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Evolução em dose dupla

Uma estratégia de crescimento profissional e financeiro


para você, inspirada na experiência de três talentos
Por Chystiane Silva e Murilo Ohl

Na vida de um profissional, carreira e finanças andam lado a lado. Para crescer, você
precisa estar com as contas em ordem. Uma folga financeira dá segurança na hora de
tomar decisões sobre sua vida profissional. Só com uma poupança você poderá, por
exemplo, escolher a empresa onde quer trabalhar. Ou investir em sua educação
executiva.

Da mesma forma, para ganhar mais dinheiro, você precisa crescer na carreira. Quanto
mais bem remunerado for seu trabalho, mais você poderá economizar, diversificar seus
investimentos e, no longo prazo, conquistar sua independência financeira. Selecionamos
três talentos reconhecidos pelas próprias companhias em que trabalham. Mostramos
como cada um deles está construindo seu patrimônio, conforme evolui na profissão.

Também ouvimos especialistas de carreira e finanças que traçaram, com base no


exemplo desses profissionais, uma estratégia para você crescer e ganhar dinheiro. Cada
um deles está em uma etapa diferente da vida: Roberta Maia, de 25 anos, acaba de sair
de um programa de trainees e ser contratada pela Johnson & Johnson, como assistente
de marketing; Rodrigo Baia, de 37 anos, é superintendente do banco Itaú e está
começando uma vida executiva; Osias Galantine, de 40 anos, ocupa cargo de diretoria
na Fiat e prepara-se para assumir uma nova unidade do grupo italiano no início de 2009.

Inspire-se na história deles e confira, nas próximas páginas, como preparar sua
independência financeira ao mesmo tempo que você supera desafios em sua carreira.
Primeiros Passos

A gaúcha Roberta Guimarães Maia, de 25 anos, está no


início de sua carreira. Formada em administração de
empresas pela Faap, em São Paulo, ela foi contratada, em
janeiro, como assistente de trade marketing pela Johnson
& Johnson. Sua função é aumentar a fatia de mercado de
uma marca ou produto. Na Johnson, ela é responsável por
traduzir e implementar no ponto-de-venda a estratégia da
linha de protetores solares Sundown. Roberta teve a oportunidade de concluir o Ensino
Médio nos Estados Unidos, o que lhe permitiu entrar no mercado de trabalho com
fluência em inglês, uma competência indispensável atualmente. Seu primeiro emprego
foi um estágio na área de RH da Nestlé, em 2004. Hoje, ela adora o que faz na Johnson
e quer crescer na área de estratégia comercial. Por isso, começou uma pós-graduação
em gestão de vendas na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São
Paulo. Roberta mora com os pais, que se mudaram para a capital paulista há dez anos.
Se na carreira ela está dando os primeiros passos, na vida financeira Roberta já
aprendeu a principal lição: a disciplina para poupar. “É preciso desenvolver o
autocontrole financeiro e conhecer seu perfil investidor desde cedo”, diz José Roberto
Savóia, professor no laboratório de finanças da Fundação Instituto de Administração
(FIA), em São Paulo. Ao voltar do intercâmbio nos Estados Unidos, Roberta começou a
dar aulas de inglês.

Com o salário, pagava despesas corriqueiras, como a gasolina do carro e o cabeleireiro.


O restante ela guardava na poupança. Foi assim que desenvolveu a disciplina e a
constância na aplicação. Como ainda mora com os pais, Roberta não tem despesas fixas.
O que lhe permite poupar 1 000 reais por mês. Outros 1 500 reais são usados para o
pagamento de sua pós-graduação. Em cinco anos, ela já conseguiu acumular 40 000
reais, que estão divididos entre Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e fundos de
ações da Vale e da Petrobras. “Roberta aplicou o dinheiro corretamente. Investimentos
com saques previstos para menos de dois anos não devem ir para a bolsa de valores”,
diz Fabiano Calil, consultor de finanças pessoais, de São Paulo.

LINHA DO TEMPO
Carreira

Veja como Roberta Maia evolui na profissão e planeja comprar seu apartamento. Com
base no exemplo dela, confira as lições para a sua carreira e o seu bolso.

2003 - Professora de Inglês


Roberta entra na faculdade de administração de empresas e inicia sua experiência como
professora de inglês. A fluência no idioma garante a ela, um ano depois, um estágio na
área internacional da Nestlé.
Para você> Hoje, o domínio do inglês é fundamental. Muitos executivos, no entanto,
suam frio quando têm de fazer conference call com clientes ou chefes estrangeiros.
Ainda é tempo de começar.

2006 Trainee na Johnson & Johnson


Roberta ingressa no programa de trainees da Johnson & Johnson. Em dois anos, ela
exerce várias funções na área comercial: vendas, atacado e estratégia de marketing.
Para você> Os bons programas de trainee dão uma visão global da empresa e colocam
o profissional em contato com os valores da organização. Se você perdeu essa
oportunidade, procure saber se sua empresa tem um programa de job rotation.
Entendendo o negócio, aumentam as chances de ascensão. Quanto aos valores, sem eles
é muito improvável que você chegue a uma posição de liderança. Conheça-os.

2008 Assistente de marketing


Roberta é contratada pela Johnson. Ela percebe que está num momento de ganhar
experiência e evita estabelecer uma data para assumir um cargo de gerência.
Para você> Segundo Paula Oliveira, sócia da DMRH, consultoria de recursos humanos
de São Paulo, jovens profissionais devem adquirir o máximo de conhecimento possível,
testar possibilidades e tirar dúvidas com pessoas mais experientes. “Quando se chega a
gerente, é preciso dar resultados”, diz ela. Outro aspecto: para crescer na carreira, afinar
o lado comportamental é crucial. “Na área de marketing, é o item que mais pesa na
contratação de profissionais”, diz a consultora Adriana Cambiaghi, da Robert Half, de
São Paulo.

Dinheiro
Roberta quer comprar um apartamento no valor de 180 000 reais em junho do próximo
ano. Veja quatro opções para ela atingir seu sonho.
Rumo ao Estrelato
Nascido em Governador Valadares (MG),
Rodrigo Baia, de 37 anos, é
superintendente de conquista de clientes do
Itaú. Sua função é traçar estratégias para
aumentar a base de correntistas do banco.
Formado em administração de empresas e
Direito, ele vive em São Paulo com a
mulher e o filho desde 2004, quando
assumiu a gerência de uma agência do
banco na Avenida Paulista. Bom de conversa, Rodrigo sabe como cativar a equipe e os
clientes. Essa habilidade acelerou seu crescimento no banco, com troca de cargo a cada
dois anos. De sua cidade natal, Rodrigo foi para Belo Horizonte e de lá para a capital
paulista, sempre assumindo desafios maiores. A partir de agora, subir ficou mais difícil.
Para um executivo em estágio intermediário de carreira, é hora de melhorar suas
habilidades como líder de equipes e assumir responsabilidades novas gradativamente,
fortalecendo seu nome dentro da instituição, para um dia chegar a diretor.

Na vida financeira, Rodrigo é um sujeito comedido, que gosta de boa rentabilidade, mas
não quer correr riscos que possam colocar seu patrimônio em jogo. Ele desenvolveu
desde cedo a disciplina e a constância para poupar e isso o ajuda a planejar sua
independência financeira. “Como morava no interior com meus pais, não tinha como
gastar muito dinheiro quando era jovem, nem que quisesse, então me acostumei a
poupar”, diz ele. Para comprar a primeira casa própria, ele fez um financiamento
imobiliário, mas logo que conseguiu um dinheiro extra liquidou as prestações que
faltavam. “Ele é uma pessoa que provavelmente não vai gostar de investir na bolsa,
porque é um mercado com muita volatilidade”, diz José Roberto Savóia, professor do
laboratório de finanças da FIA, em São Paulo. Rodrigo prefere consolidar seus ganhos
financeiros e busca segurança nos investimentos.

LINHA DO TEMPO
Carreira

Acompanhe o desenvolvimento profissional e financeiro de Rodrigo Baia, um executivo


em estágio intermediário de carreira. Aproveite para tirar lições para seu próprio
desenvolvimento no trabalho e nas finanças.

1994 Escriturário no Bemge


Rodrigo inicia sua carreira como escriturário do antigo Banco do Estado de Minas
Gerais (Bemge). Na época, ele não pensava em deixar sua cidade natal, Governador
Valadares (MG). Para construir carreira na região, forma-se também em Direito. “Isso
me abriria mais opções de trabalho”, diz Rodrigo.
Para você> O guru americano Tom Peters ficou célebre ao anunciar que as pessoas
deveriam tomar as rédeas de suas carreiras, em 1997, num período em que as empresas
decidiam o destino das pessoas. Siga o exemplo de Rodrigo, faça suas próprias opções
de carreira.

1999 Vendedor de produtos no Itaú


Em 1998, o Bemge, banco em que Rodrigo trabalha, é adquirido pelo Itaú.
Para você> Para qualquer profissional, passar por uma fusão de empresas é sempre
uma experiência angustiante. O processo obriga a pessoa a provar seu valor e recuperar
a imagem que havia construído. Manter a calma e controlar a ansiedade é fundamental.
Rodrigo se saiu bem durante a experiência, tanto que foi promovido. “O que indica que
ele reagiu bem”, diz Bernardo Cavour, gerente da divisão de bancos da Michael Page,
de São Paulo.

2003 Gerente de agência


Depois de dois anos como gerente em Governador Valadares, Rodrigo é convidado a
assumir o mesmo cargo na agência da Praça Sete de Setembro, a mais movimentada de
Belo Horizonte (MG). Nesse momento, ele decide fazer carreira dentro do banco. Não
fica nem dois anos na capital mineira e consegue ser transferido para São Paulo. 
Para você> Ter mobilidade é fundamental para um profissional que aspira à carreira
executiva. Rodrigo mudou de cidade duas vezes, o que revela um bom nível de
ambição, componente importante da evolução profissional. “A mobilidade mostra que
ele aceita sair da zona de conforto e encara bem novos desafios”, diz Bernardo Cavour,
gerente da divisão de bancos da Michael Page, de São Paulo.

2006 Superintendente na área comercial


Com bons resultados nas agências pelas quais passou, Rodrigo é promovido a
superintendente na área comercial e inicia a etapa de executivo de sua carreira. Passa a
trabalhar na sede do banco, em São Paulo, com a responsabilidade de estruturar
produtos para o segmento de pequenas empresas. No trabalho, começa a se relacionar
com vários departamentos do banco, como TI e marketing, por exemplo, para formular
serviços para essa clientela.
Para você> “Quem está começando a vida executiva deve aproveitar esse momento de
relacionamento com outras áreas, para aprofundar o conhecimento multidisciplinar do
negócio”, diz Bernardo, da Michael Page.

2008 Superintendente na área comercial


Rodrigo teve uma ascensão relativamente rápida na hierarquia do banco. Ele tem
facilidade de se relacionar com clientes, mas na nova função, mais estratégica, não está
mais próximo deles. 
Para você> Se você está nessa situação, fique atento. Primeiro, quando uma pessoa
cresce dessa maneira, é preciso tomar cuidado para não se desviar de sua área de
competência. “Ao assumir uma posição alta, é preciso tomar cuidado para não se afastar
da essência”, diz Saulo Lerner, diretor da Right Management. Renata Fabrini, sócia da
Fesa, enumera cinco competências indispensáveis a executivos de bancos: alinhamento
cultural, gestão de equipe, visão estratégica, foco no cliente e capacidade de inovar.
Como alguém se constitui nesse super-homem? “Com um trabalho sério de
desenvolvimento pessoal, feito em parceria com a empresa”, diz Renata Fabrini.

Dinheiro

1994 Escriturário no Bemge


Rodrigo conseguiu comprar seu primeiro carro zero-quilômetro à vista, no valor de 18
000 reais, com o dinheiro que estava em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
Para você> A compra à vista é sempre mais vantajosa do que o financiamento, explica
Fabiano Calil, consultor de finanças pessoais, de São Paulo. 

1998 Vendedor de produtos no Bemge


Casado, Rodrigo comprou o primeiro imóvel em Governador Valadares (MG), que
custou 65 000 reais e foi pago com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), dinheiro e 15 promissórias no valor de 1 000 reais, contratadas diretamente
com o proprietário. Como não gosta de dívidas, ele pediu um empréstimo ao pai e
pagou as promissórias. “Foi uma antecipação de receita, porque eu iria receber a
participação nos lucros do banco em alguns meses”, diz.
Para você> Usar o dinheiro extra para liquidar dívidas é uma estratégia inteligente, diz
Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais da Asset Management do Banco
Real, em São Paulo. 

1999 Vendedor de produtos no Itaú


Logo depois disso, Rodrigo retornou à poupança e começou a destinar 60% do seu
pagamento para os fundos DI, renda fixa e CDBs. O salário da mulher era usado para
cobrir todas as despesas da casa.
Para você> Destinar o máximo do salário para investimentos é certeza de ganhos.

2000 Gerente de agência


Ele fez a primeira troca de apartamento. Vendeu o imóvel antigo e comprou um outro
maior por 85 000 reais à vista. Em Belo Horizonte, Rodrigo decidiu que não compraria
nenhum imóvel. Com um filho pequeno, ele viu que seus gastos aumentaram e seu
poder de poupança diminuiu. “Só conseguia poupar 20% do meu salário”, diz ele, que
continuou investindo em CDB e começou a diversificar as aplicações entre fundos de
ações e fundos mútuos de privatização da Petrobras e da Vale.
Para você> Ainda que ocorram imprevistos, é importante manter a periodicidade da
aplicação, pois é isso que garante maior rentabilidade. “Rodrigo agiu de maneira
correta, reduziu, mas não interrompeu a poupança”, diz Fabiano. 

2008 Superintendente na área comercial


Já em São Paulo, ele vendeu o apartamento antigo e teve um lucro de 18%. Ele comprou
outro imóvel por 500 000 reais em São Paulo, usando o FGTS, o dinheiro que tinha
guardado e financiou 30%. Rodrigo vai liquidar a dívida com seu bônus. Nos próximos
meses, ele quer refazer sua poupança com uma carteira de agressividade média. Uma
parte da grana vai para um intercâmbio do filho nos Estados Unidos, daqui a oito anos.
Outra parte será usada depois dos 62 anos, quando ele se aposentar.
Para você> Se você tem desejos semelhantes ao de Rodrigo, veja as duas alternativas
de investimento abaixo, que podem fazer você alcançar seu sonho.

ESTRATÉGIA 1> Para realizar seus sonhos, a primeira coisa que Rodrigo deve fazer é
aumentar sua reserva financeira para o equivalente a 12 salários mensais. “Esse é o
tempo médio que um executivo demora para se recolocar no mercado”, diz Fabiano. Se
ele aplicar 1 000 reais e mais os bônus semestrais que recebe, terá quase 50 000 reais
em um ano, investindo em uma aplicação que renda 6% ao ano. Se ele mantiver essa
disciplina todos os anos, vai acumular 560 000 reais em oito anos. Dinheiro mais que
suficiente para pagar o intercâmbio do filho. Investindo da mesma forma, ele vai
alcançar 2,8 milhões de reais em 17 anos. “Ele não precisa fazer nenhuma aplicação de
risco, basta manter a capacidade de renda e poupança, e aos 62 anos terá uma renda
passiva de 14 000 reais por mês”, diz Fabiano.

ESTRATÉGIA 2> Mas se Rodrigo quiser arriscar, Aquiles Mosca, estrategista de


investimentos pessoais da Asset Management do Banco Real, em São Paulo, recomenda
que ele coloque mensalmente 850 reais em
um fundo DI, que deve render 14% em
2009. Ele também deve colocar 150 reais
por mês em um fundo de ações que
acompanhe o Ibovespa, e que deve render
10% acima dos juros. Se Rodrigo investir
25 000 reais nessa carteira e aplicar todo
ano mais 10 000 reais, ele terá em 2016 o
equivalente a 173 000 reais, dinheiro
suficiente para cobrir as despesas do filho
por dois anos de estudo nos Estados Unidos. Aquiles sugere uma carteira agressiva para
a aposentadoria. A idéia é colocar 800 reais todos os meses em um fundo DI e 200 reais
em um fundo de ações que acompanhe o Ibovespa. Se ele investir anualmente o
dinheiro que recebe de participação de lucros, vai acumular 4 milhões de reais daqui a
25 anos. A partir daí, se colocar o dinheiro na poupança, que rende 0,5% ao mês, vai ter
uma renda mensal de 10 000 reais.

Bem perto do topo


O engenheiro mecânico mineiro Osias Galantine, de 40 anos, diretor de compras da Fiat
para a América Latina, é um executivo em estágio bem avançado de carreira. No início
de 2009, a área que ele comanda será transformada em uma empresa independente.
Com isso, Osias terá a primeira experiência à frente de um grande negócio. Uma
conquista e tanto para quem começou na montadora, que tem sede em Betim (MG),
como operário, há 21 anos. Osias construiu uma trajetória ora na engenharia ora na área
de compras, duas atividades operacionais, porém estratégicas dentro da Fiat. Em 1994,
época em que era analista de custos, ele teve a primeira experiência internacional,
quando foi designado para participar de um projeto na sede do grupo, em Turim, na
Itália. Seu desafio atual é preparar-se para liderar a nova companhia.

Se for bem-sucedido na gestão dessa empresa de compras, sua meta é assumir uma
unidade de componentes do grupo. Com relação a suas finanças, Osias pode ser
considerado um investidor arrojado. Desde os 17 anos, investe no mercado de ações.
Seu irmão mais velho era operador da mesa de renda variável em uma fundação em
Minas Gerais e incentivava Osias a colocar parte de seu salário de office-boy em ações.
“Comecei comprando papéis da Unipar e da antiga Telebrás”, lembra. A especialização
profissional na área de compras fez com que ele desenvolvesse a habilidade de
negociador e começasse a usá-la na hora de escolher suas aplicações.

LINHA DO TEMPO
A partir da trajetória de Osias Galantine, um executivo de alto escalão, reunimos dicas
de carreira e investimento para você que quer crescer na empresa e diversificar suas
aplicações.

Carreira

1987 Operário de qualidade


Osias entra na Fiat, em Betim (MG), como operário, fazendo controle de qualidade de
peças. Após um ano, consegue ingressar no programa de trainee. Como gosta de carros,
decide fazer o exame vestibular para a faculdade de engenharia mecânica. É aprovado
na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Com o término do programa de
trainee, é contratado como analista de custos. 
Para você> Os especialistas dizem que um dos fatores determinantes para ter uma
trajetória profissional bem-sucedida é conhecer suas âncoras de carreira. Ou seja, atente
às suas motivações e ambições. Osias descobriu desde cedo sua paixão por carros. Uma
vez na Fiat, ele perseguiu novas experiências e funções.

1994 Analista de custo


Osias é convidado a participar do desenvolvimento da linha Palio na sede da Fiat, em
Turim, na Itália. Fica lá por dois anos.
Para você> Experiências internacionais são enriquecedoras para a carreira de qualquer
profissional. “Ao revisar o currículo dele, nota-se que sua carreira deslancha após a
passagem pelo exterior”, diz José Augusto Figueiredo, sócio e responsável pelo
escritório do Rio de Janeiro da DBM, consultoria de transição de carreira. Lembrando
que, como diz André Gerdau Johannpeter (leia o artigo O Novo Líder Tem de Ser
Global nesta edição), diretor-presidente do grupo Gerdau: ser global não se restringe a
ter experiência internacional, mas à capacidade de buscar melhores práticas e aplicá-las
no seu universo de atuação.

1998 Coordenador de compras


Na volta ao Brasil, Osias é transferido para a área de compras. Para entregar resultados,
ele se vale da experiência na função anterior, de análise de custos.
Para você> Use sua experiência a seu favor. “Ao apostar naquilo em que é bom, Osias
se valoriza”, diz José Augusto, da DBM. Como conhece a estrutura de custo, ele entra
em negociações de compra com segurança e com metas claras. Apostar em pontos
fortes, porém, não quer dizer ignorar os fracos. “Um executivo precisa reconhecer seus
próprios limites”, diz o consultor Marcelo de Lucca, da Michael Page, empresa de
seleção de executivos, de São Paulo. Portanto, invista nas suas qualidades e busque se
aperfeiçoar nas áreas que não domine bem.

2001 Gerente de competitividade e redução de custos


A passagem pela Itália rendeu frutos para a carreira de Osias. Lá, ele conheceu alguns
executivos italianos que posteriormente vieram trabalhar no Brasil — e o promoveram.
Um deles foi Alberto Ghiglieno, que, ao assumir a presidência da Fiat América Latina
em 2001, convidou Osias para ocupar um cargo de gerente, na área de competitividade e
redução de custos.
Para você> “Estabeleça ligações com outros executivos e seja conhecido fora do
ambiente da empresa”, diz José Augusto, da DBM. Isso traz benefícios para seu
trabalho e para sua carreira. É o bom e velho networking.

2008 Diretor de compras


Osias cursa o Programa de Gestão Avançada da Fundação Dom Cabral, onde conhece
executivos de outras grandes empresas. Gente que, como ele, está se preparando para
assumir o comando de um negócio.
Para você> Essa troca de experiências, típica das boas escolas de negócios, é
fundamental para executivos de alto escalão. Outro ponto importante para quem aspira
ao estrelato executivo: procure atividades que acrescentem poder ou novos
conhecimentos. “O executivo deve pensar em aumentar a complexidade ou a
especialização de suas funções”, diz Saulo Lerner, diretor da Right Management,
consultoria de São Paulo. Quem faz carreira em áreas operacionais como Osias também
precisa ganhar rapidamente musculatura em finanças e vendas, setores que costumam
ser os mais importantes de um negócio. Ao se aproximar dos 50 anos, o executivo deve
pensar em atividades para fazer aos 60, quando já estiver fora da empresa. “Ninguém
pode se considerar eterno na organização”, diz José Augusto, da DBM. Alternativas
comuns são abrir uma consultoria ou dar aulas. “É a terceira fase da carreira, quando a
vida executiva acaba e a pessoa passa a ser referência em alguma área ou assunto”,
explica Saulo, da Right. É hora também de o executivo considerar que legado ele
deixará, quem serão seus sucessores, como as pessoas vão reconhecer sua marca quando
ele não estiver mais na empresa. “Para um executivo nessa etapa da vida, sucesso é a
capacidade de perpetuar seu próprio modo de fazer as coisas”, diz José Augusto.

