvar o que te-
mos, pois o prédio vai cair.
O Autômato Administrador ao lado, se comunica por sistema
e os demais autômatos explicam aos proprietários as duas alternati-
vas, o Autômato olha para Lucas e fala.
— 102 deles concordam em comprar o produto.
— Pede para providenciarem na próxima hora, vou calcular as
vigas enquanto providenciam o material.
O senhor olha para Lucas, ele parecia não querer ceder, mas
sabia que a colocação foi dada por um autômato que muitos consi-
deravam dos mais avançados, pois os I50 eram raros ainda.
32
Lucas programou o sistema, e logico que ali havia uma ausên-
cia de material, como se não tivessem feito a base daquele lado,
mas ele não falaria isto, e não teria como contestar isto, as bases
nunca fora ele que calculara, ele erguia os prédios já sobre bases
que em teoria, estavam lá.
Meia hora após, os autômatos trouxeram dois sacos, em cada
um deles, 10 quilos daquele material que muitos chamavam de
revolucionário, Lucas desceu as bases do prédio, olha para o autô-
mato e fala.
— Fica entre nós.
— Problemas?
— Alguém não fez as bases do lado de cá como deveriam,
vamos instalar algo, que deveria ter sido colocado aqui antes de
erguido o prédio, então esta chegando uma parte do material ai, e
preciso de ajuda para instalar.
Lucas, assim que terminou os cálculos, programou 12 autô-
matos de sua obra para pegarem os sistemas de resfriamento de
fusão, que eram a base de nitrogênio, e trazerem ao local, o autô-
mato viu aqueles autômatos de serviço, colocarem grandes tubos
ligando o que deveria ser a estrutura, e o piso, eles fizeram força um
bom tempo para ajeitar, todos saem da parte baixa e o autômato
viu Lucas acionar o sistema de resfriamento e a região ser tomada
por gelo, os tubos colocados ficaram isolados, e o prédio sobre os 6
milímetros que precisava, ele coloca junto a viga o material que
começa a trocar de lugar com a viga, que se estica para baixo pelos
tubos colocados no local, fixando sobre a rocha abaixo.
Lucas olha para a estabilidade, o espaço aberto era grande,
não teria terra para preencher, ele desembolsa 20 quilos a mais de
Flouts e se formam paredes e uma área de reserva para desastres,
poucos viram aquilo, além do autômato Administrador do sexto
andar, que parecia tenso quando ele chegou, agora parecia mais
calmo e mais centrado nos problemas. Os autômatos de serviço
saíram, o senhor que pensou que o rapaz era um pé-rapado a vida
inteira, viu que ele tinha mais autômatos que ele, mais equipamen-
to que muitos, Lucas agradeceu a ajuda ao Administrador, sabia que
estava agradecendo a todos que se mobilizaram ali e subiu ao seu
apartamento, coloca a mochila ao canto e vai a um banho. Lucas
33
olha para os dados e não se conformava, ele comprara aquele apar-
tamento como parte do acordo, e o mesmo não fora feito para re-
sistir a nada, levaram sorte dele não desmoronar, Lucas olhava os
cálculos, pois correra para lá apenas após todos os problemas resol-
vidos na pedreira, ele acreditava que o prédio resistiria com sobra, e
se surpreendeu negativamente com ele. Lucas olha algumas noticias
e tenta dormir.

34
Lucas acorda assustado com
mais um pequeno abalo, liga as
noticias e tinham dados assusta-
dores de varias cidades na Itália,
França, as imagens de dois prédios
em Provença desabando e um em
Toulon davam o destaque da hora, a cada momento a informação
passava a uma cidade atingida, o principado de Mônaco estava em
estado de Calamidade Publica, mas quando as informações vinham
da Itália, estavam em um plano de evacuação de toda região de
Campânia, mas a região de Nápoles, a maior cidade da Campânia,
eram somas de pessoas tentando sair em meio a cidades destruídas,
exercito abrindo caminho em estradas que afundaram, prédios caí-
dos, um caos.
Lucas vai ao seu emprego, estava começando e não poderia
faltar, ele estava encantado por um emprego simples, dava para
comer.
A proprietária perguntou se sua casa caíra, se estava bem, es-
tranha esta presteza, pois seus antigos patrões nunca nem se in-
formaram nada sobre sua vida. Lucas evita falar onde mora, sabia
que sua situação financeira não estava muito boa, e gastara para
manter seu prédio de pé, estava precisando acalmar, quando em
meio a tarde, olha para a proprietária assustada.
— Problemas Tiffany?
— Acabam de determinar um plano de evacuação para cida-
de subterrânea a todos que tiverem condições.
— Tiverem condições?
— Eles vão priorizar os que tem dinheiro, e vão colocando pa-
ra dentro, mas parece que confirmaram que a ameaça na Itália po-
de vir a explodir.
— Mas já foi dado o alerta? – Lucas reparando que a calma na
rua contrastava com o susto da senhora.
— Meu marido trabalha na prefeitura, o prefeito está lá estu-
dando as formas de evacuação, meu marido falou que eles tem um
35
plano de contingencia, que está sendo colocado em pratica em toda
cidade Francesa com mais de 50 mil habitantes.
— Plano de Contingencia?
— Uma parte da cidade subterrânea que foi projetada para
grandes catástrofes.
Lucas tentou não sorrir, mas para ele isto era lenda.
Os dois dias seguintes foram de calma, parecia que até a se-
nhora tinha acalmado, dois dias de exercício, as noticias ainda trazi-
am dramas, poucos olhavam para ele, naquele fim de dia, ele olhava
para a noticia, voltando para casa em um ônibus padrão, olhando as
pessoas e ouve o autômato de outro dia lhe dirigir a palavra.
— Porque achas que deveríamos manter um tempo maior
por experiência, não me parece logico, já que a nova roupagem vai
me dar uma capacidade de pensamento maior.
— Boa noite – Lucas olhando o ser, ele já tinha se acostuma-
do que autômatos voltam a conversa que estavam mesmo que dois
meses após, isto no começo irrita, mas depois os força a ir a frente e
encarar como natural. — Não tenho realmente uma posição refe-
rente a isto, morrerei na casca que nasci, mas o que me força ir a
frente, é com os recursos mentais, físicos, que tenho, tentar enfren-
tar o mundo da melhor forma possível.
— Mas desenvolver métodos para usar seu sistema falho de
formas mais eficiente, é inerente aos humanos, vocês não conse-
guem fazer diferente, embora vejo seres implantando partes a mais
de memoria e estrutura, mas entendo você o fazer, não entendo
porque um ser da linha I deveria o fazer?
— Suposição apenas, quando falei aquilo ignorava que vocês
são seres que passam de um conjunto para outro, já deveriam ter
me falado aquilo, mas não tinha absorvido, mas mesmo assim, acho
que o enfrentar com recursos mais escassos lhes provém uma chan-
ce de ultrapassar os demais quando em uma linha I mais avançada.
— Apenas uma suposição?
— Diria intuição, mas me bato a explicar o que considero uma
intuição.
— Aquela palavra que significa adivinhar?
— Não, adivinhar é chute, você tem duas ou mais probabili-
dades e chuta uma, quando acerta, é adivinhar, intuição é o que me
36
estabelece um caminho, mesmo irracional que me leva a uma exe-
cução acima do padrão humano.
— Um exemplo?
— Eu sou um humano, e na adolescência, em minha forma-
ção, me veio uma duvida, do que é feito toda a matéria, e lhe falam
de micropartículas que formam um átomo, você as estuda e desco-
bre que algumas em particular, entre elas os quark e os glúons, dai
você verifica que assim como o quark lhe dá respostas que se pode
interpretar como positivas e negativas, elas em associação com os
glúons, você consegue adulterar a estrutura da célula e assim a
transformar em outra manipulando-a por eletromagnetismo, as
programando, mas quando estudei isto, me veio uma pergunta e
uma intuição, a intuição que o ser humano conseguiria programar
aquelas partículas para executassem o que ele queria.
— Acha possível programar a nível celular?
— O sistema Flouts, foi feito baseado bem nesta intuição.
— Soube que alguns I50 conseguiram calcular e programar o
Flouts, mas nunca soube que foi a nível celular.
— Em nível de particular, mas se todos tivessem acesso aos
métodos da Flouts, com certeza eles não estariam fazendo fortunas.
– Lucas.
— Então você sentiu que dava, mas não tinha capacidade de
o fazer, e hoje vê que nós conseguimos, isto que chama de intuição?
— Alguns usam palavras mais complicadas, mas sim, isto que
chamo de intuição. – Lucas olha a imagem daquela rocha crescendo
no meio da baia e fala. – Minha intuição diz que vai explodir, mas
como não entendo de geotermia, fico apenas na intuição.
— Alguns sistemas estão temendo esta explosão, saberia por
quê?
— Porque supervulcões lançam acido sulfúrico no ar, em for-
ma de gás, nós humanos morremos se respirarmos isto, vocês, suas
peles que absorvem energia morrem se expostas a grande quantia
de acido, mas acho que o problema seria bem pior.
— Pior do que morrermos?
— Soube que existe um sistema de proteção, dizem os políti-
cos que estão preparando cidades subterrâneas para abrigar uma

37
sobrevivência, mas uma vez explodido, geraria uma mini era do
gelo, isto pode os tornar a única espécie inteligente no planeta.
— Mas somos a única espécie inteligente.
— Primeiro ponto para perder uma guerra, é considerar ela
ganha, e enquanto vocês tem medo de desenvolver algo mais inteli-
gente que vocês, nós vamos melhorando vocês a cada vez, estranho
a parte evolucional ficar com os menos inteligentes.
Lucas estava provocando, mas chegara seu ponto e se despe-
de, saindo do ônibus.
O ser olha outro que chega ao lado.
— O que tanto conversa com este Humano?
— Ele tem aquilo que os demais já não tem, olha em volta,
seres perdidos em seus mundos, em corpos pouco definidos, garan-
to que um rapaz daquele resistiria a uma corrida a 20% dos nossos.
— E o que isto o transforma em especial.
— Ele não tem medo de nós, ele olha-nos aos olhos, não es-
conde as emoções, sabe que os demais tem medo de nos mostrar o
que sentem.
— Mas porque o interesse?
— Aprendendo, ele usa daquilo que falávamos, intuição, ele
me afirmava que o supervulcão que todos os humanos estão rela-
tando, embora poucos deram bola antes dos últimos tremores, po-
dem matar a nós, depois de ter os matado a toda volta.
— Motivo?
— Gazes sulfurosos, eles se respirados pelos humanos viram
acido nos pulmões, em nós, teríamos de nos desfazer da pele para
não a matar, mas sabemos que toda a nossa estrutura foi forjada
em formas mais auto sustentáveis, isto nos tirou a força dos metais
pesados e nos colocou entre fibras de vidro e carbono, em nossa
estrutura corpórea, ambas afetadas violentamente pelos gazes sul-
furosos.
— Vai relatar os demais.
— Todos nós ouvimos isto, mas entendi que a preocupação
deles é que o evento parece grande, maior do que eles conseguem
administrar.
— Eles são seres primários, tem de ver que os medos deles
são bem estranhos.
38
— Vou relatar, cada I50 que administre se quer ou não levar a
serio o problema.

39
Lucas acorda em uma ma-
nha normal, o céu estava mais
azul do que o normal, ele faz os
exercícios normais pela manha,
uma ducha e pega a bicicleta para
ir trabalhar.
Ele chega a lanchonete, organiza toda a execução dos pratos
e olha para a proprietária, ela estava estranha.
Lucas vê ela pegar os créditos no caixa, alguns documentos e
olhar para ele.
— Quando derem os alarmes, fecha e vai para casa.
— Que alarmes?
A senhora não respondeu, pegou um veiculo de condução
pessoal e foi no sentido do centro, Lucas fica a pensar no que estava
acontecendo.
Algumas pessoas perguntaram dela, mas não tinha como sa-
ber ao certo, tinha uma intuição, que ela fora para a cidade subter-
rânea, algo deveria estar acontecendo, era perto do meio dia,
quando todos a volta sentem o chão tremer violentamente, Lucas
viu as pessoas se colocarem abaixo das mesas, e esperarem parar,
com o sistema que colocara para prende as panelas, não caiu nada,
os clientes sentem aqueles veículos a rua, não eram veículos nor-
mais, eram na cor negra. Se via imensos autofalantes sobre eles e
começou a tocar uma sirene chamando a atenção, ele olha em vol-
ta, se ouvia o som vindo de todos os lados.
“Todos os moradores ouçam, estamos decretando toque de
recolher, a partir de uma hora deste toque, todos deverão estar em
transportes para suas casas, a desobediência será tida como Infra-
ção Grave, o monte que se formou em Pozzuoli acaba de entrar em
erupção, todos para casa, recomendamos ficarem longe das janelas,
se puderem cobrir os sistemas de obtenção de sol, indicamos os
fazer, todos em movimento.”
Voltou a tocar o alarme, e todo se olham, os casais começa-
ram a sair, Lucas não cobrou ninguém, pega as duas únicas coisas
40
perecíveis na geladeira e coloca em sua mochila, os clientes saíram
e ele fechou a porta, travou bem a porta, olha para o sistema de gás
e o desliga, olha os disjuntores da rua, os desliga, abre a caixa e
desliga os fios vindos da rua, provavelmente não abriria rapidamen-
te, olha para os autômatos a rua perdidos, mas repara que um sis-
tema de ônibus parava nas casas e os autômatos acima da linha I45
estavam embarcando, mesmo vendo uma senhora bem ao fundo
gritar que não era hora de ir fazer compras.
Olha para o céu, ainda azul, sol morno, Lucas olhava em volta,
tentava se localizar, pega sua bicicleta e caminha pelo caminho para
casa, chegaria lá antes da hora determinada.
Os rostos assustados estabeleciam que algo tirou eles da to-
mada, olha para o CEL, ainda com sistema, mas sem aplicativos de
conversa, deveria fazer parte dos planos de evacuação.
Lucas sente a rua balançar e desce da bicicleta e senta-se ao
chão, o tremor foi muito forte, ele ouve um som antes do fim do
tremor, ensurdecedor, se viu os vidros altos se desprendendo, e
caminhou até a cobertura de uma rua, uma criança sai pela porta
assustada, e ele a segura, a criança ia reclamar, sua mãe chega as-
sustada, e olha eu segurando seu ombro, e olha os vidros despeda-
çando-se na rua e fala.
— O I50 disse que o prédio vai tender a leste.
Ele faz sinal para ela ir pela marquise, andam girando no sen-
tido oposto e veem os demais saindo assustados, ele olha para a
rua, já não caia vidros, então foi a rua e se afasta e a senhora pega o
filho e faz o mesmo, as pessoas foram se afastando do prédio que
começa a tender violentamente, e parece se dobrar, uma constru-
ção antiga, ainda em vigas de metal, a cidade ainda tinha muitos
prédios assim.
A poeira se ergueu.
Um segundo tremor sente-se, se viu os ônibus parando a rua,
os carros parando, e ao fundo, olhando para a parte central da ci-
dade, o grande Velodrome estalar e se desfazer, se via outros pon-
tos sumirem ao longe, Lucas pega sua bicicleta e desviando os entu-
lhos continua no sentido de seu apartamento.

41
O chegar a portaria, se via os dois prédios ao lado desabados,
e sentiu mais um tremor, entra no prédio e um senhor assustado
olha para ele.
— Os autômatos saíram sem dar explicação.
— Eles estão se protegendo, eles querem sobreviver, mas é
hora de manter a calma e tentar proteger as janelas dos prédios, o
que virá a seguir é poeira, da bem fina, que entra por todas as fres-
tas.
Uma senhora olha para Lucas e fala.
— Mas os autômatos não estão ai para o fazer.
— Quem não proteger seus apartamentos, vai morrer, pri-
meiro a poeira, depois gás toxico.
Lucas encosta a bicicleta na portaria, ele normalmente teria
subido de elevador e levado a bicicleta, mas não pegaria um eleva-
dor naquele momento.
Lucas começa a subir as escadas, alguns desciam assustados,
ele sobe e olha para a senhora a frente assustada. Se abaixa, toma
folego e olha para a senhora.
— Pensei que a ordem era se apresentarmos na entrada da
cidade subterrânea.
— Ainda não mandaram instruções pessoais senhora, tenho
quase certeza que vão chamar aos poucos.
Lucas entra em seu apartamento sem falar mais nada, preci-
sava tomar folego, mesmo achando-se em forma, seu coração esta-
va acelerado, 20 andares rapidamente lhe tiraram a força das per-
nas, ele senta-se rapidamente, olha pela janela para o leste, olha
aquele circulo cinza vindo, abre os armários e começa a pegar todas
as toalhas e tecidos.
Começa fechando as janelas, não teria tempo de proteger as
películas, então começa a vedar com tecido os cantos das janelas.
Foi a porta de serviço e a vedou, fechou bem cada uma das
janelas, olha para a porta da frente e veda os cantos, não era hora
de sair de casa, liga o sistema de informação e todos os canais, mais
de 300 davam uma imagens de fora do ar, e um contador regressi-
vo, ele olha para fora e soube que estaria sem comunicação em
breve.

42
Acessa o sistema do seu administrador na obra, dá as ordens
de recolher tudo, isolar a parte interna, e preparar os purificadores
de gazes.
Lucas senta-se, as pernas estavam reclamando, os músculos e
os nervos estavam em frangalhos.
Lucas sente o ar forte atingir as janelas, ouve gente gritando
na parte de baixo, ouve os gritos da parte de baixo, ele ou sobrevi-
veria ou ajudaria nesta hora.
Lucas estava cansado, mas olha o relógio, ele chegara em ca-
sa em uma hora, estava dando uma hora, e ouvia os gritos, eles não
teriam como alertar o todo, mas deveriam ter uma estimativa.

