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Recurso Ordinário (1ª instancia)

No dia 04/12/2020, eu, Helio Antonio Mokarzel Neto, titular, compareci na APS
Itaquaquecetuba às 09h08 para a perícia médica da concessão de Pensão Por Morte Urbana de
meu pai Antonio Elias Vianna Mokarzel, apresentando, para tanto, as informações e
documentos exigidos.

Em resposta ao pedido, a perita indeferiu o benefício sob o fundamento de que eu não tenho
incapacidade, tendo julgado apenas em cima do laudo do médico e não levando em
consideração o mérito do direito.

A perita no momento, se interessou mais pelo meu vínculo empregatício, do que pela minha
deficiência, constado no laudo pelo Médico Dr. Mohamad Saada CRM 145099 SP.

Inclusive, a Lei 13.183/15 alterou o parágrafo 6º do artigo 77 da Lei 8213/91 para autorizar
expressamente que o deficiente possa trabalhar sem perder o direito a pensão por morte:

“O exercício de atividade remunerada, inclusive na condição de microempreendedor


individual, não impede a concessão ou manutenção da parte individual da pensão do
dependente com deficiência intelectual ou mental ou com deficiência grave.”

Essa possibilidade da pessoa com deficiência poder trabalhar e receber a pensão por morte
sem qualquer desconto é um avanço sob dois aspectos muito relevantes, o primeiro para se
concretizar a tese de que para receber a pensão por morte, os deficientes maiores de 21 anos,
não precisam ser plenamente inválidos, o segundo é o aspecto social de inclusão das pessoas
com deficiência ao mercado de trabalho.

“A deficiência auditiva severa é irreversível, não tem cura e o portador necessita de cuidados
nas áreas de saúde, educação e assistência social por toda a vida. Além disso, o cidadão
especial precisa de atenção para ser inserido na sociedade e conseguir, apesar das limitações,
desenvolver ao máximo o seu potencial.”

Peço encarecidamente que dê celeridade ao caso, com base no direito dos deficientes,
principalmente quando enfatiza:

“..que o filho tenha menos de 21 anos ou, se tiver mais, comprove que no momento do
falecimento já estava inválido ou possuía alguma deficiência mental ou intelectual, ou
deficiência grave.”

A explicação está no Estatuto da Pessoa com Deficiência, que ganhou um conceito


contemporâneo introduzido no Brasil pela Convenção Internacional sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência. O Brasil é signatário desde 2009.

Neles, no Estatuto e na Convenção, está escrito com todas as letras que a pessoa com
deficiência não é, necessariamente, uma pessoa inválida.

Uma Convenção Internacional tem forma de Emenda Constitucional quando é aprovada pelo
Congresso Nacional. E a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência foi aprovada, por isso ela é até superior à Lei.

Obrigado pela atenção a mesa julgadora.