Dinheiro

1992 Analista de custos


Com disciplina, Osias compra um Fusca e adquire seu primeiro imóvel, aos 24 anos.
Em 1992, ele pagou cerca de 32 000 reais, dando 30% de entrada e financiando o resto
em quatro anos.
Para você: Quanto mais dinheiro você puder economizar antes de fazer um
financiamento, melhor.

1994 Analista de custos


Na Itália, ele decidiu que não iria poupar. O dinheiro que ganhou foi usado para
conhecer a Europa.
Para você: Investir em conhecimento e educação também é uma boa estratégia de
crescimento pessoal e profissional, explica Fabiano Calil, consultor de finanças
pessoais, de São Paulo.

1996 Analista de custos


Logo que voltou ao Brasil, Osias se casou e começou a destinar 30% dos seus
rendimentos para investimentos em ações e uma pequena parcela para aplicações mais
seguras, como poupança e Certificado de Depósito Interbancário (CDI). 
Para você> “Quando se é jovem, aplicações arrojadas são bem-vindas”, diz Aquiles
Mosca, estrategista de investimentos pessoais da Asset Management do Banco Real, em
São Paulo. Entre os investimentos considerados menos agressivos estão a poupança, os
CDBs e os fundos DI.

1998 Coordenador de compras


O engenheiro achou que era hora de mudar. Vendeu o primeiro apartamento por 45 000
reais, embolsou a diferença de 13 000 reais, juntou com as aplicações que tinha em
ações e comprou um apartamento de 120 000 reais. Comprar à vista sempre é a melhor
estratégia. 
Para você>Se for investir em imóveis, saiba que a aplicação só vale a pena se for para
revender e lucrar com a diferença de preços. “O aluguel fica em 0,6% do valor do
imóvel, bem abaixo das aplicações financeiras”, diz Aquiles Mosca, estrategista de
investimentos pessoais da Asset do Banco Real.

2005 Supervisor de compras


Osias decide mudar para uma casa. Vende o apartamento por 180 000 reais. Na
transação, ganha 60 000 reais. Vende o carro da mulher, saca o FGTS e paga 410 000
reais em uma cobertura. Dois anos depois, Osias compra um terreno onde pretende
construir sua casa que deverá custar 600 000 reais. Para você> Um bom investidor fica
atento ao mercado. “Osias identifica oportunidades na hora exata e não tem medo de
arriscar”, diz José Roberto Savóia, professor do laboratório de finanças da FIA, em São
Paulo.

2008 Diretor de compras


Osias tem 300 000 reais aplicados em Certificado de Depósito Bancário (CDB) e quer
fazer uma poupança para financiar a construção da casa, pagar um intercâmbio para a
filha de 11 anos daqui a cinco anos e se preparar para custear os estudos da outra filha,
de 1 ano. Veja duas estratégias que podem fazer Osias realizar os seus projetos.

Estratégia 1>
Ele pode invistir os bônus anuais em uma aplicação que renda cerca de 6% ao ano. Em
três anos, terá 700 000 reais. Desse valor, ele pode pagar o intercâmbio da filha mais
velha e usar o restante para construir a casa. “Osias precisa de uma poupança
equivalente a um ano de seu salário”, diz o consultor Fabiano Calil. Nos dez anos
seguintes, partindo de uma poupança prévia de 130 000 reais e poupando anualmente
seu bônus, ele pode ter 980 000 reais aos 55 anos. Aos 65 anos, terá 2,6 milhões de reais
e poderá sacar 13 000 reais por mês.  

Estratégia 2>
Uma alternativa é colocar todo o dinheiro que tem em um fundo DI. Até o fim do ano,
terá 460 000 reais. E no ano que vem ele terá dinheiro para construir a casa. A partir daí,
ele poupará para pagar o ensino da filha mais velha no exterior. Ele pode aplicar seus
bônus anuais da seguinte forma: 85% em renda fixa e 15% em ações. Para a filha mais
nova — que também vai para o exterior — ele fará uma carteira mais agressiva, com
90% dos investimentos em renda fixa e 10% em ações. Para a aposentadoria, Osias pode
montar uma carteira de investimento em que ele coloque 50% do dinheiro em um fundo
DI, 30% em um fundo multimercado e 20% em ações.

Para você>
Tenha uma poupança de 12 meses do salário guardado.
Diversifique as aplicações.
Tenha sempre um plano de aposentadoria.
Invista no máximo 15% do seu dinheiro em ações.

Minha primeira vez


Sete executivos relatam o que sentiram e como
reagiram diante de situações inusitadas na profissão ou
na vida pessoal
Por Bruno Vieira Feijó
Sabe aquele frio na barriga que surge quando você tem de fazer alguma coisa nova? Ou
então a sensação de ver o coração acelerar quando se dá conta de que cometeu um erro
no trabalho? Pode acreditar: você não está sozinho. A você s/a ouviu sete profissionais
de sucesso para saber como eles reagiram diante do inusitado. Todos afirmam que
ficaram angustiados e inseguros quando realizaram algo pela primeira vez. O mais
importante é aprender com a situação e tocar adiante. Afinal, são essas experiências que
fazem uma pessoa amadurecer profissionalmente e reunir forças para seguir adiante.

- "Minha primeira experiência de trabalho no exterior", por Thaya Marcondes, sócia-


diretora da agência de publicidade Lovebrand/TTPM 

- "Meu primeiro emprego (e minha primeira demissão)", por Marcelo Ferreira,


presidente da Adidas

- " Meu primeiro grande erro", por Eduardo Bom Ângelo, presidente da corretora de
seguros Lazam-MDS

- "A primeira vez que troquei de área", por José Antônio Coimbra, diretor geral e
comercial da British Airways para o Brasil

- "A primeira vez que reduzi o ritmo da minha carreira", por Eneida Bini, consultora da
Herbalife Internacional na Austrália

- "A minha primeira viagem dos sonhos", por Gustavo Cerbasi, administrador de
empresas e escritor 

- "Minha primeira gafe como consultora de etiqueta", por Claudia Matarazzo, chefe-do-
cerimonial do governo do Estado de São Paulo

Com o poder nas mãos


Pesquisa com 1 020 profissionais mostra que o
brasileiro trocou a estabilidade pela independência no
trabalho
Por Gabriel Penna

As pessoas têm hoje uma autonomia de carreira que não existia há dez anos. É o que
mostra uma pesquisa com 1 020 profissionais brasileiros de baixo, médio e alto
escalões, em 18 diferentes setores da economia, realizada pela H2R Pesquisas
Avançadas em parceria com a VOCÊ S/A.

Quem compete no mercado de trabalho atualmente investe mais na própria formação,


negocia seu talento com mais desenvoltura e procura manter um plano de crescimento
independente da empresa em que trabalha. É a aplicação, na prática, do conceito de
carreira sem fronteiras, descrito há pouco mais de dez anos pelo professor britânico
Michael Arthur. “Os indivíduos hoje interferem muito mais no planejamento de sua
carreira.
Eles tiveram de desenvolver essa iniciativa, pois o emprego está mais instável e o
contexto das empresas muda rapidamente”, diz o psicólogo Howard Gardner, professor
da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A estabilidade perdeu importância na
escolha do emprego. Nessa hora, o que mais pesa, além de remuneração e qualidade de
vida, são as oportunidades de crescimento e de aprendizado. Segundo 61% dos
entrevistados na pesquisa, passar por muitas empresas não só é necessário como faz
bem para o currículo. Para 71%, trocar de emprego não era importante para o histórico
há dez anos. É sinal de que os profissionais estão buscando construir uma imagem forte
no mercado —, e não apenas na organização em que trabalham. “Permanecer numa
única companhia pode ser válido, desde que você esteja aprendendo, concorde com as
estratégias e tenha a oportunidade de influenciar o futuro dela”, diz Howard.

CARREIRA FLEXÍVEL
Para ganhar maior liberdade, naturalmente, as pessoas tiveram de abrir mão de antigas
regalias e aprender a lidar com a instabilidade. A globalização trouxe oportunidades,
mas também incertezas. Expostas ao mercado internacional e a uma competição mais
acirrada, as companhias não podem mais dar segurança no emprego e garantir
crescimento por tempo de casa. A gestão individual da carreira, mais do que uma opção,
tornou-se uma necessidade.

Fenômenos como as privatizações e a bolha da internet sacudiram o mercado e fizeram


com que as pessoas se conscientizassem de que precisavam se planejar para evoluir.
Hoje, os processos de fusão e aquisição de companhias, por exemplo, geram negócios
milionários, mas também resultam em grandes enxugamentos. Isso reforça a
necessidade de o profissional colocar no papel suas metas de carreira, definir as
competências a desenvolver e, ao longo do caminho, sempre avaliar os riscos.

Estar antenado aos movimentos do mercado também é fundamental para identificar as


oportunidades, onde e quando elas aparecem. A disponibilidade para mudar de cidade,
estado ou país tornou-se uma condição importante para o crescimento, segundo nove em
cada dez entrevistados na pesquisa VOCÊ S/A-H2R.
 

O engenheiro carioca Gustavo Couto, de


33 anos, se valeu dessa mobilidade para crescer na carreira. Ele já trabalhou em
Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. A última mudança foi há dois anos, quando
trocou o Rio pela capital paulista, para assumir a gerência de marketing da Suzano
Papel e Celulose. Ao aceitar o novo cargo, o executivo encerrou uma longa e bem-
sucedida carreira na Shell, onde havia começado como estagiário. Na multinacional
americana, Gustavo transitou por diversas áreas, como planejamento, comercial e
projetos.

“Sempre busquei conhecer bem o negócio e desenvolver minha capacidade de


adaptação e realização”, diz. Mas, depois de dez anos de casa, Gustavo sentiu que era a
hora de mudar. O que o motivou foi o desafio de conhecer um novo mercado, lidar com
produtos e clientes diferentes e trabalhar numa companhia brasileira em expansão
internacional.

“Não é o número de empresas no currículo que importa”, diz Sara Simons, diretora
de gestão de carreira da americana Wharton, uma das principais escolas de negócios do
mundo. “O que conta é o propósito das mudanças e as habilidades que você desenvolve
em cada uma das oportunidades que tem”, diz.

DESENVOLVIMENTO EM ALTA
A preocupação dos profissionais com seu desenvolvimento, aliás, cresceu na última
década, e a tendência é que o tempo dedicado à formação executiva aumente nos
próximos anos. Segundo a pesquisa, os profissionais das novas gerações chegam ao
mercado mais preparados, pressionando os mais velhos a também se desenvolver. Do
grupo entre 20 e 29 anos, 73% disseram que destinam pelo menos um quinto de seu
tempo aos estudos. Cerca de 66% dos profissionais que hoje têm entre 30 e 39 anos
faziam o mesmo dez anos atrás. Além disso, 57% das pessoas na casa dos 20 anos
declaram dominar o inglês, ante menos da metade dos trintões. Por outro lado, a
consciência da importância de se manter atualizado é generalizada. Quase 90%
acreditam que sua formação não será suficiente para daqui a dez anos.

As demandas do mercado mudam rapidamente e, por isso, os profissionais perceberam


que precisam assumir a responsabilidade do próprio desenvolvimento para não ficar
obsoletos. Eles pensam em dedicar mais tempo,
principalmente, aos cursos de atualização, seguidos de
treinamentos comportamentais e, por último, técnicos.
“Ter uma boa base conceitual e se atualizar a cada cinco
anos é o ponto de partida. Mas é fundamental organizar o
conhecimento e selecionar o que realmente importa”, diz o
professor James Wright, da Fundação Instituto de
Administração (FIA).

MAIS PODER AO GERENTE


A expansão do mercado de capitais registrada nos últimos
anos também trouxe impacto para a gestão de carreira.
“Antes o ritmo de entrega era definido pela ambição do
dono. Hoje, o acionista quer ver resultados a cada
trimestre”, diz Cristina Nogueira, gerente-geral no Brasil
da consultoria Axialent e ex-executiva em multinacionais.
Esse cenário, associado às transformações das décadas de
80 e 90 — reengenharia, redução dos quadros e qualidade
total —, forçou as companhias a atribuir mais
responsabilidades a seus gerentes.

A antiga gestão centralizada deu lugar a conceitos como empowerment e accountability


que, em suma, significam dar mais poder e autonomia ao gestor, para ele tomar as
decisões necessárias, a fim de atingir suas metas. É um passo à frente em relação a uma
antiga função estritamente operacional. Esse profissional está ganhando uma
importância estratégica para impulsionar o crescimento da empresa no ritmo em que os
acionistas esperam. Isso exige que ele tenha iniciativa, assuma riscos e desenvolva
novas competências.

Além de buscar sempre a redução de custos e conhecer as melhores práticas de gestão, o


gerente tem de estar conectado ao mundo, acompanhar as mudanças do mercado em que
atua e desenvolver um conhecimento amplo do negócio. “Está em alta o profissional
generalista, que consegue transitar por diversas áreas e pensar em soluções que atendam
a empresa como um todo”, diz Jacques Sarfatti, sócio-diretor e chefe global de
recrutamento para a indústria de base da Russell
Reynolds, com sede em São Paulo.

O novo cenário afetou diretamente o papel do líder nas organizações. As competências


comportamentais, como liderança e trabalho em equipe, se tornaram tão importantes
quanto as técnicas. No lugar de dar ordens, o chefe agora está ali para facilitar o
trabalho dos subordinados e estimular a colaboração entre eles. Um dos sinais dessa
mudança foi apontado pela pesquisa: 77% dos entrevistados dizem que hoje têm fácil
acesso ao chefe, enquanto 62% acreditam que, há dez anos, essa aproximação era
difícil.

“Um líder moderno tem de mobilizar as pessoas para atingir metas e saber aproveitar a
diversidade de pensamentos da equipe para encontrar novas soluções”, diz Gilberto
Lara, diretor de recursos humanos e desenvolvimento organizacional do grupo
Votorantim, que emprega mais de 50 000 pessoas.
DINHEIRO E SUCESSO
A maior autonomia dada aos gerentes também mudou o formato
de remuneração dos executivos. Nos últimos anos, a cultura de
gestão baseada em desempenho se espalhou pelo mercado e foi
adotada em várias companhias, em diferentes medidas. O fato é
que a parcela do salário atrelada aos resultados do profissional e
da empresa aumentou. Entre os entrevistados, o total dos que
recebem remuneração variável subiu de 19%, há dez anos, para
53%, hoje. “Mudar de emprego não é mais o único caminho para
conseguir um bom aumento.

Atualmente, a melhor alavanca de salário é o desempenho do


profissional”, diz Marcelo Ferrari, consultor sênior da Mercer,
empresa de recursos humanos com sede em São Paulo. Também
ganhou espaço no mercado a remuneração de longo prazo, como
as stock options, que estão vinculadas à evolução do valor das
ações das companhias. Segundo um levantamento da Mercer, a
concessão desse tipo de benefício dobrou na última década, apesar de, quase sempre,
estar restrita ao alto escalão das grandes companhias e ser usada, em alguns casos,
como instrumento de retenção de jovens profissionais talentosos. O item remuneração
continua sendo importante na hora de escolher um trabalho.

Mas, agora, as pessoas medem o sucesso profissional de outras maneiras. É o caso de


Luciano Guidolin, de 36 anos, diretor financeiro da ETH Bioenergia, do grupo
Odebrecht. Apesar de contar com um pacote de salário fixo e bônus atraente e
compatível com seu posto de diretor, Luciano diz que optou por construir toda a carreira
no mesmo grupo porque sente que seu trabalho teve impacto no negócio. “Cresci muito
e fui reconhecido”, diz Luciano.

As conquistas de Luciano estão alinhadas com o que os profissionais consideram os


principais símbolos de sucesso: ser uma referência para as pessoas e crescer
rapidamente na carreira. Também estão nessa lista de prioridades ter uma vida
equilibrada, ser dono da própria agenda e dedicar-se mais à família. Mas, antes de correr
atrás de tantos sonhos, é fundamental fazer escolhas e sempre manter o foco, para não
perder tempo, um bem cada vez mais precioso.

Sem fronteiras
A rede varejista francesa Carrefour recuperou a rentabilidade de seus hipermercados no
Brasil e voltou a figurar na primeira posição no ranking dos supermercados,
desbancando os rivais Pão de Açúcar e Wal-Mart.

Este é o resultado de um plano de transformação do ambiente de trabalho, iniciado há


quatro anos, que envolveu 3 000 gestores ao todo.

A primeira medida tomada foi acabar com as barreiras físicas entre os gestores. “Não
havia espírito participativo”, diz Renata Moura, diretora de RH. Depois, gerentes e
diretores foram incentivados a acompanhar um dia no trabalho dos repositores, por
exemplo. Conclusão: 13% do mercado e a liderança restabelecida.

 
A era das emoções

Intuição e flexibilidade serão duas das competências emocionais essenciais para o


profissional em 2015. Quem afirma é Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor corporativo
de recursos humanos da Accor América Latina. Na entrevista a seguir, ele fala das
outras competências e do desafio das empresas.

Quais serão as competências do profissional do futuro?


Serão seis. O comprometimento com o trabalho. A intuição, que será usada para dizer se
uma situação está certa ou errada. A flexibilidade, que será essencial para lidar com a
diversidade, incertezas e contradições. O engajamento, que vai garantir resultados. A
perseverança, que vai manter o foco nas metas. E a qualidade, que será o fator decisivo
para o sucesso.

Como isso vai mudar o ambiente de trabalho?


As mulheres vão ocupar mais posições. Vai haver uma guerra pelos profissionais
talentosos. Faltarão funcionários para planos estratégicos.

E como a Accor está se preparando para esse cenário?


Estamos recrutando jovens no início da formação profissional e que não passaram por
outras empresas, para que eles incorporem os negócios da Accor.

Mimo TAM

A TAM começou um processo de reestruturação de clientes. A primeira etapa foi a


saída do presidente Marco Antonio Bologna e a entrada de David Barioni.

A segunda prevê levantar a autoestima dos funcionários. A TAM inaugurou um espaço


com prateleiras e armários de luxo, onde os colaboradores vão poder escolher seus
uniformes.

Achou bom? Os provadores femininos têm tapete vermelho e os funcionários também


contarão com uma costureira à disposição

Família e Natureza
Por João Luis de Castro, da Puma
O paulistano João Luis de Castro, de 47 anos, presidente da Puma, fabricante de artigos
esportivos, está longe do perfi l típico de presidente. No escritório, dispensa o estilo
social e evita formalidades com a equipe. Nas corridas matinais, age como um
verdadeiro garoto-propaganda, uniformizado com produtos da marca dos pés à cabeça.
Toda semana, ele visita ao menos duas das 14 lojas da empresa para ver de perto as
novas coleções e a decoração das vitrines.

Rotina
Para não perder o controle da agenda, João mantém a disciplina. Leva os dois filhos à
escola todo dia, em um dos poucos momentos que passa com eles durante a semana.
Outra rotina intocável é a corrida matinal no parque, que hoje é um compromisso fixo
na agenda, assim como as reuniões de negócios. Depois do exercício, toma um banho
no clube e ainda chega à empresa 15 minutos antes de todos. Seu dia é dividido entre
reuniões formais e conversas com a equipe. “Para manter todos alinhados, procuro estar
acessível e dar apoio ao trabalho deles.”

Trabalho solitário
Perto das 19h, quando o escritório esvazia, João se dedica a responder os e-mails mais
complexos ou estratégicos. É um dos poucos momentos em que fica só. Nessa hora, ele
aciona sua pasta de prioridades, na qual guarda documentos como o planejamento
global da companhia. “Com base nas orientações da matriz, estabeleço meu plano de
trabalho para os próximos 18 meses”, diz. O f im do expediente também serve para
fazer contatos e marcar encontros importantes com DJs, arquitetos e headhunters.
“Procuro me manter por dentro do que acontece com nosso público e com o mercado.”

Ao ar livre
Além da corrida, João pratica outras atividades esportivas, de preferência as que
envolvam convívio com a natureza e uma dose de adrenalina. Vale skate, veleiro ou
excursões. Escalar montanhas é outra paixão. Em quase todas as férias ir para alguma
região montanhosa é passeio obrigatório — a última foi à base do Monte Everest.
Admirável mercado novo
Abertura de capital, nova lei contábil, novos padrões
de governança. O ambiente de negócios mudou. Veja o
que você deve saber para se sair bem nesse cenário
Por Roseli Loturco

Uma mudança em curso nas empresas de médio e grande porte no país está mexendo de
vez com a carreira de profissionais em todas as áreas. A explicação está nos números e é
bom ficar atento a eles, mesmo que sua formação não seja no setor financeiro. A
participação acionária de fundos de investimentos no capital de empresas nacionais hoje
é de cerca de 17 bilhões de dólares, ante 4 bilhões de dólares em 1998.

Com mais capital, muitas companhias investiram no aperfeiçoamento da gestão. E os


seus executivos, ou quem almeja chegar a esse nível, precisam acompanhar as
transformações que chegaram com os novos donos do dinheiro. Entender como as
exigências de sustentabilidade têm impacto sobre o negócio, ter rapidez para se adaptar
ao novo cenário e um jeito mais regrado de lidar com o fluxo de capital são algumas das
características que se espera de quem trabalha, ou pretende fazer carreira, numa das
empresas capitalizadas recentemente. Esse novo status fez do departamento financeiro o
coração das companhias, já que o fluxo de dinheiro é maior e mais vigiado pelos
acionistas e sócios.