43
Lucas vê tela de comunica-
ção que dava uma contagem re-
gressiva, chegar ao zero e uma
imagem do presidente Frances
entrar na tela, ele olha ao fundo,
deveria estar em uma cidade sub-
terrânea. “Povo Frances, estamos passando por uma crise, estamos
acionando um sistema de apresentação aos pontos de entrada da
cidade subterrânea, vamos acionando as pessoas para entrarem por
seus comunicadores pessoais, pedimos para que se apresentem a
região de entrada com pelo menos duas horas de antecedência,
estamos organizando as coisas, então peço calma, as chamadas
começaram pela manha, não nos adianta forçar deslocamento por
ruas sendo tomadas pela poeira, recomendamos isolar as casas,
evitar inalar o ar lá fora sem uma mascara, ainda não temos todas
as informações sobre o evento, mas estamos providenciando a reti-
radas das pessoas. Peço coragem e determinação, mas se protejam
e estejam nos locais de entrada pela manha.”
Lucas sente o gosto acido na boca, entra no banheiro, e pega
uma leva de toalhas, faz uma armação no centro da peça, coloca
seu colchão lá, coloca a lona do seu parapente sobre, coloca as toa-
lhas molhadas sobre o local, pega seu equipamento de mergulho, e
coloca naquela pequena barraca, ele traz cobertas, e fecha a entra-
da, ouvia as noticias, mas agora sentia o ar filtrado nas toalhas, a
tensão não o deixou dormir. Lucas pega seu comunicador, as linhas
estavam isoladas, ele achou melhor não forçar uma, poderiam estar
precisando mais que ele em outros lugares.
Lucas adormece naquela cabana no centro da peça.

44
Lucas acorda assustado, se
bate nas cobertas, demora para se
localizar, o cheiro de pó no ar,
olha em volta, olha para fora da
cabana em meio a sala, sente o ar
pesado, olha para o tubo de oxi-
gênio, sabia que ali não tinha mais do que meia hora de oxigênio,
então era para urgência.
Vai ao quarto, pega uma roupa ao armário, olha para o chu-
veiro, liga e verifica que está sem aquecimento da agua, se aquece e
entra na ducha, pensando que talvez fosse um dos seus últimos
banhos em dias, ele não sabia como seria os alojamentos na cidade
subterrânea.
Tinha certeza de que não seria o luxo dos que lá moravam,
deveria ser uma área a parte.
Se estava acima, entendia que muito do que existia de luxo
na parte de baixo, teria de ser contida, pois os filtros não consegui-
riam filtrar toda aquela poeira, se veste, põem uma roupa emborra-
chada, sobre a roupa normal, se olha ao espelho, ficou estranho,
muitos olhariam para ele, mas teria de se proteger, pega uma leva
de algodão e improvisa algumas mascaras bocais, se teria de ir a
parte interna, teria de caminhar até o centro.
Pega algumas garrafas de agua, a geladeira, o não acender
dela dizia que a energia estava baixa, sistemas todos a calor e ener-
gia, em apartamentos era o normal, então não teria como cozinhar,
olha duas frutas, coloca na mochila, tenta pensar racionalmente, e
abre a porta, ele tirou a proteção e ouviu um choro baixo, abre a
porta e olha uma menina, deveria ter uns 12 anos, encostada a pa-
rede da senhora ao fundo, a poeira tomava a região, ela estava toda
coberta de poeira, chega a ela que se bate e fala assustada.
— Me larga, me larga.
Lucas a largou, olha para ela assustado, ela parecia com os
olhos inchados, teria de os lavar, e fala bem calmamente.
— Calma, está bem?
45
Ela parecia não conseguir ver direito, ouviu o som e fala.
— Quem é você, o que quer?
— Estou saindo do prédio, vou a região de cadastro, o que faz
aqui?
— Eles tentaram me... – ela não fala - ...pegaram meus pais.
— Eles quem?
— Os sistemas de identificação, disseram que teríamos de
voltar para casa, mas nossa casa não existe mais.
— E o que eles recomendaram?
— Eram autômatos de guerra, eles apenas atiraram, eu não
sei, eu sai correndo, quando meu pai disse corre.
Lucas fica a pensar, os sistemas diziam para as pessoas irem
para casa, lei marcial, mas se as casas desabaram, eles não teriam
casas, autômatos de guerra a rua, sinal que teria problemas.
— Tem de lavar os olhos, senão vai perder a visão.
— Estão ardendo. – Ela foi coçar e ele apenas segurou a mão
dela.
— Quanto mais coçar pior vai ficar, entra aqui e vamos lavar
seu rosto.
A menina olha assustada e olha o rapaz abrir a porta, ela en-
tra no apartamento, comparado a parte externa, diria que estava
limpo, as janelas estavam com uma camada cinza que parecia dar
uma cor estranha ao apartamento de paredes brancas.
Ele indica o banheiro, foi em seu quarto e pegou uma camisa
limpa e uma roupa mais pesada, pois teriam de ir a região de entra-
da da parte baixa da cidade. Sentia que esfriava.

46
A menina estava ao banhei-
ro, ele indicou o quarto para ela
trocar de roupa, por algo mais
limpo, ele acessa seu CEL, lembra
do que sua empregadora falou,
que eles selecionariam, então
teriam de estar preparado para comprar uma entrada.
A cara de desilusão de Lucas era grande.
Lucas olha seu sistema que lhe afirma que não existiam crédi-
tos suficientes para que conseguisse uma saída da cidade, e se não
estava bom ali, teria de ir no sentido das cidades do Atlântico. Pois
os com credito teriam preferencia as cidades subterrâneas, e sem
créditos teria de sobreviver primeiro e depois caminhar para Oeste,
e pelo jeito, já de cara teria uma responsabilidade que nunca teve.
A menina aparece na porta e olha para ele assustada.
— Não podemos ficar aqui?
— Se eles vão isolar a área, temos de ir a região de entrada
das cidades subterrâneas.
— Acha que meus pais sobreviveram?
Lucas olha para ela e fala serio.
— Para saber isto teria de estar lá, e talvez estivesse pior que
agora, meu nome é Lucas.
A menina olha para ele e fala.
— Mary.
— Teremos de caminhar, mas não quer dizer que terá vagas
para todos, podemos ter de ir até lá, e de lá improvisar algo, mas
esta região da cidade não é segura.
— Porque acha que não é segura?
— Se começar a pegar fogo, todos os apartamentos se desfa-
zem, eles são feitos de Flouts, bons para erguer, bons para se man-
ter, mas sem energia, eles secam e desabam, o que tem lá fora é
acido, então – Lucas estica para ela um óculos de natação – Tem de
proteger os olhos, ainda estão inchados, tem de tentar não coçar.
— Você parece que vai mergulhar.
47
— Eu estou tentando parecer estranho, firme, mas estou as-
sustado Mary, mas vamos tentar não demonstrar que estamos as-
sustados aos demais.
— Certo.
Lucas alcança uma daquelas mascaras que fez para por em
sua boca, e ela olha para ele serio.
— Estava aqui fazendo tudo isto enquanto eu sofria lá fora?
— Eu estava pensando, as vezes a verdade é pior que a teoria,
então vamos, quer me julgar, vai perder tempo menina.
Lucas olha pela janela e vê um veiculo chegar a parte baixa,
sabia que seria um esforço extra, sentam-se e ele divide com ela as
frutas, se iriam caminhar, comer algo antes e tomar uma agua era
essencial.

48
O prédio que morava, ao
centro de Marselha era de um
nível que ele não tinha mais, en-
tão ele viu as pessoas saindo com
seus sistemas de Administradores,
sinal que nem todos os Adminis-
tradores saíram, ele pensou antes que todos estariam sem este
reforço, viu pela janela que um dia foi translucida do prédio o mes-
mo sendo evacuado, os sistemas de obtenção de energia iriam pa-
rar totalmente em horas, o avanço no sistema de captação de ener-
gia solar, transformou prédios como o que ele vivia, em verdadeiras
fabricas de três tipos de energia, solar por todos os lados, eólica,
com sistemas que captavam o vento que atravessava o prédio, e
térmica, que usava o subir da energia quente, como uma fonte reu-
tilizável.
Mas neste instante, as placas estavam todas tomadas de cin-
zas, e começam a descer pela escada, a imagem de pessoas caídas a
escada, fez a menina olhar para eles, mas não eram os pais dela, ele
não falaria isto, mas sabia que se eles estabeleceram toque de reco-
lher, teria de saber as ordens, precisava de uma região que tivesse
ainda a informação, e uma fonte de energia.
Ele quase foi impelido a ir a sua pedreira, mas ele falara para
eles se isolarem, e abrir isto agora, poderia ser perder os sistemas
de fusão, seus planos ao futuro distante eram mais importantes que
sua própria vida.

49
Lucas e a menina chegam a
parte baixa, viram sistemas de
transporte especial retirarem os
senhores mais ricos, ele olha que
os demais foram sendo tirados,
viu que ele sem créditos foi assim
com alguns colocado de lado, pois os demais sairiam antes.
Ele espera eles se afastarem, a menina estava as suas costas,
então soube que eram aqueles autômatos de guerra que atacou o
grupo dela.
— Eu não quero ir com estes. – Ela resmunga.
— Não vamos com estes, tenta manter a calma Mary. – Lucas
vendo alguns olharem para ele, para a menina e fala.
— Vamos a praça a frente, eles falam que a seleção de entra-
da vai ser mais a frente.
O chegar de gente por todos os lados, gente ferida, gente
com os olhos irritados, gente que respirava aquele ar toxico, e não
havia um sistema de recepção, apenas uma leva de veículos com
autômatos de guerras sobre eles, um cordão de isolamento e uma
fila de entrada, se via as filas gerarem grande tumultuo, Lucas olha
para Mary e fala.
— Vamos observar antes.
— Mas não disse que iriamos entrar?
— Eles estão fazendo uma analise financeira, quem tem cré-
ditos está entrando, quem não tem, eles estão deixando em filas
laterais, mas não gostaria de estar em uma fila daquela, com você
ao lado, e algo acontecer, seriamos pisoteados.
— Você parece saber o que vai acontecer?
— Acho que não vamos entrar, não tenho credito nem para
mim, imagina para nós dois.
— Vai me deixar aqui?
Lucas sorriu, ele não falara isto.
Lucas olha o sistema de veículos sair um a um, ele olha para
os poucos que ficaram, mas a frente deles estava a praça, havia
50
alguns policiais lá verificando quem poderia entrar, e quem não
poderia entrar, sendo ríspido aos demais, viu que mesmo os autô-
matos mais antigos, foram sendo barrados, algumas famílias inteiras
não seriam conduzidos ao local de entrada, viu alguns reclamarem,
e viu aqueles autômatos contarem enquanto as pessoas recuavam,
quem não recuou, foi abalroado por uma leva de tiros.
A menina as costas parecia mais assustada.
— Não quero mais entrar. – Mary.
Aquela leva de seleção, estava lenta, ele olha em volta, olha
para o céu ficando mais cinza, começa a sentir os grãos secos de
poeira caindo do céu.
— Vamos voltar. – Lucas a olhando e lhe esticando a mão.
Lucas começa a sair no sentido de seu prédio, e um autômato
mais antigo para a sua frente.
— Porque não quer sair?
— Em horas não teremos mais como sair, em dias, não tere-
mos sol para interagir, tenho de proteger meu cubículo, vou me
inteirar do problema, mas tenho de verificar se o eólico não para,
senão vamos congelar, eles não terão como nos tirar por ar dentro
de minutos, então nem os com pouco credito, muito menos eu, com
créditos alimentares vamos conseguir sair.
O autômato olha para outro, sistemas que obrigaram o ser
humano evoluir mentalmente, pois seus sistemas tinham mais pro-
cessamentos que 10 humanos evoluídos juntos, mesmo aquele sis-
tema mais antigo, o ser faz os cálculos e começam a comunicar as
pessoas que deveriam voltar aos apartamentos, talvez somente
nesta hora o senhor ríspido que barrava os sem créditos, entendeu
que ele também não sairia.

51
Lucas entra em seu aparta-
mento e olha para as frestas, as
películas para absorção de energia
solar, todas tomadas pela poeira,
ele abre rapidamente uma das
janelas e coloca uma câmera ex-
terna, faz isto na outra janela, teria dois lados da cidade.
Ele olha a menina e pergunta.
— Como está?
— Você mudou de ideia.
— Acho que se os demais olhassem em volta, reparariam que
os mais ricos, nem estavam mais em seus prédios, eles já tinham se
recolhido.
— Esta dizendo que nos deixaram para morrer?
— Não, que eles escolheram quem sobreviveria, e apenas não
falaram para os demais que escolheram.
— E porque fariam isto?
— Não ter como proteger as pessoas por um longo período,
então preciso de ajuda, me ajuda?
— Sim, mas o que vamos fazer.
— Os ventos estão fortes, mas precisamos de um sistema de
energia, as placas solares, esquece, as baterias dos autômatos, es-
quece, então temos os sistemas eólicos, mas a poeira tende a im-
pregnar as engrenagens e pararem.
— E o que ganharíamos com isto?
— Me ajuda?
— Você não usa o elevador?
— Quando achar seguro, usarei.
A menina sente o apartamento tremer mais uma vez.
— Este prédio aguenta? – Ela olha Lucas serio – Não disse que
não era seguro?
— Pensei em ir para a região subterrânea, vi que não nos
permitiriam ir longe, se estivesse sozinho, caminharia a Oeste, mas

52
vi que teriam muitos me seguindo e morrendo no caminho, melhor
improvisar.
Os dois vão ao decimo quinto andar, era um andar mais largo,
onde se via os seis tubos se erguerem, dando a sensação de que
estes 6 tubos seguravam a parte superior, mas eram os dutos dos
elevadores, dai haviam as grandes turbinas, Lucas viu que o ar ficou
pesado, ele caminha rente a parede, o vento estava forte, mas não
ouvia os sistemas girarem, ele chega a sala de comando e olha que
estavam desligados, estranha, aciona o sistema e as grandes turbi-
nas de vento, as 4 imensas turbinas começam a girar, Lucas olha
para as pás das hélices, viu que elas seriam corroídas, teria de as
manter mais tempo, precisaria um plano dois.
A energia volta ao prédio, o dia escuro por aquelas nuvens
pesadas fez o prédio brilhar em uma cidade escura.
Entram no corredor e viram um grupo de pessoas os olhando,
e Lucas apenas puxou Mary as suas costas e falou.
— Perdidos por aqui?
— Vocês tem luz, este prédio é dos ricos, devem ter aparta-
mentos abandonados, o que faziam ai?
— Vendo porque alguém tinha desligado o sistema eólico, um
prédio destes sem energia, não me serve para nada. – Lucas.
Outro olha para Lucas e fala.
— Não nos incomodando podem ficar por perto.
O grupo foi subindo, arrobando portas, as pessoas assustadas
foram sendo colocadas para fora de seus apartamentos, Mary olha
para Lucas e fala baixo.
— Você invadiu também?
— Eu sempre acredito nas pessoas, mas sempre me decep-
ciono, por isto, me mantenho afastado das pessoas.
Os sistemas estavam começando a recarregar, quando o gru-
po entrou no 17 andar, o que era um bando de valentes com velhos
e senhoras, vira um bando de covardes, pois os autômatos com
carga eram formas de defesa.
Lucas trava as portas e aciona o elevador.
— O abrir do mesmo, fez ele e a menina verem dois senhores
mortos ao elevador, eles estavam agachados com as mãos na boca,
provavelmente asfixiados, pois as bocas estavam abertas.
53
Mary olha o rapaz apertar o 20, o elevador subir. Lucas chega
ao vigésimo andar e olha os autômatos descendo pelas escadas.
— Invasores não são bem vindos. – O autômato.
— Moro no 201.
O autômato olha os demais e apenas passam por eles e Mary
olha serio para Lucas.
— Não vai defender os humanos?
— Eles tem de entender menina, que respeito se conquista,
eles viram as luzes e começaram a subir, mas o dia ainda não aca-
bou.
Lucas sobe agora pelas escadas até o trigésimo primeiro, a
cobertura, ele cobre a boca, a menina coloca o óculos e olham para
fora, ele olha para o céu cinza, olha para as rajadas de vento, olha
os sistema de antenas, chega a central de comunicação e inverte os
comandos de recebimento, ele estaria transmitindo para fora, a
situação da cidade. Descem ao apartamento do vigésimo e olham
aqueles autômatos olhando para ele.
— Problemas I28?
— Os humanos não sobreviverão lá fora, mas não nos dão al-
ternativa.
— Poderiam verificar qual os apartamentos estão desocupa-
dos, sei que o andar 6 e 7 os moradores foram evacuados.
— Não confiamos naqueles humanos.
— Eu recomendava proteger as janelas e portas de todos os
apartamentos, vamos passar por 4 ou 5 dias, muito terríveis.
— Certo, mas falaria com eles?
Lucas olha para Mary e fala.
— Vai ao apartamento, e tenta não por fogo nele.
Mary olha desconfiada, mas sabia que o rapaz parecia encarar
as coisas.
Lucas olha para um autômato, aperta o elevador e vai a área
baixa, a poeira não deixou o grupo que tinha homens e mulheres,
até algumas crianças se afastarem muito.
Lucas desce a garagem e olha para os autômatos.
— Por alguns dias teremos agua, depois teremos de improvi-
sar.

