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Professor:

Barney Bichara Rafael Barreto Ramos


Curso SUPREMO 2017

CURSO PROCURADOR DA CÂMARA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE


Direito Administrativo

Professor: Barney Bichara

04/09/17
IMPORTANTE:
Inovações do Direito Administrativo:

1) Criou-se o art. 34-A do Decreto-Lei 3365.


Art. 34-A – Decreto-Lei 3365/41. Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão
concessiva da imissão provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o
consequente registro da propriedade na matrícula do imóvel. (Incluído pela Lei nº 13.465, de
2017)
o
§ 1 A concordância escrita do expropriado não implica renúncia ao seu direito de questionar o preço
ofertado em juízo. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
o
§ 2 Na hipótese deste artigo, o expropriado poderá levantar 100% (cem por cento) do depósito de que
trata o art. 33 deste Decreto-Lei. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
o o o
§ 3 Do valor a ser levantado pelo expropriado devem ser deduzidos os valores dispostos nos §§ 1 e 2 do
art. 32 deste Decreto-Lei, bem como, a critério do juiz, aqueles tidos como necessários para o custeio das
despesas processuais. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

2) Criada a Lei 13460/17 que dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do
usuário dos serviços públicos da administração pública.

Lei 13.460/17

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
o
Art. 1 Esta Lei estabelece normas básicas para participação, proteção e defesa dos direitos do usuário
dos serviços públicos prestados direta ou indiretamente pela administração pública.
o
§ 1 O disposto nesta Lei aplica-se à administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do
o
Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do inciso I do § 3 do art. 37 da Constituição Federal.
o
§ 2 A aplicação desta Lei não afasta a necessidade de cumprimento do disposto:

I - em normas regulamentadoras específicas, quando se tratar de serviço ou atividade sujeitos a regulação


ou supervisão; e
o
II - na Lei n 8.078, de 11 de setembro de 1990, quando caracterizada relação de consumo.
o
§ 3 Aplica-se subsidiariamente o disposto nesta Lei aos serviços públicos prestados por particular.
o
Art. 2 Para os fins desta Lei, consideram-se:

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I - usuário - pessoa física ou jurídica que se beneficia ou utiliza, efetiva ou potencialmente, de serviço
público;

II - serviço público - atividade administrativa ou de prestação direta ou indireta de bens ou serviços à


população, exercida por órgão ou entidade da administração pública;

III - administração pública - órgão ou entidade integrante da administração pública de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a Advocacia Pública e a Defensoria
Pública;

IV - agente público - quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil ou militar, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração; e

V - manifestações - reclamações, denúncias, sugestões, elogios e demais pronunciamentos de usuários


que tenham como objeto a prestação de serviços públicos e a conduta de agentes públicos na prestação
e fiscalização de tais serviços.
o
Parágrafo único. O acesso do usuário a informações será regido pelos termos da Lei n 12.527, de 18 de
novembro de 2011.
o
Art. 3 Com periodicidade mínima anual, cada Poder e esfera de Governo publicará quadro geral dos
serviços públicos prestados, que especificará os órgãos ou entidades responsáveis por sua realização e a
autoridade administrativa a quem estão subordinados ou vinculados.
o
Art. 4 Os serviços públicos e o atendimento do usuário serão realizados de forma adequada, observados
os princípios da regularidade, continuidade, efetividade, segurança, atualidade, generalidade,
transparência e cortesia.

CAPÍTULO II

DOS DIREITOS BÁSICOS E DEVERES DOS USUÁRIOS


o
Art. 5 O usuário de serviço público tem direito à adequada prestação dos serviços, devendo os agentes
públicos e prestadores de serviços públicos observar as seguintes diretrizes:

I - urbanidade, respeito, acessibilidade e cortesia no atendimento aos usuários;

II - presunção de boa-fé do usuário;

III - atendimento por ordem de chegada, ressalvados casos de urgência e aqueles em que houver
possibilidade de agendamento, asseguradas as prioridades legais às pessoas com deficiência, aos idosos,
às gestantes, às lactantes e às pessoas acompanhadas por crianças de colo;

IV - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de exigências, obrigações, restrições e sanções não
previstas na legislação;

V - igualdade no tratamento aos usuários, vedado qualquer tipo de discriminação;

VI - cumprimento de prazos e normas procedimentais;

VII - definição, publicidade e observância de horários e normas compatíveis com o bom atendimento ao
usuário;

VIII - adoção de medidas visando a proteção à saúde e a segurança dos usuários;

IX - autenticação de documentos pelo próprio agente público, à vista dos originais apresentados pelo
usuário, vedada a exigência de reconhecimento de firma, salvo em caso de dúvida de autenticidade;

X - manutenção de instalações salubres, seguras, sinalizadas, acessíveis e adequadas ao serviço e ao


atendimento;

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XI - eliminação de formalidades e de exigências cujo custo econômico ou social seja superior ao risco
envolvido;

XII - observância dos códigos de ética ou de conduta aplicáveis às várias categorias de agentes públicos;

XIII - aplicação de soluções tecnológicas que visem a simplificar processos e procedimentos de


atendimento ao usuário e a propiciar melhores condições para o compartilhamento das informações;

XIV - utilização de linguagem simples e compreensível, evitando o uso de siglas, jargões e estrangeirismos;
e

XV - vedação da exigência de nova prova sobre fato já comprovado em documentação válida apresentada.
o
Art. 6 São direitos básicos do usuário:

I - participação no acompanhamento da prestação e na avaliação dos serviços;

II - obtenção e utilização dos serviços com liberdade de escolha entre os meios oferecidos e sem
discriminação;

III - acesso e obtenção de informações relativas à sua pessoa constantes de registros ou bancos de dados,
observado o disposto no inciso X do caput do art. 5º da Constituição Federal e na Lei nº 12.527, de 18 de
novembro de 2011;

IV - proteção de suas informações pessoais, nos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011;

V - atuação integrada e sistêmica na expedição de atestados, certidões e documentos comprobatórios de


regularidade; e

VI - obtenção de informações precisas e de fácil acesso nos locais de prestação do serviço, assim como
sua disponibilização na internet, especialmente sobre:

a) horário de funcionamento das unidades administrativas;

b) serviços prestados pelo órgão ou entidade, sua localização exata e a indicação do setor responsável
pelo atendimento ao público;

c) acesso ao agente público ou ao órgão encarregado de receber manifestações;

d) situação da tramitação dos processos administrativos em que figure como interessado; e

e) valor das taxas e tarifas cobradas pela prestação dos serviços, contendo informações para a
compreensão exata da extensão do serviço prestado.
o
Art. 7 Os órgãos e entidades abrangidos por esta Lei divulgarão Carta de Serviços ao Usuário.
o
§ 1 A Carta de Serviços ao Usuário tem por objetivo informar o usuário sobre os serviços prestados pelo
órgão ou entidade, as formas de acesso a esses serviços e seus compromissos e padrões de qualidade de
atendimento ao público.
o
§ 2 A Carta de Serviços ao Usuário deverá trazer informações claras e precisas em relação a cada um dos
serviços prestados, apresentando, no mínimo, informações relacionadas a:

I - serviços oferecidos;

II - requisitos, documentos, formas e informações necessárias para acessar o serviço;

III - principais etapas para processamento do serviço;

IV - previsão do prazo máximo para a prestação do serviço;

V - forma de prestação do serviço; e

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VI - locais e formas para o usuário apresentar eventual manifestação sobre a prestação do serviço.
o o
§ 3 Além das informações descritas no § 2 , a Carta de Serviços ao Usuário deverá detalhar os
compromissos e padrões de qualidade do atendimento relativos, no mínimo, aos seguintes aspectos:

I - prioridades de atendimento;

II - previsão de tempo de espera para atendimento;

III - mecanismos de comunicação com os usuários;

IV - procedimentos para receber e responder as manifestações dos usuários; e

V - mecanismos de consulta, por parte dos usuários, acerca do andamento do serviço solicitado e de
eventual manifestação.
o
§ 4 A Carta de Serviços ao Usuário será objeto de atualização periódica e de permanente divulgação
mediante publicação em sítio eletrônico do órgão ou entidade na internet.
o
§ 5 Regulamento específico de cada Poder e esfera de Governo disporá sobre a operacionalização da
Carta de Serviços ao Usuário.
o
Art. 8 São deveres do usuário:

I - utilizar adequadamente os serviços, procedendo com urbanidade e boa-fé;

II - prestar as informações pertinentes ao serviço prestado quando solicitadas;

III - colaborar para a adequada prestação do serviço; e

IV - preservar as condições dos bens públicos por meio dos quais lhe são prestados os serviços de que
trata esta Lei.

CAPÍTULO III

DAS MANIFESTAÇÕES DOS USUÁRIOS DE SERVIÇOS PÚBLICOS


o
Art. 9 Para garantir seus direitos, o usuário poderá apresentar manifestações perante a administração
pública acerca da prestação de serviços públicos.

Art. 10. A manifestação será dirigida à ouvidoria do órgão ou entidade responsável e conterá a
identificação do requerente.
o
§ 1 A identificação do requerente não conterá exigências que inviabilizem sua manifestação.
o
§ 2 São vedadas quaisquer exigências relativas aos motivos determinantes da apresentação de
manifestações perante a ouvidoria.
o
§ 3 Caso não haja ouvidoria, o usuário poderá apresentar manifestações diretamente ao órgão ou
entidade responsável pela execução do serviço e ao órgão ou entidade a que se subordinem ou se
vinculem.
o
§ 4 A manifestação poderá ser feita por meio eletrônico, ou correspondência convencional, ou
verbalmente, hipótese em que deverá ser reduzida a termo.
o o
§ 5 No caso de manifestação por meio eletrônico, prevista no § 4 , respeitada a legislação específica de
sigilo e proteção de dados, poderá a administração pública ou sua ouvidoria requerer meio de certificação
da identidade do usuário.
o
§ 6 Os órgãos e entidades públicos abrangidos por esta Lei deverão colocar à disposição do usuário
formulários simplificados e de fácil compreensão para a apresentação do requerimento previsto no caput,
facultada ao usuário sua utilização.

4

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o
§ 7 A identificação do requerente é informação pessoal protegida com restrição de acesso nos termos
da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011.

Art. 11. Em nenhuma hipótese, será recusado o recebimento de manifestações formuladas nos termos
desta Lei, sob pena de responsabilidade do agente público.

Art. 12. Os procedimentos administrativos relativos à análise das manifestações observarão os princípios
da eficiência e da celeridade, visando a sua efetiva resolução.

Parágrafo único. A efetiva resolução das manifestações dos usuários compreende:

I - recepção da manifestação no canal de atendimento adequado;

II - emissão de comprovante de recebimento da manifestação;

III - análise e obtenção de informações, quando necessário;

IV - decisão administrativa final; e

V - ciência ao usuário.

CAPÍTULO IV

DAS OUVIDORIAS

Art. 13. As ouvidorias terão como atribuições precípuas, sem prejuízo de outras estabelecidas em
regulamento específico:

I - promover a participação do usuário na administração pública, em cooperação com outras entidades de


defesa do usuário;

II - acompanhar a prestação dos serviços, visando a garantir a sua efetividade;

III - propor aperfeiçoamentos na prestação dos serviços;

IV - auxiliar na prevenção e correção dos atos e procedimentos incompatíveis com os princípios


estabelecidos nesta Lei;

V - propor a adoção de medidas para a defesa dos direitos do usuário, em observância às determinações
desta Lei;

VI - receber, analisar e encaminhar às autoridades competentes as manifestações, acompanhando o


tratamento e a efetiva conclusão das manifestações de usuário perante órgão ou entidade a que se
vincula; e

VII - promover a adoção de mediação e conciliação entre o usuário e o órgão ou a entidade pública, sem
prejuízo de outros órgãos competentes.

Art. 14. Com vistas à realização de seus objetivos, as ouvidorias deverão:

I - receber, analisar e responder, por meio de mecanismos proativos e reativos, as manifestações


encaminhadas por usuários de serviços públicos; e

II - elaborar, anualmente, relatório de gestão, que deverá consolidar as informações mencionadas no


inciso I, e, com base nelas, apontar falhas e sugerir melhorias na prestação de serviços públicos.

Art. 15. O relatório de gestão de que trata o inciso II do caput do art. 14 deverá indicar, ao menos:

I - o número de manifestações recebidas no ano anterior;

II - os motivos das manifestações;

III - a análise dos pontos recorrentes; e

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IV - as providências adotadas pela administração pública nas soluções apresentadas.

Parágrafo único. O relatório de gestão será:

I - encaminhado à autoridade máxima do órgão a que pertence a unidade de ouvidoria; e

II - disponibilizado integralmente na internet.

Art. 16. A ouvidoria encaminhará a decisão administrativa final ao usuário, observado o prazo de trinta
dias, prorrogável de forma justificada uma única vez, por igual período.

Parágrafo único. Observado o prazo previsto no caput, a ouvidoria poderá solicitar informações e
esclarecimentos diretamente a agentes públicos do órgão ou entidade a que se vincula, e as solicitações
devem ser respondidas no prazo de vinte dias, prorrogável de forma justificada uma única vez, por igual
período.

Art. 17. Atos normativos específicos de cada Poder e esfera de Governo disporão sobre a organização e
o funcionamento de suas ouvidorias.

CAPÍTULO V

DOS CONSELHOS DE USUÁRIOS

Art. 18. Sem prejuízo de outras formas previstas na legislação, a participação dos usuários no
acompanhamento da prestação e na avaliação dos serviços públicos será feita por meio de conselhos de
usuários.

Parágrafo único. Os conselhos de usuários são órgãos consultivos dotados das seguintes atribuições:

I - acompanhar a prestação dos serviços;

II - participar na avaliação dos serviços;

III - propor melhorias na prestação dos serviços;

IV - contribuir na definição de diretrizes para o adequado atendimento ao usuário; e

V - acompanhar e avaliar a atuação do ouvidor.

Art. 19. A composição dos conselhos deve observar os critérios de representatividade e pluralidade das
partes interessadas, com vistas ao equilíbrio em sua representação.

Parágrafo único. A escolha dos representantes será feita em processo aberto ao público e diferenciado
por tipo de usuário a ser representado.

Art. 20. O conselho de usuários poderá ser consultado quanto à indicação do ouvidor.

Art. 21. A participação do usuário no conselho será considerada serviço relevante e sem remuneração.

Art. 22. Regulamento específico de cada Poder e esfera de Governo disporá sobre a organização e
funcionamento dos conselhos de usuários.

CAPÍTULO VI

DA AVALIAÇÃO CONTINUADA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Art. 23. Os órgãos e entidades públicos abrangidos por esta Lei deverão avaliar os serviços prestados, nos
seguintes aspectos:

I - satisfação do usuário com o serviço prestado;

II - qualidade do atendimento prestado ao usuário;

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III - cumprimento dos compromissos e prazos definidos para a prestação dos serviços;

IV - quantidade de manifestações de usuários; e

V - medidas adotadas pela administração pública para melhoria e aperfeiçoamento da prestação do


serviço.
o
§ 1 A avaliação será realizada por pesquisa de satisfação feita, no mínimo, a cada um ano, ou por
qualquer outro meio que garanta significância estatística aos resultados.
o
§ 2 O resultado da avaliação deverá ser integralmente publicado no sítio do órgão ou entidade, incluindo
o ranking das entidades com maior incidência de reclamação dos usuários na periodicidade a que se
o
refere o § 1 , e servirá de subsídio para reorientar e ajustar os serviços prestados, em especial quanto ao
cumprimento dos compromissos e dos padrões de qualidade de atendimento divulgados na Carta de
Serviços ao Usuário.

Art. 24. Regulamento específico de cada Poder e esfera de Governo disporá sobre a avaliação da
efetividade e dos níveis de satisfação dos usuários.

CAPÍTULO VII

DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 25. Esta Lei entra em vigor, a contar da sua publicação, em:

I - trezentos e sessenta dias para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios com mais de
quinhentos mil habitantes;

II - quinhentos e quarenta dias para os Municípios entre cem mil e quinhentos mil habitantes; e

III - setecentos e vinte dias para os Municípios com menos de cem mil habitantes.
o o
Brasília, 26 de junho de 2017; 196 da Independência e 129 da República.

3) A lei de relicitação (13448/17) diz que é direito patrimonial disponível, portanto, pode ser
submetido à arbitragem:
a) Equilíbrio financeiro do contrato;

b) Questões relacionadas às obrigações do poder público e concessionário;

Art. 39 – Lei 8987/95. O contrato de concessão poderá ser rescindido por iniciativa da concessionária, no
caso de descumprimento das normas contratuais pelo poder concedente, mediante ação judicial
especialmente intentada para esse fim.

Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput deste artigo, os serviços prestados pela concessionária
não poderão ser interrompidos ou paralisados, até a decisão judicial transitada em julgado.

LEI Nº 13.448, DE 5 DE JUNHO DE 2017.


Estabelece diretrizes gerais para prorrogação e relicitação dos contratos de parceria definidos nos termos
da Lei no 13.334, de 13 de setembro de 2016, nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário da
administração pública federal, e altera a Lei no 10.233, de 5 de junho de 2001, e a Lei no 8.987, de 13 de
fevereiro de 1995.

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
o
Art. 1 Esta Lei estabelece diretrizes gerais para prorrogação e relicitação dos contratos de parceria
o
definidos nos termos da Lei n 13.334, de 13 de setembro de 2016, nos setores rodoviário, ferroviário e

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o
aeroportuário da administração pública federal, e altera a Lei n 10.233, de 5 de junho de 2001, e a Lei
o
n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995.
o
Art. 2 A prorrogação e a relicitação de que trata esta Lei aplicam-se apenas a empreendimento público
prévia e especificamente qualificado para esse fim no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
o
Art. 3 O ministério ou a agência reguladora, na condição de órgão ou de entidade competente, adotará
no contrato prorrogado ou relicitado as melhores práticas regulatórias, incorporando novas tecnologias
e serviços e, conforme o caso, novos investimentos.
o
Art. 4 Para os fins desta Lei, considera-se:

I - prorrogação contratual: alteração do prazo de vigência do contrato de parceria, expressamente


admitida no respectivo edital ou no instrumento contratual original, realizada a critério do órgão ou da
entidade competente e de comum acordo com o contratado, em razão do término da vigência do ajuste;

II - prorrogação antecipada: alteração do prazo de vigência do contrato de parceria, quando


expressamente admitida a prorrogação contratual no respectivo edital ou no instrumento contratual
original, realizada a critério do órgão ou da entidade competente e de comum acordo com o contratado,
produzindo efeitos antes do término da vigência do ajuste;

III - relicitação: procedimento que compreende a extinção amigável do contrato de parceria e a celebração
de novo ajuste negocial para o empreendimento, em novas condições contratuais e com novos
contratados, mediante licitação promovida para esse fim.

CAPÍTULO II

DA PRORROGAÇÃO DO CONTRATO DE PARCERIA


o
Art. 5 A prorrogação contratual e a prorrogação antecipada do contrato de parceria nos setores
rodoviário e ferroviário observarão as disposições dos respectivos instrumentos contratuais, balizando-
se, adicionalmente, pelo disposto nesta Lei.


o
§ 1 As prorrogações previstas no caput deste artigo poderão ocorrer por provocação de qualquer uma
das partes do contrato de parceria e estarão sujeitas à discricionariedade do órgão ou da entidade
competente.
o
§ 2 Exceto quando houver disposição contratual em contrário, o pedido de prorrogação contratual
deverá ser manifestado formalmente ao órgão ou à entidade competente com antecedência mínima de
24 (vinte e quatro) meses, contados do término do contrato originalmente firmado.
o
§ 3 Para fins do disposto nesta Lei, e desde que já não tenha sido prorrogado anteriormente, o contrato
de parceria poderá ser prorrogado uma única vez, por período igual ou inferior ao prazo de prorrogação
originalmente fixado ou admitido no contrato.
o
Art. 6 A prorrogação antecipada ocorrerá por meio da inclusão de investimentos não previstos no
o
instrumento contratual vigente, observado o disposto no art. 3 desta Lei.
o
§ 1 A prorrogação antecipada ocorrerá apenas no contrato de parceria cujo prazo de vigência, à época
da manifestação da parte interessada, encontrar-se entre 50% (cinquenta por cento) e 90% (noventa por
cento) do prazo originalmente estipulado.
o
§ 2 A prorrogação antecipada estará, ainda, condicionada ao atendimento das seguintes exigências por
parte do contratado:

I - quanto à concessão rodoviária, a execução de, no mínimo, 80% (oitenta por cento) das obras
obrigatórias exigíveis entre o início da concessão e o encaminhamento da proposta de prorrogação

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antecipada, desconsideradas as hipóteses de inadimplemento contratual para as quais o contratado não


tenha dado causa, conforme relatório elaborado pelo órgão ou pela entidade competente;

II - quanto à concessão ferroviária, a prestação de serviço adequado, entendendo-se como tal o


cumprimento, no período antecedente de 5 (cinco) anos, contado da data da proposta de antecipação da
prorrogação, das metas de produção e de segurança definidas no contrato, por 3 (três) anos, ou das metas
de segurança definidas no contrato, por 4 (quatro) anos.
o
Art. 7 O termo aditivo de prorrogação do contrato de parceria deverá conter o respectivo cronograma
dos investimentos obrigatórios previstos e incorporar mecanismos que desestimulem eventuais
inexecuções ou atrasos de obrigações, como o desconto anual de reequilíbrio e o pagamento de adicional
de outorga.
o o
Art. 8 Caberá ao órgão ou à entidade competente, após a qualificação referida no art. 2 desta Lei,
realizar estudo técnico prévio que fundamente a vantagem da prorrogação do contrato de parceria em
relação à realização de nova licitação para o empreendimento.
o
§ 1 Sem prejuízo da regulamentação do órgão ou da entidade competente, deverão constar do estudo
técnico de que trata o caput deste artigo:

I - o programa dos novos investimentos, quando previstos;

II - as estimativas dos custos e das despesas operacionais;

III - as estimativas de demanda;

IV - a modelagem econômico-financeira;

V - as diretrizes ambientais, quando exigíveis, observado o cronograma de investimentos;

VI - as considerações sobre as principais questões jurídicas e regulatórias existentes;

VII - os valores devidos ao poder público pela prorrogação, quando for o caso.
o
§ 2 A formalização da prorrogação do contrato de parceria dependerá de avaliação prévia e favorável
do órgão ou da entidade competente acerca da capacidade de o contratado garantir a continuidade e a
adequação dos serviços.
o
Art. 9 Sem prejuízo das demais disposições desta Lei, as prorrogações dos contratos de parceria no setor
ferroviário também serão orientadas:

I - pela adoção, quando couber, de obrigações de realização de investimento para aumento de capacidade
instalada, de forma a reduzir o nível de saturação do trecho ferroviário, assegurado o reequilíbrio
econômico-financeiro do contrato;

II - pelos parâmetros de qualidade dos serviços, com os respectivos planos de investimento, a serem
pactuados entre as partes;

III - pela garantia contratual de capacidade de transporte a terceiros outorgados pela Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), garantindo-se o direito de passagem, de tráfego mútuo e de exploração
por operador ferroviário independente, mediante acesso à infraestrutura ferroviária e aos respectivos
recursos operacionais do concessionário, garantida a remuneração pela capacidade contratada.
o
§ 1 Os níveis de capacidade de transporte deverão ser fixados para cada ano de vigência do contrato de
parceria prorrogado, e caberá ao órgão ou à entidade competente acompanhar o seu atendimento pelo
contratado.
o
§ 2 Os planos de investimento pactuados poderão prever intervenções obrigatórias pelo contratado,
compatíveis com os níveis de capacidade ajustados.

9

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o
§ 3 Mediante anuência prévia do órgão ou da entidade competente, os planos de investimento serão
revistos para fazer frente aos níveis de capacidade, nos termos do contrato.
o
§ 4 O nível de saturação a que se refere o inciso I do caput deste artigo será determinado ao contratado
pelo poder concedente.
o
Art. 10. As prorrogações de que trata o art. 5 desta Lei deverão ser submetidas previamente a consulta
o
pública pelo órgão ou pela entidade competente, em conjunto com o estudo referido no art. 8 desta Lei.

Parágrafo único. A consulta pública será divulgada na imprensa oficial e na internet e deverá conter a
identificação do objeto, a motivação para a prorrogação e as condições propostas, entre outras
informações relevantes, fixando-se o prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias para recebimento de
sugestões.

Art. 11. Encerrada a consulta pública, serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União o estudo de
o
que trata o art. 8 desta Lei, os documentos que comprovem o cumprimento das exigências de que tratam
o o
os incisos I e II do § 2 do art. 6 desta Lei, quando for o caso, e o termo aditivo de prorrogação contratual.

Art. 12. (VETADO).

CAPÍTULO III

DA RELICITAÇÃO DO OBJETO DO CONTRATO DE PARCERIA

Art. 13. Com o objetivo de assegurar a continuidade da prestação dos serviços, o órgão ou a entidade
competente poderá realizar, observadas as condições fixadas nesta Lei, a relicitação do objeto dos
contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário cujas disposições contratuais
não estejam sendo atendidas ou cujos contratados demonstrem incapacidade de adimplir as obrigações
contratuais ou financeiras assumidas originalmente.