E quem trabalha nessas organizações teve de se adequar à nova realidade não só das
finanças, em que as mudanças foram mais sentidas, mas também ganhar uma
compreensão mais global da empresa. “Da média chefia para cima, ninguém mais pode
ficar apático em relação às novas regras contábeis internacionais, aos mandamentos de
sustentabilidade e de novos negócios”, diz Patrícia Molina, sócia da consultoria KPMG
na área de gestão e recursos humanos. Os profissionais ficam mais expostos e todo
mundo acompanha os movimentos que influenciam o negócio. “Costumo comparar a
empresa que abriu capital com a cozinha aberta de um restaurante. Todos acompanham
os movimentos e habilidades do cozinheiro e os executivos têm que
prestar contas ao mercado com freqüência, a cada três meses”, explica
Patrícia. Somente no ano passado, foram 64 IPOs (oferta inicial de ações,
na sigla em inglês) ante apenas sete em 2004. Um outro catalisador de
mudanças é a consolidação de alguns setores da economia. Fusões e
aquisições têm se tornado mais comuns. O ano de 2007 foi o recorde de
transações de compra e venda de empresas. Foram 699 operações.

JOGO RÁPIDO
O grupo Totvs, com sede em São Paulo, que comprou seis empresas nos
últimos dois anos, mudou as exigências em relação a seus profissionais.
Teve aporte de 12 milhões de dólares de um fundo de private equity, abriu
capital em 2006 (quando levantou 460 milhões de reais em recursos) e
comprou seis empresas desde então. A mais recente e estratégica foi a Datasul, de Santa
Catarina. É um exemplo claro de como tem de mudar quem está em uma dessas
empresas dinâmicas hoje. Em 1998, a Totvs, que ainda era Microsiga, tinha receita de
35 milhões de reais.

Em 2007, pulou para 490 milhões de reais e caso concretize a operação com a Datasul,
ainda sub judice dos órgãos reguladores, saltará para 734 milhões. Nesse cenário, o
advogado Flávio Balestrin, de 36 anos, saiu da diretoria de recursos humanos e passou
para a direção de operações internacionais, área vital para uma empresa que quer se
expandir — ela está hoje em 17 países.

O rodízio de funções foi um jeito que a Totvs encontrou para ampliar a visão de seus
funcionários. “O que vai contar daqui para a frente para um executivo é sua capacidade
de se reinventar de acordo com as mudanças rápidas do mercado”, diz Flávio.

O presidente da companhia resume o perfil de que eles precisam.


“Queremos um executivo mais complexo”, diz Laércio Cosentino.
Por isso é que tem gente correndo para se matricular nos bons cursos
de finanças para executivos. “É uma competência essencial entender
como funciona o fluxo de dinheiro na empresa”, diz Paulo Ferreira,
diretor-geral do Instituto Superior da Empresa, associado ao Iese, escola de negócios da
Universidade de Navarra, na Espanha.

O executivo brasileiro que acompanha essas mudanças passou a ser muito valorizado
fora do país, porque as empresas nacionais se transformaram em multinacionais. “Nesse
cenário, conhecer as finanças é necessidade básica para decidir estrategicamente”, diz
Alfredo Assumpção, sócio da Fesa, empresa de recrutamento de executivos de São
Paulo. “É comum ver gente que conhece leis contábeis e regras internacionais de
governança”, diz Luis Motta, sócio da consultoria KPMG. Essa mexida no mercado
colocou indústrias diferentes no mesmo grupo e juntou negócios distintos sob o mesmo
logotipo. Assim, as companhias uniram pessoas e culturas também diferentes. Por isso,
quem souber lidar com esses grupos diversos e trabalhar bem nessas equipes sai
ganhando. “A profissionalização das empresas impõe também uma profissionalização
de quem está à frente das equipes”, diz Magui Lins de Castro, sócia-diretora da
Southmark, empresa de contratação de executivos em São Paulo.

Um exemplo do novo líder se vê na Sadia. Depois de quatro aquisições no mercado


doméstico nos últimos dez anos, a empresa partiu para um modelo de
internacionalização. No final do ano passado, abriu uma fábrica na Rússia, hoje deve
investir 100 milhões de reais na construção de outra nos Emirados Árabes e valor igual
em 2009 na Ásia. “Agora, quando contrato um gestor, penso que é fundamental que ele
seja um agente de mudança nato”, diz Guillermo Henderson, diretor de negócios
internacionais da Sadia. Foi assim que ele trouxe para sua equipe Fernando Erne, de 35
anos, que acaba de assumir a gerência-geral de operações internacionais. Na empresa há
12 anos, já passou por três áreas diferentes.

O que mais contou para o novo posto são os conhecimentos na área financeira, seu grau
de persuasão, a compreensão de culturas adversas (ele morou fora do país) e o fato de
ser generalista. “Também quando vou contratar dou preferência para quem já teve
vivência internacional, pois esse executivo além de ter maior fluência em inglês terá
mais facilidade em absorver outras culturas”, diz Fernando, que fez cinco contratações
neste ano. Todos os departamentos das empresas estão envolvidos nas mudanças. Aliás,
elas valem até para áreas que não existiam antes das aberturas de capital e afins. A
evolução acelerada da importância das finanças no mundo trouxe novas áreas de
atuação, e uma das mais fortes é a figura do profissional de relações com investidores
(RI), vaga que não existia em muitas empresas, que hoje transita entre o financeiro e o
marketing. Ele faz o meio-de-campo entre o presidente da empresa e os acionistas, tem
de acompanhar todos os processos e apresentar o resultado financeiro, decisões e metas
assumidas de modo atraente e convincente para quem está colocando dinheiro na
empresa.

Os profissionais de fusão e aquisição, advogados principalmente, também ganharam


importância no novo cenário. Antigamente essa função — a análise de operações de
compra e venda de empresas — era acumulada por um executivo da área comercial ou
de novos mercados, agora entram no métier de grandes e médias corporações, com
profissionais dedicados a elas integralmente. O objetivo é achar oportunidades de
compras e integração de transações do mercado.

E, tanto esses conselheiros como qualquer outro profissional, é bom lembrar, tem de
conhecer a fundo as regras de governança corporativa exigidas pela Comissão de
Valores Mobiliários e as leis contábeis internacionais, como a Sarbanes- Oxley, que foi
usada para punir fraudes em empresas como a Cisco, recentemente, no país. “A maioria
das empresas que abre capital hoje o faz no Novo Mercado (que adota critérios mais
rigorosos de transparência), o que impõe a seus líderes que adquiram mais
conhecimentos financeiros”, diz Luis, da KPMG.

Você tem uma nova mensagem...


Com a tecnologia, a produtividade aumentou. O
desafio agora é saber a hora de parar diante de tantos
estímulos
Por Vinícius de La Rocha
Nos últimos 25 000 anos — contando apenas até o ano de 2002 — a humanidade gerou
um volume de informações escritas ou em formato de imagens e sons equivalente a 5
hexabytes. De lá até 2006, ou seja, em um intervalo de quatro anos, produzimos mais de
160 hexabytes. E a previsão para 2010 é que o montante produzido supere 900
hexabytes.

A qualidade, claro, não é a mesma. Nos primórdios, estão incluídas no conjunto de


dados as grandes obras literárias e de artes plásticas, mas, depois disso, a maior parte
dessa informação vem mesmo naquele formato que pula na sua tela a cada dois
segundos, chamado “Você tem uma nova mensagem”. Ou seja, os e-mails. Uma
pesquisa recente da RescueTime, consultoria americana que analisa hábitos digitais,
mostrou que um funcionário típico de uma empresa de tecnologia consulta seu
programa de e-mails 50 vezes ao dia. E recorre ao software de mensagens instantâneas
77 vezes ao dia, algo que ninguém pensava em fazer há dez anos. Um levantamento do
Pew Survey, instituto de pesquisa digital, dos Estados Unidos, mostrou que, em 2002,
60% dos trabalhadores recebiam até dez mensagens ao dia.

Hoje, a média nas grandes organizações gira em torno de 100 mensagens diárias. Foi
nesse mesmo clima que as companhias resolveram presentear seus executivos com
smartphones, um computador de mão que carrega um celular. “Quando acontece isso,
de certa forma a empresa espera que o profissional esteja disponível para ler os e-mails
instantaneamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados”, diz Ricardo Basaglia,
gerente da divisão de TI da Michael Page, empresa de busca de executivos de São
Paulo. Essa dependência ganhou até um nome: crackberry, a maneira como os
americanos começaram a chamar a síndrome que atinge aqueles que estão obcecados
por seus aparelhinhos.

TECNOLOGIA A FAVOR
O avanço da tecnologia tem dois lados e o mais sombrio é justamente aquele que tem a
ver com esse mar de informações. As ferramentas tomaram conta da agenda dos
trabalhadores nos últimos dez anos. Tanto que empresas como Microsoft, Google, IBM
e Intel se uniram nos Estados Unidos para melhorar a situação em que seus funcionários
se colocaram por causa do excesso de e-mails, mensagens instantâneas e afins. As
gigantes estão criando maneiras de desafogar as pessoas e aumentar a produtividade. A
Basex, companhia americana de pesquisa, mostrou que o país gasta mais de 650 bilhões
de dólares por ano em perdas de produtividade, muitas vezes geradas pelas interrupções
desnecessárias da comunicação online, como messenger ou e-mail. Mas há uma luz no
final do túnel digital: as empresas estão aproveitando as mesmas facilidades que
prendem os trabalhadores à frente do computador para dar mais qualidade à vida dos
profissionais.

Na sede da Unilever britânica, por exemplo, há uma área do departamento de recursos


humanos que cuida justamente de encontrar soluções tecnológicas para que as pessoas
trabalhem melhor e tenham mais tempo para si mesmas. Uma dessas inovações acaba de
chegar à subsidiária brasileira. Preocupada com o tempo que seus funcionários
despendiam em reuniões em diversos países, a sede da Unilever, em São Paulo, investiu
no TelePresence, a mais nova tecnologia de videoconferência, lançada pela Cisco no
ano passado. Com ela é possível realizar conferências em tempo real, como se os
participantes da reunião estivessem fisicamente na mesma sala. “Nosso objetivo é
diminuir o tempo de deslocamento das pessoas”, conta Denise Paschoal, diretora de
inovação de RH Américas, da Unilever. “Uma reunião em Londres, que antes ocupava
cinco dias, hoje toma algumas horas.”

O que era tendência se tornou realidade


As companhias que são destaques no Guia das 150
Melhores Empresas par Você Trabalhar investem
pesado em desenvolvimento. um caminho apontado há
12 anos, na primeira edição do anuário
Por Marina Izidoro

As melhores empresas do país para fazer carreira têm uma prioridade em comum: o
desenvolvimento de seus funcionários. Esse é um dos destaques da edição 2008 do
Guia VOCÊ S/A-EXAME — As 150 Melhores Empresas para Você Trabalhar.
Uma gestão que valoriza a educação continuada e a melhoria de desempenho caracteriza
as 150 empresas finalistas da maior pesquisa de clima organizacional do país. Houve
550 companhias inscritas, um recorde em 12 anos.

A Volvo, montadora sueca de caminhões, cuja sede no Brasil fica em Curitiba (PR), é a
grande campeã de 2008 e uma das que mais investem na formação de seus profissionais.
Além dela, a fabricante de bebidas AmBev aparece como revelação em duas categorias:
liderança e desenvolvimento. Na primeira edição do Guia, em 1997, a Brahma (a
AmBev é resultado da fusão da Companhia Antarctica Paulista e da Companhia
Cervejaria Brahma, em 1999) apareceu na lista das 30 empresas premiadas. Seu título
de apresentação: “Cercar-se de talentos. Eis o segredo da número 1”. A reportagem
ressaltava a criação da universidade corporativa, em 1995, e dava destaque aos
programas educacionais. Em 1996, a empresa havia investido 6 milhões de reais em
treinamento.

No ano passado, investiu 13 milhões de reais nessa universidade, e é lá que acontecem


os principais programas educacionais que apóiam o desenvolvimento dos profissionais
da AmBev. Em 1996, trabalhar na cervejaria era considerado um desafio mesmo para os
profissionais mais competitivos. “Não é qualquer pessoa que se adapta, mas quem tem
nosso perfil encontra oportunidades”, dizia Marcel Herrmann, então presidente da
companhia. Desafio, aliás, é um ingrediente importante no desenvolvimento dos
funcionários. “Desenvolver não é apenas oferecer cursos, mas dar espaço para que as
pessoas cresçam com autonomia e liberdade de ação”, diz o professor Joel Dutra, da
Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo, e um dos responsáveis, com
o professor André Fischer, pela metodologia da pesquisa, que foi pensada levando em
conta a realidade econômica do país. “Hoje, se a empresa não for aberta e democrática,
ela não gera comprometimento”, diz Joel Dutra.

APRENDIZADO É MOBILIDADE
Há pouco mais de dez anos, a valorização do aprendizado aparecia como tendência
entre as melhores empresas para se trabalhar. Os funcionários das 130 companhias
avaliadas na primeira pesquisa de VOCÊ S/AEXAME afirmavam que o
desenvolvimento era condição fundamental para sua permanência na organização. Na
mesma época, as empresas começavam a se preocupar em melhorar o nível educacional
de quem trabalhava nelas. “As pessoas passaram a perceber que, num ambiente
competitivo, a mobilidade delas, dentro da companhia ou mesmo no mercado, depende
do contínuo aprendizado”, diz o professor Joel Dutra.

No ano da primeira pesquisa, os funcionários da siderúrgica Belgo-Mineira tinham


bolsa para cursos técnicos, especializações, MBAs e mestrado. “O clima é arejado,
pode-se discutir livremente e aprender muito”, disse um deles sobre o ambiente de
trabalho. Para o pessoal da produção, a empresa estava, então, atualizada em termo de
tecnologia. “Isso nos qualifica, nos dá segurança”, disse outro profissional. “Sabemos
que a Belgo vai estar no mercado daqui a 10, 20 ou mais anos”, diz ele. A organização,
agora denominada ArcelorMittal, resultado da fusão de dois dos maiores grupos
mundiais de aço — Arcelor e Mittal Steel, em 2005 —, é uma das 10 campeãs do Guia
VOCÊ S/A-EXAME deste ano.

O orgulho de trabalhar na companhia — mostram as notas dadas pelos funcionários —


continua grande. Lá, as pessoas reconhecem as boas oportunidades de crescimento.
“Temos a chance de crescer em várias empresas do grupo, em diversas áreas e
departamentos e de conhecer outras culturas”, diz, hoje, um funcionário da siderúrgica.

Conheça o site do Guia das 150 Melhores Empresas para Você Trabalhar

Talentos na vitrine
Quais são as empresas que formam os profissionais
mais assediados pelo mercado? Ouvimos 16 caça-
talentos e chegamos a quatro nomes entre as
companhias mais visadas
Por Renata Avediani

Algumas empresas são mais que bons lugares para se trabalhar. Elas ficam conhecidas
por formar os profissionais mais disputados do mercado em suas áreas de atuação.
Investem pesado no recrutamento, na formação e em colocar as pessoas no lugar certo
— ou seja, onde elas podem ter o melhor desempenho. “Para que a relação dê certo,
também é importante haver um alinhamento entre os valores do profissional e os da
companhia”, diz o professor Joel Dutra, da Fundação Instituto de Administração (FIA),
de São Paulo. Estar em uma organização dessas não é apenas uma oportunidade de
formação e de carreira, mas uma maneira de ser visto pelo mercado. 

Quando se procuram os melhores, é a elas que os headhunters recorrem em primeiro


lugar. Para chegar a esses nomes, fizemos um levantamento com 16 dos maiores
especialistas em recrutamento de executivos no Brasil. A partir das indicações desses
profissionais, chegamos a empresas que são referência em sua área e, principalmente,
consideradas verdadeiros centros de formação de líderes. 

Estão nessa lista apenas as mais citadas e, ainda assim, escolhemos apenas uma por
mercado de atuação. Dentro das opções possíveis, selecionamos as que se
“especializaram” em um determinado tipo de formação. Há quem forme
empreendedores ou os melhores líderes, por exemplo. “Elas têm em comum uma cultura
forte e criam uma relação de identidade intensa com seus funcionários“, diz o professor
Joel, da FIA.

AmBev
Escola de processos
Executar, colocar em prática, fazer. Essas são as maiores qualidades de quem se forma
na cervejaria. O modelo de gestão baseado em meritocracia valoriza quem mostra
serviço rapidamente e de forma agressiva. “São profissionais que estão sempre
superando o próprio desempenho”, diz Joel Dutra, da FIA. Uma das principais
ferramentas para formar a turma é a Universidade AmBev, com treinamento baseado
em cinco eixos: prática de liderar, excelência operacional, sistema de gestão, orientação
para o mercado e cultura AmBev.

Disseminação de conhecimentos é outro ponto que faz da AmBev uma fábrica de


talentos. Lá, o que é aprendido deve ser passado adiante em práticas estabelecidas pela
gestão da empresa. Até porque, para ser promovido, o profissional precisa ter alguém
apto a assumir seu posto. Não à toa, em pleno processo de troca de comando na
subsidiária brasileira, a empresa é uma das únicas que contam com três candidatos ao
cargo do atual CEO, João Castro Neves, que deve assumir o primeiro posto na
Anheuser-Busch, cervejaria americana recém-adquirida pela Inbev, o grupo que
comanda a companhia. Mais do que incutir esse conceito nos profissionais, há um banco
de talentos para as áreas de vendas, gestão e logística.

Há processos de seleção internos e os escolhidos passam quatro dias em treinamento


para a nova função. “Aceleramos o tempo de aprendizado para atender à demanda do
crescimento da empresa”, diz José Roberto Daniello, gerente de gestão de pessoas da
empresa. No ano passado, as avaliações internas resultaram na promoção de 32% dos
funcionários tanto para cargos mais altos quanto para movimentação entre áreas e para
aumento de salário. 

Mão na massa 
Foi a capacidade de tirar projetos do papel e agir que fez o carioca Rodrigo Frazão (na
foto), de 31 anos, receber mais de 20 propostas nos oito anos em que trabalhou na
AmBev. “Lá, as pessoas são estimuladas a ter foco nos resultados e senso de urgência”,
diz Rodrigo. Ele entrou na empresa como estagiário, em seis meses virou supervisor de
vendas e foram mais seis meses até assumir o cargo de gerente. Em sete anos, passou
por seis posições. Em março deste ano, deixou a cervejaria e assumiu a diretoria
comercial da Casa Show, companhia de material de construção, no Rio de Janeiro, que
está em fase de expansão e procurava por executivos para colocar seu planejamento em
prática. A experiência de Rodrigo pesou e hoje ele responde pelas operações de
marketing, logística e compras. “Nunca saí porque apostei no meu crescimento na
AmBev. Achei que agora era a hora de aplicar tudo o que aprendi.”

Odebrecht
Cabeça de empreendedor
A construtora investe em empreendedorismo. “Os profissionais se imbuem do papel de
dono do negócio e tomam as responsabilidades para si”, diz o professor Joel Dutra, da
FIA. “Cada projeto é visto como uma empresa”, diz Dárcio Crespi, diretor da Heidrick
Struggles, consultoria com sede em São Paulo, especializada no recrutamento de
executivos. A sala de aula tem sido uma boa aliada da Odebrecht.

Além de cursar oito módulos que abordam os valores da companhia, MBAs


customizados e muito treinamento, os executivos passam pelo Programa de
Desenvolvimento de Empresários (PDE). É um ano de curso com foco em
empreendedorismo e gestão de projetos, baseado em casos reais, contados por altos
executivos do grupo. A diferença, no entanto, está no dia-a-dia: uma das crenças por lá é
a da educação pelo trabalho. A estratégia é simples. Ao entrar na corporação, os
profissionais recebem pequenos projetos. Os chefes, por sua vez, são incentivados a
delegar o máximo de tarefas à equipe e supervisionar sua execução. “Damos desafios
além do que as pessoas acham que são capazes de assumir. Jogamos os funcionários no
fogo cada vez mais cedo e isso acelera a capacidade de gerenciar projetos”, diz
Guilherme Simões de Abreu, vice-presidente de recursos humanos do grupo Odebrecht.

Portas abertas
Em 2005, o engenheiro Gustavo Magno, de 29 anos, foi contratado pela Odebrecht para,
com o diretor regional, iniciar as operações de uma incorporadora da empresa no Rio de
Janeiro. Foi seu primeiro contato com a delegação planejada, termo usado na companhia
para falar sobre a autonomia dos funcionários. “Aprendi a reconhecer o perfil das
pessoas, a delegar, a estruturar equipes e negócios.” Em 2007, surgiu a chance de
colocar isso em prática, como diretor regional no Rio de Janeiro da Cytec,
incorporadora do grupo Cyrela. A empresa chegara ao Rio e precisava de um executivo
para liderar o processo. “Minha passagem pela Odebrecht abriu portas. Aprendi a
começar um negócio do zero e a trazer resultados em pouco tempo”.

Unilever
Autonomia desde cedo
Visão sistêmica e estratégica. Essas são vantagens competitivas dos profissionais da
multinacional de bens de consumo. “Eles transformam jovens em gerentes de primeira
linha em pouco tempo”, diz Ricardo Bevilácqua, headhunter e diretor-geral da Robert
Half no Brasil. A principal ferramenta para isso é o programa de trainees, um dos mais
respeitados do mercado, que já formou altos executivos, como o atual CEO das
operações da Unilever no México, o paulistano Guilhermo Loureiro, de 40 anos, e o ex-
presidente da companhia no Brasil, Vinicius Prianti. Anualmente, 30 jovens passam de
dois a três anos em diversos departamentos.