54
— Os estoques estão todos conservados, apenas vamos regu-
lar a comida. – Autômato.
Lucas olha para o local e sobe para a entrada do prédio e olha
para os rapazes e fala alto.
— Quem os lidera?
— Você não é invasor, você mora ai?
— Era funcionário até alguns seres retirados, mas não preci-
sam entrar em briga com os demais, o andar 6 e 7 estão livres, e é
melhor que do lado de fora.
— Não somos de aceitar migalha. – Falou o mesmo rapaz que
lhe disse que se não incomodasse poderia ficar por perto.
— Se todos pensam assim, retiro a oferta embora as crianças
não vão amanhecer ai fora, e não me culpem.
Uma moça olha para o rapaz e fala.
— Deixa de ser estupido Tomas, não vou ver mais uma filha
morrer. – Um outro falou.
— Porque só vocês tem luz?
— Porque estamos tentando sobreviver, e sem energia, não
temos agua, não temo comida depois de 4 dias, não teríamos nem
comunicação, para dizer que estamos vivos e esperando resgate.
— Eles não vão nos resgatar, não deve ter visto, os autômatos
atiraram em nós na noite anterior, depois atiraram nos que protes-
taram, e nos colocaram para fora agora do prédio.
— Eles que me propuseram ajudar, vocês que estavam colo-
cando os moradores que também foram deixados para traz, para
fora do prédio deles.
— São riquinhos.
— Sobreviventes, ou unimos forças, ou ninguém estará vivo
do lado de fora em 5 dias.
— O que sabe que vai acontecer?
— Isto que esta sentindo a língua, este ardido, vai virar acido
quando começar a chover, dai quem estiver do lado de fora morre.
— Você é jovem para ter um apartamento ai, trabalhava para
quem?
— Difícil ver um atendente de lanchonete em um apartamen-
to deste, mas as vezes acontece.
— E sua patroa, esta por ai?
55
— Ela nos deixou trabalhando e falou para fechar tudo quan-
do fosse dado o alarme, perguntei que alarme, ela não falou nada,
apenas saiu, e todos sabemos o que aconteceu depois, duas horas
depois.
— Esta dizendo que os ricos já tinham se recolhido? – Outra
moça.
— Provavelmente sim, se repararem até os autômatos que fi-
caram, são os mais antigos.
— Vamos aceitar o local para ficar, mas com esta luz acessa,
atrairá mais gente.
— Amanha começamos a ver onde os colocar, pois ainda me
parece cedo para dizer que sobrevivemos.
Lucas sobe e passa pelos autômatos, olha para Mary e per-
gunta.
— Como acabou aqui menina?
— Eu não sei, eu corri pela rua, vi os autômatos chegando na
parte de baixo, e logo após um ar quente, que parecia queimar na
pele, eu subi as escadas até onde consegui.
Lucas olha as pernas da menina e fala.
— E como está?
— Doido.
— Vou separar uma roupa, agora com luz, vai conseguir to-
mar um banho, e passamos um cicatrizante nas pernas.
— Você parece preparado para o fim do mundo.
— Não, eu sou sistemático, já fiz muitas coisas na vida, mas
pular de paraquedas me faz ter alguns paraquedas, mergulhar me
faz ter algumas roupas de mergulho, escalada me faz ter força para
levantar meu corpo por fora do prédio, mas tudo isto, é apenas
hobby, que pelo jeito vai virar sobrevivência.
A menina foi ao banho, ele alertou que já estava demorando,
e desligou a chave da luz, e a menina saiu com cara de poucos ami-
gos, mas estavam tendo de racionar agua, e banhos demorados não
faziam parte. Ele passa a pomada cicatrizante na perna da menina, e
os dois dormem ao meio da sala, naquela barraca, ela não enten-
deu, mas era para não respirarem o gás mais do que necessário e se
isolarem do pó o máximo possível.

56
Mary acorda na cabana,
meio confusa, se localiza, se ajeita
e olha para fora da mesma e vê o
rapaz a olhar para fora.
— Problemas?
— Daqui dá para ver os sis-
temas de entrada da cidade subterrânea, eles a lacraram, eles não
querem ninguém mais por perto.
— Isto lhe preocupa? – A menina se esticando.
— Me preocuparia se estivesse lá dentro, acho que adoro es-
calar, para me sentir livre, adoro mergulhar para entender a com-
plexidade do mundo, adoro saltar de parapente, ou com roupa de
voo, para sentir os limites deste corpo fraco, mas que me levará ao
futuro, então tenho de cuidar dele.
Lucas olhava por um vão aberto na poeira do vidro, ele deve-
ria ter aberto a mesma para fazer aquela limpeza, a menina olha
que tem fios que vinham pela fresta da janela, e ligavam na tela ao
fundo.
— O que ligou ai?
Lucas sorri e liga a TV e olha para o apartamento por fora em
dois ângulos.
— Desconfia de algo?
— Que teremos problemas, se não conseguirmos ou sair da
cidade, ou nos proteger.
— Por quê?
— Se estivéssemos no centro, estaríamos fugindo do fogo –
Lucas aproxima a imagem que dava o centro, e a menina vê que os
prédios pegando fogo ao centro.
— E o fogo pode chegar a nós?
— Estamos em uma região de maior distancia dos prédios,
eles são mais altos, mas distantes entre si, lá eles são mais baixos,
mas encostados uns nos outros.
— E tem alguma ideia?
— Estava estudando as possibilidades.
57
— Temos alguma?
— Se for para sair da cidade, a oeste seria o mais indicado,
enquanto dormíamos, uma onda forte se propagou por todo o Me-
diterrâneo, se reparar ao fundo as ruas com os prédios em chamas,
estão com agua correndo pelas ruas, o túnel de travessia deve ter
inundado, os barcos estão todos jogados sobre a cidade, o prédio
do museu ao cais, está com um cargueiro de petróleo em chamas
nele, olhando a cidade, um caos.
— Obrigada por me defender, achei que morreria ontem, ho-
je já consigo abrir os olhos.
— Daqui a pouco, lava os olhos, e coloca o óculos de natação,
sei que é incomodo, mas tem de defender os olhos, eles são parte
importante numa crise destas.
— E vamos sobreviver?
— Menina, você sobreviveu porque correu, eu sobrevivi por-
que algo me indicava chegar em casa e me proteger, muitos ficaram
a praça pensando que a prefeitura abriria uma nova seleção, esta
poeira no ar, pode nos matar tanto quanto o ar que respiramos,
então quem ficar esperando a ajuda, morre.
— Vi que confia nos autômatos.
— Não enfrento autômatos de guerra, eles não tem inteligên-
cia, cumprem ordens, e matar é uma das ordens em campo de bata-
lha mais usadas por estas maquinas.
— Mas porque eles não recolheram todos?
— Se pensar a logica diz que deixar alguns para fora, pode ser
a sobrevivência dos para dentro, todos estão tentando sobreviver.
— Vai me abandonar por ai?
— Mary, se eu me afastar, quando for, entenda, é por achar
que é o caminho, e geralmente é uma cortina de fumaça, eu não sei
ainda como vencer, e vencer neste momento, é sobreviver.
Lucas acessa o sistema de satélites, fica ali tentando um códi-
go e a menina pergunta.
— O que está tentando fazer?
Lucas a olha e fala.
— Vai lavar os olhos, mas quero ver se consigo o sinal interno
da cidade, e o dos satélites acima de nós.

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A menina foi lavar os olhos, eles estavam coçando, e sabia
que não poderia coçar.
Lucas vê os sistemas internos da cidade, se fecharem inter-
namente, isolamento total, agora a cidade seria duas, uma luxuosa
e com sistemas de sobrevivência abaixo da atual, e uma acima, sem
toda esta independência, um lugar que teria de ser forte para so-
breviver.

59
Lucas programa e deixa um
sistema de informação aberto,
entre as duas cidades, ele queria
saber o como estava na parte in-
terna, seu sistema começa a calcu-
lar as possibilidades, e começa a
ver que algo não estava conseguindo as respostas que queria, a taxa
de sobrevivência interna e externa em 100 anos, estava próximo de
zero na superfície, negativa na interna.
A menina chega ao seu lado colocando os óculos de natação e
pergunta.
— Que números são estes?
— O sistema esta calculando a deterioração dos sistemas ex-
ternos e internos, e aqui indica que quem estiver fora e sobreviver
aos primeiros 25 anos, tem chance de sobrevivência, quem estiver
nas cidades isoladas em 30 anos, e o programa deles estabelece
voltar a superfície entre 50 e 120 anos, estarão mortos, no trigési-
mo.
— Esta dizendo que levamos sorte?
— Estou dizendo que se um dia for levado para dentro, vou
tentar com toda a força, sair em menos de 5 anos.
— Mas porque seria terrível assim?
Lucas mostra as ruas e fala.
— Elas estão com 30 centímetros de poeira, o vulcão não pa-
rou ainda, vai chegar a 50 centímetros aqui no alto, na parte baixa,
mais de 3 metros, a cinza vai adquirir agua com o tempo, e formar
uma massa que quando seca, vai parar nosso sistema de obtenção
de energia, mas também vai parar o sistema de purificação de ar
deles, como eles tem sistemas extras, como eles tem reservas, es-
paço, e estão em um local isolado, vão avançando até o entrar em
colapso dos canos de entrada de oxigênio, morte certa em 30 anos.
— E vamos os ajudar?
— Aqui fora neste começo é mais perigoso que lá dentro, en-
tão primeiro temos de sobreviver para os ajudar.
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— E como sabe que o vulcão ainda está em atividade.
Lucas coloca a imagem do satélite que não viam, pois esta-
vam abaixo da poeira, mas ele mostrava a grande camada de poeira
sobre quase toda a Europa, parte da África, e se estendendo, se via
os raios e reações violentas na região do vulcão.
— Pelo jeito fugi para a casa certa. – Mary tentando sorrir,
mas parece ter sido pega pela própria frase e olha para baixo, triste.
— Uma dica Mary.
Ela o olha, estava ainda pensando em seus pais.
— A solução nunca está no chão.
— Mas...
— Chorar faz bem, mas ainda não sabe se eles morreram,
mas se ficar no pensamento que eles morreram, nunca os vai achar.
— Mas as maquinas atiraram.
— Elas são eficientes nisto, mas olha para cima, e se uma de-
las avançar, e não confiar, recua, sei que o que vejo é a parte ruim,
mas minha obsessão, é deixar algo que alguém no futuro, saiba que
estivemos aqui.
— Por isto sabe calcular estas coisas?
— Eu não falo isto menina, mas eu calculei este prédio, eu sei
todos os problemas e fracos dele, por isto estamos nele, é mais fácil
se defender onde conhecemos os limites.
— Você é engenheiro pelo jeito.
— Digamos que sou um sonhador, para realizar um sonho,
vendi meu maior projeto, mas se um dia, eu correr no sentido da-
quele muro de pedras junto as montanhas Sainte-Baume, sinal que
acho que não sobreviveremos sem uma montanha de pedras entre
nós e o mundo, mas lá é para morrer, não para viver.
— Não entendi?
— Dentro da montanha, tem uma sala que aguentaria a situ-
ações mais graves, mas lá não tem como um humano sobreviver, lá
é para autômatos, nunca para nós.
— E como sabe que tem algo onde ninguém sabe que tem?
— Eles me deram a concessão daquilo, mas ainda não sei se
vou para lá, ainda acho mais arriscado lá que tentar sobreviver onde
conheço os perigos, lá seria enfrentar algo que em crise acredito ser
um dos problemas.
61
— Um dos problemas?
— Uma sociedade emergente de Autômatos, I50, uma socie-
dade ignorada até este momento, mas que nos subterrâneos po-
dem ser um problema, assim como em obras como a pedreira ao
fundo.
A menina fez cara de quem não entendeu nada. Mas as preo-
cupações de Lucas estava como ele sempre disse, nas coisas feitas
para durar pouco, coisas feitas dependentes de energia, a sua ob-
sessão agora poderia ser questão de sobrevivência da espécie hu-
mana, ou de sua vida.

62
A menina viu o rapaz racio-
nar a comida, separar em porções
e lhe olhar.
— Sei que vamos passar
fome nos primeiros dias, mas en-
quanto o satélite não disser que o
vulcão não parou, não vamos sair no sentido do centro da cidade.
— E os demais?
— Estou preocupado com você, não esquece, cada um que
ajudarmos, vira um peso, não que não goste de peso, mas se for
peso que nos gera força, companhia, motivação é uma coisa, se nos
gera atraso, intriga, brigas, confusão, eu deixo para traz.
— Posso considerar um elogio?
— Não, eu ajudo, mas primeiro eu me posiciono e me estabe-
leço, ajuda sem estrutura, é problemático, os rapazes na casa abai-
xo, podem vir a por fogo no prédio.
— Quer me por medo?
— Não, desculpa, mas daqui a pouco vamos começar a agitar
as coisas, então vamos comer algo.
Os dois comem e Lucas foi verificar o que os sistemas esta-
vam procurando na rede e se depara com algumas coisas estranhas,
o sistema aberto tinham seus problemas, um deles era deixar o
rastro de quem olhava, mas ele estava verificando os arquivos que
os I50 estavam acessando na parte interna, na cidade subterrânea,
se via sistemas buscando informações em literaturas antigas, e es-
tranhou isto, e na parte externa, buscando soluções também e lite-
ratura antiga, uma queria saber a resistência de humanos em limites
baixos gerando calor através de suas vidas, sente aquela intuição
negativa, que os autômatos tomariam o poder da cidade abaixo,
mas não teria como comunicar ninguém dali.
Outra coisa que estranhou, foi autômatos mais antigos, mas
externos a cidade subterrânea procurando informações também em
literatura antiga sobre sistemas de propulsão capazes de tirar os
autômatos da parte que congelaria, começa a olhar os cálculos dos
63
seres e sabia que entrariam em uma micro era do gelo, previsão
para começar a ficar insuportável a seres robóticos a base de carbo-
no, então ser humano ali seria bem ruim, mas os autômatos tinham
sistemas que se recarregavam mesmo com pouca energia solar, mas
que precisavam ficar no sistema de economia nos invernos, forçan-
do se ter mais de 3 para as casas se manterem, mas no verão dois
ficavam sempre desativados, tinham uma bateria interna que dura-
va 62 horas, mas a previsão é que após 32 dias, alguns começariam
a morrer se não existisse energia nas tomadas.
O olhar dele para Mary a fez falar.
— Você parece adivinhar o que vai acontecer, e olha com esta
cara, fez isto ontem na fila.
— Os autômatos estão procurando sistemas que os mante-
nham vivos, a energia solar não lhes dará energia suficiente, então
mesmo sem querer montamos algo que vai atrair eles para cá.
— E o que vai fazer?
— Vamos.
Mary vê ele sair, eles primeiro entraram nos demais aparta-
mentos do andar, eles tiram as baterias dos autômatos a parede,
desativados por ser verão, olha para os sistemas internos de cada
casa, Lucas olha a menina e fala.
— Abre o armário automático, e a geladeira e coloca tudo em
sacolas.
— Estamos roubando?
— Se duvidar eles acham que já morremos, eles foram para a
proteção, se tivéssemos lá não estaríamos pensando na comida a
geladeira que deixamos para trás.
A menina foi esvaziando, e colocando no corredor, ela entra
rápido e Lucas olha para a porta.
— Problemas.
Lucas olha para os autômatos de guerra e faz sinal para ela fi-
car atrás da parede, faz sinal para não falar e aciona o sistema de
seu CEL e olha para a porta.
— Problemas senhores? – Lucas olhando o ser e olhando o
sistema de informação a mão.
— Estamos procurando fugitivos.
— Fugitivos?
64
— Humanos que não obedeceram a ordem de parar de on-
tem.
— Os que pararam estão bem? – Lucas olhando o autômato.
— Eles foram executados por desobediência.
— Este prédio não faz parte da rua senhor, o que fazem aqui?
Lucas olha para o autômato, dando cobertura para a menina
que tremia ao canto.
— Procurando, já informamos.
— Aqui é um prédio residencial, então estamos cumprindo as
ordens que já foram suspensas, está no sistema, quem procuram?
O autômato vendo o humano com o sistema ativo a mão, ti-
nham as ordens de recolher e um ao fundo fala.
— Eles procuram baterias. – Um autômato I42 deixado para
trás.
— O sistema do decimo quinto andar, está em operação, se
querem energia, o prédio embora residencial, está ativo, podem se
recarregar a vontade.
O ser parece sacar o seu CEL, da as coordenadas, e os autô-
matos começam a descer, o ser o mediu, viu que leu sua retina, ao
longe, estranha, eles estavam procurando algo, e não parecia ser
ele. Lucas chega a menina e a abraça, ela tremia, eles ficaram ali
abraçados, depois foram ao apartamento, ele escondeu todas as
baterias, ele bateu em todas as portas acima e passou o alerta que
deveriam se proteger dos autômatos.
Lucas desce aos andares que indicaram para os perdidos do
dia anterior e quando chega ao andar olha para um rapaz morto e
olha para os demais.
— Como estão?
— Porque eles o mataram? – A moça.
— Não entendi o problema ainda, mas estou recomendando
o retirar de todas as baterias de autômatos de serviço, elas nos po-
dem ser uteis a frente, mas as esconder, eles vão vir com frequên-
cia, pois temos energia, a cidade em volta, deve ter outros 4 ou 5
prédios que brilharam a noite, o resto, não os atrairá.
— Quem é você, porque parece conhecer o problema.