Art. 14. A relicitação de que trata o art. 13 desta Lei ocorrerá por meio de acordo entre as partes, nos
termos e prazos definidos em ato do Poder Executivo.
o
§ 1 Caberá ao órgão ou à entidade competente, em qualquer caso, avaliar a necessidade, a pertinência
e a razoabilidade da instauração do processo de relicitação do objeto do contrato de parceria, tendo em
vista os aspectos operacionais e econômico-financeiros e a continuidade dos serviços envolvidos.
o
§ 2 Sem prejuízo de outros requisitos definidos em ato do Poder Executivo, a instauração do processo
de relicitação é condicionada à apresentação pelo contratado:

I - das justificativas e dos elementos técnicos que demonstrem a necessidade e a conveniência da adoção
do processo de relicitação, com as eventuais propostas de solução para as questões enfrentadas;

II - da renúncia ao prazo para corrigir eventuais falhas e transgressões e para o enquadramento previsto
o o
no § 3 do art. 38 da Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, caso seja posteriormente instaurado ou
retomado o processo de caducidade;

III - de declaração formal quanto à intenção de aderir, de maneira irrevogável e irretratável, ao processo
de relicitação do contrato de parceria, nos termos desta Lei;

IV - da renúncia expressa quanto à participação no novo certame ou no futuro contrato de parceria


relicitado, nos termos do art. 16 desta Lei;

V - das informações necessárias à realização do processo de relicitação, em especial as demonstrações


relacionadas aos investimentos em bens reversíveis vinculados ao empreendimento e aos eventuais
instrumentos de financiamento utilizados no contrato, bem como de todos os contratos em vigor de
cessão de uso de áreas para fins comerciais e de prestação de serviços, nos espaços sob a titularidade do
atual contratado.

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o o
§ 3 Qualificado o contrato de parceria para a relicitação, nos termos do art. 2 desta Lei, serão
sobrestadas as medidas destinadas a instaurar ou a dar seguimento a processos de caducidade
eventualmente em curso contra o contratado.
o
§ 4 Não se aplicam ao contrato de parceria especificamente qualificado para fins de relicitação, até sua
o
conclusão, os regimes de recuperação judicial e extrajudicial previstos na Lei n 11.101, de 9 de fevereiro
o
de 2005, exceto na hipótese prevista no § 1 do art. 20 desta Lei.

Art. 15. A relicitação do contrato de parceria será condicionada à celebração de termo aditivo com o atual
contratado, do qual constarão, entre outros elementos julgados pertinentes pelo órgão ou pela entidade
competente:

I - a aderência irrevogável e irretratável do atual contratado à relicitação do empreendimento e à


posterior extinção amigável do ajuste originário, nos termos desta Lei;

II - a suspensão das obrigações de investimento vincendas a partir da celebração do termo aditivo e as


condições mínimas em que os serviços deverão continuar sendo prestados pelo atual contratado até a
assinatura do novo contrato de parceria, garantindo-se, em qualquer caso, a continuidade e a segurança
dos serviços essenciais relacionados ao empreendimento;

III - o compromisso arbitral entre as partes com previsão de submissão, à arbitragem ou a outro
mecanismo privado de resolução de conflitos admitido na legislação aplicável, das questões que envolvam
o cálculo das indenizações pelo órgão ou pela entidade competente, relativamente aos procedimentos
estabelecidos por esta Lei.
o
§ 1 Também poderão constar do termo aditivo de que trata o caput deste artigo e do futuro contrato de
parceria a ser celebrado pelo órgão ou pela entidade competente:
o
I - a previsão de que as indenizações apuradas nos termos do inciso VII do § 1 do art. 17 desta Lei serão
pagas pelo novo contratado, nos termos e limites previstos no edital da relicitação;

II - a previsão de pagamento, diretamente aos financiadores do contratado original, dos valores


correspondentes às indenizações devidas pelo órgão ou pela entidade competente nos termos do inciso
o
VII do § 1 do art. 17 desta Lei.
o
§ 2 As multas e as demais somas de natureza não tributária devidas pelo anterior contratado ao órgão
o
ou à entidade competente deverão ser abatidas dos valores de que trata o inciso I do § 1 deste artigo,
inclusive o valor relacionado à outorga originalmente ofertada, calculado conforme ato do órgão ou da
entidade competente.
o o
§ 3 O pagamento ao anterior contratado da indenização calculada com base no § 2 deste artigo será
condição para o início do novo contrato de parceria.

Art. 16. São impedidos de participar do certame licitatório da relicitação de que trata esta Lei:

I - o contratado ou a Sociedade de Propósito Específico (SPE) responsável pela execução do contrato de


parceria;

II - os acionistas da SPE responsável pela execução do contrato de parceria titulares de, no mínimo, 20%
(vinte por cento) do capital votante em qualquer momento anterior à instauração do processo de
relicitação.

Parágrafo único. As vedações de que trata este artigo também alcançam a participação das entidades
mencionadas:

I - em consórcios constituídos para participar da relicitação;

II - no capital social de empresa participante da relicitação;

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III - na nova SPE constituída para executar o empreendimento relicitado.

Art. 17. O órgão ou a entidade competente promoverá o estudo técnico necessário de forma precisa,
clara e suficiente para subsidiar a relicitação dos contratos de parceria, visando a assegurar sua viabilidade
econômico-financeira e operacional.
o
§ 1 Sem prejuízo de outros elementos fixados na regulamentação do órgão ou da
entidade competente, deverão constar do estudo técnico de que trata o caput deste artigo:

I - o cronograma de investimentos previstos;

II - as estimativas dos custos e das despesas operacionais;

III - as estimativas de demanda;

IV - a modelagem econômico-financeira;

V - as diretrizes ambientais, quando exigíveis, observado o cronograma de investimentos;

VI - as considerações sobre as principais questões jurídicas e regulatórias existentes;

VII - o levantamento de indenizações eventualmente devidas ao contratado pelos investimentos em bens


reversíveis vinculados ao contrato de parceria realizados e não amortizados ou depreciados.
o o
§ 2 A metodologia para calcular as indenizações de que trata o inciso VII do § 1 deste artigo será
disciplinada em ato normativo do órgão ou da entidade competente.
o
§ 3 Sem prejuízo das disposições do contrato de parceria, o órgão ou a entidade competente poderá
consultar os financiadores do contratado sobre possíveis contribuições para os estudos relacionados à
relicitação do empreendimento.
o
§ 4 Quando as condições de financiamento se mostrarem vantajosas para o poder público e viáveis para
os financiadores, o órgão ou a entidade competente poderá, consultados os financiadores, exigir a
assunção, pela futura SPE, das dívidas adquiridas pelo anterior contratado, nos termos estabelecidos pelo
edital.

Art. 18. O órgão ou a entidade competente submeterá os estudos de que trata o art. 17 desta Lei a
consulta pública, que deverá ser divulgada na imprensa oficial e na internet, contendo a identificação do
objeto, a motivação para a relicitação e as condições propostas, entre outras informações relevantes, e
fixará prazo de no mínimo 45 (quarenta e cinco) dias para recebimento de sugestões.

Art. 19. Encerrada a consulta pública, os estudos de que trata o art. 17 desta Lei deverão ser
encaminhados ao Tribunal de Contas da União, em conjunto com os documentos referidos no art. 14
desta Lei.

Art. 20. Na hipótese de não acudirem interessados para o processo licitatório previsto no art. 13 desta
Lei, o contratado deverá dar continuidade à prestação do serviço público, nas condições previstas no
inciso II do caput do art. 15 desta Lei, até a realização de nova sessão para recebimento de propostas.
o
§ 1 Se persistir o desinteresse de potenciais licitantes ou não for concluído o processo de relicitação no
o
prazo de 24 (vinte e quatro) meses, contado da data da qualificação referida no art. 2 desta Lei, o órgão
ou a entidade competente adotará as medidas contratuais e legais pertinentes, revogando o
sobrestamento das medidas destinadas a instaurar ou a dar seguimento a processo de caducidade
anteriormente instaurado, na forma da lei.
o o
§ 2 O prazo de que trata o § 1 deste artigo poderá ser prorrogado, justificadamente, mediante
deliberação do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (CPPI).

CAPÍTULO IV

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DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 21. A Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 24. ........................................................................

..............................................................................................

IX - autorizar projetos e investimentos no âmbito das outorgas estabelecidas;

..............................................................................................

XIX - declarar a utilidade pública para fins de desapropriação ou de servidão administrativa de bens e
propriedades necessários à execução de obras no âmbito das outorgas estabelecidas.

....................................................................................” (NR)

“Art. 34-A. As concessões e as suas prorrogações, a serem outorgadas pela ANTT e pela Antaq para a
exploração de infraestrutura, precedidas ou não de obra pública, ou para prestação de serviços de
transporte ferroviário associado à exploração de infraestrutura, poderão ter caráter de exclusividade
quanto a seu objeto, nos termos do edital e do contrato, devendo as novas concessões serem precedidas
de licitação disciplinada em regulamento próprio, aprovado pela Diretoria da Agência.

...................................................................................” (NR)

Art. 22. As alterações dos contratos de parceria decorrentes da modernização, da adequação, do


o
aprimoramento ou da ampliação dos serviços não estão condicionadas aos limites fixados nos §§ 1 e
o o
2 do art. 65 da Lei n 8.666, de 21 de junho de 1993.

Art. 23. Na hipótese de concessão à iniciativa privada de aeroportos atribuídos à Empresa Brasileira de
Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o edital e o respectivo contrato de concessão poderão prever o
pagamento, pela concessionária, diretamente à Infraero, de indenização pelos custos de adequação de
efetivo de pessoal.

Art. 24. O Poder Executivo estabelecerá as diretrizes para a utilização da metodologia do fluxo de caixa
marginal para fins de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de parceria
relacionados aos setores de que trata esta Lei.

Art. 25. O órgão ou a entidade competente é autorizado a promover alterações nos contratos de parceria
no setor ferroviário a fim de solucionar questões operacionais e logísticas, inclusive por meio de
prorrogações ou relicitações da totalidade ou de parte dos empreendimentos contratados.
o
§ 1 O órgão ou a entidade competente poderá, de comum acordo com os contratados, buscar soluções
para todo o sistema e adotar medidas diferenciadas por contrato ou por trecho ferroviário que
considerem a reconfiguração de malhas, admitida a previsão de investimentos pelos contratados em
malha própria ou naquelas de interesse da administração pública.
o o
§ 2 Para efeito do disposto no § 1 deste artigo, admitir-se-ão, entre outras medidas, observada a
manutenção do equilíbrio econômico-financeiro dos ajustes:

I - a incorporação da totalidade ou de partes resultantes de cisão de outros contratos de parceria;

II - a desafetação de bens vinculados à prestação dos serviços e a extinção dos serviços relacionados
àqueles bens;

III - a utilização de trechos desincorporados para a prestação de serviços de transporte de curta distância
por terceiros;

IV - o desmembramento de parte da faixa de domínio para entes federados que pretendam implantar o
transporte ferroviário de passageiros.

13

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o
§ 3 Nos termos e prazos definidos em ato do Poder Executivo, as partes promoverão a extinção dos
contratos de arrendamento de bens vinculados aos contratos de parceria no setor ferroviário,
preservando-se as obrigações financeiras pagas e a pagar dos contratos de arrendamento extintos na
equação econômico-financeira dos contratos de parceria.
o
§ 4 Os bens operacionais e não operacionais relacionados aos contratos de arrendamento extintos serão
transferidos de forma não onerosa ao contratado e integrarão o contrato de parceria adaptado, com
exceção dos bens imóveis, que serão objeto de cessão de uso ao contratado, observado o disposto no §
o
2 deste artigo e sem prejuízo de outras obrigações.
o
§ 5 Ao contratado caberá gerir, substituir, dispor ou desfazer-se dos bens móveis operacionais e não
o
operacionais já transferidos ou que venham a integrar os contratos de parceria nos termos do § 3 deste
artigo, observadas as condições relativas à capacidade de transporte e à qualidade dos serviços pactuadas
contratualmente.
o
§ 6 Ao final da vigência dos contratos de parceria, todos os bens móveis e imóveis necessários à execução
dos serviços contratados e vinculados à disponibilização de capacidade, nos volumes e nas condições
pactuadas entre as partes, serão revertidos à União, respeitado o equilíbrio econômico-financeiro do
contrato, cabendo indenização no caso da parcela não amortizada do investimento.
o o o
§ 7 O disposto no inciso XVII do caput e no § 4 , ambos do art. 82 da Lei n 10.233, de 5 junho de 2001,
não se aplica às hipóteses previstas neste artigo.

Art. 26. Os contratados poderão promover, nos termos de regulamentação do Poder Executivo, a
alienação ou a disposição de bens móveis inservíveis do Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (Dnit), arrendados ou não, localizados na faixa de domínio da ferrovia objeto do contrato de
parceria.

Art. 27. Os contratos de parceria do setor ferroviário poderão abranger a construção de novos trechos
ou ramais ferroviários, com a extensão necessária para atender polos geradores de carga, mediante
requerimento do concessionário e anuência do poder concedente.
o
§ 1 Para os fins do disposto no caput deste artigo, exige-se a apresentação de estudo que demonstre a
viabilidade técnico-econômico-financeira do projeto.
o o
§ 2 O estudo mencionado no § 1 deste artigo deverá demonstrar, em relação ao novo trecho, a
inexequibilidade econômica de sua exploração segregada do contrato de parceria.
o
§ 3 Os investimentos realizados por conta e risco do contratado para a viabilização de novos trechos ou
ramais ferroviários não gerarão indenização por ocasião do término do contrato.

Art. 28. (VETADO).

Art. 29. (VETADO).

Art. 30. São a União e os entes da administração pública federal indireta, em conjunto ou isoladamente,
autorizados a compensar haveres e deveres de natureza não tributária, incluindo multas, com os
respectivos contratados, no âmbito dos contratos nos setores rodoviário e ferroviário.
o
§ 1 Excluem-se da compensação de que trata o caput deste artigo os valores já inscritos em dívida ativa
da União.
o
§ 2 Os valores apurados com base no caput deste artigo poderão ser utilizados para o investimento,
diretamente pelos respectivos concessionários e subconcessionários, em malha própria ou naquelas de
interesse da administração pública.
o
§ 3 A parcela dos investimentos correspondente aos valores compensados não poderá ser utilizada para
fins de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato e indenização.

14

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o
§ 4 O órgão ou a entidade competente realizará estudo técnico que fundamente a inclusão dos novos
investimentos ou serviços a serem considerados, podendo valer-se para tanto de estudos técnicos
realizados pelo respectivo parceiro contratado.

Art. 31. As controvérsias surgidas em decorrência dos contratos nos setores de que trata esta Lei após
decisão definitiva da autoridade competente, no que se refere aos direitos patrimoniais disponíveis,
podem ser submetidas a arbitragem ou a outros mecanismos alternativos de solução de controvérsias.
o
§ 1 Os contratos que não tenham cláusula arbitral, inclusive aqueles em vigor, poderão ser aditados a
fim de se adequar ao disposto no caput deste artigo.
o
§ 2 As custas e despesas relativas ao procedimento arbitral, quando instaurado, serão antecipadas pelo
parceiro privado e, quando for o caso, serão restituídas conforme posterior deliberação final em instância
arbitral.
o
§ 3 A arbitragem será realizada no Brasil e em língua portuguesa.
o
§ 4 Consideram-se controvérsias sobre direitos patrimoniais disponíveis, para fins desta Lei:

I - as questões relacionadas à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos;

II - o cálculo de indenizações decorrentes de extinção ou de transferência do contrato de concessão; e

III - o inadimplemento de obrigações contratuais por qualquer das partes.


o
§ 5 Ato do Poder Executivo regulamentará o credenciamento de câmaras arbitrais para os fins desta Lei.

Art. 32. Nos casos em que houver estudo ou licitação em andamento para substituição de contrato em
vigor e não haja tempo hábil para que o vencedor do certame assuma o objeto do contrato, o órgão ou a
entidade competente fica autorizado a estender o prazo do contrato, justificadamente, por até 24 (vinte
e quatro) meses, a fim de que não haja descontinuidade na prestação do serviço.

Art. 33. Os concessionários de serviços ferroviários poderão subconceder a manutenção e a operação de


trechos ferroviários aos entes federados interessados, desde que haja anuência do poder concedente,
conforme regulamento.

Art. 34. Quando se mostrar necessário à viabilidade dos projetos associados ou dos empreendimentos
acessórios, admitir-se-á que a exploração de tais projetos ou empreendimentos ocorra por prazo superior
à vigência dos respectivos contratos de parceria.

Parágrafo único. O órgão ou a entidade competente avaliará a pertinência da adoção da medida de que
trata o caput deste artigo, sendo vedada, em qualquer caso, a antecipação das receitas oriundas dos
projetos associados ou dos empreendimentos acessórios relativamente ao período que extrapolar o prazo
do contrato de parceria.

Art. 35. (VETADO)..

Art. 36. Admitir-se-á, para a execução dos contratos de parceria, a constituição de subsidiária integral
tendo como único acionista sociedade estrangeira.

Art. 37. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

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Ø Introdução

1. Fontes do Direito Administrativo


A ideia de fontes, no Direito Administrativo, parte do fato de o direito ser resultado de uma
construção social, devendo-se estabelecer os meios pelos quais o Direito Administrativo se
forma, revela-se.

1.1. Doutrina clássica


1.1.1. Fonte primária

Lei em sentido amplo, ou seja, qualquer ato normativo do Estado.

Ex. Constituição, emenda, medida provisória, regulamento executivo, decreto legislativo, resolução
legislativa, lei em sentido estrito, etc.

1.1.2. Fonte secundária

Integra/suplementa a fonte primária, uma vez que o direito não comporta lacunas.

NÃO PODE CONTRARIAR A FONTE PRIMÁRIA.

a) Doutrina;

Direito Administrativo enquanto ciência.

b) Jurisprudência;

Decisões reiteradas sobre um mesmo tema.

c) Costumes;

Comportamentos reiterados com a crença de amparo legal.

d) Princípios Gerais do Direito

Ideias universalmente aceitas, mesmo que não escritas na Lei ou na Constituição.

1.2. Maria Sylvia Di Pietro


1.2.1. Fontes supranacionais
a) Tratados e convenções internacionais

Ex. Convenção interamericana de combate à corrupção, Pacto de San José da Costa Rica.

b) Princípios jurídicos supranacionais

Princípios aceitos por todos os povos civilizados.

Ex. Devido processo legal (para as pessoas perderem seus bens ou sua liberdade, têm o direito do devido
processo legal), proibição de criação de tribunal de exceção (criado após a ocorrência do fato).

1.2.2. Fontes nacionais

O Direito Administrativo é produzido dentro do ordenamento jurídico pátrio.

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1.2.2.1. Fontes formais

São aquelas que produzem/criam o Direito Administrativo.

“Gera, por si só, o Direito Administrativo.”

a) Lei, Constituição

b) Decisões judiciais que produzem efeitos erga omnes

Ex. Súmulas vinculantes, repercussões gerais, etc.

1.2.2.2. Fontes materiais

É aquela que em que o direito é produzido na medida em que é aplicado.

“A geração decorre da aplicação.”

a) Doutrina

b) Jurisprudência que não produz efeitos erga omnes

c) Costumes

d) Princípios gerais do Direito

2. Princípios

Deve-se ler a doutrina, em especial Celso Antônio Bandeira de Mello.

2.1. Expressos (art. 37, caput, - CF) - LIMPE


Princípios Gerais da Administração Pública.

STF entende que são autoaplicáveis, ou seja, independem de legislação para serem aplicados.
Art. 37 - CF. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Nota:
- Devido processo legal e inafastabilidade da jurisdição também são Princípios da
Administração, contudo estão previstos no art. 5º - CF. Portanto, não são aplicáveis.

- A Administração NÃO precisa observar esse prazo se o ato administrativo violar a


Constituição.

OU SEJA, O PRAZO DE 5 ANOS NÃO SE APLICA EM RELAÇÃO A ATOS INCONSTITUCIONAIS.


Art. 54 – LEI 9784/99. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram
efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados,
salvo comprovada má-fé.
o
§ 1 No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do
primeiro pagamento.

17

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o
§ 2 Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que
importe impugnação à validade do ato.

2.2. Leis
2.2.1. Art. 2º - Lei 9784/99
Rol dos princípios no caput e definição no parágrafo único.
o
Art. 2 – Lei 9784/99 - A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,
finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório,
segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:

I - atuação conforme a lei e o Direito (Legalidade);

II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências,
salvo autorização em lei;

III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou


autoridades;

IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;

V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição;

VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida
superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público (razoabilidade);

VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão (motivação);

VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;

IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito
aos direitos dos administrados;

X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à


interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;

XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;

XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;

XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público
a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.

2.2.2. Art. 6º - Lei 8987/95


o
Art. 6 - Lei 8987/95 - Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno
atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo
contrato.
o
§ 1 Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança,
atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas.
o
§ 2 A atualidade compreende a modernidade das técnicas, do equipamento e das instalações e a sua
conservação, bem como a melhoria e expansão do serviço.

18

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§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção


em situação de emergência (Ex. Terrorista envenena a água) ou após prévio aviso,
quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações;
e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da
coletividade.
Ex. Não pagou, notifica e corta o serviço. Se cortar prejudica o interesse público, não se deve cortar.

SUPERIMPORTANTE:
- Nos casos do §3º supra, se houver direito fundamental envolvido, deve-se respeitá-lo
(entendimento do STJ).

- Ainda sobre o mesmo tema, se o Estado estiver inadimplente, se não houver interesse público
prejudicado, pode-se cortar.

2.2.3. Art. 6º - Lei 200/67


Art. 6º - Decreto-Lei 200/67 - As atividades da Administração Federal obedecerão aos seguintes princípios
fundamentais:

I - Planejamento.
II - Coordenação.
III - Descentralização.
IV - Delegação de Competência.
V - Contrôle.
Ø Organização da Administração Pública

1. Sentidos da expressão Administração Pública


A expressão Administração Pública tem um sentido objetivo e um sentido subjetivo. É o contexto
que determina o sentido.

1.1. Sentido objetivo/material


A Administração Pública é a própria função administrativa (sendo essa uma das funções do
Estado - Estado legisla, julga e administra). Desdobra-se em:

a) Serviços públicos;

b) Poder de polícia;

c) Fomento;

d) Intervenção indireta no domínio econômico

19

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Ex. Banco Central se reúne para definir a taxa de juros.

IMPORTANTE:
Exploração de atividade econômica de forma direta, ainda que realizada pelo Estado, NÃO é
função administrativa.

1.2. Sentido subjetivo/formal


Encarregados de exercer a atividade/função administrativa.

a) Órgãos Públicos (Administração Pública DIRETA)

b) Pessoas Jurídicas (Administração Pública INDIRETA)

Nota:
Estudar a organização da administração pública é estudar a organização do sujeito e das funções
administrativas.

Ex. Centralizar a descentralizar é a forma como o Estado organiza a prestação da atividade


administrativa.

• Administração no sentido objetivo


2. Centralização vs. descentralização
2.1. Centralização
Quando o Estado, por si só, exerce a função administrativa através de órgãos internos.

HÁ UMA PESSOA JURÍDICA.

2.2. Descentralização
Ocorre quando o Estado transfere para outra pessoa o encargo de exercer a função
administrativa.

HÁ A PLURALIDADE PERSONALIDADES JURÍDICAS E OBRIGAÇÕES DIFERENTES.

3. Concentração vs. desconcentração


Expressões que se referem à reunião (concentração) ou repartição (desconcentração) de
competências entre órgãos internos de uma mesma pessoa jurídica.

HÁ UMA ÚNICA PESSOA JURÍDICA.

Ex – concentração. Reunião de ministérios da educação e cultura.

Ex – desconcentração. Separação dos ministérios da educação e cultura.

4. Formas de descentralização
Formas que o Estado transfere para outra pessoa o exercício da função/atividade administrativa.

4.1. Criação de pessoas jurídicas da Administração Pública Indireta


Criação de autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista.

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4.2. Concessão, permissão e autorização de serviços públicos


4.2.1. Concessão
Seja comum seja especial é forma de descentralização e, assim, forma de descentralização e, por fim,
forma de exercício do Estado da função administrativa.

4.2.1.1. Comum (Lei 8987/95 – IMPORTANTE LEITURA)

a) Serviço público (art. 2º, inciso II)

b) Obra pública (art. 2º, inciso III)


o
Art. 2 – Lei 8987/95 - Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:

I - poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se


encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou
permissão;

II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo


poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à
pessoa jurídica ou consórcio de empresas (vedado a pessoas físicas)que
demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por
prazo determinado;
III - concessão de serviço público precedida da execução de obra pública:
a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou
melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo
poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à
pessoa jurídica ou consórcio de empresas (vedado a pessoas físicas) que
demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de
forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado
mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado;
“Obra não é sinônimo de construção.”

IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de


serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para
seu desempenho, por sua conta e risco.

4.2.1.2. Especial – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA (Lei 11079/04 – IMPORTANTE LEITURA)

a) Parceria público-privada patrocinada (art. 2º, §1º)

b) Parceria público-privada administrativa (art. 2º, §2º)


o
Art. 1 – Lei 11079/04 - Esta Lei institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-
privada no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Parágrafo único. Esta Lei aplica-se aos órgãos da administração pública direta dos Poderes
Executivo e Legislativo, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas
públicas, às sociedades de economia mista e às demais entidades controladas direta ou indiretamente
pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015)

21

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PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE UTILIZAR-SE DA PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA POR EXPRESSA VEDAÇÃO
LEGAL.
o
Art. 2 – Lei 11079/04 - Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade
patrocinada ou administrativa.

§ 1 Concessão patrocinada [parceria público-privada] é a concessão de serviços


o

públicos ou de obras públicas de que trata a Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 [CONCESSÃO
o

COMUM], quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários


contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
Risco compartilhado, pois o concessionário, além da tarifa, recebe uma contraprestação do Estado.

§ 2 Concessão [parceria público-privada] administrativa é o contrato de


o

prestação de serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta


ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e
instalação de bens.
Ex. Presídios (Estado exerce a função jurisdicional, condena o preso e o envia para o presídio).