Eles recebem funções que os capacitam para assumir posições de liderança, gerenciar
recursos e tomar decisões importantes logo no início da carreira. “Os trainees são muito
expostos e têm acesso às pessoas-chave da companhia”, diz Vera Durante, diretora de
recursos humanos da Unilever. De forma geral, projetos interdepartamentais são praxe.
Assim, mais do que atuação em equipe, quem trabalha lá assimila processos das outras
áreas. “Boa parte de quem sai da Unilever assume cargos mais altos do que o atual.
Quero formar profissionais cobiçados pelo mercado”, diz Vera. Autonomia desde cedo,
visão sistêmica e estratégica. Essas são vantagens competitivas dos profissionais da
multinacional de bens de consumo. “Eles transformam jovens em gerentes de primeira
linha em pouco tempo”, diz Ricardo Bevilácqua, headhunter e diretor-geral da Robert
Half no Brasil.
A principal ferramenta para isso é o programa de trainees, um dos mais respeitados do
mercado, que já formou altos executivos, como o atual CEO das operações da Unilever
no México, o paulistano Guilhermo Loureiro, de 40 anos, e o ex-presidente da
companhia no Brasil, Vinicius Prianti. Anualmente, 30 jovens passam de dois a três
anos em diversos departamentos. Eles recebem funções que os capacitam para assumir
posições de liderança, gerenciar recursos e tomar decisões importantes logo no início da
carreira. “Os trainees são muito expostos e têm acesso às pessoas-chave da companhia”,
diz Vera Durante, diretora de recursos humanos da Unilever. De forma geral, projetos
interdepartamentais são praxe. Assim, mais do que atuação em equipe, quem trabalha lá
assimila processos das outras áreas. “Boa parte de quem sai da Unilever assume cargos
mais altos do que o atual. Quero formar profissionais cobiçados pelo mercado”, diz
Vera. 

Visão do todo
Em 2003, o administrador Eduardo Kenzo Maeda, de 31 anos, entrou na Unilever como
coordenador de gerenciamento de riscos. Pouco tempo depois, a empresa teve de se
adequar a uma nova regulamentação e sua equipe foi responsável pelas mudanças. “O
projeto me deu exposição pelo contato com o alto escalão.” Em 2006, recebeu um
convite do grupo Votorantim para o departamento de auditoria interna, recém-criado,
que precisava de um auditor sênior. Depois disso, foi para a Diageo, fabricante de
bebidas, onde está há três meses. “Ganhei visão ampla de uma empresa estruturada. É
um diferencial e o mercado reconhece isso.” Em três anos de Unilever, foi sondado sete
vezes por headhunters.

GE
Fábrica de líderes
Todos os presidentes da GE são formados dentro de casa. Esse é um indicador de sua
qualidade na capacitação de pessoas. “A GE forma executivos aptos a gerenciar
negócios complexos”, diz Ricardo Bevilácqua, da Robert Half. Assim como na
Unilever, o profissional da GE adquire habilidade gerencial e estratégica, especialmente
pela diversidade de negócios. Para conseguir isso, foram mais de 10.000 horas de
treinamento e mais de 2,3 milhões de reais investidos em capacitação. A Universidade
GE, pioneira mundial no modelo de universidade corporativa, fica nos Estados Unidos e
recebe pelo menos 100 gestores brasileiros, que, junto com executivos do mundo todo,
ganham treinamento sobre técnicas de liderança, cultura, processos e gestão, 70%
comandados por altos executivos da companhia. “Além de contato com o alto escalão e
pares mundiais, é uma oportunidade de conhecer todos os negócios da GE”, diz Carlos
Griner, diretor de recursos humanos da GE no Brasil.

Além disso, trocar de funções é comum no grupo. Foi o que aconteceu com o paulista
Paulo Roberto Vallim, de 39 anos. Com três anos de casa, foi convidado a trocar o
cargo de gerente financeiro para a divisão de plásticos por uma gerência na área
comercial. Ficou dois anos na nova função e depois voltou ao antigo cargo com uma
nova visão. “Além de uma bagagem profissional maior, o programa melhorou meu
trabalho, que passou a ser integrado ao resto da companhia”, diz. Um ano depois, o
executivo foi procurado por uma empresa de recrutamento para deixar a GE e assumir a
diretoria financeira do grupo Tivolite. “Ter uma experiência matricial e essa visão
sistêmica me tornou um profissional mais atrativo”, diz.
Trabalho integrado
Durante os nove anos que esteve na GE, Adriano Zaccari Fortuna,
de 33 anos, se orgulha de ter passado por mais de sete cargos em
áreas e negócios diferentes. Ele começou em 1997, quando a GE
comprou a empresa de informática em que estagiava. Um ano
depois, foi para a área administrativa da companhia e, depois, mudou para a divisão de
plásticos, onde chegou a analista de desenvolvimento.

Em 2002, Adriano foi selecionado para um programa global da multinacional e rodou


por quatro negócios diferentes do grupo. Ao final, assumiu a gerência financeiro-
comercial para a América Latina. “Com essas mudanças conheci um pouco de tudo e
tive acesso aos grandes líderes da empresa.” Em 2005, depois de nove anos e 20
convites para sair, Adriano foi chamado para trabalhar na empresa de cosméticos Avon,
onde está agora. A companhia precisava de um líder financeiro que conhecesse os
processos dos outros departamentos. Logo em seguida, foi transferido para Nova York e
hoje é gerente sênior de planejamento financeiro para a Avon no mundo. “Aprendi a ser
parceiro das outras áreas.”

O que as empresas querem


Desenvolver habilidades comportamentais não é o
bastante. Descubra quais delas o mercado valoriza
Por Gabriel Penna

Se você se comunica bem, tem ousadia no trabalho e se adapta facilmente a novas


situações, saiba que você pode estar na mira de um caça-talentos. Se não, ainda está em
tempo de desenvolver esses atributos. Um estudo feito pela DBM, multinacional
especializada em recolocação profissional, com sede em São Paulo, mostra que três
características comportamentais extroversão, independência e adaptação são hoje as
mais valorizadas no mercado de trabalho. A consultoria se baseou em entrevistas e
testes psicológicos dos 5 375 executivos brasileiros que ela atendeu nos últimos 20
anos.

O levantamento revela o que mudou no perfil do profissional procurado pelas


companhias no decorrer desse período e quem é o executivo mais valorizado no
momento. A demanda por um comportamento extrovertido e comunicativo, que
tradicionalmente caracterizou executivos da área comercial, foi a que mais cresceu e
hoje é esperada de profissionais de todas os departamentos. As empresas não estão
satisfeitas com as habilidades de comunicação de seus executivos, diz Cláudio Garcia,
presidente da DBM. O pessoal da área administrativo-financeira, principalmente, está
sofrendo muito.

Por causa da expansão do mercado de ações, a função exige uma exposição e um


relacionamento que não havia antes. A capacidade de se adaptar com rapidez a situações
inéditas é outra habilidade valorizada. Uma explicação para isso está no aumento das
fusões e aquisições. Hoje é comum você ver um gerente que passou por três ou até
quatro fusões de empresas, diz o professor James Wright, da Fundação
Instituto de Administração (FIA-USP), de São Paulo.

EQUILÍBRIO EMOCIONAL
A preocupação das empresas com o nível de ansiedade dos executivos
aumentou bastante. Segundo a DBM, as companhias valorizam cada vez
mais o profissional que consegue trabalhar sob pressão e demonstra
equilíbrio emocional em momentos decisivos. Se esse funcionário
combinar tudo isso com autonomia e iniciativa no trabalho, será ainda
mais visado. Ao longo de 20 anos, a independência, característica do
executivo que tem atitude e iniciativa, sempre se manteve como um dos
traços pessoais mais cobiçados pelas organizações. Esse é o profissional
que toma a responsabilidade para si e entrega resultados, diz Cláudio. A
capacidade de liderar é a quarta habilidade comportamental mais valorizada, de acordo
com a DBM.

Ao longo do tempo, ela sempre esteve entre as competências mais exigidas, embora
nunca tenha sido apontada como a mais importante de todas. Hoje, o grande desafio da
liderança é como motivar equipes diante de um quadro com tecnologia e processos
altamente padronizados. Um líder tem de saber conciliar as diferenças na sua equipe
para que todos dêem a sua melhor contribuição, diz Gilberto Lara, diretor de recursos
humanos e desenvolvimento organizacional do grupo Votorantim.

Nem todas as habilidades estão em alta. Existem também aquelas que, embora sejam
importantes, já não são tão valorizadas pelas organizações na hora de escolher um
executivo. A criatividade é uma competência que está nessa lista. Ser criativo não é uma
prioridade para o gerente médio, diz o psicólogo Howard Gardner, professor da
Universidade Harvard, nos Estados Unidos. O papel dos gerentes é possibilitar que
outras pessoas sejam criativas, dar a elas espaço e ajudá-las a tornar suas idéias viáveis.
A mensagem é: mais do que lançar muitas idéias, é importante desenvolver a
capacidade de colocá-las em prática e trazer resultados.

Descubra o seu potencial


Ele contornou uma tragédia que vitimou mais de 50
pessoas. Agora, Harry Kraemer conta, na sala de aula,
o que aprendeu como presidente
Por José Eduardo Costa

Há pouco mais de dez anos, o matemático e contador Harry Kraemer, então com 43
anos de idade, chegava ao topo de sua carreira na Baxter, multinacional americana do
setor farmacêutico, que na época faturava 9 bilhões de dólares e tinha 48 000
funcionários. Harry entrou na Baxter em 1982 e percorreu diversos departamentos até
chegar à presidência. Foi, no entanto, como presidente que ele encarou seu maior
desafio.

Em agosto de 2001, três anos após assumir a gestão da Baxter, recebeu a notícia de que
pacientes de hospitais na Espanha estavam morrendo. Todos esses pacientes estavam
fazendo tratamento com hemodiálise. Os hospitais, seguindo o protocolo, notificaram a
fabricante dos filtros, a companhia Althin Medical, que havia sido comprada pela
Baxter no ano anterior. A partir daí, a farmacêutica iniciou testes com amostras de lotes
vendidos para detectar se havia problemas com os filtros. Lotes foram recolhidos. Antes
mesmo de ficar provada a culpa da Baxter, Harry assumiu publicamente a
responsabilidade pelas mortes. Pediu desculpas às famílias da vítimas. A Baxter teve
uma baixa contábil de 189 milhões de dólares devido às indenizações pagas. Ao todo,
mais de 50 pacientes morreram em sete países. A atitude de Harry diante dessa
fatalidade se tornou um exemplo de gerencimento de crise. Seu comportamento
aumentou o prestígio da Baxter entre os funcionários, pacientes, médicos e acionistas.
Hoje, Harry dá aulas na Kellogg, a escola de negócios da Universidade Northwestern,
nos Estados Unidos. Lá, ele é responsável pela cadeira de estratégia e gestão. Em junho,
ele foi eleito o professor do ano pelos alunos. Harry, que hoje tem 53 anos, dedica o
restante de suas horas de trabalho ao escritório Madison Dearborn Partners, companhia
de investimento em títulos privados, da qual é sócio, com sede em Chicago, nos Estados
Unidos. De lá, ele falou a VOCÊ S/A.

O que você acha que as companhias mais apreciam em um líder?


Bom senso. Existe uma tendência em tornar as coisas mais complicadas do que elas
realmente são. Isso faz com que os gestores adiem decisões ou façam reuniões para
tudo. Seria mais simples se usassem bom senso. Outro ponto é que muitos profissionais
não se preparam para ser líderes. Geralmente, o sujeito espera pelo cargo e então vai
buscar a formação para ser um bom gestor. O funcionário pensa: "Ah, vou deixar isso
para o futuro. Afinal, eu ainda não tenho uma equipe". No futuro, essas serão as mesmas
pessoas que se tornarão líderes incompetentes ou, no mínimo, problemáticos.

Como remediar isso?


O conjunto de competências para ser um bom líder tem de ser desenvolvido muito antes
de se chegar ao posto. Digo para meus alunos na Kellogg que um líder precisa ter quatro
características essenciais: reflexão, auto-estima, equilíbrio e humildade (veja o quadro
abaixo). Todas elas podem ser trabalhadas no dia-a-dia. Melhor ainda se houver a ajuda
de um mentor. De novo, quanto antes começar a trabalhar essas habilidades, maiores as
chances de sucesso na carreira.

A quem cabe, então, o papel de formar a liderança?


Nunca acredite que a companhia vai assumir seu desenvolvimento. Digo aos meus
alunos que assumam essa responsabilidade. Cabe a cada um de nós procurar as
melhores ferramentas para crescer na carreira.

Essa é uma idéia que vem se popularizando nas duas últimas décadas, certo?
Ainda assim, parece que as pessoas não atentam para a importância disso. Por
quê?
Há 25 anos, quem estava entrando no mercado de trabalho ainda acreditava que se
aposentaria pela mesma empresa em que havia começado. As gerações mais novas, e
me refiro às pessoas que nasceram no final da década de 70 e início dos anos 80, são
bem mais “móveis”. Ou seja, elas não querem permanecer em um único lugar. Elas se
vêem trabalhando em cinco, seis lugares diferentes ao longo de sua vida. E isso só
funciona se o indivíduo for o gestor da própria carreira. As empresas entenderam que,
em vez de prometer o emprego pela vida útil do funcionário, seria mais honesto
estabelecer uma relação de parceria, na qual ela ajuda o profissional a desenvolver seu
potencial. 

As escolas de negócios, em especial as americanas, falam muito da importância de


adequar o perfil pessoal ao da empresa. Em tese, isso garantiria maior chance de
progressão na carreira e de sucesso profissional. Você acredita nisso?
De forma alguma. Nós, na Kellogg, nos esforçamos para não perpetuar essa visão. Se
você é realmente um bom profissional não tem que se preocupar se vai caber ou não em
uma organização. Se você é um líder, o mais importante é saber até que ponto você quer
levar a organização e as pessoas que estão lá. De novo, muita gente acredita que essa é
uma visão que deve estar na cabeça do diretor e do presidente. Insisto que a mudança
pode ser começada ou conduzida a partir de qualquer área da empresa. Mahatma Gandhi
disse: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Ou seja, se você acha que tem de
haver uma transformação, por que você não a começa? Achar que você deve encontrar
uma organização em que melhor se encaixe é um jeito errado, a meu ver, de pensar a
carreira.

Outro ponto bastante estimulado nas escolas de negócios é o treinamento para


lidar com números, as tais competências quantitativas ou técnicas. Fala-se pouco
de ética e de valores nos negócios, não acha? 
É verdade e eu acho isso uma pena. Na realidade, a maioria das escolas de negócios
gasta pouco tempo formando líderes. Para fazer isso, é necessário investir na
transmissão de valores como ética e integridade. Também é preciso ensinar aos alunos
que é fundamental saber motivar, entender os próprios valores, desenvolver pessoas e se
comunicar. Óbvio que é importante ter as competências quantitativas. Do contrário,
você nem entra no jogo. Mas um bom líder não lê apenas números. 

Qual é o seu conselho para quem quer chegar ao topo de uma companhia?
Desenhe cinco linhas paralelas numa folha de papel. Essas linhas podem representar as
diferentes funções, departamentos, unidades de negócio, ramo de atividade e geografia
de atuação que fazem parte de uma grande empresa. A maioria de nós começa na parte
mais baixa de uma dessas linhas paralelas. Freqüentemente, tentamos imaginar a melhor
forma de percorrer uma única linha. No entanto, as pessoas não pensam em como
colocar os braços em torno de toda a organização. Recomendo olhar as outras linhas. É
importante não estar interessado apenas na sua linha de negócio. Vale muito mais ter
uma visão global da organização. O quanto antes você percebe as oportunidades reais de
se mover entre as linhas paralelas de sua companhia, maiores as chances de crescer e
chegar ao topo.

As quatro competências do líder, segundo Harry Kraemer

1| REFLEXÃO
O líder precisa de um momento no dia para se desligar de todas as suas funções e
refletir. Nesse instante, é sempre importante voltar às perguntas-chave: quais são os
meus valores, quais são os princípios que defendo, quais são as coisas mais importantes
para mim, será que os valores que defendo são claros para todos que trabalham comigo?
Será que minhas ações são consistentes com o que prego? É essa habilidade de achar
um tempo para pensar e colocar as coisas em perspectiva que acredito que os líderes
estão perdendo. Poucos executivos refletem sobre seu papel nas organizações e nos
valores que defendem e pregam. Se você não exercita a reflexão, dificilmente se
conhece de verdade. E se você não se conhece, como pode liderar a si mesmo e a outras
pessoas? Por isso, ter um tempo para refletir é muito importante.

2| AUTO-ESTIMA
É a habilidade de acreditar que as coisas podem ser feitas. Ter autoestima significa estar
de bem consigo mesmo e entender que existem pessoas mais espertas do que você, mais
atléticas do que você, mais influentes do que você. O fundamental é reconhecer aquilo
em que você é bom e aquilo em que não é bom e conviver com isso. A partir daí, o líder
se cerca de pessoas que são melhores que ele nos pontos em que ele é mais fraco. Parece
simples, mas o que se vê nas organizações são líderes ruins cercados de gente mais
incompetente por total insegurança do gestor com relação a seus pontos fracos. Na
Baxter, eu sempre dizia: “Não estou tentando provar que estou certo e, sim, fazer a coisa
certa”. Ao fazer isso, eu colocava o problema para todos.

3| EQUILÍBRIO
Esta é a habilidade de compreender todos os lados de uma mesma questão. O guru
Stephen Covey [autor americano de Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes] diz:
“Procure entender antes de se fazer entender”. Ao compreender todos os lados de uma
mesma questão, fica mais fácil encontrar a resposta mais lógica para um determinado
problema. Um exemplo simples: como líder, você tem de saber se sua empresa está
produzindo para ter retorno ou porque quer crescer. Ter clareza sobre a estratégia do
negócio garante uma melhor gestão de pessoas. Eu realmente acho que o bom gestor
precisa ter equilíbrio.

4| HUMILDADE
Essa competência significa reconhecer que, independentemente do nível em que esteja,
você não é melhor nem mais importante do que ninguém. Cada pessoa da equipe é
muito importante. Profissionais que interiorizam isso não se esquecem de onde vieram e
mantêm as coisas em perspectiva.

Meu mestre na carreira


Cinco presidentes contam quem foram seus mentores e
qual o conselho de maior valor que receberam.
Aprenda com eles
Por Fernanda Bottoni e Raul Junior (Fotos)

Antonio Cirrincione, consultor de empresas e Sergio Chaia (à dir.), presidente da


Nextel: pensamento estratégico

Sergio Chaia,
presidente da Nextel

Quando era mais jovem, achava que tudo tinha de ser feito ao mesmo tempo. Gastava
toda a minha energia tentando resolver quatro ou cinco coisas ao mesmo tempo. Claro,
acabava esgotado e não dava conta de organizar tudo. Foi com o executivo italiano
Antonino Cirrincione que aprendi a ter paciência e a investir num crescimento
sustentável da minha carreira. Nós nos conhecemos na Sodexho Pass. Ele era presidente
e eu, diretor de marketing.
Percebi com ele que a vida não pode ser só entregar as metas do mês. É preciso pensar
também no médio e longo prazos. Ele sempre dizia que se deixarmos para pensar em
2010 apenas em 2010, por exemplo, dificilmente alcançaríamos os propósitos para
aquele ano. Essa lição me ajudou a amadurecer. Hoje, 40% da minha energia é dedicada
a plantar idéias que só darão frutos daqui a dois anos. Posso dizer, verdadeiramente, que
foi um dos maiores aprendizados da minha vida.

Mário Grieco,
presidente da farmacêutica Moksha8 para a América Latina

O doutor Emílio Francischetti foi meu maior coach. Com ele, aprendi a construir
relacionamentos e a negociar. Nos anos 70, durante o regime militar, viajávamos a
Brasília para discutir problemas da Universidade de Medicina de Taubaté. Ele era o
diretor da instituição, à época, federal. Eu representava os alunos. Nas visitas ao
Ministério da Educação, ele me treinava para conversar com ministros e militares e a
controlar minha impaciência de estudante.

Aprender a me controlar e buscar a melhor maneira de dizer o que precisava ser dito era
uma habilidade fundamental naquele período político. O doutor Francischetti também
me abriu a possibilidade de estudar nos Estados Unidos. Fui para lá aos 24 anos, a fim
de terminar a graduação em medicina. Essa experiência deu rumo à minha carreira.
Morei no exterior 17 anos. Até hoje busco o feedback do doutor Francischetti.
Carlos Alberto Júlio,
presidente da Tecnisa

Ozires Silva é uma das figuras que mais inspiraram a minha carreira. Nós nos
conhecemos em 1994, quando lecionávamos num curso do Instituto Tecnológico da
Aeronáutica (ITA). Eu presidia a Polaroid e ele, a Embraer. Com seu exemplo, aprendi
que a realização profissional independe de você ficar rico. Mais importante do que
ganhar dinheiro é ver que seu trabalho produziu resultados extraordinários. O exemplo
de Ozires, que idealizou e fundou a Embraer e nem sequer se tornou acionista da
empresa quando ela foi privatizada, ensina a trabalhar sempre em busca de grandes
realizações, mesmo que elas nos tragam mais orgulho do que dígitos na conta bancária.
É uma história que foge à regra de grande parte dos ídolos nacionais.

Thais Marca,
presidente da Convergys

Conheci Carlos Salles quando ele era presidente da Xerox do Brasil, empresa em que
passei 17 anos. Sua figura sempre foi inspiradora para mim. Ele tinha a capacidade
impresssionante de liderar e motivar as pessoas. Era inigualável sua habilidade de falar
em público e conquistar quem quer que o estivesse ouvindo. Com ele, aprendi que a
melhor forma de conduzir um negócio é cativar as pessoas, para que elas dêem o melhor
de si. Quando deixei a Xerox e fui para a DHL, em 2003, apliquei essa lição. Acabei
ganhando uma equipe tremendamente motivada, que gerou um salto nos resultados.
Meu contato com ele não é tão freqüente, mas não me esqueço da lição e tento tocar os
negócios com o apoio do grupo. Ainda hoje, em momentos de dúvida, sei que posso
contar com um bom conselho de um grande ser humano.

Cesar Keller,
gerente-geral da HTC para a América Latina

Otto von Sothen me contratou em 1997, como gerente de trade marketing da Elma
Chips, quando ele era diretor de desenvolvimento de vendas da empresa. Onde ele
estava, os resultados apareciam rapidamente. Com o tempo, percebi que sua fórmula de
sucesso era o engajamento do time, que ele obtinha deixando as regras do jogo muito
claras. Aquilo era espantoso. Todos sabiam quais eram as metas e de que forma elas
deveriam ser atingidas.