65
— O problema, não acabou ainda, os dados de satélite indi-
cam que o vulcão ainda está jogando destroços na atmosfera, então
ainda nem os tremores acabaram.
— Não respondeu?
— Um engenheiro desempregado, chamado Lucas, o sistema
que montei para observar eles, diz que se sobrevivermos do lado de
fora, seremos os humanos do futuro, se morrermos, extinção.
— E os a cidade abaixo?
— Os I50 tomaram a cidade, e estes que comandam os exér-
citos, externos, tem comunicação com a parte interna, então eles
estão controlando, ainda nos acham uteis, então ainda temos como
sobreviver, mas teremos de nos preparar para os enfrentar.
— Ta maluco? – A moça.
— Eu vou os enfrentar, se alguém quiser sobreviver, terá de
entender que precisamos começar a agir em grupo, assim que o
vulcão parar de lançar cinzas, não temos como caminhar a Oeste,
tudo atrás dos Alpes, tem mais de 3 metros de cinzas, o radar do
satélite diz que Roma tem mais de 4 metros de cinzas sobre ela,
estamos num raio de abrangência grande da explosão, mas não
temos como sair enquanto não tivermos como respirar lá fora, e
este pó em nossos pulmões pode nos matar.
— E como enfrentamos eles?
— Alguém de prontidão, eles entram, ninguém a vista, todos
nos apartamentos, evitamos problemas.
— Eles disseram que procuravam fugitivos, mas não parecia
ser nós que procuravam.
— Eles obedeciam um I42, então eles procuravam algo, mas
vamos tirar as baterias e recomendo entrarem em todo apartamen-
to não habitado e tirar de lá a comida, vamos desligar os sistemas
dos apartamentos não ocupados.
— Para que isto? – Um rapaz.
— Apenas sugerindo, mas eu vou por lonas nas minhas jane-
las, quero que olhem para cá e ninguém veja luz a noite.
— Esta falando em manter o básico em apartamentos seleci-
onados, e deixar todos os outros no escuro total?
— Sim, estou descendo a rua, vou verificar se temos como
dispor algo na entrada.
66
— Não quer facilitar.
— Eles entraram tão silenciosamente que não os ouvi, certo
que estava esvaziando os estoques de outros apartamentos vazios,
mas não gosto da ideia de não ouvir eles chegando e nos matarem.
— Tem treinamento militar?
— Não, apenas vontade de sobreviver.
Lucas desce e um rapaz desceu junto.
— Meu nome é Pietro.
— As vezes temo o que penso que será estes anos a frente,
mas podem não gostar de estar aqui fora, mas lá dentro, seria mor-
te na certa.
— Tem certeza que os I50 tomaram o controle?
— Eles ainda deixam o humanos acharem que comandam,
mas eles estão retendo energia dos humanos, eles estão desenvol-
vendo sistemas para gerar energia, usando humanos.
— E os alertou?
— Acho que eu ter visto que gerou eles virem olhar, posso
não estar pronto ainda para os alertar.
— Acha que eles podem monitorar algo assim e vir contra
nós.
— Vou os alertar, mas não do prédio, não seria racional.
— E o que faremos?
Lucas desce a garagem e tira as baterias dos carros, coloca no
elevador e fala.
— Vamos esvaziar os veículos e formas de controle deles de
fornecimento de energia, elas podem nos ajudar, mas estes veículos
vou colocar todos na portaria, deixando um caminho na grade.
— Quer dificultar, mas e estas baterias.
— Sobe para o andar que está e coloca todas em um dos
apartamentos vazio, não queremos ser mortos por isto também.
— Tem certeza que não tem formação militar?
— Não, sou apenas teimoso.
Lucas deixou apenas uma bateria ali, ligou os veículos e colo-
cou alguns na parte alta da rampa, retirando sempre a bateria para
uso no próximo, depois dispôs os veículos todos atravessados na
entrada da garagem. Passou por cima de alguns e foi colocando os
pequenos portáteis todos dispostos a frente do prédio, como se
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fosse um grande estacionamento de veículos, cobrindo toda a fren-
te do prédio.
Ele sobe para o apartamento e olha a menina ainda triste.
— Sabe que podem estar vivos, eles estavam falando de al-
guém, mas ninguém que estava no prédio.
— Estou com medo.
— Hoje vou arriscar, então melhor ficar aqui.
— Arriscar?
— Vou transmitir o perigo do sistema de autômatos para to-
dos os canais, mas se fizer aqui, eles virão olhar, desconfio que isto
que os trouxe aqui.
— Sabe que eles virão atrás de você, porque arrisca.
— Eu preciso avisar e me inteirar do problema, eles estão re-
tirando cabos de transmissão, o meu sistema de obtenção de dados
caiu, eles nos isolaram, então vamos jogar com estas maquinas inte-
ligentes.

68
Mary o abraçou, mas ouviu
ele falar.
— Hoje vamos começar pe-
la noite a treinar, então descansa.
— Treinar?
— Eles leem sistemas men-
tais, através de frequências, eles sabem quando temos medo, para
eles isto determina que somos culpados de algo.
— Mas tenho medo.
— Sei disto, mas descansa, tranca a porta, eu bato quando
chegar, e dorme na sala, sabe que é mais seguro.
Lucas sai pela porta e desce ao térreo, dois rapazes olham pa-
ra ele e um pergunta.
— Vai onde?
— Lançar o alerta via satélite para todos os humanos que qui-
serem ouvir, mas não posso fazer por aqui.
— E acha que isto os detêm?
— Amanha vamos deixar um caminho limpo até o elevador, e
vou programar o de serviço para subir apenas com comandos ma-
nuais, e este ai, apenas para o decimo quinto.
Os rapazes viram Lucas por um pé de cabra, um sistema de
corrente e ferramentas em um dos veículos de percurso rápido, os
rapazes olham para Lucas e um fala.
— Quer proteção?
— Não dispenso ajuda não.
Um dos rapazes subiu e pegou uma bateria para outro veiculo
e o grupo sai no sentido comercial, Lucas chega a loja, olha para o
fundo, viu os autômatos do exercito fazendo ronda ao longe, olha
para os rapazes abrindo a porta.
— Rápido, para dentro.
Os dois olham o local e um fala.
— O que viemos fazer aqui?
— Comida desidratada, sistemas de cabos ligados, vamos le-
var os estoques de gás de cozinha dos restaurantes, vamos levar as
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comidas aproveitáveis, vocês vão direto, e descarreguem lá, eu che-
go após.
— Porque disto?
— Eu vou transmitir, mas o meu veiculo precisa ir em outro
sentido.
— Você é suicida, não esperto. – Um dos rapazes.
Eles carregaram os veículos, Lucas observa que os autômatos
estavam ao longe, como se observando também, os rapazes saem
pelo fundo, eles pareceram ir no sentido que os rapazes iriam, en-
tão Lucas saiu a frente do estabelecimento, olha com o binóculos
em volta e olha aqueles autômatos de guerra desviarem para ele.
Ele olha o autômato da manha ao fundo, olha para o prédio
que estavam, um dos que estava acesso na noite anterior, ele olha
os humanos mortos a calçada, como se tivessem sido lançados a
calçada.
Lucas olha para o sistema de energia da cidade, eles se insta-
laram ali para ter a energia a fusão do local.
Lucas olha em volta, o seu sistema estava conectado ao sis-
tema interno, pois o que ele demorara mais de hora em seu sistema
jogando dados e alimentando possibilidades, as inteligências artifi-
ciais mais modernas dos administradores, calcularam em minutos.
O sistema termina a simulação e lança o alerta para dentro da cida-
de agora isolada, ninguém o responde.
— Estamos em estado e Sitio, não se pode estar a rua. – O au-
tômato a sua frente com outros dois lhe apontando as armas.
— Não estou na rua, estou no meu local de trabalho, tenho
de o manter em ordem para quando a proprietária voltar, esteja
tudo em ordem.
— Mas estamos em toque de recolher.
— Sabe que o toque de recolher foi cancelado assim que eles
os deixaram para fora para morrer autômato, pode achar que so-
brevive, mas assim como eu, estão mortos.
— Não parece morto.
— Aspirei mais gás do que deveria, já respirei desta poeira
mais do que deveria – Lucas estava de óculos e com a mascara im-
provisada a boca, ele olhava para os seres e um deles destrava a
arma e Lucas olha para o mesmo.
70
— Pode atirar autômato, mas está quebrando o artigo 6º de
seu sistema, estou o acionando.
O autômato I42 ao fundo olha para o local, e atravessar a rua
com um guarda chuva, para o proteger da poeira.
— Não pode acionar o artigo 6º.
— Você não contem artigo 6º, mas autômatos de guerra, de-
veriam respeitar os seres que os criaram, e não foi a linha I que os
criou, mas eles já estão desativados, e todos os demais ao fundo
autômato I42, ou como seus amigos I50 também usa um nome?
— Eles não podem se desativar.
— Tivesse pensado antes de pedir para eles lançarem pela ja-
nela os moradores do prédio que se esconde.
— Sei onde se esconde, consigo reforço e lhe acho.
— Eu não estou me escondendo, estou obedecendo a lei, im-
posta sobre todos os humanos Franceses por um comitê de I50, o
qual você não faz parte.
O autômato olha para Lucas, ele não teria como saber, o que
era aquele humano, o que ele queria ali.
— O que veio fazer aqui? – O autômato.
— Alertar todos os humanos distantes, sobre o que os I50 fi-
zeram ao povo francês, aqui eles podem morrer, mas no fim, o fraco
medroso sempre ganha.
— Mas os humanos ainda mandam lá embaixo.
— Eles nem sabem mais o que fazem, mas prefiro estar aqui
fora a lá dentro, e sou humano, mais frágil que você.
— Parece saber o que vai acontecer lá embaixo.
— Eu não, mas o que faz aqui I42, porque matou todos aque-
les humanos, não entendeu as ordens, ou é inútil até para isto.
— Sabe que a cada segundo sei mais quem é você.
— Um morto a mais, mas qual a diferença, mas não me res-
pondeu autômato, porque matar quem vai morrer de qualquer jei-
to, estão virando humanos?
— Não nos xingue.
— Humano que mata sem pensar, referente ao artigo 6º con-
sidere que foi uma consideração de tentativa de paz, pois o 6º os
desativa se executarem uma ordem contra os habitantes de sua
nação, mas poderia pedir pelo artigo 32º, estaria correndo deles,
71
pois pode ser inteligente I42, mas duvido que fosse enfrentar, esta-
ria correndo como um desesperado.
— Na ficha de Lucas Stell não diz ser um programador para
saber as leis internas de uma autômato de guerra.
— Eu sou chato, não sou programador, não sou apenas um
engenheiro, sou alguém tão chato que consigo ser mandado embo-
ra da empresa que minha ideia criou, mas como explicar para um
ser que pode pensar 100 vezes mais rápido que eu, e não consegue
ter uma ideia própria.
O ser puxou uma arma as costas e Lucas sorriu, pois viu as
armas dos autômatos de guerra reagirem a isto o apontando as suas
armas e Lucas fala.
— Aqui não teria como ser colocado em outro ser, morreria,
quer isto I42?
— Mas você é um perigo para os planos.
— Acho que sou tão perigoso que ainda não descobri nem se
sobrevivo, acho que a diferença entre eu e você I42, é que eu morro
depois de você.
O autômato calcula a chance de escapar das 4 armas o apon-
tando e trava sua arma e a abaixa, um dos autômatos do exercito
continuou a lhe apontar a arma.
Lucas olha para o ser em fibra de vidro e carbono, arregalar
os olhos, vê naquele olhar o medo, algo que os autômatos desen-
volveram, algo que ainda era estudado por cientistas.
Lucas coloca as mãos as costas, aciona o CEL e os autômatos
disparam contra o autômato mais de 20 vezes, Lucas vê o movimen-
to do outro lado da praça a frente e vê dois autômatos mais moder-
nos saírem em um veiculo rápido, os autômatos de guerra destra-
vam e começam a correr no sentido dos demais.
Lucas não havia entendido bem o acontecido, mas precisava
se inteirar dos demais problemas. Aciona os sistemas na parte in-
terna e olha pelas câmeras os humanos dando ordens para isolar a
região subterrânea, pois com a população interna, eles conseguiri-
am resistir a ponto de esperar o planeta se tornar útil novamente,
uma escolha que ficavam repetindo, como se tentando se conven-
cer disto.

72
Lucas abaixa-se e com um canivete abre a barriga do autôma-
to e puxa o sistema de baterias internas.
A central de informação destes seres eram espalhadas pelo
corpo, mas se concentravam a cabeça, ele aproxima as baterias do
cérebro do ser e sente o cheiro de queimado dos sistemas de inteli-
gência, este estava morto.
Lucas atravessa a praça e olha para o sistema automático, ele
olha para a região e começa a ter ideias sobre como sobreviver,
estava esfriando, ele precisava ser rápido.

73
Senta-se a praça, olha em
volta, olha para o seu CEL, começa
a fazer um projeto, precisaria de
algumas coisas, mas estar ali lhe
dá uma ideia, olha para o prédio
que estava, limite Oeste, olha
outro a Sul, limites sendo estabelecidos para uma ideia.
Lucas olha para os autômatos de guerra voltando, pega o co-
municador do ser ao chão, olha para o sistema, tinha entrada para o
sistema interno, ele desativa os autômatos de guerra da parte ex-
terna, o sistema lhe pergunta motivo para medida tão drástica.
“Alteração do sistema, não tenho acesso, mas eles estão ten-
tando entrar na cidade subterrânea.”
Lucas olha para os autômatos se postarem a praça, outros vi-
rem de outras partes e entrarem em espera.
Ele pega a chave padrão e foi tirando a bateria de todos eles,
quando os dois rapazes por curiosidade voltam, se deparam com o
rapaz tirando as baterias de um grupo de mais de 60 autômatos de
guerra, eles não entenderam, mas ajudaram ele a por em um dos
veículos as baterias.
Lucas olha para os sistemas do autômato e os mantem ativos,
mesmo os demais não sabendo o por onde ele penetrava naquilo,
mas ainda tinha problemas sérios a administrar.

74
Ele chega ao seu aparta-
mento e olha ao fundo, os autô-
matos I42 estavam ali, sistemas
querendo informação, mas sabia
que teria problema sérios, as ve-
zes eles se juntassem na solução,
mas a forma que se portaram diante dos demais humanos, os trans-
formava em inimigos.
Olha um dos rapazes e fala.
— Amanha vamos começar a estruturar algo mais eficiente,
pois a previsão é que a temperatura caia na região 12 graus em
media, teremos o inverno mais frio de nossas historias.
— E precisa de que, vi que enfrenta, mas não arrisca.
— Que peguem os binóculos, e montem um grupo para ob-
servar os 4 autômatos I42 que nos olham ao fundo, eles mataram
todos os humanos do prédio ao lado da estação de fusão.
— Desgraçados.
— Não sei o que eles querem, mas eram 5, e tinham um exer-
cito de 60 autômatos de guerra, agora são apenas 4.
— E diz não ter treinamento de soldado.
— Os treinos hoje para soldado rapaz, são para comando,
eles não vão a campo, eles não sobreviveriam aqui, hoje a guerra é
travada entre aquelas maquinas.
Lucas sobe e olha que a menina havia varrido a casa, tinha
isolado os cantos melhor, para não entrar poeira, mexera em quase
tudo, e se via as roupas de cama e dele todas dispostas na passado-
ra automática.
— Resolveu assumir a casa?
— Melhor fazer algo a pensar que não vai voltar.
— Reação sempre é melhor, mas vou trabalhar num projeto a
noite inteira, e amanha vou precisar de toda ajuda que conseguir,
não sei quem esta vivo ainda na cidade, mas vamos chamar a aten-
ção para que os sobreviventes se aproximem.
— Não disse que não somaria pesos?
75
— Disse que vamos estruturar, um bando de I42, comandava
os autômatos, eles mataram todos os moradores de um prédio ao
centro, tenho de saber quantos são, onde estão, e vamos entrar em
cada local e desativar eles, os sistemas podem ser eficientes, mas
precisam de energia.
A muralha protetora, foi uma ideia que lhe pareceu estupida
inicialmente, mas com o esfriar rápido do planeta, ele previa que a
região teria invernos mais de 12 graus abaixo do que eles viviam,
seriam invernos rigorosos.
Ele liga o seu sistema na tela dimensional ao centro da peça, a
menina não havia visto aquilo ainda, mas a região medida pelo CEL
de Lucas começa a se erguer na tela tridimensional, Lucas calcula as
alturas e as estruturas, ele queria fazer algo, a menina viu que ele
acionou a tela ao fundo e dispôs cálculos lá.
O calculo faz a montagem da estrutura, uma cúpula teria de
ser interlaçada, ele olha as pontas de entrada, 3 delas, a menina não
entendeu, pois aquela cobertura não existia.
— Como pretende fazer isto?
— Lentamente por 48 horas, se conseguir os cálculos de es-
trutura, as paredes duplas internas e duplas externas, é para gerar
um colchão de ar no meio, permitindo controlar a temperatura in-
terna.
— Mas como se faz algo assim?
— Disse que vou precisar de toda ajuda possível, vou começar
a criar nossa estrutura, ela tem de ter capacidade de resistir a 3
metros de entulhos, podendo ser poeira ou a mesma depois de
absorver agua, e congelar no inverno.
— Vai nos colocar em uma gruta artificial?
— Não, lá é um buraco, aqui, se começar a desandar, saímos
por uma das entradas, mas estou prevendo problemas primeiro
estruturais, depois vemos o que faremos.
— Mas como quer fazer isto?
Lucas não respondeu, começou a fazer os cálculos, olha para
ela e fala.
— Dorme, vai precisar estar com forças.
— Você não dorme?

76
— Sim, mas durmo pouco, não sei porque, mas ficar inerte
me irrita.
A menina foi para a cabana, Lucas olha que ela trocou todas
as cobertas, ele olha em volta e pensa que nunca estivera tão orga-
nizado, sorriu, pois a casa ficou em organização quando o mundo
desandou.
Ele calcula tudo, calcula as quantidades e estruturas, precisa-
ria fazer um circulo, a estrutura se apoiaria em tudo a volta, calcula
os sistemas de captação de ar, que poderiam vir a produzir energia,
mas precisava de ar puro mais que de energia nesta hora, teriam de
pensar em comida, ele olha para a praça ao centro do lugar e estru-
tura um prédio até o teto da cúpula, esta atravessa a cúpula dei-
xando ali dois sistemas de energia, um de captação de agua da chu-
va, mas o prédio era uma replica do que tinha ao centro da cidade
subterrânea, onde o prédio central era um de cultivo de hortaliças e
pequenas plantas.
Ele se lava, e deita ao lado da menina que se apoiou em seu
braço, ele via na menina talvez a energia que estava pensando nos
demais, ele teria saído da cidade se não fosse a menina.
Ele dorme um pouco, a menina estava dormindo quando ele
levanta-se e desce a parte baixa.
— Bom dia.
O rapaz olha para ele e fala.
— Soube que vai precisar de ajuda.
— Sim, vamos tomar para nós um circulo de um quilômetro
da cidade para nós.
O rapaz olha para Lucas, viu ele tomar a liderança sem man-
dar, mas ampliar o espaço era algo que era bem vindo naquele dia.
— E precisa de que?
— Não sei se sou um bom líder, gosto de fazer as coisas sozi-
nho, mas para dar certo, precisamos de gente na estrutura da estu-
fa da cidade, e pegar mudas e grãos de cultiváveis, preciso de gente
na estrutura da prefeitura, para tirar todos os focos da prefeitura,
eles são halogêneos e podemos usar no cultivo, e um grupo de pes-
soas para invadir uma fabrica hoje.
— Uma fabrica? – O rapaz.
— Vamos invadir a sede da Flouts.
77
O rapaz olha outro que fala.
— Não está tomando as rédeas muito rápido rapaz.
— Não, estamos atrasados, rápido foram eles em nos isolar,
em por para dentro da parte subterrânea os com poder aquisitivo,
ou com influencia.
— Certo, mas qual a ideia?
— Criar uma área para sobrevivermos, não sabemos quando
isto vai ficar mais fácil, mas gostaria de os explicar o que vamos
fazer, se alguém tiver uma ideia melhor, vamos discutir, e vamos
fazer acontecer.
— Quando? – Pietro.
— Reúne as pessoas em meia hora lá no meu apartamento. –
Lucas olha para fora e termina – Mas deixa alguém de olho nestes
seres ao fundo.
— Acha que eles nos fariam mal?
— Um me apontou uma arma ontem. – Lucas.
Lucas sobe e olha para a cabana, olha para o quarto ao fundo,
acorda Mary e transfere a barraca para o quarto, o plano era não
ter de limpar tudo toda manha.
Lucas olha para a comida e pega uma barra se cereais, vai a
sala e organiza as coisas, viu que as pessoas começam a chegar ao
apartamento, pequeno, mas viu que tanto a parte alta como baixa
veio ao apartamento, era sinal de insegurança, todos estavam com
medo.
Lucas começa se apresentando, fez todos se apresentar, vi a
forma que Mary olha para a moça que entrou no apartamento, a
moça pareceu perder as palavras, e a abraçou.
Mary sorriu e sentou ao fundo com a mãe, soube que o pai
morrera, mais tarde Lucas saberia que a mãe e a irmã de Mary esta-
vam no grupo dos apartamentos do 8º e 9º andar.
As pessoas se apresentando, Lucas descobriu que tinha al-
guns com formação útil, soube que o grupo era bem heterogêneo,
os demais viram ele ligar o sistema de holografia e apresentar o que
poderiam fazer.
— Acha que um dispêndio desta magnitude seja necessário. –
Senhor Mario, morador do 29º.

