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O uso linguístico dos adjetivos ἀληθής (3,33; 4,18; 5,31.

32; 6,55[2x]; 7,18;


8,13.14.17.26; 10,41; 19,35; 21,24; cf. 1Jo 2,8,27) e ἀληθινός (1,9; 4,23.37; 6,32; 7,28;
8,16; 15,1; 17,3; 19,35b; 1Jo 2,8; 5,20[2x]), assim como do adverbio ἀληθῶς (1,48;
4,42; 6,14; 7,26.40; 8,31; 17,8), não é tão claro e individual quanto o uso de ἀλήθεια no
conjunto dos textos. Os termos ἀληθής, ἀληθινός e ἀληθῶς estão quase uniformemente
divididos entre a compreensão de “veracidade”, ou daquilo que é “real” ou “genuíno”.
Eles assumem um significado adicional devido a centralidade da concepção da verdade
no Quarto Evangelho está centrada em ἀλήθεια. Em suma, ἀληθής, ἀληθινός e ἀληθῶς
apontam para a “graça e a verdade” que veio através de Jesus Cristo, e procuram dar
iluminação a essa revelação divina através das palavras, do testemunho, da vida e obras
de Jesus.

Essas duas declarações indicam que todas as manifestações prévias que Deus
fizera do seu hesed e do seu ’emet no passado, indicaram a obra que Deus realizou por
intermédio de Cristo. Percebemos que o contraste entre a Lei e Cristo não pretende ser
absoluto por meio de expressões como a de João 5:39, em que o Antigo Testamento não
é um fim em si mesmo, mas um testemunho da verdade (5:33) que se encontra em
Cristo (veja também 5:46; 1:45). O ponto de comparação entre a Lei e Cristo é sugerido
pelas palavras encontradas em 1:16: “E todos nós recebemos também da sua plenitude,
com graça sobre graça”. “O Evangelho é contrastado com a Lei como o dom
inesgotável de Deus”.30

Portanto, quando Cristo declarou: “Eu sou... a verdade” (14:6), quis dizer que
Ele é a plena revelação e incorporação do propósito redentor de Deus. A vinda de Cristo
é a revelação da fidelidade de Deus para com seu próprio caráter, a revelação de seu
contínuo propósito de tornar sua vontade de salvar os seres humanos conhecida. Sua
missão como um todo foi a de dar testemunho dessa verdade salvadora (18:37). Nesse
contexto, a “verdade” está intimamente associada à realeza de Jesus (basileia). Ele é um
rei; porém, a Pilatos, Jesus declarou que a origem de seu reino redentor não era
proveniente do mundo, e que seu reino não seria estabelecido pela força física.

Este artigo examinou o conceito bíblico da verdade no Quarto Evangelho. O


ensaio começou por fornecer uma sinopse dos dados lexicais a respeito do conceito de
verdade. Em seguida, um exame dos vários lugares do Evangelho de João onde ocorre o
substantivo grego altheia (que é traduzido como "verdade"). Com base na análise das
informações, fica claro que o autor do Quarto Evangelho afirmou a noção estabelecida
de verdade encontrada no Antigo Testamento, nos escritos judeus pós-canônicos e nos
Evangelhos Sinópticos. Em resumo, o conceito predominante é o de veracidade e
genuinidade, em contraste flagrante com todas as formas de falsidade. Além disso, é
digno de nota que o Evangelista refinou este entendimento ao focalizar a noção de
verdade na revelação do Pai de Si mesmo em Seu Filho. Um exame dos dados obtidos
do Quarto Evangelho indica que o Messias divino-incarnado é tanto o protótipo quanto
o emissário da verdade. Além disso, supõe-se que os seguidores do Salvador chegam a
uma plena consciência e compreensão da verdade, acreditando nEle para a salvação e
permitindo que Ele transforme todos os aspectos de suas vidas1.

1
D. LIOY, The Biblical Concept of Truth in the Fourth Gospel, p. 90.