Aprendi com ele que ética profissional não é negociável. Para ter uma equipe motivada
é preciso respeitar os valores e o momento de vida de cada um. Hoje, tento ser para meu
time o que o Otto significou para mim. Para motivar alguém que quer crescer, ofereço
desafios cada vez maiores. Por outro lado, para obter o comprometimento de quem está
num período pessoal difícil, ofereço flexibilidade. Dessa forma, engajamento e
resultados aparecem naturalmente.

20 idéias inspiradoras
Reunimos dicas de especialistas, headhunters e
consultores para você fazer a diferença
Por Fernanda Bottoni
1 COMPETIÇÃO 360°
O livro Globality: Competing with Everyone from
Everywhere for Everything, dos consultores financeiros
Hal Sirkin, Jim Hemerling e Arindam Bhattacharya,
mostra a nova fase da globalização. Acabou o modelo em
que multinacionais americanas, européias e japonesas
aportavam nos países em desenvolvimento em busca de
custos baixos de matéria-prima e mão-de-obra barata. Na nova era, chamada de
globality, empresas de países como Brasil, China, Índia, e Rússia ditam o ritmo,
transformando os negócios no mundo todo. A brasileira Embraer, citada no livro como
modelo de “empresa desafiadora”, garante seu futuro investindo na qualificação da
equipe. Professores do Insead e do MIT são contratados para dar aulas aos gestores. Há
um programa especial para engenheiros. “Preparamos pessoas para atender nossa
demanda no futuro”, diz Eunice Rios, diretora de RH da Embraer.

2 PREPARE-SE PARA LIDERAR A guerra por talentos vai aumentar. Um estudo do


censo americano apontou que 76 milhões de americanos devem se aposentar no
horizonte de cinco a dez anos. Para substituí-los, haverá apenas 45 milhões de pessoas
qualificadas. No Brasil, não há um estudo equivalente, mas sabe-se que as empresas
estão preocupadas com a sucessão das lideranças. “Há mais posições executivas do que
candidatos a elas”, afirma Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group. Como
conseqüência, daqui para a frente as organizações vão intensificar o treinamento para a
formação de gestores. Para você, o recado é simples e claro: prepare-se para liderar!

3 FORÇA LOCAL
Hoje, apenas 12% dos altos executivos de países emergentes, como Brasil, China e
Índia, são expatriados. Há dez anos, essa fatia era de 56%, segundo a Association of
Executive Search Consultants (AESC), com sede em Nova York. A tendência é oferecer
oportunidades locais para os talentos. Primeiramente, porque impor a cultura do país de
origem nas operações locais parece não funcionar. Além disso, custa caro expatriar um
executivo que, após dois anos, quer voltar para a terra natal.

4 VOLUNTARIADO COMO EXERCÍCIO DE LIDERANÇA


Uma das melhores formas de identificar líderes, segundo o guru John C. Maxwell, é
pedir para que eles organizem e comandem uma ação voluntária. Quem consegue atrair
seguidores demonstra que é capaz de
influenciar pessoas. Liderança, diz o
escritor, é influência. “Quem se envolve
traz novas idéias para o trabalho e ainda
exercita a capacidade de liderança”, diz
Eduardo Cardoso, gerente de marketing da
TCS Brasil, empresa de tecnologia da
informação do grupo indiano Tata, que tem
escritório em São Paulo. Por isso, dedique
parte de seu tempo e energia a atividades
de voluntariado. No final, todos ganham.

5 A VOLTA DO JAPÃO
Na Authent Executive Search, empresa
especializada no recrutamento para a média
gerência, em São Paulo, a busca por
pessoas para trabalhar em corporações japonesas aumentou 40% nos últimos 12 meses,
movimento superior ao dos cinco anos anteriores somados. Segundo Aurea Imai,
headhunter sócia da empresa, esse salto indica duas tendências. A primeira é o aumento
de oportunidades em empresas como Honda e Toyota e suas fornecedoras, que vêm
aumentando a presença no país. A segunda é a complexidade da busca por profissionais
que tenham capacidade de se adequar à cultura dessas organizações. O perfil do
profissional ideal é flexível, comprometido com a equipe e com os resultados.

6 O DESEMBARQUE DO MONSTRO
A Monster, empresa global de recrutamento e seleção online, pretende inaugurar
escritório no Brasil no início de 2009. A empresa já tem um site experimental no país e
em menos de um ano de operação somou mais de 27 000 currículos e vagas em
empresas americanas como Google, HP, Dell, Microsoft, GE e Mastercard. Nos Estados
Unidos, o serviço é forte. Mas não se sabe se vai pegar por aqui. A companhia já tentou
entrar no Brasil outras vezes e não conseguiu. De qualquer forma, a vinda da Monster é
mais um indicador de que o mercado de contratação de executivos deve permanecer
aquecido.

7 INOVAÇÃO PELA INTERSECÇÃO


Cezar Taurion, gerente da IBM Brasil, indica o Efeito Medici, de Frans Johansson,
publicado pela Editora Best Seller, que parte da idéia de que para ser criativo é preciso
cruzar vários conceitos e culturas. “A inovação pede conhecimento em várias áreas.
Temos uma formação muito cartesiana. Precisamos desenvolver uma visão mais
ampla”, diz Cezar.

8 A VEZ DA PUBLICIDADE NA WEB


Essa é para quem trabalha com publicidade e propaganda, mas ainda desconfia da
internet: os anúncios online vão superar a publicidade na TV em cinco anos, segundo o
instituto de pesquisas IDC. A receita de publicidade online deve passar de 25 bilhões de
dólares, neste ano, para 51 bilhões de dólares no final de 2012. Por isso, é hora de
entender melhor a nova mídia e descobrir as oportunidades de trabalho e carreira que ela
oferece.
9 REMUNERAÇÃO COMO PROFISSÃO
O mercado vai disputar quem domina estratégias de
remuneração. A busca pelo maior desempenho faz com
que mais empresas optem pela remuneração variável
como fonte de estímulo do profissional. “Quem sabe como
usar o pacote de stock options, por exemplo, lida com o
que hoje representa o segundo maior orçamento das
companhias”, afirma Marcelo Ferrari, da Mercer. Área integrada ao RH, ela pode ser
comandada por administradores ou economistas que saibam avaliar o retorno do
investimento feito em pessoas.

10 CONFIRA AS REGRAS DO JOGO


Na hora de planejar a carreira ou aceitar um convite de emprego, confira quais são as
regras para ascensão profissional da empresa. Normalmente, as organizações
estabelecem alguns pré-requisitos que todo profissional precisa ter para alcançar cargos
executivos. “Na Bosch, por exemplo, para ser gerente sênior é preciso ter passado pelas
várias unidades de negócios da companhia e acumular experiência internacional de pelo
menos dois anos”, indica Arlene Heiderick, diretora de recursos humanos da Robert
Bosch da América Latina.

11 CHECK-UP DO GERENTE
“Antes de assumir um cargo gerencial, é preciso ser bom tecnicamente. Depois, é
essencial ser um bom gestor de pessoas, saber delegar e deixar a operação para os
subordinados”, diz Cássia Lourenci, consultora da Career Center.

12 GESTOR DE COMUNIDADES VIRTUAIS


Acompanhar comunidades online para monitorar a opinião
de consumidores se tornou tarefa essencial para as
empresas. Quem faz isso de forma profissional é o gestor
de comunidades, uma pessoa que tenha habilidade para
posicionar de maneira adequada, na web, uma marca ou
um produto. “Esse profissional, que serve de antena para
captar a opinião dos consumidores, terá muito espaço no mercado”, prevê Alexandre
Campos, que é gerente de consultoria da IDC Brasil. O posto requer uma combinação
de conhecimento em tecnologia, mídias digitais, comunicação e marketing.

13 NOVA ERA DA INOVAÇÃO


Francisco Ramirez, sócio-consultor da ARC Executive
Talent Recruiting, consultoria de São Paulo, recomenda a
leitura de A Nova Era da Inovação – A Inovação Focada
no Relacionamento com o Cliente, de C.K. Prahalad e
M.S. Krishnan, lançado no Brasil pela Editora
Campus/Elsevier. “Está em curso uma transformação
fundamental nos negócios pela digitalização do trabalho, pela conectividade onipresente
em todas as empresas e pela globalização”, diz Francisco. A mudança tem dois pilares:
a centralidade do indivíduo como foco de análise do consumidor e o acesso aos
recursos. A lição é particularmente oportuna num momento em que inúmeras empresas
brasileiras ampliam seus negócios globalmente.
14 SER PLURAL
Para Leandro Silveira Pereira, coordenador do GVlaw, programa
de pós-graduação em Direito da Fundação Getulio Vargas de
São Paulo, não basta ter bons relacionamentos dentro do seu
grupo social. Daqui para a frente, pluralidade será essencial.
“Quem quer se destacar precisa aprender a se relacionar com
pessoas de perfil muito diferente do seu”, afirma ele. Quanto
maior seu repertório, mais facilidade você terá para falar com
públicos diferentes.

15 A COMBINAÇÃO CERTA
A carreira cada vez mais será permeada pelo binômio
empregabilidade — empresabilidade. “Empresabilidade”
quer dizer as melhores empresas trabalhando com os
melhores profissionais. E “empregabilidade” é conseguir
ser um deles. Antigamente, uma excelente formação técnica
atendia a 90% dos pré-requisitos para ter sucesso. Hoje ela
apenas coloca o profissional no jogo. O que determina a vitória são: relacionamentos,
idéias, ambição e capacidade de convencimento. O importante não é ser o melhor aluno,
é ser aluno amigo do professor.

16 SUSTENTABILIDADE EM CONSTRUÇÃO
Em 2004, apenas um projeto de construção civil buscava a certificação Leadership in
Energy & Environmental Design (Leed), um selo de qualidade para projetos
ambientalmente responsáveis. Em 2008, já foram 64. “A previsão é que fechemos o ano
com 100 projetos em processo de certificação. Isso representa apenas 1% do mercado.
Há muito espaço para crescer”, afirma Nelson Kawakami, diretor executivo do GBC
Brasil, empresa que promove a certificação Leed no país. Ganham espaço os
engenheiros e arquitetos especializados em construção sustentável e simulação
energética. Outra dica: fique de olho nos cursos de extensão que a Universidade de São
Paulo (USP) e a Universidade Federal Fluminense (UFF) estão organizando para o
primeiro semestre do ano que vem.

17 DESEMPENHO É CONSISTÊNCIA
Paciência e maturidade ainda não caíram em desuso. Segundo um estudo do Hay Group,
a grande oportunidade da carreira da maioria dos executivos (57%) que hoje comandam
as 500 maiores empresas do Brasil surgiu depois dos 40 anos, quando já estavam
casados (79%). Na época, 55% deles eram gerentes. “As empresas entendem
desempenho como uma soma de resultados positivos e consistentes, e não apenas a
realização de um grande feito isolado”, diz a pesquisa.

18 TRABALHO REMOTO
“Em 2011, um em cada sete habitantes do planeta deve
trabalhar em esquema de home office”, diz Cleber Morais,
diretor-geral da Avaya Brasil, que fornece produtos para
redes de comunicação. Além de qualidade de vida e da
flexibilização do horário de trabalho, a tendência ganhou incentivo extra: a consciência
ambiental. Ao cumprir o expediente em casa, as pessoas usam menos o carro.

19 SERVIÇOS PROCURAM TALENTOS


Hoje, a terceirização vai muito além de serviços básicos e
abrange áreas como consultoria, tecnologia da informação,
jurídica, marketing e contabilidade. A Bonagura, por
exemplo, oferece serviços contábeis e de controladoria.
Esse segmento da economia está aquecido e há ótimas
oportunidades para profissionais qualificados. Nos últimos
dez anos, a cada três novos empregos gerados no país um foi criado por empresas que
prestam serviços para outra companhia. Os empregos nessas organizações vêm
crescendo à taxa de 3% a 6% ao ano. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística.

20 DE ONDE VÊM OS LÍDERES


A idéia de ficar pulando de empresa em empresa para subir na carreira já era. É o que
afirma Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group. “Trocar de empresa gera desgaste. Boa
parte do prestígio que o profissional leva anos para construir é desperdiçada nesse
processo”, diz Rolando. Para saber se uma companhia abre espaço para os funcionários
se desenvolver internamente, uma dica é olhar para o seu corpo de diretores. Ele é
formado por pessoas que vieram do mercado ou que cresceram na organização?

A era do trabalho 2.0


Carreiras como farmacoeconomista, gerente de
diversidade e arquiteto da informação mostram como
o mercado e o próprio mundo mudaram na última
década
Por Luciane Crippa
Mais do que mostrar como o mercado de trabalho evoluiu, as profissões que surgiram
nos últimos dez anos revelam a transformação do próprio mundo. Temas como internet,
alimentos transgênicos e ações sociais e ambientais passaram a fazer parte do cotidiano
das pessoas. A preocupação com a satisfação e o conforto do cliente também mudou a
área de marketing e vendas. Conheça dez profissões que até bem pouco tempo eram
desconhecidas.

Desenvolvedor de sementes
O trabalho do agrônomo Rogério Andrade, de 40 anos, de Uberlândia (MG), é
introduzir novas características genéticas em grãos de soja, milho e algodão, de acordo
com os programas de melhoramento de DNA da Monsanto, produtora de sementes e
defensivos agrícolas. Desde 2005, ele é o líder do programa de pesquisas da companhia
americana no Brasil. As experiências com sementes geneticamente modificadas já
existiam há dez anos, mas não criavam empregos na iniciativa privada. Ainda hoje, há
oportunidades para agrônomos e biólogos nesse mercado, pois o número de pessoas
qualificadas permanece pequeno. “Na Monsanto, os profissionais de biotecnologia têm
espaço para crescer e até atingir posições na diretoria e postos internacionais”, garante
Rogério Andrade.

Arquiteto da informação
A área de tecnologia da informação é, sem dúvida, a que mais gerou novas profissões
nos últimos anos. O cargo de arquiteto da informação é uma dessas funções. Hoje, esse
profissional aplica conceitos como usabilidade e navegabilidade para desenvolver o site
das empresas. “Meu trabalho é desenhar toda a estrutura do site e entregar o projeto
pronto para a equipe de programadores e designers”, explica Willie Taminato, de 28
anos, consultor de arquitetura da informação da Mídia Digital, que faz ferramentas de
internet para o HSBC e o Magazine Luiza, entre outros. Willie também faz trabalhos de
Search Engine Optimization (SEO), técnica que permite dar maior destaque a resultados
positivos durante pesquisas em ferramentas de busca, como Google e Yahoo!.

FARMACOECONOMISTA
A demanda por profissionais que saibam avaliar a
viabilidade econômica de novos medicamentos deve
aumentar mundialmente. Segundo Mario Saggia, gerente
de farmacoeconomia da Roche, não há, no Brasil, mais do
que dez especialistas na área. “Quem quiser ingressar no setor precisa ser capaz de
avaliar um novo medicamento em todos os aspectos — epidemiológico, clínico,
econômico, de sistema de saúde”, diz. Ainda não há um curso de formação nessa área,
mas é possível aprender sozinho. “Há muita literatura, principalmente internacional,
sobre o tema”, afirma Mario. Profissionais formados em administração, economia,
farmácia e medicina, com senso crítico apurado, têm o perfil mais adequado para essa
função, que deve ganhar importância nos próximos anos.

MARKETING OLFATIVO
Na área de marketing, uma especialização recente é o
marketing olfativo. Ele surgiu nos últimos anos porque as
empresas perceberam que a linguagem visual está saturada
e não desperta mais a atenção do consumidor. A idéia,
então, é investir em outros sentidos, como a audição e o
olfato. Elaine Oliveira, de 29 anos, é supervisora
comercial da Biomist, empresa de São Paulo que atua na área desde 2000. Ela
desenvolve, por exemplo, cheiro de dinheiro para bancos ou essências para lojas de
roupa. “O objetivo é traduzir a marca em uma fragrância”, diz Elaine. Quem trabalha
com marketing olfativo se formou em comunicação e tem especialização na área. Os
salários são compatíveis com os de profissionais do marketing tradicional. “O aroma é
uma poderosa ferramenta de comunicação”, garante Elaine Oliveira.

Consultor de agricultura sustentável


Desde 2005, a Bayer Cropscience, divisão agrícola da multinacional alemã, oferece
consultoria de agricultura sustentável. “Os clientes passaram a sofrer pressões da
legislação e da sociedade, e a Bayer entendeu que precisava oferecer informações sobre
como não poluir o meio ambiente”, comenta o agrônomo Luiz Dinnouti, de 45 anos,
responsável pela área.

Cientista do exercício
Em 2005, a Universidade de São Paulo passou a oferecer o curso de graduação de
ciências da atividade física. A diferença de formação em relação à educação física é a
ênfase na prevenção e no acompanhamento de doenças, principalmente para pessoas
acima de 60 anos. “O profissional sai preparado para criar programas de treinamento
para quem tem problemas crônicos e para idosos que querem se prevenir”, diz Luis
Mochizuki, de 38 anos, coordenador do curso na USP e responsável pelo programa de
prevenção contra queda, oferecido pela instituição à população idosa. Quem se forma
encontra trabalho em clínicas, hospitais e seguradoras.

Webmarketing
Mapear a reputação de empresas em ferramentas de internet, como Orkut, Twitter e
mais blogs e fotologs, é o trabalho de Tereza Cândida, de 27 anos, formada em
jornalismo. Ela trabalha na Dialeto, uma agência de publicidade que auxilia clientes
como Natura, Schincariol e Volkswagen a reconhecer negócios nas chamadas mídias do
consumidor. Tereza vasculha a web em busca de oportunidades de marketing e também
com o objetivo de detectar possíveis danos à imagem corporativa. Também faz parte de
sua função realizar estudos sobre o comportamento do consumidor na internet.

Articuladora de parcerias
O investimento das empresas em ações de cidadania empresarial se consolidou como
um novo mercado de trabalho na última década. A jornalista Cinthia Sento Sé, de 31
anos, há dois anos e meio passou a trabalhar no Grupo de Institutos, Fundações e
Empresas (Gife), como articuladora de parcerias entre companhias e ONGs. Cinthia
também faz contatos com políticos, envolvendo o setor público nos projetos.

Gerente de diversidade
Economista com pós-graduação em comércio internacional e marketing, Fabiana
Galetol, de 39 anos, tinha 15 anos de carreira na IBM quando foi convidada, em 2005,
para assumir a então recém-criada gerência de diversidade. O objetivo da área é
aumentar a integração entre funcionários de diferentes sexos, idades, culturas, raças e
sexualidade. “Se houver alguma barreira, há o risco de perdermos um talento”, diz
Fabiana. Para muitas empresas, a diversidade é um componente fundamental da
inovação: se todos pensarem igual, a criatividade é inibida. “Ao dar valor à diversidade,
construímos um ambiente de respeito”, diz Fabiana. Em sua área, há outras seis pessoas.
“Os especialistas no tema devem ser capazes de ouvir, respeitar e gostar de lidar com
desafios.”

CORRETORA ONLINE
Formada em marketing, Marcella Rinaldi Areal, de 25
anos, ocupa o cargo de corretora de imóveis online da
construtora Tecnisa há quatro anos. Quando começou, sua
área tinha quatro pessoas. Hoje, são mais de 30. Seu
trabalho consiste em se comunicar com clientes, fazer
propostas e até fechar vendas pela internet. “Fui
contratada por ter perfil de vendas e conhecimento de tecnologia.” A fluência em inglês
também contou pontos, já que ela atende muitos estrangeiros. A maioria dos clientes
quer ver o imóvel antes de assinar o contrato, mas, segundo Marcella, há quem faça
tudo pela web. “Este ano, já vendi 20 imóveis”, diz. Alguns são de alto luxo, o que
rende a Marcella boas comissões.

Múltipla escolha
Profissionais contam como fizeram carreira em áreas
diferentes da formação que tiveram na faculdade
Por Luciane Crippa
Até bem pouco tempo, a escolha da profissão se fazia aos 17 anos, no momento em que
se prestava o exame vestibular. Uma vez formada, a pessoa seguia na mesma carreira
até se aposentar. Segundo especialistas, esse cenário mudou: hoje é incomparavelmente
mais fácil seguir carreira numa área completamente diferente da formação acadêmica.
Uma pesquisa do Observatório Universitário, instituição de pesquisa ligada à
Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, concluiu que 54% das pessoas não
trabalham na área que estudaram.

Dos que fazem engenharia, por exemplo, 67% trabalham em ramos diversos. Em
comunicação, esse número é de 72% e em administração, 50%. Em parte, isso se
explica pelo lento crescimento de alguns setores da economia. Como não avançam,
essas áreas não absorvem mão-de-obra na mesma velocidade em que ela é formada
pelas universidades. Mas há ainda outro fator que explica os números acima. “Antes, as
empresas olhavam a formação e experiência anterior do candidato”, diz Sandra Cruz, de
44 anos, consultora de carreira da BSP Career, empresa paulistana de consultoria em
recursos humanos. “Hoje, o que interessa são as qualidades que esse profissional pode
oferecer.”

Rui Belfort, 26 anos: diploma de jornalismo, carreira na área de desenvolvimento de


jogos eletrônicos

O recifense Rui Belfort, de 26 anos, por exemplo, trocou a formação em jornalismo por
uma profissão que mistura desenvolvimento de software e publicidade. Assim que saiu
da faculdade começou a carreira como assessor de imprensa da Jynx, empresa de
entretenimento e jogos e letrônicos instalada no centro da capital pernambucana.
Após dois anos, migrou para a área de desenvolvimento de jogos de computador.

Sua função: desenhar games com conteúdo publicitário, os chamados advergames.