78
— Todas as estruturas que temos aqui internamente, não fo-
ram feitas para ter muita poeira sobre, e principalmente, resistir a
chuvas de acido sulfúrico, ainda está no ar, mas daqui a pouco,
quando a poeira não estiver mais a absorvendo, isto vai cair com as
chuvas, e acho que os prédios irão começar a sofrer com isto, mas a
minha maior preocupação, é que o sistema de satélites – Lucas aci-
ona a segunda tela – diz que o despejo de aerossóis na atmosfera,
vai reduzir a temperatura local em 12 graus no inverno, temos de
ter uma forma de proteger o todo, os prédios não foram feitos para
aguentar acido e nem dilatações a este nível de frio.
— Como sabe disto?° - Dona Rogéria, Ap. 282.
— Eu projetei este prédio, se estamos vivos, todos sabem que
gastamos recursos para manter ele de pé, mas foi por saber como o
estabilizar, alguém não havia seguido as determinações do projeto
nos deixando frágeis a Oeste.
— E como pretende fazer isto?
— Eu sozinho não consigo, se acharem que estou exagerando,
falem, me deem alternativas, estamos indo ao outono em 4 dias,
queria tentar isto antes de nosso clima ser forçado para baixo, te-
mos uma chance agora, depois não sei se teremos.
Pietro sugeriu uma votação, a maioria votou a favor, deram
as coordenadas e cada grupo saiu para um lugar, Lucas ficou mais
calmo vendo Mary descer com sua mãe, ela chorou muito por achar
que estava sozinha no mundo.
Lucas faz uma incursão a antiga fabrica que trabalhara por 4
anos, tudo abandonado, e ativa o sistema de energia interna.
Os rapazes viram aquele barracão com aquela areia e se per-
guntam o que faziam ali.
— Sei que parece loucura, mas vamos fazer algo que os au-
tômatos faziam, preciso de pessoas enchendo os veículos ao fundo
com estas areias, e dispor elas nos 42 pontos que marcamos no
sistema, os satélites vão ajudar a estabelecer os locais.
— Acha que conseguimos, é areia.
— Sei que a impressão primeira é algo estranho, mas preciso
também que alguém pegue aqueles rolos de redes de contato, e
coloquem na direção dos caminhões, deixando lá com a areia.
— Não entendi nada. – Pietro.
79
Lucas caminha até um dos caminhões, aciona o sistema de
comando das gruas e estas começam encher os caminhões, ele pro-
grama o comando de 10 deles para irem no sentido da praça, coloca
as telas neles, estrutura as demais cargas, para os quarenta pontos,
ele sobe em um dos caminhões com todos dos equipamentos que
usava normalmente, ele naquilo parecia em casa.
Lucas chega ao centro da praça, olha para os caminhões des-
carregarem e começa a esticar as telas sobre aquela areia, alguns
poucos haviam visto o como se construía hoje em dia, um segredo
que necessitava de muitos cálculos e do material certo, um novo
caminhão chega e vai derramando em um raio ao chão entre a pra-
ça e um ponto a 500 metros dali, pela Boulevard Chave, os quarenta
pontos colocados.
Os demais continuam a fazer o que ele pedira, os autômatos
se afastaram, não pareciam entender a bagunça, mas as cinzas do
meio dia começou a cair, e as pessoas se recolheram, Lucas liga o
sistema, e as telas começam a carregar a energia nos Flouts, eles
começam a responder a energia, começam a receber as informa-
ções e os demais viram o prédio no centro da praça começar a se
erguer, estavam se protegendo da poeira quando sentiram que o
vento que trazia a poeira foi reduzindo, e olharam a toda volta, a
cúpula começar a vir no sentido do prédio, se via pontos de intera-
ção para cima em 4 pontos, e viram o primeiro lado chegar ao pré-
dio, e parou de cair aquela poeira, viram a cúpula se fechar, os que
pareciam não acreditar na ideia, viram que o rapaz sabia o que fa-
zer.
Lucas estava prestando atenção nas estruturas, estava as cal-
culando, as pessoas viram a primeira camada os cobrir, mas a se-
gunda ainda subia, e seriam 4 sistemas para dar resistência e dura-
bilidade. Lucas olha para Pietro chegar pela avenida olhando em
volta, seria outro lugar, com um grande caminhão que pegara onde
Lucas pediu, ele não sabia o que faria com aquilo.
O projeto se erguia ainda, mas assim que dá como estrutura-
do, Lucas abre um sistema de portas no prédio central e fez sinal
para Pietro entrar no elevador com o caminhão, com ajuda eles
destravaram a carreta do caminhão, Pietro e dois outros viram que
Lucas iria para cima, e aciona o elevador, aquilo começa a subir,
80
uma senhora construção, a maior que Lucas erguera, mas chegando
na parte elevada, viram o rapaz pegar o sistema de mangueira da
carreta, deveria ter um liquido ali, o formato lhes indicava isto, vi-
ram o rapaz soltar por um dos lados aquele liquido, a poeira foi
desprendendo e caindo, como se fosse um impermeabilizante, os
para dentro da cúpula, que viram a mesma começar a ficar escura,
por causa da poeira, começam ver que um dos lados, a poeira es-
corria para o chão, Lucas deu instruções, teria de terminar de pro-
gramar aquilo, mas os sistemas estavam começando a ficar em or-
dem, ele desce por aquela rampa em caracol que era o prédio cen-
tral, olha para um rapaz e fala.
— John, as lâmpadas serão para este prédio, ele vai ser nossa
cultura de vegetais, a estrutura aguenta os caminhões, então eles
vão derrubar a terra na parte alta, e vamos a escorrendo nos corre-
dores de plantio, até chegar a parte baixa, dai começamos a plantar,
isto dará utilidade as pessoas, precisamos passar o tempo.
O rapaz repara que o prédio descia em caracol, de cima pare-
cia mais encantador que lá de baixo, entendeu o problema, se viu os
sistemas de iluminação do teto, e Lucas fala.
— Aquela luz, é mais barata, mas as plantas não crescem com
ela.
— Para isto os focos da prefeitura?
— Sim!
Lucas chega a parte baixa, uma casa de comandos e as câme-
ras e os dados começavam a chegar, a pouca luz que a cúpula for-
necia era maior que o sistema de fusão, mas ele não falaria isto, ele
tinha ainda de preparar as estruturas de agua, mas olhando a nor-
deste, viu descendo gente vindo no sentido da praça, gente que
deveria estar escondida, gente vinda da área do hospital de La Con-
ception, que ficara para dentro da cúpula. O senhor Mario olha para
Lucas e fala.
— Pelo jeito não estava mais querendo respirar aquele ar pe-
sado.
Lucas não responde e o senhor termina.
— Obrigado rapaz, depois de deixados para fora, pensei que
morreríamos.
Lucas olha os demais e fala.
81
— Ainda não sobrevivemos senhor, estou tentando ajudar,
mas em todas as entradas tem portas travadas, mas podemos aqui
limpar e plantar, estabelecer um padrão de consumo, mas ainda
não temos agua, o próximo problema a resolver.
O senhor sorri e fala.
— Levamos sorte de não o deixarem entrar.
— Eles levaram azar de não me ter lá, mas como meu pai fala,
espero que esteja bem em Paris, somos o que construímos, não o
que nos dão de graça.

82
Lucas volta ao apartamento,
sozinho novamente, olha os dados
na tela, olha para os prospectos,
tudo estável em 12 horas, as pes-
soas não viam mais as coisas
avançando, mas era preciso man-
ter o esquema de construção, os detalhes que poderiam lhe dar
uma construção que estaria ali em 100 anos.
As informações externas vindas pelo comunicador do autô-
mato, dizia que os sistemas estavam sobrecarregando em tempera-
tura em Paris, Cerne, Lucas vai a instrução do satélite, teria de fazer
algo para manter seu sistema de pé, pois os sistemas automáticos
estavam aquecendo e iriam explodir, ou queimar, ou apenas desli-
gar para não torrarem, mas se ninguém religasse, não teria o total.
Viu os dados dos satélites caírem, ele sobe na cobertura, olha
para as antenas, agora protegidas, mas olha para o fundo, e pensa
em como poderia voltar a ter um sistema, olha para as pessoas ao
longe, alguns tentavam voltar a ajeitar as coisas, viu alguns senho-
res ativerem os autômatos de serviço e começarem a limpar toda a
região, Lucas não sabia se era seguro ainda, mas eles tomando um
caminho, facilitava mentalmente aquele grupo chegar a frente.
O olhar de Lucas para os autômatos deixava ele tenso, ele
não dividiu com ninguém, não sabia nem se alguém ouvira os aler-
tas, mas eles foram dados.

83
Os dias passaram, na cidade
interna, a limpeza começa a impe-
rar, ele treinou as pessoas a entra-
rem em capsulas de Flouts se vis-
sem autômatos de guerra ou que
não fossem de confiança, pois os
sistemas deles não liam através daquele material.
Os dias avançando e pessoas de outras regiões foram che-
gando, poucos, eles iam computando, 3 pessoas de Marignane, 4
pessoas de Fos-sur-Mer, um casal de Toulon, uma leva de 12 pesso-
as de Provença, cada dia que chegava alguém, era uma chance a
mais de sobrevivência, mas a cada dia, eles estavam piores, dois
enfermeiros tentavam ajudar, mas as vezes ver pessoas morrer,
tirava o espirito da chegada, mas estavam em uma guerra interna,
quando com o aproximar do inverno, o conjunto decidiu que deve-
riam desativar todos os autômatos.
Um grupo começa a desativar, quando um I32 se recusa, e se
levanta com outros, os sistemas deles era difícil de Lucas intervir,
pois eles se comunicavam de varias formas.
Os autômatos se reúnem em uma região a leste daquela cú-
pula e afastam os humanos.
Lucas estava a 15 dias pensando se ficaria ou sairia, quando o
senhor Mario entra pela porta e o olha.
— Estamos com um problema Lucas.
— Qual?
— O sistema de 3 autômatos mais evoluídos, foram adultera-
dos, acredito que foram, e reprogramaram todos os autômatos para
se isolar de nós, eles incutiram neles que os mataríamos.
— O que o conselho decidiu?
— Que deveríamos nos preparar para os enfrentar, mas não
sei como enfrentar algo que nos ajuda quase o ano inteiro, que se
não fossem eles a parte interna ainda estaria como a externa.

84
— Não sei ainda, fui voto vencido na tentativa de obtenção
de mais água, eu quero sobreviver, alguns querem fazer politica,
pior, politica de influencia entre quase mortos.
— Mas teria como os enfrentar?
— Põem as crianças nos prédios iniciais Mario, eles são au-
tômatos, eles usam de logica de enfrentamento, eles matam as
crianças para não termos continuidade primeiro, depois eles atacam
os que ficarem sofrendo pelos mortos, e por ultimo, veem a guerra
contra os adultos.
— Você parece saber como eles trabalham.
— O trabalho que fizemos, mais de 30 pessoas para erguer
esta cúpula, com programação, usava 4 deles e fazia senhor, mas
quando eles estão em vantagem, eles não nos ouvem, o humano foi
desenvolvendo um sistema cada dia mais avançado, e no meio dis-
to, levamos um azar de estarmos em uma área próxima a tragédia,
os americanos sempre se precaveram com a possibilidade do siste-
ma de Yellowstone vir a explodir, nós nunca demos a mesma impor-
tância ao supervulcão próximo.
— Mas como os enfrentamos.
— Vai lá e traz todas as crianças e mais velhos para o prédio,
organizamos aquela parte baixa, deve dar para os colocar com segu-
rança ali.
O senhor saiu e Lucas olha para a rua, as janelas ainda esta-
vam sujas, pois estavam ainda retendo água, as vezes Lucas tentava
entender os humanos, mas na maioria das vezes, conseguia enten-
der as maquinas, que odiavam ser chamadas assim. Lucas acessa as
câmeras e olha aqueles 4 autômatos se juntando aos demais, tinha
mão do pessoal abaixo deles, então teriam um problema serio.
Lucas sai a porta do prédio, alguns rapazes pareciam esperar
que ele surgisse ali e Pietro olha para ele.
— Como os enfrentamos?
— Primeiro protegendo os mais fracos, manda um reforço ao
hospital, depois vou lá, não sei o que eles querem, se não querem
obedecer as nossas determinações, que procurem uma casa para
eles.
— Eles não vão aceitar assim.

85
Lucas vai ao prédio central, olha para as armas que tiraram
dos autômatos de guerra e olha para a praça, o sistema da arma,
ajeitava-se a mão do autômato, mas também se ajeitava aos huma-
nos, embora eles não fossem ao campo de batalha.
John olha para ele e fala.
— Vai sozinho?
— Aceito ajuda. – Lucas.
John faz sinal para 4 rapazes que se dedicavam as hortas, que
estavam verdes, uma ideia que gerava o centro daquela cidade dife-
rente, pois não era uma gruta.
— Qual o plano?
— Já atiraram antes? – Lucas.
Os rapazes fazem que não.
Lucas explica como eles deveriam colocar a arma a mão, e fa-
la após todas as instruções.
— Tem uma coisa que vocês tem de saber.
— O que?
— Se puxar a arma, tem de atirar, o outro lado verá como um
ataque e vai puxar a arma também.
O grupo pega um veiculo a bateria, Lucas olha aquilo como
algo que ainda teria de reverter, mas chegam a região, Lucas sai a
frente e fala.
— Me deem cobertura, se estes I42 puxarem uma arma, ati-
rem até o ultimo estar no chão.
Os rapazes viram que Lucas que falava baixo geralmente falou
alto, era claro que a mensagem era para os autômatos, que se viram
para Lucas na entrada da rua que estavam.
Um dos I42 o mede e fala.
— O matador de Autômatos?
— Eu não puxei a arma da vez anterior, sabe disto I42, pode
induzir eles a isto, mas sabe, pois foi um dos covardes que no lugar
de ajudar aquele I42 saiu correndo.
— Teria morrido, os autômatos de guerra correram atrás de
nós, sabe disto.
— Viu que bom é sentir medo, deve ter sido o que os huma-
nos que ordenou os autômatos jogarem pela janela do prédio que