Nova sede para o Poder Legislativo. Contrata-se uma pessoa jurídica, mediante concessão por parceria
público-privada, para construir e administrar o complexo.

Ex2. Parte das UMEI`s de Belo Horizonte adotam a parceria público-privada administrativa.
o
§ 3 Não constitui parceria público-privada a concessão comum, assim entendida a concessão de serviços
o
públicos ou de obras públicas de que trata a Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando não envolver
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.

§ 4 É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:


o

I – cujo valor do contrato seja inferior a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de


reais);
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou

objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o


III – que tenha como
fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra pública.
o
Art. 3 – Lei 11079/04 - As concessões administrativas regem-se por esta Lei, aplicando-se-lhes
o
adicionalmente o disposto nos arts. 21, 23, 25 e 27 a 39 da Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e
o
no art. 31 da Lei n 9.074, de 7 de julho de 1995. (Regulamento)
o
§ 1 As concessões patrocinadas regem-se por esta Lei, aplicando-se-lhes subsidiariamente o disposto
o
na Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e nas leis que lhe são correlatas. (Regulamento)
o o
§ 2 As concessões comuns continuam regidas pela Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e pelas leis
que lhe são correlatas, não se lhes aplicando o disposto nesta Lei.
o o
§ 3 Continuam regidos exclusivamente pela Lei n 8.666, de 21 de junho de 1993, e pelas leis que lhe são
correlatas os contratos administrativos que não caracterizem concessão comum, patrocinada ou
administrativa.

22

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Curso SUPREMO 2017

o
Art. 4 – Lei 11079/14 - Na contratação de parceria público-privada serão observadas as seguintes
diretrizes:

I – eficiência no cumprimento das missões de Estado e no emprego dos recursos da sociedade;

II – respeito aos interesses e direitos dos destinatários dos serviços e dos entes privados incumbidos da
sua execução;

III – indelegabilidade das funções de regulação, jurisdicional, do exercício do


poder de polícia e de outras atividades exclusivas do Estado;
IV – responsabilidade fiscal na celebração e execução das parcerias;

V – transparência dos procedimentos e das decisões;

VI – repartição objetiva de riscos entre as partes;

VII – sustentabilidade financeira e vantagens socioeconômicas dos projetos de parceria.

Capítulo II

DOS CONTRATOS DE PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA


o
Art. 5 – Lei 11079/14 - As cláusulas dos contratos de parceria público-privada atenderão ao disposto
o
no art. 23 da Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo também prever:

I – o prazo de vigência do contrato, compatível com a amortização dos


investimentos realizados, não inferior a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta
e cinco) anos, incluindo eventual prorrogação;
II – as penalidades aplicáveis à Administração Pública e ao parceiro privado em caso de inadimplemento
contratual, fixadas sempre de forma proporcional à gravidade da falta cometida, e às obrigações
assumidas;

III – a repartição de riscos entre as partes, inclusive os referentes a caso


fortuito, força maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária;
“O concessionário não assume o risco sozinho.”

IV – as formas de remuneração e de atualização dos valores contratuais;

V – os mecanismos para a preservação da atualidade da prestação dos serviços;

VI – os fatos que caracterizem a inadimplência pecuniária do parceiro público, os modos e o prazo de


regularização e, quando houver, a forma de acionamento da garantia;

VII – os critérios objetivos de avaliação do desempenho do parceiro privado;

VIII – a prestação, pelo parceiro privado, de garantias de execução suficientes e compatíveis com os ônus
o o o
e riscos envolvidos, observados os limites dos §§ 3 e 5 do art. 56 da Lei n 8.666, de 21 de junho de 1993,
o
e, no que se refere às concessões patrocinadas, o disposto no inciso XV do art. 18 da Lei n 8.987, de 13
de fevereiro de 1995;

IX – o compartilhamento com a Administração Pública de ganhos econômicos efetivos do parceiro privado


decorrentes da redução do risco de crédito dos financiamentos utilizados pelo parceiro privado;

X – a realização de vistoria dos bens reversíveis, podendo o parceiro público reter os pagamentos ao
parceiro privado, no valor necessário para reparar as irregularidades eventualmente detectadas.

23

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Curso SUPREMO 2017

XI - o cronograma e os marcos para o repasse ao parceiro privado das parcelas do aporte de recursos, na
fase de investimentos do projeto e/ou após a disponibilização dos serviços, sempre que verificada a
o o
hipótese do § 2 do art. 6 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012)
o
§ 1 As cláusulas contratuais de atualização automática de valores baseadas em índices e fórmulas
matemáticas, quando houver, serão aplicadas sem necessidade de homologação pela Administração
Pública, exceto se esta publicar, na imprensa oficial, onde houver, até o prazo de 15 (quinze) dias após
apresentação da fatura, razões fundamentadas nesta Lei ou no contrato para a rejeição da atualização.
o
§ 2 Os contratos poderão prever adicionalmente:

I - os requisitos e condições em que o parceiro público autorizará a transferência do controle ou a


administração temporária da sociedade de propósito específico aos seus financiadores e garantidores
com quem não mantenha vínculo societário direto, com o objetivo de promover a sua reestruturação
financeira e assegurar a continuidade da prestação dos serviços, não se aplicando para este efeito o
previsto no inciso I do parágrafo único do art. 27 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; (Redação
dada pela Lei nº 13.097, de 2015)

II – a possibilidade de emissão de empenho em nome dos financiadores do projeto em relação às


obrigações pecuniárias da Administração Pública;

III – a legitimidade dos financiadores do projeto para receber indenizações por extinção antecipada do
contrato, bem como pagamentos efetuados pelos fundos e empresas estatais garantidores de parcerias
público-privadas.

Capítulo IV

DA SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO

Art. 9 – Lei 11079/14 - Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída


o

sociedade de propósito específico, incumbida de implantar e gerir o objeto


da parceria.
“A parceria público-privada não é administrada pelo Estado e nem pelo concessionário. Estes
constituirão sociedade de propósito específico para esse fim.”

NÃO É SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA, POIS ESSA, NECESSARIAMENTE, A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


DEVE SER CONTROLADA PELO ESTADO (maior parte do do capital).
o
§ 1 A transferência do controle da sociedade de propósito específico estará condicionada à autorização
expressa da Administração Pública, nos termos do edital e do contrato, observado o disposto no parágrafo
o
único do art. 27 da Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995.
o
§ 2 A sociedade de propósito específico poderá assumir a forma de companhia aberta, com valores
mobiliários admitidos a negociação no mercado.
o
§ 3 A sociedade de propósito específico deverá obedecer a padrões de governança corporativa e adotar
contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas, conforme regulamento.

§ 4o Fica vedado à Administração Pública ser titular da maioria do capital


votante das sociedades de que trata este Capítulo.

24

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o o
§ 5 A vedação prevista no § 4 deste artigo não se aplica à eventual aquisição da maioria do capital
votante da sociedade de propósito específico por instituição financeira controlada pelo Poder Público em
caso de inadimplemento de contratos de financiamento.

Ex. BDNES empresta dinheiro para financiar o concessionário e, esse, ao longo do contrato, quebra. Nessa
eventualidade, o Estado poderá adquirir a maioria do capital votante por meio de execução da garantia.

4.2.2. Permissão (art. 2º, inciso IV e art. 40 – Lei 8987/95)


o
Art. 2 – Lei 8987/95 - Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:

IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação


(a lei não traz a modalidade), da prestação de serviços públicos, feita pelo
poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade
para seu desempenho, por sua conta e risco.
Art. 40 – Lei 8987/95. A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que
observará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive quanto à
precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente.

Parágrafo único. Aplica-se às permissões o disposto nesta Lei.

4.2.2. Autorização

É um ato administrativo.

Ex. Permissão para transmissão de rádio amador, geração de energia em fazenda sita em local ermo.

“Não é necessária licitação. Aplica-se a teoria dos atos administrativos.”

TODAS AS AUTORIZAÇÕES SÃO ATOS UNILATERAIS (SÓ DEPENDEM DA ADMINISTRAÇÃO),


DISCRICIONÁRIOS (SÓ AUTORIZA SE QUISER) E PRECÁRIOS (REVOGÁVEIS A QUALQUER TEMPO SEM
DIREITO À INDENIZAÇÃO).

4.2.2.1. Objetos (resultados jurídicos que a autorização pode produzir)


“Todas abaixo são unilaterais, discricionários e precários.”

a) Ato de delegação

Estudado do presente tópico.

b) Ato de polícia administrativa (Não é objeto de estudo no presente tópico)

Ex. Porte de arma de fogo, autoescola, faculdade de direito.


1
c) Consentimento de uso de bem público (Não é objeto de estudo no presente tópico)

Necessário consentimento a todo uso ANORMAL do bem.

Ex. Utilizar do passeio para colocar mesas para os clientes.

(1) Uso normal de bem público: Todos temos direito ao uso normal de bem público, ou seja, utilização do
bem de acordo com sua destinação principal. NÃO depende de consentimento.

Ex. Calçada/passeio para andar.

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• Administração no sentido subjetivo


5. Administração pública direta vs. administração pública indireta
5.1. Administração pública direta
O Estado é formado por três órgãos independentes, que exercem funções típicas e atípicas,
quais sejam, Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário.

Todos os órgãos, de todos os poderes, que exercem a função administrativa (seja função típica
ou atípica), integram a Administração Pública Direta.

IMPORTANTE:
- Órgão não tem personalidade jurídica, todavia aqueles de nível constitucional tem
personalidade judiciária, ou seja, podem postular em Juízo.

- Alguns órgãos têm CNPJ, o que não significa que possuam personalidade jurídica.

5.2. Administração pública indireta


Conjunto das autarquias, empresas públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista criadas
pelo Estado para exercer atividades administrativas ou, excepcionalmente, explorar atividades
econômicas.

Art. 37 - CF. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)

XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública,
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir
as áreas de sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

5.2.1. Autarquias
Pessoas jurídicas de direito público. Englobam:

a) Conselhos profissionais;

b) Fundações públicas;

c) Consórcios públicos – associações públicas

d) Agências reguladoras (Lei 9986/00 – importante leitura).

5.2.2. Fundações Públicas


A Lei dirá se é pessoa jurídica de direito público ou privado.

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Curso SUPREMO 2017

11/09/17
IMPORTANTE:
Os conceitos costumeiros de empresas públicas e sociedade de economia mista não coincidem
com aqueles postos pela lei 13.303/16.

Essa lei está em vigor desde junho de 2016, contudo trouxe, para as sociedades de economia
mista e empresas públicas que já existiam à vigência da lei terão o prazo de 2 anos para se
adaptar.

Não se trata de vacatio legis, mas sim prazo para adaptação.

Ex. Banco do Brasil, Petrobrás (sociedades de economia mista) terão o prazo de 2 anos para se
adaptarem à lei 13303/16.

5.2.3. Empresas públicas (art. 3º - Lei 13303/16)

5.2.3.1. Empresas públicas unipessoais

Aquela em que somente existe um sócio, isto é, 100% do capital pertence a um ente da federação
(União ou Estado ou Município ou Distrito Federal).

5.2.3.2. Empresas públicas de natureza societária

Há sócios nesta empresa pública.


1
Tem o capital de 51% pertencente à União (Empresa Pública Federal).

Os demais 49% poderão pertencer aos Estados, Municípios, Distrito Federal ou à Administração Pública
Indireta).

“Continua sendo Empresa Pública aquela cuja maioria do capital pertença, por exemplo, à União e os
outros restantes pertençam ao Estado, Município, Distrito Federal ou pertençam a todo mundo ou
pertençam à Administração Pública Indireta (Ex. Autarquia, Empresa Pública, Fundação, Sociedade de
Economia Mista).”

(1) Maioria do capital: Na realidade, maioria pode se dar em um quantum menor.

Deve-se considerar qualquer tipo de maioria. Os 51% são meramente para fins de visualização.

Ex. Pode-se ter maioria em 10%, caso o capital seja pulverizado. Pode-se deter a maioria em virtude de um
acordo de acionistas.

5.2.3.2.1. Empresa Pública Estadual, Municipal, Distrital – Inovação Lei 13303/16

Lei 13303/16 Lei Federal Geral.

Ex. 51% do capital pertence ao Estado de Minas Gerais e os outros 49% pertencem à União ou outro Estado
ou Município ou DF ou qualquer outro ente da Administração Pública Indireta. Nesse caso, será Empresa
Pública Estadual. O mesmo ocorre se 49% pertencer ao Banco do Brasil (sociedade de economia mista
federal).

Isso é importante porque a legislação aplicável à União legislada pela União. Se a Empresa Pública é
federal, segue a legislação da União. Se a Empresa Pública é estadual, seguirá o regime jurídico do Estado
de Minas Gerais, ainda que 49% do capital pertença à União.

27

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Curso SUPREMO 2017

o
CONCEITO EMPRESA PÚBLICA - Art. 3 - Lei 13303/16 - Empresa pública é a entidade dotada de
personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo
capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.

Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante permaneça em propriedade da União, do Estado,
do Distrito Federal ou do Município, será admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras
pessoas jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

5.2.4. Sociedade de Economia Mista (art. 4º - Lei 13303/16)


Esse conceito vale para a União, Estado, Município, DF, diferentemente do velho Decreto-Lei 200 que, por
sua vez, era norma federal.

5.2.4.1. Maioria das ações com direito a voto de Entes Políticos (Entes Federados) – Inovação Lei
13303/16
51% (vide item “(1)” acima) pertencem ao Poder Público e 49% pertencem a particulares.
“Maioria pertence à União, Estado, Município ou DF.”

5.2.4.2. Maioria das ações com direito a voto da Administração Pública Indireta

51% pertencem às entidades da Administração Pública Indireta e 49% pertencem a particulares.


“Maioria pertencente, por exemplo, a uma Empresa Pública/Autarquia/Sociedade de Economia Mista.”
o
CONCEITO SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA Art. 4 – Lei 13303/16 - Sociedade de economia mista é a
entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma
de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados,
ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta.
o
§ 1 A pessoa jurídica que controla a sociedade de economia mista tem os deveres e as responsabilidades
do acionista controlador, estabelecidos na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e deverá exercer o
poder de controle no interesse da companhia, respeitado o interesse público que justificou sua criação.
o
§ 2 Além das normas previstas nesta Lei, a sociedade de economia mista com registro na Comissão de
o
Valores Mobiliários sujeita-se às disposições da Lei n 6.385, de 7 de dezembro de 1976.

SUPERIMPORTANTE:
- Subsidiárias
À Administração Pública Indireta (Autarquias, Empresas Públicas, Fundações Públicas, Sociedade de
Economia Mista criadas pela União, Estado, Município ou DF), aplica-se o art. 37, inciso XIX – CF.

Contudo, os entes da Administração Pública Indireta poderão criar subsidiárias.

As empresas subsidiárias estão previstas no art. 37, inciso XX – CF.

Embora a Constituição diga que a criação de subsidiárias depende de


autorização legislativa, o STF diz que não é necessária lei específica (ADI
1649). Basta que a lei que previu a criação, por exemplo, da Empresa
Pública/Sociedade Economia Mista a autorize criar subsidiárias.
Ex. Empresa Pública/SEM cria subsidiárias.

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Petrobrás (SEM) cria a BR Distribuidora de Combustíveis (subsidiária).

CUIDADO:
Se aparecer na prova de acordo com a Constituição, a resposta será que a criação subsidiárias
dependerá de autorização legislativa em cada caso.

Noutro passo, se perguntar acerca da jurisprudência do STF, não é necessária, mas tão somente
a previsão na lei que criou o ente da Administração Pública Indireta.

art. 37 – CF - XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição
de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei
complementar, neste último caso (Fundação), definir as áreas de sua
atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das
entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas
em empresa privada;
ADI 1649

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 9478/97. AUTORIZAÇÃO À PETROBRÁS PARA


CONSTITUIR SUBSIDIÁRIAS. OFENSA AOS ARTIGOS 2º E 37, XIX E XX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. 1. A Lei 9478/97 não autorizou a instituição de empresa de
economia mista, mas sim a criação de subsidiárias distintas da sociedade-matriz, em consonância com o
inciso XX, e não com o XIX do artigo 37 da Constituição Federal. 2. É dispensável a autorização legislativa
para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim na própria lei que
instituiu a empresa de economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria medida
autorizadora. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente.

(ADI 1649, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 24/03/2004, DJ 28-05-2004
PP-00003 EMENT VOL-02153-02 PP-00204)

IMPORTANTE:
- Uma sociedade de economia mista pode criar outra sociedade de economia mista, desde que
maioria das ações com direito de voto pertençam à União, Estado, DF, Município ou à Empresa
Pública, SEM, Fundação Pública.

- Da mesma forma, pode-se ter uma sociedade de economia mista criada por uma empresa
pública.

- Saber-se-á se é SEM ou subsidiária quando se consultar a lei.


Para se criar uma SEM, necessária Lei Específica (art. 37, XX – CF supra), ao passo que, para a subsidiária,
não é necessário.

“No mais, o ‘desenho é igual’, ou seja, ambas são controladas por EP ou SEM.”

“As SEM seguem o regime jurídico do art. 37, XIX – CF e integram a Administração Pública Indireta.”

“As subsidiárias seguem o regime jurídico do art. 37, XX – CF e NÃO integram a Administração Pública
indireta.”

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Ø Poderes da Administração Pública

Deve-se concentrar em um poder, qual seja, o poder de polícia, tendo em vista ser o mais
importante (o que mais cai em prova).

1. Conceito
São prerrogativas que o ordenamento jurídico reconhece à Administração para submeter a
vontade individual ao bem estar coletivo.

Celso Antônio Bandeira de Melo diz que quem quer os fins, oferece os meios. Se a ordem jurídica
impõe à Administração o dever de realizar o bem comum, a ordem jurídica tem que o oferecer
os poderem para isso. Os poderes da Administração são prerrogativas/privilégios que a lei e a
Constituição reconhecem à Administração como forma de realizar o bem comum.

“Muitas vezes o meu interesse particular não se coaduna com o interesse público, conquanto
este deve prevalecer.”

Ex. Quero dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo, no entanto o Estado não permite.

2. Fundamento
Supremacia do interesse público sobre o interesse privado/particular.

Recomenda-se a leitura do doutrinador Celso Antônio Bandeira de Melo na parte de princípios.

2.1. Classificação do interesse público


2.1.1. Primário
É o bem comum, o interesse de todos, da coletividade.

2.1.2. Secundário
Interesse do Estado enquanto pessoa jurídica (sujeito de direitos e obrigações que possui patrimônio
próprio, etc.).

Ex. Eu, enquanto Estado, não tenho interesse de fazer acordo.

NÃO É ILEGÍTIMO, TODAVIA É UM MEIO, UMA VEZ QUE O FIM É O INTERESSE PÚBLICO PRIMÁRIO.

“Eu, enquanto Estado, devo preservar minhas finanças para o bem da coletividade.”

“O INTERESSE PÚBLICO É LEGÍTIMO ENQUANTO MEIO PARA SE CHEGAR AO FIM, QUAL SEJA, INTERESSE
PÚBLICO PRIMÁRIO.”

Ex. Bem do Estado é imprescritível.

Ex2. Regime de pagamento por meio de precatórios com o intuito de preservar o patrimônio do Estado,
tendo em vista que é pago à medida em que há disponibilidade orçamentária.

Em caso de pequeno valor, o juiz determina a expedição de RPV que deve ser pago em 90 dias (60 dias no
juizado especial), posto que não prejudicará a continuidade dos serviços públicos.

30

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3. Uso e abuso de poder


3.1. Uso de poder
É o exercício legal de prerrogativas públicas (vide parágrafo único do art. 78 – CTN).

Em conformidade com a lei e com a constituição.

O uso regular de poder ocorre:


a) quando desempenhado pelo órgão competente

b) nos limites da lei aplicável,

c) com observância do processo legal

d) e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

Art. 78 - CTN. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de
intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e
do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder
Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966)

Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão
competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade
que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

Embora discorra apenas do poder de polícia, o conceito aplica-se a todos os poderes.

3.2. Abuso de poder


Uso ilegal de prerrogativas públicas. Divide-se em duas espécies

3.2.1. Excesso de poder


O agente público extrapola seu dever legal, praticando ato para o qual não tem competência/atribuição.

Ex. Após regular procedimento administrativo disciplinar, conclui-se que o fato aconteceu, o autor do fato
é o processado administrativamente e a pena é de demissão.

Se o ato administrativo de demissão for praticado por ministro de estado, tratar-se-á de ato ilegal por
excesso de poder, pois quem tem atribuição legal para demitir ao presidente.

Todavia, se houver delegação do presidente para o ministro, este terá atribuição, não havendo excesso.

Art. 141 – Lei 8112/90. As penalidades disciplinares serão aplicadas:

I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais
e pelo Procurador-Geral da República, quando se tratar de demissão e cassação de aposentadoria ou
disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder, órgão, ou entidade;

II - pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior àquelas mencionadas no inciso


anterior quando se tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias;

III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos,
nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;

IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de destituição de cargo em comissão.

31

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3.2.2. Desvio de poder/finalidade

Hipóteses:

a) Quando o ato contraria o interesse público

Parte-se da premissa de que a finalidade de qualquer ato é o interesse público.

Se o ato é praticado objetivando outro fim que não o interesse público, será praticado com desvio de
poder ou desvio de finalidade.

NESSE CASO, PRATICA-SE O ATO DE ACORDO COM A FINALIDADE PREVISTA EM LEI, TODAVIA EM
DESRESPEITO AO INTERESSE PÚBLICO.

Ex. Governador do Estado, Aécio Neves, decide construir aeroportos, tendo liberdade de escolher quais
cidades quais imóveis serão objeto de desapropriação para tal fim.

O governador escolhe a cidade de Cláudio e uma área que pertence a seu tio.

Se a desapropriação visa valorizar os terrenos próprios, haverá desvio de finalidade.

In casu, dá-se a finalidade prevista em lei (retirar o bem do particular para incorporar ao patrimônio
público), contudo se contraria o interesse público, uma vez que visou valorizar imóveis adjacentes.

Vale mencionar que os atos presumem-se verdadeiros e legítimos, ou seja, se não houver prova em
contrário, mantém-se a presunção.

b) Finalidade diversa da prevista em lei (art. 2º, parágrafo único, alínea “e” – Lei 4717/65 - Lei de ação
popular)

Art. 2º - Lei 4717/65 - São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo
anterior, nos casos de:

a) incompetência;

b) vício de forma;

c) ilegalidade do objeto;

d) inexistência dos motivos;

e) desvio de finalidade.

Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas:

a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o
praticou;

b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades


indispensáveis à existência ou seriedade do ato;

c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou
outro ato normativo;

d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o
ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido;

e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando


a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de
competência.

32

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Quando a lei descreve o ato a ser praticado, descreve também a finalidade.

Toda vez que o ato for praticado com finalidade diversa, caracterizado o desvio de finalidade.

NESSE CASO, PRATICA-SE O ATO PARA FINALIDADE DISTINTA DAQUELA PREVISTA EM LEI.

Ex. No presente momento, precisa-se mais de delegados federais em Curitiba do que em Belo Horizonte.
Dessa feita, pode-se realizar remoção ex officio.

Contudo, há um delegado encrenqueiro e, por esse motivo, ele é removido para Curitiba.

Nesse caso, a remoção foi realizada com a finalidade de punição, que não é aquela prevista em lei, qual
seja, no interesse da Administração (vide art. 36, parágrafo único, inciso I – da Lei 8112/90 abaixo).

Art. 36 – Lei 8112/90. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo
quadro, com ou sem mudança de sede.

Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de
remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

I - de ofício, no interesse da Administração;

4. Modalidades
4.1. Doutrina tradicional
A doutrina tradicional aponta as seguintes modalidades:

4.1.1. Poder vinculado e poder discricionário

Se a Administração tem liberdade para atuar, poder discricionário. Caso contrário, poder vinculado.

4.1.2. Poder disciplinar

Poder da Administração investigar e punir aqueles submetidos à sua autoridade interna.

NÃO ALCANÇA TODOS OS ADMINISTRADOS, MAS SOMENTE AQUELES SUBMETIDOS À AUTORIDADE


INTERNA DA ADMINISTRAÇÃO, SENDO ESSES SERVIDORES PÚBLICOS OU NÃO.

Ex – indivíduos que não são servidores. Contratados (para execução de obra – em caso de
descumprimento, pune-se por inadimplemento total ou parcial do contrato), alunos de escolas públicas
(aluno da UFMG que faz trote pode ser expulso da universidade).

ALCANÇA UM UNIVERSO LIMITADO DE INDIVÍDUOS.

Fala-se em verdade sabida, ou seja, quando a autoridade competente para


punir toma conhecimento do fato por si própria (de forma direta) e, desde
já, aplica punição.
Ex. As autoridades insertas no art. 141 – Lei 8112/90 (vide acima) aplicam a penalidade com base no
parecer da comissão processante do procedimento administrativo disciplinar. Tais autoridades não
participam do PAD.

Contudo, se a autoridade tomar conhecimento direto e imediato de fato punível com demissão, não é
necessária comissão para demonstrar o que já foi visto, podendo-se punir diretamente. Nesse caso,
configura-se a verdade sabida.

Muitas leis trazem esta hipótese, porém não foram recepcionadas pela Constituição.

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Curso SUPREMO 2017

O STF já decidiu que lei que contempla a verdade sabida É


INCONSTITUCIONAL, uma vez que viola o devido processo legal (suprime
o contraditório e ampla defesa).
O acusado deve ser comunicado, no mínimo, por duas vezes:

1) que está sendo processado, para que apresente defesa;

2) Com defesa ou não, o processo segue e, por fim, deve o acusado ser notificado da decisão final.