Seus clientes passaram a ser Coca-Cola, Sadia, o canal MTV Brasil e a agência de
publicidade Ogilvy. “Nesse ramo não existe gente pronta no mercado. Para formar
profissionais, a companhia investe em treinamento”, diz. Rui acredita que a
profissão ainda vai crescer. “Fora do Brasil, a fabricante de alimentos KraftFoods
já contrata game designers para atuar na área de marketing”, diz. Alguns
departamentos são naturalmente mais abertos e não têm problema em recrutar
profissionais com diferentes formações. O campeão de flexibilidade é a área
comercial. O advogado Marcel Bakker, de 32 anos, fez carreira em vendas.
Apesar de ter a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, não atuou nem três
meses na sua área de formação. “Trabalhei com vendas nos primeiros anos da
faculdade. O estágio num escritório de advocacia só serviu para eu eliminar as
dúvidas”, lembra. Com o diploma de advogado, Marcel fez carreira na área de
vendas de empresas de TI. Passou pela BMC Software e hoje é gerente de vendas
da RSA, uma marca de sistemas de segurança. A fim de complementar sua
formação, Marcel fez MBA em tecnologia e negócios eletrônicos, na
Universidade de São Paulo, e outro MBA em tecnologia pela Université Pierre
Mendès, em Grenoble, na França. “Claro que formação conta, mas eu mesmo, nas
entrevistas que faço, levo em consideração aspectos como base familiar e cultural,
os valores e a competência do candidato”, diz Marcel.

BOM RELACIONAMENTO E NEGOCIAÇÃO


A maior chance de rotatividade entre setores numa mesma empresa também
estimula os profissionais a se aventurar por caminhos distintos de sua formação
acadêmica. O engenheiro de produção Paulo Otávio Cardoso, de 25 anos, entrou
como estagiário na área de qualidade da General Motors, em São Caetano do Sul
(SP). Quando terminou o estágio, surgiu uma vaga na área de compras da
montadora. “Nunca tinha pensado em fazer carreira ali, mas, como queria
continuar na GM, resolvi experimentar”, diz Paulo. O que ele não sabia é que se
apaixonaria pela área. “Hoje em dia, nem penso em voltar para engenharia, quero seguir
na profissão em administração”, diz ele, que já faz uma especialização em gestão de
negócios. Para se adaptar ao novo ramo, Paulo também investiu no desenvolvimento
comportamental. “Aprimorei a técnica de negociação e de relacionamento pessoal, itens
que nunca fizeram parte da minha formação de engenheiro”, diz.

A base de engenharia, no entanto, o ajuda até hoje. “Faz toda a diferença meu
conhecimento técnico na hora de negociar com os vendedores. Entendo as demandas
deles”, diz Paulo. Por trás dessa tendência, existe a crença de que profissionais de outras
áreas também trazem uma visão diferenciada para o negócio. O problema de crescer na
mesma área é perder a capacidade de olhar os problemas por diferentes ângulos. Muitas
empresas aplicam o rodízio de postos como forma de dar essa visão mais abrangente aos
funcionários. É o caso do Grupo TBA, empresa de serviços de TI de Brasília, que adota
a chamada formação horizontal do executivo. “O profissional que passou por várias
áreas está mais preparado para tomar decisões. Se ele cresce só na vertical, olha o
problema só por um ângulo”, comenta Joaquim Rocha, de 45 anos, diretor de gestão e
recursos humanos do Grupo TBA.

O consultor Gutemberg de Macêdo lembra que aumentou a vida útil do trabalhador ao


mesmo tempo que caiu o ciclo de carreira do profissional. Em outras palavras, as
pessoas vivem e trabalham mais, só que ficam menos tempo no mesmo emprego. “As
pessoas têm que estar preparadas para assumir novos papéis e novas funções no mundo
globalizado”, diz. No Brasil, esse movimento de “flexibilização” de carreira ainda tem
muito o que avançar. “Não chegamos ao nível de abertura que existe em outros países.

Alguém que estudou filosofia, dificilmente vai ingressar na área financeira”, diz
Gutemberg. O problema, segundo o consultor, se deve à má-formação dos profissionais,
que não são preparados para atuar num mundo de mudanças. Gutemberg acredita que as
empresas ganhariam muito mais se fossem mais abertas à diversidade, trazendo
filósofos, sociólogos, antropólogos e pedagogos para seus quadros. “Um mix de
conhecimento humanístico é o que seria capaz de arejar as organizações”, diz o
consultor.

Além do MBA
A pós-graduação em negócios deixou de ser o principal
item na formação do líder. Hoje, desenvolvimento
significa alinhar valores, estratégia e compor tamento.
Veja por que essa evolução deu visibilidade ao
profissional
Por Renata Avediani

O engenheiro civil Marcelo Marques de Athayde, de 38 anos, diretor regional da


Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, de Belo Horizonte, tem uma história de
carreira que exemplifica o que aconteceu com a educação executiva nos últimos dez
anos. Nesse período, o desenvolvimento de lideranças dentro de casa ganhou força. As
empresas entenderam que, ao trazer a educação executiva para o interior de suas
instalações, elas ganham um profissional alinhado com seus valores e estratégias,
aumentam o envolvimento do topo com os novos talentos e ainda provêem um
sistema de treinamento continuado.

Na Odebrecht desde 1997, Marcelo recebeu um pacote completo de formação. Além


de dois MBAs patrocinados pela companhia, ele também participou de programas de
desenvolvimento de líderes. Nos cursos in company, Marcelo aprendeu sobre a
cultura da companhia e seus valores, como iniciativa e empreendedorismo. “A partir
daí, adquiri uma visão mais global do negócio, desde o modelo de gestão de pessoas até
processo de obtenção de recursos”, diz ele. “Sem essa combinação de educação formal e
desenvolvimento humano seria mais difícil exercer um cargo de liderança”, diz
Marcelo.

No decorrer dos últimos anos, diversas empresas deixaram de pagar a pós-graduação em


negócios no exterior e passaram a oferecer programas que focam os desafios reais da
companhia, ou cujo objetivo seja fortalecer comportamentos valorizados pela
organização. Como consequência, o MBA deixou de ser o item central na formação do
executivo.

A pós-graduação em negócios continua importante, mas a


seu lado está o desenvolvimento humano, que ganhou
relevância na agenda executiva. Hoje, as competências
comportamentais, como liderança e capacidade de
trabalhar em equipe, são tão necessárias quanto o MBA.

No passado, as empresas deram prioridade ao


conhecimento técnico e à experiência profissional. Por isso, valorizar aspectos mais
humanos e comportamentais, como ocorre hoje, representa uma mudança radical no
cenário.

“Trata-se de uma evolução na história da educação executiva”, diz Luca Borroni, diretor
dessa cadeira no Ibmec São Paulo. As companhias também querem acelerar a absorção
da cultura organizacional entre os funcionários. A idéia é fazer com que as pessoas
peguem rapidamente o modus operandi, o jeito de fazer, da companhia. Para isso, o
executivo tem voltado mais vezes à sala de aula. Quem entra na Odebrecht, por
exemplo, passa sete meses num programa de introdução à cultura da corporação. “O que
antes era informal, está sendo estruturado. Não dá mais tempo de o profissional
aprender a cultura no dia-a-dia”, diz Marisa Eboli, professora da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

MUDOU O CENÁRIO
“Como todo mundo faz MBA, o nível técnico dos profissionais está muito parecido. O
que faz diferença são as habilidades comportamentais e os resultados que ele traz”, diz
Goret Pereira Paulo, diretora adjunta de cursos corporativos da FGV-SP. Houve uma
mudança no papel do gestor. Antes, um bom técnico, comprometido com resultados, se
tornaria cedo ou tarde um líder. Hoje, o mesmo técnico, para se tornar um gerente, tem
de apresentar resultados e ainda ser um bom gestor de pessoas. A tendência é que as
empresas dêem mais autonomia aos subordinados. O gerente tem de inspirar pela
atitude, pelo comportamento, mais do que usar o poder. O problema é que o executivo
não aprende isso durante a formação
profissional. Daí, a mudança de estratégia
das empresas com relação à sua formação.

Para assumir um cargo de gerente na


multinacional alemã Basf, Fabrício Soto,
gerente de marketing e controladoria, de 29
anos, passou por um treinamento interno.
No curso, ele teve disciplinas técnicas —
como supply chain, gestão de processos e
de pessoas, marketing e macroeconomia —
e temas voltados para a liderança, como
diversidade na equipe, autoconhecimento e
feedback. “Aprendi muita coisa em pouco
tempo”, diz Fabrício. “A graduação e a pós
não me deram a bagagem que adquiri no
curso. Sem ela, seria mais difícil assumir
uma gerência.” Com a valorização dos
programas de liderança, aumentou o
envolvimento da diretoria e da presidência,
pois são elas que ajudam a definir a grade
de disciplinas do curso. Em alguns casos,
os próprios executivos são os professores.
Para o profissional, essa é uma ótima oportunidade para, além de ampliar seu
conhecimento, estreitar o relacionamento com o alto escalão, o que pode lhe trazer
visibilidade na companhia. “O contato com os diretores me permite direcionar o
trabalho para as metas que a empresa busca”, diz Marcelo Athayde, da Odebrecht.

[im

A nova realidade do emprego


Pela primeira vez, ser engenheiro no Brasil é mais
vantajoso do que ser taxista em Nova York
Adolf Adler, contemporâneo de Sigmund Freud, que desenvolveu a psicologia
individual, afirmava que o ser humano evolui e forma sua identidade em três áreas da
vida: a família, os relacionamentos e o trabalho. Daria quase para afirmar que a
capacidade de cognição e o trabalho nasceram juntos na história da evolução humana,
na medida em que o fogo e a agricultura sedimentaram as bases para que bandos em
busca da sobrevivência se transformassem em tribos com maior grau de organização.
Conto isso para ilustrar a diferença entre trabalho e emprego.

A relação do homem com o trabalho e seu significado existe há milênios e ajuda a


narrar a história da evolução humana e do progresso. Já o emprego, na forma como
ainda o conhecemos, é um fenômeno mais recente: tem menos de 200 anos de história,
tendo nascido com a Revolução Industrial. A forma como vemos o emprego tem se
transformado rapidamente nos últimos 30 anos, com base nos primeiros movimentos de
reengenharia do fim da década de 1970. Essas mudanças têm sido ainda mais aceleradas
nos últimos dez anos, quando a tecnologia e o crescimento global nos trouxeram ao que
Milton Friedman chama de “Capitalismo 3.0”. Nessa nova realidade, a lógica da
competição e do talento individual permite que, pela primeira vez na história do
capitalismo, ser engenheiro em Nova Délhi ou no interior do Brasil possa ser mais
vantajoso do que ser motorista de táxi em Nova York.

A forma como lidamos com o emprego e as organizações é estabelecendo contratos


psicológicos, de forma mais ou menos explícita. Na história do emprego no decorrer do
século 20, o contrato mais comum foi o da lealdade do indivíduo a uma organização, em
troca da segurança no emprego.

A maioria das pessoas que hoje têm mais de 40 anos cresceu acreditando nisso. Seus
planos previam estudar em uma escola conceituada, entrar em um bom programa de
trainee para, depois, escalar verticalmente sua carreira numa mesma organização.
Infelizmente, ainda há muita gente e empresas que acreditam nesse modelo.

Com base na minha experiência de quatro anos à frente da DBM, digo que essas são as
pessoas que mais sofrem quando são demitidas, pois a companhia se torna uma extensão
delas à medida que transferem para ela parte de sua identidade, o futuro de sua carreira
e o significado de emprego. Mas os fundamentos desse tipo de contrato psicológico
foram revogados, pois, na realidade do capitalismo atual, as organizações não têm mais
condições de garantir emprego em troca simplesmente de fidelidade e estabilidade. Por
isso, no decorrer dos últimos 20 anos as pessoas transformaram a relação com as
corporações em algo absolutamente instrumental e interesseiro.

Por um lado, as empresas oferecem bônus, status e poder aos indivíduos, que em troca
colocam sua energia e conhecimentos a serviço de metas anuais, que são mais e mais
desafiadoras a cada ano. A minha experiência como profissional, observador e estudioso
do mercado de trabalho aqui e no exterior me permite afirmar que está emergindo uma
nova base para essa relação, mais madura e simétrica entre os indivíduos e as
organizações.

A partir do compartilhamento de valores essenciais, a companhia explicita sua escolha


estratégica, que faz sentido para um novo ciclo de aprendizado do profissional. Com
isso, ele desenvolve as competências que servem à necessidade da organização e que
sustentam os resultados ao longo dos anos. Em tempos de escassez de talentos — e
mercado de trabalho aquecido —, o processo de engajamento tem de levar em conta o
coração, a mente e a alma das pessoas. Esse deverá ser o principal mecanismo da tão
propalada retenção de talentos.

10 dicas para juntar dinheiro


Com um pouco de controle é possível reduzir suas
dívidas e investir em aplicações rentáveis
1 - Planeje seus gastos e poupe
Você quer ganhar dinheiro? Todo mundo quer. Mas antes de começar a rechear sua
carteira, é preciso planejar seus gastos e poupar com regularidade. Os analistas
econômicos recomendam que o total de gastos mensais não ultrapasse 35% de sua renda
líquida. Nessa conta estão incluídas despesas como a prestação da casa própria, a escola
dos filhos ou o seu curso de pós-graduação, o financiamento do carro e as despesas com
cartão de crédito. Você também deve considerar os gastos fixos de uma casa, como
impostos, segurança, energia elétrica, água e condomínio, que não devem exceder 25%
de sua renda. É recomendável ter uma reserva financeira para gastos com a manutenção
de sua casa ou de seu carro e colocá-la no orçamento. Casas antigas requerem mais
reparos do que imóveis novos. O que sobrar de sua renda mensal você pode começar a
investir em ações ou fundos de investimento.

2 - Invista em ações
Os americanos encontraram um jeito fácil para saber o percentual de suas reservas
financeiras que pode ser colocado em ações: subtraia sua idade de 120. O que sobrar é
quanto você pode aplicar em renda variável. Essa regra é apenas um indicativo, você
pode colocar mais ou menos dinheiro em ações dependendo de seu apetite pelo risco.
Apesar do sobe-e-desce da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos últimos
pregões, elas continuam sendo a aplicação mais rentável do país. Nos sete primeiros
meses deste ano, o Ibovespa (índice das ações mais negociadas na bolsa) havia caído
9,7%, mas, no ano passado, o índice subiu mais de 40%. Já as aplicações indexadas em
taxas de juro não ultrapassam o ganho médio de 12% ao ano. A principal regra que você
deve seguir é: quanto menor sua idade, mais tempo para se recuperar de uma possível
quebra da bolsa. Quanto maior a sua idade, o dinheiro das ações deve começar a migrar
para títulos públicos ou renda fixa.

3 - Diversifique sua aplicação


Não invista mais do que 10% de suas reservas financeiras em ações da empresa em que
trabalha ou em papéis de uma única companhia. O risco de colocar sua grana apenas em
um tipo de ação é muito grande. Os Estados Unidos têm um exemplo clássico do
estrago que um investimento em uma única empresa pode causar a seus acionistas. Há
seis anos, os executivos de uma das maiores empresas de energia americana, a Enron, se
envolveram em uma série de escândalos contábeis. O resultado foi a falência da
corporação e a perda financeira para os investidores. Na dúvida, não pense duas vezes,
diversifique seus investimentos.
4 - Só invista naquilo que você conhece
Se você não sabe como funciona um investimento, o
melhor a fazer é não investir. Antes de colocar seu dinheiro
em uma aplicação financeira, tire todas as dúvidas com um
consultor. E, quando achar que já entendeu, pergunte tudo
novamente. A pessoa mais interessada em ver seu dinheiro
crescer é você mesmo.

5 - Poupe 10% de seu salário


Quanto mais cedo você começar a guardar dinheiro,
melhor. Vai ter de poupar menos ano a ano para alcançar uma boa soma de dinheiro no
futuro. Os analistas recomendam que você invista pelo menos 10% de seu salário
mensalmente. Essa é apenas uma média. Se você puder investir mais, invista. Nos
meses em que estiver com mais dívidas, invista menos.

6 - Faça uma poupança para três meses


Para não ser pego de surpresa por um imprevisto, tenha sempre uma poupança com o
valor de, pelo menos, três meses de suas despesas. Mantenha o dinheiro em um fundo
de renda fixa ou na poupança. Se você tem filhos ou despesas maiores, aumente o valor
para o equivalente a seis meses ou um ano dos seus gastos.

7 - Prefira carros usados


O financiamento para carros está cada dia mais fácil. Pagando uma pequena parcela,
você pode ter um zero-quilômetro na sua garagem. Mas, se você quer mesmo
economizar, prefira um modelo seminovo em bom estado. O carro perde até 30% de seu
valor no primeiro ano de uso. Sem contar que os gastos com o Imposto sobre a
Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e com o seguro são mais altos para carros
novos.

8 - Fuja dos eletrônicos de última geração


Resista ao desejo de comprar computadores de última geração ou outros aparelhos que
acabaram de ser lançados no mercado. Eles chegam às lojas com preços altos. Espere
dois ou três meses e compre o mesmo equipamento por um valor bem menor. Assim
como os automóveis novos, os eletrônicos de última geração são mais caros do que os
que já estão sendo comercializados.

9 - Não pague garantia extra


Quando for comprar um eletrônico, não pague a mais pela extensão da garantia. A
exceção são os laptops que têm componentes, como o disco rígido e as telas, que podem
ocasionar problemas com o tempo de uso. Já os defeitos em aparelhos como os MP3
Players aparecem em poucos meses.

10 - Compre passagens aéreas antecipadamente


Se você pode programar a data de sua viagem, prefira comprar as passagens aéreas com
antecedência. As tarifas são mais baixas, você pode escolher os melhores lugares e
parcelar o valor. As companhias aéreas iriam adorar se todos comprassem seus trechos
antecipadamente. Elas teriam como contabilizar o número correto de vôos para cada
rota, o que reduziria custos.

Dinheiro de plástico
Para os disciplinados, os cartões de créditos e débito ão
uma alternativa eficaz de monitorar os gastos

A médica paulista Emannuelle Assad, de 29 anos, decidiu há cinco anos aposentar o


talão de cheques. Pouco atenta aos vencimentos dos cheques pré-datados que emitia, ela
teve o nome enviado para a lista negra dos devedores do Serviço de Proteção ao Crédito
(SPC). Hoje, Emannuelle só usa cartão — de débito para os gastos do dia-a-dia e de
crédito para compras de valores mais altos. “O cartão facilita o controle do meu
orçamento”, diz. Assim como Emannuelle, milhares de brasileiros têm aderido cada vez
mais ao chamado dinheiro de plástico.
Até o fim do ano, os cartões serão responsáveis por 21% de todas as
compras feitas pelas famílias brasileiras, volume três vezes superior ao de
cheques, que deve ficar em 7%, de acordo com levantamento da
Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços
(Abecs). “O cartão é mais seguro que o cheque tanto para o lojista quanto para o
consumidor, daí a rápida expansão”, diz Fernando Chacon, diretor de marketing de
cartões do banco Itaú, em São Paulo. O pagamento por meio eletrônico, de fato, livra o
comerciante do risco de inadimplência e afasta do cliente aquele desconforto de ter o
cheque descontado na data errada. Praticidade e comodidade são dois itens que também
pesam na mudança de comportamento do consumidor. Mas, se o cheque vem sendo
substituído pelo plástico com sucesso, o dinheiro vivo ainda representa um desafio a ser
vencido para a indústria de cartões, persistindo como o principal meio de pagamento do
brasileiro, em 60% das compras. “O cartão de débito é muito usado para saques, mas
tem pouco uso para compras de valores altos. As pessoas preferem o dinheiro”, diz
Álvaro Musa, sócio da Partner Consultoria, especializada em serviços financeiros ao
consumidor, de São Paulo.

CRÉDITO COM TROCO


Já que vencer o “inimigo dinheiro” tem se mostrado uma tarefa difícil, a Visa, uma das
maiores operadoras de cartão de crédito do país, resolveu unir-se a ele. Lançou há pouco
o serviço Visa Electron Troco Fácil, que permite ao portador do cartão sacar sem
qualquer custo até 100 reais de troco ao fazer uma compra de, no mínimo, 20 reais. O
comprovante de venda discrimina o valor da compra e do troco, facilitando o controle
do cliente. “É uma conveniência que estamos oferecendo ao consumidor para aquele
dinheiro de emergência”, diz Eduardo Gouveia, diretor executivo comercial e de
marketing da VisaNet Brasil, que experimentou — e aprovou — recentemente o serviço
a bordo de um táxi em Curitiba, no Paraná. A iniciativa começou a ser testada há seis
meses em Brasília e São Paulo e hoje está disponível em todo o país.

Cerca de 5 000 estabelecimentos e prestadores de serviço entre farmácias,


supermercados, padarias, postos de gasolina e cooperativas de táxi estão habilitados a
fazer a transação. O cartão de crédito representa uma alternativa eficaz de
monitoramento dos gastos. Mas aqui é importante ter disciplina. Do contrário, é fácil
perder o controle das dívidas. É possível fazer um bom planejamento financeiro tirando
proveito das vantagens oferecidas pelos cartões de crédito — como uma data específica
no mês para quitar as despesas e a oportunidade de parcelar compras sem juros. “O
cartão passou a ser um facilitador do crédito e um auxiliar na administração do
orçamento familiar”, diz Fernando, do Itaú.

Benefícios como o acúmulo de milhas para viagens e novidades, entre elas o uso do
cartão para entrada em estádios de futebol, tornam o plástico ainda mais atraente. Como
toda fonte de financiamento, no entanto, o cartão de crédito requer um controle mais
apurado. Caso contrário, o portador terá de arcar com juros altos — 9,6% ao mês, em
média, sobre o crédito rotativo e 7,2% ao mês, em média, no parcelado, nos cartões
internacionais, segundo dados da Abecs. “O cartão é um cheque com infinitas folhas”,
diz Rafael Paschoarelli, especialista em finanças pessoais e autor do livro Como
Comprar Mais Gastando Menos, da Editora Saraiva. O especialista lembra que o cartão
é apenas um instrumento: a diferença estará no uso que se faz dele.