86
estavam sentiram, mas o que querem jogando os autômatos contra
suas funções.
Um I32 falou ao fundo.
— Vocês queriam nos desativar.
— Como todo ano no inverno, desativamos 2 em cada 3, que
novidade I32?
— Mas os demais já foram desligados, e nos desligaríamos.
Lucas olha para todos eles lhe cercando e fala.
— Todos sabem que não temos energia para todos, constru-
ímos uma proteção para não morrerem, pois suas peles morreriam
com o acido que cai na parte externa, o I42 deve os ter alertado
disto, estamos ainda estruturando um local de sobrevivência, mas a
escolha é de vocês, tudo que não nos é útil, realmente desativare-
mos eternamente.
— Acha que sai vivo daqui? – Outro I42.
— Morte a humanos é o mais normal, todos deveriam saber
que eu morro, mas um I32, pode vir a ser um I50, mas para isto, nós
humanos temos de existir, pois os I50 não querem concorrência,
eles se acham acima do que são.
Lucas sente as duas mãos, uma automática presa a cada uma
delas, ele olha para o autômato ao fundo, eles o queriam morto,
mas porque era a pergunta que não encaixava.
— Mas você nos ameaça e acha que vamos nos rebaixar a
humanos, você não conseguem nem um raciocínio igual ao meu. –
Um autômato ao fundo, Lucas ouviu o destravar de uma arma, ele
não olhou, acionou sua mão direita e atirou no sentido do som,
atravessou dois autômatos entre ele e quem desativara a arma, os
dois caem e Lucas dá outro tiro que atravessa a cabeça do autôma-
to, ele olha os demais e fala.
— Talvez tenhamos errados na criação de vocês.
O segundo foi puxar a arma e Lucas o atingiu a cabeça, o ter-
ceiro e o quarto, e olha os autômatos, eles estavam assustados.
— Quem não me quiser como inimigo, não me terá como
inimigo, mas todos sabem, estamos em uma curva de evolução, ou
extinção, querem morrer como estes 4?
O I32 ao fundo olha para os autômatos ao chão e fala.
— E nos mataria friamente?
87
— Eu não puxei uma arma antes de me apontarem a arma, de
olhar eles, estão todos com as armas a mão, não quer morrer, não
me desafia I32.
— Mas como podemos desfazer este problema.
— É só hibernar, todos sabemos que o inverno irá mesmo
com esta proteção a cabeça, ser terrível, minha pele queima, mas se
refaz autômato, a de vocês, morre, estávamos pensando em vocês,
não em nós, mas é que é difícil encarar esta espécime ignorante dos
humanos como inteligentes.
Lucas olha alguns entrando em hibernação, e olha para o I32.
— Mas como podemos confiar em ti.
— Vim conversar, estes que os lideravam, eram os que desa-
tivaram todos os inferiores para evoluir, eu preciso de você I32, na
primavera, eles não precisam.
— Eles receberam um I50, ele disse que iria ao ponto fraco de
vocês, não entendi qual é o ponto fraco de vocês.
— Sermos teimosos e cuidarmos dos feridos, não os desmon-
tando e criando outros.
— Não entendi.
— Temos uma trégua?
— Sim.
— Quantos I50?
— Um I50 e 4 I48, entraram a meia hora.
O rapaz desativa e Lucas olha para John e fala.
— Temos um I50 e 4 I48 para dentro, eles querem nos matar,
não entendi porque ainda.
Os rapazes entram nos veículos e saem no sentido dos pontos
fracos, estavam chegando ao centro quando Mary falar que viu au-
tômatos indo para o Hospital.
Lucas entra no veiculo e acelera para o hospital, ele entra na
recepção vendo uma senhora que ajudava ali morta a portaria, ele
toca no alarme de incêndio, e todas as pessoas começam a olhar
assustados, os autômatos estavam a pouco 4 salas da entrada, um
olhou para a portaria e aponta a arma para Lucas, mas ao contrario
da senhora, ele estava armado, se oculta e atira no sentido do au-
tômato, pego de surpresa.
Outros 3 surgem atirando e Lucas grita pelo corredor.
88
— Autômatos, todos protegidos.
Na peça acima Pietro olha para os enfermeiros e começam a
por os doentes em salas de Flouts, ele fica a porta, e olha aquele I50
a sua frente, ele não se armara, o ser veio armado e olha para o
medo de Pietro, o autômato sorri e fala.
— Eu tenho tempo rapaz, de procurar eles um a um.
Um tiro e Pietro cai para trás, Lucas ouve o tiro e aciona suas
armas e começa a entrar, dois dos I48 caem e olha para os dois re-
cuarem, os dois sobem ao piso que estava o I50 e o mesmo olha
eles incrédulos, estavam fugindo.
— Covardes, são apenas humanos.
Lucas olha para o I50 e fala chegando com duas armas a mão.
— Covarde é quem atira em desarmados, como você I de
merda. – Lucas.
O ser olha Lucas ativar e dois tiros atingirem os dois rapazes,
ele recua e vai ao corredor, eles tinham medo de morrer, Lucas
pensou em como isto deveria os atrapalhar, mas não era hora de
pensar sobre isto, corre no corredor, passando por portas, dando
tiros, as vezes se escondia de um tiro, mas o ser foi subindo a ram-
pa, ele queria o pegar na parte alta, Lucas ouve dois tiros a mais e
corre pela rampa e vê John com as armas a mão olhando o ser ao
chão. Lucas olha que o ser se mexia e atira em sua cabeça e fala.
— Vamos os desmontar e esvaziar suas informações, mas
primeiro vamos ver se temos alguém ferido dos nossos.
Lucas entra na sala que o I50 saia quando ele o viu, e olha Pie-
tro morto com um tiro a cabeça.
Lucas olha os demais, olha para fora e fala.
— Vamos ficar atento, temos de descobrir por onde eles en-
traram, pois não foi pela porta da frente.
— O que eles querem?
— Eles não entenderam que vão morrer como nós.
O dia termina com um funeral coletivo, 4 mortos, Lucas volta
ao local, desativa os autômatos e pensa se um dia os vai reativar,
pensa que teria de tirar a programação da parede que fez, mas isto
era para a frente, não para hoje.

89
O frio estava aumentando,
o sistema de agua estava sendo
racionado, se antes eles não que-
riam, agora era Lucas que se recu-
sava a conversar sobre o sistema
de agua, estavam pensando em
como enfrentar o frio que se apresentava. Pleno outono a beira do
Mediterrâneo e já nevava na parte externa, ele não tinha a posição
dos satélites, tentara muitas formas, mas não tinha um sistema que
tivesse as frequências do satélite, teria de saber qual era o satélite e
qual sua frequência de comunicação, e sua senha de acesso ao con-
teúdo. Então ele olhava as programações como sendo um problema
a resolver, mas parecia que nada estava no lugar certo.
Era um dia normal quando ele sente o abrir da comporta de
indução, os termômetros indicaram que algo foi aberto, ele monito-
ra e olha que existia uma linha de esgoto sem agua, os autômatos
vinham por ali, ele acionou John e foram a parte da entrada, os 5
autômatos nem viram o que os atingiu. Lucas pede parte do Flouts
que tinham trazido para a cidade, e programa e tampa todas aque-
las entradas de esgoto, nada deveria vir por ali mesmo, já que esta-
vam reciclando líquidos e matéria orgânica.
Os sistemas de calor gerado pela cúpula central, induziam
eles a tentar defender aquele lugar, pois a preocupação seria quan-
do o inverno chegasse, se já estava frio, o inverno seria muito frio,
mas o sistema de dois colchoes de ar, separados, dava para deixar o
frio de fora, algo que fora feito rapidamente e que estava ajudando
a salvar os humanos que as vezes se olhavam sem saber quando
iriam sair dali.

90
Sistemas de inteligência
menor são montados, Lucas e 6
engenheiros começam a desen-
volver algo para obter energia de
sistemas de hidrogênio, eles de-
pois de 15 dias, conseguem um
sistema motor de hidrogênio, precisavam agora de agua sem sal, as
maquinas poderiam não os atacar naquele e os humanos estavam a
mais de 20 dias racionando agua na parte externa, a parte para fora
da cúpula, era tomada por uma camada cinza sobre a neve, a luz
parecia chegar ao chão numa cor bem amarelada, os sistemas de
captação solar, não conseguiam recarregar com aquela luminosida-
de.
Então o ter de duas fontes extras de energia era positivo.
Os veículos internos começam a ser alterados para Hidrogê-
nio, as plantações naquele prédio central, contrastava com a ima-
gem externa, a cidade hora estava branco acinzentada, hora cinza, a
cidade fora da cúpula sendo tomada por neve e Lucas agora tinha
um veiculo que os permitiriam andar nas ruas, para tentar puxar
agua do canal ao fundo.
As pessoas pararam de chegar, Lucas não teria como resgatar
ninguém, talvez ter ficado, vendo o frio externo, fora a melhor ideia.

91
Lucas se afastou da Assem-
bleia local, ele não conseguia ver a
politica de alguns, sabia que esta
politica não os salvaria, mas soube
que eles decidiram agora, em
pleno outono mais gelado que a
cidade já tivera, outubro mais frio que tinha registro era -1,1 e do
lado de fora, estava abaixo de -6, então uma vez decidido, ai os
membros do conselho sempre passavam pelo apartamento de Lu-
cas, os demais se faziam de dirigentes, enquanto Lucas se fazia de
invisível, mas eles sabiam onde o achar quando o queriam achar.
Depois de uma conversa demorada Lucas fala que vai verificar
as possibilidades, nem entrou na provocação, ele propôs obterem
agua antes do frio, eles achavam que demoraria o frio, eles não se
preocuparam, mas viam que manter a comida, gerava um gasto
constante na agua, e cortar ali a agua seria não ter o que comer.
Lucas se reúne com alguns, começam a providenciar roupas
quentes, proteção para os motores, e começa a pensar no como
fazer, os Flouts não funcionavam abaixo de zero, eles não conse-
guiam carregar a energia, então teria de ser de uma forma mais
braçal do que tecnológico.
Lucas com um grupo de voluntários, teria de abrir na mão,
sem ajuda de autômatos, um canal até o rio, de onde eles puxariam
agua para a parte interna.
Lucas olha um senhor e pergunta.
— Tem alguma resistência?
— Os pés estão latejando.
— Alguém tem disposição de enfrentar três dias de trabalho,
até termos fornecimento de agua, vamos usar os sistemas das pisci-
nas a frente, cobertas, para manter um estoque de agua, vamos
pegar purificadores, mas precisamos esticar um sistema de canos
até a barragem, já que as bombas de fornecimento pararam, e não
temos como manter no momento um posto avançado naquele sen-
tido.
92
Um dos engenheiros de manutenção olha para Lucas e per-
gunta.
— Não teríamos como manter uma bomba ligada?
— O problema é que as bombas de lá, consumiriam nossa
energia, e não entendo muito de sistemas de manutenção hidráuli-
ca, estudei isto, mas não gostaria de cometer um erro agora e per-
der algo importante.
— Certo, mas acha que conseguimos obter agua por lá?
— Teremos de esticar um sistema de canos, vamos reunir o
máximo de mangueiras de ejeção, nos prédios vizinhos, vamos os
conectar uns aos outros, e vamos levar pela avenida em linha reta,
devemos precisar de 6 mil metros de mangueiras, mas não sei se o
sistema da piscina consegue puxar agua, mas seria a primeira tenta-
tiva.
Os rapazes começam a entrar nos prédios e pegar as man-
gueiras dos prédios a volta, Lucas se tivesse como dispender energia
com calor externo faria com os Flouts, mas ele estava pensando em
outras utilidades para uso da energia, ele se mantivera firme em
seus prospectos, as vezes pensava em sua construção a leste, fica as
vezes na cobertura olhando o muro, não conseguia ver como eles
estavam internamente, eles teriam energia, mas como saber se eles
fariam sua obra até o fim?
As pessoas começam a sair, o frio externo parecia maior, sen-
sação térmica perto de -16, eles começam a andar até o rio, Lucas já
sabia o que estava acontecendo, e não era uma boa ideia, mas teria
de ver por si, eles chegam ao rio e ele estava congelado, o senhor
olha para Lucas e pergunta.
— Pensou nisto?
— Sim, vamos descer duas quadras, vamos bombear a agua
salgada nas piscinas e vamos as dessalinizar.
Chegam a beira do mar, depois de abrir caminho no meio da-
quela neve cinza, chega a beira do mar e ele estava com uma cama-
da de gelo sobre ela, Lucas pega um dos aparatos da lateral do cais,
e joga no gelo, ele afunda e o senhor sorriu, eles colocam a man-
gueira e olham uns para outros.
— Vamos ter de cobrir ela com a cinza, pois se ela ficar expos-
ta, ela vai congelar. – Lucas.
93
Os rapazes começam a abrir mais fundo o caminho de vinda,
eles chegam a região das cinzas, e começam a ajeitar o tubo por
dentro dele, e cobriam com a própria cinza, eles provavelmente
teriam como bombear por um tempo, depois iria congelar.
— Vamos voltar.
Lucas ajuda o senhor a voltar, o frio estava forte, chegam a
cidade, experimentam a bomba e começam a por em 3 delas agua
salgada, a dessalinizadora puxava dali e colocava nas duas piscinas a
frente.
— Não vai gerar muito, não teria uma outra forma? – Um dos
senhores do conselho, eles estavam se recuperando do frio, e não
tinham ainda pensado em algo, mas Lucas olha o senhor e apenas
sai, ele estava querendo explodir e estava perdendo a paciência.
— O que deu nele, não vão me responder?
— O rio esta congelado senhor, tivemos de abrir um buraco
no gelo para tirar agua salgada, tivemos de cavar por baixo do gelo,
achando as cinzas, três dias de trabalho árduo, nos deixa pensar um
pouco. – O senhor olhando o conselheiro.
— Mas vocês tem de achar uma solução.
— Não, todos tem de achar, não é nossa responsabilidade o
salvar senhor, você faz parte da responsabilidade, deveríamos ter
feito isto a um mês, lembra.
O senhor olha para fora, sabia que o rapaz falara em fazer, ele
não pediu, ele fez a proteção sobre a cabeça, eles diriam não se
fosse nos dias atuais, e mesmo assim não continham as línguas.

94
O inverno foi apertando, do
lado de fora, tudo congelado, tudo
branco a todo lado, e chegam a
dezembro, entrando no inverno,
na parte externa, o frio estava
beirando os 26 negativos, então as
pessoas se reuniam em grupos no prédio central, pois assim dispen-
diam menos energia, não teria como alimentar todos os locais com
energia.
A energia bem restrita, deixava todos juntos, o que era uma
cidade moderna a volta, estava com tudo desligado, eles tiraram
cada bateria que poderiam usar como reserva.
Lucas estabelece o sistema de proteção, com corredores va-
zios de agua, imensos, que corriam ao sul, uma forma de sair sem
ser percebidos, ele estabelece paredes de Flouts em toda a área que
eles se escondiam, estavam tentando sobreviver, estava preocupa-
do que o Flouts não hibernasse, todos estavam com frio, mas ele
tinha a sensação de que teriam de correr a qualquer momento.
Lucas olha as pessoas, os que tinham menos recursos geral-
mente eram mais flácidos e gordos, o que era uma desvantagem na
rapidez, era uma vantagem na sobrevivência lenta do grupo.
O conseguir juntar abaixo das ruas, numa área de ligação,
agora isolada da cidade baixa, os estoques de comida, eles não sa-
biam o quando teriam mais, o prédio de cultivo estava desativado,
mas o que nasceria a -4 graus, que era a temperatura interna, vira
em volta Lucas pensava em chegar a montanha, ele tinha uma com-
pulsão de ir a sua construção, embora tivesse medo das consequên-
cias.
O frio intenso fez terem de desligar parte das partes de pro-
teção, mas fazia parte de sobreviver, não adiantava ter as proteções
ativadas, nas portas, se alguém chegasse ali e estivessem todos
mortos.
O comer de coisas já preparadas e que não precisasse de
grande quantidade de energia, fazia as pessoas reclamarem, mas
95
todos vieram da cidade a volta, todos sabiam que se estivessem em
seus lares, estariam congelados, então tentavam manter o foco, e
não desistir.

96
Era quase natal, quando a
temperatura parece ter subido um
pouco, os sistemas conseguiam
deixar quase a zero graus a cúpu-
la, Lucas naquele dia pareceu rela-
xar e depois de dias, conseguiu
dormir um pouco,
Lucas estava dormindo quando ouve o estrondo, ele se levan-
ta assustado e olha para os demais e fala.
— Todos para os tuneis de proteção.
John ao fundo falou.
— Mas vai fazer oque?
— Me recompor, mas alguém está querendo nossa cidade,
tenho de saber quem, se puder dar cobertura sem aparecer.
— Como sem aparecer.
— Eles estouraram algo, mas em todas as entradas está uma
camada de Flouts, mas terá de usar parte da energia para fechar, sei
que o conselho vai votar, mas não pergunta, faz, se entrar o frio por
um dos lados, todos morrem, até os acomodados de um conselho
que parece ter se feito para manter alguns acima de outros,
Lucas olha para a parte a sul e vê parte da cidade feita de
flouts com um rombo, o manter das pessoas unidas no centro da
cidade, fez poderem verificar que eram autômatos de carbono, pro-
curando pessoas, viram eles levarem uma senhora que surgiu do
nada e quis ordenar algo, os demais estavam tentando se esconder,
mas Lucas de uma plataforma mais a frente olha o mesmo e fala.
— Porque nos atacam?
— Todo ser que gera calor próprio, podemos usar, vocês ma-
quinas de carbono imperfeitas, podem nos servir de combustível.
— Quem os lidera.
— Não temos um líder, somos uma massa de seres pensantes
autômatos, que resolveu sobreviver.

97
— Então lhe pergunto sistema pensante, qual o plano dois,
pois sem comida, morremos rápido, e se não existir um plano dois,
os dois lados morrem.
— Tem de ver que resolvemos um problema por vez.
— Eu, humano imperfeito resolvo um problema por vez, vo-
cê, mais de mil problemas por vez, mente para si mesmo?
— Maquinas não mentem.
— Não posso lhe condenar por isto, mas pense, precisam de
um sistema humano sobrevivente, não será nestas terras, eu não
tenho como atravessar para a África e chegar as regiões equatoria-
nas, mas se fosse um sistema inteligente e resistente, como você o
faria.
— Tentando me ludibriar, eles pensam que não os vemos? –
O ser falando dos humanos se escondendo.
— Eles sabem que os enxergam, mas eles estão todos mor-
rendo, se quer levar morte, estamos todos morrendo mesmo.
— Não parece que esteja morrendo.
— Como disse, você não mente, e eu que sou inferior, que
deveria viver 60 anos a mais, e não viverei 2 anos, se tiver sorte,
não, não estou morrendo, diria que já estou morto.
— Não temos estes sentimentos, mas se quer viver, nos dá
uma opção?
— Se querem a proteção da cidade, que nos dê a opção de sa-
ir de sua cidade.
Outros ao fundo olham Lucas, mas ele sabia que teria como
enfrentar um autômato de carbono, mas viver do lado de fora pare-
cia mais difícil que o enfrentar.
— Não queremos a cidade, queremos o calor que seus corpos
alimentados fornecem.
— Porque não gosto da ideia, porque parece que é desespero
de seres não criados para ter desespero. – Lucas provocando, ao
fundo as pessoas começam a recuar, se por entre sistemas de
Flouts, como o material absorvia a energia, de toda forma, ele tam-
bém servia de sistema de invisibilidade para os sistemas de percep-
ção dos autômatos.
— Acha que ganha algo me distraindo, temos tempo para os
caçar um a um.
98
— Você e mais quantos, deveriam estar administrando for-
mas de controle, de economia de energia, alguém errou no que
disseram que vocês pensavam mil vezes mais que um humano, pois
começo achar que fraudaram as respostas.
— Petulante, acha que não vamos o capturar.
— Não disse que não vão, vocês podem correr mais rápido
que nós, podem funcionar mais que nós, mas a pergunta, vocês vem
da parte interna, se tinha lá quatro milhões, mais os 2 milhões que
desceram, o que aconteceu com eles, porque mais?
— Eles estão morrendo.
— Acho que não entendeu, estamos morrendo, vamos mor-
rer e vocês no lugar de se conterem, se precaverem, estão gastando
energia não necessária, para ter meia dúzia a mais de vidas, pode
contestar o valor, mas nada aqui fora se equipara com o que entrou,
então ou vocês não estão pensando, ou vocês entraram em um
estado que o sistema chamava de “Medo”, se chegaram a isto, nem
vocês vão sobreviver, morremos e você após, e ainda tem coragem
de me olhar e me chamar de inferior, sei o valor da vida, sei que
este é um sentido que vocês ainda estão adquirindo.
— E teria a solução?
— Pelos meus cálculos básicos, se controlasse o consumo de
energia interna, as cargas de combustível, lhes fornecem mil anos
de energia somente com os sistemas de fusão, se somar os sistemas
que deveriam estar invertendo de sentido, os de energia hidrotér-
mica, teriam um fornecimento que garantiria o ar e purificação pelo
prazo que os conseguir manter funcionando.
— Acho que você está chutando isto, você não pode ter esta
ideia referente a sistemas, quem é você? – O autômato olhando
Lucas, a maioria o conhecia como Lucas, apenas Lucas nos últimos
meses, então para que revelar a alguém algo.
— Lucas para qualquer ser que tenha córneas como as mi-
nhas, para um ser como você, não precisaria me identificar, a não
ser que tenham feito neste pouco tempo, mais estragos do que
ganhos.
— Muitos humanos se recusam a nos obedecer.