A jurisprudência entende que, nos casos de flagrante, desnecessária a primeira notificação.

4.1.3. Poder hierárquico

Poder da Administração para ordenar a atividade administrativa.

“Quem ordena, dá ordens, comanda e, ainda, coloca ordem, organiza.”

Maria Sylvia di Pietro substitui o Poder hierárquico por“Poderes decorrentes da hierarquia”, abrangendo
o poder de aplicar pena no servidor. Ou seja, define que o poder disciplinar decorre da hierarquia.
Também diz que decorre da hierarquia o poder de editar atos normativos internos (Ex. Juiz diretor do
fórum que edita ato normativo interno referente ao funcionamento do mesmo).

Todavia, se o ato normativo for externo, para Maria Sylvia, tratar-se-á de poder regulamentar.

4.1.4. Poder regulamentar


Tem dois sentidos:

“Somente se consegue precisar o sentido de alguma coisa dentro de um contexto. Isto é, depende do
contexto.”

4.1.4.1. Sentido amplo

É o poder da Administração Pública Direta (órgãos do Estado) e Indireta (entidades com personalidade
jurídica própria) para editar atos administrativos normativos (atos gerais e abstratos. Não são leis).

Ex. Regulamento, portaria, circular, instrução normativa, etc.

Maria Sylvia chama esse poder de Poder Normativo da Administração Pública.

Ex. Agência regulamentadora edita resolução.

4.1.4.2. Sentido estrito

Poder do chefe do executivo para editar regulamentos.

PODER DE UMA AUTORIDADE – CHEFE DO EXECUTIVO – PARA EDITAR UM ATO NORMATIVO –


REGULAMENTO.

TODOS OS ATOS PRATICADOS PELO CHEFE DO EXECUTIVO TERÁ FORMA DE DECRETO.

“SE O SUJEITO É O CHEFE DO EXECUTIVO, A FORMA SERÁ DECRETO.”

“O OBJETO/CONTEÚDO SERÁ O REGULAMENTO que, por sua vez, é o ato geral e abstrato.”

Contraexemplo. Governador do estado decreta a desapropriação de utilidade pública de determinado


imóvel. Não se trata de decreto regulamentar, pois não é geral e abstrato. Nesse caso, será decreto de
conteúdo concreto.

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Curso SUPREMO 2017

4.1.4.2.1. Espécies de regulamento


Regulamento executivo Regulamento autônomo


Art. 84, inciso IV - CF Art. 84, inciso VI – CF com a redação da emenda
constitucional 32/01.
Art. 84 - CF. Compete privativamente ao Art. 84 - CF. Compete privativamente ao
Presidente da República: Presidente da República:

IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, VI - dispor, mediante decreto,
bem como expedir decretos e regulamentos para sobre: (Redação dada pela Emenda
sua fiel execução; Constitucional nº 32, de 2001)
a) organização e funcionamento da administração
federal, quando não implicar aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando
vagos; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)


Não inova a ordem jurídica. INOVA a ordem jurídica.

“Explica a lei para tornar possível sua execução.” Disciplina relação jurídica não prevista em lei.

“NÃO PODE CONTRARIAR E NEM IR ALÉM DA
LEI.”

Caso contrário, será sustado pelo Congresso
Nacional.

Art. 49 - CF. É da competência exclusiva do
Congresso Nacional:

V - sustar os atos normativos do Poder Executivo
que exorbitem do poder regulamentar ou dos
limites de delegação legislativa;


NÃO admite delegação. Admite delegação.

Art. 84 – CF - Parágrafo único. O Presidente da
República poderá delegar as atribuições
mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira
parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-
Geral da República ou ao Advogado-Geral da
União, que observarão os limites traçados nas
respectivas delegações.


Não admite controle constitucionalidade, pois o Admite controle de constitucionalidade, pois é
fundamento de validade é a lei. ato normativo primário que deriva diretamente
da Constituição.

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Curso SUPREMO 2017

Nota:
Princípio da reserva regulamentar – a matéria somente pode ser prevista por regulamento.

“Equivale ao princípio da reserva legal.”

4.1.5. Poder de polícia


Todos os entes exercem (União, estado e município) de acordo com seus interesses.

ALCANÇA A COLETIVIDADE INTEIRA.

O Estado exerce poder de polícia que se desdobra em:

a) Atos legislativos de polícia – ATOS LEGISLATIVOS

Leis que limitam direitos individuais em prol do bem comum.

Ex. Plano diretor de um município.

b) Atos administrativos de consentimento – ATOS ADMINISTRATIVOS

Atos administrativos de polícia que consistem em aferir se o interessado preenche os requisitos da lei
para exercer o direito.

Ex. Indivíduo que completa 18 anos somente pode dirigir se a Administração consentir, ou seja, se
preencher os requisitos.

Ex2. Portar arma de fogo, construir, entrar e sair do país.

c) Atos administrativos de fiscalização – ATOS ADMINISTRATIVOS

Atos de polícia que consistem em verificar se o direito é exercido conforme a lei.

“Tem-se o direito e é verificado se é exercido de acordo com a lei.”

Ex. Conferir o passaporte quando da saída do país, licença de construção, carteira de motorista.

d) Atos administrativos de sanção – ATOS ADMINISTRATIVOS

Atos de polícia que consistem em punir quem descumpre a lei.

Ex. Multa e apreensão de veículo de quem dirige sem carteira.

Poder de polícia em sentido amplo caracteriza-se quando se refere aos atos legislativos e
administrativos de polícia.

Noutro passo, poder de polícia em sentido estrito abrange os atos de polícia administrativos. Quando
se falar nesse poder, fala-se da polícia administrativa.

Somente se pode delegar o poder de polícia administrativo.

- Conceito de poder de polícia administrativo (art. 78, caput, - CTN)

Art. 78 - CTN. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de
intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção
e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do
Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966)

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Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão
competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade
que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

4.1.5.1. Delegabilidade do Poder de polícia

Se o poder de polícia é uma atividade administrativa, pode ser delegada.

A delegação pode ser para pessoas jurídicasde direito público (Ex. Autarquias).

E para as pessoas sujeitas ao regime jurídico de direito privado (Pessoa física, pessoa jurídica, empresas
públicas, sociedade de economia mista, fundações de direito privado)?

a) STF – ADI 1717

NÃO é possível a delegação.

- ADI 1717

b) STJ – RESP 817.534

BH Trans não tem poder de sanção.

- RESP 817.534

EMENTA
ADMINISTRATIVO. PODER DE POLÍCIA. TRÂNSITO. SANÇÃO

PECUNIÁRIA APLICADA POR SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Antes de adentrar


o mérito da controvérsia, convém afastar a preliminar de conhecimento levantada pela parte recorrida.
Embora o fundamento da origem tenha sido a lei local, não há dúvidas que a tese sustentada pelo
recorrente em sede de especial (delegação de poder de polícia) é retirada, quando o assunto é trânsito,
dos dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro arrolados pelo recorrente (arts. 21 e 24), na medida em
que estes artigos tratam da competência dos órgãos de trânsito. O enfrentamento da tese pela instância
ordinária também tem por conseqüência o cumprimento do requisito do prequestionamento.

2. No que tange ao mérito, convém assinalar que, em sentido amplo, poder de polícia pode ser
conceituado como o dever estatal de limitar-se o exercício da propriedade e da liberdade em favor do

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interesse público. A controvérsia em debate é a possibilidade de exercício do poder de polícia por


particulares (no caso, aplicação de multas de trânsito por sociedade de economia mista).

3. As atividades que envolvem a consecução do poder de polícia podem ser sumariamente divididas em
quatro grupo, a saber: (i) legislação, (ii) consentimento, (iii) fiscalização e (iv) sanção.
4. No âmbito da
limitação do exercício da propriedade e da liberdade no trânsito, esses grupos ficam bem definidos: o CTB
estabelece normas genéricas e abstratas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (legislação);
a emissão da carteira corporifica a vontade o Poder Público (consentimento); a Administração instala
equipamentos eletrônicos para verificar se há respeito à velocidade estabelecida em lei (fiscalização); e
também a Administração sanciona aquele que não guarda observância ao CTB (sanção).

5. Somente o atos relativos ao consentimento e à fiscalização são delegáveis, pois aqueles referentes à
legislação e à sanção derivam do poder de coerção do Poder Público.
6. No que tange aos atos de sanção,
o bom desenvolvimento por particulares estaria, inclusive, comprometido pela busca do lucro - aplicação
de multas para aumentar a arrecadação.

7. Recurso especial provido.

c) Doutrina

Pode a Administração delegar o ato material que antecede e sucede o ato de polícia.

Ex. Instalação de radar (ato antecedente), destruição de mercadorias apreendidas (ato posterior).

4.2. Doutrina moderna


Celso Antônio Bandeira de Mello, Maria Sylvia di Pietro, José dos Santos Carvalho Filho.

Explicam da mesma forma que a doutrina tradicional, no entanto com palavras diferentes.

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18/09/17
Ø Responsabilidade Civil do Estado

Até então, não existe lei sobre o tema. Assim, a responsabilidade civil é tratada pela doutrina e
pela jurisprudência, havendo divergência.

1. Responsabilidade Civil do Estado vs. sacrifício de direito


Quando o Estado sacrifica o direito de um indivíduo em favor da coletividade, ele indeniza.

Quando o Estado causa dano, ele indeniza.

Contudo, a indenização, apesar de denominador comum, não torna a responsabilidade civil ao


sacrifício.

Na responsabilidade civil do estado, este paga em razão de um dano. A atuação não foi voltada
para produzir o dano. O dano foi um efeito colateral.

Ex. Constrói-se uma obra e deixa um buraco que produz dano.

Já no sacrifício de direito, o Estado atua de forma a causar dano a alguém. Não há como
satisfazer a coletividade sem causar o dano.

Ex. Construção de um aeroporto, havendo a desapropriação de imóvel que melhor servir a tal
fim. Retirar-se-á o imóvel do particular e o indenizará.

No presente tópico, somente se estudará a responsabilidade civil do estado.

Nota:
- Ocupação temporária vinculada à desapropriação (art. 36 – Decreto-Lei 3365/91)
EXIGE PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO.

INDENIZA-SE A UTILIZAÇÃO (SACRIFÍCIO DO DIREITO).

Art. 36 – Decreto-Lei 3365/91. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação
própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização.

O expropriante prestará caução, quando exigida.

- Ocupação temporária para outros fins de interesse público.


SOMENTE SE INDENIZA EM CASO DE DANO (RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO).

Estado ocupa provisoriamente o imóvel para cumprir um fim previsto na lei.

Ex. Imóveis particulares ocupados temporariamente para a Justiça Eleitoral em época de eleições.

Ex2. Tombamento que esvazia o valor econômico do bem.

Contraexemplo. Limitações administrativas não geram indenização (comandos gerais).

Ex3. Limitações administrativas em áreas cobertas vegetalmente gera indenizações.

IMPORTANTE:
“Sempre que o Estado produzir dano, terá que indenizar.”

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2. Responsabilidade civil e as funções do Estado


O Estado é uma pessoa jurídica de direito público dotado de autonomia política.

“SE NÃO HOUVER DANO, NÃO HÁ RESPONSABILIDADE CIVIL.”

O Estado legisla1, julga2 e administra3.


(1) Ato legislativo: Em regra, não produz dano, contraria interesse. Geral, não afeta o direito adquirido.o
ato jurídico perfeito.

(1.1.) Exceção: Produzirá, excepcionalmente (não é em regra), dano.

a) Lei de efeito concreto – lei que não é geral e abstrata. (NÃO SÃO TODAS – SÃO POTENCIALMENTE
PRODUTORAS DE DANO) Somente é lei, porque passa pelo processo legislativo. Lei em sentido formal e
ato administrativo em sentido material.

Por isso que é possível mandado de segurança contra lei de efeito concreto.

b) Lei inconstitucional

Ex. Lei que impõe obrigações a estabelecimentos comerciais ulteriormente declarada inconstitucional.

c) Omissão legislativa

“O estado deveria, mas não legisla e, assim, produz dano.”

(2) Ato judicial: Quando o estado julga, aplica a lei ao caso concreto, para resolver conflitos sociais.

Em regra, não produz dano, pois, contra decisão judicial, cabe recurso.

(2.1) Exceção: Se houver previsão normativa, produzirá dano.

Ex1. O Estado responde por erro judicial.

(3) Ato administrativo: Ato concreto que visa aplicar a lei para realizar o interesse público.

A matéria será focada no ato administrativo.

3. Dano indenizável
3.1. Necessidade
“Somente existe responsabilidade civil se houver responsabilidade. Se não há dano, não há
que se falar em responsabilidade.”

Primeiramente, deve-se caracterizar a existência de dano.

“A mera conduta não tipifica o resultado. Necessário um resultado, qual seja, o dano.”

3.2. Requisitos CUMULATIVOS


3.2.1. Dano jurídico

Dano indenizável é o dano jurídico, ou seja, o comportamento do Estado que lesa direito.

Contraexemplo. Emenda 45 que exigiu 3 anos de atividade jurídica para concursos de magistratura e
promotoria afeta apenas interesses, não gerando dano indenizável.

Contraexemplo. Livraria jurídica próxima ao tribunal. Pessoas que frequentam o tribunal compram livros.
Presidente do tribunal determina a mudança da sede, causando dano ao proprietário da livraria. O ato do

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presidente do tribunal causou dano econômico, mas não jurídico. Contraria apenas interesse, não sendo
indenizável.

O DANO ECONÔMICO GERA DIREITO À INDENIZAÇÃO QUANDO, ALÉM DE ECONÔMICO, É JURÍDICO


(vide Ex1. do item 3.2.4. infra).

3.2.2. Dano certo

Dano concreto, real, mensurável.

Ex. Indivíduo perde 2ª fase de prova de Delegado após reservar hospedagem, comprar passagem.

3.2.3. Dano especial


É aquele que atinge destinatário/alvo certo.

“Não precisa ser uma pessoa. Pode ser um grupo de pessoas.”

“Se o ato do Estado lesa todo mundo, não se indeniza ninguém, pois todos sofreram na mesma
medida.”

“O que justifica a indenização é o fato de ‘um sofrer mais do que o outro’.”

3.2.4. Dano anormal


É aquele que supera as chateações, os inconvenientes da vida em sociedade.

“A mera chateação não é indenizável.”

Contraexemplo. Poeira, buraco, trânsito decorrentes de obra pública que causam desgaste do automóvel
é mero dessabor da vida em coletividade. Trata-se de dano normal.

Ex1. Contudo, no contraexemplo supra, para os proprietários dos comércios próximos, o dano é anormal,
pois as pessoas evitam o local, inviabilizando-os de exercer um direito, qual seja, atividade econômica.

4. Evolução histórica
4.1. Considerações iniciais
Trata-se da evolução histórica na França, pois a doutrina elegeu a França como paradigma.

É a responsabilidade civil do estado no exercício da função administrativa, até porque as outras


funções, como regra, não geram o direito de indenizar.

4.2. Marcos
- Idade média (Século V a Século XV): Não há estado, o poder é divido entre os nobres. Não há
responsabilidade cavil do Estado.

- Idade moderna (Século XV ao Século XVIII): Durante a idade moderna, forma-se o Estado e, nesse
Estado moderno, surge o Absolutismo. Durante esse período, surge a teoria da
irresponsabilidade O Estado jamais responderá.

Revoluções burguesas (século XVIII): Revolução francesa varre o Absolutismo. Nasce o Estado de
Direito.

- Código Napoleônico (1804) – fase civilista: Legislação que reunia a legislação civil. O mundo
somente conseguia enxergar o Direito Civil nos limites do Código. Começou-se, então, a aplicar

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o Código Civil para a reponsabilidade do estado que, por sua vez, traz a ideia do ato ilícito
(responsabilidade subjetiva).

- Caso Blanco (1873) – fase publicística (desse marco em diante): Mulher violentamente atropelada
por um vagonete pertencente a uma companhia estatal francesa. O pai da vítima entra com
ação judicial. O tribunal de conflitos (vide nota abaixo) decidiu que a causa iria para a jurisdição
administrativa, adotando o Direito Público como lógica condutora de resolução dos conflitos.

A partir desse marco, passa-se a falar da Teoria da Culpa do Serviço/culpa anônima/culpa


administrativa.

Nessa situação, a responsabilidade é SUBJETIVA (decorre de comportamentos ilícitos), pois se


deve provar a culpa (ato ilícito – serviço não funcionou/funcionou mal/tardiamente quando
deveria funcionar).

Nesse mesmo contexto, sem abandonar a teoria da culpa do serviço, surge a chamada Teoria do
risco. Nessa teoria, a responsabilidade é OBJETIVA (decorre de comportamentos lícitos e ilícitos).

O surgimento da teoria do risco não implicou na superação da teoria da culpa do serviço.





Nota:
- Nos sistema francês há duas jurisdições:
a) Jurisdição administrativa/contencioso administrativo: Conflito de interesses envolvendo o Estado.
Aplica o Direito Público.

b) Jurisdição comum: Conflito de interesses entre particulares.

- Há o tribunal de conflitos que decide para onde a causa irá.

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IMPORTANTE:
O Estado, como é pessoa jurídica, não possui ânimo. Assim, não possui dolo ou culpa.

Logo, na responsabilidade subjetiva, deve-se substituir o dolo e a culpa por ato lícito ou ilícito.

Responsabilidade subjetiva do estado é aquela que decorre de ato ilícito (princípio da legalidade
– Estado deve cumprir a lei).

4.2.1. Teoria do risco

Na teoria do risco, o Estado responde objetivamente, ou seja, comportamentos lícitos e


ilícitos que gerem dano (basta a conduta e o dano).
Divide-se em:

4.2.1.1. Teoria do risco administrativo – admite excludente de responsabilidade

Deve-se ter:

a) conduta

b) nexo

A causa excludente afeta o nexo.

Ex – causa excludente. Culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou de força maior, terceiro, etc.

c) dano

REGRA.

4.2.1.2. Teoria do risco integral – não admite excludente de responsabilidade

Deve-se ter somente o dano.

Basta a ocorrência do dano. Não importa quem o causou.

EXCEÇÃO.

“A vítima só tem que provar o dano.”

SOMENTE NOS CASOS EM QUE HOUVER PREVISÃO NORMATIVA, OU SEJA, QUANDO A LEI SOMENTE
EXIGIR O DANO.

4.2.1.2.1. Hipóteses

a) Dano nuclear

b) DPVAT

c) Lei 10744/03 - Dispõe sobre a assunção, pela União, de responsabilidades civis perante terceiros no
caso de atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos, contra aeronaves de matrícula
brasileira operadas por empresas brasileiras de transporte aéreo público, excluídas as empresas de táxi
aéreo.

d) Art. 23 – Lei 12.663/12. A União assumirá os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA, seus
representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano resultante ou que tenha
surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos Eventos, exceto se e
na medida em que a FIFA ou a vítima houver concorrido para a ocorrência do dano.

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Curso SUPREMO 2017

Parágrafo único. A União ficará sub-rogada em todos os direitos decorrentes dos pagamentos efetuados
contra aqueles que, por ato ou omissão, tenham causado os danos ou tenham para eles concorrido,
devendo o beneficiário fornecer os meios necessários ao exercício desses direitos.

e) Dano ambiental – PRECEDENTE STJ

4.3. Evolução histórica no Brasil (aspectos inerentes à prova)


- Código Civil de 1916
responsabilidade SUBJETIVA das pessoas jurídicas de direito público;

- Constituição de 1946
responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e direito de regresso em face do servidor
na hipótese de culpa.

PRIMEIRA CONSTIUIÇÃO A TRATAR DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nessa, o código civil não foi
recepcionado quanto à responsabilidade subjetiva.

- Constituição de 1988
Responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de direito privado
prestadoras de serviços públicos e direito de regresso em face do causador do dano na hipótese de dolo
ou culpa.

- Código Civil de 2002


Responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de direito privado
prestadoras de serviços públicos e direito de regresso em face do causador do dano na hipótese de dolo
ou culpa.

5. Sujeitos à norma do art. 37, §6º - CF (Responsabilidade objetiva baseada no risco


administrativo)

a) Pessoas Jurídicas (não é pessoa física) de Direito Público

União, Estado, Município, Distrito Federal e Territórios.

Autarquias (gênero)

b) Pessoas Jurídicas (não é pessoa física) de Direito Privado Prestadoras de Serviços


Públicos

Fundações Públicas

Empresas Públicas

Sociedades de Economia Mista

Subsidiários

Consórcios Públicos

Concessionários

Permissionários – SOMENTE AS PESSOAS JURÍDICAS (AS PESSOAS FÍSICAS NÃO ENTRAM)

POUCO IMPORTA SE A PESSOA INTEGRA OU NÃO A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. INTERESSA SE ELA PRESTA
SERVIÇOS PÚBLICOS.

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art. 37 – CF - § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços


públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado
o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

IMPORTANTE:

1 1 2
A responsabilidade civil do notário e do oficial registrador é subjetiva e o prazo
prescricional3 será de 3 anos, a contar do registro (ato registral).

(1) Notário e do oficial registrador: comumente conhecido como “dono do cartório”.

(2) Responsabilidade subjetiva do notário e do oficial registrador: Questão outrora controversa, com
repercussões na jurisprudência, todavia pacificada pela Lei 13286/16 que alterou a lei de registros
públicos (LEI 8935/94) para dizer que a responsabilidade do notário e do oficial registrador é subjetiva.

Todavia, ao fazer questões de concurso sobre este assunto, deve-se levar em consideração a época em
que a prova foi elaborada/aplicada.

Art. 22 – Lei 8935/94. Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos
que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou
escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. (Redação dada pela Lei

nº 13.286, de 2016).

Parágrafo único. Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil, contado o prazo da data de
lavratura do ato registral ou notarial. (Redação dada pela Lei nº 13.286, de 2016).

“Pode-se achar questões de prova com gabaritos oficiais diferentes, devendo-se levar em consideração
a responsabilidade subjetiva do notário e do oficial registrador.”

3.1
(3) Prazo prescricional: Exceção ao princípio da actio nata , uma vez que o prazo prescricional não se
inicia do dano, mas sim da prática do ato.

(3.1) Princípio da actio nata: Trata-se de um princípio do Direito segundo o qual a prescrição e decadência
só começam a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento de fato e da extensão de
suas consequências. Lembrando que a prescrição atinge a pretensão, que é o direito subjetivo violado,
enquanto a decadência atinge direitos potestativos pelo seu não exercício no prazo legal ou convencional.

- Fonte: http://ww3.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20081113165139357

SUPERIMPORTANTE:
- Quando é caso de serviço governamental, ou seja, exploração de atividade econômica feita
diretamente pelo Estado, este responderá subjetivamente (não é objetiva).

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- Obra1 pública não é serviço público – a responsabilidade é subjetiva (não é objetiva).

(1) Dano da obra: Subdivide-se:

a) Dano decorre da obra por si própria;

Ex. Esvaziamento do valor econômico do bem próximo a um viaduto construído (quem mandou construir
deve pagar o dano – Estado - objetivamente).

b) Dano decorre da execução da obra.

Ex. No momento da execução, cai um tijolo em alguém (o executor responde – subjetivamente).


o
Art. 6 – Lei 8666/93 - Para os fins desta Lei, considera-se:

I - Obra - toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação, realizada por execução direta
ou indireta;

Art. 70 – Lei 8666/93. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou
a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato
(responsabilidade subjetiva), não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o
acompanhamento pelo órgão interessado.

JURISPRUDÊNCIA:

STF – RE 591874 (repercussão geral): A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de


direito privado prestadoras de serviço público é objetiva relativamente a terceirios usuários e
não usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, §6º, da CF.

“Não há distinção entre usuário e não usuário do serviço. Em qualquer


caso, a responsabilidade é objetiva.”
6. Situações que geram a Responsabilidade Civil do Estados
a) Condutas comissivas – RESPONSABILIDADE OBJETIVA – TEORIA DO RISCO

b) Condutas omissivas – RESPONSABILIDADE SUBJETIVA – TEORIA DA CULPA DO SERVIÇO

Diversos doutrinadores defendem que, mesmo na omissão, a responsabilidade é OBJETIVA.

NA PROVA, DEVE-SE CONSIDERAR A OMISSÃO SUBJETIVA.

c) Situações de risco criadas pelo Estado – RESPONSABILIDADE OBJETIVA – TEORIA DO RISCO


NÃO há ação nem omissão do Estado. O dano decorre de uma situação de risco produzida pelo Estado,
sem a qual o dano jamais teria acontecido.

Caracteriza-se quando o Estado assume a guarda de coisas (Ex. Material radioativo, material bélico,
animais selvagens) e pessoas perigosas (Ex. Loucos, presos, crianças).

JURISPRUDÊNCIA:

- STF - Na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor não
faz jus à indenização sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior,
salvo situação de arbitrariedade flagrante.

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- STF - A existência de lei específica que rege atividade militar (lei 6880/90) não isenta a
responsabilidade do Estado por danos morais causados em acidentes sofridos decorrentes de
atividade militar.

- STJ – jurisprudência consolidada – responsabilidade civil do estado em caso de omissão é


SUBJETIVA.

- STF e STJ – estado é responsável objetivamente por morte de preso.

- STJ – responsabilidade objetiva do Estado pelas lesões sofridas por vítima baleada em razão
de tiroteio ocorrido entre policiais e assaltante (não é bala perdida).

- STJ – Estado responde objetivamente por suicídio de detendo em presídio.

- STJ - Estado não responde por ato ilícito praticado por foragido, salvo quando os danos
decorrem direta ou imediatamente da fuga.

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20/09/17
7. Participação da vítima no dano1
(1) Dano: Dano é o pressuposto da responsabilidade civil. Se não houver dano, não há que se falar em
responsabilidade civil.