[i

Ações promissoras
Saiba quais são os papéis que terão maior possibilidade
de retorno nos próximos 12 meses
Por Aline Lima

A disposição para investir na bolsa é grande, o dinheiro está reservado, mas suas
dúvidas sobre em quais papéis aplicar ainda persistem? A VOCÊ S/A consultou as
principais corretoras do mercado financeiro e preparou uma lista com as 11 ações mais
promissoras para os próximos 12 meses. Mereceram destaque as empresas do setor de
infra-estrutura, como as de transporte logístico e de energia. O setor de commodities
continua em alta e entre os papéis indicados estão dois carros-chefe da Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa), as ações da Vale e da Petrobras. Confira as sugestões:

1 ALL
A maior companhia logística privada do país, a América
Latina Logística, anunciou recentemente que elevaria de
500 milhões de reais para 750 milhões de reais os
investimentos a ser feitos na malha Brasil Ferrovias, adquirida em 2006, e o resultado
foi a desvalorização no preço das suas ações. “A expectativa frustrada de novos ganhos
fez com que o investidor descontasse no preço do papel”, diz Celso Boin Junior, chefe
da área de análise da Link Investimentos, de São Paulo. Ele acredita que bons resultados
financeiros da empresa devem começar a aparecer em breve. A estimativa é de um
crescimento de 12% ao ano no volume de carga transportada até 2012. Com isso, a
companhia deve ter um lucro maior e suas ações passam a ser uma boa alternativa de
investimento.

2 Vale
A empresa está se preparando para expandir suas
operações e comprar uma mineradora, o que fará com que
a companhia fique mais competitiva globalmente. Se a
aquisição sair, a Vale pode se tornar líder mundial no seu
setor. O problema é que ela teria um alto nível de
endividamento, o que faria com que perdesse o título de
boa pagadora. Essa designação é concedida pelas agências de classificação de risco do
mundo e indica que a mineradora é segura para investimentos. Mas a chance de isso
ocorrer é pequena. Analistas afirmam que a Vale já estaria pensando em alternativas de
financiamento para reduzir sua possível dívida. “A ação da Vale é um ativo excelente,
pois está barata e tem liquidez gigante”, diz Tomás Awad, analista sênior da Itaú
Corretora, de São Paulo.

3 Itaúsa
Apesar da crise de crédito internacional não ter passado
nem perto das instituições financeiras brasileiras, os
investidores — principalmente os estrangeiros — não
quiseram pagar para ver e saíram da Bovespa em
debandada. Resultado: muitas ações do setor estão uma
pechincha. Os analistas da Link Investimentos, corretora
de São Paulo, recomendam a compra dos papéis da Itaúsa, holding do banco Itaú. Pelos
cálculos deles, o papel está com um desconto de 25% — ou seja, o valor de mercado da
holding está menor do que a soma de suas empresas. Há ainda a perspectiva de que a
financeira Taií comece a ter os primeiros resultados financeiros positivos ainda neste
ano, o que vai aumentar o lucro da holding.

4 CSN
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) é uma empresa
considerada estratégica para a consolidação do setor
siderúrgico, podendo tanto comprar empresas como ser
alvo de uma aquisição. Marco Antonio Melo, chefe de
análise da corretora Ágora, de São Paulo, diz que a
demanda doméstica por aço estará aquecida tanto para a
indústria automotiva como para a construção civil, o que deve valorizar as ações da
empresa. A CSN tem uma situação confortável em relação ao minério de ferro, sua
matéria-prima, por causa da produção da Casa de Pedra. E, para alegria de todo
investidor, a siderúrgica é, tradicionalmente, uma boa distribuidora de dividendos.

5 Confab
A companhia fabricante de tubos pega carona no
crescimento da Petrobras, já que é a principal fornecedora do material utilizado para a
construção de gasodutos. Ela é responsável por todo o gasoduto Brasil–Bolívia. A
Confab será muito beneficiada pela exploração das bacias de Campos, no Rio de
Janeiro, e de Santos, em São Paulo, que deve ser feita pela Petrobras. Segundo Marco
Antonio Melo, chefe de análise da corretora Ágora, de São Paulo, a empresa tem
capacidade ociosa e pode aumentar a produção em até 40%. O lucro pode crescer 23%
neste ano. Uma boa alternativa de investimento.

6 Eletrobrás
A aposta na empresa cresce à medida que aumenta a
insegurança quanto ao fornecimento de energia no país.
Segundo a equipe de análise da corretora Interfloat, de São
Paulo, a idéia do governo é transformar a Eletrobrás na
Petrobras do setor de energia. Para tanto, o Ministério das
Minas e Energia pode ter planos agressivos para a
empresa. Colocar na sua carteira ações de companhias de energia elétrica é também uma
forma interessante de se proteger da inflação, uma vez que os cálculos para os reajustes
tarifários das companhias levam em consideração o comportamento dos índices de
preços.

7 GP Investimentos
Líder em private equity na América Latina, o grupo GP
vai lançar um novo fundo de participações, o GP Capital
Partners V, que pode ter até 40% dos recursos alocados
em companhias da América Latina. “A GP tem um
histórico excelente de compra de participações em
empresas e com mais liquidez aumentará a capacidade
para fazer mais aquisições”, diz Tomás Awad, da Itaú Corretora, de São Paulo. No final
do ano passado, a GP comprou o laboratório Farmasa (foto) e tem mais 734 milhões de
dólares para novos investimentos. As ações da empresa
devem continuar em alta.

8 Log-in
Subsidiária da Vale no setor de navegação costeira e
administração de terminais portuários, a Log-in guarda o
maior potencial de valorização entre seus pares, de 78%.
A empresa se beneficia da diversificação de seus negócios com perspectivas de
crescimento em todos os segmentos. O setor de navegação costeira, por exemplo, tem
potencial de expansão de 300% nos próximos anos. Mas Celso Boin Junior, chefe da
área de análise da Link Investimentos, de São Paulo, diz que o papel é uma small cap —
companhia de pequeno porte — e, portanto, faz ressalvas quanto a sua liquidez. Se o
investidor precisar vender as ações às pressas corre o risco
de não encontrar comprador a um determinado preço e ter
de se desfazer da ação por um preço menor do que aquele
pago na compra.

9 Petrobras
As perspectivas positivas para o setor de petróleo não
devem continuar tão expressivas como neste ano. No longo prazo, porém, a aposta na
ação da Petrobras é praticamente certeira. Com as recentes descobertas de campos de
petróleo como o de Tupi, na Bacia de Santos, em São Paulo, que deve produzir de 5 a 8
bilhões de barris, a expectativa é que a produção de óleo dobre até 2015. Outras
petrolíferas apresentam tendência de queda na produção e não têm previsão de novas
descobertas de poços de óleo. Além disso, o preço do petróleo deve se manter num
patamar elevado, acima de 100 dólares o barril, já que os problemas de oferta devem
continuar pelos próximos cinco anos, pelo menos, segundo analistas.

10 MMX
A nova estrutura da mineradora, que depois de uma cisão
de ativos resultou na criação de outras duas empresas — a
Iron X, que abriga a Minas-Rio e Amapá, e a LLX, de
logística —, dará mais foco à produção da MMX em
Corumbá, em Mato Grosso, e no Sudeste do país. A
perspectiva é que essas operações cresçam de 9 milhões
de toneladas anuais para 25 milhões e que o Ebitda (geração de caixa antes de impostos
e amortizações) atinja alta superior a 35% nos próximos cinco anos. Na avaliação dos
especialistas do banco Credit Suisse, de São Paulo, mesmo totalmente reconfigurada, a
empresa mantém seu DNA como uma das grandes companhias em gestão empresarial.
Vale a pena investir.

11 Tenda
A Itaú Corretora continua enxergando boas perspectivas
de crescimento para o setor imobiliário, especialmente no
ramo habitacional voltado para a baixa renda. Dentre as
opções, Tomás Awad, analista sênior da corretora, em São
Paulo, destaca a ação da construtora Tenda. “O papel tem
um bom poder de alta nos próximos meses”, diz. Os
números do setor imobiliário comprovam o potencial de crescimento: o total de
empréstimos para imóveis no Brasil representa somente 2% do PIB, enquanto no
México, por exemplo, chega a 10% e no Chile, 17%. 

Bolsa ainda é a melhor aplicação


Segundo o economista Gustavo Franco, o investidor
amadureceu e não se assusta tanto com o mercado de
ações
Por Aline Lima
O economista Gustavo Franco ficou conhecido como o homem que segurou o dólar a 1
real. Isso foi há exatos dez anos, quando ocupava o comando do Banco Central. À frente
da Rio Bravo Investimentos desde 2000, gestora carioca de recursos que montou com
dois ex-sócios do banco Pactual, ele avalia, nesta entrevista, a evolução da economia
brasileira de lá para cá, em especial a do mercado de capitais, e conclui: “A situação é
confortável”. Recomenda paciência aos investidores nos momentos de turbulência. E
reitera: “A melhor aplicação, hoje, é a bolsa”.

O Brasil recebeu o grau de investimento, mas a bolsa vem andando de lado. Existe
aí uma boa oportunidade para comprar ações agora?
Sim, existe uma oportunidade maravilhosa. O índice Dow Jones [da Bolsa de Nova
York] está hoje no mesmo patamar de 2000. A bolsa brasileira, naquela ocasião, estava
na faixa de 8 000 pontos. Hoje, o Ibovespa gira em torno dos 60 000 pontos. Não há
dúvida de que fizemos um progresso extraordinário. Em 1993, era possível comprar
todas as empresas do Ibovespa com um cheque de cerca de 85 bilhões de dólares. Hoje,
esse mesmo conjunto de empresas vale 1,6 trilhão de dólares.

Há espaço para a Bovespa subir mais?


O que os analistas fazem são comparações internacionais, às quais chamam de
múltiplos. Eles calculam quantos anos de faturamento custa uma siderúrgica na Coréia,
por exemplo, e quantos anos ela custaria no Brasil. Em tese, deveria ser o mesmo
resultado, guardadas as diferenças entre os dois países. Mas comparando o Brasil
mundo, as empresas daqui esperado delas um crescimento

Voltando um pouco no tempo, que balanço o senhor faz do mercado de capitais


brasileiro nesses últimos dez anos?
Os números não só um histórico extraordinário de valorização das companhias
brasileiras como também há uma evolução institucional extremamente favorável. Do
ponto de vista da regulamentação, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma
instituição muito mais poderosa, competente e estruturada. Do ponto de vista das
empresas, basta observar que temos exatas 100 companhias listadas no novo mercado,
que adotaram práticas de governança corporativa e estão entre as melhores do mundo.
Quando o novo mercado foi inventado não se vislumbrava tamanho sucesso. Em outros
países, a iniciativa de se fazer uma listagem diferenciada não funcionou tão bem.
A indústria de fundos de investimento evoluiu nesse mesmo ritmo?
A indústria de fundos, que foi muito afetada pelo passado inflacionário e pela natureza
da dívida pública brasileira, atualmente está superdesenvolvida. Tanta popularidade dos
fundos de investimento até capturou um pouco do interesse que deveria ser destinado a
outros ativos financeiros. No futuro, essa concentração de recursos em fundos vai vazar
para outros instrumentos, como a própria bolsa e ativos lastreados em imóveis.

Os fundos multimercado viraram uma febre, mas nos últimos meses amargam
baixa rentabilidade e resgates. O que está acontecendo?
Os multimercado eram, no início, muito focados em operar juros e câmbio. Tiveram
uma vida relativamente fácil porque essas variáveis permitiam estratégias direcionais
sem muito mistério. Nos últimos anos, houve uma mudança importante, que foi a subida
da bolsa. A expertise em ações nunca esteve presente nesses multimercado. A maior
parte deles era extensão das tesourarias dos bancos com profissionais que vieram de lá e
que não sabiam nem operar na bolsa. O que estamos vendo hoje é uma certa
modificação dessa indústria, em que os multimercado estão mais focados em bolsa. E
esses, sim, são os mais bem-sucedidos.

Até algum tempo atrás, a bolsa era vista por muitos como um cassino. Por que esse
entendimento mudou?
Uma coisa que não muda é a instabilidade desse tipo de mercado. Não existe
investimento bom sem risco, e isso o investidor brasileiro já compreende perfeitamente.
O que talvez seja diferente hoje é que o mercado de ações inspira uma confiança que
não existia antigamente. O mercado tem uma dimensão diferente daquela lá de trás,
quando, por exemplo, a Bolsa do Rio quebrou. Não existem mais conspirações nem
manipuladores. Agora, temos uma das maiores bolsas do mundo, que também adota as
melhores práticas mundiais. O olhar que a sociedade tem sobre essas instituições é de
merecida confiança.

Depois de cinco anos consecutivos de alta, a Bovespa enfrenta turbulências e deixa


assustado o investidor novato. Quais os principais erros cometidos nessas situações
e como evitá-los?
O erro típico é vender ações em momentos de turbulência. O investidor até pode ter
comprado mal uma ação, como num IPO [lançamento inicial de ações], que nunca é
barato, e ainda assim a melhor coisa a fazer é esperar. As empresas vão continuar
funcionando, vendendo, crescendo e pagando dividendos. O investidor, às vezes, nem
leva em conta o que vem recebendo. O segredo, portanto, é ter paciência.

O investidor deve ter uma postura mais cautelosa daqui para a frente, ou a
tendência de maior tomada de risco permanece?
A bolsa oferece boas oportunidades de compra para o investidor e o mesmo vale para os
fundos de ações e multimercado com ênfase em ações. Aqui, na Rio Bravo, estamos
vendo muitos papéis baratos e comprando. Essas coisas daqui a pouco vão para cima
porque não têm como cair muito mais. É uma questão de acreditar nos fundamentos
econômicos das empresas e do país.

Para um investidor que tem disponível entre 10 000 e 20 000 reais, qual aplicação o
senhor recomendaria?
A melhor aplicação hoje é a bolsa. Para o pequeno investidor, há duas alternativas. Uma
é lidar diretamente com a compra de ações de uma companhia. É interessante como
experiência acompanhar seu desempenho, participar de assembléias. Isso tudo faz parte
da educação financeira e é muito positivo. Para quem não quer ter esse trabalho, a
melhor alternativa é aplicar em um fundo. O aplicador estará contratando um
profissional que vai fazer as escolhas e acompanhamentos por ele. A dificuldade é que a
aplicação mínima exigida é maior, na faixa de 50 000 reais. Escolher um fundo, porém,
é uma decisão tão importante quanto escolher uma ação. O investidor terá que gastar um
pouco do seu tempo para olhar diferentes gestores, ouvir conselhos e formar os próprios
critérios. É preciso ter convicção na escolha, pois esse gestor vai acompanhá- lo durante
algum tempo. Fundo de ação não é para entrar e sair dois meses depois. É namoro
longo, tem que ter certeza de que conhece bem.

O senhor já lançou livros com os pensamentos econômicos de Fernando Pessoa e


Machado de Assis. Está preparando algum outro?
Estou trabalhando em dois projetos. Um que deve estar pronto no começo de dezembro
é a reedição de um livro que foi publicado nos anos 50, sobre um episódio ocorrido em
Portugal, em 1925, com um senhor chamado Alves Reis. Esse homem criou, na
essência, um processo de falsificação de dinheiro. Ele se fez passar por emissário do
Banco Central português e conseguiu fazer uma encomenda de dinheiro legítimo em
uma quantidade absurda, de tal maneira que acabou organizando um banco e fazendo
uma espécie de política monetária paralela à do governo. Isso criou uma quizumba sem
tamanho na economia portuguesa. Depois de descoberto o esquema, uma série de
questões conceituais importantes sobre a natureza do dinheiro começou a ser levantada.
Parece um romance policial dos bons, mas a história é verídica. O outro livro é uma
tradução de Shakespeare, que se vem adicionar à mesma coleção de Machado e Pessoa,
grandes autores da literatura.

Seguro de vida é investimento


Há apólices no mercado que são resgatáveis e podem
ajudar na organização das finanças ou funcionar como
poupança
Tem muita gente que quando ouve falar em seguro de vida logo pensa no risco de
morte. É que durante muito tempo o seguro de vida era um benefício associado à
herança. Hoje, com a sofisticação dos produtos oferecidos pelo mercado, o seguro de
vida pode ser considerado um investimento. Foi o que descobriu o empresário
paulistano Marcos Vinícius Polloni, de 38 anos, que já fez um seguro de vida tradicional
e depois mudou para um seguro resgatável. Para ele, o seguro é uma oportunidade para
administrar melhor suas finanças.

“Eu guardo dinheiro e não gasto com bobagem e depois de um tempo posso resgatar o
valor depositado”, diz ele, que é casado e tem uma filha. De fato, o seguro de vida é um
jeito fácil de poupar porque o valor mensal das contribuições pode ser debitado direto
da conta corrente. Marcos já resgatou o dinheiro do seguro oito vezes e usou a grana
para sair do cheque especial e fazer compras de utensílios domésticos para casa. Neste
ano, ele quis trocar seu carro por um modelo zero-quilômetro. Marcos participa de um
consórcio de veículos e resgatou 5 000 reais do seu seguro de vida. “Com o dinheiro dei
um lance e assumi prestações baixíssimas”, diz. Se assim como Marcos você também
quer tirar proveito do seguro de vida, saiba que o período ideal para contratar uma
apólice é quando sua vida profissional está em ascensão e sua família ainda está
crescendo. “O conceito de seguro de vida é de um investimento que vai servir para
complementar as reservas financeiras da família caso ocorra algum imprevisto”, diz
Marcelo Assunção, diretor comercial corporate da Icatu Hartford, do Rio de Janeiro.

O seguro de vida vai permitir que sua família tenha uma renda extra por um tempo em
caso de desemprego, invalidez ou morte de quem cuida da receita familiar. Para
escolher um seguro de vida, a primeira coisa a fazer é procurar uma corretora de
seguros que pode ajudá-lo a definir quais são as suas principais despesas, como
educação dos filhos e financiamentos de imóveis e veículos. “O corretor é um
especialista que deve conhecer as necessidades da pessoa e projetar o que pode
acontecer ao longo da vida dela”, diz Luis Cláudio Friedheim, diretor de marketing da
Mongeral Seguros e Previdência, do Rio de Janeiro. Depois de escolher o tipo de
seguro, você vai definir quem são os dependentes com direito a indenização, qual o
valor da apólice e quanto você vai pagar mensalmente.

OPÇÕES DE MERCADO
No mercado financeiro, há basicamente dois tipos de seguro de vida, o tradicional e o
resgatável. O seguro tradicional garante o pagamento de uma indenização para o
dependente em caso de invalidez ou morte do segurado. O valor pode variar conforme
o perfil de quem contratou a apólice e também da corretora que vendeu o produto.
Mas há um consenso. Em qualquer seguradora, quanto mais velho você for, maior
será o valor do prêmio ou prestação, já que o risco de morte é maior e a possibilidade
de a seguradora ter de arcar com a indenização aumenta. Na Porto Seguro Vida e
Previdência, de São Paulo, o seguro de vida com cobertura básica para um homem de
28 anos, não fumante, é de 35,04 reais ao ano, o Vida Individual Tradicional, com um
capital assegurado de 20 000 reais.

O seguro resgatável é bem mais caro do que o tradicional, já que o tempo de


contribuição do segurado é menor devido à chance de resgatar o dinheiro
antecipadamente. Esse seguro permite que você saque o dinheiro após um período
determinado no contrato, geralmente acima de um ano. O seguro resgatável é um bom
produto financeiro para quem tem financiamento imobiliário ou de automóvel. A
apólice permite que sua família não se endivide para quitar o restante da dívida, caso
você fique desempregado, inválido ou morra. “O segurado resgata o dinheiro em razão
de uma imprevisibilidade orçamentária, é uma acumulação para garantir imprevistos no
futuro”, diz Eugênio Velasques, diretor executivo da Bradesco Vida e Previdência. Na
seguradora, o cliente pode adquirir um seguro resgatável, o Supervida Max Premiável
Bradesco, a partir de 47,20 reais mensais, e o capital do assegurado pode variar entre 10
000 e 1 milhão de reais. Outra vantagem dos seguros de vida é a rentabilidade.

O capital segurado é atualizado pela variação do Índice de Preços ao Consumidor


Amplo (IPCA), índice oficial da inflação no país, ou pelo Índice Geral de Preços do
Mercado (IGP-M). Além do índice inflacionário, as seguradoras podem garantir uma
taxa de juro especificada no momento da contratação e que deve ser de, no máximo, 6%
ao ano.

SEGURO MAIS VGBL


Um tipo de seguro de vida menos comum no mercado financeiro é aquele que é
acompanhado de um plano de previdência complementar, o Vida Gerador de Benefício
Livre (VGBL ). Funciona assim: você contrata um seguro de vida junto com um plano
de previdência complementar. Esse plano vale a pena para quem quer começar a pensar
na aposentadoria, mas ainda não tem dinheiro suficiente para fazer depósitos constantes.
O Itaú tem o Itaú Vida Premiável, em que o cliente deposita 21,90 reais e com mais 13
reais começa a investir em um plano de previdência. “Ao longo da vida, o patrimônio
aumenta e a necessidade de seguro de vida diminui”, diz Oswaldo do Nascimento,
diretor superintendente do Itaú Seguros, que oferece o produto.

Com tantas novidades no mercado, os dados do setor começam a mostrar que o seguro
de vida caiu no gosto dos brasileiros. Segundo a Federação Nacional de Previdência
Privada e Vida (Fenaprevi), o crescimento das apólices dos seguros pessoais foi de 10%
em maio, em relação ao mesmo mês do ano passado. A federação considerou neste
cálculo os seguros prestamistas — seguro feito pelas financeiras para garantir que as
prestações sejam quitadas em caso de desemprego, morte ou invalidez de clientes —, os
seguros educacionais, o seguro de vida individual e em grupo. O seguro que mais
cresceu foi o de acidentes pessoais coletivo, que aumentou 32% em relação ao mesmo
período do ano passado.