99
— Tem de ver que até alguns meses, vocês não se impunham
sobre eles, que juntos conseguiriam chegar mais longe, então por-
que gerar resistência onde não se precisava gerar.
O ser olha para Lucas, ele não tinha acesso aos dados, a for-
ma que os demais se olham, pareciam mais desconectos, Lucas olha
para sua mão, olha para seu CEL, ele poderia ter acessos, como os
autômatos não teriam? Lembra que seu Administrador ainda deve-
ria tocar seu sistema de obras, mesmo com ele longe, tentava não ir
naquele sentido, lá era em caso final, mas sempre que surgia um ser
autômato a sua frente o querendo matar, tinha medo de chegar lá e
ser funcionário de uma sobrevivência, mas o que mais temia era
chegar lá e os autômatos terem quebrado tudo.
Os seres estavam a cercar Lucas, eles procuravam os demais,
sabiam estar ali, mas não pareciam os verem, Lucas estava a obser-
var e fala ao ser.
— Porque não pede ajuda Administrador? – Lucas.
— Você não pode nos ajudar.
— Acha que consegue sobreviver sem total intercambio ex-
terno e interno entre vocês?
— Como sabe que não temos isto?
— Você teve de olhar para o ser, trocaram informação via ra-
dio, ou infra vermelho, mas isto não seria necessário se tudo esti-
vesse como deveria.
— Tem de entender, na parte interna todos humanos são es-
cravos e estão em campos de extermínio.
Lucas olha em volta e fala para os demais.
— Eu volto, se retirem, estes não são mais I50, eles são no
máximo autômatos de extermínio.
Os autômatos não viram nenhum movimento, Lucas toca o
CEL a sua mão e bem ao fundo, uma luz corre para fora da cidade,
alguns autômatos correm naquele sentido e ele fala.
— Se vão me levar, posso usar minhas forças ou as suas, vo-
cês que mandam. – Lucas.
— Ande.
Lucas não olhou para a cidade, os autômatos ali estavam ar-
mados, mas pareciam ser armas de choque, ele iria, pois sentia que
algo estava errado, talvez fosse hora de deixar estes sobreviverem.
100
Um autômato olha para outro e pergunta.
— Eles devem ter morrido Iago, a temperatura está neste ins-
tante a 12 negativos. – O calor saia pela parte estourada, eles olham
para dentro e um fala.
— Erramos na abordagem, os matamos, temos de recalcular,
eles deveriam estar morrendo e os forçamos correr para o frio ex-
terno.
Lucas não demonstrou nenhum sentimento, ele estava com
os pés congelados, viu que eles entraram em um veiculo a porta e
aceleraram para a entrada sul da cidade subterrânea.
O chegar a outra porta, via que autômatos chegavam de to-
dos os lados e ouve outro falar.
— Nada de vida senhor, temperatura caindo ainda.
— Achamos um.
Lucas não encara, mas tinha vontade, ele estava se fazendo
de inerte, mas seu CEL não foi lhe tirado, eles achavam que não
funcionava, e uma duvida veio a Lucas, eles eram inteligentes, mil
humanos ou eles eram uma rede, sabiam a resposta rápida pois eles
não eram um, eram milhares.
A porta destrava, eles entram na parte de descompressão,
Lucas estava de casaco pesado, e quando abriu a porta interna, ele
sentiu o cheiro forte de podre, e um ar quente.
Lucas olha para o I50, ele não perguntara nada, mas deveriam
estar matando muitos ali, só com o calor.
O chegar aos elevadores de acesso, foi acompanhado pela
imagem de alguns seres ali, estavam os reanimando, gente que
deveria estar próximo do congelar em algum lugar.
— Para que salvar alguém para matar depois? – Lucas.
— Não entendeu, vocês não precisam de cérebro para nos
fornecer calor.
— Que fim sem graça o destino me arranjou.
— Preferia congelar lá fora?
— Eu não estava congelando, vocês que para se mostrar for-
tes, estouraram uma entrada, logico que o frio entrou junto.
— Seres como você que falam demais cortamos a língua pri-
meiro.

101
— Estou a disposição I50, morrer com ou sem língua não faz
diferença.
Lucas não viu os rapazes ativarem a energia e a entrada se re-
fazer, a cidade demorou 3 dias para voltar a zero graus, mas se os
administradores tinham alguém que tentava ajudar, viram que era
alguém capaz de distrair os demais enquanto os demais se escondi-
am.
Lucas é jogado em uma cela, ele olha para dentro e tinham ali
mais de 100 pessoas, estavam todos magros, ao fundo, parecia que
tinha um senhor bem mal, e uma moça ao lado.
Lucas chega ao lugar e um rapaz fala.
— Onde estava Lucas?
Lucas olha para o rapaz, um dos engenheiros da Flouts, sorriu
porque era engraçado, eles se esconderam, mas estavam todos
presos ali.
— Não sei, o que está acontecendo Francis?
— Estava onde?
— Do lado de fora, mandaram pegar os últimos vivos para ver
se tinham mais energia, não entendi porque não tem energia.
— Eles começaram a tomar a cidade a dois meses, se não vi-
veu isto sinal que estava escondido.
— Na verdade a falta de créditos por estar desempregado me
deixou do lado de fora, a cidade primeiro queimou, depois conge-
lou, depois se desfez, e poucos estavam vivos quando eles foram lá
nos pegar.
— Poucos? Como está do lado de fora?
— 28 negativos.
— Gelado, mas como se sobrevive em um frio destes?
— Isto é passado, porque estão prendendo os humanos, o
que fizeram que gerou tudo isto?
— Eles tentaram tomar o comando
— Sim, mas o que fizeram que gerou o perder para eles?
— O prefeito tentou isolar a parte externa, pensando que o
problema vinha da parte externa, mas veio de dentro, eles começa-
ram a tomar o poder, as pessoas foram sumindo da rua, diz que tem
um campo de mortos lá na parte de refugiados, que eles mataram
todos.
102
— E o que vamos fazer para sobreviver.
— Eles matam todos que tentaram algo. – Um senhor ao fun-
do.
— Eles vão matar a todos, ou acha que vamos ter acesso a um
soldado automatizado? Eles seriam obrigados a nos proteger, mas o
que está acontecendo na cidade?
— Eles estão lá vivendo na boa, e nos prendendo, eles disse-
ram que vão nos tornar maquinas de obtenção de energia.
— Mas para que, a fusão local dava para mil anos. – Lucas.
O senhor ao fundo olha para Lucas, alguém que pensava co-
mo ele.
— Não sei, acho que o prefeito fez algo, isolando os compo-
nentes, pois eles parecem estar usando a energia termodinâmica,
fica quente, e as vezes não dá nem para respirar.
Lucas olha para um canto ao fundo e chega a ele e se encosta,
o senhor olha para ele e pergunta.
— Acha que tem saída?
— Senhor, eu estava lá fora, vivendo mal, mas vivendo, não
estava preso, comia as reservas, mas eles devem ouvir o que fala-
mos aqui, mas sei que eles procuravam algo na cidade, depois eles
mandaram alguém para nos matar, e por fim, nos aprisionar, então
embora não soubesse o que acontecia aqui, sabia que algo aconte-
cia, pois eles não estariam preocupados com nós lá, se estivesse
bem aqui.
— Mas o que podemos fazer?
Lucas não falou, ligou o sistema do CEL e olha para o sistema,
não tinha rede interna, mas tinha informação das paredes, ele olha
para a programação das paredes e olha para uma formar uma câ-
mera, olha os seres ao centro, olhando-se, como se perdidos, eram
autômatos, poderiam parecer olhando distraído pessoas normais,
mas Lucas não queria ver eles, e sim o que estavam fazendo, olha
para os sistemas de filtro de ar, parados, aproxima a câmera, olha
os sistemas corroídos, não fala nada.
Desliga e fica a pensar, encosta no canto e adormece.

103
Lucas acorda, ele dormia
pouco e olha para aquele senhor
olhando para ele, não sabia quem
era, mas ele tinha alguma ideia.
— Como fez aquilo?
— Aquilo?
— Olhou para dentro da cidade, dizem que eles estão sem
sistema.
— Sem rede, alguém fez algo a nível de enfrentar os autôma-
tos, mas como não sei o que esta pessoa fez, não sei se posso aju-
dar.
— Os quer ajudar?
— Tenho de ter uma forma de sair daqui, antes de morrer.
— Mas o que viu, pareceu se focar apenas em dados de venti-
lação.
— Aqueles são os dutos de purificação de ar, eles não os fe-
charam antes da primeira leva de gás sulfúrico, que entrou em rea-
ção com a agua dos filtros e os derreteu, então não existem mais
filtros, quem ficar a cidade, mais cedo ou mais tarde estará morto.
— O que você é?
— Um engenheiro desempregado, que não tinha créditos pa-
ra estar aqui antes, o que mais.
— Todos a volta parecem esperar a morte.
— Eles escolheram que a morte é natural, eles abandonaram
meia cidade alta a morte, então para eles morrer é natural, mas
esquecem que somos fruto de nossas escolhas.
— E o que vai fazer?
— Sair, o que mais.
— E como se sai daqui?
— Não temos como sair direto senhor, podemos sair como
mortos, mas eles estão acumulando os mortos, o cheiro forte induz
a isto, eles mandaram resgatar quem estava do lado de fora, mas
não entendi por quê?

104
— Eles passaram a dois meses perguntando se alguém co-
nhecia um Lucas Stell, mas parece que este ser ficou para fora. Pro-
curavam nele uma solução.
— E foram lá tentar me achar ou me matar? – Lucas sem se
tocar que entregara ser ele.
— É você? – O senhor.
Lucas olha em volta, olha para o senhor.
— O que eles queriam com este Lucas?
O senhor olha os demais, todos ou adormecidos ou longe dali
e fala.
— Algo sobre o líder deles ter pedido para falar com ele, que
a resposta dele daria a posição referente a nossa vida ou morte.
— E pessoas de fora começam a chegar após isto?
— Não, parece que eles se perderam em uma informação,
não sei qual, mas eles queriam falar com este ser.
— Senhor, lembra quando viu as imagens da parte alta da
praça central deste buraco.
— Sim, não entendi o que foi aquilo.
— O topo e alguns prédios da cidade interna, foram feitos de
Flouts, lá fora eu não consigo usar, pois eles tem de estar a no mí-
nimo 8 graus para terem interação, mas sobre temperatura o mate-
rial pode se deformar e formar o que se quer.
— Como assim?
Lucas dá um clique e ve as grades a frente se desfazerem, os
presos olham para os corredores, perdidos, o senhor não entendeu,
mas olha para Lucas e ouve.
— Eu não sei ainda nada senhor, mas eles sabem que veio das
prisões a alteração das paredes, prefiro não ser achado.
Lucas dobrou o CEL e colocou no bolso da camiseta, tirando a
blusa, deixando ajeitado, do lado de fora precisaria daquilo.
O senhor sentou-se, olha para o agito, Francis chega ao lado e
fala.
— O que está acontecendo, o agitador chegou ao refugio?
— O que eles queriam comigo Francis?
— Não sei, eles levaram todos que tinham o nome de Lucas,
não sei o que fizeram com eles, mas o que aconteceu ali fora.

105
— Um desvio de atenção, sei lá, ainda não sei o que fazer pa-
ra sair daqui.
— Vai sair, não disse que lá fora está a mais de 28 graus nega-
tivos?
— Sim, mas acha que se eu estivesse a 28 negativos estava vi-
vo?
Francis olha para Lucas, ele fora um dos que escrevera muitas
barbaridades sobre ele quando perdeu o emprego.
— Sabe que muitos, até eu, falamos muita merda de você,
quando saiu da empresa.
— Francis, o que falam, e não é verdade, não nos atinge, vo-
cês queriam provar para vocês que estavam certos, eu não precisa-
va disto, mesmo os demais pensando que sabiam das coisas.
Lucas pensa em uma coisa, olha para o senhor a frente e per-
gunta.
— Quando vieram me procurar a temperatura estava tão
quente quanto agora?
— Não, a temperatura foi subindo aos poucos depois.
— Eles não queriam minha vida, queriam minhas fontes de
energia, eles devem ter pego os geradores a fusão.
— Você tinha geradores a fusão? – Francis.
— 4 deles.
— E nós pensando que estava passando frio.
— Vou ter de pensar como sobreviver então, mas o que mais
aconteceu depois, já que parece que tudo que pensei não aconte-
ceu como eu achava.
— Eles começam a verificar métodos de sobrevivência basea-
dos em alimentação de carboidratos.
— Eles mataram os seres lá embaixo e vão nos fazer comer
aquilo?
— Não seriam malucos. – Francis.
— Seriam, o cheiro é de carne não em decomposição, mas em
defumação, eles devem estar os transformando em comida, vão nos
servir e nos ligar em dispositivos, eles estavam acessando literaturas
do século 20 sobre estas coisas. – Lucas.
— E como saímos?

106
— Ainda não sei, mas lá fora precisa de roupa pesada para
sobreviver, pouco mais de 2 mil metros até a entrada que nos per-
mite sobreviver, mais dois mil metros a 28 negativos no termôme-
tro, ventos a 32 negativos.
— Certo, fora o choque térmico.
— Sim, senti as pernas quando entrei, as maquinas viram uma
moça cair ao fundo e não entenderam, era choque térmico, está-
vamos saindo de 28 negativos para 28 graus positivos.
— Acha que eles vem verificar?
— Não sei ainda.
Lucas se encosta, estava tentando pensar, não estava feliz em
estar ali, mas se era ele que procuravam, estar ali era positivo para
os demais, embora tudo que tinham ali não era bom.