7.1. Culpa exclusiva da vítima


Se o dano decorre de culpa exclusiva da vítima, será essa quem produziu a vítima.

Assim, não foi o Estado. Portanto, o Estado não responde.

“Nesse caso, exclui a responsabilidade do Estado.”

STJ - A despeito de situações variadas no tocante ao descumprimento do dever de segurança e


vigilância das vias férreas, a responsabilização da concessionária é uma constante, passível de
ser elidida tão somente quando cabalmente comprovada a culpa exclusiva da vítima.

Ex. Surfista de trem. Somente afasta a responsabilidade da concessionária se comprovada a


culpa exclusiva da vítima.

CUIDADO – RISCO INTEGRAL NÃO EXCLUI:


Há situações que o dano decorre de uma situação produzida pelo Estado. Então, o que gerou o
dano foi a situação produzida pelo Estado. Caso contrário, o dano não teria ocorrido.

Só é causa excludente quando se admite excludente. Na teoria do risco integral não se admite
excludente.

Ex. Indivíduo que pula dentro de uma usina nuclear. Se o Estado não tivesse criado a usina
nuclear, o dano não teria ocorrido. Nesse caso, a responsabilidade é objetiva e o risco é integral.

Assim, mesmo existindo culpa exclusiva da vítima, o Estado é quem responderá.

7.2. Culpa concorrente


NÃO HÁ EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE, pois os requisitos (conduta, nexo e dano)
permanecem. Contudo, não

Colaboração de vítima é irrelevante para caracterizar responsabilidade.

A participação da vítima influi no VALOR DA FIXAÇÃO DA INDENIZAÇÃO.

Ex. Desacato de autoridade seguido de agressão por parte do policial. Nesse caso, haverá
responsabilidade do Estado.

Não se reduz o dano material.


STJ - No caso de atropelamento de pedestre em vias férreas, configura-se a concorrência de
causas impondo a redução do dano moral pela metade, quando: (i) a concessionária do
transporte ferroviário descumpre o dever de cercar e fiscalizar os limites da linha férrea,
mormente em locais urbanos e populosos, adotando conduta negligente no tocante às
necessárias práticas de cuidado e vigilância tendentes a evitar a ocorrência de sinistros; e (ii) a
vítima adota conduta imprudente, atravessando a via férrea em local inapropriado.

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“Não se aplica somente a vias férreas, mas também a desrespeito de passarelas em avenidas e
afins.”

8. Reparação do dano
8.1. Caracterização
Dá-se com o pagamento da indenização (material, moral, estética). Efetuado o pagamento, não
há mais responsabilidade CIVIL, pois essa é o dever de indenizar.

8.2. Formas
8.2.1. Amigável

A doutrina conceitua de diversas formas, tais como administrativa, consensual, etc.

Ocorre quando há acordo.

Pessoas jurídicas de direito público e de direito privado prestadoras de serviço público respondem
objetivamente nos termos do art. 37, §6º - CF. CONTUDO, O REGIME JURÍDICO PARA REPARAÇÃO DO
DANO É DIFERENTE. VEJAMOS:

PARA O ESTADO, SOMENTE É POSSÍVEL QUANDO HÁ PREVISÃO LEGAL.

Quando quem causou o dano é pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, NÃO É
NECESSÁRIA A PREVISÃO LEGAL.

Ex. Tim quando celebra acordos no Juizado Especial.

8.2.2. Judicial
A vítima ajuíza ação pedindo a reparação do dano (ação de reparação de danos).

Se a pessoa for de direito público, na Justiça Federal – União e Fazenda – Estado e município, e a
reparação será por precatórios ou requisições de pequeno valor. Não pode abrir mão do direito de
regresso. Deve executar.

Se a pessoa for de direito privado, seguir-se-á o rito do direito civil. Pode abrir mão do direito de
regresso.

8.2.2.1. Réu na ação judicial

8.2.2.1.1. Pessoa jurídica

A ação somente pode ser ajuizada em desfavor da pessoa jurídica, pois assim está previsto no art. 37,
§6º - CF

Nesse sentido, STF e Hely Lopes Meireles.

8.2.2.1.2. Escolha da vítima

“Quem pode mais, pode menos.”

A vítima pode processar o Estado (responsabilidade objetiva) ou o causador do dano (responsabilidade


subjetiva).

Nesse sentido, STJ e doutrina majoritária (Celso Antônio Bandeira de Mello).

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IMPORTANTE:

STJ – RE 228.977: No caso de dano causado por magistrado, a ação só poderá ser ajuizada em
face da pessoa jurídica.

8.2.2.2. Prazo prescricional da ação judicial

O prazo prescricional é de 5 anos, a contar do dano (princípio da actio nata – a pretensão nasce com
o direito e esse nasce com o dano).

- Decreto 20910/32 – TRATA DA PRESCRIÇÃO GERAL EM RELAÇÃO AS PESSOAS DE DIREITO PÚBLICO.

- Lei 9494/97 - PESSOAS DE DIREITO PRIVADO PRESTADORAS DE SERVIÇO PÚBLICO.

NÃO SE APLICA O CÓDIGO CIVIL.

STJ - As ações indenizatórias decorrentes de violação a direitos


fundamentais ocorridas durante o regime militar são
imprescritíveis, não se aplicando o prazo quinquenal previsto no
art. 1º do Decreto n. 20.910/1932.
Nota:
Decreto 20910/32

Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou
ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco
anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem.

Art. 2º Prescrevem igualmente no mesmo prazo todo o direito e as prestações correspondentes a pensões
vencidas ou por vencerem, ao meio soldo e ao montepio civil e militar ou a quaisquer restituições ou
diferenças.

Art. 3º Quando o pagamento se dividir por dias, meses ou anos, a prescrição atingirá progressivamente
as prestações à medida que completarem os prazos estabelecidos pelo presente decreto.

Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento
da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-
la.

Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificar-se-á pela entrada do requerimento do
titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia,
mês e ano.

Art. 5º Não tem efeito de suspender a prescrição a demora do titular do direito ou do crédito ou do seu
representante em prestar os esclarecimentos que lhe forem reclamados ou o fato de não promover o
andamento do feito judicial ou do processo administrativo durante os prazos respectivamente
estabelecidos para extinção do seu direito à ação ou reclamação. (Vide Lei nº 2.211, de 1954)

Art. 6º O direito à reclamação administrativa, que não tiver prazo fixado em disposição de lei para ser
formulada, prescreve em um ano a contar da data do ato ou fato do qual a mesma se originar.

Art. 7º A citação inicial não interrompe a prescrição quando, por qualquer motivo, o processo tenha sido
anulado.

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Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez.

Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a
interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo.

Art. 10. O disposto nos artigos anteriores não altera as prescrições de menor prazo, constantes das leis e
regulamentos, as quais ficam subordinadas às mesmas regras.

Art. 11. Revogam-se as disposições em contrário.

Lei 9494/97

Art. 1º Aplica-se à tutela antecipada prevista nos arts. 273 e 461 do Código de Processo Civil o disposto
nos arts. 5º e seu parágrafo único e 7º da Lei nº 4.348, de 26 de junho de 1964, no art. 1º e seu § 4º da
Lei nº 5.021, de 9 de junho de 1966, e nos arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 8.437, de 30 de junho de 1992.
o
Art. 1 -A. Estão dispensadas de depósito prévio, para interposição de recurso, as pessoas jurídicas de
direito público federais, estaduais, distritais e municipais. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35,
de 2001)
o
Art. 1 -B. O prazo a que se refere o caput dos arts. 730 do Código de Processo Civil, e 884 da Consolidação
o o
das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n 5.452, de 1 de maio de 1943, passa a ser de trinta
dias (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
o
Art. 1 -C. Prescreverá em cinco anos o direito de obter indenização dos danos causados por agentes de
pessoas jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços
públicos. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
o
Art. 1 -D. Não serão devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções não
embargadas. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
o
Art. 1 -E. São passíveis de revisão, pelo Presidente do Tribunal, de ofício ou a requerimento das partes,
as contas elaboradas para aferir o valor dos precatórios antes de seu pagamento ao credor. (Incluído pela
Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
o
Art. 1 -F. Nas condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza e para fins
de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única
vez, até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de
poupança. (Redação dada pela Lei nº 11.960, de 2009)

Art. 2º O art. 16 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão
prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que
qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova.”
o
Art. 2 -A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na
defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na
data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído
pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)

Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os
Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com
a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus
associados e indicação dos respectivos endereços. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
o
Art. 2 -B. A sentença que tenha por objeto a liberação de recurso, inclusão em folha de pagamento,
reclassificação, equiparação, concessão de aumento ou extensão de vantagens a servidores da União, dos

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Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, inclusive de suas autarquias e fundações, somente poderá
ser executada após seu trânsito em julgado. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)

Art. 3º Ficam convalidados os atos praticados com base, na Medida Provisória nº 1.570-4, de 22 de julho
de 1997.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

SUPERIMPORTANTE:
O prazo prescricional do notário, do oficial registrador (“DONO DO CARTÓRIO”) é de 3 anos,
a contar do ato registral (registro).
Art. 22 – Lei 8935/94. Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos
que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou
escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. (Redação dada pela Lei

nº 13.286, de 2016).

Parágrafo único. Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil, contado


o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial. (Redação dada
pela Lei nº 13.286, de 2016).
9. Direito de regresso
9.1. Conceito
É o direito de a pessoa jurídica que indenizou de ser ressarcida (recuperar o valor pago a título
de indenização.

Ação de regresso/ressarcimento.

9.2. Fundamento
A prática do ato ilícito.

“Se há ato ilícito, há direito de regresso.”

O ato ilícito somente interessa para fins de ressarcimento. Não interessa para a caracterização
da responsabilidade civil, pois essa é objetiva.

9.3. Formas de ressarcimento


9.3.1. Amigável

Há acordo.

NÃO É NECESSÁRIA PREVISÃO LEGAL, POIS O DIREITO DE REGRESSO É O


DIREITO DA PESSOA JURÍDICA DE SE RESSARCIR. QUEM FARÁ O
RESSARCIMENTO É O AGENTE, CUJO PATRIMÔNIO É DISPONÍVEL.
9.3.2. Judicial
Ajuiza-se ação judicial contra o causador do dano.

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9.3.2.1. Prescrição

STJ - prazo de 5 anos.


“se o particular tem 5 anos para ajuizar ação contra Administração, essa deverá ter prazo igual.”

STF – Declarou que é prescritível, contudo manteve a decisão do TRF, não mencionando o prazo.
- Aula Procurador da Prefeitura:

Até 2016, entendia-se que a ação de ressarcimento era imprescritível.

Todavia, o STF somente diz que ação de ressarcimento por ato de improbidade é imprescritível.

Neste caso, trata-se de ação de ressarcimento por ilícito civil.

Assim, o STF negou provimento ao recurso, mantendo a decisão do Juízo a quo.

Desta feita, o Juízo a quo é quem disse que o prazo prescricional da ação de regresso é de 3 anos
1
(RE 669069 ).

(1) RE 669069: Nesta decisão, o STF apenas negou provimento ao recurso, mantendo a decisão do Juízo
a quo, sendo este que definiu o prazo de 3 anos.

Ementa: CONSTITUCIONAL E CIVIL. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. IMPRESCRITIBILIDADE. SENTIDO E


ALCANCE DO ART. 37, § 5º, DA CONSTITUIÇÃO. 1. É prescritível a ação de reparação de danos à
Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. 2. Recurso extraordinário a que se nega provimento.
(RE 669069, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2016, ACÓRDÃO
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-082 DIVULG 27-04-2016 PUBLIC 28-04-2016)

Informativo 813 – STF

PLENÁRIO
REPERCUSSÃO GERAL

Ação de ressarcimento e imprescritibilidade


É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. Esse o
entendimento do Plenário, que em conclusão de julgamento e por maioria, negou provimento a recurso
extraordinário em que discutido o alcance da imprescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário
prevista no § 5º do art. 37 da CF (“§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados
por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações
de ressarcimento”). No caso, o Tribunal de origem considerara prescrita a ação de ressarcimento de danos
materiais promovida com fundamento em acidente de trânsito, proposta em 2008, por dano ocorrido em
1997 — v. Informativo 767. O Colegiado afirmou não haver dúvidas de que a parte final do dispositivo
constitucional em comento veicularia, sob a forma da imprescritibilidade, ordem de bloqueio destinada a
conter eventuais iniciativas legislativas displicentes com o patrimônio público. Todavia, não seria
adequado embutir na norma de imprescritibilidade um alcance ilimitado, ou limitado apenas pelo
conteúdo material da pretensão a ser exercida — o ressarcimento — ou pela causa remota que dera
origem ao desfalque no erário — ato ilícito em sentido amplo. De acordo com o sistema constitucional, o
qual reconheceria a prescritibilidade como princípio, se deveria atribuir um sentido estrito aos ilícitos
previstos no § 5º do art. 37 da CF. No caso concreto, a pretensão de ressarcimento estaria fundamentada

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em suposto ilícito civil que, embora tivesse causado prejuízo material ao patrimônio público, não revelaria
conduta revestida de grau de reprovabilidade mais pronunciado, nem se mostraria especialmente
atentatória aos princípios constitucionais aplicáveis à Administração Pública. Por essa razão, não seria
admissível reconhecer a regra excepcional de imprescritibilidade. Seria necessário aplicar o prazo
prescricional comum para as ações de indenização por responsabilidade civil em que a Fazenda figurasse
como autora. Ao tempo do fato, o prazo prescricional seria de 20 anos de acordo com o CC/1916 (art.
177). Porém, com o advento do CC/2002, o prazo fora diminuído para três anos. Além disso, possuiria
aplicação imediata, em razão da regra de transição do art. 2.028, que preconiza a imediata incidência dos
prazos prescricionais reduzidos pela nova lei nas hipóteses em que ainda não houvesse transcorrido mais
da metade do tempo estabelecido no diploma revogado. A Corte pontuou que a situação em exame não
trataria de imprescritibilidade no tocante a improbidade e tampouco envolveria matéria criminal. Assim,
na ausência de contraditório, não seria possível o pronunciamento do STF sobre tema não ventilado nos
autos. Vencido o Ministro Edson Fachin, que provia o recurso. Entendia que a imprescritibilidade
constitucional deveria ser estendida para as ações de ressarcimento decorrentes de atos ilícitos que
gerassem prejuízo ao erário.
RE 669069/MG, rel. Min. Teori Zavascki, 3.2.2016. (RE-669069)

Ato de improbidade Ilícito civil

Dano IMPRESCRITÍVEL Prescritível

Contudo, HÁ DECISÕES DO STJ QUE DIZEM QUE O PRAZO PRESCRICIONAL DECORRENTE DE ILÍCITO
CIVIL É DE 5 anos.

Art. 37 – CF - § 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente,
servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.

IMPORTANTE:
A ação de ressarcimento deve ser ajuizada a partir do trânsito em julgado do édito condenatório
da ação de reparação. Tal disposição é regulada pelas leis administrativas, sendo lei federal para
União, lei estadual para o estado e lei municipal para o município.

Ø Atos administrativos

1. Fato vs. ato

Fato é acontecimento.

Ato é declaração de vontade.

A TEORIA DOS ATOS REGULA OS ATOS e não os fatos.

“Não se anula, convalida, etc. fato.”

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1.1. Classificação dos fatos

1.1.1. Fato administrativo

a) 1ª Corrente – Produz consequências no Direito Administrativo

É um acontecimento que produz consequências no Direito Administrativo.

“Cria direito, extingue ou modifica direito no âmbito do Direito Administrativo.”

Ex. Morte de servidor público gera vacância do cargo.

Maria Sylvia Di Pietro, Celso Antônio Bandeira de Melo.

b) 2ª Corrente – Ato material

Atos materiais praticados pela Administração.

Não há declaração de vontade, mas apenas prática de atos materiais,

Hely Lopes Meireles, José dos Santos Carvalho Filho.

Ex. Professor dá uma aula de história em escola pública.

1.1.1. Fato da administração

Acontecimento que NÃO produz consequências para o Direito Administrativo.

Ex. Morte de João que é comerciante que, a priori, não é relevante para o Direito Administrativo.

Somente Maria Sylvia Di Pietro.

Não confundir com fato da administração referente à teoria da


imprevisão.

1.2. Classificação dos atos

1.2.1. Atos da administração

a) 1º Sentido – TODOS os atos do Poder Executivo

Celso Antônio Bandeira de Melo.

“Nem todo administrativo é ato da administração, nem todo ato da administração é ato administrativo,
mas alguns atos são administrativos e da administração.”

Ex1. Edital do concurso do poder judiciário (é ato administrativo, mas não é ato da administração).

Ex2. Presidente da República discursando na ONU, declarando guerra ou celebrando paz, assinando um
tratado internacional, fazendo uma Medida Provisória (são atos da administração, mas não são atos da
administrativos).

Ex3. Edital de concurso para a Polícia Civil feito pelo Governador do Estado (é ato administrativo e ato da
administração.

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b) TODOS os atos praticados no exercício da função administrativa

Todos poderes praticam atos na função administrativa. Todos esses atos, praticados no exercício da
função administrativa, são atos administrativos.

Maria Sylvia de Di Pietro, José dos Santos Carvalho Filho.

1.2.2. Atos administrativos

Declaração de vontade do Estado ou de quem lhe faça as vezes, inferior e para


cumprir a lei, regido pelo Direito Público e sujeito a controle judicial.

- Declaração de vontade;

- Estado ou de quem lhe faça as vezes;

- Inferior a lei e para cumpri-la;

- Regido pelo Direito Público;

- Sujeito a controle judicial.

IMPORTANTE:

A omissão não é um ato jurídico.

Contraexemplo. Motorista profissional requer a renovação de carteira de motorista, contudo a


Administração não se manifesta, causando a perda do emprego. Nesse caso, NÃO há ato
administrativo, pois omissão é ausência de declaração, mas gera responsabilidade, pois causou
dano.

A omissão é um fato jurídico, pois é um fato que gera consequências jurídicas.

“Omissão é silêncio. Silêncio não é ato, é fato.”

Em razão do Princípio da Legalidade, o ato administrativo não contrariar ou ir além da lei.

Se o ato for regido pelo Direito Privado, NÃO é ato administrativo.

TODOS os atos administrativos se sujeitam ao controle judicial, pois o ordenamento jurídico


brasileiro positiva o sistema inglês, no qual o Poder Judiciário monopoliza a jurisdição.

2. Atributos1 do ato administrativo


(1) Atributo é qualidade.

São as características, qualidades do ato, determinadas pelo regime jurídico de direito público.

2.1. Presunção de veracidade e legitimidade


O atos administrativos gozam de fé pública.

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Parte da doutrina conceitua apenas como “Presunção de legitimidade.”

“Se a Administração Pública diz que aconteceu/é legal, eu presumo que aconteceu/é legal.”

Assim, desde já, o ato administrativo produz efeitos.

Por isso que atos administrativos inválidos podem ser eficazes.

“Mesmo ilegal, o ato administrativo presume os mesmos efeitos como se válido fosse.”

“O ato inválido é eficaz.”

“O ato ilegal produz os mesmos efeitos como se válidos fossem.”

PRESUNÇÃO APLICÁVEIS A TODOS OS ATOS.

PRESUNÇÃO RELATIVA, OU SEJA, ADMITE PROVA EM CONTRÁRIO.

Ex. Agente interdita restaurante, pois solicitou 10 mil reais ao proprietário e este não consentiu
com a corrupção.

Mesmo ilegal, o ato será eficaz, pois o restaurante foi interditado.

Impetrado mandado de segurança, o magistrado declara a nulidade do ato que, por sua vez, tem
efeitos ex tunc (derruba a presunção de legitimidade).

SUPERIMPORTANTE:

Os efeitos ex tunc e ex nunc da decisão que anula ato somente se aplicam aos
atos eficazes.

Os atos ineficazes não produzem efeitos.

Ex2. Ato praticado em 20/03/2017. Em 21/03/17 publicado com vacatio de 40 dias. Ato anulado
aos 21/04/17.

NESSE CASO, A ANULAÇÃO DO ATO NÃO PRODUZIRÁ EFEITOS EX TUNC NEM EX NUNC, pois o
ato NÃO PRODUZIU EFEITOS (AINDA NO PERÍODO DE VACATIO).

2.2. Imperatividade, coercibilidade, Poder Extroverso

Ato administrativo é declaração de vontade do Estado que cria obrigação a terceiros,


independentemente de anuência.

“Não se refere à anuência e satisfação da obrigação, mas tão somente à sua criação.”

Ex. Lançamento do tributo.

Apenas atos que criam obrigação têm essa característica.


“Nem todos os atos têm essa característica/Ato que cria direito não tem imperatividade.”

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Ex. Ato administrativo de nomeação em concurso público não cria obrigação de posse.

2.3. Autoexecutoriedade

A Administração Pública pode praticar o ato sem ordem judicial.

“O ato administrativo pode ser praticado sem ordem judicial.”

2.3.1. Hipóteses

a) Previsão legal

“Toda vez que a lei disser que a Administração pode praticar o ato, diz que o ato é autoexecutório.”

Ex. Abertura de mala de indivíduo que adentra no território nacional.

Ex2. Interdição de estabelecimento que vende comida estragada.

Ex3. Aplicação de multa.

b) Circunstâncias

Há situações que a lei não é capaz de prescrever. Assim, haverá circunstâncias não previstas em lei, mas
que exigem atuação imediata. Nesse caso, a Administração praticará o ato.

Trata-se de hipótese do poder discricionário da Administração.

Entende-se que há autorização implícita.

Ex. Entrar no domicílio de cidadão em caso de iminente perigo, urgência.

2.3.1.1. Não ocorrência

Ato administrativo não é autoexecutório quando depende de ordem judicial.

Ex. Entrar em domicílio, executar multa.

2.3.2. Classificação – Maria Sylvia Di Pietro

2.3.2.1. Exigibilidade

A administração pode praticar atos administrativos de coerção INDIRETA.

“Os atos de coerção indireta são praticados para coagir o administrado a cumprir a obrigação legal.”

Ex. Estacionar em local em que se exige “rotativo/faixa azul”. A administração, então, multa o indivíduo –
sem ordem judicial - para que ele cumpra a lei.

“A Administração força o administrado a cumprir a obrigação legal.”

SEM ORDEM JUDICIAL

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2.3.2.2. Executoriedade

A administração pode praticar atos de coerção DIRETA para garantir o cumprimento da obrigação legal.

Ex. Reboque de veículo estacionado em local proibido, tal como aquele reservado a ambulâncias.

“A lei é cumprida com as mãos da Administração.”

SEM ORDEM JUDICIAL

2.4. Tipicidade – Maria Sylvia Di Pietro

Significa que o ato administrativo corresponde a uma descrição legal, cujos efeitos estão pré-
estabelecidos na lei.

Ex. Tombamento, remoção, demissão de servidor.

Somente aplicável aos atos unilaterais.

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03/10/17
3. Elementos1/requisitos do ato administrativos (IMPORTANTE)
(1) Elemento é aquilo que constitui.

Aquilo que forma, constitui o ato administrativo.

Não há lei sobre isso. Coube à doutrina sistematizar, havendo diferentes abordagens
doutrinária, contudo, a maioria, com base na lei 4717/65 (Lei de Ação Popular), aponta 5
elementos para o ato administrativo. Vejamos:

3.1. Sujeito

Agente que pratica o ato administrativo/declara a vontade do Estado.

Todo sujeito deve ser:

3.1.1. Capaz

Regulado pelo Direito Civil.

3.1.2. Competente

Atribuição normativa conferida para o agente atuar. Essa competência não é presumida. Deve ser
expressamente prevista em lei.

Regulado pelo Direito Administrativo.

3.2. Forma

É o meio pelo qual o ato se exterioriza.

Em regra, o ato administrativo possui a forma escrita.

A forma pode não ser escrita, pois quem define a forma é a lei.

Ex. Atos administrativos de siga e pare no trânsito é realizada por sinais.

Ex forma diversa da escrita. Art. 60. – Lei 8666/93 - Parágrafo único. É nulo e de nenhum efeito o contrato
verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim entendidas
aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea
"a" desta Lei (CONVITE – R$4.000,00), feitas em regime de adiantamento.

3.2.1. Motivação

Exposição dos motivos do ato.

Exposição do fato, do direito, dos motivos.


1
3.2.1.1. Motivação aliunde

(1) Aliunde: alienígena, aquilo que vem de fora, externo.

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É a motivação que não se encontra no ato.

Ex. Pede-se parcelamento de um crédito tributário, todavia este é negado com fundamento na instrução
normativa XXX/2016.

Ex2. Recursos de questões em concurso público que são indeferidos nos termos do espelho de correção
publicado na data XXX.

3.3. Objeto/conteúdo

Resultados que o ato administrativo produz.

“Aquilo que o ato administrativo cria, modifica, extingue.”

É o resultado jurídico produzido pelo ato.

- Doutrina: É o efeito jurídico imediato que o ato produz.

Ex. Ato administrativo de remoção de Delegado de Polícia Federal do Distrito Federal para Curitiba –
objeto: deslocamento do servidor.

Ex2. Tombamento – objeto: criar restrições parciais sobre o direito de propriedade.

3.4. Motivo

É o pressuposto de fato1 e o pressuposto de direito2 que ensejam a prática do ato.

“É a causa do ato.”

(1) Motivo de fato: “o que que aconteceu?”

Ex. Naquele imóvel viveu poeta da inconfidência mineira.

(2) Motivo de direito: Previsão legal do ato a ser praticado (a Administração somente faz o que a lei
manda).

Ex. A lei manda proteger.