O aumento é resultado da inclusão de mais pessoas no mercado formal de trabalho, já


que são as empresas que oferecem esse benefício aos funcionários. A expansão das
operações de crédito também acelerou o crescimento do setor. As financeiras estão
fazendo mais o seguro prestamista, que cresceu 13% nos últimos 12 meses terminados
em maio. Como você percebeu, todo mundo quer ficar segurado.
[

Vá enquanto é novidade
Selecionamos três destinos para você ir agora, ou nas
próximas férias, e contar que foi primeiro quando os
lugares virarem moda
Por Erin Mizuta
CROÁCIA

Os europeus já elegeram seu destino para se esticar na praia e apreciar as águas azuis e
mornas do Mediterrâneo: a costa croata. Hit do verão europeu deste ano, o país tem 5
000 quilômetros de litoral pouco explorados pelo turismo mundial. Mas os vizinhos
italianos já escolheram seu destino favorito: Istria e as ilhas em torno dela, como Hvar
(foto). A península, ao norte no país, possui praias de cascalho, pouco confortáveis para
os padrões brasileiros, mas isso vira detalhe diante do mar cristalino, a paisagem local e
a gastronomia atrativa, influenciada por povos invasores do território, como romanos e
turcos. A cidade de Pula, de origem romana, apresenta ruínas com arquitetura típica,
como anfiteatro, fórum e outros monumentos. A costa do país também oferece praias de
nudismo, como Koversada e Kanegra. Mas vá no verão deles, quando as temperaturas
no litoral variam de 25ºC a 33ºC.

QUEM LEVA
Agência Século XXI
Tel. (11) 3066-2722
US$ 2813 (8 dias em apartamento duplo)

Queensberry Viagens
Tel. (11) 3217-7100
1 762 euros (8 dias em apartamento duplo)

DOHA, CATAR
A capital do reino do Catar é o destino para
quem quer conhecer o mundo árabe em sua
essência. Mesmo com a modernização
local trazida pela riqueza do petróleo, o
povo mantém as tradições, vestimentas e
costumes de antes. Por isso, ainda é
possível visitar mercados árabes, os souks,
em seu formato original, comprar jóias e
temperos. A cidade, localizada no Golfo
Pérsico, tem 1 milhão de habitantes e foi
incluída no roteiro dos viajantes antenados por sua proximidade com Dubai, um dos
lugares da moda no momento. A vantagem para os leigos em árabe é que o inglês é
falado amplamente na região.

QUEM LEVA
Teresa Perez Tours
Tel. (11) 3799-4000
US$ 3 902 (12 dias nos países árabes)

SERRA DA CAPIVARA (PI)


Quem gosta de esportes de aventura e de se aventurar pelas paisagens do Parque
Nacional da Serra da Capivara, no interior do Piauí, vai repetir os caminhos feitos pelos
primeiros habitantes do lugar. Além de apreciar as belas e raras paisagens formadas pelo
relevo e pela flora da caatinga, que ocupam os 129 140 hectares do parque, a serra, a
530 quilômetros de Teresina, permite conhecer sítios arqueológicos cheios de pinturas
rupestres, espalhados ao longo de 14 circuitos para visitação. Foi por causa delas, aliás,
que o parque ganhou fama.

QUEM LEVA
Ambiental
Tel. (11) 3818-4600
R$ 2 590 (6 noites em apartamento duplo)

Clique e veja mais dicas de passeios, restaurantes e hotéis

Trabalhe com estilo hoje


Por Fabiana Corrêa
Roupa de trabalho não precisa ser sisuda. Mas tem de ser adequada à
imagem que você deseja. E, além disso, ainda tem de ser atual, como a sua imagem
profi ssional, o que não signifi ca seguir a moda. Apenas considerá-la. Há um caminho
das pedras para você improvisar sobre os mandamentos básicos de estilo no trabalho. O
importante, sempre, é olhar em volta e descobrir como as pessoas se vestem na sua
empresa. Estão mais discretas e as silhuetas, mais fi nas. Também não usam cores
berrantes, como no fi nal dos anos 90. Mas isso não quer dizer monotonia. Aqui, você lê
nossas dicas para sair do lugar-comum sem escorregar no código de vestimenta
corporativo atual.

¡ Preto, cinza, caramelo, creme, verde-oliva, escuro ou musgo são as melhores cores
para pessoas básicas. Para quem não é, misture peças de cores ou de conjuntos
diferentes.

¡ O terninho feminino de hoje não é uma cópia da roupa do homem, como antes. Ele
tem detalhes, lacinhos, manguinhas bufantes ou volumes que diferenciam e conferem
criatividade ao visual.

¡ Os acessórios podem modernizar e dar estilo ao seu terninho básico. Escolha bolsas de
cores que contrastem, mas não briguem com o tecido da roupa.

O NOVO TERNINHO (OU TAILLEUR)


Melancia, maçã-verde, pêssego. Os terninhos com cores de frutas fi zeram sucesso no
começo dos anos 2000, mas já não devem mais fazer parte do ambiente corporativo de
hoje. Esses tons perdem em elegância e discrição para as cores que realmente
combinam com essa roupa, que, se não são exatamente sérias, são menos g ritantes.

¡ Com três botões e abotoamento alto, o estilo tende ao tradicional e o corte, geralmente,
não é tão ajustado. Fica bem nos mais altos e em quem não é tão magro. Não é o que
está nas passarelas mais modernas (veja quadro), mas é o mais democrático.

¡ O terno de hoje é ajustado. “Os homens passaram a valorizar mais o corpo e os ternos
seguem essa tendência”, diz João Carlos Camargo, dono da Camargo Alfaiataria, de São
Paulo.
¡ As fendas traseiras mais atuais são as gêmeas ou duplas. São elegantes e dão
mobilidade.

¡ O cinza com riscas coloridas é um dos mais pedidos nas lojas. “O preto também
está entre os mais procurados pelos nossos clientes”, diz João Camargo, da Camargo
Alfaiataria.

Os ternos mais moderninhos têm dois botões, são bem ajustados ao corpo e
costumam vir sem as lapelas dos bolsos do casaco.
Esses são para os mais magros e também para os baixinhos, desde que gostem
de moda e de se vestir de acordo com as tendências.“O terno de dois botões faz
um V no corpo, o que aumenta os ombros”, diz Camargo. O de um botão é para
quem é muito fashion.

O NOVO TERNO Ele já foi jaquetão, já teve ombreiras enormes, barra italiana, já
foi daqueles que o defunto era maior e, pior que isso, há alguns anos era comum vê-
lo por aí em cores fortes, como mostarda, vinho, verde-oliva. Mas hoje, graças à
atual discrição da moda masculina, o terno é novamente low profi le.

CASUAL MODERNO
O estilo casual tomou força no fi m da década de 1990, nos Estados Unidos, quando
empresas dispensaram o terno às sextasfeiras. Os engravatados adoraram e as mulheres
puderam dispensar o salto e a meia fi na abominável. Mas a euforia inicial não era para
tanto. Hoje, as companhias aprenderam com o uso e colocaram regras para a sexta
casual. Em algumas, é apenas o dia sem a gravata. No extremo oposto, aceitase camisa
pólo e até camiseta. Geralmente, o dia casual tem um grau a mais de descontração do
que o resto da semana. Se o cotidiano é terno e tailleur, na sexta os homens podem usar
camisa e calça de sarja, e as mulheres, calça de alfaitaria e blusa de algodão, por
exemplo. Mas nada que seja sexy ou decotado. Se a empresa já é mais informal, na
sexta o jeans é permitido. Veja como se vestir para o casual sem parecer um daqueles
personagens dos quadrinhos do Dilbert.

¡ Um blazer mais esportivo não deixaninguém escorregar nesse dia. Mesmo que você
esteja usando jeans como o rapaz ao lado, fi ca alinhado e moderno. Fica bacana
também com calças de sarja ou de alfaiataria.

¡ A pasta executiva aquela do James em desuso entre os mais jovens. Quando a roupa é
casual, então, esqueça-a de vez. A bolsa
carteiro tem mais a ver com a necessidade de mobilidade urbana de nosso tempo.

¡Não confunda casual day com meia maratona. O sapato desse dia é mais macio e pode
ter sola de borracha, em vez de couro, mas ainda é um sapato. Em empresas muito
casuais, vale o tênis urbano (veja quadro Incremente o Básico).

MOÇOS MODERNINHOS...
... usam o terno sem gravata. Mas só se for dos modelos mais ajustados e coordenados
com uma camisa de cor como lilás ou rosa. Diga que é por causa do ar-condicionado,
que você não quer contribuir para o efeito estufa. Na verdade, é um jeito estiloso de se
vestir para a sexta casual. ... substituem, definitivamente, o gel nos cabelos, que era
moda nos anos 90, por uma pomada odeladora.
O JEANS VAI AO TRABALHO
O jeans, nos últimos dez anos, ganhou outro status. Tem brilho e um jeito de calça
de alfaiataria. Logo, aquele jeans molinho, amaciado e desbotado que você adora é
melhor deixar no guarda-roupa durante a semana. Para a sexta casual ou para o dia-
a-dia, se sua empresa é informal, use assim:
> Escuro. Pode ser denim ou black.
> Sem partes desbotadas ou furos.
> Os bolsos, melhor se forem discretos e sem enfeites. > Para as mulheres, modelos
com pernas retas ou pantalonas, que não marcam o corpo, são os mais indicados.
> Para os homens, a cintura não deve ser muito baixa.
> Ainda para eles, camisas esportivas não têm erro. Se você está no peso, modelos
mais ajustados e curtos, logo abaixo da cintura, fazem um jeitão mais fashion.
> As mulheres podem usar com paletó ou com uma blusa mais sofi sticada, e
escarpim ou sandálias de tiras grossas.

¡ Nada de alcinhas ou que-caia. máximo, top sem como esse ao lado. Uma gola ou
um detalhe diferente, como babados, deixa a roupa mais sticada. Decotes devem fi
car para o fi m de semana.

¡ Roupas estampadas são mais casuais do que lisas. Nesse dia, misture listras e outras
estampas, se você for antenada com
Senão, estampa para peças, de preferência a blusa.

¡ As bolsas do dia podem ser maiores, a não ser que você seja muito Elas são formais do
que as médias, indicadas para terninhos, e um visual descolado.

¡ A calça pode ser de alfaiataria, de sarja ou empresas que permitem (veja quadro ao
lado).

MOÇAS ANTENADAS
... usam lenços amarrados no pescoço de maneiras diferentes (mas, por favor, não
aquele no estilo árabe, que já virou arroz-de-festa). Você fi ca mais chique e também
atualiza o look. ... deixam os cabelos soltos com ondas ou cachos, desde que estejam
arrumados com leave in, com um bom corte e sem muito volume. A chapinha está em
baixa.

NUNCA JAMAIS

PARA ELES ...


use gravata com camisa de manga curta. Deixe isso para os americanos. Vale o mesmo
para gravata e calça jeans, que absolutamente não combinam.
... use meias brancas com ternos. Elas só funcionam com tênis. As meias devem
combinar com o sapato ou com a calça, o que for mais escuro. Ao usar um sapato
casual, escolha meias de algodão fino, em tom parecido com o do sapato.
... use camisas marrom-castor ou mostarda com terno e gravata. Essa moda já passou há
alguns anos.

PARA ELAS ...


use sutiã de alça de silicone aparecendo, como se fosse invisível. Elas não são.
... use decotes profundos e minissaias no emprego. Quem tem de aparecer é seu
trabalho, não seu corpo. ... use um perfume forte para ir trabalhar.
Você incomoda as pessoas e esse não é o espírito do escritório.
... vista short. Nos dias muito quentes, valem as bermudas até o
joelho, mas só em ambientes despojados. ... use chinelo para
trabalhar. Mesmo que pareçam chiques, são relaxados demais para
qualquer ambiente.

O novo líder tem de ser global


Por André B. Gerdau Johannpeter

Valorizar o espírito de time, estimular a superação de desafi os e


obter resultados diferenciados são qualidades valorizadas no
mundo corporativo atual. Entretanto, ser um líder do futuro pressupõe também ser um
empreendedor de mente inquieta, capaz de fazer conexões não-óbvias, assumir riscos e,
além disso, inserir-se em um cenário global.

Hoje, vemos um crescente número de empresas brasileiras que se internacionaliza,


passando a operar em mercados importantes, com exigentes níveis de qualidade e
concorrência acirrada. Isso requer, principalmente, fl exibilidade cultural, ou seja,
manter-se aberto ao novo, buscando entender distintos pontos de vista em um ambiente
mutante — o que vai muito além do simples domínio de idiomas. Trata-se,
essencialmente, de uma questão de atitude.

Ter um perfi l global não se restringe a quem vai atuar em outros países. O conceito
também está ligado à capacidade de buscar as melhores práticas em sua área, isto é,
enxergar bons exemplos do mercado e aplicálos no seu universo de atuação. Na Gerdau,
diversos programas são realizados para desenvolver nossos profi ssionais, de forma a
aliar habilidade técnica e humana, essencial para formar líderes capazes de agregar
valor ao negócio e de construir carreiras de sucesso.

O executivo do futuro mobiliza as pessoas pela atitude

Na lista das novas exigências do líder, também se reforça a necessidade de ter valores
éticos, ou seja, pautar seu comportamento pela integridade e seriedade, com todos os
públicos — clientes, acionistas, comunidade, fornecedores, entre outros —,
independentemente de onde esteja atuando.

Atualmente, um dos nossos maiores desafi os é crescer sem perder os valores, que são a
base de nossa organização. O líder do futuro agrega à competência técnica uma forte
capacidade de mobilizar pessoas pelas atitudes. Além disso, a simplicidade e a paixão
pelo que faz são fundamentais, pois garantirá assertividade, foco e capacidade de
escutar o time.

Esses requisitos, entretanto, não serão sufi cientes ao líder que não basear seu
comportamento em valores sólidos, característica vital em qualquer tempo. Só serão
verdadeiros líderes do futuro aqueles com integridade ética, sob qualquer circunstância
e em qualquer lugar.
Na hora de comemorar,
comemore!
Por Gustavo Cerbasi

Quando comemoro meu aniversário, costumo tirar um tempo para


refl etir. Aliás, de antemão considero o dia do meu aniversário um
feriado mundial, no qual só aceito trabalhar sob condições muito
excepcionais, sujeitas a compensações, como prolongamento do fi
m de semana seguinte. É com esse tempo para mim mesmo que
faço planos. Sugiro que você faça o mesmo: crie uma regra, uma
ou mais datas para trabalhar para seus objetivos pessoais.

Se nos dedicássemos a nossas metas, elas seriam conquistadas com


mais qualidade e em menos tempo. É em um dia como o do seu
aniversário que você deveria se presentear com a revisão de seus planos, incluindo
objetivos profi ssionais, familiares e individuais. É um bom momento para planejar seu
próximo curso, suas próximas férias ou o ano sabático daqui a uns cinco anos. Se não há
meta temporal imposta a esse tipo de planejamento, ele nunca acontece.

Reserve um tempo para refletir sobre seus objetivos pessoais

Por que no dia do aniversário? Porque é uma oportunidade de se dar um presente.


Aproveite a data para também revisar seu portfólio de investimentos, analisar a
composição de sua carteira e rebalanceá- la. Se a bolsa subiu muito nos últimos meses, é
hora de começar a realizar lucros para voltar a equilibrar a proporção de renda fi xa que
um dia você imaginou ser saudável.

Se a bolsa caiu, é um bom momento para retirar a aplicação da renda fi xa e comprar


mais ações na baixa. Por que no aniversário? Porque, se todos rebalanceassem suas
carteiras em datas clichês como o fi nal do ano ou do trimestre, esses rebalanceamentos
sofreriam com o efeito manada. Prefi ra uma época neutra para decidir com mais
racionalidade.

Aniversário também é momento de comemoração. É hora de resgatar parte daquela


verba destinada a “sair da rotina” e fazer alguma pequena loucura, como um jantar dos
sonhos ou uma viagem de última hora. Epa! Você não tem uma verba para sair da
rotina? Que tal, então, tirar o dia do seu aniversário para planejar a construção dessa
verba e fazer dos próximos aniversários os mais bem celebrados?

Celebrar é parte fundamental de uma vida feliz, portanto, enriqueça sua vida com boas
escolhas!

Escreva sua biografia


Por Luiz Carlos Cabrera
Em entrevistas de emprego, um dos métodos que fazem o maior
sucesso é o biográfi co. A técnica consiste em avaliar se o profi
ssional é capaz de contar sua história de maneira inspiradora. Se a
pessoa consegue transmitir valores, motivos e competências, é
sinal de que foi bem na entrevista. Agora, refl ita um pouco: sua
vida é envolvente o bastante para tornar o ouvinte participante
dela?

Contar uma história interessante não é fazer com que situações


ruins pareçam boas. Descrever bem seu passado signifi ca saber
falar de suas transições e de como você as viveu. Por exemplo,
como você detalharia o processo da escolha do seu curso Superior?
Sua narrativa falaria das mudanças, confl itos e tensões que você
sentiu? O ouvinte acharia coerente?

Quando estiver fazendo um relato de um capítulo importante de


sua vida, procure checar se o ouvinte está absorvendo os valores,
motivos e competências que você deseja transmitir. Lembre que suas habilidades se
desenvolvem em resposta a um desafi o que se impõe e são proporcionais à intensidade
desse obstáculo. Suponha que você queira, por exemplo, valorizar na mensagem sua
expertise em harmonizar confl itos. Que história você contaria?

Você é capaz de contar sua história de vida de maneira inspiradora?

Toda boa narrativa tem cinco elementos fundamentais. O primeiro é o protagonista (no
caso, você), que atrai o interesse do ouvinte. O segundo é o contexto: uma mudança ou
transição que obriga o protagonista a tomar uma decisão. Em terceiro, vêm os desafi os,
as tentações, os confl itos e as frustrações que o pressionam.

O quarto elemento é o momento crítico da história, que deve ser bem detalhado.
Finalmente, o quinto elemento é a solução, o desfecho da história. Experimente contar
para alguém o primeiro elogio que você recebeu no seu primeiro emprego. Depois conte
o seu primeiro erro. É um exercício fantástico. Quer um conselho do mentor? Crie uma
pasta com o nome “biografi a” no seu computador. Sem se preocupar com a cronologia,
comece a escrever sobre momentos importantes de sua vida. Leve esse artigo com você.

Siga os cinco elementos de uma boa história. Você vai se surpreender. Sua biografi a é
muito interessante. Agora só falta saber contá-la

Chique é ser simples


Por Célia Leão

Você já reparou como é chato aquele tipo de gente que conhece um determinado
assunto e, basta uma mínima chance, lá está ele, tecendo uma verdadeira tese
acadêmica, sem que ninguém tenha perguntado? É duro. E, depois de um tempo, a
pessoa acaba ficando com fama de espalha-roda, que chega às rodinhas e cada um vai
para um lado. Nesse mesmo time, temos os viajantes exibidos, é só pintar uma
brechinha e lá está a pessoa falando sobre o trânsito das cidades
italianas, a cor do mar da Grécia, os belos parques londrinos ou o
fascinante estilo nova-iorquino de viver e de se vestir.

Se ele pensa que isso contará pontos em sua carreira ou fará com
que as pessoas o enxerguem como uma enciclopédia ambulante,
está enganado. Cultura e erudição são, sem dúvida, instrumentos
que podem fazer você crescer aos olhos do grupo do qual faz
parte. Mas só se todo esse conhecimento mostrar seus resultados
práticos em seu comportamento.

Você é culto e viajado? Muito legal, mas guarde para si

Acho louvável que o conhecimento e a cultura sejam


compartilhados — quando solicitados. Não de forma gratuita e
chata, como vemos. É muito indelicado subestimar a capacidade e
a sensibilidade de quem convive conosco. Sinto no ar quando a
intenção é a de ajudar e quando a pessoa quer mesmo é se exibir.

Da mesma forma, os quilômetros rodados ao redor do mundo e o número de passaportes


que alguém tem ampliam a maneira de ver a v ida. O problema é quando se faz das
viagens um instrumento de busca de status. Seja sensível: nem todos têm as mesmas
possibilidades. Empresas estão, sim, à procura de profissionais com perfil internacional,
de pessoas cultas e com conteúdo.

Mas, para qualquer que seja o cargo, é sempre mais adequado alguém que prime pela
discrição, por uma postura sensível e um estilo simples e descomplicado de ser e de
interagir. Assim, siga investindo em cultura, viaje mesmo todas as vezes em que as
chances baterem à sua porta. E fique na sua, porque estrelas são bonitas, mas ficam
melhor quando estão no céu.

Qual será o próximo salto?


Por Eugenio Mussak

Vejo os acontecimentos dos últimos tempos como uma espécie de salto triplo da
evolução humana. O primeiro salto foi dado pela liberalização dos costumes no período
pós-guerra; o segundo pelos avanços da tecnologia; e o terceiro, que ainda precisa ser
dado, terá de ser o da aprendizagem real, aquela que não se limita ao acúmulo do
conhecimento, mas estimula o pensamento.

No início da sociedade ocidental, a educação dos jovens começava por um ciclo


chamado trivium, palavra latina que signifi ca “três caminhos”. Nele, o estudante
desenvolvia as bases do aprendizado e era introduzido ao mundo real. Para isso, os
educadores da época selecionavam três disciplinas essenciais: a gramática, a lógica e a
retórica.

A gramática permitia que o estudante compreendesse seu idioma e se inteirasse de sua


cultura. A lógica dava- lhe condições de controlar seu pensamento. E a retórica o
capacitava a comunicar-se. Hoje, não conseguimos mais imaginar o mundo sem o
computador, a internet e o celular. Mas, pensando bem, para que servem mesmo essas
modernidades? Elas servem para potencializar nosso acesso à informação e ao
aprendizado, e para aumentar nossa capacidade de comunicação. Em outras palavras, a
tecnologia está a serviço das potencialidades humanas.

Diploma de curso Superior hoje já não é um diferencial

Começou a surgir uma nova dimensão nas relações do ser humano, especialmente no
trabalho, que está longe de acabar. Há poucos anos, os anúncios de emprego traziam
“domínio de informática” como um diferencial. Até hoje, vejo currículos em que o
candidato coloca sua profi - ciência nos aplicativos do Offi ce, como se ainda fosse uma
vantagem competitiva. Não é mais. Falar inglês e ter um diploma Superior virou
commodity profi ssional.

A vantagem real, especialmente para as carreiras corporativas, nas quais trabalhar em


equipe e liderar pessoas são condições essenciais, está na relação com as pessoas,
começando consigo mesmo. A leitura, a comunicação efi - caz e o pensamento lógico
estão na ordem do dia. É incrível, mas o trivium é o terceiro salto.

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