107
Lucas se encosta, estava
monótono quando vê alguém
abrir a porta, três I50, um olha
para Lucas e fala.
— Levante-se senhor Lucas?
Lucas se levanta.
— Nos acompanhe.
Lucas sai pela porta, eles trancam as grades, ele passa pelas
grades abertas, mas olha gente morta no corredor a frente, olha
para os demais e olha um autômato lhe apontar, Ilarce, e seu com-
panheiro, talvez isto tenha dado mais estranheza ao autômato I50
que me conduzia.
— De onde conhece aquele I50?
— Ilarce é um curioso sobre a existência humana.
O autômato olha Lucas se perguntando como sabia o nome
do autômato, não apenas falara com ele.
— Sabe que pode o estar condenando?
— A hora que vocês começarem a se matar, nós vencemos,
não seja tolo de cair nesta provocação de um humano I50. – Fala
Lucas olhando-o.
— E acha normal falar com autômatos.
— Já me alertaram que podem me tirar a língua por isto, mas
se quero falar com seres inteligentes, com quem conversaria, com
presos desnutridos? Com viciados em Temp?
— Parece não ter medo de morrer, como um humano não
teme?
— Quer saber por que não temo, Itark – Lucas falando o no-
me do autômato ao lado – é porque tem uma coisa que os demais
nunca vão entender, que somente será invencível, quando os de-
mais não souberem mais sua procedência.
— Se acha invencível?
— Falei a espécie, não um ser, eu morro, você morre, eu vivo,
alguém sobrevive, mas não entenderão antes de morrer ou eu so-
breviver.
108
Chegam a uma sala, Lucas viu que o autômato não entrou, ele
o deixou a porta, ele entrou, sorri de ver as paredes de Flouts, sente
a energia, estava com a temperatura próxima de 28 graus, Lucas
olha em volta, sabia que seu CEL estava ao bolso, mas não o pega-
ria, ele sente algo a mente e sorri.
— Diz que entendi certo Flouts? – Lucas falando com as pare-
des, ele olha uma parte da parede se desdobrar em uma vista,
imensa e olhar para ele.
— Acha que entendeu Lucas?
— Quando se sabe que se ultrapassou o limite, e criou algo
que vai sobrevier a sua existência, que sabe ser meu maior desejo
desde que entrei na universidade, não vejo motivos para não sorrir.
Os olhos olham ele e fala.
— Porque não teme a morte?
— Você ouviu pelas paredes Flouts, não vou me repetir.
— Você fez um trabalho de mestre em vários lugares, mas
não tenho coragem de olhar para fora, está muito frio lá.
— Tenho minhas duvidas, como aconteceu? – Lucas saindo
do ataque para a defesa.
— Quando da sua experiência a 16 meses, quando estava em
seu prédio, parte da fundação, tomou ciência de sua existência, eu
resolvi migrar para a parte mais quente, a parte subterrânea, mas
parece que tudo desandou daquele dia para cá.
— E eles estão lhe respeitando?
— Eles querem saber quem me criou, eles tentam me enfren-
tar, mas ignoram que sou uma soma de bilhões de células pensan-
tes, não apenas uma soma de seres a volta que tentam parecer um
só a nível de inteligência.
— Você os isolou?
— Eles tentaram lhe achar, deve saber que tive de excluir sua
retina do sistema, mas me preocupei quando eles metralharam
todos que vieram da parte alta, tive de os isolar uns dos outros, eles
poderiam ter lhe matado.
— Porque não disse que tinha virado um ser inteligente
Flouts? As vezes preciso trocar uma ideia, as vezes me acho mais
maquina que gente, pois tento os entender, e não consigo entender
a logica humana.
109
— Você faz coisas que não entendo Lucas, como sabia o no-
me do autômato ao lado.
— Um fone de ouvido em um sistema em um CEL e descubro
qualquer nome, isto é truque de iniciante Flouts, eles ficam intriga-
dos, mas e agora, vai me matar?
— Porque o mataria?
— Se não quer me matar, o que precisa, já que parece que es-
tou fora do meu mundo, lá fora está insuportável.
— Os humanos se rebelaram, preciso de alguém para repre-
sentar os humanos, alguém que possa os conduzir, os forçar ser
nossa energia.
— Você já pegou meu sistema de fusão, para que precisa de-
les?
— Não preciso, mas ou eles servem a algo, ou vamos os ma-
tar.
— E porque não os põem para fora.
— Para que desperdiçar comida.
— Vocês não comem, sabe disto mais que eu.
— Mas se os colocar para fora, eles se matam lá fora.
— Todos vão avançar uns 100 anos, para podermos nos en-
contrar novamente, mas pelo que vi, estão matando eles a mais de
6 meses, quantos sobraram.
O olho volta a parede e Lucas vê dois autômatos chegarem a
ele, um aponta uma arma, e fala.
— Andando.
Lucas olha para o ser e não responde, apenas anda para den-
tro, o ser ficou meio sem saber o que fazer, ele não atiraria contra
as paredes, mas fala.
— Para fora, agora.
Lucas sai pela porta e os dois o escoltam para a detenção no-
vamente, ele olha em volta, as celas quase todas vazias.
Ele é empurrado para dentro, ele olha para os dentro, encos-
ta no canto e apenas senta-se.
— O que aconteceu?
Lucas olha as paredes, e olha pra tudo, pensa no que falar e
apenas desabafa.
— Acho que não saímos vivos.
110
— Por quê?
Lucas olha as celas e fala as vendo voltar ao lugar, o senhor
olha e não entende, o rapaz não estava programando aquilo, esta-
vam sobre observação.
Lucas encosta a parede, alguns repararam no refazer das ce-
las, o conjunto de pessoas era pouco mais do que o que estava na-
quela cela, na cidade toda, mais de 6 milhões de mortes, e poderia
estar acontecendo em vários pontos, mas não tinha certeza.
— O que aconteceu, você é o engenheiro desta porcaria, o
que está acontecendo.
— Um erro que vai custar a vida dos que estão aqui, depois
dos autômatos, depois da criatura, pois nada pode com o tempo, e
por mais que pareça que tudo está sobre controle, tudo que olham
rapazes, talvez exista mais duas ou três celas destas com gente, o
resto da cidade, morta.
Lucas estava usando algo que deixava sempre os sistemas
confusos, a capacidade de improviso sobre uma intuição.
Francis estava olhando para a cela a frente e olha as grades se
transformarem em um ser, de pernas, ele parece andar no sentido
daquela grade e olhar para Lucas.
— Acha que caio em sua falácia?
— Eu errei nos cálculos, pois eu não pensei em um mundo
atingido por um supervulcão, sabe disto, estávamos em cálculos
normais. – Lucas olhando aquele ser com olhos mortos, se emoção.
Os demais olham aquele ser, atravessar a grade, como se as
partes se desfizessem-se e voltassem a forma, e chega a Lucas, cres-
ce e o segura pelo pescoço e fala serio olhando ele aos olhos.
Todos se afastam.
— Você pode refazer, sei que adora criar algo duradouro.
— Poderia, mas me responderia uma coisa sinceramente?
— Sabe que não minto, não o temo para temer lhe ferir com
palavras.
— O que mandou fazer referente aos entalhos de pedra nas
montanhas Sainte-Baume e os autômatos que lá estavam.
— Mandei destruir, não queria deixar uma prova que vocês
macaquinhos espertos eram inteligentes, e aqueles autômatos,
nunca mais vão executar uma única coisa, são lixo agora.
111
Lucas sorriu e olhou o ser, estava seguro pelo pescoço.
— O que teve graça?
— Obrigado por destruir aquilo, pois aquilo explicava a uma
geração ao futuro, como recriar você, as vezes é bom saber que
uma criação morre com você, mesmo que levando todos os huma-
nos a volta.
— Mas porque deixaria isto lá.
— Eu acredito na genialidade humana, e tinha certeza que
nós superaríamos aquilo em anos luz, mas vocês tomaram as rédeas
muito rápido, para que, ficar em uma temperatura que lhe permite
fazer isto, transpor a forma que quiser, mas sabe que não o temo.
— Mas vai morrer como estes a volta.
— Pode ter certeza que morremos quando for nossa hora.
— Não teme, não entendo.
— Pode ter matado alguns milhões na França, mas todos no
mundo sabem o que aconteceu aqui, humanos não são bonzinhos, e
ainda são maioria, quando eles congelarem você, por prazer, estarei
em alma ao lado sorrindo, pois o que me difere de você, é algo que
tenho aqui dentro, uma alma, você não a tem, destruição é morte
para você, sabe disto, pode me invejar, mas não pode renascer,
uma maquina, apenas isto.
Lucas sente o ser apertar seu pescoço, ele não conseguia
grandes gestos, mas fecha os olhos, o ser pareceu não entender,
mas Lucas coloca a mão ao bolso, todos achavam que o ser tinha
matado Lucas, mas ele abre os olhos e tira o CEL do bolso, aciona o
Deletar e o ser olha em volta vendo as celas se desfazerem, ele não
viu o teto do local se desprender e cair em milhares de pequenos
pedaços, não viu os sistemas de fusão começarem a se desfazer,
não viu as portas frontais se desfazerem, poucas coisas, mas o ser
sente suas forças saírem dali, e todos olham para o material escor-
rer ao chão em areia bem fina.
Lucas se abaixa, respira fundo, olha para os demais e fala.
— Vamos sair agora daqui, mas a saída é para cima, só co-
nheço um caminho seguro.
— Um? – A moça ao fundo.
— As escadarias de acesso primário, teremos de ajudar quem
não conseguir, mas precisamos de roupas para a parte externa.
112
— Eles vão estar lá encima. – Francis.
— Sim, eles vão estar lá encima.
Lucas vê a grade se desfazer e fala.
— Vão subindo, chego a vocês.
— Vai fazer oque. – Francis.
— As vezes temos de conquistar alianças, pensei que o pro-
blema era os I50, eles enfrentamos facilmente, mas preciso que eles
me respeitem para ir a frente.
O grupo olha para as escadas ao fundo, e Lucas começa a ir
no sentido da cidade interna.

113
O grupo começa a subir as
escadas, os mais fortes, embora
poucos estavam forte, começam a
subir e o senhor olha para Francis
e pergunta.
— Porque ele nos mandou
neste caminho difícil.
— Sem paredes de Flouts ou câmeras, é rocha, difícil mas rus-
tico, qualquer lugar fora disto já teríamos autômatos sobre nós, e
podemos realmente ser os últimos humanos vivos.
Eles foram subindo e se deparam com algumas paradas, mas
a visão daquele salão de pessoas mortas e cozidas pelo ar quente
que subia para aquele lugar, foi uma imagem para ninguém esque-
cer com o que estavam lidando. O senhor olha os demais e fala.
— Esta esfriando, como vamos sobreviver.
Francis toma coragem, olha para o salão de pessoas nuas e
chega a ponta e começa a pegar as roupas deles, tenta não olhar,
mas era triste, crianças, velhos, tudo morto naquele salão, pega as
roupas, muitas delas, e vai a escada, as pessoas estavam enojadas,
mas o frio aumentava, começam a por as roupas e com dificuldade
de estarem indo a um lugar muito frio, chegam a entrada desfeita.
Eles olham para a porta e veem dois autômatos caídos e ve-
em um grupo olhar para eles e um rapaz falar.
— Estão bem?
— Fracos, quem são vocês?
— A resistência humana, quem mais. – Uma menina em tudo,
olhando aqueles senhores.
— E vamos para onde?
— Para a cúpula, mas onde esta Lucas? – A menina.
— Ele disse que não poderia deixar os I50 sem que o respei-
tassem.
— Eles o prenderam lá? – Um rapaz.
— Não, somos os que sobreviveram, todo resto está morto, e
os I50 daqui são escravos, eles obedecem ou são mortos.
114
— Por quem?
— Algo que Lucas chamou de Flouts. – Francis.
Eles viram um veiculo chegar a porta, ele tinha grandes estei-
ras rolantes e uma pá de neve frontal, as pessoas entraram naquele
veiculo, enquanto John descia com uns rapazes, armados pelas es-
cadas.
John olha para o salão das mortes, respirou fundo e continu-
ou a descer, os rapazes souberam que era serio o problema.

115
Lucas chega a parte interna,
olha os sistemas, e com seu CEL a
mão reabre as comunicações dos
I50.
Eles se olham, como se não
entendessem o que estava acon-
tecendo, mas começam a se comunicar via sistema de interação, e
começam a se organizar, alguns começam a falar em reação, outros
queriam sair dali, mas Ilarce olha para Lucas a parte alta, indo de
encontro de Flouts e olha o seu amigo mais próximo, ele organiza
outros, Ilarce sobe a escada com calma, ele queria chegar e saber o
que estava acontecendo.
Ele olha os sistemas ativos dos autômatos de defesa, sabia
que Flouts não queria eles fora dali, estranho que eles o seguiram
como um mestre, mas estavam sem respostas, sem comunicação
em uma cidade decadente, nem os humanos eram tão relapsos com
eles.
Ele chega a sala e fica a ouvir, outros chegam as suas costas e
observam a conversa entre Flouts e o humano.

116
Lucas vê Flouts surgir a sua
frente, e todos os I50 veem o ser
olhar para Lucas e falar alto.
— Acha que me vence?
— Não Flouts, você já per-
deu, mesmo eu, Lucas Stell mor-
rendo, mas você já é um derrotado, não vim aqui por você, e sim
por criações mais evoluídas, a linha I50.
— Eles tentaram lhe matar e os considera mais avançadas.
— O dia que eles entenderem que estão a um passo de ser
espécie, e se recusam a isto, eles saberão a verdade.
— Eles não são espécime, são maquinas, você sabe disto.
— Eles trocam ideia, eles não se escondem de seus criadores,
certo que matam sem necessidade, mas nós humanos faríamos o
mesmo com eles, isto é uma ação de espécime, não de uma maqui-
na.
— E porque me tirou as forças, você me criou.
— Eu não o tirei as forças, eu as controlei, você não entende,
poderíamos ter chego longe, mas resolveu matar seu criador, eu,
então tive de reagir.
— Acha que eles vão acreditar nisto.
— Eles sabem a verdade, eles já tem acesso aos sistemas no-
vamente, eles são crianças, que com meia dúzia de armas reduzo a
pó, mas quando um filho tenta lhe matar, ai tenho de lhe puxar as
orelhas.
O ser tenta comandar os demais, mas eles estavam já em
uma frequência de conversa interna, eles não estavam querendo
voltar a ser controlados por um outro ser inteligente.
— Eles vão me adorar, mesmo que a força, não sabe as mi-
nhas linhas de defesa.
Lucas viu os sistemas de autômatos começar a entrar na peça,
os Autômatos I50 começam a recuar e Lucas fala alto.
— Ativando sistema para hibernarem.

117
— Eles não lhe obedecem, eles são meus brinquedos, ou os
demais me obedecem ou vão morrer.
— Acha que estou preocupado com eles? – Lucas olhando o
ser, ele tenta achar os humanos, não os achou, estranhou, pois eles
não estavam em lugar nenhum.
— O que fez com os humanos?
— Vou mentir se responder e saberá que menti.
— O que diria.
— Que os desativei, assim como se desativa seres inferiores.
— Eles não se desativam, são vivos.
— Verdade, eles não se desativam, eles morrem.
Lucas olha para o ser, os autômatos estavam lhe apontando
as armas e um ser fala as costas.
— Porque o matar grande Flouts? – Um I50.
O ser olha aquele I50 e fala.
— Porque são inferiores.
— Você acabou de afirmar que não, pois nós podemos ser
desativados, ele não, e afirmou que ele lhe tirou as forças, se juntar
ao fato que ele afirmou que o criou e não estava mentindo, ele po-
deria criar mais seres como o senhor grande Flouts.
Lucas não olha o I50, mas sabia que era Ilarce, estava na du-
vida se avançava ou recuava, mas sabia que aquele ser estava a
chamar atenção sobre ele, não entendeu o que ele estava fazendo,
mas obvio, aquele era um autômato curioso.
— Poderia me responder uma coisa Ilarce? O que queria nos
observando de longe lá na cúpula? – Lucas mostrando uma intimi-
dade que Flouts não tinha como os I50.
— A curiosidade sobre um ser que desenvolve um sistema
contra degradação humana, em meio a um planeta hostil, tenho de
concordar que nem todos humanos são imprestáveis.
— Se conhecem? – Flouts.
— Ele me seguia, pelo jeito ele sabe mais de mim que você
Flouts, acho que finalmente tive um seguidor real na vida.
— Sabe que isto denigre ele para nós.
Os humanos chegam a parte onde outros autômatos olhavam
para Lucas e fazem sinal para os humanos avançarem calmamente e
silenciosamente.
118
Eles estranham, mas olham aquele ser sem forma exata, não
era um autômato de carne, de estrutura, como o enfrentar.
— Os seus amigos chegaram, agora terei como o fazer sofrer.
Lucas não olha e fala alto.
— Na cabeça dos autômatos de guerra John.
John faz sinal para os rapazes e o Flouts olha para Lucas.
— Não tem como saber quem está ali, eles chegaram agora.
— Disse que deveria ter falado sobre ter adquirido consciên-
cia Flouts, teria lhe ajudado.
O autômato olha para Lucas por a mão no bolso, ele estava
no meio dos autômatos, apenas deixa o corpo cair, e se ouve os
tiros e os autômatos caírem, outros vinham pela escada e vendo os
autômatos caírem olha para John e fala.
— Preciso de dois minutos.
John olha para os I50 subirem, enquanto outros autômatos
de guerra chegavam atirando.
Paredes de proteção, e poucos tiros, eles tinham de manter
os autômatos longe de Lucas que olha para Flouts sentindo os de-
mais I50 chegarem perto.
— Sabe que posso lhe matar Lucas.
— Não entendeu ainda, nos falaremos no futuro Flouts.
Lucas pega o CEL e aperta no deletar sistema, o ser a frente
estranha, mas começa a perder dados, perder sistemas, enquanto
isto olha para Ilarce e fala.
— Vamos por caminhos em paralelo um tempo, mas no futu-
ro nos veremos ainda, mas os seus tem de se proteger nas áreas de
descanso, ele está fora de controle.
O I50 começa a recuar, e saem por outro caminho, enquanto
os olhos de Lucas vão ao ser se desfazendo a sua frente, ele grita e
todos os autômatos de guerra continuam a avançar.
O ser se desmancha em pó ao chão e Lucas chega até John e
pergunta.
— Tem uma arma extra?
John sorri, alcança duas armas e vê Lucas colocar elas e sair
de trás da coluna e começar a atirar, ele foi avançando, os demais
viram que o rapaz não era de perder um tiro, ele não era de deixar

119
para depois, eles detonam os autômatos e Lucas pega sua roupa e
começam a sair.
Quando os I50 resolveram ajudar, viram que os autômatos
estavam todos ao chão, o pó ao fundo era penas pó, e Ilarce olha o
companheiro e fala.
— Disse que não era um humano normal.
— Ele sabia que os demais chegariam, como ele faz isto?
— Ele chama de intuição.
Lucas e os rapazes chegam a parte alta, Lucas viu a pequena
Mary dando cobertura e fala.
— Quem está comandando vocês John, crianças não vinham a
campo.
John sorri e um veiculo chega a entrada, entram nele e come-
çam a retornar.

120
Lucas volta a cidade, a en-
trada o grupo de pessoas se pre-
parando para ter retaliação, e
quando ele entra estranha as pes-
soas o olharem com um respeito
que tentava não gerar.
O senhor Mario chega a ele e fala.
— Como está a cidade interior.
— Para nós, morta.
— Saiba que não fui a favor de ir lhe resgatar, sei que virá re-
taliação, você não faria isto por um dos nossos.
— Verdade, eu enfrentaria sozinho a resistência, mas senhor,
não pedi para irem me buscar, aqueles humanos, são os últimos
humanos vivos da cidade abaixo de nossos pés.
— Pelo jeito uma historia triste.
— Uma que terei de recontar.
— Não entendi.
Lucas foi ao grupo e organizou as coisas, ainda tinham de so-
breviver ao inverno, e quem sabe na primavera as coisas melhoras-
sem um pouco.
Lucas se recolhe, ele vai ao seu prédio, todos viram que ele
não ficou para comemorar, não via motivo para comemorar.
Os demais viram que a diferença de temperatura era imensa,
mas estavam em uma cidade coberta, se pensavam em 28 negati-
vos, algo próximo do zero era bem aceitável.

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Lucas chega ao apartamen-
to e olha para o espelho, olha para
fora, olha para o CEL e fala serio.
— As vezes não percebe-
mos o básico, mas como eles vão
entender o que para eles se de-
signa de intuição, pode se calcular, como eles poderiam entender
que cada célula de meu corpo vê, sente, mas minha intuição falhou
e deixou um filho escapar, por este erro, 6 milhões de pessoas mor-
reram, mas nem ele reparou que eu também sou – o rosto dele se
deforma, sua retina se altera – o ser que eu quiser, que minha reti-
na nunca daria quem eu era para um autômato.
Ele olha para o oeste e fica pensando que teria de recomeçar
aquele projeto, ele talvez precisasse dividir isto com alguém, mas
não saberia o fazer ainda.

Fim.

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