3.4.1. Teoria dos motivos determinantes – MOTIVOS INTEGRAM A VALIDADE

Originada na França, da jurisprudência do Conselho de Estado Francês e é reconhecida e aplicada pelos


tribunais brasileiros.

1
Consiste na ideia/tese de os motivos apresentados para a prática do ato integram/vinculam
a validade do ato.

“A validade do ato ficará vinculada aos motivos do ato.”

1
De modo que, se o motivo apresentado referir-se a motivo falso, motivo inexistente ou a motivo
juridicamente insubsistente, o ato será ILEGAL.

Assim, tendo em vista que o ato será ilegal, o poder judiciário poderá
anular ato administrativo com base na teoria dos motivos determinantes,

61

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uma vez que não poderá ser afastada de sua competência lesão ou
ameaça de lesão a direito.
(1) Motivo apresentado: MOTIVAÇÃO.

“A motivação integra a validade do ato.”


Ex. Ato de exoneração cuja motivação baseia-se na baixa produtividade, quando o servidor possui
produtividade média. Neste caso, o ato será ilegal, cabendo mandado de segurança.

O pressuposto da teoria dos motivos determinantes, é a existência da


motivação.
“Por isso que a doutrina majoritária diz que a motivação é obrigatória, exceto nos casos em que a lei
expressamente dispensar.”

“A teoria dos motivos determinantes tem como objetivo aferir a validade


do MOTIVO que, somente é possível se no ato houver motivação.”
“Se não houver motivação, não há o que se alegar.”

“Uma vez motivado o ato, aplica-se a teoria dos motivos determinantes.”

“Somente se aplica a teoria dos motivos determinantes se no ato houver motivação.”

IMPORTANTE:

A teoria dos motivos determinantes tem como objetivo aferir a legalidade dos motivos que,
por sua vez, somente pode ser aferido se houver motivação.

A motivação é mera exposição.

“O motivo que é falso. O motivo que é inexistente.”

3.5. Finalidade

Efeito jurídico mediato que o ato produz, ou seja, é o objetivo descrito pela lei que enseja a prática
do ato.

Ex. Ato de remoção ex officio – objeto: deslocamento do servidor; finalidade/objetivo: suprir a necessidade
de serviço.

Ex2. Tombamento – efeito imediato/objeto: criar restrições no direito de propriedade; efeito


mediato/finalidade/objetivo: conservar o bem vinculado ao patrimônio histórico brasileiro.

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1
Elementos/requisitos Vícios do ato Natureza do vício do Ato vinculado Ato discricionário
ato
(art. 2º, parágrafo (Aquele que a lei (Aquele que a lei
único, Lei 4717/65) NÃO dá confere a
liberdade a oportunidade de
É na natureza que há administração decidir,
a convalidação do decidir/escolher) observando a
ato administrativo oportunidade e
(vide item 5. Abaixo) (Todos os atos conveniência)
são vinculados,
pois não se pode
escolher nada)

Em regra, SANÁVEL VINCULADO, VINCULADO,


(ato anulável). porque a lei porque a lei fixa
Ato não se incluir nas estabelece o um único sujeito
atribuições legais do Será insanável (ato agente que tem
Sujeito/Competência agente que o praticou nulo) quando a competente para competência para
(alínea “a”) – competência for praticar o ato. decidir.

“incompetência” exclusiva.

Em regra, SANÁVEL VINCULADA, pois,


(ato anulável). embora a
Forma Forma do ato não for VINCULADA, autoridade tenha
a forma prevista na lei Será insanável (ato porque a lei liberdade para
(alínea “b”) nulo) quando a forma prescreve a forma decidir, deve
for essencial. essencial. respeitar a forma
prevista em lei.

Resultado do ato VINCULADO, DISCRICIONÁRIO,


violar a lei ou outro porque a lei pois a lei prevê
Objeto/Conteúdo ato normativo (alínea INSANÁVEL (ato define o único mais de um
“c”) nulo). resultado que o resultado possível
ato pode para o mesmo

MÉRITO (vide item 3.6 abaixo)


produzir. ato.

Motivo for falso, VINCULADO, DISCRICIONÁRIO,


inexistente (MOTIVO porque a pois a descrição
Motivo DE FATO) ou INSANÁVEL (ato descrição legal é legal é
juridicamente nulo). precisa, vaga/imprecisa/
insubsistente inequívoca. utiliza-se de
(MOTIVO DE DIREITO) conceitos
(alínea “d”) indeterminados

Desvio de finalidade: VINCULADA, VINCULADA,


quando o ato praticado porque a lei diz a porque a lei prevê
Finalidade buscar outro fim que INSANÁVEL (ato única finalidade qual será a
não aquele previsto na nulo).
que o ato pode finalidade.
lei (alínea “e”)
resultar.

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(1) Vício: é uma metáfora que traduz ILEGALIDADE.


Os atos vinculados são IRREVOGÁVEIS, pois não têm mérito. A revogação exige juízo de
oportunidade e conveniência, o que não há no ato vinculado.

SUPERIMPORTANTE – adendo à tabela:

Se a lei previr mais de uma forma para a prática do ato, o elemento forma
será discricionário

IMPORTANTE:

PARA A MAIORIA DA DOUTRINA, SEMPRE QUE UM ATO ADMINISTRATIVO PRATICADO (deve-se


caracterizar a declaração de vontade do Estado) TIPIFICA CRIME, SERÁ CONSIDERADO COMO
INEXISTENTE (NÃO HÁ QUE SE FALAR EM VÍCIO SANÁVEL – ANULÁVEL – OU VÍCIO INSANÁVEL –
NULO).

Ex – ato inexistente com vício no sujeito: quadrilha que falsifica licenças.

Ex – ato inexistente com vício no objeto: Município que concede alvará para funcionamento de
bordel.

NÃO QUER DIZER QUE, TODA VEZ QUE UM SERVIDOR PRATICA CRIME, O ATO É INEXISTENTE.

Ex. Servidor que pratica peculato não declara vontade do estado.

Nota – Vício no sujeito:

- A doutrina divide o vício na competência em (nas três hipóteses há alguém fazendo aquilo
que não tem prerrogativa para fazer – previsão legal – vide abaixo):

a) Excesso de poder – autoridade exorbita suas atribuições.

Ex. Competência para suspender, no entanto demite.

b) Função de fato – ato praticado pelo agente público de fato, sendo aquele que não é agente público de
direito, porque se encontra ilegalmente investido. Mesmo ilegalmente investido, pratica o ato.

Ex. Servidor de férias que pratica ato administrativo, servidor aposentado que pratica ato administrativo.

Os atos praticados pelos agente de fato reputam-se válidos perante


terceiros de boa-fé.

“O ato não é válido, contudo é revestido de validade para proteger a


confiança terceiro de boa-fé – em respeito ao Princípio da Confiança.”

Se for possível, corrige-se o ato, tornando-o válido.


c) Usurpação de função pública – aquele que nunca foi investido pratica ato próprio da autoridade (art.
328 – CP).

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Para doutrina majoritária, trata-se de ato administrativo inexistente.

Usurpação de função pública

Art. 328 – CP - Usurpar o exercício de função pública:

Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.

Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

IMPORTANTE – COMPETÊNCIA:

1) DECORAR - arts. 12, 13 e 15 – Lei 9784/99

CAPÍTULO VI

DA COMPETÊNCIA

Art. 11 – Lei 9784/99. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi
atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.

- DELEGAÇÃO - Art. 12 - Lei 9784/99. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver
impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não
lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole
técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos
colegiados aos respectivos presidentes.

- Considerações:

1. Delegar (transferir para outro o exercício) é REGRA.

2. A delegação é sempre PARCIAL

3. Pode se dar na relação hierárquica (Poder Hierárquico) ou FORA DA RELAÇÃO HIERÁRQUICA (acordo
de vontades).

4. A delegação é um ATO ADMINISTRATIVO FORMAL.

5. É REVOGÁVEL A QUALQUER TEMPO.

6. A responsabilidade do ato se dá POR QUEM PRATICOU.

- ATOS INDELEGÁVEIS - Art. 13 - Lei 9784/99. Não podem ser objeto de delegação:

I - a edição de atos de caráter normativo;

II - a decisão de recursos administrativos;

III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

- Considerações - CAI:

Traz as EXCEÇÕES À DELEGAÇÃO, ou seja, hipóteses em que não se poderá delegar.

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Art. 14 - Lei 9784/99. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.

§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação do


delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício
da atribuição delegada.

§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.

§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-
se-ão editadas pelo delegado. (O DELEGADO É QUE SERÁ RESPONSABILIZADO)

- AVOCAÇÃO TEMPORÁRIA DE COMPETÊNCIA - Art. 15 - Lei 9784/99. Será permitida, em caráter


excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a avocação temporária de competência
atribuída a órgão hierarquicamente inferior.

- Considerações:

Trata da avocação que, a seu turno, SOMENTE OCORRE EM SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS.

Avocar é chamar para si o exercício da competência de outro.

A avocação SEMPRE EXIGE RELAÇÃO HIERÁRQUICA.

MACETE:
- Atos indelegáveis:

EDEMEX:
Edição de ato normativo
Decisão de recurso administrativo
Matéria de competência Exclusiva.
2) Ver arts. 18 a 21 da Lei 9784/99 – regras de suspeição e impedimento - DECORAR

Impedimento e suspeição NÃO AFETAM A COMPETÊNCIA, MAS SIM A


CAPACIDADE DO SUJEITO.
CAPÍTULO VII

DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

- IMPEDIMENTO - Art. 18 - Lei 9784/99. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou


autoridade que:

I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;

II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais


situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;

III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou


companheiro.

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Art. 19 - Lei 9784/99. A autoridade ou servidor que incorrer em


impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-
se de atuar.

Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui


falta grave (aplica-se penalidade grave), para efeitos disciplinares.

“No impedimento não é necessário recorrer, pois é obrigação do agente


público, sob pena de incorrer em falta grave.”
- SUSPEIÇÃO - Art. 20 - Lei 9784/99. Pode ser argüida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha
amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges,
companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.

Art. 21- Lei 9784/99. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser


objeto de recurso, sem efeito suspensivo.
“Se após o recurso, for reconhecida a suspeição, os atos praticados serão ilegais.”

IMPORTANTE:

O ato será inexistente quando acarretar em violação e tipo penal. Não produz nenhum efeito
jurídico enquanto ato administrativo.

Ex. Quadrilha que falsifica licenças ambientais.

Ex2. Alvará para abrir um bordel.

Art. 2º - Lei 4717/65 - São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo
anterior, nos casos de:

a) incompetência;

b) vício de forma;

c) ilegalidade do objeto;

d) inexistência dos motivos;

e) desvio de finalidade.

Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas:

a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições


legais do agente que o praticou;

b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou


irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;

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c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação


de lei, regulamento ou outro ato normativo;
“O resultado do ato não pode violar a lei – Princípio da Legalidade”.

d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito,


em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente
inadequada ao resultado obtido;
Vício no motivo de fato ocorre quando esse é falso ou inexistente.

Vício no motivo de direito ocorre quando o direito não corresponde ao ato. O ato é juridicamente
insubsistente.

Ex – VÍCIO NO MOTIVO DE DIREITO. Concurso de Polícia – última fase – investigação social – aprovação
ou reprovação do candidato por conduta social inadequada. Candidato com nome no SPC não se amolda
à descrição legal que tipifica a reprovação (conduta social inadequada), pois se pode, por exemplo, ter o
nome negativado indevidamente ou por ter perdido o emprego.

e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim


diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.

4. Mérito

É a liberdade que a lei confere à Administração para valorar os motivos do ato e definir seu
objeto, a partir de critérios de oportunidade e conveniência.

Somente existe o ato discricionário.

IMPORTANTE:

- A análise de mérito (valorar objeto e motivo) é privativa da Administração Pública.

“O mérito é da Administração. PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE ADENTRAR NO MÉRITO QUE É A


LIBERDADE DE APRECIAR A LIBERDADE E A CONVENIÊNCIA.”

- O Poder Judiciário pode apreciar a legalidade de todos os atos administrativos, inclusive os


atos discricionários. TENDO EM VISTA QUE, EM RAZÃO DA ADOÇÃO DO SISTEMA INGLÊS, NÃO
SE EXCLUIRÁ DA APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO LESÃO OU AMEAÇA A LESÃO DE DIREITO
E, NO ATO LEGAL, NÃO HÁ LESÃO OU AMEAÇA. ASSIM, EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA
SEPARAÇÃO DOS PODERES, O JUDICIÁRIO NÃO PODE APRECIAR O MÉRITO.

- A análise sobre razoabilidade e proporcionalidade é análise de legalidade.


Portanto, inserida na competência Jurisdicional.

- TODA VEZ QUE ENVOLVER CONCRETIZAÇÃO DE DIREITOS


FUNDAMENTAIS, NÃO SE PRATICA A TEORIA DOS ATOS

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ADMINISTRATIVOS, MAS SIM A TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS,


PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
Ex - objeto. Poderá o IBAMA multar o pequeno produtor rural em até 50 mil reais.

Pequeno produtor rural multado em 50 mil reais por este ter matado um tatu.

A obrigação de pagar imposta pelo IBAMA não é razoável, posto que visivelmente
desproporcional.

Pode-se recorrer ao Judiciário pedindo a anulação da multa. Todavia, o Juiz não poderá dizer o
que é proporcional, mas somente o que NÃO é proporcional, uma vez que ilegal.

Ex – motivo: Estatuto do Servidor prevê demissão por conduta incontinente.

Professora ia trabalhar com vestuário inadequado. Após Procedimento Administrativo


Disciplinar, a Administração julgou o comportamento como conduta incontinente, demitindo-a.

Todavia, este comportamento poderia não ser conduta incontinente no Rio de Janeiro.

Assim, o Juiz pode valorar a razoabilidade no caso concreto.

A razoabilidade varia no espaço e no tempo.

Nota:

- Conduta escandalosa: Fora do ambiente de trabalho.

- Conduta incontinente: Dentro do ambiente de trabalho.

CUIDADO:
Quando envolve a efetivação de Direitos Fundamentais, a postura é diferente (estudar este
tema).

Ex. Judicialização da saúde. Em que pese a Administração dizer que não fornecerá certo remédio,
o Juiz de poderá obrigá-la a fornecer, embora adentre ao mérito, está visando garantir um direito
fundamental, qual seja, o Direito à Saúde.

5. Convalidação/sanatória

5.1. Conceito

Ato pelo qual a Administração ou particular interessado promove a correção de um ato


administrativo anulável1

(1) Ato administrativo anulável: aquele cujo vício é sanável, ou seja, pode ser corrigido.

5.2. Efeitos

A convalidação produz efeitos ex tunc, isto é, efeitos retroativos.

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“É como se o ato fosse válido desde o dia que ele foi criado.”

5.3. Obrigatoriedade

5.3.1. Primeira corrente

A convalidação é OBRIGATÓRIA, salvo no ato discricionário praticado pela autoridade incompetente,


hipótese em que ela será facultativa.

Nesse sentido, a maioria da doutrina.

Anular preserva a legalidade, mas acarreta em insegurança jurídica, posto que todos os efeitos produzidos
deixarão de existir.

Em sentido diametralmente oposto, se a Administração convalida, preserva-se a legalidade e todos efeitos


já produzidos e, assim, a segurança jurídica.

O ato discricionário praticado por autoridade incompetente é facultativo, vez que, se obrigatório,
vincularia a autoridade competente a aceitar a decisão da autoridade incompetente.

“Se não convalidar, tem que anular.”

5.3.2. Segunda corrente

A convalidação é facultativa.

Neste sentido, é o art. 55 da Lei 9784/99.

Art. 55 – Lei 9784/99. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem
prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela
própria Administração.

“Se não convalidar, tem que anular.”

IMPORTANTE:

A Lei 9784/99 possui aplicação somente para a União, uma vez ser lei federal. Assim, para a
legislação federal, a convalidação é facultativa.

No entanto, as leis estaduais e municipais não caem.

JURISPRUDÊNCIA:

- RE 258981 – Estado de Coisas Inconstitucional - não se trata de análise de mérito, mas sim
de concretização de direitos fundamentais:

EMENTA: REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO DO MPE CONTRA ACÓRDÃO DO TJRS. REFORMA DE SENTENÇA
QUE DETERMINAVA A EXECUÇÃO DE OBRAS NA CASA DO ALBERGADO DE URUGUAIANA. ALEGADA
OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES E DESBORDAMENTO DOS LIMITES DA RESERVA DO
POSSÍVEL. INOCORRÊNCIA. DECISÃO QUE CONSIDEROU DIREITOS CONSTITUCIONAIS DE PRESOS MERAS
NORMAS PROGRAMÁTICAS. INADMISSIBILIDADE. PRECEITOS QUE TÊM EFICÁCIA PLENA E
APLICABIILIDADE IMEDIATA. INTERVENÇÃO JUDICIAL QUE SE MOSTRA NECESSÁRIA E ADEQUADA PARA
PRESERVAR O VALOR FUNDAMENTAL DA PESSOA HUMANA. OBSERVÂNCIA, ADEMAIS, DO POSTULADO

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DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARA MANTER A SENTENÇA


CASSADA PELO TRIBUNAL.

I - É lícito ao Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de


medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais.

II - Supremacia da dignidade da pessoa humana que legitima a intervenção judicial.

III - Sentença reformada que, de forma correta, buscava assegurar o respeito à integridade física e moral
dos detentos, em observância ao art. 5o, XLIX, da Constituição Federal.

IV - Impossibilidade de opor-se à sentença de primeiro grau o argumento da reserva do possível ou


princípio da separação dos poderes.

V - Recurso conhecido e provido.

- RE 632853 – Nesse caso, se trata de análise de mérito.

Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Concurso público. Correção de prova. Não compete ao
Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas
pelos candidatos e notas a elas atribuídas. Precedentes. 3. Excepcionalmente, é permitido ao Judiciário
juízo de compatibilidade do conteúdo das questões do concurso com o previsto no edital do certame.
Precedentes. 4. Recurso extraordinário provido.

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09/10/17
6. Extinção dos atos administrativos
1
Extinção dos atos ineficazes Extinção dos atos eficazes
1) Mera retirada (anulação – retirada por 1) Extinção natural - O ato se extingue, porque cumpriu todos seus efeitos ou
ILEGALIDADE - e revogação – retirada por porque adveio o termo ou a condição resolutiva.
INCONVENIÊNCIA);
“Forma natural do ato acabar.”
2) Recusa do interessado - “Eu não tenho
2) Extinção subjetiva - O ato se extingue, porque houve perda do sujeito da relação
e recuso”.
jurídica constituída pelo ato.
Ex. Globo quer comemorar seus 52 no
Ex. Governador praticou um ato administrativo aos 20 de março de 2017, nomeando
Parque do Ibirapuera. Contudo, é bem do
João secretário de agricultura. O SUJEITO DO ATO ADMINISTRATIVO É O
município. Então, a Rede Globo, em março,
GOVERNADOR (autoridade capaz e competente para a prática do ato).
faz um pedido ao município para utilizá-lo
com exclusividade, no dia 22 de dezembro. “O sujeito do ato não desaparece, pois está previsto na norma (sempre haverá um
O município defere, nos termos do pedido. governador em exercício).”
Em junho, a Globo desiste, uma vez que
O que extingue é o sujeito da relação jurídica constituída pelo ato.
quer fazer o evento no Rio de Janeiro.
Praticada a recusa, pois o ato é ineficaz. João, investigado pela Operação lava-jato, desaparece. Extinto o ato administrativo.
Diferente de renúncia – “eu tenho (ato 3) Extinção objetiva - O ato se extingue pela perda do objeto da relação jurídica
produziu efeitos produzindo direitos) e constituída pelo ato.
renuncio”
Ex. Município do Rio de Janeiro construiu ciclovias, concedendo permissão,
juntamente com a marinha (a orla da praia pertence à marinha), para determinada
pessoa construir quiosques. Vem uma onda e destrói a ciclovia. O ato administrativo
de permissão de uso é extinto em virtude da perda do objeto da relação jurídica
(ciclovia).
Celso Antônio diz que, nas hipóteses 2 e 3, o ato se extingue pela perda do
elemento infungível do ato, quais sejam, sujeito e objeto da relação jurídica.
4) Renúncia
O beneficiado pelo ato diz que não quer mais os efeitos que o ato produz.
5) Retirada
Desfazimento do ato. A Administração que fez desfaz os atos.
“Desfazimento volitivo.”
5.1) Anulação ou invalidação: retirada do ato ILEGAL.
5.2) Revogação: retirada do ato legal, mas INCONVENIENTE (por razões de
MÉRITO).
5.3) Cassação: retira do ato legal, porque o beneficiado descumpriu a lei.
Ex. Perda da CNH por tomar multa no 1º ano.
5.4) Caducidade: retirada do ato legal pelo advento de norma incompatível com o
ato (vide art. 38 da Lei 8987/95).
Ex. Leis que permitiam o funcionamento bingo após a proibição destes.
5.5) Derrubada ou contraposição: Extinção do ato, porque a Administração
praticou ato administrativo incompatível com o ato que já existia.
“Ato ulterior tem efeitos contrapostos ao ato outrora praticado.”
Ex. Exoneração produz efeito contraposto ao da nomeação. Ex2. Provimento e
vacância.

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Nem todos os atos se extinguirão nas hipóteses aqui elencadas


“SOMENTE SE EXTINGUE POR RENÚNCIA, ATO QUE CRIA DIREITOS.”

Contraexemplo. Multa

(1) Ato administrativo ineficaz: Ato administrativo que NÃO produziu seus efeitos, ainda não está pronto
para produzir seus efeitos típicos/principais

Ex. Ato administrativo sujeito a termo (enquanto o termo não advir, o ato não produzirá seus efeitos),
condição suspensiva.

Ex2. Dispensa e inexigibilidade de licitação deve estar sujeito ao procedimento de justificação (art. 26 da
Lei 8666/93). Enquanto não houver esse procedimento, o ato não produzirá efeitos.

Ex3. Contrato administrativo deve ter seu extrato publicado em diário oficial.

Ex4. Ato administrativo praticado por Governador aos 20 de março de 2017, no qual diz que produzirá
efeito após 45 dias após sua publicação. O ato é publicado em 21 de março de 2017. Aos 7 de abril de
2017, o Governador anula o ato (antes do termo). Nesse caso, a anulação NÃO PRODUZIRÁ EFEITOS, uma
vez que o ato é ineficaz.

O padrão de efeitos ex tunc e ex nunc refere-se somente aos atos


administrativos eficazes, uma vez que os atos ineficazes não produzem efeitos.

Na prova, somente se entende que o ato é ineficaz se for expressamente


descrito. Em caso de omissão, deve-se pressupor que o ato administrativo é
eficaz.

Nota:

Ato administrativo é ato jurídico (condição, termo, encargo) sujeito às regras do direito público
(requisitos/elementos).

IMPORTANTE:

DECORAR - Art. 35 – Lei 8987/95. Extingue-se a concessão por:

I - advento do termo contratual;

II – encampação; - Extinção da concessão por interesse público, precedida


de lei e de indenização (VIDE ART. 37 ABAIXO).

III - caducidade;

IV - rescisão;

V – anulação (retirada do ato por ilegalidade); e


73

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VI - falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento ou


incapacidade do titular, no caso de empresa individual.
o
§ 1 Extinta a concessão, retornam ao poder concedente todos os bens reversíveis, direitos e privilégios
transferidos ao concessionário conforme previsto no edital e estabelecido no contrato.
o
§ 2 Extinta a concessão, haverá a imediata assunção do serviço pelo poder concedente, procedendo-se
aos levantamentos, avaliações e liquidações necessários.
o
§ 3 A assunção do serviço autoriza a ocupação das instalações e a utilização, pelo poder concedente, de
todos os bens reversíveis.
o
§ 4 Nos casos previstos nos incisos I e II deste artigo, o poder concedente, antecipando-se à extinção da
concessão, procederá aos levantamentos e avaliações necessários à determinação dos montantes da
indenização que será devida à concessionária, na forma dos arts. 36 e 37 desta Lei.

DECORAR - Art. 37 – Lei 8987/95. Considera-se encampação a retomada


do serviço pelo poder concedente durante o prazo da concessão, por
motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após
prévio pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.

Art. 38 – Lei 8987/95. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a critério do poder

concedente (ato discricionário), a declaração de caducidade da concessão ou a aplicação


das sanções contratuais, respeitadas as disposições deste artigo, do art. 27, e as normas
convencionadas entre as partes.

A caducidade prevista nessa lei tem CARÁTER PUNITIVO (extinção da concessão, porque o concessionário
descumpriu a lei – DEVE SER PRECEDIDA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA). NÃO DIZ RESPEITO À
CADUCIDADE OUTRORA ESTUDADA.

Melhor seria ter conceituado como CASSAÇÃO.

Extinção da concessão por inadimplemento contratual.

Ato discricionário – Administração poderá aplicar outra sanção contratual.


Art. 27 – Lei 8987/96. A transferência de concessão ou do controle societário da concessionária sem
prévia anuência do poder concedente implicará (ato vinculado) a caducidade da concessão.

Nesse caso, a caducidade é vinculada.

Art. abaixo discorre sobre contrato de concessão ou permissão de serviços


públicos.

Art. 39 – Lei 8987/95. O contrato de concessão poderá ser rescindido por


iniciativa da concessionária, no caso de descumprimento das normas

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contratuais pelo poder concedente, mediante ação judicial especialmente


intentada para esse fim.

Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput deste artigo, os serviços

prestados pela concessionária não poderão ser


interrompidos ou paralisados, até a decisão judicial
transitada em julgado.
Não tem liminar, nem exceção do contrato não cumprido, na rescisão de
contratos de serviços públicos (Lei 8987/95)

Lei 8666/93 trata de contratos de obras, serviços e compras. NÃO TRATA DE


CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS QUE, POR SUA VEZ, É
REGULADO PELA LEI 8987/95.

Art. 78 – Lei 8666/93. Constituem motivo para rescisão do contrato:


I - o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos ou prazos;

II - o cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos;

III - a lentidão do seu cumprimento, levando a Administração a comprovar a impossibilidade da conclusão


da obra, do serviço ou do fornecimento, nos prazos estipulados;

IV - o atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento;

V - a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento, sem justa causa e prévia comunicação à


Administração;

VI - a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão ou
transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas no edital e no
contrato;

VII - o desatendimento das determinações regulares da autoridade designada para acompanhar e


fiscalizar a sua execução, assim como as de seus superiores;
o
VIII - o cometimento reiterado de faltas na sua execução, anotadas na forma do § 1 do art. 67 desta Lei;

IX - a decretação de falência ou a instauração de insolvência civil;

X - a dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado;

XI - a alteração social ou a modificação da finalidade ou da estrutura da empresa, que prejudique a


execução do contrato;

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XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento, justificadas e determinadas
pela máxima autoridade da esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas no
processo administrativo a que se refere o contrato;

XIII - a supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras, acarretando modificação
o
do valor inicial do contrato além do limite permitido no § 1 do art. 65 desta Lei;

HIPÓTESES LEGAIS DE EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO


EXCEPTIO NON ADIMPLENTO CONTRACTUS

XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por


prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em caso de calamidade
pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda por
repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo, independentemente
do pagamento obrigatório de indenizações pelas sucessivas e
contratualmente imprevistas desmobilizações e mobilizações e outras
previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela
suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até que seja
normalizada a situação;

XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela


Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas
destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública,
grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado
o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até
que seja normalizada a situação;

“O contrato – acordo de vontades – não é rescindido. O que se suspende é


a execução.”

O contratado pode aguardar a situação normalizar (vide inciso XI, in fine)


ou rescindir o contrato (configurada hipótese de rescisão – vide caput do
art. 78).

Na ação de rescisão, não precisa de liminar, pois já está autorizado o não


cumprimento do contrato. Ajuíza-se a ação tão somente para rescindir o
contrato.
XVI - a não liberação, por parte da Administração, de área, local ou objeto para execução de obra, serviço
ou fornecimento, nos prazos contratuais, bem como das fontes de materiais naturais especificadas no
projeto;

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XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente comprovada, impeditiva da execução
do contrato.

XVIII – descumprimento do disposto no inciso V do art. 27, sem prejuízo das sanções penais
cabíveis. (Incluído pela Lei nº 9.854, de 1999)

Parágrafo único. Os casos de rescisão contratual serão formalmente motivados nos autos do processo,
assegurado o contraditório e a ampla defesa.

SUPERIMPORTANTE:

A LEI 8987/95 NÃO VALE PARA CONCESSÃO DE RÁDIO E TV – HÁ


REGULAMENTAÇÃO PRÓPRIA NA CONSTITUIÇÃO – PARA EXTINGUI-LA
OU NÃO RENOVÁ-LA, É NECESSÁRIA A VOTAÇÃO DE 2/3 DO CONGRESSO
NACIONAL EM VOTAÇÃO NOMINAL.

CUIDADO:

- Extinção dos atos eficazes – anulação e revogação (mais caem em prova):

Anulação Revogação

Fundamento Ilegalidade Inconveniência

Competência - Administração pública no exercício do poder Administração Pública


da autotutela
Inclui o Judiciário e o Legislativo
- Poder judiciário no exercício da jurisdição. no exercício da atividade
administrativa (no exercício do
poder da autotutela).

“PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE


REVOGAR NO EXERCÍCIO DA
JURISDIÇÃO, MAS NÃO PODE
NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE
ADMINISTRATIVA”

Efeitos Retroativos (Ex tunc) Proativos (Ex nunc)

O ato produz efeitos com presunção de Ato legal que produziu todos
legitimidade. Quando a presunção cai, todos seus efeitos.
seus efeitos desaparecem.

Há caso em que a anulação produz


efeitos ex nunc (proativos), qual
seja, visando proteger interesse de
terceiros de boa-fé.

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Autotutela da Administração – poder de anular atos ilegais e revogar atos inconvenientes

Inclui o Poder Judiciário (na função Administrativa também é Administação Pública).

SÚMULA 346 - STF

A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.

SÚMULA 473 - STF

A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque
dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados
os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Art. 53 – Lei 9784/99. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de
legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.

- Prazo para Administração anular seus atos ilegais:

Art. 54 – Lei 9784/99. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram
efeitos favoráveis (ato ampliativo – vide atenção abaixo) para os destinatários decai em cinco
anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.

PRAZO DECADENCIAL NÃO SE APLICA SE O ATO ILEGAL VIOLAR A CONSTITUIÇÃO.

§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do


primeiro pagamento.

§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que


importe impugnação à validade do ato.

CONCEITO DE EFEITOS EX TUNC - Art. 59 – Lei 8666/93. A declaração de nulidade do contrato


administrativo opera retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria
produzir, além de desconstituir os já produzidos. –

EFEITO EX NUNC PERANTE O TERCEIRO DE BOA-FÉ - Parágrafo único. A nulidade não exonera a
Administração do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que ela
for declarada e por outros prejuízos regularmente comprovados, contanto que não lhe seja imputável,
promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa.

IMPORTANTE:

A doutrina criou e utiliza o nome prescrição administrativa para tratar dos prazos extintivos
dentro da Administração Pública.

Logo, abrange prazos prescricionais e decadenciais.

Nota:

O STF E STJ dizem que não se aplica o prazo decadencial de 5 anos se o ato ilegal da
administração violar, diretamente, a Constituição Federal.

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CUIDADO:

A anulação produz efeitos ex tunc – Se genericamente, considerar como CORRETO.

6.1. Observações sobre anulação

6.1.1. Jurisprudência

RE 158543 RS – STF – Tratando-se de anulação de um ato administrativo cuja formalização haja


repercutido no campo dos interesses individuais, a anulação não prescinde da observância do
contraditório, ou seja, da instauração de processo administrativo que enseje a audição daqueles que terão
modificada situação já alcançada – presunção do ato administrativo que não pode ser afastada
unilateralmente, porque é comum à Administração e ao particular.

“Não se anula ato administrativo pelas costas”

RE 594296 – Ao estado é facultada a revogação de atos que repercute ilegalmente praticados; porém, se
de tais atos já tiverem decorrido efeitos concretos, seu desfazimento deve ser precedido de regular
processo administrativo.

STF disse errado. Onde disse regovação, deveria mencionar anulação.

Tese consolidada STJ - A exoneração de servidor público em razão da anulação do concurso pressupõe a
observância do devido processo legal, com contraditório e ampla defesa.

Possibilidade da Administração Pública anular o ato administrativo após o transcurso do prazo


decadencial (vide art. 54 da Lei 9784/99).

STF E STJ - PRAZO DECADENCIAL NÃO SE APLICA SE O ATO ILEGAL,


INEQUIVOCADAMENTE, VIOLAR A CONSTITUIÇÃO.

Ex. Nomeação de servidor público sem prévio concurso público.

ATENÇÃO:

- Para Celso Antônio Bandeira de Melo, os atos administrativos dividem-se em:

a) Atos ampliativos: Criam direitos.

Ex. Nomeação em concurso público.

A anulação produz efeitos ex nunc.

PRAZO DE ANULAÇÃO DECAI EM 5 ANOS.

b) Atos restritivos: Impõem obrigação.

A anulação produz efeitos ex tunc.

NÃO SE SUJEITAM A PRAZO (O art. 54 da Lei 9784/99 somente abrange os atos ampliativos – vide acima).

Ex. Multa, penalidade.

Os demais doutrinadores não fazem essa distinção.

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O Poder Judiciário tem o prazo prescricional de 5 anos para anular os atos administrativos.

“Somente age mediante provocação. Interessado tem o prazo prescricional de 5 anos para
acionar o judiciário.”

6.1.2. Estabilização do ato administrativo ilegal

A Administração pondera entre ilegalidade e segurança jurídica.

6.1.2.1. Confirmação

Em razão dos prejuízos consequentes, a Administração.

6.1.2.2. Teoria do fato consumado

STF e STJ - Não se aplica a teoria do fato consumado na hipótese em que o


candidato toma posse em virtude de decisão liminar, salvo situações
fáticas excepcionais.

“Se perder na ação, perde o cargo.”


6.2. Observações sobre revogação

6.2.1. Prazo para revogação

NÃO HÁ PRAZO PARA REVOGAÇÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS.

6.2.2. Revogação dos atos administrativos abstratos

Atos administrativos abstratos (não se exaure, não se consuma, descreve situação que sempre se repetirá
quando a hipótese nele contida se concretizar) PODEM SER REVOGADOS A QUALQUER TEMPO.

Ex. Regulamento do INSS, portaria de agência reguladora.

6.2.3. Revogação dos atos administrativos concretos

Atos administrativos concretos (se exaurem) EM ALGUMAS SITUAÇÕES, NÃO PODEM SER REVOGADOS,
QUAIS SEJAM, NAQUELAS EM QUE OS ATOS ADMINISTRATIVOS JÁ SE CONSUMARAM.

Ex. Revogação de crédito para folga de servidor em dia ulterior a feriado após este dia.

Ex2. Ato complexo (há 2 órgãos administrativos que declaram suas vontades) com declaração de somente
um órgão.

Ex3. Ato vinculado – não tem oportunidade nem conveniência.

Ex3. Atos que gerem direitos adquiridos.

Maria Sylvia Di Pietro diz que os atos irrevogáveis fazem coisa julgada
administrativa (não podem ser anulados, pois são legais e também são
irrevogáveis).

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Celso Antônio discorda, pois diz que só no processo administrativo


contencioso em que há controvérsia entre Administração e administrado é
que se forma a coisa julgada administrativa (vide PERIGO abaixo).
6.2.3.1. Hipóteses em que o ato administrativo concreto não poderá ser revogado

a) Ato que a lei declare irrevogável

Ex. Licitação – lei diz que a licitação não pode ser revogada, salvo em duas hipóteses.

b) Ato que gera direito adquirido

c) Ato exaurido/consumado

d) Ato enunciativo

Ato que não produz efeito jurídico, porque traduz mera opinião, mero desejo ou certifica um fato ou
situação jurídica.

Das espécies dos atos administrativos, destacam-se:


1
i. Parecer – é uma opinião.

ii. Votos de decisões colegiadas – retrata mera opinião/desejo.

Ex. Voto de conselheiro em Conselho de Contribuintes.

iii. Certidões – apenas atestam fato ou situação jurídica.

“Não se pode participar de licitação em razão da CND negativa não por causa da certidão, mas sim por
possuir débito.”

iv. Atos de controle – Controla-se a legalidade.

“Não há como falar que determinado ato é legal e, após, revogar o ato.”
2
v. Atos que consistirem em decisão final do processo administrativo contencioso (VIDE PERIGO ABAIXO)

(1) Parecer: Subdivide-se em três espécies:

- Parecer facultativo: Não depende de previsão em lei. A autoridade pede se quiser e acata se quiser. Ato
enunciativo.

Advogado não responde, SALVO EM FALTA GRAVE – CULPA POR


IMPERÍCIA – SERÁ RESPONSÁVEL PELA IMPERÍCIA E NÃO PELO ATO
(somente autoridade – vide jurisprudência abaixo)
- Parecer obrigatório: A lei OBRIGA a autoridade a pedir, contudo NÃO É OBRIGADA A ACATAR O PARECER.
Ato enunciativo.

Ex. Somente se pode dispensar a licitação se ouvida a consultoria jurídica.

Advogado não responde, SALVO EM FALTA GRAVE – CULPA POR


IMPERÍCIA – SERÁ RESPONSÁVEL PELA IMPERÍCIA E NÃO PELO ATO
(somente autoridade – vide jurisprudência abaixo)

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- Parecer vinculado: A autoridade, para praticar o ato, DEVE pedir o parecer e, após recebê-lo, é OBRIGADA
a seguir o parecer. Ato administrativo propriamente dito (ato deixa de ser enunciativo para ser ato
propriamente dito – produz efeitos jurídicos).

Advogado e autoridade respondem.


JURISPRUDÊNCIA:

STF - Advogado da Petrobrás deu parecer no sentido de ser inexigível determinada licitação para
contratar determinada consultoria. A autoridade, então, declara a inexigibilidade e faz o contrato sem
licitação. O TCU, ao apreciar o contrato, disse que era ilegal, por não ser causa de inexigibilidade, punindo
a autoridade responsável e o advogado da Petrobrás, dizendo que os dois eram responsáveis pelo ato
ilegal.

Contra ato do TCU, cabe mandado de segurança originariamente no STF. O advogado impetrou mandado
se segurança e o STF disse que o advogado não era responsável, pois o advogado externou mera opinião,
uma vez que a autoridade não era a obrigada a decidir consoante o parecer.

PERIGO:
(2) Processo administrativo divide-se em:

a) Gracioso: decide uma questão que não envolve controvérsia.

b) Contencioso: decide uma controvérsia com força de definitividade.

Somete há quando se adota o sistema inglês (há duas jurisdições – a Administrativa tem poder para julgar
com força de coisa julgada).

Celso Antônio Bandeira de Melo diz que será contencioso quando há controvérsia entre Administração e
Administrado, uma vez que nenhum procedimento administrativo, no Brasil, transita em julgado.

“Diz isso porque a decisão final favorável da Administração é irrevogável (Ex. Decisão final em recurso
administrativo referente a lançamento de tributo que decide favoravelmente ao contribuinte quanto ao
valor devido do imposto).

NÃO CONFUNDIR O PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PELO VIÉS DO CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE


MELO COM O CONCEITO CLÁSSICO (SISTEMA INGLÊS).

Ex. Procedimento tributário.

Contraexemplo. Licitação.

JURISPRUDÊNCIA/DOUTRINA – EXCEÇÃO À IRREVOGABILIDADE DOS ATOS


VINCULADOS:

Ato vinculado que pode ser revogado: licença para construir em que a obra ainda
não se iniciou, ressalvando-se o direito à indenização pelos prejuízos causados.
Nota:
Estudar classificação dos atos administrativos (nunca é visto em cursos preparatórios, pois se
trata de lista de memorização), principalmente no que tange às espécies de atos administrativos.

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16/10/17
Ø Intervenção do Estado1 na Propriedade

Quando se estuda Direito Administrativo, a maior parte da explicação se concentra em


Administração Pública, no entanto, agora, a matéria não se restringe à Administração Pública.

Aborda-se o Estado que, por sua vez, abrange a União, Estado membro, Município, DF, cada qual
dentro da sua competência Constitucional.

Ex. Pode-se ter o Estado legislando e limitando a propriedade. O Estado julgando e afetando o
direito de propriedade. O Estado administrando e, no exercício da função administrativa, afeta
o direito de propriedade.
(1) Estado: Pessoa jurídica de direito público dotado de autonomia política que exerce funções essenciais
à coletividade e ao estado legislando, julgando e administrando.

O estado, em suas funções essenciais, podem interferir no direito de propriedade. Isso que será estudado.

1. Fundamentos da intervenção do Estado na propriedade


Parte-se da premissa que a Constituição/88 deu ao direito de propriedade o status de
fundamental.

Contudo, mesmo sendo um direito fundamental do cidadão, o estado tem a prerrogativa de


ferir, ou até mesmo destruir, o direito de propriedade.

Eis o que legitima a interferência do estado na propriedade:

a) O domínio iminente

Traduz o poder de império que o Estado exerce sobre todas as propriedades dentro do seu território.

Dessa feita, pode sacrificar o direito de propriedade que esteja dentro do seu território.

b) A supremacia do interesse público sobre o interesse particular

Se o interesse da coletividade é mais importante que o interesse individual, sempre que se precisar
sacrificar o direito individual em prol da coletividade, assim será feito.

c) A função social da propriedade (art. 5º, inciso XXIII e art. 170, inciso III – CF)

A propriedade traz vantagens e desvantagens. Para garantir que o proprietário dê à propriedade a sua
função social merecida, o Estado vai intervir no direito de propriedade para garantir que esta cumpra sua
função social (matéria afeta ao Direito Constitucional).

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS - art. 5º - CF - XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

ORDEM ECONÔMICA - Art. 170 - CF. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e
na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:

III - função social da propriedade;

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d) O poder de polícia do Estado, aqui entendido em seu sentido amplo

Poder de polícia em sentido amplo são os atos legislativos e administrativos que limitam a propriedade
em favor do bem comum. “São leis e atos administrativos que limitam direitos individuais em prol do bem
comum.”

Maria Sylvia afirma que, segundo seu entendimento, toda vez que o Estado intervém no direito de
propriedade, está limitando-a em prol do bem comum. Para ela, todas as intervenções do Estado na
propriedade retiram seu fundamento do poder de polícia que o Estado exerce, pois, em todos os casos,
sacrifica um direito individual em prol do bem comum.

Ex. Quando tomba/institui uma servidão/requisita administrativamente/ocupa


temporariamente/desapropria, limita/retira o direito de propriedade em prol do bem comum.

Normalmente, encontrar-se-á nos livros somente os 3 primeiros fundamentos (domínio iminente,


supremacia do interesse público e função social da propriedade).

Todavia, para Maria Sylvia, o poder de polícia do Estado em seu sentido amplo também fundamenta a
intervenção do Estado na propriedade.

IMPORTANTE:
- NÃO confundir domínio público com domínio iminente.
Domínio público é uma expressão que traduz patrimônio do Estado. Refere-se ao patrimônio do Estado.

Noutra sorte, domínio iminente não traz natureza patrimonial, mas sim a autoridade que o Estado exerce
sobre o que está inserido em seu território.

Nota:
Tradicionalmente, somente as limitações administrativas têm como fundamento o poder de
polícia, contudo, para Maria Sylvia, abrange todas as 5 intervenções do Estado na propriedade.

2. Modalidades de intervenção do estado na propriedade


2.1. Intervenções restritivas ou brandas
Afetam o direito de propriedade, sem, no entanto, extingui-lo.

“O Estado pratica um ato que lesa o direito de propriedade, mas o proprietário permanece
como proprietário.”

a) Limitações administrativas

b) Requisições administrativas
A Constituição, em seu art. 5º, inciso XX, diz que, em caso de guerra ou perigo público iminente, o Estado
pode utilizar bens móveis, imóveis e serviços particulares.

Se houver dano, caberá indenização posterior.

art. 5º - CF - XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se
houver dano;

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c) Ocupação temporária

d) Servidão administrativa

e) Tombamento

2.2. Intervenções supressivas


Aquela que destrói, aniquila o direito de propriedade.

“O proprietário deixa de ser proprietário em razão do ato praticado pelo Estado.”

A restrição restritiva, por natureza, é a desapropriação.

a) Desapropriação

b) Requisição administrativa quando recai sobre bens consumíveis

Vide conceito de requisição administrativa acima.

Ex – requisição administrativa sobre bens consumíveis. O Brasil está em guerra com a Venezuela e requisita
combustível de distribuidoras de combustíveis particulares (Ale, Esso, Shell).

Nesse caso, a requisição destrói a propriedade, pois o bem será consumido.

Haverá indenização posterior, uma vez que houve dano.

3. Prescrição
O Estado pratica um ato que afeta o direito de propriedade de um particular, provocando-lhe
dano, lesando, assim, o direito de propriedade.

Desse modo, o particular tem o direito de procurar o judiciário (sistema inglês).

Há um prazo para o particular ajuizar uma ação, buscando reparação de dano em decorrência
de ato que afetou o direito de propriedade.

O prazo será de 5 anos.

art. 5º - CF - XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

Nota:
Em 99% das vezes, o prazo prescricional contra o Estado é de 5 anos, todavia os fundamentos
são diferentes.

Ex. Na responsabilidade civil do Estado, a pretensão da vítima para ajuizar ação contra o Estado
é de 5 anos, com base no decreto 20910/32.

No entanto, na intervenção do Estado na propriedade, o fundamento da prescrição é o art.


10, parágrafo único, do Decreto-Lei 3365/41.
“Se não houvesse o decreto, aplicar-se-ia o mesmo prazo, contudo com fundamento na norma geral
(decreto 20910/32).”

Art. 10 – Decreto-Lei 3365/41. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se


judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os
quais este caducará. (Vide Decreto-lei nº 9.282, de 1946)

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Neste caso, somente decorrido um ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova declaração.

Parágrafo único. Extingue-se em cinco anos o direito de propor ação que vise a indenização por restrições
decorrentes de atos do Poder Público. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.183-56, de 2001)

De outra forma, o prazo inserto no art. 10, parágrafo único, DL 3365/41 não
se aplica à desapropriação indireta1, uma vez que essa equivale à usucapião
extraordinária.
Nesse caso, a lei dispõe que o prazo é de 5 anos.

Entretanto, o STJ discorda, sob argumento de que o Estado estaria adquirindo o imóvel em 5
anos, o que acarretaria na criação de uma usucapião extraordinária especial para o Estado.

Para o STJ, então, o prazo é de 10 anos (prazo da usucapião extraordinária2), pois se deve
preencher os requisitos da usucapião extraordinária.
(1) Desapropriação indireta: É a desapropriação sem o devido processo legal. Denomina-se
apossamento/esbulho administrativo.

“Estado se apropria de bem alheio sem pagar indenização.”

A lei diz que, uma vez incorporado ao patrimônio público, o bem não pode
ser objeto de reivindicação.
Nessa situação, o proprietário terá direito a perdas e danos (O proprietário terá direito
ao valor correspondente do bem desapropriado sem observância legal).

(2) Prazo da usucapião extraordinária: No Código Civil de 1916, era de 20 anos, ao passo que, no Código
de 2002, passou a ser de 10 anos. Para o Código de 2002, o prazo é de 15 anos, no
entanto, se houver destinação, diminuem-se 5, passando para 10.
Súmula 119/STJ - 11/07/2017. Desapropriação indireta. Prazo prescricional. Prescrição vintenária. CCB,
arts. 177 e 550.

«A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos.»

A Súmula fala em 20 anos, pois foi elaborada à vigência do Código de 1916.

STJ: A ação de desapropriação indireta prescreve em 20 anos, nos termos da Súmula 119 do
STJ, na vigência do Código Civil de 1916 e, em 10 anos, sob a égide do Código Civil de 2002,
observando-se a regra de transição disposta no art. 2.028 – CC/02.
Art. 2.028 – CC/02. Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de
sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.

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4. Limitações administrativas
4.1. Conceito
Podem ser definidas atos legislativos ou administrativos de caráter geral que criam, para o
proprietário, obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito
de propriedade ao interesse público.

Atos gerais voltados para propriedades indeterminadas para proteger o interesse público
abstratamente considerado, tendo natureza jurídica de poder de polícia.

Ex. O Plano Diretor do Município que se faz com base no Estatuto da Cidade, no qual se define o
uso e ocupação do solo urbano (comércio, residência, mista, pode-se construir prédios, somente
casas, etc.).

Ex2. Padronização de passeios.

Ex3. Determinação de Áreas de Preservação Permanentes (APP`s).

Ex4 – Limitação administrativa sobre bem móvel. Vedação de colocação de


“insulfilm” 100% em automóvel.
4.2. Atributo da propriedade afetado1

Caráter absoluto da propriedade.

(1) Atributo da propriedade afetado: Quando se estuda propriedade no Código Civil, verifica-se que,
classicamente, a propriedade tem 3 atributos, ou seja, a propriedade é:
1.1.
a) Absoluta : Sou proprietário e faço o que eu quiser.

b) Exclusiva: Sou proprietário e apenas eu uso e gozo.

c) Perpétua: Sou proprietário e a propriedade é minha para sempre e, quando morrer, passa para meus
herdeiros.

Vem o Estado e pratica um ato que afeta a propriedade.

Pergunta-se: Esse ato afetou a propriedade qual de seus atributos.

Questionamento importante, especialmente, nas intervenções restritivas, pois, nessa, o dono permanece
como dono, mas o ato afeta um dos atributos da propriedade.

(1.1) Relativização do direito de propriedade: A propriedade não é absoluta, porque a lei define os limites
da propriedade.

“Eu não faço o que quiser com a propriedade, pois me sujeito às limitações administrativas.”

4.3. Indenização2

Não gera direito à indenização, pois o proprietário continua a ser proprietário.


O Estado apenas limitou administrativamente para impedir a utilização/gozo antissocial da
propriedade.

Ademais, é ato geral sobre propriedades indeterminadas (“todos sofrem na mesma medida”).

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(2) Indenização: Há situações em que o Estado indeniza o sacrifício do Direito de Propriedade.

Ex. Concessionário de serviços públicos que precisa instituir uma servidão. Itaipu precisa levar a energia
produzida para São Paulo que, por sua vez, dá-se por meio de cabos de transmissão, instalados em torres
de energia. Para colocar as torres, devem-se instituir servidões administrativas nas propriedades,
sacrificando o direito de propriedade.

Em outras situações, indeniza-se o dano. Nesse caso, a atuação do estado não se volta a sacrificar o direito
do particular em prol do interesse público. O dano é efeito colateral. A lesão do direito é consequência e
não intenção do Estado.

Ex. Requisição administrativa – Polícia Federal está atrás de um terrorista e o policial requisita o carro de
um particular para persegui-lo (situação de perigo iminente). SOMENTE HAVERÁ DIREITO À INDENIZAÇÃO
SE, NA UTILIZAÇÃO DO VEÍCULO, HOUVER DANO.

Da mesma forma, ocorre na ocupação temporária e no tombamento – indenização somente se produzir


dano.

“O tombamento não dá direito à indenização, mas, se houver dano, há indenização, não pelo
tombamento, mas pelo dano. O tombamento é o meio pelo qual se gera o dano. O tombamento, por si,
não gera dano.”

Art. 37 – CF - § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços


públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado
o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

4.3.1. Jurisprudência – LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA QUE GERA DANO - IMPORTANTE


Tenho uma fazenda na Serra do Mar. A União, então, transforma a área em reserva de proteção
ambiental. Por causa dessa reserva de proteção ambiental que abrange, dentre outras, a minha
propriedade, não posso cortar nenhuma árvore, nem caçar.

In casu, sofri um dano. Dessarte, terei direito à indenização.

“A LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA NÃO GERA INDENIZACÃO, MAS O DANO GERA. QUANDO A LIMITAÇÃO
ADMINISTRATIVA PRODUZIR DANO, GERARÁ INDENIZAÇÃO.”

Nota:
Se na minha fazenda somente tem pau-brasil, sendo área de reserva ambiental ou não, não se
pode cortar nenhuma árvore.

Nesse caso, se vier limitação administrativa, tal como no item “4.3.1.”, não haverá indenização,
pois não haverá dano.

“Somente haverá dano quando se tiver direito à exploração lícita das riquezas, sobrevindo
limitação administrativa que tira esse direito.”

SUPERIMPORTANTE:
A intervenção do Estado na propriedade pode se dar sobre bens móveis e bens imóveis,
corpóreos, incorpóreos.

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4.4. Institutos previstos na Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade) que têm natureza de
limitação administrativa
4.4.1. Parcelamento e edificação compulsórios (art. 5º - Estatuto da Cidade)

Primeira medida trazida pela Constituição quando a propriedade não cumpre sua função social.

Art. 182 - CF. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme
diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da
cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. (Regulamento) (Vide Lei nº
13.311, de 11 de julho de 2016)

§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor,
exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não
utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:

I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
o
Art. 5 – Estatuto da Cidade - Lei municipal específica para área incluída no plano diretor poderá
determinar o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, devendo fixar as condições e os prazos para implementação da referida
obrigação.
o
§ 1 Considera-se subutilizado o imóvel:

I – cujo aproveitamento seja inferior ao mínimo definido no plano diretor ou em legislação dele
decorrente;

II – (VETADO)
o
§ 2 O proprietário será notificado pelo Poder Executivo municipal para o cumprimento da obrigação,
devendo a notificação ser averbada no cartório de registro de imóveis.
o
§ 3 A notificação far-se-á:

I – por funcionário do órgão competente do Poder Público municipal, ao proprietário do imóvel ou, no
caso de este ser pessoa jurídica, a quem tenha poderes de gerência geral ou administração;

II – por edital quando frustrada, por três vezes, a tentativa de notificação na forma prevista pelo inciso I.
o
§ 4 Os prazos a que se refere o caput não poderão ser inferiores a:

I - um ano, a partir da notificação, para que seja protocolado o projeto no órgão municipal competente;

II - dois anos, a partir da aprovação do projeto, para iniciar as obras do empreendimento.


o
§ 5 Em empreendimentos de grande porte, em caráter excepcional, a lei municipal específica a que se
refere o caput poderá prever a conclusão em etapas, assegurando-se que o projeto aprovado compreenda
o empreendimento como um todo.

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4.4.2. Direito de preempção1 municipal (art. 25 – Estatuto da Cidade)

(1) Direito de preempção: Direito de preferência.

Art. 25 – Estatuto da Cidade. O direito de preempção confere ao Poder Público municipal preferência
para aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares.

§ 1 Lei municipal, baseada no plano diretor, delimitará as áreas em que


o

incidirá o direito de preempção e fixará prazo de vigência, não superior a


cinco anos, renovável a partir de um ano após o decurso do prazo inicial de
vigência.
o o
§ 2 O direito de preempção fica assegurado durante o prazo de vigência fixado na forma do § 1 ,
independentemente do número de alienações referentes ao mesmo imóvel.

4.4.3. Estudo de impacto de vizinhança (art. 36 – Estatuto da Cidade)


Art. 36 – Estatuto da Cidade. Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades privados ou públicos
em área urbana que dependerão de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV) para
obter as licenças ou autorizações de construção, ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público
municipal.

“Município faz uma lei determinando que aquele tipo de empreendimento necessita de estudo de
impacto de vizinhança.”

“A União, Estado também devem fazer o estudo de impacto de vizinhança, que é condição para
conseguir a licença para realização do empreendimento.”

IMPORTANTE:
Nas limitações administrativas, a União, o Estado, o Município e o Distrito Federal legislam, cada
qual dentro de sua competência Constitucional.

5. Requisição administrativa
5.1. Conceito
É o ato administrativo unilateral e auto executório1 pelo qual o Poder Público utiliza,
transitoriamente, bens móveis, imóveis ou serviços particulares, em casos de guerra ou de
perigo público iminente.

(1) Ato auto executório: ato que pode ser praticado sem ordem judicial.

art. 5º - CF - XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se
houver dano;
Nota:
- Competência legislativa da União (art. 22, inciso III – CF)

“Somente a União legisla sobre a requisição administrativa.”

“A União, o Estado, o Município podem praticar o ato administrativo de requisição, mas somente a
União pode legislar.”

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Art. 22 - CF. Compete privativamente à União legislar sobre:

III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;

- O DL 4812/42 disciplina as requisições civis e militares.

- A Lei Delegada 4/62 e o DL 2/66 preveem requisições voltadas para a intervenção no domínio
econômico e para bens e serviços necessários ao abastecimento da população (requisição
administrativa civil).

- O art. 1.228, §3º - CC/02 também faz referência à requisição administrativa.

Art. 1.228 - CC. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de
reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.

§ 3o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou
utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público
iminente.

- O art. 15, XIII – Lei 8080/90 traz hipótese de requisição administrativa no âmbito do SUS
(requisição administrativa civil).

Art. 15 – Lei 8080/90. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão, em seu âmbito
administrativo, as seguintes atribuições:

XIII - para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de situações de


perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias, a autoridade competente da esfera
administrativa correspondente poderá requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais como de
jurídicas, sendo-lhes assegurada justa indenização;

5.2. Atributo da propriedade afetado

O caráter exclusivo da propriedade.

Ex. Estado requisita minha fazenda para fazer de quartel em caso de Guerra. Se a União usa, eu
não uso.

Ex2. Se o policial usa meu veículo para perseguir bandido, eu não o utilizo.

5.3. Indenização

Não há direito à indenização, salvo se, do uso, resultar dano, sendo essa, nesse
caso, paga posteriormente.
Ex. União requisita 5 mil sacas de feijão para alimentar soldados em caso de guerra. Óbvio que
haverá prejuízo, contudo a indenização continua sendo ulterior.

“É posterior, porque não dá tempo de falar em dinheiro (é um perigo iminente, uma guerra).”

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Nota:
- Na matéria de contratos administrativos, há a exceção do contrato não cumprido.

Na lei 8666/93, diante do inadimplemento do contrato pela Administração Pública, pode-se


suspender a execução do contrato em condições normais. Se houver guerra, perigo
público iminente, grave perturbação da ordem, não se pode suspender a
execução do contrato.
Art. 78 – Lei 8666/93. Constituem motivo para rescisão do contrato:

XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 120 (cento
e vinte) dias, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou
ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento
obrigatório de indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e
mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela
suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até que seja normalizada a situação;

XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de
obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de
calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito
de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação;

6. Ocupação temporária
6.1. Conceito

É a forma de intervenção pela qual o Poder Público usa transitoriamente imóveis (não são
bens móveis) privados como meio de apoio à execução de obras e serviços públicos.
“Apoio a obra ou serviço público que a lei disser.”

“O contexto que autoriza a ocupação do imóvel é o previsto em lei. Qualquer um, desde que
previsto em lei.”

6.2. Atributo da propriedade afetado

Caráter exclusivo da propriedade.

6.3. Espécies
6.3.1. Ocupação temporária vinculada à desapropriação

Nesse caso, somente terrenos não edificados.


A primeira premissa que se deve ter é que o acessório segue o principal, isto é, se a ocupação temporária
está vinculada à desapropriação, ela segue o regime jurídico da desapropriação.

Na desapropriação há uma fase declaratória (o Estado declara o que é interesse público, utilidade pública,
necessidade pública – DECLARAÇÃO NÃO TRANSFERE PROPRIEDADE) e uma fase executória (providências
são tomadas para transferir a propriedade – se não houver acordo com o proprietário, o Estado deve
ajuizar uma ação de desapropriação e, se julgada procedente, ir no cartório transferir).

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Isso posto, nessa ocupação temporária, haverá duas fases:

a) Fase declaratória: Administração diz o que será desapropriado e o que será ocupado.

b) Fase executória: Estado retira a propriedade do imóvel que disse que iria retirar e ocupa o imóvel que
disse que iria ocupar.

“As providências de ocupação devem ser precedidas de uma declaração (aquela que acontece na
desapropriação).”

Ex. Cidade A e B, entre as quais existe uma rodovia que o Estado decide duplicar. Para construir outra
pista, devem-se desapropriar imóveis. Necessita-se, também, das áreas anexas, tendo em vista que, nelas,
ficarão os acampamentos, etc., etc. necessários à obra. Terminada a obra, desocupam-se os terrenos
anexos.

Art. 36 – DL 3365/41. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria,
de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização.

O expropriante prestará caução, quando exigida.

6.3.2. Ocupação temporária para outros fins de interesse público

Os fins devem ser previstos em lei.

a) Justiça eleitoral

b) Lei 3924/61

“Ocupa-se provisoriamente, escava-se e, se no final, tiver a conclusão que não tem nada, vão embora.
Se houver algo importante, decide-se o que fazer (tombar, desapropriar, etc.).”

Art 13 – Lei 3924/61. A União, bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal, poderão
proceder a escavações e pesquisas, no interêsse da arqueologia e da pré-história em terrenos de
com exceção das áreas muradas que envolvem
propriedade particular,
construções domiciliares.
Parágrafo único. À falta de acôrdo amigável com o proprietário da área onde situar-se a jazida, será esta
declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos
estudos, nos têrmos do art. 36 do Decreto-lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941.

6.4. Indenização
6.4.1. Ocupação temporária vinculada à desapropriação
Dará direito à indenização, pois segue o regime jurídico da desapropriação.

Não se indeniza por dano, mas sim pelo período que se utilizou a
propriedade.
“Enquanto o Estado utilizou, eu não utilizei. Então, Estado me indeniza pelo período.”

6.4.2. Ocupação temporária para outros fins de interesse público

Não há direito à indenização, salvo se houver dano.


“Não se indeniza porque utilizou, mas sim se houver dano.”

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7. Servidão Administrativa
7.1. Premissas
7.1.1. Espécie de servidão

Servidão administrativa é espécie de servidão.

Doutrina diz que servidão pode ser de direito público ou de direito privado.

A servidão de direito público é a servidão administrativa.

Servidão de direito privado é aquela sujeita às regras do direito privado.

7.1.1.1. Características comuns à servidão administrativa e a servidão privada

Aquilo que está previsto no Código Civil.

- Toda servidão recai sobre bem imóvel.

- A servidão é perpétua, embora haja causas extintivas.

7.1.2. Servidão – regime jurídico da desapropriação (art. 40 – DL 3365/41)


Se há um dispositivo no DL 3365/41 (LEI GERAL DA DESAPROPRIAÇÃO) sobre a servidão, quer dizer que a
servidão segue o mesmo regime jurídico da desapropriação.

No entanto, na servidão, o procedimento não terminará com a retirada da propriedade (desapropriação),


mas sim com a instituição de um direito real (servidão).

Deve-se haver a fase de declaração (declara-se que se vai instituir a servidão) e a fase executória (não se
retira a propriedade, mas sim institui o direito real).

“Único jeito que acharam para definir o regime jurídico da servidão, pois não há lei.”

Para o Estado instituir uma servidão, deverá seguir o regime jurídico da


desapropriação.
Art. 40 – DL 3365/41. O expropriante poderá constituir servidões, mediante indenização na forma desta
lei.

7.1.2.1. Fase declaratória da servidão

O Estado declara a utilidade pública, necessidade pública de se instituir a servidão.

7.1.2.1.1. Competência para declarar

União, Estado, Município, DF e o Território (os mesmos da desapropriação).

7.1.2.2. Fase executória da servidão

Momento que o Estado adota providências concretas para instituir o direito real de gozo denominado
servidão.

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7.1.2.1.1. Competência para executar

Competência para praticar as providências para instituir o direito real.

a) União, estados, municípios, DF e territórios

“Quem tem competência para declarar, tem competência para executar.”

lei

b) Pessoas

contrato administrativo

Pessoas que, por lei ou contrato administrativo, receberam a competência para instituir o direito real de
servidão.

Ex. Autarquias.

Ex2. concessionárias de serviço público (É a operadora de telefonia móvel que institui a servidão para
colocar antena em determinados imóveis; é a concessionária de energia que paga para passar sobre a
fazenda linhas de transmissão de energia; a companhia de gás canalizado que paga para passar o
gasoduto) – são essas pessoas que fazem as vezes do Estado, pois, por contrato de concessão, receberam
essa competência.

7.2. Conceito

Servidão administrativa é o direito real de gozo, de natureza pública, instituída sobre


imóvel de propriedade alheia, com base na lei, por entidade pública ou seus
delegados (pelo Estado ou por quem lhe faça as vezes), em favor de um serviço público ou de
um bem afetado a fim de utilidade pública.

Nota:
- No direito civil, há dois imóveis (imóvel dominante e imóvel serviente). Sobre o imóvel
serviente, pesa o direito real chamado servidão. Essa servidão é imposta para que o imóvel
serviente ofereça utilidade ao imóvel dominante.

Ex. Terreno encravado (quando um terreno está dentro de outro, sendo necessária a servidão de
passagem).

- Na servidão administrativa, não é um imóvel que é dominante, mas sim um serviço


público.
“Institui-se o direito real da servidão em um imóvel serviente em favor da execução de um serviço
público.”

- A servidão, a priori, é perpétua, mas pode acabar.


Ex. Se inventarem a transmissão de energia wi-fi, desnecessária a servidão para passagem de linhas de
transmissão de energia.

Ex2. Concessionário desapropria o imóvel sobre o qual recai a servidão.

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IMPORTANTE:

Servidão administrativa pode recair sobre bem público, observado o


princípio da hierarquia administrativa.
Na desapropriação, a União pode desapropriar bens dos Estados e Municípios, ao passo que os
Estados podem desapropriar bens dos Municípios (no entanto, o inverso não é permitido).

Considerando que a servidão segue o regime jurídico da desapropriação, da mesma forma, a


União pode instituir servidão em bens dos Estados e Municípios e os Estados em bens dos
Municípios. O inverso, conquanto, não é permitido (Município instituir servidão em bens do
Estado ou União; Estado instituir servidão em bens da União).

“Tudo que vale para desapropriação, no que couber, vale para a servidão.”

7.3. Atributo da propriedade afetado

O caráter exclusivo da propriedade.

“O bem é do proprietário, mas quem usa é aquele que instituiu a servidão.”

7.4. Formas de instituição


“Como que o Estado ou quem lhe faça as vezes institui a servidão.”

a) Por acordo
Considerando que se segue o regime da desapropriação, o acordo deve ser precedido de desapropriação.

b) Por sentença
Se o proprietário não anuir. Também deve ser precedida de declaração (é aquela de utilidade, necessidade
pública trazida no DL 3365/41).

c) Por lei

IMPORTANTE:
- Para José dos Santos Carvalho Filho, servidão instituída por lei, na verdade, é limitação
administrativa.

- Já Maria Sylvia di Pietro diz que a servidão instituída por lei não precisa de prévia
declaração.
7.5. Registro
A lei de registros públicos diz que toda servidão administrativa deve ser registrada no cartório de imóveis.

O registro é realizado para dar publicidade, ou seja, para que nenhum desavisado compre o imóvel sem
saber que sobre ele recai o direito real de gozo denominado servidão.

Art. 167 – Lei 6015/73 - No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (Renumerado
do art. 168 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975).

I - o registro: (Redação dada pela Lei nº 6.216, de 1975).

6) das servidões em geral;

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IMPORTANTE:

- Maria Sylvia diz que toda servidão deve ser registrada, exceto a instituída por lei,
pois a lei é pública (desse modo, a servidão também o é, não necessitando de registro).
- José dos Santos diz que a servidão instituída por lei não é registrada porque não é servidão.
“Assim, para José dos Santos, toda servidão deve ser registrada (a instituída por lei, para ele, não é
servidão, mas sim limitação administrativa).

7.6. Indenização

Indenização prévia e condicionada à existência de dano, salvo a servidão por


lei, tendo em vista que essa é geral (recai sobre qualquer um; para José dos Santos, não se
indeniza porque é limitação administrativa).

IMPORTANTE:

STJ: Na desapropriação para instituir servidão administrativa são devidos os juros


compensatórios pela limitação de uso da propriedade.

“Se tem juros compensatórios, é porque tem indenização.”


Súmula 56/STJ - 11/07/2017. Desapropriação. Servidão. Juros compensatórios devidos. CF/88, art. 5º,
XXIV.

«Na desapropriação para instituir servidão administrativa são devidos os juros compensatórios pela
limitação de uso da propriedade.»

Nota (art. 167 – Lei 6015/73 completo):


Art. 167 – Lei 6015/73 - No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (Renumerado
do art. 168 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975).

I - o registro: (Redação dada pela Lei nº 6.216, de 1975).

1) da instituição de bem de família;

2) das hipotecas legais, judiciais e convencionais;

3) dos contratos de locação de prédios, nos quais tenha sido consignada cláusula de vigência no caso de
alienação da coisa locada;

4) do penhor de máquinas e de aparelhos utilizados na indústria, instalados e em funcionamento, com os


respectivos pertences ou sem eles;

5) das penhoras, arrestos e seqüestros de imóveis;

6) das servidões em geral;

7) do usufruto e do uso sobre imóveis e da habitação, quando não resultarem do direito de família;

8) das rendas constituídas sobre imóveis ou a eles vinculadas por disposição de última vontade;

9) dos contratos de compromisso de compra e venda de cessão deste e de promessa de cessão, com ou
sem cláusula de arrependimento, que tenham por objeto imóveis não loteados e cujo preço tenha sido
pago no ato de sua celebração, ou deva sê-lo a prazo, de uma só vez ou em prestações;

10) da enfiteuse;

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11) da anticrese;

12) das convenções antenupciais;

13) das cédulas de crédito rural;

14) das cédulas de crédito, industrial;

15) dos contratos de penhor rural;

16) dos empréstimos por obrigações ao portador ou debêntures, inclusive as conversíveis em ações;

17) das incorporações, instituições e convenções de condomínio;

18) dos contratos de promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de unidades autônomas
condominiais a que alude a Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, quando a incorporação ou a
instituição de condomínio se formalizar na vigência desta Lei;

19) dos loteamentos urbanos e rurais;

20) dos contratos de promessa de compra e venda de terrenos loteados em conformidade com o Decreto-
lei nº 58, de 10 de dezembro de 1937, e respectiva cessão e promessa de cessão, quando o loteamento
se formalizar na vigência desta Lei;

21) das citações de ações reais ou pessoais reipersecutórias, relativas a imóveis;

22) (Revogado pela Lei nº 6.850, de 1980)

23) dos julgados e atos jurídicos entre vivos que dividirem imóveis ou os demarcarem inclusive nos casos
de incorporação que resultarem em constituição de condomínio e atribuírem uma ou mais unidades aos
incorporadores;

24) das sentenças que nos inventários, arrolamentos e partilhas, adjudicarem bens de raiz em pagamento
das dívidas da herança;

25) dos atos de entrega de legados de imóveis, dos formais de partilha e das sentenças de adjudicação
em inventário ou arrolamento quando não houver partilha;

26) da arrematação e da adjudicação em hasta pública;

27) do dote;

28) das sentenças declaratórias de usucapião; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.220,
de 2001)

29) da compra e venda pura e da condicional;

30) da permuta;

31) da dação em pagamento;

32) da transferência, de imóvel a sociedade, quando integrar quota social;

33) da doação entre vivos;

34) da desapropriação amigável e das sentenças que, em processo de desapropriação, fixarem o valor da
indenização;

35) da alienação fiduciária em garantia de coisa imóvel. (Incluído pela Lei nº 9.514, de 1997)

36). da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos
Municípios ou às suas entidades delegadas, e respectiva cessão e promessa de cessão; (Redação
dada pela Lei nº 12.424, de 2011)

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37) dos termos administrativos ou das sentenças declaratórias da concessão de uso especial para fins de
moradia; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.220, de 2001)

38) (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.257, de 2001)

39) da constituição do direito de superfície de imóvel urbano; (Incluído pela Lei nº 10.257, de
2001)

40) do contrato de concessão de direito real de uso de imóvel público. (Redação dada pela
Medida Provisória nº 2.220, de 2001)

41. da legitimação de posse; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009)


o
42. da conversão da legitimação de posse em propriedade, prevista no art. 60 da Lei n 11.977, de 7 de
julho de 2009; (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011)

43. da Certidão de Regularização Fundiária (CRF); (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

44. da legitimação fundiária. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

II - a averbação: (Redação dada pela Lei nº 6.216, de 1975).

1) das convenções antenupciais e do regime de bens diversos do legal, nos registros referentes a imóveis
ou a direitos reais pertencentes a qualquer dos cônjuges, inclusive os adquiridos posteriormente ao
casamento;

2) por cancelamento, da extinção dos ônus e direitos reais;

3) dos contratos de promessa de compra e venda, das cessões e das promessas de cessão a que alude
o Decreto-lei nº 58, de 10 de dezembro de 1937, quando o loteamento se tiver formalizado
anteriormente à vigência desta Lei;

4) da mudança de denominação e de numeração dos prédios, da edificação, da reconstrução, da


demolição, do desmembramento e do loteamento de imóveis;

5) da alteração do nome por casamento ou por desquite, ou, ainda, de outras circunstâncias que, de
qualquer modo, tenham influência no registro ou nas pessoas nele interessadas;

6) dos atos pertinentes a unidades autônomas condominiais a que alude a Lei nº 4.591, de 16 de dezembro
de 1964, quando a incorporação tiver sido formalizada anteriormente à vigência desta Lei;

7) das cédulas hipotecárias;

8) da caução e da cessão fiduciária de direitos relativos a imóveis;

9) das sentenças de separação de dote;

10) do restabelecimento da sociedade conjugal;

11) das cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade impostas a imóveis, bem


como da constituição de fideicomisso;

12) das decisões, recursos e seus efeitos, que tenham por objeto atos ou títulos registrados ou averbados;

13) " ex offício ", dos nomes dos logradouros, decretados pelo poder público.

14) das sentenças de separação judicial, de divórcio e de nulidade ou anulação de casamento, quando nas
respectivas partilhas existirem imóveis ou direitos reais sujeitos a registro. (Incluído pela Lei nº
6.850, de 1980)

15 - da re-ratificação do contrato de mútuo com pacto adjeto de hipoteca em favor de entidade integrante
do Sistema Financeiro da Habitação, ainda que importando elevação da dívida, desde que mantidas as

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Professor: Barney Bichara Rafael Barreto Ramos
Curso SUPREMO 2017

mesmas partes e que inexista outra hipoteca registrada em favor de terceiros. (Incluído pela Lei nº
6.941, de 1981)

16) do contrato de locação, para os fins de exercício de direito de preferência. (Incluído pela
Lei nº 8.245, de 1991)

17) do Termo de Securitização de créditos imobiliários, quando submetidos a regime


fiduciário. (Incluído pela Lei nº 9.514, de 1997)

18) da notificação para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios de imóvel


urbano; (Incluído pela Lei nº 10.257, de 2001)

19) da extinção da concessão de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei nº 10.257,
de 2001)

20) da extinção do direito de superfície do imóvel urbano. (Incluído pela Lei nº 10.257, de 2001)

21) da cessão de crédito imobiliário. (Vide Medida Provisória nº 2.223, de 2001) (Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)

22. da reserva legal; (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006)

23. da servidão ambiental. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006)

24. do destaque de imóvel de gleba pública originária. (Incluído pela Lei nº 11.952, de 2009)

25. (Vide Medida Provisória nº 458, de 2009)

26. do auto de demarcação urbanística. (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009)

27. da extinção da legitimação de posse; (Redação dada pela Lei nº 12.424, de 2011)

28. da extinção da concessão de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei nº
12.424, de 2011)

29. da extinção da concessão de direito real de uso. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011)

30. da sub-rogação de dívida, da respectiva garantia fiduciária ou hipotecária e da alteração das condições
contratuais, em nome do credor que venha a assumir tal condição na forma do disposto pelo art. 31 da
o o
Lei n 9.514, de 20 de novembro de 1997, ou do art. 347 da Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002 -
Código Civil, realizada em ato único, a requerimento do interessado instruído com documento
comprobatório firmado pelo credor original e pelo mutuário. (Redação dada pela Lei nº 12.810,
de 2013)

31. da certidão de liberação de condições resolutivas dos títulos de domínio resolúvel emitidos pelos
órgãos fundiários federais na Amazônia Legal. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

32. do termo de quitação de contrato de compromisso de compra e venda registrado e do termo de


quitação dos instrumentos públicos ou privados oriundos da implantação de empreendimentos ou de
processo de regularização fundiária, firmado pelo empreendedor proprietário de imóvel ou pelo
promotor do empreendimento ou da regularização fundiária objeto de loteamento, desmembramento,
condomínio de qualquer modalidade ou de regularização fundiária, exclusivamente para fins de
exoneração da sua responsabilidade sobre tributos municipais incidentes sobre o imóvel perante o
Município, não implicando transferência de domínio ao compromissário comprador ou ao beneficiário da
regularização. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

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